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SERPENTES SAÚDE E MANEJO DE ANIMAIS SILVESTRES DOCENTE: MSC ISABELLA DE CARVALHO ALMEIDA INTRODUÇÃO • As serpentes estão incluídas na Ordem Squamata e compõem a Subordem Serpentes, com cerca de 2.900 espécies no mundo. • Habitam principalmente as regiões temperadas e tropicais, em razão da dependência do calor, pois são animais ectotérmicos. • Ocupam praticamente todos os ambientes disponíveis, desde os terrestres, subterrâneos e arbóreos, até águas continentais e oceânicas INTRODUÇÃO • No Brasil, existem representantes de: • 10 famílias • 81 gêneros •371 espécies INTRODUÇÃO • No Brasil, existem representantes de: • 10 famílias • 81 gêneros •371 espécies INTRODUÇÃO • Veneno qualquer substância de origem vegetal, mineral ou animal que pode trazer algum dano ao organismo se inalado, ingerido ou absorvido. • Peçonha é uma substância tóxica, produzida por uma glândula animal especializada, inoculada no tecido por um aparato especializado. INTRODUÇÃO No Brasil, as serpentes com dentição solenóglifa (cascavéis, jararacas e surucucu-picode-jaca) e proteróglifas (corais verdadeiras) são serpentes peçonhentas de importância em saúde pública, pois têm aparato especializado eficiente para inocular peçonha, que causa lesões graves no organismo humano. INTRODUÇÃO As serpentes com dentição opistóglifa (cobraverde, muçurana, parelheira, coraisfalsas, correcampo) são serpentes peçonhentas, pois também têm um aparato especializado para inocular peçonha, mas que não tem importância em saúde, pois a peçonha não causa lesões graves nos humanos CONSERVAÇÃO Todas as serpentes desempenham uma função importante no ecossistema Algumas espécies podem reduzir populações de roedores A peçonha de algumas espécies tem sido utilizada para a fabricação de medicamentos importantes. Além de serem mortas indiscriminadamente, outra ameaça para as serpentes brasileiras é a alteração ou redução das áreas naturais em que vivem ANATOMIA E FISIOLOGIA Como as serpentes não têm diafragma, o coração e os pulmões não estão separados dos órgãos internos, sendo a cavidade abdominal chamada decavidade celomática. A glote está localizada dorsalmente à bainha da língua, sendo facilmente visualizada para a intubação. Circulação geral em serpente. CA = cavum arteriosum; CP = cavum pulmonale; CV = cavum venosum ANATOMIA E FISIOLOGIA Exposição da língua bífida e úmida (dardejamento) Células quimioreceptoras Contato com o órgão vomeronasal ou órgão de Jacobson (região anterior do palato) Cérebro ANATOMIA E FISIOLOGIA Dentição áglifa: os dentes do maxilar são aproximadamente do mesmo tamanho, sólidos e não são especializados para inoculação de peçonha (p. ex.: Boa constrictor sp. – jiboia; Eunectes sp. – sucuri; Corallus sp. – cobrapapagaio, cobradeveado;Chironius sp. – cobrascipó; Liophis sp. –cobrasd’água; Dipsas sp. – come- lesmas; Sibynomorphus sp. – dormideira; Spilotes pullatus– caninana; Xenodon sp. – boipeva). ANATOMIA E FISIOLOGIA Dentição opistóglifa: os dentes do maxilar são aproximadamente do mesmo tamanho, mas têm um ou mais pares de dentes maiores, na parte posterior, com sulco pelo qual escorre peçonha. (p. ex.: Philodryas sp. – parelheiras; Oxyrhopus sp. e Erythrolamprus sp. – falsas corais; Tomodon sp. – correcampo). ANATOMIA E FISIOLOGIA Dentição proteróglifa: o par de dentes sulcados, pelos quais escorre peçonha, é pequeno e está situado na posição anterior da boca p. ex.: Micrurus sp. – todas as cobras corais verdadeiras ANATOMIA E FISIOLOGIA Dentição solenóglifa: os dentes pares anteriores são grandes e ocos, pelos quais a peçonha escorre (p. ex.: Caudisona spp. – cascavéis; Bothrops sp. e Bothiopsis sp. – jararacas e Lachesis muta – surucucu pico dej aca). ANATOMIA