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GESTÃO DE CARREIRA 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Cintya Alessandra Santos 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Olá, aluno! Animado para esta aula? Vamos conceituar e abordar o 
processo evolutivo da carreira e sua transformação ao longo da história até os 
dias atuais. 
Os temas abordados serão: 
 Carreira no tempo; 
 Os momentos distintos; 
 Estágios da vida vocacional; 
 A orientação vocacional no século XXI; 
 Perspectivas e desafios. 
CONTEXTUALIZANDO 
Nos dias de hoje, são cada vez maiores os desafios que os profissionais 
encaram no mercado de trabalho e a evolução no contexto histórico quando nos 
referimos à carreira. Nesse contexto, questionamos: 
 Quais acontecimentos históricos mudaram o mercado de trabalho? 
 O que mudou no conceito de trabalho após cada revolução industrial? 
 Da adolescência até a aposentadoria, quais são as fases da vida 
vocacional de um profissional? 
 Qual é o maior desafio dos jovens e/ou adolescentes no mercado de 
trabalho? 
Encontraremos nesta aula as respostas para tais indagações, de maneira 
detalhada e com conteúdo, para compreendermos sua formação profissional. 
TEMA 1 – CARREIRA NO TEMPO 
A ideia de carreira surgiu no universo empresarial, em um mundo 
estruturado pela normatividade, previsibilidade e estabilidade do modelo de 
gestão de Taylor e Ford, marcado pela forte influência da administração 
(Blanch, 2003). Hall (2002) salienta que a carreira, em sua representação 
moderna da vida laboral por boa parte do século, seria a sequência de cargos 
 
 
3 
ou funções que definem o progresso profissional, marcado pela vida laboral, 
sendo um pseudônimo definido de forma externa, previsível e sequencial. 
A denominação carreira só existia para profissionais vinculados a 
instituições públicas ou privadas; portanto, profissionais liberais, autônomos, 
prestadores de serviço ou que não tinham uma continuidade em sua trajetória 
profissional não costumavam receber esse nome (Super, 1957). 
Podemos dividir as construções da trajetória profissional no mercado de 
trabalho da seguinte maneira: 
 Carreira: estrutura preestabelecida em que o profissional constrói a 
própria trajetória, com uma projeção do futuro de fato associada a uma 
instituição ou organização, privada ou pública, pois somente com esse 
vínculo teria legitimidade social. 
 Não carreira: definição post factum (depois de) de profissionais sem 
vínculo empregatício e que, portanto, não têm legitimidade social para tal. 
De acordo com Gunz e Peiperl (2007), é quase impossível identificar uma 
padronização dos estudos de carreira, que permanecem até nos dias atuais 
divididos em lacunas entre estudiosos da ciência de gestão – que falam de 
carreira organizacional – e os de ciências do trabalho – que trazem o conceito 
de desenvolvimento de carreira, considerando autores que buscam unir as 
áreas, mas ainda longe do modelo ideal. 
É necessário estruturar o que foi produzido, mesmo com o risco de 
reducionismos, discordâncias e imperfeições, pois os critérios de classificação 
científica não poderiam atender toda a necessidade e não serem satisfeitos em 
sua totalidade (Crites, 1974). Gunz e Peiperl (2007) debatem sobre o tema com 
um mapeamento os estudos da carreira, e citam a topologia e a taxonomia. 
Quadro 1 – Topologia e taxonomia 
 
 
 
4 
É cada vez mais forte a visão de que os interesses individuais necessitam 
estar conectados aos interesses das organizações, pois, assim, os resultados 
serão os melhores no aspecto de retenção de talentos, produtividade, 
engajamento e tantos outros. 
Em consonância com esse conceito, Chanlat (1995) relata dois 
importantes exemplos de carreira com base em sociedades industrializadas: 
Quadro 2 – Modelo tradicional versus modelo moderno 
 
Fonte: Chanlat, 1995. 
Na abordagem tradicional, podemos destacar, segundo Martins (2001), 
três aspectos que limitam o conceito de carreira: 
1. Noção de crescimento, que reforça a expectativa de ascensão vertical na 
hierarquia de uma empresa, representada por uma “escada” que 
simboliza mais status e maior remuneração; 
2. Vinculação da carreira à profissão; por exemplo, um médico, um militar ou 
um sacerdote, de acordo com esse ponto de vista, teriam carreiras 
também; 
3. Hipótese de uma estabilidade ocupacional, em que o empregado exerce 
somente atividades relacionadas à profissão, até sua aposentadoria. Esse 
conceito não inclui a conciliação de duas ou mais atividades ao mesmo 
tempo, como professor, microempresário etc. 
A carreira, nesse ponto de vista, refere-se ao trabalho assalariado e aos 
empregados com seus respectivos cargos nas organizações. De acordo com 
Chanlat (1995), os motivos do crescimento e da exploração desse conceito se 
associam aos seguintes fatores: 
 Crescente inclusão das mulheres no mercado; 
 Aumento do grau de instrução; 
 Capital social globalizado; 
 
