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Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. UNIDADE IV SISTEMA ABC – CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES Prof. Me. Carlos Vicente Berner Prof. Esp. Galthiery Alves de Sousa Lopes Objetivo de Aprendizagem Desenvolver o senso crítico dentro do método de custeio baseado em atividades e entender a sua aplicação dentro das organizações. Plano de Estudo Nesta unidade, serão abordados os seguintes tópicos: 1. Princípio do ABC; 2. Vantagens e desvantagens do ABC; 3. Departamentalização dos custos indiretos dentro do processo; 4. Direcionadores de custos. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. CONVERSA INICIAL O Estudo desta unidade, ABC (Custeio Baseado em Atividades), vem dar ao usuário o canal de informação sobre as posições precisas dos seus produtos e serviços, trazendo eficiência no tratamento da elaboração do processo de diminuição dos custos da empresa, visando melhores expectativas para os gestores tomarem suas decisões e colaborando para a conquista de bons resultados com o dispêndio de pouca aplicação. O sistema ABC é um instrumento que serve para estimar os custos de produção da empresa, onde para a sua utilização definiremos primeiramente as atividades de maior importância para a empresa dentro de cada departamento e os rumos dos recursos que irão alocar os diversos custos incorridos às atividades. Assim que custeamos as atividades, os vínculos entre as atividades já custeadas com os produtos são definidos conforme o rumo das atividades, levando o custo de cada atividade ao produto. Observamos que com o aumento das indústrias e com as grandes inovações que levaram também ao aumento das competições entre produtos e serviços com maior qualidade, exigiu que as empresas pensassem melhor na atribuição dos seus custos, dessa forma seus critérios tiveram que ser readequados ao modelo de um novo cenário industrial, possibilitando que por meio da implantação desse novo método pudessem trazer para a Contabilidade de Custos suporte para igualar seus critérios anteriores às informações que agora em diante necessitariam ser apresentadas aos gestores para que assim suas decisões fossem tomadas. Desta forma, o sistema ABC vem suprir suas carências por ser uma metodologia que apura os custos de maneira mais exata sem cometer os erros que as outras cometem. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. 1. PRINCÍPIO DO ABC Como já conhecemos e estudamos é correto afirmar que esse método é conhecido desde o século XIX, onde vemos que houve estudos com aplicação do ABC também por volta da década dos anos 60. Muitos métodos surgiram após o ABC, como o então conhecido RKW que é um método alemão de alocação de custos (Reichskuratorium fur Wirtschaftlichkeit). O ABC teve seus seguidores que contribuíram para o seu desenvolvimento (Taylor, Fayol), dentre outros, que fizeram seus estudos voltados para o ABC. A Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP abriram seus estudos e pesquisas a partir do ano de 1989 como conteúdo para os cursos de graduação e pós-graduação. E assim dando continuidade os diversos programas de incentivos e desenvolvimento do ABC a outras instituições e empresas. 1.1. Objetivos e Importância do ABC Conforme Nakagawa (2001, p.30), O ABC tem como objetivo facilitar a mudança de atitudes dos gestores de uma empresa a fim de que estes, paralelamente à otimização de lucros para os investidores, busquem a otimização do valor dos produtos para os clientes (internos e externos). Esse método procura reduzir os efeitos provocados quando a empresa pratica de forma errada o rateio dos custos indiretos de fabricação. Como já falamos das necessidades de novas conquistas é necessário tornar importante e destinar de maneira adequada os custos indiretos de fabricação aos produtos, fatos esses que se encontrava com deficiência, que na época poderiam ser admitidas, hoje provocam grandes alterações em que Martins (2000, p.93) cita que dependerão de fatores, sejam eles: a proporção de custos indiretos no total e diversificação das linhas de produto. No entanto, o ABC é a ferramenta auxiliar que os administradores necessitam para apropriar seus custos às atividades e aos produtos. