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FAT- FACULDADE ANÍSIO TEIXEIRA 
CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA 
 
 
 
 
KLYVIA MATOS DE ALMEIDA 
 
 
 
 
 
BRUCELOSE BOVINA – REVISÃO DE LITERATURA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FEIRA DE SANTANA - BAHIA 
2024 
 
KLYVIA MATOS DE ALMEIDA 
 
 
 
 
 
 
BRUCELOSE BOVINA – REVISÃO DE LITERATURA 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao 
curso de Graduação em Medicina Veterinária do 
Centro Universitário Anísio Teixeira, como requisito 
parcial para obtenção do título de Bacharel em 
Medicina Veterinária. 
 
Orientadora: Prof.ª Esp. Ana Paula Gonçalves 
Ferreira Miranda 
 
 
 
 
 
 
FEIRA DE SANTANA - BAHIA 
2024
2 
 
BRUCELOSE BOVINA – REVISÃO DE LITERATURA 
 
RESUMO 
 
A brucelose bovina é uma zoonose causada pela bactéria Brucella abortus, que afeta bovinos e 
humanos. Em bovinos a doença provoca abortos, infertilidade e redução na produção de leite, 
impactando negativamente a pecuária e a economia. Sua transmissão ocorre pelo contato com 
animais infectados ou produtos contaminados. O controle no Brasil é realizado pelo PNCEBT, 
que inclui vacinação, diagnósticos regulares e eliminação de animais reagentes. A erradicação 
exige ações integradas entre saúde pública e animal. Neste contexto, objetivou-se realizar uma 
revisão de literatura sobre a brucelose bovina e a relevância dos métodos para o diagnóstico e 
controle desta doença descritos no PNCEBT. Realizou-se uma revisão sobre a Brucelose 
bovina, descrevendo os principais aspectos dessa enfermidade e a atuação dos programas 
oficiais de controle e erradicação preconizados pelo PNCEBT para diagnóstico da brucelose 
bovina. Apesar de avanços, desafios como adesão de produtores e dificuldades logísticas 
limitam a erradicação. Portanto, percebe-se que esforços integrados e inovações tecnológicas 
são essenciais para o controle efetivo da doença no Brasil. 
 
 
Palavras-chave: Doença bovina. Zoonose bovina. Diagnóstico da brucelose. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
BOVINE BRUCELLOSIS - LITERATURE REVIEW 
 
ABSTRACT 
 
Bovine brucellosis is a zoonosis caused by the bacterium Brucella abortus, which affects cattle 
and humans. In cattle, the disease causes abortions, infertility and reduced milk production, 
negatively impacting livestock and the economy. It is transmitted through contact with infected 
animals or contaminated products. Control in Brazil is carried out by the PNCEBT, which 
includes vaccination, regular diagnostics and elimination of reactive animals. Eradication 
requires integrated actions between public and animal health. In this context, the objective was 
to conduct a literature review on bovine brucellosis and the relevance of the methods for the 
diagnosis and control of this disease described in the PNCEBT. A review was carried out on 
bovine brucellosis, describing the main aspects of this disease and the performance of the 
official control and eradication programs recommended by the PNCEBT for the diagnosis of 
bovine brucellosis. Despite advances, challenges such as producer adherence and logistical 
difficulties limit eradication. Therefore, it is clear that integrated efforts and technological 
innovations are essential for effective control of the disease in Brazil. 
 
