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Química Inorgânica II-A Experimenta Professor: José Márcio Siqueira Junior Difração de raios X Ana Paula Castro Emily Rodrigues Maylla Talavera Rebecca Baptista Niterói 2024 1. Introdução A difração de raios X é uma técnica amplamente utilizada para identificar a estrutura cristalina de materiais. Durante os experimentos de difração de raios X (DRX), são medidos os valores de 2θ, que correspondem aos ângulos de difração dos picos observados. Esses valores experimentais são usados junto com a equação de Bragg, 𝑛λ = 2𝑑𝑠𝑒𝑛θ, para determinar a distância interplanar (d) dos planos cristalinos responsáveis pelos picos de difração. Nesta equação, n é a ordem de difração e λ é o comprimento de onda dos raios X utilizados. A partir da análise dos valores de 2θ e do cálculo das distâncias interplanares, é possível determinar os índices de Miller (hkl) dos planos cristalinos. Os índices de Miller são números inteiros que representam a orientação e a disposição dos planos cristalinos em relação aos eixos coordenados do cristal. Eles são calculados dividindo as intersecções dos planos com os eixos coordenados pelos comprimentos dos respectivos eixos. Uma vez que os índices de Miller são determinados, eles podem ser comparados com padrões conhecidos de estruturas cristalinas para identificar o material em análise. Bancos de dados cristalográficos, como o International Tables for Crystallography, fornecem informações sobre distâncias interplanares e índices de Miller para diversas estruturas cristalinas. A identificação da estrutura do sólido por meio da difração de raios X é crucial, pois fornece informações valiosas sobre as propriedades físico-químicas do material. Diferentes estruturas cristalinas possuem arranjos atômicos específicos que resultam em propriedades distintas, como condutividade elétrica, propriedades ópticas e reatividade química. Assim, a determinação da estrutura cristalina é fundamental para compreender essas propriedades e desenvolver materiais com aplicações específicas. Adicionalmente, a técnica de difração de raios X também é utilizada na determinação de defeitos cristalinos, tensões residuais e na análise de filmes finos. A precisão e a riqueza de detalhes fornecidos por essa técnica fazem dela uma ferramenta essencial em diversas áreas da ciência dos materiais, como a pesquisa de novos materiais, a engenharia de materiais e a nanotecnologia. A capacidade de identificar e caracterizar a estrutura cristalina permite avanços no desenvolvimento de materiais inovadores com propriedades otimizadas para aplicações específicas, contribuindo para o progresso tecnológico em diversos setores industriais. 1.1. Estruturas cristalinas dos materiais A estrutura física dos materiais sólidos é determinada pelo arranjo estrutural de seus átomos. Um material cristalino se distingue por ter uma disposição ordenada de átomos que se repete em três dimensões. Utilizando um sistema de coordenadas tridimensional com eixos a, b e c (eixos axiais), um sistema cristalino pode ser descrito pelas dimensões desses eixos e pelos ângulos entre eles (ângulos axiais), que compõem a célula unitária, considerada a menor unidade repetitiva de uma estrutura cristalina. A tabela abaixo apresenta os 7 sistemas cristalinos possíveis, dos quais derivam 14 tipos de células unitárias, permitindo a caracterização de qualquer estrutura cristalina possível. Tabela 1. Geometria dos sistemas cristalinos Fonte: fem.unicamp.br 1.2. Principais estruturas cristalinas A maioria dos elementos metálicos adota estruturas altamente densas, entre as quais três são particularmente importantes: a cúbica de corpo centrado (CCC), a cúbica de face centrada (CFC) e a hexagonal compacta (HC). Alguns elementos ainda apresentam a configuração cúbica simples, embora esta seja mais rara. Isso