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PRINCÍPIOS GERAIS DA ADMINSTRAÇÃO ESCOLAR OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM > Definir o que é sistema aberto. > Reconhecer a escola como um sistema social. > Identificar os pressupostos da escola como sistema social. Introdução O conceito de sistema tem uma grande importância na teoria da administração, sobretudo para a diferenciação das organizações que se constituem como sistemas abertos e como sistemas fechados. A escola, por seu caráter predominantemente social, é um sistema aberto. Neste capítulo, vamos conceituar o sistema aberto e elencar suas principais características. Além disso, vamos refletir sobre a escola como um sistema social, identificando os pressupostos que a caracterizam como tal. Os sistemas abertos Os estudos sobre a escola, ao longo da história da sua existência, tornaram-se importantes para que pudéssemos compreender como as ideias e concepções de cada época interferiram na forma como essa escola era pensada. As áreas científicas predominantes em cada época serviram como lentes que permiti- ram novos olhares e trouxeram contribuições para pensarmos a escola. Com isso em mente, neste capítulo vamos olhar para a escola sob a perspectiva A escola como sistema social Maria Elena Roman de Oliveira Toledo da teoria dos sistemas, uma concepção que, mesmo aparentemente distante, ainda está presente em muitas relações da escola, o que justifica conhecê-la e pensar sobre ela. A teoria dos sistemas surgiu na década de 1930, com os trabalhos do biólogo alemão Ludwig Von Bertalanffy, que demonstrou que os organismos vivos são formados por entes interdependentes e relacionados, do ponto de vista funcional, com todo o sistema biológico (CHIAVENATO, 2005). Bertalanffy publicou, em 1969, a obra Teoria geral dos sistemas, na qual apresentou o conceito de “sistema aberto”, para o qual sugeriu uma abor- dagem multidisciplinar, que extrapolasse os estudos do campo biológico. Sua intenção era aproximar a visão científica da época às ciências humanas. Esse conceito passou a ser utilizado em diversos campos do conhecimento, dentre os quais as ciências sociais e a teoria das organizações (ARF, 2007). Foi nessa época que a escola passou a ser concebida como um sistema social, possibilitando uma análise mais crítica do seu papel na sociedade e das maneiras pelas quais os interesses sociais influenciam as ações educativas desenvolvidas em contextos escolares. De acordo com Chiavenato (2005), os sistemas apresentam características próprias, sendo que o aspecto mais importante do conceito de sistema é a ideia de um conjunto de elementos interligados para formar um todo; esse todo apresenta propriedades e características próprias que não são encontradas em nenhum dos elementos isolados. É o que chamamos de emergente sistêmico: uma propriedade ou característica que existe no sistema como um todo e não existe em seus elementos em particular. As características da água são totalmente diferentes do hidrogênio e do oxigênio que a formam (CHIAVENATO, 2005, p. 475). Na teoria dos sistemas, as organizações são consideradas como parte de uma sociedade maior e constituídas por partes menores. A caracteriza- ção das organizações é definida pela espécie de situação na qual operam e que consiste nas relações estabelecidas entre elas e os outros subsistemas especializados que compõem o sistema maior, do qual é parte (ARF, 2007). Na análise do comportamento organizacional, a distinção entre os sistemas abertos e os sistemas fechados é bastante relevante (DURKHEIM; LEWIN, 2015). Segundo Dias (1998), o sistema fechado não se relaciona e não troca matéria com o meio ambiente, não sendo influenciado por ele, porque apresenta fronteiras impermeáveis a ele. A rigor, não existem sistemas fechados no sentido exato do termo. Essa denominação é dada aos sistemas que operam com uma pequena e conhecida troca de matéria e energia com o ambiente, A escola como sistema social2 bem como aos sistemas estruturados, nos quais os elementos e as relações combinam-se de maneira peculiar e rígida, produzindo uma saída invariável, como é o caso de máquinas e equipamentos (CHIAVENATO, 2005). O sistema aberto se