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PERCOLAÇÃO Os vazios existentes entre as partículas do solo são ocupados pela água, sempre que ocorrem precipitações, podendo ficar totalmente saturados. A zona de saturação abaixo do nível do terreno é chamada de lençol freático. O lençol freático geralmente segue o formato da topografia geomorfologia. Os lençóis freáticos mudam de acordo com vários graus de percolação, de modo que, sob alta precipitação de inverno, pode- se esperar encontrá-los com nível elevado e, nos verões mais secos, com nível baixo. Os vazios dos depósitos permeáveis, tais como as areias, se enchem facilmente, assim como permitem que a água saia facilmente (aquíferos). Os espaços vazios presentes numa argila também contêm água, mas esses espaços vazios são tão pequenos que o fluxo de água é consideravelmente impedido de tornar a argila impermeável. Por isso, os depósitos de argila agem como aquícludos (confinando água). A localização e o estado da água subterrânea nos depósitos de solo são geralmente determinados pela estratificação de sequências de areia-argila ou permeável-impermeável, conforme ilustrada na Figura 1. Figura 1 – Termos usados em água subterrânea. Na natureza, a água subterrânea pode fluir pelo terreno, mas esse fluxo normalmente não será grande o suficiente para causar instabilidade. Obras de engenharia no solo, sobretudo escavações, perturbam esse equilíbrio e alteram o padrão de fluxo. PROBLEMAS RECORRENTES ENVOLVENDO PERCOLAÇÃO EM OBRAS DE TERRA Fluxo em escavações É necessário fazer uma estimativa do fluxo para dimensionar um sistema de bombeamento, “ensecar a área afetada, o bombeamento de fossa, que é mais indicado para depósitos de materiais granulares, sem finos que possam ser carreados junto com a água. A Figura 2 apresenta as linhas de fluxo no sentido da escavação. Figura 2 – Fluxo em escavações Fluxo em torno de ensecadeiras É preciso avaliar a capacidade do sistema de bombeamento, assim como a intensidade de fluxo pode se alterar com a variação da extensão das estacas-pranchas que penetram abaixo do nível de escavação. Com isso, aumenta-se a extensão do trajeto de percolação e reduz-se a intensidade de fluxo de entrada (Figura 3). Figura 3 – Otimização de controle de fluxo com estacas-prancha Fluxo em obras de terra Uma estrutura de terra que represa água deixa a água passar por ela se for permeável, ou abaixo dela se estiver assentada sobre um estrato permeável. Medidas que visam minimizar esse fluxo através de uma barragem de terra incluem um núcleo central de argila, concreto ou asfalto. Abaixo da barragem, deve-se incorporar um corta-águas de material de baixa permeabilidade, eventualmente complementado por cortina de injeções. Alguns fluxos podem ser permitidos, mas devem ser colhidos e controlados com medidas de drenagem (Figura 4), tais como camadas permeáveis, filtros e sarjetas. Os drenos devem ser projetados de modo que a água possa entrar e passar sem impedimentos. É necessário providenciar proteção por filtros que impeçam que as partículas de solo sejam levadas para dentro das camadas de drenagem, causando entupimento. Figura 4 - Fluxo em barragens de aterro Borbulhas ou empolamento Quando as forças de percolação que agem para cima (na água) são maiores que as forças de gravidade para baixo (nas partículas de solo), há a ocorrência de borbulhas. Normalmente, observam-se pequenos “vulcões” de solo (Figura 5). Quando as forças médias de percolação que agem para cima e não são suficientemente equilibradas pelas forças de gravidade que agem para baixo na massa de solo abaixo do nível da escavação, pode ocorrer uma condição mais generalizada de empolamento. O resultado é a separação das partículas, o que aumenta a permeabilidade e a percolação, provocando a perda progressiva e rápida da resistência passiva em frente da estaca-prancha. Em pouco tempo pode ocorrer o total desmoronamento da ensecadeira. Figura 5 – Borbulhas ou deslocamento de camadas de solo Piping A força de erosão produzida pela água (Força de percolação) que