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ORIGENS DA SOCIOLOGIA Profª.:Ma. Luciana Martins Campos • Humanismo ou Paradigma Cartesiano: O paradigma cartesiano é racionalista, acredita que o mundo natural e mesmo o mundo social é totalmente inteligível e o conhecimento devidamente rigoroso é capaz de espelhá-lo. Valoriza o saber produzido mediante experimentação e observação, recusando qualquer saber subjetivo, não quantificável, incompatível com a visão mecanicista do homem e do mundo. Predomina o dualismo corpo-mente. • Razão Instrumental: dominar e controlar a natureza e a sociedade. REVOLUÇÃO CIENTÍFICA (SÉCULOS XVI-XVIII) • Paradigma cientificista Toda a realidade é passível de compreensão científica, por meio de métodos que assegurem uma intervenção regulada sobre a realidade. A ciência visa promover a superação dos problemas humanos a partir de uma ação qualificada cientificamente. POSITIVISMO (SÉCULO XIX) ORIGENS DA SOCIOLOGIA NA EUROPA “A Filosofia da História nasceu da Revolução Industrial e da Revolução Francesa. Igualmente, o levantamento social não surgiu apenas da ambição de aplicar os métodos da ciência natural ao mundo humano, mas de uma nova concepção dos males sociais, também influenciada pelas possibilidades materiais de uma sociedade industrial. Um levantamento social da pobreza, ou de qualquer outro problema social, só tem sentido se acreditarmos que algo poderá ser feito para remover ou minorar tais males. (...) a pobreza deixou de ser um problema natural para tornar-se um problema social, sujeito a estudo e aperfeiçoamento”. “No século XIX, a Sociologia modelou-se pela Biologia. Isso se evidencia pela concepção amplamente difundida da sociedade como um organismo, e pelas tentativas de formular leis gerais de evolução social. (...) a despeito da sua pretensão de ser uma ciência geral, a Sociologia lidava, em particular, com os problemas sociais provenientes das revoluções econômicas e políticas do século XVIII; era, acima de tudo, uma ciência da nova sociedade industrial. Finalmente, tinha um caráter ideológico, bem como um caráter científico; ideias conservadoras e radicais entraram na sua formação, dando origem a teorias conflitantes, e provocando controvérsias que continuam até hoje”. BOTTOMORE, Thomaz Burton. Introdução à sociologia. Rio de janeiro: Zahar, 1975, p.2 A palavra sociologia foi inventada por ele por volta de 1830. Foi secretário particular de Saint-Simon. A metodologia por assim dizer "naturalística" seria caracterizada pela busca de leis naturais (sociais) e foi posteriormente retomada e formulada na regra durkheimiana de "conceber os fatos sociais como coisas”. GIDDENS, 1982, apud, LACERDA,2009. AUGUSTO COMTE Para Comte, o Estado deve conhecer a sociedade para saber como lidar com ela. Por exemplo, respeitando as famílias, respeitando as várias tradições, permitindo as várias liberdades, em particular as de pensamento e de expressão. Caberia à sociologia produzir tais conhecimentos, ao mesmo tempo em que os sociólogos deveriam, segundo Comte, permanecer ligados à sociedade civil, formando a opinião pública e não necessariamente buscarem projetos de tomada de poder. LACERDA, Gustavo Biscaia. AUGUSTO COMTE E O “POSITIVISMO” REDESCOBERTOS. Rev. Sociol. Polít., Curitiba, v. 17, n. 34, p. 319-343, out. 2009 Em seu livro O Suicídio estabeleceu o suicídio como fato social o relacionando a aspectos da sociedade da época e o desassociando do universo meramente psicológico/individual de abordagem. Observou que as taxas de suicídio variavam conforme fatores estritamente sociais. ÉMILE DURKHEIM “(...) O traço característico do mundo em que vivemos é a racionalização. O empreendimento econômico é racional, a gestão burocrática do Estado pela burocracia também. A sociedade moderna tende toda ela à organização racional, e o problema filosófico do nosso tempo, problema eminentemente existencial, consiste em delimitar o setor da sociedade em que subsiste e deve subsistir uma ação de outro tipo”. ARON, Raymond. As etapas do pensamento sociológico. Lisboa: Publicações Dom Quixote, 2007, p. 449. Teoria do Estado: burocracia, institucionalização e patrimonialismo. RACIONALIZAÇÃO DA CULTURA E DA SOCIEDADE “O objeto da sociologia são as formas que o homem encontra para organizar a sua convivência”. Categorias analíticas centrais da sociologia: Sistemas; instituições; estruturas condicionantes; subjetividades; ação e