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. 2. VANTAGENS E DESVANTAGENS DO ABC A preocupação de se custear por meio do método ABC visa melhorar a identificação dos custos alocados aos produtos dando como ênfase o detalhamento dos custos indiretos de fabricação. Conforme Leone (1997), [...] a técnica ou o sistema de custo ideal é aquele que tem capacidade de fornecer informações úteis para que os usuários internos das empresas possam avaliar os desempenhos tanto da empresa como dos seus diversos setores, controlar os próprios custos, diagnosticar com facilidade as disfunções, os desequilíbrios, as superposições e os desperdícios, traçar planos e tomar as melhores decisões, e que possa ser implantado e operacionalizado como emprego mínimo de recursos (LEONE,1997 p. 266). O método ABC tem suas vantagens no que diz respeito à aplicação de ferramentas que levam a menores custos, suportando as consequências e melhorias e oportunidades decorrentes do processo, aumentando o desempenho para a melhoria das técnicas que levam as empresas a obtenção de oportunidades, aperfeiçoando adequadamente a distribuição dos custos, principalmente os custos indiretos. Leone (1997) considera como desvantagem: [...] na aplicação do critério ABC e que precisa ser estudado com atenção, está na aparente transformação de custos fixos em variáveis, trazendo consequências graves para a determinação e analise dos custos dos produtos, dos serviços ou de outro qualquer objeto de custeio. Quando os custos e as despesas são apropriados às atividades, o critério não parece se interessar pela divisão dos custos e das despesas em fixas e variáveis (LEONE,1997 p. 267). Outro ponto importante desvantajoso quanto ao critério ABC, é que muitos gestores deixam de tomar decisões de grande importância em curto prazo pelo motivo que o ABC identifica os conceitos do método de absorção, onde o ABC “na análise dos custos e despesas indiretos carrega todos os itens indiretos para os estoques dos produtos”. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. 2.1. Considerações Inerentes ao ABC Dentro do método ABC verificamos que a sua função é distribuir os gastos consumidos individualmente para cada produto, assim os custos são atribuídos tendo como base cada atividade de cada produto, dentro dos quatros métodos praticados pelas empresas para controlar seus custos: por absorção, direto ou variável, o custo meta e o ABC. O mais antigo é o custeio por absorção e aceito pelo fisco, mas consideramos o ABC como sendo o mais completo, e apesar de serem parecidos, para o custeio ABC os recursos para a transformação em produto devem ser consumidos pelas atividades e os produtos assim consumirem as atividades. Martins (2000, p.94), a partir desse tópico nos auxiliará com as suas demonstrações que acercam o método ABC, mediante a continuação dos quadros explicativos que nos levam a evidenciações claras e objetivas. O exemplo se aplica a uma empresa de confecções que produz três tipos de produtos: Camisetas; Vestidos; Calças. Tabela 26 – Volume de produção mensal Produto Volume de Produção Mensal Camisetas18.000 u Vestidos 4.200 u Calças 13.000 u Produto Preço de Venda Unitário Camisetas $10,00 Vestidos $22,00 Calças $16,00 Fonte: Martins (2000, p. 94) Considerando que a empresa possua dois Departamentos, sejam eles: Corte, Costura e Acabamento, “o tempo utilizado por produtos neste departamento, bem como os custos diretos por unidade” se encontram no próximo quadro. Atribuiremos de acordo com Martins (2000) o tempo total da seguinte forma: tempo gasto por unidade multiplicado