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Indaial – 2019 Práticas de Manutenção Mecânica Prof. Marcelo Henrique Soar 1a Edição Copyright © UNIASSELVI 2019 Elaboração: Prof. Marcelo Henrique Soar Revisão, Diagramação e Produção: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. Impresso por: SO676p Soar, Marcelo Henrique Práticas de manutenção mecânica. / Marcelo Henrique Soar. – Indaial: UNIASSELVI, 2019. 202 p.; il. ISBN 978-85-515-0367-6 1. Manutenção mecânica. – Brasil. II. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. CDD 620 III aPresentação Caro acadêmico, você está iniciando o curso de Práticas de Manutenção Mecânica, no qual aprenderá as principais coisas que deve saber quanto ao assunto de manutenção, com um foco especial na realização da prática com ferramentas e equipamentos que você pode encontrar em situações de fábrica. Este livro irá tratar desde os conceitos básicos que você deve entender para ter noções de manutenção, assim como as ferramentas e cuidados preliminares que você deve tomar na realização da prática, estudando, finalmente, os casos da manutenção para uma variedade de equipamentos industriais, explorando como são tratados de forma a obter a maior vida útil deles. Na primeira unidade, você irá estudar a importância que a manutenção possui na indústria moderna, as formas com que ela é aplicada, as principais etapas do seu planejamento, como é determinado o custo de realizar a manutenção, os cuidados básicos de segurança que devem ser tomados, as orientações para montagem e desmontagem de equipamentos e as principais ferramentas que são utilizadas nestes trabalhos. Na segunda unidade, você verá como é realizada a análise de falhas nas peças industriais que sofreram quebra, como é realizado o processo de soldagem de manutenção, assim como etapas de manutenção para peças específicas, como mancais, eixos, polias, engrenagens, entre outros. A terceira unidade é a última deste livro, na qual você estudará os processos de manutenção e como são utilizados para uma variedade de sistemas específicos, como sistemas de vedação, sistemas hidráulicos, sistemas pneumáticos, sistemas lubrificados, sistemas eletrônicos, assim como o tópico de análise de vibrações em máquinas e o caso da manutenção em equipamentos que possuem elementos químicos operando. Este livro foi desenvolvido para você que usa o método de estudo EAD (Ensino a Distância), encorajando não apenas o estudo, mas a prática, os exercícios, e a busca por materiais complementares. Faça proveito de todas estas oportunidades e enriqueça a sua experiência. Bons estudos! Prof. Marcelo Henrique Soar IV Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há novidades em nosso material. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente, apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto em questão. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar seus estudos com um material de qualidade. Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – ENADE. Bons estudos! NOTA V VI VII UNIDADE 1 – CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO .......................... 1 TÓPICO 1 – MANUTENÇÃO E SUA IMPORTÂNCIA .................................................................. 3 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3 2 OBJETIVOS DA MANUTENÇÃO .................................................................................................... 3 3 APLICAÇÕES ........................................................................................................................................ 5 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 9 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 10 TÓPICO 2 – FORMAS DE MANUTENÇÃO ..................................................................................... 11 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 11 2 CLASSIFICAÇÃO DA MANUTENÇÃO ........................................................................................ 11 2.1 MANUTENÇÃO CORRETIVA .................................................................................................. 12 2.2 MANUTENÇÃO PREVENTIVA ................................................................................................ 14 2.3 MANUTENÇÃO PREDITIVA .................................................................................................... 16 3 MANUTENÇÃO DETECTIVA ......................................................................................................... 20 4 MANUTENÇÃO PRODUTIVA TOTAL ......................................................................................... 21 5 DISCUSSÕES QUANTO ÀS FORMAS DE MANUTENÇÃO .................................................... 23 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 25 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 26 TÓPICO 3 – PLANEJAMENTO E CUSTOS DE MANUTENÇÃO ................................................ 29 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 29 2 PROCESSOS DE MANUTENÇÃO ................................................................................................... 29 3 PLANO DE OPERAÇÕES ................................................................................................................... 30 4 MÉTODO CPM ..................................................................................................................................... 33 5 ANÁLISE DE CUSTOS ....................................................................................................................... 35 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 38 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 39 TÓPICO 4 – SEGURANÇA E CUIDADOS PRÉVIOS ..................................................................... 41 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 41 2 CUIDADOS DE SEGURANÇA .........................................................................................................três principais: manutenções de rotina, testes de manutenção e testes de diagnóstico. • O planejamento das operações manutenção pode ser realizando utilizando várias ferramentas, incluindo o diagrama de Gantt e o diagrama de flechas. • O método do caminho crítico utiliza o diagrama de flechas para encontrar o tempo previsto total das operações de manutenção, dando informações sobre os atrasos permissíveis e potenciais de melhora do processo. • Os custos de manutenção são divididos em dois grupos: custos diretos e indiretos, que estão relacionados aos pagamentos e às perdas de produção da empresa respectivamente. • Os custos direto e indireto possuem uma relação inversa, com o balanço entre estes custos sendo encontrado em um ponto médio. 39 1 A análise dos processos de manutenção utilizando ferramentas como o diagrama de Gantt e o diagrama de flechas permite ao engenheiro balancear os recursos e tempo disponível de forma a otimizar o processo. Desenhe o diagrama de Gantt e o diagrama de flechas da sequência de operações mostrada na tabela a seguir. AUTOATIVIDADE TABELA – SEQUÊNCIA DE OPERAÇÕES DE UMA EMPRESA FONTE: O autor 2 Um dos principais objetivos de um bom planejamento de manutenção é a diminuição dos custos do projeto, que podem tomar várias formas durante os vários processos de manutenção, podendo ser diretos ou indiretos. Sobre este assunto, classifique as sentenças em V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) O preço de um componente a ser reposto é um exemplo de custo direto. ( ) A contratação de serviços de terceiros é uma forma de custo indireto. ( ) Os custos diretos e indiretos costumam possuir uma relação inversa. ( ) O custos indiretos costumam ser maiores na manutenção preditiva. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) V – F – V – F. b) ( ) V – V – F – F. c) ( ) F – V – F – V. d) ( ) F – F – V – V. 3 Existem várias formas de se organizar o planejamento de operações de manutenção de uma empresa, como o diagrama de Gantt ou o diagrama de flechas, que podem ser utilizados como ferramentas para auxiliar a otimização do plano de manutenção. Sobre este assunto, classifique as sentenças em V para as verdadeiras e F para as falsas. Tarefa Dependência Duração (horas) A 2 B A 1 C B 4 D A 1 E C e D 3 40 ( ) No diagrama de Gantt é possível observar as dependências entre os processos. ( ) O diagrama de flechas pode ser utilizado para encontrar o caminho crítico. ( ) O diagrama de espinha de peixe não permite visualizar o tempo estimado de cada tarefa. ( ) O diagrama de flechas possui atividades fantasma quando duas atividades dependem de uma. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) F – V – V – F. b) ( ) F – V – V – F. c) ( ) F – V – V – F. d) ( ) F – V – V – F. 41 TÓPICO 4 SEGURANÇA E CUIDADOS PRÉVIOS UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Todo ano ocorrem acidentes de trabalho no Brasil que chegam a mais de 300.000, que podem ter consequências de pequenos ferimentos até acidentes fatais (BRASIL, 2017). O número de acidentes fatais no Brasil chegou a 17 mil desde o ano de 2012 (MINISTÉRIO PÚBLICO DO TRABALHO, 2019). Falta de cuidados no manuseio de equipamento é perigoso não apenas para os usuários, mas também pode danificar o equipamento manuseado, causando perda de tempo e custos para a empresa que necessitará realizar manutenção corretiva. Neste tópico, você aprenderá os cuidados de segurança que devem ser tomados ao realizar manutenção em equipamentos industriais, assim como técnicas de montagem e desmontagem utilizadas durante a manutenção de forma a evitar acidentes. 2 CUIDADOS DE SEGURANÇA O primeiro passo para garantir a segurança do operador é a verificação de que a desmontagem e realização de operações sobre a máquina é realmente necessária. Muitas máquinas industriais são projetadas para um funcionamento de longo tempo, e realizar operações que são desnecessárias é um risco para o operador e para a máquina que deve ser evitado sempre que possível. Por segundo, é importante realizar a análise da máquina e determinar a causa da falha antes da desmontagem sempre que possível. Muitas vezes a causa do problema não é evidente olhando apenas para os componentes individuais. A desmontagem completa raramente é necessária, e muitas vezes é uma perda de tempo, valendo concentrar-se apenas nos componentes afetados. A máquina necessita de manutenção e as partes devem ser trocadas ou reparadas Existem atividades que podem ser realizadas para garantir a segurança do usuário, entre as quais podem ser listadas: 42 UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO • Desligamento completo da máquina da fonte de energia a qual está conectada e qualquer outros equipamentos elétricos que se encontram próximos, o que é feito de forma a evitar choques elétricos. • A consulta do manual técnico do equipamento, que deve possuir o detalhamento do processo de montagem e desmontagem e às vezes pode conter observações e recomendações do fabricante. • Remover acessórios da máquina e partes que exercem apenas a função de proteção externa. Estas partes obstruem o trabalho do mantenedor e por isso devem ser removidas. • Limpeza de sujeira e contaminantes da máquina, que podem incluir barro, graxas, areias entre outros. Esta limpeza pode ser realizada com a utilização de pincéis, desengraxantes, entre outros. • Drenagem de fluidos, como lubrificantes, de forma a evitar o risco de derramamento deste sobre o chão. • Levar a fiação elétrica removida para o setor responsável pela sua manutenção para verificação. • Remoção de equipamentos como mangueiras, alavancas, manípulos e similares. • Colocação de calços sobre peças que podem se soltar de forma a evitar que esta se mova causando acidentes. • No caso de que o operário realizando manutenção necessita deixar a máquina só, ele deve posicionar uma placa indicando que a máquina está em manutenção para evitar que outros funcionários tentem utilizar ou mexer com ela. Outra opção é utilizar uma trava que impede o equipamento de ser ligado (BECHTOLD, 2010). NOTA O mantenedor é o engenheiro ou técnico responsável por realizar a operação de manutenção. É o funcionário que realiza as tarefas de manutenção descritas acima. Dependendo da aplicação que for utilizada, pode ser necessário o uso de equipamentos especiais. Um exemplo são os óculos de segurança, que você pode observar na Figura 14. Estes óculos são importantes em situações em que você trabalhe com solda, que emite muitas fagulhas, ou equipamentos que lancem projeteis pequenos a altas velocidades que podem danificar os olhos se forem atingidos, como usinagem de materiais. TÓPICO 4 | SEGURANÇA E CUIDADOS PRÉVIOS 43 FIGURA 14 – ÓCULOS DE SEGURANÇA FONTE: . Acesso em: 17 maio 2019. Alguns outros exemplos de processos que requerem óculos de segurança são processos que liberam radiação ultravioleta ou que possuem um alto risco de respingo de substâncias químicas. Seguidas todas as recomendações, você pode seguir com o processo de manutenção, que possui dois pontos gerais comuns nas maiorias dos equipamentos que precisam receber cuidados: a desmontagem do equipamento e a remontagem após concluída a manutenção. Quando você necessita tratar de equipamentos elétricos, em especial, é sempre bom tomar alguns cuidados adicionais, entre eles (ONTARIO HYDRO, 1997): • A presença de isolação e aterramento bem definidos para o equipamento elétrico para evitar choques. 44 UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO • Todo pessoal não autorizado para estar presente deve sair da área durante o processo. • Usar uma forma de exaustão ou um equipamento de proteção pessoal para evitar inalar vapores tóxicos. • Todo o pessoal envolvido na manutenção deve receber treinamento de primeiros socorros. • Deve-se possuir um extintor de incêndio próximo, caso algum equipamento entre em chamas. • Evitar o uso de escadas metálicas, pois estasconduzem eletricidade. • Utilização de luvas de borrachas, óculos de segurança, entre outros equipamentos de proteção pessoal que possam ser necessários. • Uso de proteção de amortecimento para trabalhos em alturas, de forma a amortecer quedas. NOTA Em caso de dúvidas quanto aos procedimentos de segurança, consulte os seus colegas de trabalho que possuem experiência. Os operários de longo tempo possuem uma riqueza de conhecimento, e a segurança é de responsabilidade de todos. 3 TÉCNICAS DE DESMONTAGEM Durante a desmontagem de manutenção existem várias peças que podem apresentar dificuldades ou combinações de peças de equipamento em que o método de desmontagem não seja óbvio. A seguir, veja algumas recomendações para auxiliar na desmontagem do equipamento (BECHTOLD, 2010): • Para parafusos, pode ser difícil retirá-los devido estarem muito apertados; neste caso, vale utilizar óleo desoxidante para facilitar a retirada, pois reage com a ferrugem. Outra opção é o aquecimento do parafuso, visando queimar compostos químicos que possam mantê-lo selado. • Você pode observar a sequência de montagem descrita no manual do equipamento. Para a desmontagem, bastar seguir esta sequência na ordem inversa. • As peças retiradas devem ser guardadas conforme a ordem que foram retiradas para facilitar a posterior remontagem. TÓPICO 4 | SEGURANÇA E CUIDADOS PRÉVIOS 45 • Criar anotações que ajudem na remontagem. • Limpar as superfícies de contato, tirando restos de cola e elementos de vedação, assim como outros resíduos, permitindo que os componentes conectem mais fácil na remontagem e previne a possibilidade de vazamentos. • Realizar a lavagem cuidadosa das peças com pincéis e produtos desengraxantes, o que permitirá a melhor verificação de falhas e defeitos. Um exemplo deste processo pode ser visto na Figura 15, que mostra um técnico realizando a lavagem de uma roda. • Secar as peças após a lavagem, deixando-as escorrer por um tempo e usando ar comprimido para finalizar. Nesta última etapa deve-se utilizar os óculos de segurança. FIGURA 15 – TÉCNICO REALIZANDO LAVAGEM DE UMA RODA APÓS A DESMONTAGEM FONTE: . Acesso em: 18 maio 2019. As peças removidas na desmontagem do equipamento devem ser separadas de acordo com sua condição para posterior reúso, manutenção ou que sejam jogadas fora. Existem vários diferentes níveis para estas peças: aquelas que não possuem nenhum defeito, as que possuem defeito, mas podem ser recuperadas, e as que possuem defeitos irrecuperáveis. Caso não seja possível determinar diretamente em qual categoria uma peça se encaixa, você deve mandá-la para laboratório para a análise. 46 UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO FIGURA 16 – CONJUNTO DE PEÇAS DE UM CARRO DESMONTADO FONTE: . Acesso em: 18 maio 2019. Você deve reparar que em muitos casos pode não haver manual do equipamento, especialmente para equipamentos antigos. As leis internacionais atuais obrigam o fornecedor a incluir um manual na língua do comprador na hora da compra, mas, muitas vezes, acontece de o comprador não requisitar isto devido ao não conhecimento dessas leis. Nestes casos, deve-se tomar cuidado extra na desmontagem por parte do mantenedor. Uma recomendação para auxiliar com isto é criar um esboço das partes da máquina e seu posicionamento no conjunto conforme você a desmonta. Desta forma, este desenho poderá ser seguido quando for realizada a remontagem. Para apertar ou desapertar parafusos, existe uma sequência que deve ser obedecida, que você pode observar na Figura 17. Perceba que a ordem ideal é apertar os parafusos em ordem cruzada, sempre escolhendo como próximo a apertar o mais distante. Você pode ver na Figura 16 um exemplo de conjunto de peças obtidas na desmontagem de um carro. Note como peças similares são agrupadas próximas umas das outras de forma a facilitar o processo de montagem ao final. TÓPICO 4 | SEGURANÇA E CUIDADOS PRÉVIOS 47 FIGURA 17 – ORDEM DE APERTO DOS PARAFUSOS FONTE: O autor O aperto deve ser iniciado com metade do esforço para cada parafuso, apenas utilizando a força total ao final. Isto evita que tensões excessivas se concentrem em um único lado da peça na qual se está apertando os parafusos. ATENCAO 4 MONTAGEM DE EQUIPAMENTOS MECÂNICOS A remontagem pode ser iniciada assim que for concluída a desmontagem, manutenção e limpeza das peças. O objetivo da montagem é reestabelecer o funcionamento correto da máquina. É muito importante ter cuidado para realizar a montagem das peças na ordem correta, pois caso você se esqueça de uma peça bem no começo, e perceba 48 UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO apenas no fim, o mantenedor pode ter que desmontar e remontar o conjunto todo de novo para corrigir o erro, gerando um grande desperdício de tempo. Não pode haver sobra de peças na montagem, a não ser que havia peças extras inicialmente. Se sobraram peças, a montagem foi feita incorretamente, e você deve verificar o manual ou esboço para confirmar o posicionamento de cada peça. Existem algumas recomendações para garantir a segurança do processo de montagem de equipamentos, que, segundo Bechtold (2010), são: • Sempre que possível, deve-se utilizar o manual do equipamento para acompanhar a montagem da máquina, verificando se o processo de remontagem é realizado na ordem correta. • Deve-se verificar se as peças novas, obtidas para substituir peças antigas, possuem qualidade correspondente com o desejado. Em especial, deve-se verificar que as dimensões destas peças estão corretas. • Verificar se as peças a serem instaladas estão devidamente limpas para evitar contaminações. • Observar as anotações e marcações realizadas anteriormente no processo de desmontagem. • Verificar se as partes individuais da máquina inteira estão apresentando funcionamento correto. • Você pode observar um exemplo de diagrama de montagem de um equipamento mecânico, onde o posicionamento de cada peça é indicado na Figura 18. Repare que este tipo de diagrama não possui indicação da ordem de montagem, apenas do posicionamento das peças. TÓPICO 4 | SEGURANÇA E CUIDADOS PRÉVIOS 49 FIGURA 18 – DIAGRAMA DE MONTAGEM FONTE: . Acesso em: 18 maio 2019. 50 UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO LEITURA COMPLEMENTAR Avaliação de riscos na atividade de manutenção: estudo de caso Estevão Rafael Alves dos Reis Nos dias de hoje torna-se cada vez mais importante ter em atenção à temática da segurança. A FAP tem tido em conta a mitigação dos riscos, nas diversas atividades que lhe estão cometidas, poupando recursos humanos e materiais. As atividades inerentes a uma organização militar, no caso concreto da Manutenção Aeronáutica da FAP, envolvem riscos. Os meios humanos carecem de maior especialização e qualificação e os sistemas de armas carecem de maior sustentabilidade, comportando assim um custo muito elevado, sendo por isso urgente e fundamental proteger os recursos disponíveis através do controlo dos riscos, para que não resultem perdas nem danos. A Manutenção Aeronáutica, por si só, é uma atividade que visa ao aprontamento diário de aeronaves, de forma a fazer face aos regimes de esforço propostos e aos objetivos traçados para o cumprimento da atividade aérea da Esquadra 101. Atividade essa bastante susceptível de causar erros que podem culminar em acidente. Admitindo como inatingível o ideal cenário da “eliminação total” dos riscos, torna-se importante enveredar pela mitigação dos mesmos a níveis aceitáveis recorrendo-se, numa primeira fase, à prevenção. Para que estes mesmos riscos sejam prevenidos, impõe-se a necessidade de analisá-los, avaliá- los e sobretudo implementar eficazmente as correspondentes medidas corretivas. Neste sentido, surge então a necessidade da realização de uma Avaliação de Riscos a este setor da Unidade, para que a sua missão seja cumpridaem maior segurança. O objetivo deste trabalho centra-se na Avaliação de Risco na atividade de manutenção da Esquadra 101, utilizando a Metodologia FMEA adaptada. Esta permitirá identificar os riscos nos vários setores, possibilitando a identificação dos setores mais periclitantes, propondo após este estudo oportunidades de melhoria que permitirão mitigar os riscos identificados. FONTE: REIS, E. R. Avaliação de riscos na atividade de manutenção: estudo de caso. 2015, 125f. Dissertação (Mestrado em Engenharia Mecânica) − Instituto Superior de Engenharia de Lisboa. Lisboa, 2015. Disponível em: . Acesso em: 2 jul. 2019. 51 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você aprendeu que: • Devem ser tomados cuidados durante a manutenção para evitar acidentes que podem causar dano ao usuário ou a máquina. • Deve-se utilizar equipamento de proteção durante a realização da manutenção, incluindo óculos de segurança, luvas de borracha, entre outros. • Sempre que possível, você deve buscar determinar a causa do problema antes de iniciar a desmontagem, que nem sempre é fácil de observar com a máquina desmontada. • A desmontagem e montagem de peças devem ser realizadas de acordo com o manual e recomendações do fabricante. Faltando um manual, cabe ao mantenedor esboçar o posicionamento das peças da máquina. • Em máquinas elétricas, deve-se desligar o circuito elétrico e verificar a isolação e o aterramento antes de realizar a manutenção. • O aperto e desaperto de parafusos deve ser realizado na ordem correta, que é a ordem cruzada, de forma a evitar deformações na máquina. • Utilizam-se diagramas de montagem para facilitar o trabalho do mantenedor. 52 AUTOATIVIDADE 1 A segurança do trabalho é um assunto importantíssimo, devido aos acidentes de trabalho que levam a graves ferimentos, podendo até serem fatais ao usuário. Com base nisto, cite três cuidados a serem tomados que diminuem o risco de acidentes para o mantenedor. 2 Na montagem e desmontagem de equipamentos mecânicos, existem muitos cuidados que precisam ser tomados de forma a garantir o reparo correto da máquina e ao mesmo tempo evitando acidentes que podem causar dano tanto ao equipamento como ao mantenedor responsável. Sobre este assunto, classifique as sentenças em V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) Durante a montagem, é comum a sobra de peças desnecessárias. ( ) A desmontagem é a primeira etapa do processo de manutenção. ( ) Na ausência do manual do equipamento recomenda-se realizar um esboço. ( ) Deve-se verificar as dimensões das peças antes da remontagem. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) V – F – V – F. b) ( ) V – V – F – F. c) ( ) F – F – V – V. d) ( ) F – V – F – V. 3 Durante a montagem e desmontagem de peças, um detalhe importante que deve ser cuidado é no aperto dos parafusos, que deve ser realizado na ordem correta, do contrário pode ocorrer deformações sobre a superfície presa, gerando desalinhamentos e encurvamento. Com base nisto, analise a Figura a seguir. 53 FIGURA – POSSÍVEIS ORDENS DE APERTO DE PARAFUSOS FONTE: O autor Tendo em mente as recomendações de montagem e desmontagem de máquinas, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) A opção da figura A está correta. b) ( ) A opção da figura B está correta. c) ( ) A opção da figura C está correta. d) ( ) A opção da figura D está correta. 54 55 TÓPICO 5 FERRAMENTAS DE MANUTENÇÃO UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Nenhum mantenedor realiza seu trabalho de mãos vazias; qualquer que seja o trabalho de manutenção, seja ele o reparo de equipamentos, trocas de peças ou verificação de rotina, existe uma variedade de ferramentas que permite ao mantenedor realizar o seu trabalho de forma correta e eficiente. Não basta apenas possuir as ferramentas em mãos, é necessário saber qual a função de cada uma, e em que ocasião cada ferramenta é recomendada. Para isso você deve estudar as ferramentas de manutenção mais comumente utilizadas na indústria. Neste tópico, você estudará as principais ferramentas utilizadas na manutenção industrial, desde as ferramentas de aperto e desaperto, ferramentas de medição, entre outras que podem vir a ser necessárias. 2 CHAVES DE APERTO E DESAPERTO Nos processos de manutenção mecânica, é comum precisar apertar ou retirar parafusos ou porcas, que são elementos extremamente comuns. As ferramentas que realizam este trabalho são chamadas de ferramentas de aperto e desaperto. As porcas e parafusos utilizados na engenharia possuem formas de dimensões que podem variar, portanto a ferramenta de aperto e desaperto necessária para cada um deles também irá variar. Para parafusos e porcas com até 16mm de diâmetro nominal, você deve usar apenas uma única mão para o aperto e desaperto do elemento. 56 UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO Uma das ferramentas mais simples é a chamada chave fixa, também conhecida como chave de boca fixa, que é mostrada na Figura 19, que consiste em uma haste de uma chave comum que pode possuir uma ou duas bocas abertas de dimensão fixa. Esta dimensão varia dependendo da chave, sendo comumente fornecida em milímetros ou polegadas. Estas chaves são capazes de apertar parafusos e porcas de perfil quadrado ou perfil sextavado (TELECURSO 2000, 2014). O seu uso não é recomendável para porcas e parafusos que precisam ser apertados com maior força, mas possui a conveniência de ser uma das mais fáceis e rápidas na sua utilização. FIGURA 19 – CHAVE FIXA FONTE: . Acesso em: 19 maio 2019. A chave estrela é outro tipo de chave que possui aplicação similar a chave fixa, mas que difere da chave fixa pela presença de estrias na abertura, que servem para evitar que a chave deslize ao girar a porca ou parafuso. Estas chaves costumam ser totalmente fechadas, como visto na Figura 20, o que torna a fixação mais segura e permite a aplicação de um esforço maior no aperto. FIGURA 20 – CHAVE ESTRELA. FONTE: . Acesso em: 19 maio 2019. A chave combinada contém uma abertura de chave estrela em um lado e uma abertura de chave fixa no outro lado. Este tipo de chave, conforme mostrado na Figura 21, pode exercer a função de ambas as chaves já discutidas. TÓPICO 5 | FERRAMENTAS DE MANUTENÇÃO 57 FIGURA 21 – CHAVE COMBINADA FONTE: . Acesso em: 19 maio 2019. Algumas chaves são classificadas como chaves de bater, conforme a Figura 22, pois possuem uma das suas pontas reforçadas, como um martelo, para que esta possa receber marteladas e batidas, o que ajuda a apertar ou desapertar parafusos e porcas que requerem maior esforço para fixar. Este tipo de chave pode ser feito tanto com chaves fixas quanto com chaves de estrela. FIGURA 22 – CHAVE DE BATER FONTE: . Acesso em: 19 maio 2019. A ferramenta mecânica que, provavelmente, é a mais versátil é a chave de soquete, mostrada na Figura 23. Esta é fornecida com uma grande variedade de acessórios, permitindo que você a utilize com praticamente qualquer tipo de porca ou parafuso, seja este sextavado, oitavado, quadrado ou outros. Esta chave também é capaz de alcançar parafusos e porcas em lugares difíceis, devido a versatilidade desta ferramenta. 