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www.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 1 Curso Online Psicologia Organizacional Prof.ª Luciana Castro Aula 13 Estresse e Síndrome de Burnout E D I T R AE D I T R A E D I T R AE D I T R A www.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 2 APRESENTAÇÃO Caros colegas, sejam bem-vindos ao curso de Psicologia Organizacional. Preparado com base nos conteúdos exigidos pelos principais concursos para psicólogos na área organizacional, este curso aborda temas comuns às bancas organizadoras: CESGRANRIO, CESPE, FGV, FUNRIO, FCC, VUNESP e Instituto AOCP. Para tanto, conta com 15 aulas de conteúdo teórico em PDF com questões, 15 aulas em vídeo com esquemas de estudo e questões comentadas ao final de cada aula. A primeira aula, Introdução à Psicologia Organizacional, apresenta o desenvolvimento da Psicologia Organizacional, visando a facilitar a compreensão dos processos e ferramentas importantes na atuação do psicólogo organizacional, e alguns aspectos éticos nela envolvidos. A segunda aula aborda a mudança nas organizações ou mudança organizacional, processo no qual o desenvolvimento organizacional (DO) e a qualidade de vida no trabalho (QVT) se destacam. Segue-se um bloco de aulas que contemplam o comportamento organizacional: clima e cultura organizacional; liderança, poder e conflito nas organizações; motivação no trabalho, grupos e equipes de trabalho. Também serão abordadas questões ligadas à gestão de pessoas: gestão de desempenho – especificamente a avaliação de desempenho; recrutamento e seleção; treinamento e desenvolvimento de pessoas. A saúde do trabalhador, tema relevante para a atuação do psicólogo organizacional e bastante exigido em concursos, será abordada com ênfase no processo de estresse, na Síndrome de Burnout e na psicodinâmica do trabalho. Por fim, serão abordados os processos de assédio moral e sexual, conteúdo que vêm sendo cobrado nos diversos certames da área. É fundamental esclarecer que o curso não se propõe a discutir as formas de gestão, o trabalho do psicólogo organizacional, a reprodução do sistema capitalista ou quaisquer outras considerações que fujam à preparação para concursos. Aqui, o compromisso é com os conteúdos sugeridos e a maneira como são cobrados em prova. O foco é a sua aprovação. Para estudo deste material, sugere-se uma primeira leitura, a fim de familiarizá-lo com o www.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 3 formato das aulas, a linguagem utilizada e o conteúdo exposto. Em seguida, leitura mais atenta, a elaboração do próprio resumo e a resolução das questões. Por fim, nova leitura, juntamente com a vídeo-aula, completando seu resumo com as anotações sugeridas em aula. Leia o material, assista às aulas e complemente seu resumo quantas vezes achar necessário. É preciso ter ânimo, disciplina e alegria para tornar o estudo agradável e proveitoso. Estaremos juntos na mesma vibração! Forte abraço! Luciana Castro Psicóloga Especialista em Gestão de Recursos Humanos Autora do livro Psicologia Organizacional – questões comentadas www.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 4 1 – Estresse . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 1.1 – Tipos de stress . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 1.2 – Diferenças individuais de resistência ao stress . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 1.3 – Stress ocupacional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 1.4 – Stress e desempenho no trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 1.5 – Fatores estressantes no trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 1.6 – Stress e trabalho: estudos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 1.7 – Avaliação do fator estressante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27 2 – Síndrome de Burnout . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .30 2.1 – Conceitos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30 2.2 – Stress e Burnout . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34 2.3 – Intervenções e tratamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35 2.4 – Estafa e Burnout . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 3 – Administração do stress: prevenção e tratamento . . . . . . . . . . . . . 37 4 – Stress e a mudança no mundo do trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . 39 www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 5 ESTRESSE OCUPACIONAL E SÍNDROME DE BURNOUT 1 Estresse A palavra stress, de origem inglesa, significa pressão ou força, em geral qualquer carga. Na Física, stress significa qualquer força que, aplicada sobre um sistema, leva-o à sua deformação ou destruição. Aplicando-se o termo ao homem, no nível orgânico e psíquico, refere-se a qualquer carga que se vivencia como pressão. Stress não é por definição uma patologia, mas um mecanismo normal de reação do organismo para situações novas ou de perigo. Diante das exigências do mundo, o stress é mecanismo de reação, adaptação e sobrevivência. O termo stress (na forma aportuguesada estresse) foi utilizado pela primeira vez em Medicina pelo endocrinologista Hans Selye em 1936, que assim o define: “Conjunto de reações, que ocorrem em um organismo quando está submetido a um esforço de adaptação” (SELYE apud FRANÇA, RODRIGUES, 2009). SÍNDROME GERAL DE ADAPTAÇÃO A síndrome geral de adaptação (SGA) foi descrita por Hans Selye em 1936 como o conjunto de reações inespecíficas do organismo quando exposto a estímulo percebido como ameaçador à homeostase. A SGA comporta três fases: reação de alarme, fase de resistência e fase de exaustão. Para que haja stress, não é necessário que todas as fases se desenvolvam até o fim, pois apenas nas situações mais graves é que a fase de exaustão é atingida. Reação de alarme Subdivide-se em dois tempos: shock e contra-chock. O shock é caracterizado pela série de reações psicofisilógicas que preparam o organismo para determinada reação, a fim de manter a homeostase. Caso o objetivo seja alcançado, entra em cena o contra-shock, caracterizado pela regressão das reações desencadeadas. No entanto, se o estímulo estressante permanecer e o organismo for obrigado a manter seu esforço de adaptação, entra em nova fase: fase de resistência. Fase de resistência Caracteriza-se basicamente pela manutenção da reação do organismo à ameaça. Se os estímulos estressores continuarem a agir, ou se tornarem crônicos ou repetitivos, a resposta se mantém, porém, com diminuição da amplitude e antecipação das respostas. Poderá ainda haver falha nos mecanismos de defesa, com o desencadeamento da terceira fase, a fase de exaustão. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 6 Fase de exaustão Caracteriza-se pela dificuldade na manutenção dos mecanismos adaptativos, perdas de reservas e morte. Noos ruídos em seu trabalho e busque meios de reduzi-los. 10) Saia do escritório algumas vezes para esfriar a cuca. 11) Reduza o tempo em que concentra sua atenção. Desligue rotina e papelório. 12) Limite interrupções: programe períodos de isolamentos e outros de reuniões. 13) Não fique muito tempo lidando com problemas desagradáveis. 14) Faça uma relação de assuntos preocupantes. Liste os problemas prioritários e as providências sobre cada um para que não fiquem rondando a sua memória. O manejo do stress requer um treino para prevenir ou aliviar o próprio stress e prevenir as formas disfuncionais de enfrentamento. Da mesma forma que o stress, seu manejo também é um processo personalizado, em que a avaliação e as técnicas desenvolvidas devem ser adequadas a cada pessoa, buscando as origens e os fatores que mantêm o stress e o enfrentamento inadequado. O caráter subjetivo desse treinamento muitas vezes implica a necessidade de intervenção profissional. Entretanto, alguns cuidados e atenção podem ser úteis para todas as pessoas e algumas modificações podem ser realizadas por todos, segundo sua própria avaliação e decisão (GUIMARÃES, 2000, p. 69). Lipp (2000) alerta que se a pessoa tem alguma manifestação física (enfarte, úlcera, psoríase etc.) desencadeada por um stress muito grande ou pela somatória de muitos fatores estressantes, pequenos, mas constantes, o tratamento deverá ser feito por um psicólogo especialista em stress e por um médico especialista na área afetada. A autora lembra ainda que existem tipos de terapia que são extremamente eficazes para outros problemas e dificuldades, mas que não o são para o stress. Biaggio (2000) se refere às terapias cognitivas comportamentais como mais práticas e rápidas para lidar com os problemas cotidianos. A autora aponta ainda outras técnicas, como se espelhar em pessoas que não apresentam ansiedade em situações semelhantes, respirar fundo, técnicas de relaxamento, exercícios físicos etc. