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GESTÃO DE CARREIRA AULA 3 Profª Cintya Alessandra Santos CONVERSA INICIAL Olá, aluno! Animado para esta aula? Vamos conceituar e abordar o processo evolutivo da carreira e sua transformação ao longo da história até os dias atuais. Os temas abordados serão: Carreira no tempo; Os momentos distintos; Estágios da vida vocacional; A orientação vocacional no século XXI; Perspectivas e desafios. CONTEXTUALIZANDO Nos dias de hoje, são cada vez maiores os desafios que os profissionais encaram no mercado de trabalho e a evolução no contexto histórico quando nos referimos à carreira. Nesse contexto, questionamos: Quais acontecimentos históricos mudaram o mercado de trabalho? O que mudou no conceito de trabalho após cada revolução industrial? Da adolescência até a aposentadoria, quais são as fases da vida vocacional de um profissional? Qual é o maior desafio dos jovens e/ou adolescentes no mercado de trabalho? Encontraremos nesta aula as respostas para tais indagações, de maneira detalhada e com conteúdo, para compreendermos sua formação profissional. TEMA 1 – CARREIRA NO TEMPO A ideia de carreira surgiu no universo empresarial, em um mundo estruturado pela normatividade, previsibilidade e estabilidade do modelo de gestão de Taylor e Ford, marcado pela forte influência da administração (Blanch, 2003). Hall (2002) salienta que a carreira, em sua representação moderna da vida laboral por boa parte do século, seria a sequência de cargos 3 ou funções que definem o progresso profissional, marcado pela vida laboral, sendo um pseudônimo definido de forma externa, previsível e sequencial. A denominação carreira só existia para profissionais vinculados a instituições públicas ou privadas; portanto, profissionais liberais, autônomos, prestadores de serviço ou que não tinham uma continuidade em sua trajetória profissional não costumavam receber esse nome (Super, 1957). Podemos dividir as construções da trajetória profissional no mercado de trabalho da seguinte maneira: Carreira: estrutura preestabelecida em que o profissional constrói a própria trajetória, com uma projeção do futuro de fato associada a uma instituição ou organização, privada ou pública, pois somente com esse vínculo teria legitimidade social. Não carreira: definição post factum (depois de) de profissionais sem vínculo empregatício e que, portanto, não têm legitimidade social para tal. De acordo com Gunz e Peiperl (2007), é quase impossível identificar uma padronização dos estudos de carreira, que permanecem até nos dias atuais divididos em lacunas entre estudiosos da ciência de gestão – que falam de carreira organizacional – e os de ciências do trabalho – que trazem o conceito de desenvolvimento de carreira, considerando autores que buscam unir as áreas, mas ainda longe do modelo ideal. É necessário estruturar o que foi produzido, mesmo com o risco de reducionismos, discordâncias e imperfeições, pois os critérios de classificação científica não poderiam atender toda a necessidade e não serem satisfeitos em sua totalidade (Crites, 1974). Gunz e Peiperl (2007) debatem sobre o tema com um mapeamento os estudos da carreira, e citam a topologia e a taxonomia. Quadro 1 – Topologia e taxonomia 4 É cada vez mais forte a visão de que os interesses individuais necessitam estar conectados aos interesses das organizações, pois, assim, os resultados serão os melhores no aspecto de retenção de talentos, produtividade, engajamento e tantos outros. Em consonância com esse conceito, Chanlat (1995) relata dois importantes exemplos de carreira com base em sociedades industrializadas: Quadro 2 – Modelo tradicional versus modelo moderno Fonte: Chanlat, 1995. Na abordagem tradicional, podemos destacar, segundo Martins (2001), três aspectos que limitam o conceito de carreira: 1. Noção de crescimento, que reforça a expectativa de ascensão vertical na hierarquia de uma empresa, representada por uma “escada” que simboliza mais status e maior remuneração; 2. Vinculação da carreira à profissão; por exemplo, um médico, um militar ou um sacerdote, de acordo com esse ponto de vista, teriam carreiras também; 3. Hipótese de uma estabilidade ocupacional, em que o empregado exerce somente atividades relacionadas à profissão, até sua aposentadoria. Esse conceito não inclui a