Keywords: Bovine disease. Bovine zoonosis. Diagnosis of brucellosis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
De acordo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), em 2023 o Brasil exportou 2,29 
milhões de toneladas de carne bovina para 157 países, em todos os continentes. O rebanho 
brasileiro é o maior rebanho comercial do mundo (12%) com aproximadamente 197,2 milhões 
de animais. Foram destinados ao mercado externo 10,6 milhões de toneladas equivalente 
carcaça (TEC), representando 13,8% de toda carne bovina do mundo (ABIEC, 2024). 
Esses dados destacam a importância e a competitividade brasileira frente ao mercado 
mundial e a relevância da pecuária de corte frente à economia brasileira. Sendo assim na 
produção animal a prevenção, o controle e a erradicação de enfermidades que acometem os 
rebanhos se tornam indispensáveis. Como, a brucelose, uma antropozoonose de caráter 
endêmico causada por bactérias intracelulares do gênero Brucella sp. (AIRES; COELHO; 
SILVEIRA NETO, 2018; SOLA et al., 2014). 
A brucelose é uma doença infectocontagiosa causada por bactérias do gênero Brucella 
sp., tendo maior relevância a Brucella abortus, produzindo uma infecção que acomete o sistema 
reprodutor de fêmeas, interferindo diretamente na reprodução e produção bovina. Essa infecção 
ocorre principalmente pela via oral, por ingestão de materiais contaminados, mas pode ocorrer 
também pela via respiratória, pele e conjuntiva, também pode ocorrer a disseminação da doença 
pela água ou fômites contaminados. Sua manifestação provoca abortamento durante o terço 
final da gestação, natimortos, bezerros fracos, baixa produção leiteira e injúrias reprodutivas 
como subfertilidade ou infertilidade, já nos machos pode provocar orquites (CARDOSO, 2016; 
CRUZ et al., 2020). 
O isolamento e a identificação do agente, imunohistoquímica e métodos de detecção de 
ácidos nucleicos, como a reação da polimerase em cadeia (PCR), são os métodos diretos para 
diagnóstico da brucelose, já as reações segundo o antígeno utilizado, entram como testes 
indiretos ou sorológicos (BRASIL, 2006; JÚNIOR et al., 2012). Sem dúvidas os métodos 
diretos são mais precisos para diagnóstico da brucelose, mas geram custos altos e nem sempre 
são viáveis por falta de recursos laboratoriais, assim compromete-se seu uso em larga escala. 
Já os métodos indiretos permitem a realização de um grande número de testes, com resultados 
adequados e a um custo acessível. 
Sendo assim, o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e 
Tuberculose – PNCEBT criado a partir da Instrução Normativa Nº 2, de 10 de janeiro de 2001, 
do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) definiu como oficiais os 
5 
 
métodos indiretos ou sorológicos por apresentarem maior viabilidade econômica ao produtor 
(BRASIL, 2006; JÚNIOR et al., 2012; MATHIAS; MEIRELLES; BUCHALA, 2007). 
A vacinação é empregada com o propósito de reduzir a prevalência da doença a baixos 
custos, sendo realizada em fêmeas entre três e oito meses de idade como medida compulsória 
por meio da vacina B19 ou pela amostra RB51, na espécie bovina e bubalina. A vacinação 
contra bruceloses fêmeas de qualquer idade pode ser realizada com RB51 e a utilização da 
vacina B19 em fêmeas com idade superior a oito meses é proibida. (CRUZ et al., 2020; 
RANGEL, 2017; SANTOS; CARDOSO, 2020). 
Segundo Júnior et al., (2012) e Vasques; Junior; e Martins (2018), os prejuízos 
econômicos na América Latina pela brucelose em bovinos ultrapassaram os 600 milhões de 
dólares/ano. No Brasil, foram estimados em 100 milhões dólares/ano esses prejuízos, com 
ampla distribuição geográfica, sendo uma doença reemergente com altas taxas de prevalência 
em países tropicais. O correto diagnóstico se torna imprescindível, uma vez que, essa zoonose 
gera barreiras internacionais ao comércio de produtos de origem animal, com perdas 
econômicas significativas na indústria, sendo fundamental a manutenção da sanidade dos 
rebanhos de produção praticados nas propriedades (AIRES; COELHO; SILVEIRA NETO, 
2018; CRUZ et al., 2020; JARDIM et al., 2006). 
Neste contexto, objetivou-se realizar uma revisão de literatura sobre a brucelose bovina 
e a relevância dos métodos para o diagnóstico e controle desta doença descritos no PNCEBT. 
 
