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CALCITA – CaCO3 
 A calcita é um carbonato extremamente comum, muito importante como formador de rocha, ocorrendo 
em sedimentos e em rochas ígneas, metamórficas e sedimentares. É um minério importante, com centenas 
de usos na indústria, como na fabricação do cimento, como carga mineral em cosméticos, tintas e borrachas, 
na siderurgia, na metalurgia, na agricultura e muitas outras. 
 Ao microscópio, calcita em grandes cristais bem formados (espática) apresenta clivagem e maclas; 
calcita microcristalina (micrita) não apresenta clivagem nem maclas. 
 Macroscopicamente pode apresentar qualquer cor do preto ao branco, passando por todo o arco-íris; 
pode estar zonada ou bandada. Os cristais, inclusive formados facilmente a temperatura ambiente, 
apresentam mais de 2400 formas combinadas. Os maiores monocristais conhecidos tinham 7x7x2 e 6x6x3m 
e pesavam 250 toneladas. A calcita apresenta dezenas de hábitos diferentes. Muito útil no seu 
reconhecimento é a sua efervescência com ácido clorídrico diluído (~10%) a frio – basta uma gota para obter 
o efeito. A calcita é trimorfa com aragonita e vaterita e forma uma série com a rhodocrosita. Pode conter Fe, 
Mg, Mn, Zn e Co. Possui pelo menos 20 variedades. 
 Pode apresentar fluorescência em vermelho, azul, amarelo e outras cores sob luz UV de ondas curtas 
e longas. É fosforescente, catodoluminescente, termoluminescente, raramente triboluminescente. 
 
1. Características: 
Sistema Cristalino Cor Hábitos Clivagem 
Trigonal 
escalenoédrica. 
Todas Dezenas de hábitos 
diferentes. 
Romboédrica 
perfeita {10-11}, com 
ângulos de 60 e 120º 
entre si. 
Tenacidade 
Quebradiça. 
Maclas Fratura Dureza Mohs Partição 
Polisintéticas e de 
pressão, comuns. 
Conchoidal. 3 não. 
Traço Brilho Diafaneidade Densidade (g/cm3) 
Branco. Vítreo, perláceo em 
superfícies de clivagem. 
Transparente. 2,7 
 
2. Geologia e depósitos: 
 Calcita é o carbonato mais comum, pode ocorrer em praticamente todos os tipos de sedimentos e 
rochas, nestes últimos ou como mineral primário ou como secundário. Em calcários, mármores e carbonatitos 
é o principal mineral formador de rocha. É muito comum como acessório e pode preencher veios que 
atravessam as rochas. 
 É um mineral muito comum como acompanhante de minerais de minério metálicos, neste caso 
chamado de minera da ganga. A lista de possibilidades é muito grande; calcita sempre pode estar presente 
pela sua facilidade em dissolver e reprecipitar. 
 
3. Associações Minerais: 
 A calcita ocorre em tantas paragêneses diferentes, como mineral primário ou secundário, que 
qualquer lista de minerais associados sempre será incompleta. A calcita basicamente ocorre associada a 
qualquer outro mineral. 
 
