Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

2 
 
 
SUMÁRIO 
1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 3 
2 HIGIENE DO TRABALHO I ......................................................................... 4 
2.1 Conceitos e Aspectos históricos ............................................................... 4 
3 ENTIDADES / ASSOCIAÇÕES DA ÁREA .................................................. 8 
3.1 ACGIH (American Conference of Governmental Industrial Hygienists) .. 11 
3.2 AIHA (American Industrial Hygiene Association) .................................... 14 
3.3 IOHA (International Occupational Hygiene Association) ........................ 16 
3.4 ABHO (Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais) .................. 18 
3.5 FUNDACENTRO (Fundação Jorge Duprat e Figueiredo) ...................... 23 
4 NR 15. ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES .............................. 26 
5 AGENTES FÍSICOS ................................................................................. 27 
5.1 Ruído ...................................................................................................... 29 
5.2 Vibração ................................................................................................. 31 
5.3 Calor ....................................................................................................... 33 
5.4 Frio ......................................................................................................... 36 
5.5 Radiações .............................................................................................. 37 
5.6 Pressões anormais ................................................................................. 39 
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................... 42 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
1 INTRODUÇÃO 
Prezado aluno! 
 
O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante 
ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - 
um aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma 
pergunta , para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum 
é que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a 
resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas 
poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em 
tempo hábil. 
Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa 
disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das 
avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que 
lhe convier para isso. 
A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser 
seguida e prazos definidos para as atividades. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
2 HIGIENE DO TRABALHO I 
Percebe-se ao passar da história, que um grande esforço vem sendo feito para 
formular melhores condições de trabalho, considerando o respeito pela dignidade 
humana e pela proteção da vida do trabalhador. A ciência e a tecnologia 
gradativamente vêm desvendando o modo de entender a vida, não apenas em sua 
concepção e prolongamento, mas também nos hábitos, na cultura, no comportamento 
do ser humano e nos meios reais e virtuais disponíveis. 
Esses meios se alteram e inovam em ritmo acelerado e contínuo, a fim de 
propor ações que considerem as condições de trabalho e a valorização do 
trabalhador. Nesse sentido, entendemos que viver bem é ter acesso a oportunidades 
que ofereçam segurança e conforto. Obter isso no ambiente de trabalho é 
imprescindível, mesmo que haja exposição a riscos. 
Para tanto, é necessário conhecer o ambiente onde será desenvolvido o labor 
e os possíveis riscos e, a partir disso, buscar medidas preventivas ancoradas em 
normatizações que garantam, por meio de legislações específicas, os direitos do 
trabalhador à saúde no local de trabalho e, consequentemente, na vida. 
2.1 Conceitos e Aspectos históricos 
Os primeiros estudos sobre a saúde dos trabalhadores são datados do século 
XVI. Naquela época, foi relatado que, na extração de minerais, prata e ouro, havia, 
além dos acidentes de trabalho, alguns problemas de saúde, como a “asma dos 
mineiros” Entre 1760 e 1830, época da Primeira Revolução Industrial, surgiram alguns 
estudos sobre a segurança do trabalhador, que foram responsáveis pela criação das 
primeiras leis trabalhistas (BRISTOT, 2019). 
Essas leis visavam a proteger os trabalhadores dos riscos de acidentes e das 
possíveis doenças relacionadas ao trabalho. Com a criação da Organização 
Internacional do Trabalho (OIT), em 1919, houve uma grande evolução das 
legislações trabalhistas, o que permitiu o desenvolvimento da medicina do trabalho, a 
partir dos aspectos técnicos da Higiene Industrial (BRISTOT, 2019). 
No Brasil, as primeiras leis de proteção ao trabalhador surgiram entre 1919 e 
1930. No entanto, somente em 1943, por meio da promulgação do Decreto-lei nº. 
 
5 
 
5.452, de 1° de maio de 1943, foi criada a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). 
Dentre os direitos dos trabalhadores, destacam-se, no Capítulo V do Título II, artigos 
154 a 201, a segurança e a medicina do trabalho (BRASIL, 1943). 
A Lei nº. 6.514, de 22 de dezembro de 1977, alterou o capítulo da CLT referente 
à segurança e medicina do trabalho, transformando-o em normas regulamentadoras, 
por meio da Portaria nº. 3.214, de 08 de junho de 1978, que estão em vigor até os 
dias atuais, com diversas atualizações. Pois, ficou claro que durante o processo do 
trabalho, o homem está imerso em ambientes específicos à sua área de atuação. 
Naturalmente, essa imersão resulta em exposições. Diante disso, torna-se necessário 
conhecer esse ambiente onde trabalhador está exposto para identificar e avaliar os 
riscos e, a partir disso, buscar a prevenção. As ações de prevenção são conhecidas 
como Higiene do Trabalho. 
Higiene do Trabalho, também pode ser chamada Higiene Industrial ou Higiene 
Ocupacional. Erroneamente, o tema costuma ser entendido simplesmente como 
limpeza, porém mesmo sendo de suma importância manter um ambiente de trabalho 
livre de impurezas, esta área da segurança do trabalho busca manter o espaço laboral 
“limpo” de riscos ocupacionais. 
 
 
Fonte: shre.ink/mGT3 
É uma área que atua de forma multiprofissional e multidisciplinar, retratando 
também a proteção ambiental e o desenvolvimento sustentável. Santos et al. (2004, 
p. 17) diz que “o reconhecimento da existência de uma relação causal entre os fatores 
 
6 
 
de risco e a doença foi a chave no desenvolvimento da prática da higiene 
ocupacional”. 
Segundo a Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais (ABHO, 2021), 
Higiene Ocupacional é a ciência e arte dedicada ao estudo e ao gerenciamento das 
exposições ocupacionais aos agentes físicos, químicos e biológicos, por meio de 
ações de antecipação, reconhecimento, avaliação e controle das condições e locais 
de trabalho”. Ter esse entendimento dos agentes causais nos prepara para propostas 
concretas e factíveis no processo de proteção da saúde do trabalhador. 
Enquanto ciência, a Higiene Ocupacional é baseada em fatos comprováveis e 
analisáveis por métodos científicos. Ela é um ponto fundamental para conhecer, 
avaliar, prevenir e controlar fatores, tensões, riscos provenientes do trabalho, 
desconfortos e agravos ao trabalhador, o que reverbera na família e na sociedade. 
A Higiene Ocupacional tem como objetivo prevenir riscos e doenças 
ocupacionais. Isso é feito em quatro etapas; veja a seguir: 
 
 
 
 
 
7 
 
Essas medidas de prevenção e intervenção vão minimizar as ações dos 
possíveis riscos. Como exemplo, pense em um trabalhador que está em uma área 
com pouca iluminação, tendo apenas a claridade da tela do computador. Essa 
situação temuma eminência de riscos de trabalho. 
Considerando esse exemplo, conforme a NHO nº 11 (FUNDACENTRO, 2021), 
deve-se verificar a existência de lâmpadas queimadas e se o sistema de iluminação 
tem alguma sujidade capaz de interferir na claridade necessária. Além disso, é 
importante verificar se os níveis de iluminação atendem aos requisitos mínimos 
previstos na norma. Ainda, considerando o exemplo do trabalhador, a NHO nº 9 
(FUNDACENTRO, 2021) recomenda-se: 
 Substituição de lâmpadas queimadas ou defeituosas; 
 Limpeza de luminárias e lâmpadas; 
 Mudanças na decoração do local, com uso de cores mais claras; 
 Remoção de objetos que bloqueiem a iluminação e redução do 
espaçamento das luminárias. 
 Também é recomendado o uso de lâmpadas de maior fluxo luminoso, 
um fornecimento de iluminação suplementar e/ou a mudança da tarefa 
para outro local. 
Para evitar as percepções de igualdade entre Higiene Ocupacional e 
Segurança Ocupacional, deve-se entender que são termos distintos, podemos 
considerar que há uma relação somente no diz que respeito à segurança e integridade 
física do trabalhador. Pois, a Higiene Ocupacional preocupa-se com a avaliação dos 
riscos que podem advir das doenças profissionais e a Segurança Ocupacional tem 
foco na prevenção e controle dos riscos relacionados à operação. 
De forma geral, para que a Higiene do Trabalho seja implementada, garantindo 
a segurança e o bem-estar dos trabalhadores durante o desempenho de suas 
atividades, é importante que alguns parâmetros sejam observados. A partir das 
recomendações da Organização Mundial de Saúde, o autor Bristot (2019) elenca as 
principais ações relativas à Higiene do Trabalho: 
 A determinação e o combate de fatores físicos, químicos, mecânicos, 
biológicos e psicossociais que possam representar um risco; 
 
