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Pesquisa em Serviço Social - Estatística e Indicadores (Unifatecie)_de5e01ee44e99fd080a7c89a0ce6b5d1

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Professor(a) Esp. Ana Cristina da Silva Gomes 
PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL - 
ESTATÍSTICA E INDICADORES
2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
 REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira
 DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença 
 DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima
 DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto 
 DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini
 DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel
 COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes
 COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá
 COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
 COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento
 COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco
 COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas
 REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling 
 Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
 Caroline da Silva Marques 
 Eduardo Alves de Oliveira
 Isabelly Oliveira Fernandes de Souza
 Jéssica Eugênio Azevedo
 Louise Ribeiro 
 Marcelino Fernando Rodrigues Santos
 Vinicius Rovedo Bratfisch
 PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos
 Carlos Firmino de Oliveira
 Hugo Batalhoti Morangueira
 Giovane Jasper 
 Vitor Amaral Poltronieri
 ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz 
 DE VÍDEO Carlos Henrique Moraes dos Anjos
 Pedro Vinícius de Lima Machado
 Thassiane da Silva Jacinto
 FICHA CATALOGRÁFICA
 
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
 G633p Gomes, Ana Cristina da Silva
 Pesquisa em serviço social: estatística e indicadores / Ana
 Cristina da Silva Gomes. Paranavaí: EduFatecie, 2024.
 94 p.: il. Color.
 ISBN n 978-65-5433-095-4
 1. Serviço social. 2. Serviço social – Pesquisa. I. Centro
 Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância.
 III. Título. 
 
 CDD: 23. ed. 361.3
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
As imagens utilizadas neste material didático 
são oriundas do banco de imagens 
Shutterstock .
3
AUTORA
Professor(a) Esp. Ana Cristina da Silva Gomes
• Cursando Pós-graduação em Atendimento à Criança e ao Adolescente Vítima 
de Violência – Instituto Dimensão – 2020;
• Pós-graduação em Serviço Social na Sociedade Contemporânea: Direção 
Social, Instrumentais e Política Social – Instituto Dimensão - 2018;
• Pós-graduação em Gestão e Planejamento de Projetos Sociais – Unicesumar 
(2018);
• Pós-graduação em Psicopedagogia Empresarial – Instituto Paranaense de 
Ensino (2011);
• Graduada em Serviço Social – Bacharelado – Unicesumar (2010);
• Técnico em Meio Ambiente – Colégio Estadual JK (2006) 
Tutora do curso de Serviço Social da (UNIASSELVI), Assistente Social, do Centro 
de Integração Empresa Escola CIEE/Maringá, Prestadora de Serviço para os atores da 
Política Pública da rede Municipal, Palestrante nas áreas: motivacional, violência doméstica 
contra mulher, idoso, criança e adolescente, prevenção da gravidez na adolescência, meio 
ambiente, reciclagem, dengue, Conferências municipais entre outros temas, Conteudista 
das Faculdades FAEL e Uningá, Idealizadora da Campanha Mulheres Maravilhosas 
executados por meio das redes sociais e autora do Livro Política de Habitação (EDITORA 
FAEL). ISBN 978-65-86557-46-6. 
Informações e contato:
 Currículo Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/1689530393656228
Professor(a) Esp.
Ana Cristina da Silva
Gomes
http://lattes.cnpq.br/1689530393656228
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APRESENTAÇÃO
Seja muito bem-vindo(a)!
É com imenso prazer que apresentamos a disciplina de Pesquisa em Serviço Social 
- Estatística e Indicadores! 
A todo(a) estudante, agradeço por participar da sua jornada acadêmica e a luta 
pelo conhecimento constante. Desejamos que saiba que o material produzido foi pensando 
para que você acadêmico(a) possa compreender a relevância da Pesquisa para seu 
futuro profissional, pois nossa preocupação é realizar a explanação do conteúdo de forma 
objetiva, proporcionado que você entenda a importância da Pesquisa em Serviço Social e da 
Estatística como um parâmetro de mensuração de resultados para a criação e a discussão 
de políticas públicas para a sociedade.
Essa disciplina pretende qualificar você, acadêmico(a) para ter parâmetros de 
leitura dos procedimentos da pesquisa científica, sua importância para descobertas para o 
correto manuseio das questões sociais, como também estimular para criação de conteúdos 
para o curso de Serviço Social, identificação dos dados qualitativos e quantitativos de 
uma pesquisa social, em base nos indicadores sociais, para que sejam aplicados métodos 
interventivos, que vão amenizar as desigualdades sociais. 
Na unidade I, vamos ampliar nossos conhecimentos sobre o significado, o histórico 
das produções científicas no Serviço Social, relacionando o teórico e prático profissional, 
como a importância do conhecimento do Projeto Ético Político da Profissão. Unidades II, III e 
IV, vamos tratar especificamente, sobre a Ética na pesquisa, instrumentais metodológicos da 
pesquisa, exemplos de elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso como um cotidiano do 
Assistente Social, e como coletar os dados, gráficos, perfis socioeconômicos, estatística por 
meio da mensuração dos resultados dos dados qualitativos, quantitativos de uma pesquisa e 
como aplicar os resultados no cotidiano profissional, finalizando com uma indagação, o Serviço 
Social é interventivo e investigativo? Ou seja, somos detetives? Ou, da polícia?
Caro(a) acadêmico(a), é importante que você faça uma leitura atenta aos conteúdos 
e também se empenhe na busca das dicas complementares, indicação de livros, que estão 
no decorrer de cada unidade, no final da leitura desse material, responda às indagações 
acima citadas e nos contem. Agradecemos a oportunidade de fazer parte desse processo 
de aprendizagem. Desejamos sucesso a você! 
Bons estudos e boa leitura! 
5
SUMÁRIO
O desenvolvimento da dimensão investigativa
no serviço social
Leitura e elaboração de Dados
Técnicas de pesquisa
Produção de conhecimento
no serviço social
Professor(a) Esp. Ana Cristina da Silva Gomes 
PRODUÇÃO DE 
CONHECIMENTO
NO SERVIÇO SOCIAL1UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
7
Plano de Estudos
• Histórico das produções científicas no Serviço Social;
• A pesquisa como processo de trabalho do Assistente Social;
• Indissociabilidade teórico-prática: Pesquisa ede 
tais instrumentos é necessária para o profissional de Serviço Social, porém é indispensável 
identificar os métodos e se atentar para que seja executado, respaldado nos princípios Éticos 
da Profissão. Analisamos as questões sociais que devem ser trabalhadas junto ao Estado por 
meio de incentivos, como investimentos e políticas públicas.
Caro(a) acadêmico(a), nosso objetivo enquanto instituição de ensino, em específico 
a esta disciplina de Pesquisa Social é que você tenha ânimo e um olhar além das entrelinhas 
da sociedade contemporânea, sempre analisando seu contexto no âmbito social, econômico 
e político, é nítido que diante da realidade do Brasil, em que estamos passando por um 
momento de pandemia (2021) e desmonte das políticas públicas, a atuação do Assistente 
Social está mais frágil, mas devemos lutar como militares, não para matar, mas sim, para 
ter a possibilidade de acessar os direitos previstos em Constituição Federativa do Brasil, 
nesse sentido, precisamos de acadêmico(a) pesquisador(a) para respostas das questões 
sociais, executando com excelência o seu trabalho dentro da rede de proteção social.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
40
A Lei Orgânica da Assistência Social LOAS, por ser parte de extrema importância para 
atuação do profissional de Serviço Social, precisa não só ser conhecido pelos acadêmicos, 
mas também precisa fazer parte do acervo pessoal de livros do Assistente Social. Tal 
documento expõe detalhadamente direitos, deveres e processos de enquadramento para 
possíveis intervenções, sendo uma leitura assertiva e de grande aquisição de conhecimento.
Fonte: a autora. 
LEITURA COMPLEMENTAR
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
41
MATERIAL COMPLEMENTAR
FILME/VÍDEO
• Título: Garapa (2009)
• Ano: 2009.
• Sinopse: O documentário mostra a dura realidade de uma família 
do interior do Ceará em sua severa insegurança alimentar. A obra 
foi dirigida pelo cineasta José Padilha, lançada em 2009, e tem 
como tema a fome no mundo. O documentário é resultado de mais 
de 45 horas de gravações da equipe, que acompanhou o cotidiano 
de três famílias. 
LIVRO
• Título: Questão Social: particularidades no Brasil
• Autor: Josiane Soares Santos.
• Editora: Cortez; 1ª edição (23 fevereiro 2017)
• Sinopse: Os fenômenos constitutivos da chamada ‘Questão 
Social’ se reproduzem no tempo presente com uma intensidade 
e volume desconhecidos em outras épocas históricas: são 
inquestionáveis as diversas formas de expressão da desigualdade 
social que estão longe de se reduzir à pobreza. Para desvendá-las, 
este livro mergulha nos fundamentos da crítica da economia política, 
tratando a ‘questão social’ como parte da dinâmica capitalista e das 
lutas sociais contra a exploração do trabalho. 
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
Professor(a) Esp. Ana Cristina da Silva Gomes
LEITURA E 
ELABORAÇÃO 
DE DADOS3UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
43
Plano de Estudos
• Indicadores, Gráficos e dados socioeconômicos;
• Estatística em Serviço Social;
• Dados qualitativos;
• Dados Quantitativos.
Objetivos da Aprendizagem
• Identificar os indicadores e gráficos mais utilizados dentro do Serviço Social;
• Demonstrar as estatísticas dentro do Serviço Social; 
• Apresentar os dados qualitativos e sua importância para uma pesquisa; 
• Demonstrar a importância dos dados quantitativos, para uma pesquisa social e 
como mensurá-los.
LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
44
O presente estudo nos mostra a importância do trabalho cada vez mais elaborado 
no sentido de obter respostas diante de uma situação que pode ser constantemente 
transformada. Nesse sentido, o objetivo deste estudo é mostrar a compreensão da 
estatística no serviço social, visto que o trabalho do assistente social é com as expressões 
da questão social, ou seja, com a classe em situação de vulnerabilidade social. Portanto, as 
vulnerabilidades nos trazem questionamentos, de como transformar essa realidade, para 
tanto, é necessário um conjunto de estudos para levantar dados precisos de uma realidade.
 Nesse contexto, vamos entender sobre a elaboração de dados, ela se constitui 
a partir da coleta de informações, em que se obtém os bancos de dados, observa-se, 
ainda, a importância de ter um bom diagnóstico para definir indicadores adequados para 
cada circunstância, as problemáticas têm suas particularidades, dessa forma, demandam 
indicadores próprios a cada necessidade, pois irão subsidiar uma leitura da realidade.
Os indicadores são informações que podem ser medidas, quantificadas e 
qualificadas, e ainda podem ser visualizadas através de imagens gráficas, contribuindo 
em todo processo de trabalho e trazendo impacto ao desenvolvimento de toda e qualquer 
gestão, aqui, em especial, às políticas sociais, bem como, todas políticas públicas.
A estatística no serviço social está inerente aos instrumentos usados no cotidiano 
profissional. No decorrer dos estudos fica evidente a importância da estatística e de que 
forma deve ser aplicada para obter melhores resultados. Segundo Prates, (2017, p.13) 
“estatística não é um ramo da matemática onde se investigam os processos de obtenção, 
organização e análise de dados sobre uma determinada população”.
“A estatística é a ciência que se preocupa com a coleta, a organização, descrição 
(apresentação), análise e interpretação de dados experimentais e tem como objetivo 
fundamental o estudo de uma população” (Prates, 2017, p.14).
INTRODUÇÃO
LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
45
Os indicadores sociais vêm sendo utilizados com mais frequência em todas as 
áreas, porém aqui nos referenciamos com maior ênfase no serviço social. Visto que, na 
sua grande maioria, estão atrelados às desigualdades sociais, sendo essencial ao gestor 
das políticas sociais, aplicada pelo profissional do serviço social. Segundo Schmitt e 
Wegrzynovski, (2015, p. 4) “os números fazem parte do dia a dia de todas as classes sociais, 
todas as categorias profissionais, no meio universitário e acadêmico, há certa oposição ao 
que se refere aos conceitos sobre estatísticas”.
Os dados numéricos que foram coletados através de uma determinada 
pesquisa, são parâmetros que criam critérios de classificação de indicadores, 
segundo a área temática de intervenção da realidade social que se pretende, 
como: Saúde; Educação; Mercado de Trabalho; Demográfico; Habitação; 
Segurança Pública; Infraestrutura urbana; Renda e desigualdade. Existe um 
maior valor qualitativo de conceitos e significados do que as questões de 
valores quantitativos (Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 18).
Dessa forma, os autores Schmitt e Wegrzynovski (2015), afirmam que umas das 
características que os indicadores sociais precisam ter: é à confiabilidade dos dados 
coletados, pois dependendo da pesquisa, esses dados vão ser utilizados para criação de 
Políticas Públicas voltadas para a comunidade em geral.
Os indicadores sociais proporcionam subsídios para as atividades de 
planejamento público e na elaboração de políticas sociais, nas diferentes 
esferas de governo, viabilizam o monitoramento das condições de vida da 
comunidade através do poder público e da sociedade civil, e também abrem 
espaço para a investigação acadêmica e sobre a mudança da realidade 
social e sobre os determinantes dos fenômenos sociais, como: índice de 
pobreza, taxa de analfabetismo, per capita, taxas de desemprego, taxas de 
INDICADORES, GRÁFICOS E 
DADOS SOCIOECONÔMICOS1
TÓPICO
LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
46LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
evasão escolar, entre outros, sendo nesse sentido que os indicadores sociais 
se traduzem em cifras operacionais e tangíveis, nas diversas dimensões da 
realidade social (Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 138).
Os indicadores sociais podem ser utilizados de maneira correspondente para 
fundamentar as informações reais e concretas de uma determinada realidade regional nos 
mais diversos segmentos, podendo nortear as ações que serãodirecionadas, oferecendo um 
suporte aos processos de gestão social (Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 17). Diante dos 
estudos expostos, entende-se que cada área tem suas necessidades de aperfeiçoamento e 
objetivos específicos, sendo assim os indicadores sociais vão se diversificando, dessa forma:
As exterioridades que determinam a implementação de uma política 
pública social devem estar em sintonia com as prioridades que aparecem 
através das demandas de uma determinada realidade social de uma 
região ou até mesmo do país. Os gestores das políticas públicas possuem 
a responsabilidade, compromisso e comprometimento nas deliberações 
e decisões sobre o uso dos dados e dos indicadores sociais, através de 
ética, transparência e responsabilidade na definição das prioridades sociais 
(Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 24).
Entendemos que, a utilização dos indicadores sociais se faz necessário, pois, não 
há avanço sem levantamento de dados anteriores no intuito de traçar novos parâmetros 
para um maior impacto de resultados. 
Os profissionais do serviço social devem utilizar os indicadores sociais como 
instrumentos estratégicos para enfrentar as demandas sociais apresentadas 
e aproveitar os mesmos para construção de novos indicadores, podendo 
subsidiar relatórios das instituições, organizações de atuação profissional 
que estejam comprometidas com as dimensões ético-políticas da profissão 
(Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p.28).
No âmbito do trabalho dos profissionais de serviço social estão presentes as mazelas 
sociais, ou seja, obter dados e construir indicadores sociais no cotidiano do assistente 
social se torna um ambiente rico de informações, onde se requer respostas rápidas para 
suprir a demasiada pobreza. 
Na atualidade, as chamadas ciências investigativas, tornaram-se importantes, 
pois apresentam as taxas de referências para a atuação de diversas categorias 
profissionais. No caso do assistente social, na sua atuação prática diária, as 
taxas são utilizadas através de vários exemplos, como: taxa per capita, taxa 
de vulnerabilidade social, taxa de desempregos, taxa de mulheres chefes de 
família, taxa de analfabetismo, entre outros, sendo papel do profissional de 
serviço social conseguir realizar uma leitura científica das taxas referenciadas 
em uma determinada pesquisa (Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 6-7).
A construção de indicadores sociais acontece através de sistemas organizados 
para crítica, apreciação e comparação dos dados. Na Política Nacional de Assistência 
47LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
Social (PNAS) existem vários sistemas que contribuem com o planejamento da execução 
e implementação das políticas sociais. Podemos citar alguns exemplos de acordo com o 
Ministério da Cidadania do Governo Federal (Brasil, 2020):
• Sistema do Cadastro Único
• Bolsa Família
• Sistema de Benefícios ao Cidadão (Sibec)
• Sistema do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (V7)
• Sistema de Gestão do Programa Bolsa Família (SIGPBF)
• Sistema de Condicionalidades (Sicon)
• CadSuas
• SuasWeb
• Carteira do Idoso
• SISC
• CNEAS
• Plano de Ação
• SAA 
• Dados BPC/RMV
• BPC na Escola 
• Registro Mensal de Atendimento (RMA) 
• Acompanhamento dos Estados 
• Termos de Aceite e Expansão 
• Termo de Aceite Primeira Infância no SUAS 
• Censo SUAS 2016 
• SIMPETI
• Prontuário eletrônico 
• Segurança Alimentar
• Sistema de gestão do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) – SISPAA
• Sistema de gestão do Programa Cisternas - SIG Cisternas
• Brasil Sem Miséria
• Brasil Sem Miséria no seu Município
• Brasil Sem Miséria no seu Estado
• Avaliação e Gestão da Informação
• Dados e Indicadores
48LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
• Sistema Eletrônico de Informações (SEI)
• Sistema Eletrônico de Informações (SEI) - Usuário Externo
• Relatório de Informações Sociais 
• Relatório de Parcelas Pagas
• Relatório de Saldo Detalhado por Conta
• Relatório de Distribuição Financeira por Piso
• Relatório Analítico de Desembolso Financeiro por Ente e Piso
• Relatório da Situação da Prestação de Contas dos Recursos Repassados 
Fundo a Fundo – Suas (Brasil, 2005 - 2013).
Schmitt e Wegrzynovski (2015, p. 21) ressaltam que “a base de dados que constitui 
os indicadores sociais deve estar fundamentada em dados verdadeiros e referência de 
confiabilidade que ofereçam uma análise da realidade de um território ou determinada 
região, através das demandas prioritárias”. “Os indicadores apontam, indicam, aproximam, 
traduzem em termos operacionais as dimensões sociais de interesse definidas a partir de 
escolhas teóricas ou políticas realizadas anteriormente” (Jannuzzi, 2006, p. 138).
