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Professor(a) Esp. Ana Cristina da Silva Gomes PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL - ESTATÍSTICA E INDICADORES 2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie. O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Caroline da Silva Marques Eduardo Alves de Oliveira Isabelly Oliveira Fernandes de Souza Jéssica Eugênio Azevedo Louise Ribeiro Marcelino Fernando Rodrigues Santos Vinicius Rovedo Bratfisch PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos Carlos Firmino de Oliveira Hugo Batalhoti Morangueira Giovane Jasper Vitor Amaral Poltronieri ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz DE VÍDEO Carlos Henrique Moraes dos Anjos Pedro Vinícius de Lima Machado Thassiane da Silva Jacinto FICHA CATALOGRÁFICA Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP G633p Gomes, Ana Cristina da Silva Pesquisa em serviço social: estatística e indicadores / Ana Cristina da Silva Gomes. Paranavaí: EduFatecie, 2024. 94 p.: il. Color. ISBN n 978-65-5433-095-4 1. Serviço social. 2. Serviço social – Pesquisa. I. Centro Universitário UniFatecie. II. Núcleo de Educação a Distância. III. Título. CDD: 23. ed. 361.3 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 As imagens utilizadas neste material didático são oriundas do banco de imagens Shutterstock . 3 AUTORA Professor(a) Esp. Ana Cristina da Silva Gomes • Cursando Pós-graduação em Atendimento à Criança e ao Adolescente Vítima de Violência – Instituto Dimensão – 2020; • Pós-graduação em Serviço Social na Sociedade Contemporânea: Direção Social, Instrumentais e Política Social – Instituto Dimensão - 2018; • Pós-graduação em Gestão e Planejamento de Projetos Sociais – Unicesumar (2018); • Pós-graduação em Psicopedagogia Empresarial – Instituto Paranaense de Ensino (2011); • Graduada em Serviço Social – Bacharelado – Unicesumar (2010); • Técnico em Meio Ambiente – Colégio Estadual JK (2006) Tutora do curso de Serviço Social da (UNIASSELVI), Assistente Social, do Centro de Integração Empresa Escola CIEE/Maringá, Prestadora de Serviço para os atores da Política Pública da rede Municipal, Palestrante nas áreas: motivacional, violência doméstica contra mulher, idoso, criança e adolescente, prevenção da gravidez na adolescência, meio ambiente, reciclagem, dengue, Conferências municipais entre outros temas, Conteudista das Faculdades FAEL e Uningá, Idealizadora da Campanha Mulheres Maravilhosas executados por meio das redes sociais e autora do Livro Política de Habitação (EDITORA FAEL). ISBN 978-65-86557-46-6. Informações e contato: Currículo Plataforma Lattes: http://lattes.cnpq.br/1689530393656228 Professor(a) Esp. Ana Cristina da Silva Gomes http://lattes.cnpq.br/1689530393656228 4 APRESENTAÇÃO Seja muito bem-vindo(a)! É com imenso prazer que apresentamos a disciplina de Pesquisa em Serviço Social - Estatística e Indicadores! A todo(a) estudante, agradeço por participar da sua jornada acadêmica e a luta pelo conhecimento constante. Desejamos que saiba que o material produzido foi pensando para que você acadêmico(a) possa compreender a relevância da Pesquisa para seu futuro profissional, pois nossa preocupação é realizar a explanação do conteúdo de forma objetiva, proporcionado que você entenda a importância da Pesquisa em Serviço Social e da Estatística como um parâmetro de mensuração de resultados para a criação e a discussão de políticas públicas para a sociedade. Essa disciplina pretende qualificar você, acadêmico(a) para ter parâmetros de leitura dos procedimentos da pesquisa científica, sua importância para descobertas para o correto manuseio das questões sociais, como também estimular para criação de conteúdos para o curso de Serviço Social, identificação dos dados qualitativos e quantitativos de uma pesquisa social, em base nos indicadores sociais, para que sejam aplicados métodos interventivos, que vão amenizar as desigualdades sociais. Na unidade I, vamos ampliar nossos conhecimentos sobre o significado, o histórico das produções científicas no Serviço Social, relacionando o teórico e prático profissional, como a importância do conhecimento do Projeto Ético Político da Profissão. Unidades II, III e IV, vamos tratar especificamente, sobre a Ética na pesquisa, instrumentais metodológicos da pesquisa, exemplos de elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso como um cotidiano do Assistente Social, e como coletar os dados, gráficos, perfis socioeconômicos, estatística por meio da mensuração dos resultados dos dados qualitativos, quantitativos de uma pesquisa e como aplicar os resultados no cotidiano profissional, finalizando com uma indagação, o Serviço Social é interventivo e investigativo? Ou seja, somos detetives? Ou, da polícia? Caro(a) acadêmico(a), é importante que você faça uma leitura atenta aos conteúdos e também se empenhe na busca das dicas complementares, indicação de livros, que estão no decorrer de cada unidade, no final da leitura desse material, responda às indagações acima citadas e nos contem. Agradecemos a oportunidade de fazer parte desse processo de aprendizagem. Desejamos sucesso a você! Bons estudos e boa leitura! 5 SUMÁRIO O desenvolvimento da dimensão investigativa no serviço social Leitura e elaboração de Dados Técnicas de pesquisa Produção de conhecimento no serviço social Professor(a) Esp. Ana Cristina da Silva Gomes PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIAL1UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 7 Plano de Estudos • Histórico das produções científicas no Serviço Social; • A pesquisa como processo de trabalho do Assistente Social; • Indissociabilidade teórico-prática: Pesquisa ede tais instrumentos é necessária para o profissional de Serviço Social, porém é indispensável identificar os métodos e se atentar para que seja executado, respaldado nos princípios Éticos da Profissão. Analisamos as questões sociais que devem ser trabalhadas junto ao Estado por meio de incentivos, como investimentos e políticas públicas. Caro(a) acadêmico(a), nosso objetivo enquanto instituição de ensino, em específico a esta disciplina de Pesquisa Social é que você tenha ânimo e um olhar além das entrelinhas da sociedade contemporânea, sempre analisando seu contexto no âmbito social, econômico e político, é nítido que diante da realidade do Brasil, em que estamos passando por um momento de pandemia (2021) e desmonte das políticas públicas, a atuação do Assistente Social está mais frágil, mas devemos lutar como militares, não para matar, mas sim, para ter a possibilidade de acessar os direitos previstos em Constituição Federativa do Brasil, nesse sentido, precisamos de acadêmico(a) pesquisador(a) para respostas das questões sociais, executando com excelência o seu trabalho dentro da rede de proteção social. CONSIDERAÇÕES FINAIS TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 40 A Lei Orgânica da Assistência Social LOAS, por ser parte de extrema importância para atuação do profissional de Serviço Social, precisa não só ser conhecido pelos acadêmicos, mas também precisa fazer parte do acervo pessoal de livros do Assistente Social. Tal documento expõe detalhadamente direitos, deveres e processos de enquadramento para possíveis intervenções, sendo uma leitura assertiva e de grande aquisição de conhecimento. Fonte: a autora. LEITURA COMPLEMENTAR TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 41 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: Garapa (2009) • Ano: 2009. • Sinopse: O documentário mostra a dura realidade de uma família do interior do Ceará em sua severa insegurança alimentar. A obra foi dirigida pelo cineasta José Padilha, lançada em 2009, e tem como tema a fome no mundo. O documentário é resultado de mais de 45 horas de gravações da equipe, que acompanhou o cotidiano de três famílias. LIVRO • Título: Questão Social: particularidades no Brasil • Autor: Josiane Soares Santos. • Editora: Cortez; 1ª edição (23 fevereiro 2017) • Sinopse: Os fenômenos constitutivos da chamada ‘Questão Social’ se reproduzem no tempo presente com uma intensidade e volume desconhecidos em outras épocas históricas: são inquestionáveis as diversas formas de expressão da desigualdade social que estão longe de se reduzir à pobreza. Para desvendá-las, este livro mergulha nos fundamentos da crítica da economia política, tratando a ‘questão social’ como parte da dinâmica capitalista e das lutas sociais contra a exploração do trabalho. TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 Professor(a) Esp. Ana Cristina da Silva Gomes LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOS3UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 43 Plano de Estudos • Indicadores, Gráficos e dados socioeconômicos; • Estatística em Serviço Social; • Dados qualitativos; • Dados Quantitativos. Objetivos da Aprendizagem • Identificar os indicadores e gráficos mais utilizados dentro do Serviço Social; • Demonstrar as estatísticas dentro do Serviço Social; • Apresentar os dados qualitativos e sua importância para uma pesquisa; • Demonstrar a importância dos dados quantitativos, para uma pesquisa social e como mensurá-los. LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 44 O presente estudo nos mostra a importância do trabalho cada vez mais elaborado no sentido de obter respostas diante de uma situação que pode ser constantemente transformada. Nesse sentido, o objetivo deste estudo é mostrar a compreensão da estatística no serviço social, visto que o trabalho do assistente social é com as expressões da questão social, ou seja, com a classe em situação de vulnerabilidade social. Portanto, as vulnerabilidades nos trazem questionamentos, de como transformar essa realidade, para tanto, é necessário um conjunto de estudos para levantar dados precisos de uma realidade. Nesse contexto, vamos entender sobre a elaboração de dados, ela se constitui a partir da coleta de informações, em que se obtém os bancos de dados, observa-se, ainda, a importância de ter um bom diagnóstico para definir indicadores adequados para cada circunstância, as problemáticas têm suas particularidades, dessa forma, demandam indicadores próprios a cada necessidade, pois irão subsidiar uma leitura da realidade. Os indicadores são informações que podem ser medidas, quantificadas e qualificadas, e ainda podem ser visualizadas através de imagens gráficas, contribuindo em todo processo de trabalho e trazendo impacto ao desenvolvimento de toda e qualquer gestão, aqui, em especial, às políticas sociais, bem como, todas políticas públicas. A estatística no serviço social está inerente aos instrumentos usados no cotidiano profissional. No decorrer dos estudos fica evidente a importância da estatística e de que forma deve ser aplicada para obter melhores resultados. Segundo Prates, (2017, p.13) “estatística não é um ramo da matemática onde se investigam os processos de obtenção, organização e análise de dados sobre uma determinada população”. “A estatística é a ciência que se preocupa com a coleta, a organização, descrição (apresentação), análise e interpretação de dados experimentais e tem como objetivo fundamental o estudo de uma população” (Prates, 2017, p.14). INTRODUÇÃO LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 45 Os indicadores sociais vêm sendo utilizados com mais frequência em todas as áreas, porém aqui nos referenciamos com maior ênfase no serviço social. Visto que, na sua grande maioria, estão atrelados às desigualdades sociais, sendo essencial ao gestor das políticas sociais, aplicada pelo profissional do serviço social. Segundo Schmitt e Wegrzynovski, (2015, p. 4) “os números fazem parte do dia a dia de todas as classes sociais, todas as categorias profissionais, no meio universitário e acadêmico, há certa oposição ao que se refere aos conceitos sobre estatísticas”. Os dados numéricos que foram coletados através de uma determinada pesquisa, são parâmetros que criam critérios de classificação de indicadores, segundo a área temática de intervenção da realidade social que se pretende, como: Saúde; Educação; Mercado de Trabalho; Demográfico; Habitação; Segurança Pública; Infraestrutura urbana; Renda e desigualdade. Existe um maior valor qualitativo de conceitos e significados do que as questões de valores quantitativos (Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 18). Dessa forma, os autores Schmitt e Wegrzynovski (2015), afirmam que umas das características que os indicadores sociais precisam ter: é à confiabilidade dos dados coletados, pois dependendo da pesquisa, esses dados vão ser utilizados para criação de Políticas Públicas voltadas para a comunidade em geral. Os indicadores sociais proporcionam subsídios para as atividades de planejamento público e na elaboração de políticas sociais, nas diferentes esferas de governo, viabilizam o monitoramento das condições de vida da comunidade através do poder público e da sociedade civil, e também abrem espaço para a investigação acadêmica e sobre a mudança da realidade social e sobre os determinantes dos fenômenos sociais, como: índice de pobreza, taxa de analfabetismo, per capita, taxas de desemprego, taxas de INDICADORES, GRÁFICOS E DADOS SOCIOECONÔMICOS1 TÓPICO LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 46LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 evasão escolar, entre outros, sendo nesse sentido que os indicadores sociais se traduzem em cifras operacionais e tangíveis, nas diversas dimensões da realidade social (Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 138). Os indicadores sociais podem ser utilizados de maneira correspondente para fundamentar as informações reais e concretas de uma determinada realidade regional nos mais diversos segmentos, podendo nortear as ações que serãodirecionadas, oferecendo um suporte aos processos de gestão social (Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 17). Diante dos estudos expostos, entende-se que cada área tem suas necessidades de aperfeiçoamento e objetivos específicos, sendo assim os indicadores sociais vão se diversificando, dessa forma: As exterioridades que determinam a implementação de uma política pública social devem estar em sintonia com as prioridades que aparecem através das demandas de uma determinada realidade social de uma região ou até mesmo do país. Os gestores das políticas públicas possuem a responsabilidade, compromisso e comprometimento nas deliberações e decisões sobre o uso dos dados e dos indicadores sociais, através de ética, transparência e responsabilidade na definição das prioridades sociais (Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 24). Entendemos que, a utilização dos indicadores sociais se faz necessário, pois, não há avanço sem levantamento de dados anteriores no intuito de traçar novos parâmetros para um maior impacto de resultados. Os profissionais do serviço social devem utilizar os indicadores sociais como instrumentos estratégicos para enfrentar as demandas sociais apresentadas e aproveitar os mesmos para construção de novos indicadores, podendo subsidiar relatórios das instituições, organizações de atuação profissional que estejam comprometidas com as dimensões ético-políticas da profissão (Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p.28). No âmbito do trabalho dos profissionais de serviço social estão presentes as mazelas sociais, ou seja, obter dados e construir indicadores sociais no cotidiano do assistente social se torna um ambiente rico de informações, onde se requer respostas rápidas para suprir a demasiada pobreza. Na atualidade, as chamadas ciências investigativas, tornaram-se importantes, pois apresentam as taxas de referências para a atuação de diversas categorias profissionais. No caso do assistente social, na sua atuação prática diária, as taxas são utilizadas através de vários exemplos, como: taxa per capita, taxa de vulnerabilidade social, taxa de desempregos, taxa de mulheres chefes de família, taxa de analfabetismo, entre outros, sendo papel do profissional de serviço social conseguir realizar uma leitura científica das taxas referenciadas em uma determinada pesquisa (Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 6-7). A construção de indicadores sociais acontece através de sistemas organizados para crítica, apreciação e comparação dos dados. Na Política Nacional de Assistência 47LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 Social (PNAS) existem vários sistemas que contribuem com o planejamento da execução e implementação das políticas sociais. Podemos citar alguns exemplos de acordo com o Ministério da Cidadania do Governo Federal (Brasil, 2020): • Sistema do Cadastro Único • Bolsa Família • Sistema de Benefícios ao Cidadão (Sibec) • Sistema do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (V7) • Sistema de Gestão do Programa Bolsa Família (SIGPBF) • Sistema de Condicionalidades (Sicon) • CadSuas • SuasWeb • Carteira do Idoso • SISC • CNEAS • Plano de Ação • SAA • Dados BPC/RMV • BPC na Escola • Registro Mensal de Atendimento (RMA) • Acompanhamento dos Estados • Termos de Aceite e Expansão • Termo de Aceite Primeira Infância no SUAS • Censo SUAS 2016 • SIMPETI • Prontuário eletrônico • Segurança Alimentar • Sistema de gestão do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) – SISPAA • Sistema de gestão do Programa Cisternas - SIG Cisternas • Brasil Sem Miséria • Brasil Sem Miséria no seu Município • Brasil Sem Miséria no seu Estado • Avaliação e Gestão da Informação • Dados e Indicadores 48LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 • Sistema Eletrônico de Informações (SEI) • Sistema Eletrônico de Informações (SEI) - Usuário Externo • Relatório de Informações Sociais • Relatório de Parcelas Pagas • Relatório de Saldo Detalhado por Conta • Relatório de Distribuição Financeira por Piso • Relatório Analítico de Desembolso Financeiro por Ente e Piso • Relatório da Situação da Prestação de Contas dos Recursos Repassados Fundo a Fundo – Suas (Brasil, 2005 - 2013). Schmitt e Wegrzynovski (2015, p. 21) ressaltam que “a base de dados que constitui os indicadores sociais deve estar fundamentada em dados verdadeiros e referência de confiabilidade que ofereçam uma análise da realidade de um território ou determinada região, através das demandas prioritárias”. “Os indicadores apontam, indicam, aproximam, traduzem em termos operacionais as dimensões sociais de interesse definidas a partir de escolhas teóricas ou políticas realizadas anteriormente” (Jannuzzi, 2006, p. 138). Na sequência vamos falar sobre os gráficos, que segundo a definição da Wikipédia é a tentativa de se expressar visualmente dados ou valores numéricos, de maneiras diferentes, assim facilitando a sua compreensão. Existem vários tipos de gráficos e os mais utilizados são os de colunas, os de linhas e os circulares. Os principais elementos são: números, título, fonte, nota e chamada. Nesse sentido, o autor complementa: Os gráficos propiciam uma ideia inicial mais satisfatória da concentração e dispersão dos valores, uma vez que através deles os dados estatísticos se apresentam em termos de grandezas visualmente interpretáveis. Requisitos Fundamentais em um Gráfico • Simplicidade: possibilitar a análise rápida do fenômeno observado. Deve conter apenas o essencial. • Clareza: possibilitar a leitura e interpretação correta dos valores do fenômeno. • Veracidade: deve expressar a verdade sobre o fenômeno observado (Prates, 2017, p. 37). De acordo com Prates (2017, p. 37) “a apresentação gráfica constitui uma representação geométrica dos dados. Permite ao analista obter uma visão rápida e clara do fenômeno e sua variação”. No entanto, os modelos de gráficos são diversos. A escolha dos gráficos depende da natureza das informações e a necessidade de visualizar determinado resultado, com muita atenção na escolha para que fique claro e objetivo os resultados. 