4. MICROSCOPIA DE LUZ TRANSMITIDA: 
Índices de refração: nε: 1,486 no: 1,658 
ND Cor / pleocroísmo: incolor, não possui cor nem pleocroísmo. 
Relevo: o relevo varia entre baixo e moderado a alto a cada 90º ao giro da platina em 
cristais com clivagem bem definida. Este fenômeno foi apelidado de 
“pleocroísmo de relevo” e é típico dos carbonatos (calcita, dolomita, aragonita, 
siderita, rhodocrosita e magnesita). 
Quando microcristalinos, estes carbonatos não apresentam o “pleocroísmo de 
relevo” ou é muito difícil perceber. 
Clivagem: romboédrica {10-11} perfeita em 3 direções. 
Nos cristais observam-se duas clivagens que se interceptam em ângulos de 60º 
e 120º. Quando a calcita é microcristalina (“micrita”) não se observa clivagem 
nenhuma. 
Hábitos: normalmente anédrica em lâmina delgada. Quando cristalizou em cavidades, 
como vesículas de rochas vulcânicas, pode se apresentar idiomórfica em cristais 
chamados de “dente-de-cão” (= escalenoédricos). 
Macroscopicamente pode apresentar uma infinidade de hábitos e formas. 
NC Birrefringência e cores 
de interferência: 
birrefringência extrema, de 0,172: cores muito elevadas, de 4ª ordem. São 
cores cremes, castanhas, com pontos e bandas coloridas. 
Extinção: simétrica em relação às duas clivagens (o fio vertical do retículo forma a 
bissetriz do ângulo entre as duas clivagens na posição de extinção). Na 
posição de extinção observa-se poeira birrefringente de calcita gerada pelo 
polimento. 
Sinal de Elongação: não pode ser determinado. 
Maclas: segundo {01-12}. 
São muito comuns em cristais grandes e apresentam-se como bandas retas 
coloridas e paralelas. Estas maclas frequentemente podem ser vistas a ND. 
A abundância de maclas caracteriza a calcita; dolomita praticamente não 
apresenta maclas. 
Zonação: não apresenta zonação. 
LC Caráter: U(-), mas pode ser biaxial anômalo, 
principalmente em rochas metamórficas. 
Ângulo 2V: não, pode ser anômalo de 0 – 15º. 
Alterações: é muito resistente, mas pode ser dissolvido com facilidade, possibilitando substituições 
(pseudomorfoses!) por outros minerais nos espaços anteriormente ocupados pelos cristais de calcita. 
Pode ser confundida com: outros carbonatos comuns como dolomita, siderita, magnesita, rhodocrosita e 
aragonita. Entre estes, a calcita é o carbonato que mais apresenta maclas. Mas outras técnicas analíticas 
são necessárias para confirmar os carbonatos trigonais. Ao microscópio somente é possível identificar 
estes diferentes carbonatos com o uso de uma platina universal, uma técnica que exige muita experiência. 
Dolomita apresenta-se idiomórfica com mais frequência que a calcita. 
Titanita mostra relevo mais alto, cores amareladas a marrons, discreto pleocroísmo e é biaxial. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Grandes cristais de calcita exibindo a clivagem romboédrica típica dos carbonatos. À esquerda, a ND. À 
direita, a NC. Este tipo de calcita é denominada de “espática” (do alemão “Spat” = mineral que possui 
clivagem). Cristais com um desenvolvimento destes são típicos de mármores de grão grosseiro,
carbonatitos e veios hidrotermais, mas podem ocorrer em praticamente qualquer ambiente geológico. 
A NC, calcita microcristalina, denominada de 
“micrita”, cimentando grãos de quartzo (em cinza 
na imagem) em um arenito. 
 
 
A NC, calcitas euédricas (escalenoedros) junto 
com argilominerais (verdes) em vesícula (bolha de 
gás) de rocha vulcânica. 
 
Calcita a NC, na posição de extinção, mostrando 
maclas, que são estas bandas retilíneas paralelas e 
coloridas. Pode haver 2 conjuntos de maclas em um 
cristal. 
 
Calcita em rocha sedimentar (calcário) a NC, tanto 
como constituinte dos oólitos (formas 
esféricas/elipsoidais) como também na matriz. 
 
 
 
A NC, calcita em mármore mostrando uma textura incomum de grãos alongados 
tendendo a formar agregados paralelos. 
 
A NC, calcita em mármore (à direita em detalhe) com textura plumosa, também incomum. 
 
Calcário de granulação extremamente fina a ND (esquerda) e a NC (direita). A calcita (pode ser dolomita!) 
apresenta cristais equigranulares muito pequenos. Os opacos são de magnetita idiomórfica. A calcita 
substitui um material de baixa birrefringência (argila?), com remanescentes na forma de partículas ovais, 
algo concêntricas, o que poderia ser chamosita derivada de bertierina. 
 