Na sequência vamos falar sobre os gráficos, que segundo a definição da Wikipédia 
é a tentativa de se expressar visualmente dados ou valores numéricos, de maneiras 
diferentes, assim facilitando a sua compreensão. Existem vários tipos de gráficos e os mais 
utilizados são os de colunas, os de linhas e os circulares. Os principais elementos são: 
números, título, fonte, nota e chamada. Nesse sentido, o autor complementa:
Os gráficos propiciam uma ideia inicial mais satisfatória da concentração e 
dispersão dos valores, uma vez que através deles os dados estatísticos se 
apresentam em termos de grandezas visualmente interpretáveis. Requisitos 
Fundamentais em um Gráfico • Simplicidade: possibilitar a análise rápida do 
fenômeno observado. Deve conter apenas o essencial. • Clareza: possibilitar 
a leitura e interpretação correta dos valores do fenômeno. • Veracidade: deve 
expressar a verdade sobre o fenômeno observado (Prates, 2017, p. 37).
De acordo com Prates (2017, p. 37) “a apresentação gráfica constitui uma 
representação geométrica dos dados. Permite ao analista obter uma visão rápida e clara do 
fenômeno e sua variação”. No entanto, os modelos de gráficos são diversos. A escolha dos 
gráficos depende da natureza das informações e a necessidade de visualizar determinado 
resultado, com muita atenção na escolha para que fique claro e objetivo os resultados. 
49
Caro(a) acadêmico(a), todo material estudado dá uma visão geral sobre indicadores, gráficos, 
dados qualitativos e quantitativos e com isso passamos a entender sobre a estatística em serviço social.
No entanto, para ter um conhecimento mais amplo de todo contexto é necessário um estudo 
ampliado, segue a indicação abaixo:
Fonte: JANNUZZI, Paulo de Martino. Indicadores socioeconômicos na gestão pública. 
Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração - UFSC; [Brasília]: CAPES: UAB, 2009. 
Disponível em: https://educapes.capes.gov.br/handle/capes/145395
SAIBA
MAIS
Caro(a) acadêmico(a), para aprimorar seus conhecimentos, indicamos o acesso ao site do 
Ministério da Cidadania para compreender mais sobre os indicadores sociais: https://www.gov.br/cidadania/
pt-br. Procure sobre a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – PNADS. 
No site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE: https://www.ibge.gov.br/ você 
encontrará informações sobre Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos 
(DIEESE); IPARDES, Instituto Agronômico do Paraná; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e 
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). 
SAIBA
MAIS
LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
https://educapes.capes.gov.br/handle/capes/145395
https://www.gov.br/cidadania/pt-br
https://www.gov.br/cidadania/pt-br
https://www.ibge.gov.br/
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Segundo Prates (2017, p. 14) estatística é a ciência que se preocupa com a coleta, 
a organização, descrição (apresentação), análise e interpretação de dados experimentais e 
tem como objetivo fundamental o estudo de uma população.
A origem histórica da estatística antecede o período denominado “antes de 
Cristo - a.C.”, pois existem citações bíblicas que usavam o recadastramento 
para utilizar nos censos, objetivando a cobranças de taxas de impostos, de 
alistamento para as guerras e para umcontrole das crianças que nasciam 
vivas. Um exemplo bíblico a ser utilizado, para provar a existência da 
estatística a.C., é através da história de Moisés, onde era solicitado perante 
um censo o controle de filhos primogênitos masculinos que nasciam vivos, 
pois deveriam serem sacrificados (Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 6).
Podemos constatar, que antes de Cristo, já era usado a estatística, fez se necessário 
para uma organização, um controle, formas de contagem de dados para o suporte do 
governo na época. 
A estatística é a ciência que consiste na recolha, manipulação e classificação 
de dados tendo em vista o conhecimento de determinado fenômeno e a 
possibilidade de, a partir desse conhecimento, inferir possíveis novos resultados. 
É objetivo da Estatística extrair informação dos dados para obter uma melhor 
compreensão das situações que representam (Prates, 2017, p. 14).
Diante dos estudos, vimos que para fazer uma pesquisa estatística o primeiro 
passo é ter o problema e os objetivos, segundo passo é realizar a coleta de dados, ou 
seja, a aplicação de um bom questionário para conhecer bem o público a ser pesquisado, 
ESTATÍSTICA EM 
SERVIÇO SOCIAL2
TÓPICO
LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
51LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
posteriormente fazer a contagem dos dados e análise deles, dessa forma, obter as respostas 
que a pesquisa propôs. 
No serviço social a estatística é utilizada como uma ferramenta que está inclusa 
nos instrumentais teóricos e metodológicos referentes à atuação profissional 
do assistente social, possibilitando a análise e compreensão da realidade 
social em que se pretende conhecer. Dessa maneira promove quantificar 
os dados numéricos da realidade em estudo, apresentando informações 
relacionadas às análises realizadas, tanto de maneira propositiva como crítica 
dos resultados apresentados, que resultarão em uma intervenção crítica e 
criativa nas demandas sociais, através de programas e projetos (Schmitt e 
Wegrzynovski, 2015, p. 9).
Faz-se necessário um resgate histórico do avanço da estatística, segundo Prates 
(2017): 
O Imperador Cesar Augusto, por exemplo, ordenou que se fizesse o Censo 
de todo o Império Romano. A palavra Censo é derivada da palavra Censere, 
que em Latim significa taxar. Em 1085, Guilherme, O Conquistador, solicitou 
um levantamento estatístico da Inglaterra, que deveria conter informações 
sobre terras, proprietários, uso da terra, empregados e animais. Os resultados 
deste censo foram publicados em 1086 no livro intitulado “Domesday Book” e 
serviram de base para o cálculo de impostos (Prates, 2017, p. 9).
Ainda segundo Prates (2017, p. 10) “a palavra Estatística foi cunhada pelo 
acadêmico alemão Gottfried Achenwall (1719- 1772), que foi um notável continuador dos 
estudos de Hermann Conring (1606-1681)”. Prates (2017, p. 16) nos coloca que “o trabalho 
estatístico é um método científico, que consiste das cinco etapas básicas seguintes”: coleta 
e crítica de dados; tratamento dos dados; apresentação dos dados; análise e interpretação 
dos resultados e conclusão.
Dessa forma, essas etapas, compõem o processo de Trabalho de Conclusão de 
Curso, ou seja, o TCC, como também, os artigos científicos e monografias, a análise dos 
dados se faz necessária para realizar as comparações dos gráficos e indicadores propostos 
na pesquisa a ser realizada. O autor Prates menciona que:
Um de seus mais notáveis adeptos foi o pastor alemão Sussmilch (1707-1767), 
com o qual se pode dizer que a Estatística aparece pela primeira vez como 
meio indutivo de investigação. Na última metade do século XIX, os alemães 
Helmert (1843-1917) e Wilhelm Lexis (1837-1914), o dinamarquês Thorvald 
Nicolai Thiele (1838-1910) e o 11 Wecsley Otero Prates inglês Francis Ysidro 
Edgeworth (1845- 1926), obtiveram resultados extremamente valiosos para 
o desenvolvimento da Inferência Estatística, muitos dos quais só foram 
completamente compreendidos mais tarde (Prates, 2017, p. 10 e 11).
Ao referenciar sobre a estatística indutiva de investigação, os autores Lakatos e 
Marconi (1991, p. 86), mencionam que a indução “é um processo mental por intermédio do 
52LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
qual, partindo de dados particulares, suficientemente constatados, infere-se uma verdade 
geral ou universal, não contida nas partes examinadas”. Desse modo, falar sobre a indução 
leva à conclusão de um conteúdo amplo do processo de pesquisa. 
No entanto, temos que citar o método dedutivo, que segundo os autores, o método 
faz parte da compreensão da regra para compreender os casos específicos, Lakatos e 
Marconi (1991, p. 91) “expõem dois exemplos que servem para ilustrar a diferença 
entre argumentos dedutivos e indutivos”. A figura abaixo mostra os métodos para sua 
compreensão, ou seja, o dedutivo está relacionado ao verdadeiro se todas as premissas 
devem ser verdadeiras, já o método indutivo se refere às premissas verdadeiras. Ainda 
sobre os métodos é necessário saber sobre o método dialético, que significa dialogar, 
debater sobre um resultado de uma pesquisa. 
FIGURA 1: ARGUMENTOS DEDUTIVOS E INDUTIVOS
Fonte: SALMON, Wesley C. Lógica. 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1978. 
Ao pensarmos em estatística no serviço social, logo nos vem em mente o medo da 
matemática, das regras, dos cálculos, da regra de três, e das interpretações dos números, 
cabe nos pensar que a estatística vem ao encontro para a mensuração dos dados, 
interpretação dos resultados, como também uma forma de demonstrar a realidade por meio 
dos dados, possibilitando a compreensão para criação de políticas públicas, dessa forma, 
a estatística pode se tornar uma ferramenta importante para o processo de implantação, 
avaliação e monitoramento dos programas sociais. De acordo com os autores Schmitt e 
Wegrzynovski (2015, p. 4): 
A estatística no serviço social é essencial, pois ela vem romper padrões 
construídos numa visão errônea da profissão, desta forma é necessário ter 
fundamentação teórica para um melhor entendimento. Relacionado a esta 
visão, podemos citar como exemplo quando ouvimos dizer: “escolhi este 
curso porque não tem nada a ver com cálculos”. Constata-se um equívoco, 
pois, é necessário o uso de cálculos em todos os cursos e em todas as classes 
sociais, o que muda é a proporção do seu uso, uns mais outros menos.
53LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
Como exemplo disso, temos dentro do Serviço Social, por meio da atuação do 
Assistente Social, em sua prática diária, entender, interpretar e propor melhorias por meio 
das análises dos dados de uma determinada realidade social e conseguir realizar uma 
leitura científica das taxas referenciadas em uma determinada pesquisa, como: taxa per 
capita, taxa de vulnerabilidade social, taxa de desempregos, taxa de mulheres chefes de 
família, taxa de analfabetismo, entre outros, sendo papel do profissional do Serviço Social. 
A estatística não é um ramo da matemática onde se investigam os processos de 
obtenção, organização e análise de dados sobre uma determinada população 
(e/ou região). A estatística também não se limita a um conjunto de elementos 
numéricos relativos a um fato social, nem a números, tabelas e gráficos usados 
para resumo, à organização e apresentação dos dados de uma pesquisa, 
embora este seja um aspecto da estatística que pode ser facilmente percebido 
no cotidiano (não só por profissionais, mais por toda a sociedade). Ela é uma 
ciência multidisciplinar, que permite a análise estatística de dados de um físico. 
Poderia também ser usada por um economista, agrônomo, químico, geólogo, 
matemático, biólogo, sociólogo, psicólogo e cientista político. (Marcelino, 2010, 
p.1, apud Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 5).
Portanto, fica evidente quando o autor nos menciona que a estatística não é exclusiva 
dos profissionais, e sim pode ser usada por toda população. A estatística nos dá suporte 
para planejar e coletar; organização dos dados, análise, processamento,interpretação e 
visualização das informações. Contudo, tem a função de mostrar de forma mais concreta 
determinada realidade.
As estatísticas permitem obter uma representação simples de conjuntos 
complexos e verificar se essas representações simplificadas têm relações 
entre si; Adolphe Quetelet (1796-1874), importante estudioso da estatística, 
introduziu a noção de “homem médio” (l’homme moyen) como um meio de 
compreender fenômenos sociais complexos, como taxas de criminalidade, de 
casamento e de suicídio (Vieira e Geber, 2016, p. 67).
A partir dos estudos realizados constatou-se que um dos maiores e mais completos 
trabalhos estatísticos no Brasil é o Censo Demográfico, como citado a seguir:
O censo demográfico é concretizado a cada dez anos, e tem por objetivo a 
contagem da população, no intervalo desse período é realizada a Pesquisa 
Nacional por Amostra de Domicílio – PNADS, visando um acompanhamento 
anual sistêmico do panorama socioeconômico, um dos focos mais relevantes 
dessa pesquisa é a fecundidade/anticoncepção, a migração, saúde, 
mobilidade, os associativismos partidários, os bens de consumo. A década 
de 80 teve um destaque especial na pesquisa sobre o mercado de trabalho 
(Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 8).
Desse modo, cabe aqui explicar a origem da contagem, a primeira contagem que 
antecede ao CENSO da população brasileira, foi realizada no ano de 1972, durante o Império, 
no ano 1890 sobre a República, que os Censos se tornaram decenais, ou seja, a pesquisa 
54LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
será realizada a cada dez anos, os responsáveis pela execução é e sob responsabilidade 
do IBGE desde 1940, o Brasil foi o primeiro país a iniciar a coleta de dados sobre renda, 
por meio de Censo. O mesmo tem como objetivo coletar informações da situação de vida 
da população em cada município, localidade e país. É importante reforçar que o Estado e 
sociedade civil, se beneficiam com a coleta de informações, pois é por meio da democracia 
descentralizada e a política administrativa, onde os prefeitos, governo, órgãos municipais 
e estaduais podem realizar o planejamento com base em informações atualizadas sobre 
a população. O Brasil é um dos países que possui o censo demográfico mais completo e 
detalhado se comparado com outros países.
Destacamos ainda que a pesquisa realizada pelo Censo Demográfico, utiliza a 
técnica de amostragem na coleta de informações, com a metodologia programada por meio 
de questionários e resultados da amostra. Enaltecemos que ano de 2021, em que o Brasil 
está passando por um período de pandemia, a não realização da pesquisa pode prejudicar o 
atendimento de políticas públicas e os investimentos no País, necessitando de números para 
a distribuição das vacinas, como também recursos, os municípios de pequeno porte sofreram 
com a falta da pesquisa, uma vez que ela foi cancelada devido às exigências da Organização 
Mundial da Saúde em permanecer com isolamento social, até abaixo dos números de 
contaminados, atualmente os dados de hoje usados como referência são de 2010. 
Como já sinalizado, não existe ciência sem a utilização de um método. Auguste 
Comte, o pai do positivismo, acreditava que era possível planejar o desenvolvimento da 
sociedade e do indivíduo com os critérios e métodos das ciências exatas e biológicas. Para 
esse autor, não só os fenômenos naturais poderiam ser reduzidos a leis, mas também os 
fenômenos sociais, os fenômenos humanos, poderiam ser analisados como fenômenos 
naturais, e assim, tanto o pesquisador das ciências naturais quanto o das ciências humanas 
deveria se afastar de qualquer preconceito ou pressuposto ideológico para realizar seus 
estudos. Como já evidenciado, a ciência não é neutra e a sociedade é multifacetada, não 
podendo ser analisada e controlada em laboratório como os fenômenos naturais; assim, 
para as Ciências Sociais o método utilizado nas Ciências Naturais não pode ter a mesma 
lógica de investigação (Vieira e Geber, 2016, p. 48 e 49).
55
Neste tópico, vamos conhecer as especificações dos indicadores sociais, para 
entender em quais situações específicas cabe usar cada um deles, como os dados 
qualitativos são importantes para uma pesquisa social. De acordo com os autores (Santos, 
2008, p. 7 apud Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 211).
Indicadores qualitativos: esses indicadores possuem uma imergência no 
campo, dizem respeito à presença no lugar onde será realizado o estudo e 
coleta dos dados (observando, entrevistando, interagindo, etc.). Onde uma 
comunidade, um grupo, ou um contexto estabelecem uma amostra significativa 
ou representativa, é o que define a pesquisa, “[…] procuram focar processos 
em que é preferível utilizar referências de grandeza, intencionalidade ou 
estado, tais como forte/fraco, amplo/restrito, frágil/estruturado, ágil/ lento, 
satisfatório/ insatisfatório.”
 
 Dessa forma, destacamos que o Estudo de Caso é considerado um método 
qualitativo, no qual que consiste uma forma de aprofundar uma análise individual, em sua 
qualidade, em que o resultado depende do fenômeno social, em seu cenário político, social 
e econômico da pesquisa a ser realizada. Para Minayo:
a pesquisa qualitativa se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de 
realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo de 
significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde 
a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que 
não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (Minayo, 1994, p. 22).
Percebe-se nos estudos que cada autor atribui características diferentes aos dados 
qualitativos e quantitativos, na realidade entende-se que elas se complementam, vamos 
observar a seguir:
DADOS 
QUALITATIVOS3
TÓPICO
LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
56LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
alguns autores entendem a pesquisa qualitativa como uma “expressão 
genérica”. Isto significa, por um lado, que ela compreende atividades de 
investigação que podem ser denominadas específicas. E por outro, que 
todas elas podem ser caracterizadas por traços comuns. Esta é uma ideia 
fundamental que pode ajudar a ter uma visão mais clara do que pode chegar 
a realizar um pesquisador que tem por objetivo atingir uma interpretação da 
realidade do ângulo qualitativo (Triviños, 1987, p. 120).
Cabe ressaltar que a pesquisa busca a compreensão do sujeito e o objeto da 
pesquisa, por meio das suas observações, percepções e conhecimento teórico metodológico 
sobre a temática. 
A pesquisa qualitativa estabelece a observação de situação habitual em 
ocasião real e solicita uma descrição e análise subjetiva da experiência. 
Procura “a busca da compreensão de ‘como’ ocorre os fenômenos. Preocupa-
se em compreender e se refere ao mundo dos significados e do simbolismo” 
(Canzonieri, 2010, p. 38).
Os resultados da pesquisa qualitativa, resultam em uma aproximação do pesquisador 
com o fenômeno, como também a construção do conhecimento, no qual leva a pensar, a 
refletir sobre os dados encontrados, sua característica está relacionada ao levantamento de 
dados, a compreensão e interpretação e expectativas do pesquisador, sendo definida como 
uma pesquisa exploratória, não constando números como resultados, mas enaltecendo 
a análise dos dados como um conceito a ser explicado e desenvolvido, a metodologia 
utilizada para mensuração dos dados, é por meio de as entrevistas semiestruturadas, 
as observações de campo, entre outras, não utilizando métodos e técnicas estatísticas, 
conforme citado acima, a pesquisa qualitativa está relacionada ao seu ambiente natural, e 
o pesquisar é um precursor para execução por meio da coleta de dados, de forma descritiva 
e análise indutiva (Lakatos e Marconi, 1991).