49 Caro(a) acadêmico(a), todo material estudado dá uma visão geral sobre indicadores, gráficos, dados qualitativos e quantitativos e com isso passamos a entender sobre a estatística em serviço social. No entanto, para ter um conhecimento mais amplo de todo contexto é necessário um estudo ampliado, segue a indicação abaixo: Fonte: JANNUZZI, Paulo de Martino. Indicadores socioeconômicos na gestão pública. Florianópolis: Departamento de Ciências da Administração - UFSC; [Brasília]: CAPES: UAB, 2009. Disponível em: https://educapes.capes.gov.br/handle/capes/145395 SAIBA MAIS Caro(a) acadêmico(a), para aprimorar seus conhecimentos, indicamos o acesso ao site do Ministério da Cidadania para compreender mais sobre os indicadores sociais: https://www.gov.br/cidadania/ pt-br. Procure sobre a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – PNADS. No site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE: https://www.ibge.gov.br/ você encontrará informações sobre Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE); IPARDES, Instituto Agronômico do Paraná; Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). SAIBA MAIS LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 https://educapes.capes.gov.br/handle/capes/145395 https://www.gov.br/cidadania/pt-br https://www.gov.br/cidadania/pt-br https://www.ibge.gov.br/ 50 Segundo Prates (2017, p. 14) estatística é a ciência que se preocupa com a coleta, a organização, descrição (apresentação), análise e interpretação de dados experimentais e tem como objetivo fundamental o estudo de uma população. A origem histórica da estatística antecede o período denominado “antes de Cristo - a.C.”, pois existem citações bíblicas que usavam o recadastramento para utilizar nos censos, objetivando a cobranças de taxas de impostos, de alistamento para as guerras e para umcontrole das crianças que nasciam vivas. Um exemplo bíblico a ser utilizado, para provar a existência da estatística a.C., é através da história de Moisés, onde era solicitado perante um censo o controle de filhos primogênitos masculinos que nasciam vivos, pois deveriam serem sacrificados (Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 6). Podemos constatar, que antes de Cristo, já era usado a estatística, fez se necessário para uma organização, um controle, formas de contagem de dados para o suporte do governo na época. A estatística é a ciência que consiste na recolha, manipulação e classificação de dados tendo em vista o conhecimento de determinado fenômeno e a possibilidade de, a partir desse conhecimento, inferir possíveis novos resultados. É objetivo da Estatística extrair informação dos dados para obter uma melhor compreensão das situações que representam (Prates, 2017, p. 14). Diante dos estudos, vimos que para fazer uma pesquisa estatística o primeiro passo é ter o problema e os objetivos, segundo passo é realizar a coleta de dados, ou seja, a aplicação de um bom questionário para conhecer bem o público a ser pesquisado, ESTATÍSTICA EM SERVIÇO SOCIAL2 TÓPICO LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 51LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 posteriormente fazer a contagem dos dados e análise deles, dessa forma, obter as respostas que a pesquisa propôs. No serviço social a estatística é utilizada como uma ferramenta que está inclusa nos instrumentais teóricos e metodológicos referentes à atuação profissional do assistente social, possibilitando a análise e compreensão da realidade social em que se pretende conhecer. Dessa maneira promove quantificar os dados numéricos da realidade em estudo, apresentando informações relacionadas às análises realizadas, tanto de maneira propositiva como crítica dos resultados apresentados, que resultarão em uma intervenção crítica e criativa nas demandas sociais, através de programas e projetos (Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 9). Faz-se necessário um resgate histórico do avanço da estatística, segundo Prates (2017): O Imperador Cesar Augusto, por exemplo, ordenou que se fizesse o Censo de todo o Império Romano. A palavra Censo é derivada da palavra Censere, que em Latim significa taxar. Em 1085, Guilherme, O Conquistador, solicitou um levantamento estatístico da Inglaterra, que deveria conter informações sobre terras, proprietários, uso da terra, empregados e animais. Os resultados deste censo foram publicados em 1086 no livro intitulado “Domesday Book” e serviram de base para o cálculo de impostos (Prates, 2017, p. 9). Ainda segundo Prates (2017, p. 10) “a palavra Estatística foi cunhada pelo acadêmico alemão Gottfried Achenwall (1719- 1772), que foi um notável continuador dos estudos de Hermann Conring (1606-1681)”. Prates (2017, p. 16) nos coloca que “o trabalho estatístico é um método científico, que consiste das cinco etapas básicas seguintes”: coleta e crítica de dados; tratamento dos dados; apresentação dos dados; análise e interpretação dos resultados e conclusão. Dessa forma, essas etapas, compõem o processo de Trabalho de Conclusão de Curso, ou seja, o TCC, como também, os artigos científicos e monografias, a análise dos dados se faz necessária para realizar as comparações dos gráficos e indicadores propostos na pesquisa a ser realizada. O autor Prates menciona que: Um de seus mais notáveis adeptos foi o pastor alemão Sussmilch (1707-1767), com o qual se pode dizer que a Estatística aparece pela primeira vez como meio indutivo de investigação. Na última metade do século XIX, os alemães Helmert (1843-1917) e Wilhelm Lexis (1837-1914), o dinamarquês Thorvald Nicolai Thiele (1838-1910) e o 11 Wecsley Otero Prates inglês Francis Ysidro Edgeworth (1845- 1926), obtiveram resultados extremamente valiosos para o desenvolvimento da Inferência Estatística, muitos dos quais só foram completamente compreendidos mais tarde (Prates, 2017, p. 10 e 11). Ao referenciar sobre a estatística indutiva de investigação, os autores Lakatos e Marconi (1991, p. 86), mencionam que a indução “é um processo mental por intermédio do 52LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 qual, partindo de dados particulares, suficientemente constatados, infere-se uma verdade geral ou universal, não contida nas partes examinadas”. Desse modo, falar sobre a indução leva à conclusão de um conteúdo amplo do processo de pesquisa. No entanto, temos que citar o método dedutivo, que segundo os autores, o método faz parte da compreensão da regra para compreender os casos específicos, Lakatos e Marconi (1991, p. 91) “expõem dois exemplos que servem para ilustrar a diferença entre argumentos dedutivos e indutivos”. A figura abaixo mostra os métodos para sua compreensão, ou seja, o dedutivo está relacionado ao verdadeiro se todas as premissas devem ser verdadeiras, já o método indutivo se refere às premissas verdadeiras. Ainda sobre os métodos é necessário saber sobre o método dialético, que significa dialogar, debater sobre um resultado de uma pesquisa. FIGURA 1: ARGUMENTOS DEDUTIVOS E INDUTIVOS Fonte: SALMON, Wesley C. Lógica. 4. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 1978. Ao pensarmos em estatística no serviço social, logo nos vem em mente o medo da matemática, das regras, dos cálculos, da regra de três, e das interpretações dos números, cabe nos pensar que a estatística vem ao encontro para a mensuração dos dados, interpretação dos resultados, como também uma forma de demonstrar a realidade por meio dos dados, possibilitando a compreensão para criação de políticas públicas, dessa forma, a estatística pode se tornar uma ferramenta importante para o processo de implantação, avaliação e monitoramento dos programas sociais. De acordo com os autores Schmitt e Wegrzynovski (2015, p. 4): A estatística no serviço social é essencial, pois ela vem romper padrões construídos numa visão errônea da profissão, desta forma é necessário ter fundamentação teórica para um melhor entendimento. Relacionado a esta visão, podemos citar como exemplo quando ouvimos dizer: “escolhi este curso porque não tem nada a ver com cálculos”. Constata-se um equívoco, pois, é necessário o uso de cálculos em todos os cursos e em todas as classes sociais, o que muda é a proporção do seu uso, uns mais outros menos. 53LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 Como exemplo disso, temos dentro do Serviço Social, por meio da atuação do Assistente Social, em sua prática diária, entender, interpretar e propor melhorias por meio das análises dos dados de uma determinada realidade social e conseguir realizar uma leitura científica das taxas referenciadas em uma determinada pesquisa, como: taxa per capita, taxa de vulnerabilidade social, taxa de desempregos, taxa de mulheres chefes de família, taxa de analfabetismo, entre outros, sendo papel do profissional do Serviço Social. A estatística não é um ramo da matemática onde se investigam os processos de obtenção, organização e análise de dados sobre uma determinada população (e/ou região). A estatística também não se limita a um conjunto de elementos numéricos relativos a um fato social, nem a números, tabelas e gráficos usados para resumo, à organização e apresentação dos dados de uma pesquisa, embora este seja um aspecto da estatística que pode ser facilmente percebido no cotidiano (não só por profissionais, mais por toda a sociedade). Ela é uma ciência multidisciplinar, que permite a análise estatística de dados de um físico. Poderia também ser usada por um economista, agrônomo, químico, geólogo, matemático, biólogo, sociólogo, psicólogo e cientista político. (Marcelino, 2010, p.1, apud Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 5). Portanto, fica evidente quando o autor nos menciona que a estatística não é exclusiva dos profissionais, e sim pode ser usada por toda população. A estatística nos dá suporte para planejar e coletar; organização dos dados, análise, processamento,interpretação e visualização das informações. Contudo, tem a função de mostrar de forma mais concreta determinada realidade. As estatísticas permitem obter uma representação simples de conjuntos complexos e verificar se essas representações simplificadas têm relações entre si; Adolphe Quetelet (1796-1874), importante estudioso da estatística, introduziu a noção de “homem médio” (l’homme moyen) como um meio de compreender fenômenos sociais complexos, como taxas de criminalidade, de casamento e de suicídio (Vieira e Geber, 2016, p. 67). A partir dos estudos realizados constatou-se que um dos maiores e mais completos trabalhos estatísticos no Brasil é o Censo Demográfico, como citado a seguir: O censo demográfico é concretizado a cada dez anos, e tem por objetivo a contagem da população, no intervalo desse período é realizada a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio – PNADS, visando um acompanhamento anual sistêmico do panorama socioeconômico, um dos focos mais relevantes dessa pesquisa é a fecundidade/anticoncepção, a migração, saúde, mobilidade, os associativismos partidários, os bens de consumo. A década de 80 teve um destaque especial na pesquisa sobre o mercado de trabalho (Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 8). Desse modo, cabe aqui explicar a origem da contagem, a primeira contagem que antecede ao CENSO da população brasileira, foi realizada no ano de 1972, durante o Império, no ano 1890 sobre a República, que os Censos se tornaram decenais, ou seja, a pesquisa 54LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 será realizada a cada dez anos, os responsáveis pela execução é e sob responsabilidade do IBGE desde 1940, o Brasil foi o primeiro país a iniciar a coleta de dados sobre renda, por meio de Censo. O mesmo tem como objetivo coletar informações da situação de vida da população em cada município, localidade e país. É importante reforçar que o Estado e sociedade civil, se beneficiam com a coleta de informações, pois é por meio da democracia descentralizada e a política administrativa, onde os prefeitos, governo, órgãos municipais e estaduais podem realizar o planejamento com base em informações atualizadas sobre a população. O Brasil é um dos países que possui o censo demográfico mais completo e detalhado se comparado com outros países. Destacamos ainda que a pesquisa realizada pelo Censo Demográfico, utiliza a técnica de amostragem na coleta de informações, com a metodologia programada por meio de questionários e resultados da amostra. Enaltecemos que ano de 2021, em que o Brasil está passando por um período de pandemia, a não realização da pesquisa pode prejudicar o atendimento de políticas públicas e os investimentos no País, necessitando de números para a distribuição das vacinas, como também recursos, os municípios de pequeno porte sofreram com a falta da pesquisa, uma vez que ela foi cancelada devido às exigências da Organização Mundial da Saúde em permanecer com isolamento social, até abaixo dos números de contaminados, atualmente os dados de hoje usados como referência são de 2010. Como já sinalizado, não existe ciência sem a utilização de um método. Auguste Comte, o pai do positivismo, acreditava que era possível planejar o desenvolvimento da sociedade e do indivíduo com os critérios e métodos das ciências exatas e biológicas. Para esse autor, não só os fenômenos naturais poderiam ser reduzidos a leis, mas também os fenômenos sociais, os fenômenos humanos, poderiam ser analisados como fenômenos naturais, e assim, tanto o pesquisador das ciências naturais quanto o das ciências humanas deveria se afastar de qualquer preconceito ou pressuposto ideológico para realizar seus estudos. Como já evidenciado, a ciência não é neutra e a sociedade é multifacetada, não podendo ser analisada e controlada em laboratório como os fenômenos naturais; assim, para as Ciências Sociais o método utilizado nas Ciências Naturais não pode ter a mesma lógica de investigação (Vieira e Geber, 2016, p. 48 e 49). 55 Neste tópico, vamos conhecer as especificações dos indicadores sociais, para entender em quais situações específicas cabe usar cada um deles, como os dados qualitativos são importantes para uma pesquisa social. De acordo com os autores (Santos, 2008, p. 7 apud Schmitt e Wegrzynovski, 2015, p. 211). Indicadores qualitativos: esses indicadores possuem uma imergência no campo, dizem respeito à presença no lugar onde será realizado o estudo e coleta dos dados (observando, entrevistando, interagindo, etc.). Onde uma comunidade, um grupo, ou um contexto estabelecem uma amostra significativa ou representativa, é o que define a pesquisa, “[…] procuram focar processos em que é preferível utilizar referências de grandeza, intencionalidade ou estado, tais como forte/fraco, amplo/restrito, frágil/estruturado, ágil/ lento, satisfatório/ insatisfatório.” Dessa forma, destacamos que o Estudo de Caso é considerado um método qualitativo, no qual que consiste uma forma de aprofundar uma análise individual, em sua qualidade, em que o resultado depende do fenômeno social, em seu cenário político, social e econômico da pesquisa a ser realizada. Para Minayo: a pesquisa qualitativa se preocupa, nas ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo de significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e dos fenômenos que não podem ser reduzidos à operacionalização de variáveis (Minayo, 1994, p. 22). Percebe-se nos estudos que cada autor atribui características diferentes aos dados qualitativos e quantitativos, na realidade entende-se que elas se complementam, vamos observar a seguir: DADOS QUALITATIVOS3 TÓPICO LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 56LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 alguns autores entendem a pesquisa qualitativa como uma “expressão genérica”. Isto significa, por um lado, que ela compreende atividades de investigação que podem ser denominadas específicas. E por outro, que todas elas podem ser caracterizadas por traços comuns. Esta é uma ideia fundamental que pode ajudar a ter uma visão mais clara do que pode chegar a realizar um pesquisador que tem por objetivo atingir uma interpretação da realidade do ângulo qualitativo (Triviños, 1987, p. 120). Cabe ressaltar que a pesquisa busca a compreensão do sujeito e o objeto da pesquisa, por meio das suas observações, percepções e conhecimento teórico metodológico sobre a temática. A pesquisa qualitativa estabelece a observação de situação habitual em ocasião real e solicita uma descrição e análise subjetiva da experiência. Procura “a busca da compreensão de ‘como’ ocorre os fenômenos. Preocupa- se em compreender e se refere ao mundo dos significados e do simbolismo” (Canzonieri, 2010, p. 38). Os resultados da pesquisa qualitativa, resultam em uma aproximação do pesquisador com o fenômeno, como também a construção do conhecimento, no qual leva a pensar, a refletir sobre os dados encontrados, sua característica está relacionada ao levantamento de dados, a compreensão e interpretação e expectativas do pesquisador, sendo definida como uma pesquisa exploratória, não constando números como resultados, mas enaltecendo a análise dos dados como um conceito a ser explicado e desenvolvido, a metodologia utilizada para mensuração dos dados, é por meio de as entrevistas semiestruturadas, as observações de campo, entre outras, não utilizando métodos e técnicas estatísticas, conforme citado acima, a pesquisa qualitativa está relacionada ao seu ambiente natural, e o pesquisar é um precursor para execução por meio da coleta de dados, de forma descritiva e análise indutiva (Lakatos e Marconi, 1991). 