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Ambiental, Social e Governança Resumo Clique aqui para acessar os outros materiais ou Escaneie o QR Code @academiarafaeltoro https://www.academiarafaeltoro.com.br/simulados-gratuitos/ https://www.instagram.com/academiarafaeltoro/ 2 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão 2 Aspectos ASG Ambiental, Social e Governança 3 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Aspectos ASG Investimento ASG O Investimento ASG, sigla para Ambiental, Social e Governança, envolve justamente alguma questão relacionada respectivamente à conservação do mundo natural, à consideração de pessoas e relacionamentos e a padrões para administrar uma empresa, focando na sustentabilidade de longo prazo. Há várias definições, mais ou menos amplas, mas todas remetem a algum dos temas Ambiental, Social e Governança. Dessa forma, é comum ouvir termos como Investimento Responsável, de Impacto Social, Sustentável, Ético. Outra definição que remete ao investimento ASG são os títulos verdes, conhecidos pelo nome em inglês Green Bonds, destinados a incentivar a sustentabilidade e apoiar projetos ambientais especiais relacionados ao clima ou outros tipos. 4 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Aspectos ASG Investimento ASG A seguir, algumas questões que podem ser consideradas ASG em cada um dos três fatores: Ambiental: tecnologia limpa, poluição, emissão de carbono, eficiência energética, uso de recursos naturais, gestão de resíduos, escassez de água, desmatamento; Social: direitos humanos, treinamento da força de trabalho, política de inclusão e diversidade, privacidade e segurança de dados, políticas e relações de trabalho, satisfação do cliente, engajamento dos funcionários, gerenciamento da cadeia de suprimentos, trabalho análogo ao escravo ou infantil; Governança: remuneração do conselho de administração, ética, transparência, independência do conselho, diversidade na composição do conselho de administração, combate a corrupção e suborno, honestidade fiscal, estruturas para denúncias de irregularidades, controles internos e gerenciamento de riscos. 5 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Aspectos ASG Estratégias de investimento Existem diversas estratégias que incluem fatores ASG na análise de investimento; porém, não há uma solução única, cabendo ao gestor ou ao investidor adequá-la às suas necessidades. Pode também ser escolhida mais de uma estratégia. Dentre as principais, destacamos: Filtro negativo: bastante utilizado, remete à exclusão de investimentos de acordo com critérios ASG. Tais critérios refletem justamente os valores éticos do gestor ou investidor, englobando situações em que não são cumpridas normas mínimas estabelecidas por organizações internacionais ou nacionais. Alguns exemplos: setores de armamento, tabagista, de bebidas alcóolicas, de energia nuclear, de apostas, de pornografia, entre outros. Filtro positivo: segue a mesma lógica do filtro negativo, mas na direção oposta, ao incluir investimentos que atendam aos critérios ASG. Englobam também os investimentos temáticos, normalmente relacionados à sustentabilidade. Por exemplo, se um dos critérios do filtro positivo ASG for a redução da emissão de carbono, são selecionados países, setores ou empresas que apresentam alguma política ativa de redução de emissão de carbono para receber o investimento. 6 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Aspectos ASG Estratégias de investimento Mais algumas estratégias que destacamos: Best-in-class: tipo de filtro positivo, que funciona como um ranking, ao selecionar critérios ASG para avaliação de um investimento ou projeto. Uma vez selecionados e classificados em um ranking, os melhores investimentos ou projetos em relação a seus pares são escolhidos para receberem o investimento. Dessa forma, é possível identificar vantagens competitivas entre empresas do mesmo setor, o que tende a otimizar o uso dos recursos para investir; Integração ASG: incorporação de fatores ambientais, sociais e de governança nos modelos de análise financeira da empresa ou do projeto. Com isso, é possível considerar os impactos que determinados fatores possivelmente terão no futuro da empresa, no perfil de risco ou na geração de lucros. Exemplo: , por exemplo, o modelo de análise financeira aplicará um desconto no valuation de uma empresa que não contempla boas práticas de governança corporativa; 7 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Aspectos ASG Estratégias de investimento Por fim, destacamos também: Investimento de impacto: feitos em setores, companhias ou projetos focados na geração de impacto social e ambiental, com a premissa principal de que tais impactos sejam mensuráveis, sendo a performance do investimento medida pela combinaçã do impacto gerado na sociedade e/ou no meio ambiente e do retorno financeiro; e Engajamento corporativo: Também conhecido por ativismo acionário, está relacionado à utilização da participação acionária que determinados os investidores detêm para influenciar a estratégia da empresa na adoção de políticas ASG. 8 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Aspectos ASG Materialidade A materialidade está relacionada ao processo de definição de aspectos ASG relevantes, isto é, que possam influenciar, de forma relevante, as avaliações e decisões dos diversos stakeholders. Por exemplo, os fatores que podem influenciar a decisão de investimentos de administradores, gestores e investidores são temas considerados materiais. Em outras palavras, descreve como todo o processo de inclusão de fatores ASG impactará os investimentos, os clientes, o meio ambiente e a sociedade. Nesse processo são definidos: fatores ASG relevantes; como tais fatores irão apoiar na identificação de oportunidades; tendencias e riscos dos investimentos; quais informações serão consideradas para a realização da analise e divulgação dos resultados; e como será́ o ciclo de investimento, desde o processo de analise até a realização, bem como a sua manutenção. 9 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Aspectos ASG PRI O PRI, Principles for Responsible Investment, ou Princípios para Investimentos Responsáveis, é uma iniciativa de grandes investidores, com apoio da ONU, para estabelecimento de princípios sobre a incorporação de temas ASG às respectivas análises e processos. O objetivo é monitorar a incorporação de temas ASG por investidores institucionais e dos processos de due dilligence de investimentos. No total, são 6 princípios que fazem parte de um compromisso entre os signatários: 1. Incorporaremos questões ASG na análise de investimentos e nos processos de tomada de decisão; 2. Seremos proprietários ativos e incorporaremos questões ASG em nossas políticas e práticas; 3. Buscaremos a divulgação apropriada sobre questões ASG pelas entidades em que investimos; 4. Promoveremos a aceitação e implementação dos Princípios no setor de investimentos; 5. Trabalharemos juntos para aumentar nossa eficácia na implementação dos Princípios; 6. Cada um de nós relatará suas atividades e progresso na implementação dos Princípios. 