58 UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO FIGURA 23 – CHAVE DE SOQUETE FONTE: . Acesso em: 19 maio 2019. Não se deve utilizar as chaves de soquete normais em máquinas pneumáticas ou elétricas, pois estas não são feitas para resistir quando aplicadas a altas rotações e forças envolvidas nestas máquinas. ATENCAO A chave Allen, vista na Figura 24, é usada para fixar parafusos sextavados. A forma mais comum desta chave possui um formato característico de L, mas existem também outros perfis como em formato de S. O formato de L permite à chave duas vantagens, dependendo de qual ponta é utilizada. Quando a ponta curta é utilizada, a ponta longa serve como de alavanca,permitindo o aperto dos parafusos com menor esforço do operário. Já a ponta longa pode ser usada para apertar parafusos em lugares de mais difícil alcance. TÓPICO 5 | FERRAMENTAS DE MANUTENÇÃO 59 FIGURA 24 – CHAVE ALLEN FONTE: . Acesso em: 19 maio 2019. A chave de fenda Phillips, mostrada na Figura 25, possui uma haste com formato para apertar parafusos Phillips, que tem fendas em forma de cruz. Chaves de fenda, como esta, são utilizadas para parafusos que não necessitam de muita força no aperto. FIGURA 25 – CHAVE DE FENDA PHILLIPS FONTE: . Acesso em: 19 maio 2019. A chave de fenda sextavada possui ponta apropriada para apertar e desapertar parafusos sextavados, geralmente utilizados em situações que necessitam muita força. Esta ferramenta pode ser utilizada junto com uma chave fixa para aumentar o torque e apertar com maior força. Existe uma variedade de formas de fendas de parafuso e chaves correspondentes, como você pode observar na Figura 26. Estas formas, de acordo com as letras da figura, são: (a) Chave de fenda, (b) Chave Phillips ou estrela, (c) Chave pozidriv, (d) Chave Torx, (e) Chave Allen, (f) Chave Robertson, (g) Chave Tri-Wing, (h) Chave Torq-set e (i) Chave spanner. 60 UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO FIGURA 26 – FORMAS DE CABEÇA DE PARAFUSOS FONTE: . Acesso em: 19 maio 2019. A chave para canos e tubos, também conhecida como chave Stillson, ou chave grifo, é uma ferramenta regulável e de fácil utilização, é utilizada, primariamente, para serviços de manutenção hidráulica em tubos circulares. Esta chave é especialmente útil na realização de serviços de porte pesado. Você pode observar um exemplo da chave para canos e tubos na Figura 27. Esta chave não deve ser utilizada para parafusos ou porcas quadradas ou sextavadas. FIGURA 27 - CHAVE PARA CANOS E TUBOS FONTE: . Acesso em: 19 maio 2019. a b c d e f g h i TÓPICO 5 | FERRAMENTAS DE MANUTENÇÃO 61 A chave de boca ajustável, que você pode observar na Figura 28, possui um mecanismo permitindo o ajuste da largura da boca, fazendo com que possa ser utilizada em quase qualquer situação. Este tipo de chave é bastante utilizado em elementos de fixação que possuem rosca ou na instalação de torres de eletrificação. No entanto, deve-se notar que esta chave não deve receber marteladas para o aumento do seu torque (TELECURSO 2000, 2014). FIGURA 28 – CHAVE DE BOCA AJUSTÁVEL FONTE: . Acesso em: 19 maio 2019. Para um entendimento mais extenso quanto às ferramentas de manutenção mecânica, é recomendado o texto a seguir, do INMETRO, que realiza uma análise de chaves de fenda, verificando várias especificações destas ferramentas e ensaios realizados para verificar sua conformidade: 62 UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO A análise de conformidade realizada nas amostras de Ferramentas Manuais vai ao encontro do Procedimento Geral do Programa de Análise de Produtos do Inmetro quanto à seleção dos produtos, priorizando aqueles de consumo intensivo e extensivo pela sociedade e que estejam relacionados a questões que envolvam a segurança dos usuários. A reconstrução da evolução humana baseia-se em estudos realizados nos escassos e fragmentados elementos encontrados ao longo da História. Esses elementos são os fósseis humanos e os vestígios de objetos fabricados pelo homem primitivo encontrados por arqueólogos que permitem estimar que há, aproximadamente, 4 milhões de anos os mais antigos antepassados do homem encontravam-se definitivamente estabelecidos na superfície terrestre. Os vestígios descobertos refletem a evolução humana, permitindo dividir a História em três idades, a partir da matéria-prima utilizada para a "fabricação" destes objetos: Idade da Pedra, do Bronze e do Ferro, e revelam que o homem, desde os tempos mais remotos, sempre criou instrumentos utilizados com o objetivo de facilitar seus afazeres diários. Os utensílios de uso comum se desenvolveram de acordo com a evolução das culturas primitivas que, por sua vez, foram se aperfeiçoando à medida que materiais mais aptos foram sendo descobertos e novas técnicas de elaboração foram sendo utilizadas. As descobertas mais significativas são as ferramentas feitas de pedra e osso, relacionadas à manutenção das necessidades fundamentais da existência humana: nutrição, moradia e defesa. Ao longo do tempo, o homem desenvolveu seu cérebro e sua destreza em relação ao uso de armas e ferramentas. Para sua fabricação as pedras mais utilizadas eram o quartzo, a obsidiana, o sílex, a quartzita e outros materiais cristalinos capazes de manterem-se afiados. Foi apenas entre os anos de 9.000 e 1.000 A.C., que o homem descobriu que os metais poderiam ser isolados de determinadas rochas e que, ao serem aquecidos a altas temperaturas, poderiam ser modelados através do emprego de um martelo. A descoberta de metais como o cobre, o bronze e o ferro constitui o marco histórico do surgimento da metalurgia. Entretanto, a descoberta mais relevante dessa época foi a forja do ferro, dada a grande abundância que esse metal pode ser encontrado na natureza e ao fato de que, quando misturado ao carbono, transforma-se em aço, metal que fornece o gume mais afiado de todos. A evidência mais antiga que se tem da utilização do aço provém da Ásia Ocidental, entre os anos de 2.000 e 1.500 A.C., onde se fundiam e forjavam utensílios e armas. Ao longo do tempo, a importância do aço cresceu. Hoje, ele é utilizado como matéria-prima para a fabricação de uma gama quase infinita de produtos manufaturados e semimanufaturados. O aço está presente nas embalagens desenvolvidas para a indústria alimentícia; nos botijões de gás de cozinha; nos meios de transporte; nas torres de transmissão, transformadores, subestações e cabos elétricos das usinas hidrelétricas, termelétricas e nucleares; na construção civil etc. O aço martela, prega e aparafusa, ou seja, é a matéria-prima principal das ferramentas manuais utilizadas pelo homem moderno. Atualmente, podem ser encontradas no mercado, ferramentas com diferentes formatos, tamanhos e procedências, principalmente de origem chinesa e indiana, que se destinam aos mais variados fins, adaptadas para cada tipo de trabalho que se deseja realizar. TÓPICO 5 | FERRAMENTAS DE MANUTENÇÃO 63 Este relatório trata da análise dos resultados obtidos pelas amostras das marcas de Chaves de Fenda que foram submetidas a uma série de ensaios que verifi caram a conformidade do produto aos parâmetros dimensionais e de desempenho das normas de especifi cação existentes (INMETRO, 20--). O estudo do INMETRO testou 15 marcas de chave, determinando que dez possuíam valor adequado de dureza e apenas oito possuíam a largura de ponta adequada, totalizando apenas seis que passaram em ambos os testes. Quando foram analisados todos os comprimentos de haste e cabo, e os diâmetros correspondentes, descobriu-se que nenhuma das marcas possuía todas as dimensões de acordo com a norma que estabelece os padrões. Estes resultados levaram a discussões entre o INMETRO e as empresas para implementar melhorias de qualidade 3 ALICATES Uma ferramenta de amplo uso em trabalhos mecânicos é o alicate, que consiste em duas peças de aço conectadas por um pino de articulação, sendo assim, capaz de apertar sobre um objeto. O modelo básico é chamado de alicate universal, sendo o mais comumente utilizado, podendo variar em alguns detalhes, como na presença ou não de plástico nos braços (cabos). A Figura 29 mostra um exemplo de alicate universal. Estes alicates são capazes de desempenhar uma série de funções, incluindo dobrar peças, cortar objetos e segurar partes em posição. FIGURA 29 – ALICATE UNIVERSAL FONTE:. Acesso em: 19 maio 2019. 64 UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO O alicate de pressão, mostrado naFigura 30, é uma variação do alicate universal, capaz de regular a abertura das garras e trava-las na posição desejada, similar a uma morsa. Este alicate é capaz de realizar todas as funções do alicate universal, assim como girar objetos de várias formas. Uma parte do alicate de pressão, que pode variar dependendo do modelo comprado, é o formato do mordente encontrado na garra da ferramenta. FIGURA 30 – ALICATE DE PRESSÃO FONTE: . Acesso em: 19 maio 2019. 4 TORQUÍMETRO Em certos casos é necessário saber o nível de aperto realizado sobre parafusos ou porcas, de forma a verificar se estes estão condizentes com as recomendações de montagem. Apertos muito fracos podem deixar a peça solta e causar vibrações, no entanto, apertos muito fortes podem causar o surgimento de tensão e subsequentes deformações nas peças, portanto, é necessário manter o aperto em um nível balanceado; para este fim utiliza-se um equipamento chamado de torquímetro, conforme mostra a Figura 31. O torquímetro é utilizado para realização do aperto final em parafusos e porcas, gerando uma medição na escala possuída por ele. Para obter melhores resultados, é recomendado o uso de fluido lubrificante sobre a peça sendo apertada. TÓPICO 5 | FERRAMENTAS DE MANUTENÇÃO 65 NOTA O torquímetro nunca deve ser usado para afrouxar um parafuso ou porca, pois pode danificar o equipamento. Este é um equipamento sensível e deve ser tratado com bastante cuidado. FIGURA 31 – TORQUÍMETRO FONTE: . Acesso em: 19 maio 2015. Para todas as ferramentas estudadas neste tópico, você deve mantê-las em suas condições originais, evitando o aquecimento ou esmerilhamento. IMPORTANTE Durante o processo de aperto e desaperto com todas as ferramentas estudadas neste tópico, é recomendado que você aplique força na direção para si mesmo, o que mantém o melhor equilíbrio do corpo. Recomenda-se também manter todas as ferramentas em bom estado de conservação, utilizando lubrificação frequente e guardando-as em local adequado. 66 RESUMO DO TÓPICO 5 Neste tópico, você aprendeu que: • As chaves de aperto e desaperto são utilizadas para apertar e desapertar os parafusos e as porcas de um equipamento. • Existem várias formas de chaves de aperto, como chave fixa, chave estrela, entre outros, cada uma possuindo certas situações em que seu uso é recomendado. • Os alicates são usados para várias aplicações, são capazes de segurar, dobrar ou cortar peças. • Em certas situações é importante a medição do nível de aperto de uma porca ou parafuso, e neste caso, pode-se utilizar o torquímetro, que é utilizado para realização do aperto final da peça em questão. • As ferramentas de manutenção mecânica não devem ser alteradas da sua forma original, pois os elementos dos quais estas tratam são padronizados. 67 1 Dentre as ferramentas comuns de manutenção mecânica, as chaves e alicates estão entre as mais comuns. Estes tipos de ferramentas possuem muitas variações, cada uma possuindo um campo de aplicação específico. Sobre este assunto, classifique as sentenças em V para as verdadeiras e F para as falsas: ( ) As chaves de boca fixa são usadas para parafusos apertados com bastante força. ( ) A chave Allen não pode ser usada para apertos em lugares de difícil acesso. ( ) As chaves de bater são para parafusos que requerem alto esforço de aperto. ( ) Os alicates de pressão podem fixar a posição de suas garras. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) V – F – V – F. b) ( ) F – F – V – V. c) ( ) F – V – F – V. d) ( ) V – V – F – F. 2 As ferramentas de manutenção utilizadas na indústria são variadas, cada uma possuindo uma aplicação específica e recomendações para seu uso. O mantenedor deve entender a aplicação de cada ferramenta e os cuidados na sua utilização de forma a evitar acidentes que possam danificar o equipamento. Sobre este assunto, classifique as sentenças em V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) O torquímetro não deve ser utilizado para o desaperto. ( ) Deve-se sempre utilizar as duas mãos para o aperto de porcas e parafusos. ( ) Os alicates podem ser utilizados para as funções de corte e dobramento. ( ) As chaves de aperto e desaperto não são usadas para porcas e parafusos com diâmetro menor de 16mm. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) V – F – V – F. b) ( ) F – V – V – F. c) ( ) V – F – F – V. d) ( ) F – V – F – V. AUTOATIVIDADE 68 69 UNIDADE 2 MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • familiarizar-se com os equipamentos mecânicos comumente encontrados em fábricas; • investigar e determinar as causas de falhas de equipamentos; • identificar e planejar o processo de correção para as falhas identificadas; • realizar a montagem e desmontagem de manutenção dos equipamentos com os devidos cuidados. Esta unidade está dividida em seis tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – ANÁLISE DE FALHAS TÓPICO 2 – SOLDAGEM DE MANUTENÇÃO TÓPICO 3 – MANCAIS TÓPICO 4 – EIXOS E CORRENTES TÓPICO 5 – POLIAS E CORREIAS TÓPICO 6 – ENGRENAGENS E VARIADORES DE VELOCIDADE 70 71 TÓPICO 1 ANÁLISE DE FALHAS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Caro acadêmico, estamos iniciando uma nova unidade, onde você finalmente verá como é realizada a manutenção propriamente dita, e o primeiro passo para chegar a isto é a análise das falhas que ocorrem nas máquinas. Em termos gerais, as máquinas falham, pois, uma das peças que a compõem e essencial para o seu funcionamento, quebra. A dificuldade desta atividade é que muitas vezes não quebra a máquina inteira, mas apenas uma ou algumas de suas peças, e é necessário determinar qual. Qualquer peça de um equipamento pode sofrer falha, seja uma parte externa, interna, ou parte dos controles da mesma, assim, uma inspeção completa é necessária para se ter certeza das partes que requerem manutenção. Neste tópico, você irá estudar as fontes dos danos em peças, as recomendações de análise, características de peças que ajudam a determinar a forma da falha e alguns casos específicos. 2 FONTES DE FALHAS Existem várias maneiras pelas quais falhas podem surgir em peças e equipamentos; as principais são as seguintes (TELECURSO 2000, 2014): • Erros de projeto: o engenheiro que projetou a máquina utilizou especificações incorretas, resultando em uma máquina que é incapaz de exercer a função para qual foi projetada. Estes erros podem estar relacionados às dimensões da máquina, assim como em tratamentos térmicos, acabamentos superficiais, velocidade e rotação de operação, ou até mesmo pode ser que a máquina foi projetada corretamente, mas o desenho técnico foi feito incorreto. • Falhas de fabricação: refere-se a situações em que a máquina foi projetada corretamente, os desenhos foram criados corretos, mas na hora da fabricação das peças ou na montagem da máquina com as peças feitas foi cometido UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS 72 um erro, o que introduziu fraquezas ao equipamento. Estes podem ser, por exemplo, trincas, concentrações de tensões, folgas excessivas ou muito pequenas, contatos ruins, entre outros. • Instalação imprópria: causado quando o motor e a máquina que este aciona tem seu eixo conector desalinhado. Os desalinhamentos surgem devido a vários fatores, como sobrecarga do eixo, surgimento de trincas, corrosão do material ou pela fundação das máquinas estarem sujeitas a vibrações. • Manutenção imprópria: problemas que surgem na máquina com o passar do tempo e que não são tratados. Estes podem ser sujeira, que atrapalha no funcionamento, falta de lubrificação, superaquecimento da máquina que geralmente acontece pela lubrificação insuficiente, falta de reaperto nos parafusos e porcas, e imprecisões no controle de vibrações. • Operação imprópria: ocorre quando a máquinaopera em condições fora das projetadas, devido à sobrecarga, vibrações, choque mecânicos, entre outros que podem causar o rompimento da máquina. Este tipo de falha muitas vezes danifica vários componentes da máquina. Vale lembrar que mesmo nas condições normais de operação, sem que nenhum erro seja cometido, a máquina ainda irá falhar eventualmente, um fato que é inevitável. Para isto, deve-se observar seu desempenho e preparar sua manutenção para o momento mais apropriado. 3 ANÁLISE DE FALHAS A análise de falhas é um processo que permite a você determinar qual a fonte do problema que ocorreu com a máquina, consequentemente permitindo a correção deste problema para retornar a máquina ao estado de operação. No entanto. a análise de falhas possui uma segunda função, que é a de evidenciar quais erros o equipamento está sujeito ou possuía tendência a ter, assim, você pode planejar a execução da máquina, corrigindo e impedindo a ocorrência de falhas (alterando a operação) e consequentemente evitando custos. Desta forma, a análise da falha deve ser feita não apenas sobre a peça, mas sobre todo o sistema que está sendo estudado, levando em conta as cargas e condições de operação do sistema, tempo de serviço da máquina, condições prévias de manutenção e o que foi realizado pelo operador, como, por exemplo, quando foi realizada a última manutenção, quais os ajustes realizados na máquina, em quais condições de operação ocorreu a falha, quais foram os trabalhos realizados anteriormente, quem era o operador e por quanto tempo ele operou a máquina (TELECURSO 2000, 2014). TÓPICO 1 | ANÁLISE DE FALHAS 73 Após diagnosticar a causa da falha, você deve determinar se há necessidade de realizar a desmontagem da máquina. Se for necessário, deve-se desmontar apenas as partes que precisam ser corrigidas, já que a desmontagem completa é demorada e trabalhosa, além de ter um alto custo, portanto, deve ser evitada sempre que possível. Vale lembrar que todas as recomendações que você estudou na Unidade 1, quanto à montagem e desmontagem são válidas aqui. A lavagem das peças, como recomendada na Unidade 1, deve ser realizada somente após a análise das peças, do contrário pode apagar evidência que ajude a indicar o motivo de falha das peças. ATENCAO 4 FALHAS POR CONCENTRAÇÃO DE TENSÕES O principal ponto que causa as falhas das peças são os chamados pontos de concentração de tensão, que ocorrem perto de cantos agudos da peça. Estes cantos agudos, também chamados de cantos vivos, podem existir devido a um projeto mal realizado ou especificações incorretas, tornando-se o ponto crítico do objeto. A Figura 1 contém um exemplo no qual você pode observar este conceito de concentração de tensões. Na figura, você pode ver uma placa que está apoiada em dois apoios no lado direito e sendo puxado do lado esquerdo. Esta placa possui um furo no centro, onde você pode ver que as tensões na região próxima ao furo são mais altas que em outros pontos. Outros locais de concentração de tensões ficam na região dos apoios e na região do carregamento, devido aos ângulos agudos presentes nestes pontos. Outro fator que causa o aumento das tensões é a variação da seção transversal da peça. Você pode analisar este efeito na mesma Figura 1: observe a altura vertical em y que a peça possui em várias posições no eixo x; no centro da peça esta altura é menor por que o furo é espaço vazio. Isto significa que esta região possui uma menor área para resistir à mesma tensão. Realmente, você pode ver que as tensões na linha vertical no centro da peça são, em média, maiores do que em outros pontos. UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS 74 FIGURA 1 – CONCENTRAÇÃO DE TENSÕES FONTE: . Acesso em: 21 maio 2019. Em casos em que existam cantos vivos como estes, sugere-se fortemente a suavização deles, o que é benéfico em quase todos os casos, causando a diminuição das tensões nestes pontos. Note que em alguns casos uma suavização excessiva também pode ser prejudicial, como no caso de peças em contato na parte suavizada, pois pode causar a geração de trincas na região inteira. Um exemplo disto são eixos em rotação em contato com outra peça, conforme a Figura 2. Neste caso, surge uma trinca a partir do ponto de contato. FIGURA 2 – TRINCAS DEVIDO Á SUAVIZAÇÃO EXCESSIVA FONTE: O autor Muitas vezes, o engenheiro irá levar em consideração a existência destas concentrações de tensão e projetar a peça utilizando estas tensões elevadas nos cálculos do projeto. Quando existem concentrações de tensões que não foram consideradas pelo projetista, podemos dizer que há falha de projeto. TÓPICO 1 | ANÁLISE DE FALHAS 75 5 ANÁLISE DE FALHAS EM DIVERSOS COMPONENTES MECÂNICOS Um dos principais elementos mecânicos utilizados são os cabos de aço, que são usados frequentemente em pontes ou para sustentar grandes pesos, possuindo ampla aplicação. No entanto, estes cabos têm uma variedade de forma através das quais eles podem falhar. Afortunadamente, cada um destes casos costuma ser bem característico, e pode-se ter uma ideia do motivo por que acontecem e, assim, planejar os cuidados no uso de cabos de aço de forma a evitar estas falhas. A Figura 3 mostra um exemplo de falha que é devido à quebra dos fios externos do cabo. Esta quebra pode ocorrer por uma variedade de fatores, como a corrosão do fio, uso de polias muito pequenas ou uso por tempo excessivo além da vida útil do cabo. A lubrificação dos cabos pode ser realizada para evitar a sua corrosão. Para casos de polias muito pequenas, basta trocar a polia. Por outro lado, se a vida útil do cabo é o problema, a solução é a substituição do cabo de aço velho por um novo. FIGURA 3 – CABO DE AÇO COM QUEBRA DE FIOS EXTERNOS FONTE: . Acesso em: 22 maio 2019. UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS 76 Em algumas situações o cabo pode se romper completamente, o que geralmente indica que o problema é carga excessiva. Nesta situação, deve-se utilizar um cabo mais forte ou um número maior de cabos que possam dividir o peso. Outro erro que os cabos de aço podem apresentar é o chamado de “gaiola de passarinho,” isto ocorre quando o cabo é puxado com força e em seguida relaxado bruscamente, resultando em um cabo danificado. Para evitar que isto ocorra, o operador deve ser treinado para operar com cabos de aço. Você pode observar um exemplo deste tipo de falha no cabo na Figura 4. FIGURA 4 – FALHA DE CABO DE AÇO “GAIOLA DE PASSARINHO” FONTE: O autor O cabo pode sofrer amassamento caso seja puxado sobre a quina das canaletas da polia, ou quando ocorre cruzamento de cabos. Para evitar, você deve cuidar para que o cabo seja enrolado corretamente. A ondulação dos cabos é um fenômeno que ocorre quando a fixação do cabo foi feita de maneira incorreta, ou a alma do cabo foi rompida, o que causa o deslizamento das pernas do cabo. Por este motivo, a fixação do cabo deverá ser corrigida. NOTA Em resumo, os cabos de aço, quando em serviço, podem apresentar diversos defeitos, tais como: rompimento, “gaiola de passarinho”, amassamento, quebras de fios externos e ondulações. Outro componente em que é comum concentrar falhas é a chaveta, dispositivo que conecta dois elementos para transmissão de forças, garantindo que estes se movam juntos, como pode ser visto na Figura 5. Na substituição de chavetas, deve-se ter cuidado quanto ao acabamento superficial e ao arredondamento dos cantos, que precisam estar de acordo com a peça a qual a chaveta conecta. TÓPICO 1 | ANÁLISE DE FALHAS 77 FIGURA 5 – CHAVETA CONECTANDO EIXO E PINHÃO Fonte: O autor As chavetas sofrem esforços cisalhantes devido à rotação das peças ao seu redor, como você pode observar na Figura 6(a), o que tende a causar trincas nas duas peças. Neste caso, o eixo possui uma rotação, que está sendo transmitida para o componente ao redor, mas quem deve suportar os esforços para movimentar este componenteé a chaveta, resultando em altas tensões nesta peça. Devido a estes esforços existe o risco da quebra da chaveta, que deve ser ajustada nas direções horizontal e vertical, precisamente, para que se evite este perigo. Outra forma de falha que pode acontecer é o surgimento de trincas nos elementos em rotação, conforme mostra a Figura 6(b). Este efeito acontece quando a suavização dos cantos do rasgo, e da chaveta, são feitas de forma inadequada. Para evitar essas trincas, os cantos da chaveta devem ser um pouco maiores do que os cantos do rasgo. FIGURA 6 – (A) ESFORÇOS EM UMA CHAVETA E (B) TRINCAMENTO NA REGIÃO DA CHAVETA FONTE: O autor UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS 78 Outro componente mecânico que merece atenção é a mola, elemento que, em boas condições de cuidado, deve funcionar por um longo tempo, mas, com um mal manuseio as molas podem apresentar três principais danos: (i) quebra, (ii) fl ambagem e (iii) amolecimento. A primeira forma é simplesmente chamada de quebra, ocorre quando a mola foi fl exionada ou torcionada excessivamente, resultando no rompimento. A solução para este problema é posicionar um encosto que impeça que a mola se movimente além do limite para a qual for projetada. Em seguida existe a fl ambagem de molas, um fenômeno que ocorre em molas muito longas que causam deformações para o lado quando pressionadas. A solução para o problema é a instalação de guias, internas ou externas, que impeçam que as molas realizem este movimento. A Figura 7 contém um exemplo de fl ambagem em molas, onde você pode ver a mola em posição normal na fi gura à esquerda, e na fi gura à direita, deformada para o lado, após aplicação de força. Já o amolecimento da mola é causado por fl exão excessiva ou por aquecimento da mola acima da sua temperatura normal de operação. Para evitar este problema, diminui-se a frequência de uso da mola ou instala-se uma mola dupla. FIGURA 7 – MOLA EM FLAMBAGEM No caso de quebra de uma mola, o conserto é muitas vezes impossível. É mais conveniente a troca da mola quebrada. Apenas na situação em que a quebra ocorreu nas pontas da mola este conserto é possível, o que é realizado utilizando a soldagem aplicada nestas pontas. FORÇA 79 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu que: • As falhas das máquinas possuem muitas origens possíveis, sendo provenientes desde erro de projetos causados pelo engenheiro projetista até erros de operação, causado pelo mal manuseio por parte do operador. • A análise dos danos é um dos primeiros passos que deve ser feito na manutenção, e serve não apenas para determinar as ações corretivas que devem ser tomadas como também para planejar de forma a evitar erros futuros. • Um dos modos de falha mais comuns é devido às concentrações de tensão ocorrendo em cantos vivos na peça. • Os cabos de aço são componentes mecânicos que apresentam várias formas de falha características: rompimento, gaiola de passarinho, amassamento, quebra dos fios externos ou ondulação. • Outro componente em que é comum concentrar falhas é a chaveta, que se não for bem ajustada e seus cantos vivos chanfrados apropriadamente poderá causar quebra da chaveta ou rompimento dos eixos. • As molas também são componentes que costumam falhar, em consequência da quebra, flambagem ou amolecimento da mola. 80 AUTOATIVIDADE 1 A concentração de tensões é uma das principais causas de falha de peças mecânicas sob carregamento, sendo necessário que o projetista tenha em mente para controlar esta falha, e que o mantenedor a conheça para identificá-la. Com base nisto, identifique os pontos em que existe risco de concentração de tensão no eixo circular em rotação da Figura. FIGURA - EIXO EM ROTAÇÃO FONTE: O autor 2 O conhecimento dos modos de falha dos vários equipamentos de engenharia é essencial para o trabalho do mantenedor, pois, muitas vezes, estes modos de falha podem indicar o motivo da ocorrência do problema, permitindo que o mantenedor a corrija e planeje para melhorar o equipamento para o futuro. Sobre este assunto, classifique as sentenças em V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) A quebra dos fios externos de cabo de aço pode ocorrer devido à corrosão. ( ) A má suavização de seus cantos costuma causar o surgimento de trincas na chaveta. ( ) O efeito de gaiola de passarinho ocorre quando o cabo é esticado indevidamente. ( ) A flambagem ocorre principalmente em molas de comprimento longo. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) V – F – V – F. b) ( ) F – V – V – F. c) ( ) V – F – F – V. d) ( ) F – V – F – V. 3 Para cada equipamento, e modo de falha, existe uma resposta apropriada de manutenção, levando em conta o custo de reparo e de reposição para determinar o que é mais eficiente, ou determinando as ações preventivas 81 que devem ser tomadas, de forma a evitar que o erro surja no equipamento. Sobre este assunto, classifique as sentenças em V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) Para evitar trincas, os cantos das chavetas devem ser suavizados, iguais aos do rasgo. ( ) A corrosão dos fios de aço pode ser corrigida utilizando lubrificação. ( ) No caso de quebra de uma mola, costuma-se, simplesmente, trocá-la. ( ) A flambagem de molas pode ser evitada com a instalação de guias. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) F – F – V – V. b) ( ) F – V – V – F. c) ( ) V – F – F – V. d) ( ) V – V – F – F. 82 83 TÓPICO 2 SOLDAGEM DE MANUTENÇÃO UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Quando ocorre a quebra de equipamentos, a reposição ou troca das partes quebradas, muitas vezes, pode ser difícil para a empresa, seja pelo custo elevado ou pelo tempo de produção e entrega do fabricante, ou, muitas vezes, as peças quebradas podem não ser mais produzidas. São situações como esta que fazem com que processos que possam estender a vida útil das peças já existentes sejam importantes, pois costumam ser mais econômicos e mais rápidos, economizando a quantidade de tempo perdido em parada. Um dos processos mais utilizados para a manutenção de peças danificadas é o processo de soldagem de manutenção, que é capaz de realizar este papel com grande rapidez e eficiência para a empresa. Neste tópico, você estudará as características deste tipo de soldagem, as situações em que esta é aplicável, os procedimentos de realização e os cuidados necessários para garantir uma soldagem efetiva. 2 CARACTERÍSTICAS A soldagem de manutenção é um processo com características distintas da soldagem utilizada para a produção de peças, principalmente no que se trata das restrições impostas sobre cada processo. Na soldagem de produção, é possível realizar um preparo e planejamento extenso, determinando as condições ideais para a realização da soldagem, e permitindo tempo para que sejam feitos verificações e testes do produto utilizando corpos de prova para verificar a eficiência do processo. Já a soldagem de manutenção é diferente, pois não é planejada, devendo ser realizada com certa pressa, de forma a minimizar o tempo e parada da produção. Isto significa que a forma da soldagem é determinada com um estudo mais simples e, geralmente, não são realizados testes com corpos de prova para determinar o sucesso, apenas se busca colocar a máquina de volta em operação. UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS 84 A Figura 8 mostra um exemplo de soldagem de manutenção, onde você pode observar uma tubulação de água quebrada sendo soldada de forma a conectar, novamente, as partes rompidas do tubo. FIGURA 8 – SOLDAGEM DE MANUTENÇÃO DE UMA TUBULAÇÃO FONTE: . Acesso em: 26 maio 2019. O processo da soldagem de manutenção divide-se em três principais: análise de falha, planejamento de execução e os procedimentos, os quais se dividem em um número de etapas menores (TELECURSO 2000, 2014). A análise de falha começa por observar o local onde ocorreu a falha, buscando determinar o motivo desta ter ocorrido, que pode ser, porfratura, corrosão do material ou desgaste. Observa-se, também, nesta etapa, quais são os materiais envolvidos, este reconhecimento pode realizar-se por meio de análise química ou ensaio de dureza. Além disso são analisadas as condições de operação do processo, o que pode ser a temperatura de serviço, as forças e velocidades envolvidas, entre outras. Por último, nesta etapa, analisa-se as condições do material, percebendo encruamento, recozimento etc. Na segunda etapa, denominada planejamento de execução, determina-se o processo de soldagem e metal de adição que se deseja adicionar, levando em conta os resultados da análise da etapa anterior. Deve-se determinar, também, se TÓPICO 2 | SOLDAGEM DE MANUTENÇÃO 85 são necessários outros processos para a recuperação da peça além da soldagem, como pré-usinagem, tratamento térmico, deformação, entre outros. O objetivo destes seria de eliminar a fonte que originalmente causou a quebra, além de restaurar o funcionamento da peça. A terceira etapa dos procedimentos de soldagem, dependerá da forma da falha, que pode ser dividida em dois grupos principais: fraturas ou trincas e desgaste ou corrosão. Para o caso em que o problema ocorreu devido à fratura ou trinca, o processo inicia-se determinando o local onde ocorreu a fratura ou trinca, identificando o material da peça no local e, especialmente, determinando a dureza dele. Em seguida deve-se preparar a região para a soldagem, tornando-a acessível e limpando qualquer sujeira ou líquidos como óleo e graxas. Logo, você deve determinar o tipo de soldagem a ser realizado e o metal a ser adicionado, assim como as especificações do processo, como temperatura e tratamento térmico. Você também deve determinar a sequência da soldagem, o que pode afetar as tensões internas da peça. Caso seja necessária uma usinagem posterior para melhorar o acabamento, você deve incluir um sobremetal na soldagem. Ao final, é necessário, muitas vezes, realizar testes para verificar a qualidade da soldagem, possivelmente utilizando um ensaio com líquido penetrante, o que serve para determinar se a trinca ou fratura foi completamente eliminada. Para o caso de falha por desgaste ou corrosão, você inicia o processo localizando a região em que o desgaste ou a corrosão ocorreram. Para identificar adequadamente a superfície a ser recuperada, podem ser utilizadas as técnicas de esmerilhamento e usinagem. Um ensaio com líquido penetrante pode ser realizado para determinar se a região desgastada possui algo que possa atrapalhar na soldagem. Novamente, você deve limpar a região para retirar impurezas, e, em seguida, determinar o processo e as especificações. Para o caso em que a falha ocorreu devido à corrosão é importante escolher um metal de adição que possa suportar as condições químicas do meio em que este irá trabalhar. Ao final, novamente, costuma-se realizar um ensaio para determinar se a soldagem foi realizada adequadamente. 3 TIPOS DE FALHAS Como você já viu, as falhas que levam à necessidade da soldagem são de quatro tipos principais: fraturas, trincas, desgaste e corrosão. Para cada um destes tipos de falha existem causas prováveis que devem ser entendidas e tratadas. UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS 86 No caso de fraturas ou trincas, as falhas costumam acontecer por um de dois motivos: Carregamentos altos ou falha por fadiga, que ocorre devido a carregamento cíclicos no equipamento. Para carregamentos altos, a falha manifesta-se quando as forças sobre as peças são acima daquelas da tensão de ruptura, o que causa o rompimento. Já na falha por fadiga, o problema ocorre mesmo abaixo da tensão de ruptura, ocorrendo quando uma tensão menor é repetida muitas vezes durante a vida útil da máquina. Estas tensões cíclicas são comuns em máquinas com rotação alta ou vibrações. No caso de corrosão, esta ocorre devido a fatores externos ao material da peça, que pode ser umidade, temperatura, reação com metais adjacentes, acidez, entre outros. O método para evitar a ocorrência da corrosão é o revestimento do material da peça com um metal de solda que não reage com o ambiente em questão. No caso de desgaste, este mesmo pode ser dividido em quatro formas: abrasão, impacto, erosão e cavitação. Para a abrasão, o desgaste ocorre quando há superfície deslizando uma sobre a outra, o que causa danos superficiais que se acumulam com o passar do tempo. Este é tratado utilizando soldagem com um material de adição que é mais duro e, portanto, mais resistente ao desgaste. A exceção é quando se utilizam camadas muito espessas de soldagem, onde é melhor utilizar um material dúctil, o que servirá como amortecimento para a superfície. Para o impacto, este acontece quando ocorrem batidas entre peças, o que causa deformações e fraturas. Neste caso, novamente, deve-se usar um material de adição dúctil, que possui alta tenacidade, de forma a absorver impactos. A erosão ocorre devido às partículas sólidas ou líquidas que viajam através de um meio fluido, colidindo com a superfície da peça e causando danos que se acumulam com o tempo. Para este problema, utiliza-se um metal de adição que possui alta dureza. A cavitação é um fenômeno que se manifesta quando existe variações cíclicas de pressão sobre uma superfície, o que ocorre comumente em pás de turbinas, bombas e compressores, produzindo pequenas cavidades sobre a superfície da peça. Para este caso, utiliza-se revestimento de ligas com 13% de cromo. TÓPICO 2 | SOLDAGEM DE MANUTENÇÃO 87 Apesar de a soldagem de manutenção escolher um material de adição apropriado, deve-se lembrar que o material original, que falhou anteriormente, ainda estará ali, e mais, este será afetado pelo aquecimento do processo de soldagem, gerando a chamada zona termicamente afetada (ZTA). As condições de resistência desta zona podem variar, dependendo do metal original e do processo de soldagem. ATENCAO 4 ELEMENTOS DE LIGA Os materiais de adição utilizados na soldagem podem ser com vários diferentes elementos de liga, que possuem suas próprias aplicações e efeitos sobre o produto. Os principais elementos de liga utilizados são (TELECURSO 2000, 2014): • Carbono: aumenta a dureza e a resistência, mas dificulta os processos de soldagem, usinagem e forjamento. • Cobalto: aumenta a dureza e a resistência à tração, também resistindo ao calor, revenimento e à corrosão. • Cromo: aumento da resistência ao calor, à tração, escamação, oxidação e abrasão. Quando em quantidades acima de 11% de cromo, estas ligas podem formar o aço inoxidável. • Manganês: estes aços, quando contém entre 12% e 14% de cromo, possuem alta resistência à abrasão. • Molibdênio: estas ligas possuem grande resistência à temperatura. • Níquel: estas ligas proporcionam um aumento da tenacidade do aço, assim como um aumento do limite de escoamento. • Tungstênio: estas ligas possuem maior dureza, resistência à tração e resistência à temperatura. • Vanádio: alta resistência a temperatura. UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS 88 5 TÉCNICAS DE SOLDAGEM Existem diversas técnicas que podem ser utilizadas para facilitar ou aumentar a efetividade dos processos de soldagem que você estudou até este ponto. Um exemplo é a detecção e furação das extremidades de trincas em peças de ferro fundido. Para a identificação, utiliza-se um ensaio de líquido penetrante, onde um líquido de limpeza é posto na peça e aguarda-se até o líquido penetrar completamente. Em seguida, adiciona-se um segundo líquido que irá reagir com o primeiro, tornando-o fácil de visualizar, permitindo que você enxergue bem a trinca. Para evitar que as trincas se propaguem durante o reparo por soldagem, é necessário aliviar as tensões nas pontas, algo que pode ser realizado fazendo furos nas duas pontas, como você pode observar na Figura 9, sendo que estes costumam ser feitos com brocas de 7 a 10mm de diâmetro. FIGURA 9 – FURAÇÃO DAS EXTREMIDADES DE UMA TRINCA FONTE:O autor Uma técnica utilizada para melhorar a distribuição de tensões durante a soldagem é a chamada goivagem, que consiste na chanfragem do local onde será feita a soldagem do material da peça. Este processo também permite uma soldagem com ausência de porosidade, escórias, óleo ou areia, pois, durante a goivagem com eletrodo de corte, todas estas substâncias irão sofrer combustão. Em casos em que a estabilidade do material e aderência do chanfro estão ruins, você pode utilizar uma técnica chamada de amanteigamento, que consiste em depositar uma camada de revestimento sobre o chanfro feito na goivagem. Esta camada pode ser a base de ferro ou de bronze-alumínio. Se um metal a base de ferro for utilizado, o metal de adição da solda deverá ser de níquel ou níquel-ferro. TÓPICO 2 | SOLDAGEM DE MANUTENÇÃO 89 Você pode observar um exemplo de goivagem na Figura 10, que mostra os chanfros criados em uma peça metálica, na qual foi realizado o amanteigamento com uma adição à base de ferro e uma soldagem subsequente à base de níquel. FIGURA 10 – GOIVAGEM FONTE: O autor Existe a possibilidade de que a solda gere calor excessivo no metal em que é realizada. Este problema é resolvido alterando a ordem de soldagem da região que se deseja soldar, que deve ser alternada para permitir tempo para que o material se resfrie. Este cuidado serve para diminuir as deformações na peça, assim como as tensões durante o processo de soldagem que elas causam. Na Figura 11 é mostrado um exemplo de ordem de soldagem. A soldagem que deve ser feita entre os dois pontos marcados A e B é realizada de acordo com a numeração mostrada, sempre na direção apontada. Como regra geral, o comprimento de cada seção não deve passar de 30mm, que deve ser realizado com um eletrodo de baixo diâmetro e com uma velocidade alta para evitar acumular muito calor em um ponto. Quando o objetivo da solda é de evitar o vazamento através da peça, não é necessário soldar até o fundo da espessura da peça; uma solda que atravessa apenas 70% da seção a ser soldada será o suficiente para este propósito. FIGURA 11 – ORDEM DE SOLDAGEM FONTE: O autor UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS 90 Em algumas situações, é desejável aliviar as concentrações de tensões no cordão de solda para evitar deformações na peça após a soldagem. Isto pode ser realizado através do martelamento do próprio cordão. Antes de realizar a soldagem, é recomendável um preaquecimento de 200ᵒC da peça, o que serve para reduzir as tensões na mesma, garantindo uma soldagem de melhor qualidade próximo às trincas. 91 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • A soldagem de manutenção é diferente da soldagem de produção, especificamente quanto ao planejamento dos dois tipos. • A soldagem de manutenção divide-se em três etapas: análise da falha, planejamento de execução e procedimentos. • As falhas das quais a soldagem de manutenção pode tratar são de quatro tipos principais: fraturas, trincas, desgaste e corrosão. • Para cada forma de falha, existem procedimentos e condições de soldagem específicos para tratar do problema. • As propriedades do metal de adição variam com os elementos de liga utilizados, alguns elementos são mais apropriados para certas funções. • Algumas técnicas podem ser utilizadas para melhorar a qualidade da soldagem, como a furação das extremidades de trincas, a goivagem ou o martelamento do cordão de solda. • A soldagem deve ser feita a baixa velocidade e em seções alternadas de até 30mm para evitar o sobreaquecimento da peça. 92 AUTOATIVIDADE 1 Os equipamentos mecânicos podem sofrer falha devido a uma variedade de causas, cada uma deixando marcas características, que o engenheiro poderá utilizar para identificá-las. Para cada umas destas possíveis falhas, existe uma forma de soldagem que permite a realização de um reparo do material. Relacione as colunas indicando os tipos de falhas com a soldagem apropriada de acordo com o código a seguir. (1) Impacto. (2) Abrasão. (3) Cavitação. (4) Corrosão. ( ) Soldagem com material de adição contendo 13% de cromo. ( ) Soldagem com material de adição apropriado ao meio. ( ) Soldagem com material de adição altamente tenaz. ( ) Soldagem com material de adição altamente duro. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) 4 – 2 – 3 – 1. b) ( ) 4 – 3 – 1 – 2. c) ( ) 3 – 1 – 2 – 4. d) ( ) 3 – 4 – 1 – 2. 2 A soldagem de manutenção apresenta certas dificuldades, dependendo da situação que podem dificultar o processo, e gerar erros no resultado. Para tratar destes, existem técnicas que auxiliam a soldagem, permitindo solucionar estes problemas, gerando uma maior qualidade do produto. Sobre este assunto, classifique as sentenças em V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) A furação das extremidades da trinca é feita para impedir que se propague. ( ) A goivagem é uma camada de revestimento sobre os chanfros da região de soldagem. ( ) O martelamento do cordão de soldagem serve para evitar deformações ao final da soldagem. ( ) O preaquecimento da peça serve para expandir a trinca, facilitando a visualização. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) F – V – V – F. b) ( ) V – F – V – F. c) ( ) V – F – F – V. d) ( ) F – V – F –V. 93 TÓPICO 3 MANCAIS UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Uma necessidade em muitos equipamentos e máquinas é um suporte para eixos que permita que este gire livremente, sem que o resto da máquina gire junto. As peças que permitem isto são chamadas de mancais. Existem dois tipos principais de mancais: os mancais de rolamento e os mancais de deslizamento. Cada um dos dois tipos possui modos de falha distintos e requerem uma manutenção específica. É importante que você, acadêmico, seja capaz de identificar qual tipo de mancal e quais as medidas que devem ser tomadas para a solução de algum possível erro. Neste tópico, você irá estudar as definições de mancal de rolamento e mancal de deslizamento, as inspeções que devem ser realizadas, detecção e reconhecimento das falhas destes e as etapas de manutenção necessárias para a correção dos problemas para cada caso e tipo de mancal. 2 MANCAIS DE ROLAMENTO Os mancais de rolamento são caracterizados por possuírem esferas ou rolos cilíndricos dentro deles, que existem entre duas superfícies. Quando uma superfície gira, as esferas ou cilindros no interior da peça irão girar junto, o que faz com que a superfície oposta se mantenha estática. A Figura 12 mostra um exemplo de mancal de rolamento. Os mancais possuem duas funções primárias, posicionar as duas peças corretamente alinhadas, o que diminui o desgaste, assim como minimizar o atrito durante a rotação (OWEN, 1992). 94 UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS FIGURA 12 – MANCAL FONTE: . Acesso em: 29 maio 2019. Na Figura 13, você pode observar uma vista lateral de um conjunto de rolamentos. Perceba as esferas de aço entre as partes interna e externa do rolamento, que significam que este é um mancal de rolamento de esferas. Note também o furo central, onde um eixo pode se encaixar, enquanto que a superfície mais externa pode encaixar dentro de um furo cilíndrico. FIGURA 13 – CONJUNTO DE MANCAIS DE ROLAMENTO FONTE: . Acesso em: 28 maio 2019. As principais vantagens dos mancais de rolamento, são a baixa variação do seu coeficiente de atrito, permitindo uma partida e parada mais fácil, assim como menor necessidade de lubrificação para o seu funcionamento, comparado com os mancais de deslizamento (BENTO; FERRUS, 2018). Quanto à forma dos elementos, os rolamentos de esferas são utilizados para cargas mais leves, como as de bicicletas, devido a uma menor superfície de apoio, enquanto os rolamentos de rolo são utilizados para cargas pesadas, como aquelas encontradas em caminhões. Para carregamentos médios, como encontrados em carros, ambos os tipos de rolamentos podem ser utilizados.TÓPICO 3 | MANCAIS 95 Existem três formas gerais de rolamento: axiais, radiais e mistos. Os rolamentos axiais são aqueles que suportam carregamentos na direção radial, impedindo que o eixo se mova para os lados, como nos rolamentos da Figura 13. Já os rolamentos axiais impedem que o eixo se mova para frente e para trás na direção do seu comprimento, suportando cargas nesta direção. Os rolamentos mistos suportam cargas em ambas as direções e fixam a posição do eixo de ambas as formas. Existem dois processos bastante simples para verificar a condição dos rolamentos, como, por exemplo, tato e audição. Para o processo de tato, você deve girar o rolamento com a mão, observando se este apresenta resistência ao girar, o que indicaria um problema. Pode-se também perceber, desta forma, se o rolamento está desbalanceado. Outra utilidade do método do tato é para detectar se a temperatura do rolamento está elevada, o que indica que este está sofrendo mais atrito do que o normal. A verificação da temperatura também pode ser feita com equipamento mais especializado, como termômetros e leitor infravermelho, já que são mais precisos. Vale notar que até um certo ponto é normal o aumento da temperatura do rolamento, então é bom inspecionar com frequência para determinar se o problema está piorando. Uma temperatura de rolamento elevada pode indicar vários possíveis problemas, incluindo falha de lubrificação, que pode ser excessiva ou insuficiente, desgaste do material, sujeira interna, carregamento excessivo, folgas inadequadas ou calor de fonte externa. O outro método de verificação é o auditivo, no qual você deve usar o rolamento com uma rotação baixa e ouvir se detecta algum tipo de ruído. Se for detectado um som de zumbido, isto indicará sujeira no rolamento. Sons de barulho estrondoso indicam que ocorreram danos ou desgaste no rolamento. Já sons de silvo indicam folga inadequada ou lubrificação insuficiente. Este processo é facilitado utilizando um equipamento para melhor ouvir o barulho, como um estetoscópio. Uma técnica barata comumente usada é colocar uma chave de fenda, ou mesmo um bastão, sobre o mancal e colocar o ouvido na outra ponta, já que o som viaja bem por estes meios sólidos. A inspeção de rolamentos deve ser feita em ocasião para evitar falha. A primeira etapa desta inspeção é o desligamento da máquina, parando a rotação no mancal. Em seguida, as superfícies externas devem ser bem limpas para evitar problemas. Ao abrir a máquina, uma das etapas de inspeção é verificar a condição do lubrificante. Um método é tocando no mesmo e esfregando entre os dedos, o que pode ser usado para detectar a presença de impurezas. 96 UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS A desmontagem do rolamento, às vezes, é necessária para verificar a sua condição real. Para isto, existem diversas recomendações, que dependem muito do tipo de rolamento do qual se trata. Para rolamentos axiais, a ferramenta mais adequada é o saca-polias (Figura 14), cujas garras podem segurar sobre o anel interno, ou, se não for possível, o externo, do rolamento. É importante você girar o saca-polias quando retira o rolamento, o que permite uma distribuição de forças balanceada. FIGURA 14 – SACA-POLIAS NO PROCESSO DE DESMONTAGEM FONTE: . Acesso em: 16 jun. 2019. Em seguida deve-se lavar e secar o rolamento. Durante esta etapa é possível verificar a condição do rolamento externamente, sem necessitar desmontá-lo. Para a lavagem utiliza-se pincel molhado no querosene, enquanto que para a secagem você pode utilizar um pano ou ar comprimido. IMPORTANTE Você nunca deve lavar rolamentos blindados, isto é, rolamentos que possuem duas placas de proteção. TÓPICO 3 | MANCAIS 97 Outra opção, se não houver saca-polias, é a utilização de uma punção de ferro, que pode ser aplicado abaixo da face do anel interno, e o rolamento é então empurrado. Note que em hipótese alguma você deve martelar este tipo de rolamento para tentar tirá-lo, pois isto pode danificar o próprio ou o eixo. Para a subsequente montagem, esta deve ser realizada com cuidadosa limpeza e lubrificação, novamente utilizando a ferramenta apropriada para cada caso, verificando sempre as dimensões de encaixe do rolamento e a ordem de montagem do equipamento. Em alguns casos, especialmente com rolamentos maiores, pode ser necessário aquecê-lo até 100ᵒC a 200ᵒC para que estes se expandam e fiquem mais fáceis de posicionar sobre o eixo. Isto não deve ser feito para rolamentos que possuem lubrificação permanente. Neste caso, é recomendável resfriar o eixo ao invés de aquecer. 2.1 FALHAS EM ROLAMENTOS Para cada forma de problema que pode causar a quebra dos rolamentos, seja de lubrificação, desgaste, mal manuseio, entre outras, existem características que permitem a você identificá-las. Existem duas subdivisões de modos de falha: falhas em estágio primário e falhas em estágio secundário. As falhas em estágio primário diminuem a performance do rolamento e podem gerar falhas em estágio secundário, que levam à quebra completa do rolamento. Como exemplos de falhas de estágio primário, podemos citar desgaste, corrosão, arranhões, deterioração das superfícies, ou dano gerado por corrente elétrica. Já como exemplo de falhas em segundo estágio, estas se resumem basicamente a descascamento e trincas. As principais formas de dano que podem ocorrer são (TELECURSO 2000, 2014): • Desgaste: ocorre desgaste da superfície, devido à lubrificação insuficiente. Este problema pode ser corrigido verificando o lubrificante. • Desgaste por vibrações: surgem depressões nas pistas do rolamento, em consequência das vibrações quando o rolamento esteve parado. Para correção, você deve tomar cuidados quando o rolamento for parado, travando-o com uma carga radial e posicionando-o sobre uma base amortecedora. Rolamentos de esferas e lubrificação a óleo podem diminuir estes problemas. • Endentações: endentações nas pistas de rolamento, que podem ocorrer devido à aplicação incorreta de pressão na hora da montagem do rolamento, 98 UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS deslocamento excessivo ou sobrecarga quando o rolamento estiver parado. O método de correção é seguir as etapas de montagem com cuidado, aplicando pressão ao anel de interferência. Se necessário, deve-se trocar para um rolamento que suporta maior carga. • Arranhamento de topo de rolo e flange: arranhamento com coloração distinta, ocorre devido ao rolamento escorregar por causa de cargas axiais e baixa lubrificação. A correção é feita melhorando a lubrificação. • Arranhamento das superfícies externas: danos e descoramento do anel exterior ou do furo, que acontecem por efeito de o anel girar em relação ao eixo interno ou ao externo. Você pode corrigir este problema selecionando um rolamento com maior interferência. • Deterioração das superfícies: esta forma de dano só é visível em estágios mais avançados, quando crateras rasas se formam na superfície. Isto ocorre graças à lubrificação insuficiente. • Corrosão por ferrugem profunda: surgem marcas escuras ou cinzentas na pista de rolamento, geralmente espaçadas em proporção com o espaçamento dos rolantes. Isto ocorre devido à presença de substâncias corrosivas ou água no rolamento por períodos extensos. A correção pode ser feita através de uma melhor vedação ou utilizando um líquido lubrificante que neutraliza o agente corrosivo. • Corrosão de contato: surge ferrugem nas superfícies externas ou no furo do interno. Ocorre por causa de um ajuste com folga excessiva ou erros de forma no assento. • Danos por corrente elétrica: surgimento de estrias ou ondas de cor marrom ou preto. Podem haver também queimaduras pequenas nas pistas e nos corpos rolantes. Isto ocorre devido à passagem de corrente elétrica sobre o rolamento, que pode acontecer tanto durante a operação quanto parado. Para corrigir deve-se localizar a fonte da corrente elétrica e garantir que esta41 3 TÉCNICAS DE DESMONTAGEM ................................................................................................... 44 4 MONTAGEM DE EQUIPAMENTOS MECÂNICOS .................................................................... 47 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 50 RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................................................ 