Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

LUCAS CARVALHO 
01. Uma incorporadora vendeu apartamento na planta com entrega prevista 
para 24 meses. O contrato estabelecia possibilidade de atraso de 180 dias 
sem qualquer indenização, além de multa de 1% por inadimplência do 
comprador contra 0,5% para atraso da construtora. Esta disposição é: 
 
a) Válida, por estar prevista no contrato 
b) Nula, por estabelecer obrigações desproporcionais 
c) Válida, por ser prática comum do mercado 
d) Anulável, dependendo do prejuízo 
e) Válida, se informada previamente 
 
Justificativa: A disposição contratual que permite atraso de 180 dias para a 
construtora sem indenização, enquanto prevê multa de 1% para o comprador e 
0,5% para a construtora em caso de inadimplência, é nula por estabelecer 
obrigações desproporcionais. 
 
- Cláusula Resolutiva Expressa: As fontes discutem a cláusula resolutiva expressa, 
que permite o término do contrato em caso de descumprimento de obrigações. 
No caso em questão, a cláusula que permite atraso sem indenização para a 
construtora, mas penaliza o comprador com multa maior em caso de 
inadimplência, configura uma desproporcionalidade. 
 
- Onerosidade Excessiva: As fontes também abordam a onerosidade excessiva, 
que ocorre quando eventos extraordinários e imprevisíveis tornam o cumprimento 
do contrato excessivamente oneroso para uma das partes. No caso da 
incorporadora, o atraso de 180 dias pode não configurar onerosidade excessiva, 
mas a multa desproporcional para o comprador, sim, cria um desequilíbrio 
contratual. 
 
- Princípios Contratuais: A desproporcionalidade nas obrigações fere princípios 
básicos dos contratos, como a boa-fé objetiva e a equidade. 
 
- Código Civil: Embora as fontes fornecidas não citem artigos específicos do 
Código Civil sobre a nulidade de cláusulas desproporcionais, o ordenamento 
jurídico brasileiro prevê a nulidade de cláusulas abusivas em contratos, 
especialmente em relações de consumo. 
 
02. Em contrato de locação comercial por 5 anos, após 2 anos o locador 
vendeu o imóvel. O novo proprietário notificou o locatário para desocupação 
em 90 dias. O contrato: 
 
a) Deve ser respeitado até o fim 
b) Pode ser rescindido pelo novo proprietário 
c) Depende de registro na matrícula 
d) Exige nova garantia 
e) Termina com a venda 
 
LUCAS CARVALHO 
O contrato de locação comercial deve ser respeitado até o fim (a). A venda do 
imóvel não extingue o contrato de locação, que se mantém com o novo 
proprietário. 
 
Justificativa: 
 
- Compra e Venda: As fontes sobre Compra e Venda explicam que o contrato 
transfere a propriedade do bem, mas não extingue automaticamente outros 
contratos, como o de locação. O novo proprietário assume a posição do antigo 
locador, com os mesmos direitos e obrigações. 
 
- Efeitos da Compra e Venda: As fontes mencionam que o vendedor (no caso, o 
antigo locador) tem a obrigação de entregar a coisa, mas isso não significa que ele 
pode desfazer outros contratos existentes sobre o bem. A entrega da coisa se 
refere à transferência da propriedade, não à posse direta. 
 
- Locação: As fontes sobre Locação enfatizam que durante o prazo estipulado no 
contrato de locação, o locador não pode reaver o imóvel, exceto em situações 
específicas, como inadimplência ou acordo mútuo. A venda do imóvel não é uma 
das situações que permite a retomada do imóvel ou a rescisão unilateral do 
contrato pelo locador. 
 
- Ações: As fontes discutem ações como Despejo e Renovatória, que são 
mecanismos legais para lidar com questões relacionadas à locação, incluindo a 
possibilidade de retomada do imóvel em situações específicas. A simples venda 
do imóvel não configura motivo para Despejo. 
 
03. Em doação com encargo para manutenção de hospital, o donatário não 
cumpriu a obrigação. O doador pode: 
 
a) Apenas revogar a doação 
b) Exigir cumprimento ou revogar 
c) Somente cobrar indenização 
d) Converter em aluguel 
e) Modificar o encargo 
 
Em caso de doação com encargo para a manutenção de um hospital e o donatário 
não cumpre a obrigação, o doador pode exigir o cumprimento da obrigação ou 
revogar a doação. 
 
Justificativa: 
 
- Doação Modal: As fontes explicam que a doação com encargo é chamada de 
doação modal. Nessa modalidade, o doador impõe ao donatário uma obrigação a 
ser cumprida. 
 
LUCAS CARVALHO 
- Encargo como Obrigação: O encargo na doação modal configura uma obrigação 
para o donatário, e o não cumprimento dessa obrigação pode gerar 
consequências jurídicas. 
 