pela quantidade produzida: Tabela 27– Tempo despendido na produção Tempo despendido na Produção Corte e Costura Acabamento Unitário Total Unitário Total Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Camisetas Vestidos Calças 0,30 h 0,70 h 0,80 h 5.400 h 2.940 h 10.400 h 0,15 h 0,60 h 0,30 h 2.700 h 2.520 h 3.900 h Total 18.740 h 9.120 h Fonte: Martins (2000, p. 94) Tabela 28 – Custos Diretos por unidade Custos Diretos por Unidade Camisetas Vestidos Calças Tecido Aviamentos Mão de Obra Direta Total $3,00 $0,25 $0,50 $3,75 $4,00 $0,75 $1,00 $5,75 $3,00 $0,50 $0,75 $4,25 Fonte: Martins (2000, p. 95) Tabela 29 – Custos indiretos e despesas Custos Indiretos Despesas Aluguel Energia Elétrica Salário Pessoal Supervisão Mão de Obra Indireta Depreciação Material de Consumo Seguros Total $24.000 $42.000 $25.000 $35.000 $32.000 $12.000 $20.000 $190.000 Administrativas Com Vendas Comissões (5% das Vendas) Total $50.000 $43.000 (*)$24.020 $117.020 Fonte: Martins (2000, p. 95) (*) Quantidade produzida, todas vendidas. Com estas informações, podemos apurar o custo de cada produto. Reflita O ABC reduz a arbitrariedade de aplicação aos custos indiretos, é um método de aplicação considerado novo dentre os outros. Surgiu a partir da ideia de dois professores da Universidade de Harvard (Kaplan e Cooper). 2.2. Atribuição dos CIF diretamente aos produtos sem departamentalização De acordo com Martins (2000), atribuiremos os custos indiretos aos produtos, como base de rateio utilizará a mão de obra direta total por produto. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Tabela 30 – Custo da mão de obra direta Custo de Mão de Obra Direta Unitário Total Camisetas $0,50 $9.000 Vestidos $1,00 $4.200 Calças $0,75 $9.750 Total - $22.950 Fonte: Martins (2000, p. 96) Tabela 31 – Taxa de aplicação dos custos indiretos de fabricação (CIF) Taxa de Aplicação dos Custos Indiretos de Fabricação (CIF) Custos Indiretos Mão de Obra Direta – Totais Taxa Aplicação do CIF $190.000 $22.950 $8,2789/$mod Fonte: Martins (2000, p. 96) Tabela 32 – Aplicação dos custos indiretos de fabricação (CIF) Aplicação dos Custos Indiretos de Fabricação (CIF) Camisetas Vestidos Calças Total Unitário $4.14 $8,28 $6,21 - Total $74.510 $34.771 $80.719 $190.000 Fonte: Martins (2000, p. 96) Tabela 33 – Resumo sem departamentalização Custos Diretos Custos Indiretos Custo Total Preço de Venda Lucro Bruto Unitário Margem (%) Ordem de Lucratividade Camisetas Vestidos Calças $3,75 $5,75 $4,25 $4,14 $8,28 $6,21 $7,89 $14,03 $10,46 $10,00 $22,00 $16,00 $2,11 $7,97 $5,54 21,1% 36,2% 34,6% 3º 1º 2º Fonte: Martins (2000, p. 96) O produto com maior margem bruta é o Vestido tanto em valor ($7,97), como também em percentual (36,2%), em segundo vêm as calças. A seguir, a Demonstração, na hipótese de venda de toda a produção: Tabela 34 – Demonstração do resultado Camisetas Vestidos Calças Total Vendas $180.000 $92.400 $208.000 $480.400 Custos dos Produtos Vendidos $142.010 $58.921 $135.969 $336.900 - Tecido $54.000 $16.800 $39.000 $109.800 - Aviamentos $4.500 $3.150 $6.500 $14.150 - Mão de Obra Direta $9.000 $4.200 $9.750 $22.950 Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Subtotal Custos Diretos $67.500 $24.150 $55.250 $146.900 Custos Indiretos $74.510 $34.771 $80.719 $190.000 Lucro Bruto $37.990 $33.479 $72.031 $143.500 Despesas Administrativas $50.000 Despesas com Vendas $67.020 Lucro antes do Imposto de Renda $26.480 Fonte: Martins (2000, p. 97) Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. 