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Resumo - Psicanálise - Winnicott

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Resumo – Psicanálise – NP2 
Desenvolvimento Emocional Primitivo de Winnicott – O que acontece com 
o bebê com 0-5 anos de vida? 
Para Winnicott, a partir dos 6 meses, pode-se dizer que o bebê já é capaz 
de mostrar, através do seu brincar, que ele compreende que tem um mundo 
interior, e que as coisas vêm do exterior. 
O bebê já construiu uma noção de realidade; diferenciação primitiva entre 
seu mundo interior e o mundo exterior. 
Winnicott considerava as contribuições de Klein sobre relações de objeto. 
Ele afirma que existem três processos que ocorrem muito cedo: integração, 
personalização e realização. 
A integração é dada quando dois eixos confirmam a sua tendência: a 
técnica de cuidados do bebê e aglutinação das experiências instintivas na 
personalidade. 
Klein diz que o bebê já nasce com um protótipo de ego (ego arcaico). 
Winnicott discorda, ele diz que o ego ainda vai ser construído a partir da relação 
com a mãe (0-5 meses). 
Personalização é a experiência instintiva e a reiteração das silenciosas 
experiências que os cuidados constroem de forma gradual. 
A psicose está ligada à um retardamento desta personalização. 
Os cuidados com o bebê fazem com que ele organize seus instintos. 
Exemplo de despersonalização: presença de amigos imaginários na 
infância; revelam outros eus da criança. Quando há fixação da criança, podemos 
supor que esse desenvolvimento está ocorrendo de maneira não esperada. 
Realização: apreciação do tempo e espaço, conhecimento da realidade. 
Está relacionado ao corpo localizado no self. 
Indica tomada de consciência de que o fenômeno não é produzido pela sua 
imaginação. 
Todos possuímos tendências à integração, porém essa tendência somente 
se confirmará com o ambiente cuidador. Quando a integração é falha ou parcial, 
há dissociação. 
A integração carrega a conquista de adaptação à realidade, um 
relacionamento primário com a realidade externa. 
Na experiência compartilhada da amamentação (vontades predatórias do 
bebê em relação ao seio e o desejo da mãe de amamentar), a mãe fornece ao bebê 
pequenos pedaços da realidade. 
A fantasia é mais primária que a realidade, que pode ser enriquecida com 
experiências da realidade pela ilusão. 
No caso das psicoses, existe uma regressão e o objeto existe quando 
desejado e desaparece quando não desejado. 
Para que a ilusão se estabeleça, o adulto deve apresentar a realidade ao bebê 
em pequenas porções, de modo adequado às suas necessidades. 
Winnicott diz que este desenvolvimento possui uma fase onde predomina a 
ausência primitiva de compaixão, antes que o bebê possa considerar o ambiente. 
Ele também estabelece a retaliação primitiva como um momento primário 
da vida do bebê, que precede a realidade e atribui ao objeto seu aspecto de 
retaliação. 
O objeto e os instintos do bebê estão emaranhados, onde o ambiente é ele 
mesmo. Isso está demonstrado na ambivalência entre amor e ódio quando o bebê 
chupada o dedo (prazer e desprazer). Ao invés de atacar o objeto, o ato de sugar 
o dedo simboliza o retorno do impulso ao eu (inversão da pulsão). Ilustra uma 
defesa contra a perda do controle sob o objeto externo. 
Winnicott aponta condições ambientais que favorecem a saúde mental e o 
desenvolvimento. 
O desenvolvimento ocorre numa soma entre as tendências inatas e um 
ambiente que provenha condições que estejam adaptadas as necessidades 
específicas. 
Graus de dependência: 
 Dependência extrema; 
 Dependência; 
 Mesclas de dependência e independência; 
 Independência-dependência; 
 Independência; 
 Sentido social. 
Winnicott considera fatores hereditários. 
Desenvolvimento: vida instintiva (ID) e personalidade. 
