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INTRODUÇÃO AOS PROCESSOS QUÍMICOS E BIOQUÍMICOS. RELATÓRIO DA PRÁTICA LABORATORIAL REFINO DO ÓLEO BRUTO DE PINHÃO MANSO (JATROPHA CURCAS L.) DOCENTE: ● ADRIANA DOS ANJOS DISCENTES: ● GUSTAVO ALMEIDA DA MATTA – 123618360 ● MARCELLA AGUIAR EIRIZ – 124321102 ● MARIA FERNANDA DE SOUZA TEIXEIRA – 124222942 ● MILENA LIMA GONÇALVES – 124226920 ● MONIQUE DA COSTA GREGÓRIO - 124010662 ● PAULO FERREIRA PIMENTA – 12402838 INTRODUÇÃO: O óleo do pinhão manso está se tornando cada vez mais popular como uma opção ecológica para fazer biodiesel. Esse óleo tem bastante de uma substância chamada ácido graxo, que é ideal para transformar em combustível porque reage bem. Para garantir que o biodiesel feito com esse óleo seja de boa qualidade e atenda aos padrões, é preciso entender bem as características do óleo e analisar cada etapa do processo de produção. OBJETIVOS GERAIS E ESPECÍFICOS: Objetivo Geral: Caracterizar o perfil físico-químico do óleo refinado de Jatropha curcas (pinhão manso) visando sua potencial aplicação na produção de biodiesel de alta performance. Objetivos Específicos: ● Quantificar o índice de acidez e correlacionar este parâmetro com a qualidade do biodiesel resultante, avaliando sua influência na cinética da reação de transesterificação e na estabilidade oxidativa do biocombustível. ● Determinar o teor de fosfolipídios e analisar o impacto destes compostos na eficiência do processo de transesterificação, considerando a formação de sabões e a consequente perda de catalisador. ● Medir o teor de umidade e avaliar sua influência na estabilidade do biodiesel durante o armazenamento, considerando a hidrólise dos ésteres e a formação de ácidos graxos livres. ● Comparar o perfil físico-químico do óleo de Jatropha curcas com outros óleos vegetais comumente utilizados na produção de biodiesel, identificando suas potencialidades e limitações para a produção de biocombustíveis de alta qualidade. METODOLOGIA: Materiais e Equipamentos: O óleo de Jatropha curcas refinado utilizado neste estudo foi adquirido de um fornecedor certificado. As análises foram conduzidas em um laboratório equipado com: ● Agitadores magnéticos ● Balanças de precisão ● Frascos de vidro para custódia ● Equipamentos de titulação e cromatografia Análises Físico-Químicas: As análises foram realizadas com os seguintes métodos principais: ● Índice de Acidez: Este índice é uma medida da quantidade de ácidos graxos livres presentes no óleo, indicada em mg KOH/g de amostra. Um índice de acidez elevado pode ocorrer devido à degradação do óleo durante o armazenamento ou processamento. A análise foi realizada por titulação, onde o óleo foi dissolvido em um solvente (geralmente éter etílico ou álcool) e titulado com uma solução de hidróxido de potássio (KOH) até o ponto final (mudança de cor). ● Teor de Fosfolipídios: Os fosfolipídios são compostos que podem afetar as propriedades físicas do biodiesel. A determinação desse teor foi realizada usando métodos espectrofotométricos e cromatográficos. A presença excessiva de fosfolipídios pode gerar emulsões, prejudicando o processo de separação e a qualidade do biodiesel. ● Umidade: A umidade, expressa em ppm, foi analisada por um método de secagem gravimétrica. O controle da umidade é crucial, pois a água pode promover reações de hidrólise indesejadas que afetam tanto a qualidade do biodiesel quanto a eficiência do processo de transesterificação. Os resultados obtidos foram organizados na Tabela 1: Tabela 1 – Caracterização físico-química do óleo refinado de Pinhão Manso TABELA 1 ÍNDICES UNIDADES VALORES ÍNDICE DE ACIDEZ MG KOH/g (%) 0,75 (0,41) TEOR DE FOSFOLIPÍDIO PPM 4,35 UMIDADE PPM (%) 1044 (0,1) Índice de Acidez: O índice de acidez do óleo de pinhão manso (0,75 mg KOH/g) se encontra dentro dos limites aceitáveis para a produção de biodiesel. Valores superiores a 1,5 mg KOH/g podem comprometer a eficiência da transesterificação devido à formação de sabões e à redução da reatividade do catalisador. A acidez elevada, geralmente resultante de armazenamento inadequado ou de processos de extração ineficientes, pode ser atribuída à hidrólise dos triglicerídeos, liberando ácidos graxos livres. Teor de Fosfolipídios: O teor de