 
 
 
 
Em calcário de granulação muito fina, calcita e quartzo a ND (esquerda) e a NC (direita). 
O carbonato aparentemente estava originalmente disposto como nódulos, alguns com textura original 
aparentemente divergente, que foram recristalizados ou substituídos por outro carbonato. Os nódulos 
cresceram em um material fino, que pode ter sido originalmente argiloso, agora substituído por carbonatos 
e sílica microcristalinos. 
 
 
A NC, dois mármores diferentes observados com a objetiva de 2,5x. Em ambos os cristais de calcita são 
grandes e sem orientação preferencial, mas no mármore da esquerda praticamente não há maclas, 
sugerindo tratar-se de dolomita. O mármore da direita apresenta grande quantidade de cristais com 
maclas, o que é indicativo da presença de calcita. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A NC, rocha vulcânicacom alguns fenocristais alterados, mas com matriz muito vítrea (preta) de 
granulação extremamente fina e muito vesiculada (= bolhas de gás), com as vesículas completamente 
preenchidas por calcita. À direita, detalhes das vesículas com calcita, observando-se que não há cristais 
idiomórficos. 
 
Escalendoedros “dente de cão” em parede de vesícula de rocha vulcânica a ND (esquerda) e a NC 
(direita). Observa-se a boa clivagem das calcitas. Sobre elas depositou-se calcedônia tingida de verde 
por argilominerais e o resto da cavidade (vesícula) foi preenchida por sílica microcristalina também 
tingida de verde. 
5. MICROSCOPIA DE LUZ REFLETIDA: 
 Os carbonatos, incluindo a calcita, são fáceis de reconhecer sob Luz Refletida. A situação é a mesma 
da Luz Transmitida: identifica-se o mineral como carbonato, mas não se sabe qual é, pois além de calcita 
poderia ser dolomita, siderita, magnesita, rhodocrosita e outros. Calcita caracteriza-se pela grande quantidade 
de maclas. 
 
Preparação da amostra: o polimento da calcita é muito simples, é fácil e rápido de obter, fica de ótima 
qualidade. 
 
ND Cor de reflexão: Cinza escura 
Pleocroísmo: Muito forte em tons de cinza, fácil de observar. 
Refletividade: Muito baixa (~4%) Birreflectância: Não 
NC Isotropia / Anisotropia: Anisotropia muito forte, muito evidente, em cinza. É mascarada pelas 
reflexões internas, mas geralmente é fácil de observar. 
Reflexões internas: Generalizadas claras, brancas a leitosas. 
Pode ser confundida com: outros carbonatos, que são praticamente iguais. 
 Clivagem romboédrica é muito bem visível quando os grãos são grandes. 
 Figuras de arranque estão presentes quando os cristais são grandes. 
 Maclas polisintéticas são muito conspícuas, fáceis de ver, tanto a ND como a NC. Se o carbonato 
apresenta muitas maclas provavelmente é calcita. 
 
 
 
 
 
 
Calcita em carbonatito a ND (esquerda) e a NC (direita). Na esquerda da imagem, um grão de apatita. A 
ND o pleocroísmo muito forte da calcita produz dois tons de cinza bem distintos. A NC as reflexões internas 
generalizadas dificultam qualquer observação adicional, mas geralmente a anisotropia é bem visível. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Versão de agosto de 2021 
 
Calcita com muitas maclas a NC. Em muitos casos as calcitas apresentam maclas em grande 
quantidade, principalmente em minérios tectonizados. Essas maclas podem ser vistas também a ND 
e são diagnósticas para calcita, pois dolomita apresenta maclas com frequência muito menor. 
 
A NC+2º, safflorita (anisotropia em laranja e 
azul), niquelina (anisotropia em azul celeste 
e marrom laranja) e calcita maclada (maclas 
neste caso se parecem com as maclas 
polisintéticas dos plagioclásios). 
 
A NC, veio com 
grandes cristais de 
calcita em rocha. 
 
A calcita apresenta 
as maclas típicas e a 
anisotropia 
característica.