8 
 
 A adaptação da função laboral e das exigências de esforço físico e 
mental pertinentes à função de acordo com as habilidades, 
necessidades e limitações anatômicas, fisiológicas e psicológicas de 
cada trabalhador; 
 A adoção de medidas eficazes, de forma a proteger os trabalhadores 
que sejam vulneráveis às condições prejudiciais no ambiente de 
trabalho, além do reforço da sua capacidade de resistência; 
 O monitoramento e a correção de condições de trabalho que possam 
deteriorar a saúde dos trabalhadores, para que as taxas de morbidez 
geral dos diferentes grupos profissionais não sejam superiores à do 
conjunto da população; 
 O treinamento e a orientação junto aos trabalhadores sobre a 
importância dos regulamentos relativos à segurança e à saúde no 
ambiente de trabalho; 
 A aplicação de programas periódicos de ação sanitária para a 
consolidação de normas e cuidados relativos à saúde, de modo a 
contribuir na elevação do nível sanitário da coletividade. 
A partir dessas orientações gerais, é possível minimizar os riscos de qualquer 
atividade laboral. No entanto, existem algumas especificidades nas explorações de 
bens minerais, especialmente quando envolvem operações no subsolo que devem ser 
consideradas para prevenção e minimização de riscos e acidentes. 
3 ENTIDADES / ASSOCIAÇÕES DA ÁREA 
É necessária uma visão global das diversas instituições governamentais e não 
governamentais que atuam nas questões relacionadas à Higiene do Trabalho, além 
de outras entidades também ligadas a segurança e medicina do trabalho no Brasil. 
Algumas delas são: 
 
9 
 
 Ministério do Trabalho e Emprego – MTE e seus Órgãos Regionais do 
ministério do trabalho; 
 Previdência Social; 
 Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho - SSST órgão de âmbito 
nacional competente para coordenar, orientar, controlar e supervisionar as 
atividades relacionadas com a segurança e medicina do trabalho; 
 Secretaria de Segurança e Medicina do Trabalho – SSMT; 
 Delegacias Regionais do Trabalho - DRT, nos limites de sua jurisdição, órgão 
regional competente para executar as atividades relacionadas com a 
segurança e medicina do trabalho; 
 Órgãos Federais, Estaduais e Municipais: - Podem ainda ser delegadas a 
outros Órgãos Federais, estaduais e municipais, mediante convênio 
autorizado pelo Ministro do Trabalho, atribuições de fiscalização e/ou 
orientação às empresas, quanto ao cumprimento dos preceitos legais e 
regulamentares sobre segurança e medicina do trabalho; 
 Departamento de Segurança e Saúde no Trabalho; 
 Fundacentro – Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Medicina e Segurança 
do Trabalho; 
 SOBES – Sociedade Brasileira de Engenharia de Segurança; 
 ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas Aula 2 - Segurança no 
trabalho, aspectos políticos, sociais e 29 Rede e-Tec Brasil; 
 ANAMT – Associação Nacional de Medicina do Trabalho; 
 ABMT – Associação Brasileira de Medicina do Trabalho; 
 ABPA – Associação Brasileira para Prevenção de Acidentes; 
 ABHO - Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais; 
 
10 
 
 FENATEST - Federação Nacional dos Técnicos de Segurança do Trabalho; 
 CREA / CONFEA; 
 OMS/OPAS - Organização Mundial da Saúde; 
 OIT – Organização Internacional do Trabalho; 
 Abraphiset - Associação Brasileira dos Profissionais de Higiene e Seg. do 
Trabalho; 
 Anent - Associação Nacional de Enfermagem do Trabalho; 
 Anest - Associação Nacional de Engenharia de Segurança do Trabalho; 
 IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. 
De acordo com AIHA (2022), podem-se enumerar ainda as seguintes 
instituições em nível internacional : 
 
 Associação Latino Americana de HO (ALDHO) 
 Asociación Mexicana de Higiene Industrial (AMHI) / México 
 Asociación Española de Higiene Ocupacional (AEHI) / España 
 Asociación Colombiana de Higiene Ocupacional (ACHO) / Colombia 
 Asociación de Higienistas de la República Argentina (AHRA) / Argentina 
 Asociación Latinoamericana de Seguridad e Higiene en el trabajo 
(ALASEHT) 
 Asociación Chilena de Higiene Industrial y Salud Ocupacional (ACHISO) 
 American Conference of Governamental Industrial Hygienists (ACGIH) 
 British Occupational Hygiene Society (BOHS) 
 American Industrial Hygiene Association (AIHA) 
 
11 
 
 International Occupational Hygiene Association (IOHA) 
 Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais (ABHO) 
Contudo, há muitas outras entidades e associações da área, neste capítulo 
porém, serão apresentados apenas a ABHO e FUNDACENTRO (brasileiras) 
juntamente com a ACGIH, AIHA e IOHA (internacionais). 
3.1 ACGIH (American Conference of Governmental Industrial Hygienists) 
 
Fonte: shre.ink/mYIO 
Por 85 anos, a ACGIH tem sido considerada uma organização respeitada por 
indivíduos na indústria de Higiene Industrial e saúde e segurança ocupacional e 
ambiental. O que começou como uma base limitada de membros cresceu para a 
categoria abrangente de Membro Votante de hoje. 
A Conferência Nacional independente de Higienistas Industriais 
Governamentais (NCGIH) convocada em 27 de junho de 1938, em Washington, DC. 
Os representantes da conferência incluíam 76 membros, representando 24 estados, 
três cidades, uma universidade, o Serviço de Saúde Pública dos EUA, o Bureau Minas 
e a Autoridade do Vale do Tennessee. Esta reunião foi a culminação dos esforços 
conjuntos de John J. Bloomfield e Royd S. Sayers. 
O NCGIH originalmente limitou sua adesão plena a dois representantes de 
cada agência governamental de Higiene Industrial. Em 1946, a organização mudou 
seu nome para Conferência Americana de Higienistas Industriais Governamentais 
(ACGIH) e ofereceu adesão plena a todo o pessoal de Higiene Industrial dentro das 
 
12 
 
agências, bem como a profissionais governamentais de Higiene Industrial em outros 
países. 
Atualmente, a associação está aberta a todos os profissionais de Higiene 
Industrial, Saúde Ocupacional, Saúde Ambiental e Segurança no país e no 
exterior. Em janeiro de 2013, os membros da ACGIH aprovaram uma alteração doEstatuto Social da organização, que criou uma única categoria de associados – um 
membro votante – que deve estar empregado pelo menos 50% de seu tempo em 
saúde e segurança ocupacional ou ambiental. Em seu primeiro encontro, O NCGIH 
criou nove comitês permanentes. 
Os comitês foram encarregados de tratar das importantes questões de Higiene 
Industrial da era pré-guerra: métodos de avaliação; relações com a indústria, o 
trabalho, a profissão médica e outras agências; normas 
técnicas; Educação; notificação uniforme de doenças ocupacionais e outras doenças 
entre os trabalhadores; desenvolvimento administrativo das atividades 
estatais; código sanitário industrial; legislação; e pessoal. 
O termo “Threshold Limit Values (TLVs)” foi introduzido em 1956. A primeira 
edição da Documentação dos Threshold Limit Values foi publicada em 1962 e está 
agora em sua sétima edição. A lista atual de TLVs inclui mais de 700 substâncias 
químicas e agentes físicos e mais de 50 Índices de Exposição Biológica (BEIs) para 
produtos químicos selecionados. 
Em 1961, a ACGIH começou a co-patrocinar uma conferência anual com a 
American Industrial Hygiene Association (AIHA). Já em 1998, a ACGIH criou uma 
aliança com a Foundation for Occupational Health & Safety (FOHS) . A FOHS foi 
criada para complementar o trabalho da American Industrial Hygiene Foundation 
(AIHF). A missão FOHS inclui: 
 