ocorre porque a energia é liberada quando os átomos se aproximam. Assim, uma estrutura densa possui um nível de energia mais baixo, sendo considerada mais estável. As estruturas compactas são descritas a seguir, considerando os átomos como esferas. Figura 1 - Estruturas cristalinas: cúbica de face centrada (CFC) e cúbica de corpo centrado (CCC) Figura 2 - Estruturas cristalinas: cúbica simples e hexagonal compacta (HC) 1.3. Método de Difração de raio X O método de difração de raios X possibilita a medição direta da distância entre planos paralelos em um retículo cristalino. Essas informações são usadas para determinar os parâmetros de rede de um cristal. Além disso, esse método permite medir os ângulos entre os planos do retículo cristalino, o que é utilizado para determinar os ângulos interaxiais de um cristal. 1.4. Raio X Descobertos por Wilhelm C. Röntgen (1845-1923), os raios X são ondas eletromagnéticas de alta energia originadas de transições eletrônicas nos níveis e subníveis mais internos do átomo, com comprimentos de onda muito curtos. A técnica de difração de raios X utiliza essa radiação eletromagnética com comprimentos de onda próximos às distâncias entre os planos cristalográficos dos materiais cristalinos na grade de difração, variando entre 0,05 nm e 0,025 nm. Para gerar raios X com essas características, é aplicada uma diferença de potencial de aproximadamente 35 kV entre o cátodo e um alvo metálico que funciona como ânodo, ambos mantidos no vácuo. Quando o filamento de tungstênio do cátodo é aquecido, libera elétrons, que são acelerados pela diferença de potencial entre o cátodo e o ânodo, ganhando energia cinética. Esses elétrons colidem com o alvo metálico, liberando um feixe de raios X. No entanto, a maior parte da energia cinética dos elétrons é convertida em calor, necessitando um sistema de resfriamento para o alvo metálico. O esquema para geração dos raios X pode ser representado abaixo: Figura 3 - Esquema de geração de raios X. 1.5. Difração de Raio X Como visto anteriormente, o comprimento de onda da radiação usada no método de difração é aproximadamente igual às distâncias entre os planos atômicos dos sólidos cristalinos. Assim, quando um feixe de raios X incide sobre um sólido cristalino, podem ser produzidos picos de radiação de várias intensidades. Para que ocorra a difração dos raios X ao incidir no material cristalino, algumas condições devem ser satisfeitas: · Para ilustrar essas condições, considera-se um feixe de raios X com um único comprimento de onda incidindo sobre um cristal, como mostrado na figura 3, onde os planos cristalográficos dos átomos atuam como espelhos refletindo a radiação incidente. · Na figura 4, as linhas horizontais representam um conjunto de planos cristalográficos paralelos, com índices de Miller h, k e l. · Os índices de Miller são três números usados para determinar a orientação de um plano de átomos dentro de uma célula unitária, definidos pela interseção do plano com os eixos do sistema de coordenadas. · Quando um feixe de raios X incide sobre este conjunto de planos, podem ocorrer dois tipos de interferências: construtiva e destrutiva. · A interferência construtiva ocorre quando as amplitudes das ondas eletromagnéticas se somam, enquanto a interferência destrutiva ocorre quando as amplitudes das ondas se cancelam. Considerando os feixes de raios X 1 e 2 indicados na figura 4, pode-se determinar o tipo de interferência que ocorrerá quando ambos os raios forem refletidos usando uma fórmula. Para que ocorra a interferência construtiva, a distância adicional percorrida pelo raio 2 deve ser igual a um número inteiro de comprimentos de onda λ: nλ = dsen θ Nesta fórmula, n é a ordem de difração, d é a distância interplanar dos planos com índices h, k e l, e θ é o ângulo de reflexão. A condição para a interferência construtiva