10 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Aspectos ASG Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade. 11 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Aspectos ASG Código Brasileiro de Stewardship Stewardship, ou administração, é um termo que pode ser compreendido pela visão de que o relacionamento entre empresas e investidores institucionais deve se pautar por práticas de governança e princípios que refletem a sustentabilidade dos negócios e a responsabilidade dos acionistas. O Código Brasileiro de Stewardship foi lançado pela Amec (associação que reúne cerca de 60 investidores institucionais, responsáveis por aproximadamente R$ 700 bilhõessob gestão), e pela CFA Society do Brasil. O objetivo do Código como é desenvolver e disseminar a cultura de stewardship no Brasil, promovendo o senso de propriedade nos investidores institucionais e criando padrões de engajamento responsável. Nele, são definidos alguns mecanismos que devem ser respeitados no processo de investimento, intensificando a responsabilidade sobre a governança de seus investimentos. 12 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Aspectos ASG Código Brasileiro de Stewardship De acordo com o Código, os investidores institucionais, no cumprimento de seu dever fiduciário para com seus beneficiários finais, devem: 1. Implementar e divulgar programa de stewardship; 2. Implementar e divulgar mecanismos de administração de conflitos de interesses; 3. Considerar aspectos ASG nos seus processos de investimento e atividades de stewardship; 4. Monitorar os emissores de valores mobiliários investidos; 5. Ser ativos e diligentes no exercício dos seus direitos de voto; 6. Definir critérios de engajamento coletivo; e 7. Dar transparência às suas atividades de stewardship. 13 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Aspectos ASG Um título ASG é um título de dívida cujo emissor investe em empresas com altos padrões Ambientais, Sociais e de Governança. Podem ser emitidos por empresas, governos e entidades multilaterais para atrair capital para projetos cujo objetivo seja gerar um impacto socioambiental positivo. Em linhas gerais, podemos elencar os seguintes títulos ASG: Títulos Verdes (Green Bonds): financiamento de projetos com evidente benefício ambiental; Títulos Sociais (Social Bonds): financiamento de projetos que atendam questões sociais e/ou procurem resultados positivos para populações específicas; Títulos Sustentáveis: combinam aspectos dos Títulos Verdes e também dos Títulos Sociais, englobando projetos com caráter socioambiental; Títulos Vinculados à Sustentabilidade (Sustentability-Linked Bonds): instrumentos de dívida que tem como objetivo final fazer com que o emissor alcance metas ASG, medidas a partir de indicadores-chave de desempenho. Podem ter suas características financeiras e estruturais alteradas dependendo do atingimento das metas de sustentabilidade pré-estabelecidas; e Títulos ODS: Título Verde, Social ou Sustentável cuja estruturação passou pelo processo de alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Títulos ASG 14 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Aspectos ASG Referências Internacionais Algumas referências internacionais relevantes para o contexto ASG são: NGFS – Network for Greening the Financial System (G-20) - Recomendações para bancos centrais e supervisores do sistema financeiro com foco em risco climático e de maior ambiente Prudencial - supervisão de riscos climáticos e de meio ambiente, análise de impactos e apoio a finanças verdes. SBN – Sustainable Banking Network (IFC/WB) - Organismo de apoio à implementação de melhores práticas composto por associações de bancos e reguladores de mercados emergentes. Apoio ao desenvolvimento e à implementação de padrões ASG e inovação em finanças verdes/climáticas em mercados emergentes. Principles for Responsible Banking (UNEP FI) - Adesão a princípios voltados para a adoção da agenda de sustentabilidade, de padrões de reporting e de metas por bancos. Alinhamento com a agenda de sustentabilidade (ODS e Acordo de Paris) e definição de impactos e metas pelos bancos. Sustainable Finance Network (Io): Plataforma para compartilhamento de informações entre reguladores de valores mobiliários, formação de força-tarefa e estabelecimento de recomendações. Troca de informações e estabelecimento de padrões mínimos de transparência em emissões no mercado de capitais. 15 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Aspectos ASG Greenwashing refere-se ao ato de fornecer ao público ou investidor informações enganosas ou mesmo falsas sobre o impacto ambiental dos produtos e operações de uma empresa. Envolve fazer uma alegação infundada para enganar os consumidores, fazendo-os acreditar que os produtos de uma empresa são ecologicamente corretos ou têm um impacto ambiental positivo maior do que realmente têm. Além disso, o Greenwashing pode ocorrer quando uma empresa tenta enfatizar os aspectos sustentáveis de um produto para ofuscar o envolvimento da empresa em práticas prejudiciais ao meio ambiente. Alguns exemplos dessa prática no mercado financeiro incluem: Um fundo tem “ASG” no nome, mas só usa uma estratégia de filtro negativo limitada para excluir investimentos em armas polêmicas, não considerando materialmente fatores ASG no resto de suas estratégias de investimento. Um fundo inclui “fatores ASG” no nome, mas seus objetivos de investimento afirmam apenas que ele busca fornecer valorização do capital, investindo principalmente em ações. Um fundo tem a palavra “sustentável” no nome, mas seus objetivos de investimento apenas fazem referência ao desempenho financeiro. Greenwashing 16 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Aspectos ASG A Resolução CMN 4.943/2021 alterou a Resolução CMN 4.557, que dispõe sobre a estrutura de gerenciamento de riscos, a estrutura de gerenciamento de capital e a política de divulgação de informações, ao incluir nessa última os riscos social, ambiental e climático. Por sua vez, a Resolução CMN 4.944/2001 alterou a Resolução CMN 4.606, que dispõe sobre a metodologia facultativa simplificada para apuração do requerimento mínimo de Patrimônio de Referência Simplificado (PRS5), ao também incluir os riscos social, ambiental e climático. Já a Resolução CMN 4.945/2021 passou a exigir que as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil estabeleçam uma Política de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática (PRSAC) e implementem ações com vistas à sua efetividade. Legislação 17 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Aspectos ASG Além disso, a Resolução BCB 139/2021 trouxe orientações a respeito da divulgação do Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticas (GRSAC), cujas tabelas devem ser padronizadas conforme Instrução