2. MATERIAL E MÉTODOS 
 
Realizou-se uma revisão de literatura do mês de agosto à dezembro de 2024 sobre a Brucelose 
bovina, descrevendo os principais aspectos dessa enfermidade e a atuação dos programas 
oficiais de controle e erradicação preconizados pelo PNCEBT paradiagnóstico da brucelose 
bovina, com o objetivo de ter informações para a elaboração deste trabalho de conclusão de 
curso. Foram utilizadas as plataformas: Biblioteca Virtual em Saúde, Elsevier, ScienceDirect, 
Google Acadêmico e Scielo, tendo como base artigos de maior relevância datados no período 
de 2003 a 2024, usando palavras-chaves, como: doença bovina; zoonose bovina; diagnóstico 
da brucelose, e brucelose, tanto em português quanto em inglês. 
 
3. DISCUSSÃO 
 
3.1. Brucelose 
6 
 
A brucelose bovina é uma zoonose de grande impacto econômico e de saúde pública, 
causada principalmente pela bactéria Brucella abortus, que afeta o sistema reprodutivo de 
bovinos e pode se espalhar para humanos. Em humanos, pode ser transmitida principalmente 
pelo contato direto com animais infectados ou pela ingestão de produtos de origem animal 
contaminados, como leite não pasteurizado (CORBEL, 2006). Apresentando sinais variados, 
como febre, fadiga e dores articulares, o que torna o diagnóstico difícil e frequentemente leva 
a uma infecção crônica. 
A etiologia da brucelose bovina envolve bactérias do gênero Brucella, especialmente a 
espécie Brucella abortus, que é responsável pela maior parte dos casos em bovinos e tem 
preferência por tecidos ricos em eritritol, um composto encontrado em alta concentração na 
placenta e glândulas mamárias. Além de B. abortus, outras espécies como Brucella melitensis 
e Brucella suis também podem causar brucelose em bovinos, embora com menor frequência 
(DEAN et al., 2012). A B. abortus é uma bactéria gram-negativa, intracelular facultativa e 
altamente adaptada aos hospedeiros animais, o que facilita sua capacidade de evasão do sistema 
imunológico e a persistência nos tecidos. 
A transmissão da brucelose entre bovinos ocorre principalmente por via oral, quando os 
animais entram em contato com materiais contaminados. A disseminação da bactéria é 
facilitada em propriedades onde não há uma separação adequada entre animais infectados e 
saudáveis. Além disso, a alta resistência da Brucella em ambientes externos, onde pode 
sobreviver por semanas, aumenta o risco de transmissão em áreas de manejo inadequado. 
Bovinos machos infectados também podem atuar como reservatórios da bactéria e transmitir 
durante a monta, a infecção pode ser transmitida também verticalmente da mãe para o feto, 
aumentando o risco de disseminação da doença no rebanho (FRANC et al., 2018). 
A bactéria entra no organismo bovino, geralmente pela ingestão de material 
contaminado, como fetos abortados e secreções uterinas, e invade o sistema retículo-endotelial, 
onde se multiplica e se dissemina por diferentes órgãos e tecidos (SAMARTINO & ENRIGHT, 
1996). A capacidade da Brucella de sobreviver e se multiplicar dentro de macrófagos permite 
que a infecção persista, resultando em uma resposta inflamatória crônica. 
A epidemiologia da brucelose bovina é complexa e varia significativamente entre 
diferentes regiões do mundo, especialmente devido a fatores como práticas agropecuárias, 
controle sanitário e presença de programas de vacinação. A doença é endêmica em muitas áreas, 
incluindo países da América Latina, Ásia, África e Mediterrâneo, onde a falta de controle 
efetivo da doença em rebanhos animais contribui para sua persistência (GODFROID et al., 
2011). Em áreas onde a vacinação contra brucelose é amplamente implementada, como em 
7 
 