é da pela seguinte formula: nλ = 2dsen θ Esta equação, conhecida como lei de Bragg, relaciona as posições angulares dos feixes difratados reforçados, em termos do comprimento de onda λ do feixe de raios X incidente e da distância interplanar d dos planos cristalográficos. Na maioria dos casos, usa-se a difração de primeira ordem,onde n = 1, e a lei de Bragg assume a forma: λ = 2dhklsen θ Figura 4 - Esquema de geração de raios X 2. Objetivos Determinar a estrutura cristalina dos sólidos cúbicos Cu (cobre), KCl (cloreto de potássio), Ni (níquel), NaCl (cloreto de sódio), NiO (Óxido de Níquel) e ZnO (Óxido de zinco) e calcular os valores da aresta, raio e densidade da célula unitária aplicando conceitos de análise de difração de raios X e a lei de Bragg. 3. Metodologia A técnica empregada consiste na incidência de radiação nas amostras, seguida pela detecção dos fótons difratados. O procedimento foi conduzido utilizando o difratômetro de raios-X - D2-PHASER da marca Bruker, com análise realizada no comprimento de onda de 1,5418 Å. Figura 5. Foto do difratômetro utilizado no experimento Inicialmente, foram avaliados os seguintes sólidos Cu, Ni, NaCl e KCl. As amostras foram preparadas em pastilhas, conforme figura-2. Os sólidos ZnO e NiO preparados pela turma nas aulas experimentais anteriores não estavam totalmente secos no dia da aula prática e, por isso, foram analisados posteriormente pelo técnico do laboratório. Com os dados experimentais obtidos, foi possível fazer a plotagem dos difratogramas correspondentes e a determinação das estruturas cristalinas dos sólidos estudados. Figura 6. Preparo das amostras para leitura no difratômetro 4. Resultados e discussão A partir dos difratogramas, os parâmetros de rede do cristal foram identificados após inferir qual rede cristalina cada amostra possui. Para encontrar o parâmetro de rede da estrutura cúbica, foram empregadas as seguintes equações: Relação da distância interplanar com a aresta para sistemas cúbicos: Os difratogramas permitiram determinar os parâmetros de rede do cristal, indicando a rede cristalina de cada amostra. Para encontrar o parâmetro de rede das estruturas cúbicas, utilizamos equações específicas. O comprimento de onda dos raios X incidentes foi de 1,5418 Å. As tabelas de referência (tabelas 1, 2 e 3) apresentam os valores para cada tipo de estrutura cúbica: primitiva, de corpo centrado e de face centrada, respectivamente. Tabela 2. Tabela de referência estrutura cúbica primitiva h k l h²+k²+l² Qn/Q1 1 0 0 1 1 1 1 0 2 2 1 1 1 3 3 2 0 0 4 4 2 1 0 5 5 2 1 1 6 6 2 2 0 8 8 3 0 0 9 9 3 1 0 10 10 Tabela 3. Tabela de referência estrutura cúbica de corpo centrado h k l h²+k²+k² Qn/Q1 1 1 0 2 1 2 0 0 4 2 2 1 1 6 3 2 2 0 8 4 3 1 0 10 5 2 2 2 12 6 3 2 1 14 7 3 3 0 18 9 3 3 2 22 11 Tabela 4. Tabela de referência estrutura cúbica de face centrada h k l h²+k²+l² Qn/Q1 1 1 1 3 1,000 2 0 0 4 1,333 2 2 0 8 2,667 3 1 1 11 3,667 2 2 2 12 4,000 4 0 0 16 5,333 3 3 1 19 6,333 4 2 0 20 6,667 4 2 2 24 8,000 4.1. Amostra de Cobre (Cu) Obteve-se o difratograma de raios X para o cobre (Cu), conforme a Figura 1. Figura 7. Difratograma de raios X para o Cu. Na tabela 5 estão apresentados os valores obtidos para θ, q, Q e Qn/Q1 do cobre. Para calcular q, foi empregada a equação 1, que corresponde à equação de Bragg. Já para calcular Q, os valores de q foram elevados ao quadrado. Tabela 5. Valores calculados de θ, q, Q e Qn/Q1 dos picos referentes ao difratograma do cobre. Pico 2θ (º) θ (º) q (eq. 1) Q (q²) Qn/Q1 1 43,29862 21,64931 0,434842 0,189088 1,000 2 50,43257 25,21629 0,552648 0,305420 1,615 3 74,11811 37,05906 0,781733 0,611106 3,232 4 89,88152 44,94076 0,916300 0,839605 4,440 5 95,07536 47,53768 0,956961 0,915774 4,843 De acordo com os dados da tabela 5, podemos concluir que a estrutura cristalina do cobre corresponde à estrutura cúbica