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Sistemas Administrativos
DIREITO ADMINISTRATIVO
SISTEMAS ADMINISTRATIVOS
O que faz o Estado para corrigir os seus atos? O Estado, pessoa jurídica, tem os seus 
agentes que representam a vontade do Estado e praticam vários atos.
Dentre os atos praticados, alguns deles podem ser ilegais e esses atos ilegais não podem 
permanecer no mundo jurídico.
Qual é o procedimento para corrigir aquele ato ilegal? Um servidor demitido injustamente, 
uma multa de trânsito imputada a um veículo que nem saiu da garagem? Como se processa 
a correção desses atos ilegais?
4.3 SISTEMAS ADMINISTRATIVOS
a) Sistema do contencioso administrativo / Sistema francês
Também denominado de “sistema dual”, é como se houvesse duas jurisdições: uma jus-
tiça administrativa separada da justiça comum.
Na justiça administrativa, e é assim na França, há um tribunal de conflitos administrativos, 
um tribunal do contencioso administrativo. Havendo o envolvimento do Estado, órgãos e enti-
dades públicas, com particulares, quem julgará será o tribunal administrativo. Se a relação for 
apenas entre particulares, quem julgará será a justiça comum.
O que for julgado na justiça administrativa não pode ser depois levado para a justiça comum.
Na França, a justiça administrativa, o tribunal administrativo, julga as questões com solu-
ção definitiva e faz coisa julgada administrativa, o que não acontece no Brasil.
O caso de Agnes Blanco, em 1873, a menina que foi atropelada por uma vagonete da 
Companhia de Fumo Francesa, empresa estatal, não foi julgado pela justiça comum, mas 
sim pelo tribunal administrativo, foi uma mudança de precedente: foi julgado pelo tribunal 
administrativo e sem obedecer às regras do Direito Privado, foi julgado com base nas regras 
do Direito Público. Daí a importância do julgamento da menina Agnes Blanco.
Apesar do Direito Administrativo brasileiro buscar muitas fontes no Direito francês, inclu-
sive em autores franceses, nesta parte não foi o sistema adotado no Brasil: no país foi ado-
tado o sistema judiciário ou sistema inglês.
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b) Sistema judiciário / Sistema inglês / Sistema de controle judicial / Jurisdição 
única
Também denominado de “jurisdição única” e com base no art. 5º, inciso XXXV da Cons-
tituição Federal (CF): “não se excluirá de apreciação do Judiciário lesão a direito ou ameaça 
de lesão a direito”, qualquer causa pode ser levada ao Judiciário. 
Por este sistema, adotado no Brasil, há uma justiça administrativa e uma justiça comum 
e, independentemente de passar por uma via administrativa ou de todos os recursos disponí-
veis serem ali esgotados, caberá ainda recurso ao Judiciário, à justiça comum.
É a jurisdição única, uma única jurisdição julgará os litígios de forma definitiva, é no Judi-
ciário que se faz a coisa julgada.
Este sistema, contudo, tem as suas exceções:
1. Justiça Desportiva
A Justiça Desportiva não é uma justiça judicial. Na CF não estão elencados, dentre os 
órgãos do Judiciário, a Justiça Desportiva: é uma justiça administrativa.
CF
Art. 217 (...)
§ 1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após 
esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei.
§ 2º A justiça desportiva terá o prazo máximo de sessenta dias, contados da instauração do pro-
cesso, para proferir decisão final.
2. Súmula n. 2 do Superior Tribunal de Justiça (STJ): Não cabe habeas data (CF, art. 5º, 
LXXII, “a”) se não houve recusa de informações por parte da autoridade administrativa.
O habeas data tanto serve para conhecer como para corrigir informações acerca de uma 
pessoa, como também é possível entrar com habeas data no Judiciário e o juiz determinará 
se aquele órgão público ou de caráter público dará acesso à informação que pertence a uma 
pessoa ou que corrija as informações que constam no órgão e que estão erradas.
Trata-se de um remédio constitucional, mas para entrar com habeas data na via judicial, pri-
meiramente, segundo o STJ (a jurisprudência influenciando o Direito Administrativo), deve exis-
tir uma negativa por parte da via administrativa para não configurar alta de interesse do direito 
de agir: como bater à porta do Judiciário, sendo que nem a via administrativa foi acionada? 
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3. Reclamação para assegurar aplicação de Súmula Vinculante: a Lei n. 11.417/2006, 
que regulamenta o art. 103-A da CF, estabeleceu que contra omissão ou ato da Administração 
Pública o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas.