alguns países europeus e nos Estados Unidos, a prevalência da doença em bovinos e humanos 
foi substancialmente reduzida (NICOLETTI, 2010). 
No Brasil, a brucelose bovina é um problema de saúde veterinária relevante, 
especialmente devido à grande importância da pecuária para a economia do país. A criação de 
gado leiteiro e de corte, frequentemente realizada em pequenas propriedades, favorece a 
disseminação da doença, especialmente em áreas onde o manejo sanitário é precário (BRASIL, 
2006). 
O Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose 
(PNCEBT), lançado em 2001, visa reduzir a prevalência de brucelose e tuberculose bovinas no 
Brasil, por meio de práticas de vacinação e controle sanitário, que incluem o monitoramento 
sorológico e o abate de animais positivos. No entanto, apesar do avanço no controle, a brucelose 
bovina ainda é endêmica em várias regiões do país, e muitos produtores enfrentam dificuldades 
para implementar as exigências do programa devido a questões financeiras e de infraestrutura. 
Para reduzir a prevalência da brucelose, as estratégias de controle devem incluir tanto a 
vacinação quanto medidas rigorosas de biossegurança, como o manejo adequado de fetos 
abortados e a separação de animais infectados. A pasteurização de produtos lácteos também é 
uma medida fundamental para evitar a transmissão da doença para humanos. Em países onde a 
vacinação animal foi amplamente adotada, a brucelose tem sido controlada com sucesso, 
demonstrando a eficácia da imunização como ferramenta essencial de controle (NICOLETTI, 
2010). 
 
3.2 Patogenia e Sinais Clínicos da Brucelose 
Uma vez que a bactéria é ingerida, ela atravessa a mucosa do trato digestivo, alcança os 
linfonodos regionais e entra na circulação sanguínea, distribuindo-se pelos tecidos do 
organismo, com preferência por tecidos ricos em eritritol, como o útero e as glândulas mamárias 
(XAVIER et al., 2009). 
Após a invasão inicial, a Brucella abortus sobrevive dentro de macrófagos, células 
fagocíticas que normalmente eliminariam a maioria dos patógenos. A capacidade da Brucella 
sp. de persistir dentro dessas células é um dos fatores chave para a patogênese da doença, pois 
permite que a bactéria evite a ação do sistema imunológico e se dissemine para diferentes 
tecidos (ALTON et al., 1988). Esse mecanismo envolve a modulação do sistema imune do 
hospedeiro, com a bactéria inibindo a fusão do fagossomo com o lisossomo, o que impede sua 
destruição e permite que continue a se replicar (SAMARTINO et al., 1996). A Brucella abortus 
utiliza sua cápsula lipopolissacarídica (LPS), que apresenta baixa imunogenicidade e confere 
8 
 
proteção contra a resposta imune do hospedeiro, promovendo a infecção persistente (CORBEL, 
2006). 
O sinal clínico mais evidente da brucelose bovina é o aborto, geralmente entre o quinto 
e o sétimo mês de gestação, devido à alta concentração de Brucella no útero e nas membranas 
fetais, onde ocorre uma resposta inflamatória intensa. O aborto é muitas vezes o primeiro sinal 
clínico observado e está relacionado à proliferação de B. abortus no útero gestante, que resulta 
na necrose das membranas fetais e inflamação do endométrio, interferindo no desenvolvimento 
do feto e levando à expulsão precoce (YOUNG, 2013). Além do aborto, as fêmeas bovinas 
infectados podem apresentar retenção de placenta, o que predispõe a infecções secundárias e 
endometrite, agravando o quadro reprodutivo dos animais e diminuindo a taxa de concepção 
em futuras gestações (XAVIER et al., 2009). 
Outros sinais clínicos importantes em bovinos machos incluem a orquite e a epididimite 
nos machos, o que leva à infertilidade e redução da eficiência reprodutiva. Essas manifestações 
são resultado da disseminação da Brucella abortus para o sistema reprodutivo, onde o patógeno 
se instala nos testículos e epidídimos, provocando inflamação e dor local (DEAN et al., 2012). 
Em alguns casos, a infecção pode se tornar subclínica, sem sintomas evidentes, o que dificulta 
o diagnóstico e permite que o animal atue como reservatório de infecção, propagando a doença 
para outros membros do rebanho (FRANC et al., 2018). 
 