57 Acadêmico(a), abordaremos a pesquisa quantitativa em seu conceito, como também a importância para pesquisa social, desse modo, o significado da palavra quantidade, temorigem do latim que indica quantos (Canzonieri, 2010). Ainda segundo a autora: É uma modalidade utilizada quando o desenho da pesquisa está direcionado para responder à pergunta “quantos”, realizada pelo pesquisador por meio de dados numéricos, estatísticos, para fazer comparações entre o que foi pesquisado. Este método confere segurança para provar uma realidade frente a hipóteses formuladas, com o intuito de revelar dados, indicadores e observação, que comprovem medidas confiáveis, generalizáveis e sem vieses (Canzonieri, 2010, p.137). Conforme exposto pelos autores, a pesquisa quantitativa se caracteriza por quantificar os resultados da coleta de dados, caracterizada por proporcionar a exatidão aos trabalhos, onde os resultados são classificados com poucas chances de incoerências. O método quantitativo caracteriza-se pelo emprego da quantificação, seja na modalidade de coleta de dados, quanto no tratamento deles através de técnicas estatísticas. Usados frequentemente nos estudos descritivos, aqueles que procuram encontrar e classificar a relação entre as variáveis, que acabam investigando a relação de causalidade entre fenômenos (Richardson, 2011 apud Vieira e Geber, 2016, p.137). Abaixo, a figura 2, demonstra o processo das Políticas Públicas, dessa forma, os dados numéricos, coletados por meio em uma pesquisa, são parâmetros para criação dos indicadores, de acordo com a área temática de intervenção, como também da realidade social, como exemplo, destacam-se os índices de saúde, educação, mercado de trabalho, demográfico, habitação, infraestrutura urbana, renda, desigualdades sociais, saneamento básico. DADOS QUANTITATIVOS4 TÓPICO LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 58LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 FIGURA 2: PROCESSOS DAS POLÍTICAS PÚBLICAS Fonte: a autora. Desse modo, podemos verificar que o método estatístico, com a descrição quantitativa e qualitativas, define e delimita as classes sociais e quantifica para o melhor entendimento, proporcionando a viabilidade do aumento e monitoramento das políticas sociais, mas cabe ressaltar que a apresentação dos resultados deverá ser analisada de forma minuciosa com a clareza nas informações, especialmente, quando forem apresentadas por meio de gráficos, tabelas e porcentagem, pois o leitor da pesquisa pode ser leigo aos conceitos básicos, portanto a escrita deve ser redigida de forma que leitor entenda a pesquisa bem como o resultado. Através da pesquisa quantitativa busca-se entender os elementos básicos da análise por meio de números, sendo que o pesquisador mantém distanciamento do procedimento, ou seja, dos sujeitos, independente do contexto, teste de hipóteses, no qual o raciocínio deverá ser lógico e dedutivo, estabelecendo relações, causas, buscando generalizações e preocupando-se com as quantidades, utilizando instrumentos específicos (Vieira e Geber, 2016, p. 138). Dessa forma, a estatística fornece informações, definições por meio de parâmetros de uma realidade social pesquisada, portanto, o profissional pesquisador deverá ter a percepção para colher os dados objetivos e desenvolver o diagnóstico social nas atividades diárias da profissão através de dados e taxas numéricas que mostram o foco da realidade social estudado. Caro(a) acadêmico(a), como já vimos, não é necessário ser um estatístico, porém devem estar preparados para realização deste trabalho, visto que, o método estatístico já faz parte do instrumental dos assistentes sociais. E, o autor Augusto Comte contribui com esse contexto histórico: Como já sinalizado, não existe ciência sem a utilização de um método. Auguste Comte, o pai do positivismo, acreditava que era possível planejar o desenvolvimento da sociedade e do indivíduo com os critérios e métodos das ciências exatas e biológicas. Para esse autor, não só os fenômenos naturais poderiam ser reduzidos a leis, mas também os fenômenos sociais, os fenômenos humanos, poderiam ser analisados como fenômenos naturais e, assim, tanto o pesquisador das ciências naturais quanto o das ciências humanas deveria se afastar de qualquer preconceito ou pressuposto ideológico para realizar seus estudos. Como já evidenciado, a ciência não é neutra e a sociedade é multifacetada, não podendo ser analisada e controlada em laboratório como os fenômenos naturais; assim, para as Ciências Sociais o método utilizado nas Ciências Naturais não pode ter a mesma lógica de investigação Fonte: Vieira e Geber, 2016, p. 48-49. REFLITA 59 Abaixo segue tabela com indicações de sites para pesquisas. TABELA 1: SITES DE BUSCA DE INDICADORES SOCIAIS Fonte: a autora. FONTE SITE TEMÁTICA IBGE https://www.ibge.gov.br/ • Síntese de Indicadores Sociais. • Síntese de Desenvolvimento Sustentável. • Indicadores Sociais: Países/ Estados/ Cidades PNUD https://www.br.undp.org/ • Aplicativo de Atlas do Desenvolvimento Humano e relatório com o mesmo índice IPEA https://www.ipea.gov.br/portal/ • Relatório do IPEADATA. • Radar Social. • Relatório de Acompanhamento dos • Objetivos de Desenvolvimento do Milênio Ministério da Saúde https://www.gov.br/saude/pt-br • Indicadores e Dados Básicos. • Cadernos de Informações Municipais. Portal ODM http://www.odmbrasil.gov.br/ • Sistemas de Indicadores Municipais. SAIBA MAIS LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 https://www.ibge.gov.br/ https://www.br.undp.org/ https://www.ipea.gov.br/portal/ https://www.gov.br/saude/pt-br http://www.odmbrasil.gov.br/ 60 Concluímos essa unidade enaltecendo a importância da pesquisa social e das estatísticas, por meio da mensuração dos resultados, entendendo e diferenciando as abordagens quantitativa e qualitativa na análise de uma determinada realidade social a ser estudada. A relação entre os dados quantitativo e qualitativo é vista como dicotômica, ou seja, cada um com sua especificidade, atuando de forma interdependente, em que são complementares entre si e contribuem para o conhecimento da realidade. No entanto, a pesquisa qualitativa está relacionada aos aspectos da realidade que não podem e não devem ser quantificados. Desse modo, a estatística social tem o papel de apresentar os dados coletados em uma pesquisa bruta, ou seja, por meio de números, através das pesquisas nos sites, como CENSO, IBGE, IPARDES e entre outros, utilizando as amostras e por dados que estão organizados em registros e arquivos públicos. Acadêmico(a), os indicadores sociais, possibilitam perceber que eles são instrumentos que explanam as diferenças de uma região, de um espaço geográfico, município, local, onde norteiam o mapeamento das regiões consideradas mais desenvolvidas que as outras, evidenciando fatores determinantes para essa diferenciação, como, por exemplo, fatores econômicos, geográficos, sociais, culturais, políticos, entre outros. CONSIDERAÇÕES FINAIS LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 61 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: Indicadores sociais: como elaborar e como usar • Ano: 2021. • Sinopse: O uso de indicadores é essencial na gestão pública, e eles devem estar presentes em todas as etapas do ciclo de políticas públicas. Sua elaboração e utilização requerem conhecer seus limites e possibilidades, o que pode ser aprendido. O vídeo é conduzido por Paula Montagner (Fundação Seade), e mediado por Ricardo Kadouaki, onde abordaram a temática sobre o processo de elaboração de indicadores como ponto de partida para o avanço de novas formas de uso das informações e registros públicos. • Link de Acesso: https://www.youtube.com/watch?v=xSavVXB8C3U LIVRO • Título: Indicadores Sociais no Brasil. Conceitos, Fontes de Dados e Aplicações • Autor: Paulo de Martino Jannuzzi. • Editora: Alínea; 6ª edição (1 janeiro 2017). • Sinopse: Desde a primeira edição deste livro, em 2001, o Brasil e o mundo passaram por intensas mudanças. Novas agendas de políticas e programas sociais foram propostas, expandiram-se, consolidaram- se. Novos indicadores têm sido engendradose demandados pelas políticas públicas. Surgiram os compromissos dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), agora ampliados com a agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que vêm mobilizando países, instituições estatísticas e centros de pesquisa a produzirem novos indicadores, em bases mais regulares. LEITURA E ELABORAÇÃO DE DADOSUNIDADE 3 https://www.youtube.com/watch?v=xSavVXB8C3U Professor(a) Esp. Ana Cristina da Silva Gomes O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIAL4UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 63 Plano de Estudos • A Produção de pesquisas com as experiências do cotidiano profissional; • A mediação das demandas apresentadas no cotidiano; • A prática da pesquisa em diferentes espaços sócio-ocupacionais; • Indissociabilidade entre Intervenção e Investigação. Objetivos da Aprendizagem • Demonstrar a importância da pesquisa pautada nas experiências do Assistente Social; • Identificar a mediação como um instrumento de atuação profissional; • Contextualizar a prática em seus diferentes espaços sócio-ocupacionais; • Evidenciar a importância de entender a diferença da intervenção e a investigação na prática profissional. O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 64 Segundo Ferrari (1974), ciência se refere ao conjunto de atividades e atitudes, este tópico nos remete a produção de pesquisas pautadas no cotidiano profissional, em que perpassam pelo Projeto Ético Político do Serviço Social, sendo a referência para o agir profissional rotineiro, como também a Lei que Regulamenta a Profissão e Código de Ética Profissional. Em um segundo momento, a abordagem por meio das mediações das demandas apresentadas dentro do Serviço Social, como questões sindicais quanto às relacionadas à discriminação sexual, racial, violência contra mulheres, crianças, adolescentes, jovens e idosos entre outros. No tópico três a pesquisa em diferentes espaços sócio-ocupacionais, como setor da habitação, educação, assistência social, saúde e entre outros, onde cada espaço possui sua particularidade e subjetividade, no entanto o agir profissional, é indissociável com as práticas de pesquisas investigativas como mediação profissional. Pois bem conhecer a realidade, interpretar demanda de uma formação intelectual que deve ser explorada dentro dos espaços educacionais, em que haja um aumento de pesquisadores para se dar respostas para as questões sociais, de acordo com suas habilidade e competências. INTRODUÇÃO O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 65 Caro(a) acadêmico(a), imaginemos, agora, um profissional que tomasse uma decisão profissional de acordo com sua subjetividade, moral, crenças, sentimentos pessoais e começasse a fazer perguntas inesperadas, sem planejamento e sem uma programação. Alguém que tomasse uma decisão profissional, dessa forma, estaria indo ao contrário de sua profissão, seja ela, na área de humanas, exatas e entre outras. Dessa forma, este tópico nos indaga a refletir sobre o cotidiano profissional do Assistente Social. Ao tomar como referência a pesquisa como uma produção dos conhecimentos, enaltecemos a importância do conhecimento metodológico, teórico da profissão, em que esse profissional estaria começando a adotar o que chamamos de Projeto Ético Político do Serviço Social, que tem por finalidade orientar o exercício profissional com objetivo de não naturalizar as questões rotineiras, para além das entrelinhas, evitando a prática paliativa e centralizadora, proporcionando a autonomia do profissional que atua em espaços que carregam implicações à sua prática cotidiana. Na Assistência Social, destacamos a criação do Sistema Único de Assistência Social – SUAS, o qual fez crescer a oferta de serviços e modificou os parâmetros de atuação e gerenciamento do Assistente Social. Segundo Faleiros (2014, p. 717): A prática profissional é um enfrentamento enquanto relação complexa e contraditória de poder, recursos, valores, linguagem, dispositivos, estratégias, operações, visões de mundo, situações sociais de desigualdade, sofrimento, exclusão. Enfrentamento relacional de determinações econômicas, políticas, sociais, culturais, entre outras, com dinâmica histórica e política da contestação e da expressão de si e da própria sociedade. Desse modo, podemos afirmar que os assistentes sociais na sua prática profissional, possuem autonomia relativa para determinar a melhor forma de conduzir sua prática de A PRODUÇÃO DE PESQUISAS COM AS EXPERIÊNCIAS DO COTIDIANO PROFISSIONAL1 TÓPICO O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 66O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 trabalho junto aos usuários da política de assistência social, com foco na defesa de seus direitos. Assim sendo, não devemos esquecer que o Serviço Social, trabalha para o capital, e que o Estado é o mediador. Essa compreensão deve ser entendida para que a prática profissional seja realizada de forma ética e com êxito e que entendemos que o Serviço Social se submete às exigências do capitalismo, sendo esse o maior desafio da prática profissional, em que ele está inserido para ser o mediador das políticas sociais. Tecer essas considerações sobre o cotidiano do trabalho nos mostra a importância da pesquisa científica para responder às demandas sociais. Desse modo, caro(a) acadêmico(a) nos próximos tópicos, os campos de trabalho estarão em evidências no seu material de estudo. 67 A MEDIAÇÃO DAS DEMANDAS APRESENTADAS NO COTIDIANO2 TÓPICO O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 As mediações aqui apresentadas, referenciadas por Mota (2011), apresenta os “movimentos sociais”, como demandas do Serviço Social, tanto as tradicionais, relacionadas às questões sindicais quanto às relacionadas à discriminação sexual, racial, violência contra mulheres, crianças, adolescentes, jovens e idosos, demandas essas, rotuladas no período contemporâneo, que foram bandeiras no período dos Movimentos Sociais. Destacamos que a atuação do Assistente Social depende da organização contratante da classe, mas que os Assistentes Sociais são conhecedores das legislações, da política pública e dos direitos sociais, como também historicamente, o profissional não pode ser enxergado como um mero mediador das políticas públicas, mas que eles possam participar do processo de formulação e fiscalização das política sociais, por meio dos espaços de debates, como conferências anuais, debates, congresso e reunião com a rede de proteção. De acordo com Antunes (2000), fica em evidência que decorrente da sobrecarga de trabalho do assistente social, ele tem sido impedido da participação efetiva do espaço de articulação e debate, decorrente do acúmulo de funções e número reduzido de profissionais dentro da política pública como também diante dos problemas sociais emergências da população demandante. Dessa forma, a instrumentalidade como mediação, refere-se aos instrumentos e técnicas para o agir profissional, de acordo com Guerra (2009, p. 30), [...] “refere-se à dimensão que o componente instrumental ocupa na constituição da profissão”. Ainda, segundo o autor: 68O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 [...] a complexidade e diversidade alcançadas pela intervenção profissional, no sentido de atender às demandas e requisitos originais das classes sociais, colocam-na como dimensão mais desenvolvida da profissão e, portanto, capaz de indicar as condições e possibilidades da mesma. Tais demandas e requisições exigem do profissional a criação e recriação, tanto de categorias intelectuais que possam tornar compreensíveis as problemáticas que lhe são postas, como de novos sistemas de mediação que possibilitem a passagem das teorias às práticas (Guerra, 2009, p. 34). Cabe aqui explicar sobre as limitações, dificuldades,constrangimentos, que são parte das situações que o Assistente Social enfrenta no momento de coletar as informações e chegar próximo da intervenção profissional, como apresenta Guerra, no que se refere à sua peculiaridade, de mediação, no cotidiano das classes vulneráveis, em termos de intervir nas condições objetivas e subjetivas de vida dos usuários, no qual o assistente social exerce sua instrumentalidade, pois é no cotidiano que a reprodução social se realiza através da reprodução dos indivíduos (Netto, 1996). De acordo com (Guerra, 1997), reconhecer as instrumentalidades como mediação, nos remete a pensar o Serviço Social em sua totalidade e múltiplas dimensões, como: técnico instrumental, teórico-intelectual, ético-política e formativa, segundo as autoras Guerra (1997, p. 28): (...) a instrumentalidade como uma particularidade e, como tal, campo de mediações que porta a capacidade tanto de articular estas dimensões quanto de ser o conduto pelo qual as mesmas traduzem-se em respostas profissionais. No primeiro caso a instrumentalidade articula as dimensões da profissão e é a síntese das mesmas. No segundo, ela possibilita a passagem dos referenciais técnicos, teóricos, valorativos e políticos e sua concretização, de modo que estes se traduzam em ações profissionais, em estratégias políticas, em instrumentos técnico-operativos. Em outros termos, ela permite que os sujeitos, face à sua intencionalidade, invistam na criação e articulação dos meios e instrumentos necessários à consecução das suas finalidades profissionais. As percepções diárias implicam na mediação, mas só podem ser resolvidas por meio das políticas públicas voltadas para sociedade. 