Prévia do material em texto
1 TERAPIA INTENSIVA 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empre- sários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade ofere- cendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a partici- pação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber atra- vés do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 Sumário TERAPIA INTENSIVA ....................................................................................... 1 NOSSA HISTÓRIA ............................................................................................ 2 1. INTRODUÇÃO ......................................................................................... 4 2. ATENDIMENTO EM TERAPIA INTENSIVA ............................................ 7 3. O ENFERMEIRO NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA .................... 9 4. AUTONOMIA: UM DOS NORTEADORES DA BIOÉTICA. ................ 12 5. GESTÃO ESTRATÉGICA ...................................................................... 13 6. GESTÃO DA QUALIDADE .................................................................... 17 7. GESTÃO DE CUSTOS .......................................................................... 19 8. GESTÃO DA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA: PROPOSTA DO GERENCIAMENTO DO CICLO DE VIDA DO PRODUTO .............................. 23 9. PRODUCT LIFECYCLE MANAGEMENT: CRIANDO VALOR PARA A TERAPIA INTENSIVA ..................................................................................... 23 10. PAPEL DO ENFERMEIRO COMO GERENCIADOR DOS SERVIÇOS DE ENFERMAGEM NA TERAPIA INTENSIVA .............................................. 27 11. FORMAÇÃO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM PARA TRABALHAR EM UTI ………………………………………………………………………………..28 12. CONCLUSÃO ..................................................................................... 31 13. REFERÊNCIAS ...................................................................................... 33 file:///D:/TERAPIA%20INTENSIVA/ATENDIMENTO%20TERAPIA%20INTENSIVA.docx%23_Toc69805424 4 1. INTRODUÇÃO A unidade de terapia intensiva (UTI) é idealizada com base nas ações de Florence Nightingale. Em 1954 ocorreu a guerra da Criméia no qual Inglaterra, França e Turquia declaram guerra à Rússia, os soldados vinham à óbito pelas condições precárias, porém a taxa de mortalidade reduziu com intervenções de cuidados mais complexos e especializados, ou seja, foram classificados de acordo com o grau de gravidade, onde os mais graves ficassem próximos à en- fermagem com monitorização contínua. Sendo assim o objetivo básico da uni- dade de terapia intensiva é recuperar ou dar suporte às funções vitais dos paci- entes em um ambiente físico e psicológico adequado. Na prática assistencial o enfermeiro deve ter consciência de que a tecno- logia deve-se tornar aliada e não vilã, tornando o cuidado prestado ao paciente o mais humanizado possível de forma holística, ou seja, tratando-o como um todo, mas de forma singular. Como é ele que está à frente da equipe de enfer- magem, deve ter um senso crítico em relação ao instrumental tecnológico, fa- zendo de forma responsável e racional. Supervisionando constantemente o trabalho de sua equipe, proporcio- nando educação e conhecimento para que melhor seja prestado a assistência. Em meio as inovações tecnológicas, é um desafio para o enfermeiro e a equipe de enfermagem associar cuidado humanizado e tecnologia. A unidade de terapia intensiva (UTI) caracteriza-se pela tecnologia de ponta, possuindo um arsenal de equipamentos do qual oferece suporte e monitorização constante aos paci- entes em estado crítico. Vive-se a era do capitalismo voltado ao cliente. O foco no valor do serviço prestado de boa qualidade, priorizando a inovação, o conhecimento e a execu- ção da estratégia, consegue retorno do acionista superior ao de empresas com olhos apenas no investidor. A gestão na área da saúde procura a solução para crescentes desafios: associar qualidade de atendimento, com redução ou pelo menos controle de cus- tos cada vez mais altos, não necessariamente associados a excelência. Como 5 setor de alta complexidade, que exige investimentos elevados e recursos huma- nos especializados, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) tornou-se foco de aten- ção dos gestores do setor. A reinvenção do setor deve correr em paralelo com modelos que permitam convivência de qualidade com direcionamento adequado de recursos. O objetivo principal das UTI não mudou. Continua sendo manter estrutura capaz de fornecer suporte para pacientes graves, com potencial risco de morte. Entretanto, as atuais UTI são vítimas da medicina moderna1. O envelhecimento populacional, os pacientes que sobrevivem a doenças previamente fatais que se tornam crônicos e gravemente enfermos, são desafios para o equilíbrio entre oferta de serviços e uso racional de recursos. O sistema de gestão utilizado pela UTI deve ser sistematizado e respeitar fundamentos, como valorização de recursos humanos, visão estratégica, quali- dade centrada no cliente, foco em resultados, comprometimento da alta admi- nistração, visão de futuro, valorização das pessoas, ação pró-ativa e aprendi- zado contínuo 2. . 6 1.1METODOLOGIA Para a construção deste material, foi utilizada a metodologia utilizada de pesquisa bibliográfica, com o intuito de proporcionar um levantamento de maior conteúdo teórico a respeito dos assuntos abordados. Através de pesquisa bibliográfica em diversas fontes, o estudo se desen- volve com base na opinião de diversos autores, concluindo que a formação e a motivação são energias que conduzem a atividade humana para o alcance dos objetivos de excelência na prestação de serviços públicos e podem também se converter nos principais objetivos da gestão de pessoas no setor público e no fundamento de sua existência. A pesquisa bibliográfica consiste em um levantamento de informações e conhecimentos acerca de um tema a partir de diferentes materiais bibliográficos já publicados, colocando em diálogo diferentes autores e dados. Entende-se por pesquisa bibliográfica a revisão da literatura sobre as principais teorias que norteiam o trabalho científico. Essa revisão é o que cha- mamos de levantamento bibliográfico ou revisão bibliográfica, a qual pode ser realizada em livros, periódicos, artigo de jornais, sites da Internet entre outras fontes. 7 2. ATENDIMENTO EM TERAPIA INTENSIVA Em meados do século do XIX durante a guerra da Criméia, Florence Ni- ghtingale preocupou-se em selecionar os soldados em estado mais grave, aco- modando-os num ambiente para o cuidado imediato, na atualidade surge então a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). No decorrer dos anos a tecnologia cada vez mais se intensifica no âmbito da área da saúde, com grandes avanços tecnológicos buscando proporcionarunidades críticas. Rev. Bras. Enferm. 2017;70(1):79-86. 69. Cyrino CMS, Dell'acqua MCQ. Sítios assistenciais em unidade de terapia intensiva e relação do nursing activities score com a infecção hospitalar. Esc. Anna Nery[online].2012;16(4):712-718. 70. Bax AMC, De Araújo STC. Expressão não verbal do paciente no cuidado: percepção do enfermeiro em unidade cardiointensiva. Esc. Anna Nery [online].2012;16(4):728-733. 71. Gonçalves LA, Androlhe R, De Oliveira EM, Barbosa RL , Faro ACM, Gallotti RMD, Padilha KG et al. Alocação da equipe de enfermagem e ocorrência de eventos adversos/incidentes em unidade de terapia inten- siva. Rev. Esc. Enferm. USP. 2012;46(spe):71-77. 72. Chaves LDP, Tanaka O Y. Enfermeiros e a avaliação no gerenciamento do sistema de saúde. Rev. Esc. Enferm.USP. 2012;46(5):1274-1277. 73. Manenti SA, Ciampone MHT, Mira VL, Minami LF, Soares JMS. O pro- cesso de construção do perfil de competências gerenciais para enfermei- ros coordenadores de área hospitalar. Rev.Esc. Enferm. USP. 2012;46(3):727-733 74. Christovam BP, Porto IS,De Oliveira DC. Gerência do cuidado de enfer- magem em cenários hospitalares: a construção de um conceito. Rev. Esc. Enferm.USP. 2012;46(3):734-741. 75. De Aguiar ASC, Mariano MR, Almeida LS, Cardoso MVLML, Pagliuca LMF, Rebouças CBA. Percepção do enfermeiro sobre promoção da sa- úde na unidade de terapia intensiva. Rev.Esc. Enferm.USP. 2012;46(2):428-435. 76. Nogueira LS, De Souza RMC, Padilha KG, Koike KM. Características clí- nicas e gravidade de pacientes internados em UTIs públicas e privadas. Tex. & Cont. Enferm. 2012;21(1):59-67. 77. Maestri E,Nascimento ERP, Bertoncello KCG, Martins JJ. Avaliação das estratégias de acolhimento na unidade de terapia intensiva. Rev. Esc. En- ferm. USP. 2012;46(1):75-81. 41 78. Mendes TNC, UTI- Passado, Presente e Futuro. Atividade apresentada ao curso de enfermagem. Maranhão: Universidade Estadual do Mara- nhão. CESIM. 2010 Disponível em: http://doczz.com.br/doc/484297/uti- %E2%80%93-passado--presente-e-futuro 79. Carta Capital: As Uti 's no Brasil. São Paulo, Revista Digital, Ed, Confi- ança, 31 maio 2013. Disponível em: http://www.cartacapi- tal.com.br/saude/as-utis-no-brasil. Acessado em Agosto/2017. 