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PRINCÍPIOS 
GERAIS DA 
ADMINSTRAÇÃO 
ESCOLAR
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Definir o que é sistema aberto.
 > Reconhecer a escola como um sistema social. 
 > Identificar os pressupostos da escola como sistema social. 
Introdução
O conceito de sistema tem uma grande importância na teoria da administração, 
sobretudo para a diferenciação das organizações que se constituem como sistemas 
abertos e como sistemas fechados. A escola, por seu caráter predominantemente 
social, é um sistema aberto. 
Neste capítulo, vamos conceituar o sistema aberto e elencar suas principais 
características. Além disso, vamos refletir sobre a escola como um sistema social, 
identificando os pressupostos que a caracterizam como tal. 
Os sistemas abertos
Os estudos sobre a escola, ao longo da história da sua existência, tornaram-se 
importantes para que pudéssemos compreender como as ideias e concepções 
de cada época interferiram na forma como essa escola era pensada. As áreas 
científicas predominantes em cada época serviram como lentes que permiti-
ram novos olhares e trouxeram contribuições para pensarmos a escola. Com 
isso em mente, neste capítulo vamos olhar para a escola sob a perspectiva 
A escola como 
sistema social
Maria Elena Roman de Oliveira Toledo
da teoria dos sistemas, uma concepção que, mesmo aparentemente distante, 
ainda está presente em muitas relações da escola, o que justifica conhecê-la 
e pensar sobre ela.
A teoria dos sistemas surgiu na década de 1930, com os trabalhos do 
biólogo alemão Ludwig Von Bertalanffy, que demonstrou que os organismos 
vivos são formados por entes interdependentes e relacionados, do ponto de 
vista funcional, com todo o sistema biológico (CHIAVENATO, 2005).
Bertalanffy publicou, em 1969, a obra Teoria geral dos sistemas, na qual 
apresentou o conceito de “sistema aberto”, para o qual sugeriu uma abor-
dagem multidisciplinar, que extrapolasse os estudos do campo biológico. 
Sua intenção era aproximar a visão científica da época às ciências humanas. 
Esse conceito passou a ser utilizado em diversos campos do conhecimento, 
dentre os quais as ciências sociais e a teoria das organizações (ARF, 2007).
Foi nessa época que a escola passou a ser concebida como um sistema 
social, possibilitando uma análise mais crítica do seu papel na sociedade e das 
maneiras pelas quais os interesses sociais influenciam as ações educativas 
desenvolvidas em contextos escolares. 
De acordo com Chiavenato (2005), os sistemas apresentam características 
próprias, sendo que o aspecto mais importante do conceito de sistema é a 
ideia de um conjunto de elementos interligados para formar um todo; esse todo 
apresenta propriedades e características próprias que não são encontradas 
em nenhum dos elementos isolados.
É o que chamamos de emergente sistêmico: uma propriedade ou característica que 
existe no sistema como um todo e não existe em seus elementos em particular. 
As características da água são totalmente diferentes do hidrogênio e do oxigênio 
que a formam (CHIAVENATO, 2005, p. 475).
Na teoria dos sistemas, as organizações são consideradas como parte 
de uma sociedade maior e constituídas por partes menores. A caracteriza-
ção das organizações é definida pela espécie de situação na qual operam e 
que consiste nas relações estabelecidas entre elas e os outros subsistemas 
especializados que compõem o sistema maior, do qual é parte (ARF, 2007).
Na análise do comportamento organizacional, a distinção entre os sistemas 
abertos e os sistemas fechados é bastante relevante (DURKHEIM; LEWIN, 2015).
Segundo Dias (1998), o sistema fechado não se relaciona e não troca matéria 
com o meio ambiente, não sendo influenciado por ele, porque apresenta 
fronteiras impermeáveis a ele. A rigor, não existem sistemas fechados no 
sentido exato do termo. Essa denominação é dada aos sistemas que operam 
com uma pequena e conhecida troca de matéria e energia com o ambiente, 
A escola como sistema social2
bem como aos sistemas estruturados, nos quais os elementos e as relações 
combinam-se de maneira peculiar e rígida, produzindo uma saída invariável, 
como é o caso de máquinas e equipamentos (CHIAVENATO, 2005).
