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Título do Tema Sempre Dentro do Triângulo Verde (máximo 4 linhas) Nome do Autor no Triângulo CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO HUMANO Gabriela Souza de Vasconcelos Estágios de Crescimento e Desenvolvimento Humano: O Bebê 2 Introdução Esta unidade pretende abordar as diferentes características que marcam o crescimento e o desenvolvimento de um bebê, desde o nascimento até o terceiro ano de vida. Os aspectos relacionados com o desenvolvimento físico, cognitivo e psicossocial presentes durante esse período serão apresentados para que os profissionais de movimento tenham ciência das características e do que se espera que o bebê adquira nesse período. Portanto, nesta unidade, vamos demonstrar o desenvolvimento físico, cognitivo e psicossocial do bebê. Objetivos da Aprendizagem Ao final desta unidade, esperamos que você seja capaz de: • Demonstrar o desenvolvimento físico e cognitivo do bebê. • Identificar o desenvolvimento psicossocial do bebê. 3 Estágios de crescimento e desenvolvimento humano: o bebê O crescimento e o desenvolvimento de um bebê são caracterizados por uma série de aquisições e adaptações que ocorrem desde o nascimento. Essas podem ser de ordem física, cognitiva e psicossocial. Por isso, os profissionais de movimento que atuam com bebês de até três anos de idade devem estar cientes das características do crescimento e do desenvolvimento físico, cognitivo e psicossocial. Nascimento e desenvolvimento físico nos três primeiros anos O nascimento é um trabalho duro tanto para a mãe quanto para o bebê, em decorrência de todas as mudanças necessárias para que o trabalho de parto ocorra. Ele passa por três estágios: dilatação do colo uterino; descida e nascimento do bebê e expulsão da placenta (PAPALIA; MARTORELL, 2022). Dilatação do colo uterino dura entre doze e quatorze horas. As contrações uterinas regulares causam a dilatação, ou alargamento, da cérvix em preparação para o parto. O fim dessa etapa é marcado por uma dilatação de 10 cm para que o bebê consiga descer para o canal vaginal. Descida e nascimento do bebê dura até uma ou duas horas. Tem início quando a cabeça do bebê começa a se deslocar pela cérvix na direção do canal vaginal, e o término se dá quando o bebê emerge por completo do corpo da mãe. Expulsão da placenta dura entre 10 minutos e uma hora. Nesse estágio, a placenta, assim como o restante do cordão umbilical, é expelida do corpo da mãe. Após o nascimento, tem início o período neonatal, que consiste nas quatro primeiras semanas de vida. Esse período também serve como um momento de transição, visto que, no útero, o bebê era totalmente dependente da mãe e passa para uma existência independente (PAPALIA; MARTORELL, 2022). 4 Bebê recém-nascido Fonte: Freepik (2022). #pratodosverem: a imagem representa uma fotografia de um bebê recém-nas- cido segurando a mão do pai. Ao nascer, o neonato mede, em média, cerca de 50 cm de comprimento e pesa em torno de 3,5 kg. Os meninos tendem a ser um pouco maiores e mais pesados que as meninas. Nos primeiros dias de vida, os neonatos perdem 10% do seu peso, especialmente pela perda de fluidos. Entretanto, a partir do quinto dia eles começam a ganhar peso novamente e tendem a retornar ao peso do nascimento por volta do 10º e 14° dia (PAPALIA; MARTORELL, 2022). Em relação aos sistemas corporais, até o nascimento o bebê depende exclusivamente da mãe. Por isso, após o nascimento, os sistemas e funções do bebê começam a operar por conta própria entre quatro e seis horas após o parto (PAPALIA; MARTORELL, 2022). Neste artigo, você encontrará mais informações sobre um instrumento desenvolvido para avaliação do recém-nascido baseado nas intervenções propostas pela Primeira Semana de Saúde Integral. Clique aqui, acesse o artigo e saiba mais! Saiba mais Durante a gravidez, o feto e a mãe apresentam sistemas circulatórios e batimentos cardíacos separados. O feto recebe oxigênio pelo cordão umbilical, que transporta o sangue “usado” para a placenta e retorna com um novo suprimento. Com o nascimento, o neonato assume plenamente essa tarefa e, a maioria, já começa a respirar assim que entra em contato com o ar. Ao nascer, o bebê requer muito mais oxigênio do que antes, os batimentos são rápidos e irregulares, e a pressão arterial só estabiliza por volta do 10° dia (PAPALIA; MARTORELL, 