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05 - Efeitos do casamento, união estável 1 EFICÁCIA JURÍDICA DO CASAMENTO (PLANO DA EFICÁCIA, TERCEIRO DEGRAU DA ESCADA PONTEANA) - Efeitos no ambiente social, relações pessoais e econômicas entre os cônjuges e esses e seus filhos. Efeitos sociais - Legaliza as relações sexuais do casal, proibindo prática com outrem e estabelecendo o débito conjugal. - Principal efeito é constituir família. - Planejamento familiar – art.1565, § 2º Lei n. 9.263/1996 – possibilidade de esterilização voluntária. 2 Efeitos pessoais - Comunhão plena de vida, com base na igualdade de direitos e deveres (art. 1.511). - União exclusiva, fidelidade recíproca (art. 1566) e 1.565. - Consortes e companheiros. - Acréscimo de sobrenome do outro – art. 1565, § 1º - não pode é excluir os próprios. - Princípio da estabilidade do nome. - Igualdade de direitos e deveres – direção conjunta, pelo art. 1.567. - só cabe a um dos cônjuges quando o outro estiver em lugar remoto, não sabido, sem consciência, preso ou interditado (art. 1570). 3 Efeitos patrimoniais Regime de bens. Doações recíprocas. Obrigação de sustento de um ao outro e da prole. Usufruto dos bens dos filhos durante o poder familiar. Direito sucessório. 4 Regime de bens - Começa a vigorar desde a data do casamento (1639) pode ser alterado mediante autorização judicial, a pedido de ambos. - em princípio, é irrevogável. Antes do casamento, por pacto antenupcial. - quando casal separado se reconcilia, o regime volta a ser o mesmo. - se se divorcia, pode se casar de novo, adotando regime diverso. 5 Proteção do patrimônio comum e dos cônjuges - Instituição do bem de família (1711-22). - Atos que não podem ser praticados por um cônjuge sem a anuência do outro. - Passa a tratar cônjuge sobrevivente como herdeiro necessário (1845). 6 Direito sucessório dos cônjuges. - só cabe se ao tempo da morte não estavam separados judicialmente ao menos há dois anos (1830). - há herança se havia separação convencional. - se o regime de bens era da comunhão parcial e o morto tinha bens particulares – cônjuge é herdeiro e meeiro. - se o regime era o da participação final dos aquestos (1685). 7 Direito real de habitação - 1831 – direito real de habitação, desde que o imóvel seja o único a inventariar, qualquer que seja o regime de bens. - se constituir nova família, perde o direito. 8 União Estável (artigo 1723 e seguintes, CC): Historicamente, muitas pessoas constituíam família sem que se casassem, o que era condenado socialmente. Tais pessoas viviam relações de concubinato, o qual se divide em puro (quando não há impedimento para o casamento) e impuro (quando há impedimento para o casamento). 9 Apenas na década de 1960 foi que o STF entendeu que essas relações quando terminavam davam direito à partilha de bens desde que provado o esforço comum (Súmula 380). Infelizmente, como naquele tempo poucas mulheres estavam no mercado de trabalho, muitas delas não conseguiam provar sua colaboração e nessas condições terminavam por receber verba como se fossem empregadas domésticas. 10 Em 1988, porém, a Constituição Federal reconheceu a união estável, o que foi regulamentado anos depois para registrar que ela tem lugar quando a convivência é pública, contínua, duradoura e com o objetivo de constituir família e entre homem e mulher, o que, como já visto, foi alterado pelo STF em 2011, dado que pessoas do mesmo sexo também podem viver em União Estável. 11 Anos após a novidade houve a sanção das Leis nº 8.971/1994 e nº 9.278/1996 as quais por sua péssima redação não regulamentaram o dispositivo da CF. Somente em 2002 com o advento do Código Civil, é que a questão foi resolvida. 12 Características da União Estável: → União estável é a relação de convivência entre dois cidadãos que é duradoura (duradoura não significa apenas o lapso temporal, mas as circunstâncias e demais fatores) e estabelecida com o objetivo de constituição familiar. → O vigente Código Civil não menciona o prazo mínimo de duração da convivência para que se atribua a condição de união estável. 