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DIREITO 
PROCESSUAL 
PENAL: 
PROCEDIMENTOS 
E RECURSOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Descrever a sequência de atos comuns a todos os procedimentos.
 > Enumerar as espécies de procedimento comum e as características de 
cada um.
 > Explicar as particularidades de cada procedimento especial previsto no 
CPP.
Introdução
O processo penal é a relação jurídica estabelecida entre o autor, o réu e o 
Estado-juiz, a fim de julgar determinado delito. Para que tramite corretamente, 
em atenção aos princípios processuais penais, o processo deve seguir deter-
minados procedimentos que, de acordo com a legislação processual vigente, 
podem ser classificados como procedimento comum e procedimento especial.
O procedimento comum se divide em três ritos: ordinário, que é o mais 
completo deles; sumário, que dispensa algumas formalidades em comparação 
ao ordinário; e sumaríssimo, que se refere ao trâmite dos processos no Juizado 
Especial Criminal. Já o procedimento especial é previsto no Código de Processo 
Penal (CPP) para quatro situações específicas e em legislação extravagante 
para outros casos, como os crimes que envolvem falência e tráfico de drogas.
Neste capítulo, você vai estudar os principais aspectos do procedimento 
comum e do procedimento especial. Você também vai verificar quais são os 
atos comuns a ambos os procedimentos e vai conhecer as particularidades 
de cada um deles. 
Procedimentos 
penais
Cinthia Louzada Ferreira Giacomelli
Os atos comuns aos procedimentos 
Para que a jurisdição penal se manifeste, é necessário que tome a forma de um 
processo, que se caracteriza pela finalidade de buscar o provimento judicial 
de que trata a ação penal. Os procedimentos, por sua vez, são os elementos 
que formam o processo e podem ser classificados em procedimento comum 
e procedimento especial, cujas principais características serão tratadas mais 
adiante. 
Assim, como comenta Oliveira (2013), o processo é o gênero, e os procedi-
mentos são as espécies. Ele concorda, dessa forma, com Tourinho Filho (2012, 
p. 725), que define: “[...] ao conjunto de atos processuais que se sucedem, de 
forma coordenada, com a finalidade de resolver, jurisdicionalmente, o litígio, 
denomina-se processo. Mas, sob esse aspecto, isto é, coordenação e ordem 
dos atos processuais, fala-se, tecnicamente, em procedimento.” Destaca-se 
que o Estado é o responsável por dar seguimento ao processo e por regular 
os respectivos procedimentos, fazendo surgir a teoria da relação jurídica.
De acordo com essa teoria, relação jurídica (Figura 1) é o vínculo entre 
dois ou mais sujeitos que assumem direitos e deveres. Assim, o processo se 
caracteriza como uma relação jurídica formada por três sujeitos principais:
 � o Estado-juiz, que é o responsável por solucionar o litígio;
 � o autor, que é aquele que deduz a pretensão (na ação penal de iniciativa 
pública, é o Ministério Público, e na ação penal de iniciativa privada, 
é o querelante); 
 � o réu, aquele a quem a pretensão é deduzida.
Figura 1. O Estado-juiz, o autor e o réu for-
mam uma relação jurídica: o processo, que 
é formado por procedimentos previstos 
na legislação.
Estado-juiz
Autor Réu
Procedimentos penais2
Os procedimentos que formam os processos são estabelecidos na legis-
lação e se aplicam de acordo com requisitos específicos, como a natureza 
da causa. No entanto, alguns atos processuais são aplicados a ambos os 
procedimentos — comum e especial — quando os processos tramitam em 
primeira instância. É o caso daqueles previstos nos arts. 395 a 397 do CPP. 
Analisaremos a seguir cada um deles.
De acordo com o art. 395 do CPP:
Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando:
I - for manifestamente inepta;
II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou
III - faltar justa causa para o exercício da ação penal (BRASIL, 1941, documento 
on-line).