80. Ministério da Saúde. Portaria n° 466, de 04 de junho de 1998.Brasília, p43 . 81. Ministério Da Saúde: Resolução nº 7, de 24 de Fevereiro de 2010. Brasí- lia. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/201 0/res00072 402. 2010. html. Acessado em Julho/ 2017. 82. Inoue KC, Matsuda LM. Dimensionamento de pessoal de enfermagem em Unidade de Terapia Intensiva para adultos. Rev. Act. Paul. Enferm.2010; 23(3):379-384. 83. COFEN.Resolução 293/2004. Brasília, 2004. Disponível em:http://www.cofen.gov.br/resoluocofen-29320044 329.html .Acesso em Julho/ 2017. 84. Camelo SHH. Competência profissional do enfermeiro para atuar em uni- dades de terapia intensiva: uma revisão integrativa. Rev. Lat-Am En- ferm.2012; 20(1) [09 telas] 85. De Almeida ML, Peres AM, Bernardino E, Santos MF. Egressos de uma universidade pública e perspectivas de atuação no gerenciamento em en- fermagem. Rev. Rene. 2014; 15(6):933-941. http://www.cartacapital.com.br/saude/as-utis-no-brasil.%20Acessado%20em%20Agosto/2017 http://www.cartacapital.com.br/saude/as-utis-no-brasil.%20Acessado%20em%20Agosto/2017 http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/201%200/res00072 http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/201%200/res00072que as pessoas vivam mais com uma melhor qualidade de vida. Na prática da enfermagem, a tecnologia avança em busca da melhoria do cuidado ao paciente e da melhoria do ambiente de trabalho. A tecnologia transformou a prática de enfermagem no local de trabalho, não só em termos de máquinas e equipamentos usados, mas as habilidades que desenvolvemos e o conhecimento que possuímos, os valores que defendemos e a importância da enfermagem para a sociedade 35. De acordo com MEHRY et al. (1997) 46, na área da enfermagem a tecno- logia é dividida em leve, leve-dura e dura. Tecnologia leve: que se expressa como o processo de produção da co- municação, das relações, de vínculos que conduzem ao encontro do usuário com necessidades de ações de saúde. Tecnologia leve-dura: incluindo os saberes estruturados representados pelas disciplinas que operam em saúde, a exemplo da clínica médica, odontoló- gica, epidemiológica, entre outras. Tecnologia dura: representada pelo material concreto como equipamen- tos, mobiliário tipo permanente ou de consumo. Segundo Nietsche (2005) 52, através da inovação tecnológica caracteri- zada por profundas e constantes mudanças, são colocados à disposição dos profissionais e usuários os diversos tipos de tecnologias: Educacionais: pesquisas, ensinos, teorias, técnicas para inovação da educação, de forma a disponibilizar maneiras atualizadas de troca de saberes entre educadores e estudantes. 8 Gerenciais: permite uma visão baseada no diálogo entre os sujeitos, pro- porcionando aos profissionais e clientes uma interação com disposição para o ato de falar e escutar, de modo a proporcionar um ambiente de trabalho praze- roso, de satisfação e ensino-aprendizagem. Assistenciais: incluem a formação de um conhecimento técnico-científico proveniente de investigações, teorias e da experiência entre profissionais-usuá- rios. O contexto da assistência à enfermagem vem sendo influenciado por mu- danças no âmbito da tecnologia, gerando inquietações e indagações sobre os benefícios, riscos e as relações existentes entre trabalhadores, doentes e o ma- nuseio desses equipamentos como instrumentos indispensáveis ao cuidado de enfermagem. Principalmente nas unidades de terapia intensiva (UTIs), a assis- tência ao cliente em estado crítico envolve a utilização de recursos específicos exigindo dos enfermeiros, conhecimentos e aptidão tanto para operacionalizar as máquinas quanto a sua adequação às necessidades de quem precisa dela 56. A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é um local com equipamentos de tecnologia de ponta, destinada a pacientes que necessitam de cuidados comple- xos e monitorização continua. Caracterizada por ser um ambiente inóspito, com ruídos, alarmes, iluminação constante, realização de procedimentos invasivos e movimentação de profissionais torna-se ainda mais depressor e estressor ao pa- ciente. Sabe-se, entretanto que existe uma grande diversidade entre UTIs no que se refere aos recursos estruturais. A Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é específica para o tratamento de clientes graves que exige um tratamento intensivo e ininterrupto. Com ênfase na dinâmica e rotinas das UTIs, a cooperação e interação na busca do entendi- mento e se fazer entender, requer esforços e autoconhecimento entre os cola- boradores da equipe em todos os turnos, gerando ou desencadeando mudanças no processo comportamentais e atitudes Essa especificidade do cuidado exige da equipe de enfermagem alto pa- drão de conhecimento técnico e científico, além disso, deve ser provida de ade- quada estrutura física, recursos materiais para a implantação de uma assistência de qualidade, bem como recursos humanos adequados quantitativa e qualitati- vamente 34. 9 A estrutura das Unidades de Terapia Intensiva cada vez mais burocrati- zada e despersonalizada deixa os pacientes à mercê de estranhos cujas funções e papéis desconhecem, de aparelhos e testes de rotina desconectados de seus hábitos, tornando-o somente um paciente a mais, outra patologia, outro prontu- ário, descartando sua identidade para tornar-se um paciente 59. Na maioria das vezes, os profissionais de enfermagem direcionam o cui- dado para o modelo biomédico, ou seja, na patologia, postergando outros as- pectos relevantes que interferem no processo da doença. Sendo o hospital um local repleto de equipamentos de alta tecnologia, não é raro defrontar com excelentes técnicos, conhecedores exímios de aparelhos que eles manipulam com maestria, mas parecendo calouros na arte de confortar, de ir ao encontro das pessoas sofredoras que perdem sua identidade e são iden- tificadas friamente como um caso ou como um número 43. O cuidado de enfermagem prestado nas unidades de terapia intensiva, de certa forma, é paradoxal. Em algumas situações, é preciso provocar dor, para que se possa recuperar e manter a vida. Em outras, não se pode falar, apenas cuidar de uma pessoa que não dá sinais de estar sendo percebida como pessoa. O cuidado, num caso desses, parece não implicar uma relação de troca, de- vido à imobilidade ou falta de diálogo e interação com o outro. Sendo assim, é possível pensar que exista, na profissão de enfermagem, uma robotização/me- canização das ações e práticas de cuidado 58. O profissional enfermeiro dotado de conhecimento técnico cientifico deve fazer valer as práticas éticas e bioéticas respeitando o doente com seus valores, crenças, princípios éticos e morais e a autonomia. A dor e o sofrimento devem sem minimizados utilizando todos os recursos disponíveis. 3. O ENFERMEIRO NA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA Nos tempos pós-modernos, a Enfermagem tem se deparado com um grande desafio: acompanhar com presteza e espírito inovador a evolução contínua da tecnologia e, ao mesmo tempo, saber ouvir os sofrimentos, angústias e frustra- ções das pessoas que estão sob seus cuidados 39. 10 O enfermeiro de UTI trabalha em um ambiente onde vida e morte, humano e tecnológico encontram-se em luta constante. Apesar de existirem vários profis- sionais que atuam na UTI o enfermeiro é o responsável pelo acompanhamento constante, consequentemente possui o compromisso dentre outros de manter a homeostasia do paciente e o bom funcionamento da unidade. Para desempe- nhar um cuidado humanizado ao paciente além dos procedimentos técnicos, ati- vidades administrativas, gerenciais e burocráticas, o enfermeiro deve focalizar seu olhar nos aspectos psíquicos, espirituais e emocionais do ser humano. Obter conhecimentos e utilizá-los em intervenções corretas é parte de sua responsabilidade, que deve manter-se sempre atualizada para que haja uma atuação mais eficaz no cuidado do paciente, visando a diminuição dos riscos, complicações e morte. Ao se respeitar e atender as necessidades e direitos do paciente, a equipe que com ele se relaciona terá sucesso em seu trabalho, já que é de responsabilidade principalmente do enfermeiro fazer com que esses direitos sejam cumpridos. Salientam MENDES et al (2000, p.217) 48, a respeito do profissional enfer- meiro: “(...) mais do que qualquer outro profissional de saúde, o enfermeiro tem frequentemente tempo, oportunidade e acima de tudo preparo para demonstrar seu conhecimento pelo direito do paciente, ser assistido com dignidade e ainda mais, de promover estes direitos, através de suas ações.’’ De acordo com Hudak e Gallo (1997) 44, o papel do enfermeiro na unidade de tratamento intensivo consiste em obter a história do paciente, fazer exame físico, executar tratamento, aconselhando e ensinando a manutenção da saúde e orientando os enfermos para uma continuidade do tratamento e medidas. O enfermeiro de uma unidade de terapia intensiva deve possuir conheci- mento, habilidade e atitude, compete a ele sistematizar e decidir sobre o uso de recursos humanos, físicos, materiais e de informaçãona assistência prestada. As funções do enfermeiro são desempenhadas para atender as necessidades de saúde de pessoas ou de comunidades. No ambiente de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), estas funções estão li- gadas ao cuidado com o doente crítico que envolve um arsenal tecnológico es- pecífico, exigindo dos enfermeiros conhecimentos e habilidades relacionados ao manuseio de máquinas e às necessidades dos pacientes que dependem delas. 56. 11 A comunicação eficaz com o paciente dentro da UTI é um dos desafios da equipe, particularmente quando o paciente encontrasse intubado. O esforço e o bom senso são ainda as melhores ferramentas. Chamar o paciente sempre pelo nome, com tom de voz calmo e volume normal, olhar para o seu rosto e estabe- lecer contato cortês e respeitoso, dirigir-lhe a palavra sempre que se aproximar do leito para algum procedimento e examiná-lo de maneira atenciosa, com to- ques cuidadosos são algumas atitudes facilmente adotadas, que resgatam a dig- nidade do ser humano, muitas vezes abalada pela situação de internação. A família é um elemento importante nesse contexto, assim como o paciente ela também está com seus medos, anseios e incertezas diante do quadro. O enfermeiro com toda sua destreza tem o dever de confortar o familiar, dando- lhes as devidas orientações sobre o estado do paciente, normas e rotinas da unidade, assim a família sente-se acolhida colaborando com o profissional. O enfermeiro deve apoiar e orientar tanto paciente quanto a família na viven- cia do processo de doença, tratamento e reabilitação, assim é mais fácil para a família ficar segura de que a pessoa internada receberá toda a assistência de que necessita. Qualquer indivíduo que vivencia um processo de hospitalização está sujeito a encarar situações estressantes e muitas vezes de sofrimento. Por isso, deve-se considerar fundamental a manutenção do vínculo familiar e o diá- logo do profissional-paciente, tendo o cuidado como essência da Enfermagem 45. Os recursos tecnológicos presentes na UTI para garantir a estabilidade do paciente, em especial aqueles invasivos, como drenos, sondas, cateteres e tu- bos, são percebidos pelos familiares como causadores de desconforto ao paci- ente, gerando ansiedade e medo em relação ao diagnóstico, tratamento e prog- nóstico. Os familiares sentem necessidade de receber informações junto aos en- fermeiros que os ajudem a entender o que se passa com o doente para obter tranquilidade e segurança. Para o enfermeiro agir de forma coerente e humanizada respeitando o paci- ente de maneira holística com singularidade, pode ponderar-se dos princípios da biótica. A Bioética possui como uma de suas características principais a de ser uma ciência na qual o Homem é sujeito e não somente objeto. Funda-se em 12 quatro princípios: autonomia, beneficência, justiça e não-maleficência. Benefi- cência: trata-se do critério mais antigo da ética médica. Resume-se em fazer o bem ao paciente. 4. AUTONOMIA: UM DOS NORTEADORES DA BIOÉTICA. Trata-se da capacidade de decisão do paciente. Decidir em não aceitar de- terminado tratamento ou mesmo medicação. Também pode decidir o melhor ho- rário para o seu banho no leito. A autonomia dá ao ser humano a capacidade para agir de acordo com sua vontade por meio de escolhas que estão ao seu alcance e diante de objetivos por ele estabelecidos. Justiça: todo ser humano merece atenção e cuidado e deve ser tratado com igualdade e com imparcialidade na distribuição dos riscos e benefícios perante toda atenção à saúde. Precisa-se de muita cautela para que não haja injustiça social. Assim, torna-se importante o diálogo multidisciplinar, assim como com toda a sociedade a fim de decidir sobre alocação de recursos em Saúde Pública. Não-maleficência: ou a obrigação de não causar danos, e beneficência ou a obri- gação de prevenir danos, retirar danos e promover o bem. Baseado nos princí- pios da biótica o enfermeiro tem em mãos uma ferramenta do qual o norteia para o cuidado ao paciente em sua integralidade e subjetividade. Utilizando o princípio da autonomia, estimular o paciente no autocuidado ca- pacitando-o a ser independente, deixando-o expressar suas vontades, decidir sobre o tratamento médico, ele tem todo o direito de fazer escolhas. O princípio da justiça consiste de que agir com justiça pressupõe a assistência equitativa a todos os pacientes, levando em consideração sua condição biopsicoespiritual. Os princípios da não maleficência e beneficência requer que não cause da- nos e promova o bem, ou seja, assistência prestada sempre em prol do bem- estar do paciente eximindo de complicações recorrentes a internação. O enfermeiro sendo direcionado pelos princípios da bioética se isentando de toda uma problemática que possa vir a ocorrer como: imperícia, negligencia e imprudência, sendo assim, toda a equipe presta assistência para o paciente com segurança e qualidade. No mundo atual o enfermeiro se depara com pessoas 13 de vários tipos tais como: excluídos, vulneráveis, violentos e com diferentes op- ções sexuais, onde a bioética e humanização são ferramentas que contribuem para um cuidado adequado. A Unidade de Terapia Intensiva é um ambiente de alta complexidade do qual exige um desempenho criterioso do enfermeiro, tarefa nada fácil em um local do qual saúde e doença, vida e morte, cura e óbito estão presentes, onde requer do enfermeiro conhecimento técnico e científico, disponibilidade física e emocional, ética e respeito pela vida humana, atentando -se a todos: paciente, família e equipe. Incube ao enfermeiro muito além de manter os parâmetros hemodinâmicos, manipular aparelhos ou administrar medicamentos, cabe a ele respeitar, apoiar, encorajar o paciente, prestando uma assistência individualizada e humanizada. O conhecimento das técnicas gerenciais se tornam imprescindíveis para o Enfermeiro como gestor e responsável pelo planejamento do trabalho da equipe. 5. GESTÃO ESTRATÉGICA A base da estratégia de gestão de serviço complexo como uma UTI é o conhecimento, não só das exigências legais dos diversos órgãos e conselhos relacionados, mas também a garantia da assistência prestada 11. A estratégia é base do modelo de gestão, proposto por Fernandes, Pulzi e Costa Filho 7, onde, em conjunto com a qualidade, garante a sustentabilidade através do sucesso financeiro, satisfação do cliente, melhoria contínua, retenção de talentos, além de prevenir efeitos da atuação da equipe multidisciplinar no ambiente da UTI, principalmente no que se refere a profilaxia de infecções por germes multirresistentes e o aparecimento de úlceras de pressão, resultado do tratamento prolongado a que se submete grande parte dos pacientes internados em ambiente de Terapia Intensiva. Pena e col.11 consideram a estrutura organizacional como passo inicial do processo estratégico tendo alguns princípios básicos: • Enfoque multidisciplinar, com a liderança de um médico Intensivista; • Processo decisório compartilhado; 14 • Orientação da estratégia para o cliente. Os benefícios desse enfoque incluem desde integração dos diversos profissionais de saúde, até a maior efici- ência e efetividade nas decisões clínicas. A equipe multidisciplinar tem condição de tomar decisões estratégicas com base em opiniões que exprimem as diferentes realidades profissionais, o que tem impacto na melhoria do atendimento e adequação do orçamento da unidade. A realização de visitas diárias, que envolvem equipes com vários profissi- onais voltados a melhoria do atendimento do paciente, tem relação com redução de mortalidade 12. A formulação do processo de estratégia é proveniente de análise situaci- onal. O planejamento determina o caminho a ser seguido até se definirem resul- tados desejados e se conduzirem esforços para a concretização dessesresulta- dos através da gestão estratégica. A primeira atividade do processo de planejamento estratégico consiste em refletir sobre a intenção estratégica da organização em torno de algumas questões centrais 13: • Missão: Qual o negócio da organização? • Visão: Como o negócio da organização será no futuro? • Valores institucionais: O que é importante para a organização? • Stakeholders ou públicos de interesse: a quem interessa chegar a esses resultados? Qual é o público estratégico da organização? • Proposta de valor: Quais são os clientes e o que eles consideram valioso na organização, em seus produtos e serviços? • Objetivos organizacionais: Quais serão os resultados esperados da or- ganização? A estratégia leva em consideração a análise do ambiente externo e suas oportunidades. Mudanças rápidas, profundas e descontínuas afetam pessoas, organização e sociedade, são provocadas por vários agentes, que indiretamente afetam o hospital e, consequentemente, sua UTI. Dados são obtidos e classificados conforme sua relevância. Pela própria natureza da informação, é necessário que seu processamento se dê em base contínua e constante evolução através de quatro etapas bem identificadas – ras- treamento, monitoração, previsão e avaliação. 