 
5 
 Consolidação dos direitos do trabalhador; 
 Globalização econômica, competitividade e tumulto ambiental; 
 Necessidade de mudar padrões e paradigmas nas organizações; 
 Flexibilização da atividade laboral. 
Diante de tantas mudanças ao longo do tempo, uma definição apropriada 
de carreira na atualidade é esta: “ocupação ou profissão representada por etapas 
e possivelmente por uma progressão. Ingressar em uma carreira significa 
avançar no caminho da vida” (Robert, 1989). Greenhaus, Callanan e Godshalk 
(1999), ao abordarem o conceito, propõem uma carreira livre, sem as amarras 
da abordagem tradicional, afirmando que se trata de um modelo de experiências 
associadas ao trabalho que abrange a trajetória de vida de um indivíduo. 
Dada a velocidade e complexidade dos dias atuais, surgem dois conceitos 
importantes que devemos conhecer: trajetória de carreira e continuidade de 
experiências de trabalho de um profissional, tanto na condição de empregado 
como na de autônomo ou profissional liberal (Kilimnik, 2000). 
TEMA 2 – OS MOMENTOS DISTINTOS 
A primeira revolução industrial foi motivada pela invenção de máquinas 
a vapor. A Europa foi o berço da sociedade capitalista industrial do final do século 
XVlll, direcionada na produção em larga escala com foco em manufatura 
(Albornoz, 1992; Masi, 1999). Foi nesse instante que a vida no trabalho foi 
separada da vida pessoal. O trabalho foi automatizado e dividido em atividades 
especializadas, e um expressivo número de agricultores e artesãos passou a 
vender sua mão de obra para as indústrias em troca de salário. 
Nesse novo cenário, surgiram duas classes sociais: a burguesia 
(empresários) – proprietária das indústrias, rica e sedenta por consumo – e o 
proletariado (empregados) – força de trabalho necessária para produzir bens e 
serviços. Foi um momento de supervalorização da produção industrial, e os 
empregados enfrentavam jornadas demasiadas, sem nenhum direito trabalhista 
ou garantia social (Masi, 1999). 
A segunda revolução industrial ocorreu no final do século XlX, no 
caminho da descoberta da eletricidade. Karl Marx e Friedrich Engels foram 
pioneiros ao apontar as crueldades nas relações de trabalho constituídas pela 
 
 
6 
sociedade industrial do seu tempo, apoiaram a luta de classes e impulsionaram 
o desenvolvimento social (Masi, 1999). O maior legado desses autores foi o 
engajamento em promover lutas por direitos e garantias sociais do trabalhador 
industrial assalariado. 
A terceira revolução industrial aconteceu no início do século XX, com o 
desenvolvimento da automação. Nos Estados Unidos, ela foi mais fort e recebeu 
o reforço das ideias e a organização do cientista Taylor que, com o objetivo de 
aumentar a produção, passou para a produção em larga escala, diminuindo a 
força de trabalho e criando novas linhas de produção na indústria automobilística 
(Harvey, 1996; Masi, 1999). 
Esse movimento, chamado taylorista-fordista, deu origem à sociedade 
capitalista de produção e consumo em larga escala,e atingiu seus melhores 
resultados nos anos 1920. Nessa fase a sociedade industrial também atingiu seu 
maior desenvolvimento. A produção industrial (ou setor secundário da economia) 
teve destaque no desenvolvimento de riquezas e na criação de postos de 
trabalho (Masi, 1999). 
De acordo com a demanda de qualificação dos profissionais, nessa fase 
nasceu a prática de orientação profissional, pois as organizações perceberam 
que um profissional mais qualificado seria mais produtivo e traria melhores 
resultados. Vamos compreender melhor por que a orientação profissional teve 
seu destaque. 
2.1 Orientação profissional 
A orientação profissional foi muito influenciada pelo engajamento 
ideológico com a sociedade industrial. A formação dos orientadores profissionais 
tinha como foco a aprendizagem técnica voltada a desenvolver e avaliar o 
indivíduo, a fim de viabilizar o acesso às mais diversas ocupações no mercado 
de trabalho da época. A premissa dos orientadores profissionais era o foco na 
produção, buscando a eficiência pela adequação da pessoa à função, avaliando-
se habilidades e competências, e não considerando a autopercepção do 
empregado com relação a seus interesses e perspectivas de satisfação e 
autorrealização. 
Em meados do século XX, a orientação profissional tomou novos rumos, 
em decorrência do declínio da classe operária e a revalorização da criatividade. 
 
