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SERPENTES
SAÚDE E MANEJO DE ANIMAIS SILVESTRES
DOCENTE: MSC ISABELLA DE CARVALHO ALMEIDA
INTRODUÇÃO
• As serpentes estão incluídas na Ordem Squamata e compõem a Subordem
Serpentes, com cerca de 2.900 espécies no mundo.
• Habitam principalmente as regiões temperadas e tropicais, em razão da
dependência do calor, pois são animais ectotérmicos.
• Ocupam praticamente todos os ambientes disponíveis, desde os terrestres,
subterrâneos e arbóreos, até águas continentais e oceânicas
INTRODUÇÃO
• No Brasil, existem representantes de:
• 10 famílias
• 81 gêneros
•371 espécies
INTRODUÇÃO
• No Brasil, existem representantes de:
• 10 famílias
• 81 gêneros
•371 espécies
INTRODUÇÃO
• Veneno  qualquer substância de origem
vegetal, mineral ou animal que pode trazer algum
dano ao organismo se inalado, ingerido ou
absorvido.
• Peçonha  é uma substância tóxica, produzida
por uma glândula animal especializada, inoculada
no tecido por um aparato especializado.
INTRODUÇÃO
No Brasil, as serpentes com dentição solenóglifa (cascavéis, jararacas e
surucucu-picode-jaca) e proteróglifas (corais verdadeiras) são serpentes
peçonhentas de importância em saúde pública, pois têm aparato especializado
eficiente para inocular peçonha, que causa lesões graves no organismo
humano.
INTRODUÇÃO
As serpentes com dentição opistóglifa (cobraverde, muçurana, parelheira,
coraisfalsas, correcampo) são serpentes peçonhentas, pois também têm um
aparato especializado para inocular peçonha, mas que não tem importância em
saúde, pois a peçonha não causa lesões graves nos humanos
CONSERVAÇÃO
Todas as serpentes desempenham uma função importante no ecossistema
 Algumas espécies podem reduzir populações de roedores
 A peçonha de algumas espécies tem sido utilizada para a fabricação de
medicamentos importantes.
 Além de serem mortas indiscriminadamente, outra ameaça para as serpentes
brasileiras é a alteração ou redução das áreas naturais em que vivem
ANATOMIA E FISIOLOGIA
 Como as serpentes não têm diafragma, o coração e os pulmões não estão
separados dos órgãos internos, sendo a cavidade abdominal chamada
decavidade celomática.
 A glote está localizada dorsalmente à bainha da língua, sendo facilmente
visualizada para a intubação.
Circulação geral em serpente. CA = cavum arteriosum; CP = cavum 
pulmonale; CV = cavum venosum
ANATOMIA E FISIOLOGIA
Exposição da língua bífida e úmida (dardejamento)
Células quimioreceptoras
Contato com o órgão vomeronasal ou
órgão de Jacobson (região anterior do palato)
Cérebro
ANATOMIA E FISIOLOGIA
Dentição áglifa: os dentes do maxilar são aproximadamente do mesmo
tamanho, sólidos e não são especializados para inoculação de peçonha
(p. ex.: Boa constrictor sp. – jiboia; Eunectes sp. – sucuri;
Corallus sp. – cobrapapagaio, cobradeveado;Chironius sp. –
cobrascipó; Liophis sp. –cobrasd’água; Dipsas sp. – come-
lesmas; Sibynomorphus sp. – dormideira; Spilotes pullatus–
caninana; Xenodon sp. – boipeva).
ANATOMIA E FISIOLOGIA
Dentição opistóglifa: os dentes do maxilar são aproximadamente do mesmo
tamanho, mas têm um ou mais pares de dentes maiores, na parte posterior, com
sulco pelo qual escorre peçonha.
(p. ex.: Philodryas sp. – parelheiras;
Oxyrhopus sp. e Erythrolamprus sp. –
falsas corais; Tomodon sp. – correcampo).
ANATOMIA E FISIOLOGIA
Dentição proteróglifa: o par de dentes sulcados, pelos quais escorre peçonha, é
pequeno e está situado na posição anterior da boca
p. ex.: Micrurus sp. –
todas as cobras corais
verdadeiras
ANATOMIA E FISIOLOGIA
Dentição solenóglifa: os dentes pares anteriores são grandes e ocos, pelos quais
a peçonha escorre
(p. ex.: Caudisona spp. – cascavéis; Bothrops
sp. e Bothiopsis sp. – jararacas e Lachesis muta
– surucucu pico dej aca).