3. ATRIBUIÇÃO E ESTABELECIMENTO DO ABC ÀS ATIVIDADES RELEVANTES As atividades são o agrupamento de recursos necessários para que as empresas tenham em seu processo de produção condições de elaboração dos seus produtos, onde se formam em correntes ininterruptas para que sejam concretizados esses processos. Como já conhecemos o objetivo do método ABC, e sabemos que dentro de uma organização existem vários departamentos e que dentro de cada departamento desses existem várias atividades, o que se faz necessário de acordo com o seu objetivo é a identificação das atividades de maneira “especial” existente dentro de cada departamento. Exemplificaremos essa explanação quanto à relevância das atividades na tabela abaixo desenvolvida por Martins (2000, p.101) para o levantamento das atividades relevantes. Tabela 35 – Levantamento das atividades relevantes dos departamentos Levantamento das Atividades relevantes dos Departamentos Departamentos Atividades Compras Almoxarifado Adm. Produção Corte e Costura Acabamento Compras Materiais, Desenvolver Fornecedores. Receber Materiais, Movimentar Materiais. Programar Produção, Controlar Produção. Cortar, Costurar. Acabar, Despachar Produtos. Fonte: Martins (2000, p. 101) Conforme Martins (2000) é importante lembrar que cada atividade deverá ter seu custo e também um direcionador, ou seja, em uma linguagem acessível, que se efetuem a identificação dos custos para as atividades, identificando e escolhendo para cada, os direcionadores de custos. Dessa forma aprendemos que as atribuições dos custos das atividades departamentais são todos os sacrifícios colocados à disposição, e que assim poderão cumprir o processo. Também deverão estar inclusos todos os salários e encargos, depreciação, energia e outros. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Conforme Martins (2000, p.101), Muitas vezes, é possível agrupar vários itens de custos em um só para refletir a natureza do gasto pelo seu total como, por exemplo: ▪ Salário + encargos + benefícios = Custo de Remuneração. ▪ Aluguel + imposto predial + água + luz = Custo de uso das instalações. ▪ telefone + fax + correio = Custo de Comunicações. ▪ passagens + locomoção + hotel + refeições = Custos das Viagens. Outras vezes, pode ser recomendável desmembrar uma conta em várias subcontas para melhor evidenciar os recursos utilizados por diversas atividades. A conta de Mão de Obra Indireta, por exemplo, pode ter que ser aberta para separar as quantias gastas nas diferentes finalidades. O método ABC provoca separações dependendo da sua aplicabilidade em cada empresa, podendo em alguns casos haver a separação das atividades por tarefas desenvolvidas, podendo também dizer que se considera um conjunto de atividades iguais como função, trabalho esse realizado por um departamento. Martins (2000) escala em ordem para atribuição dos custos tendo como prioridades: Alocação Direta, Rastreamento e Rateio. Quando conseguimos identificar de forma clara e objetiva os custos às devidas atividades, como (salários, depreciação, viagens) estamos falando de Alocação Direta. O Rastreamento e a distribuição dos custos com base na determinaçãodo vínculo causa efeito entre o encontro da atividade e a criação dos custos, exemplos: Número de empregado, área ocupada, tempo de mão de obra (hora- homem, hora-máquina). Agora o Rateio é utilizado quando os critérios (alocação direta e Rastreamento) não tiverem possibilidade de utilização, com essa visão podemos aproximar os conceitos teóricos de custos e atividades à prática. Fique Por Dentro Sobre o ABC, propagado por outros autores além de Kaplan e Cooper, sugerimos pesquisar outras referências, como exemplo: BAKER, Judith. Activity-Based Costing and Acticity-Based Management: For healthcare. Aspen Publishers, 1998. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. 