 
7 
A visão mais moderna da orientação profissional remete à produção de resultado 
para o sujeito de escolha, e competências importantes devem ser entendidas 
como consequências naturais de uma escolha adequada, centrada na satisfação 
e nos interesses do profissional. 
Analisando os conceitos apresentados, a orientação profissional é 
relevante na construção da sociedade pós-industrial, pois a postura assumida 
terá reflexos no desenvolvimento da sociedade no futuro. Para que a orientação 
profissional brasileira seja um agente de mudança social, é preciso formação 
específica para padronizar e seguir determinados passos. 
 Em primeiro lugar, é importante fazer um levantamento baseado no 
confronto “competências comportamentais versus técnicas e experiência 
efetiva na função” (Lassance, 1999); 
 Em segundo lugar, o orientador profissional deve se conectar com as 
mudanças do mercado de trabalho, orientando o jovem a respeito de 
dúvidas e inconstâncias de sua área (Jenschke, 2001; Lisboa, 2000, 
2002); 
 Enfim, é fundamental que o orientador profissional aceite o caráter 
político e ideológico de sua função e, acima de tudo, se comprometa com 
seu caráter social inerente (Lassance, 1997; Lisboa, 2000, 2002; Luna, 
1997; Sarriera, 1998). 
No Brasil, os processos devem chegar ao nível orientado pelos autores, 
mas ainda há muito a ser feito para que os orientadores profissionais tenham 
melhor preparo, tanto nas questões técnicas quanto na análise crítica para 
executar seu trabalho. 
TEMA 3 – ESTÁGIOS DA VIDA VOCACIONAL 
Para falarmos dos estágios da vida vocacional, precisamos entender que 
as constantes mudanças do mercado de trabalho exigem que as teorias 
vocacionais e de carreira compreendam por que as pessoas se direcionam e se 
desenvolvem para determinada trajetória profissional. 
Sabemos que no passado a relação do profissional com o trabalho se 
baseava na busca por estabilidade e previsibilidade, e a sociedade e as 
empresas se mantinham estáveis; as mudanças eram raras. Mas na atualidade 
 
 
8 
não existe mais um único padrão para desenvolver a carreira, por isso as 
pessoas precisam se adaptar e se desenvolver constantemente para construir 
novos sentidos em sua trajetória profissional. 
Os modelos atuais de carreira assumiram diferentes configurações, como 
estas: 
 Carreira sem fronteiras: trabalhar em mais de uma organização 
simultaneamente; 
 Carreira portfólio: atuar em áreas diferentes, sendo capaz de organizar 
sua própria gestão de carreira; 
 Carreira proteana: buscar profissionais no seu ciclo social e na sua rede 
de contatos, criando oportunidades essenciais para suas experiências 
profissionais. 
Podemos perceber que a carreira deixou de ser conhecida como um 
simples processo de escolha profissional em determinado momento da vida e 
tomou proporções maiores, que passam por transformações durante todo o ciclo 
de vida de um profissional (Super, 1990). 
Os estágios da vida vocacional passam por novas concepções e, com 
isso, o conceito de desenvolvimento de carreira traz as seguintes bases: 
 Maturidade para a carreira/adaptabilidade de carreira; 
 Estágios do desenvolvimento de carreira; 
 Padrões de carreira e autoconceitos; 
 Fatores determinantes pessoais e sociais. 
Essas bases reforçam as novas concepções de carreira, pois serão 
desenvolvidas ao longo da vida do indivíduo, tornando o processo contínuo de 
desenvolvimento pessoal e profissional inevitável. 
Savickas (1997), em termos gerais, divide a compreensão do 
desenvolvimento de carreira em três formulações: 
1. Os comportamentos vocacionais estão diretamente ligados ao estágio da 
carreira, e cada indivíduo irá vivenciá-lo de acordo com seu 
desenvolvimento, durante todo o ciclo de vida; 
 