relaciona e troca matéria com o meio ambiente, influenciando-o e sendo influenciado por ele (ARF, 2007). De acordo com Durkheim e Lewin (2015), a perspectiva dos sistemas abertos surgiu como uma reação ao pressuposto não realista de que o comportamento organi- zacional poderia ser isolado das forças externas e da constatação de que a concorrência, os recursos e as pressões políticas do ambiente afetam o funcionamento interno das organizações. Para Alonso (1976), a principal característica dos sistemas abertos é a íntima relação que se estabelece entre o conjunto organizado de elementos que definem a organização e os fatores do meio externo no qual está inse- rida. A manutenção da organização é garantida pelos contínuos inputs que recebe do meio, constituindo-se como a sua fonte de energia. Sendo assim, a organização conta com um conjunto de forças internas (motivação, esforço humano) e um conjunto de forças externas produtoras de energia para a manutenção do sistema. O modelo dos sistemas abertos concebe as organizações como sendo não apenas influenciadas pelos ambientes, mas também dependentes deles. As organizações recebem entradas (inputs) do ambiente e as transformam em saídas (outputs) (DURKHEIM; LEWIN, 2015). O input é a força ou impulso de arranque ou de partida do sistema que fornece material ou energia ou informação para a operação do sistema. É também chamado de entrada, insumo ou importação. O output é a consequência para a qual se reuniram elementos e relações do sistema. Os resultados de um sistema são as saídas (também chamadas de produtos ou resultados), que são congruentes com o objetivo do sistema (CHIAVENATO, 2005). As escolas são bons exemplos das entradas e saídas de um sistema (Figura 1). Elas extraem do ambiente recursos como a mão de obra, os alunos e os recursos financeiros e submetem essas entradas a um processo de transfor- mação educacional para produzir alunos e graduados letrados e instruídos (DURKHEIM; LEWIN, 2015). A escola como sistema social 3 Figura 1. Sistema aberto com ciclo de entrada e saída. Fonte: Durkheim e Lewin (2015, p. 18). As organizações não são arranjos estáticos de relações e cargos, uma vez que, para que possam sobreviver, elas devem se adaptar — e a adaptação pressupõe mudanças. Nesse sentido, a interdependência da organização com o ambiente, construída a partir do estabelecimento de laços recíprocos, é fundamental (DURKHEIM; LEWIN, 2015). O modelo dos sistemas abertos concebe as organizações como sendo complexas e dinâmicas. Segundo Durkheim e Lewin (2015), isso se deve ao fato de que elas são dotadas de estruturas formais para que possam atingir seus objetivos, ao mesmo tempo em que são compostas por pessoas com seus próprios interesses, necessidades e crenças que, em geral, entram em conflito com as expectativas organizacionais. Sendo assim, as organizações têm características planejadas e não pla- nejadas, racionais e irracionais e estruturas formais e informais. Em algumas organizações, as relações racionais prevalecem; enquanto, em outras, o estabelecimento de relações sociais e naturais é predominante. Apesar do predomínio de um dos tipos de relação, em todas elas, os elementos racionais e sociais coexistem em um sistema que está aberto às influências do ambiente. Os sistemas abertos têm caráter social, justamente por sua troca constante de energia com o meio. Um exemplo de sistema aberto de caráter predomi- nantemente social é a escola. As características das organizações sociais elencadas pelos teóricos que pesquisam o tema são coincidentes com as características encontradas nas escolas, como veremos a seguir. A escola como sistema social4 A escola como um sistema social A noção de “sistema social” é ampla, podendo ser aplicada a diferentes tipos deorganizações. Chiavenato (2005) elencou diversas características que per- mitem que algumas organizações sejam consideradas como sistemas sociais. As organizações sociais não têm limitações de amplitude. Elas estão vinculadas a um mundo concreto de pessoas, recursos materiais, fábricas e outros artefatos que não se encontram em interação natural entre si, como é possível observar na escola. Todos os envolvidos no processo escolar só têm esse