sai pela estrutura de terra pode ser grande, o que provoca a formação de “tubos” que aumentam de tamanho e de capacidade de fluxo, podendo resultar em erosão progressiva, solapamento e consequente instabilidade, conforme ilustrado na Figura 6. Certos solos finos (siltes), apresentam baixa resistência à erosão e não devem ser utilizados em barragens de aterro, em margens de inundações ou em revestimentos de canais, a não ser quando protegidos por outros materiais resistentes. Figura 6 – Piping em uma barragem de aterro Base teórica para solução de problemas de percolação – redes de fluxo Os exemplos apresentados exigem a necessidade de se quantificar: O Fluxo (Q) que passa pelo meio poroso; As pressões neutras atuantes e consequente Subpressão (U); A Força de percolação (Fp). Fluxo por unidade de tempo (Q) Quando há uma diferença na carga hidráulica em qualquer um dos lados de uma estrutura de retenção de água, como uma barragem ou um muro de estacas-pranchas, a água fluirá por baixo e ao redor da estrutura. Esse fluxo pode ser representado matematicamente pelas equações da continuidade de Laplace, e as soluções exigem procedimentos matemáticos complexos. Em problemas de percolação, deve-se aceitar que só é possível obter uma estimativa dos fluxos ou das pressões hidráulicas resultantes, pois isto é o máximo permitido pelas determinações do coeficiente de permeabilidade. Para obter uma abordagem simples com relação ao problema da percolação, podem-se representar as equações de Laplace na forma de uma rede de fluxo simples esboçada sobre uma seção transversal do problema, com o máximo de cuidado possível, obedecendo a várias regras. Uma rede de fluxo consiste em dois conjuntos de linhas: Linhas de fluxo – são trajetos ao longo dos quais a água pode fluir e passar por uma seção transversal. Existe um número infinito de linhas de fluxo disponíveis, mas somente algumas (quatro ou cinco) precisam ser selecionadas para que se obtenha uma rede de fluxo adequada. O traçado de muitas linhas de fluxo pode complicar o resultado. Os intervalos entre linhas de fluxo adjacentes (canais de fluxo) representam uma intensidade de fluxo constante, Δq, de modo que o fluxo de percolação total é dado por Δq multiplicado pelo número de canais de fluxo. A quantidade de água que infiltra por esse canal parcial é proporcional à sua largura com relação ao canal integral. Linhas equipotenciais – são linhas que possuem nível de energia igual ou carga total igual. À medida que a água passa pelos espaços intersticiais, sua energia é dissipada por atrito e as linhas equipotenciais agem como contornos para mostrar como a energia se perde. Os intervalos entre equipotenciais adjacentes representam uma diferença constante na perda de carga total, Δh, e a carga total H perdida em torno da estrutura é dividida igualmente entre as quedas equipotenciais. Deve-se salientar que a carga ao longo de uma equipotencial representa a carga total, e não a carga de pressão (ver Figura 1). Uma rede de fluxo é geralmente utilizada para representar a condição de regime permanente. Por exemplo, ao represar um reservatório existente atrás de uma barragem de aterro, os vazios do solo devem, em primeiro lugar, ficar saturados para que se possa desenvolver o fluxo em regime constante que passa pela barragem. Condições para utilização de redes de fluxo É necessário habilidade para traçar uma rede de fluxo, mas é possível obter rapidamente resultados adequados desde que se observem as seguintes condições: Ângulos retos – as linhas de fluxo e as linhas equipotenciais devem formar ângulos retos em sua interseção (Figura 7). Blocos quadrados – as áreas formadas pela interseção das linhas de fluxo e das linhas equipotenciais devem ser o mais próximo possível de um quadrado,isto é, as dimensões centrais devem ser iguais. Um teste bastante útil envolve visualizar se é possível colocar um círculo dentro do bloco de modo que ele toque todos os quatro lados, conforme ilustrado na Figura 7. Limites impermeáveis – são linhas de fluxo. Exemplos são