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Slide_aula_07-08_-_Contratos_em_Geral (2)

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DIREITO CIVIL III: CONTRATOS EM GERAL 
DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
VÍCIOS REDIBITÓRIOS
Vícios redibitórios são defeitos ocultos existente em coisa alienada, que a tornam imprópria ao uso a que se destina, ou lhe diminuam o valor. A coisa defeituosa pode ser enjeitada pelo adquirente, mediante devolução do preço e, se o alienante conhecia o defeito, com satisfação de perdas e danos. 
REQUISITOS PARA A CARACTERIZAÇÃO DOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
1 – Que a coisa tenha sido recebida em virtude de contrato comutativo, ou de doação onerosa, ou remuneratória.
2 – Que os defeitos sejam ocultos.
3 – Que os defeitos existam no momento da celebração do contrato e que perdurem até o momento da reclamação.
4 – Que os defeitos sejam desconhecidos do adquirente.
5 – Que os defeitos sejam graves.
VÍCIOS REDIBITÓRIOS NO CC/2002
Art. 441. A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos, que a tornem imprópria ao uso a que é destinada, ou lhe diminuam o valor.
Parágrafo único. É aplicável a disposição deste artigo às doações onerosas.
Art. 442. Em vez de rejeitar a coisa, redibindo o contrato (art. 441), pode o adquirente reclamar abatimento no preço.
VÍCIOS REDIBITÓRIOS NO CC/2002
Art. 443. Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa, restituirá o que recebeu com perdas e danos; se o não conhecia, tão-somente restituirá o valor recebido, mais as despesas do contrato.
Exemplos práticos de despesas do contrato: 
Taxas de cartório (ex: reconhecimento de firma, registro do contrato)
Custos de transferência de propriedade (ex: em compra de carro ou imóvel)
Honorários advocatícios (se contratou um advogado só para fazer o contrato)
Despachante (se usou serviços para formalizar a compra)
Frete pago para entrega do bem (caso relevante)
Imposto pago em razão da aquisição (como ITBI em imóveis)
VÍCIOS REDIBITÓRIOS NO CC/2002
Art. 444. A responsabilidade do alienante subsiste ainda que a coisa pereça em poder do alienatário, se perecer por vício oculto, já existente ao tempo da tradição.
VÍCIOS REDIBITÓRIOS NO CC/2002
Art. 503. Nas coisas vendidas conjuntamente, o defeito oculto de uma não autoriza a rejeição de todas.
Exemplo: Você compra um kit com 4 câmeras de segurança por R$ 2.000,00. Depois da instalação, percebe que 1 das câmeras está com defeito interno, e não grava corretamente. Você quer devolver todo o kit e receber os R$ 2.000 de volta. 
Aplicando o Art. 503: Você só tem direito de rejeitar e devolver a câmera defeituosa. As outras 3 funcionam perfeitamente, então o contrato continua válido para elas. O vendedor deverá: Trocar a câmera defeituosa por uma nova ou Reembolsar o valor proporcional a essa câmera.
EXEMPLO:
Situação:
A empresa TechDistribuidora Ltda. vende para a empresa InfoMax Soluções um lote único de 10 impressoras e 10 scanners, como parte de um pacote de modernização de escritório, com fatura única e entrega conjunta.
Alguns dias após a entrega, a InfoMax descobre que 2 dos scanners apresentam defeito oculto de fábrica (erro no sensor que não era visível na inspeção inicial). As 10 impressoras e os 8 scanners restantes funcionam perfeitamente.
Aplicação do Art. 503:
Mesmo com o defeito de duas unidades, a InfoMax não pode cancelar toda a compra do lote (20 itens), nem exigir a devolução total da mercadoria
 A empresa tem direito a:
•	Troca dos 2 scanners defeituosos;
•	Abatimento proporcional no valor da fatura;
•	Ou possível indenização parcial, se o defeito causar prejuízo específico.
EXEMPLOS:
Situação:
Carla comprou um jogo de sala completo (sofá, poltrona e mesa de centro) em uma única venda. Quando os móveis chegam, a poltrona apresenta um defeito estrutural invisível na loja, mas o sofá e a mesa estão perfeitos.
Aplicação do art. 503:
Carla não pode devolver todo o conjunto por causa da poltrona. Ela pode exigir substituição da poltrona, abatimento no preço ou até rescisão parcial, mas não da compra inteira.
PRAZOS DECADENCIAIS NOS VÍCIOS REDIBITÓRIOS
Art. 445 do CC. O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel, e de um ano se for imóvel, contado da entrega efetiva; se já estava na posse, o prazo conta-se da alienação, reduzido à metade.