4. DIRECIONADORES DE CUSTOS Conforme Martins (2000, p.103): Direcionador de Custo é o fator que determina a ocorrência de uma atividade. Como as atividades exigem recursos para serem realizadas, deduz-se que o direcionador é a verdadeira causa dos custos. Portanto, o direcionador de custos deve refletir a causa básica da atividade e consequentemente, da existência de seus custos. A partir do conceito de Martins (2000), podemos dizer que é mediante o direcionador que identificamos as principais atividades de cada departamento. Para uma empresa a elaboração dessa trajetória, que é o direcionador de custos e de atividades, deve-se trabalhar com perguntas simples e objetivas que levam a um questionamento a respeito de cada departamento quanto às atividades realizadas. Observamos que a partir do momento em que há direcionadores deve haver seus níveis de direção como também a taxa que aplicam aos custos dessas atividades, exemplo: se compararmos a Administração como atividade cuja taxa de Direcionador de Custo seja $2,00 por horas, dentro dessa atividade atribuímos o custo total de $10.000,00 com a divisão do custo total pela taxa, chegaremos ao nível de direcionador de 5.000 do custo total. É correto afirmar que a quantidade de direcionadores como (5.000) depende de cada empresa, levando em consideração de como são exercidas as atividades. Conforme Kaplan e Cooper (1998, p. 16), “com o sistema de custo baseado na atividade, um conjunto de medidas utilizadas só podem ser tomadas com base em melhores informações [...]”. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Figura 2 – Sistema de Custos Fonte: Kaplan e Cooper (1998) Conforme Kaplan e Cooper (1998, p.16), “ABM Operacional tem por objetivo aumentar a eficiência, reduzir os custos e melhorar a utilização dos ativos”. ABM Estratégico tenta reduzir a quantidade de processos a fim de aumentar a lucratividade, partindo do pressuposto, como uma abordagem inicial, de que a eficiência da atividade permanecerá constante. Por exemplo, a empresa pode estar operando em um ponto em que a receita obtida com um determinado produto, serviço ou cliente é menor do que o custo de geração dessa receita. O sistema ABM Operacional objetiva o aproveitamento das máquinas e equipamentos criando por meio dessa eficiência o retorno de recursos, podendo mediante ele, aumentar sua capacidade de produção e viabilizar a diminuição dos custos desnecessários ao processo de produção da empresa. Trabalha para a inovação de novos projetos voltados ao desenvolvimento produtivo da empresa, projetos esses que seus gastos já são delimitados na fase de seu desenvolvimento e o sistema ABC vem oferecer dados atuais para a sua formulação. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Exemplo de Custeio Variável e Custeio por Absorção, por Santos (2018): A apuração dos custos em uma empresa deve não apenas se prestar para o registro contábil, como também para auxiliar os dirigentes na tomada de decisões como: Quando a melhor opção é comprar do que produzir? Qual é o preço de venda? Em quanto pode ser baixado o preço numa determinada venda para enfrentar a concorrência? Qual a quantidade que precisamos vender para ter lucro? Quando devemos parar de produzir um produto ou aumentar a produção de outro? Para entendermos melhor a diferença entre Custeio Variável e o Custeio por Absorção, vejamos o exemplo a seguir: A Indústria Modelo possui apenas um produto e um único departamento (para simplificação) e tem a seguinte movimentação em quantidades: Período Produção Vendas Estoque Final 1º ano 12.000 8.000 4.000 2º ano 10.000 12.000 2.000 3º ano 8.000 10.000 - Composição dos custos de produção: Custos Variáveis Matéria-prima R$ 20,00/un. Energia R$ 6,00/un. Material de embalagem R$ 4,00/un. R$ 30,00/un. Custos Variáveis: Mão-de-Obra R$ 260.000,00/ano Depreciação R$ 80.000,00/ano Manutenção R$ 60.000,00/ano Outros R$ 20.000,00/ano R$ 420.000,00/ano Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Preço de venda: R$ 75,00/un. Cálculo das vendas, custos de produção, estoque final e CPV: Vendas (preço x quantidade vendida): 1º ano 2º ano 3º ano 1) Vendas: 8.000 x R$ 75,00 = 600.000,00 2) Vendas: 12:000 x R$ 75,00 = 900.000,00 3) Vendas: 10.000 x R$ 75,00 = 750.000,00 Custo dos Produtos Vendidos CPV: 1º ano 2º ano 3º ano Custos de produção: Variáveis: 12.000 x $ 30,00 360.000,00 Variáveis: 10.000 x $ 30,00 300.000,00 Variáveis: 8.000 x $ 30,00 Fixos 420.000,00 420.000,00 240. 