 Patrocínio de pesquisa, educação e publicação de informações científicas; 
 Fornecer um veículo para apoio financeiro à melhoria e aprimoramento da 
saúde e segurança ocupacional e ambiental e da saúde pública em geral; 
 Disseminar os resultados de descobertas valiosas de pesquisas e garantir 
uma maior qualidade da educação continuada em segurança e saúde 
ocupacional. 
 
https://www.acgih.org/foundation/
 
13 
 
Em 2003, a FOHS estabeleceu o Programa de Extensão Mundial . O 
Worldwide Outreach Program tem como missão apoiar o desenvolvimento profissional 
de saúde e segurança ocupacional com ênfase na prevenção primária em Higiene 
Ocupacional. No ano de 2008, a FOHS criou o “ Fundo TLV/BEI Sustentável (o 
Fundo) ”. O objetivo central do Fundo é desenvolver apoio financeiro sustentável para 
garantir o desenvolvimento contínuo de TLVs e BEIs. 
Em janeiro de 2016, a ACGIH tornou-se uma organização científica de 
caridade. Esse novo status permitirá à ACGIH solicitar doações dedutíveis de 
impostos e também buscar doações para apoiar seu importante trabalho. Por todos 
estes anos então, a ACGIH tem estado na vanguarda do fornecimento de informações 
sobre como os empregadores podem manter os locais de trabalho seguros e 
saudáveis para os trabalhadores e como os funcionários podem se proteger dos riscos 
de saúde e segurança no trabalho. 
Ao fornecer aos empregadores e trabalhadores diretrizes e recomendações 
que criam ambientes de trabalho seguros ou minimizam os inerentemente perigosos, 
a ACGIH e seus Comitês lideram a proteção da segurança e saúde dos trabalhadores. 
Desde sua fundação em 1938, a ACGIH passou por muitas mudanças. Seu 
número de membros cresceu e se diversificou; seus interesses e projetos se 
multiplicaram; nomes e rostos na organização evoluíram. Contudo, de acordo com 
Camisassa (2015): 
A ACGIH não é um organismo normativo, ou seja, não se pode dizer 
que as publicações dessa entidade sejam normas internacionais, pois 
não o são: suas publicações são referências técnicas, cuja observância 
pelos órgãos reguladores dos diversos países é facultativa, e não 
obrigatória. Entretanto, a importância e a qualidade de suas 
publicações são reconhecidas internacionalmente, sendo suas 
recomendações seguidas pela maioria das agências e órgãos 
reguladores internacionais. Os Limites de Tolerância e Índices de 
Exposição Biológica constantes nos guias de orientação da ACGIH são 
reavaliados anualmente, com base em novos conhecimentos e 
publicações científicas (CAMISASSA, 2015, p. 416). 
 
https://www.acgih.org/foundation/programs/worldwide-outreach-program/
 
14 
 
3.2 AIHA (American Industrial Hygiene Association) 
 
Fonte: shre.ink/mYIN 
Fundada em 1939, a AIHA é uma organização sem fins lucrativos que atende 
profissionais dedicados à antecipação, reconhecimento, avaliação, controle e 
confirmação de estressores ambientais no local de trabalho ou decorrentes do mesmo 
que possam resultar em lesões, doenças, deficiências ou afetar o bem-estar das 
pessoas. trabalhadores e membros da comunidade. 
Oferecem programas educacionais abrangentes e outros produtos e serviços 
que ajudam seus membros a manter os mais altos padrões profissionais. Mais da 
metade dos quase 8.500 membros são higienistas industriais certificados (CIHs), e 
muitos possuem outras designações profissionais. AIHA serve como um recurso para 
aqueles empregados nos setores industrial, de consultoria, acadêmico e 
governamental. 
Os profissionais da OEHS (também conhecidos como higienistas industriais) 
praticam a ciência de antecipar, reconhecer, avaliar, controlar e confirmar a proteção 
contra condições perigosas no local de trabalho que podem causar lesões ou doenças 
nos trabalhadores. Por meio de um ciclo de melhoria contínua de planejamento, 
execução, verificação e ação, os profissionais da OEHS garantem que os locais de 
trabalho sejam saudáveis e seguros. E o que é OEHS? 
De acordo com a organização (AIHA, 2022), dependendo de onde estiver no 
mundo, as Profissões de Higiene Ocupacional, Ambiental ou Industrial (geralmente 
conhecidas como OEHS) são definidas como a arte e a ciência dedicadas à 
 
15 
 
Antecipação, Reconhecimento, Avaliação, Controle e Confirmação da proteção contra 
esses estressores ambientais no local de trabalho ou decorrente dele que possa 
resultar em lesão, doença, deficiência ou afetar o bem-estar dos trabalhadores e 
membros da comunidade. Esses estressores são variados e incluem fatores 
biológicos, químicos, físicos, ergonômicos e psicossociais. 
Nesse sentido, os principais valores da AIHA (2022) são: 
 
 Prevenir doenças e lesões: os membros da AIHA se esforçam para 
prevenir doenças e lesões ocupacionais como um princípio fundamental 
da Higiene Industrial e das profissões relacionadas à saúde e segurança 
ocupacional e ambiental; 
 Defender e desenvolver políticas e práticas baseadas na ciência: os 
membros da AIHA defendem a profissão e desenvolvem políticas e 
práticas públicas baseadas na ciência por meio da colaboração entre 
comunidades científicas e técnicas para garantir que ambientes seguros 
e saudáveis sejam fornecidos a todos os trabalhadores e comunidades; 
 Respeitar os trabalhadores e as comunidades: os membros da AIHA 
respeitam os direitos dos trabalhadores e das comunidades de ter 
ambientes saudáveis e seguros; 
 Apoiar empregadores e trabalhadores: os membros da AIHA 
reconhecem e apoiam que a excelência operacional é complementar à 
higiene empresarial e industrial e às metas e prioridades relacionadas à 
saúde e segurança ocupacional e ambiental; 
 Respeitar os membros: o Conselho de Administração da AIHA, 
voluntários, membros e funcionários conduzem os negócios da 
Associação com respeito à diversidade de opiniões, incluindo todas as 
origens, comunicação transparente e aberta e com a devida 
consideração do tempo limitado de voluntariado de cada membro. 
 
 
16 
 
Para eles, a Higiene Industrial é tanto uma ciência quanto uma arte dedicada à 
antecipação, reconhecimento, avaliação, controle e confirmação da proteção contra 
os fatores ambientais ou estressores decorrentes do local de trabalho que podem 
causar doenças, problemas de saúde e bem-estar, ou danos significativos. 
desconforto entre os trabalhadores ou entre os cidadãos da comunidade. 
Mais da metade de dos seus quase 8.500 membros da Associação são 
higienistas industriais certificados (CIHs), e muitos possuem outras designações 
profissionais. 
3.3 IOHA (International OccupationalHygiene Association) 
 
Fonte: shre.ink/mYIG 
A IOHA é uma associação de organizações de Higiene Ocupacional de todo o 
mundo, dedicada à disciplina e aplicação dos princípios inerentes à Higiene 
Ocupacional. Ela foi criada em 1987 para representar a comunidade global de 
higienistas ocupacionais. Desde a sua formação, cresceu para 38 organizações 
membros, representando mais de 20.000 higienistas ocupacionais em todo o mundo. 
(IOHA, 2022) 
 
 
 
17 
 
A missão da instituição é aprimorar a rede internacional de associações de 
Higiene Ocupacional que promove, desenvolve e melhora a Higiene Ocupacional em 
todo o mundo, proporcionando um ambiente de trabalho seguro e saudável para 
todos. 
Os objetivos estratégicos da IOHA são: 
 