51 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 52 TÓPICO 5 – FERRAMENTAS DE MANUTENÇÃO ........................................................................ 55 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 55 2 CHAVES DE APERTO E DESAPERTO ............................................................................................ 55 3 ALICATES .............................................................................................................................................. 63 4 TORQUÍMETRO .................................................................................................................................. 64 suMário VIII RESUMO DO TÓPICO 5........................................................................................................................ 66 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 67 UNIDADE 2 – MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS ........................................................... 69 TÓPICO 1 – ANÁLISE DE FALHAS .................................................................................................... 71 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 71 2 FONTES DE FALHAS .......................................................................................................................... 71 3 ANÁLISE DE FALHAS ........................................................................................................................ 72 4 FALHAS POR CONCENTRAÇÃO DE TENSÕES......................................................................... 73 5 ANÁLISE DE FALHAS EM DIVERSOS COMPONENTES MECÂNICOS .............................. 75 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 79 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 80 TÓPICO 2 – SOLDAGEM DE MANUTENÇÃO 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 83 2 CARACTERÍSTICAS ........................................................................................................................... 83 3 TIPOS DE FALHAS ............................................................................................................................. 85 4 ELEMENTOS DE LIGA ...................................................................................................................... 87 5 TÉCNICAS DE SOLDAGEM ............................................................................................................ 88 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 91 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 92 TÓPICO 3 – MANCAIS .......................................................................................................................... 93 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 93 2 MANCAIS DE ROLAMENTO .......................................................................................................... 93 2.1 FALHAS EM ROLAMENTOS ....................................................................................................... 97 3 MANCAIS DE DESLIZAMENTO .................................................................................................... 100 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 102 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 103 TÓPICO 4 – EIXOS E CORRENTES .................................................................................................... 105 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 105 2 EIXOS ...................................................................................................................................................... 105 3 CORRENTES ......................................................................................................................................... 108 RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................................................ 111 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 112 TÓPICO 5 – POLIAS E CORREIAS ..................................................................................................... 113 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 113 2 POLIAS ................................................................................................................................................... 113 4 FORMAS DE DANOS NAS CORREIAS ......................................................................................... 117 RESUMO DO TÓPICO 5........................................................................................................................ 118 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 119 TÓPICO 6 – ENGRENAGENS E VARIADORES DE VELOCIDADE .......................................... 121 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 121 2 TIPOS DE VARIADORES DE VELOCIDADE ............................................................................... 121 3 MANUTENÇÃO DE VARIADORES DE VELOCIDADE ............................................................ 124 4 FALHAS EM ENGRENAGENS ......................................................................................................... 125 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 128 RESUMO DO TÓPICO 6........................................................................................................................ 132 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 133 IX UNIDADE 3 – MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS ................................................... 135 TÓPICO 1 – SISTEMAS DE VEDAÇÃO ............................................................................................ 137 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................................................não passará mais pelo rolamento. • Descascamento causado por corrosão: acontece por ação de uma corrosão profunda, havendo necessidade de troca do rolamento. • Trincas profundas por mal tratamento: ocorrem trincas ou quebra de pedaços em uma face do anel de rolamento. Em geral isto acontece quando o rolamento é tratado de forma indevida com marteladas ou punção duro direto na montagem. Na Figura 15, você pode observar um exemplo onde ocorreu corrosão da pista de rolamento interna de um rolamento de esferas. Esta situação manifesta- se devido às vibrações ou outras formas de movimento repetitivo entre as TÓPICO 3 | MANCAIS 99 FIGURA 15 – DESGASTE POR CORROSÃO POR FRETAGEM EM UM ROLAMENTO FONTE: . Acesso em: 1 jun. 2019. Na Figura 16, você pode observar outra forma de desgaste chamada de falso brinelamento, similar à fretagem, no entanto, difere-se desta, pois ocorre em condições de contato a seco, geralmente por causa dos carregamentos empurrarem o lubrificante existente para fora da região (GODFREY, 2003). superfícies, o que causa desgaste, chamado de fretagem. Esta forma de falha pode ser diminuída através do uso eficiente de lubrificação, mas para eliminá- la completamente deve-se projetar para não haver movimento relativo entre as superfícies (GODFREY, 2003). FIGURA 16 – DESGASTE POR FALSO BRINELAMENTO FONTE: . Acesso em: 1 jun. 2019. 100 UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS 3 MANCAIS DE DESLIZAMENTO Uma forma de mancal distinta dos mancais de rolamento é o mancal de deslizamento, que consiste em um elemento côncavo sobre o qual as pontas do eixo se apoiam, deslizando-se livremente. Um exemplo de mancal de deslizamento é mostrado na Figura 17, na qual dois mancais de madeira suportam as pontas de um eixo em rotação apoiado sobre ele. Note que não existem elementos intermediários entre as superfícies como existiam nos mancais de rolamento, o contato acontece diretamente entre as duas superfícies cilíndricas. FIGURA 17 – MODELO DE UM MANCAL DE DESLIZAMENTO FONTE: O autor Estes mancais possuem algumas vantagens com relação aos mancais de rolamento, principalmente quanto à sua resistência aos choques e vibrações, que é mais alta. Outras vantagens são na sua simplicidade de construção e na sua capacidade de suportar carregamentos mais elevados (BENTO; FERRUS, 2018). Por outro lado, estes possuem certas desvantagens, as principais sendo maior aquecimento devido ao atrito, menor rendimento e desgaste mais intenso sobre a sua superfície. Estes mancais são muito dependentes de uma boa lubrificação. Assim como no caso dos mancais de rolamento, estes mancais são essenciais na realização das tarefas industriais, sendo que a falha deles geralmente resulta na parada da produção, devendo ser evitada sempre que possível. Por este motivo é importante que sejam tomados os cuidados básicos: seguir as recomendações do fabricante, instalando os mancais corretamente, e realizando inspeções frequentes para verificar a sua condição. Para melhorar a vida útil dos mancais de deslizamento, existem algumas recomendações que devem ser seguidas. A primeira é a escolha do material TÓPICO 3 | MANCAIS 101 de construção, considerando os esforços, assim como o ambiente que pode ser corrosivo. Outro fator importante é prover uma lubrificação adequada, que diminuirá o atrito e o desgaste no mancal, assim como diminuição do aquecimento gerado. Por último, é importante que este seja projetado de forma a facilitar a montagem e desmontagem do equipamento. As inspeções devem ocorrer regularmente, buscando a verificação da presença de ruídos estranhos, aquecimento acima do normal, vibrações fortes, vazamento do lubrificante e adequação das folgas. A frequência de inspeção dos mancais varia dependendo do tipo de mancal de deslizamento. As condições de trabalho, como carregamento e ambiente, também podem afetar a frequência necessária, portanto, é importante ficar alerta. Uma regra geral é: uma inspeção a cada vinte dias para mancais de cabeçote ou de caixas de engrenagens, uma inspeção por mês para mancais de eixos sustentando polias e uma inspeção a cada dois meses para mancais pequenos de apoio (TELECURSO 2000, 2014). A limpeza dos mancais de deslizamento deve ser realizada com querosene, o que serve para dissolver o líquido lubrificante, assim como limpar as sujeiras acumuladas sobre a superfície do mancal. Após lavados você pode aplicar novamente o lubrificante anterior. Você também deve realizar limpeza frequente na região próxima de onde o mancal opera para remover sujeiras evitando contaminação. O controle da folga do mancal com relação ao eixo pode ser realizado utilizando um relógio comparador, ou mesmo uma lâmina calibrada para verificar esta folga quando não necessita de tanta precisão. É importante, também, manter o alinhamento do eixo com mancal, que pode causar vibrações se incorreta, resultando em rupturas ou desgaste do equipamento. Para este propósito, existem várias maneiras de realizar esta verificação, dependendo da precisão que você desejar, podendo ser feita com paquímetro, micrômetro, nível, prumo, entre outros. 102 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • Mancais são ferramentas que permitem a rotação relativa entre duas peças com um mínimo de resistência por atrito. • Mancais se dividem em dois grupos principais: mancais de rolamento e mancais de deslizamento. • Mancais de rolamento podem possuir rolamentos de esferas ou cilindros, possuindo menor desgaste e menor necessidade de lubrificação. • Mancais de deslizamento possuem contato direto entre as superfícies do eixo e do mancal, sendo melhor para cargas mais elevadas. • A montagem e desmontagem destes equipamentos deve ser feita cuidadosamente segundo as recomendações do fabricante e incluir limpeza do equipamento. • Os modos de falha dos mancais são vários, incluindo desgaste, corrosão, trincas, danos por corrente elétrica, fretagem e falso brinelamento. • Cada forma de dano possui características que você pode usar para identificá- los e planejar a correção do problema. 103 1 Os mancais de rolamento são equipamentos essenciais para o funcionamento de muitos equipamentos contendo elementos em rotação, mas possuem vários modos de falha que podem ocorrer. Estes modos de falha costumam deixar marcas bastante características nos rolamentos, permitindo ao mantenedor identificar o problema através da observação deste. Relacione as colunas indicando os tipos de falhas com a causa correspondente, de acordo com o código a seguir. (1) Desgaste. (2) Endentações. (3) Arranhamento das superfícies externas. (4) Corrosão de contato. ( ) Carga durante a montagem. ( ) Folga excessiva. ( ) Lubrificação insuficiente. ( ) Rotação relativa entre o anel externo e o eixo. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) 2 – 4 – 1 – 3. b) ( ) 3 – 4 – 1 – 2. c) ( ) 2 – 1 – 3 – 4. d) ( ) 1 – 3 – 4 – 2. 2 Os mancais são elementos utilizados em máquinas com rotação, divididos em dois grupos principais: mancais de rolamento e de deslizamento. Cada um possui aplicações específicas nas quais excelem. Dentro deste contexto, quais as vantagens e desvantagens de mancais de rolamento e mancais de deslizamento? 3 A manutenção de mancais de rolamento e de deslizamento é um processo amplo, pois estes equipamentos possuem uma diversidade de formas de falhas, necessitando bastante cuidado e inspeções frequentes. Sobre este assunto, classifique as sentenças em V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) Os mancais de deslizamento devem ser limpos com querosene. ( ) O falso brinelamento difere-se da fretagem, pois ocorre em condições sem rotação. ( ) A frequência de inspeção dos mancais de deslizamento depende apenas do tipo. ( ) A verificação do mancal de rolamento pode ser feita por um método auditivo. AUTOATIVIDADE 104 Assinalea alternativa CORRETA: a) ( ) V – V – F – F. b) ( ) V – F – F – V. c) ( ) F – V – V – F. d) ( ) F – F – V – V. 105 TÓPICO 4 EIXOS E CORRENTES UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Elementos de transmissão de potência formam uma das bases da engenharia mecânica, pois transferem forças para o local desejado. Sem estes elementos não poderiam existir carros, bicicletas, aviões, e incontáveis outras máquinas criadas pela engenharia. No entanto, estes elementos, como todos os outros, possuem grande risco de falha devido ao seu importante papel nas máquinas, sendo necessário que o mantenedor esteja ciente dos problemas que podem ocorrer e como tratá-los. Neste tópico, você irá estudar dois dos principais elementos de transmissão de potência: os eixos e as correntes, incluindo as formas de falha de cada elemento, sua identificação e métodos de correção e prevenção. 2 EIXOS Eixos são elementos que realizam a transmissão de potência para outro elemento através do movimento de rotação. Estes geralmente são feitos de aços com baixos teores de carbono ou aços-liga (TELECURSO 2000, 2014). Os eixos podem possuir várias classificações quanto à sua forma, podendo ser: eixos maciços; eixos vazados, que são mais leves e resistentes à torção; eixos cônicos, para furos cônicos; eixos roscados, para engates utilizando porcas; eixos flexíveis, feitos com arame de aço para baixos esforços e grandes velocidades; e eixos ranhurados, que possuem uma forma e comportamento similar às engrenagens e serve para transmitir grandes esforços. Na Figura 18 é mostrado um exemplo de aplicação de eixos, onde você pode observar um conjunto de motor, eixo e roda de um trem elétrico. Perceba o eixo atravessando o conjunto, podendo as duas pontas serem vistas saindo para os lados externos passando pelas rodas. Neste conjunto o motor gera a rotação através da energia elétrica, que é utilizada para girar o eixo, que por sua vez gira as rodas na qual está acoplado. 106 UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS FIGURA 18 – EIXO ACOPLADO AO MOTOR E RODAS EM UM TREM ELÉTRICO FONTE: . Acesso em: 2 jun. 2019. O primeiro processo da manutenção do eixo é a desmontagem, que costuma ser bastante simples, mas deve-se realizar com certos cuidados. O primeiro cuidado a ser tomado é verificar se existem parafusos, ou anéis de fixação que estejam mantendo o eixo no seu lugar. Estes devem ser removidos antes de você tentar desmontar o eixo. Um elemento que ajuda na desmontagem é a presença de um furo com rosca na superfície do eixo, no qual pode ser rosqueado um elemento com alça que pode ser usado para puxar o eixo para fora. Você deve evitar dar batidas no eixo, pois estas podem causar danos, especialmente nos furos de centro presentes nas extremidades dos eixos. Ser for realmente necessário, você deve utilizar um batedor de material menos duro, como, por exemplo, o cobre, e evitar bater nas pontas do eixo. Após a desmontagem, não se esqueça de guardar o eixo em um local seguro e isolado, para evitar danos por acidentes ou acumulação excessiva de poeira e sujeira, ou mesmo líquidos que possam causar a corrosão do material. ATENCAO Para o processo de montagem, deve-se tomar bastante cuidado, realizando a limpeza do eixo para que apresente o mínimo possível de abrasão e, consequentemente, diminua o desgaste quando instalado. Cuidar para não causar arranhões no eixo quando manuseá-lo também é necessário, pois, isto pode diminuir a eficiência do mesmo. TÓPICO 4 | EIXOS E CORRENTES 107 FIGURA 19 – EIXO QUEBRADO EM UM AUTOMÓVEL FORD TOURING FONTE: . Acesso em: 2 jun. 2019. A segunda forma de falha dos eixos é o desgaste, que pode ocorrer por diversos fatores, entre eles, lubrificação insuficiente, contaminação do lubrificante, trava do rolamento, ou pelo aço perder dureza devido ao aquecimento. A Figura 20 mostra um exemplo de desgaste de eixo, pela qual você pode observar claramente a diferença no eixo desgastado (superior) comparado com o eixo no estado após o reparo (inferior). Verificar se as medidas do eixo estão dentro dos limites de tolerância projetados, utilizando equipamento de medição apropriado como paquímetro ou micrômetro. Quaisquer rebarbas presentes devem ser removidas antes da montagem. Por último, você deve realizar a pré-lubrificação das peças para minimizar o desgaste, pois o lubrificante que trabalha com a máquina costuma demorar um pouco para ser ativado. A falha dos eixos pode ocorrer por meio de duas formas principais: a quebra do eixo ou o desgaste. A quebra pode ocorrer por motivos de carregamento excessivo sobre o eixo, levando a ruptura, ou por fadiga devido a carregamentos cíclicos. Um exemplo disto pode ser visto na Figura 19, mostrando um carro cujo eixo traseiro que conecta as rodas sofreu fratura, quebrando ao meio. 108 UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS FIGURA 20 – COMPARAÇÃO ENTRE EIXO DESGASTADO E REPARADO FONTE:. Acesso em: 2 jun. 2019. 3 CORRENTES Correntes são elementos de transmissão de potência utilizados em situações nas quais os eixos ou engrenagens não se adequam, o que geralmente acontece quando os eixos que devem receber esta potência correm paralelos a certa distância, como é o caso das correntes utilizadas nas rodas de bicicletas, que são do tipo chamado de correntes de roletes, mostradas na Figura 21. TÓPICO 4 | EIXOS E CORRENTES 109 FIGURA 21 – CORRENTE DE RODA DE BICICLETA FONTE: . Acesso em: 2 jun. 2019. Existem quatro tipos principais de corrente, que são: correntes de roletes, usadas para rotações baixas, correntes de dentes, usadas para altas rotações, correntes de elos livres, que são utilizadas em esteiras transportadoras para pequenos esforços e corrente comum, também chamada de cadeia de elos, que é utilizada para suportar cargas pesadas. Existem várias formas de falha possível para as correntes, cada uma resultando em problemas diferentes. Os principais problemas e suas causas são (TELECURSO 2000, 2014): • Ruído excessivo: pode ser causado por desalinhamento da corrente, folgas inadequadas, sejam muito grandes ou muito pequenas, lubrificação ruim, desgaste do equipamento ou passo excessivo dos dentes. • Falta de encaixe entre corrente e rodas dentadas: causado por rodas de medida inadequada, desgaste excessivo, excesso de folga ou sujeira. • Vibrações da corrente: pode resultar de excesso de folga, cargas variáveis, endurecimento das articulações, ou desgaste. • Endurecimento: provém de falta de lubrificação, corrosão, excesso de carga, sujeira ou desalinhamento. 110 UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS • Pinos, buchas ou roletes quebrando: impactos, excesso de velocidade, sujeira nas rodas, lubrificação deficiente ou corrosão. • Superaquecimento: velocidade excessiva, lubrificação inadequada ou atrito com superfícies. • Queda de pinos: vibrações excessivas ou peças mal montadas. • Quebra de dentes nas rodas: impactos, carregamento súbito, excesso de velocidade, sujeira nas rodas, falta de lubrificação, corrosão ou encaixe incorreto das correntes e rodas. Para a manutenção de correntes, existem alguns cuidados que devem ser tomados. Primeiramente, é importante a lubrificação por gotas, jato ou banho em óleo das correntes para diminuir o desgaste. Para isso, você pode, inicialmente, realizar a lavagem da corrente, que pode ser feita com querosene, e em seguida enxugá-la e mergulhá-la em óleo, deixando, posteriormente, o excesso de óleo escorrer. Você deve inverter a corrente com regularidade, o que aumenta sua vida útil. No entanto, nunca se devem utilizar correntes novas em rodas velhas, ou inserir um elo de corrente novo no meio dos elos de corrente já velhos e desgastados. Você também precisa estar de olho nos desgastes que ocorrem com o passar do tempo; o passo pode sofrer alteração devido ao desgaste que acontece nos pinos e buchas, o que deve ser medido comfrequência, assim como o desgaste das próprias rodas. O alinhamento das partes também deve ser verificado com regularidade. 111 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você aprendeu que: • Eixos e correntes são elementos de transmissão de potência em máquinas, cada um possuindo aplicação específica. • Os eixos necessitam de cuidados na montagem e desmontagem, em particular na lavagem, lubrificação, verificação das dimensões do ajuste e evitando bater no mesmo sempre que for possível. • As falhas nos eixos podem ocorrer na forma de quebra ou desgaste. A quebra pode ocorrer por excesso de carga ou fadiga, enquanto que o desgaste pode ocorrer de diversas formas, em particular, por problemas de lubrificação ou aquecimento do eixo. • As correntes podem apresentar diversos problemas durante sua operação, incluindo partes desalinhando ou caindo fora do lugar, endurecimento, vibrações, entre outros. Existem várias causas possíveis para cada problema. • A manutenção das correntes deve ser realizada com regularidade, lavando e lubrificando-as, verificando o desgaste e as dimensões, e invertendo a corrente de forma a aumentar a vida útil. 112 1 As correntes são equipamentos de transmissão de potência de importante aplicação em certas máquinas de engenharia. Estas correntes podem apresentar diversos problemas, cada um proveniente de diferentes causas. Relacione as colunas indicando os tipos de problemas com a causa correspondente de acordo com o código a seguir. (1) Vibrações da corrente. (2) Endurecimento. (3) Aquecimento excessivo. (4) Queda de pinos. ( ) Carga excessiva. ( ) Excesso de folga. ( ) Excesso de velocidade. ( ) Montagem incorreta. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) 2 – 1 – 4 – 3. b) ( ) 3 – 2 – 1 – 4. c) ( ) 2 – 1 – 3 – 4. d) ( ) 4 – 3 – 1 – 2. 2 Os eixos e correntes são elementos de transmissão de potência de amplo uso na indústria, estando presente em carros, trens, bicicletas, entre outros. A manutenção destes sistemas requer muitos cuidados, em particular na montagem e desmontagem dos equipamentos contendo estes elementos. Sobre este assunto, classifique as sentenças em V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) As correntes devem ser sempre engatadas na mesma posição que estavam previamente. ( ) Batidas nos eixos, quando necessárias, devem ser restritas para as pontas. ( ) A lavagem das correntes deve ser realizada com querosene, antes da lubrificação a óleo. ( ) Todos os parafusos devem ser removidos do eixo antes de desmontá-lo. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) V – V – F – F. b) ( ) V – F – F – V. c) ( ) F – V – V – F. d) ( ) F – F – V – V. AUTOATIVIDADE 113 1 INTRODUÇÃO As polias e as correias são elementos mecânicos usados frequentemente em equipamentos industriais que permitem transmitir e transformar forças entre eixos e alterar frequências de rotação. Muitos equipamentos mecânicos utilizam estes elementos, o que significa que estes devem ser mantidos em bom estado de conservação e funcionamento, de forma a garantir o desempenho correto da máquina. É importante que você saiba como realizar a inspeção destes e identificar as causas de falha no sistema antes que ocorram problemas sérios que possam causar prejuízos ou pôr em perigo os funcionários. Neste tópico, você irá aprender o que são polias e correias, os cuidados que devem ser tomados com estes equipamentos, como a manutenção deles deve ser realizada e como determinar a causa de falha quando ocorre. 2 POLIAS As polias são elementos circulares que transmitem força quando em combinação com outro elemento, a correia, vinculada ao redor da roda das polias e gira junto com a mesma. Na Figura 22 é mostrado um exemplo de polia utilizada em poços de águas. Neste exemplo, a polia converte uma força para baixo aplicada pelo usuário em uma força para cima aplicada sobre o balde de água no fundo do poço. TÓPICO 5 POLIAS E CORREIAS UNIDADE 2 114 UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS FIGURA 22 - POLIA DE POÇO DE ÁGUA FONTE: . Acesso em: 4 jun. 2019. Existem dois grupos principais de polias: as polias planas e as polias trapezoidais, também conhecidas como polias em “V”, que são as mais utilizadas nas máquinas industriais. Na Figura 23 você pode ver o perfil da polia em “V”, que evidencia a razão deste tipo de polia possuir este nome: os canais onde a correia é encaixada possui formato em forma de “V”. O lado direito desta figura mostra uma seção de corte, enquanto que o lado esquerdo mostra a vista normal. Perceba a inclinação que existe no canal, que costuma ser um ângulo abaixo de 20º em cada lado. FIGURA 23 – VISTA LATERAL DE SEÇÃO DE UMA POLIA EM “V” FONTE: O autor As polias e correias em “V” são populares devido a uma série de vantagens que estas possuem, incluindo manutenção barata, boa resistência à tração, choques e flexão, facilidade de limpeza, silêncio e menor deslizamento. TÓPICO 5 | POLIAS E CORREIAS 115 São necessários alguns cuidados básicos para que as polias funcionem corretamente. Primeiramente, estas devem apresentar o mínimo possível de desgaste, graxa, óleo ou tinta nos canais. É importante também que as bordas da polia estejam em boas condições, sem a presença de trincas, amassamento, corrosão ou porosidade. Caso começa a ocorrer desgaste nos canais, é necessário a substituição da polia, pois irá causar desgaste na correia. Para o caso das polias em “V”, é muito importante o seu alinhamento com relação à outra polia conectada, que deve ser sempre paralelo. Para isto você pode utilizar uma régua paralela para alinhar as duas polias. 3 CORREIAS As correias são os elementos que irão manter duas polias conectadas, garantindo que quando uma gira, a outra irá girar proporcionalmente. Estas geralmente são feitas de borracha, couro ou materiais sintéticos a base de algodão, náilon, entre outros, e possuem um formato de plano ou de trapézio. Para máquinas industriais, as polias de borracha são as mais utilizadas. Primeiramente, você deve ter cuidado na hora de colocar as correias nas polias; existem muitos problemas que podem ocorrer devido a uma colocação incorreta. O procedimento correto é recuar a polia móvel em direção da polia fixa, permitindo que você coloque a correia ao redor das duas sem ter que esticar ela além do normal. Em seguida, a polia móvel pode ser movida de volta para sua posição original. Forçar as correias pela lateral, ou forçá-las para dentro do canal não é recomendável, pois pode causar danos na correia que prejudicarão seu desempenho e poderão causar o rompimento. Antes de realizar o tensionamento, é importante girar as polias de forma que um dos lados da correia esteja esticado, com a sobra estando toda do outro lado, que pode ficar frouxo, como na Figura 24. 