Normativa BCB 153/2021. O Relatório GRSAC deve ser divulgado por bancos múltiplos, bancos comerciais, bancos de investimento, bancos de câmbio e caixas econômicas. Já a Resolução CMN 4.661, que dispõe sobre as diretrizes de aplicação dos recursos garantidores dos planos administrados pelas Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPC), determina que tais entidades devem considerar na análise de riscos, sempre que possível, os aspectos relacionados à sustentabilidade econômica, ambiental, social e de governança dos investimentos. Temos também Resolução CVM 87, que altera a Resolução CVM 80, que por sua vez dispõe sobre o registro e a prestação de informações periódicas e eventuais dos emissores de valores mobiliários admitidos à negociação em mercados regulamentados de valores mobiliários. Legislação 18 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Aspectos ASG O Anexo C da Resolução CVM 87 traz uma sessão sobre informações relacionadas a itens Ambientais, Sociais e de Governança (ASG) do emissor. Esse Anexo, na seção dos Comentários dos Diretores, também pede informações sobre oportunidades inseridas no plano de negócios do emissor relacionadas a questões ASG e, em Fatores de Risco, também solicita informações sobre questões sociais, ambientais e climáticas. Ainda no Anexo C da Resolução CVM 87, na parte do Conselho de Administração, é solicitado que seja indicado, se houver, canais instituídos para que questões críticas relacionadas a temas e práticas ASG e de conformidade cheguem ao conhecimento do Conselho de Administração. Na parte de Remuneração dos Administradores do emissor, há uma seção que solicita a descrição dos principais indicadores de desempenho nele levados em consideração, inclusive, se for o caso, indicadoresligados a questões ASG. Por fim, na seção de Recursos Humanos, há solicitação da descrição de indicadores de diversidade. Legislação 19 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão 19 Reporte de informações em sustentabilidade 20 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Reporte de Informações em Sustentabilidade GRI (Global Reporting Initiative) Um aspecto muito relevante para apoiar decisões sobre investimentos ASG é a busca por uma padronização do reporte de iniciativas nas áreas Ambiental, Social e de Governança. Vamos destacar três padrões de reporte: GRI, SASB e TCFD. A GRI (Global Reporting Initiative) é a organização internacional independente que ajuda empresas e outras organizações a assumirem a responsabilidade por seus impactos, fornecendo-lhes a linguagem global comum para comunicar esses impactos – os Padrões GRI. A organização trabalha com empresas, investidores, formuladores de políticas, sociedade civil e organizações trabalhistas para desenvolver os Padrões GRI e promover seu uso por organizações em todo o mundo. Com milhares de reportes em mais de 100 países, os Padrões GRI estão avançando na prática de relatórios de sustentabilidade e permitindo que as organizações e suas partes interessadas tomem melhores decisões que criem benefícios econômicos, ambientais e sociais. 21 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Reporte de Informações em Sustentabilidade GRI (Global Reporting Initiative) Os Padrões GRI permitem que qualquer organização entenda e relate seus impactos na economia, no meio ambiente e nas pessoas de maneira comparável e confiável, aumentando assim a transparência em sua contribuição para o desenvolvimento sustentável. Além das empresas relatoras, os Padrões são altamente relevantes para muitas partes interessadas - incluindo investidores, formuladores de políticas, mercados de capitais e sociedade civil. Os Padrões Universais , que incluem relatórios sobre direitos humanos e due diligence ambiental, se aplicam a todas as organizações; já os novos Padrões Setoriais permitem relatórios mais consistentes sobre impactos específicos do setor; Por fim, há os Padrões de Tópicos, adaptados para serem usados com os Padrões Universais revisados, que listam as divulgações relevantes para um tópico específico. 22 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Reporte de Informações em Sustentabilidade SASB O SASB, Sustainability Accounting Standards Board, traduzindo livremente Conselho de Padrões Contábeis de Sustentabilidade, tem como objetivo principal é desenvolver padrões de contabilidade de sustentabilidade. As Normas SASB orientam a divulgação de informações de sustentabilidade financeiramente relevantes pelas empresas aos seus investidores. Disponível para 77 setores, os Padrões identificam o subconjunto de questões ambientais, sociais e de governança (ASG) mais relevantes para o desempenho financeiro em cada setor. Os Padrões SASB são mantidos pela Value Reporting Foundation, uma organização global sem fins lucrativos, cujo conselho de administração supervisiona a estratégia, as finanças e as operações de toda a organização e nomeia os membros do Conselho de Padrões do SASB. O Conselho de Padrões SASB é um conselho independente responsável pelo devido processo, resultados e ratificação dos Padrões SASB. 23 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Reporte de Informações em Sustentabilidade SASB O SASB desenvolveu um conjunto completo de Padrões específicos do setor e aplicáveis globalmente que identificam o conjunto mínimo de tópicos de sustentabilidade financeiramente relevantes e suas métricas associadas para a empresa típica de um setor. Além disso, fornece um Guia de Engajamento para investidores considerarem questões a serem discutidas com empresas sobre questões financeiras relevantes, bem como um Guia de Implementação para empresas que explica questões e abordagens a serem consideradas ao implementar as Normas SASB. 24 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão TCFD O Financial Stability Board (FSB) criou o chamado TCFD (Task-Force on Climate-Related Financial Disclosures), ou Força-Tarefa sobre Divulgações Financeiras Relacionadas ao Clima. O objetivo foi desenvolver recomendações sobre os tipos de informações que as empresas devem divulgar para apoiar investidores, credores e subscritores de seguros na avaliação e precificação adequada de um conjunto específico de riscos relacionados às mudanças climáticas. O FSB acredita que, por meio da ampla adoção de suas recomendações, os riscos e oportunidades financeiros relacionados às mudanças climáticas se tornarão uma parte natural dos processos de gerenciamento de risco e planejamento estratégico das empresas. E, à medida que isso ocorre, a compreensão das empresas e dos investidores sobre as potenciais implicações financeiras associadas à transição para uma economia de baixo carbono e os riscos físicos relacionados ao clima aumentará. Na mesma direção, as informações se tornarão mais úteis para a tomada de decisões e riscos e oportunidades serão precificados com mais precisão, permitindo uma alocação mais eficiente de capital. Reporte de Informações em Sustentabilidade 