15 Com isso, a organização identifica oportunidades e ameaças que surgem do ambiente analisado e que vão impactar no futuro. Esse estudo leva em con- sideração não só o ambiente do hospital, como o macroambiente em que esse está inserido. Os dados são importantes não só para a situação atual do setor, como também para a análise de eventual aumento do número de leitos e capacitação de profissionais para aumento de quadro, tendo sempre indicadores concretos de situação demográfica, econômica, jurídica e política antes de qualquer deci- são estratégica final. A análise do ambiente interno ou relacional envolve o mapeamento das relações internas da organização, de onde são retirados os insumos e colocado seus produtos e serviços. Esse ambiente envolve um conjunto de fatores com- petitivos – grupos interessados no mercado de atuação da empresa, fornecedo- res e empresas com poder de negociação para compra, produtos substitutos e o grau de intensidade da rivalidade entre concorrentes. Porter 14, criou o chamado modelo das 5 forças, para a estratégia da com- petição em qualquer setor produtivo, baseado nessas variáveis. A avaliação por- menorizada através das forças competitivas permite criação de check lists onde o planejamento estratégico é definido. Uma vez analisado o macro e microambiente, o gestor volta-se para a compreensão da organização e suas potencialidades, avalia sua capacidade competitiva e diferenciação no mercado, recursos e competências, entende pro- fundamente a arquitetura organizacional, mecanismos operacionais, detecta barreiras verticais (níveis hierárquicos) e horizontais (nichos departamentais), gera processos através dos quais se atinge o resultado desejado. O foco em processos recebeu grande impulso com a ISO 9000-2000, que define a gestão por processos como criação de dinâmica de melhoria contínua e permite ganhos significativos às organizações em termos de desempenho, efi- ciência, eficácia e custo. A identificação de competências essenciais capacita a organização a de- senvolver sua gestão através de processos bem definidos. Segundo Hamel e Prahalad 15, a identificação de competências essenciais deve levar em conside- ração: • Acesso a grande variedade de mercados; 16 • Representar contribuição para os benefícios percebidos pelos clientes do produto final; • Ser de difícil imitação para os concorrentes. Gerar valor ao paciente atin- gindo os objetivos da estratégia da UTI, só é possível através do controle estra- tégico. O desenvolvimento de modelos eficientes tem na sua implementação ta- refa desafiadora. Setenta por cento dos erros cometidos por presidentes de em- presas foram resultados de má execução e não da estratégia em si16. Não são poucos os exemplos em Medicina Intensiva, de processos bem descritos ou mesmo protocolos para uso de modelos práticas mais adequadas, que não con- seguem aderência na rotina de uma UTI, por falta de comunicação, entendi- mento ou envolvimento de profissionais da equipe multidisciplinar. Cabe ao gestor da UTI fazer a estratégia do setor acontecer. Vários mo- delos de implementação são propostos, para promoção do controle estratégico. O Balanced Scorecard (BSC) foi desenvolvido na década de 1990 por Kaplan e Norton baseado no pensamento de que os métodos existentes de avaliação do desempenho empresarial estavam tornando-se ineficazes. O método posterior- mente foi aperfeiçoado, conectando os scorecards (painéis indicadores) com a estratégia organizacional. O BSC tem como conceito básico, relação causa/efeito entre vários indi- cadores de cada enfoque, o que permite integração completa entre indicadores qualitativos e quantitativos. As quatro perspectivas do BSC são: • Finanças; • Processos internos; • Cliente; • Aprendizagem/inovação. A figura 1 representa o modelo básico do BSC proposto por Kaplan e Nor- ton. A utilização do BSC em UTI foi proposta alinhando indicadores locais com metas institucionais e monitoração compartilhada com diversos profissionais em reuniões frequentes, com revisão e análise de indicadores e sua relação com objetivos traçados para a unidade. O mapa estratégico gerado define objetivos, medidas, iniciativas, prazos de implementação, execução e obtenção de resultados. 17 6. GESTÃO DA QUALIDADE A gestão da qualidade representa uma série de atividades que incluem políticas e objetivos para planejamento, controle e garantia de melhoria contínua e sustentada. O conceito de qualidade em saúde pode ser agrupado em sete atributos 18: • Eficácia; • Efetividade; • Eficiência; • Otimização; • Aceitabilidade da assistência; • Legitimidade: • Equidade. O processo organizacional é o conjunto de atividades relacionado como o objetivo último de qualquer empresa: entregar um produto ou serviço para o cliente. Os hospitais são sistemas complexos, constituídos de diferentes áreas que interagem e servem de suporte ao atendimento de pacientes e clientes in- ternos 18. A UTI é subsistema dentro do hospital, podendo ser considerado um dos setores de maior complexidade da organização. Apresenta-se como cliente de várias áreas e presta serviços para médicos do corpo clínico e externos, centro cirúrgico, pronto atendimento, setores de internação incluindo maternidades, tendo como cliente externo mais importante o paciente, clinico e/ou cirúrgico. O mapeamento de processos se torna fundamental na análise de valor gerado ao cliente. Figura 1: 18 Processos são tarefas organizadas de forma a tornarem-se interligadas, utilizando recursos da instituição para gerar resultados e objetivos definidos. To- dos os processos possuem entradas, que são trabalhadas para produzir uma saída. Gestão de processos assegura que essas saídas sejam o melhor resul- tado desejado ao menor custo. O reconhecimento da evolução de um processo poderá permitir sua remodelação e a manutenção de sua eficiência e eficácia. Algumas ferramentas são citadas para aplicação na gestão da qualidade e ava- liação periódica de processos. O ciclo PDCA (plan- -do-check-act), gera etapas de planejamento da melhoria de um processo (Figura 2). Figura 2: 19 O ciclo PDCA é instrumento de avaliação interna. O modelo de avaliação externa é normalmente proposto por organização especializada, formada por grupo de profissionais que estabelecem um padrão a ser seguido, para atingir melhor desempenho de gestão. A acreditação hospi- talar é caracterizada por uma visita realizada por técnicos especialmente prepa- rados, para avaliação eorientação seguida de cobrança por estabelecimento de modelos de melhor prática nas diferentes áreas de um hospital. Na UTI, a atenção é voltada para a prática clínica baseada em evidências, observando a existência, execução e controle de protocolos assistenciais base- ados em condutas mundialmente consagradas, voltadas para a prevenção de eventos adversos, profilaxia de infecções adquiridas em ambiente hospitalar, atendimento em áreas consolidadas como doenças isquêmicas do coração e abordagem do doente séptico. A Organização Nacional de Acreditação (ONA) disponibiliza manual, se- guido por vários hospitais brasileiros, para o planejamento de ações futuras de melhoria. O uso do manual para auto-avaliação pode representar primeiro passo em direção à obtenção do certificado de habilitação de organizações acredita- das. 7. GESTÃO DE CUSTOS Os custos com Terapia Intensiva continuam aumentando desde que fo- ram calculados pela primeira vez nos anos 1970. Em 2005, nos Estados Unidos, 20 foram estimados em U$ 81,7 bilhões de dólares, contabilizando 13,4% dos cus- tos hospitalares, 4,1% dos gastos de saúde nacional e 0,66% do produto interno bruto americano 19. Estudos e conceitos para controle de custos em UTI foram amplamente divulgados e inclui racionamento de recursos, cuidados com pacientes em outras áreas que não terapia intensiva, regionalização de cuidados, mudanças na força de trabalho da UTI, imposição de protocolos e pacotes de tratamento, ajuste de tratamentos clássicos 20. Alguns desses programas mostraram benefício, porém geraram gastos inesperados. A documentação de custos também é difícil, uma vez que a transferência de valores de outros setores para UTI também pode ocorrer, porque programas para seu controle podem ser tão caros que desequilibram essa busca. Além do que, comprovadamente algumas propostas até aqui existentes podem trazer prejuízos para a sociedade 20. A gestão voltada à redução de custos, sem busca de valor, é modelo ul- trapassado 21. A análise do investimento em um paciente é complexa e envolve valores intangíveis. A pergunta “quanto custa uma vida?” pode soar como super- ficial e idealista, mas faz parte da vida real em UTI. Se por um lado casos terminais necessitam de protocolos de cuidados paliativos e isso não envolve apenas conforto e suporte clínico, mas também uma negociação amigável com familiares e até mesmo quando possível com o próprio paciente. Casos de trauma, infecções graves agudas, coronariopatias são situações corriqueiras na prática da medicina intensiva, que necessitam de investimento pleno e muitas vezes, bastante dispendioso. O tratamento de paciente com choque séptico é complexo, envolve uma série de medidas terapêuticas e, muitas vezes, seguido de desfecho desfavorá- vel. Talmor e col. 22 mostraram que a implementação de protocolo para sepse resultou em redução de mortalidade absoluta de 9,1% e foi responsável por um aumento do custo por paciente de US$ 8.800 dólares. Entretanto, a expectativa e qualidade de vida, medidas por indicadores estatísticos foi maior no grupo que recebeu tratamento. Os autores concluíram que embora o protocolo não promova redução de custos, aparenta ser custo efetivo e oferece qualidade de atendimento ao paciente. O conceito de custo efetividade é o que melhor se aplica à área de medicina intensiva. 