116 UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS Durante o tensionamento você deve cuidar para que a correia receba a tensão correta, que é baixa suficiente para minimizar o atrito, mas não tão baixa a ponto de deslizar sobre a polia sem girá-la. DICAS Como regra geral, você pode empurrar a correia no ponto médio entre as polias com o polegar para medir a tensão. Uma tensão boa ocorrerá quando você puder flexioná-la até uma distância entre 10mm e 20mm. No entanto, recomenda-se o uso de equipamento especial para medir a tensão sempre que este estiver disponível. É comum o uso de telas ou grades de proteção para sistemas de polias e correias, de forma a protegê-las e evitar acidentes. Estas grades devem ser regularmente inspecionadas, verificando que estão sem quebra e mantendo-as limpas. Evita-se o uso de carga adicional sobre sistemas de polias e correias que não foram projetados para isto. Esta carga adicional irá diminuir a vida útil do sistema, devendo ser evitada a não ser que não haja outra opção. Para correias em “V”, existem alguns cuidados adicionais que devem ser tomados. Primeiramente é importante manterestas correias sempre bem limpas. O período das primeiras 50 horas após instalação é o mais crítico, e a correia deve ser monitorada constantemente quanto à sua tensão, o que evita que ela se estique. Não se deve utilizar correias novas e velhas ao mesmo tempo; mesmo que uma correia estoure, vale mais a pena substituir por um conjunto todo em estado similar. Também não se deve tentar remendar correias estragadas, pois os resultados não costumam ser bons. Se possível, você deve sempre usar correias da mesma marca, para garantir a uniformidade de desempenho. FIGURA 24 – POSICIONAMENTO DA CORREIA PARA O TENSIONAMENTO FONTE: O autor TÓPICO 5 | POLIAS E CORREIAS 117 4 FORMAS DE DANOS NAS CORREIAS Durante a operação, as correias em movimento, inevitavelmente, sofrerão desgastes e danos ao longo do tempo. Estes podem tomar várias formas, dependendo da causa do problema, e você deve saber identificá-los a partir das formas de dano apresentadas. Um dos danos mais comuns sofrido por correias são as rachaduras, similares as que se costuma ver em pneus de borracha. Geralmente, as rachaduras são causadas por temperaturas elevadas, polias escolhidas com diâmetro que não funciona com a correia, deslizamento da correia, ou sujeira. A presença desta forma de falha irá enfraquecer a correia, reduzindo a tensão que esta possui e, assim, sua eficiência. Caso ocorra este problema, a solução é a troca da correia. A fragilização da correia é outra forma de dano comum, que ocorre quando a correia é exposta a altas temperaturas. A maioria das correias de uso industrial são projetadas para operar no máximo entre 60 ᵒC a 70 ᵒC, sofrendo forte degradação a temperaturas superiores, o que a torna pastosa. Você precisa monitorar a temperatura de operação da correia com regularidade de forma a evitar este problema. Os desgastes das paredes laterais da correia ocorrem quando a correia está derrapando sobre a polia, o que pode ser causado por sujeira, irregularidade dos canais da polia ou tensionamento insuficiente da correia. A contaminação por substâncias entre a correia e a polia pode causar desgaste acelerado do equipamento. Caso as correias estejam apresentando vibrações excessivas, este problema pode ser consertado utilizando polias com canais mais fundos. Também é possível que a correia esteja tensionada inadequadamente ou que esteja desgastada, necessitando a sua troca. Se a correia se romper por completa, o motivo provavelmente são tensões altas repentinas, o que geralmente acontece, pois a instalação ou operação do sistema foi realizada incorretamente. Pode também ser causada por causa de sujeiras, neste caso, a solução é manter o sistema limpo através de lavagem. Se as correias estiverem com a sua cobertura desgastada ou inchadas, o problema ocorre devido ao excesso de óleo no sistema, o que significa que se deve verificar a lubrificação e realizar a limpeza do sistema. 118 RESUMO DO TÓPICO 5 Neste tópico, você aprendeu que: • As polias são elementos mecânicos circulares de rotação que trabalham acoplados às correias, sendo utilizados para transmitir forças. • As polias e correias costumam possuir formato em “V”, o que possui várias vantagens quanta à operação e manutenção. • As polias necessitam de verificação regular para detectar falhas, sendo necessário trocá-las na maioria dos casos. • As polias em “V” requerem cuidado especial na sua colocação pois é muito importante que estejam em paralelo. • As correias devem ser instaladas, primeiramente, recuando a polia móvel. Não se deve forçar a correia pelas laterais das polias. • O tensionamento das correias deve ser realizado deixando um lado frouxo e o outro esticado. • As correntes podem sofrer uma grande variedade de danos. É importante manter as polias esticadas, em temperatura abaixo de 60ᵒC a 70ᵒC e com lubrificação adequada para evitar a maioria destes problemas. 119 1 As polias são equipamentos de forma circular que transmitem forças através de correias, sendo utilizadas amplamente no ambiente industrial. Sobre este assunto, classifique as sentenças em V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) As polias são muito utilizadas, um dos motivos é a sua boa resistência mecânica. ( ) A montagem das correias nas polias deve ser realizada esticando sempre o lado superior primeiro. ( ) A tensão na correia estará boa quando estas podem ser flexionadas menos de 5mm. ( ) As polias em “V” devem ser mantidas sempre limpas, especialmente nas primeiras 50 horas. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) V – F – F – V. b) ( ) F – V – F – V. c) ( ) V – V – F – F. d) ( ) F – F – V – V. 2 As correntes são partes que trabalham em conjunto com as polias, permitindo a transmissão de forças através delas, uma necessidade comum na indústria. Estas polias podem apresentar várias formas de danos se manuseadas incorretamente ou operando em condições desfavoráveis. Relacione as colunas indicando os tipos de problemas com a causa correspondente de acordo com o código a seguir. (1) Rachaduras. (2) Correia pastosa. (3) Paredes laterais desgastadas. (4) Cobertura inchada. ( ) Dimensionamento incorreto da polia. ( ) Excesso de óleo. ( ) Tensão insuficiente. ( ) Montagem incorreta. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) 2 – 4 – 1 – 3. b) ( ) 1 – 4 – 3 – 2. c) ( ) 3 – 1 – 2 – 4. d) ( ) 1 – 3 – 2 – 4. AUTOATIVIDADE 120 121 1 INTRODUÇÃO Muitas vezes, quando se transmite torque entre elementos diferentes é necessário transmiti-lo em uma rotação diferente do original. Um exemplo são as marchas de carros, que controlam o torque e as velocidades que o carro pode atingir. Para este propósito utiliza-se os equipamentos chamados de variadores de velocidade. Um dos maiores exemplos de variadores de velocidade são as engrenagens, elementos que são amplamente utilizados na indústria, que com certeza você, acadêmico, já deve ter ouvido falar. A engrenagem é um dos equipamentos variadores de velocidade, e possivelmente o mais utilizado, mas certamente não é o único. Neste tópico, você aprenderá sobre os vários tipos de variadores de velocidades, como deve ser realizada a sua manutenção e, em seguida, falaremos um pouco mais detalhadamente sobre as engrenagens, os danos que estas podem sofrer e como consertá-los. 2 TIPOS DE VARIADORES DE VELOCIDADE Existem dois tipos principais de variadores de velocidade que iremos abordar aqui: roda de fricção e transmissão por correia. Os variadores de transmissão por correia utilizam os mecanismos de polia e correia que você estudou no tópico anterior. O ponto importante, neste caso, é que as polias possuem diâmetros diferentes (especificamente, o ponto onde as correias encostam nelas), de forma a que sua rotação seja diferente (TELECURSO 2000, 2014). Na Figura 25, você pode observar um exemplo de variador de velocidades de transmissão por correia, usado para controlar a velocidade de uma motocicleta Minarelli. Perceba que o engate da correia em um lado é bem menor do que no outro lado, causando a diferença de rotação. TÓPICO 6 ENGRENAGENS E VARIADORES DE VELOCIDADE UNIDADE 2 122 UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS FIGURA 25 – VARIADOR DE VELOCIDADE DE TRANSMISSÃO POR CORREIA FONTE: . Acesso em: 7 jun. 2019. Este sistema também permite variar o diâmetro na polia da esquerda, o que pode ser feito apertando a polia quanto à sua espessura, o que aumenta o diâmetro do canal devido ao formato em “V” desta, conforme a Figura 26. Por exemplo, suponhamos que a correia da Figura 26(a) gira a polia superior 4 vezes para cada rotação da polia inferior. Se quiséssemos alterar este número para 3 rotações da superior para cada rotação da inferior, isto seria impossível para uma polia normal, seria necessário uma nova polia e correia, mas, para uma polia onde o diâmetro é regulável, isto se torna possível, conforme a Figura 26(b). FIGURA 26 – POLIAVARIÁVEL FONTE: O autor TÓPICO 6 | ENGRENAGENS E VARIADORES DE VELOCIDADE 123 O variador por roda de fricção é um equipamento que pode possuir diversas formas, dependendo de como é construído, mas a sua essência é a transmissão da rotação por dois elementos cilíndricos ou cônicos que giram próximos um do outro. A Figura 27 contém um exemplo de variador de roda por fricção, chamado de variador contínuo de rolos cônicos. Neste exemplo, a rotação está sendo transmitida do cone superior para o inferior, com o eixo e disco intermediários servindo para fazer a conexão. Quando o disco do eixo central está posicionado para a direita – Figura 27(a) –, o cone superior possui diâmetro maior que o inferior, portanto, cada rotação do cone superior irá resultar em várias rotações do inferior. Já quando o disco está posicionado para a esquerda – Figura 27(b) – a situação se reverte, com o cone superior possuindo diâmetro menor, o que faz com que para cada rotação do cone superior, o cone inferior sofra menos de uma rotação. FIGURA 27 – VARIADOR POR RODA DE FRICÇÃO FONTE: O autor Outro elemento de uso comum é o chamado redutor de velocidades, ou caixa de velocidades, que é um compartimento contendo um número de engrenagens que são utilizados para diminuir uma rotação, um processo bastante utilizado em automóveis. Na Figura 28, você pode ver um exemplo deste equipamento, produzido pela Renault. 124 UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS FIGURA 28 – CAIXA DE VELOCIDADES DA RENAULT FONTE: . Acesso em: 7 jun. 2019. 3 MANUTENÇÃO DE VARIADORES DE VELOCIDADE A manutenção para variadores de velocidade e caixas de velocidade exigem certos cuidados. Primeiramente, deve-se verificar que o equipamento está nivelado corretamente e que todas as partes estão alinhadas. É preciso, também, checar se a lubrificação está adequada. Atenção especial deve ser dada para os mancais, levando em conta o que você já aprendeu sobre eles. Por último, os elementos de ligação e os elementos que sofrem atrito são alguns dos que estão em maior risco de falha, e, portanto, devem ser verificados. Para redutores de velocidade em especial, há alguns cuidados adicionais que devem ser tomados. Primeiramente, a desmontagem dos redutores deve ser iniciada pelo eixo de maior rotação, terminando no eixo de baixa rotação. A folga entre os dentes das engrenagens deve ser medida para verificar se estão de acordo com o especificado. Se for necessário trocar o eixo ou o pinhão, deve-se trocar ambos, e nunca um só. A mesma regra vale para conjuntos de coroas e pinhões cônicos. TÓPICO 6 | ENGRENAGENS E VARIADORES DE VELOCIDADE 125 NOTA É muito comum que os fabricantes marquem os conjuntos de engrenagens que devem se conectar aos pares, com indicação da posição de cada uma. Estas indicações devem ser seguidas sempre que possível. As engrenagens precisam de alguns cuidados específicos. É muito importante que seja usado o óleo lubrificante correto e em quantidades adequadas, pois o excesso pode causar o superaquecimento, e a falta causa o desgaste. Deve-se também cuidar para que não ocorram partidas bruscas das engrenagens, e nem que a sua rotação se reverse. O desgaste, e a pré-carga dos mancais conectados, devem ser mantidos dentro de limites aceitáveis, e qualquer sujeira deve ser limpa com regularidade. 4 FALHAS EM ENGRENAGENS Existem muitas formas de falha que uma engrenagem pode sofrer, dependendo dos problemas que esta pode ter. Entre estes, pode-se citar como os principais (TELECURSO 2000, 2014): • Desgaste por interferência: acontece devido ao contato incorreto entre as duas engrenagens, com a força sendo aplicada sobre a ponta do dente da engrenagem impulsionada. Este problema pode ser diminuído com a suavização das pontas dos dentes, caso já não exista (ONYXINSIGHT, 201?). • Desgaste por abrasão: ocorre devido à sujeira e presença de corpos estranhos entre as engrenagens. Muitas vezes são provenientes do óleo usado para a lubrificação, que deve ser mantido livre de impurezas para evitar este problema. • Quebra devido à fadiga: ocorre por causa das tensões cíclicas, o que é comum em engrenagens. Geralmente inicia-se com o trincamento pelo lado onde a carga é aplicada, até que ocorre a quebra do dente, na direção da longitude. Observe a Figura 29, contendo uma engrenagem com um dente quebrado devido à fadiga. • Quebra devido à sobrecarga: pode ocorrer devido a choques, sobrecarga estática ou mau tratamento térmico da peça. Surge, inicialmente, uma saliência no lado em que os dentes se encostam, com uma trinca que não aparenta aumentar até o momento da quebra. 126 UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS • Trincas na superfície: causadas por cisalhamento do material, estas trincas aparecem longitudinalmente no lado do dente, sendo causadas por vibrações, carregamentos excessivos ou pouca lubrificação. • Desgaste devido à sobrecarga: ocorre em baixas velocidades e carregamentos altos, este desgaste apresenta perda do material da engrenagem sem existirem componentes abrasivos. • Lascamento: lascas são tiradas dos dentes das engrenagens, geralmente ocorrendo devido ao tratamento térmico tendo sido feito incorretamente. • Cilindramento ou laminação: ocorre deformação no dente, alterando o perfil, geralmente é causada como consequência de mover-se sob cargas pesadas. FIGURA 29 – ENGRENAGEM COM DENTE QUEBRADOS POR FADIGA FONTE: . Acesso em: 7 jun. 2019. Existem certos indícios que as engrenagens apresentam quando estão com problemas, indicando a necessidade de manutenção, o que vale prestar atenção durante as inspeções. Os principais sintomas são (TELECURSO 2000, 2014): • Uivo: costuma acontecer para rotações altas em situações em que a folga entre as engrenagens está insuficiente ou quando existe o desalinhamento entre elas. • Tinido: indica a existência de saliência nos dentes, que geralmente é causada por choques ou presença de sujeira e corpos estranhos. • Matraqueamento (som de chocalho): folga em excesso nos dentes ou desalinhamento das engrenagens. • Chiado: folga insuficiente nos mancais, geralmente devido à expansão térmica. TÓPICO 6 | ENGRENAGENS E VARIADORES DE VELOCIDADE 127 • Limalha (partículas metálicas) no óleo: nas primeiras 50 horas de serviço, costuma ocorrer devido ao amaciamento, o que não é anormal. Após isto, indica danos, por causa da mistura de engrenagens velhas e novas ou que alguma engrenagem foi produzida com material inadequado. • Superaquecimento: geralmente indica problemas na lubrificação, sobrecarga ou velocidade excessiva. Também pode ocorrer por desalinhamento ou folga muito pequena entre os dentes. • Vibração: pode ser causada por diversos fatores, os principais sendo empenamento da engrenagem ou desgaste diferente entre duas engrenagens em contato. Outros motivos incluem fabricação defeituosa, nivelamento incorreto do equipamento, problemas na fundação, mancais ajustados incorretamente e sobrecarga de torção nos eixos. Para a realização da montagem e desmontagem das engrenagens nos conjuntos, você deve tomar os seguintes cuidados (TELECURSO 2000, 2014): • Verificar como estão presas no eixo, em especial a presença ou ausência de interferência. • Não realizar batidas com martelo, mas sim utilizar saca-polias ou prensas hidráulicas. Se não possuir estes, bater com um material metálico mais macio. • Guardar as engrenagens na posição vertical; nunca se deve empilhá-las, pois pode causar danos aos dentes. • Realizar pré-lubrificação para a montagem, o que mantém a engrenagem em bom estado durante os primeiros momentos de funcionamento, antes da lubrificação regular ser ativada. • Inspecionar regularmente as primeiras 50 horas de trabalho, devido ao amaciamento das engrenagens. 128 UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS LEITURA COMPLEMENTAR Análise de falha em dente de engrenagem Maurício Angeloni Sérgio Murilo Correia de OliveiraJúnior Alexandre Ribeiro Camilo Com o desenvolvimento de novas tecnologias, que buscam cada vez mais a otimização da relação custo/benefício para uma maior competitividade, grande ênfase tem sido dada na seleção adequada dos materiais e na análise/prevenção de falhas. Por exemplo, na indústria aeronáutica, as ligas de alumínio utilizadas para componentes de aviões devem ser leves, fortes, e capazes de resistirem a cargas mecânicas cíclicas durante um longo e previsível período. Já os aços utilizados para a construção de estruturas, tais como edifícios e pontes, devem ter resistência suficiente de modo que estas estruturas possam ser construídas sem comprometer a segurança. Da mesma forma, o desempenho de tacos de golfe, esquis e outros equipamentos de esporte depende não só da força e do peso dos materiais utilizados, mas também da sua capacidade de trabalhar sob um carregamento dinâmico, isto é, sob impacto. Para aplicações em que seja necessário o suporte de cargas, os materiais devem ser selecionados tomando- se por base suas propriedades mecânicas correspondentes às especificações de projeto e as condições de serviço exigidas do componente. Falhas em serviço de componentes e estruturas têm acontecido cada vez mais em diversas indústrias, muitas vezes sem qualquer aviso. Algumas falhas podem ser triviais, enquanto outras podem ter consequências graves, resultando em fatalidades, lesões a pessoas, danos à propriedade, desligamento de uma planta inteira, perda de produção, problemas ecológicos (materiais perigosos), litígios caros e prolongados que afetam a credibilidade dos fabricantes e a confiabilidade de seus produtos, impactando fortemente sobre a sociedade e sua economia. Para a compreensão das falhas e sua prevenção, existe a necessidade de aplicação de várias técnicas e conceitos da ciência e da tecnologia, sendo um assunto extremamente complexo e que envolve as áreas de mecânica, física, metalurgia, química e eletroquímica, processos de fabricação, análise de tensão, análise de projeto e mecânica da fratura, dentre outras. O intuito do presente trabalho é o de analisar a quebra de um dente de engrenagem, levando em consideração os diversos conceitos e técnicas para a correta identificação da causa raiz da falha, que ocorre pela ruptura no dente devido a causas prováveis tais como: sobrecarga; problemas na usinagem/retifica que proporcionam um concentrador de tensões; ruptura na raiz do dente por meio de uma força de flexão do torque motriz; pites/cavidades que geralmente acontece em materiais com ausência de tratamento térmico superficial; desgaste por adesão que é causado por uma lubrificação irregular aumentando assim os TÓPICO 6 | ENGRENAGENS E VARIADORES DE VELOCIDADE 129 níveis de temperatura; desalinhamento do mancal/acoplamento/eixo; desgaste abrasivo que ocorre por lubrificante contaminado com partículas solidas; corrosão do dente de engrenagem devido a oxidação ou contaminação etc. Fundamentação teórica Segundo Wulpi (1999), através da análise de falhas e da implementação de medidas preventivas, melhorias significativas na qualidade de produtos, sistemas e processos de fabricação, foram alcançadas. Isto requer não apenas uma compreensão do papel da análise de falhas, mas também uma avaliação da garantia de qualidade e das expectativas do usuário. Em uma área que inicialmente ganhou proeminência global na década de 1980, corporações, fábricas, agências governamentais e outras organizações desenvolveram novos sistemas e processos de gestão destinados a melhorar a qualidade e a satisfação do cliente. Alguns desses sistemas incluem o Total Quality Management (TQM), a Melhoria Contínua (CI), e mais recentemente o Seis Sigma. Historicamente, essas iniciativas são baseadas nas filosofias dos visionários de qualidade W. Edwards Deming e Joseph Juran. Em suas descrições mais básicas, TQM e CI representam o comprometimento organizacional completo com um sistema focado em “fazer a coisa certa na primeira vez” e não apenas atender, mas exceder os requisitos do cliente. Eles estão focados em melhorias de processo, geralmente em um ambiente de produção. Devido a implantação da produção em série instituída por Ford, houve a necessidade de criar uma equipe de reparos imediatos para a não paralização dos ativos e perda de produtividade, a equipe usava como ferramenta de sua atividade principal a manutenção corretiva, que por sua vez não estava a satisfazer o mercado, pois o mesmo cada vez mais se tornava competitivo, do qual houve a necessidade de maior confiabilidade sobre os ativos, afim de promover segurança e durabilidade, surgiu então a equipe de manutenção, posteriormente engenharia de manutenção, que trabalha com enfoque na manutenção preventiva, preditiva e detectiva. Que não mais apenas se atentava a reparos comuns como também ao aprimoramento da eficácia em encontrar o motivo do defeito, que é por sua vez a causa raiz. Com o avanço da tecnologia e a manufatura cada vez mais em alta, tem sido necessário a presença de ferramentas inovadoras de análise de falhas para melhor desempenho do processo objetivando a “quebra zero”, sendo necessário avaliar a causa raiz da falha encontrada para dar início a solução de problemas, que por sua vez causa paradas inesperadas. Sendo assim é possível fazer um mapeamento com técnicos de manutenção juntamente com operadores, visando prolongar a vida útil dos ativos. 130 UNIDADE 2 | MANUTENÇÃO DE PEÇAS MECÂNICAS FIGURA 1 - AMOSTRA RECEBIDA PARA ENSAIO/ANÁLISE (VISTA SUPERIOR) O Quadro 1 apresenta a metodologia empregada para a execução dos ensaios e análises bem como as normas internacionais de referência. QUADRO 1 - METODOLOGIA EMPREGADA Análise Análise Química Análise Macroestrutural Dureza e Perfil de Microdureza Descrição A análise química realizada via espectrometria de emissão óptica por centelhamento, mede simultaneamente a intensidade das várias linhas espectrais da luz emitida dos átomos que compõe a amostra, quando são excitados por uma fonte externa de energia. A análise macrográfica óptica é utilizada para visualização da superfície de fratura e identificação de anomalias bem como de detalhes da geometria do componente. Medições de dureza de acordo com as normas ASTM E18-11 e E140-07, na escala Rockwell C, para as medições realizadas na superfície e no núcleo da peça. Medições de microdureza de acordo com a norma ASTM E384-10, na escala Vickers, para as medições realizadas a partir da superfície e a cada 0,05mm, 0,10mm, 0,20mm e 0,30mm, no sentido do centro do corpo de prova de cementação. Procedimentos metodológicos Para a execução deste estudo, foi recebido para a análise de falhas um dente de engrenagem, como identificado na Figura 1, sem maiores informações a respeito das condições de operação bem como das especificações de projeto. TÓPICO 6 | ENGRENAGENS E VARIADORES DE VELOCIDADE 131 Resultados e discussão A Figura 2(a) apresenta a macrografia do dente de engrenagem, vista da região superior, e a Figura 2 (b) mostra uma ampliação da mesma. Na Figura 2(a) vista superior do dente de engrenagem, foram identificadas ranhuras na crista do dente, o qual não foi possível identificar a olho nu, sendo assim na Figura 2(b) foi realizada a ampliação da região delimitada pelo círculo tracejado para melhor visualização. FIGURA 2 - MACROGRAFIA ÓPTICA: (A) DO DENTE DE ENGRENAGEM; (B) AMPLIAÇÃO DA REGIÃO a) b) FONTE: ANGELONI, M.; OLIVEIRA JUNIOR, S. M.; CAMILO, A. R. Análise de falha em dente de engrenagem, SIMPÓSIO DE TECNOLOGIA FATEC, 1., 2018, Sertãozinho. Anais... Sertãozinho: Fatec, 2018, p. 135-152. 132 RESUMO DO TÓPICO 6 Neste tópico, você aprendeu que: • Os variadores de velocidade são de dois tipos principais: roda de fricção e transmissão por correia. • Os variadores de velocidade de transmissão por correia utilizam um sistema com polias de diâmetros diferentes. • Os variadores develocidade de roda de fricção utilizam dois elementos de rotação de diâmetros diferentes em proximidade, deslizando um com o outro. • A manutenção dos variadores de velocidade é feita com certos cuidados, em especial de lubrificação, verificação dos mancais e do alinhamento. • Os redutores de velocidade são bastante usados em automóveis e geralmente são construídos com um sistema de engrenagens. • A manutenção dos redutores de velocidade é realizada desmontando primeiro pelo eixo de maior rotação, verificando as folgas, e provendo lubrificação apropriada. • As engrenagens podem apresentar um número de formas de falha, incluindo formas de desgaste, abrasão, quebra e trincamento. Para cada defeito é possível estimar quais são as causas prováveis. • Problemas em engrenagens podem ser previstos através de certos sintomas apresentados, incluindo sons estranhos, vibrações e aquecimento. • A desmontagem e montagem de engrenagens é feita obedecendo certos parâmetros, verificando as folgas, evitando batidas e guardando-as em posição vertical. TÓPICO 6 | ENGRENAGENS E VARIADORES DE VELOCIDADE 133 1 Os variadores de velocidade são utilizados na engenharia quando é necessário aumentar ou diminuir a rotação de um sistema, podendo ser de dois tipos principais: roda de fricção e transmissão por correias. Sobre este assunto, classifique as sentenças em V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) Os variadores de velocidade de transmissão por correia devem utilizar polias de tamanhos diferentes. ( ) Os variadores de velocidade de roda de fricção não permitem ajuste contínuo. ( ) A manutenção dos variadores de velocidade deve ser feita verificando os mancais. ( ) Variadores de velocidade de transmissão por correia não devem utilizar polias em “V”. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) F – V – F – V. b) ( ) V – F – V – F. c) ( ) F – V – V – F. d) ( ) V – F – V – F. 2 As engrenagens são equipamentos presentes em redutores de velocidade, sendo muito utilizadas em automóveis para reduzir a rotação que parte do motor. Estes equipamentos possuem várias formas de falha e certos cuidados que são necessários na sua manutenção. Sobre este assunto, classifique as sentenças em V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) A quebra devido à fadiga costuma iniciar no ponto central do dente da engrenagem. ( ) O lascamento costuma ocorrer devido ao tratamento térmico realizado incorretamente. ( ) Uivos nas engrenagens indicam presença de materiais estranhos. ( ) As engrenagens devem ser guardadas na posição vertical, sem empilhá- las. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) F – F – V – V. b) ( ) V – V – F – F. c) ( ) F – V – F – V. d) ( ) V – F – V – F. AUTOATIVIDADE 134 135 UNIDADE 3 MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • identificar os componentes e respectivas funções de elementos de vedação, sistemas hidráulicos e pneumáticos; • reconhecer os vários tipos de lubrificantes e suas aplicações; • detectar falhas em equipamentos a partir da análise das vibrações; • propor uma solução para problemas identificados na vedação, lubrificantes, sistemas hidráulicos e pneumáticos. Esta unidade está dividida em cinco tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – SISTEMAS DE VEDAÇÃO TÓPICO 2 – SISTEMAS HIDRÁULICOS TÓPICO 3 – SISTEMAS PNEUMÁTICOS TÓPICO 4 – LUBRIFICAÇÃO DE SISTEMAS TÓPICO 5 – ANÁLISE DE VIBRAÇÕES 136 137 TÓPICO 1 SISTEMAS DE VEDAÇÃO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Caro acadêmico, estamos iniciando uma nova unidade, em que você estudará diversos sistemas utilizados na engenharia mecânica e os procedimentos de manutenção que deve conhecer para mantê-los operando. O primeiro destes sistemas é o sistema de vedação, que é bastante utilizado em conjunto com outros dispositivos que utiliza óleo lubrificante, e tem a função de manter o óleo no local desejado, evitando o vazamento. Neste tópico, você irá aprender o conceito de sistemas de vedação, os tipos de elementos de vedação, assim como os cuidados que devem ser tomados durante a montagem e manutenção destes elementos. 