 Promover a Higiene Ocupacional 
 Melhorar as capacidades e práticas de Higiene Ocupacional 
 Gestão eficaz de redes e conhecimento 
 Governança robusta (IOHA, 2022). 
A organização fornece uma voz internacional da profissão de Higiene 
Ocupacional por meio de seu reconhecimento como organização não governamental 
(ONG) tanto pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) quanto pela 
Organização Mundial da Saúde (OMS). A IOHA também coopera com o trabalho de 
outras organizações internacionais, como a Comissão Internacional de Saúde 
Ocupacional (ICOH) e a Associação Internacional de Ergonomia (IEA). 
É responsável por promover o respeito aos programas de certificação de 
Higiene Ocupacional por meio do trabalho de seu Comitê Nacional de 
Reconhecimento de Acreditação (NAR), que reconhece os programas de certificação 
que atendem aos seus critérios de excelência em Higiene Ocupacional. 
Está sediada no Reino Unido e está registrada na UK Companies House e tem 
um Comitê Executivo composto por um presidente, um presidente eleito, um ex-
presidente e um secretário/tesoureiro. Em 2021, essas vagas estavam preenchidas 
pelo Professor TP Fuller (REINO UNIDO), Norhazlina Mydin (MALÁSIA), Rene 
Leblanc (CANADÁ) e Nathalie Argentin (FRANÇA). 
Cada associação membro designa uma pessoa para servir no Conselho (IOHA 
não estabelece um limite de tempo para este cargo e prefere uma nomeação de longo 
prazo). A organização realiza duas reuniões do Conselho por ano e uma Conferência 
Científica Internacional a cada dois ou três anos. A última conferência aconteceu nos 
EUA em setembro de 2018, a seguinte foi na Coreia em setembro de 2021. 
A IOHA dá à profissão de Higiene Ocupacional uma voz internacional através 
do seu reconhecimento como organização não governamental (ONG) pela OIT 
 
18 
 
(Organização Internacional do Trabalho) e pela OMS (Organização Mundial da 
Saúde), está trabalhando (via OIT e OMS) para aumentar o perfil da Higiene 
Ocupacional em todo o mundo e mostrar que podemos oferecer uma maneira 
econômica de reduzir a carga de doenças e doenças nos locais de trabalho em todo 
o mundo. 
Ela também coopera com o trabalho de outras organizações internacionais, 
como ICOH (Comissão Internacional de Saúde Ocupacional) e IEA (Associação 
Internacional de Ergonomia). A visão da instituição é um ambiente de trabalho seguro 
e saudável para todos. 
A IOHA tem recursos limitados; e têm finanças e mão de obra limitadas. No 
entanto, a IOHA acredita que eles fornecem um valor considerável, incentivando e 
desenvolvendo um consenso internacional sobre as principais questões de Higiene 
Ocupacional. A organização está preocupada com o fato de que parece haver uma 
percepção no mundo desenvolvido de que as questões de saúde e segurança 
ocupacional foram amplamente superadas. 
A demanda por cursos de graduação em saúde do trabalhador está diminuindo 
e várias universidades deixaram de oferecer cursos. Ao mesmo tempo, talvez devido 
à globalização e à exportação de indústrias “sujas”, os desafios de saúde ocupacional 
enfrentados pelo Terceiro Mundo estão aumentando rapidamente (IOHA, 2022). 
3.4 ABHO (Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais) 
 
Fonte: shre.ink/mNG4 
 
19 
 
 
Criada em agosto de 1994, congrega pessoas físicas e jurídicas com interesses 
relacionados à área de Higiene Ocupacional, tendo sido constituída para fins de 
estudos e ações relativas à Higiene Ocupacional e representação de interesses 
individuais ou coletivos dos higienistas. 
Os objetivos da ABHO são: 
 Promover e valorizar a higiene e os higienistas ocupacionais no Brasil; 
 Promover a troca de informações e de experiências; 
 Promover a formação, qualificação e aperfeiçoamento profissional (ABHO, 
2021). 
Quanto aos princípios a ABHO é regida apor 6, sendo estes: 
 
1.º PRINCÍPIO: Exercer sua profissão, seguindo as normas técnicas e 
científicas disponíveis, a fim de proteger a vida, a saúde e o bem-estar dos 
trabalhadores e preservar o meio ambiente. 
O higienista ocupacional deve: 
 
 Basear suas opiniões profissionais, julgamentos, interpretações de 
resultados e recomendações sobre princípios científicos reconhecidos e 
sobre práticas que preservem e protejam a saúde e o bem-estar das 
pessoas. 
 Não deve distorcer, alterar ou ocultar fatos na interpretação profissional 
de opiniões ou recomendações. 
 Não deve, deliberadamente, fazer declarações que possam distorcer ou 
omitir fatos (ABHO, 2022). 
 
 
 
 
 
20 
 
2.º PRINCÍPIO: Aconselhar as partes efetivamente envolvidas sobre os riscos 
potenciais e as medidas de prevenção necessárias para evitar adversos à saúde. 
O higienista ocupacional deve: 
 Obter informações relativas aos riscos potenciais à saúde de fontes 
seguras. 
 Rever as informações pertinentes disponíveis, e prontamente repassar 
fielmente às partes envolvidas. 
 Deve dispor de medidas apropriadas para assegurar-se de que os riscos 
estão sendo efetivamente comunicados e compreendidos pelas partes 
envolvidas. 
 As partes podem incluir empregadores, gerências, empregados, 
clientes, terceiros, ou outros, dependendo das circunstâncias presentes 
(ABHO, 2022). 
 
3.º PRINCÍPIO: Manter uma postura pessoal confidencial sobre informações 
obtidas durante o exercício profissional, exceto quando requerido por lei ou por 
interesses superiores de saúde e segurança. 
O higienista ocupacional deve: 
 Relatar e transmitir as informações que sejam necessárias para proteger 
a saúde e segurança dos trabalhadores e da comunidade. 
 Se seu julgamento profissional for desconsiderado em circunstâncias 
nas quais a saúde e a vida das pessoas possam ser colocadas em risco, 
o higienista ocupacional deve notificar seu empregador, cliente ou outra 
autoridade, conforme o mais adequado. 
 Liberar informações confidenciais pessoais ou empresariais, somente 
com autorização expressa dos envolvidos, exceto quando haja uma 
obrigação, estabelecida em lei ou regulamento, para revelar a 
informação (ABHO, 2022). 
 
 
 
 
 
21 
 
4.º PRINCÍPIO: Evitar situações que venham comprometer o julgamento 
profissional ou que apresentem conflitos de interesse.O higienista ocupacional deve: 
 Prontamente dar conhecimento dos conflitos de interesse reais ou 
potenciais às partes que podem ser afetadas. 
 Não deve solicitar ou aceitar recursos financeiros ou outras 
considerações e formas de valor, vindos de qualquer parte ou grupo, que 
tenha, direta ou indiretamente, interesses em influenciar no julgamento 
profissional. 
 alertar seus clientes ou empregadores sobre aparentes melhorias das 
condições de Higiene Ocupacional que estão sujeitas a não terem 
sucesso. 
 Não deve aceitar trabalho que interfira no cumprimento de 
compromissos já existentes ou já assumidos (ABHO, 2022). 
 
Lembrando que na eventualidade deste Código de Ética parecer conflitar com 
outros códigos profissionais aos quais os higienistas ocupacionais estejam vinculados, 
o conflito deverá ser resolvido de forma que se proteja a saúde das partes envolvidas. 
 
5.º PRINCÍPIO: Desempenhar trabalhos somente nas áreas de sua 
competência.O higienista ocupacional deve: 
 Encarregar-se de serviços somente quando qualificado pela formação, 
treinamento ou experiência nos campos técnicos específicos envolvidos, 
a menos que lhe seja fornecida suficiente assistência por parte de 
associações qualificadas, consultores ou empregados. 
 Obter certificação, registros ou licenças apropriadas, de acordo com o 
requerido pelas legislações federais, estaduais ou municipais, antes de 
fornecer serviços de Higiene Industrial, onde tais exigências são 
solicitadas. 
 Somente deve afixar ou autorizar o uso de seu nome, firma, carimbo ou 
assinatura apenas nos documentos preparados por ele próprio ou por 
alguma pessoa sob sua direção e controle (ABHO, 2022). 
 