§ 1 o Quando o vício, por sua natureza, só puder ser conhecido mais tarde, o prazo contar-se-á do momento em que dele tiver ciência, até o prazo máximo de cento e oitenta dias, em se tratando de bens móveis; e de um ano, para os imóveis.
§ 2 o Tratando-se de venda de animais, os prazos de garantia por vícios ocultos serão os estabelecidos em lei especial, ou, na falta desta, pelos usos locais, aplicando-se o disposto no parágrafo antecedente se não houver regras disciplinando a matéria.
A LIBERDADE CONTRATUAL E O VÍCIOS REDIBITÓRIOS
Art. 446. Não correrão os prazos do artigo antecedente na constância de cláusula de garantia; mas o adquirente deve denunciar o defeito ao alienante nos trinta dias seguintes ao seu descobrimento, sob pena de decadência.
DISCIPLINA NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR
 Art. 26 CDC. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em:
        I - trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não duráveis;
        II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis.
        § 1° Inicia-se a contagem do prazo decadencial a partir da entrega efetiva do produto ou do término da execução dos serviços.
        § 2° Obstam a decadência:
        I - a reclamação comprovadamente formulada pelo consumidor perante o fornecedor de produtos e serviços até a resposta negativa correspondente, que deve ser transmitida de forma inequívoca;
        II - (Vetado).
        III - a instauração de inquérito civil, até seu encerramento.
        § 3° Tratando-se de vício oculto, o prazo decadencial inicia-se no momento em que ficar evidenciado o defeito.
AUTONOMIA DA VONTADE E A DISCIPLINA NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR 
 Art. 18 CDC. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com a indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas.
        § 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:
        I - a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso;
        II - a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos;
        III - o abatimento proporcional do preço.
        § 2° Poderão as partes convencionar a redução ou ampliação do prazo previsto no parágrafo anterior, não podendo ser inferior a sete nem superior a cento e oitenta dias. Nos contratos de adesão, a cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado, por meio de manifestação expressa do consumidor.
        § 3° O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas do § 1° deste artigo sempre que, em razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial.
DA EVICÇÃO
CONCEITO DE EVICÇÃO
É evicção é a perda da coisa em virtude de sentença judicial, que a atribui a outrem por causa jurídica preexistente ao contrato. Dá-se a evicção quando o adquirente vem a perder, total ou parcialmente, a coisa por sentença fundada em motivo jurídico anterior. 
CARACTERÍSTICAS DA EVICÇÃO
- Trata-se de cláusula de garantia que opera de pleno direito, não necessitando, pois, de estipulação expressa.
- Na evicção temos:
- O ALIENANTE – que responde pelos riscos da evicção.- O EVICTO – que é o adquirente vencido na demanda movida por terceiro
- O EVICTOR - que é o terceiro reivindicante e vencedor da ação.
REQUISITOS DA EVICÇÃO
1 – Perda total ou parcial da propriedade, posse ou uso da coisa alienada.
2 – Onerosidade da aquisição.
3 – Ignorância, pelo adquirente, da litigiosidade da coisa.
4 – Anterioridade do direito do evictor
EVICÇÃO NO CÓDIGO CIVIL DE 2002
Art. 447. Nos contratos onerosos, o alienante responde pela evicção. Subsiste esta garantia ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta pública.
Caixa terá que indenizar comprador de imóvel após anulação de leilão
Os desembargadores federais da 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) decidiram que a Caixa Econômica Federal (Caixa) deve indenizar, por danos materiais e morais, o adquirente de um imóvel por meio de leilão público e retomado ao mutuário original após anulação do leilão, configurando-se o instituto da evicção.  O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) reconheceu que a arrematação foi anulada devido a falhas no procedimento conduzido pela Caixa. Consequentemente, determinou que a Caixa indenizasse o arrematante pelos danos materiais e morais sofridos. Os danos materiais incluíram a restituição integral do valor pago pelo imóvel, despesas cartorárias e honorários advocatícios. Além disso, o tribunal reconheceu o direito à indenização por danos morais, considerando o transtorno e a frustração causados ao arrematante pela perda do imóvel e pela necessidade de se envolver em litígios para buscar reparação.
CLÁUSULAS DE REFORÇO, EXCLUSÃO OU DIMINUIÇÃO DA EVICÇÃO.
Art. 448. Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção.
Art. 449. Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se esta se der, tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do risco da evicção, ou, dele informado, não o assumiu.
