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Evolução histórica da enfermagem em saúde mental e psiquiátrica Barra do Corda – MA 2022 Prof. Me. Felipe Santana e Silva Antes de florence nightingale a 1880 A assistência de enfermagem psiquiátrica anterior a 1860 era prestada às pessoas por membros da família, vizinhos, escravos e empregados. Membros religiosos e humanitaristas. Até o final desta época o cuidado era apenas custodial e havia poucos tratamentos disponíveis. O cuidado moral ou humanitário que surgiu após os princípios de Philippe Pinel. Philippe Pinel Em 1793, o Governo Revolucionário o nomeou médico chefe do Hospital de Bicêtre, localizado nas proximidades de Paris. Diante das precárias condições em que os alienados se encontravam, Pinel solicitou autorização à Assembléia Nacional para retirar as correntes dos pacientes, tratamento usual para os doentes mentais. Tal gesto e sua teoria foram contestados por muitos autores, mas bastante referido como mérito do médico francês: "libertando a loucura dos grilhões". Phillipe Pinel foi o principal percussor do processo de mudança que possibilitou o surgimento do alienismo na sociedade moderna. Ele integrou a corrente que constituiu o saber psiquiátrico por meio da observação e análise sistemática dos fenômenos perceptíveis da doença. Contexto histórico 1860- Primeira escola de Enfermagem (Era notória a preocupação com as manifestações de comportamento do cliente e com a comunicação com este). 1881 – Linda Richards foi considerada a primeira enfermeira psiquiátrica dos EUA. 1882 – Primeira escola de Enfermagem psiquiátrica. Linda Richards A partir de 1882, Linda Richards preocupou-se em desenvolver programas educacionais e organizar serviços de enfermagem em hospitais psiquiátrico. Sua principal contribuição, foi sua capacidade para avaliar as necessidades físicas e emocionais do cliente, as quais até então eram vistas separadamente. Na década de setenta, num contexto de denúncias sobre maus tratos e violação de direitos humanos em instituições psiquiátricas, surgem as primeiras experiências de remodelação dos serviços em saúde mental no Brasil, envolvendo a mobilização de trabalhadores, familiares e da imprensa. Na constatação de ausência de dignidade humana nas instituições de ‘tratamento’ marcadas pelo regime do isolamento, foram gestadas novas modalidades assistenciais de base comunitária e territorial. REFORMA PSIQUIÁTRICA O início do processo de Reforma Psiquiátrica no Brasil ocorreu através do “movimento sanitário” em favor da mudança dos modelos de atenção e gestão nas práticas de saúde, defesa da saúde coletiva, equidade na oferta dos serviços, e protagonismo dos trabalhadores e usuários dos serviços de saúde nos processos de gestão e produção de tecnologias de cuidado. REFORMA PSIQUIÁTRICA Da modernidade à contemporaneidade Psiquiatria social – 1970 – No Brasil começa a haver movimentos em prol da chamada reforma psiquiátrica que ganhou força com a realização da primeira Conferência Nacional de Saúde Mental, em 1987. 1988 – Sistema Único de Saúde, formado pela articulação entre as gestões federal, estadual e municipal, sob o poder de controle social, exercido através dos “Conselhos Comunitários de Saúde”. A partir da Constituição Brasileira de 1988, abriram-se as perspectivas para uma prática democrática de controle social na área da saúde, através de fóruns participativos. Começaram a surgir possibilidades de a sociedade civil interferir na gestão pública, seja no que se refere à orientação de ações do Estado ou no que diz respeito aos gastos estatais para atendimento dos interesses coletivos. década de 90 1990 – Começa a implantação da rede extra-hospitalar. É na década de 90, marcada pelo compromisso firmado pelo Brasil na assinatura da Declaração de Caracas e pela realização da II Conferência Nacional de Saúde Mental, que passam a entrar em vigor no país as primeiras normas federais regulamentando a implantação de serviços de atenção diária, fundadas nas experiências dos primeiros CAPS, NAPS e Hospitais-dia, e as primeiras normas para fiscalização e classificação dos hospitais psiquiátricos. 