O desenvolvimento da personalidade abrange fenômenos essenciais quando 
se pensa em saúde mental do sujeito. 
Se o ambiente falhar em prover as condições para o desenvolvimento do 
ego (organização dos instintos) teremos condições mais severas de regressão e 
saúde mental. 
O bebê nasce desintegrado, não constituído. 
Para Winnicott, o desenvolvimento emocional está estritamente ligado a 
um princípio, a saber, de que o bebê não constitui uma unidade em si mesmo ou 
se é possível falar em unidade; ela se constitui como uma organização entre o 
indivíduo e o meio ambiente, inicialmente representado pela mãe. Este ambiente 
seria facilitador na medida em que provê cuidados ao bebê que serão a base da 
saúde mental. 
Realidade subjetiva: primeira construção do bebê, primeira noção de 
realidade, meio ambiente pessoal; entende a realidade criada como algo dele para 
ele. 
Todos nascemos na dependência, em rumo a independência. A condição 
disso acontecer ou não depende do ambiente, para uma organização própria de si 
mesmo (unidade integrada), do self. 
O papel da mãe é ser um ego auxiliar, ajudar o bebê a formar o seu si 
mesmo, eventualmente o seu eu; é ser um ambiente facilitador da criança com os 
objetos subjetivos. 
O bebê depende da adaptação de uma mãe suficientemente boa. 
Para Winnicott, a primeira relação de objeto é uma relação unificada mãe-
bebê, formam uma unidade, simbiose. 
A mãe suficientemente boa protege das angústias impensáveis, aquelas que 
ocorrem nos estágios precoces do desenvolvimento, numa etapa em que o bebê 
não tem capacidade para compreender. 
Por meio da preocupação materna primária, a mãe consegue criar as 
condições dos desdobramentos do desenvolvimento. Ela vai suprir as 
necessidades do bebê e vai fazer com que ele se integre, que passe pelas 3 tarefas 
fundamentais. 
É necessário que a mãe tenha apoio para suportar, o parceiro tem um papel 
ativo e fundamental na constituição do ambiente ativo e facilitador. 
Primeira função materna: apresentação do objeto, oferta do seio nos 
momentos certos, dando a infusão ao bebê que ele é onipotente e criou o objeto; 
incorpora elementos reais do seio na sua alucinação. 
Segunda função materna: holding, sustentação, ação em que a mãe protege 
o bebê dos perigos pelos cuidados cotidianos, a mãe sustenta o bebê física e 
psicologicamente. 
Terceira função materna: handling, refere-se à manipulação do bebê 
enquanto ele é cuidado. 
É necessário que a mãe sinta raiva de ser mãe, para criar uma distância 
necessária para o bebê. Essa distância propicia um tempo de espera fundamental 
para o desenvolvimento. 
O bebê cria a capacidade de esperar se os cuidados na dependência absoluta 
forem suficientemente introjetados. O bebê tem confiança que a mãe vai aparecer 
e consegue suportar a espera. 
Esse especial trabalho de memória, registro de trabalhos recebidos, 
relativizando a dependência em relação ao meio, não se trata de rompimento e sim 
de um contato em rumo a independência. Distância gradual e não abrupta. 
Objeto transicional – ajuda a sustentar a desaptação da mãe. 
Dependência absoluta – bebê totalmente dependente da mãe, três tarefas, 
habita no mundo subjetivo criado por ele. 
Dependência relativa – o bebê deixa a ilusão de onipotência, mas conserva 
a ilusão básica. Bebê precisa lidar com as lacunas deixadas pela mãe, provendo 
amadurecimento (transicionalidade). 
Independência relativa – a criança estabelece contato com a realidade, sabe 
diferenciar o eu do não-eu. Conserva a internalização do ambiente dentro de si. 
Para Winnicott, a agressividade é inata, se integra a condição humanas de 
estar vivo. Se o bebê não tiver agressividade ao seio, ele não vive, a agressividade 
como função de sobrevivência. 