25 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Reporte de Informações em Sustentabilidade TCFD As recomendações feitas pelo TCFD para divulgação de informações sobre mudanças climáticas estão estruturadas em quatro áreas temáticas: Governança: divulgar a governança da companhia sobre os riscos e oportunidades relacionadas às mudanças climáticas; Estratégia: divulgar os impactos reais e potenciais de riscos e oportunidades relacionados às mudanças climáticas sobre os negócios, a estratégia e o planejamento financeiro da organização; Gestão de Risco: divulgar como a organização identifica, avalia e gerencia os riscos relacionados às mudanças climáticas; e Métricas e Metas: divulgar as métricas e as metas utilizadas para avaliar e gerir riscos e oportunidades relacionadas às mudanças climáticas. As quatro recomendações, por sua vez, estão inter-relacionadas e apoiadas por 11 divulgações recomendadas que constroem a estrutura com informações que devem ajudar os investidores a entender como as organizações que divulgam tais informações pensam e avaliam os riscos e oportunidades relacionados ao clima. 26 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão 26 ASG Ambiental, Social e Governança 27 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Processo que agrega políticas, práticas e informações de dados referentes a temas ambientais, sociais e de governança corporativa nos modelos de análise financeira e de risco. Falando especificamente de fundos de investimento, são aqueles que consideram questões ASG em suas políticas de investimento no alcance de seus objetivos diversos. A incorporação de fatores ASG na política de investimento do fundo se junta às avaliações tradicionais, evidenciando os riscos que não são capturados pela análise financeira tradicional, principalmente os de longo prazo, tornando as conclusões mais eficazes. Nesse sentido, desde o início de 2022, passaram a vigorar na autorregulação da Anbima o documento “Regras e Procedimentos para Identificação dos Fundos de Investimento Sustentável (IS)”. Ele estabelece critérios e requisitos para identificação de fundos de ações ou de renda fixa como fundos de investimento sustentável. Eles devem atestar formalmente o compromisso com a sustentabilidade, adotar ações regulares compatíveis com o alcance e o monitoramento desse objetivo e dar transparência a essas características ao investidor e ao público em geral. Fundos ASG Consideração de questões ASG por Fundos 28 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Uma das tendências internacionais é o uso de diversas abordagens para incorporar e atingir objetivos ASG. Em vez de serem prescritivas na definição de percentuais ou recomendação de uma ou outra alternativa, especialistas e reguladores têm destacadoa importância de atestar a consistência das metodologias utilizadas, as fontes primárias de dados, os tipos de ferramentas empregadas, as métricas, as políticas de engajamento e/ou temáticas e as ações de monitoramento e diligência quanto a efetividade desses instrumentos. É um processo de forma continuada. Fundos ASG Tendências sobre a identificação de fundos ASG 29 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão De acordo com o Guia Anbima ASG II, que reúne aspectos ASG para gestores e fundos de investimento, no processo de identificação de fundos ASG, pode-se notar as seguintes tendências: Assegurar consistência entre os compromissos assumidos e as práticas adotadas; Utilizar métricas e indicadores de desempenho e monitorar os resultados ao longo do tempo; Adotar ações continuadas de diligências e engajamento relacionadas aos objetivos do fundo; Combinar metodologias e construir scores próprios; e Identificar limitações das metodologias, dos dados e dos índices utilizados. Fundos ASG Tendências sobre a identificação de fundos ASG 30 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Fundos ASG Critérios para gestores de fundos IS Os critérios estabelecidos pela ANBIMA para gestores de fundos IS (Investimentos Sustentáveis) e que consideram questões ASG tratam da existência de um compromisso formal da sustentabilidade na atividade de gestão, governança e transparência. O documento que formaliza tal compromisso deve conter uma descrição de diretrizes, regras, procedimentos, critérios e/ou controles que sejam adotados em relação à sustentabilidade na gestão de fundo ou fundos na instituição, ao estágio e escopo de implementação e à governança. Esse documento deve estar disponível para consulta interna e pública e sofrer atualizações em períodos não superiores a 24 meses. Importante salientar que os requisitos aplicáveis ao gestor para identificação de fundos sustentáveis e que consideram questões ASG são condiçaões estabelecidas pela autorregulação da Anbima. 31 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Fundos ASG Critérios para gestores de fundos IS São três grandes critérios estabelecidos pela ANBIMA para gestores de fundos IS (Investimentos Sustentáveis) e que consideram questões ASG: Compromisso com a sustentabilidade: atestar o compromisso por meio de um documento escrito que descreva diretrizes, regras, procedimentos, critérios e controles referentes às questões ASG e/ou ao investimento sustentável. Mesmo que não traga determinações específicas, ele deve, no mínimo, estipular de forma escrita práticas e procedimentos em sustentabilidade/ASG e ser aprovado, constituindo documento formal da instituição; Governança: manter estrutura de governança dedicada às questões ASG, com uma estrutura funcional, organizacional e de tomada de decisões adequada para que sejam cumpridas as responsabilidades relacionadas à gestão dos fundos sustentáveis. Recomenda-se também independência da área de ASG, com a identificação de profissional ou instância (como uma pessoa ou estrutura) com poderes para analisar, indicar e supervisionar se os ativos a serem adquiridos (ou adquiridos) pelos fundos IS mencionados estão aderentes às políticas internas da gestora; e 32 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Fundos ASG Critérios para gestores de fundos IS E, por fim: Transparência: Assegurar a divulgação da política de sustentabilidade e da respectiva estrutura de governança em site, documento que formaliza práticas, procedimentos, diretrizes em relação à sustentabilidade, em sua atividade de gestão, e documentos que complementem suas ações a esse respeito. A adesão a organizações e iniciativas internacionais, como PRI, TCFD, entre outras, ou a códigos de stewardship, é importante para ilustrar a disposição do gestor em estabelecer compromissos a respeito de suas ações nessa agenda. O gestor pode também estabelecer ações de monitoramento, verificação, auditoria ou garantia de sua abordagem de sustentabilidade. Esse serviço independente, a ser solicitado por ele ou pelo administrador do fundo, visa avaliar se os métodos de integração ASG ou os objetivos de sustentabilidade informados aos cotistas estão sendo cumpridos. 