000,00 420.000,00 = Custo da produção do período 780.000,00 720.000,00 660.000,00 ( + ) Estoques iniciais de produtos em processo 0,00 0,00 0,00 ( - ) Estoques finais de produtos em processo 0,00 0,00 0,00 = Custo da produção acabada 780.000,00 720.000,00 660.000,00 1º ano 2º ano 3º ano ( + ) Estoques iniciais de PA 0,00 260.000,00 144.000,00 ( - ) Estoques finais de PA $ 780.000,00/12.000unid. = $ 65,00/unid. x 4.000 unid. (260.000,00) $ 720.000,00/10.000unid. = $ 72,00/unid. x 2.000 unid. (144.000,00) Total do CPV 520.000,00 836.000,00 804.000,00 Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Graficamente teremos: 1ºano R$ 2ºano R$ 3ºano R$ Total R$ Vendas 600.000,00 900.000,00 750.000,00 2.250.000,00 (-) Custo (520.000,00) (804.000,00) (2.160.000,00) Prod. Vend. Lucro (Prejuízo) 80.000,00 64.000,00 (54.000,00) 90.000,00 Estoque Final 260.000,00 144.000,00 - - Analisando o quadro acima, observamos que a empresa do 1º para o 2º ano, ao passar de R$ 600.000,00 para R$ 900.000,00, de vendas (acréscimo de 50%), obteve, no final do 2º ano, um lucro ainda menor do que no 1º (R$ 64.000,00 para os R$ 80.000,00 do 1º ano). A essa altura o dirigente da empresa, não acostumado a raciocinar com custos, não vai entender como isso é possível. No 3º ano as vendas são reduzidas um pouco em relação ao 2º, mas continuam 25% acima das do 1º ano e, ao invés de lucro, a empresa apura um prejuízo. Sabemos que o problema se deve à variação no volume de atividade (quanti- dade produzida) que é identificada pela oscilação dos estoques finais de pro- dutos acabados. No 2º ano, embora o aumento nas vendas, o volume de produção diminui (ven- de-se o estoque do ano anterior + a produção do 2º ano), provocando, con- sequentemente, uma elevação no custo unitário (de R$ 65,00/unid. no 1º ano, para R$ 72,00/unid., no 2º), pela menor absorção dos CUSTOS FIXOS. Embora tenha havido aumento nas vendas, a elevação do custo unitário foi mais relevante, diminuindo o lucro. No 3º ano a produçãodiminuiu mais ainda, provocando nova elevação no custo unitário e, pelas mesmas razões já comentadas acima, causou um prejuízo de R$ 54.000,00. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Em resumo, os resultados não acompanham necessariamente a direção das vendas, sendo influenciados pelo volume de produção, dificultando assim o raciocínio e a decisão de vendas. No sistema de CUSTEIO VARIÁVEL só se somariam ao CUSTO dos produtos vendidos e ao estoque final, os custos variáveis, passando os custos fixos a serem alocados diretamente aos resultados do período. O quadro então ficaria assim: 1ºano R$ 2ºano R$ 3ºano R$ Total R$ Vendas 600.000,00 900.000,00 750.000,00 2.250.000,00 (-) CPV (240.000,00) (360.000,00) (300.000,00) (900.000,00) = Margem de contribuição 360.000,00 540.000,00 450.000,00 1.350.000,00 (-) Custo Fixo 420.000,00 420.000,00 420.000,00 1.260.000,00 LUCRO ( Prejuízo) (60.000,00) 120.000,00 30.000,00 90.000,00 Estoque Final 120.000,00 60.000,00 - - Exemplo de cálculo de Custeio ABC de Santos (2018) Vamos imaginar uma empresa de serviços de tecnologia: a) Montagem e manutenção de homepages (páginas na internet): Serviço A: Receita Líquida no período R$ 860.965,00 b) Instalação e manutenção de rede interna em empresas (Intranet): Serviço B: Receita Líquida no período R$ 1.262.273,00 Em determinado período, foram registrados os seguintes custos diretos: Custos diretos Serviço A Serviço B Depreciação de Veículo 20.000,00 Salários e encargos sociais do pessoal 100.000,00 130.000,00 Depreciação de equipamentos de PED 80.000,00 15.000,00 Software e hardwares utilizados 45.000,00 380.000,00 Energia elétrica 170.000,00 Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Os custos indiretos, comuns aos dois serviços foram de R$ 500.000,00 para o mesmo período. Por meio de entrevistas, análise de dados na contabilidade, etc, verificou-se que