Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

O conto no Brasil e em Portugal: 
ascensão e transformações
Apresentação
O gênero textual conto, diferentemente do romance, é mais reduzido, mas não menos fascinante. 
Ele se desenvolveu de modo único no Brasil e em Portugal, a partir de aspectos da cultura e da 
história típicos de cada um desses países e épocas. Vários escritores, a exemplo de Edgar Allan Poe, 
já teorizaram a respeito desse gênero. Agora, você vai estudar acerca da difusão e do 
desenvolvimento dele, sobretudo no Brasil e em Portugal.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você compreenderá os elementos sociais, culturais e históricos 
responsáveis pela disseminação do conto em terras brasileiras e lusitanas. Além disso, conhecerá os 
contistas que mais se destacaram nesses dois países e suas principais obras.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Explicar como a produção de contos se difundiu no Brasil e em Portugal.•
Reconhecer alguns dos principais contistas portugueses e brasileiros.•
Analisar, criticamente, contos de autores brasileiros e portugueses.•
Desafio
O conto é um dos gêneros literários mais reinventados atualmente. Embora ele seja muito 
produzido hoje, a sua difusão impressa, seja em terras brasileiras ou lusitanas, só ocorreu a partir do 
século XIX.
A seguir, leia um caso que envolve o assunto conto.
Neste Desafio, como você explicaria aos leitores e alunos, por meio do texto a ser publicado na 
revista, a respeito da disseminação do gênero conto escrito, comparando o Brasil em meados do 
século XIX com o atual? Ao escrever sobre o assunto, considere os elementos sociais e 
tecnológicos de cada época.
Infográfico
Devido a aspectos singulares, a difusão do gênero literário conto ocorreu de modo distinto tanto 
em Portugal quanto no Brasil, ainda mais considerando diferenças históricas, culturais e políticas 
entre os dois países.
Enquanto a tradição literária portuguesa é mais antiga, uma vez que o país já existia desde o século 
XV, tendo várias mudanças ao longo do tempo, a brasileira passou por um período de colonização 
lusitana, sofrendo, assim, influência daquele país na sua própria produção cultural. Dessa forma, 
antes na forma oral, difundida pelos povos tradicionais, a literatura passou também a ser impressa.
Neste Infográfico, você vai reconhecer, por uma linha do tempo, as principais diferenças da 
disseminação do conto em Portugal e no Brasil a partir dos seus respectivos elementos históricos, 
culturais e políticos.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/61d7d858-fef1-4366-8308-99db9815afca/2f8a1a32-1e9a-4d59-967f-03e54783b630.png
Conteúdo do livro
O gênero textual conto, embora tenha uma narrativa reduzida e sintetizada em comparação com 
outros gêneros literários, a exemplo do romance, da novela etc., tem uma singularidade própria e 
instigante. 
Tanto no Brasil quanto em Portugal, muito do desenvolvimento desse gênero foi em função de 
aspectos culturais e históricos, típicos de cada época. Por conta disso, contistas de ambos os países 
puderam, a partir das narrativas curtas, aplicar novas formas de se contar histórias, angariando 
ainda mais novos leitores ao longo do tempo.
No capítulo O conto no Brasil e em Portugal: ascensão e transformações, da obra Estudos de 
literatura - análise da narrativa em suas diversas manifestações, base teórica desta Unidade de 
Aprendizagem, você vai estudar sobre a maneira pela qual o conto se difundiu no Brasil e em 
Portugal, conhecer os principais autores e autoras, bem como ver análises de contos escolhidos.
Boa leitura.
ESTUDOS DE 
LITERATURA - 
ANÁLISE DA 
NARRATIVA EM SUAS 
DIVERSAS 
MANIFESTAÇÕES 
Leonardo Teixeira de Freitas Ribeiro Vilhagra
O conto no Brasil 
e em Portugal: ascensão 
e transformações
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Explicar como a produção de contos se difundiu no Brasil e em 
Portugal.
  Reconhecer alguns dos principais contistas portugueses e brasileiros.
  Analisar criticamente contos de autores brasileiros e portugueses.
Introdução
Tanto em Portugal quanto no Brasil, o gênero textual que viria a ficar 
conhecido como conto se desenvolveu de maneira singular, em função 
de particularidades culturais e históricas típicas de cada local e época. 
Seja como for, com o passar do tempo, dos dois lados do Atlântico os 
autores puderam, a partir das narrativas curtas, evoluir novas formas de 
se contar histórias.
Neste capítulo, você vai estudar o surgimento do gênero literário 
conto no Brasil e em Portugal. Assim, em um primeiro momento co-
nhecerá características que foram decisivas para a difusão do conto em 
terras brasileiras e portuguesas. Em seguida, estudará os autores que 
mais se destacaram nesse tipo de produção literária. Por fim, encontrará 
análises críticas de contos brasileiros e portugueses, a partir do que 
poderá você mesmo construir interpretações desses e de outros textos 
desse gênero literário. 
1 A difusão do gênero conto no Brasil 
e em Portugal
Embora esse gênero seja relativamente novo na história da literatura mun-
dial, vários escritores e escritoras desenvolveram narrativas curtas, mas, 
parafraseando Cortázar, intensas o bastante para dar um nocaute nos 
leitores e nas leitoras. Assim, neste tópico, você verá como se confi gurou 
a difusão do conto tanto em terras brasileiras quanto em terras lusitanas. 
Inicialmente, vamos começar por um panorama dessas transformações 
em nosso país.
O conto no Brasil 
A disseminação da produção de contos em terras brasileiras pode ser dividida, 
segundo Teles (2002), em quatro fases específi cas, sendo que cada uma delas 
possui características próprias, as quais nos ajudam a entender a maneira 
pela qual esse gênero literário se difundiu em nosso território. Conforme essa 
análise, a primeira delas é a fase da formação (1530 até 1850), depois a da 
transformação (1855 até 1882), em seguida a da confi rmação (1882 até 1967) 
e, por fi m, a da atualidade. 
A fase da formação compreende o início do Brasil Colônia (1530) até por 
volta de 1850. Para Teles (2002), ela é perpassada pelo conto em sua moda-
lidade oral até o surgimento da imprensa em solo brasileiro e, por sua vez, a 
publicação dos primeiros contos impressos. 