Art. 457. Não pode o adquirente demandar pela evicção, se sabia que a coisa era alheia ou litigiosa.
COMO EXCLUIR A RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE DIANTE DA EVICÇÃO
“O comprador declara, de forma expressa, que tem pleno conhecimento da existência de risco de evicção sobre o bem ora adquirido, e, ainda assim, opta por realizar o negócio, assumindo integralmente os riscos decorrentes da evicção, isentando o vendedor de qualquer responsabilidade futura, inclusive quanto à restituição do preço.”
Aqui, é preciso deixar claro:
Que o comprador sabia do risco;
Que ele aceitou expressamente assumir esse risco;
Que o vendedor fica isento de responsabilidade.
CLÁUSULA DE EXCLUSÃO DA EVICÇÃO
O COMPRADOR declara, de forma expressa, que tem pleno conhecimento da existência de risco jurídico sobre o bem objeto deste contrato, especialmente quanto à possibilidade de evicção, entendida como a perda total ou parcial da posse ou da propriedade do bem em favor de terceiro por decisão judicial.
Ciente de tal risco, o COMPRADOR aceita realizar a aquisição no estado em que se encontra o bem, assumindo integralmente o risco da evicção, inclusive se esta vier a se concretizar, seja total ou parcialmente, renunciando, desde já, a qualquer direito de pleitear indenização, restituição de valores, perdas e danos, ou quaisquer outras reparações contra o VENDEDOR.
Declara ainda o COMPRADOR que esta renúncia é feita de forma livre, consciente e informada, após esclarecimentos prestados pelo VENDEDOR, sendo este isento de qualquer responsabilidade por eventual evicção futura.
QUAIS SÃO OS DIREITOS DO EVICTO?
Art. 450. Salvo estipulação em contrário, tem direito o evicto, além da restituição integral do preço ou das quantias que pagou:
I - à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir;
II - à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem da evicção;
III - às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído.
Mateus adquiriu, por contrato oneroso e com escritura pública registrada, um sítio situado em região turística, o qual passou a explorar comercialmente como hotel fazenda, alugando quartos para turistas. Durante dois anos, obteve significativo retorno financeiro com o empreendimento.
Ao fim desse período, foi surpreendido por decisão judicial que o obrigou a devolver o imóvel a Arnaldo, que comprovou ser o verdadeiro proprietário, com melhor título, cuja propriedade havia sido usurpada por fraude no processo de transferência anterior à venda feita a Mateus.
Diante da evicção definitivamente declarada por sentença judicial, Mateus exige do alienante a restituição do preço pago, bem como indenização pelos investimentos realizados. Arnaldo, por sua vez, cobra de Mateus os frutos percebidos com a exploração do hotel fazenda durante esses dois anos.
A) Mateus, como possuidor de boa-fé, não precisa restituir os frutos percebidos, pois não sabia do vício que maculava a aquisição do imóvel.
B) Mateus deve restituir os frutos percebidos, pois os recebeu indevidamente, mesmo sendo possuidor de boa-fé.
C) Mateus poderá manter os frutos percebidos, mas apenas se não tiver feito benfeitorias no imóvel.
D) Mateus está obrigado a restituir os frutos percebidos desde o início da posse, pois a evicção tem efeitos ex nunc.
LETRA A
Fundamentação Jurídica:
Art. 1.214. O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos.
Parágrafo único. Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos, depois de deduzidas as despesas da produção e custeio; devem ser também restituídos os frutos colhidos com antecipação.
A evicção, embora produza efeitos ex tunc (retroativos), não afeta os frutos percebidos de boa-fé. O evicto (Mateus) só teria que restituí-los se tivesse má-fé, o que não é o caso descrito.
A jurisprudência também entende que não se exige a devolução dos frutos ao verdadeiro proprietário se o possuidor não teve culpa na aquisição e exerceu a posse de forma legítima e pública.
EXTINÇÃO DO CONTRATO
EXTINÇÃO DO CONTRATO
Extinção normal do contrato – execução total.
Extinção anormal do contrato – extinção do contrato sem cumprimento.
EXTINÇÃO DO CONTRATO POR CAUSAS ANTERIORES OU CONTEMPORÂNEAS À FORMAÇÃO
As causas anteriores ou contemporâneas à formação do contrato são:
A) defeitos quanto aos requisitos subjetivos (capacidade das partes/livre consentimento).
B) defeitos quanto aos requisitos objetivos (objeto lícito, possível, determinado ou determinável).
C) defeitos quanto aos requisitos formais (forma prescrita ou não defesa em lei).
D) implemento de cláusula resolutiva expressa ou tácita.