13 → Não é necessário que morem juntos, isto é, podem até ter domicílios diversos, mas será considerada união estável, desde que existam elementos que o provem, como por exemplo, a existência de filhos, o que precisa restar configurado é a convivência "more uxorio", isto é, que se parece com casamento. → Na união estável prevalece o regime da comunhão parcial de bens, mas pode haver um contrato entre as partes sobre os bens dos companheiros com praticamente a mesma flexibilidade admitida no pacto antenupcial. 14 Deveres da União Estável: Além do respeito, guarda, sustento e educação dos filhos, chama a atenção que o legislador tenha usado a palavra lealdade no lugar de fidelidade. Para a maior parte da doutrina o conceito de lealdade abrange o de fidelidade, esse é o entendimento de Rolf Madaleno e Álvaro Villaça, e, em sentido contrário e minoritário, há autores (Luciano Figueiredo e Maria Berenice Dias) que defendem que é possível ser leal sem ser fiel. 15 Impedimentos para a União Estável: Os impedimentos para a União Estável são os mesmos do que os para o casamento (artigo 1521, CC). No entanto, é importante mencionar que para ela NÃO HÁ causas suspensivas (artigo 1523, CC) ou anulabilidades (artigo 1550, CC). 16 Regime de Bens: Regra geral, é o da comunhão parcial de bens, mas é possível que os conviventes elaborem escritura pública de convivência, nela podem adotar outro regime de bens e alterarem o nome, mas, vale ressaltar que não é possível estabelecer multas na hipótese de infidelidade ou de rompimento. 17 Vênia Conjugal: Como sabido, no casamento, a menos que o regime seja de separação de bens, um cônjuge só pode alienar ou gravar de ônus real bens imóveis se o outro cônjuge autorizar. Na união estável, porém, essa autorização só é necessária se o companheiro ostensivamente fez saber ao outro sua condição. Caso nada diga, a outorga não precisa acontecer, o que ainda é tema a ser consolidado. 18 Declaração da União Estável → Declaração Pública de União Estável: É feita somente no Tabelionato de Notas mediante o pagamento de determinado valor. → Declaração Particular de União Estável: Esse modelo de declaração você mesmo pode fazer, se o seu objetivo for alugar um imóvel, incluir o parceiro em um plano de saúde ou para quaisquer outros fins que a declaração de união estável for exigida, verifique antes se a empresa aceita a Declaração Particular de União Estável. Caso positivo, você mesmo poderá fazer esse documento poupando tempo e dinheiro. 19 União Estável Putativa: Tal como o casamento, a união estável putativa ocorre quando há impedimentos para união estável e um ou os dois ignoravam isso. No entanto, o STJ, ao apreciar o REsp 789.293 não reconheceu a união estável putativa. 20 Namoro Qualificado: A distinção deste tipo de relacionamento com a união estável é que os namorados pretendem a constituição de família apenas no futuro. Já na união estável essa família já está constituída e o REsp 1.454.643 afastou o pedido de reconhecimento de união estável dizendo haver apenas namoro qualificado 21 Dissolução da União Estável: A união estável poderá ser desfeita por duas maneiras: judicialmente ou extrajudicialmente. No primeiro caso, a dissolução será declarada pelo Poder Judiciário por meio de ação judicial, e no segundo, a separação poderá ser feita no Cartório de Notas, sem a necessidade de ingresso com ação judicial, mas com a presença obrigatória de um advogado. 22 Obs: a dissolução da união estável somente poderá ser feita no Cartório caso o pedido seja consensual e que os conviventes não possuam filhos menores ou incapazes, e que os conviventes concordem com os termos da separação (partilha de bens e eventual pensão alimentícia, se for o caso). Obs: Não há falar em alteração de estado civil quando falamos em união estável, pois até o momento, quem vive em união estável continua sendosolteiro, viúvo ou mesmo divorciado, no que diz respeito ao estado civil. 23 PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil: Direito de Família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense, 2020. TARTUCE, Flávio. Direito Civil: Direito de Família. Vol. 5. Rio de Janeiro: Forense, 2021. VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Família e Sucessões. Vol. 5. São Paulo: Forense, 2021. . 24 Referências image1.jpeg image2.png