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 39 Para Lipp (2000), o controle do stress se baseia em quatro pilares: • alimentação, a fim de repor os nutrientes perdidos durante os períodos de stress; • relaxamento, a fim de reduzir a tensão mental e física que sempre acompanha o estressado; • exercícios físicos, porque o stress naturalmente prepara o corpo para a ação e os exercícios ajudam a eliminar a prontidão gerada pelo stress; • reestruturação de aspectos emocionais (comportamental), que se refere a conhecer a si mesmo e a mudar o modo estressante de pensar, sentir e agir. 4 Stress e a mudança no mundo do trabalho As mudanças aceleradas no mundo do trabalho, seja na automação ou na informática, têm impactado a vida dos trabalhadores à medida que dispõem de menos tempo para o lazer, artes, natureza, família, espiritualidade e o aumento do stress. Andrews (2014) aponta pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que afirma que a média de horas trabalhadas bateu 41 horas por semana no fim dos anos de 1990, contra 39 horas do começo da década, o que dá cerca de 100 horas a mais durante o ano. Se considerarmos que o trabalho não termina ao sairmos das instalações da empresa, às vezes, as pessoas ficam conectadas o tempo todo. Isso em função da economia globalizada da última década, que criou competição feroz com o downzing, a terceirização e a reengenharia. Assim, quem manteve o emprego tem de trabalhar mais, não apenas para arcar com a sobrecarga de trabalho e os desafios mais complexos, mas também para não ser demitido (ANDREWS, 2014). Downzing: é a redução ou enxugamento de níveis hierárquicos de uma organização para manter o essencial e a aproximação da base em relação à cúpula. Geralmente, é acompanhado de descentralização. Terceirização: se dá quando uma operação interna da organização é transferida para outra organização que consiga realizá-la melhor e mais barato. Refere-se à transformação de custos fixos em custos variáveis e simplificação da estrutura e do processo de decisão da organização. Reengenharia: é o redesenho radical dos processos empresariais para cortar despesas, reduzir custos, melhorar qualidade e serviço, e maximizar benefícios da TI, questionando como e por que as coisas estão sendo feitas. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 40 Andrews (2014) cita ainda a “síndrome dos sobreviventes das demissões”, termo que expressa o sofrimento dos trabalhadores que se mantêm no emprego após processo de mudanças e reorganização no trabalho. Newstrom (2011) afirma que os funcionários que sobrevivem às demissões em massa sofrem stress: Alguns experimentam a síndrome do sobrevivente da redução do quadro funcional, com sentimentos de incerteza, raiva, culpa e desconfiança. Sentem- se simultaneamente felizes, por terem um emprego, e culpados, pelo fato de alguns dos seus colegas terem sido demitidos. Enquanto isso, a pressão sobre eles normalmente aumenta de maneira dramática à medida que tentam realizar o trabalho de seus antigos colegas. Eles também fazem a seguinte pergunta: “Serei o próximo?” (p. 353). Vejamos um exemplo de como esse conteúdo foi cobrado pela banca FUNRIO no concurso para psicólogo do INSS, em 2014: QUESTÃO 14. (FUNRIO/INSS/2014) Os desgastes profissionais e psicológicos vêm aumentando por conta de um fenômeno atual pelo qual a economia se diz em crescimento enquanto os postos de trabalho diminuem, o que traz consequências desastrosas para o trabalhador. A Organização Mundial de Saúde aponta várias doenças características do século XXI decorrentes das relações com o trabalho. Dentre elas salienta-se a que deriva da síndrome dos sobreviventes das demissões, conhecida como a) pânico. b) estresse. c) alcoolismo. d) drogadicção. e) ansiedade. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 41 BIBLIOGRAFIA ABREU, K. L. et al. Stress ocupacional e síndrome de Burnout no exercício profissional da Psicologia. Psicologia: ciência e profissão, n. 2, ano: 22. Brasília: CFP, 2002. ANDREWS, S. Stress a seu favor: como gerenciar sua vida em tempos de crise. São Paulo: Ágora, 2014. BIAGGIO, A. M. B. A ansiedade do dia-a-dia. In: LIPP, M. (org.). O stress está dentro de você. São Paulo: Contexto, 2000. BERGAMINI, C. Motivação nas organizações. São Paulo: Atlas, 1997. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. _____________. Recursos Humanos: o capital humano nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. _____________. Introdução à Teoria Geral da Administração. Edição compacta. 3ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. FILGUEIRAS, J. C.; HIPPERT, M. I. Stress: possibilidades e limites. In: JACQUES; M. G.; CODO, W. Saúde mental e trabalho: leituras. Petrópolis, RJ: Vozes, 2007. FRANÇA, A. C. L.; RODRIGUES, A. L. Stress e trabalho: uma abordagem psicossomática. São Paulo: Atlas, 2009. FRANÇA, A. C. L.; RODRIGUES, A. L. Uma perspectiva psicossocial em psicossomática: via estresse e trabalho. MELLO FILHO, J. e (Col.) Psicossomática hoje. Porto Alegre: Artmed, 1992. GUIMARÃES, S. S. Valores e princípios: aprendi assim... In: LIPP, M. (org.). O stress está dentro de você. São Paulo: Contexto, 2000. JARDIM, S. R; SILVA FILHO, J. F.; RAMOS, A. O diagnóstico de Burnout na atenção em saúde mental dos trabalhadores. In: ARAUJO, A. et al. Cenários do trabalho: subjetividade, movimento e enigma. Rio de Janeiro: DPeA, 2004. KOVACS, M. J.; MACIEIRA, R. C.; CARVALHO, V. A. Formação profissional em psico-oncologia. In: CARVALHO, V. C. et. al. (Orgs.). Temas em psico-oncologia. São Paulo: Summus, 2008. LIPP, M. O que eu tenho é stress? De onde ele vem? In: LIPP, M. (org.). O stress está dentro de você. SãoPaulo: Contexto, 2000. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 42 NEWSTROM, J. W. Comportamento organizacional: o comportamento humano no trabalho. 12ª ed. São Paulo: McGrawHill do Brasil, 2011. OMS, ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação de transtornos mentais e de comportamento da CID-10. Porto Alegre: Artmed, 2011. PEREIRA, A. M. T. B. (Org.). Burnout: quando o trabalho ameaça o bem-estar do trabalhador. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2008. ROBBINS, S. P. Comportamento organizacional. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. ROBBINS, S. P.; JUDGE, T. A.; SOBRAL, F. Comportamento organizacional: teoria e prática no contexto brasileiro. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2013. SPECTOR, P. E. Psicologia nas organizações. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2014.quadro abaixo, apresentamos as principais reações orgânicas ao stress nas fases de alarme, resistência e exaustão, conforme França e Rodrigues (2009): 1ª FASE REAÇÃO DE ALARME - Aumento da frequência cardíaca - Aumento da pressão arterial - Aumento da concentração de glóbulos vermelhos no sangue - Aumento da concentração de glóbulos brancos no sangue - Aumento da concentração de açúcar no sangue - Aumento da frequência respiratória - Dilatação dos brônquios - Redistribuição do sangue - Ansiedade 2ª FASE REAÇÃO DE RESISTÊNCIA - Aumento do córtex da suprarrenal - Ulcerações no aparelho digestivo - Irritabilidade - Insônia - Mudanças de humor - Diminuição do desejo sexual - Atrofia de algumas estruturas relacionadas à produção de células do sangue 1ª FASE REAÇÃO DE EXAUSTÃO - Retorno parcial e breve à reação de alarme - Falha dos mecanismos de adaptação - Esgotamento e sobrecarga fisiológica - Morte do organismo Segundo Bergamini (1997), a reação de alarme gerada por uma situação conflituosa prepara o organismo para lutar ou fugir. De acordo com a autora, quando em situação de conflito for possível adotar atitudes produtivas e amadurecidas, o desgaste pessoal poderá ser inexpressivo. No entanto, quando as atitudes forem predominantemente imaturas e emocionais, a pessoa passará por desgaste maior – fase de resistência –, e o insucesso a levará à fase de exaustão. O insucesso, ao ultrapassar a situação delicada em que está o indivíduo, chega a uma situação ainda mais grave, conhecida como fase de exaustão, no qual as pessoas podem cair num processo depressivo, perdendo o controle total da situação. Aqui www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 7 também se poderá observar o comprometimento da saúde por meio de síndromes psicossomáticas que deixam os indivíduos vulneráveis a doenças e outros distúrbios (BERGAMINI, 1997, p. 149). Chiavenato (2004, p. 433) define stress como “conjunto de reações físicas, químicas e mentais de uma pessoa decorrente de estímulos ou estressores que existem no ambiente”. França e Rodrigues (2009) entendem que o stress pode ser observado em pelo menos duas dimensões: como processo e como estado. Processo: é a tensão diante de situação de desafio por ameaça e conquista. Estado: é o resultado positivo ou negativo da tensão realizada pela pessoa. A resposta ao stress é ativada pelo organismo, a fim de mobilizar recursos que possibilitem o enfrentamento das situações percebidas como difíceis ou que exigem esforço. As reações de stress são naturais e até necessárias para a manutenção da vida, porém, sob determinadas circunstâncias, podem se tornar prejudiciais ao funcionamento do indivíduo. Segundo França e Rodrigues (2009), o stress, dentro da perspectiva biopsicossocial, deve ser observado não só como reação do organismo, mas também como: (...) uma relação particular entre uma pessoa, seu ambiente e as circunstâncias as quais está submetida, que é avaliada pela pessoa como uma ameaça ou algo que exige dela mais que suas próprias habilidades ou recursos e que põe em perigo o seu bem-estar e sobrevivência (p. 36). Cabe salientar que o stress por si só não é suficiente para desencadear enfermidade orgânica ou provocar disfunção significativa na vida da pessoa. Para que isso ocorra é necessário que outras condições sejam satisfeitas, tais como a vulnerabilidade orgânica ou avaliação e enfrentamento inadequados da situação estressante. As principais síndromes associadas ao stress descritas por França e Rodrigues (2009) são: • Somatizações: sensações e distúrbios físicos com forte carga emocional e afetiva. • Fadiga: desgaste de energia física ou mental, que pode ser recuperada através de repouso, alimentação ou orientação clínica específica. • Depressão: combinação de sintomas, em que prevalece a falta de ânimo, a descrença pela vida e profunda sensação de abandono e solidão. • Síndrome do pânico: estado de medo intenso, repentino, acompanhado de imobilidade, sudorese e comportamento arredio. • Síndrome de Burnout: estado de exaustão total decorrente de esforço excessivo e contínuo. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 8 1.1 Tipos de stress A resposta ao estímulo estressor poderá ser positiva (eustress), se a pessoa reage bem à demanda apresentada, ou negativa (distress), se desencadeia um processo adaptativo inadequado, podendo inclusive gerar doenças. Eustress: tensão com equilíbrio entre esforço, tempo, realização e resultados. No eustress (stress positivo), o esforço de adaptação gera sensação de realização pessoal, bem-estar e satisfação das necessidades, mesmo que decorrente de esforços inesperados – esforço sadio. Quando fazemos algo agradável e nos sentimos valorizados pelo esforço despendido, estamos em eustress. Distress: tensão com rompimento do equilíbrio biopsicossocial por excesso ou falta de esforço, incompatível com o tempo, resultados e realização. Observe a curva seguinte, evidenciando os tipos de stress na relação esforço e tempo: Tempo Manifestações de sintomas e doenças Monotonia (- esforço) DISTRESS Sobrecarga (+ esforço) DISTRESSEUSTRESS Manifestações de sintomas e doenças Área de melhor desempenho e conforto Fonte: França e Rodrigues, 2009, p. 42. França e Rodrigues (2009) abordaram os desdobramentos do eustress e do distress: EUSTRESS DISTRESS Fascínio do stress Tensão para competitividade Revigoramento Engajamento social Atitude empreendedora Eclosão de doenças Sobrecarga pessoal e profissional Envelhecimento precoce Desorganização do projeto de vida Trabalho compulsivo (workaholic) www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 9 1.2 Diferenças individuais de resistência ao stress As pessoas reagem de maneiras diferentes nas mesmas situações aos fatores ambientais que provocam o stress. Personalidades do tipo A (pessoas viciadas no trabalho – workaholics) geralmente estão mais sujeitas ao stress do que as outras pessoas. Sua tolerância para ambiguidade, paciência, autoestima, saúde, exercícios físicos e hábitos de trabalho e de sono afetam a maneira como reagem ao stress (CHIAVENTATO, 2004). As pessoas com personalidade do tipo A apresentam um conjunto de ações e emoções que inclui ambição, agressividade, competitividade e impaciência, tensão muscular, estado de alerta, fala rápida, enfática e um ritmo de atividade acelerado. Além disso, fazem parte desse estilo de comportamento, a irritabilidade, a hostilidade e a facilidade em se irar. O padrão de comportamento tipo B apresenta como característica a expressão geral de relaxamento, calma e solicitude; andar de moderado a lento; voz branda e de baixo volume; é lento ou moderado nas suas respostas verbais; não fala de modo apressado; não reage de maneira intensa quando impedido de realizar as coisas rapidamente; dificilmente é hostil; raramente usa o punho cerrado ou o dedo apontado para enfatizar sua fala. Estudos concluíram que pessoas classificadas como de personalidade do tipo B foram consideradas mais eficientes para lidar com o stress do que as de personalidade do tipo A, e estas estavam mais sujeitas a sofrer problemas cardíacos. Principais características das personalidades tipo A e B: Personalidade tipo A Personalidade tipo B - Perfeccionismo - Agressividade - Espírito altamente competitivo - Depressão - Dificuldade para delegar autoridade e dizer não - Problemas para estabelecer prioridades - Não luta contra o relógio - Não compete compulsivamente - Estabelece objetivos definidos para sua realização profissional - Não é muito crítico consigo mesmo nem com os outros - Relaxa sem sentimento de culpa 1.3 Stress ocupacional De acordo com Robbins, Judge e Sobral (2013), o stressé condição dinâmica na qual um indivíduo é confrontado com uma oportunidade, exigência ou recusa com relação a alguma coisa que ele deseja e cujo resultado é percebido simultaneamente como importante e incerto. O stress, como já vimos, não é necessariamente ruim, ele pode e deve ser visto como oportunidade quando oferece potencial de ganho. Estudos sugerem que o stress, quando adequadamente administrado, pode proporcionar bom ritmo de trabalho e aumento do nível de produtividade. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 10 ACERTE O ALVO: O stress só acontece quando existe incerteza ou dúvida a respeito da oportunidade a ser aproveitada, das limitações serem superadas ou a perda ser evitada. No entanto, se perder ao ganhar for irrelevante para a pessoa, não haverá stress. Estudos recentes indicam que estressores por desafio produzem menos tensão do que estressores por obstáculo; além disso, melhoram o desempenho profissional, ao passo que estressores por obstáculo reduzem o desempenho em todos os ambientes (ROBBINS, JUDGE, SOBRAL, 2013). Estressores por desafios: estressores associados com a carga de trabalho, pressão para finalização das tarefas e urgência de tempo. Estressores por obstáculo: estressores que impedem alguém de alcançar seus objetivos (burocracia, política da empresa e confusões com relação às responsabilidades no trabalho). O stress parece estar associado às demandas ou recursos (ROBBINS, JUDGE, SOBRAL, 2013). As demandas são as responsabilidades, pressões, obrigações ou incertezas enfrentadas no ambiente de trabalho. Os recursos são coisas que estão sob controle de alguém e podem ser usados para resolver as demandas. Robbins (2009) aponta que o stress aparece associado aos limites e às demandas, e explica que os limites impedem que seja feito o que deseja, e as demandas referem-se à perda de alguma coisa desejada. 1.4 Stress e desempenho no trabalho Chiavenato (2004) destaca as consequências negativas do stress, tanto para o indivíduo quanto para a organização. As consequências humanas e organizacionais, apontadas pelo autor, incluem: • ansiedade; • depressão; • angústia; • distúrbios gástricos e cardiovasculares; • dores de cabeça; www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 11 • nervosismo; • acidentes; • abuso de drogas (em alguns casos); • alienação; • comprometimento das relações interpessoais. • afeta a qualidade e a quantidade do trabalho; • aumento do absenteísmo e rotatividade; • predisposição a queixas, reclamações e greves. No entanto, o stress não é necessariamente disfuncional, lembra o autor. Algumas pessoas trabalham sob pequena pressão e são mais produtivas quando cobradas. Um nível modesto de stress conduz a maior criatividade quando uma situação competitiva conduz a novas ideias e soluções. O modelo do U invertido (ou curva Yerkes-Dodson) representa a relação entre nível de stress e desempenho no trabalho, porém, Robbins (2009) alerta que apesar da popularidade e do apelo intuitivo, o modelo não apresenta muita sustentação empírica. Modelo do U invertido na relação entre estresse e desempenho no trabalho / Curva Yerkes-Dodson Estresse no trabalho Nível ótimo de estresse Área de melhor performance www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 12 1.5 Fatores estressantes no trabalho De acordo com Spector (2014), com base em Jex e Beehr (1991): • Um fator estressante no trabalho é condição ou situação que requer reação adaptativa por parte do funcionário. • O desgaste no trabalho é reação negativa, por parte de um funcionário, a um fator estressante, como raiva, ansiedade ou sintoma físico, como dor de cabeça. Segundo Robbins, Judge e Sobral (2013), existem três categorias ou fontes potenciais de stress: ambiental, organizacional e individual. Os fatores de stress são fenômeno cumulativo. Cada fator novo e persistente faz crescer o nível de stress do indivíduo. Assim, determinado fator pode ser de pouca importância quando observado isoladamente, mas pode se tornar “a gota d’água” quando somado a nível de stress já alto (ROBBINS, 2009). No quadro seguinte, é possível observar as fontes potenciais do stress (ambiental, organizacional e individual) em combinação com as características pessoais e suas possíveis consequências. Fatores ambientais - Incerteza econômica - Incerteza política - Incerteza tecnológica Estresse experimentado Fontes potenciais Consequências Diferenças individuais - Percepção - Experiência no trabalho - Apoio social - Con�ança no dentro de controle interno - Autoe�cácia - Hostilidade Sintomas físicos - Dores de cabeça - Pressão alta - Doenças cardíacas Sintomas psicológicos - Ansiedade - Depressão - Diminui a satisfação com o trabalho Sintomas comportamentais - Produtividade - Absenteísmo - Rotatividade Fatores individuais - Problemas familiares - Problemas econômicos - Personalidade Fatores organizacionais - Demandas das tarefas - Demanda dos papéis - Demandas interpessoais - Estrutura organizacional - Liderança organizacional - Estágio da vida da organização Fonte: Robbins, 2009, p. 440. Chiavenato (2004) descreve duas fontes principais de stress no trabalho: ambiental e pessoal ou individual. Segue quadro elucidativo dos estressores ambientais, estressores individuais e consequências disfuncionais. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 13 ESTRESSORES AMBIENTAIS ESTRESSORES INDIVIDUAIS CONSEQUÊNCIAS DISFUNCIONAIS Cargo Sobrecarga Rigidez Monotonia Programação Necessidades Aspirações Estabilidade emocional Experiências Flexibilidade Tolerância à ambiguidade Autoestima Padrão de comportamento Subjetivo Fadiga Ansiedade Preocupação Culpa Papel Ambiguidade Conflito Responsabilidade Falta de apoio Comporta- mental Acidentes Erros Estrutura Comunicação pobre Pouca participação Pouca coordenação Rigidez Cognitivo Esquecimento Pouca concentração Erros de decisão Cultura Iniquidade Bitolamento Pouco progresso Pouca participação Fisiológico Cansaço Pressão alta Insônia Doenças Fatores Externos Família Economia Vida particular Comunidade Organiza- cional Absenteísmo Rotatividade Baixaprodutividade Baixa qualidade Relaciona- mentos Superiores Subordinados Colegas Clientes Fonte: Chiavenato, 2004, p. 434 (adaptado). www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 14 Vejamos um exemplo de como as duas principais fontes de estresse foram cobrados pelo Instituto AOCP no concurso para psicólogo organizacional da EBSERH, em 2013: QUESTÃO 01. (INSTITUTO AOCP/EBSERH/2013) Existem duas fontes principais de estresse no trabalho: causas ambientais e causas pessoais. Qual das causas citadas a seguir é pessoal? a) Falta de tranquilidade no trabalho. b) Baixa autoestima. c) Ruídos intensos. d) Fumaça e odores desagradáveis. e) Excesso de trabalho. Alguns elementos estressantes no ambiente de trabalho podem ocorrer na maioria dos empregos (p. ex., conflitos com os colegas e carga excessiva de trabalho), outros parecem ser bem específicos a determinadas categorias profissionais. Spector (2014) cita as descobertas de Parasuraman e Purohit (2000) sobre importante fator estressante para os músicos de orquestras, que é ser solicitado a fazer algo que viole seu senso de integridade artística, o que provavelmente não ocorreria com um enfermeiro, que ao invés disso, pode ter que lidar com o stress de pacientes em estado terminal. Spector (2014) destaca os fatores que foram significativamenteestudados como causas possíveis de desgaste dos funcionários, sendo que cada um desses fatores foi correlacionado com pelo menos alguns desgastes. Os fatores são: Ambiguidade e conflito de papéis Carga de trabalho Fatores sociais Política organizacional Controle Ritmo determinado pela máquina Relação controle/ demanda Ambiguidade e conflito de papéis ou fatores estressantes de papéis São os fatores mais amplamente estudados em pesquisa de stress ocupacional. A ambiguidade de papéis é o grau de incerteza dos funcionários sobre quais são suas funções e responsabilidades no trabalho. O conflito de papéis surge quando as pessoas se percebem diante de demandas incompatíveis no trabalho (intrapapéis) ou fora dele (extrapapéis). www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 15 O conflito intrapapéis surge quando, por exemplo, dois supervisores instruem um funcionário a realizar tarefas incompatíveis. O conflito extrapapéis ocorre quando, por exemplo, o funcionário tem um filho que adoece e pode precisar faltar ao trabalho. As pesquisas sobre o tema têm se concentrado principalmente nos desgastes psicológicos. A ambiguidade e o conflito de papéis estão associados a baixos níveis de satisfação no trabalho e altos níveis de ansiedade/tensão e intenção de se demitir do emprego. As correlações com desgastes comportamentais, como absenteísmo e desempenho no trabalho são relativamente desprezíveis na maioria dos estudos. Carga de trabalho Diz respeito às demandas de trabalho impostas ao funcionário. Estudos encontraram significativas correlações de carga de trabalho com desgastes psicológicos de ansiedade, frustração, insatisfação no emprego e intenção de demissão, e os desgastes físicos de sintomas de saúde. Outros estudos encontraram correlação entre carga de trabalho e depressão, exaustão e doença cardíaca. Fatores sociais Os fatores sociais mais mencionados pelos funcionários são as ocorrências envolvendo relacionamentos interpessoais. O bom relacionamento entre as pessoas no ambiente de trabalho é importante elemento do bem-estar, e o contrário pode ser grave fonte de desgaste. Vejamos um exemplo de como esse conteúdo foi cobrado pelo Instituto AOCP no concurso para psicólogo da EBSERH, em 2015: QUESTÃO 02. (INSTITUTO AOCP/EBSERH/2015) O trabalho deveria contribuir para a saúde e bem-estar emocional de seus colaboradores, mas há situações que ele impede que isso aconteça. Por exemplo, quando a) ocorre uma carga excessiva de trabalho, falta de controle, ambiguidade e conflito de papéis. b) possui limitações organizacionais, relacionamentos frágeis (formalidade) e autoritarismo da chefia. c) existe um ambiente estressante, trabalho noturno e burocracia. d) há clima organizacional conflitante, colaboradores irresponsáveis e chefia paternalista. e) alguns colaboradores estão desmotivados, há pessoas introvertidas e isolamento da chefia. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 16 Como os indivíduos passam muito tempo no trabalho, os relacionamentos sociais com colegas, superiores e outros podem constituir alguns dos relacionamentos mais importantes de sua vida. Os conflitos vão desde conflitos interpessoais, bem como ser destratado por membros da organização e clientes. O conflito se relaciona com desgastes físicos (dores de cabeça e estômago) e psicológicos (ansiedade, depressão e insatisfação no trabalho). Spector (2014) aponta estudo conduzido em Dresden, na antiga Alemanha Oriental, para investigar o impacto dos fatores sociais estressantes no desgaste psicológico durante o período de reunificação da Alemanha, de 1990 a 1991. O estudo proporcionou evidências de que os aspectos sociais do trabalho podem ser importante determinante do desgaste psicológico. Uma combinação de intensos fatores sociais estressantes e pouco apoio social é associada a altos níveis de sintomas depressivos. Alguns fatores sociais, descritos por Spector (2014), são unidirecionais, podendo variar de formas relativamente brandas de incivilidade a formas mais intensas de abuso e agressão verbal. Essas experiências foram associadas a uma série de desagastes, tanto psicológicos quanto físicos, como ansiedade, depressão, sintomas como dores de cabeça e insatisfação no trabalho. Incivilidade consiste em atos verbais de baixa intensidade de grosseria e insensibilidade que nem sempre estão voltados para magoar ou prejudicar alguém (p. ex., fazer comentários pejorativos ou observações sarcásticas, direcionar olhares hostis ou ignorar alguém). Aqui, a vítima sente que foi tratada desrespeitosamente, apesar de o perpetrador poder não sentir que a ofendeu. A incivilidade é em grande parte uma questão pessoal, ou seja, a mesma experiência não será interpretada da mesma forma por todas as vítimas. Indivíduos que sentem ser alvos de incivilidade relatarão sintomas de desgaste, como angustia emocional e insatisfação no trabalho. Spector (2014) ainda refere o bullyng e/ou mobbing como estressores sociais. O bullyng é caracterizado por padrão repetido de comportamento abusivo direcionado a alguém ao longo do tempo, podendo consistir em atos verbais e físicos, com alguns perpetradores recorrendo a agressão física e ameaças de violência. Mobbing se refere à prática do bullyng no ambiente de trabalho envolvendo vários perpretadores contra uma única pessoa. Além dos desgastes emocionais e físicos, os indivíduos expostos a esse fator estressante podem precisar de tratamento médico e mostrar sinais de desgaste severo, similar ao transtorno de stress pós-traumático. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 17 Política organizacional A política organizacional diz respeito à percepção por parte dos funcionários de que colegas e supervisores se envolvem em comportamentos em causa própria, colocando interesses pessoais acima da organização e de outras pessoas, e de que as recompensas são baseadas em favoritismo, e não em mérito. Estudos indicam que as percepções da política organizacional são associadas a desgastes tanto psicológicos quanto físicos, bem como a baixo nível de comprometimento no emprego e satisfação reduzida no trabalho. Controle O controle diz respeito à autonomia que o funcionário tem para tomar decisões sobre seu trabalho. Estudos demonstram que as percepções de controle do funcionário estão associadas ao desgaste psicológico, físico e comportamental, apesar dos resultados serem mais compatíveis com o desgaste psicológico. Spector (2014) afirma que há evidências de que o modo como as pessoas se sentem em relação ao trabalho afeta sua percepção do emprego, ou seja, o suposto desgaste pode ser a causa do suposto fator estressante, e não o contrário. Ritmo determinado pela máquina Ocorre quando a máquina controla quando o trabalhador deve agir. O trabalho em uma fábrica, por exemplo, quando uma esteira transportadora dita o ritmo ou controla a velocidade na qual o funcionário trabalha; mas não só em fábricas. Milhões de pessoas ao redor do mundo passam o dia sentados diante de um computador realizando um trabalho não muito diferente de uma linha de montagem de fábrica. Eles reagem a informação que chega na tela a um ritmo determinado pela máquina (SPECTOR, 2014, p. 316). Além das reações fisiológicas, o ritmo determinado pela máquina tem sido associado a desgastes psicológicos e sintomas de saúde. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 18 Estudos apontam a importância de dois hormônios associados ao stress: as catecolaminas (adrenalina e noradrenalina) e a cortisona, substâncias que ajudam a preparar o corpo para aação na ocorrência de perigo ou problemas. Frequentes níveis elevados de catecolaminas e cortisona foram associados a doenças cardíacas. A pesquisa da University of Stochholm, citada por Spector (2014) aponta: Aumento da carga de trabalho Aumento do nível de adrenalina e noradrenalina Diminuição do nível de controle sobre o trabalho Aumento do nível de adrenalina e noradrenalina Ritmo determinado pela máquina Aumento do nível de adrenalina e noradrenalina Ritmo determinado pela máquina (baixo controle) O nível de cortisona aumenta de casa para o trabalho Alto controle sobre o trabalho O nível de cortisona cai de casa para o trabalho Durante o momento de stress, a medula adrenal libera os hormônios adrenalina e noradrenalina como resposta inicial rápida do corpo ao stress. A adrenalina e a noradrenalina aumentam a frequência cardíaca, a respiração e a pressão arterial, reduzem a digestão e dilatam as pupilas. Uma segunda resposta retardada é a secreção de corticosteroides (cortisona) do córtex adrenal, que combatem inflamações, promovem a cura e a liberação das reservas armazenadas de energia. Dentre os fatores determinantes do stress estão: personalidade, constituição orgânica, avaliação da percepção, expectativas da pessoa, contextos organizacionais, expectativas do ambiente, estratégia de enfrentamento etc. (FRANÇA, RODRIGUES, 2009). www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 19 Para França e Rodrigues (2009), alguns indicadores podem ajudar na detecção da ação dos agentes estressores no indivíduo, grupo ou organizações. Observe os indicadores, citados pelos autores, na tabela abaixo: Individuais Grupos Organizações - Queda da eficiência - Ausências repetidas - Insegurança nas decisões - Protelação na tomada de decisões - Sobrecarga voluntária de trabalho - Uso abusivo de medicamentos - Irritabilidade constante - Explosão emocional fácil - Grande nível de tensão - Sentimento de frustração - Sentimentos de onipotência - Desconfiança - Eclosão ou agravamento de doenças - Competição não saudável - Politicagem - Comportamento hostil com as pessoas - Perda de tempo com discussões inúteis - Pouca contribuição ao trabalho - Trabalho isolado dos membros - Não compartilhamento de problemas comuns - Alto nível de insegurança - Grande dependência do líder - Greves - Atrasos constantes nos prazos - Ociosidade, sabotagem, absenteísmo - Alta rotatividade de funcionários - Altas taxas de doenças - Baixo nível de esforço - Vínculos empobrecidos - Relacionamento entre os funcionários caracterizado por rivalidade, desconfiança, desrespeito e desqualificação Rodrigues e França (1992) apontam que diante de estressores psicossociais, o indivíduo tende a reagir ou se ajusta basicamente de duas maneiras, ajustes ativo e passivo: Individuais Grupos - O indivíduo expressa seu desejo de mudança na estrutura a que está sendo submetido - Afasta-se ou solicita transferência do serviço voluntariamente - Tem participação em movimentos trabalhistas (organizados ou não) - É mais comum e conduz à alienação (no sentido sociológico do termo) - O indivíduo passa a depreciar o trabalho e senti-lo como um peso e não como fonte de satisfação - O trabalho passa a ser desenvolvido como desinteressante e não envolvente. As formas de satisfação são encontradas apenas fora do trabalho, em diferentes maneiras de consumo - Absenteísmo - Maior predisposição à doença pela falta de coerência social do sistema em que o indivíduo está inserido e que atua como agente estressor psicossocial www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 20 Exemplo do processo de stress Spector (2014) apresenta (com base nos estudos de Frese e Zaft, 1988) um modelo de cinco passos para o processo de stress no trabalho: Etapa ou passo 1 Fator estressante objetivo Etapa ou passo 2 Leva à sua percepção Etapa ou passo 3 A situação é avaliada pelo indivíduo Etapa ou passo 4 Se for avaliada como desafio ou ameaça, a percepção pode levar a desgastes de curto prazo Etapa ou passo 5 Até o desgaste de longo prazo Spector (2014) ilustra: 1º passo 2º passo 3º passo 4º passo 5º passo Fator estressante objetivo Percepção Avaliação Desgaste de curto prazo Desgaste de longo prazo Início do incêndio Funcionário vê o fogo Funcionário avalia o fogo como ameaçador Funcionário sente medo e náusea, e pula da janela Funcionário desenvolve transtorno de stress pós-traumático 1.6 Stress e trabalho: estudos Os modelos de processos de stress no trabalho presumem que os fatores estressantes levam ao desgaste. No entanto, como apontado por França e Rodrigues (2009), o processo não é automático, e que as percepções e a avaliação dos funcionários sobre esse fator são parte essencial do processo. Modelo de Lazarus e Folkman No modelo de stress e coping (enfrentamento) de Lazarus e Folkman, a função cognitiva do indivíduo na percepção e interpretação das situações de stress é fundamental. Nessa concepção, os eventos não são estressantes, mas sim a forma como são interpretados e a reação que despertam no indivíduo (FRANÇA, RODRIGUES, 2009). Para esse modelo “o stress psicológico é uma relação particular entre a pessoa e o ambiente que é avaliada pela pessoa como onerando ou excedendo seus recursos e colocando em risco o seu bem-estar” (LAZARUS e FOLKMAN, 1984, apud FRANÇA e RODRIGUES, 2009, p. 69 – grifo nosso). www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 21 Segundo França e Rodrigues (2009), esse modelo leva em conta as fases (mediadoras da relação pessoa-ambiente) de avaliação primária, avaliação secundária, reavaliação e enfrentamento. Vejamos as características de cada uma delas: • Avaliação primária: o indivíduo examina se o evento, do ponto de vista do seu bem- estar, é irrelevante, positivo ou estressante. No caso de julgá-lo estressante, a análise pode ocorrer de três formas: dano ou perda (já assumido), ameaça (dano/perda antecipado) ou desafio (ao acontecimento passível de aprendizagem ou ganho). • Avaliação secundária: julgamento relativo ao que pode ser feito (estratégias de coping), isto é, a avaliação secundária se concentra naquilo que pode ser feito com base nas exigências e recursos que se tem. • Reavaliação: avaliação modificada, baseada em novas informações do ambiente e/ou levantadas pela própria pessoa. Coping (enfrentamento): refere-se aos esforços cognitivos e comportamentais, em constante mudança, de que a pessoa se vale para administrar exigências externas e/ou internas específicas, ao avaliar que um fato ou evento excede aos seus recursos. No instrumento para detectar os estilos de coping adotado nas situações avaliadas são incluídos os seguintes fatores: confronto, autocontrole, suporte social, aceitação da responsabilidade, fuga-esquiva, resolução de problemas e reavaliação positiva. Hassles: (termo formulado por Lazarus) refere-se aos pequenos obstáculos, aos episódios externamente induzidos que prejudicam o cumprimento de metas pelos indivíduos. Modelo exigência-controle (demand-control) de Karasek A expressão demand-control ou exigência-controle se refere aos dois eixos do modelo desenvolvido por Robert Karasek: exigências (demandas) do trabalho versus controle (fatores relacionados às características psicossociais do trabalho). O modelo enfatiza o desencontro entre as condições de trabalho e os trabalhadores individuais. Aqui, o stress é visto como “as respostas físicas e emocionais prejudiciais que ocorrem quando as exigências do trabalho não estão em equilíbrio com as capacidades, recursos ou necessidades do trabalhador” (BAKER, KARASEK, 2000, p. 420 apud FRANÇA, RODRIGUES, 2009, p. 72). A situaçãosaudável de trabalho se expressaria em um cenário que permitisse o desenvolvimento do indivíduo, alternando exigências e períodos de repouso, em uma interação dinâmica entre homem e ambiente. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 22 Assim, altas cargas de exigências (ou pressão psicológica) combinadas com baixo controle sobre o trabalho (baixa latitude decisória) aumenta o risco de os trabalhadores apresentarem problemas de saúde física e mental decorrentes do stress. Para esse modelo, as características de um trabalho estressante consistem em simultaneamente impor exigências e criar restrições ambientais sobre a capacidade de resposta do trabalhador. A partir daí a tensão emerge principalmente em função das características do trabalho, e não da percepção subjetiva do trabalhador. Trabalhos que envolvem simultaneamente alta exigência e alto controle são chamados de ativos e levam ao desenvolvimento de novos padrões de comportamento, tanto no ambiente de trabalho quanto fora dele. Já os trabalhos que combinam baixas exigências e baixo controle são chamados de trabalhos passivos, vistos como indutores de declínio na atividade geral do indivíduo e de redução de sua capacidade de solução de problemas, e podem levar ao quadro denominado “desesperança aprendida”. Vejamos um exemplo de como esse conteúdo foi cobrado pela banca Cesgranrio no concurso para psicólogo da Petrobras, em 2015: QUESTÃO 03. (CESGRANRIO/PETROBRAS/2015) No que diz respeito ao estresse, é reconhecido como o trabalho mais estressante possível aquele em que há a) muita demanda e pouca autonomia decisória nos trabalhos ativos. b) muita demanda e muita autonomia decisória nos trabalhos passivos. c) muita demanda e muita autonomia decisória nos trabalhos ativos. d) pouca demanda e muita autonomia decisória nos trabalhos ativos. e) pouca demanda e pouca autonomia decisória nos trabalhos passivos. Níveis de atividade e níveis de tensão Alta exigência do trabalho e alta latitude decisória = nível de atividade ativo. Baixa exigência do trabalho e baixa latitude decisória = nível de atividade passivo. Alta exigência do trabalho e baixa latitude decisória = nível alto de tensão. Baixa exigência do trabalho e alta latitude decisória = nível baixo de tensão. O suporte social, representado pela natureza das relações interpessoais no ambiente de trabalho, quando são de apoio, constituem importante fator protetor frente ao stress. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 23 Vejamos um exemplo de como esse conteúdo foi cobrado pelo Instituto AOCP no concurso para psicólogo da EBSERH, em 2013: QUESTÃO 04. (INSTITUTO AOCP/ EBSERH / 2013) Qual dos itens citados auxilia a reduzir o Estresse dentro das organizações? a) Relacionamentos interpessoais amigáveis dentro da organização. b) Barulho excessivo no ambiente de trabalho. c) Falta de descrição clara do cargo ou da cadeia de comando. d) Condições de trabalho precárias. e) Natureza repetitiva das tarefas. Componentes do processo de estresse proposto por Karasek: Estressores Exigências de tempo, estrutura temporal do trabalho e ritmo: horas extras, trabalhos em turnos, trabalho ao ritmo da máquina, pagamento por produção Estrutura das tarefas: falta de controle, subutilização das capacidades Condições físicas: condições desagradáveis, ameaças de riscos físicos ou tóxicos, riscos ergonômicos Organização do trabalho: ambiguidade de papel, conflito de papel, competição e rivalidade Extra organizacionais: comunidade, insegurança no emprego, preocupações com a carreira Fontes extratrabalho: pessoais, família, relacionados à comunidade Consequências Fisiológicas Curto prazo: catecolaminas, cortisol, aumento da pressão arterial Longo prazo: hipertensão, doenças cardíacas, úlceras, asma Psicológicas (cognitivas e afetivas) Curto prazo: ansiedade, insatisfação, doença psicogênica de massa Longo prazo: depressão, burnout, distúrbios mentais Comportamentais Curto prazo no trabalho: absenteísmo, produtividade, participação Curto prazo na comunidade: redução das amizades e da participação Curto prazo na esfera pessoal: abuso de álcool e drogas, fumo Longo prazo: “desesperança aprendida” Modificadores Individuais: estilo de vida e recursos pessoais Suporte social: de natureza emocional, autoestima, informacional www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 24 Vejamos um exemplo de como esse conteúdo foi cobrado pela banca CESPE no concurso para psicólogo do Conselho Nacional de Justiça, em 2013: QUESTÃO 05. (CESPE/ CNJ/2013) No que se refere a condições organizacionais e promoção de saúde no trabalho, julgue o item subsequente. O estresse no trabalho é percebido de forma subjetiva; além de consequências fisiológicas e comportamentais, pode gerar consequências psicológicas. a) CERTO b) ERRADO Estudos de Cooper e colaboradores Cooper e colaboradores veem o stress como “qualquer força que conduz um fator psicológico ou físico além de seu limite de estabilidade produzindo uma tensão (strain) no indivíduo” (FRANÇA, RODRIGUES, 2009, p. 76 – grifo nosso). Cooper e colaboradores entendem o processo de stress com base nas seguintes premissas: • A maioria dos indivíduos procura manter seus pensamentos, emoções e relacionamentos com o mundo de maneira estável. • Cada fator dos estados emocional e físico de uma pessoa possui limites de estabilidade dentro dos quais a pessoa se sente confortável. Quando alguma força conduz esses fatores para além dos limites de estabilidade, o indivíduo precisa agir ou enfrentar essas forças (to cope) para restauração da situação de conforto. • O comportamento de um indivíduo para a manutenção do estado de conforto conforma seu processo de ajustamento ou de suas estratégias de enfrentamento. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 25 Nesse modelo, os fatores individuais e ambientais são considerados. Há ainda lugar para o conceito de vulnerabilidade individual: Fatores ambientais Fatores intrínsecos ao trabalho: envolvem condições de trabalho empobrecidas, trabalhos em turnos, jornada de trabalho extensa, viagens, atividades de risco ou perigo, novas tecnologias, sobrecarga de trabalho ou trabalhos monótonos Papel da organização: preocupa-se com a identificação de ambiguidade e o conflito de papéis na organização, assim como o nível de responsabilidade em relação a coisas ou pessoas na organização Relações de trabalho: investiga-se a falta de consideração ou as pressões exercidas por superiores hierárquicos, isolamento, rivalidade, pressão política e falta de suporte social por parte dos colegas, bem como conflitos, ressentimentos e recusa de cooperação por parte dos subordinados Carreira: diz respeito ao exame da falta de segurança no trabalho gerada por aposentadoria precoce, medo de redundância ou obsolescência e a incongruência de status, seja por inadequação com relação à posição na organização ou frustrações referentes ao topo de carreiras Estrutura e clima organizacionais: propõe a investigação dos aspectos que ameacem a individualidade, liberdade, autonomia e identidade, como a falta de senso de pertencimento, a falta de participação, a falta de consulta e comunicação e as restrições ao comportamento no trabalho Fatores individuais Envolvem características de personalidade, atitudes e indicadores demográficos Vulnerabilidade individual (moderador do stress) Composto pelos seguintes fatores - Personalidade tipo A e B - Locus de controle - Eventos da vida - Suporte social para problemas pessoais e de trabalho - Estratégias de enfrentamento voltadas ao stress da vida edo trabalho Vejamos um exemplo de como esse conteúdo foi cobrado pela banca FUNRIO no concurso para psicólogo do Instituto Federal da Bahia, em 2014: QUESTÃO 06. (FUNRIO/IFBA/2014) Para Karasek (2000), o estresse no trabalho é visto como respostas físicas e emocionais prejudiciais que ocorrem quando as exigências do trabalho não estão em equilíbrio com as capacidades, recursos ou necessidades do trabalhador. Portanto, um dos componentes do processo de estresse no trabalho, entre outros, pode ser ambiental, como no caso de jornadas de trabalho em turno, extensas, de risco e de sobrecarga, conhecida como categoria ambiental de a) papel na organização. b) relações de trabalho. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 26 c) carreira. d) estrutura e clima organizacionais. e) fatores intrínsecos ao trabalho. Cooper e colaboradores também se preocuparam em pesquisar as relações de gênero e stress: Entre outras questões levantadas, encontra-se as expectativas com relação ao desempenho de papéis, os problemas com chefes do sexo masculino, as ameaças de envolvimento sexual, as ameaças referentes a competição com colegas de sexo masculino, obstáculos à carreira e a chamada “síndrome da mulher maravilha”, que se refere a dupla jornada de trabalho (FRANÇA, RODRIGUES, 2009, p. 77). Vejamos um exemplo de como os conhecimentos sobre o estresse ocupacional foram cobrados pelo Instituto AOCP no concurso para psicólogo da EBSERH, em 2015: QUESTÃO 07. (INSTITUTO AOCP/EBSERH/2015) Em relação ao estresse ocupacional é correto afirmar que a) é um fenômeno que não tem potencial para promover adoecimento no trabalho. b) é sempre negativo para os trabalhadores. c) temos a situação que pode desencadear o estresse que se denomina estímulo estressor e, de outro lado, a resposta do indivíduo diante do estímulo, que é a resposta ou o processo de estresse. Se essa resposta é negativa, ou seja, desencadeia um processo adaptativo inadequado, podendo gerar inclusive doença, é chamado de eustress; no entanto, se a pessoa reage bem à demanda, é nomeado de distress. d) os agentes estressores advêm apenas do mundo interno dos sujeitos trabalhadores, como os pensamentos e as emoções. e) o fenômeno do estresse ocupacional pode estar presente nos mais distintos níveis hierárquicos em organizações de todos os portes e se intensificam, muitas vezes, à medida que aumentam as responsabilidades, cobranças, pressão laboral, competitividade, estafante jornada de trabalho, entre outras características muito típicas do mundo globalizado. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 27 Vejamos outro exemplo de como esse conteúdo foi cobrado pela VUNESP no concurso para psicólogo da Universidade Federal de São Paulo, em 2014: QUESTÃO 08. (VUNESP/ UNIFESP/2014) Uma organização de trabalho pretende implantar um programa de prevenção do estresse no trabalho. Um objetivo compatível com essa proposta é a) oferecer aos seus colaboradores maior participação na tomada de decisões e maior autonomia. b) aumentar o salário de seus colaboradores e oferecer como benefício um atendimento psicológico. c) oferecer aconselhamento psicológico para ajudar os colaboradores a enfrentarem os seus problemas. d) criar grupos entre colaboradores e gestores para melhorar a sua habilidade de organização. e) desenvolver programas de treinamento para que os colaboradores identifiquem sinais de estresse. 