A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
4 pág.
A Assembléia Constituinte de 1823

Pré-visualização | Página 2 de 2

agressão, conforme narrada pelo próprio May: (...) "alguns homens que o tempo não permitiu contar (...) que levavam espadas (...) que eu vi." 
Este episódio repercutiu bastante na Constituinte. Comentava-se que os mandantes seriam os Andradas com o conhecimento do imperador. Alguns, murmurando, chegaram até a insinuar que o próprio D. Pedro I teria participado da violenta agressão. 
Em meio a tudo isso, os conflitos entre as forças políticas (Partido Português e Partido Brasileiro) prosseguiam, desarticulando a frágil unidade existente dentro da Assembléia Constituinte e enfraquecendo, por outro lado, o Ministério dos Andradas. 
Dentro do Partido Brasileiro, por exemplo, surgiam desavenças entre os Andradas e outros membros do seu grupo. Estes desacordos ocorreram desde que José Bonifácio apresentou à Assembléia uma representação sobre a escravidão no Brasil. Defendia a idéia, que despertava muita desconfiança e desagrado em inúmeros componentes do Partido Brasileiro (proprietários de escravos e de terras), da extinção gradual da escravidão. Dizia que, desta forma, surgiria uma (...) "Nação homogênea, sem o que nunca seremos verdadeiramente livres, respeitáveis e felizes." 
Tantas discordâncias, acrescidas de inúmeras intrigas políticas, propiciaram a queda do Gabinete dos Andradas que, segundo o historiador Pedro Octávio Carneiro da Cunha, "acontecera sobre um terreno de acordo entre a maioria dos deputados e o monarca". A partir de então, na Constituinte - para a qual tinham sido eleitos - e no jornal O Tamoio, José Bonifácio e seus irmãos Antônio Carlos e Martim Francisco promoveram constante oposição do governo de D. Pedro I. O escritor e jornalista Euclides da Cunha, posteriormente, comentou que os Andradas "apeando-se do poder apelam para os recursos que condenavam na véspera".

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.