fosfolipídios, de 4,35 ppm, encontra-se dentro dos limites aceitáveis para a produção de biodiesel, indicando um baixo potencial para formação de emulsões durante a transesterificação. A presença de fosfolipídios em excesso pode comprometer a eficiência da separação das fases e a qualidade do biodiesel final. Umidade: O teor de umidade encontrado no óleo de pinhão manso (1044 ppm) situa-se dentro dos limites estabelecidos para a produção de biodiesel. No entanto, a presença de água em concentrações elevadas pode desencadear reações de hidrólise, que convertem os triglicerídeos em ácidos graxos livres e glicerol. Esse processo de degradação compromete a qualidade do óleo e pode afetar negativamente a eficiência da transesterificação, uma vez que os ácidos graxos livres reagem com o catalisador alcalino, formando sabões. Para garantir a qualidade do biodiesel e otimizar o rendimento do processo, recomenda-se que o teor de umidade seja mantido abaixo de 200 ppm. Comparação com Outros Óleos Vegetais: Ao comparar o óleo de pinhão manso com óleos vegetais amplamente utilizados na produção de biodiesel, como soja e dendê, observa-se que o primeiro apresenta um perfil de ácidos graxos mais adequado à transesterificação, com menor teor de ácidos graxos livres e menor tendência à formação de sabões. Além disso, o teor de fosfolipídios no óleo de pinhão manso é geralmente mais baixo, o que contribui para uma maior eficiência no processo de separação das fases. Adicionalmente, a rusticidade da cultura do pinhão manso, que se adapta a solos menos férteis e condições climáticas adversas, o torna uma alternativa promissora para a produção de biodiesel, contribuindo para a diversificação da matriz energética e a redução da dependência de culturas alimentares. Discussão: Os resultados indicam que o índice de acidez do óleo refinado de pinhão manso (0,75 mg KOH/g) está dentro da faixa aceitável para a produção de biodiesel, visto que valores abaixo de 1,5% são preferíveis. O teor de fosfolipídios (4,35 ppm) também é considerado baixo, o que é favorável para os processos catalíticos utilizados na transesterificação. A umidade, embora superior a zero, precisa ser controlada adequadamente para evitar reações indesejadas durante a produção de biodiesel. Imagens do processo: Imagem 1: Preparação do óleo em agitador magnético. Imagem 2: Etapa de aquecimento do óleo. Demonstra o aquecimento do óleo em um agitador magnético, mostrando o controle de temperatura. Imagem 3: Exibição do óleo previamente aquecido, pronto para o próximo passo do processo. Mostra o óleo após ser tratado ou aquecido em um béquer. Imagem 4: Óleo tratado e a fase da glicerina. Ilustra a separação de fases após a transesterificação Imagem 5: Finalização do processo, com o produto final em exibição. Exibe o óleo tratado, evidenciando as características desejadas após as análises Conclusão: Os resultados obtidos neste estudo demonstram o potencial do óleo de pinhão manso para a produção de biodiesel de alta qualidade. O perfil químico do óleo, caracterizado por baixo índice de acidez e teor de fosfolipídios adequado, aliado à sua disponibilidade em regiões semiáridas, torna-o uma alternativa promissora para a diversificação da matriz energética. No entanto, a otimização do processo de produção ainda requer estudos mais detalhados, com foco na redução do teor de umidade e na avaliação de diferentes catalisadores. A implementação de práticas de cultivo sustentáveis e o desenvolvimento de tecnologias eficientes para a produção de biodiesel a partir do óleo de pinhão manso podem contribuir para a construção de uma matriz energética mais limpa e renovável. BIBLIOGRAFIA: ● CARRERA, M.(2021). Biodiesel: Produção e Tecnologias. Editora ABC. ● SILVA, R. et al. (2020). Potencial do Óleo de Pinhão Manso na Produção de Biodiesel. Revista de Energias Renováveis. ● ANVISA. (2019). Normas e Procedimentos para Análises Em Laboratórios. Brasília. ● ESGUÍCERO, K. A., & MELO, M. P. (2018). “Análise da Qualidade de Biodiesel Derivado de Óleos Vegetais”. Revista Brasileira de Energias Renováveis, 13(1), 45-56. ● MARTINS, J. M. et al. (2017). “Avaliação do Processo de Transesterificação de Óleo de Pinhão Manso.” Journal of Cleaner Production, 165, 795–804.