A denúncia ou queixa inepta se caracteriza pela ausência de algum dos 
requisitos da inicial, previstos no art. 41 do CPP. Contudo, Lopes Júnior (2015, 
p. 231) ressalta que nem todos os elementos desse artigo conduzem à rejeição; 
“[...] se faltar o rol de testemunhas do acusador em relação a um delito, cuja 
autoria e materialidade estão demonstradas por vasta prova documental, 
deverá a acusação ser recebida”. Semelhante consequência acontece em 
relação à qualificação do réu: uma vez identificado o réu, o requisito está 
cumprido e a denúncia ou queixa deve ter prosseguimento.
Já o inciso II remete aos pressupostos processuais, que são requisitos 
essenciais para uma relação jurídica válida. Como comenta Lopes Júnior (2015), 
os pressupostos processuais são, de maneira geral, divididos em:
 � pressupostos de existência, que incluem as partes, o juiz e uma de-
manda judicial válida; 
 � pressupostos de validade, que incluem um juiz competente, capacidade 
das partes e citação válida, entre outros.
Por fim, o inciso III se refere à falta de justa causa para o exercício da 
ação penal, que consiste “[...] na ausência de qualquer elemento indiciário 
da existência do crime ou de sua autoria” (CAPEZ, 2013, p. 216). Nesse sentido, 
a falta de interesse de agir é considerada como falta de justa causa.
Procedimentos penais 3
Já os arts. 396 e 396-A preveem:
Art. 396. Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, 
o juiz, se não a rejeitar liminarmente, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado 
para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias.
Parágrafo único. No caso de citação por edital, o prazo para a defesa começará a 
fluir a partir do comparecimento pessoal do acusado ou do defensor constituído.
Art. 396-A. Na resposta, o acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo o que 
interesse à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas 
pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação, 
quando necessário. 
§ 1o A exceção será processada em apartado, nos termos dos arts. 95 a 112 deste 
Código.
§ 2o Não apresentada a resposta no prazo legal, ou se o acusado, citado, não 
constituir defensor, o juiz nomeará defensor para oferecê-la, concedendo-lhe vista 
dos autos por 10 (dez) dias (BRASIL, XXXX, documento on-line).
De acordo com esses artigos, compete ao acusado responder à denúncia 
ou queixa, no prazo de 10 dias, arguindo preliminares, como a incompetência 
absoluta do juízo e a nulidade da citação, bem como todos os elementos que 
pretende apresentar para fundamentar sua defesa, como provas produzidas 
e arrolamento de testemunhas.
Por fim, assim prevê o art. 397:
Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, 
o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar:
I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato; 
II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo 
inimputabilidade;
III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou
IV - extinta a punibilidade do agente. (BRASIL, XXXX, documento on-line).
O citado artigo se refere ao que se chama de absolvição sumária. Quando 
verificada qualquer das hipóteses ali citadas, mesmo já tendo recebido a 
denúncia ou queixa, mas tomando conhecimento das alegações do réu, cabe 
ao juiz absolvê-lo, extinguindo o processo penal. 
Procedimentos penais4
O procedimento comum
O procedimento comum está previsto no art. 394 do CPP:
Art. 394. O procedimento será comum ou especial.
§ 1o O procedimento comum será ordinário, sumário ou sumaríssimo:
I - ordinário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada for igual 
ou superior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade;
II - sumário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada seja 
inferior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade;
III - sumaríssimo, para as infrações penais de menor potencial ofensivo, na forma 
da lei.
[...] (BRASIL, 1941, documento on-line).
Observa-se que o procedimento comum é dividido em trêsritos: ordinário, 
sumário e sumaríssimo. Considerando-se o cabimento de cada rito, exposto 
no citado art. 394, tem-se que o procedimento comum ordinário é o mais 
complexo dos procedimentos penais e serve como diretriz para os outros ritos. 
Procedimento comum ordinário
O primeiro ato processual do procedimento comum ordinário é o oferecimento 
da denúncia ou da queixa. Se observados os requisitos legais, a denúncia ou 
a queixa podem ser rejeitadas, nos termos do já citado art. 395 do CPP. Caso 
seja recebida pelo juiz, o segundo ato processual é a citação do réu, que deve 
ocorrer de acordo com os arts. 351 e seguintes do CPP.