- Revogação por Inexecução do Encargo: As fontes abordam a possibilidade de 
revogação da doação por ingratidão ou por inexecução do encargo. No caso em 
questão, a inexecução do encargo de manter o hospital enseja a revogação. 
 
- Direito de Exigir Cumprimento: O doador, antes de partir para a revogação da 
doação, pode buscar meios de exigir o cumprimento da obrigação pelo donatário. 
Isso pode ser feito através de notificação extrajudicial ou ação judicial, buscando 
compelir o donatário a realizar a manutenção do hospital. 
04. Em venda de imóvel com cláusula de retrovenda, o comprador vendeu o 
bem para terceiro durante o prazo. A retrovenda: 
 
a) Perde eficácia 
b) Mantém-se válida 
c) Depende de concordância 
d) Converte-se em perdas e danos 
e) Exige novo registro 
 
A retrovenda mantém-se válida, mesmo que o comprador inicial venda o imóvel 
para um terceiro dentro do prazo estipulado. 
 
Explicação: 
 
- Natureza da Retrovenda: A cláusula de retrovenda é um direito potestativo do 
vendedor inicial de recomprar o imóvel dentro de um prazo determinado, 
conforme destacado nas fontes. Ela configura uma condição resolutiva, ou seja, 
um evento futuro e incerto que, se concretizado, resolve o contrato de compra e 
venda. 
 
- Eficácia em Relação a Terceiros: A cláusula de retrovenda, por ser averbada na 
matrícula do imóvel, possui eficácia real, impactando não apenas as partes 
originais do contrato, mas também terceiros que adquirirem o bem. 
 
- Direito de Sequela: O direito de retrovenda acompanha o imóvel, 
independentemente de quem seja o proprietário. Se o comprador inicial vende o 
bem, o vendedor original ainda poderá exercer seu direito de retrovenda contra o 
novo proprietário. 
 
Observações: 
 
- É fundamental que a cláusula de retrovenda esteja devidamente registrada na 
matrícula do imóvel para garantir sua oponibilidade a terceiros. 
- O prazo para exercer a retrovenda é decadencial e, em geral, de três anos. 
LUCAS CARVALHO 
- É prudente notificar o terceiro adquirente sobre a existência da cláusula de 
retrovenda. 
 
05. Locatário realizou benfeitorias necessárias sem autorização expressa. 
Tem direito à: 
 
a) Indenização integral 
b) Nenhuma indenização 
c) Metade do valor gasto 
d) Compensação parcial 
e) Apenas retenção 
 
O locatário que realiza benfeitorias necessárias tem direito à indenização integral, 
mesmo sem autorização expressa do locador. 
 
Justificativa: 
 
- Benfeitorias Necessárias: As fontes sobre contratos de locação abordam a 
questão das benfeitorias, classificando-as em necessárias, úteis e voluptuárias. 
As benfeitorias necessárias são aquelas que visam conservar o bem ou evitar sua 
deterioração. 
 
- Direito à Indenização: O locatário tem direito à indenização pelas benfeitorias 
necessárias realizadas, independentemente de autorização prévia do locador. 
Isso se justifica pelo fato de que tais benfeitorias são essenciais para a 
preservação do imóvel e, portanto, beneficiam ambas as partes do contrato de 
locação. 
 
- Autorização Prévia: Embora a autorização prévia não seja obrigatória para 
benfeitorias necessárias, é recomendável que o locatário comunique o locador 
sobre a necessidade das obras, documentando a situação. Isso pode evitar 
conflitos futuros e facilitar a comprovação da natureza das benfeitorias. 
 
Observações: 
 
- O locatário deve comprovar que as benfeitorias realizadas eram realmente 
necessárias e que os valores cobrados são compatíveis com os serviços 
executados. 
 
- É importante destacar que a retenção do imóvelpelo locatário para garantir o 
recebimento da indenização por benfeitorias não é permitida na legislação 
brasileira. O locatário deve buscar a indenização pelas vias legais cabíveis, como 
a ação de cobrança. 
 
06. Em contrato de compra e venda, vendedor incluiu cláusula dizendo que 
não responderia por quaisquer vícios. Esta cláusula é: 
 
LUCAS CARVALHO 
a) Válida por expressa 
b) Nula em relação a vícios ocultos 
c) Válida se conhecida 
d) Depende do bem 
e) Anulável por abusiva 
 
A cláusula incluída pelo vendedor em um contrato de compra e venda, isentando-
o de responsabilidade por quaisquer vícios, é nula em relação a vícios ocultos. 
 