57
Acadêmico(a), abordaremos a pesquisa quantitativa em seu conceito, como também 
a importância para pesquisa social, desse modo, o significado da palavra quantidade, temorigem do latim que indica quantos (Canzonieri, 2010). Ainda segundo a autora: 
É uma modalidade utilizada quando o desenho da pesquisa está direcionado 
para responder à pergunta “quantos”, realizada pelo pesquisador por meio 
de dados numéricos, estatísticos, para fazer comparações entre o que foi 
pesquisado. Este método confere segurança para provar uma realidade 
frente a hipóteses formuladas, com o intuito de revelar dados, indicadores 
e observação, que comprovem medidas confiáveis, generalizáveis e sem 
vieses (Canzonieri, 2010, p.137).
Conforme exposto pelos autores, a pesquisa quantitativa se caracteriza por 
quantificar os resultados da coleta de dados, caracterizada por proporcionar a exatidão aos 
trabalhos, onde os resultados são classificados com poucas chances de incoerências. 
O método quantitativo caracteriza-se pelo emprego da quantificação, seja 
na modalidade de coleta de dados, quanto no tratamento deles através 
de técnicas estatísticas. Usados frequentemente nos estudos descritivos, 
aqueles que procuram encontrar e classificar a relação entre as variáveis, que 
acabam investigando a relação de causalidade entre fenômenos (Richardson, 
2011 apud Vieira e Geber, 2016, p.137).
Abaixo, a figura 2, demonstra o processo das Políticas Públicas, dessa forma, os dados 
numéricos, coletados por meio em uma pesquisa, são parâmetros para criação dos indicadores, 
de acordo com a área temática de intervenção, como também da realidade social, como 
exemplo, destacam-se os índices de saúde, educação, mercado de trabalho, demográfico, 
habitação, infraestrutura urbana, renda, desigualdades sociais, saneamento básico.
DADOS 
QUANTITATIVOS4
TÓPICO
LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
58LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
FIGURA 2: PROCESSOS DAS POLÍTICAS PÚBLICAS
Fonte: a autora.
Desse modo, podemos verificar que o método estatístico, com a descrição quantitativa 
e qualitativas, define e delimita as classes sociais e quantifica para o melhor entendimento, 
proporcionando a viabilidade do aumento e monitoramento das políticas sociais, mas cabe 
ressaltar que a apresentação dos resultados deverá ser analisada de forma minuciosa com 
a clareza nas informações, especialmente, quando forem apresentadas por meio de gráficos, 
tabelas e porcentagem, pois o leitor da pesquisa pode ser leigo aos conceitos básicos, portanto 
a escrita deve ser redigida de forma que leitor entenda a pesquisa bem como o resultado. 
Através da pesquisa quantitativa busca-se entender os elementos básicos da 
análise por meio de números, sendo que o pesquisador mantém distanciamento 
do procedimento, ou seja, dos sujeitos, independente do contexto, teste de 
hipóteses, no qual o raciocínio deverá ser lógico e dedutivo, estabelecendo 
relações, causas, buscando generalizações e preocupando-se com as 
quantidades, utilizando instrumentos específicos (Vieira e Geber, 2016, p. 138).
Dessa forma, a estatística fornece informações, definições por meio de parâmetros de 
uma realidade social pesquisada, portanto, o profissional pesquisador deverá ter a percepção 
para colher os dados objetivos e desenvolver o diagnóstico social nas atividades diárias da 
profissão através de dados e taxas numéricas que mostram o foco da realidade social estudado.
Caro(a) acadêmico(a), como já vimos, não é necessário ser um estatístico, porém devem estar 
preparados para realização deste trabalho, visto que, o método estatístico já faz parte do instrumental dos 
assistentes sociais. E, o autor Augusto Comte contribui com esse contexto histórico: Como já sinalizado, não 
existe ciência sem a utilização de um método.
Auguste Comte, o pai do positivismo, acreditava que era possível planejar o desenvolvimento da 
sociedade e do indivíduo com os critérios e métodos das ciências exatas e biológicas. Para esse autor, não 
só os fenômenos naturais poderiam ser reduzidos a leis, mas também os fenômenos sociais, os fenômenos 
humanos, poderiam ser analisados como fenômenos naturais e, assim, tanto o pesquisador das ciências 
naturais quanto o das ciências humanas deveria se afastar de qualquer preconceito ou pressuposto ideológico 
para realizar seus estudos. Como já evidenciado, a ciência não é neutra e a sociedade é multifacetada, não 
podendo ser analisada e controlada em laboratório como os fenômenos naturais; assim, para as Ciências 
Sociais o método utilizado nas Ciências Naturais não pode ter a mesma lógica de investigação 
Fonte: Vieira e Geber, 2016, p. 48-49.
REFLITA
59
Abaixo segue tabela com indicações de sites para pesquisas. 
TABELA 1: SITES DE BUSCA DE INDICADORES SOCIAIS 
Fonte: a autora.
FONTE SITE TEMÁTICA
IBGE https://www.ibge.gov.br/
• Síntese de Indicadores 
Sociais.
• Síntese de Desenvolvimento 
Sustentável.
• Indicadores Sociais: Países/ 
Estados/ Cidades
PNUD https://www.br.undp.org/
• Aplicativo de Atlas do 
Desenvolvimento Humano e 
relatório com o mesmo índice
IPEA https://www.ipea.gov.br/portal/
• Relatório do IPEADATA.
• Radar Social.
• Relatório de 
Acompanhamento dos
• Objetivos de 
Desenvolvimento do Milênio
Ministério da 
Saúde
https://www.gov.br/saude/pt-br
• Indicadores e Dados 
Básicos.
• Cadernos de Informações 
Municipais.
Portal ODM http://www.odmbrasil.gov.br/
• Sistemas de Indicadores 
Municipais.
SAIBA
MAIS
LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
https://www.ibge.gov.br/
https://www.br.undp.org/
https://www.ipea.gov.br/portal/
https://www.gov.br/saude/pt-br
http://www.odmbrasil.gov.br/
60
Concluímos essa unidade enaltecendo a importância da pesquisa social e das 
estatísticas, por meio da mensuração dos resultados, entendendo e diferenciando as 
abordagens quantitativa e qualitativa na análise de uma determinada realidade social a 
ser estudada. A relação entre os dados quantitativo e qualitativo é vista como dicotômica, 
ou seja, cada um com sua especificidade, atuando de forma interdependente, em que são 
complementares entre si e contribuem para o conhecimento da realidade. No entanto, a 
pesquisa qualitativa está relacionada aos aspectos da realidade que não podem e não 
devem ser quantificados.
Desse modo, a estatística social tem o papel de apresentar os dados coletados em 
uma pesquisa bruta, ou seja, por meio de números, através das pesquisas nos sites, como 
CENSO, IBGE, IPARDES e entre outros, utilizando as amostras e por dados que estão 
organizados em registros e arquivos públicos. 
Acadêmico(a), os indicadores sociais, possibilitam perceber que eles são instrumentos 
que explanam as diferenças de uma região, de um espaço geográfico, município, local, 
onde norteiam o mapeamento das regiões consideradas mais desenvolvidas que as outras, 
evidenciando fatores determinantes para essa diferenciação, como, por exemplo, fatores 
econômicos, geográficos, sociais, culturais, políticos, entre outros.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
61
MATERIAL COMPLEMENTAR
FILME/VÍDEO
• Título: Indicadores sociais: como elaborar e como usar
• Ano: 2021.
• Sinopse: O uso de indicadores é essencial na gestão pública, 
e eles devem estar presentes em todas as etapas do ciclo de 
políticas públicas. Sua elaboração e utilização requerem conhecer 
seus limites e possibilidades, o que pode ser aprendido. O vídeo é 
conduzido por Paula Montagner (Fundação Seade), e mediado por 
Ricardo Kadouaki, onde abordaram a temática sobre o processo 
de elaboração de indicadores como ponto de partida para o avanço 
de novas formas de uso das informações e registros públicos.
• Link de Acesso: https://www.youtube.com/watch?v=xSavVXB8C3U
LIVRO
• Título: Indicadores Sociais no Brasil. Conceitos, Fontes de Dados 
e Aplicações
• Autor: Paulo de Martino Jannuzzi.
• Editora: Alínea; 6ª edição (1 janeiro 2017).
• Sinopse: Desde a primeira edição deste livro, em 2001, o Brasil e o 
mundo passaram por intensas mudanças. Novas agendas de políticas 
e programas sociais foram propostas, expandiram-se, consolidaram-
se. Novos indicadores têm sido engendradose demandados pelas 
políticas públicas. Surgiram os compromissos dos Objetivos de 
Desenvolvimento do Milênio (ODM), agora ampliados com a agenda 
dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que vêm 
mobilizando países, instituições estatísticas e centros de pesquisa a 
produzirem novos indicadores, em bases mais regulares.
LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3
https://www.youtube.com/watch?v=xSavVXB8C3U
Professor(a) Esp. Ana Cristina da Silva Gomes
O DESENVOLVIMENTO 
DA DIMENSÃO 
INVESTIGATIVA
NO SERVIÇO SOCIAL4UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
63
Plano de Estudos
• A Produção de pesquisas com as experiências do cotidiano profissional;
• A mediação das demandas apresentadas no cotidiano;
• A prática da pesquisa em diferentes espaços sócio-ocupacionais;
• Indissociabilidade entre Intervenção e Investigação.
Objetivos da Aprendizagem
• Demonstrar a importância da pesquisa pautada nas experiências do Assistente 
Social;
• Identificar a mediação como um instrumento de atuação profissional; 
• Contextualizar a prática em seus diferentes espaços sócio-ocupacionais;
• Evidenciar a importância de entender a diferença da intervenção e a investigação 
na prática profissional. 
O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
64
Segundo Ferrari (1974), ciência se refere ao conjunto de atividades e atitudes, 
este tópico nos remete a produção de pesquisas pautadas no cotidiano profissional, em 
que perpassam pelo Projeto Ético Político do Serviço Social, sendo a referência para o 
agir profissional rotineiro, como também a Lei que Regulamenta a Profissão e Código 
de Ética Profissional. Em um segundo momento, a abordagem por meio das mediações 
das demandas apresentadas dentro do Serviço Social, como questões sindicais quanto 
às relacionadas à discriminação sexual, racial, violência contra mulheres, crianças, 
adolescentes, jovens e idosos entre outros. No tópico três a pesquisa em diferentes espaços 
sócio-ocupacionais, como setor da habitação, educação, assistência social, saúde e entre 
outros, onde cada espaço possui sua particularidade e subjetividade, no entanto o agir 
profissional, é indissociável com as práticas de pesquisas investigativas como mediação 
profissional. Pois bem conhecer a realidade, interpretar demanda de uma formação 
intelectual que deve ser explorada dentro dos espaços educacionais, em que haja um 
aumento de pesquisadores para se dar respostas para as questões sociais, de acordo com 
suas habilidade e competências.
INTRODUÇÃO
O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
65
Caro(a) acadêmico(a), imaginemos, agora, um profissional que tomasse uma decisão 
profissional de acordo com sua subjetividade, moral, crenças, sentimentos pessoais e começasse 
a fazer perguntas inesperadas, sem planejamento e sem uma programação. Alguém que 
tomasse uma decisão profissional, dessa forma, estaria indo ao contrário de sua profissão, seja 
ela, na área de humanas, exatas e entre outras. Dessa forma, este tópico nos indaga a refletir 
sobre o cotidiano profissional do Assistente Social. Ao tomar como referência a pesquisa como 
uma produção dos conhecimentos, enaltecemos a importância do conhecimento metodológico, 
teórico da profissão, em que esse profissional estaria começando a adotar o que chamamos de 
Projeto Ético Político do Serviço Social, que tem por finalidade orientar o exercício profissional 
com objetivo de não naturalizar as questões rotineiras, para além das entrelinhas, evitando 
a prática paliativa e centralizadora, proporcionando a autonomia do profissional que atua em 
espaços que carregam implicações à sua prática cotidiana. 
Na Assistência Social, destacamos a criação do Sistema Único de Assistência 
Social – SUAS, o qual fez crescer a oferta de serviços e modificou os parâmetros de atuação 
e gerenciamento do Assistente Social. Segundo Faleiros (2014, p. 717): 
A prática profissional é um enfrentamento enquanto relação complexa e 
contraditória de poder, recursos, valores, linguagem, dispositivos, estratégias, 
operações, visões de mundo, situações sociais de desigualdade, sofrimento, 
exclusão. Enfrentamento relacional de determinações econômicas, políticas, 
sociais, culturais, entre outras, com dinâmica histórica e política da contestação 
e da expressão de si e da própria sociedade.
Desse modo, podemos afirmar que os assistentes sociais na sua prática profissional, 
possuem autonomia relativa para determinar a melhor forma de conduzir sua prática de 
A PRODUÇÃO DE PESQUISAS 
COM AS EXPERIÊNCIAS DO 
COTIDIANO PROFISSIONAL1
TÓPICO
O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
66O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
trabalho junto aos usuários da política de assistência social, com foco na defesa de seus 
direitos. Assim sendo, não devemos esquecer que o Serviço Social, trabalha para o capital, 
e que o Estado é o mediador. Essa compreensão deve ser entendida para que a prática 
profissional seja realizada de forma ética e com êxito e que entendemos que o Serviço 
Social se submete às exigências do capitalismo, sendo esse o maior desafio da prática 
profissional, em que ele está inserido para ser o mediador das políticas sociais. Tecer 
essas considerações sobre o cotidiano do trabalho nos mostra a importância da pesquisa 
científica para responder às demandas sociais. Desse modo, caro(a) acadêmico(a) nos 
próximos tópicos, os campos de trabalho estarão em evidências no seu material de estudo. 
67
A MEDIAÇÃO DAS DEMANDAS 
APRESENTADAS NO COTIDIANO2
TÓPICO
O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
As mediações aqui apresentadas, referenciadas por Mota (2011), apresenta os 
“movimentos sociais”, como demandas do Serviço Social, tanto as tradicionais, relacionadas 
às questões sindicais quanto às relacionadas à discriminação sexual, racial, violência contra 
mulheres, crianças, adolescentes, jovens e idosos, demandas essas, rotuladas no período 
contemporâneo, que foram bandeiras no período dos Movimentos Sociais. Destacamos que 
a atuação do Assistente Social depende da organização contratante da classe, mas que 
os Assistentes Sociais são conhecedores das legislações, da política pública e dos direitos 
sociais, como também historicamente, o profissional não pode ser enxergado como um mero 
mediador das políticas públicas, mas que eles possam participar do processo de formulação e 
fiscalização das política sociais, por meio dos espaços de debates, como conferências anuais, 
debates, congresso e reunião com a rede de proteção. De acordo com Antunes (2000), fica em 
evidência que decorrente da sobrecarga de trabalho do assistente social, ele tem sido impedido 
da participação efetiva do espaço de articulação e debate, decorrente do acúmulo de funções e 
número reduzido de profissionais dentro da política pública como também diante dos problemas 
sociais emergências da população demandante. 
Dessa forma, a instrumentalidade como mediação, refere-se aos instrumentos 
e técnicas para o agir profissional, de acordo com Guerra (2009, p. 30), [...] “refere-se 
à dimensão que o componente instrumental ocupa na constituição da profissão”. Ainda, 
segundo o autor: 
68O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
[...] a complexidade e diversidade alcançadas pela intervenção profissional, 
no sentido de atender às demandas e requisitos originais das classes sociais, 
colocam-na como dimensão mais desenvolvida da profissão e, portanto, 
capaz de indicar as condições e possibilidades da mesma. Tais demandas e 
requisições exigem do profissional a criação e recriação, tanto de categorias 
intelectuais que possam tornar compreensíveis as problemáticas que lhe são 
postas, como de novos sistemas de mediação que possibilitem a passagem 
das teorias às práticas (Guerra, 2009, p. 34).
Cabe aqui explicar sobre as limitações, dificuldades,constrangimentos, que são 
parte das situações que o Assistente Social enfrenta no momento de coletar as informações 
e chegar próximo da intervenção profissional, como apresenta Guerra, no que se refere 
à sua peculiaridade, de mediação, no cotidiano das classes vulneráveis, em termos de 
intervir nas condições objetivas e subjetivas de vida dos usuários, no qual o assistente 
social exerce sua instrumentalidade, pois é no cotidiano que a reprodução social se realiza 
através da reprodução dos indivíduos (Netto, 1996). 
De acordo com (Guerra, 1997), reconhecer as instrumentalidades como mediação, 
nos remete a pensar o Serviço Social em sua totalidade e múltiplas dimensões, como: 
técnico instrumental, teórico-intelectual, ético-política e formativa, segundo as autoras 
Guerra (1997, p. 28): 
(...) a instrumentalidade como uma particularidade e, como tal, campo de 
mediações que porta a capacidade tanto de articular estas dimensões quanto 
de ser o conduto pelo qual as mesmas traduzem-se em respostas profissionais. 
No primeiro caso a instrumentalidade articula as dimensões da profissão e é a 
síntese das mesmas. No segundo, ela possibilita a passagem dos referenciais 
técnicos, teóricos, valorativos e políticos e sua concretização, de modo que estes 
se traduzam em ações profissionais, em estratégias políticas, em instrumentos 
técnico-operativos. Em outros termos, ela permite que os sujeitos, face à sua 
intencionalidade, invistam na criação e articulação dos meios e instrumentos 
necessários à consecução das suas finalidades profissionais.
As percepções diárias implicam na mediação, mas só podem ser resolvidas por 
meio das políticas públicas voltadas para sociedade.
69
A PRÁTICA DA PESQUISA 
EM DIFERENTES ESPAÇOS 
SÓCIO-OCUPACIONAIS3
TÓPICO
O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
O Serviço Social, perpassa por diversos espaços sócio-ocupacionais, dessa forma, 
o trabalho do assistente social, tem sido discutido e incluso no processo de pesquisas, 
como busca de resposta para questão social, tomada como prioridade, como proposta dos 
três poderes, cabe ressaltar que de acordo com os autores, Urbaneski (2008), destacam 
que a busca do conhecimento está relacionada com o início do estudo da Sociologia, que 
surge como consequências da necessidade de compreender os problemas sociais, dessa 
forma, a Sociologia está relacionada com as questões sociais, com intuito de compreender 
e entender o funcionamento da sociedade. De acordo com (Schaefer, 2006, p. 3):
A sociologia, de modo bem simples, é o estudo sistemático do comportamento 
social e dos grupos humanos. Ela focaliza as relações sociais e como essas 
relações influenciam o comportamento das pessoas e como as sociedades, a 
soma de tais relações se desenvolve e muda.