envolvimento quando estão inseridos no contexto escolar. Cada um dos atores escolares estão ali buscando seus próprios objetivos, como os funcionários estão buscando por seu trabalho, e os alunos, por conhecimentos. Sendo assim, só há escola porque as pessoas e os materiais estão juntos e a constituem, independentemente da sua estrutura física. Os sistemas sociais necessitam de entradas de manutenção e de produção. São consideradas entradas de manutenção as importações de energia que sustentam o funcionamento do sistema, enquanto as entradas de produção são importações da energia que é processada para proporcionar um resul- tado produtivo. Nas entradas de produção, estão incluídas as motivações que atraem as pessoas e as mantêm trabalhando dentro do sistema social. Na escola, os recursos humanos se constituem como entradas de manu- tenção, sem os quais a escola deixa de funcionar. Os recursos financeiros advindos dos governos (municipal, estadual e federal), no caso das escolas públicas, se constituem como entradas de produção, trazendo para a escola condições para a manutenção da estrutura física, para a compra de materiais e insumos e para o pagamento de salários. A natureza dos sistemas sociais é planejada. Ela se baseia em atitudes, cren- ças, percepções, motivações, hábitos e expectativas das pessoas. Ainda que haja uma rotatividade do pessoal, os padrões de relações são mantidos. Nos contextos escolares, o projeto político-pedagógico explicita o planejamento da unidade escolar. Mesmo que haja uma mudança no quadro de professores ou de funcionários, trazendo novos elementos para as práticas educativas, esse documento garante que a identidade escolar não seja perdida. Os sistemas sociais são mais variáveis do que os sistemas biológicos. Sendo assim, precisam utilizar forças de controle para a redução da variabilidade e da instabilidade das ações humanas, buscando maior padronização para que possam inspirar a confiabilidade por parte do sistema social. O planejamento das ações da escola em documentos e compartilhado com a comunidade escolar é um elemento fundamental para garantir essa confiabilidade. A escola como sistema social 5 As funções, as normas e os valores são os principais componentes do sistema social. As diferentes funções desempenhadas em um sistema social e os diferentes padrões de comportamento são determinados pela natureza da tarefa realizada. As regras explicitam os comportamentos esperados e, para que sejam cumpridas, preveem sanções. Na escola, há regras que devem ser respeitadas por todos os envolvidos nos processos educativos e comportamentos esperados de acordo com os papéis desempenhados. Quanto mais conhecidas e compreendidas as regras e quanto mais explícitos os comportamentos esperados, maiores serão as chances de que as pessoas não ajam de maneira destoante do que é consi- derado o padrão de comportamento em uma instituição escolar. As organizações sociais utilizam apenas os conhecimentos e as habilidades das pessoas, que são de seu interesse, ignorando os demais. Sendo assim, as pessoas são incluídas apenas parcialmente nas organizações. Nas escolas, a parte demandada de cada indivíduo é o conhecimento técnico exigido para o exercício de cada função. A compreensão de um sistema social só se efetiva se ele for estudado em suas relações com o meio ambiente no qual está inserido. Sendo as- sim, para que a análise de uma escola possa trazer considerações efetivas sobre as suas formas de funcionamento e sobre o comportamento de seus membros, é fundamental que o contexto no qual ela está inserida seja bem conhecido. Além disso, para que a escola possa oferecer ações educativas que contemplem as especificidades de seus alunos, ela precisa conhecer a eles e a comunidade na qual eles vivem. Durkheim e Lewin (2015) corroboram as ideias apresentadas por Chiavenato (2005) sobre os sistemas sociais ao afirmarem que eles são caracterizados por serem sistemas abertos; constituídos por partes, características e atividades interdependentes que contribuem com o todo e recebem contribuições dele; pressupõem o envolvimento de pessoas; são direcionados a objetivos; são estruturais, normativos e têm mecanismos de sanção; são