4. MS quando houver recurso administrativo com efeito suspensivo: a Lei n. 
12.016/2009 previu que não cabe o MS “cabe recurso administrativo com efeito suspensivo, 
independentemente de caução” (art. 5º, I).
O Mandado de Segurança (MS) visa assegurar o direito líquido e certo que está sendo 
violado. Se administrativamente alguém entrou com o recurso e foi dado o efeito suspensivo, 
é porque ainda não houve a violação do direito porque o efeito do ato está sustado.
Enquanto o recurso tiver efeito suspensivo, não é possível recorrer com MS para ques-
tionar aquele ato.
Se, por exemplo, alguém está num concurso público e foi excluído por conta de uma tatu-
agem, o que, via de regra, não pode ocorrer: a pessoa poderia entrar com um MS contra o 
órgão, mas entra com um recurso administrativo – o órgão, enquanto julga, concede o efeito 
suspensivo à decisão, ou seja, a pessoa continua nas demais etapas do concurso. Enquanto 
vigora esse efeito suspensivo, não cabe recurso com MS. Se, julgado o recurso, a pessoa 
perder, poderá entrar com MS na via judicial, mas enquanto o recurso administrativo estiver 
sob efeito suspensivo na decisão que violou um direito, ainda não é possível recorrer via MS.
5. O STF entendeu que a exigibilidade de prévio requerimento administrativo como con-
dição para o regular exercício do direito de ação, para que se postule judicialmente a conces-
são de benefício previdenciário, não ofende o art. 5º, XXXV, da CF. 
Vários segurados, ao invés de irem para o INSS pedir o benefício, abarrotavam o Judiciário.
Obs.: porém, ressalvou o Tribunal que nas hipóteses de pretensão de revisão, restabele-
cimento ou manutenção de benefício anteriormente concedido, o pedido poderia 
ser formulado diretamente em juízo, porque nesses casos a conduta do Instituto 
Nacional do Seguro Social – INSS já configuraria o não acolhimento da pretensão. 
Informativo n. 757, STF, 2014.
4.4 Constitucionalização do Direito Administrativo (reflexões e consequências)
Segundo Luís Roberto Barroso (2006) a ideia de constitucionalização do Direito “está 
associada a um efeito expansivo das normas constitucionais, cujo conteúdo material e axioló-
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gico se irradia, com força normativa, por todo o sistema jurídico. Os valores, os fins públicos 
e os comportamentos contemplados nos princípios e regras da Constituição passam a condi-
cionar a validade e o sentido de todas as normas do direito infraconstitucional.” 
Em termos mais claros o autor resume: “A Constituição figura hoje no centro do sistema 
jurídico, de onde irradia sua força normativa, dotada de supremacia formal e material. Fun-
ciona, assim, não apenas como parâmetro de validade para a ordem infraconstitucional, mas 
também, como vetor de interpretação de todas as normas do sistema.”
A CF é a norma fundamental e qualquer regra, qualquerinterpretação de norma, deve 
estar sempre em sintonia com a CF, porque é a constitucionalização do Direito, que serve 
para o Direito Civil, para o Direito Administrativo e para o Direito Penal. A CF é a norma 
máxima que protege a dignidade da pessoa humana: qualquer norma infraconstitucional só 
terá validade se estiver em sintonia com a CF. É constitucionalizar o Direito como um todo e 
nele está incluído o Direito Administrativo.
Palavras-chave: proteção dos direitos fundamentais e dignidade da pessoa humana.
CONSEQUÊNCIAS
I – Limita-lhe a discricionariedade;
Limita a discricionariedade do administrador porque o ato que ele pratica, um ato discricio-
nário, só terá validade se estiver em sintonia com a CF. Há atos vinculados nos quais a lei deter-
mina ao administrador o que ele deve fazer e o ato discricionário que lhe dá liberdade de atuar.
II – Impõe deveres de atuação;
O administrador deve implementar as regras que estão na CF. Se a CF determina que se 
deve atuar com legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência, essas não 
podem ser palavras mortas, o administrador deve colocar isso em prática e impor deveres de 
atuação em conformidade com a CF.
III – Fornece fundamentos de validade para a prática de atos de aplicação direta e ime-
diata da Constituição, independentemente da interposição do legislador ordinário. Vinculação 
do administrador à Constituição e não apenas à lei. Princípio da legalidade transmuda-se em 
princípio da constitucionalidade, também chamado de juridicidade. É dizer: subordina-
ção do administrador à lei e à Constituição.