O papel do ambiente é de sustentar a agressividade do bebê. Só virá a 
desenvolver se ele puder experienciar essa agressividade na infância. 
Os impulsos agressivos devem ser integrados. Quando a integração não é 
possível, em função da mãe não estabelecer a fusão, essa agressividade será 
escondida pela timidez e autocontrole, ou negada, ou se manifestar na compulsão 
à destruição, comportamento antissocial. 
É necessário que a agressividade seja vivida, para aprender a repararé 
preciso aprender a destruir, para sentir culpa. 
A agressividade surge inicialmente como um impulso no bebê, 
impossibilidade de reconhecer amor e ódio. 
A criança só vai se sentir culpada quando ela estabelecer uma diferenciação 
entre eu e outro (o que eu faço provoca um efeito real no outro). 
Após o ego que a criança passa a sentir raiva perante às frustrações. 
Tendência antissocial não é um diagnóstico, pode ser encontrada em 
qualquer indivíduo de qualquer idade. 
Fenômeno Transicional e Espaço Potencial 
No estágio do uso do objeto a criança percebe objetos e uso como algo 
externo. O bebê passa a considerar o objeto como uma coisa em si mesma, externa 
e separada dela. 
Os fenômenos transicionais estão entre o sentido pessoal da existência e a 
realidade externa, e começam a ocorrer quando tem início o processo de desilusão. 
Ser capaz de eleger o objeto transicional indica por si só que algo da 
realidade objetiva foi introduzido vagarosamente na realidade subjetiva, 
especificamente na área da onipotência da criança. 
A origem dos fenômenos transicionais e do objeto transicional está no 
paradoxo de que ele foi criado pelo bebê quando foi oferecido pela mãe. Por ter 
sua origem em seu mundo subjetivo, no fenômeno da ilusão, e por estar sob 
controle do bebê, este objeto parece ter vitalidade própria. 
O objeto transicional também sofre os taques instintuais do bebê, mas 
sobrevive a eles. 
O OT é um objeto específico do qual a criança se apega, que possui certas 
características, muitas vezes a criança se recusa em larga-lo, pois transmite 
segurança. 
O objeto é tratado tanto com carinho quanto com brutalidade. O cheiro é 
muito importante, e o OT se torna indispensável nos momentos de solidão, tensão, 
inquietação e na hora de dormir. 
A criança se relaciona com o OT com a finalidade de transitar entre o 
mundo dos objetos subjetivos criados por ela no estágio de dependência absoluta 
e o mundo dos objetos objetivos descobertos por ela no estágio da dependência 
relativa. 
Os OTs representam uma etapa do desenvolvimento, a transição entre o 
subjetivo mundo interno e imaginário do bebê para o mundo real e objetivo. 
O OT é ao mesmo tempo criado pelo bebê e fornecido pelo ambiente; é algo 
que existe entre o mundo subjetivo e objetivo. 
O OT não é esquecido e não há luto por ele, o objeto perde o sentido. 
Podemos dizer que os fenômenos transicionais “representam” a mãe, é 
essencial que ela seja vivenciada como um objeto bom. 
Para transitar nesses mundos (subj. e objt.) é preciso que a criança crie o 
mundo transicional e tenha tempo suficiente para estabelecer sua criação e sua 
conquista segura pelo cuidado materno, que, por sua vez, precisa permanecer 
sustentando a continuidade desse processo. 
Ao conquistar etapas de seu desenvolvimento, o bebê sai do mundo 
subjetivamente concebido para o mundo objetivamente percebido. Essa passagem 
é sustentada pela ilusão da onipotência, a qual possibilita a instauração de 
confiança para com o ambiente. 
Para Winnicott, o espaço potencial é o lugar específico de um processo que 
acontece no indivíduo, iniciando-se em uma área intermediária. Com seus 
fenômenos e OTs, evolui para o brincar, para o brincar compartilhado e para as 
experiências culturais. 
O EP é uma área entre o interno e o externo, entre o subjetivo e o objetivo. 