Neste sentido, temos autoras referenciadas no corpo de pesquisa dentro do 
Serviço Social, como Marilda Iamamoto, Raichelis e Yazbek. Essas autoras escrevem 
sobre a atuação profissional e quais as condições técnicas, estruturais e institucionais do 
mercado de trabalho, como também a precarização da profissão em seus espaços sócio-
ocupacionais, pautados no projeto ético-político do Serviço Social. 
70O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
A autora Yazbek (2014), enaltece e sinaliza como a sociedade atual, influencia no 
fazer profissional, não somente na área do Serviço Social, mas com o em outras profissões, 
a referência sobre a precarização do trabalho, nos remete aos espaços públicos, com falta 
de investimento em políticas sociais, o trabalho intenso, sobre uma perspectiva multifuncional, 
exigência da polivalência, atuando com metas, pressão e resultados, uso excessivo e obrigatório 
das tecnologias de informação e comunicação, para a mensuração das prestações de contas 
mensais e ou bimestrais, acúmulo de tarefas, deixando de lado o cunho intelectual, teórico, 
metodológicos, por científico e crítico social, como também a qualidade dos serviços. 
Alguns autores escrevem sobre a atuação paliativa, imediata, sem planejamento, 
intensificando a degradação e a exploração do trabalho. Destacamos ainda os novos 
espaços tanto na rede privada como também pública, na qual ultrapassa as competências 
e atribuições privativas. 
Desse modo, conforme mencionado acima, a Sociologia é o estudo da sociedade, 
sociedade está com os problemas sociais expostos e muitos sem resposta, cabe aqui, 
mencionar a importância da crítica ao sistema capitalista, que nos remete às questões 
sociais atuais, no entanto o profissional trabalha para o sistema capitalista, sendo também 
um trabalhador assalariado dentro dos espaços ocupacionais dos assistentes sociais. A 
autora Raichelis (2013), esclarece sobre a dinâmica da sociedade:
A dinâmica societária desencadeada pela crise contemporânea [...], atinge 
a totalidade dos processos produtivos e também dos serviços, alterando 
perfis profissionais e espaços de trabalho das diferentes profissões, que, 
como o Serviço Social, têm na prestação de serviços sociais seu campo de 
intervenção privilegiado, e nas instituições sociais públicas e privadas seu 
espaço ocupacional por excelência (Raichelis, 2013, p.619 - 620).
Nesse sentido, as políticas públicas são os resultados dos Movimentos Sociais, 
da luta, da militância da classe trabalhadora, em que um grupo de pessoas se reúne para 
reivindicar interesses da coletividade, dar respostas para as expressões da questão social, 
Caro(a) acadêmico(a), reflita sobre essa leitura complementar, pois a Sociologia é uma área do 
conhecimento que estuda a sociedade em geral, ou seja, as mazelas sociais existentes no mundo, já o 
Serviço Social, atuará com as mazelas, executando sua intervenção por meio das políticas públicas. 
Fonte: a autora. 
REFLITA
71O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
os movimentos são práticas diferenciadas, pois não existe um objetivo individual e sim 
coletivo, ou seja, são diferentes classes sociais em busca de melhores condições de vida 
perante o modelo do sistema capitalista. 
O Brasil vive situações em que aqueles que comandam e possuem mais 
posses regem e controlam o país. São deixados totalmente de lado aqueles 
que precisam, esquecendo-se da necessidade da população em geral, sejam 
eles ricos ou pobres. A única forma de demonstrar que há insatisfação é 
através da união das pessoas, para lutar pela mudança da situação política, 
econômica e social. Esta união é mais conhecida como movimentos sociais 
(Schreiner, 2017, p. 03)
A autora Raichelis (2010), menciona que as políticas sociais, são mediadoras do 
Estado para viabilizar o trabalho do Assistente Social, atendendo às sequelas deixadas pela 
questão social e sistema capitalista, em seu contexto econômico, cultural, social e político 
vigente, em que é notório que as políticas sociais, oferecidas pelo Estado, por sua vez, 
são ineficazes para o combate da questão social, considerando a conjuntura global, em 
que interferem na vida social dos usuários como também no trabalho do assistente social, 
dificultando o exercício da cidadania e direitos sociais, como também a implementação das 
políticas e programas sociais oferecidos para os usuários. 
Destacamos que, embora o Serviço Social seja uma profissão regulamentada como 
liberal, ou seja, o profissional é assalariado, atuando nas contradições do sistema capitalista 
que perpassam as classes sociais, são possuidores de autonomia técnica decorrente de 
seu conhecimento, teórico-metodológico, ético-político e técnico-operativo; por outro lado, 
estão vinculados aos ditames do sistema capitalista, dessa forma, o assistente social, atua 
nos seus espaços de trabalho, ditados pelo capitalista. Raichelis, destaca que:
A condição de trabalhador assalariado — seja nas instituições públicas ou nos 
espaços empresariais ou “sem fins lucrativos”, faz com que os profissionais 
não disponham totalmente, nemtenham controle sobre as condições e os 
meios de trabalho postos à sua disposição no espaço institucional (Raichelis, 
2013, p. 620).
Neste sentido, o campo das políticas sociais estão dentro dos campos sócio ocupacionais 
como: prefeituras, empresas, penitenciárias, saúde, rede de assistência social (CRAS, CREAS, 
CAPS, CRAM), judiciário, habitação, escolas, Apae e entre outros. Cada campo possui o seu 
serviço, sua estrutura e seu método, em outras palavras os espaços ocupacionais podem ser 
divididos em: primeiro setor, que é formado pelo governo, segundo setor sãos as empresas 
privadas e, terceiro setor, são associações sem fins lucrativos, desse modo, o maior empregador 
é o primeiro setor, ou seja, em esfera estatal, com ênfase no municipal. 
72O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
Nesse contexto, destacamos a importância do Serviço Social na produção de 
conhecimento, em que sua primeira experiência acontece no último ano de graduação, 
em que será estudado as disciplinas de Pesquisa em Serviço Social, como também a 
Metodologia Científica. Os programas de graduação e pós-graduação são relevantes, no 
desenvolvimento da pesquisa, mas que no Brasil, a pesquisa científica iniciou antes dos 
cursos de graduação e pós-graduação, sendo desenvolvidos em institutos de pesquisa 
vinculados à administração pública, como exemplo, Instituto Butantan e o Instituto Oswaldo 
Cruz, entre outros. Setubal (2013, p. 77) esclarece sobre a profissão do assistente social 
que, “a origem dos documentos de Araxá (1967) e Teresópolis (1970), como também a 
partir da criação dos cursos de pós-graduação”.
O primeiro Programa de pós-graduação em Serviço Social foi criado em 1971 
na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), logo em seguida 
(1972) veio o da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-
RJ); o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1976; o da 
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) em 1977; o 
da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em 1978; e o da Universidade 
Federal de Pernambuco (UFPE) em 1979 (Rosa, 2008, p. 44).
Desse modo, com a pós-graduação em Serviço Social, a um crescimento da 
produção de conhecimento, como destaque da Editora Cortez que enalteceu a literatura 
dos Assistente Sociais da época, como também por meio de um grupo de assistentes 
sociais de São Paulo, que criaram a revista Serviço Social & Sociedade, para a divulgação 
do pensamento crítico do Serviço Social, como debates intelectuais e sistematizados 
(Brandão, 2007). Ao falar da criação da pós-graduação, os autores Yazbek e Silva (2005, p. 
42) relatam que tal incentivo iniciou impulsionada por professores e profissionais motivados 
a desenvolver a vida acadêmica, “a produção científica e também a prática profissional 
com fundamentos teórico-metodológicos”. Dessa forma, veja, abaixo, os elementos de um 
projeto de pesquisa em Serviço Social, como a estrutura de um trabalho acadêmico.
TABELA 1: ELEMENTOS DO PROJETO DE PESQUISA
TEMA
PROBLEMA O QUÊ?
HIPÓTESES RESPOSTA PROMISSÓRIA
OBJETIVOS PARA QUÊ?
JUSTIFICATIVA POR QUÊ?
REFERENCIAL TEÓRICO REVISÃO DA LITERATURA
METODOLOGIA COMO?
CRONOGRAMA QUANDO?
BIBLIOGRÁFICA COMO QUÊ?
Fonte: a autora.
73O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
A tabela acima nos remete a entender detalhadamente como deve ocorrer um 
roteiro para o projeto de pesquisa, como: quais perguntas são necessárias para identificar 
um problema, mas acadêmico(a), você deve estar pensando nesse momento, como esta 
tabela vai contribuir para o Serviço Social? 
Primeiramente, precisamos esclarecer que todo o profissional precisa ser investigativo, 
indagador, mas, propriamente dito, curioso, mas essa curiosidade deve partir de um cunho 
voltado a políticas públicas, ou seja, quais os problemas sociais emergentes que precisam ser 
solucionados? Quando citamos acima do tópico a importância da Sociologia, esclarecemos 
que a sociedade precisa ser estudada, para que se tenha resposta para o homem em seu 
habitat, dessa forma acadêmica, em um processo de pesquisa, a primeira indagação é: o que? 
o que vamos estudar? Quais os problemas que ainda não foram respondidos para sociedade 
que precisam ser resolvidos? E essa pergunta está relacionada ao tema que está sendo 
discutido pelo pesquisador, como também a importância científica; as hipóteses, nos remete 
ao problema, com uma posição que pode ser a solução da problemática, ou seja, a solução; 
os objetivos não indagam para quê da pesquisa? O que queremos descobrir? Ele também 
delimita o objeto da pesquisa; a justificativa, como e porquê? Onde o pesquisador demonstra 
a relevância e motivo pessoal, ou profissional para tal estudo da temática; referencial teórico 
é um dos tópicos mais importantes da pesquisa, pois implica no desenvolvimento das etapas 
de elaboração da revisão literária é ele quem vai validar a veracidade da pesquisa, por meio 
de autores renomados frente à temática, considerando o que foi pesquisado e publicado 
anteriormente e, partir desse referencial, ele constrói teorias que vão resultar no final da 
pesquisa; a metodologia, diz respeito sobre como vai ser desenvolvida a pesquisa científica, 
ou seja, quais os instrumentais de apoio serão utilizados, aplicados para se fazer ciência; o 
cronograma é uma definição de quando a metodologia será aplicada, ou seja, divididas em 
meses, semanas, de acordo com o que o pesquisador definir, ela detalha as atividades de 
execução da pesquisa; e, por fim, a bibliografia, quem deve ser referenciada em todos os 
trabalhos e pesquisas científicas, em que no final da pesquisa, consta a fonte utilizada no 
decorrer do trabalho científico ou pesquisa. 
Nesse sentido, é correto afirmar que as referências são reconstruídas em cada 
trabalho novo apresentado, dessa forma, produzir ciência tem sido um desafio para os 
acadêmicos, pois busca pesquisadores com seu conhecimento, como também leitura, 
pesquisa e dedicação. Desse modo, segue abaixo a estrutura de um Trabalho de Conclusão 
de Curso (TCC), onde você terá que desenvolver para conclusão de uma graduação, pós-
graduação, mestrado, doutorado e entre outros trabalhos, mas, antes do TCC você terá 
que desenvolver o pré-projeto do TCC, fundamentado de acordo com as legislações e 
regulamentação do Ensino Superior Brasileiro e as Regras e Procedimentos da Associação 
Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, divididos em três momentos, o primeiro momento 
é o Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso, o segundo momento é o Trabalho de 
Conclusão de Curso e o terceiro momento é a Defesa Pública do TCC.
74
Prezados acadêmicos, saiba mais sobre as Mediações, pesquisando o referencial teórico da 
autora Vanessa Vasconcelos Pereira, “MEDIAÇÕES... PARA QUÊ?”. 
Fonte: PEREIRA, Vanessa Vasconcelos. Mediações... para quê? Disponível em: http://
repensandooservicosocial.blogspot.com/ . Acesso em: 20 ago. 2021.
SAIBA
MAIS
Destacamos que o curso de Bacharelado em Serviço Social, por meio da Resolução 
CNE/CP nº 15, de 13 de março de 2002, que institui as Diretrizes Curriculares para o 
Curso de Serviço Social, faculta à Instituição de Ensino Superior a inclusão do Trabalho de 
Conclusão de Curso (TCC) como componente curricular.
FIGURA 2: TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
Fonte: Shutterstock
As áreas de realização do TCC, podem estar vinculadas ao campo de Estágio como 
também, nas áreas de pesquisa, de: Políticas Sociais, Assistência Social, Saúde, Educação, 
Habitação, Terceiro Setor, Setor Privado ou Setor Jurídico, temáticas intrínsecas do Curso de 
O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
http://repensandooservicosocial.blogspot.com/
http://repensandooservicosocial.blogspot.com/
75
Bacharelado em Serviço Social, como: Políticas Sociais e Cidadania; Processo de Trabalho 
e Classes Sociais; Cultura e Movimentos Sociais; Terceiro Setor, Responsabilidade Social 
e DesenvolvimentoSustentável; O Serviço Social nas Organizações e Instituições. Um 
dos pontos importantíssimos a ser destacado é a Lei nº 9.610/98 – Direitos Autorais, que 
relatam sobre o plágio em trabalhos científicos. 
De acordo com Kowarick: 
a produção de conhecimentos em Serviço Social engloba uma vasta e variada 
gama de temáticas, na medida em que, cada vez mais, ocorre uma ampla 
interseção com a dinâmica da sociedade, como por exemplo, a consolidação 
democrática, a extensão da cidadania, a mundialização e a crise econômica, 
a redefinição do Estado e da Sociedade Civil, a flexibilização das relações 
de trabalho, a ampliação do desemprego, o acirramento da pobreza, o 
processo de urbanização e produção do espaço construído, a violência de 
jovens e adultos, o planejamento, as políticas públicas, etc. Dentro deste 
contexto, as temáticas do Serviço Social estão intimamente imbricadas com 
os acontecimentos que ocorrem na sociedade e que rebatem na profissão 
em termos de demandas ou requisições. “A escolha de um tema de pesquisa 
implica na seleção de objetos empíricos e sua transformação em objetos 
de estudo que supõem a existência de um discurso científico construído, 
adaptado ou mesmo importado de outros campos temáticos, de modo que a 
investigação tenha credibilidade. (Kowarick, 1995, p. 46).
A tabela acima expõe a etapa do projeto para o seu desenvolvimento e elaboração 
do Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso, em que você acadêmico(a) irá investigar, 
pesquisar e analisar uma determinada realidade social, considerando os aspectos políticos, 
culturais e econômicos, dentro da atuação profissional do Assistente Social.
O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
76
INDISSOCIABILIDADE ENTRE 
INTERVENÇÃO E INVESTIGAÇÃO4
TÓPICO
O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
É a partir da intervenção do assistente social, que ele deve efetivar sua prática 
profissional, a necessidade de atuarmos sobre a realidade é que guiará ao conhecimento, 
no entanto o que norteará a sua execução será por meio da leitura da realidade vigente, não 
é somente intervir, é preciso conhecer, para identificar o melhor procedimento adequado, 
tal reflexão está presente nos debates profissionais, segundo (Guerra, 2007, p. 28), “é 
necessário que haja uma intervenção reflexiva e eficaz, no sentido de articular, realizar troca 
de saberes de conhecimentos, habilidades, valores e posturas, estando determinadamente 
social e historicamente”. Nesse mesmo contexto, referente a aproximação do saber, a 
autora Myriam Veras Baptista, menciona que: 
A especificidade que particulariza o conhecimento produzido pelo serviço 
social é a inserção de seus profissionais em práticas concretas. O assistente 
social se detém frente às mesmas questões que os outros cientistas sociais, 
porém o que o diferencia é o fato de ter em seu horizonte um certo tipo de 
intervenção: a intervenção profissional. Sua preocupação é com a incidência 
do saber produzido sobre a sua prática: em serviço social, o saber crítico 
aponta para o saber fazer crítico (Baptista, 1992, p. 89). 
Dessa forma, é de suma importância, entender que o saber deriva de um conhecimento 
que se constrói diariamente a partir da intervenção profissional, que tem a revelar um processo 
de desvelamento que oculta nas práticas cotidianas, fazendo se necessária a incorporação da 
ação investigativa como um instrumento para o exercício profissional. 
Contudo é necessário pensar na intervenção, na investigação, na teoria e na prática 
profissional de forma indissociável, sendo um desafio entre os profissionais, estudantes 
77O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
e pesquisadores, pois as articulações entre esses conceitos, se faz necessária, pois a 
não articulação pode gerar uma desqualificação do trabalho do Assistente Social, bem 
como ferir os princípios éticos fundamentais que regulamentam a profissão. Entende-se 
por conhecimento, concebendo o processo de elucidação da realidade. Diz Luckesi “o 
conhecimento é a compreensão inteligível da realidade, que o sujeito humano adquire 
através de sua confrontação com essa mesma realidade” (1994, p. 122). 
Os autores Mioto e Lima (2009, p. 38), expõem que: 
O movimento que se tem em mente consiste na articulação dialética entre 
as três dimensões referentes ao serviço social: teórica, ética e técnica. São 
considerados: o conhecimento/investigação da realidade na qual se intervém; 
o planejamento e a documentação do processo de trabalho; os objetivos, as 
formas de abordagens dos sujeitos a quem se destina a ação; os instrumentos 
técnico-operativos e outros recursos implicados na ação. 
Desse modo, um ponto a ser ressaltado é a questão da produção de conhecimento 
que historicamente parece estar distante da prática profissional rotineira, com a baixa 
produção de pesquisa entre os assistentes sociais. Isso decorre da escassa presença de 
investigação no cotidiano da intervenção profissional. O que não deve ser esquecido é o 
cumprimento da Lei n. 8662/1993, que regulamenta a profissão, que exige que o assistente 
social, torne a pesquisa um elemento constitutivo do seu trabalho profissional, como pré-
condição do exercício profissional competente e qualificado (Guerra, 1997). A autora ainda 
enaltece que as atribuições e competências socioprofissionais estão condicionadas ao 
exercício profissional, ou seja, não é somente coordenar e executar as políticas sociais, 
mas cabe também realizar vistorias e fiscalização da Política Pública.
