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Resumo ODONTOPEDIATRIA Ana Júlia Gomes Popularmente conhecido como “dente de leite” devido a sua coloração mais branca. Isso acontece devido: Esmalte mais fino, menos mineralizado e mais permeável. Isso gera uma maior vulnerabilidade à cárie. Maior volume pulpar. Porosidade da região do assoalho. Caso o dente decíduo seja acometido pela cárie, há a possibilidade de atingir o dente permanente. Raízes curvas e delgadas. Os dentes decíduos começam a se formar a partir da 6ª semana, e os dentes permanentes, a partir do 3º mês de vida intra-uterina. Dessa forma, condições desfavoráveis durante a gestação (uso de medicamentos, infecções, carências nutricionais) podem trazer problemas nos dentes em fase de formação e mineralização. Erupção / Irrupção: Processo pelo qual o dente se desloca do local onde inicia-se seu desenvolvimento (a cripta óssea) até alcançar o plano oclusal. Cronologia eruptiva: É o tempo médio em que os dentes devem irromper. Sequência eruptiva: É a ordem em que os dentes aparecem na cavidade bucal. Esta ordem oferecerá oportunidade ideal para os dentes ocuparem seu devido lugar no arco. A erupção, tanto de dentes decíduos, quanto de permanentes, passa por 3 fases distintas: 1- Pré-eruptiva. 2- Eruptiva ou pré-funcional. 3- Pós-eruptiva ou funcional. A erupção pode se dar de forma variável, mas não antes de iniciada a formação radicular. Todas essas teorias possuem valor relativo, pois estão subordinadas ao código genético. Porém, condições locais, fatores sistêmicos e endócrinos-nutricionais, afetam o processo eruptivo, acelerando-o ou atrasando-o. Início da formação dos germes dos decíduos e permanentes: Mineralização dos germes dos decíduos: Portanto, os dentes decíduos iniciam a calcificação por volta da 14ª SVIU e a erupção inicia +- no 7º mês de vida e termina quando a criança tem +- 2 anos e meio. Alguns fatores locais podem causar variações na cronologia de erupção, como: Hematoma de erupção. Cistos de erupção. Anquilose dento-alveolar. Dentes inclusos ou impactados. Perdas precoces. Falta de espaço. Traumatismos. Hábitos. A primeira dentição não possui pré-molares nem terceiros molares e é composta por 20 dentes: 10 na maxila e 10 na mandíbula. Cronologia e Sequência de Erupção: Decíduo Na fase em que os dentes estão chegando, é normal ocorrer odontíases: Salivação aumentada. Hematomas de erupção. Irritabilidade. Dificuldade para dormir. Diarreia leve e inconstante. Assaduras. Febrículas. Para tentar diminuir o desconforto indica-se apenas massagem gengival com uso de uma gaze enrolada ao dedo, ou mordedores de borracha. Desenvolvimento da mandíbula: Quando o bebê nasce, ele possui a mandíbula muito pequena e retraída em relação a maxila (retrognatismo mandibular de 5 a 8mm). À medida em que a amamentação exclusiva é realizada, ocorre intenso exercício muscular, responsável pelo crescimento da face. A estimulação durante a amamentação e, posteriormente, a mastigação, levam ao crescimento mandibular adequado, estabelecendo uma relação harmônica com a maxila. Do nascimento até os 6 meses de vida, deve-se concentrar a atenção em três funções importantes para o desenvolvimento: sucção, respiração e deglutição - que, quando estimuladas e realizadas adequadamente, contribuem para o bom desenvolvimento do sistema estomatognático. Desenvolvimento da língua: Os movimentos da língua, no recém-nascido, são no sentido ânteroposterior e esses movimentos são realizados nos processos de sucção e deglutição. Somente mais tarde, com a presença dos incisivos estabelecendo a guia Incisal, quando os movimentos e posições mandibulares são mais exatos, é que a língua começa a desenvolver movimentos mistos (momento em que permanece confinada na cavidade bucal), coincidindo também com o início dos movimentos mastigatórios - para a aprendizagem da mastigação. O toque incisal é um valioso guia do desenvolvimento da oclusão, transmitindo importantes estímulos de crescimento às bases ósseas. FASES DA ERUPÇÃO DENTÁRIA 1ª fase (até 1 ano): Erupção dos incisivos. 1. Excursão da mandíbula no sentido ântero- posterior. 2. Reposicionamento da língua com interposição entre as arcada (padrão de deglutição infantil para molares). 3. Remodelação óssea. 4. Guia incisal. 5. Desenvolvimento da ATM. 2ª fase (12 a 16 meses): Erupção dos 1º molares decíduos, gerando um ganho de dimensão vertical. Nesta fase, a criança já possui um padrão de deglutição “maduro”, portanto ela já consegue se alimentar de alimentos mais sólidos. Também ocorre a interposição da língua entre as arcadas e estreita relação com a superfície lingual dos lábios, criando um selamento durante a deglutição para vácuo e participação dos músculos da mastigação. 3ª fase (16 a 20 meses): Erupção dos caninos inferiores e superiores. É estabelecida a guia canina, que é importante no estabelecimento e manutenção dos espaços primatas (espaço entre os caninos e laterais decíduos superiores e primeiros molares e caninos decíduos inferiores). Este espaço é muito desejado e importante, pois a falta dele provavelmente resultará em apinhamento dos dentes permanentes. 4ª Fase (20 a 28 meses): Inicia-se a erupção dos segundos molares inferiores e superiores decíduos. Ocorre a estabilização do ganho de dimensão vertical. As relações distais destes atuarão como guia na erupção dos 1º molares permanentes. Outra característica, também muito bem vinda, na arcada decídua é o Leeway Space (espaço livre de nance): diferença entre a soma das distâncias mésio- distais de canino, 1ºM e 2º molar decíduo com caninos permanentes, 1ºPM e 2ºPM. Por volta dos 30 meses, a dentição decídua se completa, e o desenvolvimento da oclusão dos dentes permanentes poderá ser diretamente influenciada por algumas características: 1- Arco de Baume: tipo I é mais favorável. 2- Inclinação axial dos dentes decíduos: Suas raízes são paralelas, evidenciando ausência de inclinação axial, formando um ângulo de quase 180° entre si. Observa-se a ausência da curva de Spee e da curva de Wilson (paralelismo no longo eixo dos dentes superiores e inferiores). 3- Relação terminal segundos molares decíduos: Extrema importância em relação a erupção dos 1º molares permanentes, pois suas raízes agem como guia de erupção. As relações distais destes atuarão como guia na erupção dos 1º molares permanentes. A posição mais desejada é a classe I de Angle, quando a ponta da cúspide mésio-vestibular do 1ºMS oclui no sulco vestibular do 1ºMI. 4- Trespasse horizontal ou sobressaliência: (overjet) é a medida horizontal que se refere à distância entre as bordas incisais dos incisivos centrais superiores à face vestibular dos incisivos centrais inferiores. Será normal quando os incisivos superiores estiverem a frente dos inferiores entre 1 e 2mm, aumentado quando o trespasse exceder 2mm, inexistente quando bordos incisais dos superiores tocarem nos inferiores e negativo quando um ou mais incisivos superiores estiverem posicionados atrás dos inferiores. 5- Trespasse vertical ou sobremordida: (overbite) é a medida vertical que se refere à distância que a borda incisal dos incisivos centrais decíduos superiores sobrepassa a borda incisal dos incisivos centrais decíduos inferiores é assim classificada: Grau 0: topo a topo. Grau 1: normal (até 1mm). Grau 3: moderada (até 2mm). Grau 4: exagerada (mais de 2mm). DENTADURA DECÍDUA Com a dentição decídua completa, deve-se ter:associado à codeína. 2. ANESTÉSICO LOCAL Lidocaína. Mepivacaína. Prilocaína. Articaína. Contra-indicações para os vasoconstritores em ODP: Se a criança estiver compensada, podemos utilizar os vasoconstritores sem problemas, respeitando a dose. Fórmula para descobrir o peso da criança: Peso = (idade x 2) + 9. Cálculo para o máximo de tubetes: (Peso x Dose de adulto) / 70 Mg/tubete: 2% = 2g de anestésico/100ml de solução. 2000mg/100ml = 20mg/ml. Tubete = 1,8ml 20mg 1 ml X 1,8 ml X = 36 mg *OBS: Se a criança tiver propensão à anemia, ela pode desenvolver metemoglobinemia com o uso da Prilocaína. Técnica pterigomandibular: Em crianças que ainda não possuem o 1MP, geralmente o nervo alveolar inferior costuma ficar um pouco mais abaixo que normal. 