21 As análises de custo efetividade têm por objetivo identificar a opção tera- pêutica que consegue obter o melhor resultado clínico por unidade monetária aplicada. O conceito de rendimento do processo (razão entre a quantidade de matéria-prima utilizada e a quantidade de produto final obtida) traduz de forma concreta a custo efetividade. Seria desejável que todos os tratamentos fossem associados à menor custo e maior efetividade. Porém nem sempre é possível. A opção por maior efetividade com maior custo pode ser necessária, prin- cipalmente se traz valor ao cliente. A experiência descrita por Talmor e col. 22 mostra que a matemática dos custos em medicina intensiva requer atenção para outras tarefas que possam reduzi-los e não limitar tratamentos. Novamente, a medicina baseada em evidências auxilia em doenças conhecidas com seus pro- tocolos estabelecidos, reduzindo a variabilidade. A utilização de leitos em UTI pode ser racionalizada, promovendo-se re- dução do tempo de permanência para casos com resolução adequada, através de sistemas de controle de altas e critérios adequados de internação, sempre com a discussão do fluxo de pacientes sendo feita por equipe multidisciplinar. A decisão nunca deve ser de um médico apenas. Protocolos de prevenção de infecções relacionadas a cateteres e pneu- monia associada à ventilação mecânica (VM), uso racional de sedação e anal- gesia em UTI, acoplado a desmame ventilatório é modelo de melhor prática e reduz tempo de uso de VM e tempo de internação em UTI. Deduz-se então, que pacotes clínicos podem não conter custos (o exemplo do choque séptico), mas convivem num contexto maior, com outros protocolos estabelecidos que previ- nem complicações, determinam um tempo menor de ocupação de leitos e alta mais rápida para unidades de internação. Observa-se uma proposta que agrega valor ao paciente, hospital, médico e fonte pagadora, sendo que em alguns locais, isso já é realidade23, pelo menos para algumas situações na prática clínica. Entretanto, na Terapia Intensiva atual assim como na saúde como um todo, persiste-se com o modelo de concorrência de soma zero. Vinte por cento das infecções tratadas são adquiridas em ambi- ente de UTI 24. A utilização inadequada de antibióticos e suporte nutricional são exemplos de fatores relacionados ao aumento significativo e alarmante de infecções por germes multirresistentes, o que não é acompanhado do aparecimento de novas 22 drogas antimicrobianas. Não se tem aderência a condutas e protocolos por par- tes dos médicos 25. Muitas unidades continuam a manter seus pacientes com períodos longos de sedação e ventilação mecânica invasiva, causando vários efeitos deletérios. Discussões acadêmicas infindáveis, sem objetivos claros, são levadas em congressos da especialidade e a atenção para a implantação de modelos de melhor prática sempre é secundária. O círculo vicioso se fecha, voltando-se ao raciocínio inicial onde é neces- sária reestruturação dos membros que fazem parte do processo. O médico deve mudar paradigmas que regem sua profissão. Os profissionais de apoio (enfer- meiros, fisioterapeutas, nutricionistas, farmacêuticos, fonoaudiólogos, psicólo- gos) devem entender que fazem parte de um grupo multidisciplinar onde cada um tem sua função e parcela de contribuição no valor atribuído ao paciente. Rastreabilidade, redução de variabilidade e diretrizes a serem seguidas, são as novas realidades da Medicina e, por conseguinte, da Terapia Intensiva. Barreiras devem ser ultrapassadas e essa tarefa não é só do médico assistente, mas principalmente do gestor da UTI, capacitado para prover sua equipe de in- formação, quebrar a inércia provocada por anos de prática tradicional, avaliar problemas externos e resolvê-los, garantindo qualidade para o atendimento da equipe multidisciplinar. Ao mesmo tempo, a remuneração adequada da equipe é fator fundamen- tal para o sucesso do modelo. A contratação de profissionais especializados em Medicina Intensiva melhora os processos de cuidados ao paciente, aumenta a satisfação da equipe multidisciplinar, reduz complicações clínicas em UTI e di- minui o tempo de internação hospitalar 26. Modelos consagrados de gestão de recursos médicos em UTI já foram demonstrados 27 e tem total relação com redução de custos. Programas bem desenhados de pagamento por desempenho (pay for performance – P4P) onde metas são estabelecidas, mensuradas e se atingidas, recompensadas podem ser alternativaà adequação ao modelo proposto de melhor prática. Incentivos associados como suporte a treinamentos e educação continuada e prêmios por inovações devem ser incentivados 28. 23 8. GESTÃO DA UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA: PRO- POSTA DO GERENCIAMENTO DO CICLO DE VIDA DO PRODUTO A prestação de serviços é sujeita a uma série de fatores que podem con- tribuir para o insucesso. Falta de comunicação, dificuldade no manuseio de da- dos, diálogo pobre entre diferentes setores de direção, ausência de planeja- mento estratégico são apenas algumas das explicações que se pode achar, nos diferentes serviços que necessitaram de mudanças, por conta de insatisfação do cliente e falha na obtenção de resultados financeiros. O planejamento deve contemplar as necessidades da organização e, con- sequentemente, da UTI, preferencialmente antes do início dos trabalhos. A aná- lise jurídica, contábil, adequação da unidade às normas e legislação vigente, dis- cussão clara sobre o modelo de remuneração, missão, visão e valores do setor devem ser de conhecimento da equipe multidisciplinar. Não existe hoje metodo- logia que faça essa abordagem ampla de gestão em UTI. A busca por conhecimento em outras áreas do conhecimento humano pode gerar ideias que, adaptadas à gestão em saúde, suprem essa necessidade. A análise de um instrumento administrativo que usa softwares para controle de ciclo de vida do produto na área de engenharia de produção, está sendo estu- dada e adaptada ao setor de Terapia Intensiva por Haggéas Fernandes, Pulzi e Costa Filho 7, no intuito de gerar modelo de gestão global de prestação e imple- mentação de serviços em UTI, do início até sua maturidade, procurando sempre inovação e criatividade para estar a frente da concorrência. 9. PRODUCT LIFECYCLE MANAGEMENT: CRIANDO VALOR PARA A TERAPIA INTENSIVA A evolução da tecnologia da informação criou empresas globalizadas (classe mundial). Os profissionais dessas empresas dispõem de três ativos prin- cipais, segundo Santos 29: • Conhecimentos avançados e especializados; • Competência para operar segundo os mais altos padrões de qualidade; • Acesso a recursos em todo o mundo através de conexões globais. 24 As empresas de classe mundial posicionam-se em seus mercados focali- zando dois pontos vitais: manter-se em uma linha crescente de resultados e de- senvolver produtos de tecnologia superior. Esse conceito pode ser extrapolado para a área da saúde e em especial para a Terapia Intensiva, especialidade que lida com alta tecnologia, necessidade de padronização de vários processos, mensuração de desfechos e procura incessante por inovação. Como desenvolver tecnologia ou processo que torne esse conceito algo concreto? O Product Lifecycle Management (PLM) ou em português, Gerencia- mento do Ciclo de Vida do Produto, é conceituado como gestão de dados relati- vos à concepção, produção, apoio e disposição final dos produtos manufatura- dos. Utilizado primeiramente nas indústrias aeroespacial e nuclear, atualmente tem sido usado em várias áreas do conhecimento. De Baecker 30 define PLM como sistema capaz de gerenciar dados do produto e dos processos ao longo do seu ciclo existência. Envolve recursos humanos, processo, organização e aplicações dos sistemas de informação. Segundo Vieira 31, o PLM é simultanea- mente estratégia, metodologia e ferramenta. Estratégia porque ajuda a empresa a alcançar metas de redução de cus- tos, melhoria da qualidade, redução do tempo de entrega, ao mesmo tempo em que suporta o direcionamento de decisões quanto a produtos, serviços e opera- ções. Metodologia porque define as atividades críticas que compõem e estru- turam cada processo ao longo