políticos; têm culturas distintas; são conceituais e relativos (DURKHEIM; LEWIN, 2015). O sistema escolar é um sistema aberto que tem por objetivo cuidar de um aspecto especial da educação, que é a escolarização. A educação oportuni- zada pela escola tem um caráter intencional e sistemático, que enfatiza o desenvolvimento intelectual dos educandos sem descuidar de outros aspectos (físicos, emocionais, morais e sociais) (DIAS, 1998). A escola, enquanto sistema social, tem como características: a interdepen- dência das partes, uma população bem definida, um ambiente diferenciado, uma complexa rede de relações sociais e sua cultura própria e exclusiva. A escola como sistema social6 Como as demais organizações formais, a escola possui aspectos planejados e não planejados, formais e informais da vida organizacional (DURKHEIM; LEWIN, 2015). As características da escola vão ao encontro do que é característico dos sistemas sociais, fazendo com que ela possa ser considerada como tal. Enquanto sistema aberto, as escolas estão submetidas a várias forças ambientais, como as normas municipais e estatais, os interesses políticos e o contexto histórico. Na escola, uma solicitação realizada à direção por uma família não afeta somente a equipe gestora da escola, mas todos os envolvidos no processo educacional. A escola é essencialmente formada por pessoas: professores, funcionários e alunos, que agem motivados por suas necessidades, crenças e objetivos. A equipe escolar desempenha suas funções tendo como objetivo a promoção da aprendizagem de todos os alunos. Para que a aprendizagem efetivamente ocorra, as pessoas que trabalham na escola são submetidas à divisão do trabalho, à especialização e à hierarquia. As escolas possuem regras, formais e informais, que prescrevem os comportamentos adequados ao ambiente. Quando essas regras não são respeitadas, são adotados mecanismos formais de sanção, como a expulsão, a suspensão e o desligamento, além de mecanismos informais baseados no sarcasmo e na ridicularização, por exemplo. As influências da política, expressas sob a forma de legislações, deter- minações e políticas públicas, influenciam as atividades administrativas e educativas desenvolvidas na escola. Ela, por sua vez, possui um conjunto dominante de valores compartilhados que influenciam o comportamento de todos os membros da comunidade escolar. A escola, dada a natureza das ações que realiza e suas formas de interação com o ambiente, caracteriza-se como um sistema social — o qual, como vimos, é aberto, o que significa que a escola interfere no que acontece fora dela e é interferida pelo que lá está. As características atribuídas às organizações sociais, como vimos pelos aportes teóricos referentes ao estudo das organi- zações, embasam essa afirmação, tornando possível explicitar as múltiplas interações entre os elementos constitutivos da escola e o ambiente. A escola como sistema social 7 Os pressupostos da escola como sistema social Todos os sistemas sociais desempenham atividades e funções que são reali- zadas de maneira bastante constante e estável. Quando a realização de um objetivo demanda esforço coletivo, são criadas organizações especificamente projetadas para a coordenação das atividades e para incentivar o engajamentodos indivíduos. As organizações estabelecidas com o propósito explícito de atingir determinados objetivos são as organizações formais. O sistema social escolar é uma organização formal (Figura 2) (DURKHEIM; LEWIN, 2015). Figura 2. Modelo de sistemas sociais para escolas. Fonte: Durkheim e Lewin (2015, p. 29). O comportamento na escola, assim como nas demais organizações sociais formais, é influenciado por diferentes fatores: elementos estruturais, elemen- tos individuais, elementos culturais, elementos políticos e o cerne técnico. Os elementos estruturais são estabelecidos de acordo com as expectativas burocráticas formais, pensadas e organizadas com o intuito de possibilitar o cumprimento dos objetivos da organização. A escola como sistema social8 As expectativas burocráticas são as exigências e as obrigações formais definidas pela organização; elas são os principais blocos de construção da estrutura orga- nizacional. As funções burocráticas