ANATOMIA E FISIOLOGIA
ANATOMIA E FISIOLOGIA
A cloaca é dividida em três regiões:
coprodeum – região mais anterior que recebe os dejetos da digestão;
urodeum – região central que recebe os ureteres e ductos genitais;
proctodeum – região posterior em que os dejetos ficam até serem eliminados.
ANATOMIA E FISIOLOGIA
• O fígado é alongado e tem funções
semelhantes às dos mamíferos e aves
• A vesícula biliar encontrase caudal ao fígado,
próximo ao pâncreas e ao baço
• Algumas espécies têm o baço unido ao
pâncreas, sendo chamado de esplenopâncreas
ANATOMIA E FISIOLOGIA
• Os rins são pares e localizados no terço caudal da serpente
• Serpentes não têm bexiga os ureteres esvaziam-se diretamente no urodeum
• Recomenda-se administrar medicamentos apenas no terço anterior das
serpentes, para evitar que fármacos que têm tropismo pelo parênquima renal
causem lesões ao rim, como, por exemplo, antibióticos aminoglicosídios
ANATOMIA E FISIOLOGIA
• Os órgãos copuladores dos machos, denominados hemipênis, ficam invaginados
em bolsas na base da cauda proporcionalmente maior do que a das fêmeas
• Os testículos são intra-abdominais
• As fêmeas apresentam duas vaginas ligadas a ovidutos longos
REPRODUÇÃO
Hemipênis evertido em cascavel (Caudisona durissa)
REPRODUÇÃO
• Não há dimorfismo sexual externo nos ofídios
• A determinação do sexo fazse por eversão dos
hemipênis ou pela introdução de uma sonda romba e
lubrificada na cloaca, no sentido da base da cauda
• Nos machos, a sonda entra 8 a 12 escamas subcaudais,
e nas fêmeas, duas a quatro escamas subcaudais
REPRODUÇÃO
• Na época do acasalamento, as fêmeas liberam feromônios que atraem os
machos de sua espécie
• As serpentes reproduzem-se de duas maneiras: algumas põem ovos (ovíparas) e
outras desenvolvem embriões nos ovidutos(vivíparas)
REPRODUÇÃO
Postura de falsacoral (Oxyrhopus guibei), 
serpente ovípara
Nascimento de cascavel (Caudisona durissa), 
serpente vivípara.
REPRODUÇÃO
• A fêmea pode armazenar espermatozoides para fecundação posterior,
sendo, por isso, difícil dizer quando ocorreu precisamente a fecundação e
determinar o tempo exato de gestação nestes animais
• O período de incubação dos ovos é em torno de 2 meses
• Número de ovos/filhotes pode variar de 1 a 80 nas serpentes
Exame ultrassonográfico em cascavel (Caudisona durissa) prenhe com 
visualização do embrião
NUTRIÇÃO
 São animais carnívoros que ingerem suas presas inteiras
• invertebrados (moluscos, artrópodes e minhocas)
• vertebrados (peixes, anfíbios, lagartos, serpentes, aves
e mamíferos)
 Algumas espécies são constritoras, outras ingerem suas
presas ainda vivas; e há aquelas que envenenam as suas
presas
INSTALAÇÕES
Os terrários podem ser construídos de maneira que
possam imitar o ambiente natural, com plantas,
rochas e abrigos ou podemser gaiolas forradas com
jornal ou papelão
INSTALAÇÕES
• Manutenção da teperatura  utilizar lâmpadas, placas ou pedras de
aquecimento, e para as espécies semiaquáticas, aquecedores de aquário
• Manutenção da umidade  são utilizados borrifadores manuais de
água ou umidificadores de ambiente
CONTENÇÃO E ANESTESIA
A contenção física com o laço de Lutz é uma
boa opção para a contenção de serpentes
perigosas, possibilitando a realização de
pequenos procedimentos, como exame clínico,
exame e limpeza da cavidade oral,
administração de fármacos e punção da veia
caudal.