Afinal o assistente social é um investigador? Ele é um detetive? Cabe enaltecer 
que essa dúvida está presente na maioria dos profissionais do Serviço Social, uma vez que 
intervir na realidade de forma crítica e criativa, associada à produção de conhecimento, é 
o que garante ao profissional a capacidade da unidade entre pensamento e ação, ou seja, 
intervir de forma investigativa, nesse sentido, é necessário que o conhecimento teórico 
seja prioritariamente utilizado sobre as relações sociais fundamentais de uma determinada 
sociedade, o que deve ser evitado, é o uso rotineiro do senso comum. “É na relação entre 
a universalidade e a singularidade que se torna possível apreender as particularidades de 
uma determinada situação” (Souza, 2008, p. 122). 
Desse modo, a natureza investigativa não está atrelada ao detetive e sim, a uma 
postura investigativa relacionada com as competências/atribuições profissionais, neste 
sentido, a autora Yolanda Guerra menciona: 
78O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
(...) no qual de um lado a apreensão das reais condições de trabalho dos 
assistentes sociais como elemento fundamental para o exercício profissional 
qualificado, visando alcançar os objetivos e metas pretendidos, e, de outro, 
a apropriação dos objetos de intervenção – as diversas sequelas que a 
exploração da força de trabalho no capitalismo causa na vida da classe 
trabalhadora –, suas condições de vida e formas de enfrentamento. Aqui, 
há que se considerar a profissão no contexto de reprodução da sociedade 
capitalista, seus fundamentos, modos de ser e de se reproduzir (Guerra, 
2007. p.3)
 
Nesse sentido, é necessário entender as relações de trabalho dos profissionais, 
entre a classe trabalhadora versus capitalista, pois são elas quem vão explicar as relações 
sociais, pois o sistema deixou sequelas em relação à exploração da classe dominante sobre 
o proletariado, sendo rotulado como questão social, decorrente da luta de classes, de acordo 
com José Paulo Netto (2001, p. 43), “foi a partir dos protestos, dos conflitos e da possibilidade 
de “eversão da ordem burguesa que o pauperismo designou-se como “questão Social”. 
Iamamoto (1998), complementa que “a pesquisa na realidade social é, portanto, um processo 
sistemático de ações, visando investigar/interpretar, desvelar um objeto que pode ser um 
processosocial, histórico, um acervo teórico ou documental” (Iamamoto, 1998, p. 55).
79
Acadêmico(a), finalizamos mais uma unidade, em que enaltecemos, os diversos 
espaços socioprofissionais e ocupacionais que influem no fazer profissional do assistente 
social, em que a lógica imposta pela precarização do trabalho profissional, dificulta o 
exercício profissional, enfraquecendo o projeto ético-político, sendo historicamente como 
uma ruptura com o conservadorismo do Serviço Social. 
Fica claro, ao longo dessa discussão que, mais do que nunca, são indissociáveis a 
teoria, a investigação, a mediação e os instrumentos técnicos metodológicos da profissão. 
Nesse sentido, a execução das políticas sociais, pelos profissionais do Serviço Social, 
podem atuar não só na viabilidade dos direitos, mas na manutenção do controle da classe 
trabalhadora, ou seja, na tentativa de transformação da ordem societária. Enaltecemos a 
importância de indagar acadêmicos ainda dentro das universidades, para transformarem-
se em pesquisadores dentro do processo acadêmico, como resposta para as demandas 
sociais, ou seja, as questões sociais. Dentro do processo de pesquisa, observamos que 
existem etapas para desenvolver os projetos e de trabalho de conclusão de curso. Portanto, 
superar o senso comum, as subjetividades requerem um trabalho constante na busca de 
conhecimento por parte do Assistente Social, o que tem como objetivo, perceber o sujeito 
como ser social, possuidor de direitos com suas demandas individuais, realizando uma 
prática que caminhe para uma ação política, ética.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
80
Caro(a) acadêmico (a), para aprimorar o seu conhecimento sobre a importância da 
Sociologia para o Serviço Social, destacamos o conceito em sua essência dentro da leitura 
complementar citada abaixo: 
Fonte: Charon (1999, p. 5 - 8).
LEITURA COMPLEMENTAR
A sociologia é uma tentativa de compreender o ser humano. Concentra-se em nossa vida social. 
Tipicamente não enfoca a personalidade do indivíduo como a causa do seu comportamento, 
mas examina a interação social, os padrões sociais (por exemplo: papéis, classes, cultura, poder 
conflito e a socialização em processo) [...]. A sociologia começa, portanto, com a ideia de que 
o homem deve ser entendido no contexto da sua vida social e de que somos seres sociais 
influenciados pela interação, pelos padrões sociais e pela socialização [...].
Os sociólogos diferem uns dos outros pelo tipo de questões sobre as quais se debruçam. Também 
diferem quanto à área temática ou ao enfoque de seu estudo. Há cinco áreas temáticas: as quais 
são: sociedade, organização social, instituições ou sistemas institucionais, interação face a face 
e problemas sociais.
A sociologia poderia ser definida como uma disciplina acadêmica que examina o ser humano 
como um ser social, resultado de interação, socialização e padrões sociais. É uma perspectiva 
que se preocupa com a natureza do ser humano, o significado e a base da ordem social e 
as causas e consequências da desigualdade social. Concentra-se na sociedade: organização 
social, instituições sociais, interação social e problemas sociais.
O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
81
MATERIAL COMPLEMENTAR
FILME/VÍDEO
• Título: Central do Brasil
• Ano: 1998.
• Sinopse: Dora trabalha escrevendo cartas para analfabetos na 
estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. A escrivã ajuda um 
menino, após sua mãe ser atropelada, a tentar encontrar o pai que 
nunca conheceu, no interior do Nordeste.
LIVRO
• Título: A instrumentalidade do serviço social
• Autora: Yolanda Guerra. 
• Editora: ‎ Cortez; 10ª edição (19 fevereiro 2018).
• Sinopse: O livro, hoje na sua 10ª edição e completando 18 anos 
do seu lançamento, tem se consolidado como um clássico no 
debate da profissão, mas mantém sua extrema atualidade. Nele, a 
autora questiona a visão hegemônica da instrumentalidade como 
referida aos instrumentos operativos, compreensão atrelada aos 
limites de uma razão formal abstrata.
O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4
82
CONCLUSÃO GERAL
Prezado(a) aluno(a),
Concluímos essa unidade enaltecendo a importância da pesquisa social e das 
estatísticas, por meio da mensuração dos resultados, entendendo e diferenciando as 
abordagens quantitativa e qualitativa na análise de uma determinada realidade social a 
ser estudada. A relação entre os dados quantitativo e qualitativo é vista como dicotômica, 
ou seja, cada um com sua especificidade, atuando de forma interdependente, onde são 
complementares entre si e contribuem para o conhecimento da realidade. No entanto, a 
pesquisa qualitativa está relacionada aos aspectos da realidade que não podem e não 
devem ser quantificados. Desse modo, a estatística social tem o papel de apresentar 
os dados coletados em uma pesquisa bruta, ou seja, por meio de números, através das 
pesquisas nos sites, como CENSO, IBGE, IPARDES e entre outros, utilizando as amostras 
e por dados que estão organizados em registros e arquivos públicos. Acadêmico(a), os 
indicadores sociais, possibilita perceber que eles são instrumentos que explanam as 
diferenças de uma região, de um espaço geográfico, município, local, onde norteiam o 
mapeamento das regiões consideradas mais desenvolvidas que as outras, evidenciando 
fatores determinantes para essa diferenciação, como, por exemplo, fatores econômicos, 
geográficos, sociais, culturais, políticos, entre outros (Jannuzzi, 2012). Desta forma, os 
estudos da estatística vêm para desmistificar o conceito de que é um estudo específico 
do profissional da área e sim a sua importância em todas as profissões, mostrando que 
para se ter bons resultados é de extrema importância a melhoria no desenvolvimento das 
pesquisas, desta forma aprimorando cada vez mais as formas de aferir dados quantitativos 
e qualitativos de todo e qualquer trabalho. Ressaltamos ainda a importância da escolha dos 
indicadores sociais para uma pesquisa, bem como, o cuidado com a leitura dos dados, no 
intuito da interpretação correta dos resultados. 
Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigado!
83
REFERÊNCIAS
ABEPSS. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação dos Assistentes Sociais. 
In: Assistente Social: ética e direitos - coletânea de leis e resoluções. 4ª Ed. Rio de Janeiro: 
CRESS 7ª Região. 2002.
ABREU, M.M. Serviço Social e a organização da cultura: perfis pedagógicos da prática 
profissional. São Paulo: Cortez, 2002.
ANTUNES, R. Os sentidos do trabalho: ensaios sobre a afirmação e a negação do 
trabalho. São Paulo: Boitempo, 2000.
ASSISTENTES Sociais no Brasil – elementos para o estudo do perfil profissional. 
Brasília: CFESS, 2005 (edição virtual). Disponível em: http://www.cfess.org.br/pdf/perfilas_
edicaovirtual2006.pdf. Acesso em: 11 nov. 2021. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 15287: informação e 
documentação: projeto de pesquisa: apresentação. Rio de Janeiro, 2011.
BAPTISTA, Myrian Veras; RODRIGUES, Maria Lúcia. A formação pós-graduada –
strictu senso- em Serviço Social: papel da pós-graduação na formação profissional e 
desenvolvimento do Serviço Social. Caderno ABESS, São Paulo, n. 5. p.108-136. Maio. 
1992.
BARROCO, M. Lucia S. Considerações sobre a ética na pesquisa a partir do Código de 
Ética Profissional do Assistente Social. 2005.
BARROCO, M. Lucia S. Ética e Serviço Social: fundamentos ontológicos. São Paulo, 
Cortez, 2001.
http://www.cfess.org.br/pdf/perfilas_edicaovirtual2006.pdf
http://www.cfess.org.br/pdf/perfilas_edicaovirtual2006.pdf
84
BOURGUIGNON, J. A. A particularidade histórica da pesquisa no serviço social. Revista 
Katálysis, Florianópolis, v. 10, p. 46-54, 2007.
BOURGUIGNON, J. A. A particularidade histórica da pesquisa no Serviço Social. 
Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Revista Katál. Florianópolis v. 10 n. esp.intervenção profissional;
• A influência da produção de conhecimento no Projeto Ético-Político da profissão.
Objetivos da Aprendizagem
• Compreender o processo de reconceituação como marco para a produção 
científica do Serviço Social; 
• Conceituar a importância da pesquisa para atuação do Assistente Social;
• Entender teoria e prática após formação profissional;
• Estabelecer relações entre a produção de conhecimento com o Projeto Ético 
Político da profissão. 
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1
8
INTRODUÇÃO
Prezado(a) acadêmico(a) da graduação em Serviço Social, inicio parabenizando você 
por ter avançado em mais esta etapa de seus estudos, em parceria, vamos nos debruçar na 
temática que se refere ao ato de pesquisar, sendo de grande relevância para sua formação 
profissional. O intuito é compreender a importância da busca da Ciência, ou seja, buscar 
respostas para as novas mazelas sociais, como também a metodologia a ser aplicada em 
cada pesquisa social, e relevância dos dados coletados para os indicadores sociais a serem 
levados em conta no pensar do exercício profissional do Assistente Social, que também já foi 
acadêmico e construiu um referencial teórico por meio de uma pesquisa social, seja ela de 
campo, bibliográfica e entre outras, de quão é importante para o agir profissional. 
É com grande alegria que lhe digo que vamos entender conceitos estatísticos, 
estreitamente relacionados a outras áreas e que, mais do que nunca, precisam estar 
alinhados em seus pensamentos no intuito de lhe proporcionar reflexão, planejamento de 
ações, bem como práticas efetivas e que respeitem o espaço dos indivíduos que serão os 
futuros atendidos, como Políticas Públicas nos níveis Federal, Estadual e Municipal.
Nesse sentido, identificar a Pesquisa Social, como uma âncora da emancipação 
dos indivíduos, e fazer com que a categoria acadêmica busque desenvolver alunos 
interessados na pesquisa social, uma vez que ambos os conceitos envolvem a participação 
das Instituições de Ensino como também dos acadêmicos.
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1
9
A referência deste capítulo tem como ponto de partida o Movimento de 
Reconceituação, movimento este, no qual discute o Serviço Social em sua gênese, ou 
seja, teoria e prática profissional constituída a partir das décadas de 1960 a 1970. Período 
este marcado por um início do processo e reflexão da conjuntura do Serviço Social. O 
conceito composto, ou seja, “reconceituação1” é marcado como uma crítica ao Serviço 
Social clássico, tradicional e conservador executado pelos Assistentes Sociais na época. 
Refletir sobre o movimento de reconceituação, na época, requer uma atenção, uma 
reflexão do Serviço Social enquanto categoria profissional, o qual nos remetem a pensar na 
dialética2 aos significados no qual hoje é memorável para categoria que contribuiu para a 
metodologia teórica do Serviço Social, como também em uma nova reconceituação. 
Vale destacar que o Serviço Social, no período conservador tinha como base teórica em 
sua prática diária, o conservadorismo, no entanto, com a elevação do capitalismo selvagem, o 
Serviço Social, inicia um processo reflexivo a pensar em sua prática, na qual o movimento de 
reconceituação se torna um marco histórico na profissão dos Assistentes Sociais, marcados 
pelos abalos no cenário da época. De acordo com o autor José Paulo Netto:
Entendemos por renovação o conjunto de características novas que, no marco 
das constrições da autocracia burguesa, o Serviço Social articulou, à base do 
rearranjo de suas tradições e da assunção do contributo de tendência do 
pensamento social contemporâneo, procurando investir-se como instituição 
de natureza profissional dotada de legitimidade prática, através de respostas 
a demandas sociais e da sua sistematização, e de validação teórica, mediante 
a remissão às teorias e disciplinas sociais (Netto, 2010, p. 131).
1 - O significado do Movimento de Reconceituação para o Serviço Social representa uma grande mudança, dada sua busca de desvinculação do 
Conservadorismo e das técnicas importadas do Serviço Social Norte-Americano.
2 - Da dialética na tradição teórica e prática do marxismo enquanto pensamento que se pretende ligado à história do movimento 
operário.
HISTÓRICO DAS PRODUÇÕES 
CIENTÍFICAS NO SERVIÇO SOCIAL1
TÓPICO
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1
10
Desse modo, a fundamentação do movimento de reconceituação, tinham como 
objetivo a melhoria das condições objetivas dos grupos e indivíduos da sociedade da época, 
pautados nas questões sociais emergentes e com proposta de intervenção profissional, 
ficando reconhecido como um momento de ruptura do conservador, do paliativo, do 
burocrático, incluindo ações profissionais de forma funcionalista para abordar as expressões 
das questões sociais. De acordo com (Netto, 2005, p. 9):
Assistentes Sociais inquietos e dispostos à renovação indagaram-se sobre 
o papel da profissão em face de expressões concretamente situadas da 
“questão social”, sobre a adequação dos procedimentos profissionais 
tradicionais em face da nossa realidade regionais e nacionais, sobre a 
eficácia das ações profissionais, sobre a pertinência de seus fundamentos 
pretensamente teóricos e sobre o relacionamento da profissão com os novos 
protagonistas que surgiam na cena político-social. 
Neste momento histórico era de suma importância dar resposta às expressões das 
questões sociais da época, pois o tradicionalismo imposto pelo Serviço Social não conseguiam 
conter o período presente na América Latina, no qual a junção dos Assistentes Sociais ao 
Movimento de Reconceituação, era de forma unilateral, sendo composto pelos segmentos: 
Um deles apostava numa espécie de aggiornamento do Serviço Social, 
capaz de modernizá-lo a ponto de torná-lo compatível com as demandas 
macrossocietárias, vinculando-o aos projetos desenvolvimentistas de 
planejamento social; outro, constituído por setores mais jovens e radicais, 
jogava numa inteira ruptura com o passado profissional, de modo a sintonizar 
a profissão com os projetos de ultrapassagem das estruturas sociais de 
exploração e dominação (Netto, 2005, p. 10).
É sabido enaltecer que a pesquisa é indispensável para o processo de formação 
dos assistentes sociais, ficando em evidência no ano de 1982. É notório dizer que algumas 
escolas e instituições de ensino já inseriram em sua grade curricular a metodologia de 
pesquisa. De acordo com (Sposati, 2007, p. 16): 
A pesquisa torna-se disciplina obrigatória na formação profissional dos 
assistentes sociais somente em 1982. Embora este fato, algumas escolas, 
departamentos ou faculdades já inseriram em seus currículos a metodologia 
da pesquisa. Pelo menos esta foi minha experiência na Escola de Serviço 
Social da PUC-SP na década de 60 do século XX. É após o processo de 
reconceituação e, com ele, da construção da identidade social latino-
americana do Serviço Social que, ao questionar sua ‘base científica’ europeu-
americana, a preocupação com o conhecimento no e para o Serviço Social se 
fortalece. Esse processo tem na implantação de cursos de pós-graduação na 
década de 1970 uma força ímpar. 
De acordo com Faleiros (1997, p. 116) “o serviço social brasileiro nasce sob a égide 
do movimento católico e corporativista, para edificação moral do proletariado. O Serviço 
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1
11
Social mantinha-se centrado na moralidade, no esforço individual, no bom relacionamento”. 
O autor ainda menciona que:
Para o Padre Biesteck, “coisas dão conforto, prazer, satisfação, mas por si 
próprias não dão felicidade. Elas podem contribuir indiretamente para isso 
quando promoverem relacionamentos interpessoais satisfatórios… E a 
recíproca também é verdadeira: relacionamentos pobres, são a principal, 
possivelmente, a única fonte de verdadeira infelicidade”. 
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necessária no exercício profissional. Disponível em: http://www.graturck.com.br/Downloads/
comp_relac.pdf. Acesso em: 2 mar. 2010.
URBANESKI, Vilmar. Filosofia da religião. Indaial: Grupo UNIASSELVI, 2008.
VIEIRA, D. S. da; GERBER, L. M. L. Pesquisa em serviço social/ UNIASSELVI, 2016.
YAZBECK, Maria Carmelita; SILVA, Maria Ozanira da Silva e. Das origens à atualidade 
da profissão: a construção da pós-graduação em Serviço Social no Brasil. In: CARVALHO, 
Denise Bomtempo Birche de Carvalho; SILVA, Maria Ozanira da Silva e (Org.). Serviço 
Social, pós-graduação e produção de conhecimento no Brasil. São Paulo: Cortez, 
2005, p. 25-49.