69 A PRÁTICA DA PESQUISA EM DIFERENTES ESPAÇOS SÓCIO-OCUPACIONAIS3 TÓPICO O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 O Serviço Social, perpassa por diversos espaços sócio-ocupacionais, dessa forma, o trabalho do assistente social, tem sido discutido e incluso no processo de pesquisas, como busca de resposta para questão social, tomada como prioridade, como proposta dos três poderes, cabe ressaltar que de acordo com os autores, Urbaneski (2008), destacam que a busca do conhecimento está relacionada com o início do estudo da Sociologia, que surge como consequências da necessidade de compreender os problemas sociais, dessa forma, a Sociologia está relacionada com as questões sociais, com intuito de compreender e entender o funcionamento da sociedade. De acordo com (Schaefer, 2006, p. 3): A sociologia, de modo bem simples, é o estudo sistemático do comportamento social e dos grupos humanos. Ela focaliza as relações sociais e como essas relações influenciam o comportamento das pessoas e como as sociedades, a soma de tais relações se desenvolve e muda. Neste sentido, temos autoras referenciadas no corpo de pesquisa dentro do Serviço Social, como Marilda Iamamoto, Raichelis e Yazbek. Essas autoras escrevem sobre a atuação profissional e quais as condições técnicas, estruturais e institucionais do mercado de trabalho, como também a precarização da profissão em seus espaços sócio- ocupacionais, pautados no projeto ético-político do Serviço Social. 70O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 A autora Yazbek (2014), enaltece e sinaliza como a sociedade atual, influencia no fazer profissional, não somente na área do Serviço Social, mas com o em outras profissões, a referência sobre a precarização do trabalho, nos remete aos espaços públicos, com falta de investimento em políticas sociais, o trabalho intenso, sobre uma perspectiva multifuncional, exigência da polivalência, atuando com metas, pressão e resultados, uso excessivo e obrigatório das tecnologias de informação e comunicação, para a mensuração das prestações de contas mensais e ou bimestrais, acúmulo de tarefas, deixando de lado o cunho intelectual, teórico, metodológicos, por científico e crítico social, como também a qualidade dos serviços. Alguns autores escrevem sobre a atuação paliativa, imediata, sem planejamento, intensificando a degradação e a exploração do trabalho. Destacamos ainda os novos espaços tanto na rede privada como também pública, na qual ultrapassa as competências e atribuições privativas. Desse modo, conforme mencionado acima, a Sociologia é o estudo da sociedade, sociedade está com os problemas sociais expostos e muitos sem resposta, cabe aqui, mencionar a importância da crítica ao sistema capitalista, que nos remete às questões sociais atuais, no entanto o profissional trabalha para o sistema capitalista, sendo também um trabalhador assalariado dentro dos espaços ocupacionais dos assistentes sociais. A autora Raichelis (2013), esclarece sobre a dinâmica da sociedade: A dinâmica societária desencadeada pela crise contemporânea [...], atinge a totalidade dos processos produtivos e também dos serviços, alterando perfis profissionais e espaços de trabalho das diferentes profissões, que, como o Serviço Social, têm na prestação de serviços sociais seu campo de intervenção privilegiado, e nas instituições sociais públicas e privadas seu espaço ocupacional por excelência (Raichelis, 2013, p.619 - 620). Nesse sentido, as políticas públicas são os resultados dos Movimentos Sociais, da luta, da militância da classe trabalhadora, em que um grupo de pessoas se reúne para reivindicar interesses da coletividade, dar respostas para as expressões da questão social, Caro(a) acadêmico(a), reflita sobre essa leitura complementar, pois a Sociologia é uma área do conhecimento que estuda a sociedade em geral, ou seja, as mazelas sociais existentes no mundo, já o Serviço Social, atuará com as mazelas, executando sua intervenção por meio das políticas públicas. Fonte: a autora. REFLITA 71O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 os movimentos são práticas diferenciadas, pois não existe um objetivo individual e sim coletivo, ou seja, são diferentes classes sociais em busca de melhores condições de vida perante o modelo do sistema capitalista. O Brasil vive situações em que aqueles que comandam e possuem mais posses regem e controlam o país. São deixados totalmente de lado aqueles que precisam, esquecendo-se da necessidade da população em geral, sejam eles ricos ou pobres. A única forma de demonstrar que há insatisfação é através da união das pessoas, para lutar pela mudança da situação política, econômica e social. Esta união é mais conhecida como movimentos sociais (Schreiner, 2017, p. 03) A autora Raichelis (2010), menciona que as políticas sociais, são mediadoras do Estado para viabilizar o trabalho do Assistente Social, atendendo às sequelas deixadas pela questão social e sistema capitalista, em seu contexto econômico, cultural, social e político vigente, em que é notório que as políticas sociais, oferecidas pelo Estado, por sua vez, são ineficazes para o combate da questão social, considerando a conjuntura global, em que interferem na vida social dos usuários como também no trabalho do assistente social, dificultando o exercício da cidadania e direitos sociais, como também a implementação das políticas e programas sociais oferecidos para os usuários. Destacamos que, embora o Serviço Social seja uma profissão regulamentada como liberal, ou seja, o profissional é assalariado, atuando nas contradições do sistema capitalista que perpassam as classes sociais, são possuidores de autonomia técnica decorrente de seu conhecimento, teórico-metodológico, ético-político e técnico-operativo; por outro lado, estão vinculados aos ditames do sistema capitalista, dessa forma, o assistente social, atua nos seus espaços de trabalho, ditados pelo capitalista. Raichelis, destaca que: A condição de trabalhador assalariado — seja nas instituições públicas ou nos espaços empresariais ou “sem fins lucrativos”, faz com que os profissionais não disponham totalmente, nemtenham controle sobre as condições e os meios de trabalho postos à sua disposição no espaço institucional (Raichelis, 2013, p. 620). Neste sentido, o campo das políticas sociais estão dentro dos campos sócio ocupacionais como: prefeituras, empresas, penitenciárias, saúde, rede de assistência social (CRAS, CREAS, CAPS, CRAM), judiciário, habitação, escolas, Apae e entre outros. Cada campo possui o seu serviço, sua estrutura e seu método, em outras palavras os espaços ocupacionais podem ser divididos em: primeiro setor, que é formado pelo governo, segundo setor sãos as empresas privadas e, terceiro setor, são associações sem fins lucrativos, desse modo, o maior empregador é o primeiro setor, ou seja, em esfera estatal, com ênfase no municipal. 72O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 Nesse contexto, destacamos a importância do Serviço Social na produção de conhecimento, em que sua primeira experiência acontece no último ano de graduação, em que será estudado as disciplinas de Pesquisa em Serviço Social, como também a Metodologia Científica. Os programas de graduação e pós-graduação são relevantes, no desenvolvimento da pesquisa, mas que no Brasil, a pesquisa científica iniciou antes dos cursos de graduação e pós-graduação, sendo desenvolvidos em institutos de pesquisa vinculados à administração pública, como exemplo, Instituto Butantan e o Instituto Oswaldo Cruz, entre outros. Setubal (2013, p. 77) esclarece sobre a profissão do assistente social que, “a origem dos documentos de Araxá (1967) e Teresópolis (1970), como também a partir da criação dos cursos de pós-graduação”. O primeiro Programa de pós-graduação em Serviço Social foi criado em 1971 na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), logo em seguida (1972) veio o da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC- RJ); o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) em 1976; o da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) em 1977; o da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) em 1978; e o da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 1979 (Rosa, 2008, p. 44). Desse modo, com a pós-graduação em Serviço Social, a um crescimento da produção de conhecimento, como destaque da Editora Cortez que enalteceu a literatura dos Assistente Sociais da época, como também por meio de um grupo de assistentes sociais de São Paulo, que criaram a revista Serviço Social & Sociedade, para a divulgação do pensamento crítico do Serviço Social, como debates intelectuais e sistematizados (Brandão, 2007). Ao falar da criação da pós-graduação, os autores Yazbek e Silva (2005, p. 42) relatam que tal incentivo iniciou impulsionada por professores e profissionais motivados a desenvolver a vida acadêmica, “a produção científica e também a prática profissional com fundamentos teórico-metodológicos”. Dessa forma, veja, abaixo, os elementos de um projeto de pesquisa em Serviço Social, como a estrutura de um trabalho acadêmico. TABELA 1: ELEMENTOS DO PROJETO DE PESQUISA TEMA PROBLEMA O QUÊ? HIPÓTESES RESPOSTA PROMISSÓRIA OBJETIVOS PARA QUÊ? JUSTIFICATIVA POR QUÊ? REFERENCIAL TEÓRICO REVISÃO DA LITERATURA METODOLOGIA COMO? CRONOGRAMA QUANDO? BIBLIOGRÁFICA COMO QUÊ? Fonte: a autora. 73O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 A tabela acima nos remete a entender detalhadamente como deve ocorrer um roteiro para o projeto de pesquisa, como: quais perguntas são necessárias para identificar um problema, mas acadêmico(a), você deve estar pensando nesse momento, como esta tabela vai contribuir para o Serviço Social? Primeiramente, precisamos esclarecer que todo o profissional precisa ser investigativo, indagador, mas, propriamente dito, curioso, mas essa curiosidade deve partir de um cunho voltado a políticas públicas, ou seja, quais os problemas sociais emergentes que precisam ser solucionados? Quando citamos acima do tópico a importância da Sociologia, esclarecemos que a sociedade precisa ser estudada, para que se tenha resposta para o homem em seu habitat, dessa forma acadêmica, em um processo de pesquisa, a primeira indagação é: o que? o que vamos estudar? Quais os problemas que ainda não foram respondidos para sociedade que precisam ser resolvidos? E essa pergunta está relacionada ao tema que está sendo discutido pelo pesquisador, como também a importância científica; as hipóteses, nos remete ao problema, com uma posição que pode ser a solução da problemática, ou seja, a solução; os objetivos não indagam para quê da pesquisa? O que queremos descobrir? Ele também delimita o objeto da pesquisa; a justificativa, como e porquê? Onde o pesquisador demonstra a relevância e motivo pessoal, ou profissional para tal estudo da temática; referencial teórico é um dos tópicos mais importantes da pesquisa, pois implica no desenvolvimento das etapas de elaboração da revisão literária é ele quem vai validar a veracidade da pesquisa, por meio de autores renomados frente à temática, considerando o que foi pesquisado e publicado anteriormente e, partir desse referencial, ele constrói teorias que vão resultar no final da pesquisa; a metodologia, diz respeito sobre como vai ser desenvolvida a pesquisa científica, ou seja, quais os instrumentais de apoio serão utilizados, aplicados para se fazer ciência; o cronograma é uma definição de quando a metodologia será aplicada, ou seja, divididas em meses, semanas, de acordo com o que o pesquisador definir, ela detalha as atividades de execução da pesquisa; e, por fim, a bibliografia, quem deve ser referenciada em todos os trabalhos e pesquisas científicas, em que no final da pesquisa, consta a fonte utilizada no decorrer do trabalho científico ou pesquisa. Nesse sentido, é correto afirmar que as referências são reconstruídas em cada trabalho novo apresentado, dessa forma, produzir ciência tem sido um desafio para os acadêmicos, pois busca pesquisadores com seu conhecimento, como também leitura, pesquisa e dedicação. Desse modo, segue abaixo a estrutura de um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), onde você terá que desenvolver para conclusão de uma graduação, pós- graduação, mestrado, doutorado e entre outros trabalhos, mas, antes do TCC você terá que desenvolver o pré-projeto do TCC, fundamentado de acordo com as legislações e regulamentação do Ensino Superior Brasileiro e as Regras e Procedimentos da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, divididos em três momentos, o primeiro momento é o Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso, o segundo momento é o Trabalho de Conclusão de Curso e o terceiro momento é a Defesa Pública do TCC. 74 Prezados acadêmicos, saiba mais sobre as Mediações, pesquisando o referencial teórico da autora Vanessa Vasconcelos Pereira, “MEDIAÇÕES... PARA QUÊ?”. Fonte: PEREIRA, Vanessa Vasconcelos. Mediações... para quê? Disponível em: http:// repensandooservicosocial.blogspot.com/ . Acesso em: 20 ago. 2021. SAIBA MAIS Destacamos que o curso de Bacharelado em Serviço Social, por meio da Resolução CNE/CP nº 15, de 13 de março de 2002, que institui as Diretrizes Curriculares para o Curso de Serviço Social, faculta à Instituição de Ensino Superior a inclusão do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) como componente curricular. FIGURA 2: TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO Fonte: Shutterstock As áreas de realização do TCC, podem estar vinculadas ao campo de Estágio como também, nas áreas de pesquisa, de: Políticas Sociais, Assistência Social, Saúde, Educação, Habitação, Terceiro Setor, Setor Privado ou Setor Jurídico, temáticas intrínsecas do Curso de O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 http://repensandooservicosocial.blogspot.com/ http://repensandooservicosocial.blogspot.com/ 75 Bacharelado em Serviço Social, como: Políticas Sociais e Cidadania; Processo de Trabalho e Classes Sociais; Cultura e Movimentos Sociais; Terceiro Setor, Responsabilidade Social e DesenvolvimentoSustentável; O Serviço Social nas Organizações e Instituições. Um dos pontos importantíssimos a ser destacado é a Lei nº 9.610/98 – Direitos Autorais, que relatam sobre o plágio em trabalhos científicos. De acordo com Kowarick: a produção de conhecimentos em Serviço Social engloba uma vasta e variada gama de temáticas, na medida em que, cada vez mais, ocorre uma ampla interseção com a dinâmica da sociedade, como por exemplo, a consolidação democrática, a extensão da cidadania, a mundialização e a crise econômica, a redefinição do Estado e da Sociedade Civil, a flexibilização das relações de trabalho, a ampliação do desemprego, o acirramento da pobreza, o processo de urbanização e produção do espaço construído, a violência de jovens e adultos, o planejamento, as políticas públicas, etc. Dentro deste contexto, as temáticas do Serviço Social estão intimamente imbricadas com os acontecimentos que ocorrem na sociedade e que rebatem na profissão em termos de demandas ou requisições. “A escolha de um tema de pesquisa implica na seleção de objetos empíricos e sua transformação em objetos de estudo que supõem a existência de um discurso científico construído, adaptado ou mesmo importado de outros campos temáticos, de modo que a investigação tenha credibilidade. (Kowarick, 1995, p. 46). A tabela acima expõe a etapa do projeto para o seu desenvolvimento e elaboração do Projeto de Trabalho de Conclusão de Curso, em que você acadêmico(a) irá investigar, pesquisar e analisar uma determinada realidade social, considerando os aspectos políticos, culturais e econômicos, dentro da atuação profissional do Assistente Social. O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 76 INDISSOCIABILIDADE ENTRE INTERVENÇÃO E INVESTIGAÇÃO4 TÓPICO O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 É a partir da intervenção do assistente social, que ele deve efetivar sua prática profissional, a necessidade de atuarmos sobre a realidade é que guiará ao conhecimento, no entanto o que norteará a sua execução será por meio da leitura da realidade vigente, não é somente intervir, é preciso conhecer, para identificar o melhor procedimento adequado, tal reflexão está presente nos debates profissionais, segundo (Guerra, 2007, p. 28), “é necessário que haja uma intervenção reflexiva e eficaz, no sentido de articular, realizar troca de saberes de conhecimentos, habilidades, valores e posturas, estando determinadamente social e historicamente”. Nesse mesmo contexto, referente a aproximação do saber, a autora Myriam Veras Baptista, menciona que: A especificidade que particulariza o conhecimento produzido pelo serviço social é a inserção de seus profissionais em práticas concretas. O assistente social se detém frente às mesmas questões que os outros cientistas sociais, porém o que o diferencia é o fato de ter em seu horizonte um certo tipo de intervenção: a intervenção profissional. Sua preocupação é com a incidência do saber produzido sobre a sua prática: em serviço social, o saber crítico aponta para o saber fazer crítico (Baptista, 1992, p. 89). Dessa forma, é de suma importância, entender que o saber deriva de um conhecimento que se constrói diariamente a partir da intervenção profissional, que tem a revelar um processo de desvelamento que oculta nas práticas cotidianas, fazendo se necessária a incorporação da ação investigativa como um instrumento para o exercício profissional. Contudo é necessário pensar na intervenção, na investigação, na teoria e na prática profissional de forma indissociável, sendo um desafio entre os profissionais, estudantes 77O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 e pesquisadores, pois as articulações entre esses conceitos, se faz necessária, pois a não articulação pode gerar uma desqualificação do trabalho do Assistente Social, bem como ferir os princípios éticos fundamentais que regulamentam a profissão. Entende-se por conhecimento, concebendo o processo de elucidação da realidade. Diz Luckesi “o conhecimento é a compreensão inteligível da realidade, que o sujeito humano adquire através de sua confrontação com essa mesma realidade” (1994, p. 122). Os autores Mioto e Lima (2009, p. 38), expõem que: O movimento que se tem em mente consiste na articulação dialética entre as três dimensões referentes ao serviço social: teórica, ética e técnica. São considerados: o conhecimento/investigação da realidade na qual se intervém; o planejamento e a documentação do processo de trabalho; os objetivos, as formas de abordagens dos sujeitos a quem se destina a ação; os instrumentos técnico-operativos