22 
 
6.º PRINCÍPIO: Agir com responsabilidade para defender a integridade da 
profissão. 
O higienista ocupacional deve: 
 
 Evitar condutas ou práticas que possam desacreditar a profissão ou 
enganar o público. 
 Não deve permitir o uso de seu nome ou nome de sua empresa por 
qualquer pessoa ou empresa que ele acredite estar engajado em 
práticas fraudulentas ou desonestas no exercício da Higiene 
Ocupacional. 
 Não deve dar declarações ou fazer publicidade de suas perícias ou 
serviços utilizando material não representativo ou omitindo um fato 
material necessário, com o intuito de estabelecer declarações 
enganosas. 
 Não deve permitir, deliberadamente, que seus empregados, 
empregadores, ou outros, depreciem a experiência profissional, a perícia 
ou outros serviços individuais através de falsas interpretações dos fatos 
(ABHO, 2022). 
 
Por fim a organização alerta para que o higienista ocupacional não deturpe sua 
formação profissional, experiência ou títulos. 
 
23 
 
3.5 FUNDACENTRO (Fundação Jorge Duprat e Figueiredo) 
 
Fonte: shre.ink/mYyY 
Criada em 1966, a Fundação Centro Nacional de Segurança, Higiene e 
Medicina do Trabalho (Fundacentro) tem o objetivo de desenvolver programas, 
pesquisas, ações educativas e material didático visando à prevenção de doenças e 
acidentes de trabalho. Entre os títulos de sua produção, destaca-se o “Pontos de 
verificação ergonômica – Soluções práticas e de fácil aplicação para melhorar a 
segurança, a saúde e as condições de trabalho”, com check - list, orientações, dicas 
e figuras ilustrando riscos e soluções ergonômicas no ambiente de trabalho (SANTOS, 
2004). 
A Divisão de Higiene desenvolveu novos estudos de métodos de coleta e 
análise de agentes químicos sob gerenciamento da qualidade (sílica, amianto, fenol 
urinário, cromo, níquel, zinco, tolueno e benzeno, chumbo, gases e vapores) e a 
exposição aos agentes físicos (ruído, vibrações, calor, frio, iluminação, radiações 
entre outros) respondendo, assim, às questões técnicas relacionas ao tema 
(SANTOS, 2004). Ainda, de acordo com o Governo Federal (2020): 
A ideia de criar uma instituição voltada para o estudo e pesquisa das 
condições dos ambientes de trabalho, com a participação de todos os 
agentes sociais envolvidos na questão, começou a ganhar corpo. 
Proposta nesse sentido foi apresentada em março de 1964, durante o 
Congresso Americano de Medicina do Trabalho, realizado em São 
Paulo. 
 
24 
 
Em 1965, após a visita ao país de especialistas da OIT, e de novos 
estudos sobre as condições necessárias para a implantação da 
iniciativa, o Governo Federal decidiu pela criação de um centro 
especializado, tendo a cidade de São Paulo como sede da nova 
instituição, em função do porte de seu parque industrial. 
Assim, em 1966, durante o Congresso Nacional de Prevenção de 
Acidentes, realizado em São Paulo, foi oficializada a criação da 
Fundacentro, que teve sua primeira sede instalada no bairro de 
Perdizes. Datam dessa fase inicial da entidade os primeiros estudos e 
pesquisas no País sobre os efeitos de inseticidas organoclorados na 
saúde; da bissinose (doença ocupacional respiratória que atinge 
trabalhadores do setor de fiação, expostos a poeira de algodão e juta); 
sobre as consequências das vibrações e ruídos em trabalhadores que 
operam marteletes; sobre o teor da sílica nos ambientes de trabalho na 
indústria cerâmica e ainda sobre os riscos da exposição ocupacional 
ao chumbo. 
No decorrer de sua história, a Fundacentro viria ainda afirmar sua 
vocação pioneira na área, com as pesquisas sobre as Doenças 
Osteomusculares Relacionadas ao Trabalho - Dort (à época chamada 
de lesões por Esforços Repetitivas - LER). 
Com a vinculação, em 1974, da Fundacentro ao Ministério do Trabalho, 
cresceram as atribuições e atividades da instituição, exigindo um novo 
salto da entidade: a implantação do Centro Técnico Nacional, cuja 
construção teve início em 1981, sendo concluído em 1983, no bairro 
de Pinheiros, em São Paulo. 
A Fundacentro está presente em todo país, por meio de suas unidades 
descentralizadas, distribuídas em 11 Estados e no Distrito Federal. 
Atuando de acordo com os princípios do tripartismo, a Fundacentro tem 
no Conselho Curador sua instância máxima. Nele estão representados, 
além do governo, os trabalhadores e empresários, por meio de suas 
organizações de classe. 
O ineditismo e a importância de seus estudos deram à Fundacentro a 
liderança na América Latina no campo da pesquisa na área de 
segurança e saúde no trabalho. A Fundacentro foi designada como 
centro colaborador da Organização Mundial da Saúde (OMS), além de 
ser colaboradora da Organização Internacional do Trabalho (OIT). 
A Fundacentro faz parte da estrutura organizacional do Ministério do 
Trabalho e Previdência, conforme Decreto n° 10.761, de 2 de agosto 
de 2021. (FUNDACENTRO, 2020, documento online). 
É possível ter acesso aos procedimentos técnicos fazem parte da Série de 
Normas de Higiene Ocupacional (NHO’s) elaborada por técnicos da Coordenação de 
Higiene do Trabalho da FUNDACENTRO, por meio do Projeto Difusão de Informações 
em Higiene do Trabalho, 1997/2001. A lista de Normas de Higiene Ocupacional 
elaboradas pela Fundacentro é a seguinte: 
 
 
 
 
 
25 
 
 
 
26 
 
4 NR 15. ATIVIDADES E OPERAÇÕES INSALUBRES 
 
Fonte: Enesens, 2015. 
Atividades insalubres são aquelas que, por sua natureza, condições ou 
métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima 
dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e 
do tempo de exposição aos seus efeitos (BRASIL, 1943). 
Essas atividades constam num quadro, aprovado pela Secretaria do Trabalho, 
denominado Quadro das Atividades e Operações Insalubres, e este órgão adotará 
normas que estabelecem os critérios para caracterizar a insalubridade, os limites de 
tolerância aos agentes nocivos, os meios de proteção e o tempo máximo de exposição 
do empregado a esses agentes (BRASIL, 1943). 
Atualmente, é a Norma Regulamentadora (NR) nº 15 que estabelece quais são 
as atividades e operações consideradas insalubres, prevendo o pagamento do 
adicional de insalubridade quando o empregado estiver exposto a agentes químicos, 
físicos ou biológicos. Como exemplos de agentes químicos, temos: chumbo, cromo, 
carvão, fósforo, mercúrio e outros. Já como agentes físicos, podemos citar frio, calor, 
ruídos excessivos, etc. 
Quando o empregado desempenha as suas atividades estando em contato com 
um ou mais desses agentes e essa exposição é acima dos limites de tolerância fixados 
pela Secretaria do Trabalho, ele faz jus ao recebimento do adicional de insalubridade. 
O percentual a ser pago varia em função da classificação do grau de nocividade para 
 