E) exercício do direito de arrependimento convencionado.
CLAUSULA RESOLUTIVA EXPRESSA OU TÁCITA: RESOLUÇÃO PLO INADIMPLEMENTO
Em todo contrato bilateral ou sinalagmático presume-se a existência de uma cláusula resolutiva tácita, autorizando o lesado pelo inadimplemento a pleitear a resolução do contrato, com perdas e danos.
Art. 475. A parte lesada pelo inadimplemento pode pedir a resolução do contrato, se não preferir exigir-lhe o cumprimento, cabendo, em qualquer dos casos, indenização por perdas e danos.
EXEMPLO DE CLÁUSULA RESOLUTIVA
Fica desde já ajustado entre as partes que, em conformidade com o disposto no artigo 475 do Código Civil Brasileiro, o inadimplemento de qualquer das obrigações assumidas neste contrato por uma das partes autoriza a parte lesada a pleitear, a seu critério, a resolução do contrato, com a devida reparação por perdas e danos, ou a exigir o seu cumprimento forçado, sem prejuízo da indenização a que tiver direito.
A parte inadimplente será responsável por todos os prejuízos comprovadamente decorrentes do descumprimento contratual.
ALTERNATIVAS DO CONTRATANTE DIANTE DO INADIMPLEMENTO
EXIGIR O CUMPRIMENTO DO CONTRATO
RESOLVER O CONTRATO
Em todos os casos, caberá indenização por perdas e danos. 
TEORIA DO ADIMPLEMENTO SUBSTANCIAL
O adimplemento substancial tem sido reconhecido pela doutrina, como impedimento à resolução unilateraldo contrato. 
TENDÊNCIA DA JURISPRUDÊNCIA – parte contratual inadimplida gira em torno de 8 a 10% do valor do contrato.
TENDÊNCIA DA DOUTRINA - o juiz deve avaliar a questão quantitativa e qualitativa para fundamentar o adimplemento substancial.
A teoria se baseia em dois critérios:
Quantitativo (quanto falta pagar/cumprir)
Qualitativo (qual a importância da parte inadimplida dentro do contrato)
DIREITO DE ARREPENDIMENTO
Quando expressamente previsto no contrato, o arrependimento autoriza qualquer das partes a rescindir o ajuste, mediante declaração unilateral da vontade, com as regras em relação às arras (sinal), sem, no entanto, pagar indenização suplementar.
EXTINÇÃO DO CONTRATO POR CAUSA SUPERVENIENTE À SUA FORMAÇÃO
CAUSAS SUPERVENIENTES À FORMAÇÃO DO CONTRATO
A) RESOLUÇÃO – pelo inadimplemento voluntário, involuntário ou por onerosidade excessiva. 
B) RESILIÇÃO – pela vontade de um ou de ambos os contratantes. 
C) MORTE DE UM DOS CONTRATANTES EM CONTRATOS PERSONALÍSSIMOS. 
D) RESCISÃO - É a dissolução contratual decorrente de atos que geram a anulabilidade do contrato.
RESOLUÇÃO
A resolução acontece perante o descumprimento contratual que justifica que a parte que sofre com o inadimplemento venha a romper o vínculo contratual mediante ação judicial. Pode ser:
RESOLUÇÃO POR INEXECUÇÃO VOLUNTÁRIA
- Comportamento culposo dos contraentes. 
- Pagamento de perdas e danos e de cláusula penal.
- Em regra o efeito e ex tunc. 
- Nos contratos de trato sucessivo, o efeito é ex nunc.
EXCEÇÃO DO CONTRATO NÃO CUMPRIDO
Art. 476. Nos contratos bilaterais, nenhum dos contratantes, antes de cumprida a sua obrigação, pode exigir o implemento da do outro.
A exceção do contrato não cumprido acontece quando uma das partes recusa cumprir a sua prestação, ao fundamento de que o demandante não cumpriu a que lhe competia. 
- Se o inadimplemento do credor for de leve teor, não servirá de fundamento para a exceção do contrato não cumprido. 
EXEMPLO DE EXCEÇÃO DO CONTRATO NÃO CUMPRIDO
Letícia contratou uma empresa de construção para reformar sua casa, em troca de um pagamento dividido em três etapas: entrada, meio da obra e conclusão.
Na primeira etapa, Letícia pagou a entrada. Na segunda, a empresa não cumpriu o cronograma, entregando apenas parte do serviço. Mesmo assim, cobrou o segundo pagamento.
Letícia se recusa a pagar, alegando que a empresa ainda não cumpriu a parte do contrato correspondente àquela parcela.