O sistema aberto se relaciona e troca matéria com o meio ambiente, 
influenciando-o e sendo influenciado por ele (ARF, 2007). De acordo com 
Durkheim e Lewin (2015), a perspectiva dos sistemas abertos surgiu como 
uma reação ao pressuposto não realista de que o comportamento organi-
zacional poderia ser isolado das forças externas e da constatação de que 
a concorrência, os recursos e as pressões políticas do ambiente afetam o 
funcionamento interno das organizações.
Para Alonso (1976), a principal característica dos sistemas abertos é a 
íntima relação que se estabelece entre o conjunto organizado de elementos 
que definem a organização e os fatores do meio externo no qual está inse-
rida. A manutenção da organização é garantida pelos contínuos inputs que 
recebe do meio, constituindo-se como a sua fonte de energia. Sendo assim, 
a organização conta com um conjunto de forças internas (motivação, esforço 
humano) e um conjunto de forças externas produtoras de energia para a 
manutenção do sistema. 
O modelo dos sistemas abertos concebe as organizações como sendo não 
apenas influenciadas pelos ambientes, mas também dependentes deles. As 
organizações recebem entradas (inputs) do ambiente e as transformam em 
saídas (outputs) (DURKHEIM; LEWIN, 2015).
O input é a força ou impulso de arranque ou de partida do sistema 
que fornece material ou energia ou informação para a operação do 
sistema. É também chamado de entrada, insumo ou importação.
O output é a consequência para a qual se reuniram elementos e relações 
do sistema. Os resultados de um sistema são as saídas (também chamadas 
de produtos ou resultados), que são congruentes com o objetivo do sistema 
(CHIAVENATO, 2005).
As escolas são bons exemplos das entradas e saídas de um sistema (Figura 
1). Elas extraem do ambiente recursos como a mão de obra, os alunos e os 
recursos financeiros e submetem essas entradas a um processo de transfor-
mação educacional para produzir alunos e graduados letrados e instruídos 
(DURKHEIM; LEWIN, 2015).
A escola como sistema social 3
Figura 1. Sistema aberto com ciclo de entrada e saída.
Fonte: Durkheim e Lewin (2015, p. 18).
As organizações não são arranjos estáticos de relações e cargos, uma vez 
que, para que possam sobreviver, elas devem se adaptar — e a adaptação 
pressupõe mudanças. Nesse sentido, a interdependência da organização com 
o ambiente, construída a partir do estabelecimento de laços recíprocos, é 
fundamental (DURKHEIM; LEWIN, 2015).
O modelo dos sistemas abertos concebe as organizações como sendo 
complexas e dinâmicas. Segundo Durkheim e Lewin (2015), isso se deve ao 
fato de que elas são dotadas de estruturas formais para que possam atingir 
seus objetivos, ao mesmo tempo em que são compostas por pessoas com 
seus próprios interesses, necessidades e crenças que, em geral, entram em 
conflito com as expectativas organizacionais.
Sendo assim, as organizações têm características planejadas e não pla-
nejadas, racionais e irracionais e estruturas formais e informais. Em algumas 
organizações, as relações racionais prevalecem; enquanto, em outras, o 
estabelecimento de relações sociais e naturais é predominante. Apesar do 
predomínio de um dos tipos de relação, em todas elas, os elementos racionais 
e sociais coexistem em um sistema que está aberto às influências do ambiente. 
Os sistemas abertos têm caráter social, justamente por sua troca constante 
de energia com o meio. Um exemplo de sistema aberto de caráter predomi-
nantemente social é a escola. As características das organizações sociais 
elencadas pelos teóricos que pesquisam o tema são coincidentes com as 
características encontradas nas escolas, como veremos a seguir. 
A escola como sistema social4
A escola como um sistema social
A noção de “sistema social” é ampla, podendo ser aplicada a diferentes tipos 
deorganizações. Chiavenato (2005) elencou diversas características que per-
mitem que algumas organizações sejam consideradas como sistemas sociais. 
As organizações sociais não têm limitações de amplitude. Elas estão 
vinculadas a um mundo concreto de pessoas, recursos materiais, fábricas e 
outros artefatos que não se encontram em interação natural entre si, como 
é possível observar na escola. Todos os envolvidos no processo escolar só 
têm esse envolvimento quando estão inseridos no contexto escolar. Cada um 
dos atores escolares estão ali buscando seus próprios objetivos, como os 
funcionários estão buscando por seu trabalho, e os alunos, por conhecimentos. 