Ainda segundo Teles (2002), essa fase se subdivide em três momentos:
1. Os “embriões de narrativas”, transcritos nas obras de viajantes e 
catequistas a partir de breves amostras de narrativas orais, princi-
palmente dos índios. Isto é, mesmo antes de 1500 e da colonização 
europeia, já existiam narrativas orais dos povos tradicionais em 
terras brasileiras, que por isso poderiam ser entendidas como em-
briões do conto.
2. O advento dos jornais e, com eles, da publicação de narrativas curtas, 
traduzidas, adaptadas e em forma de alegorias políticas e satíricas. 
3. A publicação de Noite na Taverna, de Álvares de Azevedo (1831–1852), 
livro póstumo, publicado em 1855. É nessa fase que os escritores de-
senvolvem a linguagem literária e se conscientizam de uma literatura 
nacional. Até então, os termos conto, novela, romance e ensaio costu-
mam ser usados como sinônimos.
O conto no Brasil e em Portugal: ascensão e transformações2
É interessante ressaltar o papel que a imprensa teve, sobretudo do meio 
para o final dessa fase.
Caso você queira saber mais detalhes sobre o surgimento da imprensa no Brasil Imperial, 
vale a pena assistir ao vídeo intitulado “Imprensa no Período Regencial”, publicado 
pelo canal Academia de História no YouTube. 
Isso se justifica, uma vez que a publicação de contos impressos estava 
então diretamente ligada aos jornais. Inclusive, como nos mostra Ogliari 
(2010, p. 96), praticamente: “[...] todos os contistas da época tinham o jor-
nalismo como profissão, e a necessidade da expressão literária encontrava 
[...] o limite do curtoespaço de um jornal ou de um folheto, explicando o 
tamanho reduzido das narrativas e a escolha pelo gênero”.
A etapa seguinte foi a fase da transformação (1855 até 1882). Ela contempla 
o período regencial e o Segundo Reinado durante o Império. Nessa época, o 
Brasil, embora tivesse seu território consideravelmente rural, viu seus centros 
urbanos crescerem, fato que implicou no desenvolvimento do público leitor. 
Em virtude disso, o consumo de obras literárias foi impulsionado, incluindo 
na forma de conto (SILVA, 2009). Nesse contexto, os autores de tais peças 
literárias deixaram de ser exclusivamente jornalistas e começaram a surgir 
as primeiras editoras, as quais viriam a publicar contos em livro impresso, 
embora tais gêneros literários ainda fossem expostos principalmente em jornais. 
A fase da confirmação (1882 a 1967) é o período em que, segundo Teles 
(2002), o conto se consolida como gênero literário próprio. Nessa época, a 
urbanização brasileira se acentua, principalmente no início do século XX. 
Isso estabeleceu uma grande massa trabalhadora nas cidades, exigindo, dentre 
outras demandas, uma formação educacional específica. Por conta disso, o 
processo de escolarização não apenas abrandou o analfabetismo como também 
impulsionou o público leitor dessa época. Somado a isso, as editoras nacionais 
foram expandidas. Aliás, Silva (2009, documento on-line) comenta que: “Nesse 
contexto, houve o desenvolvimento expressivo da indústria do livro no Brasil, 
que teve em Lobato um dos mais arrojados representantes”. Porém, com a 
ditadura militar instaurada a partir de 1964, os escritores e artistas de maneira 
geral sofreram censura e perseguições, afetando a produção de novos contos.
3O conto no Brasil e em Portugal: ascensão e transformações
Por último, temos a fase da atualidade. Conforme Telles (2002), nessa 
fase, com a redemocratização, retomam-se as criações de narrativas curtas, 
além do que as editoras nacionais se consolidam como principais fontes de 
publicação dos contos, tomando o lugar que outrora era dos jornais. Inclusive, 
nesse período houve um crescimento considerável de autores nacionais.
Todavia, conforme aponta Ogliari (2010), as mídias digitais passaram a 
ser uma via alternativa para a difusão, sobretudo em blogs e até em perfis no 
Twitter ou no Facebook, bem como em redes sociais próprias para autores e 
leitores. Ademais, essas promoveram uma democratização no que diz respeito 
ao acesso e à divulgação de novos autores, coexistindo com os livros impressos.
Se quiser saber mais sobre as redes sociais nas quais autores publicam seus contos, 
veja a seguir uma lista das principais:
  Wattpad;
  Minhateca (dentro do Twitter);
  Skoob.
O conto em Portugal
A difusão dos contos em Portugal já marcava presença desde o século XII, 
no período do feudalismo, sendo que isso ocorria tanto na sua modalidade 
falada quanto na modalidade escrita. Aliás, sobre esse último ponto, Braga 
(1914, p. 7) comenta que:
[...] os primeiros documentos literários em prosa foram contos traduzidos 
do árabe e com uma intenção moral exclusiva. Com as correntes cultas de 
outros elementos medievais, como os trovadores da Provença, os jograis 
franceses e menestréis bretões, alargaram-se as fontes literárias dos contos, 
estabelecendo-se essa unanimidade de sentimento da civilização ocidental.
Vale frisar também que os meios de publicação das narrativas curtas por 
escrito praticamente se limitavam a pergaminhos, geralmente encomendados 
por nobres e produzidos sobretudo por copistas da Igreja Católica. Dificilmente 
a população campesina tinha acesso a tais documentos escritos.
O conto no Brasil e em Portugal: ascensão e transformações4
Já no século XV, iniciando a Era Moderna, houve a consolidação do Estado 
Português, sobretudo na figura de D. João I (Figura 1), o qual, segundo Moisés 
(2006, p. 31), iniciou uma “[...] franca e profunda renovação da cultura portuguesa. 
Rei culto, determinado, empreendedor, estendeu logo o significado régio ao desen-
volvimento das Letras”. Isso acentuou a formação de um público leitor português 
não restrito à corte e aos clérigos, bem como provocou a laicidade da publicação 
e da circulação de obras literárias, incluindo das narrativas curtas portuguesas.
Figura 1. Dom João I, o Mestre de Avis.
Fonte: Anjos (2013, documento on-line). 
No século XVI, essa tendência se expandiu por Portugal. Em função disso, 
ainda que de forma manual, a confecção de livros foi aumentando, sendo que 
os autores puderam ter novas possibilidades de publicar seus escritos. Além 
disso, de acordo com Abreu (1993), foi nessa época que surgiram também 
as folhas volantes, narrativas escritas em papéis avulsos, muito comum nas 
feiras livres, indicando a popularização dos contos.