racionalidade; dimensão criativa da vida social (rupturas). (GIDDENS, Anthony et al. Teoria Social Hoje. São Paulo: Editora Unesp, 1999) Giddens destaca três importantes perspectivas sociológicas: 1) Funcionalismo – Concepção da sociedade como um organismo vivo em que suas partes (instituições) desempenham papéis coordenados de equilíbrio social do todo. Esses “papéis” não são combinados entre os agentes, mas se desenvolvem espontaneamente, de modo a manter a coesão social e seu funcionamento. Trata-se de uma visão sistêmica. Durkheim – Solidariedade mecânica e solidariedade orgânica => preocupação com os mecanismos de coesão social. Malinowski – todo grupo social compõem-se num complexo social com uma harmonia própria. 2)Abordagem de conflito – a sociedade caracteriza-se, preferencialmente, pelos conflitos e pela busca de interesses pessoais e de grupos. Teoria da Escolha Racional – ação analítica de riscos, possibilidades, pelo indivíduo tendo por fim determinadas metas. Trata-se de comportamentos racionais menos condicionados por estruturas sociais. Materialismo Histórico - em Marx, a luta de classes é o movimento dialético maior, gerado pelas contradições entre capital (modo de produção) e o trabalho (constituição da vida social). 3) Interacionismo Simbólico - a Escola de Chicago tomou o indivíduo como modelo da teoria sociológica da ação ou Teoria Pragmática da Ação. John Dewel: nos contextos de interação, dados pela própria ação, é possível observar as determinações de fins, ou seja, a ordenação da ação tendo em vista as resistências e a aceitação que uma conduta pode encontrar. Nesse sentido, temos a Inteligência Criativa que é a invenção de novas possibilidades de ação e o Hábitos que se torna conduta rotineira a partir de sua boa aceitação dentro de contextos de interação social. A ação é tanto reflexão e diálogo, tanto para a modificação quanto para a reprodução de regras e normas. GIDDENS, Anthony; TURNER, Jonathan. Teoria Social Hoje, 1999, p. 132 – 68 Antropologia Biológica ou Física – surgida ainda no século XVIII compreendia a diversidade humana, física e cultural, a partir da noção de raça e de evolução. A raça envolvia distinções psicológicas, de índole, além das fenotípicas, visíveis a partir de comparações entre civilizações, artefatos e medição de crânios. ORIGENS DA ANTROPOLOGIA Franz Boas - formulou a teoria do relativismo cultural, que sustentava que todas as culturas eram essencialmente iguais, mas, simplesmente, deveriam ser entendidas em suas especificidades. Sua antropologia cultural rompeu com o evolucionismo, ou darwinismo social, que apontava uma hierarquia de desenvolvimento da espécie humana por meio das raças, o que poderia ser medido pela cultura. Valeu-se do particularismo histórico. Seu trabalho influenciou os escritos do brasileiro Gilberto Freyre, autor de Casa Grande e Senzala (1933). A antropologia cultural procurou separar o conceito de cultura do conceito de raça, entender a importância da linguagem para a formação da cultura e promover uma análise relativista da cultura. ANTROPOLOGIA CULTURAL E SOCIAL. Margarete Mead – trabalhou o conceito de gênero segundo a antropologia. Apresentou a ideia de que as expectativas e demandas culturais podem modelar nossa conduta, até mesmo de forma negativa. Seu trabalho relativizou papeis de gênero a partir da experiência de sociedades não ocidentais. Os papéis de gênero seriam aprendidos por sistemas de recompensa e punição. Antropologia Linguística – articulando antropologia e linguística, compreende a língua como prática social. Observa a hierarquia linguística,diversidade linguística associada a diferenças étnicas, culturais e de classe. Etnografia – metodologia e análise mais pormenorizada, imersa, podendo gerar dados a serem comparados, explora o singular, o associa a teoria, faz-se comparações. Em alguns contextos, etnografia já substitui o termo antropologia, devido a sua conotação colonialista. Mas, de forma mais consensual, a etnografia é uma metodologia, podendo ser utilizada por sociólogos, filósofos, historiadores, artistas. Assim, a antropologia investiga as condições e possibilidades da vida humana na Terra, sendo mais abrangente que o exercício etnográfico. Arqueologia - é a ciência que estuda vestígios materiais da presença humana, sejam estes vestígios antigos ou recentes, com o objetivo de compreender os mais diversos aspectos da humanidade. ATÉ A PRÓXIMA AULA!