Neste caso, Letícia pode invocar a exceção do contrato não cumprido: “Não cumpro minha obrigação (pagar) porque você não cumpriu a sua (executar a obra conforme o combinado).”
EXEMPLO DE INADIMPLEMENTO DE LEVE TEOR – NÃO JUSTIFICA A EXCEÇÃO
Lucas comprou um carro seminovo de Mariana, com pagamento via transferência bancária. Mariana se comprometeu a entregar o carro com tanque cheio e manual do veículo.
Lucas fez o pagamento integral, mas ao receber o carro, viu que o tanque estava só com meio combustível e o manual não havia sido localizado ainda.
Lucas se recusa a transferir o veículo para seu nome, alegando que Mariana não cumpriu integralmente sua obrigação.
Aqui, o inadimplemento de Mariana é levíssimo e acessório. Ela cumpriu o essencial (entrega do carro), e a exceção do contrato não cumprido não se aplica. Lucas está sendo excessivamente rigoroso e de má-fé se usar isso para descumprir sua parte.
GARANTIA DE EXECUÇÃO DA OBRIGAÇÃO A PRAZO – PERIGO DE INSOLVÊNCIA
Art. 477. Se, depois de concluído o contrato, sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou, pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe, até que aquela satisfaça a que lhe compete ou dê garantia bastante de satisfazê-la.
Por este artigo, não poderá o comprador exigir do vendedor a entrega da mercadoria, enquanto não cumprir a sua obrigação de efetuar o pagamento do preço ou oferecer garantia bastante de satisfazê-la. 
RESOLUÇÃO POR INEXECUÇÃO INVOLUNTÁRIA
- A inexecução involuntária caracteriza-se pela impossibilidade superveniente de cumprimento do contrato, sendo objetiva, ou seja, não advém da própria pessoa do devedor.
- A impossibilidade deve ser total.
- No caso de inexecução involuntária, o inadimplente não fica responsável pelo pagamento de perdas e danos, salvo se o contrato tem cláusula de responsabilidade perante caso fortuito ou força maior ou estiver em mora. 
EXEMPLO DE CLÁUSULA DE RESPONSABILIDADE SOBRE CASO FORTUITO E FORÇA MAIOR
As partes contratantes acordam expressamente que, em caso de inexecução contratual motivada por evento de caso fortuito ou força maior, a parte inadimplente não estará isenta de responsabilidade, comprometendo-se, ainda assim, a cumprir integralmente as obrigações assumidas neste contrato, sob pena de responder por perdas e danos, conforme previsto nos artigos 393 e 399 do Código Civil Brasileiro.
Esta cláusula prevalecerá inclusive diante de eventos externos, imprevisíveis ou inevitáveis, como greves, desastres naturais, pandemias, quedas sistêmicas de energia ou falhas generalizadas de rede, salvo se comprovadamente impossível o cumprimento das obrigações por vias alternativas razoáveis.
A presente cláusula afasta expressamente a excludente de responsabilidade prevista para hipóteses de caso fortuito e força maior, nos termos da legislação vigente.
RESOLUÇÃO POR ONEROSIDADE EXCESSIVA
CLÁUSULA REBUS SIC STANTIBUS E A TEORIA DA IMPREVISÃO
RESILIÇÃO
A resilição deriva da manifestação de vontade das partes. Pode ser unilateral ou bilateral. 
- O ato de resilição, nos contratos solenes, deve ter a mesma forma exigida para o contrato. Nos demais contratos pode ter forma livre.
- Os efeitos do distrato deve ser ex nunc. 
MORTE DE UM DOS CONTRATANTES
A morte de um dos contratantes em contrato personalíssimo acarreta a dissolução do contrato. 
 - O efeito da dissolução contratual é ex nunc. 
RESCISÃO
É a dissolução contratual decorrente de atos que geram a anulabilidade do contrato, como em caso de lesão ou estado de perigo.
Art. 171, II, CC: são anuláveis os atos jurídicos quando viciados por erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores.
Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta.
Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa.
REFERÊNCIAS
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil brasileiro. v. 3: contratos e atos unilaterais. 21ª ed. São Paulo: Saraiva, 2024. 
SCHREIBER, Anderson [et al.]. Código Civil Comentado: doutrina e jurisprudência. 2ª edição. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2020.
FORGIONI, Paula A. Contratos empresariais: teoria geral e aplicação. 8ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais. 2023
GOMES, Orlando. Contratos. 27ª ed. Rio de Janeiro: Forense. 2022.

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