Uma vez realizada a citação, o réu dispõe do prazo de 10 dias para apre-
sentar resposta, alegando preliminares, especificando provas e arrolando 
testemunhas. O número máximo de testemunhas é oito, excluindo-se desse 
número as que não prestam compromisso e as referidas, nos termos do 
art. 401, § 1º do CPP. Ressalta-se que a resposta pode ensejar a absolvi-
ção sumária do réu, desde que verificada qualquer uma das hipóteses do 
art. 397 do CPP. 
Se não houver absolvição sumária, o terceiro ato processual é a designa-
ção de audiência de instrução e julgamento. Como comenta Tourinho Filho 
(2012, p. 733):
Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo máximo de 60 dias, 
proceder-se-á à tomada de declarações do ofendido, à inquirição das testemunhas 
arroladas pela Acusação e pela Defesa, nesta ordem, ressalvado o disposto no art. 
222 (quando se expede precatória), bem como aos esclarecimentos dos peritos, 
às acareações e ao reconhecimento de pessoas e coisas, interrogando-se por 
último o acusado.
Procedimentos penais 5
Ao final da audiência, poderão ser requeridas diligências por qualquer das 
partes ou pelo Ministério Público. Na ausência desse requerimento, o acusador 
disporá de 20 minutos, prorrogáveis por mais 10. Depois, o assistente disporá 
de 10 minutos, e, por fim, a defesa também poderá dispor de 20 minutos 
antes de o juiz proferir sentença. Por outro lado, caso haja diligências, o juiz 
suspenderá a audiência. Quando concluída, as partes deverão apresentar, 
no prazo de 5 dias, as alegações finais por memorial, momento do qual se 
contam 10 dias para que o juiz profira sentença.
Procedimento comum sumário
O procedimento comum sumário exige os mesmos atos processuais previstos 
para o procedimento comum ordinário, com algumas poucas diferenças. 
Observa-se que, no procedimento comum sumário: 
 � a audiência deve ser realizada no prazo máximo de 30 dias;
 � o número máximo de testemunhas é de cinco, nos termos do art. 532 
do CPP — neste rito, não há ressalva quanto às testemunhas não com-
promissadas e referidas, e todas as espécies de testemunhas devem, 
somadas, ser limitadas a cinco;
 � não há possibilidade de apresentação das alegações finais por escrito 
— elas devem ser apresentadas, necessariamente, na forma oral;
 � verifica-se a inexistência de pedido de diligências ao final da audiência.
Quanto aos dois últimos atos processuais, Lopes Júnior (2015, p. 737) co-
menta que “[...] não vemos obstáculos a que esses atos sejam realizados 
quando, no caso concreto, a complexidade da prova e das circunstâncias 
fáticas assim o exigir”. Destaca-se que o julgamento do litígio não pode ser 
prejudicado em virtude de rigorismos formais. 
Procedimento comum sumaríssimo
Concluindo o procedimento comum, o rito sumaríssimo é aquele que se aplica 
aos processos que tramitam nos Juizados Especiais Criminais, nos termos da 
Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995. O Juizado Especial Criminal é o juízo 
competente para processar e julgar as infrações penais de menor potencial 
ofensivo, que são as contravenções penais e os crimes que a lei comine pena 
máxima não superior a um ano. Excluem-se os casos submissos ao procedi-
mento especial, cujos principais aspectos serão indicados no próximo tópico.
Procedimentos penais6
O juizado especial, de acordo com a Lei nº 9.099/1995, é regido pelos 
princípios da oralidade, da informalidade, da economia processual 
e da celeridade, de forma que, na maioria dos casos, os danos sofridos pela 
vítima são reparados sem que se aplique pena restritiva de liberdade ao réu.
O processo sob o procedimento comum sumaríssimo se inicia com um 
termo circunstanciado, que cumpre a mesma função do inquérito policial, 
porém, de maneira mais simples. O termo circunstanciado deverá ser anexado 
à folha de antecedentes e encaminhado à Secretaria do Juizado, que procederá 
à intimação para a audiência preliminar, na qual será proposta a transação 
penal, ressalvadas as hipóteses do art. 76, §2º da Lei nº 9.099/1995.
