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Lição 1 de Ana Lúcia Sabadell

Resenha crítica da Lição 1 do Manual de Sociologia Jurídica (Ana Lúcia Sabadell): explica o conceito de escola jurídica e resume a escola do direito natural, o positivismo jurídico (Hans Kelsen, Augusto Comte) e o início da escola histórica do direito.

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO
CENTRO DE CIÊNCIAS DE IMPERATRIZ
Luciana Gabrielle Guedes do Nascimento Silva
Resenha crítica:
 Lição 1 do Manual de Sociologia Jurídica, de Ana Lúcia Sabadell
IMPERATRIZ
2024
Para se compreender as escolas jurídicas, é necessário entender o que constitui uma "escola" no contexto do pensamento jurídico. Sabadell explica que uma escola jurídica é um conjunto de pensadores que compartilham uma mesma linha de pensamento, com princípios e conceitos comuns que orientam sua visão sobre o direito. Essas escolas se formam em momentos históricos concretos e refletem o interesse e as necessidades da sociedade no tempo em que foram formadas. As escolas jurídicas são marcos no desenvolvimento da teoria do direito e desempenham um papel decisivo na criação de novas formas de interpretação e aplicação do direito. Elas se caracterizam principalmente pelas formas com as quais responderam as questões fundamentais que surgiram no ambiente do direito, em especial sobre a origem do direito, a função social do direito e a relação entre as normas jurídicas e os indivíduos.
Ana Lúcia inicia sua análise das escolas jurídicas pela escola do direito natural, a mais antiga dentre elas. O direito natural defende a ideia de que o direito é uma manifestação de princípios universais e imutáveis, que são conhecidos pela razão humana. Esses princípios estariam em conformidade com a natureza humana e por conseguinte independem das leis criadas pelos homens. O direito natural, então, estaria referido a uma ordem moral superior, a qual deve ser seguida por todos os homens, independente de onde se encontram localizados ou qualquer que seja a época em que se encontram vivendo. O direito natural teve a defesa de grandes pensadores da Antiguidade, como Aristóteles, e foi continuado pelos filósofos medievais como Tomás de Aquino. Entretanto, a teoria do direito natural foi mais fortemente defendida durante o Iluminismo, por pensadores como John Locke, Jean-Jacques Rousseau e Montesquieu. Esses filósofos acreditavam que o direito natural deveria servir de fonte para a elaboração das leis positivas, isto é, para aquelas leis que são formalmente criadas pelo Estado. Uma das mais importantes características da escola do direito natural é a sua ênfase na dignidade humana e nos direitos fundamentais. O direito natural, para os seus defensores, não é dado pelo Estado, mas é inalienável, ou seja, que ninguém pode abrir mão deles. Essa visão teve um grande impacto na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, e em outras declarações de direitos que surgiram após a Revolução Francesa. 
Em oposição ao direito natural, a escola do positivismo jurídico surgiu com a ideia de que o direito deve ser visto como um conjunto de normas criadas pelo Estado. O positivismo não aceita a ideia de que o direito deriva de princípios morais universais, ao contrário, o direito é uma construção humana, concreta, e ligada à ordem jurídica estabelecida. O positivismo jurídico consolidou-se no século XIX, com a obra do jurista e filósofo Hans Kelsen, que formulou a teoria da "norma fundamental". Kelsen sustentava que as normas jurídicas devem ser vistas numa hierarquia, onde cada norma é justificada por uma norma superior, até que se chegue a uma norma fundamental que serviria como justificativa para todo o sistema jurídico. O positivismo enfatiza a separação entre o direito e a moralidade, argumentando que o direito deve ser estudado e interpretado a partir das normas que ele institui, e não a partir dos princípios éticos ou morais que podem estar associados a ele. Além de Kelsen, outro pensador fundamental para a escola positivista foi Augusto Comte, um dos fundadores do positivismo filosófico - que teve uma grande influência na sociologia jurídica, ao propôr que as ciências sociais, incluindo o direito, deveriam ser estudadas com base em uma abordagem científica, empírica e descritiva. O positivismo jurídico reflete, então, a ideia de que o direito é um sistema de normas objetivas, que não devem ser tocadas pelos juízos subjetivos de valor. O positivismo exerceu um papel central no desenvolvimento do direito moderno, particularmente nas teorias jurídicas do século XX, que procuraram demarcar o direito, tanto moral quanto politicamente. Em sistemas jurídicos, como o de Hans Kelsen e o do positivismo normativo, o direito é estudado através de suas estruturas formais e da própria autoridade das normas que o compõem.