do ciclo de vida do produto de forma padronizada e clara. Ferramenta porque frequentemente funciona baseado em famílias de softwares. O PLM cuida tanto do “produto que está sendo criado” como da forma de se trabalhar no negócio. Hoje o PLM tem inúmeras aplicações em diferentes setores, como o aeronáutico, automotivo, cosmético, alimentício, etc. O controle do ciclo de vida do produto é necessário para ter melhor atua- ção sobre: gestão de portfólio de projetos, estudos das necessidades do cliente, sincronização de ideias até o produto final, pesquisa e desenvolvimento, con- cepção do produto e operações de produção, colocação do produto no mercado, serviço pós venda e retirada do mercado, além da reciclagem. A rigor, o PLM permite racionalizar processos e gerar melhor integração ao sistema de informação da empresa, especialmente em torno do planejamento 25 de recursos da empresa. Com isso, consegue-se reduzir o tempo de entrega, ter o controle efetivo sobre a qualidade do produto, melhoria na integração dos pro- cessos de engenharia, permitindo reduzir tempo precioso nas etapas de desen- volvimento e de prototipagem, elimina-se os desperdícios, gestão do conheci- mento, definição de normas de qualidade que devem ser respeitadas. O gerenciamento do ciclo de vida do produto inicia-se no momento da primeira idéia, seguindo pela produção, distribuição, até a pós venda e descon- tinuidade (Figura 3). De acordo com Vieira 31, a gestão de dados técnicos exige forte compe- tência em diferentes pontos: • Processos relativos às profissões e eventuais alterações; • Processos funcionais; • Infraestrutura e as ferramentas associadas; • Gestão da mudança; • Diferentes suportes e os respectivos treinamentos. De acordo com De Baecker 30, as fases de um projeto de PLM estão apre- sentadas na figura 4. Embora alguns desafios ocorram no processo de adapta- ção, Saaksvuori e Immonen 32, a partir da definição do que é um serviço, o con- sidera um tipo de produto, partindo do princípio que um serviço é um produto intangível, como, por exemplo, uma peça de software. A participação do cliente com sugestões é condição para a produção de um processo de serviço, que irá gerar valor após sua criação. Figura 3: 26 Figura 4: O produto de um serviço é desenhado através de um processo cuidadoso que tenta torná-lo o mais tangível possível. Na prática isso significa que: • O serviço parte de um modelo inicial que serve de base para a concreti- zação do produto do serviço; • Um padrão de definição do serviço, bem como o processo com o qual o mesmo é posto em prática. O desenho do produto (serviço) através de módulos torna o seu desen- volvimento mais eficiente e sua entrega mais adequada. Para tal, alguns reque- rimentos são necessários: • Um modelo de informação do produto; • O conceito do produto (serviço) a ser seguido; • Obtenção de limites, requerimentos e documentação; • Funções claras perante seu cliente; • Limitações do produto. Diante desse conhecimento teórico, considera-se factível a transformação do conhecimento adquirido com a ferramenta em literatura e sua utilização na prática para implantação de serviços médicos. 27 10. PAPEL DO ENFERMEIRO COMO GERENCIADOR DOS SERVIÇOS DE ENFERMAGEM NA TERAPIA INTEN- SIVA A posição de gerente de enfermagem e da organização institucional atri- buída ao profissional enfermeiro vem sendo pesquisada, no Brasil, desde os anos 1980. Pesquisas recentes confirmam a ênfase no trabalho gerencial do en- fermeiro, em especial, com base na concepção de gerenciamento do cuidado 64. De acordo com Chaves et al (2012), 65 a sistematização e organização do trabalho do enfermeiro e, consequentemente da equipe de enfermagem, são es- senciais para qualificar a assistência prestada, quando se considera toda a com- plexidade do cuidado em UTI. Para as autoras supracitadas, os enfermeiros de UTIs devem, ainda, aliar a utilização de instrumentos gerenciais, tais como planejamento, supervisão, e coordenação da equipe de enfermagem, partindo do pressuposto que o cuidado não é um ato isolado, massim, uma atividade complexa, que requer conheci- mentos e habilidades específicas, totalmente atreladas ao ato de gerenciar 65. Segundo o Ministério da Saúde MS (1998) 80, e o Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde (DENASUS) o regulamento técnico para o funcionamento dos serviços de tratamento intensivo que fala a portaria nº 466, de 04 de junho de 1998, no cap.1-3, os serviços de tratamento intensivo têm por objetivo prestar atendimento a pacientes graves e de risco que exijam assistência médica e de enfermagem ininterruptas, além de equipamento e re- cursos humanos especializados. Já no capt. 1-6 - os serviços de tratamento In- tensivo dividem-se de acordo com a faixa etária dos pacientes nas seguintes modalidades: neonatal - destinado ao atendimento de pacientes com idade de 0 a 28 dias, pediátrica - destinada ao atendimento de pacientes com idade de 29 dias a 18 anos incompletos. Adulto - destinado ao atendimento de pacientes com idade acima de 14 anos. Ainda de acordo o MS e DENASUS (1998) 20, no capt. 1-6, pacientes tam- bém na faixa etários de 14 a 18 anos incompletos podem ser atendidos nos ser- viços de tratamento intensivo adulto ou pediátrico, de acordo com o manual de rotinas. Dentro do capt, 2-3, toda UTI deve ser assistida pela comissão de con- trole de infecção hospitalar (CCIH) do hospital, e seguir as normas e rotinas por 28 ela estabelecidas. Já no capt. 2-4 toda UTI deve dispor, no mínimo, da seguinte equipe básica dentro das 24 horas: um responsável técnico, com título de espe- cialidade em medicina intensiva, um enfermeiro chefe, exclusivo da unidade, um técnico ou auxiliar de enfermagem para cada dois leitos, um médico diarista para cada 10 leitos ou fração, um Fisioterapeuta, um auxiliar de serviços diversos/se- cretária. Porém considerando, que toda UTI seguindo as normas técnicas estabe- lecidas deve possuir, no mínimo, os seguintes ambientes para o desenvolvi- mento de suas atividades bem como: quarto coletivo ou individual em UTI’s adulto Pediátrico, e UTIs neonatal, quarto de Isolamento, posto de enfermagem, área para prescrição médica, sala de utilidades, sala administrativa, copa, rou- paria, sala de preparo de material, depósito de equipamentos/material, vestiário e banheiros para funcionários, banheiro para pacientes. Sala de espera para acompanhantes/visitantes, sanitário para público, de- pósito de material de limpeza, sala de reuniões/entrevista, quarto de plantão, com banheiro 80. De acordo com a Resolução nº 7, de 24 de fevereiro de 2010 possui o objetivo de estabelecer padrões mínimos para o funcionamento das Unidades de Terapia Intensiva, visando à redução de riscos aos pacientes, visi- tantes, profissionais e meio ambientes. Esta RDC se aplica a todas as Unidades de Terapia Intensiva gerais do país, sejam públicas, privadas ou filantrópicas; civis ou militares. Parágrafo único. Na ausência de Resolução específica, as UTI especializadas devem aten- der os requisitos mínimos dispostos neste Regulamento, acrescentando recur- sos humanos e materiais que se fizerem necessários para atender, com segu- rança, os pacientes que necessitam de cuidados especializados 81. 11. FORMAÇÃO DA EQUIPE DE ENFERMAGEM PARA TRA- BALHAR EM UTI O processo de trabalho de enfermagem em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é caracterizado por atividades assistenciais complexas que exigem alta competência técnica e científica – afinal, a tomada de decisões imediatas e ado- ção de condutas seguras estão diretamente relacionadas à vida e à morte de 29 pessoas. Entende-se como dimensionamento de pessoal, um processo sistemá- tico que tem por finalidade a previsão da quantidade e qualidade por categoria (enfermeiro, técnico e auxiliar de enfermagem) necessária para atender, direta ou indiretamente, às necessidades de assistência de enfermagem da clientela. Sendo assim fundamenta-se o planejamento e a avaliação do quantitativo e qua- litativo de pessoal para prover cuidados de enfermagem que garantam à quali- dade, filosofia, a estrutura da instituição e, também, com a singularidade de cada serviço 82. De acordo com as autoras Inoue e Matsuda (2010) 82, com base nas nor- mas técnicas mínimas estabelecidas pela Resolução COFEN n.º 293/2004. Esta Resolução preconiza que o dimensionamento e a adequação quantitativa do quadro de profissionais de enfermagem. Resolução COFEN n.