33 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Fundos ASG Requisitos para fundos IS Além dos critérios a serem aplicados ao gestor, mencionados anteriormente, a denominação de um fundo como sustentável depende de um conjunto de requisitos definidos pela Anbima no documento Regras e Procedimentos para Identificação de Fundos Sustentáveis. A Anbima divide esses requisitos em 3 grandes frentes: Compromisso com a sustentabilidade: o regulamento deve trazer um resumo do objetivo de investimento sustentável do fundo, que por sua vez deve estar apto a demonstrar o alinhamento da carteira com o objetivo de investimento sustentável e que os respectivos investimentos não causam dano que comprometa esse objetivo; Transparência: divulgar o objetivo de investimento sustentável do fundo e as ações adotadas para buscar e monitorar esse objetivo, de forma clara, objetiva e atualizada; 34 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Fundos ASG Requisitos para fundos IS A Anbima divide esses requisitos em 3 grandes frentes: Ações continuadas: Adotar estratégia de investimento que inclua metodologias, dados e ferramentas empregados para atingir o objetivo de investimento sustentável do fundo. Tais ações envolvem: limitações em metodologias, dados e ferramentas empregados e ações de diligência adotadas a esse respeito; políticas de engajamento e demais medidas adotadas em relação ao objetivo de investimento sustentável do fundo; a forma de monitoramento para aferição dos objetivos de investimento sustentável do fundo; e o atendimento às mesmas ações, no caso de fundos que utilizam benchmarks. 35 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Fundos ASG Requisitos para fundos IS A Anbima é muito clara ao afirmar que não basta um fundo aplicar filtros positivos ou negativos para ser considerado Investimento Sustentável. A aplicação desses filtros deve estar inserida em uma estratégia abrangente de incorporação de políticas, práticas e dados em sustentabilidade. Para tornar mais claro o entendimento, detalhamos melhor como funcionam tais filtros: Filtro negativo: bastante utilizado, remete à exclusão de investimentos de acordo com critérios ASG. Tais critérios refletem justamente os valores éticos do gestor ou investidor, englobando situações em que não são cumpridas normas mínimas estabelecidas por organizações internacionais ou nacionais. Alguns exemplos: setores de armamento, tabagista, de bebidas alcóolicas, de energia nuclear, de apostas, de pornografia, entre outros. Filtro positivo: segue a mesma lógica do filtro negativo, mas na direção oposta, ao incluir investimentos que atendam aos critérios ASG. Englobam também os investimentos temáticos, normalmente relacionados à sustentabilidade. Por exemplo, se um dos critérios do filtro positivo ASG for a redução da emissão de carbono, são selecionados países, setores ou empresas que apresentam alguma política ativa de redução de emissão de carbono para receber o investimento. 36 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Fundos ASG Requisitos para fundos IS Outro ponto muito destacado pela Anbima no Guia Anbima ASG II refere-se às ações continuadas, um dos requisitos para fundos IS. De acordo como Guia, o fundo deverá adotar um processo sistemático de engajamento ativo com as empresas da carteira a respeito de questões relevantes, para fins de seus objetivos. Dependendo da estratégia escolhida, o gestor poderá ter que exercer um papel de destaque como indutor de melhores práticas socioambientais e de governança nas empresas investidas. O engajamento ativo pode ser praticado tanto por investidores de ações quanto por detentores de títulos de dívida. Quanto ao poder de voto, o gestor deve estabelecer uma política e adotar práticas de votaçãoque estejam em harmonia com os objetivos em sustentabilidade do fundo, prática também conhecida como proxy voting. 37 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Fundos ASG Requisitos para fundos IS Em se tratando de fundos passivos que utilizam índice como referência, é esperado que o fundo seja capaz de atestar que o indicador utilizado está alinhado ao objetivo de investimento sustentável. Ainda segundo o Guia ASG II, o gestor poderá replicar índices que incorporam critérios de sustentabilidade, refinar um indicador existente, construir um índice proprietário ou envolver-se ativamente com as empresas do índice em torno de questões de sustentabilidade. A metodologia do indicador ou aquela adotada deve ser formalizada e a performance do índice em relação ao objetivo do fundo deve ser monitorada, bem como de limitações previamente identificadas. 38 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Fundos ASG Requisitos para fundos IS Ainda no campo das Ações Continuadas mencionadas pela Anbima como requisito para fundos IS, o engajamento corporativo, também chamado de ativismo corporativo , ganha destaque no Guia ASG II como forma de gestão ativa. Ele tem como base a utilização da participação acionária que os investidores detêm para influenciar a estratégia da empresa na adoção de políticas ASG, atividade fundamental na gestão de um fundo IS. Pode ser visto também como uma alternativa ao desinvestimento: ao invés de vender ativos de empresas que não adotam políticas ASG ou que têm dificuldades em atingir metas de sustentabilidade, os investidores mantêm sua participação e tentam persuadir a companhia a adotar melhores políticas em temas socioambientais. Esse engajamento também é possível para investidores de renda fixa. Detentores de títulos de dívida podem se envolver com companhias de forma reativa, mitigando problemas, ou proativa, apoiando na definição e atingimento de metas. 39 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Fundos ASG Requisitos para fundos IS Quando falamos das ações ASG na prática, é fundamental para o fundo a definição e mensuração de objetivos em sustentabilidade e o respectivo alinhamento da carteira. Ainda que cada fundo possa selecionar diferentes objetivos e as metodologias associadas, estes poderão incluir, especificamente: Objetivos relacionados à geração de impacto positivo por parte do gestor e suas externalidades positivas: ao estabelecer os seus objetivos e criar a sua carteira, o gestor deve avaliar se a maior parte das receitas de uma empresa deriva de produtos e serviços que ajudam a atingir os objetivos, se os produtos ou serviços da companhia atendem a uma necessidade social ou ambiental que dificilmente será satisfeita por terceiros (como concorrentes ou governo) e/ou se a empresa realiza atividades econômicas que contribuem para um objetivo de sustentabilidade; 40 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Fundos ASG Requisitos para fundos IS Objetivos relacionados à identificação e à mitigação dos impactos adversos sobre os fatores de sustentabilidade decorrentes de investimentos, evitando-se danos ou degradações. Por meio de decisões de alocações de capital, os participantes do mercado financeiro podem provocar, ou pelo menos possibilitar, impactos negativos causados pelas suas decisões em relação a questões ASG. Por exemplo, um gestor de ativos que financia uma empresa de roupa a varejo poderá involuntariamente contribuir para a exploração de mão de obra infantil ou, ao investir em uma empresa de automóveis elétricos, o gestor pode provocar a emissão de dióxido de carbono na cadeia de manufatura. Dessa forma, o fundo poderá apresentar, como seus objetivos em sustentabilidade, a anulação gradual desses impactos negativos. 