2 CONCEITO DE VEDAÇÃO O termo vedação refere-se a um processo utilizado para impedir a passagem de gases, líquidos ou partículas sólidas através de certo lugar, criando uma barreira que impede o movimento destes através dela (TELECURSO 2000, 2014). Um exemplo comum que você pode considerar é o das tampas de garrafas de água ou refrigerante. A tampa tem uma geometria projetada de modo a lacrar a boca da garrafa, impedindo a passagem do fluido de um lado para outro. Em casos em que a tampa não é capaz de impedir a passagem do fluido, ocorreria vazamento e a tampa não seria considerada um elemento de vedação eficaz. No projeto do elemento de vedação deve-se escolher um material apropriado, que deve ser inerte (não produzindo reação química) com o fluido sendo isolado, de forma a evitar o vazamento assim como a contaminação do produto. UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS 138 3 TIPOS DE ELEMENTOS DE VEDAÇÃO Existem vários tipos de elementos de vedação, com os principais sendo as juntas, que podem ser de borracha, papelão, teflon, amianto ou de cortiça, assim como anéis de borracha, retentores, gaxetas e selos mecânicos. Você pode observar na Figura 1 um exemplo de junta de vedação. Na Figura 1(a) tem-se um lado de uma conexão de tubo que irá carregar um fluido através desta. Quando esta se conectar com a conexão oposta, é importante que a superfície entre as duas fique bem selada, evitando vazamento, por isso é aplicada uma junta de vedação sobre a superfície, como visto na Figura 1(b). É comum também ver-se juntas com furos que se alinham com os furos de parafuso da conexão de tubo. FIGURA 1 – JUNTA DE VEDAÇÃO FONTE: . Acesso em: 25 jun. 2019. As juntas de vedação podem ser construídas com diversos materiais. Entre os principais tipos de junta e sua utilização, podem-se citar (TELECURSO 2000, 2014): • Juntas de borracha: utilizadas em partes sem movimento de equipamentos, podem ser fabricadas em forma de manta e conter uma camada de lona no interior. • Juntas de papelão: utilizadas em partes de equipamentos que não possuem movimento, como nas tampas das caixas de engrenagens. • Juntas metálicas: utilizadas para equipamentos operando a altas temperaturas ou altas pressões. Geralmente são produzidas de aço com baixo teor de carbono, alumínio, chumbo ou cobre. • Juntas de teflon: utilizadas para realizar a vedação de produtos contendo água, óleo ou ar. Possuem a vantagem de resistir altas temperaturas de até 260ᵒC. TÓPICO 1 | SISTEMAS DE VEDAÇÃO 139 • Juntas de amianto: utilizadas na vedação de fornos e equipamentos similares. A principal vantagem deste tipo é a capacidade de suportar altas temperaturas e a sua resistência a corrosão. • Juntas de cortiça: utilizadas para vedação de equipamentos contendo ar, água ou óleo a baixas pressões. São utilizadas em caixas de engrenagens e tampas de cárter. Os anéis de borracha (Figura 2) podem ser utilizados para vedar partes com ou sem movimento de máquinas. São bastante utilizados na vedação de cilindros hidráulicos e pneumáticos, operando a baixas velocidades. FIGURA 2 – CONJUNTO DE ANÉIS DE BORRACHA FONTE: . Acesso em: 25 jun. 2019. Um dos tipos mais comuns de elementos de vedação são os retentores, também chamados de vedadores de lábio, com um exemplo mostrado na Figura 3. A função principal dos retentores é manter óleo, graxa ou outros fluidos semelhantes dentro de determinada região. Este componente é utilizado para peças que realizam movimento relativo, como, por exemplo, mancais e eixos. Os retentores são encaixados em uma posição entre um eixo (indicação A da Figura 3) e um mancal (B), separando aregião externa contendo ar (D) e a região interna contendo o fluido lubrificante (C). UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS 140 As partes que compõem o retentor incluem um anel metálico de reforço (Indicação 1 da Figura 3), a parte de borracha elastomérica que realiza a vedação, também chamada de lábio (2), uma mola de tração que serve para auxiliar no posicionamento correto do componente (3), e uma vedação auxiliar para poeira na região externa que é opcional (4). FIGURA 3 – RETENTOR FONTE: . Acesso em: 25 jun. 2019. Perceba que nas regiões de contato entre o lábio do retentor e o eixo em rotação, ocorrerá bastante atrito, o que irá gerar calor e causará desgaste, tanto no retentor quanto no eixo. Este atrito poderá ser diminuído através de uma boa escolha do material do retentor. O Quadro 1 mostra quatro materiais comuns para a borracha do lábio e suas recomendações de uso. TÓPICO 1 | SISTEMAS DE VEDAÇÃO 141 QUADRO 1 – MATERIAIS DE BORRACHA DE RETENTOR Código Tipo de borracha Temperatura mínima (ºC) Temperatura máxima em óleo para motor (ºC) Aplicações gerais NBR Nitrílica -35 110 Equipamentos industriais, especialmente na indústria automotiva. ACM Poliacrílica -15 130 Motores e transmissões em automóveis. MVQ Silicone -50 150 Motores de alto desempenho, conversor de torque de transmissões. FPM Fluorelastômero -30 150 Motores e transmissões que possuem altas solicitações. FONTE: Adaptado de Telecurso 2000 (2014) As gaxetas (Figura 4) são elementos utilizados para vedar a passagem de fluido entre dois locais, que pode ser de forma total ou parcial, que possuem uma forma característica de corda, que será recortada em anéis para a montagem. FIGURA 4 – GAXETA FONTE: . Acesso em: 27 jun. 2019. UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS 142 As gaxetas são feitas de materiais como algodão, asbesto, juta, teflon, náilon, ou borracha, aos quais é aglutinado um segundo material, como óleo, graxa, sebo, silicone, mica ou grafite. O propósito disto é que permite às gaxetas servir as funções de vedação e lubrificação simultaneamente. Em alguns casos é necessário permitir vazão do fluido em pequenas quantidades, ao invés da vedação completa; este processo é chamado de restringimento. Um exemplo dito é em bombas de alta rotação, onde o calor gerado é muito elevado. Você pode observar o uso de gaxeta nesta situação na Figura 5. Esta figura apresenta o posicionamento mais típico da gaxeta, que é no espaço da folga entre um eixo e o cilindro oco ao seu redor. Uma peça chamada de sobreposta pressiona a gaxeta para dentro do espaço oco. FIGURA 5 – GAXETA EM USO EM UM EIXO DE BOMBA FONTE: . Acesso em: 27 jun. 2019. A seleção das gaxetas deve ser feita levando todas as variáveis em consideração, pois depende muito das condições de trabalho, incluindo o material, as dimensões, o fluido sendo utilizado, as condições de temperatura e pressão, o tipo de movimento da bomba, entre outros. Os selos mecânicos (Figura 6) são elementos de vedação que permitem a vedação completa, e são compostos de 2 partes, chamadas de sede e anel de selagem. A sede é um elemento estacionário, que fica preso ao cilindro externo, enquanto que o anel de selagem é uma parte que fica conectada ao eixo em rotação. Os selos mecânicos utilizam uma mola helicoidal para garantir que o anel de selagem e a sede fiquem bem pressionados, garantindo que nenhum líquido TÓPICO 1 | SISTEMAS DE VEDAÇÃO 143 passe entre eles e assegurando a vedação. Esta mola é conectada ao anel de selagem. É comum o uso deste componente em conjunto com outro, como juntas, anéis de borracha, entre outros. Neste caso o selo mecânico é chamado de vedação principal e o outro elemento é chamado de vedação secundária. FIGURA 6 – SELO MECÂNICO FONTE: . Acesso em: 28 jun. 2019. Os selos mecânicos são bastante utilizados em equipamentos de alta importância, como bombas de refinarias de petróleo, bombas de lama no tratamento de água, nas usinas termoelétricas e nucleares, entre outros. Estes são preferíveis às gaxetas nestas situações pois possuem as vantagens de não ocorrer nenhum vazamento e trabalhar bem em altas velocidades, temperaturas e pressões com pouco desgaste. Estes também possuem as vantagens de reduzir o atrito entre o eixo e o elemento de vedação, assim como ser capaz de operar com elementos tóxicos ou corrosivos. UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS 144 IMPORTANTE Assim como em vários equipamentos já vistos, é recomendada a realização de pré-lubrificação nos retentores, de forma a manter este lubrificado durante as primeiras rotações do eixo, já que a lubrificação da máquina costuma demorar um pouco para se iniciar. A falha dos retentores ocorre quando acontece o vazamento do fluido, e pode ser identificada através da inspeção do lábio ou do eixo do retentor. Dependendo da forma de dano encontrada, as possíveis causas podem ser observadas no Quadro 2. 4 MANUTENÇÃO DE ELEMENTOS DE VEDAÇÃO Para os retentores, é importante que o eixo possua acabamento de retificação e ter sua superfície livre de sinais de batidas, trincas, sulcos, deformação e ferrugem, de forma a garantir a durabilidade e eficiência do equipamento. É importante também que a dureza do eixo esteja acima de 28 HRC. Quando não estiverem em operação, os retentores devem ser armazenados em suas embalagens individuais, mantidas em temperaturas entre 10ᵒC e 40ᵒC. Deve-se especialmente cuidar durante o manuseio para não se causar deformações nos lábios dos retentores. Para que o retentor seja encaixado corretamente no eixo, é importante que o eixo tenha chanfros entre 15ᵒ e 25ᵒ, o que evita deformações no lábio. Se não for possível criar chanfros, pode-se utilizar uma luva de proteção para o lábio. É recomendado substituir o retentor por um novo toda vez que ocorre desmontagem do conjunto que inclui o retentor. Quando for realizada a substituição, deve-se evitar que o retentor novo trabalhe no sulco do antigo. Podem-se utilizar colas adesivas entre o retentor e o alojamento para garantir a vedação, mas deve-se cuidar para que estas não atinjam o lábio do retentor. TÓPICO 1 | SISTEMAS DE VEDAÇÃO 145 QUADRO 2 – CAUSAS DE VAZAMENTO PARA MODOS DE FALHA EM RETENTORES Defeito Causa provável Lábio cortado ou com material arrancado. Armazenagem incorreta; eixo mal preparado; limpeza incorreta; montagem do lábio sem proteção. Lábio com desgaste uniforme em excesso. Mal acabamento superficial do eixo; ausência de pré-lubrificação; lubrificante incorreto; diâmetro do eixo excessivo; rugosidade excessiva. Lábio com desgaste concentrado. Montagem desalinhada; deformação nas costas do retentor por montagem inadequada; inclinação do retentor no alojamento. Lábio endurecido, com rachaduras no contato com o eixo. Temperatura de trabalho muito alta; lubrificação insuficiente. Retentor com deformações no diâmetro ou inclinação no alojamento. Diâmetro do alojamento muito pequeno; chanfro de entrada defeituoso; instalação com ferramenta não recomendada. Eixo com desgaste na pista de trabalho do lábio. Partículas abrasivas; eixo com baixa dureza. Eixo com marcas de oxidação na área de trabalho do retentor. Ausência de proteção contra oxidação para o eixo durante a sua armazenagem e manuseio. FONTE: Adaptado de Telecurso 2000 (2014) As gaxetas são removidas na desmontagem com auxílio de uma ferramenta chamada de saca-gaxetas, utilizadas em pares. Após a remoção, deve-se limpar o interior da caixa de gaxetas. A condição de limpeza pode ser verificada com lâmpada e espelho quando esta for de difícil visualização. As gaxetas em forma de corda podem ser utilizadas quando não existe uma gaxeta padronizada para o tamanho que é necessário, cortando-as em anéis. Os cortes devem ser feitos com ângulo de 45º, e devem ser posicionados de formaque os anéis adjacentes não possuam cortes na mesma posição, pois pode causar vazamento. As falhas nas gaxetas podem ser identificadas a partir da inspeção desta, podendo determinar as causas prováveis da falha de acordo com o Quadro 3. UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS 146 QUADRO 3 – CAUSAS DE FALHA EM GAXETAS Defeito Causa provável Redução da seção da gaxeta abaixo do eixo. Mancais baixos e eixo que atua sobre gaxeta; vazamento na parte superior do eixo. Redução da espessura a gaxeta em um ou ambos os lados do eixo. Desgaste dos mancais ou haste desalinhada. Anéis faltando. Fundo da caixa de gaxetas muito gasto, causando extrusão da gaxeta. Desgaste da superfície externa da gaxeta. Anéis girando com o eixo ou soltos. Anéis com conicidade. Comprimento insuficiente de anéis adjacentes. Anéis deformados junto à sobreposta, com anéis do fundo em boa condição. Instalação incorreta da gaxeta; pressão da sobreposta excessiva. Gaxetas com tendência de escoamento ou extrusão entre eixo e sobreposta. Pressão excessiva; folga excessiva entre eixo e sobreposta. Face em desgaste do anel é secada e chamuscada, com o resto em boa condição. Excesso de temperatura; lubrificação insuficiente. FONTE: Adaptado de Telecurso 2000 (2014) 147 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você aprendeu que: • Os elementos de vedação são aqueles que impedem a passagem de um fluido, ou partículas sólidas, através de certo espaço. • Os elementos de vedação podem possuir várias formas, como juntas de vedação, gaxetas, selos mecânicos, anéis de borracha e retentores. • As juntas de vedação são bastante usadas em conexões de tubulações e podem ser feitas de vários materiais. • Os retentores são elementos de vedação feitos de borracha, com o tipo de borracha dependendo das condições de trabalho. • As gaxetas são elementos de vedação que recebem aglutinamento, o que permite que estas tenham função de vedação e lubrificação simultaneamente. • Os selos mecânicos são elementos de vedação completa utilizados em equipamentos de alta importância devido à sua capacidade de suportar altas rotações. • As falhas em retentores podem ter sua causa provável determinada a partir da inspeção do lábio, eixo ou deformações no retentor. • As falhas em gaxetas podem ter sua causa provável identificada a partir da inspeção de dano nas próprias gaxetas. 148 1 Os elementos de vedação são de ampla utilização na engenharia para bloquear o fluxo de fluidos e partículas sólidas entre duas regiões. Estes elementos dividem-se em vários tipos. Com base nos elementos de vedação, classifique as sentenças em V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) As juntas metálicas são utilizadas para equipamentos a altas temperaturas. ( ) Os retentores são usados principalmente para componentes estáticos. ( ) Os anéis de borracha são utilizados para máquinas de baixas velocidades. ( ) Os selos mecânicos não suportam altas rotações. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) F – F – V – V. b) ( ) V – F – V – F. c) ( ) F – V – F – V. d) ( ) V – V – F – F. 2 As gaxetas são elementos de vedação com aplicações específicas, que devem receber inspeções regulares de forma a garantir seu bom funcionamento. Estas podem possuir várias formas de folha, que podem ser identificadas a partir da inspeção destas. Relacione as colunas indicando o defeito com a provável causa de falha, de acordo com o código a seguir. (1) Espessura da gaxeta reduzida. (2) Desgaste na superfície exterior da gaxeta. (3) Deformação dos anéis. (4) Faces chamuscadas. ( ) Anéis soltos. ( ) Excesso de temperatura. ( ) Haste desalinhada. ( ) Pressão excessiva da sobreposta. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) 4 – 2 – 3 – 1. b) ( ) 1 – 3 – 4 – 2. c) ( ) 2 – 4 – 1 – 3. d) ( ) 3 – 1 – 2 – 4. AUTOATIVIDADE 149 TÓPICO 2 SISTEMAS HIDRÁULICOS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO As máquinas hidráulicas são dispositivos que transmitem potência a partir da utilização das propriedades da água ou outros líquidos. Por intermédio dos princípios da hidrodinâmica, é possível projetar máquinas que utilizem o fluxo de água para gerar ou realizar trabalho. Um dos exemplos clássicos de sistemas hidráulicos são as rodas d’água, que são utilizadas em rios e canais para retirar energia do fluxo de água. Em alguns casos, como em Londres, existiram redes de transmissão de energia baseada em máquinas hidráulicas, similares às redes elétricas (EMMERSON, 2004). Máquinas hidráulicas modernas consistem de turbinas, bombas, motores hidráulicos, entre outros. Neste tópico, você irá aprender os princípios por trás das máquinas hidráulicas, como são construídas, os principais tipos de máquinas hidráulicas e como deve ser realizada a manutenção delas. 2 PRINCÍPIOS A água é um agente ideal para a transmissão de potência entre dois locais, o que é devido ao fato de que esta é praticamente incompressível. A sua eficiência era grande o suficiente e esta foi utilizada para abastecer energia para milhares de consumidores em Londres até o ano de 1977 (EMMERSON, 2004). Os principais conceitos, através dos quais as máquinas hidráulicas operam, são a pressão e a vazão de um fluido. A Equação 1 define pressão em um contexto geral, como sendo igual a força por unidade de área. Esta variável possui unidade no sistema internacional de pascal (Pa), que é equivalente a newton por metro quadrado. O importante de notar nesta fórmula é que, para um fluido exercendo uma mesma força, quanto menor for a área de aplicação, maior será a pressão resultante. 150 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS Equação 1 Já a vazão de um fluido é definida pela Equação 2, sendo igual a razão entre o volume do fluido que passa por um local e o tempo que este volume leva para passar. A vazão tem unidade do sistema internacional de m³/s. Equação 2 Várias das máquinas hidráulicas atuam com base no princípio de Pascal, que diz: se uma massa de líquido em um sistema fechado receber uma força aplicada sobre esta, o aumento de pressão resultante se espalhará por todo o volume de líquido de maneira uniforme (TELECURSO 2000, 2014). A Figura 7 ilustra a utilização deste princípio através de uma ferramenta chamada de macaco hidráulico. Ao exercer força na região da esquerda, o fluido sofrerá um aumento de pressão para equilibrar com esta força. Pelo princípio de Pascal, a mesma pressão surgirá no lado direito, mas como este possui uma superfície maior, a força que o fluido faz a direita será maior, de acordo com a Equação 3. Equação 3 FIGURA 7 – PRINCÍPIO DE PASCAL EM UMA MACACO HIDRÁULICO FONTE: . Acesso em: 2 jun. 2019. 1 1 2 2 A F F A = VQ t = FP A = TÓPICO 2 | SISTEMAS HIDRÁULICOS 151 Como você pode ver, este princípio permite amplificar a força aplicada em várias vezes. Outros dispositivos que fazem uso deste princípio são as prensas hidráulicas e o freio hidráulico. Uma das principais utilizações dos sistemas hidráulicos para transmissão de forças são em situações onde outros mecanismos não seriam viáveis. Um exemplo disto são as pás hidráulicas de um trator; o motor a diesel, por si só, não é capaz de levantar as pás devido às altas forças necessárias, portanto, o sistema hidráulico é necessário. Os mecanismos hidráulicos são capazes de aumentar as forças em várias vezes, mas não se deve confundir isto com energia. A conservação da energia continua sendo válida, e a energia gasta para pressionar o fluido é igual ou menor do que a energia recebida do outro lado. ATENCAO As máquinas hidráulicas são divididas em dois grupos principais: a hidráulica industrial e a hidráulica móbil. A hidráulica industrial contém máquinas utilizadas em fábricas em locais fixos, como prensas hidráulicas, retificadoras, injetoras, tornos e fresadoras. Já a hidráulica móbil refere-se aos mecanismos utilizados em automóveis, caminhões, navios, locomotivas,tratores, entre outros. 3 CIRCUITO DE TRABALHO HIDRÁULICO O circuito hidráulico básico é composto por alguns elementos principias, incluindo um reservatório, uma bomba, um atuador linear ou rotativo e válvulas de alívio, controle de vazão e direcional. A válvula de alívio é um dispositivo que protege o sistema de sobrecarga. Esta trabalha em conjunto com a válvula de vazão, que reduz a vazão de fluido que entra no sistema, com o restante retornando para o reservatório através da válvula de alívio. A bomba é um dos principais componentes deste sistema, elevando a pressão do fluido, geralmente óleo, e impulsionando o seu movimento. A bomba irá conectar o fluido a alta pressão à válvula direcional. 152 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS A válvula direcional é um dispositivo que controla a direção de movimento do fluido. Este possui, normalmente, duas entradas e duas saídas, e, a partir de um mecanismo, pode controlar qual entrada conecta em qual saída. Esta função serve também para proteger o sistema de falha por sobrecarga. O atuador direcional é o mecanismo que converte a pressão do fluido em trabalho, sendo constituído de um pistão cilíndrico e eixo em um êmbolo. Este atuador costuma trabalhar com velocidades menores, adequadas para o trabalho. A Figura 8 contém um exemplo de circuito hidráulico industrial. Perceba como a alteração da conexão na válvula direcional permite que a bomba envie fluido de alta pressão em ambos os lados do atuador linear. FIGURA 8 – CIRCUITO HIDRÁULICO INDUSTRIAL FONTE: O autor A manutenção dos circuitos hidráulicos segue algumas etapas simples, mas importantes. Primeiramente, você deve analisar o funcionamento do TÓPICO 2 | SISTEMAS HIDRÁULICOS 153 FIGURA 9 – BOMBA LINEAR DE PISTÕES RADIAIS FONTE: . Acesso em: 3 jul. 2019. circuito, determinando se algum problema de funcionamento pode ser detectado. Em seguida, você deve verificar a regulagem das válvulas, reconfigurando-as conforme necessário. Você deve, também, verificar se existe vazamento em algum ponto da tubulação. Por último, deve ser verificado o óleo no reservatório, que pode precisar de limpeza. 4 BOMBAS As bombas são os dispositivos utilizados para converter energia mecânica em energia hidráulica, aumentando a pressão do fluido e causando seu movimento. Estas são utilizadas nos sistemas hidráulicos industriais e móbil. As bombas podem ser divididas em dois grupos principais: bombas lineares, que podem ser de pistões radiais e pistões axiais, e bombas rotativas, que podem ser de engrenagens ou de palhetas. As bombas lineares de pistões radiais possuem pistões posicionados em um conjunto, apoiados em contato com um eixo central estacionário. Quando o eixo central gira em torno de um ponto que não está perfeitamente centrado, os pistões são movimentados sobre o fluido, realizando trabalho sobre este. A Figura 9 possui um exemplo de diagrama de bomba linear de pistões radiais. Note que o eixo central está pressionando os pistões 1 e 2 da figura, enquanto que os pistões 3, 4 e 5 encontram-se não pressionados. Conforme o eixo central gira em torno do ponto marcado, os pistões 1 e 2 irão ser liberados, tomando posição similar àquela que os pistões 3, 4 e 5 têm na figura, enquanto que os outros pistões serão pressionados. Este ciclo de sucção e descarga é o que realiza o trabalho sobre o fluido, transformando a energia mecânica em energia hidráulica e aumentando a pressão do fluido. 154 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS As bombas lineares de pistões axiais possuem um comportamento bastante similar, apenas com geometria diferente. Nestas bombas, os pistões estão paralelos ao eixo e são apoiados através de sapatas sobre um anel inclinado, com a rotação sendo realizada pelo conjunto de pistões, como eixo estacionário. A Figura 10 contém um exemplo de bomba linear de pistões axiais. Perceba o posicionamento dos pistões no anel inclinado. Os pistões no lado esquerdo da figura apresentam-se na parte mais alta do anel e, consequentemente, ficam em posição pressionada sobre o furo, enquanto que os pistões no lado direito estão na posição mais baixa do eixo inclinado e encontram-se relaxados sobre o furo. Quando ocorrer rotação do eixo central, os pistões irão girar junto com este e sua posição será alternada, fazendo com que os pistões se movam para cima e para baixo alternadamente. Assim, novamente ocorrerá os ciclos de sucção e descarga nos quais os pistões realizam trabalhos sobre o fluido. FIGURA 10 – BOMBA LINEAR DE PISTÕES AXIAIS FONTE: . Acesso em: 4 jul. 2019. Ambos estes tipos de bombas podem variar quanto ao tamanho e número de pistões. O deslocamento do fluido vai depender destas variáveis, assim como o curso percorrido pelos pistões. A manutenção das bombas lineares de pistões axiais consistirá na troca do conjunto rotativo quando começar a ocorrer queda do rendimento da bomba. Você deve, também, verificar se o óleo está limpo. Não deve ocorrer presença de água no óleo. TÓPICO 2 | SISTEMAS HIDRÁULICOS 155 As bombas rotativas de engrenagens possuem duas engrenagens em um compartimento estreito, onde uma destas é acionada pelo eixo e impulsiona a outra. Este movimento suga o fl uido, proporcionando o seu movimento e o aumento de pressão. As folgas que existem neste sistema são vedadas pela própria viscosidade do fl uido, que normalmente é óleo. A Figura 11 contém um exemplo de bomba rotativa de engrenagens. Perceba como as engrenagens giram na direção oposta ao movimento do fl uido, forçando o fl uido a passar pelo caminho mais longo para chegar ao lado oposto. Isto serve para aumentar a pressão. FIGURA 11 – BOMBA ROTATIVA DE ENGRENAGENS FONTE: . Acesso em: 4 jul. 2019. A manutenção destas bombas de engrenagens é realizada com duas ações principais. Primeiramente, você deve manter o óleo bem limpo – este não deve conter impurezas, incluindo a presença de água. Segundo, quando ocorrer desgaste signifi cativo nas engrenagens estas deverão ser trocadas. As bombas rotativas de palhetas operam utilizando um rotor posicionado fora do centro da bomba, ao qual se conectam várias palhetas, que se mantém conectadas às faces internas da estrutura da bomba devido à força centrífuga sobre estas. Devido a este contato contínuo, o sistema tem vida útil longa, mesmo sofrendo desgaste. O espaço dentro da bomba para o fl uido é maior na entrada, e logo se expande, causando uma sucção, enquanto que no lado oposto se comprime, causando o aumento da pressão na região de saída e força o fl uido para fora. 156 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS A Figura 12 contém um exemplo de bomba rotativa de palhetas. Perceba como o rotor central está descentrado, fazendo com que o espaço dentro da bomba é maior no lado da entrada (direita), enquanto que o espaço é bem estreito na saída (esquerda). FIGURA 12 – BOMBA ROTATIVA DE PALHETAS FONTE: . Acesso em: 4 jul. 2019. A manutenção das bombas rotativas de palhetas é realizada através da troca de todo o conjunto, que deve ser feita quando o desgaste for excessivo devido ao longo tempo de operação da bomba. 5 ÓLEO HIDRÁULICO O óleo é o fluido mais recomendado para uso em máquinas hidráulicas por diversos motivos. Além da transmissão de pressão eficiente, o óleo é um bom condutor de calor, sendo capaz de atuar como fluido refrigerante, evitando o sobreaquecimento do equipamento. A viscosidade do óleo também é um ponto positivo, pois permite a este realizar vedação, como já discutido para as bombas rotativas de engrenagens. Outras vantagens do uso de óleo é que este praticamente não se mistura com a água, portanto, caso ocorra contaminação de água no fluido, ficará mais evidente e será mais fácil de separá-los. Por último, o óleo sofre pouca oxidação quando em contato com o ar, assim mantendo-se na condição normal por um longo tempo. O óleo137 2 CONCEITO DE VEDAÇÃO ............................................................................................................... 137 3 TIPOS DE ELEMENTOS DE VEDAÇÃO ........................................................................................ 138 4 MANUTENÇÃO DE ELEMENTOS DE VEDAÇÃO ..................................................................... 144 RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 147 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 148 TÓPICO 2 – SISTEMAS HIDRÁULICOS .......................................................................................... 149 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 149 2 PRINCÍPIOS .......................................................................................................................................... 