O que está dentro está livre de comprovação, livre da tarefa de discriminar entre 
fato e fantasia. É uma área de descanso, é um lugar a partir do qual o indivíduo 
pode viver sua existência. 
“Área de descanso” porque durante toda nossa vida estamos diante da tarefa 
de precisar separar a realidade externa da realidade interna. E, é a 
transicionalidade que permite essa “área de descanso”, em que não temos que 
separar o que é de dentro e o que é de fora. 
Através da transicionalidade que existe uma tentativa de recuperar a ilusão 
que passou a perder. 
Não é o objeto que é transicional, ele representa a transição do bebê de um 
estado de fusão com a mãe para o relacionamento de objeto externa. 
No fenômeno transicional essa função de separar e juntar é também uma 
defesa contra a ansiedade depressiva. 
Ao viver os fenômenos transicionais, o bebê está criando seus alicerces para 
viver outras relações no decorrer da vida. 
Através do OT, o bebê passa a adquirir a capacidade de distinguir fantasia 
e fato, de simbolizar, de brincar, e, quando alcançar um estágio de maior 
integração do ego, ter acesso à cultura. 
O EP, por se localizar no terreno do mistério, constitui uma base propícia 
para o surgimento de toda a vida cultural do indivíduo, 
Gradativamente, o OT vai perdendo seu significado, diluindo-se nos 
fenômenos entre a realidade psíquica interna e a realidade objetiva, abrangendo e 
se manifestando nos fenômenos culturais. Seu destino é a ampliação, 
enriquecimento do mundo interno do bebê rumo ao amadurecimento. 
Falso e verdadeiro Self 
O verdadeiro self descreve um senso de si baseado na experiência autêntica, 
na sensação de estar vivo, de possuir um self real. 
Já o falso self, Winnicott observava como uma fachada defensiva, que em 
casos extremos apresentavam-se sem espontaneidade nenhuma, aludindo sentir 
mortos e vazios, atrás de uma mera aparência de ser real. 
Teoria do falso self: devido as falhas ambientais, a criança se submete às 
exigências dos pais e não desenvolve seu self verdadeiro, vivenciando uma vida 
“como se”. Na vida adulta surge nessas pessoas um sentimento de vazio e de 
futilidade, a pessoa se sente uma farsa. 
O falso self patológico, síndrome de despersonalização, é comumente 
encontrado em quadros psicopatológicos depressivos e borderline. 
Para Winnicott, os motivos dos adultos adoecerem psicologicamente está 
comumente atrelado ao fato de que, nos primeiros anos de vida lhe foi negado a 
possibilidade de ser si mesmo; não foi permitido ser difícil, agressivo, intolerante, 
egoísta como precisa ser. 
Para o autor, um desenvolvimento saudável requer a experiência de um 
período em que a criança não precisa se preocupar com os sentimentos e opiniões 
daqueles que cuidam dele. 
O verdadeiro self da criança em seus estágios primitivos é de natureza 
associal e amoral. 
Se um sujeito se sente autêntico como adulto, então deve ter vivenciado 
existir de modo verdadeiro de exigir atenção, pontapés, gritos e mordidas na raiva. 
O verdadeiro eu da criança tem que despojar da possibilidade de destruir os 
pais quando enfurecida e, posteriormente, testemunhar que eles sobreviveram. 
Isso garante para a criança um sentido de vida; um reconforto que o mundo não 
morre com seus desejos destrutivos. 
Quando o ambiente consegue sustentar a criança, gradualmente, a criança 
também desenvolve um falso self, no sentido de criar a capacidade de se 
comportar de acordo com as exigências da realidade externa, permitindo que a 
criança se submeta às regras escolares e se torne um adulto com uma vida 
profissional. 
Quando é sustentado pela possibilidade do verdadeiro self, a criança não 
precisa insurgir e manifestar necessidades constantemente. Ela segue a regra, 
porque, durante algum tempo pode ignorá-las inteiramente. 