Sendo assim, só há escola porque as pessoas e os materiais estão juntos e 
a constituem, independentemente da sua estrutura física. 
Os sistemas sociais necessitam de entradas de manutenção e de produção. 
São consideradas entradas de manutenção as importações de energia que 
sustentam o funcionamento do sistema, enquanto as entradas de produção 
são importações da energia que é processada para proporcionar um resul-
tado produtivo. Nas entradas de produção, estão incluídas as motivações 
que atraem as pessoas e as mantêm trabalhando dentro do sistema social. 
Na escola, os recursos humanos se constituem como entradas de manu-
tenção, sem os quais a escola deixa de funcionar. Os recursos financeiros 
advindos dos governos (municipal, estadual e federal), no caso das escolas 
públicas, se constituem como entradas de produção, trazendo para a escola 
condições para a manutenção da estrutura física, para a compra de materiais 
e insumos e para o pagamento de salários. 
A natureza dos sistemas sociais é planejada. Ela se baseia em atitudes, cren-
ças, percepções, motivações, hábitos e expectativas das pessoas. Ainda que 
haja uma rotatividade do pessoal, os padrões de relações são mantidos. Nos 
contextos escolares, o projeto político-pedagógico explicita o planejamento 
da unidade escolar. Mesmo que haja uma mudança no quadro de professores 
ou de funcionários, trazendo novos elementos para as práticas educativas, 
esse documento garante que a identidade escolar não seja perdida. 
Os sistemas sociais são mais variáveis do que os sistemas biológicos. Sendo 
assim, precisam utilizar forças de controle para a redução da variabilidade e 
da instabilidade das ações humanas, buscando maior padronização para que 
possam inspirar a confiabilidade por parte do sistema social. O planejamento 
das ações da escola em documentos e compartilhado com a comunidade 
escolar é um elemento fundamental para garantir essa confiabilidade.
A escola como sistema social 5
As funções, as normas e os valores são os principais componentes do 
sistema social. As diferentes funções desempenhadas em um sistema social 
e os diferentes padrões de comportamento são determinados pela natureza 
da tarefa realizada. As regras explicitam os comportamentos esperados e, 
para que sejam cumpridas, preveem sanções. 
Na escola, há regras que devem ser respeitadas por todos os envolvidos 
nos processos educativos e comportamentos esperados de acordo com os 
papéis desempenhados. Quanto mais conhecidas e compreendidas as regras 
e quanto mais explícitos os comportamentos esperados, maiores serão as 
chances de que as pessoas não ajam de maneira destoante do que é consi-
derado o padrão de comportamento em uma instituição escolar. 
As organizações sociais utilizam apenas os conhecimentos e as habilidades 
das pessoas, que são de seu interesse, ignorando os demais. Sendo assim, as 
pessoas são incluídas apenas parcialmente nas organizações. Nas escolas, a 
parte demandada de cada indivíduo é o conhecimento técnico exigido para 
o exercício de cada função. 
A compreensão de um sistema social só se efetiva se ele for estudado 
em suas relações com o meio ambiente no qual está inserido. Sendo as-
sim, para que a análise de uma escola possa trazer considerações efetivas 
sobre as suas formas de funcionamento e sobre o comportamento de seus 
membros, é fundamental que o contexto no qual ela está inserida seja bem 
conhecido. Além disso, para que a escola possa oferecer ações educativas 
que contemplem as especificidades de seus alunos, ela precisa conhecer a 
eles e a comunidade na qual eles vivem. 
Durkheim e Lewin (2015) corroboram as ideias apresentadas por Chiavenato 
(2005) sobre os sistemas sociais ao afirmarem que eles são caracterizados por 
serem sistemas abertos; constituídos por partes, características e atividades 
interdependentes que contribuem com o todo e recebem contribuições dele; 
pressupõem o envolvimento de pessoas; são direcionados a objetivos; são 
estruturais, normativos e têm mecanismos de sanção; são políticos; têm 
culturas distintas; são conceituais e relativos (DURKHEIM; LEWIN, 2015).
O sistema escolar é um sistema aberto que tem por objetivo cuidar de um 
aspecto especial da educação, que é a escolarização. A educação oportuni-
zada pela escola tem um caráter intencional e sistemático, que enfatiza o 
desenvolvimento intelectual dos educandos sem descuidar de outros aspectos 
(físicos, emocionais, morais e sociais) (DIAS, 1998).