conciliação de duas ou mais atividades ao mesmo tempo, como professor, microempresário etc. A carreira, nesse ponto de vista, refere-se ao trabalho assalariado e aos empregados com seus respectivos cargos nas organizações. De acordo com Chanlat (1995), os motivos do crescimento e da exploração desse conceito se associam aos seguintes fatores: Crescente inclusão das mulheres no mercado; Aumento do grau de instrução; Capital social globalizado; 5 Consolidação dos direitos do trabalhador; Globalização econômica, competitividade e tumulto ambiental; Necessidade de mudar padrões e paradigmas nas organizações; Flexibilização da atividade laboral. Diante de tantas mudanças ao longo do tempo, uma definição apropriada de carreira na atualidade é esta: “ocupação ou profissão representada por etapas e possivelmente por uma progressão. Ingressar em uma carreira significa avançar no caminho da vida” (Robert, 1989). Greenhaus, Callanan e Godshalk (1999), ao abordarem o conceito, propõem uma carreira livre, sem as amarras da abordagem tradicional, afirmando que se trata de um modelo de experiências associadas ao trabalho que abrange a trajetória de vida de um indivíduo. Dada a velocidade e complexidade dos dias atuais, surgem dois conceitos importantes que devemos conhecer: trajetória de carreira e continuidade de experiências de trabalho de um profissional, tanto na condição de empregado como na de autônomo ou profissional liberal (Kilimnik, 2000). TEMA 2 – OS MOMENTOS DISTINTOS A primeira revolução industrial foi motivada pela invenção de máquinas a vapor. A Europa foi o berço da sociedade capitalista industrial do final do século XVlll, direcionada na produção em larga escala com foco em manufatura (Albornoz, 1992; Masi, 1999). Foi nesse instante que a vida no trabalho foi separada da vida pessoal. O trabalho foi automatizado e dividido em atividades especializadas, e um expressivo número de agricultores e artesãos passou a vender sua mão de obra para as indústrias em troca de salário. Nesse novo cenário, surgiram duas classes sociais: a burguesia (empresários) – proprietária das indústrias, rica e sedenta por consumo – e o proletariado (empregados) – força de trabalho necessária para produzir bens e serviços. Foi um momento de supervalorização da produção industrial, e os empregados enfrentavam jornadas demasiadas, sem nenhum direito trabalhista ou garantia social (Masi, 1999). A segunda revolução industrial ocorreu no final do século XlX, no caminho da descoberta da eletricidade. Karl Marx e Friedrich Engels foram pioneiros ao apontar as crueldades nas relações de trabalho constituídas pela 6 sociedade industrial do seu tempo, apoiaram a luta de classes e impulsionaram o desenvolvimento social (Masi, 1999). O maior legado desses autores foi o engajamento em promover lutas por direitos e garantias sociais do trabalhador industrial assalariado. A terceira revolução industrial aconteceu no início do século XX, com o desenvolvimento da automação. Nos Estados Unidos, ela foi mais fort e recebeu o reforço das ideias e a organização do cientista Taylor que, com o objetivo de aumentar a produção, passou para a produção em larga escala, diminuindo a força de trabalho e criando novas linhas de produção na indústria automobilística (Harvey, 1996; Masi, 1999). Esse movimento, chamado taylorista-fordista, deu origem à sociedade capitalista de produção e consumo em larga escala,e atingiu seus melhores resultados nos anos 1920. Nessa fase a sociedade industrial também atingiu seu maior desenvolvimento. A produção industrial (ou setor secundário da economia) teve destaque no desenvolvimento de riquezas e na criação de postos de trabalho (Masi, 1999). De acordo com a demanda de qualificação dos profissionais, nessa fase nasceu a prática de orientação profissional, pois as organizações perceberam que um profissional mais qualificado seria mais produtivo e traria melhores resultados. Vamos compreender melhor por que a orientação profissional teve seu destaque. 