são definidas por conjuntos de expectativas, que são combinadas em cargos e gabinetes na organização (DURKHEIM; LEWIN, 2015, p. 23-24). Nas escolas, o diretor, os professores e os alunos desempenham diferentes papéis aos quais estão associadas diferentes expectativas burocráticas. Espera-se, por exemplo, que o professor planeje suas ações educativas e que estabeleça uma boa relação com os alunos, possibilitando a sua aprendizagem. As expectativas burocráticas são os parâmetros que orientam as ações e os fatos organizacionais de todos os sujeitos que atuam no sistema social formal. No contexto escolar, algumas expectativas formais são essenciais e obri- gatórias, e outras, mais flexíveis. A formalização de algumas expectativas tem por objetivo a aproximação das condutas aos objetivos da organização. O horário de chegada, os procedimentos do estabelecimento e a descrição dos cargos são exemplos de expectativas burocráticas formais que, se não observadas, podem prejudicar o desempenho da organização escolar. Além das expectativas burocráticas, a perícia (ou expertise) deve guiar os comportamentos dos profissionais que atuam na escola. Por exemplo, é esperado que o professor não agrida seus alunos, tendo em vista a postura ética exigida para o ofício de sua profissão. Os elementos individuais dizem respeito às necessidades, aos objetivos, às crenças e às compreensões cognitivas dos postos de trabalho, nos quais os indivíduos fornecem sua energia e sua capacidade para alcançar os objetivos pretendidos pela organização (DURKHEIM; LEWIN, 2015). Quando diferentes pessoas estão reunidas em um mesmo local de trabalho, é estabelecida uma relação dinâmica entre as expectativas burocráticas e as necessidades individuais do trabalho. Nas organizações, são desenvolvidas suas culturas próprias e distintas, como fruto do compartilhamento de valores, normas, crenças e modos de pensar. É a cultura organizacional que distingue uma organização da outra, imprimindo identidade própria à cada uma. Em uma escola, as crenças compartilhadas e as normas informais entre os pro- fessores têm um impacto significativo no comportamento. A cultura fornece aos membros o compromisso com crenças e valores que vão além de suas individua- lidades; os indivíduos pertencem a um grupo maior do que eles mesmos. Quando a cultura é forte, a identificação com o grupo e a influência do grupo também são fortes (DURKHEIM; LEWIN, 2015, p. 26). A escola como sistema social 9 A cultura organizacional é uma força poderosa que, somada aos elemen- tos estruturais e individuais, influencia o comportamento nas organizações formais. A política caracteriza-se pelas relações de poder informais que são criadas como forma de resistência a outros sistemas de controle legítimo. Além de informal, a política pode ser clandestina e até ilegítima. Sua ilegitimidade se deve ao fato de se constituir como comportamentos criados, em geral, para beneficiar o indivíduo ou o grupo, em detrimento da organização. Todas as organizações têm um cerne técnico. No caso da escola, o cerne técnico é o processo de ensino e aprendizagem. Todas as outras atividades desenvolvidas no contexto escolar são secundárias à promoção de ações de ensino e aprendizagem, nas quais são pautadas as decisões administrativas nas escolas. A aprendizagem envolve um processo cognitivo complexo e se efetiva quando há uma mudança estável no conhecimento ou no comportamento do indivíduo. De acordo com Campos (2011), os estudos e as pesquisas científicas realizadas por diversos psicólogos, buscando conceituar a aprendizagem e elencar suas características, resultaram no aparecimento de diferentes con- ceitos e definições de aprendizagem, de acordo com as distintas teorias de aprendizagem que foram sendo elaboradas, a partir dos fatos investigados. Diferentes concepções de aprendizagem determinam diferentes arranjos nas ações educativas e na tomada de decisões na escola. Todos os elementos abordados até aqui são fontes internas de influência aos comportamentos na organização escolar que não podem ser analisados sem que se leve em consideração o contexto no qual a escola está inserida. Como a escola é um sistema aberto, o ambiente tem um papel