3.3 Diagnóstico 
A detecção precoce e o diagnóstico adequado da brucelose são essenciais para o controle 
e a erradicação da doença (MAPA, 2017; OIE, 2018). Existem diversos métodos de diagnóstico 
para a brucelose bovina, os quais podem ser classificados como diretos e indiretos. Cada método 
possui características específicas, vantagens elimitações, e a escolha do melhor procedimento 
depende de fatores como o objetivo do diagnóstico, a infraestrutura disponível e o estágio da 
infecção nos animais (Silva et al., 2020). 
Os métodos de diagnóstico direto buscam identificar a presença da bactéria ou de seus 
componentes no organismo do animal infectado. Eles incluem o cultivo bacteriano, a PCR 
(reação em cadeia da polimerase) e a histopatologia. O cultivo bacteriano é considerado o 
padrão-ouro para a detecção da brucelose, pois permite a identificação definitiva do agente 
causador. Para isso, amostras como leite, placenta, fetos abortados ou linfonodos são coletadas 
e cultivadas em meios específicos, como o ágar Brucella. No entanto, o cultivo apresenta 
limitações, como a necessidade de laboratórios especializados, o tempo relativamente longo 
para obtenção de resultados e os riscos biológicos associados ao manuseio da bactéria (OIE, 
9 
 
2018; MAPA, 2017). Por outro lado, a PCR é uma técnica moderna que detecta o material 
genético da bactéria em amostras clínicas. Ela é rápida, sensível e específica, sendo 
particularmente útil em casos de infecção recente ou em situações em que o cultivo não é viável. 
Contudo, seu custo pode ser elevado, e a necessidade de equipamentos especializados limita 
sua aplicação em alguns contextos (Silva et al., 2020). 
A histopatologia, por sua vez, consiste na análise microscópica de tecidos infectados 
para identificar alterações características causadas pela bactéria. Embora seja menos específica 
do que o cultivo ou a PCR, pode complementar o diagnóstico em casos de infecções crônicas 
ou quando outras técnicas não estão disponíveis. Além disso, técnicas imunohistoquímicas 
podem ser usadas para detectar antígenos bacterianos diretamente nos tecidos (MAPA, 2017; 
OIE, 2018). 
Já os métodos indiretos têm como objetivo identificar a resposta imunológica do animal 
à infecção, principalmente pela detecção de anticorpos contra Brucella. Esses métodos incluem 
testes sorológicos amplamente utilizados, como o teste do anel em leite (TAL), o teste de 
soroaglutinação rápida (SAR), o teste de fixação de complemento (FC) e o teste do ELISA 
(ensaio de imunoabsorção enzimática). O TAL é uma ferramenta prática e de baixo custo para 
triagem em rebanhos leiteiros. Ele consiste em adicionar um corante ao leite, que se liga aos 
anticorpos presentes em caso de infecção, formando um anel colorido na superfície do líquido. 
Embora útil como método inicial, o TAL apresenta baixa especificidade e pode gerar resultados 
falso-positivos, especialmente em animais vacinados (MAPA, 2017). 
O SAR é outro teste amplamente utilizado, especialmente para triagem em campo. Ele 
envolve a mistura de soro do animal com um antígeno corado de Brucella sp., observando-se a 
formação de aglutinação visível a olho nu. É um método rápido, barato e fácil de realizar, mas 
sua sensibilidade pode ser limitada em casos de infecções crônicas. O teste de fixação de 
complemento, por outro lado, é mais sensível e específico, sendo recomendado para 
confirmação diagnóstica. Ele detecta a presença de anticorpos fixadores de complemento, que 
são mais indicativos de infecção ativa. No entanto, sua execução requer maior habilidade 
técnica e infraestrutura laboratorial (MAPA, 2017; OIE, 2018). 
O ELISA destaca-se como uma técnica de alta sensibilidade e especificidade, sendo 
considerado um dos melhores métodos para diagnóstico sorológico da brucelose. Ele pode ser 
usado para detectar anticorpos de diferentes classes, como IgM e IgG, o que permite diferenciar 
infecções recentes de infecções crônicas. Há duas principais variações do ELISA no diagnóstico 
da brucelose: o ELISA indireto e o ELISA competitivo. O ELISA indireto é usado para triagem 
e apresenta boa sensibilidade, enquanto o ELISA competitivo é mais específico e adequado 
10 
 