A escola, enquanto sistema social, tem como características: a interdepen-
dência das partes, uma população bem definida, um ambiente diferenciado, 
uma complexa rede de relações sociais e sua cultura própria e exclusiva. 
A escola como sistema social6
Como as demais organizações formais, a escola possui aspectos planejados 
e não planejados, formais e informais da vida organizacional (DURKHEIM; 
LEWIN, 2015).
As características da escola vão ao encontro do que é característico dos 
sistemas sociais, fazendo com que ela possa ser considerada como tal. 
Enquanto sistema aberto, as escolas estão submetidas a várias forças 
ambientais, como as normas municipais e estatais, os interesses políticos 
e o contexto histórico. Na escola, uma solicitação realizada à direção por 
uma família não afeta somente a equipe gestora da escola, mas todos os 
envolvidos no processo educacional. 
A escola é essencialmente formada por pessoas: professores, funcionários 
e alunos, que agem motivados por suas necessidades, crenças e objetivos. A 
equipe escolar desempenha suas funções tendo como objetivo a promoção 
da aprendizagem de todos os alunos. Para que a aprendizagem efetivamente 
ocorra, as pessoas que trabalham na escola são submetidas à divisão do 
trabalho, à especialização e à hierarquia. 
As escolas possuem regras, formais e informais, que prescrevem os 
comportamentos adequados ao ambiente. Quando essas regras não são 
respeitadas, são adotados mecanismos formais de sanção, como a expulsão, 
a suspensão e o desligamento, além de mecanismos informais baseados no 
sarcasmo e na ridicularização, por exemplo. 
As influências da política, expressas sob a forma de legislações, deter-
minações e políticas públicas, influenciam as atividades administrativas e 
educativas desenvolvidas na escola. Ela, por sua vez, possui um conjunto 
dominante de valores compartilhados que influenciam o comportamento 
de todos os membros da comunidade escolar. 
A escola, dada a natureza das ações que realiza e suas formas de interação 
com o ambiente, caracteriza-se como um sistema social — o qual, como vimos, 
é aberto, o que significa que a escola interfere no que acontece fora dela e 
é interferida pelo que lá está. As características atribuídas às organizações 
sociais, como vimos pelos aportes teóricos referentes ao estudo das organi-
zações, embasam essa afirmação, tornando possível explicitar as múltiplas 
interações entre os elementos constitutivos da escola e o ambiente. 
A escola como sistema social 7
Os pressupostos da escola como sistema 
social
Todos os sistemas sociais desempenham atividades e funções que são reali-
zadas de maneira bastante constante e estável. Quando a realização de um 
objetivo demanda esforço coletivo, são criadas organizações especificamente 
projetadas para a coordenação das atividades e para incentivar o engajamentodos indivíduos. As organizações estabelecidas com o propósito explícito de 
atingir determinados objetivos são as organizações formais. O sistema social 
escolar é uma organização formal (Figura 2) (DURKHEIM; LEWIN, 2015).
Figura 2. Modelo de sistemas sociais para escolas. 
Fonte: Durkheim e Lewin (2015, p. 29).
O comportamento na escola, assim como nas demais organizações sociais 
formais, é influenciado por diferentes fatores: elementos estruturais, elemen-
tos individuais, elementos culturais, elementos políticos e o cerne técnico. 
Os elementos estruturais são estabelecidos de acordo com as expectativas 
burocráticas formais, pensadas e organizadas com o intuito de possibilitar 
o cumprimento dos objetivos da organização. 
A escola como sistema social8
As expectativas burocráticas são as exigências e as obrigações formais definidas 
pela organização; elas são os principais blocos de construção da estrutura orga-
nizacional. As funções burocráticas são definidas por conjuntos de expectativas, 
que são combinadas em cargos e gabinetes na organização (DURKHEIM; LEWIN, 
2015, p. 23-24).
Nas escolas, o diretor, os professores e os alunos desempenham diferentes 
papéis aos quais estão associadas diferentes expectativas burocráticas. 
Espera-se, por exemplo, que o professor planeje suas ações educativas e que 
estabeleça uma boa relação com os alunos, possibilitando a sua aprendizagem. 
As expectativas burocráticas são os parâmetros que orientam as ações e os 
fatos organizacionais de todos os sujeitos que atuam no sistema social formal. 