YAZBEK, Maria Carmelita. A dimensão política do trabalho do assistente social. Serv. 
Soc. Soc. [online]. 2014, n° 120, pp. 677-693. [viewed December 16th 2014]. ISSN 0101-6628. 
https://www.scielo.br/pdf/sssoc/n116/05.pdf
93
DOI: 10.1590/0101-6628.004. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S0101-66282014000400005&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 31 jan. 2022.
YAZBEK, Maria Carmelita. A Política Social brasileira nos anos 90: a refilantropização da 
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http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-66282014000400005&lng=en&nrm=iso
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-66282014000400005&lng=en&nrm=iso
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social levou em consideração o campo do bom relacionamento entre os representantes com 
a finalidade de melhorar as condições econômicas, sociais e culturais das comunidades, tal 
período ficou reconhecido como um paradigma específico de atuação dos assistentes sociais 
como o paradigma das relações interpessoais. Segundo Yazbek (1995, p. 13). 
A institucionalização e legitimação do Serviço Social como profissão, no 
Brasil, têm como fundamento processos de reprodução social da vida, 
e nestes, particularmente, as diversas manifestações da questão social, 
como a pobreza, a subalternidade e a exclusão social. A profissão resulta 
de circunstâncias históricas definidas e se consolida na medida em que se 
constituem no país as Políticas Sociais e seus (precários e insuficientes) 
padrões de Proteção Social.
Destacamos que esse período foi de grande relevância para o Serviço Social, pois é 
nessa fase que ele passa a ser pensado prioritariamente como uma política pública, deixando 
de ser caridade por parte da classe dominante e setor empresarial, sendo reconhecido na 
divisão sociotécnica do trabalho, com o marco no movimento de reconceituação no Brasil 
e na América Latina, baseada nas direções de renovação, modernização e reatualização 
profissional (Iamamoto, 2008). Enaltecemos que o Serviço Social brasileiro, aproximou do 
marxismo com o intuito do rompimento com o conservadorismo, impulsionando a reflexão 
e debate, destacando o III Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais, conhecido como o 
“Congresso da Virada”3, movimento contrário à direção conservadora. 
Nessa época, temos a consolidação da pesquisa no país, considerado um momento 
de maturidade da profissão no âmbito da divisão sociotécnica do trabalho (Bourguignon, 2007). 
Destacamos também que no ano de 1932, surge a primeira Escola de Serviço Social em São 
Paulo, e em 1937 no Rio de Janeiro a segunda escola, ambas na Pontifícia Universidade 
Católica, cada escola carregava suas particularidades e referências na época. De acordo 
com Iamamoto (2004), a maturidade da profissão apontou três dimensões que devem ser 
comandados pelo Assistente Social, sendo eles: I - competência ético-política; II - competência 
teórico-metodológica e III - competência técnico-operativa, os autores Carvalho & Iamamoto, 
2005, reforçam que tais competências em nenhuma das hipóteses podem ser trabalhadas 
separadamente, em caso contrário, a atuação poderá ser fragmentada e despolitizada.
3 - O Congresso da Virada como um marco no desenvolvimento da profissão no país, em especial, da sua contribuição para politização da categoria 
profissional. Ilustram o acerto dessa assertiva de Paulo Netto não apenas as inúmeras publicações da área nas quais o III CBAS é colocado como 
um capítulo relevante na trajetória da profissão no país, mas também na memória dos que dele puderam participar, constituindo-se nos históricos 
protagonistas da renovação profissional.
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1
12
Caro(a) acadêmico(a), procure ir além do conhecimento desta disciplina. Busque elucidar outras 
vertentes do saber no resultado de cada produção científica. O livro de Vicente de Paula Faleiros, titulado: 
Metodologia e Ideologia do Trabalho Social, é uma leitura obrigatória a todos os futuros Assistentes Sociais, 
pois está literatura é uma das mais importantes contribuições para a contextualização do movimento de 
reconceituação do Serviço Social latino-americano. 
Fonte: a autora. 
SAIBA
MAIS
No intuito de adquirir ainda mais conhecimento nesta área do Serviço Social, surge a necessidade 
de compartilhar, pesquisar e, muitas vezes, acrescentar uma avaliação crítica a partir dos estudos elucidados, 
por isso, estamos em constante construção.
Fonte: a autora. 
REFLITA
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1
13
Pesquisar, ler, escrever, estudar as leis, decretos e legislação em sua íntegra, compõem 
o percurso do futuro Assistente Social, como também dos profissionais já formados, a busca 
por respostas das expressões das questões sociais é constante, e se faz necessário, estando 
explícito no Código de Ética em seus Princípios Fundamentais (1993, p. 23) no item “VII. Garantia 
do pluralismo, através do respeito às correntes profissionais democráticas existentes e suas 
expressões teóricas, e compromisso com o constante aprimoramento intelectual”. A pesquisa, 
em um segundo momento, nos remete aos velhos tempos do ensino médio, a produção de 
uma redação, dos trabalhos em grupos e discussão de ideias, onde cada aluno desenvolvia sua 
parte, um era responsável por fazer a introdução, outro pelo desenvolvimento, e o resultado era 
um trabalho estruturado, com começo meio e fim. 
Acadêmico(a), pesquisar, significa ir além dos trabalhos acadêmicos, é buscar a 
extensão universitária e adentrar na formação profissional, buscando constantemente o 
conhecimento do Serviço Social. 
Dessa forma, o compromisso constante com o aprimoramento intelectual, nos remete à 
reflexão nesta disciplina, em específico a este tópico, como o processo de trabalho do Assistente 
Social, no qual ele deve ter habilidades e competências profissionais para desenvolver sua 
prática profissional de forma, eficaz, objetiva e eficiente, sendo necessária a busca constante 
pela qualificação profissional e reciclagem. De acordo com Türck (2010, p. 1, grifo nosso):
No desempenho qualitativo de qualquer profissão e, mais especificamente 
para o serviço social, as competências são fundamentais para a garantia da 
qualificação profissional”, ou seja, “dentre tantas, a competência relacional 
é uma das mais importantes, porque é ela que vai direcionar, em qualquer 
espaço, institucional ou não, o eixo norteador de todo o processo de trabalho 
do assistente social (Türck, 2010, p. 1).
A PESQUISA COMO 
PROCESSO DE TRABALHO 
DO ASSISTENTE SOCIAL2
TÓPICO
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1
14
Ao pensarmos no qualitativo das profissões, estamos falando do desenvolvimento 
no decorrer da carreira profissional, de acordo com o renomado Max Gehringer (2014, p. 5) 
“liderança é a habilidade de unir, inspirar e conduzir pessoas em direção a um objetivo”, de 
acordo com essa afirmativa, em específico ao Serviço Social, estamos falando com o objetivo 
da profissão que é trabalhar com os usuários da Política Pública de Assistência Social, em todos 
os âmbitos, como saúde, educação, assistência social, habitação e entre outros, considerando 
as habilidades, conhecimento técnico científico como uma essência para a efetivação da prática 
profissional do Assistente Social. De acordo com Kameyama, 1978, p. 4: 
A produção de conhecimentos em Serviço Social engloba uma vasta e variada 
gama de temáticas, na medida em que, cada vez mais, ocorre uma ampla 
interseção com a dinâmica da sociedade, como, por exemplo, a consolidação 
democrática, a extensão da cidadania, a mundialização e a crise econômica, 
a redefinição do Estado e da Sociedade Civil, a flexibilização das relações 
de trabalho, a ampliação do desemprego, o acirramento da pobreza, o 
processo de urbanização e produção do espaço construído, a violência de 
jovens e adultos, o planejamento, as políticas públicas, etc. Dentro deste 
contexto, as temáticas do Serviço Social estão intimamente imbricadas com 
os acontecimentos que ocorrem na sociedade e que rebatem na profissão em 
termos de demandas ou requisições. 
Desse modo, a pesquisa como processo de trabalho do Serviço Social, faz parte 
do cotidiano profissional, “todo processo de trabalho implica na matéria-prima ou objeto 
sobre o qual incide a ação de um sujeito”, ou seja, o próprio trabalho que requer meios ou 
instrumentos para que possa ser efetivado” (Iamamoto, 2004 p 61). Ainda sobre a autora: 
Os meios que mediatizam a ação do sujeito sobre o objeto ou matéria-prima 
sobre o qual incide esta ação potenciam-na e constituem parte, assim como a 
ação do sujeito e a matéria-prima, de todo processo de trabalho. Alémdisso, este 
requer, além dos elementos supramencionados, a própria atividade, “o trabalho 
direcionado a um fim, que resulta em um produto”. (Iamamoto, 2012, p. 77). 
Dessa forma a autora nos faz pensar sobre o processo de trabalho do Serviço Social, 
se ele é trabalho, ou não? Uma vez que os profissionais vendem sua força de trabalho para o 
capital, e ele se torna um trabalhador, uma forma exclusiva de trabalhador e empregador, ou 
seja, sujeitos que trabalham, cidadãos operários, nos remetendo a pensar em qual seria o objeto 
de trabalho do assistente social? A princípio podemos afirmar que é a questão social, resulta 
nas expressões da questão social, como exemplo: a violência contra a pessoa idosa, crianças 
e adolescentes, mulheres e entre outras, sendo esses o objeto de trabalho do assistente social, 
sendo necessário buscar os instrumentos necessários para prática cotidiana. 
De acordo com Iamamoto (2012), os instrumentos não se limitam nas técnicas de 
observação, entrevista de grupo, individual, rodas de conversa, visita domiciliar, mas abrange 
o conhecimento teórico, metodológico como meio de trabalho, destacando que sem o 
conhecimento o profissional de Serviço Social, não consegue realizar o seu trabalho com 
essência, efetividade e excelência, pois o conhecimento serve para interpretar, indagar e fazer 
uma leitura da realidade dos usuários da política pública. Por meio desse contexto, lembramos 
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1
15
que o Serviço Social é uma profissão liberal. O Serviço Social foi regulamentado como uma 
“profissão liberal” dela decorrente dos estatutos legais e éticos que prescrevem uma autonomia 
teórico-metodológica, técnica e ético-política à condução do exercício profissional. Entretanto, o 
exercício da profissão é tensionado pela compra e venda da força de trabalho especializada do 
assistente social, enquanto trabalhador assalariado, determinante fundamental na autonomia 
do profissional. A condição assalariada – seja como funcionário público ou assalariado de 
empregadores privados, empresariais ou não – envolve, necessariamente, a incorporação de 
parâmetros institucionais e trabalhistas que regulam as relações de trabalho, consubstanciadas 
no contrato de trabalho. Eles estabelecem as condições em que esse trabalho se realiza: 
intensidade, jornada, salário, controle do trabalho, índices de produtividade e metas a serem 
cumpridas. Por outro lado, os organismos empregadores definem a particularização de funções e 
atribuições consoante sua normatização institucional, que regula o trabalho coletivo. Oferecem, 
ainda, o background de recursos materiais, financeiros, humanos e técnicos indispensáveis à 
objetivação do trabalho e recortam as expressões da “questão social” que podem se tornar 
matéria da atividade profissional. Assim, as exigências impostas pelos distintos empregadores, 
no quadro da organização social e técnica do trabalho, também materializam requisições, 
estabelecem funções e atribuições, impõem regulamentações específicas ao trabalho a ser 
empreendido no âmbito do trabalho coletivo, além de normas contratuais (salário, jornada, 
entre outras), que condicionam o conteúdo do trabalho realizado e estabelecem limites e 
possibilidades à realização dos propósitos profissionais (Iamamoto. O Serviço Social na cena 
contemporânea, p. 31 e 32). 
O Serviço Social, necessita de meios necessários para sua prática profissional, 
como investimentos em Política Públicas, por parte do Estado, entidades sociais, empresas 
governamentais e não governamentais, onde acaba impedindo sua autonomia profissional, 
como relativa autonomia, inferindo na qualidade do seu trabalho. Iamamoto (2012), ainda 
nos indaga sobre o produto de trabalho do assistente social, daqueles que atuam no setor 
privado, como exemplos aqueles profissionais que atuam na área de benefícios sociais e 
previdenciários, cabe aqui refletir que tal ação está voltada às condições materiais, sociais 
e organizacionais daquele que necessitam do trabalho, resultado como um processo de 
trabalho de venda da força ao capital.
Conheça ainda mais sobre as produções científicas em diversas áreas do conhecimento. Em 
especial com as produções acadêmicas, neste contexto com investimento da Educação, Ciências Sociais e 
Serviço Social.
Fonte: a autora.
REFLITA
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1
16
No percurso histórico do Serviço Social, podemos evidenciar várias linhas 
de pensamento teórico-metodológico, que mencionam sobre as instrumentalidades, 
como também o conceito de teoria e prática, a proposta desse tópico III é entender a 
indissociabilidade em sua gênese, ou seja, em seu contexto histórico, o termo remete a algo 
que não existe sem o outro, ou seja, a prática profissional está ligada à teoria, não podendo 
uma ser executada de forma unilateral, ambas precisam estar juntas, pois o Assistente 
Social, necessita conhecer a teoria, para que posteriormente possa colocar em prática sua 
intervenção. De acordo com Oliveira, Pires e Batista: 
A instrumentalidade está inteiramente ligada aos complexos sociais, na 
contradição, na historicidade e na totalidade. O processo de mediação executado 
pelo Assistente Social deve ser feito com clareza, baseado na realidade concreta 
feita pela leitura destes completos e compreender as relações sociais, utilizando 
instrumentais que dão significado às dimensões da profissão, fazendo uso da 
teoria crítico social (Oliveira, Pires, Batista, 2018, p. 3).
Dessa forma, a teoria tem como função de iluminar, direcionar a prática profissional, 
onde o Assistente Social, precisa da teoria para uma execução com efetividade da sua rotina de 
trabalho. O que percebemos cotidianamente é que os profissionais acabam deixando de lado a 
importância da busca constante do conhecimento e atuando de forma automática e robotizada, 
não criando um plano de trabalho e metas junto ao Código de Ética da profissão. Desse modo, 
a intervenção profissional deve ser pautada no conhecimento teórico, prático e metodológico 
profissional, juntamente com os instrumentos de trabalho. De acordo com Medeiros: 
INDISSOCIABILIDADE TEÓRICO-
PRÁTICA: PESQUISA E 
INTERVENÇÃO PROFISSIONAL3
TÓPICO
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1
17
No âmbito da intervenção profissional, o Serviço Social visa produzir as 
mudanças necessárias no cotidiano da vida social dos usuários atendidos. E 
é através da competência técnico-operativa que o Assistente Social encontra 
o resultado da capacidade criativa e da compreensão da realidade social, 
para que a intervenção possa ser realizada com eficácia, responsabilidade e 
competência profissional (Medeiros, 2017, p. 12).
Desse modo, o contexto de trabalho, deve ser levado em consideração o 
conhecimento teórico e os métodos, pois a profissão atua com os usuários das Políticas 
Públicas, com a violação de direitos, negligências entre outros, ou seja, é necessário produzir 
as mudanças que visa ajudar os usuários, como também utilizar o seu conhecimento teórico 
metodológico para o processo de trabalho diário. 
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1
18
 O conciso texto abordado neste tópico, tem por objetivo oferecer elementos 
para que o profissional do Serviço Social, possa identificar as influências da produção de 
conhecimento no Projeto Ético-Político da profissão, o qual já foi abordado nos tópicos 
anteriores desta unidade. Não nos interessa aqui criticar os conhecimentos contrários da 
profissão como também linhas de pensamentos dos autores, mas analisar os elementos 
importantes da produção de conhecimento. 
Santos et al. (2012) ressaltam importantes considerações acerca do processo de 
trabalho do Assistente Social, nos lembrando e direcionando por documentos oficiais e de 
grande relevância ao futuro assistente social, a esse respeito os autores ponderam:
A elaboração do Projeto ético-político da profissão, o Código de Ética de 1993,a Lei que Regulamenta a Profissão (lei n.° 8.662, de 7 de junho de 1993) as 
Diretrizes Curriculares (Resolução n.° 15, de 13 de março de 2002) e devido 
às demandas, novas e tradicionais, que se configuram em um contexto de 
grande dinâmica e complexidade, fez com que a nova proposta profissional 
se encaminhasse (Santos et al., 2012, p. 8-9)
 
Documentos esses de suma importância no agir profissional, onde o Código de 
Ética proporciona que o Assistente Social, atue deixando de lado a sua subjetividade, a Lei 
que regulamenta a profissão que nos mostra em seus artigos 4 e 5 que vai mencionar as 
atribuições competências do Assistente Social, finalizando com as Diretrizes Curriculares 
para o curso de Serviço Social, que informam como deve ser o projeto pedagógico do curso, 
o perfil dos formandos, as competências e habilidades, o formato do estágio supervisionado, 
carga horárias como também a estrutura do curso de graduação. 
A INFLUÊNCIAS DA PRODUÇÃO 
DE CONHECIMENTO NO PROJETO 
ÉTICO-POLÍTICO DA PROFISSÃO4
TÓPICO
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1
19
Enfim, compreende-se, sem grandes dificuldades, que o Projeto Ético Político da 
profissão apresenta a profissão como um coletivo de leis, decretos, normativas e uma forma 
estruturada para que o profissional possa atuar de maneira ética, fazendo uma leitura da 
dimensão política, cultural e econômica de cada período. “Esta articulação – imprescindível 
para a hegemonia de um projeto profissional – é complexa e não se realiza num curto 
espaço de tempo” (Netto, 1999, p. 7). 
Caro(a) acadêmico(a) sugerimos que seja feita a leitura complementar sobre as 
Diretrizes Curriculares para os Cursos de Serviço Social, Resolução n.º 15, De 13 de 
março de 2002.
DIRETRIZES CURRICULARES PARA OS CURSOS DE SERVIÇO SOCIAL
RESOLUÇÃO n.º 15, DE 13 DE MARÇO DE 2002
Estabelece as Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço Social.
O Presidente da Câmara de Educação Superior, no uso de suas atribuições legais e tendo 
em vista o disposto na Lei 9.131, de 25 de novembro de 1995, e ainda o Parecer CNE/CES 
492/2001, homologado pelo Senhor Ministro de Estado da Educação em 9 de julho de 2001, 
e o Parecer CNE/CES 1.363/2001, homologado em 25 de janeiro de 2002, resolve:
Art. 1º As Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço Social, integrantes dos 
Pareceres CNE/CES 492/2001 e 1.363/2001, deverão orientar a formulação do projeto 
pedagógico do referido curso.