º 293/2004 preco- niza no Art.5, que a distribuição percentual do total de profissionais de Enferma- gem, deve observar as seguintes proporções e o SCP (sistema de classificação de pacientes). Para a Distribuição Intensiva (UTI) é de 52% a 56% são enfermei- ros e os demais, técnicos de enfermagem 83. O processo de cuidar e o processo de gerenciar podem ser considerados como as principais dimensões do trabalho do enfermeiro em seu dia a dia. O cuidar caracteriza-se pela observação, o levantamento de dados, planejamento, a implementação, evolução, a avaliação e interação entre pacientes e trabalha- dores da enfermagem e entre diversos profissionais de saúde 84. De acordo com Camelo (2012) 84, o processo de administrar tem como foco organizar a assistência e proporcionar a qualificação do pessoal de enfer- magem, através da educação continuada, apropriando-se, para isso, dos mode- los e métodos de administração, da força de trabalho da enfermagem e dos equi- pamentos e materiais permanentes. Segundo De Almeida et al (2014) 85, o gerenciamento permeia a prática profissional do enfermeiro nos vários níveis de atenção à saúde. Volta-se para a melhoria da qualidade dos serviços que são prestados as pessoas, família e co- munidade, como um instrumento de organização dos serviços de saúde. Desta forma, torna-se indispensável expandir o conhecimento com vistas a atuar com mais eficiência nas questões de gerenciais. O gerenciamento é uma prioridade do profissional enfermeiro, sendo a UTI um ambiente de alta complexidade com espaços tecnológicos e de muitas 30 variedades, permiti que o enfermeiro em seu gerenciamento avance no planeja- mento e cria perspectivas no alcance do cuidado adequado. Na atual realidade o gerenciamento do enfermeiro na assistência em uma UTI prioriza como ponto de apoio para a equipe, na educação, coordenação, planejamento, execução e a avaliação da assistência. 31 12. CONCLUSÃO Diante de mercado restrito cuja expansão é progressiva, porém lenta, a inovação na gestão garante vantagem competitiva. É fato que modelos de implementação de serviços médicos na área de Terapia Intensiva são escas- sos na literatura. As sociedades de especialidade promovem a criação de protocolos baseados em evidências clínicas para fins terapêuticos, pacotes de medidas visando redução de mortalidade, conforto em situações de final de vida, com- petências para exercer a especialidade, mas não existe instrumento que ajude um médico Intensivista a avaliar a viabilidade de uma UTI como negó- cio para sua equipe e hospital na qual a unidade está inserida, ao mesmo tempo em que preza pela excelência do serviço prestado, agregando valor ao cliente e por consequência ao acionista. Em outras palavras, como associar de forma eficiente, o conhecimento científico, a medicina baseada em evidências, qualidade e segurança de um paciente crítico, com modelos de gestão de Unidades de Terapia Intensiva? Eis um desafio para a especialidade nos próximos anos. O treinamento da liderança em gestão, através de cursos de pós-gra- duação, aproximação da direção de uma Unidade de Terapia Intensiva ao grupo gestor do hospital, incluindo a administração financeira, para o conhe- cimento e orientação quanto aos objetivos da instituição é parte do planeja- mento. A implementação de um serviçonão se inicia com a UTI funcionando. Ferramentas que envolvem a ajuda da Tecnologia de Informação, avaliando o serviço prestado dentro de uma UTI como um ciclo de vida, é uma alterna- tiva em breve disponível. O Product Lifecycle Management (PLM) faz profunda avaliação que se inicia com o contato da direção hospitalar com o futuro gestor da UTI, passando por minuciosa análise jurídica, contábil/financeira do serviço, aná- lise estrutural e adequação as normas vigentes, viabilidade operacional, cri- ação de cronogramas de implantação de protocolos básicos além de treina- 32 mento da equipe multidisciplinar, com a ajuda de softwares de análise e ba- ses de dados na internet, para relatórios periódicos situacionais e melhoria contínua. A utilização de recursos de conhecimento à distância (e-UTI) e trei- namento com simulação realística constituem o desfecho ideal na adminis- tração bem sucedida de uma Unidade de Terapia Intensiva, custo efetiva. Não existem soluções “mágicas ou milagrosas” para gerenciar um setor com- plexo e caro. Pelo contrário, um conjunto de medidas simples e efetivas pode ser a reposta para o futuro da Terapia Intensiva. 33 13. REFERÊNCIAS 1. Amaral AC, Rubenfeld GD. The future of critical care. Curr Opin Crit Care 2009;15(4):308-13. 2. Knobel E, Kuhl SD, Lopes RF, et al. Organização e funcionamento das UTIs. In: Knobel K, (editor). Condutas no paciente grave. 3ª ed. São Paulo: Atheneu; 2006. p. 1953-67. 3. Oliveira J. Gestão sistêmica hospitalar: uma abordagem contextual. In: Borba VR, Lisboa TC, Ulhoa W, (editores). Gestão administrativa e finan- ceira de organizações de saúde. 1ª ed. São Paulo: Atlas; 2009. p. 7-38. 4. Higgins T, Steinbrug JS. Organização e gerenciamento da unidade de tra- tamento intensivo. In: Irwin R, Rippe J, (editores). Terapia Intensiva. 6ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2010. p. 1989-95. 5. Bohmer R. Na linha de frente, a solução para a saúde. Harvard Bus Rev Brasil 2010;88(1):34-41 6. Sabará S. Gestão organizacional e estratégia da qualidade. In: Sabará S, (editor). Gestão por processos. 2ª ed. Rio de Janeiro Qualitymark; 2006. p. 23-44. 7. Fernandes HS, Pulzi Jr SA, Costa Filho R. Qualidade em terapia intensiva. Rev Bras Clin Med 2010;8(1):37-45. 8. Pronovost A, Rubenfeld G. Quality in critical care. In: Jean Daniel Chiche. Patient safety and quality of care in intensive care medicine. 1st ed. Berlin: Medizinisch Wissenschaftiliche Verlagsgesellschaft; 2009. p. 127-39. 9. Institute of Medicine. To err is human: building a safer health system. Ins- titute of Medicine report. Washington DC: National Academies Press; 1999. 10. Drucker P. The theory of business. Harvard Bus Rev 1994;75(1):95- 105 11. Pena FPM, Branco M, Akamine N, et al. Gestão estratégica em UTI. In: Knobel E, (editor). Condutas no paciente grave. 3ª ed. São Paulo: Atheneu: 2006. p. 1953-67. 34 12. Kim MM, Barnato AE, Angus DC, et al. The effect of multidisciplinary care teams on intensive care unit mortality. Arch Intern Med 2010;170(4):369- 76. 13. Chiavenato I, Sapiro A. Intenção estratégica. In: Chiavenato I, Shapiro A. (editores). Planejamento estratégico. 2ª ed. São Paulo: Elsevier; 2010. p. 81-96. 14. Porter M. A análise estrutural de indústrias. In: Porter M (editor). Estraté- gia Competitiva: Técnicas para análise de indústrias e da concorrência. Rio de Janeiro. Elsevier; 2004. p 3-34 15. Pralahad CK, Hamel G. A competência essencial da corporação. In: Mon- tgomery C, Porter M, (editores). Estratégia: a busca da vantagem compe- titiva. 3. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1998, p. 293-316 137 16. Gestão em terapia intensiva: conceitos e inovações Rev Bras Clin Med. São Paulo, 2011 mar-abr;9(2):129-37 http://www.qualitymeasu- res.ahrq.gov/about/inclusion.aspx (acesso em 1/7/2010) 17. Pena FP, Knobel E, Kuhl D, et al. Gestão de qualidade em UTI. In: Knobel E. Condutas no paciente grave. 3ª ed. São Paulo: Atheneu; 2006. p. 1937- 52. 18. Pedrosa T, couto R. Mapeamento de processos. In: Couto R, Pedrosa TM. Hospital, acreditação e gestão em saúde. 2ª ed. Rio de Janeiro: Gua- nabara Koogan; 2007; p. 193-199 19. Halpern NA, Pastores SM. Critical care medicine in the United States 2000-2005: an analysis of bed numbers, occupancy rates, payer mix, and costs. Crit Care Med 2010;38(1):65-71. 20. Halpern NA. Can the costs of critical care be controlled? Curr Opin Crit Care 2009;15(6):591-6 21. Porter ME, Teisberg EO. Uma nova competição no setor de saúde. Har- vard Business Review 2004;55-67. 22. Talmor D, Greenberg D. Howell MD, et al. The costs and costeffectiveness of an integrated sepsis treatment protocol. Crit Care Med 2008;36(4):1168-74. 23. Marra AR, Cal RG, Silva CV, et al. Successful prevention of ventilator- associated pneumonia in an intensive care setting. Am J Infect Control 2009;37(8):619-25. 35 24. Petrosillo N, Capone A, Di Bella S, et al. Management of antibiotic resis- tance in the intensive care unit setting. Expert Rev Anti Infect Ther 2010;8(3):289-302 25. Cabana MD, Rand CS, Powe NR, et al. Why don’t physicians follow clini- cal practice guidelines? A framework for improvement. JAMA 1999;282(15):1458-6. 26. Gajic O, Afessa B, Hanson AC, et al. Effect of 24-hour mandatory versus on-demand critical care specialist presence on quality of care and family and provider satisfaction in the intensive care unit of a teaching hospital. Crit Care Med 2008;36(1):36-44. 27. Pronovost PJ, Needham DM, Waters H, et al. Intensive care unit physician staffing: financial modeling of the Leapfrog standard. Crit Care Med 2004;32(6):1247-53. 28. Egol A, Shander A, Kirkland L, et al. Pay for performance in critical care: an executive summary of the position paper by the Society of Critical Care Medicine. Crit Care Med 2009;37(9):2625-31. 29. Santos MT. O PLM – gerenciamento do ciclo de vida do produto transfor- mando negócios em empresas classe mundial. www.brasilma- tics.com.br/pdf/plm.pdf (acesso em 4/5/2010). 30. De Baecker D. PLM. La gestion collaborative du cycle de vie des produits. Product life-cycle management. Paris: Ed. Hermes Lavoisier; 2004. 31. Vieira D, Udihara CM, Tanaka DM. “Product Lifecycle Management: De- safios e Oportunidades para Melhorar o Gerenciamento de Projetos”. Mundo Project Manag 2009;25:8-19. 