 
9 
2. Surgimento de uma nova perspectiva após a análise comparativa, em que 
Savickas enfatiza a importância do autoconceito, autoestima e 
autoeficácia para formar as percepções e escolhas das pessoas; 
3. Na perspectiva contextual, o autor enfatiza que é necessário ampliar a 
visão quanto ao desenvolvimento de carreira, pois isso contribuirá não 
somente para as atividades laborais, mas para todos os papéis que o 
indivíduo exerce e valoriza na sociedade. E a carreira pode ser vista como 
uma construção ao longo de todos os estágios e ciclos da vida, e em 
diferentes contextos. 
TEMA 4 – A ORIENTAÇÃO VOCACIONAL NO SÉCULO XXI 
Desde muito cedo passamos a conhecer a importância e valor do trabalho 
para nós e para a maioria das pessoas. A identidade vocacional é uma parte 
importante da identidade do indivíduo como um todo. Ter um emprego 
reconhecido pela sociedade, que proporcione principalmente o sucesso e o 
prestígio, aumenta consideravelmente a autoestima do profissional e facilita a 
formação de um senso de identidade, com mais segurança e estabilidade. 
Mas podemos também evidenciar o oposto, quando a sociedade aponta 
para alguém que julga não ser necessário ter um bom emprego, o que pode 
gerar incertezas e descrença, sentimento de revolta, indignação ou até 
delinquência em alguns casos, formando uma identidade negativa (Mussen 
et al., 1995). Conforme Carvalho (1995): “trata-se do movimento do ser humano 
no sentido de encontrar seu lugar no sistema produtivo de seu meio social” 
(p. 45). 
Sabemos que a adolescência é a transição entre a infância e a gradativa 
chegada ao mundo adulto, e é nesse contexto conturbado que os jovens 
precisam se posicionar e fazer escolhas importantes para o futuro de sua vida 
profissional (Müller, 1998). No início da adolescência, os jovens de maneira geral 
não demonstram comprometimento e muitas vezes nem têm um projeto de vida, 
deixando-se conduzir por sonhos, fantasias e ilusões. À medida que se 
desenvolvem, passam a conquistar gradualmente sua identidade, senso de 
pertencimento e, principalmente, percepção de sua unicidade. Começam a 
apresentar a necessidade de definição, conhecimento e escolha de sua 
profissão com base na sua realidade pessoal e sociocultural (Golin, 2000). 
 
 
10 
4.1 É fácil para um jovem escolher a profissão em que atuará por boa parte 
da vida? 
Não é fácil, pois muitas vezes a multiplicidade de profissões, áreas de 
estudo e cursos, em vez de facilitar, dificultam a escolha de uma profissão. 
Primeiramente, os jovens vão seguir como parâmetro de escolha seu mapa 
representacional, criado com base em suas experiências de vida e também em 
sua posição sociocultural e econômica (Silva, 1999). Quando chega a hora deescolher a profissão, é necessário refletir sobre obstáculos e oportunidades do 
mercado de trabalho. Além disso, muitas vezes os jovens buscam meios 
duvidosos para obter orientação (Junqueira, 1999). 
Assim, a orientação vocacional surge como alternativa para auxiliar os 
jovens na escolha da profissão. Essa atividade não só direciona o jovem para o 
caminho de sua trajetória profissional como o auxilia no seu autoconhecimento, 
viabilizando escolhas mais conscientes e conectadas a seus valores, princípios, 
contexto social, econômico e cultural. Além disso, as mídias sociais têm 
contribuído de certa forma para aumentar essa procura. 
A escolha profissional é uma das necessidades mais relevantes para a 
maioria dos jovens pois, com o avanço tecnológico, as incertezas e exigências 
do mercado influenciam diretamente no futuro da sua vida profissional. Além 
disso, o medo de ser mal sucedido – muito comum nessa faixa etária – causa 
uma insegurança sobre sua escolha da profissão “certa”. 
A orientação vocacional aponta o provável caminho a ser percorrido pelo 
jovem que busca seguir uma trajetória profissional, introduzindo-o num processo 
intenso de autoconhecimento, aumento da percepção de suas identificações, 
características e singularidades, ampliando e transformando sua consciência, 
incentivando escolhas mais assertivas, organizando seu projeto de vida e 
minimizando pensamentos fantasiosos que podem influenciar suas decisões 
(Bock; Aguiar, 1995). Trata-se de um processo que também promove a saúde e 
o bem-estar do indivíduo. 
Por fim, a importância da orientação vocacional se mostra quando o jovem 
desenvolve a capacidade de refletir sobre si mesmo, fazendo uma escolha mais 
apropriada e, por consequência, desenvolvendo todas as suas potencialidades. 
 