para confirmação diagnóstica, sendo menos influenciado pela vacinação dos animais (Silva et 
al., 2020; MAPA, 2017). 
A escolha do método diagnóstico ideal depende de vários fatores, incluindo o estágio 
da infecção, o histórico vacinal dos animais e os objetivos do programa de controle. Em 
programas de erradicação, por exemplo, combinações de testes sorológicos e métodos 
moleculares são frequentemente empregadas para aumentar a precisão diagnóstica. Além disso, 
é importante considerar a possibilidade de resultados falso-positivos ou falso-negativos e 
interpretar os resultados em conjunto com a história clínica e epidemiológica do rebanho 
(MAPA, 2017; OIE, 2018). 
 
3.4 Vacinas 
A vacinação é um componente essencial no controle dessa enfermidade, especialmente 
em países onde a doença é endêmica. No Brasil, o Programa Nacional de Controle e Erradicação 
da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT) regulamenta a vacinação de bezerras, 
priorizando a saúde pública e a produtividade animal. As vacinas utilizadas incluem a B19 e a 
RB51, cada qual com características específicas, indicações de faixa etária e particularidades 
que influenciam sua escolha em diferentes cenários epidemiológicos. 
A vacina B19 é amplamente utilizada e considerada a principal ferramenta para a 
imunização de bezerras no Brasil. Desenvolvida a partir de uma cepa viva atenuada de Brucella 
abortus, ela confere imunidade robusta e duradoura, sendo aplicada obrigatoriamente em 
bezerras entre 3 e 8 meses de idade. Essa faixa etária foi definida porque, nessa fase, o sistema 
imunológico do animal responde de forma eficaz à vacinação, e os riscos de efeitos adversos 
são minimizados. É contraindicado aplicar a B19 em animais mais velhos, especialmente 
fêmeas prenhes, devido ao risco de abortos induzidos pela vacina. Além disso, uma limitação 
da B19 é a interferência nos testes sorológicos, dificultando a distinção entre animais vacinados 
e infectados (MAPA, 2017; POESTER et al., 2002). 
Por outro lado, a RB51 surgiu como uma alternativa moderna, com foco na redução das 
limitações diagnósticas associadas à B19. Essa vacina é produzida a partir de uma cepa 
geneticamente modificada de Brucella abortus, que não expressa o antígeno lipopolissacarídeo 
O (LPS-O). Isso evita reações sorológicas cruzadas, permitindo uma identificação mais precisa 
de animais infectados, mesmo em populações vacinadas. A RB51 pode ser aplicada em bezerras 
ou vacas adultas, oferecendo flexibilidade em programas de vacinação. Apesar de sua vantagem 
diagnóstica, a imunogenicidade da RB51 é inferior à da B19, podendo exigir doses de reforço 
em determinadas situações (OIE, 2018; SILVA et al., 2020). 
11 
 