CONTENÇÃO E ANESTESIA
CONTENÇÃO E ANESTESIA
• A anestesia inalatória: principalmente com isoflurano
• A indução anestésica pode ser feita pela utilização de máscara anestésica ou por
intubação traqueal direta.
•A ventilação manual por pressão positiva intermitente é recomendada, mas com
cuidado para evitar a ruptura do pulmão.
• Concentração de isoflurano de 4 a 5% tem sido usada para a indução e 1,5 a 4% para
manutenção
.
EXAME CLÍNICO
• Deve-se observar o estado físico geral, grau de hidratação, presença de
ectoparasitos e lesões.
• Pela palpação, pode-se sentir a presença de fezes no intestino, retenção
de ovos ou embriões, aumento de órgãos e massas tumorais internas.
• Deve-se palpar todo o corpo no sentido caudal e finalizar com a
inspeção da cloaca.DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
 Para uma imagem radiográfica de qualidade, devese colocar a serpente
em um tubo plástico ou anestesiá-la.
 A imersão parcial da serpente em água morna (25 a 27°C) facilita o
exame ultrassonográfico e produz imagens de ótima qualidade.
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
Tireoide em cascavel Testículo
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
Coração- Note a discreta hiperecogenicidade do miocárdio em 
relação ao fígado. 
Folículos ovarianos em estágio avançado, com
ecogenicidade aumentada. 
DIAGNÓSTICO POR IMAGEM
Vesícula biliar (vb), baço (b) e pâncreas (p) Rim
PATOLOGIA CLÍNICA
Colheita de sangue pela punção da veia coccígea caudal.
PATOLOGIA CLÍNICA
 Cardiocentese  fixar o coração entre os dedos, pois este órgão tem
grande mobilidade e serpentes não têm esterno nem diafragma.
 Anticoagulante: heparina
• há relatos de ocorrência de hemólise com o uso de óxido etilenodiamino
tetraacético (EDTA).
PATOLOGIA CLÍNICA
A. Eritrócito (seta preta) e basófilo (seta branca). B. Linfócitos (setas pretas). 
C. Heterófilo (seta preta) e trombócito (seta branca). D. Azurófilo (seta preta).
CIRURGIA
• Cuidado especial deve ser tomado na sutura da pele, pois se inverte com
facilidade, dificultando a cicatrização.
• A utilização de suturas evaginantes mostrase mais apropriada.
• É recomendado retirar a sutura após 4 a 6 semanas ou após a ecdise.
• As intervenções cirúrgicas mais frequentes são: redução de prolapso,
amputações de cauda, celiotomias e retirada de abscessos subcutâneos.
CIRURGIA
• A incisão abdominal deve ser feita na
margem lateral das escamas, entre a primeira
e a segunda linha das escamas laterais
•As indicações para celiotomia são retenção de
ovos, ováriohisterectomia, obstrução
gastrintestinal, colopexia (redução do
prolapso de reto) e laparotomia exploratória
CIRURGIA
As serpentes podem apresentar três tipos de prolapsos:
Prolapso de reto, causado por grande esforço no ato de defecação, com ou sem
retenção de fezes; aumento dos movimentos peristálticos ou intenso parasitismo
Prolapso de oviduto, por esforço na hora da postura, não necessariamente com
retenção de ovos; neoplasias e infecções graves
Prolapso de hemipênis, devido à intensa atividade sexual (busca incessante pelo par,
intenção de cópula). A mucosa do órgão prolapsado fica demaciada e inflamada
CIRURGIA
Em prolapso de oviduto, pode-se reduzir a estrutura prolapsada com
auxílio de um bastão lubrificado com vaselina e realizar sutura em bolsa
de tabaco ao redor da cloaca para evitar recidivas.
A sutura deve ser retirada após 1 semana.
Em casos mais graves, opta-se pela amputação parcial ou total do
oviduto afetado.
CIRURGIA
Prolapso de reto em serpente
CIRURGIA
• A redução do hemipênis é muito difícil, sendo mais comum a
amputação do órgão.
• O outro heipênis manterá a capacidade reprodutiva.
• Para que prolapsos sejam evitados, é importante que se corrijam erros
de manejo, como parasitismo gastrintestinal, desidratação e local
inadequado para a postura.