Essa tendência persistiu até o início do século XIX. Porém, com a indus-
trialização de Portugal, houve um avanço da urbanização dos grandes centros 
lusitanos. Um dos desdobramentos disso foi a criação e expansão das editoras, 
aumentando a circulação dos livros impressos. Em função disso, de acordo 
com Moisés (2006), na transição do século XIX para as primeiras décadas 
do XX, uma nova forma de publicação de contos escritos se estabeleceu: os 
jornais e revistas. Vale destacar, segundo Sapega (1993), a Revista Presença, 
5O conto no Brasil e em Portugal: ascensão e transformações
cuja primeira edição foi lançada na década de 1920. Somado a isso, nesse 
contexto, também as primeiras escritoras portuguesas começaram a publicar 
suas produções literárias nesses veículos. Assim, com todas essas possibilidades 
disponíveis, a produção das narrativas curtas cresceu fortemente.
Todavia, esse cenário foi abalado com o golpe militar de 1926, abrindo 
espaço para a ditadura de António de Oliveira Salazar. Esse regime de censura 
e de perseguição — inclusive, de escritores —terminaria apenas com a Revo-
lução dos Cravos, em 1974. Isso afetou a produção dos contistas portugueses, 
fato comentado por Roani (2004, documento on-line): 
A anulação das amarras impostas à atividade artística implicou em uma nova 
organização editorial, no apoio das novas entidades públicas à produção 
artística, na implantação de prêmios literários e, principalmente, na livre 
manifestação dos autores, anteriormente silenciados pelo antigo regime. 
Da década de 1980 até a atualidade, ocorreu em Portugal um processo pare-
cido como o testemunhado Brasil, no que diz respeito à disseminação do conto. 
Após o período ditatorial, houve um processo de redemocratização, fazendo 
com que os autores e o público leitor pudessem produzir e consumir os contos 
como antes. Além disso, com o avanço da tecnologia digital e da banda larga, os 
autores puderam, além das próprias editoras e jornais, contar com a internet para 
publicar seus contos, proporcionando, dessa maneira, o alcance de novos leitores.
2 Os principais contistas brasileiros 
e portugueses
Agora que já examinamos a maneira pela qual o conto se difundiu no Brasil 
e em Portugal, vamos conhecer mais sobre alguns dos principais contistas 
desses dois países. 
Contistas brasileiros de destaque
Aqui, aproveitaremos novamente as quatro fases propostas por Telles (2002), 
a começar pela fase da formação. Nessa época, é inviável abordar os autores 
de contos orais, pois não há registros disponíveis. Porém, em relação aos 
escritos, segundo Lima (1971), o primeiro escritor a publicar um conto foi 
Justiniano José da Rocha, em 26 de novembro de 1836, cujo título é “A caixa 
e o tinteiro”. No entanto, quem mais se destacou nessa época foi Álvares de 
O conto no Brasil e em Portugal: ascensão e transformações6
Azevedo, sobretudo a partir do conto “Noite na Taverna”. Além disso, vale 
destacar, segundo Ogliari (2010), que nessa fase houve uma grande infl uência 
romântica na produção dos contos, fazendo com que a maioria das temáticas 
girasse em torno desse movimento literário. 
Já na fase da transformação surgiram os grandes contistas do final do 
séc. XIX,a exemplo de Bernardo Guimarães (Lendas e romances), Artur 
Azevedo (Contos em verso), Coelho Neto (Sertão), Afonso Arinos (Pelo ser-
tão), Fagundes Varela (A guarida de pedra) e, sobretudo, Machado de Assis 
(Contos fluminenses, Histórias da meia-noite e Papéis avulsos). 
Ainda que houvesse a predominância de obras escritas por homens nessa 
época, havia também mulheres escritoras, cujas obras foram recuperadas mais 
recentemente pela crítica, como é o caso de Maria Firmina dos Reis, maranhense 
e, de acordo com Machado (2019), uma das primeiras romancistas brasileiras. 
Nas histórias curtas, publicou o conto “A escrava”, de 1887. Também podemos 
destacar Júlia Lopes de Almeida, que colaborou com o planejamento do que viria 
a ser a Academia Brasileira de Letras. Escritora carioca, segundo Fanini (2013), 
dedicou-se a vários gêneros literários (poemas, peças teatrais, romances, etc.). 
Em relação ao conto, escreveu Contos infantis com sua irmã Adelina, Traços e 
iluminuras e Ânsia eterna, respectivamente em 1887, 1888 e 1903.
Somado a isso, ainda que tenha presença de pautas românticas, temáticas 
sociais e regionais começam a predominar, sobretudo no final da fase. Por 
último, é relevante citar Ogliari (2010, p. 101) no que diz respeito à estrutura 
dos contos iniciada nessa época — em sua visão, tais autores consolidaram:
[...] no Brasil a primeira estrutura do conto moderno, a primeira norma mo-
derna da contística, silenciando as produções anteriores: o conto de efeito, 
algo muito próximo do molde trágico do teatro grego, em que o herói traça 
uma via entre uma desmedida e um reconhecimento, encaminhando-se para 
um único, explosivo e canalizado final.
No entanto, isso viria a destoar significativamente dos contos machadianos, 
tema que abordaremos mais adiante. 
Com a fase da confirmação, transição do século XIX para meados do 
século XX, além de termos a maior inserção das mulheres enquanto autoras, 
a influência do romantismo se esvai, dando espaço a tendências realistas, 
naturalistas, simbolistas e modernistas. Isso influencia os motes das histórias 
curtas, os quais passam a ser dos mais variados, desde abordagens regionalistas, 
em que os costumes, hábitos e linguagens de uma região são retratados, até de 
cunho individual, focando no aspecto psicológico e intimista (TELLES, 2002).
7O conto no Brasil e em Portugal: ascensão e transformações
Nessa época, alguns dos principais autores são Lima Barreto, Simões Lopes 
Neto, Alcides Maya, Hugo de Carvalho Ramos, Monteiro Lobato, Adelino 
Magalhães, Mário de Andrade, Antônio de Alcântara Machado, João Alphon-
sus, Graciliano Ramos, Bernardo Élis, Clarice Lispector e Guimarães Rosa.