2022). https://www.scielo.br/j/ape/a/7X7LtcQyLrd4L868pj9wXRj/?lang=pt 5 Ainda no útero, o feto também depende do cordão umbilical para receber alimento e eliminar seus resíduos corporais. Assim que nascem, os bebês instintivamente sugam para ingerir o leite, que é digerido por suas secreções gastrointestinais. Nos primeiros dias após o nascimento, eles eliminam o mecônio, uma substância de cor verde, pastosa e formada no sistema gastrointestinal do feto. Além disso, quando os intestinos e bexiga estão cheios, automaticamente, os esfíncteres se abrem, logo o bebê não será capaz de controlá-los durante meses (PAPALIA; MARTORELL, 2022). Cordão umbilical Fonte: Freepik (2022). #pratodosverem: a imagem representa uma ilustração do cordão umbilical de um feto no útero. Ademais, durante os últimos dois meses da vida fetal, desenvolvem-se camadas de gordura que permitem que os bebês, ao nascerem, mantenham as temperaturas de seus corpos constantes, apesar das mudanças na temperatura (PAPALIA; MARTORELL, 2022). Os primeiros minutos, dias e semanas após o nascimento são cruciais para o desenvolvimento. Por isso, é fundamental que os profissionais sejam capazes, o mais rápido possível, de identificar quaisquer alterações. Uma forma de avaliar um neonato é pela escala de Apgar, uma escala popular e simples de ser aplicada, visto que não requer instrumentos e equipamentos sofisticados (PAPALIA; MARTORELL, 2022). 6 Escala de Apgar Sinal/Pontuação 0 1 2 Aparência Azulada, pálida Corpo rosado, extremidades azuladas Totalmente rosada Pulsação Ausente Lenta (abaixo de 100) Rápida (acima de 100) Gesticulação Nenhuma resposta Expressões faciais de dor ou desconforto Tosse, espirro, choro Atividade Inerte Fraca, inativa Forte, ativa Respiração Ausente Irregular, lenta Boa, choro Fonte: adaptado de Papalia e Feldman (2013). #pratodosverem: a imagem representa um quadro com a descrição dos subtestes da escala de Apgar, incluindo aparência, pulsação, gesticulação, atividade e respiração. Essa escala é aplicada um minuto após o parto e cinco minutos depois, novamente. Ela consiste em cinco subtestes: aparência (coloração); pulso (frequência cardíaca); gesticulação (irritabilidade reflexa), atividade (tônus muscular) e respiração. A partir desses cinco subtestes, o recém-nascido é classificado em 0, 1 e 2 em cada medida, com possibilidade de totalizar 10 pontos. Os bebês que pontuam entre 7 e 10, após cinco minutos do parto, têm uma condição boa a excelente. Já os que pontuam entre 5 e 7 precisam de auxílio para começar a respirar; e os que pontuam menos de 4 requerem medidas de reanimação imediata (PAPALIA; MARTORELL, 2022). As pontuações inferiores a 4 na escala de Apgar, e que se mantenham após 10, 15 e 20 minutos do nascimento, indicam que o bebê apresenta paralisia cerebral ou outros problemas neurológicos. Curiosidade Da mesma forma que ocorre antes do nascimento, o crescimento e o desenvolvimento seguem o princípio cefalocaudal e o princípio próximo-distal (HAYWOOD; GETCHELL, 2016). 7 Princípio cefalocaudal O princípio cefalocaudal determina que o crescimento e o desenvolvimento motor ocorrem de cima para baixo. Devido ao cérebro crescer de forma rápida antes do nascimento, a cabeça do recém-nascido é grande, de maneira desproporcional. Essa diferença tende a diminuir conforme a criança cresce em altura e as partes inferiores do corpo se desenvolvem. Sobre os aspectos sensoriais e motores, o bebê aprende a usar as partes superiores do corpo antes das inferiores. Princípio cefalocaudal Fonte: Freepik (2022). #pratodosverem: a imagemrepresenta a fotografia de um bebê deitado na cama. Princípio próximo-distal O princípio próximo-distal (de dentro para fora) determina que o crescimento e o desenvolvimento motor ocorrem do centro para as extremidades. A cabeça e o tronco se desenvolvem ainda no útero e antes das extremidades. Assim, os bebês aprendem a usar as partes do corpo mais próximas do centro antes de aprenderem a usar as mais distantes. Por exemplo, eles aprendem a controlar os braços para alcançar objetos, depois as mãos em movimentos de concha e, posteriormente, usam o polegar e o indicador para fazer pinça. Princípio próximo-distal Fonte: Freepik (2022). #pratodosverem: a imagem representa a ilustração de quatro bebês em fases distintas do crescimento e desenvol- vimento. 