DOENÇAS BACTERIANAS
Enterite caseosa por Aeromonas hydrophila em cascavel
DOENÇAS BACTERIANAS
Aspecto macro (A) e microscópico (B) de pneumonia em jiboia, causada por 
associação de Xanthomonas maltophila e paramixovírus.
DOENÇAS BACTERIANAS
Dermatite vesicular
Doença das bolhas que forma vesículas no tecido subcutâneo.
As vesículas rompem- se e infeccionam, evoluindo para necrose, septicemia e morte.
Esta enfermidade está geralmente associada a estresse, condições inadequadas de higiene e alta
umidade no ambiente.
No Brasil, esta doença já foi associada a infecções por Xanthomonas maltophila embora outros
agentes, tais como as enterobactérias, Pseudomonas spp., Aeromonas spp., Staphilococcus spp.,
entre outros, possam estar envolvidos.
DOENÇAS BACTERIANAS
Dermatite vesicular
O diagnóstico deve ser feito pela punção do conteúdo vesicular e isolamento
microbiológico.
Antibioticoterapia específica após antibiograma, fluidoterapia e tratamento tópico com
pomadas antimicrobianas.
Banhos anticéticos com clorexidina comercial diluída em soro fisiológico (1:10).
Vitamina C auxiliar da regeneração cutânea e correção de erros de manejo.
DOENÇAS BACTERIANAS
Dermatite vesicular em coral verdadeira (Micrurus sp.), 
causada por Xanthomonas maltophila.
DOENÇAS BACTERIANAS
Abscessos
Os abscessos subcutâneos são causados principalmente por bactérias Gram-
negativas, secundários a ferimentos na pele, traumas, mordidas de roedores,
picadas de ácaros e carrapatos ou outros pontos infeccionados.
O ambiente pouco higiênico é um fator predisponente.
São lesões firmes e bem encapsuladas que contêm pus.
DOENÇAS BACTERIANAS
Abscessos
O diagnóstico diferencial inclui neoplasias, nódulos parasitários e
hematomas.
Pela característica dos répteis em formar granulomas e cáseo, o
tratamento deve associar retirada cirúrgica e antibioticoterapia.
O tratamento tópico com pomadas cicatrizantes é recomendado.
DOENÇAS BACTERIANAS
Retirada cirúrgica de abscesso localizado na bainha da língua 
de cascavel 
DOENÇAS BACTERIANAS
Estomatite
A estomatite infecciosa ou estomatite ulcerativa é uma afecção na cavidade oral que
pode evoluir de simples inflamação para pontos hemorrágicos, ulceração e necrose da
mucosa oral.
Os fatores predisponentes são estresse, superpopulação, temperaturas baixas, má
nutrição e traumatismos.
Os sinais clínicos incluem salivação excessiva, anorexia, hiperemia da mucosa oral,
edema gengival, petéquias, eritema, ulceração da mucosa e placas caseosas
DOENÇAS BACTERIANAS
Estomatite
Em casos leves, pode-se apenas aumentar a temperatura ambiente e aplicar cremes
antibióticos no tecido afetado.
Nos casos graves, podem ocorrer pneumonia por aspiração, infecções oculares e perda de
dentes
O tratamento consiste na limpeza e remoção de debris celulares, desinfecção com solução
de clorexidina comercial diluída em soro fisiológico (1:10), antibioticoterapia sistêmica e
fluidoterapia.
DOENÇAS BACTERIANAS
Estomatite em cascavel 
DOENÇAS BACTERIANAS
Pneumonias
Pelas particularidades anatômicas e fisiológicas do sistema respiratório
(p. ex., ausência de diafragma funcional), os répteis não tossem e fluidos
tendem a acumular-se nos pulmões.
Os sinais clínicos incluem apatia, dificuldade respiratória, secreções
espessas na cavidade oral e prostração.
DOENÇAS BACTERIANAS
Pneumonias
Lavagem pulmonar com solução salina estéril, em volume equivalente a
1% da massa corpórea, para auxiliar na eliminação dos cáseos e realizar
identificação microbiológica.
• a serpente é colocada em decúbito ventral e uma sonda uretral estéril, de
diâmetro um pouco menor do que o da glote, é acoplada a uma seringa
estéril com a quantidade de salina a ser administrada.