Justificativa: 
 
- Vícios Redibitórios: As fontes que abordam o contrato de compra e venda 
mencionam a garantia legal contra vícios redibitórios. Vícios redibitórios são 
defeitos ocultos na coisa vendida que a tornam imprópria para o uso a que se 
destina ou diminuem seu valor. 
 
- Proteção do Comprador: A garantia contra vícios redibitórios visa proteger o 
comprador, garantindo que ele receba o bem em condições adequadas de uso. 
 
- Nulidade da Cláusula em Relação a Vícios Ocultos: A cláusula que exclui a 
responsabilidade por vícios ocultos é considerada abusiva e, portanto, nula. Isso 
porque o vendedor tem o dever de garantir que o bem esteja livre de defeitos 
ocultos, e a exclusão dessa responsabilidade prejudica o comprador, que muitas 
vezes não tem como identificar esses vícios no momento da compra. 
- Possibilidade de Cláusula para Vícios Aparentes: Em alguns casos, é possível 
que as partes negociem a exclusão de responsabilidade por vícios aparentes, ou 
seja, aqueles que o comprador poderia ter identificado no momento da compra. 
 
07. Em locação residencial, fiador pediu exoneração após 1 ano. A fiança: 
 
a) Termina imediatamente 
b) Permanece até substituição 
c) Continua por 60 dias 
d) Mantém-se até o fim 
e) Depende do locador 
 
A fiança em locação residencial, após o pedido de exoneração do fiador, continua 
por 60 dias. 
 
Explicação: 
 
- Fiança em Locação: As fontes que tratam de contratos de locação, 
especialmente no contexto da Lei do Inquilinato, abordam a fiança como uma das 
garantias possíveis para assegurar o cumprimento das obrigações do locatário. 
 
LUCAS CARVALHO 
- Natureza da Fiança: A fiança é um contrato acessório e subsidiário ao contrato 
principal de locação, pelo qual o fiador se responsabiliza pelas dívidas do 
locatário caso este não as quite. 
 
- Direito de Exoneração: O fiador possui o direito de solicitar a exoneração da 
fiança. Isso significa que ele pode se liberar da obrigação de responder pelas 
dívidas do locatário a partir de um determinado momento. 
 
- Prazo de 60 Dias: As fontes, especificamente no tópico sobre a duração da 
fiança, indicam que na ausência de prazo específico para a fiança, o fiador pode 
exonerar-se da obrigação mediante notificação ao locador. No entanto, a 
exoneração só terá efeito após 60 dias da notificação. Esse prazo visa dar tempo 
ao locador para encontrar uma nova garantia ou para negociar a substituição do 
fiador. 
 
Importante ponto do prof. Daniel em aula: 
 
- Lei do Inquilinato: A Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/91) prevê que a fiança em 
contratos de locação se estende até a entrega das chaves, mesmo que o prazo do 
contrato já tenha expirado, no entanto, essa regra não se aplica quando o fiador 
solicita a exoneração da fiança. 
 
- Importância da Notificação: É fundamental que o fiador notifique o locador de 
forma inequívoca sobre sua intenção de se exonerar da fiança. A notificação deve 
ser feita por escrito e, de preferência, com aviso de recebimento para comprovar a 
data da comunicação. 
 
08. Em doação a descendente com cláusula de inalienabilidade vitalícia, o 
donatário precisa vender o bem para tratamento médico. Pode: 
 
a) Vender livremente 
b) Requerer autorização judicial 
c) Nunca vender 
d) Substituir por outro bem 
e) Depende do doador 
 
Em uma doação a descendente com cláusula de inalienabilidade vitalícia, o 
donatário que precisa vender o bem para tratamento médico pode requerer 
autorização judicial. 
 
Fundamentação: 
 
- Cláusula de Inalienabilidade: As fontes que tratam de doações, principalmente, 
abordam a possibilidade de inclusão de cláusulas especiais em contratos de 
doação. A cláusula de inalienabilidade, especificamente a vitalícia, impede a 
venda do bem doado enquanto o donatário estiver vivo. 
LUCAS CARVALHO 
- Exceções à Inalienabilidade: A inalienabilidade não é absoluta e pode ser 
relativizada em situações excepcionais, como a necessidade de venda para 
custear tratamento médico do donatário. 
- Autorização Judicial: Nesses casos excepcionais, a venda do bem doado pode 
ser autorizada por um juiz, desde que comprovada a necessidade e a 
impossibilidade de obter recursos de outra forma. A autorização judicial visa 
proteger o donatário, permitindo que ele utilize o bem em seu benefício, mesmo 
diante da restrição imposta pela cláusula de inalienabilidade. 
 