149 3 CIRCUITO DE TRABALHO HIDRÁULICO .................................................................................. 151 4 BOMBAS ................................................................................................................................................ 153 5 ÓLEO HIDRÁULICO........................................................................................................................... 156 6 ATUADORES HIDRÁULICOS .......................................................................................................... 157 7 VÁLVULAS HIDRÁULICAS ............................................................................................................. 158 RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 161 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 162 TÓPICO 3 – SISTEMAS PNEUMÁTICOS ......................................................................................... 163 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 163 2 COMPRESSORES ................................................................................................................................. 164 3 REDES DE AR COMPRIMIDO ........................................................................................................ 168 4 ATUADORES PNEUMÁTICOS ........................................................................................................ 170 5 VÁLVULAS PNEUMÁTICAS ............................................................................................................ 171 RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 173 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 174 TÓPICO 4 – LUBRIFICAÇÃO DE SISTEMAS .................................................................................. 175 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 175 2 TIPOS DE LUBRIFICANTES ............................................................................................................. 175 3 APLICAÇÃO DE LUBRIFICANTES ................................................................................................ 178 4 CONTROLE DA APLICAÇÃO DE LUBRIFICANTES ................................................................ 181 5 MANUSEIO E ARMAZENAMENTO DE LUBRIFICANTES ...................................................... 183 RESUMO DO TÓPICO 4........................................................................................................................ 185 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 186 TÓPICO 5 – ANÁLISE DE VIBRAÇÕES ............................................................................................ 187 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 187 2 VIBRAÇÕES MECÂNICAS ............................................................................................................... 187 3 APLICAÇÕES ........................................................................................................................................ 189 4 ANÁLISE ESPECTRAL ........................................................................................................................ 189 5 EQUIPAMENTOS ................................................................................................................................. 194 LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................................... 197 RESUMO DO TÓPICO 5........................................................................................................................ 198 AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 199 REFERÊNCIAS ......................................................................................................................................... 200 X 1 UNIDADE 1 CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • familiarizar-se com os conceitos básicos de manutenção industrial; • detalhar as formas de manutenção com seus respectivos benefícios; • realizar o plano de manutenção, analisando os custos envolvidos; • descrever os procedimentos de segurança na manutenção e os cuidados que devem ser tomados; • determinar as ferramentas de manutenção mecânica apropriadas para cada situação. Esta unidade está dividida em cinco tópicos. No decorrer da unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – MANUTENÇÃO E SUA IMPORTÂNCIA TÓPICO 2 – FORMAS DE MANUTENÇÃO TÓPICO 3 – PLANEJAMENTO E CUSTOS DE MANUTENÇÃO TÓPICO 4 – SEGURANÇA E CUIDA DOS PRÉVIOS TÓPICO 5 – FERRAMENTAS DE MANUTENÇÃO 2 3 TÓPICO 1 UNIDADE 1 MANUTENÇÃO E SUA IMPORTÂNCIA 1 INTRODUÇÃO Caro acadêmico, você está prestes a começar um novo passo em seus estudos e provavelmente está se perguntando: qual é a importância de aprender práticas da manutenção? O processo de manutenção foi necessário na área industrial desde o próprio surgimento da indústria, pois desde que a humanidade começou a produzir produtos existiram falhas na produção. A grande competitividade existente na indústria moderna fez que a qualidade dos produtos e serviços prestados seja de fortíssima importância, de forma a garantir a competitividade da empresa e a satisfação do cliente. O processo de manutenção é essencial na garantia da qualidade de um produto, já que todas as partes envolvidas em um processo industrial tendem a sofrer alguma forma de desgaste ao longo do tempo. A função do processo de manutenção é criar um planejamento que permita que você se prepare de forma a evitar que este desgaste cause danos no seu processo de produção. Neste tópico, você aprenderá, em detalhes, os principais objetivos da manutenção industrial e da sua influência na indústria moderna, assim como as consequências da ausência de uma manutenção apropriada. 2 OBJETIVOS DA MANUTENÇÃO Na criação de qualquer produto na indústria, existem alvos que devem ser alcançados de forma a garantir a satisfação do cliente e permitir o sucesso dautilizado nas máquinas hidráulicas também deve receber manutenção. Entre as principais ações que você deve realizar para este propósito, estão a utilização de filtros, tanto na sucção quanto no retorno, o que impede a passagem de sujeira e contaminantes e remover a água do ar do reservatório – uma das principais formas da água chegar para contaminar o óleo. Para separar água do óleo, caso ocorra contaminação, devem-se usar aditivos e realizar a drenagem do óleo com uso de filtros. Se a contaminação for excessiva é necessário trocar o óleo do sistema inteiro. TÓPICO 2 | SISTEMAS HIDRÁULICOS 157 6 ATUADORES HIDRÁULICOS Os atuadores hidráulicos têm uma função no circuito hidráulico oposta à da bomba; enquanto que as bombas realizam trabalhos sobre o fluido, o fluido realiza trabalho sobre os atuadores, transformando a energia hidráulica em energia mecânica. Existem dois tipos principais de atuadores hidráulicos utilizados em circuitos hidráulicos: os cilindros lineares e os motores hidráulicos. O cilindro linear encontra-se em uma estrutura chamada de camisa, que possui um orifício em cada lado do cilindro, onde o fluido em alta e em baixa pressão pode entrar em cada lado do cilindro. Esta diferença de pressão irá causar o movimento linear do cilindro dentro da camisa, resultando em trabalho mecânico. A manutenção do cilindro linear é feita principalmente através da troca da guarnição elástica que se encontra na haste do cilindro, no ponto onde se encontra com a camisa do cilindro. Os motores hidráulicos, diferente dos cilindros lineares, convertem a energia hidráulica em trabalho mecânico na forma de movimento giratório, ao invés de linear. Desta forma, os motores hidráulicos podem ser considerados como um verdadeiro oposto das bombas hidráulicas. Estes motores podem, inclusive, funcionar como bomba, apesar de que as bombas nem sempre podem operar como motores. Os motores hidráulicos dividem-se em três tipos principais: o motor unidirecional, que só pode girar em uma direção; o motor bidirecional, ou reversível, que pode girar em ambas as direções; e o motor oscilante, ou angular, que gira em ambas as direções durante a operação, mas com um ângulo de rotação sendo limitado. Para os motores bidirecionais, a rotação do motor é invertida através da inversão da direção do fluxo de óleo. Um exemplo de motores hidráulicos são os motores de engrenagens, um motor extremamente similar à bomba de engrenagens vista na Figura 11, com a principal diferença sendo que aqui já existe um fluxo de óleo, que empurra as engrenagens, enquanto que, nas bombas de engrenagens, são as engrenagens da bomba que se movimentam, impulsionando o óleo. Uma das vantagens do uso do motor de engrenagens é a sua capacidade de operar mesmo em condições de pouca limpeza, e sua geometria e funcionamento simples. A manutenção destes equipamentos é realizada simplesmente substituindo o motor por um novo quando ocorre a falha. 158 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS 7 VÁLVULAS HIDRÁULICAS Existem quatro tipos principais de válvulas hidráulicas nos circuitos hidráulicos: válvulas direcionais, válvulas de bloqueio, válvulas controladoras de pressão e as válvulas controladoras de fluxo ou de vazão. As válvulas direcionais possuem a função de direcionar o fluido para o canal desejado entre vários, podendo variar quanto ao número de canais que atende, o número de posições que a válvula assume, os princípios de funcionamento e a forma de acionamento. O tipo mais comum de válvula direcional é a válvula de carretel, vista na Figura 13. Perceba como as entradas 1 e 2 conectam com as saídas 4 e 3, respectivamente, na posição inicial da válvula. No entanto, quando a alavanca da válvula é acionada, o carretel, que é a haste horizontal amarela, movimenta-se dentro da válvula, reconectando os canais, de forma que agora, as entradas 1 e 2 conectam-se as saídas 3 e 4, respectivamente. FIGURA 13 – VÁLVULA DE CARRETEL FONTE: O autor O principal problema que pode ocorrer com as válvulas de carretel é o travamento do próprio carretel, impedindo que as conexões sejam alteradas. Outro problema, que costuma acontecer, é a quebra da alavanca de acionamento. As válvulas de bloqueio servem para impedir completamente a passagem de fluido em regiões com altas cargas verticais. O principal defeito que estas costumam sofrer é o de desgaste da sua sede ou sujeira no óleo. TÓPICO 2 | SISTEMAS HIDRÁULICOS 159 FIGURA 14 – VÁLVULA CONTROLADORA DE PRESSÃO FONTE: Adaptado de Greenhill (1894) As válvulas controladoras de pressão podem ser classificadas de acordo com sua posição ou função específica no circuito hidráulico. Pode-se citar como as principais (TELECURSO 2000, 2014): • Válvulas de descarga. • Válvulas de alívio, ou válvulas de segurança. • Válvulas de contrabalanço. • Válvulas de sequência. • Válvul as de frenagem. • Válvulas de segurança e descarga. • Válvulas redutoras de pressão. As válvulas controladoras de pressão são dispositivos que introduzem um limite ou redução da pressão do fluido no circuito hidráulico, impedindo que esta exceda o máximo permissível. A Figura 14 contém um exemplo de uma válvula controladora de pressão. Perceba a presença da mola, que realiza força sobre o carretel e, consequentemente, no fluido que entra pelo lado inferior. A força da mola será maior quanto maior a força do fluido que entra, desta forma controlando a pressão de entrada. Estas válvulas também podem ser construídas com um peso ao invés de uma mola (GREENHILL, 1894). 160 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS Por último, as válvulas controladoras de vazão regulam o fluxo de fluido, permitindo que o sistema trabalhe com o volume de fluido desejado. A vazão de óleo que passa por estas não passará do valor especificado, mesmo que a pressão seja aumentada. Estas válvulas podem ser variáveis ou fixas, e podem permitir fluxo unidirecional ou bidirecional dependendo do modelo da válvula. A manutenção das válvulas hidráulicas consiste na manutenção de várias das suas partes componentes quando detectados defeitos: o óleo, as guarnições das válvulas, as molas e as sedes de assentamento. Para o óleo, você deve verificar a presença de água e sujeira no fluido, que são contaminantes. Caso exista, deverá drenar o óleo contaminado e substituir este por um óleo novo que segue as especificações. As guarnições devem ser trocadas quando estiverem desgastas. Já as molas sofrerão fadiga com o passar do tempo, e deverão ser trocadas quando isto ocorrer. Por último, o nível de desgaste na sede de assentamento é algo que deve ser verificado regularmente. Se o dano na válvula for muito extenso, a válvula pode ser considerada irrecuperável; nesta situação a solução mais eficiente é simplesmente substituir a válvula inteira por uma válvula nova. 161 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • As máquinas hidráulicas são aquelas que transferem potência entre dois pontos através da utilização de água, sofrendo e realizando trabalho. • As máquinas hidráulicas utilizam o princípio de Pascal para amplificar forças no destino. • As máquinas hidráulicas são divididas em dois grupos principais: a hidráulica industrial e a hidráulica móbil. • Os circuitos hidráulicos são compostos de alguns elementos em comuns, como bombas, válvulas, reservatório e atuador linear. • O fluido de trabalho utilizado nas máquinas hidráulicas normalmente é o óleo, devido a sua capacidade de vedação e refrigeração, entre outros pontos. • O óleo utilizado em circuitos hidráulicos necessita de manutenção, que consiste em eliminar sujeiras e água contaminante, o que pode ser feito através de filtros ou troca do óleo. • As bombas hidráulicas são dispositivos que convertem energia mecânica em energia hidráulica, podendo ser lineares ou rotativas. • A manutenção das bombas depende do tipo de bomba, sendo realizada observando o nível de desgaste e trocando todo ou parte doconjunto. • Os atuadores hidráulicos são dispositivos que convertem energia hidráulica em energia mecânica, podendo ser cilindros lineares ou motores hidráulicos. • A manutenção dos cilindros lineares é feita através da troca da guarnição, enquanto que a manutenção dos motores hidráulicas é feita através da troca de todo o conjunto. • As válvulas possuem uma série de funções nos circuitos hidráulicos, incluindo controlar a direção de fluxo, a pressão ou a vazão do fluido. • A manutenção das válvulas é realizada através da verificação do óleo, guarnições, molas e sede de assentamento. 162 AUTOATIVIDADE 1 As máquinas hidráulicas são dispositivos de ampla aplicação, sendo utilizados em prensas hidráulicas, retificadoras, automóveis, locomotivas, entre outros. Com base nestes equipamentos, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Servem para amplificar a energia de um certo mecanismo. ( ) Geralmente utilizam óleo como fluido, não devendo entrar água. ( ) São baseadas no princípio de Pascal. ( ) Não costumam realizar trabalho, apenas receber. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) F – V – V – F. b) ( ) V – V – F – F. c) ( ) F – F – V – V. d) ( ) V – F – F – V. 2 Os circuitos hidráulicos são compostos por algumas partes principais, entre elas, bombas hidráulicas, atuadores hidráulicos, válvulas de carretel e o óleo. Com base nisto, relacione as partes do circuito hidráulico com a função desempenhada, utilizando o código a seguir. (1) Atuadores hidráulicos. (2) Bombas hidráulicas. (3) Óleo. (4) Válvulas de carretel. ( ) Controlar a direção de movimento do fluido. ( ) Transferir pressão entre dois pontos. ( ) Transformar energia hidráulica em energia mecânica. ( ) Transformar energia mecânica em energia hidráulica. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) 4 – 1 – 2 – 3. b) ( ) 3 – 4 – 2 – 1. c) ( ) 1 – 2 – 4 – 3. d) ( ) 4 – 3 – 1 – 2. 163 TÓPICO 3 SISTEMAS PNEUMÁTICOS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO As máquinas pneumáticas são dispositivos semelhantes às máquinas hidráulicas, com a diferença que transmitem potência a partir da utilização de gases ao invés de líquidos. Novamente o princípio de Pascal se aplica a esses sistemas, e é essencial para a sua eficiência em transferir potência. O gás utilizado nos sistemas pneumáticos é normalmente o ar comprimido, uma combinação de oxigênio, nitrogênio, e vários outros gases em pequenas quantidades, sendo escolhido devido a sua grande facilidade de obtenção. Assim como com os sistemas hidráulicos, os sistemas pneumáticos são de grande importância, pois permitem ampliar forças, reduzindo a necessidade de esforço por parte do operador, e, muitas vezes, podendo ser utilizado em lugares onde outros equipamentos não seriam viáveis. Uma das principais vantagens dos sistemas pneumáticos, comparado aos sistemas hidráulicos, é que são um sistema bem limpo, já que vazamentos serão apenas de ar, ao invés de óleo, que seria um contaminante em muitos processos. Por este motivo os sistemas pneumáticos são utilizados na indústria alimentícia (PNEUMATICS, 2013). Outra vantagem é que sistemas pneumáticos trabalham melhor e mais rápido com tamanhos pequenos, o que é difícil para sistemas hidráulicos devido à alta viscosidade do óleo. Por outro lado, sistemas hidráulicos possuem uma eficiência energética e capacidade de levantar cargas pesadas melhor do que os sistemas pneumáticos, portanto ambos possuem um campo de aplicação onde são melhores (PNEUMATICS, 2013). Neste tópico, você irá aprender sobre as redes de ar comprimido, assim como os principais componentes dos sistemas pneumáticos que trabalham com estas redes, como os compressores, os atuadores pneumáticos e as válvulas, assim como os modos de falha e as técnicas de manutenção para cada um deles. 164 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS 2 COMPRESSORES Os compressores são os dispositivos responsáveis por obter o ar atmosférico e inseri-los nas máquinas pneumáticas. Estes compressores também possuem a função de comprimir o ar até uma alta pressão, o que é necessário para que este possua energia suficiente para realizar trabalho. A pressão utilizada de ar comprimido, nos sistemas pneumáticos, costuma ser em torno de 600 kPa, ou 6 bar (TELECURSO 2000, 2014). Existem dois tipos principais de compressores: os compressores de deslocamento positivo e os compressores dinâmicos. Estes tipos se dividem em dois tipos adicionais cada, conforme a Figura 15. FIGURA 15 – TIPOS DE COMPRESSORES FONTE: O autor Os compressores de deslocamento positivo realizam sua função prendendo ar em volumes fechados de alta pressão, de forma sucessiva. Existem dois tipos principais de compressores de deslocamento positivo: os compressores de pistão e os compressores de parafuso. Os compressores de pistão comprimem o ar através do movimento de um pistão em uma câmara. Estes podem ser de dois tipos: simples efeito (SE) e duplo efeito (DE). Os compressores de pistão SE comprimem ar movimentando-se em uma direção, enquanto que os compressores de pistão DE comprimem ar movimentando-se em ambas as direções, conforme na Figura 16 (BALL, 2017). TÓPICO 3 | SISTEMAS PNEUMÁTICOS 165 FIGURA 16 – COMPRESSORES DE PISTÃO DE SIMPLES EFEITO E DUPLO EFEITO FONTE: O autor A manutenção dos compressores de pistão é realizada verificando uma série de componentes quanto a possíveis problemas. Primeiramente, é importante que os filtros dos compressores sejam mantidos limpos, realizando a troca quando for necessário. Ocorre também a presença de água nos compressores, que provém da condensação da umidade do ar durante o processo de compressão. Esta água pode se acumular e é preciso eliminá-la. Outros fatores que devem ser verificados são o nível do óleo, vazamentos nas saídas de ar, travamento das válvulas de entrada e saída, o estado da água de refrigeração, o funcionamento efetivo da válvula de segurança e o nível de tensão nas correias. Os compressores de parafuso utilizam um par de parafusos posicionados em paralelo que, através da rotação entre eles, movimenta o ar, comprimindo-o. O sistema de par de parafusos da Figura 17 é um exemplo do sistema utilizado nos compressores de parafuso. 166 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS FIGURA 17 – ROTORES DE UM COMPRESSOR DE PARAFUSOS FONTE: . Acesso em: 9 jul. 2019. A manutenção dos compressores de parafuso é mais simples que a da maioria dos outros equipamentos, pois trabalha com temperaturas baixas, pequena vibração e possui um menor número de peças móveis, portanto, possuem uma vida útil longa. A instalação deste equipamento deve ser em concreto nivelado, longe de paredes e tetos. Os compressores dinâmicos realizam a compressão do ar através do movimento de elementos de rotação, que movimentam o fluido. Estes tipos são usados, principalmente, quando é necessário comprimir uma grande massa de ar. Os compressores dinâmicos dividem-se em duas categorias principais: o compressor centrífugo radial e o compressor axial. O compressor centrífugo radial possui um rotor com pás inclinadas, similares as de uma turbina, como o exemplo visto na Figura 18 que mostra um propulsor de avião fabricado pela Rolls-Royce. O ar se aproxima destas pás pela direção axial e é desviado para a direção radial, como nas setas da Figura 18. Estes compressores podem ter múltiplos estágios, como visto na mesma figura, onde você pode observar a presença de dois rotores, que recebem o mesmo ar em sequência. TÓPICO 3 | SISTEMAS PNEUMÁTICOS 167 FIGURA 18 – COMPRESSOR CENTRÍFUGO RADIAL DE UM PROPULSOR DE AVIÃO FABRICADO PELA ROLLS-ROYCE FONTE: . Acesso em: 9 jul. 2019. O uso de compressores centrífugos radiais é recomendado quando é necessário que o fluxo de ar comprimido seja não apenas de uma grande quantidade de massa, mas um fluxo constante. Os compressores axiais são utilizados paragrandes quantidades de ar, operando a altas rotações. Estes compressores costumam operar em múltiplos estágios, com cada estágio possuindo duas fileiras de lâminas, uma em rotação e uma estacionária. As lâminas em rotação servem para acelerar o ar até uma alta velocidade, enquanto que as lâminas estacionárias possuem a função de reduzir a velocidade do ar e aumentar a sua pressão. Os compressores centrífugos radiais e os compressores axiais têm sua forma de manutenção bastante similar. Primeiramente, é necessário realizar paradas regulares para fazer a limpeza do compressor. Além disso, são necessárias outras operações de manutenção, como a troca dos filtros que estiverem sujos, o realinhamento das partes, e é necessário trocar os rolamentos. Caso alguma das lâminas dos compressores estiver danificada, esta pode ser reparada através da soldagem da parte danificada. Se for detectado barulhos estranhos, isto pode indicar algum problema sério para os compressores, e, por isso, é sugerido fortemente que este tenha sua operação parada e que seja realizada uma inspeção detalhada para descobrir a fonte do ruído. 168 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS 3 REDES DE AR COMPRIMIDO Após comprimido, o ar é depositado em um tanque chamado de reservatório principal. Em seguida, este pode ser transferido para onde for necessário através de um sistema de tubulações e válvulas; este sistema é chamado de rede de ar comprimido. Na construção de redes de ar comprimido, existem alguns cuidados que devem ser observados. Primeiramente, os cantos onde o ar comprimido faz curvas devem ser arredondados de forma a minimizar a perda de carga do fluido. Os tubos devem ser construídos com uma inclinação de tal forma que sua altura desça 1 cm para cada 100 cm de comprimento. Os pontos mais baixos da tubulação são pontos onde ocorrerá acúmulo de condensado de água, portanto deve existir um dreno nestes locais. Similarmente, quando for tirado o ar da rede para aplicação, o tubo que toma ar deve conectar a parte superior para que qualquer água acumulada na rede não possa entrar. Não se deve embutir as tubulações de ar comprimido em paredes, por motivos de segurança e por facilitar o processo de inspeção e manutenção destas. Ao invés disto, as tubulações devem ser aéreas e de fácil acesso. A rede de ar comprimido deve ser construída de forma que, se uma seção der problema, os outros equipamentos da rede poderão continuar recebendo ar comprimido e operando de maneira normal. Isto é, construindo uma rede onde os tubos correm em paralelo, e nunca em série. Um equipamento que permite esta funcionalidade são as válvulas instaladas ao longo da rede, que podem trancar o fluxo de ar em uma seção sem afetar as outras. A Figura 19 contém um exemplo de rede de ar comprimido. Perceba o compressor (máquina verde) na parte direita da figura, que conecta com o tanque no centro, que, por sua vez, conecta com o resto da rede na região esquerda. Note também que, por convenção, as tubulações de ar comprimido são pintadas sempre de cor azul. FIGURA 19 – REDE DE AR COMPRIMIDO FONTE: . Acesso em: 10 jul. 2019. TÓPICO 3 | SISTEMAS PNEUMÁTICOS 169 A manutenção das redes de ar comprimido é feita em alguns simples passos. Primeiramente, você deve verificar todas as conexões de forma a detectar possíveis vazamentos. A drenagem de água deve ser realizada diariamente, ou a cada hora se for necessário. Por último, é instalado na entrada de cada máquina pneumática um dispositivo chamado F.R.L (filtro, regulador e lubrificador), que deve ser verificado com regularidade. A Figura 20 mostra um exemplo de F.R.L, onde você pode perceber que as três partes estão na mesma ordem que o nome. Estes dispositivos também costumam incluir um manômetro para observação da pressão do ar. É importante instalar o F.R.L na posição vertical, movendo todos os indicadores para a posição zero e limpando as entradas dos tubos da rede de ar comprimido antes de conectá-los. Não se deve utilizar este equipamento em áreas ao ar livre onde existe poeira, evitar contato com produtos químicos e com água do mar ou altas temperaturas. Evitar utilizá-lo com óleos sintéticos, solventes orgânicos ou gases voláteis, pois podem danificar o produto. O medidor de pressão deve ser apertado com uma chave de boca, e nunca com a mão (HOW, 2017). FIGURA 20 – FILTRO REGULADOR LUBRIFICADOR DE AR COMPRIMIDO FONTE: . Acesso em: 10 jul. 2019. NOTA O termo “regulador”, no Filtro Regulador Lubrificador (F.R.L) refere-se à regulagem de pressão, que é feita exclusivamente através da diminuição desta. O funcionamento deste dispositivo é similar ao de uma válvula de controle de pressão, como estudada no tópico anterior. 170 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS 4 ATUADORES PNEUMÁTICOS Os atuadores pneumáticos, similares aos atuadores hidráulicos, têm a função oposta à dos compressores, ou seja, transformar energia do ar comprimido em energia mecânica, de forma a realizar trabalho. Existem duas categorias principais de atuadores pneumáticos: os atuadores lineares e os atuadores rotativos. Os atuadores lineares podem ser de pistão, e possuem geometria similar àquela dos compressores de pistão, com a diferença de que agora é o ar que movimenta o pistão, ao invés do contrário. Como os compressores de pistão, estes atuadores lineares podem ser de simples efeito ou de duplo efeito. Os atuadores rotativos podem ter várias formas de construção. Uma das mais comuns é um conjunto de pinhão e cremalheira (Figura 21), onde a cremalheira (parte dentada reta) está conectada a um pistão. O funcionamento é similar ao atuador linear de pistão, mas o movimento é transferido para a cremalheira e, através desta, para o pinhão, gerando movimento rotativo (HILL, 2017). FIGURA 21 – PINHÃO E CREMALHEIRA FONTE: . Acesso em: 10 jul. 2019. Outro tipo de atuadores rotativos são os de aleta, com um exemplo mostrado no diagrama da Figura 22. Estes atuadores possuem cilindro oco com um eixo central (amarelo) ao qual é conectada uma aleta (verde) que pode girar livremente em um ângulo de 270º. Ar comprimido a alta pressão entra em uma das entradas, enquanto o ar é drenado da outra entrada, o que faz a aleta girar em uma direção até o fi m do curso. Chegando ao fi m, os lados de alta e baixa pressão se invertem e forçam a aleta a girar na direção oposta. Este movimento da aleta gira o eixo que transfere a potência para o resto do sistema (HILL, 2017). TÓPICO 3 | SISTEMAS PNEUMÁTICOS 171 FIGURA 22 – ATUADOR ROTATIVO DE ALETA FONTE: O autor Para a manutenção dos atuadores pneumáticos, é altamente recomendável que você tenha em mãos o catálogo do fabricante, pois estes irão listar os parâmetros importantes que devem ser especificados nos atuadores, incluindo diâmetro das partes, pressão e temperatura de trabalho, curso de movimento dos pistões, forças limite, lubrificante recomendado, forma de montagem, entre outros. 