fundamental na construção da identidade da unidade escolar. O ambiente pode ser conceituado como sendo tudo aquilo que está fora da organização escolar. Ele é a fonte de energia do sistema que fornece recursos, valores, tecnologias, exigências e histórias que, ao mesmo tempo em que oferecem oportunidades para as ações organizacionais, impõem restrições. Segundo Durkheim e Lewin (2015), tanto fatores amplos, como mais específicos do ambiente, influenciam a estrutura e as atividades da escola. A escola como sistema social10 Tendências mais amplas nos âmbitos social, jurídico, econômico, político, de- mográfico e tecnológico têm um impacto potencialmente poderoso nas escolas, mas os efeitos dessas forças ambientais gerais não são nem um pouco claros. Em contraste, os grupos e as partes interessadas, tais como pais, contribuintes, sindicatos, agências regulamentares, faculdades e universidades, legislaturas estaduais, agências de acreditação e associações educacionais, têm efeitos mais imediatos e diretos sobre as escolas. Mas novamente os resultados são incertos (DURKHEIM; LEWIN, 2015, p. 26). A escola pode ser pensada como um conjunto de elementos influenciado pelos fatores ambientais, ao mesmo tempo em que influencia o ambiente. No contexto escolar, o comportamento organizacional é determinado pela relação dinâmica entre seus elementos (estrutura, indivíduo, cultura e política), a qual é limitada pelas forças ambientais. A escola, enquanto organização social, é constituída por um sistema estrutural (expectativas burocráticas), um sistema cultural (as orientações compartilhadas), um sistema político (as relações de poder) e um sistema individual (cognição e motivação). Seu papel é o de promover processos de transformação, a partir das entradas. São consideradas entradas no sistema as restrições ambientais, os recursos humanos e de capital, a missão política do conselho diretor, os materiais e os métodos e os equipamentos. Essas entradas, uma vez transformadas, saem do sistema sob a forma de realização, satisfação no trabalho, absenteísmo, taxa de abandono e qualidade global. As saídas revelam a discrepância entre o desempenho esperado e o real. Observamos até aqui que os pressupostos desse sistema aberto apare- cem no comportamento de uma escola, bastando para isso a análise dos elementos que a compõem, os inputs e outputs, a interação entre eles e as características do ambiente no qual está inserida. Nesse capítulo, pudemos conhecer a teoria dos sistemas, criada inicial- mente no campo da biologia, predominante nos anos 1930, que foi, posterior- mente, adotada por outras áreas de conhecimento, incluindo-se a educação para a compreensão da escola daquele tempo. Nesse percurso, foi possível diferenciar os sistemasfechados dos sistemas abertos e compreender o porquê de a escola ser classificada como um sistema aberto, já que, como um sistema aberto, a escola é também um sistema social, dotada de elementos que lhe são próprios como troca de energia com o ambiente, recebendo suas influências e influenciando-o. A compreensão da escola como sistema social e de suas características permite que ela seja considerada como tal e nos ajuda a entender a escola como um organismo vivo e em constante transformação, pois da década de 1930 aos nossos dias, muitas foram as formas de vê-la. A escola como sistema social 11 Referências ALONSO, M. O papel do diretor na administração escolar. 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Disponível em: http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1794- -89322015000100002&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 14 maio 2021. LUCK, H. A escola como sistema e a divisao de trabalho. Educar em Revista, nº 1, p. 3-14, 1981. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104- -40601981000100002&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 14 maio 2021. TRAGTENBERG, M. A escola como organização complexa. Educação & Sociedade, v. 39, nº 142, p. 183-202, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/es/v39n142/1678-4626- -es-39-142-183.pdf. Acesso em: 14 maio 2021. Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links. 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