3- ANESTÉSICO TÓPICO Deve ser bem aplicado para apresentar efeito. CONTROLE DA ANSIEDADE E MEDO Hidrato de cloral (farmácia de manipulação). Anti-histamínicos sedativos (fenegan, loratadina). Dramin. Derivados benzodiazepínicos (dormonid – pode causar efeito rebote); Sedação consciente por meio de óxido nitroso (via inalatória). A criança precisa saber respirar bem. 1 gota por kg, de 6/6 hrs, se houver dor, não mais que 2 dias. OBS: Só utilizaremos as medicações quando todos os outros meios de controle de comportamento não forem eficientes. RECEITUÁRIO COMO PRESCREVER? Escolhemos 30 mg/kg/dia (a escolha depende da gravidade da infecção). 30 mg 1 kg X 20 kg X= 600mg (dose diária) OBS: 600mg devem ser divididos em 3 doses, portanto, 200mg a cada 8 horas. Em um frasco de 250mg/5ml: 250 mg 5 ml 200 mg X X =4 ml O paciente deve tomar 4ml a cada 8 horas. OBS: Para a concentração de 60 mg/kg/dia de Amoxicilina 250mg/5ml há uma regra prática: (Peso/5) x 2. _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________________________ Observações Funções estomatognáticas estabelecidas. Lateralidade mandibular. Mastigação bilateral. Produção de fonemas linguo-dentais e linguo- alveolares como o pseudo-ceceio anterior dos fonemas (o/s/z). Desenvolvimento dos Dentes Permanentes: 1- Calcificação: ao nascimento. 2- Erupção: início ± 6 anos - término ± 12anos. O início da dentição mista ocorre com a erupção dos primeiros molares permanentes, e os incisivos centrais e laterais, começam a serem substituídos pelos permanentes. Neste processo ocorre a reabsorção da raiz decídua + raiz permanente aumentando + crescimento em altura no processo alveolar + movimentação do permanente através do osso. Fatores que determinam a posição do dente durante a erupção: 1- Pré-eruptivo: genético, traumas. 2- Intra-alveolar: presença ou ausência do dente, velocidade de reabsorção, perda precoce ou retenção prolongada e presença de processos patológicos. 3- Intra-bucal: ausência do antogonista e do adjacente, forças musculares, força da mastigação, hábitos. 4- Oclusal: equilíbrio de forças musculares. Sequência ideal de erupção segundo Moyers: Na maxila: 6 – 1 – 2 – 4 – 5 – 3 – 7 Na mandíbula: 6 – 1 – 2 – 3 – 4 – 5 – 7 Estágio de calcificação de Nolla: Normalmente, o dente leva 6 anos para ele se instalar no ambiente bucal e mais 3 anos para a raiz se fechar totalmente. CLASSIFICAÇÃO DA DENTADURA MISTA 1- 1º Período transitório: Ocorre por volta dos 6 aos 8 anos de idade. Nesta fase ocorre a chegada do 1ºM permanente e a erupção dos incisivos permanentes. O 1ºMPI possui uma inclinação axio-mesial / lingual; e o 1ºMPS possui uma inclinação axio-mesial / vestibular. Com isso há a formação da curva de spee e da curva de wilson. Curva de Spee: A Curva de Spee é uma linha curva no sentido ântero-posterior que tangencia as pontas de cúspides vestibulares dos dentes posteriores e as bordas incisais dos incisivos. Ela é côncava, no nível dos dentes inferiores, e convexa, no nível dos dentes superiores, sendo o ponto mais inferior a ponta da cúspide mésio- vestibular do primeiro molar inferior. Curva de Wilson: Wilson G. H. verificou que os dentes inferiores posteriores apresentavam inclinação para lingual, observada como sendo uma linha que tangencia a curvatura oclusal através das pontas das cúspides vestibulares e linguais dos dentes inferiores posteriores no sentido transversal. Cronologia e Sequência de Erupção: Permanente 2- Período intertransitório: Se caracteriza pela presença de dentes decíduos e permanentes nos arcos dentários superior e inferior. É conhecida como a fase do “patinho feio”. Acontece o primeiro aumento da distância inter- caninos e a relação incisivos. Nesta fase estão presentes os incisivos e 1º molares permanentes e caninos e molares decíduos. Aqui ocorre apenas as reabsorções das raízes dos molares e caninos, além do crescimento dos pré-molares e 2º molares. 3- 2º Período transitório: Este período apresenta grande variação na ordem de irrupção e geralmente apresenta seu final por volta de 12 anos. Nesta fase acontece a esfoliação de caninos e molares decíduos, bem como a erupção de caninos permanentes e pré-molares. Também ocorre o segundo aumento da distância intercanina. Dos 11 aos 14 anos, há um surto de crescimento puberal. É importante que seja feito um planejamento clínico (fonoaudiólogo / ortodôntico). DENTADURA PERMANENTE 13 – 14 anos de idade. Estabelecimento da forma. Remodelação da ATM. Maturidade das funções estomatognáticas. Língua encontra-se em posição habitual. Vedamento labial sem pressão. Mastigação bilateral. Produção adequada de todos os fonemas. Estabilização da curva de Spee. Estabilização da curva Wilson. PERÍODO PRÉ-NATAL 1ª semana de VIU: Há a fecundação do óvulo pelo espermatozóide, dando origem à mórula (estrutura de 64 células) que se diferenciará em blastocisto. Uma parte do blastocisto dará origem ao embrião e a outra parte dará origem à placenta. 2ª semana de VIU: No blastocisto haverá a formação do disco embrionário bilaminar, composto por: Ectoderma: Dará origem aos dentes, unhas. Endoderma. 3ª semana de VIU: Formação do disco embrionário trilaminar. As células migram entre o ecto e o endoderma, formando uma camada intermediária: mesoderma. 4ª semana de VIU: Há o dobramento do embrião, separando a estrutura da cabeça do restante do corpo. Neste dobramento há uma estrutura denominada estomódeo, que é uma cavidade oral primitiva. 5ª a 8ª semana de VIU: Início da formação da face. Aqui há a formação de 4 arcos branquiais. O primeiro deles é que dará origem ao processo maxilar e mandibular. Neste período ocorre a união dos processos formadores da face e a formação do palato definitivo. 7ª a 8ª semana de VIU: Início da formação dos dentes, ou seja, início da odontogênese. Ela permanece até o 4º/5º ano de vida. ODONTOGÊNESE É o processo de formação dos elementos dentários. Este processo é fisiológico de evolução contínua, no qual as modificações histológicas, fisiológicas e bioquímicas são progressivas e simultâneas. Dentro deste processo, haverá 5 etapas: 1- Lâmina dental: A fase de lâmina dental é a primeira no processo de formação dos dentes. Nessa fase, o tecido bucal começa a se preparar para a formação dos dentes. A lâmina dental é a primeira constatação da formação de um dente. Ela se separa em duas lâminas vestibulares, que darão origem ao fundo de sulco vestibular e a lâmina dentária, que dará origem ao elemento dentário. 2- Botão: Nesta fase não há diferenciação celular, mas apenas crescimento e multiplicação. Portanto, não há forma nem função específica. 3- Capuz: Aqui já podemos observar as células ectomesenquimais, que no futuro darão origem à polpa. Ela é responsável pela formação de elementos importantes. É nessa fase que acontece a formação da papila dentária (origem a dentina e polpa), do folículo dental (origem aos tecidos de suporte) e do órgão do esmalte – a este conjunto dá-se o nome de germe dental. Odontogênese Nestas 2 primeiras fases, as células estão crescendo e se multiplicando, mas ainda não há desempenho de função. 4- Campânula: Nesta fase ocorre histodiferenciação e morfodiferenciação. Há um conjunto de células semelhantes que tornan-se distintas morfológica e funcionalmente. As células se dividem em 4 grupos: 1. Epitélio externo do órgão do esmalte; 2. Epitélio interno do órgão do esmalte; 3. Estrato intermediário (participa na formação do dente); e 4. Retículo estrelado. As células formam a bainha radicular de Hertwig, que participa na formação da raiz do dente. 