A vacinação de bubalinos segue critérios semelhantes aos de bovinos, considerando a 
susceptibilidade desses animais à brucelose. A B19 é aplicada em bubalinas jovens dentro da 
faixa etária de 3 a 8 meses, com eficácia comprovada. Entretanto, machos, sejam bovinos ou 
bubalinos, não são incluídos nos programas de vacinação devido ao risco de orquiepididimite, 
uma condição que pode comprometer a fertilidade. Adicionalmente, estudos têm avaliado o uso 
da RB51 em bubalinos, destacando sua segurança e eficácia para esses animais (MAPA, 2017; 
POESTER et al., 2002). 
O sucesso da vacinação depende de diversos fatores, incluindo o manejo adequado dos 
rebanhos, a adesão às diretrizes sanitárias e o monitoramento constante da prevalência da 
doença. A escolha entre a B19 e a RB51 deve considerar o contexto epidemiológico, as 
características do rebanho e os objetivos específicos do programa de controle (OIE, 2018). 
É importante ressaltar que a vacinação, embora essencial, não é suficiente isoladamente 
para controlar a brucelose. Ela deve ser complementada por medidas integradas, como o 
descarte sanitário de animais infectados, o monitoramento sorológico regular, a adoção de boas 
práticas de manejo e a educação dos produtores rurais. Além disso, a vacinação é restrita a 
fêmeas devido à necessidade de focar na proteção de futuras matrizes, quesão as principais 
responsáveis pela disseminação vertical da doença (SILVA et al., 2020). 
A vacinação contra a brucelose também desempenha um papel relevante na proteção da 
saúde pública. A zoonose pode ser transmitida para humanos por meio do consumo de produtos 
lácteos não pasteurizados ou do contato direto com materiais infecciosos, como placenta ou 
fetos abortados. Assim, além de proteger os rebanhos, a imunização reduz o risco de infecção 
para trabalhadores rurais e populações que dependem da pecuária como fonte de sustento 
(POESTER et al., 2002; MAPA, 2017). 
O impacto positivo da vacinação no controle da brucelose é evidente em várias regiões 
onde sua implementação foi rigorosa. Países que adotaram programas amplos de imunização 
observaram uma redução significativa na prevalência da doença, melhorando a produtividade 
pecuária e a qualidade de vida das comunidades rurais. No entanto, o sucesso a longo prazo 
requer investimentos contínuos em pesquisa, educação e infraestrutura, bem como o 
comprometimento de todos os envolvidos na cadeia produtiva (OIE, 2018; SILVA et al., 2020). 
 A vacinação contra a brucelose só pode ser realizada por médicos veterinários 
devidamente habilitados ou por profissionais sob sua supervisão, conforme as regulamentações 
do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Esses profissionais garantem 
que a aplicação seja feita de forma segura, dentro da faixa etária e condições recomendadas 
para cada vacina. No Brasil, as principais vacinas disponíveis são a B19 e a RB51. A B19 é 
12 
 
obrigatória para bezerras de 3 a 8 meses de idade, enquanto a RB51 oferece flexibilidade para 
imunização de animais adultos ou em situações específicas. Ambas possuem características 
próprias, sendo a escolha orientada por fatores como o contexto epidemiológico e os objetivos 
do programa de controle, reforçando a necessidade de orientação especializada (MAPA, 2017). 
 