Por fim, na fase da atualidade, Telles (2002, p. 178), afirma que muitos 
autores surgiram, tais como: 
Aníbal Machado, Dalton Trevisan, Gerardo França de Lima, Lygia Fagundes 
Telles, Osman Lins, Autran Dourado, José J. Veiga, Nélida Piñon, Samuel 
Rawet, João Antônio, Luís Vilella, Roberto Drummond, Rubem Fonseca, 
Moacyr Scliar, Murilo Rubião, Edilberto Coutinho e muitos outros mais.
Podemos citar também que autores e autoras de grupos marginalizados, que antes eram 
silenciados, agora têm mais condições de se expressar, sem desconsiderar o seu valor esté-
tico narrativo. Exemplos disso são Conceição Evaristo e Esmeralda Ribeiro, do movimento 
negro, Caio Fernando Abreu, Atena Beauvoir Roveda e Natalia Borges Polesso, que discutem 
questões de gênero e sexualidade, relacionadas também à comunidade LGBTQIA+, bem 
como Daniel Munduruku, Yaguarê Yamã e Graça Graúna, escritores indígenas.
Contistas portugueses de destaque
De modo similar ao que vimos no tópico anterior, no início da história da 
disseminação do gênero conto na literatura portuguesa, essencialmente a partir 
do século XII, é muito difícil especifi car os autores e autoras das histórias 
curtas na modalidade oral.
Todavia, no século XIV, segundo Braga (1914), houve o primeiro registro 
de um conto feito por um escritor português, mais precisamente no nobiliário 
do conde D. Pedro (1344). Em uma versão mais recente, ele foi reescrito pelo 
autor Alexandre Herculano, ganhando o nome de “A dama pé-de-cabra”. Vale 
frisar também que as poucas produções de contos por escrito nessa época, 
uma vez que predominavam as produções líricas, estavam relacionadas ao 
trovadorismo, abarcando temáticas associadas ao cotidiano da nobreza, como 
o amor por uma donzela, uma batalha entre cavaleiros, etc.
No século XV, segundo Moisés (2006), as produções literárias, dentre 
elas as que foram desenvolvidas no gênero conto, tinham forte influência 
O conto no Brasil e em Portugal: ascensão e transformações8
do humanismo. Em função disso, as temáticas abordavam registros dos 
principais fatos históricos portugueses e também situações que envolviam 
dilemas e comportamentos humanos. Nessa época, os principais contis-
tas foram Fernão Lopes, Gomes Eanes Azurara, Rui de Pina e Gonçalo 
Fernandes Trancoso.
Já do século XVI até o XVIII, houve uma sucessão de movimentos literá-
rios, sendo que seus escritores não privilegiaram tanto as narrativas curtas. 
No contexto do barroco português, merecem destaque Rodrigues Lobo e D. 
Francisco Manuel de Melo.
Porém, a partir do século XIX esse cenário mudou. Com a ascensão do 
romantismo no início do século, as obras feitas em prosa começaram a ganhar 
destaque entre os escritores. Em virtude disso, o conto adquiriu espaço nesse 
novo contexto. Assim, podemos evidenciar os seguintes autores: Almeida 
Garrett, Alexandre Herculano, Soraes de Passos e Camilo Castelo Branco. 
Ainda nesse viés, porém em meados do século XIX, surgiu o realismo 
português, a fim de fazer frente aos autores românticos. Os contistas que 
despontam nessa época são Fialho de Almeida, Abel Botelho, Francisco 
Teixeira de Queirós, Trindade Coelho e, principalmente, Eça de Queirós, o 
qual abordaremos mais adiante.
Nas primeiras décadas do século XX, almejando romper com as estéticas 
dos movimentos anteriores, segundo Moisés (2006), emerge o modernismo 
português. Ainda que nos primeiros momentos a poesia tenha sido mais 
produzida, com destaque para o grande poeta Fernando Pessoa, a narrativa 
curta foi alvo de uma intensa produção, sobretudo com os autores José Régio, 
João Gaspar Simões e Branquinho da Fonseca.
Em meados da década de 1920, mais precisamente em 1926, ocorreu o golpe 
de estado de António Salazar, implementando o regime militar em Portugal, 
que se estendeu até a década de 1970. Nesse período, embora houvesse uma 
intensa perseguição e censura, ainda persistiram autores de contos. Exemplos 
disso são Irene Lisboa, Manuel da Fonseca, Fernando Namora, Vergílio Ferreira 
e António Lobo Antunes.
A partir da Revolução dos Cravos (1974), e com a redemocratização nas 
terras lusitanas, uma renovação cultural é promovida, fazendo com que novos 
autores e autoras de contos apareçam, como é o caso de Rosa Lobato de Faria, 
José Cardoso Pires e Almeida Faria.
Por fim, desse período até hoje ainda é possível notar o aparecimento de no-
vos contistas portugueses, os quais imprimem em suas narrativas curtas temas 
e propostas inovadoras, inclusive, de acordo com Ribeiro (2012), discussões 
que envolvem a colonização lusitana na África pelo viés crítico e pós-colonial. 
9O conto no Brasil e em Portugal: ascensão e transformações
Nesse contexto, podemos destacar Isabela Figueiredo (moçambicana radicada 
em Portugal), Teolinda Gersão, Agustina Bessa-Luís, José Saramago, Lídia 
Jorge e Teresa Veiga.
3 Análise de contos brasileiros e portugueses 
Neste último tópico, você verá algumas análises de obras de contistas brasi-
leiros e portugueses. Assim, começaremos destacando Machado de Assis e 
Rubem Fonseca.
Análises de contos brasileiros
Machado de Assis 
Joaquim Maria Machado de Assis é um dos escritores mais relevantes da 
literatura nacional. Embora o bruxo de Cosme Velho seja muito conhecido 
pelos romances, a exemplo de Dom Casmurro, Quincas Borba, Memórias 
Póstumas deBrás Cubas, etc., ele também teve uma produção de contos 
bastante frutífera, e não menos genial. Assim, faremos aqui um recorte de 
sua produção, analisando o conto “Missa do Galo”, examinando-o sobretudo 
pela perspectiva do conceito de “conto de atmosfera”.