E FISIOLOGIA ANATOMIA E FISIOLOGIA A cloaca é dividida em três regiões: coprodeum – região mais anterior que recebe os dejetos da digestão; urodeum – região central que recebe os ureteres e ductos genitais; proctodeum – região posterior em que os dejetos ficam até serem eliminados. ANATOMIA E FISIOLOGIA • O fígado é alongado e tem funções semelhantes às dos mamíferos e aves • A vesícula biliar encontrase caudal ao fígado, próximo ao pâncreas e ao baço • Algumas espécies têm o baço unido ao pâncreas, sendo chamado de esplenopâncreas ANATOMIA E FISIOLOGIA • Os rins são pares e localizados no terço caudal da serpente • Serpentes não têm bexiga os ureteres esvaziam-se diretamente no urodeum • Recomenda-se administrar medicamentos apenas no terço anterior das serpentes, para evitar que fármacos que têm tropismo pelo parênquima renal causem lesões ao rim, como, por exemplo, antibióticos aminoglicosídios ANATOMIA E FISIOLOGIA • Os órgãos copuladores dos machos, denominados hemipênis, ficam invaginados em bolsas na base da cauda proporcionalmente maior do que a das fêmeas • Os testículos são intra-abdominais • As fêmeas apresentam duas vaginas ligadas a ovidutos longos REPRODUÇÃO Hemipênis evertido em cascavel (Caudisona durissa) REPRODUÇÃO • Não há dimorfismo sexual externo nos ofídios • A determinação do sexo fazse por eversão dos hemipênis ou pela introdução de uma sonda romba e lubrificada na cloaca, no sentido da base da cauda • Nos machos, a sonda entra 8 a 12 escamas subcaudais, e nas fêmeas, duas a quatro escamas subcaudais REPRODUÇÃO • Na época do acasalamento, as fêmeas liberam feromônios que atraem os machos de sua espécie • As serpentes reproduzem-se de duas maneiras: algumas põem ovos (ovíparas) e outras desenvolvem embriões nos ovidutos(vivíparas) REPRODUÇÃO Postura de falsacoral (Oxyrhopus guibei), serpente ovípara Nascimento de cascavel (Caudisona durissa), serpente vivípara. REPRODUÇÃO • A fêmea pode armazenar espermatozoides para fecundação posterior, sendo, por isso, difícil dizer quando ocorreu precisamente a fecundação e determinar o tempo exato de gestação nestes animais • O período de incubação dos ovos é em torno de 2 meses • Número de ovos/filhotes pode variar de 1 a 80 nas serpentes Exame ultrassonográfico em cascavel (Caudisona durissa) prenhe com visualização do embrião NUTRIÇÃO São animais carnívoros que ingerem suas presas inteiras • invertebrados (moluscos, artrópodes e minhocas) • vertebrados (peixes, anfíbios, lagartos, serpentes, aves e mamíferos) Algumas espécies são constritoras, outras ingerem suas presas ainda vivas; e há aquelas que envenenam as suas presas INSTALAÇÕES Os terrários podem ser construídos de maneira que possam imitar o ambiente natural, com plantas, rochas e abrigos ou podemser gaiolas forradas com jornal ou papelão INSTALAÇÕES • Manutenção da teperatura utilizar lâmpadas, placas ou pedras de aquecimento, e para as espécies semiaquáticas, aquecedores de aquário • Manutenção da umidade são utilizados borrifadores manuais de água ou umidificadores de ambiente CONTENÇÃO E ANESTESIA A contenção física com o laço de Lutz é uma boa opção para a contenção de serpentes perigosas, possibilitando a realização de pequenos procedimentos, como exame clínico, exame e limpeza da cavidade oral, administração de fármacos e punção da veia caudal. CONTENÇÃO E ANESTESIA CONTENÇÃO E ANESTESIA • A anestesia inalatória: principalmente com isoflurano • A indução anestésica pode ser feita pela utilização de máscara anestésica ou por intubação traqueal direta. •A ventilação manual por pressão positiva intermitente é recomendada, mas com cuidado para evitar a ruptura do pulmão. • Concentração de isoflurano de 4 a 5% tem sido usada para a indução e 1,5 a 4% para