e outros recursos implicados na ação. Desse modo, um ponto a ser ressaltado é a questão da produção de conhecimento que historicamente parece estar distante da prática profissional rotineira, com a baixa produção de pesquisa entre os assistentes sociais. Isso decorre da escassa presença de investigação no cotidiano da intervenção profissional. O que não deve ser esquecido é o cumprimento da Lei n. 8662/1993, que regulamenta a profissão, que exige que o assistente social, torne a pesquisa um elemento constitutivo do seu trabalho profissional, como pré- condição do exercício profissional competente e qualificado (Guerra, 1997). A autora ainda enaltece que as atribuições e competências socioprofissionais estão condicionadas ao exercício profissional, ou seja, não é somente coordenar e executar as políticas sociais, mas cabe também realizar vistorias e fiscalização da Política Pública. Afinal o assistente social é um investigador? Ele é um detetive? Cabe enaltecer que essa dúvida está presente na maioria dos profissionais do Serviço Social, uma vez que intervir na realidade de forma crítica e criativa, associada à produção de conhecimento, é o que garante ao profissional a capacidade da unidade entre pensamento e ação, ou seja, intervir de forma investigativa, nesse sentido, é necessário que o conhecimento teórico seja prioritariamente utilizado sobre as relações sociais fundamentais de uma determinada sociedade, o que deve ser evitado, é o uso rotineiro do senso comum. “É na relação entre a universalidade e a singularidade que se torna possível apreender as particularidades de uma determinada situação” (Souza, 2008, p. 122). Desse modo, a natureza investigativa não está atrelada ao detetive e sim, a uma postura investigativa relacionada com as competências/atribuições profissionais, neste sentido, a autora Yolanda Guerra menciona: 78O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 (...) no qual de um lado a apreensão das reais condições de trabalho dos assistentes sociais como elemento fundamental para o exercício profissional qualificado, visando alcançar os objetivos e metas pretendidos, e, de outro, a apropriação dos objetos de intervenção – as diversas sequelas que a exploração da força de trabalho no capitalismo causa na vida da classe trabalhadora –, suas condições de vida e formas de enfrentamento. Aqui, há que se considerar a profissão no contexto de reprodução da sociedade capitalista, seus fundamentos, modos de ser e de se reproduzir (Guerra, 2007. p.3) Nesse sentido, é necessário entender as relações de trabalho dos profissionais, entre a classe trabalhadora versus capitalista, pois são elas quem vão explicar as relações sociais, pois o sistema deixou sequelas em relação à exploração da classe dominante sobre o proletariado, sendo rotulado como questão social, decorrente da luta de classes, de acordo com José Paulo Netto (2001, p. 43), “foi a partir dos protestos, dos conflitos e da possibilidade de “eversão da ordem burguesa que o pauperismo designou-se como “questão Social”. Iamamoto (1998), complementa que “a pesquisa na realidade social é, portanto, um processo sistemático de ações, visando investigar/interpretar, desvelar um objeto que pode ser um processosocial, histórico, um acervo teórico ou documental” (Iamamoto, 1998, p. 55). 79 Acadêmico(a), finalizamos mais uma unidade, em que enaltecemos, os diversos espaços socioprofissionais e ocupacionais que influem no fazer profissional do assistente social, em que a lógica imposta pela precarização do trabalho profissional, dificulta o exercício profissional, enfraquecendo o projeto ético-político, sendo historicamente como uma ruptura com o conservadorismo do Serviço Social. Fica claro, ao longo dessa discussão que, mais do que nunca, são indissociáveis a teoria, a investigação, a mediação e os instrumentos técnicos metodológicos da profissão. Nesse sentido, a execução das políticas sociais, pelos profissionais do Serviço Social, podem atuar não só na viabilidade dos direitos, mas na manutenção do controle da classe trabalhadora, ou seja, na tentativa de transformação da ordem societária. Enaltecemos a importância de indagar acadêmicos ainda dentro das universidades, para transformarem- se em pesquisadores dentro do processo acadêmico, como resposta para as demandas sociais, ou seja, as questões sociais. Dentro do processo de pesquisa, observamos que existem etapas para desenvolver os projetos e de trabalho de conclusão de curso. Portanto, superar o senso comum, as subjetividades requerem um trabalho constante na busca de conhecimento por parte do Assistente Social, o que tem como objetivo, perceber o sujeito como ser social, possuidor de direitos com suas demandas individuais, realizando uma prática que caminhe para uma ação política, ética. CONSIDERAÇÕES FINAIS O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 80 Caro(a) acadêmico (a), para aprimorar o seu conhecimento sobre a importância da Sociologia para o Serviço Social, destacamos o conceito em sua essência dentro da leitura complementar citada abaixo: Fonte: Charon (1999, p. 5 - 8). LEITURA COMPLEMENTAR A sociologia é uma tentativa de compreender o ser humano. Concentra-se em nossa vida social. Tipicamente não enfoca a personalidade do indivíduo como a causa do seu comportamento, mas examina a interação social, os padrões sociais (por exemplo: papéis, classes, cultura, poder conflito e a socialização em processo) [...]. A sociologia começa, portanto, com a ideia de que o homem deve ser entendido no contexto da sua vida social e de que somos seres sociais influenciados pela interação, pelos padrões sociais e pela socialização [...]. Os sociólogos diferem uns dos outros pelo tipo de questões sobre as quais se debruçam. Também diferem quanto à área temática ou ao enfoque de seu estudo. Há cinco áreas temáticas: as quais são: sociedade, organização social, instituições ou sistemas institucionais, interação face a face e problemas sociais. A sociologia poderia ser definida como uma disciplina acadêmica que examina o ser humano como um ser social, resultado de interação, socialização e padrões sociais. É uma perspectiva que se preocupa com a natureza do ser humano, o significado e a base da ordem social e as causas e consequências da desigualdade social. Concentra-se na sociedade: organização social, instituições sociais, interação social e problemas sociais. O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 81 MATERIAL COMPLEMENTAR FILME/VÍDEO • Título: Central do Brasil • Ano: 1998. • Sinopse: Dora trabalha escrevendo cartas para analfabetos na estação Central do Brasil, no Rio de Janeiro. A escrivã ajuda um menino, após sua mãe ser atropelada, a tentar encontrar o pai que nunca conheceu, no interior do Nordeste. LIVRO • Título: A instrumentalidade do serviço social • Autora: Yolanda Guerra. • Editora: Cortez; 10ª edição (19 fevereiro 2018). • Sinopse: O livro, hoje na sua 10ª edição e completando 18 anos do seu lançamento, tem se consolidado como um clássico no debate da profissão, mas mantém sua extrema atualidade. Nele, a autora questiona a visão hegemônica da instrumentalidade como referida aos instrumentos operativos, compreensão atrelada aos limites de uma razão formal abstrata. O DESENVOLVIMENTO DA DIMENSÃO INVESTIGATIVA NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 4 82 CONCLUSÃO GERAL Prezado(a) aluno(a), Concluímos essa unidade enaltecendo a importância da pesquisa social e das estatísticas, por meio da mensuração dos resultados, entendendo e diferenciando as abordagens quantitativa e qualitativa na análise de uma determinada realidade social a ser estudada. A relação entre os dados quantitativo e qualitativo é vista como dicotômica, ou seja, cada um com sua especificidade, atuando de forma interdependente, onde são complementares entre si e contribuem para o conhecimento da realidade. No entanto, a pesquisa qualitativa está relacionada aos aspectos da realidade que não podem e não devem ser quantificados. Desse modo, a estatística social tem o papel de apresentar os dados coletados em uma pesquisa bruta, ou seja, por meio de números, através das pesquisas nos sites, como CENSO, IBGE, IPARDES e entre outros, utilizando as amostras e por dados que estão organizados em registros e arquivos públicos. Acadêmico(a), os indicadores sociais, possibilita perceber que eles são instrumentos que explanam as diferenças de uma região, de um espaço geográfico, município, local, onde norteiam o mapeamento das regiões consideradas mais desenvolvidas que as outras, evidenciando fatores determinantes para essa diferenciação, como, por exemplo, fatores econômicos, geográficos, sociais, culturais, políticos, entre outros (Jannuzzi, 2012). Desta forma, os estudos da estatística vêm para desmistificar o conceito de que é um estudo específico do profissional da área e sim a sua importância em todas as profissões, mostrando que para se ter bons resultados é de extrema importância a melhoria no desenvolvimento das pesquisas, desta forma aprimorando cada vez mais as formas de aferir dados quantitativos e qualitativos de todo e qualquer trabalho. Ressaltamos ainda a importância da escolha dos indicadores sociais para uma pesquisa, bem como, o cuidado com a leitura dos dados, no intuito da interpretação correta dos resultados. Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigado! 83 REFERÊNCIAS ABEPSS. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação dos Assistentes Sociais. In: Assistente Social: ética e direitos - coletânea de leis e resoluções. 4ª Ed. Rio de Janeiro: CRESS 7ª Região. 2002. ABREU, M.M. Serviço Social e a organização da cultura: perfis pedagógicos da prática profissional. São Paulo: Cortez, 2002. ANTUNES, R. Os sentidos do trabalho: ensaios sobre a afirmação e a negação do trabalho. São Paulo: Boitempo, 2000. ASSISTENTES Sociais no Brasil – elementos para o estudo do perfil profissional. Brasília: CFESS, 2005 (edição virtual). Disponível em: http://www.cfess.org.br/pdf/perfilas_ edicaovirtual2006.pdf. Acesso em: 11 nov. 2021. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. 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Florianópolis v. 10 n. esp.intervenção profissional; • A influência da produção de conhecimento no Projeto Ético-Político da profissão. Objetivos da Aprendizagem • Compreender o processo de reconceituação como marco para a produção científica do Serviço Social; • Conceituar a importância da pesquisa para atuação do Assistente Social; • Entender teoria e prática após formação profissional; • Estabelecer relações entre a produção de conhecimento com o Projeto Ético Político da profissão. PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1 8 INTRODUÇÃO Prezado(a) acadêmico(a) da graduação em Serviço Social, inicio parabenizando você por ter avançado em mais esta etapa de seus estudos, em parceria, vamos nos debruçar na temática que se refere ao ato de pesquisar, sendo de grande relevância para sua formação profissional. O intuito é compreender a importância da busca da Ciência, ou seja, buscar respostas para as novas mazelas sociais, como também a metodologia a ser aplicada em cada pesquisa social, e relevância dos dados coletados para os indicadores sociais a serem levados em conta no pensar do exercício profissional do Assistente Social, que também já foi acadêmico e construiu um referencial teórico por meio de uma pesquisa social, seja ela de campo, bibliográfica e entre outras, de quão é importante para o agir profissional. É com grande alegria que lhe digo que vamos entender conceitos estatísticos, estreitamente relacionados a outras áreas e que, mais do que nunca, precisam estar alinhados em seus pensamentos no intuito de lhe proporcionar reflexão, planejamento de ações, bem como práticas efetivas e que respeitem o espaço dos indivíduos que serão os futuros atendidos, como Políticas Públicas nos níveis Federal, Estadual e Municipal. Nesse sentido, identificar a Pesquisa Social, como uma âncora da emancipação dos indivíduos, e fazer com que a categoria acadêmica busque desenvolver alunos interessados na pesquisa social, uma vez que ambos os conceitos envolvem a participação das Instituições de Ensino como também dos acadêmicos. PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1 9 A referência deste capítulo tem como ponto de partida o Movimento de Reconceituação, movimento este, no qual discute o Serviço Social em sua gênese, ou seja, teoria e prática profissional constituída a partir das décadas de 1960 a 1970. Período este marcado por um início do processo e reflexão da conjuntura do Serviço Social. O conceito composto, ou seja, “reconceituação1” é marcado como uma crítica ao Serviço Social clássico, tradicional e conservador executado pelos Assistentes Sociais na época. Refletir sobre o movimento de reconceituação, na época, requer uma atenção, uma reflexão do Serviço Social enquanto categoria profissional, o qual nos remetem a pensar na dialética2 aos significados no qual hoje é memorável para categoria que contribuiu para a metodologia teórica do Serviço Social, como também em uma nova reconceituação. Vale destacar que o Serviço Social, no período conservador tinha como base teórica em sua prática diária, o conservadorismo, no entanto, com a elevação do capitalismo selvagem, o Serviço Social, inicia um processo reflexivo a pensar em sua prática, na qual o movimento de reconceituação se torna um marco histórico na profissão dos Assistentes Sociais, marcados pelos abalos no cenário da época. De acordo com o autor José Paulo Netto: Entendemos por renovação o conjunto de características novas que, no marco das constrições da autocracia burguesa, o Serviço Social articulou, à base do rearranjo de suas tradições e da assunção do contributo de tendência do pensamento social contemporâneo, procurando investir-se como instituição de natureza profissional dotada de legitimidade prática, através de respostas a demandas sociais e da sua sistematização, e de validação teórica, mediante a remissão às teorias e disciplinas sociais (Netto, 2010, p. 131). 1 - O significado do Movimento de Reconceituação para o Serviço Social representa uma grande mudança, dada sua busca de desvinculação do Conservadorismo e das técnicas importadas do Serviço Social Norte-Americano. 2 - Da dialética na tradição teórica e prática do marxismo enquanto pensamento que se pretende ligado à história do movimento operário. HISTÓRICO DAS PRODUÇÕES CIENTÍFICAS NO SERVIÇO SOCIAL1 TÓPICO PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1 10 Desse modo, a fundamentação do movimento de reconceituação, tinham como objetivo a melhoria das condições objetivas dos grupos e indivíduos da sociedade da época, pautados nas questões sociais emergentes e com proposta de intervenção profissional, ficando reconhecido como um momento de ruptura do conservador, do paliativo, do burocrático, incluindo ações profissionais de forma funcionalista para abordar as expressões das questões sociais. De acordo com (Netto, 2005, p. 9): Assistentes Sociais inquietos e dispostos à renovação indagaram-se sobre o papel da profissão em face de expressões concretamente situadas da “questão social”, sobre a adequação dos procedimentos profissionais tradicionais em face da nossa realidade regionais e nacionais, sobre a eficácia das ações profissionais, sobre a pertinência de seus fundamentos pretensamente teóricos e sobre o relacionamento da profissão com os novos protagonistas que surgiam na cena político-social. Neste momento histórico era de suma importância dar resposta às expressões das questões sociais da época, pois o tradicionalismo imposto pelo Serviço Social não conseguiam conter o período presente na América Latina, no qual a junção dos Assistentes Sociais ao Movimento de Reconceituação, era de forma unilateral, sendo composto pelos segmentos: Um deles apostava numa espécie de aggiornamento do Serviço Social, capaz de modernizá-lo a ponto de torná-lo compatível com as demandas macrossocietárias, vinculando-o aos projetos desenvolvimentistas de planejamento social; outro, constituído por setores mais jovens e radicais, jogava numa inteira ruptura com o passado profissional, de modo a sintonizar a profissão com os projetos de ultrapassagem das estruturas sociais de exploração e dominação (Netto, 2005, p. 10). É sabido enaltecer que a pesquisa é indispensável para o processo de formação dos assistentes sociais, ficando em evidência no ano de 1982. É notório dizer que algumas escolas e instituições de ensino já inseriram em sua grade curricular a metodologia de pesquisa. De acordo com (Sposati, 2007, p. 16): A pesquisa torna-se disciplina obrigatória na formação profissional dos assistentes sociais somente em 1982. Embora este fato, algumas escolas, departamentos ou faculdades já inseriram em seus currículos a metodologia da pesquisa. Pelo menos esta foi minha experiência na Escola de Serviço Social da PUC-SP na década de 60 do século XX. É após o processo de reconceituação e, com ele, da construção da identidade social latino- americana do Serviço Social que, ao questionar sua ‘base científica’ europeu- americana, a preocupação com o conhecimento no e para o Serviço Social se fortalece. Esse processo tem na implantação de cursos de pós-graduação na década de 1970 uma força ímpar. De acordo com Faleiros (1997, p. 116) “o serviço social brasileiro nasce sob a égide do movimento católico e corporativista, para edificação moral do proletariado. O Serviço PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1 11 Social mantinha-se centrado na moralidade, no esforço individual, no bom relacionamento”. O autor ainda menciona que: Para o Padre Biesteck, “coisas dão conforto, prazer, satisfação, mas por si próprias não dão felicidade. Elas podem contribuir indiretamente para isso quando promoverem relacionamentos interpessoais satisfatórios… E a recíproca também é verdadeira: relacionamentos pobres, são a principal, possivelmente, a única fonte de verdadeira infelicidade”. Desse modo, quando o Estado, no pós-guerra, proporciona a modernização,p. 46-54 2007. BRANDÃO, Rita de Cássia Camargo. O Serviço Social no Brasil: a reinstrumentalização necessária. Ribeirão Preto: s/ed, 2007. BRASIL, 2020. 