a superfície de uma camada de argila, a superfície vertical de estacas-pranchas (Figura 8) ou a parte debaixo de uma barragem de concreto. Limites permeáveis – onde o limite do solo impermeável estiver em contato com água direta, como ocorre na face a montante de uma barragem de aterro, este limite seria uma equipotencial, ou seja, a carga total é constante neste limite. Figura 7 – Condições de aceitação de redes de fluxo Figura 8 – Rede de fluxo em um sistema de controle de percolação (estaca-prancha) Pré-requisitos da entrada – se aplicam à construção de uma rede de fluxo que passa por uma barragem de aterro. A face a montante da barragem é uma equipotencial e, por isso, as linhas de fluxo devem se interceptar formando ângulos retos. Regra da deflexão (Figura 9) – quando a água passa por um limite entre solos de diferentes permeabilidades, as linhas de fluxo defletem, a largura do canal de fluxo (distância entre duas linhas de fluxo) se altera e a distância entre as equipotenciais muda, de modo que os blocos fiquem retangulares. A intensidade de fluxo nos dois depósitos deve ser igual, ou seja, Q = Aki. Quando a água flui de um solo de alta permeabilidade para um de baixa permeabilidade, A e i devem crescer, de forma que a largura do canal de fluxo aumente e a distância l entre as equipotenciais diminua. Isto se aplica a uma barragem de aterro dividida em zonas, em que a água flui do aterro a montante para um núcleo de argila central. Figura 9 – Regras de deflexão Atrás do núcleo de argila é feito um aterro a jusante que é relativamente permeável. Ocasionalmente se coloca um dreno de chaminé que seja bastante permeável. Assim, quando a água flui de um solo de baixa permeabilidade, como um núcleo de argila, para um solo de permeabilidade mais alta, A e i devem diminuir para que os blocos retangulares se alonguem e forneçam canais de fluxo mais estreitos e uma maior distância entre as quedas equipotenciais. Superfície freática – quando a água passa por uma barragem de aterro ou margem de inundação, a superfície superior da água é a linha de fluxo superior, e o fluxo é descrito como não confinado. A localização da superfície freática não é conhecida e, por isso, adota-se uma construção, como mostrado no item seções transformadas, para uma estrutura de terra homogênea. Seções transformadas (solos anisotrópicos) – as redes de fluxo são construídas considerando-se que as permeabilidades sejam iguais na direção vertical e horizontal, ou seja, sejam isotrópicas. No entanto, a maioria dos solos naturais e aterros compactados apresenta permeabilidades anisotrópicas. Para que isso aconteça, deve- se primeiro traçar a seção transversal, com uma escala transformada, e, em seguida, construir-se a rede de fluxo baseada nas regras de condições isotrópicas ilustrada na Figura 10. Para obter a seção transformada, mantém-se a mesma escala vertical, mas se multiplica a escala horizontal por √ 𝑘𝑣 𝑘𝑥 ⁄ Como kx é geralmente maior que kv, isto significa que as dimensões horizontais devem ser reduzidas. Por exemplo, se kx = 9 kv, todas as dimensões horizontais são divididas por 3. A taxa de fluxo total em torno de uma estrutura dependerá do seu comprimento total. Como os blocos de uma rede de fluxo são quadrados, a largura de um canal de fluxo será igual ao seu comprimento Δl. Figura 10 – Seção transformada para percolação abaixo de uma estrutura de concreto Portanto: Área A = 1 Δl A taxa de fluxo total Q = Δq em cada canal × número de canais = Δq × nf A perda de carga entre equipotenciais = Δh = carga total perdida/ nº de intervalos = H/nd e o gradiente hidráulico para qualquer bloco, i = h/l O fluxo em cada canal = Δq = Aki = k H/nd O fluxo total é então dado por: Q = k H nf/nd (1) em que: nf/nd é chamado de fator de forma. Pressões e cargas de pressão em redes de Fluxo Se as pressões intersticiais ou as subpressões forem necessárias, as redes de fluxo produzidas devem ser novamente traçadas, com uma escala natural, e a rede de fluxo consistirá em losangos, e não em quadrados. A carga total inclui a