8 Em relação ao crescimento do bebê, ocorre rapidamente durante os três anos iniciais, especialmente nos primeiros meses. Aos cinco meses, o peso de um menino pode chegar a 7 kg e, com um ano de idade, ultrapassar 10 kg. Essa taxa de crescimento diminui gradualmente no segundo e terceiro ano. Por exemplo, o menino ganha até 2 kg no segundo ano e mais 1,5 kg no terceiro ano. Da mesma forma, a altura de um menino aumenta 25 cm durante o primeiro ano, 12,5 cm durante o segundo ano e 6 cm durante o terceiro ano, chegando aos 99 cm. As meninas apresentam um padrão semelhante de crescimento corporal, porém os valores são um pouco menores do que os apresentados para os meninos (PAPALIA; MARTORELL, 2022). Especificamente sobre o desenvolvimento motor, os bebês não precisam ser ensinados a adquirir habilidades motoras básicas. Entretanto, eles precisam de espaço para se movimentar e liberdade para explorar o que podem fazer. Os marcos motores desse período são (HAYWOOD; GETCHELL, 2016): • rolar (entre três e cinco meses); • pegar um chocalho (entre três e quatro meses); • sentar-se sem apoio (entre seis e sete meses); • ficar em pé com apoio (entre sete e oito meses); • movimento de pinça (entre oito e dez meses); • ficar em pé sem apoio (entre onze e treze meses); • andar bem (entre doze e quatorze meses); • montar uma torre com cubos (entre um e dois anos); • subir escadas (até dois anos); • pular no mesmo lugar (entre dois e quatro anos); • copiar um círculo (entre três e quatro anos). Desenvolvimento cognitivo nos três primeiros anos Nos primeiros três anos, o bebê desenvolve habilidades cognitivas em decorrência do interesse pelo mundo a sua volta e pela sua necessidade de se comunicar com as demais pessoas ao redor. 9 Desenvolvimento cognitivo Fonte: Freepik (2022). #pratodosverem: a imagem representa uma fotografia de um bebê sentado olhando atenciosamente para o seu pai. Em relação aos sons e ruídos, desde o nascimento, o bebê consegue detectar e, também, direcionar o olhar e a cabeça para o local de origem desses sons e ruídos. Além disso, consegue identificar características de ritmos e de melodias em diferentes tipos de sons, percebendo alterações nas suas respostas (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). No quarto mês, o bebê já consegue prestar atenção no que está vendo, tocando ou ouvindo sem perder o controle. Essas habilidades cognitivas, aprendidas rapidamente, são percebidas pelos bebês pelo comportamento, pela expressão corporal e pela postura corporal dos outros indivíduos ao seu redor (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Nesse período, o bebê ainda não consegue se colocar no lugar do outro, tendo a visão centrada apenas em si mesmo. A partir da aquisição da linguagem, por meio das primeiras palavras, é que consegue expandir a sua comunicação com os demais. Assim, o bebê começa a conversar e questionar, o que o permite conseguir entender o mundo ao seu redor. Com um ano, o bebê já pronuncia palavras com significado, enquanto outras ainda não são perfeitamente compreendidas pelos pais/responsáveis (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). 10 Em geral, a criança pronuncia a primeira palavra por volta dos dez aos 14 meses, iniciando a fala linguística. Já a partir dos dezoito meses (um ano e seis meses), a criança usa a pré-frase, que é constituída por dois ou mais termos que são organizados conforme a importância afetiva. Nesse período, a criança começa a demonstrar interesse e curiosidade, questionando “por que?”, “como?”, “onde?”, “o que é?”, entre outras questões. Curiosidade Aos dois anos, o bebê já é capaz de guardar e colocar objetos em ordem, construir torres de cubos, identificar de três a cinco desenhos, além de pegar e observar pequenos objetos (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Nesse período, o bebê se entusiasma com sua própria linguagem, gosta de aprender novas palavras (por vezes pronunciadas incorretamente), mas também de inventar novas palavras. Além disso, ele já é capaz de nomear objetos familiares e de conversar sozinho com seus brinquedos e objetos. Com isso, o bebê consegue formar frases, mesmo que ainda rudimentares. É nesse período que ocorre um enriquecimento significativo do vocabulário (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Desenvolvimento psicossocial nos três primeiros anos Os primeiros três anos da criança são muito importantes para o desenvolvimento