1992 Segunda conferência. Foi implantando discutido o esboço de um novo modelo assistencial, com vistas a manter as pessoas com transtorno mental na comunidade, respeitando-as como cidadãs. Os movimentos sociais, inspirados pelo Projeto de Lei Paulo Delgado, conseguem aprovar em vários estados brasileiros as primeiras leis que determinam a substituição progressiva dos leitos psiquiátricos por uma rede integrada de atenção à saúde mental. 2001 É somente no ano de 2001, após 12 anos de tramitação no Congresso Nacional, que a Lei Paulo Delgado é sancionada no país. A aprovação, no entanto, é de um substitutivo do Projeto de Lei original, que traz modificações importantes no texto normativo. Assim, a Lei Federal 10.216 redireciona a assistência em saúde mental. Merece destaque a realização, ao final do ano de 2001, em Brasília, da III Conferência Nacional de Saúde Mental. Dispositivo fundamental de participação e de controle social, a III Conferência Nacional de Saúde Mental é convocada logo após a promulgação da lei 10.216, e sua etapa nacional é realizada no mesmo ano, em dezembro de 2001. As etapas municipal e estadual envolvem cerca de 23.000 pessoas, com a presença ativa de usuários dos serviços de saúde e de seus familiares, e a etapa nacional conta com 1.480 delegados, entre representantes de usuários, familiares, movimentos sociais e profissionais de saúde. Lei n. 10.216 de 06/04/2001 Dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental. Redireciona a assistência em saúde mental Privilegiando o oferecimento de tratamento em serviços de base comunitária Não institui mecanismos claros para a progressiva extinção dos manicômios Novo impulso e novo ritimo para o processo de Reforma Psiquiátrica Lei n. 10.216 de 06/04/2001 Seu objetivo é humanizar o tratamento, de modo que a internação seja o último recurso. Há a preocupação de se evitar as internações prolongadas e em reduzir as compulsórias. A proposta é privilegiar o convívio do paciente com a família. Neste novo modelo, a sociedade é chamada a assumir sua responsabilidade com os portadores de transtornos mentais, o que certamente implica a conscientização de que o regime aberto não oferece risco para ninguém, que o doente mental não é um incapaz e de que a inserção social é mais eficaz para a sua recuperação. Rede de Atenção Psicossocial Foi instituída com a Portaria n° 3088 de 23 de dezembro de 2011, com republicação em 21 de maio de 2013 afim de estabelecer os pontos de atenção para o atendimento de pessoas com problemas mentais, incluindo os efeitos nocivos do uso de crack, álcool e outras drogas. A Rede integra o Sistema Único de Saúde (SUS). O processo de desinstitucionalização O processo de redução de leitos em hospitais psiquiátricos e de desinstitucionalização de pessoas com longo histórico de internação passa a tornar-se política pública no Brasil a partir dos anos 90, e ganha grande impulso em 2002 com uma série de normatizações do Ministério da Saúde, que instituem mecanismos claros, eficazes e seguros para a redução de leitos psiquiátricos a partir dos macro-hospitais. O Programa de Volta para Casa É um dos instrumentos mais efetivos para a reintegração social das pessoas com longo histórico de hospitalização. Trata-se de uma das estratégias mais potencializadoras da emancipação de pessoas com transtornos mentais e dos processos de desinstitucionalização e redução de leitos nos estados e municípios. Criado pela lei federal 10.708, encaminhada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva ao Congresso, votada e sancionada em 2003, o Programa é a concretização de uma reivindicação histórica do movimento da Reforma Psiquiátrica Brasileira,tendo sido formulado como proposta já à época da II Conferência Nacional de Saúde Mental, em 1992. O Programa de Volta para Casa O objetivo do Programa é contribuir efetivamente para o processo de inserção social das pessoas com longa história de internações em hospitais psiquiátricos, através do pagamento mensal de um auxílio-reabilitação aos seus beneficiários. Para receber o auxílio-reabilitação do Programa De Volta para Casa, a pessoa deve ser egressa de Hospital Psiquiátrico ou de Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico, e ter indicação para inclusão em programa municipal de reintegração social. image2.png image3.gif image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.gif image10.jpeg image11.jpeg image12.jpeg image13.jpeg image14.jpeg image15.jpeg image16.jpeg