No contexto escolar, algumas expectativas formais são essenciais e obri-
gatórias, e outras, mais flexíveis. A formalização de algumas expectativas 
tem por objetivo a aproximação das condutas aos objetivos da organização. 
O horário de chegada, os procedimentos do estabelecimento e a descrição 
dos cargos são exemplos de expectativas burocráticas formais que, se não 
observadas, podem prejudicar o desempenho da organização escolar. 
Além das expectativas burocráticas, a perícia (ou expertise) deve guiar 
os comportamentos dos profissionais que atuam na escola. Por exemplo, é 
esperado que o professor não agrida seus alunos, tendo em vista a postura 
ética exigida para o ofício de sua profissão. 
Os elementos individuais dizem respeito às necessidades, aos objetivos, 
às crenças e às compreensões cognitivas dos postos de trabalho, nos quais os 
indivíduos fornecem sua energia e sua capacidade para alcançar os objetivos 
pretendidos pela organização (DURKHEIM; LEWIN, 2015).
Quando diferentes pessoas estão reunidas em um mesmo local de trabalho, 
é estabelecida uma relação dinâmica entre as expectativas burocráticas e as 
necessidades individuais do trabalho. Nas organizações, são desenvolvidas 
suas culturas próprias e distintas, como fruto do compartilhamento de valores, 
normas, crenças e modos de pensar. É a cultura organizacional que distingue 
uma organização da outra, imprimindo identidade própria à cada uma. 
Em uma escola, as crenças compartilhadas e as normas informais entre os pro-
fessores têm um impacto significativo no comportamento. A cultura fornece aos 
membros o compromisso com crenças e valores que vão além de suas individua-
lidades; os indivíduos pertencem a um grupo maior do que eles mesmos. Quando 
a cultura é forte, a identificação com o grupo e a influência do grupo também são 
fortes (DURKHEIM; LEWIN, 2015, p. 26).
A escola como sistema social 9
A cultura organizacional é uma força poderosa que, somada aos elemen-
tos estruturais e individuais, influencia o comportamento nas organizações 
formais.
A política caracteriza-se pelas relações de poder informais que são criadas 
como forma de resistência a outros sistemas de controle legítimo. Além de 
informal, a política pode ser clandestina e até ilegítima. Sua ilegitimidade se 
deve ao fato de se constituir como comportamentos criados, em geral, para 
beneficiar o indivíduo ou o grupo, em detrimento da organização. 
Todas as organizações têm um cerne técnico. No caso da escola, o cerne 
técnico é o processo de ensino e aprendizagem. Todas as outras atividades 
desenvolvidas no contexto escolar são secundárias à promoção de ações de 
ensino e aprendizagem, nas quais são pautadas as decisões administrativas 
nas escolas. 
A aprendizagem envolve um processo cognitivo complexo e se efetiva 
quando há uma mudança estável no conhecimento ou no comportamento do 
indivíduo. De acordo com Campos (2011), os estudos e as pesquisas científicas 
realizadas por diversos psicólogos, buscando conceituar a aprendizagem e 
elencar suas características, resultaram no aparecimento de diferentes con-
ceitos e definições de aprendizagem, de acordo com as distintas teorias de 
aprendizagem que foram sendo elaboradas, a partir dos fatos investigados. 
Diferentes concepções de aprendizagem determinam diferentes 
arranjos nas ações educativas e na tomada de decisões na escola. 
Todos os elementos abordados até aqui são fontes internas de influência 
aos comportamentos na organização escolar que não podem ser analisados 
sem que se leve em consideração o contexto no qual a escola está inserida. 
Como a escola é um sistema aberto, o ambiente tem um papel fundamental 
na construção da identidade da unidade escolar.
O ambiente pode ser conceituado como sendo tudo aquilo que está fora 
da organização escolar. Ele é a fonte de energia do sistema que fornece 
recursos, valores, tecnologias, exigências e histórias que, ao mesmo tempo 
em que oferecem oportunidades para as ações organizacionais, impõem 
restrições. Segundo Durkheim e Lewin (2015), tanto fatores amplos, como mais 
específicos do ambiente, influenciam a estrutura e as atividades da escola.
A escola como sistema social10
Tendências mais amplas nos âmbitos social, jurídico, econômico, político, de-
mográfico e tecnológico têm um impacto potencialmente poderoso nas escolas, 
mas os efeitos dessas forças ambientais gerais não são nem um pouco claros. 