3.5 Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal 
(PNCEBT) 
O Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal 
(PNCEBT) é uma política pública estabelecida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e 
Abastecimento (MAPA) com o objetivo de reduzir a prevalência dessas doenças no Brasil e, a 
longo prazo, erradicá-las. Ambas as doenças são zoonoses de grande impacto econômico e 
sanitário, causando prejuízos diretos à pecuária devido à redução na produção de leite e carne, 
abortos em fêmeas prenhes, além do comprometimento da saúde pública pelo potencial de 
transmissão aos seres humanos (MAPA, 2017; POESTER et al., 2002). 
O PNCEBT visa proteger a saúde pública e garantir a qualidade dos produtos de origem 
animal, promovendo segurança alimentar e competitividade no mercado internacional. Para 
atingir esses objetivos, o programa adota medidas como vacinação, diagnóstico, controle do 
trânsito de animais, manejo adequado e certificação sanitária de propriedades livres de 
brucelose e tuberculose (MAPA, 2017). 
Para a tuberculose, o controle baseia-se no diagnóstico precoce por meio do teste de 
tuberculinização, que identifica animais infectados a partir de uma reação imunológica ao 
antígeno. Animais positivos devem ser sacrificados de forma sanitária, e as propriedades 
precisam adotar medidas de biossegurança para evitar a disseminação da doença (MAPA, 
2017). 
Um dos pilares do PNCEBT é o processo de certificação sanitária, que confere o status 
de propriedade livre de brucelose e tuberculose. Essa certificação é voluntária, mas proporciona 
benefícios significativos, como maior valorização dos animais no mercado e acesso a nichos de 
exportação que exigem padrões sanitários rigorosos. Para obter e manter a certificação, a 
propriedade deve atender a critérios específicos, incluindo a testagem regular de todos os 
animais e a adoção de boas práticas de manejo (SILVA et al., 2020). 
As perdas econômicas causadas pela brucelose e tuberculose incluem redução na 
produtividade, descartes prematuros de animais, custos com tratamentos e restrições 
comerciais. Além disso, as doenças têm implicações significativas para a saúde pública, pois 
são transmitidas aos seres humanos principalmente pelo consumo de produtos de origem animal 
13 
 
contaminados e pelo contato direto com animais infectados. Nesse contexto, o PNCEBT 
contribui não apenas para a saúde animal, mas também para a proteção da saúde humana e para 
a sustentabilidade da produção pecuária (POESTER et al., 2002). 
Embora o PNCEBT tenha avançado significativamente desde sua implementação em 
2001, ainda enfrenta desafios como a adesão irregular dos produtores, dificuldades no acesso a 
diagnósticos e vacinas em regiões remotas e a falta de infraestrutura em algumas localidades. 
A erradicação da brucelose e tuberculose requer investimentos contínuos em educação, 
capacitação de profissionais e políticas de incentivo à certificação sanitária. Além disso, a 
integração de esforços entre produtores, médicos veterinários e órgãos governamentais é 
fundamental para o sucesso do programa (MAPA, 2017; SILVA et al., 2020). 
A adoção de novas tecnologias, como testes diagnósticos mais sensíveis e programas de 
vigilância epidemiológica digital, pode contribuir para a melhoria das estratégias de controle e 
erradicação. Além disso, a implementação de campanhas de conscientização sobre a 
importância da vacinação e do manejo sanitário adequado pode aumentar a adesão ao programa 
e reduzir a prevalência dessas doenças no Brasil (SILVA et al., 2020). 
 
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
A brucelose bovina é uma zoonose de relevância global que impacta negativamente a 
saúde pública e a pecuária, causando perdas econômicas, abortos, infertilidade e redução na 
produção de leite e carne. Além disso, sua transmissibilidade para humanos reforça a 
necessidade de métodos rigorosos de diagnóstico e controle. Entre os métodos destacam-se 
exames sorológicos, como o teste do antígeno acidificado tamponado (AAT) e o teste de 
polarização fluorescente, que, apesar da precisão, enfrentam desafios relacionados a custos e 
aplicação em áreas remotas. Nesse contexto, o Programa Nacional de Controle e Erradicação 
da Brucelose e Tuberculose (PNCEBT) tem papel central ao estabelecer medidas como a 
vacinação obrigatória de fêmeas, testes regulares e a eliminação de animais infectados. 
A eficácia do PNCEBT, embora evidente na redução da prevalência da brucelose em 
várias regiões, depende da adesão dos produtores, capacitação técnica e fiscalização adequada, 
especialmente em pequenas propriedades. A revisão aponta que esforços integrados entre 
instituições públicas, privadas e rurais, aliados a investimentos em pesquisa e inovação, são 
essenciais para superar barreiras e fortalecer as estratégias de controle. A disseminação do 
conhecimento e o aperfeiçoamento das ações propostas podem contribuir significativamente 
para melhorar a saúde pública e a eficiência da pecuária brasileira. 
14 
 
 
 
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	BOVINE BRUCELLOSIS - LITERATURE REVIEW