Art. 2° O projeto pedagógico de formação profissional a ser oferecida pelo curso de 
Serviço Social deverá explicitar:
a) O perfil dos formandos;
b) As competências e habilidades gerais e específicas a serem desenvolvidas;
c) A organização do curso;
d) Os conteúdos curriculares;
e) O formato do estágio supervisionado e do Trabalho de Conclusão do Curso;
f) As atividades complementares previstas
Art. 3º A carga horária do curso de Serviço Social deverá obedecer ao disposto em 
Resolução própria que normatiza a oferta de curso de bacharelado.
Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições 
em contrário.
Fonte: Arthru Roquete de Macedo. Disponível em: https://www.abepss.org.br/arquivos/textos/
documento_201603311141012990370.pdf.
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1
https://www.abepss.org.br/arquivos/textos/documento_201603311141012990370.pdf
https://www.abepss.org.br/arquivos/textos/documento_201603311141012990370.pdf
20
Caro(a) acadêmico(a), chegamos no final desta Unidade, onde perpassamos por 
pontos históricos das produções científicas do Serviço Social, entendendo a importância 
do Movimento de Reconceituação para a produção de conhecimento, evidenciando as 
legislações vigentes como o Código de Ética da profissão, a Lei de Regulamentação da 
Profissão, como também as Diretrizes Curriculares, legislações essas, caracterizadas 
como referência básica para o profissional do Serviço Social. Desse modo, é de suma 
importância entender que não existe prática sem o embasamento teórico, como os 
instrumentos metodológicos a serem utilizados rotineiramente, pois o(a) Assistente Social 
tem como rotina, decidir, deliberar, encaminhar e possibilitar o acesso aos direitos sociais. 
Destaca-se que a pesquisa em Serviço Social apresenta um papel importante para o objeto 
de trabalho do Assistente Social, que é a questão social, pois é por meio da produção de 
conhecimento que vamos responder às expressões das questões sociais, sendo esse o 
desafio diário, decorrente da precarização das políticas públicas, como também a utilização 
dos instrumentos metodológicos de trabalho e os seu métodos, para que seja executado 
respaldado aos princípios Éticos da Profissão.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1
21
Caro(a) acadêmico(a), não deixe de completar os seu estudos com as seguintes 
indicações de livros e periódicos, referente ao Movimento de Reconceituação da época:
• FALEIROS, Vicente de Paula. Reconceituação do Serviço Social no Brasil: uma 
questão em movimento? Revista Serviço Social e Sociedade, São Paulo, v. 26, 
n. 84, p. 21-36, nov./2005.
• C.B.C.I.S.S. Documento de Araxá. Debates Sociais, n.º 4, CBCISS, 1969.
• Documento de Teresópolis. Debates Sociais – Suplemento, n.º 4. Rio de 
Janeiro, CBCISS, 1970.
• Documento de Sumaré. Debates Sociais – Suplemento, n.º 8. Rio de Janeiro, 
CBCISS, 1980.
LEITURA COMPLEMENTAR
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1
22
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
• Título: Ditadura e Serviço Social: uma análise do Serviço Social 
no Brasil pós-64 
• Autor: José Paulo Netto.
• Editora: Cortez; 17ª edição (12 junho de 2018).
• Sinopse: O livro descreve o que ocorreu no Serviço Social 
brasileiro nos anos 1960 a 1980? Que processos determinaram a 
extraordinária renovação experimentada por ele? Como e por que 
os assistentes sociais desenvolveram, neste período, concepções e 
propostas tão diferentes? Quais as relações entre esta renovação e 
a ditadura militar? Como a teorização do Serviço Social se relaciona 
com a cultura e a sociedade brasileiras? Este livro pretende responder 
a estas indagações de forma rigorosa e original. José Paulo Netto 
oferece um texto severo, combativo, em uma obra polêmica.
FILME/VÍDEO
• Título: Documentário Abepss 70 anos
• Ano: 2016.
• Sinopse: Documentário realizado pela direção nacional da 
Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social 
(ABEPSS) em conjunto com os diretores do documentário “ABEPSS 
70 anos” apresentando ao público esse filme. Esse documentário é 
uma realização da ABEPSS com o apoio do CFESS, em produção 
do TV ABEPSS.
Retrata a trajetória dos 70 anos da ABEPSS por meio dos 
depoimentos dos sujeitos que construíram com afinco essa 
associação. O documentário trata dos acontecimentos históricos, 
da virada crítica da profissão, das convenções da ABESS que 
marcaram essa virada nos anos de 70 e 80, e da construção 
coletiva que essa entidade vem realizando nas últimas décadas.
O filme é também uma homenagem a esses sujeitos e, tantos outros, 
que dedicaram sua militância na formação profissional crítica e de 
qualidade no Serviço Social. “Ele já é parte do patrimônio construído 
pelo Serviço Social no Brasil.” Como bem expressou Raquel Santos 
Sant’Ana - presidente da ABEPSS gestão 2015-2016.
PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1
Professor(a) Esp. Ana Cristina da Silva Gomes
TÉCNICAS DE 
PESQUISA2UNIDADEUNIDADE
PLANO DE ESTUDO
24
Plano de Estudos
• Ética na pesquisa;
• Instrumentos da pesquisa;
• Avaliação do processo de pesquisa;
• Elaboração de temas e problemáticas no cotidiano do Serviço Social.
Objetivos da Aprendizagem
• Ética na pesquisa;
• Instrumentos da pesquisa;
• Avaliação do processo de pesquisa;
• Elaboração de temas e problemáticas no cotidiano do Serviço Social.
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
25
O texto apresenta os elementos fundamentais que compõem as técnicas depesquisa. 
Lembrando que, toda pesquisa tem a intenção de elaborar conhecimentos para compreensão 
e transformação da realidade. Visto que o direcionamento está no ato de agir do profissional 
para execução da ação através do planejamento. E, é a partir da execução que se constrói 
a metodologia, neste momento, surgem os questionamentos (por quê, para quê e como) 
determinantes para definição do instrumento a ser utilizado. Dessa forma, apresentam-se alguns 
parâmetros para conhecimento dos elementos que são utilizados como técnica de pesquisa.
A partir dos estudos realizados, afirma-se que a ética é um componente indispensável 
no exercício da profissão, sendo um elemento norteador do comportamento humano. Destaca-
se como principal elemento por resultar num bom funcionamento social, com efeito do equilíbrio 
e respeito, não prejudicando ambas as partes envolvidas no processo de pesquisa.
Ainda neste contexto, vamos destacar sobre a competência técnico-operativa, ou 
seja, o conhecimento do profissional para definir quais instrumentos serão utilizados no 
processo de intervenção. Como afirma Medeiros (2017) o principal instrumento de trabalho 
em qualquer área de trabalho é o conhecimento, no qual o mesmo permite que o profissional 
tenha legítima extensão das diferentes possibilidades de intervenção. Dando continuidade, 
é importante entender como se dá a avaliação do processo de pesquisa, pois ela está 
intrínseca em todas as etapas do planejamento.
Registramos ainda, a importância na elaboração dos temas e problemáticas no 
cotidiano do serviço social, sendo assim, vale ressaltar que as temáticas estão relacionadas 
de acordo com os acontecimentos que ocorrem na sociedade e que refletem na demanda 
do profissional, dando ênfase que o processo de qualificação do profissional deve ser 
consecutivo para o completo exercício da prática.
O presente texto é composto por quatro tópicos essenciais que se complementam 
no mundo da pesquisa: ética na pesquisa; instrumentos da pesquisa; avaliação do processo 
de pesquisa e elaboração de temas e problemáticas no cotidiano do serviço social.
INTRODUÇÃO
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
26
A ética na pesquisa se dá a partir de um conjunto de leis e regras que trabalham a 
pesquisa no seu aspecto mais amplo, assim temos um conjunto de normas que regulamentam 
todas as pesquisas científicas, sejam elas com seres humanos ou animais, onde cada 
uma delas, possuem responsabilidades, compromisso e comprometimento, sobre o uso, 
mensuração e resultados através da ética. 
Dos horrores revelados nesses julgamentos nasceu o Código de 
Nurembergue, que também representa uma ruptura histórica. Ainda que esse 
documento tenha sido engatilhado pelos acontecimentos desvelados, não 
se refere a eles, mas à conduta que um pesquisador científico deve seguir. 
É uma demonstração de sabedoria que esse primeiro código de ética em 
pesquisa tenha evitado aludir a situações altamente anômalas e preferido se 
concentrar em normas éticas gerais e válidas para toda pesquisa (Kottow, 
2008, p. 10).
Em decorrência aos acontecimentos médicos após a Segunda Guerra Mundial, instituiu-
se o Código Nuremberg para que evitasse o tratamento degradante com a população, garantido 
a autonomia por meio do consentimento do sujeito, sendo uma necessidade estabelecer regras 
e procedimentos em pesquisas médicas. Contudo, a partir dos estudos constatou-se que 
houve muitas violações dos direitos humanos, de acordo com denúncias sobre experiências 
realizadas nos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Diante 
deste contexto, evidencia-se a necessidade de parâmetros éticos para a realização de pesquisa, 
bem como, experiências científicas. De acordo com Castilho e Kalil (2005, p. 345). 
ÉTICA NA 
PESQUISA1
TÓPICO
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
27
A observação dos princípios éticos implica avaliar, entre outros aspectos, 
os seguintes referenciais fundamentais para pesquisa envolvendo seres 
humanos. O Respeito à Autonomia – tendo surgido, inicialmente, com 
referência à autogestão ou ao autogoverno das cidades independentes 
gregas, o termo autonomia estendeu-se aos indivíduos, abrangendo os 
direitos de liberdade, privacidade, escolha individual, liberdade da vontade, 
ser o motor do próprio comportamento e pertencer a si mesmo. Exemplos 
típicos incluem as seguintes regras: 1) dizer a verdade; 2) respeitar a 
privacidade dos outros; 3) proteger informações confidenciais; 4) obter 
consentimento para intervenções nos pacientes; 5) quando solicitado, ajudar 
os outros a tomar decisões importantes. Portanto, a pesquisa envolvendo 
seres humanos deve sempre tratá-los em sua dignidade, respeitá-los em sua 
autonomia e defendê-los em sua vulnerabilidade.
Em 1962, se forma o primeiro Comitê de Bioética, sendo hoje considerada a Ética 
Aplicada às questões da saúde, da pesquisa em seres humanos, que podem possibilitar 
soluções adequadas com maior humanização entre profissional da saúde com paciente e 
sociedade, que foi instituído com o avanço tecnológico da medicina, com evidência a criação 
da hemodiálise. Isso foi formado em razão das inúmeras intervenções médicas antiéticas, na 
maioria do tempo com uma demanda maior que a capacidade de atendimento, colocando em 
risco a vida dos usuários, pois a ciência é uma resposta para as expressões das questões 
sociais como também a ciência com consciência em sua execução, cuidados e regras já a 
ética surge como uma resposta a tais problemas e uma reflexão e direcionamento de sua ação 
com base na realidade, levando em consideração o esclarecimento ao sujeito pesquisador, os 
termos de consentimentos, às autorizações dos comitês de éticas e todos os regulamentos 
determinados pela bioética, uma vez que os protocolos devem ser rigorosamente cumpridos. 
O atual sistema brasileiro destinado à revisão ética de projetos de pesquisa 
foi criado em 1996 com a finalidade de proteger os direitos de pessoas 
participantes de estudos científicos. Em países da Europa e nos Estados 
Unidos, as discussões sobre sistemas de revisão ética surgiram mais cedo, 
a partir da segunda metade do século XX, tendo em vista a descoberta de 
abusos cometidos com seres humanos envolvidos em pesquisas (Oliveira; 
Guedes, 2013, p.120).
Nesse período, evidenciou os dilemas éticos morais, ou seja, optar pelo que seja menos 
ruim, porém, nem sempre sendo a melhor opção, devido à ausência de regulamentações éticas 
naquele momento. Diante de tantas adversidades, os pesquisadores devem estar em constante 
mudança, através dos conselhos e comissões de éticas, sempre almejando um avanço na 
prática profissional assegurando os direitos de todos envolvidos no processo.
Pensar o Serviço Social […]”, do ponto de vista da pesquisa, requer que exista 
na profissão a clareza da amplitude do projeto ético político construído, desde a 
legalização da profissão no Brasil, e reconstruído a partir das bases apontadas. 
O conhecimento constituído possibilitará criar e/ou descobrir as conexões 
necessárias entre esse projeto e o mercado de trabalho (Setubal, 2007, p. 67).
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
28
Neste contexto, os apontamentos e reflexões buscam chamar atenção de todos os 
envolvidos na área de pesquisa, espaço esse ocupado por todas as áreas do conhecimento, 
como medicina, direito, serviço social, contábil e entre outras áreas de graduação. Na área 
do serviço social podemos dizer que as regulamentações se iniciaram a partir do código de 
ética que regulamenta a profissão, que está ancorada nos princípios de defesa dos usuários 
da política pública, defesa dos direitos humanos, promovendo a tentativa de superação das 
desigualdades sociais e luta pela igualdade e equidade entres os sujeitos, fortalecendo as 
potencialidades dos sujeitos com os quais trabalha, sem discriminação de qualquer natureza. 
Dessa forma, a referência para os parâmetros éticos orientadores das decisões do Serviço 
Socialem relação à pesquisa são buscados no Código de Ética Profissional (1993), que nos 
indicam como valores e princípios fundamentais: a liberdade, valor ético central, as demandas 
políticas a ela inerentes – autonomia, emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais; 
a defesa intransigente dos direitos humanos e a recusa do arbítrio e do autoritarismo; a defesa 
e aprofundamento da democracia; o posicionamento em favor da equidade e da justiça social. 
A pesquisa é um dos procedimentos teórico-metodológicos que, ao ser 
incorporado à prática profissional, poderá levar o assistente social a 
reinventar, reconstruir e até construir um vir a ser para o Serviço Social, a 
partir da eliminação da consciência acomodada e até adormecida (Setubal, 
2007, p. 70).
No entanto, nesta trajetória histórica, vale ressaltar alguns marcos notórios 
envolvendo a ética, pesquisa, instrumentos, avaliação, elaboração e problemáticas no 
cotidiano do serviço social.
Desse modo, os anos 1990 e seguintes, trouxeram o acúmulo teórico 
metodológico e ético-político que permitiram que os/as assistentes sociais 
discutissem e aprovassem os instrumentos que expressam o Projeto Ético- 
11 No Brasil, os anos 80 do século XX foi o momento de reorganização das 
forças e movimentos populares na luta contra a Ditadura Civil-Militar (1964-
1985) e trouxeram enormes conquistas para a classe trabalhadora, expressos, 
em parte, na Constituição de 1988. Contudo, os anos 90 representaram 
a chegada do Neoliberalismo e o início do desmonte dos direitos sociais, 
conquistados na Constituição a duras penas. 14 Anais do 16º Encontro 
Nacional de Pesquisadores em Serviço Social Político (PEP) da profissão. 
Assim, o PEP se expressará no novo Código de Ética Profissional (Resolução 
CFESS 273/93, de 13 de março de 1993) e na nova Lei de Regulamentação 
da Profissão (Lei 8662/93, de 7 de junho de 1993), bem como na elaboração 
das Diretrizes Gerais Curriculares para o Curso de Serviço Social, de 1996, 
aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE/MEC) em 2001 
(Sobrinho; Lourdes, 2018, p. 13).
Justifica-se, a importância da pesquisa para o assistente social, visto que por 
sua natureza interventiva, há intrínseca à sua existência, a necessidade da execução de 
táticas em pesquisa que permitam a construção do conhecimento para viabilizar novas 
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
29
alternativas de enfrentamento às expressões da questão social, cotidianamente agravado 
pela crescente crise humanitária que a cada dia mais fortalece e fomenta o individualismo 
e o hedonismo como valores centrais da vida social (Freitas; Reis, 2017).
Ao se atribuir importância à ação investigativa, longe de se negar a importância 
da dimensão interventiva, pretende-se mostrar a íntima relação existente 
entre teoria e prática e a condição de centralidade que esses processos 
devem ocupar na formação e na vida profissional. Devido a essa relação, 
o Serviço Social inscreveu a pesquisa como matéria já no primeiro currículo 
mínimo determinado pela Lei n. 1.889, de 13 de junho de 1953 que “dispõe 
sobre os objetivos do ensino do Serviço Social, sua estruturação e ainda as 
prerrogativas dos portadores de diplomas de Assistentes Sociais e Agentes 
Sociais” (Setubal, 2007, p. 67). 
Outro aspecto a ser ressaltado são os cuidados em todo o processo de formação 
profissional desde a graduação; dessa forma, evitando muitos problemas que interferem na 
precariedade da educação no Brasil, citando, como exemplo, a privatização do ensino público, 
a redução das políticas sociais em geral, a partir da implementação das políticas neoliberais.
 Observa-se que toda essa problemática se apresenta nos trabalhos de Iniciação 
Científica, de Conclusão de Curso, em Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado, muitas 
vezes, apresentando problemas de plágio, de utilização não responsável que adultera o trabalho 
científico original. Esses problemas éticos também incidem sobre a comunicação científica, 
levando as mais variadas formas de plágio e falta de regra em geral (Barroco, 2005, p. 7).
Como vimos explícito em diversos estudos, afirma-se a importância de refletir 
eticamente sobre a ética na pesquisa em serviço social, assim, sugere-se o questionamento 
se ela pode ser uma ação capaz de pôr intervenções práticas para alternativas de concretizar 
e de valores éticos.
Caro(a) acadêmico(a) busque conhecimento realizando a leitura do Código de ética do Assistente Social - 
Publicado no Diário Oficial da União e alterado pela Resolução CFESS n.º 290, publicada no Diário Oficial da 
União de 11 de fevereiro de 1994.
Fonte: a autora 
SAIBA
MAIS
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
30
Partimos do princípio de que sem dúvida o instrumento principal em todas as áreas 
é o conhecimento, pois, é a partir dele a escolha dos instrumentos a serem usados e as 
estratégias no processo de intervenção no serviço social. O conhecimento pode ser explicado 
como a capacidade do ser humano de aprender, entender e compreender sua totalidade e 
coisas, possibilitando a experiência com o novo. De acordo com Semêdo (2013):
Os instrumentos são considerados como produto da ação humana, se constituindo 
como meios de alcançar uma finalidade. Nesta direção, o conteúdo da ação 
que se quer efetivar com o uso de determinado instrumento está, diretamente, 
relacionado com a finalidade pretendida (Semêdo, 2013, p. 4).