5- Campânula avançada: Qualquer alteração nestas fases de botão e de capuz, haverá uma implicação clínica de menor ou maior número de dentes. Além disso, também pode ocorrer geminação, fusão ou odontomas. Qualquer alteração na histodiferenciação, haverá uma implicação clínica. Pode ocorrer amelogênese imperfeita ou dentinogênese imperfeita. Elas possuem íntima relação genética e afetam todos os dentes. Alterações na morfodiferenciação, pode gerar: Micro ou macrodontia. Dens in dente: é uma anomalia de desenvolvimento caracterizada pela presença de tecidos calcificados, como esmalte e dentina, no espaço da cavidade pulpar. Taurodontia: dentes semelhantes ao de animais ruminantes (coroas alongadas no sentido apical, câmaracom altura ocluso- apical aumentada). Dilaceração. Cúspides acessórias: estrutura anômala que se projeta na superfície palatina, na área de cíngulo dos incisivos. Hipomineralização: Calcificação imperfeita do esmalte dentário. Possui como característica a presença de manchas como “núvens”. Eliologia: Fatores ambientais (sistêmico ou local), como trauma ao nascimento, infecção ou traumatismo local, irradiação, desordens nutricionais, doenças metabólicas, sífilis congênica. Fluorose: É um tipo de hipocalcificação. É causada pelo excesso de fluor, repetidamente. Manchas brancas em estrias. Esmalte opaco e poroso. Hipomineralização de incisivo molar: A causa não é definida. Para ser classificado como HIM um molar deve estar envolvido necessadiramente. O atendimento às crianças inicia-se com durante a gestação. PRÉ-NATAL Feito pelo obstetra para acompanhar o peso da gestante por data, batimento cardíaco do bebê, exames diversos, vacinas, condições sistêmicas, etc. O dentista precisa estar inserido neste contexto, pois a boca está inserida no nosso organismo: uma infecção na boca pode ser disseminada para outras partes do corpo. Hoje, a carteirinha do Pré-Natal acompanha o pai também – diminui transmissão vertical da sífilis, que altera a forma dentária – incisivo de chave de fenda e posterior em amora; de HIV, e consulta odontológica – doença periodontal relacionada ao nascimento prematuro e/ou baixo peso. Pré-Natal Odontológico: recomendação do Ministério da Saúde desde 2000. Deve ser feita a orientação correta desde antes de se inserir um hábito, como açúcar no leite. Mudar um hábito estabelecido é muito complicado. GESTANTE PODE SER EXPOSTA A RAIO X? O RX é muito seguro desde que bem indicado. Se tem uma dor de dente que necessite de uma periapical, não há problema. Vale bom senso. PROBLEMAS ODONTOLÓGICOS RELACIONADOS À GESTAÇÃO 1. Maior índice de cárie: Está relacionado à alterações na alimentação, que é feita em maior frequência e em menor quantidade, porque o estômago está com capacidade diminuída. Além disso, o mal-estar típico também interfere na dieta. 2. Gengivite gravídica: A progesterona está relacionada à vasodilatação e à permeabilidade vascular, portanto há maior exudato e resposta inflamatória, o que agrava a gengivite e a periodontite, além da formação do granuloma gravídico. 3. Granuloma gravídico: Desaparece naturalmente com o final da gestação. Se incomodar esteticamente, pode ser removido cirurgicamente, mas pode voltar se a higiene oral não for adequada. AINES NA GESTAÇÃO Está relacionado ao fechamento prematuro do canal arterial. Então, melhor período pra tratamento da mãe é no segundo trimestre. FLÚOR NA GESTAÇÃO Não previne cárie. O flúor eficaz é o disponível com frequência na cavidade oral em pequenas quantidades, pra substituir a hidroxiapatita do dente pela flúorapatita que é mais resistente. SAÚDE BUCAL DO BEBÊ: PRIMEIROS CUIDADOS Bebês são muito inteligentes: “Hoje, sabemos que o cérebro dos bebês já vem com sistemas que dão a eles predisposições importantes para conhecer o mundo”. Maria lúcia Seidl de moura, 2009. Manejo da criança: 1. De 0 a 3 anos: O odontopediatra deve se acostumar a conviver com o choro, pois é uma reação normal e uma forma de comunicação. Pode expressar: medo, ressentimento, ansiedade, tentativa de manipulação, fome, sono, dor, birra, cansaço, raiva, relaxamento e tensão. A criança pode tentar evitar o tratamento por meio de vômito, tosse, conversa, idas ao banheiro, etc. Por isso, Odontologia para Bebês e Pré-Natal o odontopediatra precisa manter a calma e realizar o procedimento até o final. Aguardar a criança se acalmar é postergar o atendimento. Ela não fica traumatizada após o tratamento – pode chegar ao fim já amistosa ou ainda sem querer conversa. (Corrêa e Maia 1998) A segurança do profissional transparece para a criança, que é muito sensitiva. A organização para o atendimento gera um ambiente mais favorável ao atendimento. O QUE ACOMPANHAR - NORMALIDADES 1. Calo de sucção: 2. Freio labial superior: 3. Freio labial inferior: Mais delgado e pode ser quase imperceptível. 5. Rodetes lobulados: Arco superior e inferior, com segmentações verticais. 6. Cordão fibroso de Robin e Margot: Região de incisivos e caninos. Cordão desaparece com a erupção dos dentes. AMAMENTAÇÃO O mamilo da mãe é comprimido e achatado pela língua do bebê contra a parede palatina. Estimula o crescimento mandibular pelo movimento de ordenha. Estimula respiração nasal. Quando uso de mamadeira, bebê solta o ar pela boca. CHUPETA / MAMADEIRA Extremos não são bons. Aos 18 meses, com o nascimento dos 1os molares, a criança passa a morder e há o engrenamento dos dentes. Quando a criança ainda não os tem e não morde, não há prejuízo no uso da chupeta. A sucção ajuda a acalmar o bebê pequeno quando tem cólica. Se a chupeta for ortodôntica, há alívio da língua, portanto é mais adequada. Se for toda redonda, causa maior pressão sobre o palato. O ideal é que se use a chupeta apenas em períodos necessários, para acalmar, e não durante o dia todo. A mordida aberta, quando o hábito é retirado, ela fecha. Mas se ocorrer o cruzamento da mordida, será necessário um dispositivo para corrigir. Chupar dedo traz um problema muito maior. É melhor tirar o dedo introduzindo a chupeta. PODEMOS ENCONTRAR NA BOCA DO BEBÊ 1. Pérolas de Epstein: Remanescentes de estruturas embrionárias epiteliais, localizadas na Rafe Palatina. Conduta: observar. Comum em bebês que mamam no peito. É da natureza dos bebês amamentados no peito. Tecido bem espesso. 2. Cistos da Lâmina Dentária: Também é um remanescente de estruturas embrionárias, mas localizado na crista alveolar do rebordo gengival (maior frequência na região posterior). Conduta: observar. 3. Nódulos de Bohn: Porção vestibular / palatina ou lingual. Origem no tecido de glândulas mucosas. Conduta: observação. 4. Anquiloglossia Severa: “Língua Presa”: É percebido no teste da linguinha realizado ao nascimento, pela fono. O freio lingual inferior pode ser visto facilmente quando bebê chora. Ao colocar língua pra fora, possui um formato de “coração”. Pode interferir na amamentação, alimentação e fala. Intervenção cirúrgica: Aplica-se anestesia tópica e realiza a frenotomia, bem no meio do freio. Cuidado com base de língua. Se criança chupa chupeta, pode entregar depois do procedimento para acalmá-la. É uma cirurgia simples, porém, como pouco se conhece da saúde do bebê, é necessário tomar cuidado com a possibilidade de alergia ao anestésico tópico. Gravidade: Metaeglobulinemia – dificuldade de transporte de oxigênio, edema de glote, encaminhamento imediato ao hospital. Se criança é um pouco maior, anestesia com agulha, corta, divulsiona e sutura. HIGIENE BUCAL ANTES DO NASCIMENTO DOS DENTES Não há comprovação científica que indique a realização, pois a boca do bebê antes da erupção dentária não tem acúmulo de biofilme (adere apenas em superfícies rígidas), portanto: Sem hospedeiro (dentes). Sem colonização efetiva de microrganismos. Imunoglobulinas do leite - barreira protetora. Língua e mucosa não retém biofilme. Quando nascem os primeiros dentes, é necessário desorganizar o biofilme. ERUPÇÃO DENTÁRIA Há estudos mostrando sintomas relacionados à erupção dentária,previsa por volta dos 6 meses de idade. São eles: Irritabilidade, aumento da salivação, nariz escorrendo, perda de apetite, diarreia e alteração no sono. RECOMENDAÇÕES PARA A SAÚDE ORAL DO BEBÊ 1. Aos 6 meses de idade: Avaliação do risco: Se há possibilidade de desenvolver doenças do tecido mole ou duro, incluindo risco da doença cárie. Instrução aos pais de higiene bucal: Uso de pasta fluoretada – menos que um grão de arroz. Avaliação e otimização da exposição ao flúor. 