2.1 Orientação profissional A orientação profissional foi muito influenciada pelo engajamento ideológico com a sociedade industrial. A formação dos orientadores profissionais tinha como foco a aprendizagem técnica voltada a desenvolver e avaliar o indivíduo, a fim de viabilizar o acesso às mais diversas ocupações no mercado de trabalho da época. A premissa dos orientadores profissionais era o foco na produção, buscando a eficiência pela adequação da pessoa à função, avaliando- se habilidades e competências, e não considerando a autopercepção do empregado com relação a seus interesses e perspectivas de satisfação e autorrealização. Em meados do século XX, a orientação profissional tomou novos rumos, em decorrência do declínio da classe operária e a revalorização da criatividade. 7 A visão mais moderna da orientação profissional remete à produção de resultado para o sujeito de escolha, e competências importantes devem ser entendidas como consequências naturais de uma escolha adequada, centrada na satisfação e nos interesses do profissional. Analisando os conceitos apresentados, a orientação profissional é relevante na construção da sociedade pós-industrial, pois a postura assumida terá reflexos no desenvolvimento da sociedade no futuro. Para que a orientação profissional brasileira seja um agente de mudança social, é preciso formação específica para padronizar e seguir determinados passos. Em primeiro lugar, é importante fazer um levantamento baseado no confronto “competências comportamentais versus técnicas e experiência efetiva na função” (Lassance, 1999); Em segundo lugar, o orientador profissional deve se conectar com as mudanças do mercado de trabalho, orientando o jovem a respeito de dúvidas e inconstâncias de sua área (Jenschke, 2001; Lisboa, 2000, 2002); Enfim, é fundamental que o orientador profissional aceite o caráter político e ideológico de sua função e, acima de tudo, se comprometa com seu caráter social inerente (Lassance, 1997; Lisboa, 2000, 2002; Luna, 1997; Sarriera, 1998). No Brasil, os processos devem chegar ao nível orientado pelos autores, mas ainda há muito a ser feito para que os orientadores profissionais tenham melhor preparo, tanto nas questões técnicas quanto na análise crítica para executar seu trabalho. TEMA 3 – ESTÁGIOS DA VIDA VOCACIONAL Para falarmos dos estágios da vida vocacional, precisamos entender que as constantes mudanças do mercado de trabalho exigem que as teorias vocacionais e de carreira compreendam por que as pessoas se direcionam e se desenvolvem para determinada trajetória profissional. Sabemos que no passado a relação do profissional com o trabalho se baseava na busca por estabilidade e previsibilidade, e a sociedade e as empresas se mantinham estáveis; as mudanças eram raras. Mas na atualidade 8 não existe mais um único padrão para desenvolver a carreira, por isso as pessoas precisam se adaptar e se desenvolver constantemente para construir novos sentidos em sua trajetória profissional. Os modelos atuais de carreira assumiram diferentes configurações, como estas: Carreira sem fronteiras: trabalhar em mais de uma organização simultaneamente; Carreira portfólio: atuar em áreas diferentes, sendo capaz de organizar sua própria gestão de carreira; Carreira proteana: buscar profissionais no seu ciclo social e na sua rede de contatos, criando oportunidades essenciais para suas experiências profissionais. Podemos perceber que a carreira deixou de ser conhecida como um simples processo de escolha profissional em determinado momento da vida e tomou proporções maiores, que passam por transformações durante todo o ciclo de vida de um profissional (Super, 1990). Os estágios da vida vocacional passam por novas concepções e, com isso, o conceito de desenvolvimento de carreira traz as seguintes bases: Maturidade para a carreira/adaptabilidade de carreira; Estágios do desenvolvimento de carreira; Padrões de carreira e autoconceitos; Fatores determinantes pessoais e sociais. Essas bases reforçam as novas concepções de carreira, pois serão desenvolvidas ao longo da vida do indivíduo, tornando o processo contínuo de desenvolvimento pessoal e profissional inevitável. Savickas (1997), em termos gerais, divide a compreensão do desenvolvimento de carreira em três formulações: 1. Os comportamentos vocacionais estão diretamente ligados ao estágio da carreira, e cada indivíduo irá vivenciá-lo de acordo com seu desenvolvimento, durante todo o ciclo de vida; 9 2. Surgimento de uma nova perspectiva após a análise comparativa, em que Savickas enfatiza a importância do autoconceito, autoestima e autoeficácia para formar as percepções