27 
 
saúde, sendo grau mínimo (10%), médio (20%) e máximo (40%), sobre o valor do 
salário mínimo. 
De acordo com Camisassa (2015): 
É importante destacar que a NR15 está intimamente ligada àNR9 – 
Programa de Prevenção de Riscos Ambientais, pois, enquanto esta 
define, entre outras informações, quais os agentes ambientais 
presentes no ambiente de trabalho, aquela estabelece, para cada 
agente apresentado, os critérios de caracterização deinsalubridade 
nas atividades que expõem os trabalhadores a tais agentes e 
respectivos limites de tolerância, quando aplicáveis (CAMISASSA, 
2015, p. 416.). 
Existem, porém, dois agentes físicos presentes na NR9, o ultrassom e o 
infrassom, para os quais a NR15 não estabeleceu limites de tolerância tampouco 
determinou sua avaliação pelo método qualitativo. Porém existem limites de tolerância 
para esses agentes estabelecidos por organismos normativos internacionais e 
também pela American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH), 
porém, pela ausência de referência expressa na NR15, sua observância não é 
obrigatória para fins de caracterização de insalubridade (CAMISASSA, 2015). 
5 AGENTES FÍSICOS 
Riscos ocupacionais no trabalho são os perigos que incidem sobre a saúde 
humana e o bem-estar dos trabalhadores associados a determinadas profissões. 
Esses riscos são causas frequentes de acidentes, da diminuição da produtividade dos 
colaboradores e do aumento do número de absenteísmo. Eles são classificados, pelo 
Ministério do Trabalho, de acordo com sua natureza: física, química, biológica, 
ergonômica e acidente. 
Os riscos ou os agentes físicos consistem nas diversas formas de energia a 
que os trabalhadores podem estar expostos em seu ambiente de trabalho, como os 
ruídos, a vibração, as temperaturas extremas, as radiações ionizantes e não 
ionizantes, e trabalhos sob condições hiperbáricas e umidade (BRISTOT, 2019). 
Os agentes físicos podem ser encontrados em todos os locais de trabalho, 
desde a exploração em subsolo até a condução do bem mineral à superfície, como 
em maquinário desprotegido e com manutenção insuficiente ou inadequada; 
ferramentas sem manutenção; explosões sem proteção; sistema de ventilação 
 
28 
 
inadequado, entre outros. Podem ainda ser presentes em diversos setores, como: 
indústria, agricultura, construção civil, oficinas mecânicas, hospitais, etc. Saber 
reconhecer e avaliar os riscos ambientais presentes nas atividades laborais é 
essencial para todo profissional de segurança e saúde do trabalho 
De modo geral, os agentes químicos podem ser absorvidos pelo organismo de 
quatro maneiras: 
 Pelo contato com a pele ou via cutânea; 
 Por inalação por via respiratória; 
 Pela boca ou via digestiva; 
 Pela via parenteral (BRISTOT, 2019). 
A presença destes agentes é um fator de risco à saúde dos trabalhadores. No 
entanto, nem toda exposição acarreta uma doença ocupacional. Para que isso 
aconteça, é necessário que o trabalhador fique exposto a uma determinada 
concentração durante um tempo específico. Cada agente apresenta um limite de 
tolerância, que informa quanto tempo o trabalhador pode ficar exposto repetida e 
diariamente sem comprometer a sua saúde. 
Os princípios básicos da tecnologia de controle destes riscos, propostos pela 
Higiene do Trabalho, podem ser enunciados como: 
 
a) evitar que um agente potencialmente perigoso ou tóxico para a saúde seja 
utilizado, formado ou liberado; 
b) se isso não for possível, contê-lo de tal forma que não se propague para o 
ambiente; 
c) se isso não for possível ou suficiente, isolá-lo ou diluí-lo no ambiente de 
trabalho; e, em último caso, 
d) bloquear as vias de entrada no organismo: respiratória, pele, boca e ouvidos, 
para impedir que um agente nocivo atinja um órgão crítico, causando lesão. Para tanto 
são utilizados os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e os EPCs 
(Equipamentos de Proteção Coletiva). 
 
 
29 
 
A cadeia de transmissão do risco deve ser quebrada o mais precocemente 
possível. Assim, a hierarquia dos controles deve buscar, sequencialmente, o controle 
do risco na fonte; o controle na trajetória (entre a fonte e o receptor) e, no caso de 
falharem os anteriores, o controle da exposição ao risco no trabalhador. 
Quando isso não é possível, o que frequentemente ocorre na prática, o objetivo 
passa a ser a redução máxima do agente agressor, de modo a minimizar o risco e 
seus efeitos sobre a saúde. A informação e o treinamento dos trabalhadores são 
componentes importantes das medidas preventivas relativas aos ambientes de 
trabalho, particularmente se o modo de executar as tarefas propicia a formação ou 
dispersão de agentes nocivos para a saúde ou influencia as condições de exposição, 
como, por exemplo, a posição em relação à tarefa/máquina, a possibilidade de 
absorção através da pele ou ingestão, o maior dispêndio de energia, entre outras. Em 
situações especiais, podem ser adotadas medidas que limitem a exposição do 
trabalhador por meio da redução do tempo de exposição, treinamento específico e 
utilização de EPI (BALLESTRERI, 2018) 
5.1 Ruído 
 
Fonte: shre.ink/mYmd 
 
 
30 
 
É conceituado como o som ou a mistura de sons que são capazes de causar 
danos à saúde de quem o percebe. Ou seja, o ruído é um som ou um conjunto de 
sons desagradáveis ao ouvido dos indivíduos. 
 De acordo com o Ministério do Trabalho (2021): 
Se durante a jornada de trabalho ocorrerem dois ou mais períodos de 
exposição a ruído de diferentes níveis, devem ser considerados os 
seus efeitos combinados, de forma que, se a soma das seguintes 
frações: 
 
 
Onde: Cn indica o tempo total que o trabalhador fica exposto a um nível 
de ruído específico, e Tn indica a máxima exposição diária permissível 
a este nível. (BRASIL, 2021) 
Existem três diferentes tipos de ruídos: 
 
 Contínuo – aquele que possui pouca ou nenhuma variação durante um 
certo período e é constante e ininterrupto, 
 Intermitente – aquele com vários níveis de intensidade. É descontínuo e 
não constante. 
 Impacto – São aqueles com alta intensidade e em intervalos curtos. 
 
O Ministério do Trabalho (2021), pondera que: 
[...] os níveis de impacto deverão ser avaliados em decibéis (dB), com 
medidor de nível de pressão sonora operando no circuito linear e 
circuito de resposta para impacto. As leituras devem ser feitas 
próximas ao ouvido do trabalhador. 
O limite de tolerância para ruído de impacto será de 130 dB (linear). 
Nos intervalos entre os picos, o ruído existente deverá ser avaliado 
como ruído contínuo. 
Em caso de não se dispor de medidor do nível de pressão sonora com 
circuito de resposta para impacto, será válida a leitura feita no circuito 
de resposta rápida (FAST) e circuito de compensação "C". Neste caso, 
o limite de tolerância será de 120 dB(C). 
As atividades ou operações que exponham os trabalhadores, sem 
proteção adequada, a níveis de ruído de impacto superiores a 140 
dB(LINEAR), medidos no circuito de resposta para impacto, ou 
superiores a 130 dB(C), medidos no circuito de resposta rápida (FAST), 
oferecerão risco grave e iminente (BRASIL, 2021, documento online). 
 
 
31 
 
O trauma acústico também pode ocorrer, sendo este a perda auditiva súbita 
decorrente de uma única exposição à pressão sonora intensa. Ocorre de forma súbita, 
provocada por ruído repentino e de grande intensidade, ou seja, por um ruído de 
impacto. Esses acontecimentos podem causar perfurações no tímpano e 
deslocamento dos ossículos. 
A perda temporária é a dificuldade de audição, que podemos observar após 
exposição, por algum tempo, ao ruído intenso. Quando cessada tal exposição, 
retorna-se aos níveis normais após horas ou dias. Porém, se a exposição for repetida 
antes de uma completa recuperação, esse dano pode se tornar em surdez 
permanente ou, até mesmo, na perda permanente decorrente da exposição repetida 
ao ruído excessivo e isso pode levar, em alguns anos, a uma perda auditiva 
irreversível. Em locais de trabalho que possuem equipamentos dotados de sons 
elevados que podem causar desconfortos auditivos e comprometimento na saúde, 
faz-se necessário o uso de protetores auriculares (BALLESTRERI, 2018). 
5.2 Vibração 
 
Fonte: shre.ink/mY1L 
São movimentos oscilatórios do corpo sobre o ponto de equilíbrio. Elas são 
geradas por forças de componentes rotativos ou movimentosalternados de máquinas 
ou equipamento. As vibrações podem ser de corpo inteiro ou localizadas: 
 
 De corpo inteiro: todo o corpo, ou grande parte dele, está exposto aos 
movimentos vibratórios, como, por exemplo, motoristas de ônibus e 
 
32 
 
maquinistas, bem como os operadores de veículos pesados, como 
retroescavadeiras, tratores e empilhadeiras, nos quais a vibração é 
transmitida pelo assento. 
 Localizadas: atingem certas regiões do corpo, normalmente membros 
superiores (mãos, braços e ombros), como, por exemplo, operadores, 
marteletes pneumáticos, lixadeiras e parafusadeiras. 
 