Outra importante tendência na análise das escolas jurídicas, a escola histórica do direito surgiu na Alemanha no início do século XIX e afirma que o direito é um fenômeno social e, portanto, deve ser compreendido como um produto de um desenvolvimento cultural e histórico. De acordo com seus adeptos, as normas jurídicas não se constituem apenas com base em princípios racionais ou normas universais, mas a partir de um desenvolvimento orgânico, que é reflexo da vivência de costumes, tradições e necessidades sociais em um certo espaço e tempo. A escola histórica foi fortemente influenciada pelo pensador que é o jurista Friedrich Carl von Savigny, segundo quem o direito não pode ser imposto por cima da sociedade, como sucede no positivismo, mas deve crescer a partir do seio da sociedade, a partir de sua evolução histórica. Para Savigny, o direito não pode ser considerado exceto através do olhar da história, da cultura e dos valores de um povo. A principal contribuição da escola histórica é sua ênfase na relação entre direito e instituições sociais. Para os defensores dessa escola, as normas jurídicas são um reflexo da própria realidade social e devem ser compreendidas à luz da evolução histórica que ocorre nas sociedades.
A escola sociológica do direito, como o próprio nome prefigura, considera o direito sob um olhar sociológico. Essa corrente de pensamento teve força no final do século XIX e início do século XX e argumenta que o direito deve ser estudado a partir da realidade da sociedade à qual ele se aplica. O direito não é apenas um conjunto de normas abstratas, mas um fenômeno social que atende às necessidades sociais e imputa soluções de conflitos entre indivíduos. Entre seus principais arautos, Sabadell destaca entre os seus influentes, o enfoque na sociologia jurídica de Émile Durkhiem e Max Weber, cujas obras ensinam que as instituições jurídicas são o reflexo das estruturas sociais e culturais de uma sociedade específica. O primeiro defendia, por exemplo, o conceito de que o direito expressa a solidariedade social, e as normas jurídicas surgem para garantir a coesão e a estabilidade social. O segundo, com sua teoria da ação social, sustentou o papel das autoridades jurídicas na regulamentação das interações sociais e na construção da ordem social. O sociologismo jurídico teve forte impacto nos estudos do direito pela introdução de uma nova abordagem, mais empirista e pragmática, que produziu vínculo entre as realidades sociais, econômicas e culturais na interpretação do direito. Para os sociólogos jurídicos, o direito é que deve ser entendido não apenas do lado das normas jurídicas, mas também do lado dos comportamentos e das relações sociais que o regem. 
Por fim, Sabadell aborda a Escola do Realismo Jurídico, a qual surgiu nos Estados Unidos, na primeira metade do século XX, envolvendo pensadores como Oliver Wendell Holmes Jr. e Karl Llewellyn. O realismo jurídico sustenta a ideia de que o direito não pode ser compreendido apenas com base em suas normas formais, mas requer a análise de sua aplicação na prática jurídica, em sua efetiva atuação nos tribunais e nas instituições jurídicas. O realismo jurídico é contrário ao positivismo que, para eles, as sentenças judiciais não revestem-se de mera aplicação de normas abstratas, mas são sempre influenciadas por fatores sociais, econômicos e psicológicos. Para os realistas, o direito é uma prática social que deve ser estudada com base na atividade efetiva das normas nas situações concretas, e não um conjunto de normas e regras. A contribuiçãomais relevante do realismo jurídico foi a ênfase sobre a importância da experiência prática em direito e sobre a análise do comportamento de juízes, advogados e outros profissionais do direito. Para os realistas, o direito não pode ser compreendido de forma puramente teórica, mas deve ser estudado a partir de sua aplicação na realidade.

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