Procedimento para Requerer Autorização Judicial: 
 
1. Propositura de Ação: O donatário deve propor uma ação judicial, expondo a 
situação e comprovando a necessidade de venda do bem para custear o 
tratamento médico. 
2. Comprovação da Necessidade: É preciso apresentar documentos médicos que 
atestem a doença, o tratamento necessário e os custos envolvidos. 
3. Demonstração da Impossibilidade de Obter Recursos de Outra Forma: O 
donatário deve demonstrar que não possui outros recursos financeiros para 
custear o tratamento, como a venda de outros bens, empréstimos, etc. 
4. Decisão Judicial: O juiz, analisando o caso concreto, decidirá se autoriza ou não 
a venda do bem. 
 
09. Em compra e venda de loja, vendedor garantiu faturamento mínimo com 
balanços falsos. O negócio é: 
 
a) Válido com indenização 
b) Nulo de pleno direito 
c) Anulável por dolo 
d) Resolúvel por inadimplemento 
e) Válido com abatimento 
 
A compra e venda da loja, na situação descrita, é anulável por dolo (c). 
 
Compreendendo o Dolo 
 
- Definição: O dolo, no contexto contratual, ocorre quando uma das partes induz a 
outra ao erro por meio de artifício ardiloso, com a intenção de obter vantagem 
ilícita. No caso apresentado, o vendedor utilizou balanços falsos para garantir um 
faturamento mínimo, enganando o comprador e induzindo-o a celebrar o negócio. 
 
- Dolo Essencial: O dolo praticado pelo vendedor configura dolo essencial, pois a 
garantia de faturamento mínimo, respaldada por balanços aparentemente 
confiáveis, foi determinante para a decisão do comprador de adquirir a loja. Se o 
comprador soubesse da falsidade dos balanços, provavelmente não teria 
realizado a compra. 
 
LUCAS CARVALHO 
- Consequências do Dolo: O dolo essencial torna o negócio jurídico anulável, ou 
seja, o comprador pode requerer judicialmente a anulação da compra e venda. A 
anulação do contrato implica no retorno das partes ao estado anterior à compra, 
com a devolução da loja ao vendedor e a restituição do preço pago pelo 
comprador. 
 
Outras Considerações 
 
- Indenização por Perdas e Danos: Além da anulação do contrato, o comprador 
também pode pleitear indenização por perdas e danos materiais e morais 
decorrentes do dolo sofrido. As perdas e danos materiais podem incluir os valores 
investidos na loja após a compra, como reformas, estoque, etc., e os lucros 
cessantes, que são os ganhos que o comprador deixou de obter em razão do 
faturamento real da loja ser inferior ao prometido. 
 
- Prescrição: É importante observar que o direito de anular o contrato por dolo 
prescreve em quatro anos, contados a partir da data em que o comprador 
descobriu o vício. 
 
10. Em locação comercial por 60 meses, locatário quer devolver após 24 
meses. A multa: 
 
a) É integral 
b) Não é devida 
c) Proporcional ao período restante 
d) Conforme mercado 
e) Mínima legal 
 
Em um contrato de locação comercial com prazo de 60 meses, se o locatário 
deseja devolver o imóvel após 24 meses, a multa seráproporcional ao período 
restante. 
 
Entendendo a Lei do Inquilinato 
 
- Previsão Legal: A Lei do Inquilinato (Lei nº 8.245/91) aborda as regras sobre a 
devolução antecipada do imóvel pelo locatário em locações residenciais e 
comerciais. 
- Direito de Devolução: A Lei garante ao locatário o direito de devolver o imóvel 
antes do término do prazo estipulado no contrato. 
- Multa Proporcional: No caso de devolução antecipada, o locatário deverá pagar 
uma multa ao locador, que será calculada proporcionalmente ao período restante 
do contrato. Essa proporcionalidade garante um equilíbrio entre os interesses do 
locador, que contava com o recebimento dos aluguéis pelo período integral, e do 
locatário, que precisa se desfazer do imóvel antes do previsto. 
Exemplo: 
LUCAS CARVALHO 
Em um contrato de locação comercial de 60 meses com aluguel mensal de R$ 
5.000,00, se o locatário devolver o imóvel após 24 meses, a multa será calculada 
da seguinte forma: 
1. Período Restante: 60 meses (total) - 24 meses (pagos) = 36 meses 
2. Valor da Multa: 36 meses x R$ 5.000,00 (aluguel mensal) = R$ 180.000,00 
Outras Considerações: 
- Cláusula Contratual: As partes podem prever no contrato um valor específico 
para a multa, desde que respeite a proporcionalidade. A ausência dessa previsão 
implica na aplicação da regra geral da proporcionalidade. 
- Exceções à Multa: A Lei do Inquilinato prevê algumas exceções à cobrança de 
multa por devolução antecipada, como nos casos de extinção do contrato de 
trabalho que motivou a locação ou por uso próprio do imóvel pelo locador.

Mais conteúdos dessa disciplina