O conto “Missa do Galo” foi publicado na obra Páginas recolhidas, em 
1899. Narrado em primeira pessoa pelo personagem Nogueira, a história curta 
ambientada no Rio de Janeiro em meados do séc. XIX é o relato da lembrança 
de um encontro que Nogueira, quando tinha 17 anos, teve com a personagem 
Conceição, segunda esposa de Menezes, antigo marido de sua prima, a qual 
morreu. Assim, o protagonista decide esperar um amigo na casa de Menezes 
antes do começo da missa à meia-noite.
Nesse momento, enquanto está na sala lendo um livro, Nogueira percebe a 
aproximação de Conceição, a qual inicia uma conversa com ele. À medida em 
que o diálogo avança, o narrador começa a observar ainda mais Conceição, 
seus trejeitos, seu comportamento, a maneira como está vestida — inclusive 
que com a manga da camisa desabotoada dava até para notar que “As veias 
eram tão azuis, que apesar da pouca claridade, podia contá-las do meu lugar” 
(ASSIS, 1992, p. 203). Após esse intenso jogo de insinuações e desejo, Nogueira 
ouve pancadas na janela, avisando que a missa estava prestes a começar, 
interrompendo esse encontro inusitado entre eles.
O conto no Brasil e em Portugal: ascensão e transformações10
Isso, para Matos (2012), é um exemplo de “conto de atmosfera”, o qual diz 
respeito, basicamente, a um jogo entre o dito e não dito, promovendo ambi-
guidades na compreensão dos leitores e impedindo uma conclusão definitiva. 
Tal fato foi inovador e destoa de contos da época, além de encantar leitores e 
instigar pesquisadores da obra até os dias de hoje.
Rubem Fonseca
Outro conto de um escritor brasileiro do qual faremos a análise é de Rubem 
Fonseca. Natural de Juiz de Fora, MG, mudou-se para o Rio de Janeiro, publi-
cando diversos romances, bem como uma quantidade considerável de contos, 
tornando-se um dos maiores autores nacionais. Assim, o conto escolhido é 
“Orgulho”, o qual está inserido na obra O buraco na parede, de 1995.
A narrativa curta (pequena mesmo, de uma página) é feita por um narrador 
em terceira pessoa, onisciente, o qual nos relata a vida de um homem dos tempos 
atuais. No início da história, o narrador informa uma série de acontecimentos no 
período da infância pobre da vida desse homem, principalmente representada 
pelo buraco na meia que ele tinha, fato que lhe provocava angústia e profundo 
desdém (FONSECA, 1995).
No decorrer dessa enxurrada de lembranças que o narrador nos evidência, 
ele destaca um episódio em que o protagonista, durante uma consulta médica, 
recebe uma injeção do médico com uma substância que promove o contraste 
nas chapas radiográficas, a fim de que o exame das vias urinárias fosse mais 
eficiente. 
Todavia, ao recebê-la, o personagem tem uma reação alérgica grave, pro-
vocando o fechamento abrupto da sua laringe e uma séria asfixia. Com isso, 
a enfermeira que presente, em meio ao caos instalado por tal situação, tenta 
procurar o antialérgico, para salvar o protagonista. Nesse contexto, outras 
memórias do protagonista surgem na mente dele e são relatadas pelo narrador 
ao leitor, de modo fragmentado e aleatório. À medida que a situação se agrava, 
o homem se debate, desferindo golpes na cama de metal do consultório. Vendo 
a situação piorar, o médico procura despi-lo, a fim de amenizar a situação, 
começando pelo sapato. No entanto, ao fazer isso, o protagonista percebe que 
a meia que está vestindo tem um furo, expondo seu dedão do pé e remetendo 
à sua infância. 
Diante disso, e imaginando que morreria expondo uma vergonha daquelas, 
com toda força ele entorta o seu corpo, de modo que a contração da laringe 
fosse cessada e conseguisse respirar, evitando a morte iminente.
11O conto no Brasil e em Portugal: ascensão e transformações
Marca recorrente na produção ficcional de Rubem Fonseca, segundo Coronel 
(2013), a violência nesse conto é explorada de maneira específica, se comparada 
a outros contos. Aqui, ela está relacionada ao modo pelo qual o orgulho do perso-
nagem atinge um nível inaudito, de modo que ele supera o efeito alérgico causado 
pela substância de contraste. Nesse sentido, a utilização repetida de conjunções 
aditivas (“e consciente de que sua morte [...] e naquele momento em que morria 
[...] e bateu com força na mesa” [FONSECA, 1995, p. 100]) simula a falta de ar 
do protagonista, intensificando-a, além de tornar esse evento ainda mais real.
Análises de contos portugueses
Agora, analisemos exemplares de contos de escritores portugueses. Dessa 
forma, veremos um conto de Eça de Queirós e um de Teresa Veiga.
Eça de Queirós
José Maria de Eça de Queirós, ou apenas Eça de Queiroz, foi um diplomata e 
um dos expoentes das letras portuguesas na transição do século XIX para o 
XX. Muito aclamado pelos seus romances, como O crime do Padre Amaro, 
O Primo Basílio e Os Maias, ele também foi um excelente contista. Sendo 
assim, vejamos agora uma análise do conto “Civilização”, publicado em 1892.
A história curta, dividida em três partes, inicia-se com o narrador em 
terceira pessoa descrevendo um amigo, Jacinto, o qual, desde o seu nascimento 
em um palácio, era cercado de luxo, aristocracia e de todos os benefícios do 
progresso científico. Porém, na segunda parte do conto, o narrador nos mostra 
que o protagonista na juventude começa a sentir um vazio e infelicidade com 
o estilo de vida que levava (QUEIRÓS, 2004).
Já na terceira e última parte, o narrador evidencia que Jacinto, depois de 
refletir acerca da vida que leva, decide se mudar para uma casa localizada 
ao norte de Portugal, em um solar na zona rural de Torges. Em função dessa 
mudança, o protagonista sofre uma alteração em seu comportamento. Em 
meio ao campo e à natureza, ele fica mais disposto, para de fazer reclamações 
e percebe-se com muito mais ânimo de viver. 
Dessa forma, o conto “Civilização”, segundo Matter (2008), é uma forma 
de Eça de Queirós discutir e questionar não apenas a própria civilização 
portuguesa, mas também a europeia da transição do século XIX para o XX, 
sobretudo de uma perspectiva decadente. Por isso, muitos teóricos o conside-
ram um exemplo de escritor do decadentismo. Para Matter (2008, p. 1), essa 
corrente literária:
O conto no Brasil e em Portugal: ascensão e transformações12
[...] não envolve apenas o sentimento de decadência, comum em determinadas 
épocas, ou assumido por alguns autores, mas é uma atmosfera personificada 
pela consciência de que, apesar de todos os avanços científicos, tecnológicos 
e econômicos ocorridos nesse século, o homem não melhorou. Além disso, 
por ter apostado no progresso e na crença de que estava nele o dispositivo 
para o crescimento da sociedade, o sentimento de desilusão com o malogro 
do projeto foi maior e mais doloroso.