e escolhas das pessoas; 3. Na perspectiva contextual, o autor enfatiza que é necessário ampliar a visão quanto ao desenvolvimento de carreira, pois isso contribuirá não somente para as atividades laborais, mas para todos os papéis que o indivíduo exerce e valoriza na sociedade. E a carreira pode ser vista como uma construção ao longo de todos os estágios e ciclos da vida, e em diferentes contextos. TEMA 4 – A ORIENTAÇÃO VOCACIONAL NO SÉCULO XXI Desde muito cedo passamos a conhecer a importância e valor do trabalho para nós e para a maioria das pessoas. A identidade vocacional é uma parte importante da identidade do indivíduo como um todo. Ter um emprego reconhecido pela sociedade, que proporcione principalmente o sucesso e o prestígio, aumenta consideravelmente a autoestima do profissional e facilita a formação de um senso de identidade, com mais segurança e estabilidade. Mas podemos também evidenciar o oposto, quando a sociedade aponta para alguém que julga não ser necessário ter um bom emprego, o que pode gerar incertezas e descrença, sentimento de revolta, indignação ou até delinquência em alguns casos, formando uma identidade negativa (Mussen et al., 1995). Conforme Carvalho (1995): “trata-se do movimento do ser humano no sentido de encontrar seu lugar no sistema produtivo de seu meio social” (p. 45). Sabemos que a adolescência é a transição entre a infância e a gradativa chegada ao mundo adulto, e é nesse contexto conturbado que os jovens precisam se posicionar e fazer escolhas importantes para o futuro de sua vida profissional (Müller, 1998). No início da adolescência, os jovens de maneira geral não demonstram comprometimento e muitas vezes nem têm um projeto de vida, deixando-se conduzir por sonhos, fantasias e ilusões. À medida que se desenvolvem, passam a conquistar gradualmente sua identidade, senso de pertencimento e, principalmente, percepção de sua unicidade. Começam a apresentar a necessidade de definição, conhecimento e escolha de sua profissão com base na sua realidade pessoal e sociocultural (Golin, 2000). 10 4.1 É fácil para um jovem escolher a profissão em que atuará por boa parte da vida? Não é fácil, pois muitas vezes a multiplicidade de profissões, áreas de estudo e cursos, em vez de facilitar, dificultam a escolha de uma profissão. Primeiramente, os jovens vão seguir como parâmetro de escolha seu mapa representacional, criado com base em suas experiências de vida e também em sua posição sociocultural e econômica (Silva, 1999). Quando chega a hora deescolher a profissão, é necessário refletir sobre obstáculos e oportunidades do mercado de trabalho. Além disso, muitas vezes os jovens buscam meios duvidosos para obter orientação (Junqueira, 1999). Assim, a orientação vocacional surge como alternativa para auxiliar os jovens na escolha da profissão. Essa atividade não só direciona o jovem para o caminho de sua trajetória profissional como o auxilia no seu autoconhecimento, viabilizando escolhas mais conscientes e conectadas a seus valores, princípios, contexto social, econômico e cultural. Além disso, as mídias sociais têm contribuído de certa forma para aumentar essa procura. A escolha profissional é uma das necessidades mais relevantes para a maioria dos jovens pois, com o avanço tecnológico, as incertezas e exigências do mercado influenciam diretamente no futuro da sua vida profissional. Além disso, o medo de ser mal sucedido – muito comum nessa faixa etária – causa uma insegurança sobre sua escolha da profissão “certa”. A orientação vocacional aponta o provável caminho a ser percorrido pelo jovem que busca seguir uma trajetória profissional, introduzindo-o num processo intenso de autoconhecimento, aumento da percepção de suas identificações, características e singularidades, ampliando e transformando sua consciência, incentivando escolhas mais assertivas, organizando seu projeto de vida e minimizando pensamentos fantasiosos que podem influenciar suas decisões (Bock; Aguiar, 1995). Trata-se de um processo que também promove a saúde e o bem-estar do indivíduo. Por fim, a importância da orientação vocacional se mostra quando o jovem desenvolve a capacidade de refletir sobre si mesmo, fazendo uma escolha mais apropriada e, por consequência, desenvolvendo todas as suas potencialidades. 