O principal sistema do organismo afetado por essa exposição é o sistema 
osteomuscular, porém, os sistemas urinário e circulatório também podem ser 
comprometidos. Em geral, a pessoa apresenta sintomas como fadiga, dores de 
cabeça, tremores e insônia (BALLESTRERI, 2018). 
A alteração em nível vascular pode ocorrer com a chamada Síndrome de 
Raynaud, ou síndrome dos dedos brancos. Essa doença, em seu primeiro estágio, 
começa com sensações de formigamento com o passar do tempo, em seguida há 
leves branqueamentos nas extremidades dos dedos por curtos períodos. 
Posteriormente, o branqueamento começa a se tornar frequente e se prolonga, 
podendo se estender a todo o dedo, levando à falta de sangue e oxigenação dos 
tecidos, de acordo com o expresso na imagem abaixo: 
 
 
Fonte: shre.ink/mO3f 
 
33 
 
A avaliação quantitativa deverá ser realizada sempre que necessária para 
(CAMISASSA, 2015): 
a) comprovar o controle da exposição ou a inexistência riscos identificados na 
etapa de reconhecimento; 
b) dimensionar a exposição dos trabalhadores; 
c) subsidiar o equacionamento das medidas de controle; 
Ainda de acordo com Camisassa (2015), deverão ser adotadas as medidas 
necessárias suficientes para a eliminação, a minimização ou o controle dos riscos 
ambientais sempre que forem verificadas uma ou mais das seguintes situações: 
a) identificação, na fase de antecipação, de risco potencial à saúde; 
b) constatação, na fase de reconhecimento de risco evidente à saúde; 
c) quando os resultados das avaliações quantitativas da exposição dos 
trabalhadores excederem os valores dos limites previstos na NR 15 ou, na ausência 
destes os valores limites de exposição ocupacional adotados pela American 
Conference of Governmental Industrial Higyenists-ACGIH, ou aqueles que venham a 
ser estabelecidos em negociação coletiva de trabalho, desde que mais rigorosos do 
que os critérios técnicos legais estabelecidos; 
d) quando, através do controle médico da saúde, ficar caracterizado o nexo 
causal entre danos observados na saúde os trabalhadores e a situação de trabalho a 
que eles ficam expostos. 
5.3 Calor 
 
Fonte: shre.ink/mY1m 
 
34 
 
Quando o corpo é submetido a temperaturas elevadas, ocorre a vasoconstrição 
para aumentar a circulação sanguínea e forçar a perda de calor pelos poros da pele. 
Quando o corpo não consegue eliminar o excesso de calor, este fica armazenado e a 
temperatura do corpo aumenta, assim, o trabalhador começa a perder sua capacidade 
de concentração, tornando-se vulnerável a acidentes (WALDHELM NETO, 2015). 
Os efeitos da sobrecarga térmica (ou estresse térmico) que um trabalhador está 
submetido em uma área de trabalho quente dependem de fatores ambientais e de 
características individuais do trabalhador, tais como idade, peso e condicionamento 
físico, especialmente do aparelho cardiocirculatório. Entre os fatores ambientais, 
devem ser considerados a temperatura, a umidade, o calor radiante (sol, fornos) e a 
velocidade do ar. Os riscos aumentam com a umidade elevada, a qual diminui o efeito 
refrescante da sudorese, que, com o esforço físico prolongado, aumenta a quantidade 
de calor produzido pelos músculos. 
São efeitos da exposição prolongada ao calor: 
 Exaustão/fadiga: sintomas como cansaço, abatimento, dor de cabeça, 
tontura, mal-estar, fraqueza, inconsciência; 
 Desidratação: diminuição do volume sanguíneo, perda de líquido e sais 
minerais são algumas das alterações causadas pela exposição excessiva 
ao calor; 
 Edema pelo calor: consiste no inchaço das extremidades, em particular pés 
e tornozelos. 
De acordo com Ministério do Trabalho (2021), 
A avaliação quantitativa do calor deverá ser realizada com base na 
metodologia e procedimentos descritos na Norma de Higiene 
Ocupacional NHO 06 (2ª edição - 2017) da FUNDACENTRO nos 
seguintes aspectos: 
a) determinação de sobrecarga térmica por meio do índice IBUTG - 
Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo; 
b) equipamentos de medição e formas de montagem, posicionamento 
e procedimentos de uso dos mesmos nos locais avaliados; 
c) procedimentos quanto à conduta do avaliador; e 
d) medições e cálculos (BRASIL, 2021). 
Para conclusão, o anexo 3 da NR 15 define os limites de exposição ocupacional 
ao calor, , e estes estão apresentados no Quadro a seguir para os 
diferentes valores de taxa metabólica média (M): 
 
 
35 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Anexo 3, Norma Regulamentadora nº 15, 2021. 
 
36 
 
5.4 Frio 
 
Fonte: shre.ink/mY1m 
O trabalho em ambientes de baixa temperatura representa um risco à saúde do 
trabalhador. Os principais efeitos da exposição ao frio acontecem na circulação do 
corpo. Ao contrário do calor, em que há vasodilatação dos vasos sanguíneos, o frio 
leva à vasoconstrição, a fim de reduzir as perdas de calor. 
Os tremores causados pelo frio ocorrem como tentativa de gerar calor para 
compensar as perdas. Entre as manifestações da exposição ao frio, podemos citar as 
feridas, as rachaduras, as necroses, o agravamento de doenças articulares e 
respiratórias, além de: 
 
 Geladura ou queimadura do frio: resultante da prolongada exposição ao frio 
úmido. Seus sintomas são: pele avermelhada, inchada e quente, 
vesiculação e ulceração, formigamento, adormecimento e dor; 
 Frostbite: lesão que ocorre, principalmente, nas extremidades devido à 
diminuição da circulação de sangue e à deposição de pequenos cristais de 
gelo nos tecidos, que ocorre quando a região corporal é exposta a 
temperaturas muito baixas (abaixo de –2 °C); 
 
37 
 
 Hipotermia – redução da temperatura do corpo abaixo de 35 °C, resultando 
na incapacidade do corpo em repor a perda de calor para o ambiente. 
A ANAMT (2017), explica técnicas de como diminuir os efeitos da exposição 
ao frio: 
O trabalho deve ser planejado de modo a permitir que os trabalhadores 
permaneçam ativos ao serem expostos ao frio, além da possibilidade 
de estarem em um ambiente aquecido nos períodos de descanso, bem 
como ter a disposição comida e bebida quentes. 
Estes trabalhadores devem ter bom condicionamento físico e ausência 
de doenças vasculares, metabólicas ou neurológicas que os coloquem 
em risco de hipotermia. 
Devem ainda ser aconselhados em relação a evitar o uso de tabaco e 
álcool. Novatos devem ser introduzidos lentamente ao esquema de 
trabalho (ANAMT, 2017). 
5.5 Radiações 
 
Fonte: shre.ink/mYnX 
As radiações referem-se à propagação de energia na forma de ondas 
eletromagnéticas. As radiações não ionizantes são radiações que não conseguem 
ionizar a matéria. Elas estão presentes em nosso cotidiano, como micro-ondas 
produzidas por telefones celulares, aparelhos de rádio e alguns processos industriais 
e medicinais, e raios ultravioletas de origem natural (sol – UVA e UVB) ou artificial 
(operações de solda, fornos, metais incandescentes, lâmpadas ultravioletas, radiação 
infravermelha). 
 