os custos indiretos se referiam às seguintes atividades: Atividades R$ Treinar e aperfeiçoar pessoal 150.000,00 Realizar manutenção preventiva 110.000,00 Realizar manutenção corretiva 80.000,00 Supervisionar serviços 70.000,00 Controlar a qualidade dos serviços 90.000,00 Total 500.000,00 Lista de possíveis custos e direcionadores: Atividades Serviço A Serviço B No. de horas de manutenção preventiva 200 1.400 No. de horas de manutenção corretiva 80 320 Tempo dedicado pelos supervisores 15% 85% No. de horas de treinamento 100 300 No. de pontos de inspeção de controle de qualidade 2 8 Quantidade de homepages montada 80 - Quantidade de redes instaladas - 15 Vamos a alguns cálculos possíveis: a) O valor dos custos indiretos, por tipo de serviço, segundo o rateio com base no custo direto; b) Idem, segundo o Custeio Baseado em Atividade (ABC). c) A margem bruta de lucro, em porcentagem, por tipo de serviço, e no total, segundo Custeio Baseado em Atividade (ABC). Resposta a) alocação dos custos indiretos com base na proporção de custos diretos Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Custos diretos Serviço A Serviço B Total Depreciação de Veículo - 20.000,00 20.000,00 Salários e encargos sociais do pessoal 100.000,00 130.000,00 230.000,00 Depreciação de equipamentos de PED 80.000,00 15.000,00 95.000,00 Software e hardwares utilizados 45.000,00 380.000,00 425.000,00 Energia elétrica 170.000,00 - 170.000,00 Total de custos diretos 395.000,00 545.000,00 940.000,00 Custo indireto a ser alocado aos serviços R$ 500.000,00 Serviço A 395.000,00 Serviço B 545.000,00 Total 940.000,00 100% 500.000,00 1.440.000,00 Custo direto em R$ Proporção 42,02% 57,98% Custo indireto em R$ 210.100,00 289.900,00 Custo total (direto + indireto) 605.100,00 834.900,00 LUCRO BRUTO 255.865,00 427.373,00 MARGEM DE LUCRO BRUTA % 29,72% 33,86% Agora vamos resolver esse exercício pelo método ABC. Escolha dos direcionadores para as atividades: Atividades Direcionadores Treinar e aperfeiçoar pessoal Realizar manutenção preventiva Realizar manutenção corretiva Supervisionar serviços Controlar a qualidade dos serviços No. de horas de treinamento No. de horas de manutenção preventiva No. de horas de manutenção corretiva Tempo dedicado pelos supervisores No. de pontos de inspeção de controle de qualidade Atividades R$ Treinar e aperfeiçoar pessoal 150.000,00 Realizar manutenção preventiva 110.000,00 Realizar manutenção corretiva 80.000,00 Supervisionar serviços 70.000,00 Controlar a qualidade dos serviços 90.000,00 500.000,00 Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Direcionadores: Atividades Serviço A 200 Serviço B 1.400 No. de horas de manutenção preventiva No. de horas de manutenção corretiva 80 320 Tempo dedicado pelos supervisores 15% 85% No. de horas de treinamento 100 2 300 8 No. de pontos de inspeção de controle de qualidade Proporções: Atividades Serviço A Serviço B Treinar e aperfeiçoar pessoal 25,0% 75,0% Realizar manutenção preventiva 12,5% 87,5% Realizar manutenção corretiva 20,0% 80,0% Supervisionar serviços 15% 85% Controlar a qualidade dos serviços 20,0% 80,0% Alocação dos custos das atividades aos serviços em $: Atividades Serviço A Serviço B Total Treinar e aperfeiçoar pessoal 37.500,00 112.500,00 150.000,00 Realizar manutenção preventiva 13.750,00 96.250,00 110.000,00 Realizar manutenção corretiva 16.000,00 64.000,00 80.000,00 Supervisionar serviços 10.500,00 59.500,00 70.000,00 Controlar a qualidade dos serviços 18.000,00 72.000,00 90.000,00 TOTAL 95.750,00 404.250,00 500.000,00 c) Margem bruta de lucro: Serviço A Serviço B Total Receita líquida 860.965,00 1.262.273,00 2.123.238,00 Custos diretos Depreciação de Veículo - 20.000,00 20.000,00 Salários e encargos sociais do pessoal 100.000,00 130.000,00 230.000,00 Depreciação de equipamentos de PED 80.000,00 15.000,00 95.000,00 Software e hardwares utilizados 45.000,00 380.000,00 425.000,00 Energia elétrica 