11 4.2 Operacionalização da orientação vocacional As mudanças e transformações da sociedade atual trazem um questionamento quanto à operacionalização da orientação vocacional. É imprescindível contextualizá-la para atingir seu objetivo principal. Testes psicológicos e outras ferramentas de análise comportamental, se confrontadas e alinhadas à orientação vocacional, podem resultar num adequado direcionamento profissional do jovem, ajudando na escolha assertiva da sua profissão. 4.3 Como desenvolver a orientação vocacional? Podemos desenvolver a orientação vocacional individualmente ou em grupo. Muitos autores afirmam que a segunda opção é enriquecedora, pois trocar conhecimentos com o outro auxilia na autopercepção do jovem como parte atuante de uma sociedade, reduzindo fantasias e criações ingênuas pertinentes a essa fase da vida (Vasconcelos; Antunes; Silva, 1998). Obviamente, esse processo deve ser coordenado por um profissional competente. É de suma importância gerar todas as condições possíveis para que o jovem tenha acesso a informações relevantes. Por exemplo: Características; Aplicações; Cursos; Requisitos; Locais de trabalho; Atuação no mercado de trabalho; Projeção salarial. No âmbito do autoconhecimento, é importante gerar condições e mecanismos que ajudem o jovem a identificar suas aptidões, interesses e características de personalidade (Bock; Aguiar, 1995). Com ferramentas e testes, podemos perceber sua eficácia e analisá-los num contexto amplo, pois cada jovem é único, com direito a um processo individual e personalizado. 12 TEMA 5 – PERSPECTIVAS E DESAFIOS Os profissionais da orientação vocacional devem estar conscientes da sua própria finalidade. O foco dessa atividade não é apenas orientar jovens a escolher a carreira que desejam seguir, mas sim aprimorar seu autoconhecimento, fazendo-os encontrar sentido em suas escolhas e, obviamente, considerar as condições do mercado de trabalho em que desejam trabalhar. No mercado de trabalho, é comum encontrar profissionais não qualificados, que muitas vezes prestam serviços inadequados e apresentam resultados ruins; tal posicionamento não é o que o mercado espera dos profissionais. Muitas vezes isso ocorre em decorrência de uma má preparação (Bohoslavsky, 1993). Antes de qualquer coisa, o profissional de orientação vocacional precisa ter ciência das competências tanto técnicas quanto comportamentais necessárias para desempenhar uma profissão de maneira eficaz e significativa. Os novos desafios mostram que esse profissional precisa estar em constante evolução, sempre atento às mudanças e atualizações do mercado. Müller (1998) aponta algumas qualidades inerentes ao orientador vocacional: Formação teórica em psicologia e áreas relacionadas; Vivência com dinâmicas de grupo; Técnicas de exploração da personalidade e psicopatologia; Prática de atendimento; Empatia; Equilíbrio emocional; Reconhecimento da própria ideologia; Autoconhecimento; Respeito pelo próximo; Aceitação dos próprios limites. Ao iniciar uma orientação vocacional, o profissional deve estar ciente de suas limitações e se deverá ou não dar continuar o processo. Para um bom 13 direcionamento, Bohoslavsky (1993) sugere que o orientador faça as seguintes perguntas a si mesmo: O jovem tem possibilidade de alcançar sua identidade ocupacional sem uma transformação considerável da estrutura de sua personalidade? Ele tem maturidade para determinar seu futuro profissional? Ele consegue colocar sua percepção, pensamentos e atitudes a serviço do princípio de realidade, de prever dificuldades, compreender sínteses e suportar decepções? Sou o profissional mais indicado para atuar com orientação vocacional? Será que este é o momento propício para iniciar uma orientação vocacional com esse jovem? É indispensável que o profissional se sinta seguro sobre sua identidade e tenha tranquilidade para atuar. Isso facilitará a percepção e interpretação das incertezas dos jovens (Bohoslavsky, 1993). Além do que citamos, é importante mostrar outras qualificações e conhecimentos inerentes a esse profissional: Mercado de trabalho; Empregabilidade; Globalização; Informações sobre as diferentes profissões e ocupações; Conhecimento de cursos e universidades e suas especificidades; Conhecimento sobre as teorias de orientação profissional. O orientador deve entender e conhecer seu verdadeiro propósito ao escolher essa atividade, principalmente na escolha da orientação profissional como profissão e fonte de sustento, considerando que será necessário ter clareza de suas próprias escolhas para compreender melhor os conflitos dos jovens (Soares, 1999). 