Art. 76. Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública 
incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá 
propor a aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas, a ser espe-
cificada na proposta.
[...]
§ 2º Não se admitirá a proposta se ficar comprovado:
I - ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena privativa 
de liberdade, por sentença definitiva;
II - ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de cinco anos, pela 
aplicação de pena restritiva ou multa, nos termos deste artigo;
III - não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente, 
bem como os motivos e as circunstâncias, ser necessária e suficiente a adoção da 
medida (BRASIL, 1995, documento on-line).
Se o réu não comparecer à audiência preliminar ou se não forem verifica-
das as hipóteses previstas no art. 76 da Lei, o Ministério Público oferecerá, 
oralmente, denúncia. Uma vez recebida a denúncia, a vítima será ouvida, 
as testemunhas de acusação, as testemunhas de defesa e, por fim, o acusado 
serão interrogados, passando-se aos debates orais. Cumpridos esses atos, 
então o Juiz vai prolatar sua sentença. Por fim, cabe ressaltar que as senten-
ças proferidas em todos os ritos do procedimento comum são passíveis do 
recurso de apelação, processando-se nos termos do CPP ou nos termos da 
Lei nº 9.099/1995, no caso do procedimento comum sumaríssimo.
Procedimentos penais 7
O procedimento especial 
O procedimento comum, embora possa ser revestido de três diferentes ritos, 
não se aplica a todos os processos penais; alguns devem tramitar sob o 
chamado procedimento especial. O CPP prevê quatro situações nas quais se 
aplica o procedimento especial: 
 � os crimes de competência do Tribunal do Júri (arts. 406 a 497);
 � os crimes de responsabilidade de funcionários públicos (arts. 513 a 518);
 � os crimes contra a honra (arts. 519 a 523);
 � os crimes pertinentes à propriedade imaterial (arts. 524 a 540).
Em todas essas situações, assim como ocorre no procedimento comum, 
o primeiro ato processual é o oferecimento da denúncia ou da queixa. Ob-
servados os requisitos legais, a denúncia ou a queixa pode ser rejeitada de 
acordo com o art. 395 do CPP. Se a denúncia ou a queixa for recebida pelo 
juiz, o segundo ato processual é a citação do réu, nos termos dos arts. 351 e 
seguintes do CPP.
Depois de realizada a citação, o réu poderá, no prazo de 10 dias, apre-
sentar resposta, alegando preliminares, especificando provas e arrolando 
testemunhas. O número máximo de testemunhas é oito, excluindo-se desse 
número as que não prestam compromisso e as referidas, nos termos do 
art. 401, § 1º do CPP. Também em todas as situações a resposta do réu pode 
ensejar sua absolvição sumária, desde que verificada qualquer uma das 
hipóteses do art. 397 do CPP. 
Com exceção dos crimes de responsabilidade de funcionários públicos, 
nos quais a audiência de instrução e julgamento deve ser realizada no prazo 
máximo de 60 dias, a audiência de instrução e julgamento deve ser realizada 
no prazo máximo de 30 dias. Em todos os casos, conforme Tourinho Filho 
(2012, p. 815), “[...] ao final da audiência, o Ministério Público, o querelante e o 
assistente e, a seguir, o acusado poderão requerer diligências cuja necessidadese origine de circunstâncias ou fatos apurados na instrução”.
Na hipótese de não haver requerimento, ou se este for indeferido, 
ao acusador será dada a palavra por 20 minutos, prorrogáveis por mais 10, 
em seguida ao assistente, por 10 minutos, e por último à defesa, também 
por 20 minutos. Ao final, o juiz deve proferir sentença, salvo na hipótese de 
haver complexidade ou de ser necessária a diligência, hipóteses nas quais 
serão apresentadas alegações finais por memorial, quando o juiz proferirá 
sentença no prazo de 10 dias. 