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A institucionalização e legitimação do Serviço Social como profissão, no Brasil, têm como fundamento processos de reprodução social da vida, e nestes, particularmente, as diversas manifestações da questão social, como a pobreza, a subalternidade e a exclusão social. A profissão resulta de circunstâncias históricas definidas e se consolida na medida em que se constituem no país as Políticas Sociais e seus (precários e insuficientes) padrões de Proteção Social. Destacamos que esse período foi de grande relevância para o Serviço Social, pois é nessa fase que ele passa a ser pensado prioritariamente como uma política pública, deixando de ser caridade por parte da classe dominante e setor empresarial, sendo reconhecido na divisão sociotécnica do trabalho, com o marco no movimento de reconceituação no Brasil e na América Latina, baseada nas direções de renovação, modernização e reatualização profissional (Iamamoto, 2008). Enaltecemos que o Serviço Social brasileiro, aproximou do marxismo com o intuito do rompimento com o conservadorismo, impulsionando a reflexão e debate, destacando o III Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais, conhecido como o “Congresso da Virada”3, movimento contrário à direção conservadora. Nessa época, temos a consolidação da pesquisa no país, considerado um momento de maturidade da profissão no âmbito da divisão sociotécnica do trabalho (Bourguignon, 2007). Destacamos também que no ano de 1932, surge a primeira Escola de Serviço Social em São Paulo, e em 1937 no Rio de Janeiro a segunda escola, ambas na Pontifícia Universidade Católica, cada escola carregava suas particularidades e referências na época. De acordo com Iamamoto (2004), a maturidade da profissão apontou três dimensões que devem ser comandados pelo Assistente Social, sendo eles: I - competência ético-política; II - competência teórico-metodológica e III - competência técnico-operativa, os autores Carvalho & Iamamoto, 2005, reforçam que tais competências em nenhuma das hipóteses podem ser trabalhadas separadamente, em caso contrário, a atuação poderá ser fragmentada e despolitizada. 3 - O Congresso da Virada como um marco no desenvolvimento da profissão no país, em especial, da sua contribuição para politização da categoria profissional. Ilustram o acerto dessa assertiva de Paulo Netto não apenas as inúmeras publicações da área nas quais o III CBAS é colocado como um capítulo relevante na trajetória da profissão no país, mas também na memória dos que dele puderam participar, constituindo-se nos históricos protagonistas da renovação profissional. PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1 12 Caro(a) acadêmico(a), procure ir além do conhecimento desta disciplina. Busque elucidar outras vertentes do saber no resultado de cada produção científica. O livro de Vicente de Paula Faleiros, titulado: Metodologia e Ideologia do Trabalho Social, é uma leitura obrigatória a todos os futuros Assistentes Sociais, pois está literatura é uma das mais importantes contribuições para a contextualização do movimento de reconceituação do Serviço Social latino-americano. Fonte: a autora. SAIBA MAIS No intuito de adquirir ainda mais conhecimento nesta área do Serviço Social, surge a necessidade de compartilhar, pesquisar e, muitas vezes, acrescentar uma avaliação crítica a partir dos estudos elucidados, por isso, estamos em constante construção. Fonte: a autora. REFLITA PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1 13 Pesquisar, ler, escrever, estudar as leis, decretos e legislação em sua íntegra, compõem o percurso do futuro Assistente Social, como também dos profissionais já formados, a busca por respostas das expressões das questões sociais é constante, e se faz necessário, estando explícito no Código de Ética em seus Princípios Fundamentais (1993, p. 23) no item “VII. Garantia do pluralismo, através do respeito às correntes profissionais democráticas existentes e suas expressões teóricas, e compromisso com o constante aprimoramento intelectual”. A pesquisa, em um segundo momento, nos remete aos velhos tempos do ensino médio, a produção de uma redação, dos trabalhos em grupos e discussão de ideias, onde cada aluno desenvolvia sua parte, um era responsável por fazer a introdução, outro pelo desenvolvimento, e o resultado era um trabalho estruturado, com começo meio e fim. Acadêmico(a), pesquisar, significa ir além dos trabalhos acadêmicos, é buscar a extensão universitária e adentrar na formação profissional, buscando constantemente o conhecimento do Serviço Social. Dessa forma, o compromisso constante com o aprimoramento intelectual, nos remete à reflexão nesta disciplina, em específico a este tópico, como o processo de trabalho do Assistente Social, no qual ele deve ter habilidades e competências profissionais para desenvolver sua prática profissional de forma, eficaz, objetiva e eficiente, sendo necessária a busca constante pela qualificação profissional e reciclagem. De acordo com Türck (2010, p. 1, grifo nosso): No desempenho qualitativo de qualquer profissão e, mais especificamente para o serviço social, as competências são fundamentais para a garantia da qualificação profissional”, ou seja, “dentre tantas, a competência relacional é uma das mais importantes, porque é ela que vai direcionar, em qualquer espaço, institucional ou não, o eixo norteador de todo o processo de trabalho do assistente social (Türck, 2010, p. 1). A PESQUISA COMO PROCESSO DE TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL2 TÓPICO PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1 14 Ao pensarmos no qualitativo das profissões, estamos falando do desenvolvimento no decorrer da carreira profissional, de acordo com o renomado Max Gehringer (2014, p. 5) “liderança é a habilidade de unir, inspirar e conduzir pessoas em direção a um objetivo”, de acordo com essa afirmativa, em específico ao Serviço Social, estamos falando com o objetivo da profissão que é trabalhar com os usuários da Política Pública de Assistência Social, em todos os âmbitos, como saúde, educação, assistência social, habitação e entre outros, considerando as habilidades, conhecimento técnico científico como uma essência para a efetivação da prática profissional do Assistente Social. De acordo com Kameyama, 1978, p. 4: A produção de conhecimentos em Serviço Social engloba uma vasta e variada gama de temáticas, na medida em que, cada vez mais, ocorre uma ampla interseção com a dinâmica da sociedade, como, por exemplo, a consolidação democrática, a extensão da cidadania, a mundialização e a crise econômica, a redefinição do Estado e da Sociedade Civil, a flexibilização das relações de trabalho, a ampliação do desemprego, o acirramento da pobreza, o processo de urbanização e produção do espaço construído, a violência de jovens e adultos, o planejamento, as políticas públicas, etc. Dentro deste contexto, as temáticas do Serviço Social estão intimamente imbricadas com os acontecimentos que ocorrem na sociedade e que rebatem na profissão em termos de demandas ou requisições. Desse modo, a pesquisa como processo de trabalho do Serviço Social, faz parte do cotidiano profissional, “todo processo de trabalho implica na matéria-prima ou objeto sobre o qual incide a ação de um sujeito”, ou seja, o próprio trabalho que requer meios ou instrumentos para que possa ser efetivado” (Iamamoto, 2004 p 61). Ainda sobre a autora: Os meios que mediatizam a ação do sujeito sobre o objeto ou matéria-prima sobre o qual incide esta ação potenciam-na e constituem parte, assim como a ação do sujeito e a matéria-prima, de todo processo de trabalho. Alémdisso, este requer, além dos elementos supramencionados, a própria atividade, “o trabalho direcionado a um fim, que resulta em um produto”. (Iamamoto, 2012, p. 77). Dessa forma a autora nos faz pensar sobre o processo de trabalho do Serviço Social, se ele é trabalho, ou não? Uma vez que os profissionais vendem sua força de trabalho para o capital, e ele se torna um trabalhador, uma forma exclusiva de trabalhador e empregador, ou seja, sujeitos que trabalham, cidadãos operários, nos remetendo a pensar em qual seria o objeto de trabalho do assistente social? A princípio podemos afirmar que é a questão social, resulta nas expressões da questão social, como exemplo: a violência contra a pessoa idosa, crianças e adolescentes, mulheres e entre outras, sendo esses o objeto de trabalho do assistente social, sendo necessário buscar os instrumentos necessários para prática cotidiana. De acordo com Iamamoto (2012), os instrumentos não se limitam nas técnicas de observação, entrevista de grupo, individual, rodas de conversa, visita domiciliar, mas abrange o conhecimento teórico, metodológico como meio de trabalho, destacando que sem o conhecimento o profissional de Serviço Social, não consegue realizar o seu trabalho com essência, efetividade e excelência, pois o conhecimento serve para interpretar, indagar e fazer uma leitura da realidade dos usuários da política pública. Por meio desse contexto, lembramos PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1 15 que o Serviço Social é uma profissão liberal. O Serviço Social foi regulamentado como uma “profissão liberal” dela decorrente dos estatutos legais e éticos que prescrevem uma autonomia teórico-metodológica, técnica e ético-política à condução do exercício profissional. Entretanto, o exercício da profissão é tensionado pela compra e venda da força de trabalho especializada do assistente social, enquanto trabalhador assalariado, determinante fundamental na autonomia do profissional. A condição assalariada – seja como funcionário público ou assalariado de empregadores privados, empresariais ou não – envolve, necessariamente, a incorporação de parâmetros institucionais e trabalhistas que regulam as relações de trabalho, consubstanciadas no contrato de trabalho. Eles estabelecem as condições em que esse trabalho se realiza: intensidade, jornada, salário, controle do trabalho, índices de produtividade e metas a serem cumpridas. Por outro lado, os organismos empregadores definem a particularização de funções e atribuições consoante sua normatização institucional, que regula o trabalho coletivo. Oferecem, ainda, o background de recursos materiais, financeiros, humanos e técnicos indispensáveis à objetivação do trabalho e recortam as expressões da “questão social” que podem se tornar matéria da atividade profissional. Assim, as exigências impostas pelos distintos empregadores, no quadro da organização social e técnica do trabalho, também materializam requisições, estabelecem funções e atribuições, impõem regulamentações específicas ao trabalho a ser empreendido no âmbito do trabalho coletivo, além de normas contratuais (salário, jornada, entre outras), que condicionam o conteúdo do trabalho realizado e estabelecem limites e possibilidades à realização dos propósitos profissionais (Iamamoto. O Serviço Social na cena contemporânea, p. 31 e 32). O Serviço Social, necessita de meios necessários para sua prática profissional, como investimentos em Política Públicas, por parte do Estado, entidades sociais, empresas governamentais e não governamentais, onde acaba impedindo sua autonomia profissional, como relativa autonomia, inferindo na qualidade do seu trabalho. Iamamoto (2012), ainda nos indaga sobre o produto de trabalho do assistente social, daqueles que atuam no setor privado, como exemplos aqueles profissionais que atuam na área de benefícios sociais e previdenciários, cabe aqui refletir que tal ação está voltada às condições materiais, sociais e organizacionais daquele que necessitam do trabalho, resultado como um processo de trabalho de venda da força ao capital. Conheça ainda mais sobre as produções científicas em diversas áreas do conhecimento. Em especial com as produções acadêmicas, neste contexto com investimento da Educação, Ciências Sociais e Serviço Social. Fonte: a autora. REFLITA PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1 16 No percurso histórico do Serviço Social, podemos evidenciar várias linhas de pensamento teórico-metodológico, que mencionam sobre as instrumentalidades, como também o conceito de teoria e prática, a proposta desse tópico III é entender a indissociabilidade em sua gênese, ou seja, em seu contexto histórico, o termo remete a algo que não existe sem o outro, ou seja, a prática profissional está ligada à teoria, não podendo uma ser executada de forma unilateral, ambas precisam estar juntas, pois o Assistente Social, necessita conhecer a teoria, para que posteriormente possa colocar em prática sua intervenção. De acordo com Oliveira, Pires e Batista: A instrumentalidade está inteiramente ligada aos complexos sociais, na contradição, na historicidade e na totalidade. O processo de mediação executado pelo Assistente Social deve ser feito com clareza, baseado na realidade concreta feita pela leitura destes completos e compreender as relações sociais, utilizando instrumentais que dão significado às dimensões da profissão, fazendo uso da teoria crítico social (Oliveira, Pires, Batista, 2018, p. 3). Dessa forma, a teoria tem como função de iluminar, direcionar a prática profissional, onde o Assistente Social, precisa da teoria para uma execução com efetividade da sua rotina de trabalho. O que percebemos cotidianamente é que os profissionais acabam deixando de lado a importância da busca constante do conhecimento e atuando de forma automática e robotizada, não criando um plano de trabalho e metas junto ao Código de Ética da profissão. Desse modo, a intervenção profissional deve ser pautada no conhecimento teórico, prático e metodológico profissional, juntamente com os instrumentos de trabalho. De acordo com Medeiros: INDISSOCIABILIDADE TEÓRICO- PRÁTICA: PESQUISA E INTERVENÇÃO PROFISSIONAL3 TÓPICO PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1 17 No âmbito da intervenção profissional, o Serviço Social visa produzir as mudanças necessárias no cotidiano da vida social dos usuários atendidos. E é através da competência técnico-operativa que o Assistente Social encontra o resultado da capacidade criativa e da compreensão da realidade social, para que a intervenção possa ser realizada com eficácia, responsabilidade e competência profissional (Medeiros, 2017, p. 12). Desse modo, o contexto de trabalho, deve ser levado em consideração o conhecimento teórico e os métodos, pois a profissão atua com os usuários das Políticas Públicas, com a violação de direitos, negligências entre outros, ou seja, é necessário produzir as mudanças que visa ajudar os usuários, como também utilizar o seu conhecimento teórico metodológico para o processo de trabalho diário. PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1 18 O conciso texto abordado neste tópico, tem por objetivo oferecer elementos para que o profissional do Serviço Social, possa identificar as influências da produção de conhecimento no Projeto Ético-Político da profissão, o qual já foi abordado nos tópicos anteriores desta unidade. Não nos interessa aqui criticar os conhecimentos contrários da profissão como também linhas de pensamentos dos autores, mas analisar os elementos importantes da produção de conhecimento. Santos et al. (2012) ressaltam importantes considerações acerca do processo de trabalho do Assistente Social, nos lembrando e direcionando por documentos oficiais e de grande relevância ao futuro assistente social, a esse respeito os autores ponderam: A elaboração do Projeto ético-político da profissão, o Código de Ética de 1993,a Lei que Regulamenta a Profissão (lei n.° 8.662, de 7 de junho de 1993) as Diretrizes Curriculares (Resolução n.° 15, de 13 de março de 2002) e devido às demandas, novas e tradicionais, que se configuram em um contexto de grande dinâmica e complexidade, fez com que a nova proposta profissional se encaminhasse (Santos et al., 2012, p. 8-9) Documentos esses de suma importância no agir profissional, onde o Código de Ética proporciona que o Assistente Social, atue deixando de lado a sua subjetividade, a Lei que regulamenta a profissão que nos mostra em seus artigos 4 e 5 que vai mencionar as atribuições competências do Assistente Social, finalizando com as Diretrizes Curriculares para o curso de Serviço Social, que informam como deve ser o projeto pedagógico do curso, o perfil dos formandos, as competências e habilidades, o formato do estágio supervisionado, carga horárias como também a estrutura do curso de graduação. A INFLUÊNCIAS DA PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO PROJETO ÉTICO-POLÍTICO DA PROFISSÃO4 TÓPICO PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1 19 Enfim, compreende-se, sem grandes dificuldades, que o Projeto Ético Político da profissão apresenta a profissão como um coletivo de leis, decretos, normativas e uma forma estruturada para que o profissional possa atuar de maneira ética, fazendo uma leitura da dimensão política, cultural e econômica de cada período. “Esta articulação – imprescindível para a hegemonia de um projeto profissional – é complexa e não se realiza num curto espaço de tempo” (Netto, 1999, p. 7). Caro(a) acadêmico(a) sugerimos que seja feita a leitura complementar sobre as Diretrizes Curriculares para os Cursos de Serviço Social, Resolução n.º 15, De 13 de março de 2002. DIRETRIZES CURRICULARES PARA OS CURSOS DE SERVIÇO SOCIAL RESOLUÇÃO n.º 15, DE 13 DE MARÇO DE 2002 Estabelece as Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço Social. O Presidente da Câmara de Educação Superior, no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto na Lei 9.131, de 25 de novembro de 1995, e ainda o Parecer CNE/CES 492/2001, homologado pelo Senhor Ministro de Estado da Educação em 9 de julho de 2001, e o Parecer CNE/CES 1.363/2001, homologado em 25 de janeiro de 2002, resolve: Art. 1º As Diretrizes Curriculares para os cursos de Serviço Social, integrantes dos Pareceres CNE/CES 492/2001 e 1.363/2001, deverão orientar a formulação do projeto pedagógico do referido curso. Art. 2° O projeto pedagógico de formação profissional a ser oferecida pelo curso de Serviço Social deverá explicitar: a) O perfil dos formandos; b) As competências e habilidades gerais e específicas a serem desenvolvidas; c) A organização do curso; d) Os conteúdos curriculares; e) O formato do estágio supervisionado e do Trabalho de Conclusão do Curso; f) As atividades complementares previstas Art. 3º A carga horária do curso de Serviço Social deverá obedecer ao disposto em Resolução própria que normatiza a oferta de curso de bacharelado. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Fonte: Arthru Roquete de Macedo. Disponível em: https://www.abepss.org.br/arquivos/textos/ documento_201603311141012990370.pdf. PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1 https://www.abepss.org.br/arquivos/textos/documento_201603311141012990370.pdf https://www.abepss.org.br/arquivos/textos/documento_201603311141012990370.pdf 20 Caro(a) acadêmico(a), chegamos no final desta Unidade, onde perpassamos por pontos históricos das produções científicas do Serviço Social, entendendo a importância do Movimento de Reconceituação para a produção de conhecimento, evidenciando as legislações vigentes como o Código de Ética da profissão, a Lei de Regulamentação da Profissão, como também as Diretrizes Curriculares, legislações essas, caracterizadas como referência básica para o profissional do Serviço Social. Desse modo, é de suma importância entender que não existe prática sem o embasamento teórico, como os instrumentos metodológicos a serem utilizados rotineiramente, pois o(a) Assistente Social tem como rotina, decidir, deliberar, encaminhar e possibilitar o acesso aos direitos sociais. Destaca-se que a pesquisa em Serviço Social apresenta um papel importante para o objeto de trabalho do Assistente Social, que é a questão social, pois é por meio da produção de conhecimento que vamos responder às expressões das questões sociais, sendo esse o desafio diário, decorrente da precarização das políticas públicas, como também a utilização dos instrumentos metodológicos de trabalho e os seu métodos, para que seja executado respaldado aos princípios Éticos da Profissão. CONSIDERAÇÕES FINAIS PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1 21 Caro(a) acadêmico(a), não deixe de completar os seu estudos com as seguintes indicações de livros e periódicos, referente ao Movimento de Reconceituação da época: • FALEIROS, Vicente de Paula. Reconceituação do Serviço Social no Brasil: uma questão em movimento? Revista Serviço Social e Sociedade, São Paulo, v. 26, n. 84, p. 21-36, nov./2005. • C.B.C.I.S.S. Documento de Araxá. Debates Sociais, n.º 4, CBCISS, 1969. • Documento de Teresópolis. Debates Sociais – Suplemento, n.º 4. Rio de Janeiro, CBCISS, 1970. • Documento de Sumaré. Debates Sociais – Suplemento, n.º 8. Rio de Janeiro, CBCISS, 1980. LEITURA COMPLEMENTAR PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1 22 MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO • Título: Ditadura e Serviço Social: uma análise do Serviço Social no Brasil pós-64 • Autor: José Paulo Netto. • Editora: Cortez; 17ª edição (12 junho de 2018). • Sinopse: O livro descreve o que ocorreu no Serviço Social brasileiro nos anos 1960 a 1980? Que processos determinaram a extraordinária renovação experimentada por ele? Como e por que os assistentes sociais desenvolveram, neste período, concepções e propostas tão diferentes? Quais as relações entre esta renovação e a ditadura militar? Como a teorização do Serviço Social se relaciona com a cultura e a sociedade brasileiras? Este livro pretende responder a estas indagações de forma rigorosa e original. José Paulo Netto oferece um texto severo, combativo, em uma obra polêmica. FILME/VÍDEO • Título: Documentário Abepss 70 anos • Ano: 2016. • Sinopse: Documentário realizado pela direção nacional da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS) em conjunto com os diretores do documentário “ABEPSS 70 anos” apresentando ao público esse filme. Esse documentário é uma realização da ABEPSS com o apoio do CFESS, em produção do TV ABEPSS. Retrata a trajetória dos 70 anos da ABEPSS por meio dos depoimentos dos sujeitos que construíram com afinco essa associação. O documentário trata dos acontecimentos históricos, da virada crítica da profissão, das convenções da ABESS que marcaram essa virada nos anos de 70 e 80, e da construção coletiva que essa entidade vem realizando nas últimas décadas. O filme é também uma homenagem a esses sujeitos e, tantos outros, que dedicaram sua militância na formação profissional crítica e de qualidade no Serviço Social. “Ele já é parte do patrimônio construído pelo Serviço Social no Brasil.” Como bem expressou Raquel Santos Sant’Ana - presidente da ABEPSS gestão 2015-2016. PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO NO SERVIÇO SOCIALUNIDADE 1 Professor(a) Esp. Ana Cristina da Silva Gomes TÉCNICAS DE PESQUISA2UNIDADEUNIDADE PLANO DE ESTUDO 24 Plano de Estudos • Ética na pesquisa; • Instrumentos da pesquisa; • Avaliação do processo de pesquisa; • Elaboração de temas e problemáticas no cotidiano do Serviço Social. Objetivos da Aprendizagem • Ética na pesquisa; • Instrumentos da pesquisa; • Avaliação do processo de pesquisa; • Elaboração de temas e problemáticas no cotidiano do Serviço Social. TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 25 O texto apresenta os elementos fundamentais que compõem as técnicas depesquisa. Lembrando que, toda pesquisa tem a intenção de elaborar conhecimentos para compreensão e transformação da realidade. Visto que o direcionamento está no ato de agir do profissional para execução da ação através do planejamento. E, é a partir da execução que se constrói a metodologia, neste momento, surgem os questionamentos (por quê, para quê e como) determinantes para definição do instrumento a ser utilizado. Dessa forma, apresentam-se alguns parâmetros para conhecimento dos elementos que são utilizados como técnica de pesquisa. A partir dos estudos realizados, afirma-se que a ética é um componente indispensável no exercício da profissão, sendo um elemento norteador do comportamento humano. Destaca- se como principal elemento por resultar num bom funcionamento social, com efeito do equilíbrio e respeito, não prejudicando ambas as partes envolvidas no processo de pesquisa. Ainda neste contexto, vamos destacar sobre a competência técnico-operativa, ou seja, o conhecimento do profissional para definir quais instrumentos serão utilizados no processo de intervenção. Como afirma Medeiros (2017) o principal instrumento de trabalho em qualquer área de trabalho é o conhecimento, no qual o mesmo permite que o profissional tenha legítima extensão das diferentes possibilidades de intervenção. Dando continuidade, é importante entender como se dá a avaliação do processo de pesquisa, pois ela está intrínseca em todas as etapas do planejamento. Registramos ainda, a importância na elaboração dos temas e problemáticas no cotidiano do serviço social, sendo assim, vale ressaltar que as temáticas estão relacionadas de acordo com os acontecimentos que ocorrem na sociedade e que refletem na demanda do profissional, dando ênfase que o processo de qualificação do profissional deve ser consecutivo para o completo exercício da prática. O presente texto é composto por quatro tópicos essenciais que se complementam no mundo da pesquisa: ética na pesquisa; instrumentos da pesquisa; avaliação do processo de pesquisa e elaboração de temas e problemáticas no cotidiano do serviço social. INTRODUÇÃO TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 26 A ética na pesquisa se dá a partir de um conjunto de leis e regras que trabalham a pesquisa no seu aspecto mais amplo, assim temos um conjunto de normas que regulamentam todas as pesquisas científicas, sejam elas com seres humanos ou animais, onde cada uma delas, possuem responsabilidades, compromisso e comprometimento, sobre o uso, mensuração e resultados através da ética. Dos horrores revelados nesses julgamentos nasceu o Código de Nurembergue, que também representa uma ruptura histórica. Ainda que esse documento tenha sido engatilhado pelos acontecimentos desvelados, não se refere a eles, mas à conduta que um pesquisador científico deve seguir. É uma demonstração de sabedoria que esse primeiro código de ética em pesquisa tenha evitado aludir a situações altamente anômalas e preferido se concentrar em normas éticas gerais e válidas para toda pesquisa (Kottow, 2008, p. 10). Em decorrência aos acontecimentos médicos após a Segunda Guerra Mundial, instituiu- se o Código Nuremberg para que evitasse o tratamento degradante com a população, garantido a autonomia por meio do consentimento do sujeito, sendo uma necessidade estabelecer regras e procedimentos em pesquisas médicas. Contudo, a partir dos estudos constatou-se que houve muitas violações dos direitos humanos, de acordo com denúncias sobre experiências realizadas nos campos de concentração nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Diante deste contexto, evidencia-se a necessidade de parâmetros éticos para a realização de pesquisa, bem como, experiências científicas. De acordo com Castilho e Kalil (2005, p. 345). ÉTICA NA PESQUISA1 TÓPICO TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 27 A observação dos princípios éticos implica avaliar, entre outros aspectos, os seguintes referenciais fundamentais para pesquisa envolvendo seres humanos. O Respeito à Autonomia – tendo surgido, inicialmente, com referência à autogestão ou ao autogoverno das cidades independentes gregas, o termo autonomia estendeu-se aos indivíduos, abrangendo os direitos de liberdade, privacidade, escolha individual, liberdade da vontade, ser o motor do próprio comportamento e pertencer a si mesmo. Exemplos típicos incluem as seguintes regras: 1) dizer a verdade; 2) respeitar a privacidade dos outros; 3) proteger informações confidenciais; 4) obter consentimento para intervenções nos pacientes; 5) quando solicitado, ajudar os outros a tomar decisões importantes. Portanto, a pesquisa envolvendo seres humanos deve sempre tratá-los em sua dignidade, respeitá-los em sua autonomia e defendê-los em sua vulnerabilidade. Em 1962, se forma o primeiro Comitê de Bioética, sendo hoje considerada a Ética Aplicada às questões da saúde, da pesquisa em seres humanos, que podem possibilitar soluções adequadas com maior humanização entre profissional da saúde com paciente e sociedade, que foi instituído com o avanço tecnológico da medicina, com evidência a criação da hemodiálise. Isso foi formado em razão das inúmeras intervenções médicas antiéticas, na maioria do tempo com uma demanda maior que a capacidade de atendimento, colocando em risco a vida dos usuários, pois a ciência é uma resposta para as expressões das questões sociais como também a ciência com consciência em sua execução, cuidados e regras já a ética surge como uma resposta a tais problemas e uma reflexão e direcionamento de sua ação com base na realidade, levando em consideração o esclarecimento ao sujeito pesquisador, os termos de consentimentos, às autorizações dos comitês de éticas e todos os regulamentos determinados pela bioética, uma vez que os protocolos devem ser rigorosamente cumpridos. O atual sistema brasileiro destinado à revisão ética de projetos de pesquisa foi criado em 1996 com a finalidade de proteger os direitos de pessoas participantes de estudos científicos. Em países da Europa e nos Estados Unidos, as discussões sobre sistemas de revisão ética surgiram mais cedo, a partir da segunda metade do século XX, tendo em vista a descoberta de abusos cometidos com seres humanos envolvidos em pesquisas (Oliveira; Guedes, 2013, p.120). Nesse período, evidenciou os dilemas éticos morais, ou seja, optar pelo que seja menos ruim, porém, nem sempre sendo a melhor opção, devido à ausência de regulamentações éticas naquele momento. Diante de tantas adversidades, os pesquisadores devem estar em constante mudança, através dos conselhos e comissões de éticas, sempre almejando um avanço na prática profissional assegurando os direitos de todos envolvidos no processo. Pensar o Serviço Social […]”, do ponto de vista da pesquisa, requer que exista na profissão a clareza da amplitude do projeto ético político construído, desde a legalização da profissão no Brasil, e reconstruído a partir das bases apontadas. O conhecimento constituído possibilitará criar e/ou descobrir as conexões necessárias entre esse projeto e o mercado de trabalho (Setubal, 2007, p. 67). TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 28 Neste contexto, os apontamentos e reflexões buscam chamar atenção de todos os envolvidos na área de pesquisa, espaço esse ocupado por todas as áreas do conhecimento, como medicina, direito, serviço social, contábil e entre outras áreas de graduação. Na área do serviço social podemos dizer que as regulamentações se iniciaram a partir do código de ética que regulamenta a profissão, que está ancorada nos princípios de defesa dos usuários da política pública, defesa dos direitos humanos, promovendo a tentativa de superação das desigualdades sociais e luta pela igualdade e equidade entres os sujeitos, fortalecendo as potencialidades dos sujeitos com os quais trabalha, sem discriminação de qualquer natureza. Dessa forma, a referência para os parâmetros éticos orientadores das decisões do Serviço Socialem relação à pesquisa são buscados no Código de Ética Profissional (1993), que nos indicam como valores e princípios fundamentais: a liberdade, valor ético central, as demandas políticas a ela inerentes – autonomia, emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais; a defesa intransigente dos direitos humanos e a recusa do arbítrio e do autoritarismo; a defesa e aprofundamento da democracia; o posicionamento em favor da equidade e da justiça social. A pesquisa é um dos procedimentos teórico-metodológicos que, ao ser incorporado à prática profissional, poderá levar o assistente social a reinventar, reconstruir e até construir um vir a ser para o Serviço Social, a partir da eliminação da consciência acomodada e até adormecida (Setubal, 2007, p. 70). No entanto, nesta trajetória histórica, vale ressaltar alguns marcos notórios envolvendo a ética, pesquisa, instrumentos, avaliação, elaboração e problemáticas no cotidiano do serviço social. Desse modo, os anos 1990 e seguintes, trouxeram o acúmulo teórico metodológico e ético-político que permitiram que os/as assistentes sociais discutissem e aprovassem os instrumentos que expressam o Projeto Ético- 11 No Brasil, os anos 80 do século XX foi o momento de reorganização das forças e movimentos populares na luta contra a Ditadura Civil-Militar (1964- 1985) e trouxeram enormes conquistas para a classe trabalhadora, expressos, em parte, na Constituição de 1988. Contudo, os anos 90 representaram a chegada do Neoliberalismo e o início do desmonte dos direitos sociais, conquistados na Constituição a duras penas. 14 Anais do 16º Encontro Nacional de Pesquisadores em Serviço Social Político (PEP) da profissão. Assim, o PEP se expressará no novo Código de Ética Profissional (Resolução CFESS 273/93, de 13 de março de 1993) e na nova Lei de Regulamentação da Profissão (Lei 8662/93, de 7 de junho de 1993), bem como na elaboração das Diretrizes Gerais Curriculares para o Curso de Serviço Social, de 1996, aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE/MEC) em 2001 (Sobrinho; Lourdes, 2018, p. 13). Justifica-se, a importância da pesquisa para o assistente social, visto que por sua natureza interventiva, há intrínseca à sua existência, a necessidade da execução de táticas em pesquisa que permitam a construção do conhecimento para viabilizar novas TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 29 alternativas de enfrentamento às expressões da questão social, cotidianamente agravado pela crescente crise humanitária que a cada dia mais fortalece e fomenta o individualismo e o hedonismo como valores centrais da vida social (Freitas; Reis, 2017). Ao se atribuir importância à ação investigativa, longe de se negar a importância da dimensão interventiva, pretende-se mostrar a íntima relação existente entre teoria e prática e a condição de centralidade que esses processos devem ocupar na formação e na vida profissional. Devido a essa relação, o Serviço Social inscreveu a pesquisa como matéria já no primeiro currículo mínimo determinado pela Lei n. 1.889, de 13 de junho de 1953 que “dispõe sobre os objetivos do ensino do Serviço Social, sua estruturação e ainda as prerrogativas dos portadores de diplomas de Assistentes Sociais e Agentes Sociais” (Setubal, 2007, p. 67). Outro aspecto a ser ressaltado são os cuidados em todo o processo de formação profissional desde a graduação; dessa forma, evitando muitos problemas que interferem na precariedade da educação no Brasil, citando, como exemplo, a privatização do ensino público, a redução das políticas sociais em geral, a partir da implementação das políticas neoliberais. Observa-se que toda essa problemática se apresenta nos trabalhos de Iniciação Científica, de Conclusão de Curso, em Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado, muitas vezes, apresentando problemas de plágio, de utilização não responsável que adultera o trabalho científico original. Esses problemas éticos também incidem sobre a comunicação científica, levando as mais variadas formas de plágio e falta de regra em geral (Barroco, 2005, p. 7). Como vimos explícito em diversos estudos, afirma-se a importância de refletir eticamente sobre a ética na pesquisa em serviço social, assim, sugere-se o questionamento se ela pode ser uma ação capaz de pôr intervenções práticas para alternativas de concretizar e de valores éticos. Caro(a) acadêmico(a) busque conhecimento realizando a leitura do Código de ética do Assistente Social - Publicado no Diário Oficial da União e alterado pela Resolução CFESS n.