Em contraste, os grupos e as partes interessadas, tais como pais, contribuintes, 
sindicatos, agências regulamentares, faculdades e universidades, legislaturas 
estaduais, agências de acreditação e associações educacionais, têm efeitos mais 
imediatos e diretos sobre as escolas. Mas novamente os resultados são incertos 
(DURKHEIM; LEWIN, 2015, p. 26).
A escola pode ser pensada como um conjunto de elementos influenciado 
pelos fatores ambientais, ao mesmo tempo em que influencia o ambiente. 
No contexto escolar, o comportamento organizacional é determinado pela 
relação dinâmica entre seus elementos (estrutura, indivíduo, cultura e política), 
a qual é limitada pelas forças ambientais. 
A escola, enquanto organização social, é constituída por um sistema 
estrutural (expectativas burocráticas), um sistema cultural (as orientações 
compartilhadas), um sistema político (as relações de poder) e um sistema 
individual (cognição e motivação). Seu papel é o de promover processos de 
transformação, a partir das entradas. São consideradas entradas no sistema 
as restrições ambientais, os recursos humanos e de capital, a missão política 
do conselho diretor, os materiais e os métodos e os equipamentos. Essas 
entradas, uma vez transformadas, saem do sistema sob a forma de realização, 
satisfação no trabalho, absenteísmo, taxa de abandono e qualidade global. 
As saídas revelam a discrepância entre o desempenho esperado e o real. 
Observamos até aqui que os pressupostos desse sistema aberto apare-
cem no comportamento de uma escola, bastando para isso a análise dos 
elementos que a compõem, os inputs e outputs, a interação entre eles e as 
características do ambiente no qual está inserida. 
Nesse capítulo, pudemos conhecer a teoria dos sistemas, criada inicial-
mente no campo da biologia, predominante nos anos 1930, que foi, posterior-
mente, adotada por outras áreas de conhecimento, incluindo-se a educação 
para a compreensão da escola daquele tempo. Nesse percurso, foi possível 
diferenciar os sistemasfechados dos sistemas abertos e compreender o 
porquê de a escola ser classificada como um sistema aberto, já que, como um 
sistema aberto, a escola é também um sistema social, dotada de elementos 
que lhe são próprios como troca de energia com o ambiente, recebendo suas 
influências e influenciando-o. A compreensão da escola como sistema social e 
de suas características permite que ela seja considerada como tal e nos ajuda 
a entender a escola como um organismo vivo e em constante transformação, 
pois da década de 1930 aos nossos dias, muitas foram as formas de vê-la. 
A escola como sistema social 11
Referências
ALONSO, M. O papel do diretor na administração escolar. São Paulo: Difel, 1976.
ARF, F. A. O papel do diretor na administração escolar: ontem e hoje. 2007. 110 f. Dis-
sertação (Mestrado em Educação) — Faculdade de Filosofia e Ciências, Universidade 
Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Marília, 2007.
CAMPOS, D. M. de S. Psicologia da aprendizagem. 38. ed. Rio de Janeiro: Vozes, 2011. 
CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. Rio de Janeiro: Campus, 2005.
DIAS, J. A. Sistema escolar brasileiro. In: MENEZES, J. G. C. Estrutura e funcionamento 
da educação básica: leituras. São Paulo: Pioneira, 1998. p. 127-136.
DURKHEIM, E.; LEWIN, K. A escola como sistema social. In: HOY, W. K.; MISKEL, C. G.; 
TARTER, C. J. Administração educacional: teoria, pesquisa e prática. 9. ed. Porto Alegre: 
AMGH, 2015. (E-book). p. 1-37.
Leituras recomendadas
BRITO, R. de O.; SIVERES, L. As características da participação da comunidade escolar 
em um modelo de gestão compartilhada. Revista Sophia, v. 11, nº 1, p. 9-20, 2015. 
Disponível em: http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1794-
-89322015000100002&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 14 maio 2021.
LUCK, H. A escola como sistema e a divisao de trabalho. Educar em Revista, nº 1, p. 3-14, 
1981. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-
-40601981000100002&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 14 maio 2021.
TRAGTENBERG, M. A escola como organização complexa. Educação & Sociedade, v. 39, nº 
142, p. 183-202, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/es/v39n142/1678-4626-
-es-39-142-183.pdf. Acesso em: 14 maio 2021.
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A escola como sistema social12

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