manutenção . EXAME CLÍNICO • Deve-se observar o estado físico geral, grau de hidratação, presença de ectoparasitos e lesões. • Pela palpação, pode-se sentir a presença de fezes no intestino, retenção de ovos ou embriões, aumento de órgãos e massas tumorais internas. • Deve-se palpar todo o corpo no sentido caudal e finalizar com a inspeção da cloaca.DIAGNÓSTICO POR IMAGEM Para uma imagem radiográfica de qualidade, devese colocar a serpente em um tubo plástico ou anestesiá-la. A imersão parcial da serpente em água morna (25 a 27°C) facilita o exame ultrassonográfico e produz imagens de ótima qualidade. DIAGNÓSTICO POR IMAGEM Tireoide em cascavel Testículo DIAGNÓSTICO POR IMAGEM Coração- Note a discreta hiperecogenicidade do miocárdio em relação ao fígado. Folículos ovarianos em estágio avançado, com ecogenicidade aumentada. DIAGNÓSTICO POR IMAGEM Vesícula biliar (vb), baço (b) e pâncreas (p) Rim PATOLOGIA CLÍNICA Colheita de sangue pela punção da veia coccígea caudal. PATOLOGIA CLÍNICA Cardiocentese fixar o coração entre os dedos, pois este órgão tem grande mobilidade e serpentes não têm esterno nem diafragma. Anticoagulante: heparina • há relatos de ocorrência de hemólise com o uso de óxido etilenodiamino tetraacético (EDTA). PATOLOGIA CLÍNICA A. Eritrócito (seta preta) e basófilo (seta branca). B. Linfócitos (setas pretas). C. Heterófilo (seta preta) e trombócito (seta branca). D. Azurófilo (seta preta). CIRURGIA • Cuidado especial deve ser tomado na sutura da pele, pois se inverte com facilidade, dificultando a cicatrização. • A utilização de suturas evaginantes mostrase mais apropriada. • É recomendado retirar a sutura após 4 a 6 semanas ou após a ecdise. • As intervenções cirúrgicas mais frequentes são: redução de prolapso, amputações de cauda, celiotomias e retirada de abscessos subcutâneos. CIRURGIA • A incisão abdominal deve ser feita na margem lateral das escamas, entre a primeira e a segunda linha das escamas laterais •As indicações para celiotomia são retenção de ovos, ováriohisterectomia, obstrução gastrintestinal, colopexia (redução do prolapso de reto) e laparotomia exploratória CIRURGIA As serpentes podem apresentar três tipos de prolapsos: Prolapso de reto, causado por grande esforço no ato de defecação, com ou sem retenção de fezes; aumento dos movimentos peristálticos ou intenso parasitismo Prolapso de oviduto, por esforço na hora da postura, não necessariamente com retenção de ovos; neoplasias e infecções graves Prolapso de hemipênis, devido à intensa atividade sexual (busca incessante pelo par, intenção de cópula). A mucosa do órgão prolapsado fica demaciada e inflamada CIRURGIA Em prolapso de oviduto, pode-se reduzir a estrutura prolapsada com auxílio de um bastão lubrificado com vaselina e realizar sutura em bolsa de tabaco ao redor da cloaca para evitar recidivas. A sutura deve ser retirada após 1 semana. Em casos mais graves, opta-se pela amputação parcial ou total do oviduto afetado. CIRURGIA Prolapso de reto em serpente CIRURGIA • A redução do hemipênis é muito difícil, sendo mais comum a amputação do órgão. • O outro heipênis manterá a capacidade reprodutiva. • Para que prolapsos sejam evitados, é importante que se corrijam erros de manejo, como parasitismo gastrintestinal, desidratação e local inadequado para a postura. DOENÇAS BACTERIANAS Enterite caseosa por Aeromonas hydrophila em cascavel DOENÇAS BACTERIANAS Aspecto macro (A) e microscópico (B) de pneumonia em jiboia, causada por associação de Xanthomonas maltophila e paramixovírus. DOENÇAS BACTERIANAS Dermatite vesicular Doença das bolhas que forma vesículas no tecido subcutâneo. As vesículas rompem- se e infeccionam, evoluindo para necrose, septicemia e morte. Esta enfermidade está geralmente associada a