170.000,00 - 170.000,00 Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Custos indiretos Treinar e aperfeiçoar pessoal 37.500,00 112.500,00 150.000,00 Realizar manutenção preventiva 13.750,00 96.250,00 110.000,00 Realizar manutenção corretiva 16.000,00 64.000,00 80.000,00 Supervisionar serviços 10.500,00 59.500,00 70.000,00 Controlar a qualidade dos serviços 18.000,00 72.000,00 90.000,00 Lucro bruto 370.215,00 313.023,00 703.238,00 Margem bruta 43,00% 24,80% Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. Indicação de recurso didático CUSTOS: ANÁLISE E GESTÃO Autor: Evandir Megliorini Páginas: 306 páginas Editora: Editora Pearson Edição: 1° (2011) Idioma: Português ISBN: 9788576059646 Leitura do capítulo 4: Custeio ABC (Activity-Based Costing). Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. CONCLUSÃO A unidade teve como ponto fundamental a atribuição do método de custeio baseado em atividades (ABC), buscando a diferenciação entre os outros métodos já estudados. Vimos que o ABC veio para reduzir as arbitrariedades causadas pela utilização dos custos indiretos de fabricação,por meio de direcionadores de custos, o que permite melhorar a lucratividade e mensurar os custos do processo de produção. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao final do nosso material. Espero que a leitura tenha despertado o interesse ainda maior pelos estudos de Contabilidade de Custos. Agora, vamos sintetizar brevemente os temas abordados: No decorrer da primeira unidade, abordamos os Conceitos básicos e fundamentais da contabilidade de custos e tratamos da terminologia contábil em custos que servirão de entendimento básico para o encaminhamento e aprofundamento do estudo; Na segunda unidade, estudamos Sistema de Acumulação de Custos, que possibilitaram a você, aluno(a), um aprendizado sobre a conceituação básica dos custos; Enquanto na terceira unidade, continuamos com as abordagens conceituais, com o aprofundamento em controles de custos, em que apresentamos os custos para controle e custos para tomada de decisão, ambos permitem aos detentores das informações a possibilidade de decisão de qual produto é mais viável enviar para a produção; Por fim, na quarta e última unidade, tratamos do método de Custeio Baseado em Atividades (ABC), cujo objetivo é a redução e a arbitrariedade causada na utilização dos custos indiretos de fabricação, um método praticamente novo dentre os outros ora utilizados, e que embora a ideia de aplicação deste método tenha surgida por volta de 1920, desencadeou-se a partir de 1980 com estudos feitos por Kaplan e Cooper. Enfim, a metodologia do ABC é destacar a análise das atividades mediante os direcionadores de custos. Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional. REFERÊNCIAS ARAUJO, Helio Rodrigues. Custos: Como Calcular. Disponível em: Acesso em 03/03/2021. SANTOS, Marinéia Almeida dos. Contabilidade de custos. Salvador: UFBA, Faculdade de Ciências Contábeis; Superintendência de Educação a Distância, 2018. ATKINSON, A. A.; BANKER, R. D.; KAPLAN, R. S.; YOUNG, S. M. Contabilidade Gerencial. Tradução André Olímpio Mosselman Du Chenoy Castro. São Paulo, SP: Atlas, 2000. CREPALDI, S. Contabilidade Gerencial: teoria e prática. 1ª ed. São Paulo, SP: Atlas, 1998. FERNANDES, Daniela Pereira. CPV, CMV e CSV: saiba como esses indicadores podem ajudar sua empresa. 2018 Disponível em: Acesso em 04/03/2021. HANSEN, D. R. Gestão de Custos. 1ª ed. São Paulo, SP: Pioneira T.Learning, 2001. HORNGREN, C. T. 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Custo de Produtos Vendidos: aprenda como analisar esse indicador 2019 Disponível em: https://www.suno.com.br/artigos/custo-de- produtos- vendidos/#:~:text=Como%20calcular%20o%20CPV%3F,%2B%20MO%20%2B %20GGF)%20%E2%80%93%20EF> Acesso em 04/03/2021. WARREN, C. S.; REEVE, J. M.; FESS, P. E. Contabilidade Gerencial. Trad. André O. D. Castro. São Paulo: Thomson Learning, 2001.