No que diz respeito a isso, a leitura do conto demonstra que a vida de Jacinto 
antes de ir para Torges simboliza os malefícios do progresso da civilização 
da época, os quais são representados pela vida superficial e deprimida que o 
protagonista levava. No entanto, a mudança para o interior, provocando uma 
guinada de Jacinto na direção oposta, representa não apenas os benefícios que 
o cenário bucólico propiciam a ele, mas também faz uma apologia e alerta aos 
leitores sobre como o abandono desse tipo de civilização pode sim ser uma 
alternativa ao ser humano.
Teresa Veiga
Teresa Veiga é o pseudônimo de uma escritora portuguesa contemporânea, da 
qual, embora tenha sido agraciada pelo prêmio literário Camilo Castelo Branco 
em 2009, pouco se conhece sobre sua vida pessoal. Dessa forma, analisaremos 
o conto “O Maldito, Marianina, e o feitiço da Rocha da Pena”, o último conto 
da obra Uma aventura secreta do Marquês de Bradomín. 
O conto é narrado por um personagem sem nome. Em um dado momento, 
ele é convidado por CarlosSampedro, médico octogenário que já foi amigo do 
avô do protagonista, a passar um fim de semana na casa do velho senhor em 
Rocha da Pena, interior de Portugal, pequena cidade que estava em um processo 
de desapropriação, devido à construção de uma autoestrada (VEIGA, 2011).
Na primeira noite em que passa no local, Sampedro relata ao narrador a 
história da antiga dona da mansão, Marianina. De acordo com ele, a antiga 
dona fora casada com Rodrigues, mas descobriu que não podia ter filhos. 
Porém, com o passar do tempo, o marido foi salvo por Cássio, um limpador de 
fossas e também muito temido pelos moradores da região. Após esse contato, 
Marianina acabou se envolvendo com o salvador do marido e acabou engra-
vidando, gerando o pequeno Gabriel. Em função dessa relação conflituosa, 
a mãe, atormentada por isso, acaba matando o filho e cometendo suicídio. 
Depois de ouvir tal episódio, Sampedro convida o narrador a visitar a 
tumba da antiga dona da casa e, ao chegarem ao local, encontram seu corpo 
intacto, sem sinais de decomposição, mesmo tendo passado 10 anos de sua 
13O conto no Brasil e em Portugal: ascensão e transformações
morte. Após esse evento, o narrador começa a notar uma série de eventos 
sobrenaturais, a exemplo da bandeira negra que está no topo da mansão: “[...] 
mantinha-se esticada, e as suas pontas chicoteavam o ar com intempestiva 
violência” (VEIGA, 2011, p. 281), ainda que não houvesse vento.
Ao decorrer do conto, Sampedro tenta, a todo custo, fazer com que o 
narrador seja o dono da mansão, herdando não só o edifício, mas todo o 
ambiente e eventos insólitos do local. Porém, o protagonista se recusa e, no 
final, o casarão é demolido.
No conto, podemos notar elementos insólitos, indicando uma narrativa 
fantástica, pois, segundo Todorov (1979), predomina ao mesmo tempo uma 
busca por uma explicação racional e a aceitação irracional dos eventos so-
brenaturais. Além disso, conforme Soares (2017), podemos notar que existe 
um confronto entre o passado e o futuro, simbolizado pelo embate entre o 
progresso (autoestrada) e o antigo (o casarão), o protagonista e o médico, o 
desencantamento do mundo por meio do avanço tecnológico e da ciência e os 
episódios sobrenaturais e extraordinários.
ABREU, Márcia. Cordel português/folhetos nordestinos: confrontos — um estudo histórico-
-comparativo. 1993. 2v. Tese (Doutorado em Teoria e História Literária) — Universidade 
Estadual de Campinas, Instituto de Estudos da Linguagem, Campinas, SP. Disponível em: 
http://www.repositorio.unicamp.br/handle/REPOSIP/269875. Acesso em: 25 abr. 2019.
ANJOS, J. M. T. dos. A Dinastia de Avis: 1385 – 1580. 2013. Disponível em: http://historia-
-portugal.blogspot.com/2008/02/dinastia-de-aviz-1385-1580.html. Acesso em: 18 jun. 2020.
ASSIS, M. de. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguiar, 1992.
BRAGA, T. Contos tradicionais do povo português. Minho: Edições Vercial, 1914. 2 v.
CORONEL, L. P. A representação da violência na ficção de Rubem Fonseca dos anos 70: 
o Brutalismo em questão. Revista Literatura em Debate, v. 7, nº. 12, p. 183–192, jul. 2013.
FANINI, M. A. Júlia Lopes de Almeida em "retrato e prosa": a propósito dos diálogos entre 
as imagens da escritora e sua produção literária. Cad. Pagu., nº. 41, jul./dez. 2013. Dispo-
nível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-83332013000200012&script=sci_
arttext. Acesso em: 18 jun. 2020.
FONSECA, R. O buraco na parede. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
O conto no Brasil e em Portugal: ascensão e transformações14
LIMA, H. Evolução do conto. In: COUTINHO, A. (org.). A literatura no Brasil. Rio de Janeiro: 
Sul-Americana, 1971. 6 v.
MACHADO, M. H. P. T. Maria Firmina dos Reis: escrita íntima na construção do si 
mesmo. Estudos Avançados, v. 33, nº. 96, maio/ago. 2019. Disponível em: https://
www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142019000200091. Acesso 
em: 18 jun. 2020.
MATOS, E. F. A multiplicidade narrativa e o jogo da sedução nos contos 'Uns Braços' e 
'Missa do Galo' de Machado de Assis. Unemat, v. 5, nº. 5, p. 165–166, 2012.
MATTER, M. D. S. B. A postura (anti)-dândi e a noção de decadência no conto "Civili-
zação" de Eça de Queirós. O Marrare, v. 9, p. 104–116, 2008.