 
11 
4.2 Operacionalização da orientação vocacional 
As mudanças e transformações da sociedade atual trazem um 
questionamento quanto à operacionalização da orientação vocacional. É 
imprescindível contextualizá-la para atingir seu objetivo principal. 
Testes psicológicos e outras ferramentas de análise comportamental, se 
confrontadas e alinhadas à orientação vocacional, podem resultar num 
adequado direcionamento profissional do jovem, ajudando na escolha assertiva 
da sua profissão. 
4.3 Como desenvolver a orientação vocacional? 
Podemos desenvolver a orientação vocacional individualmente ou em 
grupo. Muitos autores afirmam que a segunda opção é enriquecedora, pois trocar 
conhecimentos com o outro auxilia na autopercepção do jovem como parte 
atuante de uma sociedade, reduzindo fantasias e criações ingênuas pertinentes 
a essa fase da vida (Vasconcelos; Antunes; Silva, 1998). Obviamente, esse 
processo deve ser coordenado por um profissional competente. 
É de suma importância gerar todas as condições possíveis para que o 
jovem tenha acesso a informações relevantes. Por exemplo: 
 Características; 
 Aplicações; 
 Cursos; 
 Requisitos; 
 Locais de trabalho; 
 Atuação no mercado de trabalho; 
 Projeção salarial. 
No âmbito do autoconhecimento, é importante gerar condições e 
mecanismos que ajudem o jovem a identificar suas aptidões, interesses e 
características de personalidade (Bock; Aguiar, 1995). Com ferramentas e 
testes, podemos perceber sua eficácia e analisá-los num contexto amplo, pois 
cada jovem é único, com direito a um processo individual e personalizado. 
 
 
 
12 
TEMA 5 – PERSPECTIVAS E DESAFIOS 
Os profissionais da orientação vocacional devem estar conscientes da sua 
própria finalidade. O foco dessa atividade não é apenas orientar jovens a 
escolher a carreira que desejam seguir, mas sim aprimorar seu 
autoconhecimento, fazendo-os encontrar sentido em suas escolhas e, 
obviamente, considerar as condições do mercado de trabalho em que desejam 
trabalhar. 
No mercado de trabalho, é comum encontrar profissionais não 
qualificados, que muitas vezes prestam serviços inadequados e apresentam 
resultados ruins; tal posicionamento não é o que o mercado espera dos 
profissionais. Muitas vezes isso ocorre em decorrência de uma má preparação 
(Bohoslavsky, 1993). 
Antes de qualquer coisa, o profissional de orientação vocacional precisa 
ter ciência das competências tanto técnicas quanto comportamentais 
necessárias para desempenhar uma profissão de maneira eficaz e significativa. 
Os novos desafios mostram que esse profissional precisa estar em constante 
evolução, sempre atento às mudanças e atualizações do mercado. 
Müller (1998) aponta algumas qualidades inerentes ao orientador 
vocacional: 
 Formação teórica em psicologia e áreas relacionadas; 
 Vivência com dinâmicas de grupo; 
 Técnicas de exploração da personalidade e psicopatologia; 
 Prática de atendimento; 
 Empatia; 
 Equilíbrio emocional; 
 Reconhecimento da própria ideologia; 
 Autoconhecimento; 
 Respeito pelo próximo; 
 Aceitação dos próprios limites. 
Ao iniciar uma orientação vocacional, o profissional deve estar ciente de 
suas limitações e se deverá ou não dar continuar o processo. Para um bom 
 