Quando a criança não despoja da possibilidade de sua espontaneidade, 
como ausência do ambiente favorável, a criança cumpre obediências cedo demais, 
congelando a autenticidade. 
Para Winnicott, a mãe suficientemente boa é aquela que vai de encontro 
com os gestos espontâneos do bebê, proporcionando a ilusão do mundo mágico a 
ele. 
O conceito de verdadeiro self remeteria aos rudimentos – antes de haver 
uma separação entre interior e exterior – do que posteriormente constitui a 
realidade interna da criança. 
Winnicott via o verdadeiro self como enraizado desde a primeira infância 
na experiência de estar vivo, como o bombeamento de sangue e a respiração 
pulmonar, simplesmente ser/existir. A partir disso, o bebê cria a experiência deum senso de realidade, um sentimento de que vale a pena viver. 
Os gestos espontâneos e não verbais do bebê derivam desse sentido 
instintivo e, se respondidos pela mãe, tornam-se a base para o desenvolvimento 
contínuo do verdadeiro self. 
O verdadeiro self refere-se ao gesto espontâneo da criança, ou seja, o 
conjunto de expressões criativas do bebê desde o início da vida. Uma mãe 
suficientemente boa buscaria, em certa medida, se adaptar a estes gestos. 
Espontaneidade ≠ Reatividade 
Espontaneidade – impulsos que surgem no interior do bebê. 
Reatividade – reações do bebê ao ambiente, aos gestos da mãe. 
Quando a mãe não tem capacidade de compreender e satisfazer as 
necessidades da criança, ela passa a se submeter a mãe para sobreviver. Nesse 
caso, a mãe impõe ao bebê a sua própria gestão, submetendo-o ao que começa a 
ser um falso self. 
O falso self, por sua vez, aludiria a uma organização decorrente das 
ameaças ao verdadeiro self. Quando a função materna não é suficientemente boa, 
o gesto espontâneo do bebê não é continuado, sendo este submetido à necessidade 
de se adaptar ao ambiente. 
Assim, em um ambiente que não é suficientemente bom, o falso self 
constitui-se como uma defesa – e ao mesmo tempo uma proteção necessária – 
para a sobrevivência do verdadeiro self. Em alguns casos, o falso self cuida e 
garante a existência do verdadeiro self. 
Para Winnicott, isso significa uma interrupção do ser produzida pela reação 
a intrusão; a reação toma então lugar do desenvolvimento. 
As falhas maternas sentidas como invasões provocam reações que 
perturbam a continuidade de ser. Invasões intensas e reiteradas levam ao 
sentimento de aniquilamento do self e a defesa do tipo falso self não é do sujeito, 
é reativo. 
O reagir interrompe o ser o existir. 
Todo indivíduo tem experiências de “quebra da continuidade do seu ser” 
(ou de falhas maternas), por isso todo indivíduo desenvolve um falso self. 
O que diferencia o falso self operativo do patológico é o grau de domínio 
do falso self ou do verdadeiro self na condução da existência do indivíduo. 
O falso self é produto da educação e socialização, desta forma, por vezes 
poderá suprir ou proteger o verdadeiro self. Ele atua no desenvolvimento como 
uma defesa natural ante a necessidade de adaptação da criança ao ambiente em 
que ela vive. 
Tudo que é sentido pelo verdadeiro self é sentido como real, tudo aquilo 
que provém do falso self é sentido como irreal. O adulto maduro faz concessões 
à sociedade por meio de um falso self instrumental sem perder o fio que o liga a 
si mesmo. 
Para que um indivíduo venha a desenvolver um falso self, as falhas graves 
ambientais ocorreram num estágio primitivo do desenvolvimento, quando ainda 
não tinha um eu constituído. Essas falhas permanecem, no entanto, congeladas. 
Winnicott diz que o indivíduo que desenvolveu um falso self traz em si uma 
esperança de uma nova oportunidade para descongelar a situação da falha 
original. 