41 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Fundos ASG Requisitos para fundos IS Objetivos relacionados à melhoria das credenciais de sustentabilidade das empresas investidas, por meio de ações de engajamento ativo, guiadas pela aplicação de planos de ação sistemáticos e pela utilização de métricas qualitativas ou quantitativas. Se, por exemplo, o objetivo for fomentar a educação de jovens de baixa renda, o gestor não deverá investir em empresas privadas de educação que não tenham programas de inclusão educacional ou de concessão de bolsas de estudo. Caso o propósito for contribuir para a sustentabilidade corporativa, não deverá manter na carteira empresas com as quais o fundo não tenha adotado um plano de ação para melhorar o seu desempenho em sustentabilidade. 42 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Fundos ASG Requisitos para fundos IS Importante também ressaltar que os investimentos não podem causar danos aos objetivos do fundo. Por exemplo, se o foco do gestor for mitigar os efeitos das alterações climáticas, não deverá apoiar financeiramente empresas cujas atividades têm algum efeito de impactar negativamente a flora ou fauna local ao interferir na gestão de águas ou de solos. Ou ainda o gestor não deverá investir em empresas cujos produtos e serviços estejam alinhados com os objetivos em sustentabilidade dele se essas empresas tiverem problemas de transparência, de governança, ou de violações dos direitos humanos, por exemplo. O gestor deve adotar instrumentos qualitativos ou quantitativos para monitorar o progresso e verificar se alcançou os seus objetivos. Sempre que possível, também deve ser verificado o princípio da adicionalidade, isto é, identificar as diferenças entre o ativo que foi afetado pelo investimento e o que teria acontecido caso não tivesse recebido o investimento. 43 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Fundos ASG Integração ASG em Ações Ainda que os princípios inerentes ao ASG possam ser aplicados a todas as transações financeiras, as práticas ASG devem ser moldadas de acordo com cada classe de ativo, respeitando-se as características próprias de cada uma delas. Com relação à integração das práticas ASG em ativos de renda variável, destacamos o seguinte: Due diligence: o processo deve ser guiado por tipologias reconhecidas, devendo cada gestor deverá adotar um processo para identificar, prevenir, mitigar e contabilizar qualquer impacto adverso causado por fatores de sustentabilidade na cadeia de valor de sua atividade. A organização deve integrar os resultados do processo de due diligence de sustentabilidade nas outras fases do ciclo de investimento, tais como investimento, holding e saída, como também no processo de due diligence mais amplo. 44 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Fundos ASG Integração ASG em Ações Com relação à integração das práticas ASG em ativos de renda variável, ainda destacamos: Modelos de valuation: se o gestor seguir estratégias fundamentalistas, deve revisar as metodologias de avaliação de ações, por exemplo, ajustando as demonstrações financeiras, as variáveis de avaliação da empresa, os múltiplos de avaliação (para calcular múltiplos “integrados ao ASG”) e as previsões financeiras e estimativas de fluxo de caixa. Caso o gestor adote estratégias quantitativas, deve construir modelos que integrem critérios ASG materiais juntamente com fatores como volatilidade, valor, momentum, tamanho e crescimento. 45 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Fundos ASG Integração ASG em Renda Fixa Para títulos corporativos ou outros títulos de dívida corporativa, o gestor deve: Integrar fatores ASG materiais na pesquisa de crédito interna e na avaliação da qualidade de crédito dos emissores; ajustar as previsões financeiras e as estimativas de fluxo de caixa futuro integrando a análise ASG; e classificar um emissor em relação a um grupo de pares escolhido com base na análise ASG. Também é possível analisar os spreads de títulos ASG de um emissor e seu valor relativo em relação aos de seus pares do setor para descobrir se todos os fatores de risco estão cotados. Para títulos, deve-se considerar fatores ASG na análise do créditosoberano, tais como risco relacionado ao clima, renda per capita ou transição de energia. 46 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Fundos ASG ETFs ASG Os ETFs (Exchange Traded Funds), conhecidos também como Fundos de Índice, são fundos abertos que buscam obter retorno semelhante com base em determinado índice, com a diferença que suas cotas são negociadas em bolsa ou mercado de balcão, como se fossem ações ou fundos fechados. Estes fundos devem manter 95%, no mínimo, de seu patrimônio líquido aplicado em valores mobiliários de renda fixa ou outros ativos de renda variável autorizados pela CVM. Em se tratando de um ETF ASG, no Brasil é possível estruturá-lo, por exemplo, seguindo o Índice S&P/B3 Brasil ESG. Esse índice tem como objetivo medir a performance das empresas com as melhores práticas de sustentabilidade baseadas em critérios ASG. O índice adota como principal fator de ponderação as notas ASG das companhias elegíveis à carteira teórica, através de uma metodologia proprietária da Standard&Poor’s, que também é utilizada no índice Dow Jones Sustainability. Além disso, o índice exclui ações com base na sua participação em certas atividades comerciais, no seu desempenho em comparação com o Pacto Global da ONU e também empresas sem pontuação ASG da S&P DJI. 47 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Regulação e Autorregulação ASG 48 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão ❑❑ A Resolução CMN nº 4.943/2021, que altera a Resolução nº 4.557/2017, dispõe sobre a estrutura de gerenciamento de riscos, a estrutura de gerenciamento de capital e a política de divulgação de informações para nortear a gestão de risco ambiental, social e de governança dos seus regulados. Para monitorar a exposição ao risco ASG, as instituições financeiras passam a ter o dever de implementar a PRSAC (Política de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática). ❑ Essa resolução avalia os níveis de riscos que a instituição está disposta a assumir, discriminados por tipo de risco e, quando aplicável, por diferentes horizontes de tempo. �� 1° O Risco Social �� 2° O Risco Ambiental �� 3° O Risco Climático Conceito Regulação e Autorregulação ASG 