1.7 Avaliação do fator estressante A avaliação do fator estressante é importante no estudo dos efeitos do stress, pois um mesmo estímulo pode ser grande motivo de alegria para uma pessoa e de sofrimento para outra. Fatores individuais, ambientais e do quotidiano influenciam no processo de avaliação (FRANÇA, RODRIGUES, 2009). Dentre os fatores individuais podemos destacar compromissos e crenças. Quanto mais comprometido o indivíduo está com o acontecimento, maior será seu compromisso, o que poderá influenciar na avaliação do evento. Há aqui uma dupla possibilidade, pois à medida que a intensidade do compromisso é grande sua vulnerabilidade poderá ser aumentada ou servir de impulso para manejar os recursos de enfrentamento para o evento. No que diz respeito às crenças, convicções e premissas, estão presentes na avaliação das circunstâncias à medida que influenciam na percepção da pessoa sobre a situação vivenciada. Os fatores ambientais podem ser observados na popular escala de Holmes e Rahe. A escala atribui diferentes valores a diversos fatores estressantes e tem por objetivo mostrar o impacto relativo de acontecimentos estressantes, além de dar a indicação da grande variedade de fatores estressores. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 28 ESCALA DE HOLMES-RAHE Eventos Escala de impacto Morte do cônjuge 100 Divórcio 75 Separação conjugal 65 Pena de prisão 63 Morte de familiar próximo 63 Doença pessoal ou acidente 53 Casamento 50 Demissão do emprego 47 Reconciliação conjugal 45 Aposentadoria 45 Comprometimento de saúde em membro da família 44 Gravidez 40 Dificuldades sexuais 39 Aumento da família 39 Mudança importante no trabalho 39 Mudança na condição financeira 38 Morte de amigo íntimo 37 Mudança no esquema, ritmo ou área de trabalho 36 Aumento das discussões com o cônjuge 35 Aquisição de casa ou dívida de alto valor 31 Alteração na responsabilidade profissional 29 Reconhecimento de feito profissional de realce 28 Cônjuge inicia ou para de trabalhar 26 Começo ou abandono de estudos 26 Aumento ou diminuição de pessoas moradoras na casa 25 Mudança de hábitos pessoais (p. ex., parar de fumar) 24 Problemas com o chefe 23 Mudança no horário de trabalho 20 www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 29 Eventos Escala de impacto Mudança de residência 20 Mudança de escola 20 Mudança de atividades recreativas 19 Mudança de atividades religiosas 19 Mudança de atividades sociais 18 Compra a crédito de valor médio 17 Mudança no hábito de dormir 16 Mudança na frequência de reuniões familiares 15 Mudança no hábito de alimentação 15 Férias 13 Natal ou outra festa de tradição importante na família 12 Recebimento de pequenas infrações para pagar 11 ACERTE O ALVO: em nota, França e Rodrigues (2009), apontam que a perda do emprego é considerada a segunda maior dor da última década. Dentre os aspectos do quotidiano que influenciam no processo de avaliação, França e Rodrigues (2009, p. 46-48) destacam: Novidade da situação: situações novas que possam estar associadas a acontecimentos anteriores ameaçadores ou que causaram dano, ou ainda uma novidade que não se tenha conhecimento claro da situação. Possibilidade de predizer o acontecimento: quando as pessoas são “pegas de surpresa” em relação a acontecimentos ou notícias que são significativos para elas. Incerteza do acontecimento: quanto maior o grau de incerteza para um acontecimento significativo, maior a capacidade de gerar sentimento de ameaça. Iminência do acontecimento: faz referência ao tempo que antecede uma situação significativa que está prestes a acontecer. Duração do episódio: quanto mais longo for o episódio estressante, mais intensas são as consequências sobre o organismo, levando ao desgaste progressivo e às vezes ao esgotamento, comprometendo, assim, a performance da pessoa. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 30 Incerteza sobre quando vai acontecer o evento: ocorre quando o acontecimento ameaçador está relacionado com o fator conhecimento e iminência temporal do acontecimento.Ambiguidade: ocorre quando a pessoa não dispõe de informações para avaliar o evento de maneira adequada. Vejamos um exemplo de como esse conteúdo foi cobrado pelo Instituto AOCP no concurso para psicólogo da EBSERH, em 2013: QUESTÃO 09. (INSTITUTO AOCP/EBSERH/2013) Um bom gerente deve auxiliar seus funcionários a organizar e desempenhar suas tarefas de forma a minimizar o estresse desnecessário. Qual dos itens citados a seguir contribui para o agravo do estresse no trabalho? a) Concentrar em uma tarefa de cada vez. b) Delegar tarefas. c) Renegociar as expectativas do papel. d) Definir prioridades para atividades de cada dia. e) Incertezas e ambiguidade. 2 Síndrome de Burnout 2.1 Conceitos “A Síndrome do Esgotamento Profissional é um tipo de resposta prolongada a estressores emocionais e interpessoais crônicos no trabalho” (JARDIM, SILVA FILHO, RAMOS, 2004, p. 74). “A Síndrome de Burnout (do inglês to burn out, queimar por completo, esgotar-se) é um estado psicológico angustiado que um funcionário pode vivenciar depois de muito tempo no trabalho” (SPECTOR, 2014, p. 320). Na CID-10, codificado na Seção Z73.0 Sensação de estar “acabado”. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 31 A síndrome de Burnout ou síndrome do esgotamento profissional é considerada um dos desdobramentos mais importantes do stress profissional. É um tipo de stress ocupacional e institucional que atinge mais profissionais cuja essência do trabalho é lidar com pessoas, principalmente entre profissões de ajuda, como médicos, enfermeiros, psicólogos, policiais, professores e assistentes sociais. O conceito de burnout foi desenvolvido na década de 1970 por Cristina Maslach, psicóloga social, e Herbert J. Freudenberger, psicanalista. De acordo com Spector (2014), a síndrome de burnout pode ser avaliada por meio de escalas aplicadas aos funcionários, a mais conhecida é o Maslach Burnout Inventory (MBI), que mensura os três componentes da síndrome: exaustão emocional, despersonalização e senso de realização pessoal reduzida. A exaustão emocional (sentimento de desgaste emocional e esvaziamento afetivo) é caracterizada por sentimento muito forte de tensão emocional que produz sensação de esgotamento, de falta de energia e de recursos emocionais próprios para lidar com as rotinas da prática profissional, e representa a dimensão individual de burnout. “Sentimento de cansaço e fadiga no trabalho” (SPECTOR, 2014). A despersonalização (reação negativa) é o resultado do desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas, por vezes cínicas, em torno das pessoas que entram em contato direto com o profissional, que são sua demanda e objeto de trabalho (endurecimento afetivo; “coisificação” da relação). Em um primeiro momento, é fator de proteção, mas pode representar risco de desumanização, constituindo a dimensão interpessoal de burnout. É o desenvolvimento do distanciamento emocional que se exacerba, como frieza, indiferença diante das necessidades dos outros, insensibilidade e postura desumanizada. “Desenvolvimento de um sentimento pessimista e insensível (ou cínico e hostil) em relação aos outros” (SPECTOR, 2014; 2005). A redução da realização pessoal e profissional (sentimento de diminuição de competência e de sucesso no trabalho) se caracteriza como tendência que afeta as habilidades interpessoais relacionadas com a prática profissional, o que influi diretamente na forma de atendimento e contato com as pessoas usuárias do trabalho, bem como com a organização. “Sentimento de que o funcionário não está realizando nada de importante (ou de valor) no trabalho” (SPECTOR, 2014; 2005). www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 32 Vejamos um exemplo de como esse conteúdo foi cobrado pela banca VUNESP no concurso para psicólogo da Universidade Federal do Mato Grosso, em 2013: QUESTÃO 10. (VUNESP/UFMT/2013) A síndrome de esgotamento profissional é um tipo de resposta prolongada a agentes estressores crônicos no trabalho. Ela é composta de três elementos: a) instabilidade do humor, insônia e julgamento muito crítico em relação ao próprio desempenho no trabalho. b) exaustão emocional, despersonalização e diminuição do envolvimento pessoal no trabalho. c) irritabilidade, explosões de raiva e sentimentos de desconfiança e estranhamento em relação aos outros. d) compulsão de consumir álcool, dificuldades para controlar o próprio comportamento e impulsividade. e) crises de euforia, alteração no ritmo da linguagem e preocupação excessiva com um tema único. Jardim, Silva Junior e Ramos (2004) resumiram o quadro clínico ou os critérios que norteiam o diagnóstico de burnout: • História característica com grande envolvimento subjetivo com o trabalho, função, profissão ou empreendimento assumido que muitas vezes ganha o caráter de missão. • Sentimento de desgaste emocional e esvaziamento afetivo (exaustão emocional). • Queixa de reação negativa, insensibilidade ou afastamento excessivo do público que deveria receber os serviços ou cuidados do paciente (despersonalização). • Queixa de sentimento de diminuição da competência e do sucesso do trabalho. Os autores ainda indicam a presença de sintomas inespecíficos, como insônia, fadiga, irritabilidade, tristeza, desinteresse, apatia, angústia, tremores, inquietação, caracterizando síndrome depressiva e/ou ansiosa. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 33 Vejamos um exemplo de como esse conteúdo foi cobrado pela Fundação Carlos Chagas no concurso para psicólogo do Ministério Público do Maranhão, em 2013: QUESTÃO 11. (FCC/MPEMA/2013) A síndrome do Burnout está ligada a) a um transtorno de estresse generalizado e atrelado a uma sensação pós-traumática que pode vir a se manifestar mesmo após 5 anos do ocorrido. b) a um desejo contínuo de maltratar alguém e colocá-la sob tensão de forma repetitiva, o que pode levar o outro à exaustão e sensação de coação. c) a contínuo processo emocional que leva o indivíduo a reviver um evento traumático de forma persistente, gerando esquiva constante, embotamento e sintomas persistentes de excitação mental. d) a contínua e prolongada exposição a fatores estressantes do trabalho, que geram exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação a quase tudo e todos. e) à capacidade que alguns indivíduos possuem de se adaptarem às situações adversas, desenvolvendo competências ligadas aos recursos internos e externos. Vejamos mais um exemplo de como esse conteúdo foi cobrado pelo Instituto AOCP no concurso para psicólogo da EBSERH, em 2015: QUESTÃO 12. (INSTITUTO AOCP/EBSERH/2015) A Síndrome de Burnout é caracterizada como a) um estresse crônico que afeta o aspecto físico do trabalhador que possui turnos rotativos de trabalho. b) uma ansiedade prolongada por pessoas que passam por momentos de estresse agudo. c) uma crise aguda de fobia em relação ao trabalho. d) o resultado do esgotamento, decepção e perda de interesse pela atividade de trabalho. e) o resultado de sonolência prolongada após longas jornadas de trabalho. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 34 2.2 Stress e Burnout Embora as literaturas da área entendam o burnout como desdobramento do stress laboral crônico, é preciso observar a distinção entre ambos. Abreu et al. (2002) apresentam o modelo interacional de Burnout e stress ocupacional: (...) burnout tem como consequência uma dessensibilização dirigida às pessoas com quem se trabalha, incluindo usuários, clientes e a própria organização, e o stress é um esgotamento diverso que, de modo geral,interfere na vida pessoal do indivíduo, além de seu trabalho (ABREU et al., 2002, p.25). Observe, no esquema, os desdobramentos e características do burnout e do stress ocupacional. Falta de apoio (afetivo/social) Fragilidade emocional Insatisfação com o trabalho Insatisfação nas demais áreas da vida Investimento frustrado/inadequado Exaustão emocional Fonte de pressão no trabalho (Inadequação à situação externa; di�culdade em lidar com problemas) Problemas de saúde mental e física Despersonalização Falta de realização Insatisfação Contato com pessoas (clientes, pacientes, alunos...) Processo de Burnout Processo de estresse ocupacional Fonte: Abreu et al., 2002, p. 25. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 35 Vejamos um exemplo de como esse conteúdo foi cobrado pelo Instituto AOCP no concurso para psicólogo da EBSERH, em 2015: QUESTÃO 13. (INSTITUTO AOCP/EBSERH/2015) O indivíduo submetido ao estresse ocupacional pode deixar de responder adequadamente às demandas do trabalho e geralmente se encontra irritável, ansioso e/ ou deprimido. Indivíduos com cronificação de altos níveis de estresse ficam vulneráveis ao surgimento da Síndrome de Burnout. A Síndrome é um processo de enfraquecimento decorrente de um período prolongado de estresse profissional. O termo Burnout é a junção de burn (queima) e out (exterior), significando exaustão emocional, fadiga, frustração, desajustamento. São fatores associados ao aparecimento da Síndrome de Burnout, EXCETO a) baixa autonomia no desempenho das atividades profissionais. b) elevado reconhecimento no trabalho por parte dos pares e superiores. c) sobrecarga de trabalho. d) problemas de relacionamentos interpessoais (chefia, colegas ou clientes). e) sentimento de desqualificação e falta de cooperação dentro da equipe. 2.3 Intervenções e tratamento De acordo com Jardim, Silva Junior e Ramos (2004), o tratamento da síndrome do esgotamento profissional envolve psicoterapia, tratamento farmacológico e intervenções psicossociais. Entretanto, a intensidade da prescrição de cada um dos recursos terapêuticos depende da gravidade e da especificidade de cada caso. Psicoterapia: indicada mesmo quando são prescritos psicofármacos, pois o burnout se refere a um processo de desinvestimento afetivo no trabalho que antes era objeto de todo ou grande parte desse investimento. O paciente necessita de tempo e espaço para repensar e ressignificar sua inserção no trabalho e na vida. Psicofármacos: prescrição de antidepressivos e/ou ansiolíticos de acordo com a presença de sintomas depressivos e ansiosos. Intervenções psicossociais: afastamento efetivo do trabalho e outras implicações, como o acompanhamento clínico no afastamento e retorno ao trabalho, assim como nas demais implicações, como a justificativa das recomendações perante a organização, o seguro social, o sistema de saúde e as ameaças de demissão após a volta ao trabalho. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 36 Spector (2014) apresenta, com base em pesquisas, duas maneiras de reduzir a síndrome de Burnout: um descanso ou uma trégua do trabalho, distanciando-se psicologicamente dele, e através do encorajamento dos gestores a proporcionar apoio emocional aos funcionários, dando feedback positivo e se envolvendo em discussões sobre os aspectos positivos do trabalho. 2.4 Estafa e Burnout No Brasil, o termo estafa tem sido aplicado a quadros clínicos similares ao quadro clínico do Burnout. Para Jardim, Silva Filho e Ramos (2004), deve-se diferenciar o burnout de outras formas de resposta ao stress. O quadro de burnout seria resposta ao stress laboral crônico envolvendo atitudes e condutas negativas com relação aos usuários, clientes, à organização e ao trabalho, sendo experiência subjetiva que acarreta prejuízos práticos e emocionais para o trabalhador e a organização. “O quadro tradicional de estresse não envolve tais atitudes, sendo um esgotamento pessoal, que interfere na vida do indivíduo, mas não de modo direto, na sua relação com o trabalho” (JARDIM, SILVA JUNIOR, RAMOS, 2004). A estafa é um estado de desgaste psicológico que um funcionário pode experimentar depois de estar no trabalho por um longo tempo. Uma pessoa sofrendo de estafa está emocionalmente exausta e tem baixa motivação para o trabalho. De certa forma ela envolve depressão com o trabalho e pouca energia e entusiasmo para desempenhá- lo. Originalmente esse conceito foi desenvolvido para explicar as reações de muitos funcionários nas profissões de ajuda a outras pessoas, como psicoterapeutas e assistentes sociais. Os primeiros pesquisadores do assunto acreditavam que a estafa era resultado do trabalho intenso com outras pessoas. Mais recentemente, contudo, a ideia foi estendida para trabalhadores em todos os tipos de ocupações, mesmo aqueles que têm pouco contato com outras pessoas (SPECTOR, 2005, p. 302). Ainda, de acordo com Spector (2005), os sentimentos de estafa estão correlacionados com muitos fatores e variáveis de stress e de desgaste no trabalho. Os principais fatores de stress e desgaste no trabalho associados à estafa são: • grande carga de trabalho; • baixo controle do trabalho; • ambiguidade e conflito de função. ACERTE O ALVO: Spector, em 2014, na quarta edição da obra Psicologia nas organizações, usa a terminologia síndrome de Bunout para designar o estado de desgaste psicológico que um funcionário pode experimentar depois de estar no trabalho por longo tempo. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 37 Spector (2014) demonstra alguns dos fatores estressantes e desgastes no trabalho associados à síndrome de Burnout: Carga pesada de trabalho Baixo controle Ambiguidade de papéis Conflito de papéis Síndrome de Burnout Absenteísmo Insatisfação Sintomas de saúde Desempenho insatisfatório Rotatividade 3 Administração do stress: prevenção e tratamento Geralmente as medidas de prevenção e tratamento do stress são elencadas pelos autores em um mesmo quadro, pois seus princípios tanto previnem quanto combatem seus efeitos negativos. Robbins, Judge e Sobral (2013, p. 589) apresentam as ações individuais (o indivíduo pode assumir a responsabilidade de reduzir seu próprio nível de stress) e organizacionais na administração do stress: Abordagem individual Abordagem organizacional - Técnicas de administração do tempo - Aumento de exercícios físicos - Treinamento para relaxamento - Expansão da rede de apoio social - Melhoria no processo de seleção e colocação de pessoal - Fixação de objetivos realistas - Replanejamento do trabalho - Aumento do envolvimento dos funcionários - Melhoria da comunicação organizacional - Implantação de programas corporativos de bem-estar De acordo com Chiavenato (2004, p. 435), existem várias maneiras de aliviar o stress, desde maior tempo de sono a remédios exóticos como biofeedback e meditação. Chiavenato, então, apresenta algumas medidas para reduzir o stress. 1) Relações cooperativas, recompensadoras e agradáveis com os colegas. 2) Não tentar obter mais do que cada um pode fazer. 3) Relações construtivas e eficazes com os gerentes. 4) Compreender os problemas do chefe e ajudá-lo a compreender os seus. 5) Negociar com o gerente metas realísticas para o seu trabalho. Esteja preparado para propor metas, apesar daquelas que lhe foram impostas. www.concursospsicologia.comwww.concursospsicologia.com Psicologia Organizacional Aula 13 - Estresse e Síndrome de Burnout Prof.ª Luciana Castro 38 6) Estude o futuro e aprenda como se defrontar com eventos possíveis. 7) Encontre tempo para se desligar das preocupações. 8) Ande pelo escritório para manter sua mente tranquila e alerta. 9) Verifique