2. No Máximo 1 ano de idade: Visita ao dentista. Histórico médico. Histórico dentário (bebês e pais). Exame bucal. Demonstração de escovação. Profilaxia + aplicação de flúor se indicado. Informar: higiene oral, flúor, erupção e desenvolvimento dentário, orientação de dieta, sucção não nutritiva, cárie. Maior chance de gostar comer de tudo. Criança que mastiga tem desenvolvimento fisiológico mais adequado. Técnica BLW – dar para a criança o alimento para que ela coma sozinha. ORIENTAÇÃO DE HIGIENE BUCAL Uso de escova macia e de cabeça pequena; Dentifrício com no mínimo 1000 ppm de flúor; Pasta precisa ser supervisionada para criança não comer; Escovação de responsabilidade do adulto – intrudução do hábito; Observar pasta infantil zero: zero corante, zero sabor, zero flúor – ideal levar pra escola, quando escovação pode ser menos supervisionada; Fio dental – introduzido quando há contato proximal entre os dentes; Ideal relacionar o momento do banho ao da escovação para criar hábito. FLUOROSE É uma hipomineralização, decorrente da ingestão de grandes quantidades de flúor por repetidas vezes. Se criança ainda não sabe cuspir e engole uma pequena quantidade de pasta, mesmo que frequentemente, há um baixo risco de fluorose, especialmente se a escovação for realizada com estômago cheio , pois isso reduz absorção do flúor. Quando radiografar? Evidências clínicas de injúrias. Lesões de cárie. Patologia pulpar. Erupção precoce ou tardia. Esfoliação atípica. Tumefações, ulcerações. Dor. Controle. Em clínica devemos considerar 2 critérios importantes: risco de cárie e estágio de desenvolvimento da dentição. Quando radiografamos um dente decíduo, devemos visualizar tanto ele por completo, quanto o permanente ainda não erupcionado. Principais cuidados: Utilizar filmes ultra-rápidos. Tomadas com boa técnica. Usar avental plumbífero. Selecionar radiografias necessárias. Fazer tomadas das regiões suspeitas. Portanto, uma tomada radiográfica ideal expõe a criança a uma quantidade mínima de radiação, com tempo operatório rápido, permitindo o menor número de tomadas e possibilitando a análise adequada das dentições e das estruturas de suporte. A seleção de radiografias apropriadas depende: Idade da criança. Tamanho da cavidade bucal. Nível de colaboração. A partir disto, elegemos algumas técnicas de tomadas radiográficas. TÉCNICAS RADIOGRÁFICAS 1- Oclusal modificada: Indicada para dentes anteriores superiores e inferiores. É feito com filme periapical adulto. Posição: plano oclusal em 30º com o solo. Angulação do cone: maxila = +75º; mandíbula = -35º. Incidência do feixe: maxila = ápice do nariz; mandíbula = mento. Primeiro posicionamos o cone, depois o filme. 2- Bissetriz modificada: Indicada para dentes posteriores superiores e inferiores. Utilizamos um filme periapical adulto dobrado em “L” na ranhura. Colocamos um rolete de algodão e prendemos com fita crepe no braço menor do “L”, sendo que a parte que será exposta é a do braço maior. Posição da cabeça: plano sagital mediano perpendicular ao solo e plano de camper paralelo ao solo. Angulação do cone: maxila = +30º; mandíbula = -15º. Incidência do feixe: Perpendicular à bissetriz do ângulo dente-filme. 3- Paralelismo: É feita igual ao paralelismo com os adultos, mas com filme infantil. 4- Interproximal: Indicada para pesquisa de cáries. Ela é feita com o uso de posicionadores e filme infantil ou adulto. Posição da cabeça: plano sagital mediano perpendicular ao solo e plano de camper paralelo ao solo. Angulação do cone: +8º. Incidência do feixe: plano oclusal. 5- Panorâmica: Indicada para avaliar os estágios de desenvolvimento da dentição. Radiologia em Odontopediatria A partir do momento em que o dente nasce, leva mais 3 anos em média para que ele termine a formação da raiz. Durante a erupção, ocorre atividade simultâneas: reabsorção da raiz decídua, raiz permanente aumentando, crescimento em altua do processo alveolar e movimentação através do osso. Há 11 estágio relatados por Nolla: 0- Ausência da cripta. 1- Presença da cripta. 2- Inicio da calcificação. 3- 1/3 da coroa completa. 4- 2/3 da coroa completa. 5- Coroa quase completa. 6- Coroa completa. 7- 1/3 da raiz completa. É a partir daqui que a erupção é desejada. 8- 2/3 da raiz completa. 9- Raiz quase completa – ápice aberto. 10- Raiz completa – ápice formado. Se um dente está prestes a cair, e o permanente está no estágio 7, perfeito. Entretanto, se o dente estiver prestes a cair, e o permanente estiver no estágio 3, por exemplo, deverá ser feita uma intervenção, como um mantenedor de espaço. Segundo Dermerjian, para um dente erupcionar, o ideal é que ele tenha um comprimento de raiz igual ou maior que a altura da coroa. A mudança de um estágio para o outro dura mais ou menos 10 meses. Quando falamos de dentística em odontopediatria, sempre pensamos em procedidmentos o máximo conservadores possíveis. A mínima intervenção é a filosofia profissional de interesse pelos primeiros sinais da doença, ou seja, a busca pela detecção precoce, com o objetivo de possibilitar a cura em microníveis, por meio da intervenção mínima, no tratamento de lesões irreversíveis. Ela possui três aspectos fundamentais: 1- Melhor entendimento da etiologia da doença e do prognóstico. 2- Prevenção pelo dentista e pelo paciente: ele mesmo toma a responsabilidade do cuidado de sua própria HB. É importante enterdermos estes estágios de desenvolvimento, pois devemos: Analisar o desenvolvimento dentário propriamente dito. Eleger tratamentos. Analisar idade. Comparar idade dentária x idade biológica x idade cronológica. Analisar a cronologia e sequência de erupção. Outros. 3- Tratamentos que preservem ao máximo as estruturas dentárias, especialmente as cavidades. Isso implica em traçarmos estratégias preventivas, realizar o reparo de restaurações defeituosas ao invés de trocá-las, realizar um tratamento minimamente invasivo, promover a remineralização de lesões não cavitadas, por meio do fluor, por exemplo. Muitas vezes, as lesões de cáries estão inativas. Nestes casos podemos simplismente acompanhar o caso, ou aplicar um selante, sem a necessidade de se remover tecido. Em outros casos, se a lesão for rasa, também pode ser aplicados selantes, fluor e vernizes. Estágios de Desenvolvimento Dentística Há dois tipos de terapias pulpares na dentição decídua: a pulpotomia e a pulpectomia. O desenvolvimento da cárie está relacionado com a anatomia dental: Espessura do esmalte: menos mineralizados e mais permeável. Volume pulpar: cornos pulpares maiores e mais proeminentes e menor quantidade de estrutura protegendo a polpa. Curvatura das raízes. Porosidade região do assoalho. Raízes delgadas (não se faz o alargamentodo canal como no permanente). O dente decíduo é considerado um dente senil, pois é desenvolvido em fase uterina. Portanto, sua capacidade de resposta não é igual ao do dente permanente. É por este motivo que não se realiza capeamento pulpar direto em dente decíduos, pois ele não reagirá adequadamente. Além disso, muitas vezes o dente decíduo caminha para o processo de necrose sem passar pelo processo de pulpite, pois a resposta dele é diferente. O tempo vida da polpa é dividido em 3 períodos: Crescimento do órgão pulpar: desenvolvimento da coroa e raiz. Maturação pulpar: formação completa da raiz e início da reabsorção. Regressão pulpar: início da reabsorção radicular e esfoliação. DIAGNÓSTICO No dente decíduo nem sempre há uma correlação do tamanho da lesão de cárie com o grau de dor e a magnitude do envolvimento pulpar. Portanto, devemos nos atentar às seguintes situações: História médica. Característica da dor. Exame clínico: levar em consideração a idade em que o dente esfoliará. Exame radiográfico: além de se identificar a lesão cariosa contaminando a polpa, devemos analisar se a cripta óssea está íntegra, pois somente assim o tratamento endodôntico pode ser realizado. Em crianças, não realizamos os testes térmicos, pois são extremamente desagradáveis. Muitas vezes, o diagnóstico é determinado somente durante o ato operatório, quando se avalia o estado do tecido pulpar. A partir disto, temos 3 possibilidades de terapia: Capeamento pulpar indireto (tratamento conversador). Pulpotomia (endodontia conservadora). Pulpectomia (endodontia radical). CAPEAMENTO PULPAR INDIRETO Consiste em prevenir uma exposição acidental ou mecânica da polpa durante a remoção da cárie. É indicado para dentes jovens e com lesão profunda, que não tenha atingido a polpa. Técnica: Anestesia. Isolamento. Remoção parcial do tecido cariado. Hidróxido de cálcio, CIV, adesivos. Observar de 40 a 60 dias. PULPOTOMIA Sempre tentamos ser conversadores, mas se durante a remoção do tecido cariado, chegarmos na polpa, podemos partir para uma pulpotomia. Antes de começar a curetagem, o dente já deve ter sido radiografado e isolado. A pulpotomia é uma técnica de remoção da polpa coronária, seguida do uso de medicamentos que procuram manter a polpa radicular em condições de saúde, permitindo que o ciclo biológico de reabsorção radicular se processe naturalmente. Tratamento Endodôntico Antes da opção pelo medicamento a ser utilizado na pulpotomia, é importante a análise e o diagnóstico das condições pulpares. Indicações: Dentes decíduos com vitalidade. Exposição acidental da polpa. Dente decíduo jovem. Sem sintomatologia e sem sinais de inflamação como fístula, mobilidade, edema, alteração de cor e lesões nos tecidos periapicais ou na bi ou trifurcação das raízes dos molares. O tratamento endodôntico é igual ao de dente permanente. A diferença está quando caímos na câmara pulpar: deve-se pegar uma cureta estéril com