Para isso acontecer o psicólogo deve fornecer um holding adequado que 
propicie a regressão desse sujeito a independência precoce. 
Nesse sentido, Winnicott fala em regressão do eu e não do ID, o paciente 
precisa voltar ao período de falha original. Uma vez regredido, o paciente reage 
as falhas do psicólogo com raiva ou ataques violentos, talvez sentindo essa raiva 
pela primeira vez. O analista deve aceitar as críticas do paciente sem revidar, 
justificar ou interpretar, se os fizer, repetirá a falha original. 
Assim, pela primeira vez o a paciente poderá queixar-se do ambiente falho, 
até então, não reconhecia a exterioridade dos cuidados e isso fazia com que 
sentisse as falhas ambientais como fracassos pessoais. 
Winnicott percebeu que a tendência antissocial possui origem em uma 
deprivação, que expressa o pedido da criança para retornar aos períodos que tudo 
ia bem, a fase da vida anterior à deprivação que sofreu. 
Deprivação ≠ Privação 
Deprivação: perda ocorrida após um período em que foi possível a criança 
vivenciar uma experiência positiva. 
Privação: ato ou efeito de privar. 
Winnicott compreende que as rupturas, a descontinuidade dessa ordem e 
nessa fase podem desencadear dificuldades de desenvolvimento, entre as quais se 
situam as tendências antissociais. 
Para Winnicott, ocorre a deprivação quando a criança teve algo de bom em 
sua experiência é uma certa data, uma suficiência materna que lhe foi retirada de 
forma abrupta por um período maior do que aquele em que seria possível manter 
viva a lembrança dos cuidados bons. 
Após a deprivação, a criança se percebe roubada e passa a cobrar do 
ambiente o que este lhe deve. Ela provoca o ambiente com atos agressivos e 
destrutivos para chamar atenção, de modo a obriga-lo a leva-la em conta e tomar 
providências. 
Winnicott alerta para a necessidade de não se desperdiçarem os sinais 
lançados pela criança por intolerância ou incompreensão. Caso esse apelo não 
encontre eco no ambiente, a criança não terá condições de livrar-se do medo da 
aflição, decorrente da instabilidade, ou da confusão que ela viveu com a 
deprivação. 
Partindo-se do princípio que algo rompeu os cuidados que lhes possibilitem 
resgatar sua sustentação e manutenção, perdidas em decorrência de falhas 
abruptas em seu provimento ambiental. 
O ódio na contratransferência e o manejo e tipos de pacientes. 
Para Winnicott, no início da vida, nos estágios iniciais do desenvolvimento, 
o bebê é ruthless (implacável, cruel). Somente por volta de um ano de vida o bebê 
se torna capaz de concernimento. 
O autor diferencia a mãe objeto da mãe ambiente. A mãe objeto é alvo dos 
impulsos excitados do bebê, já a mãe ambiente fornece os cuidados que ele 
necessita. 
A integração dos estados tranquilos com os excitados (concernentes ao 
bebê) e das “duas mães” numa única pessoa é uma conquista no processo de 
amadurecimento. 
Para Winnicott o sentimento de culpa está relacionado, necessariamente, 
com a intenção. E ao falar em “intenção” devemos presumir que o processo de 
integração já alcançou um certo estágio de amadurecimento (integração do ego). 
O autor considera também que o sentimento de culpa é uma aquisição, é 
uma conquista do processo de amadurecimento emocional, uma conquista 
decorrente do processo maturacional que implica amadurecimento, integração do 
ego e da experiência de si mesmo como unidade. 
A culpa inoculada pelo meio ambiente, vinda de fora pelos meios 
educacionais, familiar, social, cultural, Winnicott endente que isso, rouba da 
criança a oportunidade de desenvolver sua capacidade de sentir culpa. 
Por outro lado, é através do ambiente facilitador que possibilita a 
oportunidade para o desenvolvimento emocional, e, assim a criança pode 
conquistar a experiência da culpa a partir de si mesma, e não inoculada pelo meio 
ambiente. 
