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Excelentíssimo Senhor Desembargador Relator do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul Processo nº: [número do processo] Agravante: Flávio Dutra Agravado: Joana Bradiburgo Dumont Origem: 62ª Vara Cível da Comarca de Serraville/RS Objeto: Agravo de Instrumento EGRÉGIO TRIBUNAL, COLENDA CÂMARA, EMÉRITOS JULGADORES, O agravante, Flávio Dutra, devidamente qualificado nos autos do processo em epígrafe, inconformado com a decisão interlocutória proferida pelo Juízo da 62ª Vara Cível da Comarca de Serraville/RS, que indeferiu o pedido de gratuidade de justiça, vem, respeitosamente, por intermédio de seu advogado, interpor AGRAVO DE INSTRUMENTO, com fundamento no artigo 1.015, inciso V, do Código de Processo Civil, pelos motivos de fato e de direito a seguir expostos. 2.1. Dos Fatos O agravante ajuizou ação de indenização por danos morais e materiais em face de Joana Bradiburgo Dumont, em decorrência de acidente de trânsito que lhe causou prejuízos materiais de R$ 72.000,00 (setenta e dois mil reais) e danos morais no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Na petição inicial, o agravante pleiteou a concessão dos benefícios da gratuidade de justiça, fundamentado no fato de estar desempregado, sem qualquer fonte de renda e em situação de extrema dificuldade financeira, conforme comprova a documentação anexada aos autos (extratos bancários, declaração de imposto de renda e carteira de trabalho). Todavia, ao apreciar o pedido, o magistrado de primeiro grau indeferiu a gratuidade de justiça, determinando o recolhimento das custas processuais sob o argumento de que o valor do veículo do agravante indicaria que ele possui condições de arcar com as despesas do processo. 2. DO DIREITO A decisão proferida pelo magistrado da 62ª Vara Cível de Serraville/RS, ao indeferir o pedido de gratuidade de justiça, contraria os princípios constitucionais do acesso à justiça, consagrados no artigo 5º, inciso LXXIV, da Constituição Federal, que assegura a assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos. 2.1. Da Gratuidade de Justiça O benefício da gratuidade de justiça está disciplinado nos artigos 98 e seguintes do Código de Processo Civil. Segundo o artigo 98, caput, "a pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários advocatícios, tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei". No caso em apreço, o agravante comprovou documentalmente sua hipossuficiência econômica, anexando aos autos extratos bancários, declaração de imposto de renda e sua carteira de trabalho. Tais documentos evidenciam que o Sr. Flávio Dutra encontra-se desempregado e sem qualquer fonte de renda, não sendo capaz de arcar com as despesas processuais sem comprometer sua subsistência. A jurisprudência majoritária dos Tribunais Superiores, inclusive do Superior Tribunal de Justiça, tem entendido que a simples declaração de hipossuficiência, desde que não haja prova em contrário, é suficiente para a concessão do benefício da gratuidade de justiça. Nesse sentido, a presunção de veracidade dessa declaração é um direito garantido ao cidadão, especialmente quando a documentação anexada corrobora a alegação de insuficiência financeira. 2.2. Da Propriedade de Veículo e sua Relevância para a Concessão do Benefício A decisão de primeira instância fundamenta-se, de forma equivocada, na premissa de que a propriedade de um veículo pelo agravante indicaria capacidade financeira para arcar com as custas processuais. Contudo, tal argumento não se sustenta, uma vez que a legislação e a jurisprudência pátrias não condicionam a concessão da gratuidade de justiça à ausência de bens patrimoniais. É preciso ressaltar que o veículo mencionado foi adquirido pelo agravante em um momento em que ele possuía emprego e renda, situação que se alterou significativamente após o acidente de trânsito. Ademais, o referido veículo encontra-se danificado e praticamente inservível, não podendo ser utilizado como indicador de capacidade financeira. A venda de um bem como esse, em tais condições, não seria suficiente para arcar com as despesas processuais, sem que isso cause prejuízo ao sustento do agravante. O Superior Tribunal de Justiça tem reiterado o entendimento de que a propriedade de um automóvel, por si só, não afasta o direito à gratuidade de justiça, especialmente quando o bem não é de luxo e o requerente comprova dificuldades financeiras reais, como é o caso presente (STJ, AgInt no REsp 1590466/SP, Rel. Ministra Maria Isabel Gallotti, Quarta Turma, julgado em 18/08/2016, DJe 24/08/2016). 2.3. Da Necessidade de Reforma da Decisão A decisão agravada, ao indeferir o pedido de gratuidade de justiça, impede o Sr. Flávio Dutra de exercer plenamente seu direito de ação, o que configura ofensa direta ao princípio do acesso à justiça. A negativa da gratuidade de justiça, sem fundamentos sólidos, gera grave prejuízo ao agravante, que se vê impossibilitado de prosseguir com a ação judicial necessária para a reparação dos danos sofridos. Diante da clara comprovação da situação de vulnerabilidade econômica do agravante, impõe-se a reforma da decisão agravada para garantir a ele os benefícios da gratuidade de justiça, assegurando, assim, o pleno exercício de seus direitos fundamentais. 2.3. Do Pedido Diante do exposto, requer-se: a) O recebimento do presente Agravo de Instrumento e a concessão do efeito suspensivo à decisão agravada, nos termos do artigo 1.019, inciso I, do CPC, a fim de suspender a exigibilidade do recolhimento das custas processuais até o julgamento final deste recurso; b) Ao final, o provimento do Agravo de Instrumento, reformando a decisão agravada para conceder ao agravante os benefícios da gratuidade de justiça. Termos em que pede e espera deferimento. [Local], [Data] Advogado OAB nº [número da OAB]