estresse, condições inadequadas de higiene e alta umidade no ambiente. No Brasil, esta doença já foi associada a infecções por Xanthomonas maltophila embora outros agentes, tais como as enterobactérias, Pseudomonas spp., Aeromonas spp., Staphilococcus spp., entre outros, possam estar envolvidos. DOENÇAS BACTERIANAS Dermatite vesicular O diagnóstico deve ser feito pela punção do conteúdo vesicular e isolamento microbiológico. Antibioticoterapia específica após antibiograma, fluidoterapia e tratamento tópico com pomadas antimicrobianas. Banhos anticéticos com clorexidina comercial diluída em soro fisiológico (1:10). Vitamina C auxiliar da regeneração cutânea e correção de erros de manejo. DOENÇAS BACTERIANAS Dermatite vesicular em coral verdadeira (Micrurus sp.), causada por Xanthomonas maltophila. DOENÇAS BACTERIANAS Abscessos Os abscessos subcutâneos são causados principalmente por bactérias Gram- negativas, secundários a ferimentos na pele, traumas, mordidas de roedores, picadas de ácaros e carrapatos ou outros pontos infeccionados. O ambiente pouco higiênico é um fator predisponente. São lesões firmes e bem encapsuladas que contêm pus. DOENÇAS BACTERIANAS Abscessos O diagnóstico diferencial inclui neoplasias, nódulos parasitários e hematomas. Pela característica dos répteis em formar granulomas e cáseo, o tratamento deve associar retirada cirúrgica e antibioticoterapia. O tratamento tópico com pomadas cicatrizantes é recomendado. DOENÇAS BACTERIANAS Retirada cirúrgica de abscesso localizado na bainha da língua de cascavel DOENÇAS BACTERIANAS Estomatite A estomatite infecciosa ou estomatite ulcerativa é uma afecção na cavidade oral que pode evoluir de simples inflamação para pontos hemorrágicos, ulceração e necrose da mucosa oral. Os fatores predisponentes são estresse, superpopulação, temperaturas baixas, má nutrição e traumatismos. Os sinais clínicos incluem salivação excessiva, anorexia, hiperemia da mucosa oral, edema gengival, petéquias, eritema, ulceração da mucosa e placas caseosas DOENÇAS BACTERIANAS Estomatite Em casos leves, pode-se apenas aumentar a temperatura ambiente e aplicar cremes antibióticos no tecido afetado. Nos casos graves, podem ocorrer pneumonia por aspiração, infecções oculares e perda de dentes O tratamento consiste na limpeza e remoção de debris celulares, desinfecção com solução de clorexidina comercial diluída em soro fisiológico (1:10), antibioticoterapia sistêmica e fluidoterapia. DOENÇAS BACTERIANAS Estomatite em cascavel DOENÇAS BACTERIANAS Pneumonias Pelas particularidades anatômicas e fisiológicas do sistema respiratório (p. ex., ausência de diafragma funcional), os répteis não tossem e fluidos tendem a acumular-se nos pulmões. Os sinais clínicos incluem apatia, dificuldade respiratória, secreções espessas na cavidade oral e prostração. DOENÇAS BACTERIANAS Pneumonias Lavagem pulmonar com solução salina estéril, em volume equivalente a 1% da massa corpórea, para auxiliar na eliminação dos cáseos e realizar identificação microbiológica. • a serpente é colocada em decúbito ventral e uma sonda uretral estéril, de diâmetro um pouco menor do que o da glote, é acoplada a uma seringa estéril com a quantidade de salina a ser administrada. DOENÇAS BACTERIANAS Pneumonias Como tratamento inicial, preconizase o uso da amicacina Radiografias também podem ser úteis no diagnóstico de pneumonia. Durante o tratamento, o animal deve ser mantido em temperatura controlada, entre 25 e 28°C DOENÇAS BACTERIANAS Cascavel com quadro de pneumonia, incluindo a formação de papeira. DOENÇAS BACTERIANAS Gastrenterites As gastrenterites são caracterizadas por perda de apetite, diarreia, regurgitação, aumento do volume hepático, espessamento das alças intestinais e prostração. Os