Ao mesmo tempo que reage a falha ambiental, a criança alimenta a 
esperança de que o ambiente tome conhecimento desta falha e venha ressarci-la. 
Na prática clínica quando falamos de ódio na contratransferência, é 
importante verificar a falha ambiental que o paciente/bebê vivenciou. 
O bebê não possui capacidade de odiar aquele que não atende suas 
necessidades, ao invés de ódio, o bebê experimenta uma sensação de angústia e 
de ameaça iminente de ser destruído, uma falha ambiental grave, nesse sentido 
pode prenunciar delinquência, conduta antissocial ou de desenvolvimento de 
psicose. 
Por exemplo: um sujeito em fase adulta que, ao invés de externalizar o ódio 
no setting (ambiente facilitador) durante a sessão, expressa um sentimento de 
inutilidade, vazio, de que nada vale a pena nessa vida. É nesse ponto em que 
Winnicott fala sobre contratransferência, o analista ao esperar que o paciente sinta 
ódio, o próprio pode sentir ódio e indignação, por isso o analista deve ter a 
capacidade de identificar seu ódio para o bem da continuidade. 
Winnicott entende que o manejo dospacientes que vivenciaram falhas 
ambientais graves se difere do manejo de pacientes que sofreram falhas 
ambientais após constituição do Eu. 
O manejo se refere ao comportamento do analista diante um paciente, por 
exemplo, de falha grave na fase do desenvolvimento inicial, nesse caso o paciente 
comumente apresenta no setting, na transferência, sentimentos, emoções e 
fantasias não elaboradas pelo bebê, que não teve suporte ambiental. E, nesse 
ambiente facilitador e confiável onde o analista pode estabelecer a possibilidade 
de continuidade do ser em seu desenvolvimento emocional compatível a idade 
cronológica. 
Quando o analista é percebido como objeto suficientemente bom, que 
atende às necessidades do paciente, surge, a “esperança”, que encoraja o emergir 
do verdadeiro self. Nesse sentido, a característica pessoal do analista de ter 
empatia, sensibilidade e de sonhar com o paciente é fundamental para possibilitar 
a experiência do sentir a raiva e ódio, ao invés de viver. 
Winnicott através das suas experiências, identificou três categorias de 
pacientes que procuram ajuda psicológica: 
 Neuróticos: pessoas que funcionam como pessoas inteiras, em que as 
dificuldades começaram a surgir no âmbito das relações 
interpessoais características da vida familiar. Nesse caso a análise 
desses pacientes, deverá lidar com o Édipo e interpretações. São 
pacientes que passaram a ter dificuldades no curso normal de sua 
vida em família, mas que tiveram um desenvolvimento satisfatório 
nos estágios iniciais da infância. 
 Pacientes que sofrem de doenças afetivas, como depressão, mania, 
transtorno bipolar: são sujeitos que não fizeram uma boa passagem 
para posição depressiva, para Winnicott a análise desses pacientes 
deverá lidar com o estágio de concernimento (equivalente a posição 
depressiva) que significa lidar com a preocupação dos cuidados da 
mãe. 
 Psicóticos: aqueles pacientes que não funcionam como pessoas 
inteiras, ou seja, os psicóticos, esses não tiveram desenvolvimento 
satisfatórios nos estágios iniciais do desenvolvimento. 
Winnicott deixa claro que não se deve aplicar psicanálise clássica com 
indivíduos psicóticos. Winnicott preconiza que a manutenção do holding 
adequada é a mais importante que as interpretações visando insights. É de holding 
ou apoio que esses pacientes precisam, um holding que lhes propicie a regressão 
à independência precoce. 
Numa linguagem de Winnicott o analista deve propiciar condições 
para que o paciente possa se descobrir, ter acesso ao verdadeiro self e a 
possibilidade da continuidade do amadurecimento.

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