Procedimentos penais8
Nos crimes de competência do Tribunal do Júri, os atos processuais des-
critos acima também se aplicam; contudo, referem-se à primeira fase do 
procedimento, que é formado por duas fases. Para Tourinho Filho (2012, p. 755):
Na primeira etapa, a Acusação procura demonstrar que houve o crime doloso contra 
a vida, consumado ou tentado, e que o réu foi o seu autor. Sendo assim, evidente 
que a decisão de pronúncia, que encerra essa primeira fase, limitar-se-á a julgar 
procedente o jus accusationis do Estado. 
Assim, o final da primeira fase é marcado por uma sentença que poderá 
ter os efeitos descritos a seguir.
 � Impronunciar o réu, isto é, julgar a peça acusatória improcedente. 
 � Absolver o réu, nos termos do art. 415 do CPP:
Art. 415. O juiz, fundamentadamente, absolverá desde logo o acusado, quando:
I – provada a inexistência do fato; 
II – provado não ser ele autor ou partícipe do fato;
III – o fato não constituir infração penal;
IV – demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime. (BRASIL, 
1941, documento on-line).
 � Cabe destacar que, se a defesa alegar que o réu cometeu o crime, 
mas, em virtude de doença mental, não tinha o discernimento para 
saber o que estava fazendo, o juiz o absolverá, aplicando-lhe medida 
de segurança, nos termos dos arts. 96 e 97 do Código Penal (BRASIL, 
1940). Contudo, se a alegação da defesa for que, apesar de inimputável, 
o réu não é o autor do crime, o juiz poderá pronunciá-lo, e caberá à 
defesa buscar, em plenário, a negativa de autoria, a fim de que o réu 
não cumpra medida de segurança. 
 � Desclassificar o crime para outro que não seja da alçada do júri, situação 
na qual, se o juiz se convencer da existência de crime que não seja da 
competência do júri, deverá proferir decisão nesse sentido e remeter 
os autos ao juízo competente.
 � Pronunciar o réu, de maneira fundamentada, quando convencido da 
materialidade do fato e da existência de indícios da autoria ou da 
participação do réu. Na sentença de pronúncia, o juiz deve indicar se 
é o caso ou não de o réu ser submetido a julgamento popular. 
Procedimentos penais 9
É a sentença de pronúncia que dá início à segunda fase do proce-
dimento no Tribunal do Júri, que é detalhadamente apresentado 
nos arts. 406 a 497 do CPP. É importante ressaltar que, entre uma fase e outra, 
praticam-se alguns atos, objetivando o preparo dos autos para o julgamento; 
são eles:
 � relatório;
 � sorteio dos 25 jurados;
 � intimação das testemunhas e dos jurados para a sessão de julgamento, nos 
termos da legislação processual.
Além dessas situações previstas no CPP, outras também devem seguir 
o procedimento especial, de acordo com a legislação extravagante. São os 
crimes que se referem aos seguintes temas: 
 � tóxicos (Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006);
 � falências (Lei nº 11.101, de 9 de fevereiro de 2005);
 � eleições (Código Eleitoral);
 � lavagem de capitais (Lei nº 9.613, de 3 de março de 1998); 
 � licitação (Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993); 
 � economia popular (Lei nº 1.521, de 26 de dezembro de 1951). 
Referências
BRASIL. Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. Brasília: 
Presidência da República, 1941. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
decreto-lei/del3689.htm. Acesso em: 24 out. 2020.
BRASIL. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Brasília: Pre-
sidência da República, 1940. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
decreto-lei/del2848compilado.htm. Acesso em: 24 out. 2020.
BRASIL. Lei nº 9.099, de 26 de outubro de 1995. Dispõe sobre os Juizados Especiais Cíveis 
e Criminais e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 1995. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9099.htm. Acesso em: 24 out. 2020.
CAPEZ, F. Curso de processo penal. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.
LOPES JÚNIOR, A. Direito processual penal. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2015.
OLIVEIRA, E. P. de. Curso de processo penal. 17. ed. Paulo: Atlas, 2013.
TOURINHO FILHO, F. da C. Manual de processo penal. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2012.
Procedimentos penais10
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Procedimentos penais 11

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