de face centrada, ao compará-la com as informações das tabelas 1, 2 e 3. Com essa identificação, podemos calcular diretamente o valor da aresta da célula unitária e, posteriormente, o raio para o cobre. Cálculo da aresta Tabela 6. Valores de h, k, l referentes a estrutura cúbica de face centrada Pico h²+k²+l² Q a (Å) 1 3 0,189088 3,983 2 4 0,305420 3,619 3 8 0,611106 3,618 4 11 0,839605 3,620 5 12 0,915774 3,620 Valor médio da aresta: a = 3,692 Å = 3,692 x 10-8 cm Cálculo do raio: r De acordo com a literatura, o cobre metálico possui raio atômico de 128 pm. O erro encontrado entre o valor de raio encontrado e o da literatura vale: Cálculo da densidade = n = número de átomos associados a cada célula unitária A = Massa atômica VC= Volume da célula unitária NA = Número de Avogadro (6,023x1023 átomos/mol) Pra CFC: número de átomos por célula é igual a 4 ACu =63,546 g/mol De acordo com a literatura, o cobre metálico possui densidade de 8,960 g/cm³. O erro encontrado entre o valor de raio encontrado e o da literatura vale: Erro = - 5,24% 4.2. Amostra de Níquel (Ni) Obteve-se o difratograma de raios X para o níquel (Ni), conforme a Figura 8. Figura 8. Difratograma de raios X para o Ni. Na tabela 7 pode-se visualizar os valores encontrados para θ, q, Q e Qn/Q1 do níquel. Para o cálculo do q utilizou-se a equação 1, referente a equação de Bragg e para o Q, elevou-se q ao quadrado. Tabela 7. Valores calculados de θ, q, Q e Qn/Q1 dos picos referentes ao difratograma do níquel. Pico 2θ (º) θ (º) q (eq. 1) Q (q²) Qn/Q1 1 44,53224 22,26612 0,491515 0,241587 1,000 2 51,86829 25,934145 0,567308 0,321838 1,332 3 76,40263 38,201315 0,802214 0,643547 2,664 4 92,934 46,467 0,94043 0,884409 3,661 5 98,41078 49,20539 0,982042 0,964406 4,000 De acordo com a tabela 7, é possível dizer que a estrutura cristalina do níquel se enquadra na estrutura cúbica de face centrada, ao compará-la com as tabelas 1, 2 e 3. Assim, pode-se calcular diretamente o valor da aresta e, em seguida, o raio para o níquel. Cálculo da aresta Tabela 8. Valores de h, k, l referentes a estrutura cúbica de face centrada: Pico h²+k²+l² Q a (Å) 1 3 0,241587 3,5239 2 4 0,321838 3,52542 3 8 0,643547 3,52578 4 11 0,884409 3,52671 5 12 0,964406 3,52745 Valor médio da aresta: a = 3,5258 Å = 3,5258x10-8 cm Cálculo do raio: r De acordo com a literatura, o níquel metálico possui raio atômico de 124 pm. O erro encontrado entre o valor de raio encontrado e o da literatura vale: Calculo de densidade Pra CFC: número de átomos por célula é igual a 4 ANi = 58.693 g/mol A densidade para o níquel na literatura é de 8,90 g/cm. Com isso, temos que o erro da densidade calculada foi de : Erro = - 0,11% 4.3 Amostra de Cloreto de sódio (NaCl) Obteve-se o difratograma de raios X para o cloreto de sódio (NaCl), conforme a Figura 2: Figura 9. Difratograma de raios X para o NaCl. Na tabela 9 pode-se visualizar os valores encontrados para θ, q, Q e Qn/Q1 do cloreto de sódio. Para o cálculo do q utilizou-se a equação 1, referente a equação de Bragg e para o Q, elevou-se q ao quadrado. Tabela 9. Valores calculados de θ, q, Q e Qn/Q1 dos picos referentes ao difratograma do cloreto de sódio. Pico 2θ (º) θ (º) q (eq. 1) Q (q²) Qn/Q1 1 27,38178 13,69089 0,307023 0,0942631 1,000 2 31,76725 15,883625 0,355019 0,126038 1,337 3 45,4895 22,74475 0,501526 0,251528 2,668 4 56,44305 28,221525 0,613415 0,376278 3,992 5 75,2581 37,62905 0,791992 0,627251 6,654 De acordo com a tabela 9, é possível dizer que a estrutura cristalina do cloreto de sódio se enquadra na estrutura cúbica de face centrada, ao compará-la com as tabelas 1, 2 e 3. Com isso, foi possível determinar o valor de sua aresta. Cálculo da aresta Tabela 10. Valores de h, k, l referentes a estrutura cúbica de face centrada: Pico h²+k²+l² Q a (Å) 1 3 0,0942631 5,641 2 4 0,126038 5,634 3 8 0,251528 5,640 4 11 0,376278 