bom corte e cortar a polpar coronária. Depois disso, colocamos uma bolinha de algodão estéril por 3 a 5 minutos, até estancar o sangue. Medicamentos que podem ser utilizados: Pasta Guedes Pinto (“pasta 3”: Iodofórmio + PMCC + Rifocort). Formocresol: medicamento irritante – não indicado. Hidróxido de cálcio. Glutaraldeído. OZE. MTA. Contra-indicações: Rarefações ósseas. Sinais de necrose. Estágio de desenvolvimento do dente permanente avançado. Saúde geral do paciente. PULPECTOMIA É realizada quando há sintomatologia dolorosa, presença de fístula, ou edema na região, somada ao exame radiográfico onde observa-se espessamento ou rarefação óssea (sem rompimento da cripta óssea do sucessor). Portanto, é indicada quando há: Evidências clínicas de hiperemia ou alterações degenerativas. Evidências clínicas e/ou radiográficas de necrose pulpar. A degeneração pulpar, frequentemente, não é acompanhada por sintomatologia claramente definida. O início do tratamento endodôntico é igual ao de adultos. Realizamos a remoção do conteúdo pulpar coronário e de porção da polpa radicular (PQC). Técnica: Anestesia. Isolamento absoluto. Cirurgia acesso. Irrigação e aspiração. Localização entradas condutos. PQC sempre irrigando e aspirando. Instrumentar o conduto, com a lima inicial + duas ou três limas. Irrigar e secar com cones papel. Obturar os condutos. Radiografar, selar, restaurar. ODONTOMETRIA As medidas do comprimento total dos dentes decíduos, de importância para a odontometria são: Incisivos entre 14 e 19 mm. Caninos 17,5-22m. 1ºs molares 14-17mm. 2ºs molares 17,5-19,5mm. Na odontometria convencional, a radiografia inicial é usada para medir o comprimento total até o ápice radiográfico do qual se reduz 1mm. Os localizadores eletrônicos apicais também podem ser utilizados. OBTURAÇÃO A terapia endodôntica de dentes decíduos com mortificação pulpar, tem-se baseado quase que exclusivamente na ação dos medicamentos intracanais, com o objetivo de promover desejada desinfecção dos mesmos. Não podemos usar a gutapercha pois ela não é reabsorvível. O material obturador deve ter ação: Bacteriostática. Bactericida. Aintinflamatória. Inertes ao tecido periapical. Reabsorsível. Radiopacidade. Medicamentos que podem ser utilizados: Pasta Guedes Pinto. Pasta Calen PMCC (à base de Hidróxido de Cálcio) + iodofórmio. Pastas à base de OZE. Etc. Introduzimos a pasta Calen no interior do canal com o auxílio de limas estéreis. Devemos tomar o cuidado de manter este medicamento apenas no interior dos canais, pois pode manchar os dentes. Feito isso, colocamos um pedaço de gutapercha em bastão na altura da câmara pulpar, com o auxílio de calcadores. Depois podemos preencher a cavidade com CIV. Contra-indicações: Perda acentuada de estrutura radicular (2/3). Reabsorção interna ou externa. Rompimento da cripta do permanente. Canais atresiados. Saúde geral com baixa resistência. Os elementos 84 e 85 foram restaurados com CIV. O halo escurescido ao redor demonstra reparação, em resposta a liberação de fluor do ionômero de vidro. Entretanto, diante do edema observado, podemos pensar em 2 possibilidades: 1- O paciente relatava dor provocada e foi realizado um capeamento indireto, em que a resposta não foi positiva. 2- O paciente possuia dor espontânea, mas a ananmese não foi bem realizada e, ao invés de se realizar o tratamento endodôntico, foi realizado o capeamento indireto. CONDUTA TERAPÊUTICA Inicialmente o paciente deve ser submetido à antibioticoterapia, para conter a infecção. A dose a ser utilizada será a dose de ataque, 45 minutos antes do procedimento odontológico. Se a cripta óssea estivesse intacta, o tratamento poderia ser a endodontia. Porém, como foi ela foi rompida, devemos partir para a exodontia. Após a exo, deve ser colocado um mantenedor de espaço, até que o dente 44 erupcione. TERAPÊUTICA MEDICAMENTOSA Para se obter um bom controle da dor, é necessário: Manejo do comportamento, pois a dor também está relacionada com a parte psicológica. Anestesia tópica e infiltativa/troncular. Medicamentos – coadjuvantes. 1- ANTI-INFLAMATÓRIO O anti-inflamatório de escolha na odontopediatria é o Ibuprofeno (100 ou 50 mg/ml). 100 mg/ml = 1 gota por kg. 50 mg/ml = 2 gotas por kg. 8 em 8 horas por 48 horas. Em odontopediatria evitamos utilizar a Nimesulida, porqueela pode causar Síndrome de Reye (toxicidade cerebral e hepática em função do medicamento). 2- ANALGÉSICO Os dois mais utilizados são: 1- Dipirona sódica (500 mg/ml): 1 gota para cada 2 kgs. 6 em 6 horas por 24h. A desvantagem da dipirona é o gosto amargo, o que não é bem aceito pelas crianças. 2- Paracetamol (200 mg/ml): 1 gota por kg. 6 em 6 hotas por 24h. 3- ANTIBIÓTICO Infecção: Coleção purulenta circunscrita por membrana nos tecidos moles. 1- Amoxicilina (250/5ml): É apresentado em suspenção, pois o comprimido é difícil de ser tomado pelas crianças. 20 mg/kg/dose ou 60 mg/kg/dia (visto que se trata de 3 doses ao dia). Fórmula prática: (peso/5) x 2 8 em 8 horas por 7 dias. Cariologia e Terapêutica Medicamentosa Dose de ataque: Para uma criança de 15 kg, em que a dose normal seria 6ml, a dose de ataque será 12ml (o dobro), 45 minutos antes do procedimento. Quando o abescesso é grande, como no caso do João, associamos à Amoxicilina, o Metronidazol ou o Clavulin. Em um caso mais leve, não há necessidade. 2- Metronidazol (40 mg/ml) – Flagyl pediátrico: 7,5 mg por Kg por dose. 8 em 8 horas por 7 dias. 3- Azitromicina (200 mg/ 5ml): Utilizada em casos de alergia à amoxi. 10 mg por kg por dose. 1 vez ao dia. Não precisa ser completada com água. ABSCESSO x FÍSTULA Abscesso não drena e é agudo. A fístula drena e é crônico. Em casos de abscessos localizados, não há nescessidade de prescrever antibiótico. Só prescrevemos se for um abscesso difuso. Para se trabalhar com cirurgia em odontopediatria, um bom planejamento cirúrgico é necessário, e para isso o dignóstico deve ser bem feito. Anamnese: História médica passada, atual e odontológica, antecedentes hereditários, hábitos e comportamento psicológico. Exame físico: Inspeção, palpação, percussão, exame extra e intra-oral. Exames complementares: Radiografias. Pré-operatório. Trans-operatório. Pós-operatório. Tipos de cirurgia em ODP: Exodontia de dentes decíduos. Supranumerários. Ulectomia. Cisto de erupção. Freios. Mucocele. ANESTESIA Sempre utilizamos um bom anestésico tópico antes: Secar a região com gaze estéril. Colocar anestésico no conotene. Aplicar durante 2 minutos (uso do sugador durante todo o tempo). Remover o excesso da pomada no local. Em maxilia utilizamos a anestesia infiltrativa, e em mandíbula, a anestesia troncular. O manuseio da carpule deve ser discreto, para não assustar a criança. E durante todo o procedimento a distração também deve ser realizada. Podemos e devemos dar explicações diretas, sem mentir para a criança. Vantagens da anestesia local: Paciente desperto e colaborador. Pouca interferência na fisiologia normal. Fácil execução. Sem despesa adicional para o paciente. Alimentação normal antes da intervenção. Uso em crianças jovens. A duração da anestesia depende: Variação individual à droga. Competência na administração. Estado do tecido. Variação anatômica. Tipo de anestesia (infiltração ou bloqueio). lidocaína 2% = 2g de anestésico em 100ml (20 mg/ml). Como o tubete possui 1,8 ml, há 36 mg de anestésico nele. A dose máxima é 4,4 mg/kg. Anestesia e Cirurgia EXODONTIA Indicações: Grandes destruições coronárias sem chance de restauração. Comprometimento pulpar com rompimento da cripta óssea do germe permanente. Trepanação da região de furca. Alveólise. Anquilose. Erupção ectópica. Retenção prolongada. Dente supranumerário (removido quando há rizogênese completa dos dentes adjacentes e está na época dele erupcionar). Contra-indicações: Dentes com abscesso em fase aguda. Agenesia do sucessor permanente. ULECTOMIA É um procedimento realizado quando há cisto de erupção, em que há uma dificuldade do dente vencer resistências ao seu irrompimento. A face incisal/oclusal está recoberta por capuz de mucosa gengival. Procedimento: Anestésico tópico. Anestesia infiltrativa. 