Nesse sentido, os instrumentos são essenciais para a produção de conhecimento, 
como também para desenvolver o plano de ação a ser executado em determinada 
realidade social, em que instrumentos normativos, são a materialização do Projeto Ético-
Político profissional construído nos últimos 30 anos, no seio da categoria do Serviço Social. 
Assim não é preciso ser um cientista para ter instrumentos de trabalho, todos os sujeitos 
diariamente desenvolvem técnicas como objetos, ideias, conhecimento e tecnologias que 
podem ser consideradas instrumentos, como observação, escuta qualificada e entre outros. 
A instrumentalidade é a capacidade do profissional em avaliar e analisar a 
melhor estratégia a ser adotada no processo de intervenção. É a competência 
de desenvolver aptidões mais adequadas aos objetivos. Em razão dos 
instrumentos serem o meio de atingir os objetivos, deve-se ter claro a sua 
finalidade, se tem lógica com as finalidades da profissão e se realmente 
alcançará as finalidades pretendidas. Portanto, a importância de o profissional 
estar sempre atualizado de acordo com as características de todos os espaços 
que atua e ainda ter claro a regulamentação que rege a profissão. E, alguns 
INSTRUMENTOS 
DA PESQUISA2
TÓPICO
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
31
autores nos relatam: Um conjunto de técnicas e instrumentos de pesquisa 
são utilizados pelos profissionais para a realização de análises e processos 
interventivos, entre os quais o estudo de documentos. Os documentos 
expressam discursos, normativas, sentidos atribuídos, regras, conceitos (ora 
explicitados, ora vagos) pressupostos, delimitações, valores, descrições de 
fatos, enfim uma infinidade de elementos que permitem complementar a 
análise de processos ou mesmo constituir-se em fontes únicas para algumas 
investigações de extrema relevância, como, por exemplo, avaliações de 
políticas e programas sociais (Prates e Prates, 2005, p. 113). 
As técnicas de coleta de dados predominantemente utilizadas na pesquisa qualitativa 
nas perspectivas fenomenológica/interpretativa ou crítica/dialética são: entrevistas, 
observação, uso de diários e análise documental. Algumas técnicas, como as entrevistas, 
questionário, formulário, podem ser usadas para a coleta de dados de forma quantitativa ou 
qualitativa. Na medida em que os profissionais utilizam da instrumentalidade, transformam 
realidades sociais e interpessoais, modificam ações objetivas e subjetivas. Contudo, a 
instrumentalidade é tanto condição necessária de todo trabalho social, quanto categoria 
constitutiva, um modode ser de todo trabalho.
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
32
Lembramos aqui que a avaliação é composta de uma estrutura ampla, e que o projeto 
de pesquisa é um procedimento, para o processo da pesquisa na elaboração teórica (Prates 
e Prates, 2005). Entretanto, lembramos que toda essa estrutura depende da disponibilidade, 
ora de informações contidas nos referenciais usados para o estudo, bem como, pela sua 
metodologia usada para o trabalho, a pesquisa é utilizada em diferentes áreas do conhecimento, 
em específico ao Serviço Social, podemos entender que para sua execução é necessário a 
elaboração de um projeto de pesquisa, que é a descrição de uma ação a ser desenvolvida e 
que busca resposta a curto e longo prazo. Ainda de acordo com Prates e Prates:
Como qualquer avaliação, os diagnósticos pautam-se em valores, critérios e 
parâmetros e orientam-se por um modo de leitura da realidade, que pode ou 
não contemplar o seu movimento, as contradições e a processualidade das 
relações que a conformam, de acordo com o método e o projeto ético-político 
que o inspira, mas necessariamente tem perspectiva política, mesmo quando 
o paradigma que o orienta não reconhece este aspecto e não o explicita 
(Prates e Prates, 2009, p. 114).
De acordo com a ABNT (2011), o projeto de pesquisa específica as autênticas 
finalidades propostas pelo pesquisador, abrangendo o foco, a importância e o questionamento 
por ele determinado. 
A relação do Serviço Social com a pesquisa surge em função de um processo 
histórico de amadurecimento intelectual e de ampliação das demandas sociais, 
o qual vai revelando uma profissão capaz de gestar conhecimentos que lhe 
acrescentam subsídios teórico-metodológicos, coerentes com sua natureza 
e com as exigências societárias. Entretanto, é no contexto acadêmico que 
a pesquisa se revela como potencialidade para o Serviço Social, e é neste 
contexto que se enfrenta o desafio de construir articulações orgânicas, entre a 
produção de conhecimento e a prática profissional (Bourguignon, 2007, p. 49).
AVALIAÇÃO DO PROCESSO 
DE PESQUISA3
TÓPICO
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
33
É na dinâmica que envolve a produção de conhecimento e o processo de pesquisa, 
que podemos mapear roteiros do projeto de pesquisa conforme aponta Minayo (1994), 
que menciona sobre a partir de quais questionamentos, indagações e perguntas deverá 
compor a investigação ou tema a ser escolhido, ou seja, o seu objeto de estudo, conforme já 
mencionado no decorrer desta apostila, que são as expressões da questão social, partindo 
das seguintes estruturas:
O que pesquisar? (Definição do problema, hipótese, base teórica e 
conceitual); Por que pesquisar? (Justificativa da escolha do problema); Para 
que pesquisar? (Propósitos do estudo, seus objetivos); Como pesquisar? 
(Metodologia); Quando pesquisar? (Cronograma de execução); Com 
que recursos? (Orçamento); Pesquisado por quem? (Equipe de trabalho, 
pesquisadores, coordenadores, orientadores) (Minayo, 1994, p. 36).
Nos diversos processos de trabalhos que o profissional, assistente social está 
inserido, bem como outros profissionais, independente das especificidades em cada 
situação, é notório que devem estar pautados em diagnósticos e avaliações, bem como 
a construção de um projeto de pesquisa que perpassa por recorte do objeto para que a 
pesquisa seja estruturada. Desse modo, é importante que o projeto contenha o registro 
de todas as decisões, bem como a sistematização das ideias, observações nos resultados 
de acordo com os fundamentos e as diretrizes da pesquisa (Rocha, 2009). Dessa forma, 
segue abaixo a estrutura de um trabalho científico, no qual nos faz refletir para que 
possamos pensar antes da produção da pesquisa, indagando por meio das perguntas: 
o que pesquisar? Como? Por quê? Quando? Para quê? Quais? Quantos? Seguindo a 
metodologia e as referências teóricas sobre o tema proposto.
FIGURA 1: MODELO DE PROJETO DE PESQUISA
Fonte: adaptado de Rocha, 2009.
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
34
A figura acima esclarece por que se faz as perguntas, onde irão promover a 
escolha do tema relacionado à pesquisa, no qual tem a finalidade didática de facilitar os 
procedimentos que contribuem para uma melhor compreensão na elaboração do projeto, 
facilitando a identificação do problema da pesquisa.
Caro(a) acadêmico(a), abaixo segue uma estrutura para elaboração de um projeto 
de pesquisa de acordo com as normas atualizadas da Associação Brasileira de Normas e 
Técnica – ABNT. Essa estrutura também pode ser diferente de acordo com a Instituição de 
Ensino, mas o que devemos saber é que as normas da ABNT é padrão, onde em algumas 
IES acabam se adaptando de acordo com suas diretrizes internas, diferenciando alguns 
tamanhos e fontes de letras. 
QUADRO 1: ESTRUTURA DE UM PROJETO DE PESQUISA
Fonte: Goldenberg, 2002, p. 76-77.
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
35
Recapitulando tópicos anteriores e na história do Serviço Social, podemos 
mencionar que a década de 1980 foi um período marcado pela maturidade da produção 
teórica da profissão, com a ruptura do conservadorismo, destacando a instituição das 
escolas de serviço social na época e universidades, como também a discussão de marxista 
em direção ao projeto ético político profissional, em que a época enfrenta problemas nas 
questões políticas sociais, para a efetivação das políticas públicas para a sociedade, em 
que na época abrangia somente as áreas da saúde, assistência e previdência social, sendo 
reconhecido até os dias de hoje como o tripé da seguridade social. Destacamos estudiosos 
que também discutem essa perspectiva, mencionando que a profissão de assistente social 
ocorreu no contexto capitalista, quando o Estado assumiu de responder às demandas 
da questão social (Netto, 1992). Tais temáticas puderam dar viabilidades à temática da 
produção acadêmica, em que corrobora para o enfrentamento junto à sociedade sobre 
os desafios para a implementação da democracia, como também o enfrentamento das 
desigualdades sociais, na prática profissional do Assistente Social (Bourguignon, 2007). 
A produção de conhecimentos em Serviço Social engloba uma vasta e variada 
gama de temáticas, na medida em que, cada vez mais, ocorre uma ampla 
interseção com a dinâmica da sociedade, como, por exemplo, a consolidação 
democrática, a extensão da cidadania, a mundialização e a crise econômica, 
a redefinição do Estado e da Sociedade Civil, a flexibilização das relações 
de trabalho, a ampliação do desemprego, o acirramento da pobreza, o 
processo de urbanização e produção do espaço construído, a violência de 
jovens e adultos, o planejamento, as políticas públicas, etc. Dentro deste 
contexto, as temáticas do Serviço Social estão intimamente imbricadas com 
os acontecimentos que ocorrem na sociedade e que rebatem na profissão 
em termos de demandas ou requisições. “A escolha de um tema de pesquisa 
ELABORAÇÃO DE TEMAS E 
PROBLEMÁTICAS NO COTIDIANO 
DO SERVIÇO SOCIAL4
TÓPICO
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
36
implica na seleção de objetos empíricos e sua transformação em objetos 
de estudo que supõem a existência de um discurso científico construído, 
adaptado ou mesmo importado de outros campos temáticos, de modo que a 
investigação tenha credibilidade (Kowarick, 1995, p 46).
Nos diferentes processos de trabalho em que assistentes sociais e advogados, se 
inserem, independente de suas particularidades e âmbitos, seja na prestação de serviços 
diretos à população ou em áreas como gestão e planejamento e, especialmente, no 
âmbito das políticas públicas, para a efetivação de seu trabalho, precisam pautarem-se 
necessariamente em avaliações ou diagnósticos.
Os diagnósticos são avaliações realizadas sobre uma determinada realidade, 
ação ou conjunto de ações, segmentos populacionais, problematizando o uso da técnica 
de análise documental sujeitos ou grupos, instituições, movimentos ou contextos, a partir 
de indicadores que permitem dimensionar com baseem um conjunto de informações, 
dimensões, categorias e variáveis, as condições, entraves e potencialidades que os 
constituem e conformam, em determinado momento histórico (Prates e Couto, 2008).
Como qualquer avaliação, os diagnósticos pautam-se em valores, critérios e parâmetros 
e orientam-se por um modo de leitura da realidade, que pode, ou não, contemplar o seu 
movimento, as contradições e a processualidade das relações que as conformam, de acordo 
com o método e o projeto ético-político que o inspira, mas, necessariamente, tem perspectiva 
política, mesmo quando o paradigma que o orienta não reconhece este aspecto e não o explicita.
Desse modo, podemos destacar temas de pesquisa dos anos de 1980 e 1990 
relacionados às políticas públicas com a implantação dos Conselhos de Direitos. De acordo 
com Bourguignon (2007) os marcos relevantes e registrados na época, são: a Lei Orgânica 
de Assistência Social – LOAS, o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. Destacamos 
que o campo de direitos sociais, relacionados às crianças, adolescentes, idosos, portadores 
de deficiência, ou seja, temática envolvendo a sociedade civil. Além disso, fica em evidência 
a importância da produção de conhecimento por parte das pesquisas, para que seja 
respondido às expressões das questões sociais. 
A “questão social” passa a ser mais claramente tratada como o fenômeno 
que, exigindo respostas sistemáticas e contínuas no contexto do capitalismo 
monopolista, origina as políticas sociais e, portanto, as instituições empregadoras 
de assistentes sociais (e não só). Nesse sentido, afirma-se como parte inerente 
ao “perfil profissional” instituído naquele documento que, entre outros quesitos 
define o/a assistente social como um/a “profissional que atua nas expressões da 
‘questão social’, formulando e implementando propostas para seu enfrentamento, 
por meio de políticas sociais públicas, empresariais, de organizações da 
sociedade civil e movimentos sociais” (Abreu, 2002, p. 348).
Em verdade, se submetemos a análise da política social ao crivo da totalidade, 
teremos acordo com a seguinte constatação de Netto:
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
37
[…] a intervenção estatal sobre a “questão social” se realiza com as características 
que já anotamos, fragmentando-a e parcializando-a. E não pode ser de outro 
modo: tomar a “questão social” como problemática configuradora de uma 
totalidade processual específica é remetê-la concretamente à relação capital/
trabalho – o que significa, liminarmente, colocar em xeque a ordem burguesa. 
Enquanto intervenção do Estado burguês no capitalismo monopolista, a política 
social deve constituir-se em políticas sociais: as sequelas da “questão social” 
são recortadas como problemáticas particulares (o desemprego, a fome, a 
carência habitacional, o acidente de trabalho, a falta de escolas, a incapacidade 
física, etc.) e assim enfrentadas (Netto, 1992, p. 28).
De acordo com Iamamoto (2015), o Serviço Social no mundo e no Brasil, é 
representado pela formulação e planejamento para a execução de políticas públicas voltada 
à questão social e técnica do trabalho como, pautado na lei n. 8.662 de 07 de junho de 
1993, que regulamenta a profissão, referente aos artigos 4º e 5º sobre as competências e 
atribuições privativas do Assistente Social. 
Começa-se a se pensar então a “questão social”, a miséria, a pobreza, e todas 
as manifestações delas, não como resultado da exploração econômica, mas 
como fenômenos autônomos e de responsabilidade individual ou coletiva dos 
setores por elas atingidos. A “questão social”, portanto, passa a ser concebida 
como “questões” isoladas, e ainda como fenômenos naturais ou produzidos 
pelo comportamento dos sujeitos que os padecem (Montaño, 2012, p. 272).
Nesse sentido, ao analisarmos o Serviço Social dentro das instituição faz a diferença 
no decorrer de cada estratégia analisada eticamente para solucionar as questões sociais.
Destarte que tais transformações no mundo do trabalho do Serviço Social, necessita 
cada vez mais de incentivo e investimentos por parte do Estado em política públicas, para 
que as desigualdades sociais sejam enfrentadas, dessa forma, você, acadêmico(a) deve 
pensar que sua ação isolada não será suficiente para resolução das questões sociais, 
sendo necessário o estudo constante e luta diária, pois a inclusão do Assistente Social se 
faz dentro do sistema capitalista vigente. 
Historicamente a Questão Social tem a ver com o surgimento da classe operária e 
seu ingresso no cenário político por meio das lutas em prol de direitos trabalhistas. 
Acadêmico(a), até a chegada do Código de Ética do assistente social de 1993, foram elaborados 
e retificados quatro Códigos, ou seja, nos anos de 1947, 1965, 1975,1986 e o atual de 1993, que demonstra 
a quebra do conservadorismo e a visão crítica e reflexiva do Serviço Social, no qual sintetiza o projeto ético-
político da profissão.
Fonte: a autora.
SAIBA
MAIS
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
38
Foram as lutas sociais que romperam o domínio privado nas relações entre 
capital e trabalho, extrapolando a questão social para a esfera pública, exigindo 
a interferência do estado para o reconhecimento e a legalização de direitos e 
deveres dos sujeitos sociais envolvidos (Iamamoto, 2002, p.17)
Dessa forma, é importante que as instituições de ensino invistam em pesquisa 
de extensão para com seus alunos, fazendo com que dentro do processo de estágio 
o(a) acadêmico(a) tenha uma vivência junto à comunidade para que consiga entender 
a dinâmica da sociedade, como também, que haja mais investimento nas pesquisas 
científicas, pensar em respostas para as questões sociais tem o mesmo significado de 
buscar a cura do câncer, da AIDS, por exemplo, para a medicina, aqui, devemos refletir 
sobre as respostas para as violações de direitos, uso excessivo de drogas lícitas e ilícitas, 
prostituição, gravidez precoce nas adolescentes, violência contra criança, adolescente, 
idoso, mulher, homossexuais, negros, estrangeiro, pobre e entre outros, como também 
as filas no Sistema Único de Saúde, para cirurgias, exames rotineiros, empregos, renda, 
moradia, lazer, esporte, transporte público, feminicídios e entre outras mazelas sociais, 
caro(a) acadêmico(a) para essas respostas precisamos que você que está fazendo a 
leitura desta disciplina, procure seu coordenador para desenvolver pesquisas científicas, 
de campo, experimental, bibliográficas voltadas para o Serviço Social, mas não esqueçam 
que é necessário prioritariamente recursos financeiros por parte do Estado, como também 
ampliação dos programas do governo federal para a população. 
No entanto, é necessário analisar de forma crítica a gênese da questão social e do 
ponto de vista da história do Serviço Social, no qual anterior ao desenvolvimento capitalista, 
as formas de viabilização de direitos eram por meio de assistência ao próximo, doentes, 
desvalidos, abandonados, órfãos, carentes e pobre, considerando o cenário contemporâneo, 
político, econômico, cultural e social. Segue abaixo estrutura de acordo com cada questão 
social a ser trabalhada enquanto profissional formado.
Com objetivo de conhecer mais sobre a importância da Ética dentro da pesquisa, faça uma 
dinâmica com seu colega de turma, conte a ele sobre um caso que envolve uma das questões sociais e 
depois compartilhe no grupo a discussão de caso. No final questione os demais colegas como foi expor uma 
particularidade tão importante sobre a atuação do Serviço Social. 
Fonte: a autora. 
REFLITA
TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2
39
Acadêmico(a), chegamos ao fim de mais uma unidade, em que a importância da pesquisa 
social na atuação prática do assistente social, por meio da aplicação da instrumentalidade do 
Serviço Social, que encontram-se estabelecidas na Lei de Regulamentação da Profissão e 
Código de Ética Profissional. Identificando a importância das perguntas indagativas, para 
uma pesquisa de campo na área do serviço social, na qual reforça-se que a utilização

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