38 
 
As radiações ionizantes são aquelas que são capazes de produzir uma reação 
de ionização. Outra característica das radiações ionizantes não está só no fato da 
ionização, mas também na capacidade de estas serem bastante penetrantes em 
comparação com a radiação não ionizante e esta, por definição: 
[...] são radiações não-ionizantesas micro-ondas, ultravioletas e laser. 
As operações ou atividades que exponham os trabalhadores às 
radiações não-ionizantes, sem a proteção adequada, serão 
consideradas insalubres, em decorrência de laudo de inspeção 
realizada no local de trabalho. 
As atividades ou operações que exponham os trabalhadores às 
radiações da luz negra (ultravioleta na faixa - 400320 nanômetros) não 
serão consideradas insalubres (BRASIL, 2021). 
São inúmeras e importantíssimas as aplicações das radiações ionizantes, como 
o uso na medicina (raios X, tomografia computadorizada e radioterapia), além de 
também serem encontradas na natureza em elementos radioativos (urânio 235, rádio, 
potássio 40). 
As radiações ionizantes englobam raios X, raios γ, partículas α, β e nêutrons. 
As principais alterações na saúde do trabalhador, em decorrência da exposição à 
radiação não ionizante, são as alterações nos olhos e na pele, como: 
 
 Queimaduras; 
 Eritemas; 
 Dermatites; 
 Manchas; 
 Envelhecimento precoce; 
 Câncer de pele; 
 Conjuntivite; 
 Ceratite; 
 Catarata. 
 
As radiações ionizantes podem causar diarreia, náuseas, vômitos, inflamação 
da boca e da garganta, queda de cabelo, fraqueza e, inclusive, câncer. 
 
39 
 
5.6 Pressões anormais 
 
Fonte: shre.ink/mYnp 
Refere-se às condições hiperbáricas, nas quais a pressão do ambiente é maior 
que a atmosférica. Quanto maior a profundidade, maior será a pressão à qual serão 
submetidos. Os trabalhos sob ar comprimido, em tubulões pneumáticos e túneis 
pressurizados, por exemplo, bem como trabalhos submersos realizados por 
mergulhadores, são exemplos de exposição a esse tipo de risco. 
A exposição a pressões anormais pode causar a ruptura do tímpano quando o 
aumento de pressão for brusco e houver a liberação de nitrogênio em tecidos e vasos 
sanguíneos, além de ocorrerem embolias, intoxicações provocadas por oxigênio e gás 
carbônico devido à sua maior concentração e morte. 
O Ministério do Trabalho (2021), fala sobre a condição destas atividades 
laborais desta maneira: 
 
 O trabalhador não poderá sofrer mais que uma compressão num período 
de 24 (vinte e quatro) horas; 
 Durante o transcorrer dos trabalhos sob ar comprimido, nenhuma pessoa 
poderá ser exposta à pressão superior a 3,4 kgf/cm2, exceto em caso de 
emergência ou durante tratamento em câmara de recompressão, sob 
supervisão direta do médico responsável; 
 A duração do período de trabalho sob ar comprimido não poderá ser 
superior a 8 (oito) horas, em pressões de trabalho de 0 a 1,0 kgf/cm2; a 6 
 
40 
 
(seis) horas em pressões de trabalho de 1,1 a 2,5 kgf/cm2; e a 4 (quatro) 
horas, em pressão de trabalho de 2,6 a 3,4 kgf/cm2; 
 Após a descompressão, os trabalhadores serão obrigados a permanecer, 
no mínimo, por 2 (duas) horas, no canteiro de obra, cumprindo um período 
de observação médica; 
 O local adequado para o cumprimento do período de observação deverá ser 
designado pelo médico responsável. (BRASIL, 2021) 
 
Ainda de acordo com o Órgão Federal: 
Para trabalhos sob ar comprimido, os empregados deverão satisfazer 
os seguintes requisitos: 
a) ter mais de 18 (dezoito) e menos de 45 (quarenta e cinco) anos de 
idade; 
b) ser submetido a exame médico obrigatório, pré-admissional e 
periódico, exigido pelas características e peculiaridades próprias do 
trabalho; 
c) ser portador de placa de identificação, de acordo com o modelo 
anexo (Quadro I da norma), fornecida no ato da admissão, após a 
realização do exame médico. 
Antes da jornada de trabalho, os trabalhadores deverão ser 
inspecionados pelo médico, não sendo permitida a entrada em serviço 
daqueles que apresentem sinais de afecções das vias respiratórias ou 
outras moléstias. 
É vedado o trabalho àqueles que se apresentem alcoolizados ou com 
sinais de ingestão de bebidas alcoólicas. 
É proibido ingerir bebidas gasosas e fumar dentro dos tubulões e 
túneis. 
Junto ao local de trabalho, deverão existir instalações apropriadas à 
Assistência Médica, à recuperação, à alimentação e à higiene 
individual dos trabalhadores sob ar comprimido. 
Todo empregado que vá exercer trabalho sob ar comprimido deverá 
ser orientado quanto aos riscos decorrentes da atividade e às 
precauções que deverão ser tomadas, mediante educação audiovisual 
(Brasil, 2021). 
Por fim, o quadro a seguir contém um resumo das informações referentes aos 
Anexos 1 a 14 (lembrando que o anexo 4 foi revogado em 1990): 
 
 
 
 
 
 
 
 
41 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fonte: Camisassa, 2015. 
 
 
 
42 
 
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
Associação Brasileira de Higienistas Ocupacionais (ABHO). Um pouco da história 
da ABHO. ABHO, 2021 -2022. 
American Industrial Hygiene Association (AIHA). Sobre a AIHA: Quem somos nós? 
AIHA, 2022. 
ANAMT- Associação Nacional de Medicina do Trabalho. História da Medicina do 
Trabalho. 2017. 
Associação Internacional de Higiene Ocupacional (IOHA). Sobre a OHTA. 2022. 
ARAÚJO, Eduardo, M. Introdução à higiene e segurança do trabalho. Editora 
Intersaberes, 2021. 
BALLESTRERI, E. Biossegurança. Porto Alegre: SAGAH, 2018. unid. I, p. 56. 
BARSANO, Paulo R.; BARBOSA, Rildo P. Higiene e Segurança do Trabalho. 
Editora Saraiva, 2014. 
BRASIL. Decreto-lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943. Aprova a Consolidação das 
Leis do Trabalho. DF: Presidência da República. 
BRASIL. Norma regulamentadora nº 9: programa de prevenção de riscos 
ambientais. 2020. 
BRASIL. Ministério do Trabalho. Norma regulamentadora nº 15: atividades e 
operações insalubres. 2021. Portaria 3.214 de Jul. 1978. 
BRISTOT, V. M. Introdução à engenharia de segurança do trabalho. Criciúma: 
Unesc, 2019. 
CAMISASSA, Mara Q. Segurança e Saúde no Trabalho - NRs 1 a 37 Comentadas 
e Descomplicadas. Grupo GEN, 2015. 
FUNDACENTRO - FUNDAÇÃO JORGE DUPRAT FIGUEIREDO, DE SEGURANÇA 
E MEDICINA DO TRABALHO. Normas de Higiene Ocupacional – NHOs. 
Fundacentro, 2020- 2021. 
MATTOS, Ubirajara. Higiene e Segurança do Trabalho. Grupo GEN, 2019. 
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS); ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL 
DO TRABALHO (OIT). Quase 2 milhões de pessoas morrem por causas 
relacionadas ao trabalho a cada ano. Opas, 2021. 
PAOLESCHI, Bruno. CIPA: Guia Prático de Segurança do Trabalho. Editora Saraiva, 
2009. 
ROJAS, Pablo R. A. Técnico em segurança do trabalho. Grupo A, 2015. 
 
43 
 
SANTOS, A. M. A. et al. Introdução à higiene ocupacional. São Paulo: MTE, 
Fundacentro, 2004. 
SILVA, Agenor Antônio E.; REZENDE, Mardele Eugênia T.; TAVEIRA, Paulo Tarso 
Augusto do P. Segurança do Trabalho e Meio Ambiente: a dupla atuação. Editora 
Saraiva, 2019. 
WALDHELM NETO, N. Segurança do trabalho: os primeiros passos. Santa Cruz 
do Rio Pardo, SP: Viena, 2015.

Mais conteúdos dessa disciplina