fatores predisponentes imunossupressores incluem frio, deficiência nutricional, parasitismo, superpopulação, falta de higiene e outros. O tratamento consiste em antibioticoterapia sistêmica e tratamento de suporte DOENÇAS FÚNGICAS A maioria dos relatos diz respeito às micoses superficiais porém micoses profundas também são encontradas. Grande parte dos fungos isolados a partir de casos clínicos é saprófita, ou seja, é comumenteencontrada no solo ou em plantas Há relatos de ocorrência de diversos agentes, entre eles Aspergillus, Cladosporium, Fusarium, Trycoderma, Trichophyton, Trichosporon, Geotrichium, Rhisopus, Penicillium DOENÇAS FÚNGICAS A pele e o sistemarespiratório constituem os principais alvos, por terem mais contato com os agentes causadores. O tratamento das micoses é difícil e deve ser associado à antibioticoterapia. O uso concomitante de antifúngicos de usos tópico e sistêmico é recomendado DOENÇAS FÚNGICAS DOENÇAS VIRAIS Herpesvírus Adenovírus Paraixovírus Retrovírus DOENÇAS VIRAIS Fotomicrografia de pulmão de urutucruzeiro acometida por Paramixovírus. Nota- se a formação de células gigantes associadas a hiperplasia e hipertrofia epitelial. DOENÇAS PARASITÁRIAS Ectoparasitos O ácaro de maior importância na criação de serpentes em cativeiro é o Ophionyssus natricis vulgarmente chamado de “piolhodecobra”. É um ácaro pequeno, hematófago, e as infestações graves podem causar disecdise, anemia e debilidade. É vetor da bactéria Gramnegativa Aeromonas hydrophila, que causa pneumonia e septicemia hemorrágica. Carrapatos também são comuns em serpentes, e a espécie partenogenética Amblyomma rotundatum é a mais estudada. DOENÇAS PARASITÁRIAS Ectoparasitos A infestação pode causar danos à pele e anemia, além da transmissão de hemoparasitos e vírus O tratamento preventivo: banhos de imersão em triclorfon 0,2% ou a aspersão da pele do animal com fipronil Como o veículo utilizado nas preparações comerciais com fipronil é alcoólico, é importante deixar a serpente em local bem arejado por alguns minutos após a aplicação para que não ocorra intoxicação. DOENÇAS PARASITÁRIAS Infestação por Ophionyssus natricis (piolho de cobra) em jiboia DOENÇAS PARASITÁRIAS Granuloma parasitário gástrico causado por ascarídeos. Trematódeos na cavidade oral de caiçaca Endoparasitas DOENÇAS PARASITÁRIAS Protozoários Os protozoário de maior interesse veterinário na criação de serpentes é Entamoeba invadens Os sinais clínicos incluem regurgitação de alimento não digerido, anorexia, apatia, perda de peso e diarreia grave, acompanhada de estrias de sangue ou muco esverdeado. O tratamento pode ser feito com metronidazol e dimetridazol, mas a taxa de mortalidade é alta. Serpentes não devem ser mantidas no mesmo recinto de quelônios aquáticos e crocodilianos (reservatórios naturais) DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS Disecdise ou retenção de muda Frequentemente está associada à desidratação e baixa umidade ambiental. São fatores predisponentes ausência de substrato abrasivo para auxiliar na remoção da pele, infecções e parasitos cutâneos. Feridas e traumatismos também podem causar disecdise. O tratamento consiste na hidratação do paciente e correção da umidade ambiental DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS Disecdise ou retenção de muda Se necessário, o paciente pode ser submetido a banhos de imersão em água morna com glicerina para auxiliar na remoção da pele. A ecdise retida nos olhos pode levar ao desenvolvimento de abscesso ocular e consequente perda da visão; a pele retida na cauda pode levar à necrose e perda da ponta da cauda. A administração de vitamina C serve como auxiliar para a melhora da elasticidade da pele DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS Traumatismos Traumatismos que podem ocorrer em serpentes são abrasões rostrais, mordidas e roeduras por camundongos e ratos e pancadas e lacerações por ocasião da captura. Devese fazer a limpeza da ferida, aplicação de pomadas antibióticas e antibioticoterapia sistêmica, quando necessário. Luxações e fraturas são comuns e ocorrem por contenção física inadequada ou por pancadas na hora da captura. DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS Traumatismos Fraturas das costelas consolidam sem dificuldade se não ocorrer hérnia de vísceras. Em casos de fratura da coluna vertebral, o prognóstico depende da gravidade da lesão Fraturas com rompimento completo da medula são incompatíveis com a vida, devendo- se realizar a eutanásia. Nas luxações ou fraturas simples, devese imobilizar a área afetada com auxílio de um tubo plástico ou de outro material adequado DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS Lesão cutânea em cascavel (Caudisona durissa) causada por roedor de biotério. DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS Deficiência proteica A deficiência proteica é a doença nutricional mais comum em serpentes mantidas em cativeiro. Estação reprodutiva; estresse de captura; alimentação incorreta; temperatura do recinto muito baixa, não possibilitando a atividade normal das enzimas gástricas, pancreáticas, hepáticas e intestinais; e período que antecede à ecdise. DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS Deficiência proteica Alimentação forçada: A quantidade de alimento forçada a ser administrada é de 10% do peso do paciente. Serpentes caquéticas devem ser alimentadas com ração comercial para tartarugas, ração úmida para cães ou papa de vísceras (fígado, coração, ovo e vitaminas) administrados por sonda esofágica Também podemos utilizar estimulantes para abrir o apetite, como metronidazol, complexos vitamínicos e aminoácidos DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS Gota úrica Na gota úrica ocorre o depósito de ácido úrico em superfícies em que normalmente não deveria ocorrer. Nas serpentes, o tipo mais frequente é a gota visceral, ou seja, o ácido úrico acumula-se sobre coração, pericárdio, rins, fígado, baço, musculatura, vasos e mucosa oral As causas mais comuns para esta alteração no metabolismo proteico são distúrbios que alteram a função dos rins, como hipotermia, desidratação e uso inadequado de fármacos nefrotóxicos, como antibióticos aminoglicosídios (gentamicina e amicacina, por exemplo). DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS Gota úrica Gota úrica em rim de serpente- uratos depositados no parênquima renal. DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS Gota úrica A gota úrica é de difícil diagnóstico in vivo. Alguns sinais apresentados são pontos brancos difusos na mucosa oral, que devem ser diferenciados de estomatite bacteriana. Hematologia e bioquímica sanguínea, verificando-se aumento no valor de ácido úrico no sangue. Deve- se suspeitar de gota úrica quando os valores estão acima de 25 mg/dℓ. Elevam-se também os valores de AST devido a destruição dos tecidos em que há depósito de ácido úrico. Mesmo que se suspeite de gota úrica e o tratamento adequado seja realizado, haverá melhora na qualidade de vida do paciente, mas não a cura DOENÇAS E CONDIÇÕES NÃO INFECCIOSAS Gota úrica O tratamento consiste na hidratação, aplicando-se diariamente 15 a 25 mℓ/kg de soro lactato de Ringer com 50% de soro fisiológico- aumenta a diurese e a eliminação do excesso de ácido úrico. Utiliza-se alopurinol para impedir a formação de mais ácido úrico. Como profilaxia, deve-se evitar a superalimentação e hidratar bem o paciente. DÚVIDAS ?? SAÚDE E MANEJO DE ANIMAIS SILVESTRES DOCENTE: MSC ISABELLA DE CARVALHO ALMEIDA