49 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Regulação e Autorregulação ASG Risco Social é a possibilidade de ocorrência de perdas para a instituição ocasionadas por eventos associados à violação de direitos e garantias fundamentais ou a atos lesivos a interesse comum. São exemplos de eventos de risco social a ocorrência ou, conforme o caso, os indícios da ocorrência de: I - ato de assédio, de discriminação ou de preconceito com base em atributos pessoais, tais como etnia, raça, cor, condição socioeconômica, situação familiar, nacionalidade, idade, sexo, orientação sexual, identidade de gênero, religião, crença, deficiência, condição genética ou de saúde e posicionamento ideológico ou político; II - prática relacionada ao trabalho em condições análogas à escravidão; III - exploração irregular, ilegal ou criminosa do trabalho infantil; IV - prática relacionada ao tráfico de pessoas, à exploração sexual ou ao proveito criminoso da prostituição; Risco Social 50 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão V - não observância da legislação previdenciária ou trabalhista, incluindo a legislação referente à saúde e segurança do trabalho; VI - ato irregular, ilegal ou criminoso que impacte negativamente povos ou comunidades tradicionais, entre eles indígenas e quilombolas, incluindo a invasão ou a exploração irregular, ilegal ou criminosa de suas terras; VII - ato lesivo aos patrimônios público, histórico, cultural ou à ordem urbanística; VIII - prática irregular, ilegal ou criminosa associada a alimentos ou a produtos potencialmente danosos à sociedade, sujeitos a legislação ou regulamentação específica, entre eles agrotóxicos, substâncias capazes de causar dependência, materiais nucleares ou radioativos, armas de fogo e munições; IX - exploração irregular, ilegal ou criminosa dos recursos naturais, relativamente à violação de direito ou de garantia fundamental ou a ato lesivo a interesse comum, entre eles recursos hídricos, florestais, energéticos e minerais, incluindo, quando aplicável, a implantação e o desmonte das respectivas instalações; X - tratamento irregular, ilegal ou criminoso de dados pessoais. Regulação e Autorregulação ASG 51 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Risco Ambiental é a possibilidade de ocorrência de perdas para a instituição ocasionadas por eventos associados à degradação do meio ambiente, incluindo o uso excessivo de recursos naturais. São exemplos de eventos de risco ambiental a ocorrência ou, conforme o caso, os indícios da ocorrência de: I - conduta ou atividade irregular, ilegal ou criminosa contra a fauna ou a flora, incluindo desmatamento, provocação de incêndio em mata ou floresta, degradação de biomas ou da biodiversidade e prática associada a tráfico, crueldade, abuso ou maus-tratos contra animais; II - poluição irregular, ilegal ou criminosa do ar, das águas ou do solo; III - exploração irregular, ilegal ou criminosa dos recursos naturais, relativamente à degradação do meio ambiente, entre eles recursos hídricos, florestais, energéticos e minerais, incluindo, quando aplicável, a implantação e o desmonte das respectivas instalações; Risco Ambiental Regulação e Autorregulação ASG 52 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Risco Ambiental Regulação e Autorregulação ASG IV - descumprimento de condicionantes do licenciamento ambiental; V - desastre ambiental resultante de intervenção humana, relativamente à degradação do meio ambiente, incluindo rompimento de barragem, acidente nuclear ou derramamento de produtos químicos ou resíduos no solo ou nas águas; VI - alteração em legislação, em regulamentação ou na atuação de instâncias governamentais, em decorrência de degradação do meio ambiente, que impacte negativamente a instituição; VII - ato ou atividade que, apesar de regular, legal e não criminoso, impacte negativamente a reputação da instituição, em decorrência de degradação do meio ambiente. 53 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão ❑❑ O risco climático é subdividido em duas categorias: Risco Climático de Transição e Risco climático Físico. �� Risco climático de transição: possibilidade de ocorrência de perdas para a instituição ocasionadas por eventos associados ao processo de transição para uma economia de baixo carbono, em que a emissão de gases do efeito estufa é reduzida ou compensada e os mecanismos naturais de captura desses gases são preservados; Exemplos de eventos de risco climático de transição: I - Alteração em legislação, em regulamentação ou em atuação de instâncias governamentais, associada à transição para uma economia de baixo carbono, que impacte negativamente a instituição; II - Inovação tecnológica associada à transição para uma economia de baixo carbono que impacte negativamente a instituição; III - Alteração na oferta ou na demanda de produtos e serviços, associada à transição para uma economia de baixo carbono, que impacte negativamente a instituição; IV - Percepção desfavorável dos clientes, do mercado financeiro ou da sociedade em geral que impacte negativamente a reputação da instituição relativamente ao seu grau de contribuição na transição para uma economia de baixo carbono. Risco Climático Regulação e Autorregulação ASG 54 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão Risco Climático Risco climático físico: possibilidade de ocorrência de perdas para a instituição ocasionadas por eventos associados a intempéries frequentes e severas ou a alterações ambientais de longo prazo, que possam ser relacionadas a mudanças em padrões climáticos. Exemplos de eventos de risco climático físico: I - Condição climática extrema, incluindo seca, inundação, enchente, tempestade, ciclone, geada e incêndio florestal; II - alteração ambientalpermanente, incluindo aumento do nível do mar, escassez de recursos naturais, desertificação e mudança em padrão pluvial ou de temperatura. Regulação e Autorregulação ASG 55 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão A estrutura de gerenciamento de riscos de prever mecanismos para a: ❑❑ Identificação e o monitoramento do risco social, do risco ambiental e do risco climático incorridos pela instituição em decorrência dos seus produtos, serviços, atividades ou processos e das atividades desempenhadas por: � Contrapartes da instituição; � Entidades controladas pela instituição; � Fornecedores e prestadores de serviços terceirizados da instituição, quando relevantes, com base em critérios por ela estabelecidos. ❑ Identificação, avaliação, classificação e mensuração do risco social, do risco ambiental e do risco climático com base em critérios e informações consistentes e passíveis de verificação, incluindo informações de acesso público; Estrutura de Gerenciamento de Riscos Regulação e Autorregulação ASG 56 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão ❑❑ Registro de dados relevantes para o gerenciamento, incluindo, quando disponíveis, dados referentes às perdas incorridas pela