DOENÇAS BACTERIANAS
Pneumonias
Como tratamento inicial, preconizase o uso da amicacina
Radiografias também podem ser úteis no diagnóstico de pneumonia.
Durante o tratamento, o animal deve ser mantido em temperatura
controlada, entre 25 e 28°C
DOENÇAS BACTERIANAS
Cascavel com quadro de pneumonia, incluindo a 
formação de papeira.
DOENÇAS BACTERIANAS
Gastrenterites
As gastrenterites são caracterizadas por perda de apetite, diarreia, regurgitação,
aumento do volume hepático, espessamento das alças intestinais e prostração.
Os fatores predisponentes imunossupressores incluem frio, deficiência
nutricional, parasitismo, superpopulação, falta de higiene e outros.
O tratamento consiste em antibioticoterapia sistêmica e tratamento de suporte
DOENÇAS FÚNGICAS 
A maioria dos relatos diz respeito às micoses superficiais porém micoses
profundas também são encontradas.
Grande parte dos fungos isolados a partir de casos clínicos é saprófita, ou seja, é
comumenteencontrada no solo ou em plantas
Há relatos de ocorrência de diversos agentes, entre eles Aspergillus,
Cladosporium, Fusarium, Trycoderma, Trichophyton, Trichosporon, Geotrichium,
Rhisopus, Penicillium
DOENÇAS FÚNGICAS 
A pele e o sistemarespiratório constituem os principais alvos, por terem
mais contato com os agentes causadores.
O tratamento das micoses é difícil e deve ser associado à
antibioticoterapia.
O uso concomitante de antifúngicos de usos tópico e sistêmico é
recomendado
DOENÇAS FÚNGICAS 
DOENÇAS VIRAIS 
 Herpesvírus
 Adenovírus
Paraixovírus
 Retrovírus
DOENÇAS VIRAIS 
Fotomicrografia de pulmão de urutucruzeiro acometida por Paramixovírus. Nota-
se a formação de células gigantes associadas a hiperplasia e hipertrofia epitelial.
DOENÇAS PARASITÁRIAS
Ectoparasitos
O ácaro de maior importância na criação de serpentes em cativeiro é o Ophionyssus natricis
vulgarmente chamado de “piolhodecobra”.
É um ácaro pequeno, hematófago, e as infestações graves podem causar disecdise, anemia e
debilidade.
É vetor da bactéria Gramnegativa Aeromonas hydrophila, que causa pneumonia e septicemia
hemorrágica.
Carrapatos também são comuns em serpentes, e a espécie partenogenética Amblyomma rotundatum é
a mais estudada.
DOENÇAS PARASITÁRIAS
Ectoparasitos
A infestação pode causar danos à pele e anemia, além da transmissão de hemoparasitos
e vírus
O tratamento preventivo: banhos de imersão em triclorfon 0,2% ou a aspersão da pele
do animal com fipronil
Como o veículo utilizado nas preparações comerciais com fipronil é alcoólico, é
importante deixar a serpente em local bem arejado por alguns minutos após a aplicação
para que não ocorra intoxicação.
DOENÇAS PARASITÁRIAS
Infestação por Ophionyssus natricis (piolho de cobra) em jiboia
DOENÇAS PARASITÁRIAS
Granuloma parasitário gástrico causado por ascarídeos.
Trematódeos na cavidade oral de caiçaca 
Endoparasitas
DOENÇAS PARASITÁRIAS
Protozoários
Os protozoário de maior interesse veterinário na criação de serpentes é Entamoeba invadens
Os sinais clínicos incluem regurgitação de alimento não digerido, anorexia, apatia, perda de peso
e diarreia grave, acompanhada de estrias de sangue ou muco esverdeado.
O tratamento pode ser feito com metronidazol e dimetridazol, mas a taxa de mortalidade é alta.
Serpentes não devem ser mantidas no mesmo recinto de quelônios aquáticos e crocodilianos
(reservatórios naturais)
DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS
Disecdise ou retenção de muda
Frequentemente está associada à desidratação e baixa umidade ambiental.
São fatores predisponentes ausência de substrato abrasivo para auxiliar na
remoção da pele, infecções e parasitos cutâneos.
Feridas e traumatismos também podem causar disecdise.