º 290, publicada no Diário Oficial da União de 11 de fevereiro de 1994. Fonte: a autora SAIBA MAIS TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 30 Partimos do princípio de que sem dúvida o instrumento principal em todas as áreas é o conhecimento, pois, é a partir dele a escolha dos instrumentos a serem usados e as estratégias no processo de intervenção no serviço social. O conhecimento pode ser explicado como a capacidade do ser humano de aprender, entender e compreender sua totalidade e coisas, possibilitando a experiência com o novo. De acordo com Semêdo (2013): Os instrumentos são considerados como produto da ação humana, se constituindo como meios de alcançar uma finalidade. Nesta direção, o conteúdo da ação que se quer efetivar com o uso de determinado instrumento está, diretamente, relacionado com a finalidade pretendida (Semêdo, 2013, p. 4). Nesse sentido, os instrumentos são essenciais para a produção de conhecimento, como também para desenvolver o plano de ação a ser executado em determinada realidade social, em que instrumentos normativos, são a materialização do Projeto Ético- Político profissional construído nos últimos 30 anos, no seio da categoria do Serviço Social. Assim não é preciso ser um cientista para ter instrumentos de trabalho, todos os sujeitos diariamente desenvolvem técnicas como objetos, ideias, conhecimento e tecnologias que podem ser consideradas instrumentos, como observação, escuta qualificada e entre outros. A instrumentalidade é a capacidade do profissional em avaliar e analisar a melhor estratégia a ser adotada no processo de intervenção. É a competência de desenvolver aptidões mais adequadas aos objetivos. Em razão dos instrumentos serem o meio de atingir os objetivos, deve-se ter claro a sua finalidade, se tem lógica com as finalidades da profissão e se realmente alcançará as finalidades pretendidas. Portanto, a importância de o profissional estar sempre atualizado de acordo com as características de todos os espaços que atua e ainda ter claro a regulamentação que rege a profissão. E, alguns INSTRUMENTOS DA PESQUISA2 TÓPICO TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 31 autores nos relatam: Um conjunto de técnicas e instrumentos de pesquisa são utilizados pelos profissionais para a realização de análises e processos interventivos, entre os quais o estudo de documentos. Os documentos expressam discursos, normativas, sentidos atribuídos, regras, conceitos (ora explicitados, ora vagos) pressupostos, delimitações, valores, descrições de fatos, enfim uma infinidade de elementos que permitem complementar a análise de processos ou mesmo constituir-se em fontes únicas para algumas investigações de extrema relevância, como, por exemplo, avaliações de políticas e programas sociais (Prates e Prates, 2005, p. 113). As técnicas de coleta de dados predominantemente utilizadas na pesquisa qualitativa nas perspectivas fenomenológica/interpretativa ou crítica/dialética são: entrevistas, observação, uso de diários e análise documental. Algumas técnicas, como as entrevistas, questionário, formulário, podem ser usadas para a coleta de dados de forma quantitativa ou qualitativa. Na medida em que os profissionais utilizam da instrumentalidade, transformam realidades sociais e interpessoais, modificam ações objetivas e subjetivas. Contudo, a instrumentalidade é tanto condição necessária de todo trabalho social, quanto categoria constitutiva, um modode ser de todo trabalho. TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 32 Lembramos aqui que a avaliação é composta de uma estrutura ampla, e que o projeto de pesquisa é um procedimento, para o processo da pesquisa na elaboração teórica (Prates e Prates, 2005). Entretanto, lembramos que toda essa estrutura depende da disponibilidade, ora de informações contidas nos referenciais usados para o estudo, bem como, pela sua metodologia usada para o trabalho, a pesquisa é utilizada em diferentes áreas do conhecimento, em específico ao Serviço Social, podemos entender que para sua execução é necessário a elaboração de um projeto de pesquisa, que é a descrição de uma ação a ser desenvolvida e que busca resposta a curto e longo prazo. Ainda de acordo com Prates e Prates: Como qualquer avaliação, os diagnósticos pautam-se em valores, critérios e parâmetros e orientam-se por um modo de leitura da realidade, que pode ou não contemplar o seu movimento, as contradições e a processualidade das relações que a conformam, de acordo com o método e o projeto ético-político que o inspira, mas necessariamente tem perspectiva política, mesmo quando o paradigma que o orienta não reconhece este aspecto e não o explicita (Prates e Prates, 2009, p. 114). De acordo com a ABNT (2011), o projeto de pesquisa específica as autênticas finalidades propostas pelo pesquisador, abrangendo o foco, a importância e o questionamento por ele determinado. A relação do Serviço Social com a pesquisa surge em função de um processo histórico de amadurecimento intelectual e de ampliação das demandas sociais, o qual vai revelando uma profissão capaz de gestar conhecimentos que lhe acrescentam subsídios teórico-metodológicos, coerentes com sua natureza e com as exigências societárias. Entretanto, é no contexto acadêmico que a pesquisa se revela como potencialidade para o Serviço Social, e é neste contexto que se enfrenta o desafio de construir articulações orgânicas, entre a produção de conhecimento e a prática profissional (Bourguignon, 2007, p. 49). AVALIAÇÃO DO PROCESSO DE PESQUISA3 TÓPICO TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 33 É na dinâmica que envolve a produção de conhecimento e o processo de pesquisa, que podemos mapear roteiros do projeto de pesquisa conforme aponta Minayo (1994), que menciona sobre a partir de quais questionamentos, indagações e perguntas deverá compor a investigação ou tema a ser escolhido, ou seja, o seu objeto de estudo, conforme já mencionado no decorrer desta apostila, que são as expressões da questão social, partindo das seguintes estruturas: O que pesquisar? (Definição do problema, hipótese, base teórica e conceitual); Por que pesquisar? (Justificativa da escolha do problema); Para que pesquisar? (Propósitos do estudo, seus objetivos); Como pesquisar? (Metodologia); Quando pesquisar? (Cronograma de execução); Com que recursos? (Orçamento); Pesquisado por quem? (Equipe de trabalho, pesquisadores, coordenadores, orientadores) (Minayo, 1994, p. 36). Nos diversos processos de trabalhos que o profissional, assistente social está inserido, bem como outros profissionais, independente das especificidades em cada situação, é notório que devem estar pautados em diagnósticos e avaliações, bem como a construção de um projeto de pesquisa que perpassa por recorte do objeto para que a pesquisa seja estruturada. Desse modo, é importante que o projeto contenha o registro de todas as decisões, bem como a sistematização das ideias, observações nos resultados de acordo com os fundamentos e as diretrizes da pesquisa (Rocha, 2009). Dessa forma, segue abaixo a estrutura de um trabalho científico, no qual nos faz refletir para que possamos pensar antes da produção da pesquisa, indagando por meio das perguntas: o que pesquisar? Como? Por quê? Quando? Para quê? Quais? Quantos? Seguindo a metodologia e as referências teóricas sobre o tema proposto. FIGURA 1: MODELO DE PROJETO DE PESQUISA Fonte: adaptado de Rocha, 2009. TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 34 A figura acima esclarece por que se faz as perguntas, onde irão promover a escolha do tema relacionado à pesquisa, no qual tem a finalidade didática de facilitar os procedimentos que contribuem para uma melhor compreensão na elaboração do projeto, facilitando a identificação do problema da pesquisa. Caro(a) acadêmico(a), abaixo segue uma estrutura para elaboração de um projeto de pesquisa de acordo com as normas atualizadas da Associação Brasileira de Normas e Técnica – ABNT. Essa estrutura também pode ser diferente de acordo com a Instituição de Ensino, mas o que devemos saber é que as normas da ABNT é padrão, onde em algumas IES acabam se adaptando de acordo com suas diretrizes internas, diferenciando alguns tamanhos e fontes de letras. QUADRO 1: ESTRUTURA DE UM PROJETO DE PESQUISA Fonte: Goldenberg, 2002, p. 76-77. TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 35 Recapitulando tópicos anteriores e na história do Serviço Social, podemos mencionar que a década de 1980 foi um período marcado pela maturidade da produção teórica da profissão, com a ruptura do conservadorismo, destacando a instituição das escolas de serviço social na época e universidades, como também a discussão de marxista em direção ao projeto ético político profissional, em que a época enfrenta problemas nas questões políticas sociais, para a efetivação das políticas públicas para a sociedade, em que na época abrangia somente as áreas da saúde, assistência e previdência social, sendo reconhecido até os dias de hoje como o tripé da seguridade social. Destacamos estudiosos que também discutem essa perspectiva, mencionando que a profissão de assistente social ocorreu no contexto capitalista, quando o Estado assumiu de responder às demandas da questão social (Netto, 1992). Tais temáticas puderam dar viabilidades à temática da produção acadêmica, em que corrobora para o enfrentamento junto à sociedade sobre os desafios para a implementação da democracia, como também o enfrentamento das desigualdades sociais, na prática profissional do Assistente Social (Bourguignon, 2007). A produção de conhecimentos em Serviço Social engloba uma vasta e variada gama de temáticas, na medida em que, cada vez mais, ocorre uma ampla interseção com a dinâmica da sociedade, como, por exemplo, a consolidação democrática, a extensão da cidadania, a mundialização e a crise econômica, a redefinição do Estado e da Sociedade Civil, a flexibilização das relações de trabalho, a ampliação do desemprego, o acirramento da pobreza, o processo de urbanização e produção do espaço construído, a violência de jovens e adultos, o planejamento, as políticas públicas, etc. Dentro deste contexto, as temáticas do Serviço Social estão intimamente imbricadas com os acontecimentos que ocorrem na sociedade e que rebatem na profissão em termos de demandas ou requisições. “A escolha de um tema de pesquisa ELABORAÇÃO DE TEMAS E PROBLEMÁTICAS NO COTIDIANO DO SERVIÇO SOCIAL4 TÓPICO TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 36 implica na seleção de objetos empíricos e sua transformação em objetos de estudo que supõem a existência de um discurso científico construído, adaptado ou mesmo importado de outros campos temáticos, de modo que a investigação tenha credibilidade (Kowarick, 1995, p 46). Nos diferentes processos de trabalho em que assistentes sociais e advogados, se inserem, independente de suas particularidades e âmbitos, seja na prestação de serviços diretos à população ou em áreas como gestão e planejamento e, especialmente, no âmbito das políticas públicas, para a efetivação de seu trabalho, precisam pautarem-se necessariamente em avaliações ou diagnósticos. Os diagnósticos são avaliações realizadas sobre uma determinada realidade, ação ou conjunto de ações, segmentos populacionais, problematizando o uso da técnica de análise documental sujeitos ou grupos, instituições, movimentos ou contextos, a partir de indicadores que permitem dimensionar com baseem um conjunto de informações, dimensões, categorias e variáveis, as condições, entraves e potencialidades que os constituem e conformam, em determinado momento histórico (Prates e Couto, 2008). Como qualquer avaliação, os diagnósticos pautam-se em valores, critérios e parâmetros e orientam-se por um modo de leitura da realidade, que pode, ou não, contemplar o seu movimento, as contradições e a processualidade das relações que as conformam, de acordo com o método e o projeto ético-político que o inspira, mas, necessariamente, tem perspectiva política, mesmo quando o paradigma que o orienta não reconhece este aspecto e não o explicita. Desse modo, podemos destacar temas de pesquisa dos anos de 1980 e 1990 relacionados às políticas públicas com a implantação dos Conselhos de Direitos. De acordo com Bourguignon (2007) os marcos relevantes e registrados na época, são: a Lei Orgânica de Assistência Social – LOAS, o Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA. Destacamos que o campo de direitos sociais, relacionados às crianças, adolescentes, idosos, portadores de deficiência, ou seja, temática envolvendo a sociedade civil. Além disso, fica em evidência a importância da produção de conhecimento por parte das pesquisas, para que seja respondido às expressões das questões sociais. A “questão social” passa a ser mais claramente tratada como o fenômeno que, exigindo respostas sistemáticas e contínuas no contexto do capitalismo monopolista, origina as políticas sociais e, portanto, as instituições empregadoras de assistentes sociais (e não só). Nesse sentido, afirma-se como parte inerente ao “perfil profissional” instituído naquele documento que, entre outros quesitos define o/a assistente social como um/a “profissional que atua nas expressões da ‘questão social’, formulando e implementando propostas para seu enfrentamento, por meio de políticas sociais públicas, empresariais, de organizações da sociedade civil e movimentos sociais” (Abreu, 2002, p. 348). Em verdade, se submetemos a análise da política social ao crivo da totalidade, teremos acordo com a seguinte constatação de Netto: TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 37 […] a intervenção estatal sobre a “questão social” se realiza com as características que já anotamos, fragmentando-a e parcializando-a. E não pode ser de outro modo: tomar a “questão social” como problemática configuradora de uma totalidade processual específica é remetê-la concretamente à relação capital/ trabalho – o que significa, liminarmente, colocar em xeque a ordem burguesa. Enquanto intervenção do Estado burguês no capitalismo monopolista, a política social deve constituir-se em políticas sociais: as sequelas da “questão social” são recortadas como problemáticas particulares (o desemprego, a fome, a carência habitacional, o acidente de trabalho, a falta de escolas, a incapacidade física, etc.) e assim enfrentadas (Netto, 1992, p. 28). De acordo com Iamamoto (2015), o Serviço Social no mundo e no Brasil, é representado pela formulação e planejamento para a execução de políticas públicas voltada à questão social e técnica do trabalho como, pautado na lei n. 8.662 de 07 de junho de 1993, que regulamenta a profissão, referente aos artigos 4º e 5º sobre as competências e atribuições privativas do Assistente Social. Começa-se a se pensar então a “questão social”, a miséria, a pobreza, e todas as manifestações delas, não como resultado da exploração econômica, mas como fenômenos autônomos e de responsabilidade individual ou coletiva dos setores por elas atingidos. A “questão social”, portanto, passa a ser concebida como “questões” isoladas, e ainda como fenômenos naturais ou produzidos pelo comportamento dos sujeitos que os padecem (Montaño, 2012, p. 272). Nesse sentido, ao analisarmos o Serviço Social dentro das instituição faz a diferença no decorrer de cada estratégia analisada eticamente para solucionar as questões sociais. Destarte que tais transformações no mundo do trabalho do Serviço Social, necessita cada vez mais de incentivo e investimentos por parte do Estado em política públicas, para que as desigualdades sociais sejam enfrentadas, dessa forma, você, acadêmico(a) deve pensar que sua ação isolada não será suficiente para resolução das questões sociais, sendo necessário o estudo constante e luta diária, pois a inclusão do Assistente Social se faz dentro do sistema capitalista vigente. Historicamente a Questão Social tem a ver com o surgimento da classe operária e seu ingresso no cenário político por meio das lutas em prol de direitos trabalhistas. Acadêmico(a), até a chegada do Código de Ética do assistente social de 1993, foram elaborados e retificados quatro Códigos, ou seja, nos anos de 1947, 1965, 1975,1986 e o atual de 1993, que demonstra a quebra do conservadorismo e a visão crítica e reflexiva do Serviço Social, no qual sintetiza o projeto ético- político da profissão. Fonte: a autora. SAIBA MAIS TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 38 Foram as lutas sociais que romperam o domínio privado nas relações entre capital e trabalho, extrapolando a questão social para a esfera pública, exigindo a interferência do estado para o reconhecimento e a legalização de direitos e deveres dos sujeitos sociais envolvidos (Iamamoto, 2002, p.17) Dessa forma, é importante que as instituições de ensino invistam em pesquisa de extensão para com seus alunos, fazendo com que dentro do processo de estágio o(a) acadêmico(a) tenha uma vivência junto à comunidade para que consiga entender a dinâmica da sociedade, como também, que haja mais investimento nas pesquisas científicas, pensar em respostas para as questões sociais tem o mesmo significado de buscar a cura do câncer, da AIDS, por exemplo, para a medicina, aqui, devemos refletir sobre as respostas para as violações de direitos, uso excessivo de drogas lícitas e ilícitas, prostituição, gravidez precoce nas adolescentes, violência contra criança, adolescente, idoso, mulher, homossexuais, negros, estrangeiro, pobre e entre outros, como também as filas no Sistema Único de Saúde, para cirurgias, exames rotineiros, empregos, renda, moradia, lazer, esporte, transporte público, feminicídios e entre outras mazelas sociais, caro(a) acadêmico(a) para essas respostas precisamos que você que está fazendo a leitura desta disciplina, procure seu coordenador para desenvolver pesquisas científicas, de campo, experimental, bibliográficas voltadas para o Serviço Social, mas não esqueçam que é necessário prioritariamente recursos financeiros por parte do Estado, como também ampliação dos programas do governo federal para a população. No entanto, é necessário analisar de forma crítica a gênese da questão social e do ponto de vista da história do Serviço Social, no qual anterior ao desenvolvimento capitalista, as formas de viabilização de direitos eram por meio de assistência ao próximo, doentes, desvalidos, abandonados, órfãos, carentes e pobre, considerando o cenário contemporâneo, político, econômico, cultural e social. Segue abaixo estrutura de acordo com cada questão social a ser trabalhada enquanto profissional formado. Com objetivo de conhecer mais sobre a importância da Ética dentro da pesquisa, faça uma dinâmica com seu colega de turma, conte a ele sobre um caso que envolve uma das questões sociais e depois compartilhe no grupo a discussão de caso. No final questione os demais colegas como foi expor uma particularidade tão importante sobre a atuação do Serviço Social. Fonte: a autora. REFLITA TÉCNICAS DE PESQUISAUNIDADE 2 39 Acadêmico(a), chegamos ao fim de mais uma unidade, em que a importância da pesquisa social na atuação prática do assistente social, por meio da aplicação da instrumentalidade do Serviço Social, que encontram-se estabelecidas na Lei de Regulamentação da Profissão e Código de Ética Profissional. Identificando a importância das perguntas indagativas, para uma pesquisa de campo na área do serviço social, na qual reforça-se que a utilização