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A lei é a fonte principal do Direito Administrativo. Pela expressão “constitucionalização do 
Direito Administrativo”, o gestor, o administrador, mesmo sem uma lei, poderia praticar um ato 
administrativo, buscando validá-lo diretamente na CF.
O CNJ, quando foi criado em 2004, num dos seus primeiros atos fez uma Resolução (ato 
interno, de caráter administrativo no Judiciário), vedando o nepotismo no Judiciário. A Asso-
ciação dos Magistrados do Brasil entrou com uma ação no STF com a alegação de que o 
CNJ estava editando uma Resolução proibindo a nomeação de parentes e que deveria ser 
por meio de uma lei feita pelo Congresso.
O STF decidiu que aquilo que o CNJ fez não foi criar a proibição, a proibição já existia na 
CF, desde 1988, segundo a qual a atuação deve ser pautada na legalidade, impessoalidade, 
moralidade, publicidade e eficiência. O que a Resolução fez foi apenas efetivar princípios 
que já estão na CF. Essa Resolução buscou validade direta na CF e não em uma lei. 
No concurso de delegado de Polícia Civil do Estado de Alagoas (Cespe/2012), um dos 
temas da prova discursiva solicitava dissertação sobre “Constitucionalização do Direito: con-
sequências para a segurança pública” e a banca exigia que fosse apresentado inicialmente 
o significado do termo “constitucionalização do direito”.
DIRETO DO CONCURSO
1. (2018/CESPE/CEBRASPE/PREFEITURA DE MANAUS-AM/PROCURADOR DO MU-
NICÍPIO) Um dos aspectos da constitucionalização do direito administrativo se refere à 
releitura dos seus institutos a partir dos princípios constitucionais.
COMENTÁRIO
Um dos princípios fundamentais do Direito Administrativo é a supremacia do interesse 
público sobre o interesse do particular. Em razão da expressão “constitucionalização do 
Direito Administrativo”, há autores considerando que a supremacia do interesse público 
não existe mais, é um princípio que não tem mais aplicação porque o que prevalece é a 
dignidade da pessoa humana conforme disposto na CF.
Perante isso, considerar sempre que o interesse da coletividade prevalece sobre o particu-
lar,não tem mais aplicação, e a análise deveria ser feita, caso a caso, quando será aplicado 
um e quando será aplicado outro.
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É uma teoria bem evoluída, mas ainda prevalece que a supremacia do interesse público e 
a indisponibilidade do interesse público são princípios fundamentais.
2. (2019/CESPE/CEBRASPE/PGE-PE/ANALISTA JUDICIÁRIO DE PROCURADORIA) 
Um dos aspectos da constitucionalização do direito administrativo se refere à elevação, 
ao nível constitucional, de matérias antes tratadas por legislação infraconstitucional.
Visão Maria Sylvia Di Pietro
(a) elevação, ao nível constitucional, de matérias antes tratadas por legislação infracons-
titucional; e
(b) irradiação dos efeitos das normas constitucionais por todo o sistema jurídico.
São exemplos do primeiro caso o tratamento na Constituição de vários aspectos sobre 
os agentes públicos (regras sobre contratação, regime jurídico, aposentadoria, remuneração 
etc.), normas sobre organização administrativa (exemplo: criação de organizações adminis-
trativas), entre outras situações.
O segundo sentido de constitucionalização do Direito Administrativo produziu reflexos 
intensos sobre o princípio da legalidade (que resultou consideravelmente ampliado, a juri-
dicidade) e a discricionariedade (que resultou consideravelmente reduzida). A legalidade foi 
ampliada porque o seu alcance vai bem além da lei em sentido estrito, alcançando todo o orde-
namento jurídico. A discricionariedade reduziu porque o Judiciário poderá exercer controles 
com base em outras normas ou em princípios, diminuindo assim a liberdade da Administração.
Este fenômeno, que é a constitucionalização do Direito Administrativo, amplia a base da 
legalidade e reduz a discricionariedade do administrador, porque o ato que ele vai praticar e 
que é discricionário, que ele tem liberdade para praticar, só é válido se não violar nenhuma 
regra que está na CF.
GABARITO
1. C
2. C
��Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula 
preparada e ministrada pelo professor Gustavo Scatolino. 
A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo 
ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclu-
siva deste material.

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