14 5.1 Autoconhecimento 5.1.1 Qual é a contribuição do autoconhecimento para a orientação vocacional? O autoconhecimento é um processo contínuo, que envolve interesses, aptidões, valores, comportamentos e características de personalidade, sofrendo alterações de acordo com as experiências e com o passar do tempo. Conhecer a si mesmo é ser o artista principal da própria história, e alimentar esse sentimento no jovem o levará às melhores escolhas. 5.1.2 Qual é o maior desafio da orientação vocacional? As sucessivas mudanças do mundo do trabalho (Dias; Soares, 2012), associadas ao aumento exponencial do número de cursos de nível superior disponíveis no Brasil (2016), revelam a visível dificuldade em escolher uma profissão e continuar seus estudos nela – consideramos este o maior desafio do jovem nos dias de hoje. E é nesse cenário de dúvidas que entra a orientação profissional, que, de acordo com diversos autores (Levenfus, 2010; Soares, 2000), deveria ser praticada já no ensino médio. TROCANDO IDEIAS Estamos chegando ao fim da nossa aula. Observamos quão desafiador é a escolha da carreira que vamos seguir ao longo de nossa trajetória profissional. Assim, gostaríamos de convidá-lo a assistir ao vídeo “Como errar menos ao escolher uma carreira específica na adolescência”,disponível no link a seguir: . Acesso em: 5 jun. 2020. Após assistir, aplique em sua trajetória enquanto profissional de desenvolvimento humano a “corrente do bem”, que a cada oportunidade ajudará na escolha profissional das pessoas que chegarem até você, pois sabemos que as profissões estão mudando e, como conhecedores do tema, temos informação suficiente para ajudar quem precisa. 15 “A essência do conhecimento consiste em aplicá-lo, uma vez possuído” Confúcio NA PRÁTICA Vamos reforçar nosso conhecimento! Assista ao vídeo “Como escolher a minha profissão?”, disponível em: . Acesso em: 5 jun. 2020. Agora responda: quais foram as ferramentas indicadas no programa que podem contribuir para uma escolha assertiva em relação à carreira? FINALIZANDO Diante do que estudamos, pudemos obter o conhecimento sobre os seguintes temas: Carreira no tempo; Os momentos distintos; Estágios da vida vocacional; A orientação vocacional no século XXl; Perspectivas e desafios. Estudando tais assuntos, observamos que a carreira sofreu muitas alterações ao longo do tempo, e alguns fatos do mundo tiveram direta influência nesse processo em relação a comportamentos, ferramentas de gestão, análise da carreira e sua evolução. Assim, as expressões orientação vocacional e orientação profissional correspondem ao ofício de atender às necessidades humanas, principalmente dos jovens, e de fazê-los chegar a escolhas profissionais mais assertivas, incentivando, assim, uma evolução sociocultural, econômica e de carreira. Parte do legado dessas transformações foi valorosa para desenvolver o autoconhecimento, o conhecimento das possibilidades e oportunidades do mercado, e um entendimento melhor do mundo real. Temos muitos assuntos pela frente, e no futuro vamos aperfeiçoar ainda mais nosso conhecimento. Aguardamos você! 16 REFERÊNCIAS ALBORNOZ, S. O que é trabalho. 5. ed. São Paulo: Brasiliense, 1992. BLANCH, J. M. (Org.). Teoría de las relaciones laborales. Barcelona: UOC, 2003. BRASIL. Ministério do Trabalho. Fundo de Amparo ao trabalhador (FAT), Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado de Relações do Trabalho, Sistema Nacional de Emprego – São Paulo (Sinesp). A formação profissional na política de emprego: coletânea de convenções e resoluções da OIT (Caderno 1). Brasília, DF: Ministério do Trabalho, 2016. BOCK, A. M. B.; AGUIAR, W. M. J. A escolha profissional em questão. São Paulo: Casa do Psicólogo,1995. BOHOSLAVSKY, R. Orientação vocacional: a estratégia clínica. 9. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1993. CARVALHO, M. M. M. J. Orientação profissional em grupo: teoria e técnica. Campinas: Editorial Psy, 1995. CHANLAT, J. F. Quais carreiras e para qual sociedade? 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