5,407 5 12 0,627251 4,374 Valor médio da aresta:a = 5,340 Å = 5,340 x 10-8 cm Cálculo da densidade No CFC: Número de átomos por célula é igual a 4 para Na e 4 para Cl ANa =22,98 g/mol ACl = 35,45 g/mol De acordo com a literatura, o NaCl possui densidade de 2,17 g/cm³. O erro encontrado entre o valor da densidade encontrada e o da literatura vale: 4.4. Amostra de Óxido de Níquel (NiO) Obteve-se o difratograma de raios X para o óxido de níquel, conforme a Figura 3. Figura 10. Difratograma de raios X para o NiO Tabela 11. Valores calculados de θ, q, Q e Qn/Q1 dos picos referentes ao difratograma do oxido de níquel. Pico 2ϴ ϴ q (eq. 1) Q (q²) Qn/Q1 1 31,58536 15,79268 0,353038 0,124636 1 2 37,14297 18,57149 0,413137 0,170682 1,369446 3 43,18561 21,59281 0,477374 0,227886 1,828412 4 62,80904 31,40452 0,675933 0,456886 3,665758 5 75,41977 37,70989 0,793441 0,629548 5,051091 6 79,42125 39,71063 0,828785 0,686885 5,511122 De acordo com os dados da tabela 11, podemos concluir que a estrutura cristalina do oxido de níquel corresponde à estrutura cúbica de face centrada, ao compará-la com as informações das tabelas 1, 2 e 3. Cálculo da aresta Tabela 12. Valores de h, k, l referentes a estrutura cúbica de face centrada. Pico h²+k²+l² Q a (Å) 1 3 0,124636 4,90612802 2 4 0,170682 4,84101172 3 8 0,227886 5,92497021 4 11 0,456886 4,9067329 5 12 0,629548 4,36592427 6 16 0,686885 4,82634069 Valor médio da aresta: a = 4,962 Å = 4,962 x 10-8 cm Cálculo da densidade: Para CFC: Número de átomos por célula é igual a 4 para Ni e 4 para O ANi = 58,69 g/mol AO = 15,99 g/mol De acordo com a literatura, o NiO possui densidade de 6,67 g/cm³. O erro encontrado entre o valor da densidade encontrada e o da literatura vale: 4.5. Amostra de Cloreto de Potassio (KCl) Obteve-se o difratograma de raios X para o cloreto de potassio (KCl), conforme a Figura 11. Figura 11. Difratograma de raios x para o KCl. Tabela 13. Valores calculados de θ, q, Q e Qn/Q1 dos picos referentes ao difratograma do cloreto de potássio. Pico 2ϴ ϴ q (eq. 1) Q (q²) Qn/Q1 1 28,46484 14,23242 0,318921 0,10171 1 2 40,57034 20,28517 0,449725 0,202252 1,988514 3 50,23048 25,11524 0,550578 0,303136 2,980382 4 58,65578 29,32789 0,635370 0,403695 3,969068 5 66,35766 33,17883 0,709890 0,503943 4,954692 6 73,69371 36,84686 0,777894 0,605119 5,949429 7 87,67869 43,839345 0,898480 0,807266 7,936938 8 94,52971 47,264855 0,952780 0,907789 8,925268 De acordo com os dados da tabela 13, podemos concluir que a estrutura cristalina do cloreto de potássio corresponde à estrutura cúbica de face centrada, ao compará-la com as informações das tabelas 1, 2 e 3. Cálculo da aresta: Tabela 14. Valores de h, k, l referentes a estrutura cúbica de face centrada: Pico h²+k²+l² Q a (Å) 1 3 0,10171 5,43098746 2 4 0,202252 4,44716848 3 8 0,303136 5,13719718 4 11 0,403695 5,21998984 5 12 0,503943 4,87977631 6 16 0,605119 5,14208909 7 19 0,807266 4,85141548 8 20 0,907789 4,69377794 Valor médio da aresta: a = 4,975 Å = 4,974 x 10-8 cm Cálculo da densidade: Para CFC: Número de átomos por célula é igual a 4 para K e 4 para Cl. AK = 39,09 g/mol ACl= 35,45 g/mol De acordo com a literatura, o KCl possui densidade de 1,98 g/cm³. O erro encontrado entre o valor da densidade encontrada e o da literatura vale: 4.6. Amostra de Oxido de Zinco (ZnO) Obteve-se o difratograma de raios X para o oxido de zinco, conforme a Figura 12.Figura 12. Difratograma de raios x para o ZnO Tabela 15. Valores calculados de θ, q, d e índice de Miller dos picos referentes ao difratograma do óxido de zinco. Pico 2ϴ ϴ q (eq. 1) d (A) h,k,l 1 31,78736 15,89368 0,355238 2,815014 (1, 1, 0) 2 34,41469 17,20735 0,383747 2,605884 (0, 0, -2) 3 36,25376 18,12688 0,403583 2,477805 (1, 0, -1) 4 47,51045 23,75523 0,522545 1,913711 (1, 0, 2) 5 56,58452 28,29226 0,614826 1,626476 (2, -1, 0) 6 67,92205 33,96103 0,724645 1,379986 (2, -2, 2) Comparando estes dados com os valores da tabela de atribuição dos planos de Miller para o ZnO hexagonal, nota-se uma correspondência entre os dados teóricos e os dados experimentais, comprovando a estrutura hexagonal do óxido de zinco, conforme figura 13. Figura 13. Estrutura cristalina do ZnO. As esferas em amarelo representam os átomos de zinco, e em cinza são os átomos de oxigênio (Fonte: MAYRINCK et al, 2014) Cálculo dos parâmetros a e c Utilizando o índice de Miller (0, 0, -2) e seu respectivo valor de distância interplanar d conforme a tabela 15, foi possível calcular os parâmetros de rede c para a estrutura hexagonal do ZnO: Å O mesmo raciocínio anterior pode ser usado para encontrar o parâmetro a, utilizando o índice de Miller (1, 1, 0): Å Tendo o conhecimento dos parâmetros a e c, foi possível calcular o volume para ZnO: Calculo da densidade Para hexagonal: número de átomos por célula é igual a 6 para Ni e 6 para O. AZn = 65,38 g/mol AO= 15,99 g/mol De acordo com a literatura, o ZnO apresenta densidade de 5,61 g.cm³. Com isso, temos que o erro da densidade encontrada é: Tabela 17. Resumo sobre a estrutura cristalina, aresta e raio atômico dos sólidos cristalinos. Estrutura cristalina Aresta (Å) Densidade (g.cm-3) Erro relativo à densidade (%) Raio atômico (pm) Erro relativo ao raio atômico (%) Cobre (Cu) CFC 3,692 8,490 - 5,24 130,53 1,9 Níquel (Ni) CFC 3,526 8,890 - 0,11 124,66 0,53 Cloreto de sódio (NaCl) CFC 5,340 2,550 17,51 - - Cloreto de potássio (KCl) CFC 4,975 4,022 103,3 - - ZnO Hexagonal - 5,67 1,07 - - NiO CFC 4,962 4,062 39,10 - - 5. Conclusão A prática de difração de raios X permitiu a identificação da estrutura cristalina de sólidos cúbicos, incluindo Cu, Ni, NaCl, KCl, ZnO e NiO. A maioria dos sólidos estudados apresentam estrutura cúbica de face centrada (CFC), exceto o ZnO que apresenta estrutura hexagonal compacta (HC). Para determinar a estrutura cristalina, utilizou-se o valor de 2θ obtido experimentalmente para calcular a relação Qn/Q1, onde n é a ordem de difração. A partir dessa relação, encontrou-se os índices de Miller h,k,l, que foram comparados com uma tabela de referência para identificar a estrutura correspondente. Além disso, calculou-se o valor da aresta e do raio da célula unitária para todos os sólidos, com exceção do NaCl e do KCl, visto que possui átomos distintos em sua estrutura. Em resumo, a prática de difração de raios X mostrou-se eficaz na identificação da estrutura cristalina de diferentes materiais. A combinação da relação Qn/Q1 e dos índices de Miller permitiu encontrar a estrutura correspondente na tabela de referência. Além disso, o cálculo da aresta e do raio da célula unitária contribuiu para uma melhor compreensão das propriedades dos sólidos cúbicos estudados. 6. Referências 1. Cullity, B. D. Elements of X-ray Diffraction. 3rd ed. Prentice Hall, 2001. 2. Jenkins, R. Snyder, R. L. Introduction to X-ray Powder Diffractometry. John Wiley & Sons, 1996. 3. Mayrinck, C.; Raphael, E.; Ferrari, J. L.; Schiavon, M. A. Síntese, Propriedades e Aplicações de Óxido de Zinco Nanoestruturado. Rev. Virtual Quim., 2014, 6 (5), 1185-1204. 4. Pecharsky, V. K. Zavalij, P. Y. Fundamentals of Powder Diffraction and Structural Characterization of Materials. Springer, 2009. 5. Shull, C. G. Methods in Experimental Physics, Volume 12: X-ray Diffraction and the Identification and Analysis of Clay Minerals. Academic Press, 1969. 6. Puc RIO -Difração de Raio X e Método de Rietveld. Disponível em: . 7. Avanços em caracterização de amostras sólidas cristalinas através de Difratometria de Raios-X. Disponível em: .Acesso em 20 Mai 2024. 8. CULLITY, B. D. Elements of X-ray diffraction. 3 ed. Addison-Wesley, 1956. 9. UNESP - Difração de raios X. Disponível em . image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image1.png image2.png image3.png