carga de posição (ou carga de elevação) e a carga de pressão e representa um nível de energia (Figura 11). A água só fluirá se houver uma diferença no nível de energia, mas ela não necessariamente fluirá se houver uma diferença no nível de pressão. Ao longo de uma equipotencial, a energia total é constante e pode ser definida por: Energia total = energia total na equipotencial máxima = h * n° de quedas de energia Na Figura 8 existem 12 quedas de energia e na Figura 10, 7 quedas. Figura 11 – Energia (cargas) nos termos da equação de Bernoulli Se um tubo de descida ou piezômetro for instalado em qualquer ponto de uma equipotencial, a água subirá pelo tubo até o mesmo nível, pois a carga de pressão Hp é dada por: carga de pressão Hp = carga total – carga de elevação A carga total é constante ao longo da equipotencial, conforme ilustrado na Figura 18. Pressão intersticial e subpressão A pressão da água intersticial u é: u = wHp (2) em que: w é o peso específico da água (9,81 kN/m³). Como a pressão da água intersticial age igualmente em todas as direções (é hidrostática), a supressão é a pressão da água intersticial por baixo de uma estrutura impermeável. Força de percolação À medida que a água passa pelos vazios de um solo, ela transfere parte de sua energia para as partículas do solo, e uma força é aplicada por essa água que, em certas circunstâncias, pode ser prejudicial à estabilidade do solo e a qualquer estrutura no solo. Essa força de percolação (e pressão de percolação) pode ser deduzida considerando- se um bloco (Figura 12) em uma rede de fluxo cercada por duas linhas de fluxo e duas linhas equipotenciais: Figura 12 – Força de percolação força da água sobre o lado esquerdo = wH1A força da água sobre o lado direito = wH2A área por largura unitária de seção = Δl × 1 volume afetado pela força de percolação = V = Δl²1 gradiente hidráulico i = ΔH/Δl força aplicada às partículas da areia (Fp) = força do lado esquerdo – força do lado direito= w H1 l 1 - w H2 l 1 = w H l 1 = w H/ l² l 1 = w iV A força de percolação Fp (unidade kN) é então: Fp = w i V (3) O termo “tensão de percolação” é dado por w i, que é a força de percolação por volume unitário (unidade kN/m³). Percolação em barragens de aterro Uma barragem de aterro é formada por solo compactado e é construída para manter relativamente permanente o nível de um reservatório. As infiltrações que ocorrem na barragem devem ser pequenas, e as pressões intersticiais produzidas pelas infiltrações dentro da barragem não podem gerar instabilidade. As barragens de aterro são geralmente construídas com uma seção transversal composta, contendo um núcleo de argila impermeável, para minimizar as perdas por percolação, e zonas de filtragem para controlar as infiltrações e impedir instabilidade por piping. As redes de fluxo que passam pelas seções transversais compostas exigem habilidade para serem construídas e podem ser bastante complicadas. O fluxo da água pela seção transversal pode ser analisado com base na teoria da percolação. É possível construir uma rede de fluxo com as técnicas já descritas, considerando: 1. É provável que o solo tenha diferentes permeabilidades nas direções horizontal e vertical, devido ao assentamento e à compactação do solo em camadas. Por isso, é preciso levar em consideração certo grau de transformação da seção. Se não se tomar cuidado com ométodo de construção do aterro, especialmente se forem geradas interfaces lisas entre as camadas compactadas, pode ocorrer uma alta permeabilidade horizontal, o que leva à destruição do aterro provocada por piping. 2. A superfície do solo a montante em contato com a água é uma equipotencial. 3. As linhas de fluxo começam a partir desta equipotencial, formando ângulos retos. 4. A linha de fluxo superior, ou linha de corrente, é chamada de superfície freática, e sua localização não é conhecida, mas pode ser construída com suficiente precisão. Para isso, deve-se traçar, em primeiro lugar, uma parábola e, em seguida, aplicar alguns ajustes nos pontos de entrada e de saída. 