2 incisões em meia-lua, removendo uma pequena porção de tecido. OBS: A ulotomia faz apenas 1 incisão e não remove tecido, apenas expõe o dente. FRENECTOMIA Remoção cirúrgica dos freios dos lábios superior ou inferior e freio lingual. OBS: No recém-nascido o freio labial superior se estende até a papila incisiva. Frenectomia labial: Em crianças pequenas, a primeira opção é proservar: removeremos apenas se o freio estiver dificultando a higienização e causando cárie. Caso contrário, proservamos, pois é possível que com a dentição permanente o espaço se feche. Entretanto, se isso não acontecer, ai sim removemos o freio. Frenectomia lingual: No recém nascido, o freio se estende do ápice da língua até a base do processo alveolar da mandíbula. No bebê, apenas o anestésico tópico é suficiente, pois o freio é mais delgado. Já em crianças mais velhas, é necessário anestesia infiltrativa. O corte deve ser realizado bem no meio do freio, pois se for um pouco a baixo pode lesionar as carúnculas sublinguais (saída de glândulas salivares). O nome correto para a “língua presa” é anquiloglossia. MUCOCELE É um nódulo benigno, bem definido. Ele envolve as glândulas salivares menores e possui maior prevalência no lábio inferior (grânulos de fordyce). Anestesia tópica. Anestesia infiltrativa. Remove com cuidado para não estourar a bolha (é preciso remover a glândula inteira, para que não ocorra recidiva). A introdução da criança ao mundo dos cuidados com a saúde bucal deve ser feita de maneira cautelosa, baseada em princípios não somente de técnica odontológica, como também em conhecimentos sobre psicologia e comportamento humano. O paciente infantil é o que mais exige preparo por parte do profissional, pois o desenrolar do tratamento dependedos primeiros contatos. Reações comuns: MEDO: Sensação natural que os indivíduos apresentam como resposta a situações percebidas como estressantes ou aversivas e sobre as quais se sentem impotentes. ANSIEDADE: Experiência consciente, de intenso medo e expectativa de algo não agradável - pode mudar o limiar da dor. Diante de uma situação que tenha gerado medo na criança, ela pode apresentar: Comportamento de fuga. Comportamentos em que evitam submeter-se à condição ou a uma situaçãoespecífica da condição (designados como comportamentos de esquiva, como serecusar a sentar na cadeira ou abrir a boca para um exame clínico). Comportamento de imobilização motora (ficar inerte). Agressividade. Choro. Importância dos conhecimentos psicológicos: Evitar traumas emocionais. Melhorar a relação de atendimento. Interessar e educar a criança para saúde. Aceitação do tratamento. O profissional deve: Não perder de vista o objetivo principal (saúde bucal). Evitar demonstração de insegurança. Saber quando indicar para o especialista. Ter em mente que não será fácil sua tarefa. Adquirir conhecimento sobre Psicologia Infantil. Quanto mais prática for a abordagem dos pais em relação à visita, provavelmente a criança sentirá menos ansiedade e irá cooperar mais. Educar para os cuidados de higiene bucal e tratamento periódico. A PRIMEIRA CONSULTA A primeira visita de uma criança ao dentista deve ser uma experiência agradável, para que se estabeleça uma relação de afeto e confiança e crie uma atitude favorável ao tratamento dentário durante toda a sua vida. As impressões dessa primeira consulta são desuma importância para que todo o tratamento posterior transcorra num clima de tranquilidade. Abordar questões relativas: À experiência anterior do paciente com outras situações de tratamento odontológico. História de interrupção de tratamento da criança (às vezes motivada pelos próprios pais). Identificação de crenças e expectativas do paciente. Avaliação de habilidades e recursos pessoais da criança para o enfrentamento de situações adversas. Medidas eficazes para adaptação ao tratamento: Contato gradativo com a situação fóbica. Conhecimento dos instrumentais. Manter conversação constante. Condicionamento positivo e equilibrado. TÉCNICAS DE MANEJO A aplicação de técnicas adequadas para o controle do comportamento da criança são importantes e necessários para o sucesso na relação dentista-pais- pacientes no tratamento odontopediátrico. Possui como objetivos: Estabelecer uma boa comunicação com a criança. Educar o paciente, orientando-o a cooperar durante o tratamento odontológico. Construir uma relação de confiança: respeitar a criança em sua integridade e individualidade; familiarização com o profissional e com o ambiente odontológico. Prevenir e avaliar o medo e ansiedade da criança: conhecer os medos comuns da infância, bem como conhecer a criança e suas diferentes capacidades em seus diferentes estágios de desenvolvimento. 1- COMUNICAÇÃO VERBAL: O profissional deve expressar verbalmente os procedimentos, dizendo ao paciente o que será realizado em seu tratamento. 2- COMUNICAÇÃO NÃO VERBAL: Tem como base o contato, a postura, a expressão facial e a linguagem corporal para orientar o comportamento do paciente, reforçando o que foi dito verbalmente. 3- CONTROLE DE VOZ: Trata-se de uma técnica na qual o volume e o tom da voz deverão ser adaptados Psicologia Infantil e Técnicas de Manejo conforme a necessidade, de modo a influenciarem ou direcionarem o comportamento da criança. É indicado que o profissional fale baixo continuamente. A entonação é um fator importante, devendo ser utilizada com o intuito de atrair a atenção da criança. Com a existência de um comportamento perturbador por parte da criança, o controle de voz poderá restabelecer rapidamente uma relação entre dentista e paciente. O controle da voz tem o intuito de captar a atenção e a cooperação da criança, podendo, assim, evitar comportamentos negativos. 4- DISTRAÇÃO: Essa é uma técnica que tem como principal objetivo desviar a atenção da criança para evitar um possível desconforto com algo do qual ela possa vir a ter receio. Podem ser utilizadas músicas, vídeos e histórias infantis. A música é a mais importante para auxiliar no tratamento odontopediátrico, pois ela pode diminuir o nervosismo e aliviar os sons de alguns aparelhos. 5- REFORÇO POSITIVO: É um processo de motivação do comportamento positivo da criança através de elogios, gestos positivos, expressão facial etc. Essa técnica visa recompensar comportamentos desejados, tendo como principal objetivo o retorno desse bom comportamento. Podem ser utilizados reforçadores como lembrancinhas, brinquedos ou até mesmo um simples balão com a luva de procedimento limpa que geralmente é utilizada pelo dentista. 6- FALAR – MOSTRAR – FAZER: Essa técnica é uma das mais utilizadas na odontopediatria, pois ela envolve explicações verbais dos procedimentos, utilizando frases/palavras adequadas ao nível de desenvolvimento do paciente (diga); sendo feita em seguida uma demonstração visual e tátil, buscando tranquilizar o paciente infantil (mostre); e a partir da utilização dessa explicação e demonstração, deve-se concluir o procedimento (faça). 7- MODELO: Essa é uma técnica na qual o clínico utiliza vídeos ou outra criança, que já está condicionada e adequada ao tratamento, servindo de modelo para o paciente que está tendo o primeiro contato com o dentista ou já teve alguma experiência não tão interessante. Pais, irmãos, colegas e o próprio dentista também podem servir de modelos, porém podem influenciar negativamente caso expressem expectativas negativas para a criança ou, no caso dos pais, estejam muito ansiosos. Nessas situações é melhor que os pais permaneçam fora da sala de atendimento, porque para o paciente observador é interessante ter como modelo uma pessoa com calma e confiança. Essa técnica é mais efetiva em crianças abaixo dos 7 anos. 8- MÃO SOBRE A BOCA: É uma técnica de manejo físico que tem por objetivo a obtenção da atenção e da colaboração da criança durante o atendimento odontológico, para que esta ouça o que o dentista tem a dizer. É uma técnica empregada nos momentos de birra, de choro incontrolável, ataques de ira, quando for impossível manter um diálogo com a criança, devendo ser empregada juntamente com o controle de voz, buscando estabelecer assim uma comunicação favorável com o paciente e a promoção de um atendimento seguro. O método em questão funciona com o profissional posicionando as suas mãos sobre a boca do paciente infantil, com o intuito de abafar qualquer som, ao mesmo tempo que promove a aproximação no ouvido da criança buscando uma comunicação favorável, com uma entonação adequada. É indicada para crianças com grau de entendimento de 3 anos ou mais, livres de problemas mentais, auditivos e que sejam maduras o suficiente para corresponderem aos comandos do odontopediatra. 