psicossocial. Assim que o bebê nasce, ele passa a tomar ciência do mundo externo, e será a partir das experiências dele com esse mundo que ele aprenderá sobre si, sobre os outros, e de comunicar-se (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Nas primeiras semanas de vida, entre a sexta e a oitava semana, mais especificamente, o bebê usa o sorriso como estratégia de linguagem não-verbal para atrair a atenção dos pais ou responsáveis. Nesse sentido, o choro também é uma das maneiras de estabelecer contato com as pessoas que o cercam (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Nos primeiros meses de vida, o bebê apresenta significativas oscilações de humor. Além disso, é por volta dos quatro e seis meses de idade que ele melhora sua capacidade de estabelecer intimidade com seus pais ou responsáveis. Por volta 11 de um ano, o bebê ainda apresenta um apego excessivo com a mãe ou com quem cuida dele e, diante da separação ou da ausência dessa pessoa, sente-se irritado. Entretanto, a partir do primeiro ano, o bebê passa a se perceber como alguém distinto da mãe e com vontades próprias (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). O segundo ano de vida é marcado por conflitos e indecisões, já que o bebê fica entre a necessidade de afeto e a necessidade de independência. Isso é evidenciado como um período de oposição em duas áreas fundamentais: o brincar (demolir e construir) e o alimentar-se (repugnância e preferências por alimentos) (PAPALIA; MARTORELL, 2022). Além disso, nesse período, o bebê apresenta dificuldade em compartilhar seus objetos e brinquedos e, por isso, normalmente brinca sozinho. Aos dois anos e meio, ele passa a brincar com outras crianças, mesmo que em paralelo. Por ser um período conflituoso para o bebê e com muitas descobertas, por vezes acontece de entusiasmar-se e morder outra criança, indicando o início da socialização. Mesmo que o bebê goste de outras crianças nessa fase, ele tem muitas dificuldades em se relacionar com elas (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Interação entre bebês Fonte: Freepik (2022). #pratodosverem: a imagem representa a fotografia de dois bebês brincando juntos. Eles estão sentados e um deles está segurando um brinquedo quadra- do de madeira. Já ao chegar próximo dos três anos de idade, ele vai tornando-se mais amável e obediente. Nessa fase é que ele passa a reconhecer pessoas próximas em fotografias 12 e a demonstrar sentimento de afeto, compaixão e culpa (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). Outro aspecto pertinente ao longo dos três anos do bebê é que o desenvolvimento motor e o cognitivo também estão em constante evolução e progressão. Assim, a aquisição de outras habilidades, como o deslocamento independente, permite que o bebê veja o mundo de uma outra perspectiva e tenha acesso a realidades até então desconhecidas. Tudo isso desperta o seudesejo por novas formas de interação com os objetos e com as pessoas que fazem parte da sua vida (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). O processo de desenvolvimento psicossocial do bebê é pessoal e único. Está situado em um contexto histórico-cultural que o influencia. O bebê tem seu desenvolvimento em diferentes ambientes, de forma mais ou menos familiar, os quais proporcionam a eles as primeiras experiências de vida. 13 Conclusão Ao longo dos três primeiros anos de vida de um bebê, muitas aquisições são desenvolvidas para que ele se adapte ao mundo externo. Sendo assim, o bebê apresenta desenvolvimento de ordem física, cognitiva e psicossocial, que permitem a ele conhecer e explorar o mundo ao seu redor. É importante destacar que cada bebê, de acordo com suas características individuais, do ambiente e daquelas relacionadas com as tarefas, apresentará um desenvolvimento físico, cognitivo e psicossocial com aspectos e ritmos únicos. 14 Referências GALLAHUE, D.L.; OZMUN J.C.; GOODWAY J.D. Compreendendo o desenvolvimento motor: bebês, crianças, adolescentes e adultos. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. HAYWOOD, K.M.; GETCHELL, N. Desenvolvimento motor ao longo da vida. 6 ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. PAPALIA, D. E; FELDMAN, R. D. Desenvolvimento humano. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. PAPALIA, D.E.; MARTORELL, G. Desenvolvimento humano. 14. ed. Porto Alegre: Artmed, 2022.