instituição, discriminadas, conforme o caso, em risco social, risco ambiental ou risco climático e com respectivo detalhamento de valores, natureza do evento, região geográfica, definida com base em critérios claros e passíveis de verificação, e setor econômico associado à exposição; ❑❑ Identificação tempestiva de mudanças políticas, legais, regulamentares, tecnológicas ou de mercado, incluindo alterações significativas nas preferências de consumo, que possam impactar de maneira relevante o risco social, o risco ambiental ou o risco climático incorrido pela instituição, bem como procedimentos para a mitigação desses impactos; ❑❑ Monitoramento de concentrações de exposições a setores econômicos ou a regiões geográficas, definidas com base em critérios consistentes e passíveis de verificação, mais suscetíveis de sofrer ou de causar danos sociais, ambientais ou climáticos, e, quando apropriado, estabelecimento de limites para essas exposições; Estrutura de Gerenciamento de Riscos Regulação e Autorregulação ASG 57 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão ❑❑ Identificação tempestiva de percepção negativa de clientes, do mercado financeiro e da sociedade em geral sobre a reputação da instituição, quando essa percepção possa impactar de maneira relevante o risco social, o risco ambiental e o risco climático por ela incorrido; ❑❑ Realização de análise de cenários, no âmbito do programa de testes de estresse que considerem hipóteses de mudanças em padrões climáticos e de transição para uma economia de baixo carbono. Estrutura de Gerenciamento de Riscos Regulação e Autorregulação ASG 58 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão ❑ As instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil devem estabelecer a PRSAC (Política de Responsabilidade Social, Ambiental e Climática), de acordo com a Resolução CMN nº4945/2021, e implementar ações com vistas à sua efetividade, as quais devem ser: � Proporcionais ao modelo de negócio, à natureza das operações e à complexidade dos produtos, dos serviços, das atividades e dos processos da instituição; � Adequadas à dimensão e à relevância da exposição ao risco social, ao risco ambiental e ao risco climático. ❑❑ A PRSAC consiste no conjunto de princípios e diretrizes de natureza social, de natureza ambiental e de natureza climática a ser observado pela instituição na condução dos seus negócios, das suas atividades e dos seus processos, bem como na sua relação com as partes interessadas. PRSAC Regulação e Autorregulação ASG 59 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão ❑ As instituições financeiras podem ser obrigadas ou facultadas a possuir o comitê de responsabilidade social, ambiental e climática que possui as seguintes atribuições: � Propor recomendações ao conselho de administração sobre o estabelecimento e a revisão da PRSAC; � Avaliar o grau de aderência das ações implementadas à PRSAC e, quando necessário, propor recomendações de aperfeiçoamento; ❑ A constituição do comitê de responsabilidade social, ambiental e climática, é vinculado ao conselho de administração da instituição financeira ou, no caso de inexistência deste, à diretoria da instituição. ❑ Compete à diretoria da instituição conduzir suas atividades em conformidade com a PRSAC e com as ações implementadas com vistas à sua efetividade, cujos processos devem ser avaliados periodicamente pela auditoria interna da instituição. PRSAC Regulação e Autorregulação ASG 60 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão PRSAC Regulação e Autorregulação ASG ❑ Ações necessárias: � Envolver as áreas afins (Compliance, Risco, entre outras) na divulgação deste normativo, observando a data para implementação da PRSAC; � Indicar diretor responsável pelo cumprimento da regulamentação, bem como designá-lo perante o Banco Central; � Fazer constar, de forma expressa, no regimento interno da instituição, ou equivalente, as atribuições deste diretor; � Manter à disposição do Banco Central por CINCO ANOS a documentação relativa ao estabelecimento da PRSAC e à implementação de ações com vistas à sua efetividade. 61 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão ❑ A PRSAC e respectivas ações implementadas com vistas à sua efetividade, bem como os critérios para a sua avaliação, devem ser divulgadas ao público externo, em local único e de fácil identificação no sítio da instituição na internet. Além disso, a PRSAC deve ser atualizada, no mínimo, a cada 3 anos. ❑ O diretor nomeado para a gestão do PRSAC possui as seguintes atribuições: I. Prestação de subsídio e participação no processo de tomada de decisões relacionadas ao estabelecimento e à revisão da PRSAC, auxiliando o conselho de administração; II. Implementação de ações com vistas à efetividade da PRSAC; III. Monitoramento e avaliação das ações implementadas; IV. Aperfeiçoamento das ações implementadas, quando identificadas eventuais deficiências; V. Divulgação adequada e fidedigna das informações (GRSAC). PRSAC Regulação e Autorregulação ASG 62 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão ❑ O Relatório GRSAC (Relatório de Riscos e Oportunidades Sociais, Ambientais e Climáticas) deve conter informações referentes aos seguintes tópicos associados ao risco social, ao risco ambiental e ao risco climático, de que trata a Resolução CMN nº 4.557, de 2017: �� Governança do gerenciamento dos riscos social, ambiental e climático, incluindo as atribuições e as responsabilidades das instâncias da instituição envolvidas com o gerenciamento do risco social, do risco ambiental e do risco climático, como o conselho de administração, quando existente, e a diretoria da instituição; �� Impactos reais e potenciais, quando considerados relevantes, dos riscos citados nas estratégias adotadas pela instituição nos negócios e no gerenciamento de risco e de capital nos horizontes de curto, médio e longo prazos, considerando diferentes cenários, segundo critérios documentados; � Processos de gerenciamento dos riscos. GRSAC Regulação e Autorregulação ASG 63 CFG – Certificação de Fundamentos de Gestão ❑ As instituições financeiras, ficam obrigadas a divulgar aos órgãos reguladores (exemplo: Bacen, no mínimo uma vez por ano (com data base em 31/12, observado o prazo máximo de noventa dias após a referida data-base), o relatório GRSAC o qual deve conter, obrigatoriamente, informações qualitativas sobre o gerenciamento de risco e ser divulgado 90 dias após o encerramento do ano no máximo. Admite-se a prorrogação da divulgação do GRSAC, de acordo com os prazos abaixo: � Para o GRSAC de 2022, prazo máximo de 180 dias; � Para o GRSAC de 2023, prazo máximo de 120 dias. ❑ O Relatório GRSAC deve estar disponível no sítio da instituição nainternet, pelo período de cinco anos contados a partir da data de sua divulgação, em um único local, de acesso público e de fácil localização, sendo de responsabilidade da DIRETORIA da Instituição Financeira. 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