 
13 
direcionamento, Bohoslavsky (1993) sugere que o orientador faça as seguintes 
perguntas a si mesmo: 
 O jovem tem possibilidade de alcançar sua identidade ocupacional sem 
uma transformação considerável da estrutura de sua personalidade? 
 Ele tem maturidade para determinar seu futuro profissional? 
 Ele consegue colocar sua percepção, pensamentos e atitudes a serviço 
do princípio de realidade, de prever dificuldades, compreender sínteses e 
suportar decepções? 
 Sou o profissional mais indicado para atuar com orientação vocacional? 
 Será que este é o momento propício para iniciar uma orientação 
vocacional com esse jovem? 
É indispensável que o profissional se sinta seguro sobre sua identidade e 
tenha tranquilidade para atuar. Isso facilitará a percepção e interpretação das 
incertezas dos jovens (Bohoslavsky, 1993). 
Além do que citamos, é importante mostrar outras qualificações e 
conhecimentos inerentes a esse profissional: 
 Mercado de trabalho; 
 Empregabilidade; 
 Globalização; 
 Informações sobre as diferentes profissões e ocupações; 
 Conhecimento de cursos e universidades e suas especificidades; 
 Conhecimento sobre as teorias de orientação profissional. 
O orientador deve entender e conhecer seu verdadeiro propósito ao 
escolher essa atividade, principalmente na escolha da orientação profissional 
como profissão e fonte de sustento, considerando que será necessário ter 
clareza de suas próprias escolhas para compreender melhor os conflitos dos 
jovens (Soares, 1999). 
 
 
 
 
 
 
 
14 
5.1 Autoconhecimento 
5.1.1 Qual é a contribuição do autoconhecimento para a orientação 
vocacional? 
O autoconhecimento é um processo contínuo, que envolve interesses, 
aptidões, valores, comportamentos e características de personalidade, sofrendo 
alterações de acordo com as experiências e com o passar do tempo. Conhecer 
a si mesmo é ser o artista principal da própria história, e alimentar esse 
sentimento no jovem o levará às melhores escolhas. 
5.1.2 Qual é o maior desafio da orientação vocacional? 
As sucessivas mudanças do mundo do trabalho (Dias; Soares, 2012), 
associadas ao aumento exponencial do número de cursos de nível superior 
disponíveis no Brasil (2016), revelam a visível dificuldade em escolher uma 
profissão e continuar seus estudos nela – consideramos este o maior desafio do 
jovem nos dias de hoje. E é nesse cenário de dúvidas que entra a orientação 
profissional, que, de acordo com diversos autores (Levenfus, 2010; Soares, 
2000), deveria ser praticada já no ensino médio. 
TROCANDO IDEIAS 
Estamos chegando ao fim da nossa aula. Observamos quão desafiador é 
a escolha da carreira que vamos seguir ao longo de nossa trajetória profissional. 
Assim, gostaríamos de convidá-lo a assistir ao vídeo “Como errar menos ao 
escolher uma carreira específica na adolescência”,disponível no link a seguir: 
. 
Acesso em: 5 jun. 2020. 
Após assistir, aplique em sua trajetória enquanto profissional de 
desenvolvimento humano a “corrente do bem”, que a cada oportunidade ajudará 
na escolha profissional das pessoas que chegarem até você, pois sabemos que 
as profissões estão mudando e, como conhecedores do tema, temos informação 
suficiente para ajudar quem precisa. 
 
 
 
15 
“A essência do conhecimento consiste em aplicá-lo, uma vez possuído” 
Confúcio 
NA PRÁTICA 
Vamos reforçar nosso conhecimento! 
Assista ao vídeo “Como escolher a minha profissão?”, disponível em: 
. Acesso em: 5 jun. 2020. 
Agora responda: quais foram as ferramentas indicadas no programa que 
podem contribuir para uma escolha assertiva em relação à carreira? 
FINALIZANDO 
Diante do que estudamos, pudemos obter o conhecimento sobre os 
seguintes temas: 
 Carreira no tempo; 
 Os momentos distintos; 
 Estágios da vida vocacional; 
 A orientação vocacional no século XXl; 
 Perspectivas e desafios. 
Estudando tais assuntos, observamos que a carreira sofreu muitas 
alterações ao longo do tempo, e alguns fatos do mundo tiveram direta influência 
nesse processo em relação a comportamentos, ferramentas de gestão, análise 
da carreira e sua evolução. 
Assim, as expressões orientação vocacional e orientação profissional 
correspondem ao ofício de atender às necessidades humanas, principalmente 
dos jovens, e de fazê-los chegar a escolhas profissionais mais assertivas, 
incentivando, assim, uma evolução sociocultural, econômica e de carreira. 
Parte do legado dessas transformações foi valorosa para desenvolver o 
autoconhecimento, o conhecimento das possibilidades e oportunidades do 
mercado, e um entendimento melhor do mundo real. 
Temos muitos assuntos pela frente, e no futuro vamos aperfeiçoar ainda 
mais nosso conhecimento. Aguardamos você! 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
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