9- CONTENÇÃO FÍSICA: Trata-se de uma técnica que conta com o manejo de restringir fisicamente os movimentos impróprios do paciente infantil na intenção de viabilizar o tratamento odontológico e impedir acidentes. Pode se dar por meio de mãos, cintos, fitas e envoltórios de tecidos. A técnica em questão é uma das últimas opções de escolhas dos odontopediatras, pois não se aplica a todos os tipos de crianças, devendo ser empregada apenas naquelas menores de 3 anos de idade que não cooperam, naquelas com algum tipo de deficiência mental que não colaboram ou com alguma deficiência física que impossibilite o manuseio. A utilização desse manejo comportamental deverá ser feita juntamente com o consentimento por escrito detalhado dos pais, devendo ser explicado a eles o método de escolha para que não enxerguem o uso da técnica como uma forma de punição ou agressão pelo fato da criança apresentar um comportamento não cooperativo, reduzindo, então, a possível existência de queixas clínicas, problemas éticos e legais. O trauma em ODP é uma situação de emergência e exige uma intervenção imediata. A emergência é uma situação crítica ou algo iminente, com ocorrência de perigo. É muito comum em crianças. Envolve muita dor e ansiedade (dos pais e da criança). Crianças que fazem uso de chupeta ou dedo, possuem protusão, favorecendo o trauma dentário. O trauma envolve: Uma lesão de extensão, intensidade e gravidade variáveis. Origem acidental ou intencional. Tecidos duros e moles. 3 perguntas básicas devem ser feitas quando há um trauma: quando, como e onde? Também é papel do odontopediatra: Tomar ciência do ocorrido – tranquilizar os pais. Realizar um exame visual e radiográfico. Limpar e examinar os tecidos moles (ver se não há artefatos ou o próprio dente preso no tecido mole): a limpeza deve ser feita com gaze e clorexidina. Avaliar a extenção do traumatismo. Realizar o tratamento imediato: limpeza, medicação, orientação de dieta pastosa, radiografia se possível. Conscientizar os pais sobre as implicações do traumatismo. Proservação + registro no prontuário.CLASSIFICAÇÕES 1- Lesão em tecidos moles: 1. Contusão: Hemorragia submucosa por impacto (batida), gerando um arroxeamento. O tratamento é por reabsorção natural. 2. Abrasão: Raspagem da mucosa – superfície hemorrágica e escoriada (esfolado). 3. Laceração: Dilaceração de tecido (corte). Utiliza-se fio de seda em intrabucal, e nylon em extrabucal. Quando for extrabucal, quem faz a sutura é o cirurgião plástico, pois o anestésico que o dentista usa possui vasoconstritor (causa necrose na pele). 2- Fraturas dentárias: 1. Fratura em esmalte: Realiza-se a restauração. 2. Fratura em esmalte e dentina: Realiza-se a restauração. Por que o dente dói? Mesmo sem exposião pulpar, dói porque há prolongamentos de odontoblastos na dentina. Se dói, devemos saber qual o tipo de dor, para analisarmos a condição endodôntica. Dor provocada: Capeamento indireto. Dor espontânea: Pulpectomia. Hoje em dia não se faz mais a pulpotomia. Era feita quando havia exposição pulpar acidental, mas com a odontologia minimamente invasiva, quase não se acontece mais. 3. Fratura em esmalte, dentina e polpa: O tratamento é endodôntico + restauração. Se a rizogênese ainda não estiver completa, será induzida por medicamentos (processo chamado de apicificação – feito com Hidróxido de Cálcio) e posteriormente será obturado. 4. Fratura de coroa / raiz não complicada. 5. Fratura de coroa / raiz complicada. 6. Fratura radicular: Exodontia. Se o fragmento radicular do decíduo não saiu com facilidade, não tentaremos tirá-lo. Avisaremos os pais e proservaremos. 7. Fratura do osso alveolar: É feita a esplintagem: Redução do osso + contenção para manter os dentes em posição. O fio não pode nem ser mole, pois não manteria os dentes em posição; nem duro, pois causaria anquilose. 3- Traumatismo de luxação: 1. Concussão: É o tipo mais comum de luxação. Não é percebido visualmente, mas pode causar necrose. Sem deslocamento e sem mobilidade. Sem sangramento. Sensível a percussão. 2. Subluxação: Dente se desloca no alvéolo. Sem mobilidade, mas com deslocamento (imperceptível). Sangramento via sulco. Dieta leve, clorexidina e ajuste oclusal. 3. Luxação extrusiva: Dente se extrui do alvéolo. É pouco comum em decíduos. Sangramento presente. Deslocamento do dente. 4. Luxação lateral: Dente se desloca V-L-M-D. Normalmente envolve fratura do alvéolo e raiz. Trauma Dental em Pediatria 5. Luxação intrusiva: É o pior tipo, pois pode lesar o permanente. É feita a proservação: Se em 6 meses o dente não extruiu sozinho, realizamos a remoção cirúrgica. 6. Avulsão: Dentes decíduos não são reimplantados, pois pode lesar o germe do permanente. CONSEQUÊNCIAS DO TRAUMA EM DENTE DECÍDUO Para o decíduo: Alteração de cor. Fístula: Drena – crônica. Abscesso: Não drena – aguda. São materiais plásticos transparentes, brancos ou matizados que são usados para “pintar” as superfícies rugosas dos dentes posteriores, como fóssulas e fissuras, promovendo sua proteção. Eles agem como barreira, que facilita a limpeza dos restos alimentares e o controle da placa bacteriana. Entretanto, não pode ser muito espessa para que não interfira na oclusão. É uma aplicação simples, mas deve ser bem indicada, pois há dentes que não devem ser selados. INDICAÇÕES Dentes livres de cárie. Dentes com defeito de esmalte. Dentes susceptíveis à lesões de cárie: Superfícies oclusais de molares, pré-molares, fossas palatinas de molares superiores, fossa palatina de incisivos, fossas vestibulares de molares inferiores. 1ºM permanente em fase eruptiva, pois normalmente não é alcançado na escovação. Dentes com opérculo gengival. Portanto, para indicarmos o selante, devemos considerar: Morfologia dental. Idade dental (fase de janela de infectividade: mais ou menos até 3 anos a partir da erupção para que o esmalte fique maduro – isso acontece através dos banhos de saliva). Higiene bucal. Hábitos alimentares. História familiar. Fluxo salivar. CONTRA-INDICAÇÕES Baixo risco. Aumento de mobilidade. Reabsorção patológica da raiz. Para o permanente: Alterações de esmalte. Dilaceração coronária ou radicular. Distúrbios na erupção. Duplicação radicular. Suspenção da formação radicular. MEDICAÇÃO Dipirona ou paracetamol. Em casos mais severos: Ibuprofeno. Paciente colaborador. Sulcos e fóssulas rasos. Exemplo: uma criança de 13 anos, que já passou da janela de infectividade, não é necessário que o 1ºM seja selado, a não ser que os outros fatores estejam deficientes. TÉCNICAS DE APLICAÇÃO Com ionômero de vidro (será utilizado em clínica): É indicado para dentes que ainda estão erupcionando, em que não é possível fazer o isolamento absoluto. Sua técnica é simples e possui um bom escoamento. 1. Profilaxia bem feita. 2. Isolamento absoluto sempre que possível. 3. Condicionamento ácido com o próprio líquido do CIV (15 segundos). 4. Lava e seca bem. 5. Aplicação do CIV – pode ser feita uma pressão com a digital, para facilitar o escoamento. 6. Aplicar vaselina durante o processo, para evitar a sinérise e embebição. 7. Carbono + ajuste oclusal. O CIV é muito indicado, pois além de selar, também atua como um reservatório de flúor. Selantes convencionais: 1. Profilaxia bem feita. 2. Isolamento absoluto sempre que possível. 3. Condicionamento ácido (15 segundos). 4. Lava e seca bem. 5. Aplicação do selante + fotopolimerização. 6. Carbono + ajuste oclusal. Portanto, a somatória de todos os métodos de prevenção apresenta bons resultados contra a cárie. Selantes Consiste em uma ligação direta entre o osso alveolar e o dente. É necessário estarmos atentos aos distúrbios na dentição decídua para que possamos minimizá-los ou resolvê-los. Ao mesmo tempo que ocorre o desenvolvimento dentário, também ocorre o desenvolvimento de várias outras funções e estruturas. Quando todos os decíduos estiverem na boca, eles devem estar em oclusão, tocando no antagonista. RIZÓLISE À medida que o permanente vai desenvolvendo, o decíduo vai sofrendo rizólise. A rizólise, uma vez iniciada, não ocorre de forma homogênea e contínua, ou seja, é interrompida por períodos de deposição óssea na superfície reabsorvida. Quando há normalidade, a reabsorção predomina e resulta na esfoliação do decíduo. Entretando, nesta fase pode ocorrer um excesso de deposição óssea, formando uma ligação sólida entre o dente e o osso. Este processo ocasiona a anquilose dento alveolar. Portanto, anquilose é uma anomalia eruptiva onde ocorre a fusão de cemento e osso alveolar. Ela pode ocorrer em qualquer fase eruptiva, antecedendo ou sucedendo a erupção do dente na cavidade bucal, fazendo com que ele permaneça em infra-oclusão. É um dos principais fatores etiológicos da má- oclusão. ETIOLOGIA Trauma mecânico local. Genética. Disúrbios no metabolismo local. Infecção localizada. Força eruptiva deficiente. Morfologia facial. Pressão anormal nos elementos dentários. PREVALÊNCIA A anquilose dento alveolar é mais comum nos primeiros e segundos molares decíduos inferiores. Também é comum quando a maxila progride mais rapidamente e causa problemas de oclusão mais severos. Cerca de 1,3% a 38% das crianças podem desenvolver anquilose. Qual o problema gerado? O sucessor não consegue erupcionar. O antagonista extrui, buscando hormonizar a oclusão. DIAGNÓSTICO 1- Exame visual: Até aos 4 anos, todos os dentes devem estar em oclusão. Se algum deles estiver acima ou abaixo, devemos suspeitar. É muito comum estar em infra-oclusão. 