5. Para posicionar a parábola, deve-se considerar que ela passa pelo ponto B em que BC = 0,3 AC e que tem o seu foco no ponto F (Figura 13). Esse ponto F fica na base a jusante de um aterro homogêneo ou na extremidade superior do dreno do filtro, se presente. Figura 13 – Superfície freática em barragens de aterro 6. A propriedade de uma parábola é tal que qualquer ponto sobre ela está à mesma distância do foco F e da diretriz. A diretriz DE é uma tangente vertical que passa pelo ponto D, que fica no mesmo nível de B, tal que BD = BF. Para obter os pontos sobre a parábola, devem-se traçar arcos de vários raios com a ponta do compasso no foco F e retas concorrentes paralelas à diretriz, a distâncias iguais aos valores dos raios. Logo, EG = FG e FH = JH. 7. A entrada da parábola é corrigida de acordo com o item 3, começando pelo ponto C. 8. Numa barragem de aterro homogênea em que a parábola corta o talude a jusante e acima da base, a superfície freática é ajustada para baixo de modo que fique tangente ao talude cortando-o no ponto K, tal que: FK = 0,64 FL para α = 30° FK = 0,68 FL para α = 60° 9. A pressão intersticial ou carga de pressão ao longo da superfície freática é nula. Por isso a carga total é à carga de posição ao longo dessa superfície. Filtros em obras de terra Quando a água infiltra e sai pelo solo, há uma tendência de os gradientes hidráulicos da superfície do solo desestabilizarem o solo e produzirem erosão ou a condição de borbulha ou piping. Para controlar esse fluxo, é preciso providenciar drenos para escoar a água rapidamente. Por questão de necessidade, estes devem ser altamente permeáveis e podem ser feitos de tubos abertos. No entanto, para impedir o movimento das partículas do solo para dentro dos drenos, deve-se instalar um filtro intermediário que funcionará como uma zona de transição, conforme ilustrado na Figura 14. Figura 14 – Exemplos de filtros em obras de terra Os principais critérios de projeto a que um filtro de solo deve atender são: Critério de filtragem ou de piping O tamanho dos poros do filtro deve ser suficientemente pequeno para impedir que as partículas menores do solo natural passem pelo filtro, para que o solo não seja o erodido nem desenvolva piping. Para solos granulares de graduação uniforme, o tamanho dos poros é da ordem de 0,1 a 0,2 vez o tamanho dos grãos e, partículas de solo menores que esses valores podem passar pelo filtro. Para caracterizar os tamanhos menores de um solo, normalmente se adota a granulometria do percentil de 15%, D15. Para os tamanhos maiores, utiliza-se o percentil de 85%, D85, ilustrados na Figura 15. O filtro deve ser mais grosso que o solo protegido. Uma regra de projeto normalmente adotada para impedir a migração do solo para dentro do filtro é: (máximo) D15filtro 5 × D15solo Para que haja uma alta permeabilidade, o material do filtro deve conter no máximo 5% de fração de finos (peneira 200) e não deve apresentar coesão. Figura 15 – Critérios para filtragem Evitar segregação Se o filtro apresentar uma ampla faixa de granulometria, corre-se o risco de os tamanhos menores se separarem das partículas maiores, obtendo-se propriedades não uniformes de filtragem e de permeabilidade. Para evitar isso, recomenda-se que o filtro não seja do tipo “gap-graded” e que o coeficiente de uniformidade seja baixo. Para argilas de média e alta plasticidade que não são propensas à erosão, os critérios de filtragem podem ser mais flexíveis, mas para argilas e siltes dispersivos, que podem apresentar erosão, é preciso aplicar critérios de projeto mais rigorosos e ter cautela na construção. Onde o solo a ser protegido for do tipo “gap-graded” e contiver partículas finas e grossas, o filtro deve ser projetado para as partículas mais finas. Bibliografia: DAS, B. M. Fundamentos de engenharia geotécnica. São Paulo: Cengage Leaning, 2011. VARGAS, M. Introdução à mecânica dos solos. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1981. Barnes, Graham. Mecânica dos solos: princípios e prática. 3ª Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.