MOISÉS, M. Literatura portuguesa. São Paulo: Cultrix, 2006.
OGLIARI, I. A poética do conto pós-moderno e a situação do gênero no Brasil. 2010. 184 f. 
Tese (Doutorado em Letras) — Faculdade de Letras, Pontifícia Universidade Católica 
do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2010.
QUEIRÓS, E. de. Civilização. São Paulo: Martin Claret, 2004.
RIBEIRO, M. C. O fim da história de regressos e o retorno a África: leituras de literatura 
contemporânea portuguesa. In: BRUGIONI, E. et al. Itinerâncias: percursos e represen-
tações da pós-colonialidade. Braga: Húmus, 2012.
ROANI, G. L. Sob o vermelho dos cravos de abril: Literatura e Revolução no Portugal 
contemporâneo. Revista Letras, nº. 64, p. 15–32. set./dez. 2004. Disponível em: https://
revistas.ufpr.br/letras/article/download/2966/2394. Acesso em: 18 jun. 2020.
SAPEGA, E. W. Para uma aproximação feminista do Modernismo Português. Revista 
Discursos, v. 5, p. 67–79, 1993. Disponível em: https://repositorioaberto.uab.pt/bits-
tream/10400.2/3990/1/Ellen%20W.%20Sapega.pdf. Acesso em: 18 jun. 2020.
SILVA, R. J. da. Leitura, biblioteca e política de formação de leitores no Brasil. Brazilian 
journal of information science, v. 3, nº. 2, p. 75–92, jul./dez. 2009. Disponível em: https://
dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/4363641/1.pdf. Acesso em: 18 jun. 2020.
SOARES, M. P. O cânone e o contemporâneo em um conto fantástico de Teresa Veiga. 
Forma Breve, v. 1, p. 271–287, 2017. Disponível em: https://proa.ua.pt/index.php/forma-
breve/article/download/385/310. Acesso em: 18 jun. 2020.
TELES, G. M. Para uma poética do conto brasileiro. Revista de Filología Románica, v. 
19, p. 161–182, 2002. Disponível em: https://revistas.ucm.es/index.php/RFRM/article/
viewFile/RFRM0202110161A/10791. Acesso em: 18 jun. 2020.
TODOROV, T. As estruturas narrativas. São Paulo: Perspectiva, 1979.
VEIGA, T. Uma aventura secreta do Marquês de Brandomín. São Paulo: Companhia das 
Letras, 2011.
15O conto no Brasil e em Portugal: ascensão e transformações
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
Leituras recomendadas
ACADEMIA DE HISTÓRIA. Imprensa no período regencial. 1 vídeo (9 min), 2015. Disponí-
vel em: https://www.youtube.com/watch?v=GF2zepLBL74. Acesso em: 18 jun. 2020.
DANTAS, C. S. B. Minicontos: uma prática de letramento emergente na escola. 2015. 129 
f. Dissertação (Mestrado em Letras) — Departamento de Ciências Sociais e Humanas, 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Currais Novos, 2015. Disponível em: 
https://repositorio.ufrn.br/jspui/bitstream/123456789/20746/1/ClegianeSantosBezer-
raDantas_DISSERT.pdf. Acesso em: 18 jun. 2020.
SPALDING, M. O protagonismo do leitor no miniconto contemporâneo. Revista Ensi-
QIopédia, v. 9, nº. 1, out. 2012. Disponível em: http://facos.edu.br/publicacoes/revistas/
ensiqlopedia/outubro_2012/pdf/o_protagonismo_do_leitor_no_miniconto_contem-
poraneo.pdf. Acesso em: 18 jun. 2020.
O conto no Brasil e em Portugal: ascensão e transformações16
Dica do professor
Em relação à literatura brasileira e portuguesa na atualidade, o gênero conto ganhou um status de 
importante gênero literário entre escritores e leitores. Em cada época da história, existiram formas 
distintas de se escrever e publicar as histórias curtas.
Atualmente, tanto em Portugal quanto no Brasil, com o surgimento da Internet, uma nova 
modalidade de conto nasceu: o miniconto. Com uma leitura breve, mas não menos instigante,ele 
estimulou o ato de ler para novos leitores da mesma forma que provocou fascínio em vários críticos 
literários e em outros contistas.
Nesta Dica do Professor, você vai conhecer mais sobre o miniconto e sua relação com a Internet, 
que ajudou a democratizar a divulgação desse gênero, despontou novos escritores e pôde 
intensificar o acesso a essas narrativas mais curtas. 
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/29b1ecdc66ce55dc0968aa9aa9bf140b
Exercícios
1) Segundo Telles (2001), a história do gênero conto no Brasil, bem como as particularidades de 
sua difusão, pode ser divida em quatro fases. De acordo com isso, julgue as asserções a 
seguir:
I - Na fase da Formação, cujo período vai de 1530 até 1850, a difusão de contos se 
configurou nos primeiros periódicos nacionais, somente.
II - Na fase de Transformação, de 1855 até 1882, as narrativas curtas eram publicadas tanto 
nos jornais quanto nas primeiras editoras brasileiras, sendo que todos os autores eram 
jornalistas.
III - Na fase da Atualidade, hoje, os contos passaram a ter temáticas variadas, bem como a 
disseminação deles pelas editoras se consolidou, ainda que isso também ocorra pela 
Internet.
Sobre a veracidade das informações, marque a alternativa correta:
A) I, II e III são verdadeiras.
B) Apenas I é verdadeira.
C) II e III são verdadeiras.
D) Apenas III é verdadeira.
E) I e III são verdadeiras.
2) Em relação aos principais autores brasileiros de contos, analise as seguintes asserções:
I - Na fase da Transformação, contistas da época, a exemplo de Bernardo Guimarães, 
Fagundes Varela e Machado de Assis, usaram demasiadamente a estrutura narrativa do 
herói que está em um dilema, ou seja, entre a queda e a ascenção, encaminhando-se para um 
único e enérgico final (OGLIARI, 2010).
PORQUE
II - Nessa fase, estava consolidado o chamado conto de efeito.
Diante disso, marque a opção correta.
A) I e II são falsas.
B) I é falsa e II é verdadeira.
C) I e II são verdadeiras, mas II não é uma justificativa de I.
D) I e II são verdadeiras e II é uma justificativa de I.
E) I é verdadeira e II é falsa.