O tratamento consiste na hidratação do paciente e correção da umidade
ambiental
DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS
Disecdise ou retenção de muda
Se necessário, o paciente pode ser submetido a banhos de imersão em água morna com
glicerina para auxiliar na remoção da pele.
A ecdise retida nos olhos pode levar ao desenvolvimento de abscesso ocular e
consequente perda da visão; a pele retida na cauda pode levar à necrose e perda da
ponta da cauda.
A administração de vitamina C serve como auxiliar para a melhora da elasticidade da
pele
DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS
Traumatismos
Traumatismos que podem ocorrer em serpentes são abrasões rostrais, mordidas e
roeduras por camundongos e ratos e pancadas e lacerações por ocasião da captura.
Devese fazer a limpeza da ferida, aplicação de pomadas antibióticas e antibioticoterapia
sistêmica, quando necessário.
Luxações e fraturas são comuns e ocorrem por contenção física inadequada ou por
pancadas na hora da captura.
DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS
Traumatismos
Fraturas das costelas consolidam sem dificuldade se não ocorrer hérnia de vísceras. Em
casos de fratura da coluna vertebral, o prognóstico depende da gravidade da lesão
Fraturas com rompimento completo da medula são incompatíveis com a vida, devendo-
se realizar a eutanásia.
Nas luxações ou fraturas simples, devese imobilizar a área afetada com auxílio de um
tubo plástico ou de outro material adequado
DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS
Lesão cutânea em cascavel (Caudisona durissa) causada por 
roedor de biotério.
DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS
Deficiência proteica
A deficiência proteica é a doença nutricional mais comum em serpentes
mantidas em cativeiro.
Estação reprodutiva; estresse de captura; alimentação incorreta; temperatura
do recinto muito baixa, não possibilitando a atividade normal das enzimas
gástricas, pancreáticas, hepáticas e intestinais; e período que antecede à ecdise.
DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS
Deficiência proteica
Alimentação forçada:
A quantidade de alimento forçada a ser administrada é de 10% do peso do paciente.
Serpentes caquéticas devem ser alimentadas com ração comercial para tartarugas,
ração úmida para cães ou papa de vísceras (fígado, coração, ovo e vitaminas)
administrados por sonda esofágica
Também podemos utilizar estimulantes para abrir o apetite, como metronidazol,
complexos vitamínicos e aminoácidos
DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS
Gota úrica
Na gota úrica ocorre o depósito de ácido úrico em superfícies em que normalmente não
deveria ocorrer. Nas serpentes, o tipo mais frequente é a gota visceral, ou seja, o ácido
úrico acumula-se sobre coração, pericárdio, rins, fígado, baço, musculatura, vasos e
mucosa oral
As causas mais comuns para esta alteração no metabolismo proteico são distúrbios que
alteram a função dos rins, como hipotermia, desidratação e uso inadequado de
fármacos nefrotóxicos, como antibióticos aminoglicosídios (gentamicina e amicacina,
por exemplo).
DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS
Gota úrica
Gota úrica em rim de serpente- uratos depositados no 
parênquima renal.
DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS
Gota úrica
A gota úrica é de difícil diagnóstico in vivo.
Alguns sinais apresentados são pontos brancos difusos na mucosa oral, que devem ser diferenciados de
estomatite bacteriana.
Hematologia e bioquímica sanguínea, verificando-se aumento no valor de ácido úrico no sangue. Deve-
se suspeitar de gota úrica quando os valores estão acima de 25 mg/dℓ.
Elevam-se também os valores de AST devido a destruição dos tecidos em que há depósito de ácido
úrico.
Mesmo que se suspeite de gota úrica e o tratamento adequado seja realizado, haverá melhora na
qualidade de vida do paciente, mas não a cura
DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS
Gota úrica
O tratamento consiste na hidratação, aplicando-se diariamente 15 a 25 mℓ/kg
de soro lactato de Ringer com 50% de soro fisiológico- aumenta a diurese e a
eliminação do excesso de ácido úrico.
Utiliza-se alopurinol para impedir a formação de mais ácido úrico.
Como profilaxia, deve-se evitar a superalimentação e hidratar bem o paciente.
DÚVIDAS ??
SAÚDE E MANEJO DE ANIMAIS SILVESTRES
DOCENTE: MSC ISABELLA DE CARVALHO ALMEIDA

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