32. Saaksvuori A, immonen A. “Product Lifecycle Management”. 3rd ed. Berlin Heidelberg Springer; 2008. 33. AMIB – Associação de medicina Intensiva Brasileira. Humanização em cuidados intensivos. Livraria e Editora Revinter Ltda., 2004. Disponível em: http://joinville.ifsc.edu.br/~bibliotecajoi/arquivos/pi/enferma- gem2015/166383. Acesso em: 14 outubro de 2017. 34. Andolhe R, Padilha KG. Reflexões sobre carga de trabalho de enferma- gem e segurança do paciente em unidades de terapia intensiva [document on the internet]. 2012 [cited 2014 June 8]. Available from: 36 http://www.amib.org.br/detalhe/noticia/reflexoes-sobre-carga-de-traba- lhodeenfermagem-e-seguranca-do-paciente-emunidades-de-terapia-in- tensiva/. Acesso em :17 de out.de 2017. 35. Barnard A. Nursing and the primacy of technological progress. Int J Nurs Stud [serial on the internet]. 1999 [cited 2014 June 1];36(6):435-42. Avai- lable from: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10576 114. 19. Acesso em:03 de set.de 2017. 36. Bedin, E; Ribeiro, Luciana B. M.; Barreto, R. Ap. Santos S. – Humanização da assistência de enfermagem em centro cirúrgico. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 07, n. 01, p. 118 – 127, 2005. Acesso em: 02 de maio de 2018. 37. Brasil. Ministério da Saúde. Programa Nacional de Humanização da As- sistência Hospitalar. Brasília: Ministério da Saúde; 2001. Acesso em:03 outubros 2017.38. Brasil. Ministério da Saúde (MS). Secretaria de Atenção à Saúde. Núcleo Técnico da Política de Humanização. Humaniza SUS: documento base para gestores e trabalhadores do SUS. 4ª Edição. Brasília: MS; 2010. Acesso em:20 de outubro de 2017. 39. Cavalheiro AM, Moura DF Junior, Lopes AC. Estresse de enfermeiros com atuação em unidade de terapia intensiva. Rev. Latino-am Enfermagem, Ribeirão Preto, Disponível em:. Acesso em:24 de setembro de 2017. 40. Collet, N; Rozendo, C.A. Humanização e trabalho na enfermagem, Re- vista Brasileira de Enfermagem. v.56, n.2, p.189-92, 2003.Disponivel em: https://www.revistas.ufg.br.Acesso em:03 de out.de 2017 41. Cenedési M. G; Bernardino E; Lacerda M. R; Lima K; Funções desempe- nhadas pelo enfermeiro em unidade de terapia intensiva. Revista da Rede de Enfermagem do Nordeste [en linea] 2012, 13 [Fecha de consulta: 26 de março de 2018]. Disponível em: ISSN 1517-3852. Acesso em: 26 de setembro de 2017. 42. Gomes, A. M. Enfermagem na unidade de terapia intensiva, 2 eds., São Paulo, EDU, 1988. P 3-5; 17-31. Disponível em: https://cepein.fema- net.com.br/B Digital/arqTccs/0811250222 Acesso em: 04 agosto 2017. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/10576%20114.%2019 http://www.revistas.usp.br/smad/article/view/3%208711%20/41 http://www.revistas.usp.br/smad/article/view/3%208711%20/41 37 43. Hayashi, A. A. M.; Gisi, M. L. O cuidado humanístico num contexto hospi- talar. Revista Texto & Contexto Enfermagem. v.9, n.2, p.800-811, 2000. Disponível em: https://www.fen.ufg.br.Acesso em:08 de setembro de 2017. 44. Hudak, C.M; Gallo, B.M. Cuidados Intensivos de Enfermagem. Uma abor- dagem holística. RJ. Guanabara Koogan, 1997. Acesso em:19 de set.de 2017 45. Martins PAF, Silva DC, Alvim NAT. Tipologia de cuidados de enfermagem segundo clientes hospitalizados: encontro das dimensões técnico-cientí- fica e expressiva. Rev Gaúcha Enferm. 2010; 31(1):143-50. Disponível em: periodicos.ufes.br/RBPS/ article/download/5588/4073 Acesso em:17 de setembro de 2017 46. Merhy, E.E. et al. Em busca de ferramentas analisadoras das tecnologias em saúde: a informação e o dia a dia de um serviço, interrogando e ge- rindo trabalho em saúde. In: MERHY, E. E. Praxis en salud un desafío para lo público. São Paulo: Hucitec, 1997.Disponível em: .Acesso em 03 out.2017. 47. Maftum M. A; Mazza V. M. A; Correia M. M. - A biotecnologia e os impac- tos bioéticos na saúde. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 06, n. 01, p.116- 122, 2004. Acesso em 10 out.2017. 48. Mendes I. A. C.; Trevisan, M. A; Hayashida M; NOGUEIRA, M. S. Enfer- magem, vínculos humanos e direitos do paciente. In: MENDES, I. A. C.; CAMPOS, E. Comunicação como meio de promover a saúde, 7º Simpósio de Comunicação em Enfermagem. Anais. FIERP, Ribeirão Preto, p. 215- 218, 2000. Disponível em: https://revistas.ufg.br/fen/artic le/view/846/1018. Acesso em 01outubro 2017. 49. Ministério da Saúde (BR), Secretaria-Executiva. Humanizasus - política nacional de humanização: a humanização como eixo norteador das práti- cas de atenção e gestão em todas as instâncias do SUS. Brasília: Minis- tério da Saúde, 2004. Disponível em: http://www.seer.ufsj.edu.br/in- dex.php/recom/article/view/1 011/1 1 67.Acesso em 15 de setembro de 2017 http://www.seer.ufsj.edu.br/index.php/recom/article/view/1%20011/1%201 http://www.seer.ufsj.edu.br/index.php/recom/article/view/1%20011/1%201 38 50. Miranda JM. Tecnologia, autonomia e dignidade humana na área da sa- úde. In: Siqueira JE, Prota L, Zancanaro L, organizadores. Bioética: estu- dos e reflexões. Londrina (PR): UEL; 2000. p.101-16. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034- 71672007000500012.Acesso em:12de maio de 2018. 51. Moraes, J.C.; Garcia, V. da G.L.; Fonseca, A. da S. Assistência prestada na unidade de terapia intensiva adulta: Visão dos clientes. Revista Nur- sing. v.79, n.7, 2004. Disponivel em: https:// a-importancia-humanizacao- na-unidade-terapia-intensiva.htm. Acesso em:15 de outubro de 2017. 52. Nietsche, E; Albertina et al. Tecnologias educacionais, assistenciais e ge- renciais: uma reflexão a partir da concepção dos docentes de enferma- gem. Rev. Latino-Am. Enfermagem, v. 13, n. 3, p. 344-353, maio/jun. 2005. Acesso em 22 de outubro de 2017. 53. Pauli MC, Bousso RS. Crenças que permeiam a humanização da assis- tência em unidade de terapia intensiva pediátrica. Ver. Lat. Americana de Enfermagem 2003;11(3):280-6. Disponível em: Acesso em:11 de agosto de 2017. 54. Pitta AMF. Hospital: dor e morte como ofício. 2ª ed. São Paulo: Hucitec; 1996. Disponível em: .Acesso em:25 de out de 2017. 55. Ribeiro, R.C.N.; Carandina, D.G.D.; Fugita, R.M.T. Tecnologia e humani- zação em C.C e U.T.I. São Paulo, Rev. SOBECC, v.04, nº3, p.15-19, 1999. Acesso em 05 out.2017. SBIE. Humanização hospitalar. Disponível em: http://www.sbie.com.br.Acesso em:13 de setembro de 2017. 56. Schwonke, C. R; Barcelos G; et al. Perspectivas filosóficas do uso da tec- nologia no cuidado de enfermagem em terapia intensiva. Rev. Bras. En- ferm., Brasília, v. 64, n. 1, p. 189-192, jan./fev. 2011.Disponivel em:. Acesso em 22 de out.de 2017 57. Silva, M.J.P. da. Humanização em UTI. In: CINTRA, E.A.; NISHIDE, V.M.; NUNES, W.A. (Org.). Assistência de enfermagem ao paciente crítico. São Paulo: Atheneu, 2000. Disponível em:. Acesso em:03 outubro de 2017. 58. Souza LNA. A interface da comunicação entre enfermagem e as (os) cli- entes em uma unidade de terapia intensiva [dissertação]. Florianópolis: Departamento de Enfermagem, Universidade Federal de Santa Catarina; http://www.scielo.br/pdf/reeusp/ http://www.scielo.br/pdf/reeusp/ 39 2000.Disponivel em: http://www.scielo.br/pdf/reeusp/v42n1/09. Acesso em:05 de agosto de 2017. 59. Waldow VR. Cuidado humano: o resgate necessário. Porto Alegre: Saga Luzzato; 1998. Acesso em 08 de set de 2017. 60. Zoboli ELCP, Martins CL, Fortes PAC. O Programa de Saúde da Família na busca da humanização e da ética na atenção à saúde. In: Brasil, IDS, USP, MS. (Org.). Manual de Enfermagem. Programa de Saúde da Famí- lia. Brasília; 2001. p. 47-50. Disponível em: http://campusaragua- tins.ifto.edu.br/portal/saude/index.php/artigos/109-humanizacao-em-uti- umestudo-bibliografico-sobre-as-peculiaridades-necessarias-e-diversas- situacoes-no-processohumanizar. Acesso em:16 de setembro de 2018 61. Pereira Júnior GA, Coletto FA, Martins MA, Marson F, Pagnano RCL, Dalri MCB, Basile-Filho A.O papel da unidade de terapia intensiva no manejo do trauma. Medicina- Ribeirão Preto, 1999;32:419-437. 62. Weil MH, Planta MV, Rackow EC. Terapia intensiva: Introdução e Retros- pectiva Histórica. in: Schoemaker WC et al. Tratado de terapia intensiva. São Paulo: Interameric. 1992; 1:1-4. 63. AMIB. Associação de Medicina Intensiva Brasileira. Leitos de UTI. Censo 2010. Disponível:http://www.amib.org.br/fileadmin/CensoAMIB 2010. pdf. Acessado em Julho/2017. 64. Hausmann, M, Peduzzi M. Artigo Original: Articulação entre as Dimensões Gerencial e Assistencial do Processo de Trabalho do Enfermeiro. São Paulo, 2009. 65. Chaves LDP, Laus AM, Camelo SH. Ações gerenciais e assistenciais do enfermeiro em unidade de terapia intensiva. Rev. Eletr. Enf.2012;14(3):671-678 66. Borges MCAB, Da Silva LM. Articulações entre gerência e cuidado em uma unidade de terapia intensiva cirúrgica. Rev. Pesq.: Cuid. Fund. On.2013;5(1):3403-3410. 67. De Sousa SM, Bernardino E, Crozeta K, Peres AM, Lacerda MR. Cuidado integral: desafio na atuação do enfermeiro. Rev. Bras. Enferm. 2016;70(3):529-536. 40 68. De Oliveira EM, Barbosa RL, Androlhe R, De Eiras FRC, Padilha KG. Am- biente das práticas de enfermagem e satisfação profissional em