3) A partir da Revolução de Avis, houve a coroação de D. João I, estabelecendo o Estado 
português no século XV.
Considerando isso, no que diz respeito à produção artística, bem como a da sua circulação, 
sobretudo, do conto escrito, pode-se afirmar que:
A) incentivou ainda mais a presença da Igreja Católica na confecção e na distribuição dos contos.
B) embora exista uma grande produção de contos, devido ao alto grau de analfabetismo, os 
leitores eram praticamente inexistentes.
C) pouco surtiu efeito, uma vez que a população apenas consumia contos estrangeiros.
D) houve uma preocupação, por parte do Estado, em desenvolver o contato com as Letras por 
parte da população portuguesa, dentre elas, no formato do conto.
E) tal medida consolidou o público leitor português, mas somente entre os fidalgos, pois eram 
para eles que as narrativas eram direcionadas.
4) No conto Civilização (2004), Eça de Queirós desenvolve uma narrativa curta na qual aborda 
princípios importantes do Decandentismo português pela história de Jacinto, sobretudo no 
que diz respeito à crítica do progresso tecnológico e urbano do ser humano.
Diante disso, a alternativa que contém um trecho do conto que exemplifica o que foi dito 
anteriormente é:
A) "Já mesmo irreverentemente adormecera sobre o divino bucolista, quando me despertou um 
brado amigo. Era o nosso Jacinto. E imediatamente o comparei a uma planta, meio murcha e 
estiolada, no escuro, que fora profusamente regada e revivera em pleno sol. Não corcovava. 
Sobre a sua palidez de supercivilizado, o ar da serra ou a reconciliação com a vida tinha 
espalhado um tom trigueiro e forte que o virilizava soberbamente".
B) "A cozinha era uma espessa massa de tons e formas negras, cor de fuligem, onde refulgia ao 
fundo, sobre o chão de terra, uma fogueira vermelha que lambia grossas panelas de ferro, e se 
perdia em fumarada pela grade escassa que no alto coava a luz. Aí um bando alvoroçado e 
palreiro de mulheres depenava frangos, batia ovos [...] ... Do meio delas o bom caseiro [...] 
investiu para mim jurando que 'a ceia de suas inselências não demorava um credo'”.
C) "Ao fundo, e como um altar-mor, era o gabinete de trabalho de Jacinto. A sua cadeira, grave e 
abacial, de couro, com brasões, datava do século XIV, e em torno dela pendiam numerosos 
tubos acústicos, que, sobre os panejamentos de seda cor de musgo e cor de hera, pareciam 
serpentes adormecidas e suspensas num velho muro de quinta. Nunca recordo sem assombro 
a sua mesa, recoberta toda de sagazes e sutis instrumentos".
D) "Jacinto, logo nos começos de março, escrevera cuidadosamente ao seu procurador Sousa, 
que habitava a aldeia de Torges, ordenando-lhe que compusesse os telhados, caiasse os 
muros, envidraçasse as janelas. Depois mandou expedir, por comboios rápidos, em caixotes 
que transpunham a custo os portões do Jarmineiro, todos os confortos necessários a duas 
semanas de montanha — camas de penas, poltronas, divãs, lâmpadas de Carcel".
E) "Era ele, de todos os homens que conheci, o mais complexamente civilizado - ou antes aquele 
que se munira da mais vasta soma de civilização material, ornamental e intelectual. Nesse 
palácio (floridamente chamado o Jasmineiro) que seu pai, também Jacinto, construíra sobre 
uma honesta casa do século XVII, assoalhada a pinho e branqueada a cal existia, creio eu, 
tudo quanto para bem do espírito ou da matéria os homens têm criado".
5) Sobre a difusão dos contos de escritores brasileiros na atualidade, classifique as afirmações a 
seguir em V (verdadeira) ou F (falsa):
( ) As facilidades de edição e de divulgação das mídias sociais proporcionaram o aumento dos 
escritores de conto.
( ) A partir dos perfis nas redes sociais e em blogs, por exemplo, houve uma democratização 
do acesso às histórias curtas de autores consagrados e iniciantes.
( ) Embora sejam também publicados hoje na Internet, os contos mantêm, em geral, 
linguagem e estruturas muito semelhantes às praticadas no século XIX, já que esse é um 
índice de qualidade da produção.
A) V - F - V.
B) V - F - F.
C) V - V - F.
D) F - V - V.
E) F - F - F.
Na prática
Na literatura portuguesa, houve um fenômeno singular em relação à difusão do gênero conto: o 
surgimento das folhas volantes, escritas por autores anônimos e conhecidos portugueses cuja 
função era registrar narrativas curtas, muito populares na Idade Média portuguesa. Séculos mais 
tarde, com a imigração lusitana ao Brasil, as folhas volantes foram ressignificadas e, a partir delas, 
criou-se a famosa literatura de cordel, sobretudo na região nordestina brasileira.
Acompanhe, Na Prática, um pouco sobre a relação entre as folhas volantes portuguesas e a 
literatura de cordel brasileira. Você vai conhecer como as folhas volantes foram importantes para a 
criação dos cordéis e como isso pode ser aplicado em sala de aula.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/036e2b43-5e34-43b2-9214-4285a14736e7/4739283d-8276-46f9-962c-a2d048c4f99e.png
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
A produção dos contos de Machado de Assis
Nesta pesquisa, o autor investiga as relações de Machado de Assis com a sua própria produção de 
contos, evidenciando o quanto o escritor é genial não só nos romances, mas também nas narrativas 
curtas. Boa leitura.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
O conto brasileiro contemporâneo
Neste vídeo, você confere as principais características sobre o conto brasileiro contemporâneo e os 
autores e autoras de destaque nesse período.
Aponte a câmera para o códigoe acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
O gênero conto e a Internet
Conheça mais acerca da circulação do conto no cyberespaço e observe o quanto essa nova mídia 
proporcionou outras formas de se elaborar histórias curtas, porém não menos instigantes.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://app.uff.br/riuff/bitstream/1/2871/1/A%20PRODU%c3%87%c3%83O%20CONTISTA%20DE%20MACHADO%20DE%20ASSIS%20PDF.pdf
https://www.youtube.com/embed/eEaZaMnd-5E
http://repositorio.roca.utfpr.edu.br/jspui/bitstream/1/13964/1/CT_ELPLI_2_2018_04.pdf

Mais conteúdos dessa disciplina