2- Exame de mobilidade: O dente não apresenta nenhuma mobilidade. 3- Percussão: O dente anquilosado apresenta um som diferente dos demais (mais metálico).4- Exame radiográfico: Na radiografia o espaço do ligamento periodontal fica menor ou inexistente. CLASSIFICAÇÃO Baseado no grau de submerssão, a anquilose pode ser: 1- Leve: Quando a superfície oclusal está 1mm aquém do plano oclusal. 2- Moderado: Superfície oclusal no nível do ponto de contato com o vizinho. 3- Severo: No nível ou abaixo do nível gengival. TRATAMENTO O tratamento depende da severidade do caso (se for leve e moderado tentaremos não extrair). Podemos adotar como conduta, a restauração com resina para daixá-lo em oclusão. Caso chegue a época da troca e ele não esfolie, fazemos a exodontia. Um pouco antes da cirurgia, é interessante colocar ainda mais resina no elemento dental, para gerar um processo infeccioso e facilitar a extração. Após a cirurgia será necessário medicar, pois não é uma cirurgia simples. Independente do grau, mas principalmente no moderado e severo, sempre haverá consequências para o osso alveolar. Em aquiloses severas, podemos: Movimentar ortodonticamente os vizinhos. Exodontia do dente com anquilose. Mantenedor de espaço se necessário. Anquilose Dento-Alveolar Repetição de atos que não se relacionam às funções normais do sistema estomatognático. Prevalência de 42% nas crianças brasileiras. Sucção não nutritiva, onicofagia, bruxismo, morder caneta, respiração bucal, deglutição atípica, interposição lingual. Se a oclusão não estiver satisfatória, em função de hábitos parafuncionais, ela estará ligada à outras funções que também estarão desequilibradas. SUCÇÃO NÃO NUTRITIVA É a sucção de dedo ou de chupeta. Está relacionada à mordida aberta. Na mordida aberta, o palato fica mais ogival, o que pode levar à uma mordida cruzada. Na mordida cruzada, o paciente desenvolve um lado preferido de mastigação. Por que as crianças gostam de sugar? De 0 a 18 meses elas se encontram numa fase chamada de fase oral. A sucção é prazerosa e traz calmaria para a criança. A partir dos 18 meses, com a erupção dos molares (proporciona encaixe da mordida), a sucção não nutritiva pode trazer prejuízos. Amamentação materna: A amamentação no peito diminui as chances de uma sucção não nutritiva. Neste ato (movimento de ordenha), há inúmeros músculos que se ativam. Durante a amamentação, ocorre 4 movimentos coordenados: 1. Abertura de boca. 2. Projeção da mandíbula. 3. Elevação. 4. Retração da mandíbula. Além disso, durante a amamentação a boca da criança fica vedada, favorecendo a respiração nasal. Mamadeira: Também é um movimento de sucção, mas não por ordenha, e sim por pressão negativa. Neste ato, o músculo bucinador fica extremamente forte. Ao aumentar sua tonicidade, pode exercer uma pressão na maxila, alterando a oclusão. Chupeta: Pontos importantes para se observar: Duração: Há quanto tempo ela chupa chupeta. Frequência durante o dia. Intensidade. *OBS: É melhor oferecer a chupeta para a criança do que deixá-la chupar o dedo. DEGLUTIÇÃO ATÍPICA Em função da mordida aberta, para realizar a deglutição, a criança coloca a língua no espaço entre os dentes. Esta situação é denominada deglutição atípica. RESPIRAÇÃO BUCAL É favorecida pela mordida aberta: O espaço entre os dentes favorece a respiração bucal. O espaço entre os dentes dificulta o selamento dos lábios. O palato ogival dificulta a respiração nasal. PERFIL DA FACE Braquifacial: Possui força muscular, dificultanto a abertura da mordida pela chupeta. Mesiofacial: Forças equilibradas. Dólicofacial: Possui menor força muscular, sendo mais propenso a ter mordida aberta. A dimensão transversal da maxila diminuída alterará a oclusão (tampa da panela que não fecha). Ela possui cerca de 96% de sua dimensão total aos 12 anos. Isso pode causar: Problemas respiratórios. Má-oclusão. Falta de espaço para a erupção dos anteriores. ONICOFAGIA Hábito parafuncional com maior prevalência na puberdade. Pode causar: Desgaste dentário. Sobregarca na ATM. Infecção cruzada. Danos na pele ou unha. BRUXISMO O bruxismo pode ser classificado em bruxismo do sono ou bruxismo da vigília. Ambos não são fisiológicos e podem causar desgaste e dor. O bruxismo do sono se inicia por um comando do SNC e os dentes não participam em nenhum momento da fisiopatologia. O bruxismo pode ser: Primário: Sem causas prévias. Secundário: Causado por motivos sistêmicos ou por medicamento. O tratamento pode ser: Psicológico: Higiene do sono, terapia. Medicamentoso: Relaxantes musculares, benzodiazepínicos. Odontológico: Placas miorelaxantes. Hábitos Parafuncionais A via mais utilizada de adm é a via oral. pode ser administrada em gotas, em suspensão ou em xarope. FASES DA INFÂNCIA Nos primeiros meses de vida a imunidade da criança ainda está sendo formada. Se realizarmos a higiene dela, a imunidade da criança ficará deficiente. Durante a fase lactente é importante ensinar a mãe como realizar a higiene bucal da criança e incentivar a mastigação. Na segunda infância a mastigação já está estabelecida. Na fase escolar, os permanentes começam a aparecer. É importante que a higiene esteja sendo bem realizada. O médoto mais utilizado para o cálculo da posologia infantil é o método de Clark. (peso/70) x 100. CONTROLE DAS INFECÇÕES EM ODP 1. ANTIBIÓTICOS Penicilinas: Penicilina G e V, amoxicilina, amox + clavulin. Macrolídeos: Eritromicina, Claritromicina, azitromicina. São utilizados quando o paciente é alérgico às penicilinas. Clindamicina. Muito utilizado na periodontia. Indicações: Sinais de infecção (linfonodos palpáveis, trismo, dispineia) ou sinais de ordem sistêmica (febre, falta de apetite, mal estar, etc). Pacientes com leucemia, diabetes descompensada, agranulocitose, bronquite, etc. Pacientes com risco de endocardite bacteriana (deve ser realizada a profilaxia). Profilaxia: É utilizada para o controle de infecções. Inicia a profilaxia 3 dias antes do procedimento em casos de doenças crônicas. Em geral, não é necessário fazer medicação pré- operatória em crianças sadias, pois não removeremos osso. Exceção: remoção de supranumerários. Amoxicilina: Crianças com menos de 20 kg: 20 a 50 mg/kg/dia de 8/8 hrs. Mais de 20 kg: 250 a 500 mg/kg/dia de 8/8 hrs. Mais de 40 kg: adulto. Cefalexina: 25 a 50mg/kg/dia de 8/8 horas. Estearato de Eritromicina: 30 a 50mg/kg/dia de 6 em 6 horas (no máximo 4g por dia) Clindamicina: 20 a 40mg/kg/dia de 8/8 horas. Amoxicilina + Clavulanato de Potássio: Esse tipo de associação é feita quando há um edema ou celulite muito grande, febre, etc. Porém, na maioria dos casos, conseguimos fazer a drenagem na própria consulta. Crianças com menos de 20kg: 20 a 40mg/kg/dia de 8/8 horas. Crianças com mais de 20kg: 250 a 500mg/kg/dia de 8/8 horas. Metronidazol: 20mg/kg/dia de 6 em 6 horas. Azitromicina: 30mg/kg/dia dividido em 3 dias, portanto, 10mg/Kg/dia durante 3 dias (uma dose por dia). Não indicados: Tetraciclinas (altera a cor dos permanentes). Cloranfenicol (cancerígeno). Aminoglicosídeos (aumenta a glicose). Medicação em Odontopediatria 2. ANTIFÚNGICOS Poliênicos (nistatina): Bochecho + engole. Crianças pequenas - gaze. Azóis: Fluconazol e micozanol. As crianças imunodeprimidas tem maior risco de desenvolverem candidíase, estomatite herpética, etc. crianças que fazem uso constante de antibióticos também são mais propensas. 3. ANTI-VIRAIS Aciclovir (pomada – aplicar na lesão 4 a 5 vezes no dia); Penciclovir. Laser ajuda muito no caso da herpes. CONTROLE DA DOR EM ODP 1. ANALGÉSICO E ANTI-INFLAMATÓRIO Paracetamol. Ibuprofeno. Tramadol. Acetaminofeno