5 VÁLVULAS PNEUMÁTICAS As válvulas pneumáticas podem ser de quatro tipos principais: válvulas direcionais, válvulas de controle de fluxo, válvulas de bloqueio e válvulas de pressão. As válvulas direcionais são umas das mais importantes, tendo a função de controlar a direção de movimento do ar comprimido, conectando este entre diferentes tubulações, similares às válvulas direcionais que você estudou no tópico anterior. A manutenção deste tipo de válvula é realizada através da limpeza das partes internas e da troca dos anéis de borracha que estiverem desgastados. Se o defeito for maior, muitas vezes valerá mais a pena trocar a válvula por uma nova. As válvulas de bloqueio servem para impedir a passagem de fluido por uma tubulação. Podem ser de três tipos principais: válvulas alternadoras, válvulas de escape rápido ou válvulas de simultaneidade. 172 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS As válvulas alternadoraspossuem duas entradas, chamadas de P1 e P2 e uma saída A. A válvula possui um elemento esférico dentro dela que irá bloquear uma das entradas, permitindo a passagem de ar apenas da outra para a saída A. Normalmente com este sistema, a pressão maior será a única que passará, pois irá mover a esfera para a outra entrada, bloqueando-a. As válvulas de simultaneidade, também chamadas de válvulas de duas pressões, são similares em conceito às válvulas alternadoras, mas, ao invés de uma esfera interna, estas válvulas possuem um pistão interno que irá fechar a passagem do lado com maior pressão, portanto apenas a pressão menor passará. As válvulas de escape rápido possuem uma conexão de entrada (P), uma conexão de saída (R) e uma conexão de alimentação (A). O movimento normal do ar comprimido neste é da entrada para a alimentação, no entanto, se ocorrer uma inversão de pressão entre estes pontos, esta válvula impede que o fluxo se inverta, fechando a entrada e abrindo a saída R. As válvulas de controle de fluxo, similares às válvulas de vazão nas tubulações hidráulicas, limitam o volume de fluido que passa através delas. O exemplo mais comum é a válvula de controle de fluxo unidirecional, que permite fluxo de ar em apenas uma direção, bloqueando o caminho se o fluxo tentar se inverter. As válvulas de controle de fluxo sofrem alguns defeitos, com os mais comuns sendo o desgaste na sede de fechamento ou guarnições de borracha quebradas. As válvulas de pressão são outro tipo de válvula que se assemelha bastante com a sua equivalente dos circuitos hidráulicos, trabalhando de forma a limitar a pressão do fluido de passagem. Nos circuitos pneumáticos as válvulas de pressão são mais importantes do que o normal, pois a regulagem da pressão do ar comprimido é essencial para o funcionamento eficiente da rede. Estas válvulas devem, portanto, receber limpeza frequente, geralmente a cada seis meses, assim como ter suas guarnições e molas limpadas e trocadas quando necessário. 173 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • As máquinas pneumáticas amplificam forças utilizando o princípio de Pascal, similar às máquinas hidráulicas, mas utilizando ar comprimido. • As máquinas pneumáticas são mais limpas que as hidráulicas e melhores para dispositivos pequenos, mas as hidráulicas são melhores para cargas pesadas e eficiência de energia. • Os compressores são os dispositivos que transferem energia mecânica para o ar, proporcionando o seu movimento. Estes podem ser de deslocamento positivo, que prendem o ar em câmaras, ou dinâmicos, que utilizam elementos rotativos. • A manutenção dos compressores depende do tipo de compressor, se resumindo a troca ou reparo de partes quebradas, limpeza e drenagem de água acumulada. • Após o compressor, o ar comprimido é levado para um reservatório, e em seguida alimentado para a rede de ar comprido. • A manutenção das redes de ar comprimido é feita, principalmente, verificando a existência de vazamento e drenando água acumulada regularmente. • Os atuadores pneumáticos são os elementos que recebem energia do ar comprimido, podendo ser lineares ou rotativos. • A manutenção dos atuadores pneumáticos deve ser realizada verificando o catálogo do fabricante quanto às suas especificações. • As válvulas pneumáticas podem ser de quatro tipos principais: válvulas de controle, válvulas de bloqueio, válvulas de pressão e válvulas de controle de fluxo. • As válvulas de bloqueio têm uma função de permitir a passagem do ar comprimido por uma certa entrada ou saída, bloqueando a outra. • A manutenção das válvulas pneumáticas depende do tipo de válvula, e geralmente se resume em limpeza e troca das partes desgastadas. A troca da própria válvula é, muitas vezes, economicamente viável. 174 AUTOATIVIDADE 1 As máquinas pneumáticas são máquinas que possuem funcionamento similar às máquinas hidráulicas, mas trabalhando com ar comprimido ao invés de óleo. Com base nestes equipamentos, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) As máquinas pneumáticas são bastante usadas na indústria alimentícia. ( ) As máquinas pneumáticas têm maior capacidade de força do que as hidráulicas. ( ) Os compressores pneumáticos utilizam filtros, que devem ser mantidos limpos. ( ) Não existe presença de água nas tubulações do sistema pneumático. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) V – V – F – F. b) ( ) F – V – F – V. c) ( ) V – F – V – F. d) ( ) F – F – V – V. 2 Os sistemas pneumáticos são compostos por algumas partes principais, entre elas compressores, atuadores, F.R.L e válvulas de bloqueio. Com base nisto, relacione as partes do sistema pneumático com a função desempenhada, utilizando o código a seguir. (1) Atuadores pneumáticos. (2) Compressores. (3) F.R.L. (4) Válvulas de bloqueio. ( ) Converter energia do ar comprimido em energia mecânica. ( ) Converter energia mecânica em energia de ar comprimido. ( ) Determinar a direção de movimento do ar, impedindo a passagem nas outras. ( ) Impedir a passagem de partículas estranhas. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) 1 – 2 – 4 – 3. b) ( ) 3 – 1 – 2 – 4. c) ( ) 2 – 4 – 3 – 1. d) ( ) 4 – 3 – 1 – 2. 175 TÓPICO 4 LUBRIFICAÇÃO DE SISTEMAS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Muitos dos equipamentos de engenharia envolvem elementos com rotação: os mancais de rolamento e deslizamento, eixos com ajuste, polias e correias, correntes, engrenagens, entre outros. Quando estes elementos giram, um sobre o outro, irá ocorrer atrito, o que gera calor e causa resistência ao movimento, portanto seria interessante minimizar este atrito. Os lubrificantes são componentes que preenchem o espaço entre superfícies em movimento com este exato propósito, formando uma camada entre os dois objetos de pouca resistência ao deslizamento. Além disso, os lubrificantes, muitas vezes, exercem várias funções adicionais, como, por exemplo, ajudar na dissipação do calor gerado, resistir à corrosão, amortecer vibrações e diminuir o desgaste do material (TELECURSO 2000, 2014). Um exemplo clássico de aplicação de óleo lubrificante é nos processos de usinagem. Muitos destes processos requerem o uso de lubrificante, para evitar o sobreaquecimento da peça e da ferramenta. Neste tópico, você irá estudar os lubrificantes, incluindo os tipos, as características, as aplicações destes componentes, o controle do uso de lubrificante e a armazenagem destas substâncias. 2 TIPOS DE LUBRIFICANTES Os lubrificantes podem ser, basicamente, qualquer estado da matéria, dependendo da aplicação; existem lubrificantes gasosos, líquidos, semissólidos (como, por exemplo, graxa) e até mesmo sólidos. No entanto, as formas mais comuns para lubrificantes são os líquidos e semissólidos, com o óleo sendo um dos líquidos mais comuns. Os óleos, por sua vez, dividem-se em vários tipos, de acordo com a sua origem. A saber (TELECURSO 2000, 2014): 176 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS • Óleos minerais: obtidos a partir do petróleo, subdividem-se em óleo parafínicos e óleos naftênicos. São principalmente utilizados em mecanismos industriais. • Óleos vegetais: obtidos a partir de sementes, como soja, milho, girassol, algodão etc. Geralmente são utilizados em mistura com os óleos minerais, pois possuem baixa resistência à oxidação. • Óleos animais: obtidos de animais, como, por exemplo, baleias, bacalhau, cachalote, capivara, entre outros. Assim como os óleos vegetais, são utilizados em mistura com óleos minerais, pois sua resistência à oxidação é baixa. • Óleos sintéticos: obtidos artificialmente em indústrias químicas, utilizando substâncias orgânicas e inorgânicas para criá-los, como silicones, resinas, ésteres, glicerinas, entre outros. Estes possuem elevado custo devido a sua dificuldade de fabricação, e, portanto, apenas são utilizados quando não existe outro óleo que atende às especificações. Existem algumas características dos óleosque são importantes para determinar seu campo de aplicação e eficiência. Estas características são medidas e fornecidas pelo fabricante. Entre elas, pode-se listar (TELECURSO 2000, 2014): • Viscosidade: é a resistência do fluido ao movimento. Quanto menor a viscosidade do óleo, mais fácil será o movimento relativo entre as peças. Para isto, utiliza-se um equipamento chamado viscosímetro. • Índice de viscosidade: a viscosidade é um parâmetro que diminui com a temperatura; o índice de viscosidade é um parâmetro que quantifica esta variação. • Densidade relativa: relação entre a densidade do óleo a 20 ºC com a densidade da água a 4 ºC, ou do óleo a 60 ºF com a água a 60 ºF. • Ponto de fulgor: temperatura na qual o óleo se inflama por no mínimo 5 segundos, um parâmetro importante quando se trabalha a altas temperaturas. • Ponto de combustão: temperatura mínima na qual a queima de óleo se sustenta. • Ponto de mínima fluidez: em temperaturas suficientemente baixas o óleo terá comportamento mais próximo de sólido, ao ponto que a gravidade sozinha não é capaz de fazê-lo escoar. O ponto de mínima fluidez é a menor temperatura na qual o óleo escoa por gravidade, importante para quando se trabalha a baixas temperaturas. • Resíduos de carvão: após a destilação do óleo, são deixados para trás resíduos sólidos. As graxas são lubrificantes semissólidos que são utilizados quando o uso de óleo não é recomendado, sendo compostas por uma mistura de óleo, aditivos e substâncias chamadas de sabões metálicos, que tem o propósito de engrossar a mistura, e podem ser baseados em alumínio, sódio, cálcio, bário e lítio. As graxas também deverão ter suas propriedades verificadas, desta vez quanto à consistência, capacidade de formar fios, estrutura, capacidade de aderência e o seu ponto de fusão. A Figura 23 contém um exemplo de graxas utilizadas para a lubrificação em rolamentos, com uma graxa que possui uma aparência pastosa. Você pode perceber TÓPICO 4 | LUBRIFICAÇÃO DE SISTEMAS 177 na parte direita, que a graxa está em maior parte no espaço entre as duas peças. FIGURA 23 – GRAXA APLICADA EM ROLAMENTOS FONTE: . Acesso em: 13 jul. 2019. A principal classificação de graxas é quanto ao sabão metálico utilizado em sua confecção, com os principais sendo à base de alumínio, cálcio, sódio, lítio ou bário. No Quadro 4, você pode observar as principais propriedades de cada tipo de graxa. QUADRO 4 – TIPOS DE GRAXAS Base da graxa Consistência Resistência à água Temperatura máxima (ᵒC) Aplicações Alumínio Macia Alta 71 Mancais de rolamento de velocidades mais baixas e chassis. Cálcio Vaselinada Alta 77 Bombas de água e chassis. Sódio Fibrosa Baixa 150 Mancais de rodas, mancais rolamento e juntas universais. Lítio ou bário Vaselinada Alta 150 Veículos automotivos e aviação. FONTE: Adaptado de TELECURSO 2000 (2014) Existem também as graxas mistas, que são constituídas da mistura de diferentes sabões, por exemplo, sódio-alumínio ou sódio-cálcio. 178 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS FIGURA 24 – GRAXA A BASE DE LÍTIO APLICADA EM MANCAL DE ROLAMENTO FONTE: . Acesso em: 17 jul. 2019. Os lubrificantes sólidos são de raro uso, com um dos mais comuns sendo a grafita, utilizada em forma de pó fino. O bissulfeto de molibdênio (MoS2) é outro que o uso vem crescendo. Estes lubrificantes sólidos são utilizados especialmente em situações de altas pressões e temperaturas ou com carregamentos pesados, podendo também ser utilizados dispersos em óleo ou outros solventes. Estas condições são comuns nas indústrias químicas e refinarias de petróleo. Por último, é possível adicionar certos aditivos a óleos ou graxas para alterar as propriedades destes. Estes podem servir para permitir maior pressão de trabalho, prover resistência a corrosão, alterar a viscosidade ou a adesividade. 3 APLICAÇÃO DE LUBRIFICANTES Uma das aplicações mais clássicas dos lubrificantes é nos mancais de deslizamento e rolamento, que devem girar com o mínimo de atrito possível. Nos mancais de deslizamento, existem ranhuras e chanfros nas superfícies em contato, onde o lubrificante irá estar, que pode ser óleo ou graxa. Os principais parâmetros para a escolha do tipo de lubrificante será a viscosidade do óleo ou a consistência da graxa, mas, também poderá depender de outros parâmetros, como temperatura e carregamento. Para os mancais de rolamento pode-se utilizar graxa ou óleo como lubrificante. Para a graxa, costuma-se utilizar mancais de fácil acesso, devendo- se preencher a caixa entre um terço e metade com uma graxa de qualidade, geralmente de lítio, como na Figura 24. Perceba, na figura, como a graxa é colocada na parte interna do rolamento, que está preenchido no lado direito e ainda sem graxa no lado esquerdo. TÓPICO 4 | LUBRIFICAÇÃO DE SISTEMAS 179 O uso de óleo em mancais de rolamento deve ser baixo, no máximo até o centro do corpo rolante da parte inferior. Muitas vezes, utiliza-se um sistema para circular o óleo, como nos anéis de óleo da Figura 25. FIGURA 25 – CIRCULAÇÃO DE ÓLEO EM MANCAIS DE ROLAMENTO Metal Babbitt Assentamento esférico Óleo Nível de óleo Anéis de óleo Protetor de Mancal Anéis de óleo Gancho Eixo Oil FONTE: . Acesso em: 14 jul. 2019. Quando se utiliza óleo nos mancais de rolamento, o intervalo de troca de óleo dependerá da temperatura de operação e contaminação. Com base na temperatura, a troca deve ser feita uma vez por ano para temperaturas abaixo de 50 ᵒC, e de 60 a 90 dias para temperaturas em torno de 100 ᵒC. Em mancais de motores, utiliza-se óleo ou graxa, escolhido com base na temperatura e rotação. Para temperaturas altas, utiliza-se um óleo bastante viscoso ou graxa de consistência forte. Para rotações altas, usa-se um óleo fi no, e para rotações baixas deve-se escolher um óleo mais viscoso. Para a lubrifi cação de engrenagens, dependerá se estas estão fechadas dentro de uma caixa ou abertas ao ar. Para as engrenagens fechadas, deve ser utilizado óleo, que será salpicado ou circulado, e deve formar uma película espessa o sufi ciente para que os dentes das duas engrenagens fi quem sem se tocar diretamente. A escolha do tipo de óleo será determinada dependendo das especifi cações do conjunto. A Figura 26 mostra um exemplo da aplicação e óleo em engrenagens. 180 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS FIGURA 26 – LUBRIFICAÇÃO A ÓLEO EM ENGRENAGENS FONTE: . Acesso em: 17 jul. 2019. As engrenagens abertas, por outro lado, só podem receber lubrificação de forma intermitente. Nestas a lubrificação será limítrofe, com a escolha do óleo dependendo da temperatura, material da engrenagem, condições ambientes e modo de aplicação. Lubrificação limítrofe, ou lubrificação restrita, é a mínima lubrificação que é prática realizar, podendo até ser com uma camada de, apenas, uma molécula de espessura. Se esta camada for quebrada, ocorrerá contato direto entre as peças (LUBRIFICAÇÃO, 2016). NOTA É possível o uso de graxa para a lubrificação de engrenagens, no entanto, este é mais comum para aquelas que operam a baixas velocidades e pequenos carregamentos. Ainda assim, esta escolha irá prover menor resfriamento, e o uso da quantidade correta de lubrificante será mais importante do que para as que utilizam óleo (COLLINS, 2017). Outra possibilidade é submergir as engrenagens parcialmente, ou completamente em um banho de óleo, como na Figura 27. No entanto, se TÓPICO 4 | LUBRIFICAÇÃO DE SISTEMAS 181 FIGURA 27 – ENGRENAGEM SUBMERSA EM BANHO DE ÓLEO FONTE: . Acesso em: 17 jul. 2019. Os motorredutores são equipamentos que combinam motores e redutores de engrenagens. A lubrificação destes é, normalmente, feita com óleo, que deve ser capaz de resistir à oxidação, baseado no tipo de engrenagem, rotação, temperatura e carga. Para máquinas-ferramenta, como existe uma grande variedadedestas, não existe uma regra geral aplicável. Recomenda-se que você verifique o catálogo do fabricante, que normalmente irá conter informações quanto a recomendações de lubrificação. De forma resumida, existem três tipos de aplicações que requerem lubrificação: apoios, engrenagens e cilindros em rotação. 4 CONTROLE DA APLICAÇÃO DE LUBRIFICANTES Para que a lubrificação de um dado equipamento seja realizada de forma correta, esta deve cumprir três requisitos: escolha correta de lubrificante, quantidade de lubrificante exata e aplicação em tempo correto. O controle destas três variáveis permite aumentar a vida útil do equipamento em até dez vezes, além de reduzir o consumo de energia e custos de manutenção do equipamento. estas estiverem completamente submersas o óleo irá gerar uma resistência ao movimento das engrenagens, dificultando o seu funcionamento. Para que este método seja efetivo, recomenda-se apenas engrenagens com 3 m/s, ou mais, de velocidade tangencial (COLLINS, 2017). 182 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS Para a utilização correta do lubrificante, é importante a escolha do tipo certo, aplicado de forma condizente e com um controle de qualidade do lubrificante. Este também deve ser transportado e armazenado corretamente. A quantidade do lubrificante deve levar em conta a habilitação do operador, o projeto do sistema que aplicará o lubrificante e a inspeção regular dos reservatórios do fluido. A aplicação em tempo correto deverá contemplar uma programação de aplicação de lubrificante com períodos corretos, de acordo com recomendações do fabricante, que a regulagem do sistema esteja correta e a existência de uma equipe de lubrificação correta. A falha em um destes quesitos terá consequências, principalmente a médio e longo prazos, sendo, portanto, um problema que não é inicialmente óbvio, mas que deve ser levado a sério mesmo assim. Uma das formas de monitorar o desgaste proveniente da má lubrificação é uma análise ferrográfica do lubrificante, que irá apontar partículas em volume maior do que o normal quando o desgaste estiver acelerado. Um exemplo deste controle de lubrificação pode ser observado através dos três principais modos de falha que ocorrem durante a manutenção de mancais de rolamento, que são (RIENSTRA, 2016): • Lubrificação baseada apenas no tempo: é importante que seja considerada a condição do mancal, que pode ser monitorado com um aparelho ultrassom. • Lubrificação excessiva ou insuficiente: excesso de lubrificante irá criar uma pressão dentro do mancal, empurrando os elementos de rolamento e aumentando o atrito que estes sofrem. Isto pode ser corrigido aplicando lubrificante lentamente e monitorando o nível de ruído com ultrassom. • Inspeção com ultrassom apenas de audição: a audição humana é muito subjetiva e não deve ser utilizada para o monitoramento. Ao invés disto, utiliza-se a indicação de decibéis do ultrassom. A primeira etapa para a criação de um programa de lubrificação eficiente é o levantamento de dados do sistema, considerando cuidadosamente todas as máquinas e equipamentos que fazem parte do conjunto. Com base nisto, você deve observar os manuais do fabricante sempre que estes estiverem disponíveis e determinar o lubrificante recomendado. A partir destas informações você irá elaborar um plano para a lubrificação de cada equipamento, incluindo os pontos onde estes devem ser lubrificados, o método de aplicação, a periodicidade e o tipo de lubrificante. Para facilitar o trabalho dos operários e diminuir a chance de erro, deverá constar nas próprias máquinas indicações de onde deverá ser realizado TÓPICO 4 | LUBRIFICAÇÃO DE SISTEMAS 183 a lubrificação, assim como as especificações determinadas para isto. A cor do lubrificante também costuma ser incluída, por ser muitas vezes bastante característica. O Quadro 5 contém um exemplo de plano de lubrificação para uma máquina retífica, onde você pode observar que cada parte da máquina recebe especificações únicas, e a periodicidade é inclusa em observações. Neste quadro, os produtos A, B, Ve e V correspondem às cores amarelo, branco, verde e vermelho, respectivamente. QUADRO 5 – EXEMPLO DE PLANO DE LUBRIFICAÇÃO Equipamento Parte a lubrificar Método Produto Observações Retífica nº1 Cabeçote do rebolo. Banho de óleo. A 1 Cabeçote fixo. Banho de óleo. B 1 Caixa de redução. Banho de óleo. B 1 Lubrificação geral a óleo. Almotolia. Ve 2 Lubrificação geral a graxa. Pistola. V 3 Obs.: 1 – Completar o nível semanalmente. Trocar a carga a cada 180 dias. 2 – Abastecer diariamente as oleadeiras. 3 – Abastecer mensalmente os pinos graxeiros. FONTE: TELECURSO 2000 (2014) Para melhorar o controle da aplicação de lubrificantes, é prática comum produzir fichas de controle, contendo os equipamentos, frequência e especificações de lubrificação, distribuindo estas para os operários responsáveis. 5 MANUSEIO E ARMAZENAMENTO DE LUBRIFICANTES A norma do INMETRO indica que os óleos lubrificantes devem ser embalados em tambores de 200 litros. As graxas, por outro lado, não possuem padrão único, sendo normalmente vendidas em tambores de 170 kg ou 180 kg, dependendo da empresa que as fabricam. O armazenamento e manuseio do óleo deve ser feito evitando a água, pois contamina o produto. Óleos e graxas devem também evitar partículas estranhas, como poeira ou areia, pois são contaminantes. A armazenagem deverá ser em temperatura que não seja muito elevada, especialmente para as graxas, pois causará a degradação do produto. 184 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS FIGURA 28 – TAMBORES DE ÓLEO EM USO EM CAVALETES FONTE: . Acesso em: 16 jul. 2019. Você deverá, regularmente, efetuar a limpeza dos funis e recipientes de óleo, lavando-os com querosene e os enxugando. As graxas possuem uma taxa de consumo menor do que o óleo, portanto, devem-se usar bombas apropriadas e manter o tambor bem fechado. Quando possível, a armazenagem deverá ser em ambiente fechado e refrescado. Caso isto não seja possível, devem-se manter os tambores em posição deitada, com apoios nas extremidades para que estes não rolem, e realizar inspeções periódicas de forma a verificar a presença de vazamentos e se as indicações dos tambores continuam legíveis. Se for necessário manter os tambores de pé, deve-se cobri-los com um encerado, ou incliná-los ligeiramente com calços de madeira, pois isto evita que água se acumule na parte superior do bujão. Quando forem usados, os tambores devem ser posicionados horizontalmente, sobre cavaletes apropriados para isto, como na Figura 28. O óleo é retirado dos tambores através de torneiras instaladas nestes, como pode ser visto na figura. Perceba, também, que os tambores contendo óleos diferentes possuem uma indicação escrita para identificá-los. 185 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você aprendeu que: • Os lubrificantes são substâncias com função principal de reduzir o atrito entre duas partes em movimento, podendo também serem utilizados para resfriar, aumentar a resistência à corrosão e diminuir o desgaste. • Os lubrificantes podem ser gasosos, líquidos, semissólidos e sólidos, com os óleos e as graxas sendo os mais comuns. • Os óleos dividem-se quanto à origem, que pode ser mineral, vegetal, animal ou sintético. • As graxas dividem-se quanto à base, que pode ser de alumínio, cálcio, sódio, lítio, mista, entre outras. • A aplicação de lubrificantes ocorre, essencialmente, em apoios, engrenagens e cilindros em rotação. • O controle correto dos lubrificantes dependerá de três parâmetros: a escolha correta do lubrificante, a aplicação em quantidade exata e em intervalos corretos. • A armazenagem do lubrificante deverá ser em baixa temperatura, em ambiente fechado e refrescado, e com os tambores em posição deitada, sempre que possível. • O óleo em uso deverá ser mantido em tambores em posição horizontal, em cavaletes e retirado através de torneiras. 186 AUTOATIVIDADE1 A lubrificação é um processo utilizado em equipamentos mecânicos para reduzir o atrito entre superfícies. O fluido lubrificante também realiza funções adicionais. Quanto a estas funções adicionais, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Facilitar a troca de calor. ( ) Diminuir o desgaste. ( ) Amplificar a força transmitida. ( ) Proteger contra a corrosão. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) F – V – V – F. b) ( ) V – V – F – V. c) ( ) F – F – V – V. d) ( ) V – V – V – V. 2 Os óleos utilizados em aplicações industriais possuem certas propriedades que podem variar dependendo do tipo de óleo escolhido. Com base nisto, relacione a propriedade dos óleos com suas definições, utilizando o código a seguir. (1) Viscosidade. (2) Densidade relativa. (3) Ponto de fulgor. (4) Ponto de mínima fluidez. ( ) Relação entre a densidade do óleo a 20 ᵒC e a densidade da água a 4 ᵒC. ( ) Resistência do fluido ao movimento. ( ) Temperatura mínima na qual o óleo escoa por gravidade. ( ) Temperatura para que o óleo se inflame por no mínimo 5 segundos. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) 3 – 4 – 2 – 1. b) ( ) 1 – 2 – 3 – 4. c) ( ) 4 – 3 – 1 – 2. d) ( ) 2 – 1 – 4 – 3. 187 TÓPICO 5 ANÁLISE DE VIBRAÇÕES UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO A vibração de máquinas industriais é um fenômeno que pode servir de indicador de problemas, permitindo que você determine falhas dentro das máquinas, sem necessitar a desmontagem. As vibrações estão relacionadas com o conceito de ondas e movimento periódico que você já deve ter estudado em algum ponto. Os vários elementos rotativos que existem nas máquinas, como eixos, engrenagens, polias, entre outros, são um exemplo deste movimento periódico que vem a causar vibrações. Havendo a presença destes elementos, sempre terá algum nível de vibração, por menor que seja, o que é normal. São vibrações maiores que são indicadoras de problemas. Muitas vezes, estas vibrações se manifestam na forma de ruído, mas existem equipamentos que permitem detectar vibrações com mais confiança do que o ouvido humano. Neste tópico, você irá estudar o conceito de vibrações, as aplicações desta análise, como realizar a análise espectral e os vários tipos de equipamentos que são utilizados para este propósito. 2 VIBRAÇÕES MECÂNICAS A vibração é um resultado do movimento oscilatório das partes do equipamento. Considere o exemplo de um ponto que faz parte de uma esfera de um mancal de rolamento, como na Figura 29. Quando este gira, o ponto será pressionado contra a guia de rolamento e liberado, movendo-se para cima e para baixo, como na figura, que mostra isto de forma exagerada. Isto irá gerar um movimento ondulatório, como na Figura 29 à direita. Este comportamento será demonstrado, em certo nível em, praticamente, todas as máquinas que possuem partes em movimento, mas a quantidade irá variar dependendo da parte e do bom funcionamento da máquina. 188 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS FIGURA 29 – MOVIMENTO OSCILATÓRIO FONTE: O autor As principais propriedades do movimento oscilatório para a análise de manutenção são a amplitude e a frequência. A amplitude é o total de deslocamento do ponto P até A, ou até B, sendo igual à altura do máximo ou mínimo da onda até o ponto de equilíbrio. Para vibrações mecânicas, esta amplitude normalmente é medida em micrometros (µm). No exemplo da Figura 29, a amplitude seria igual a 10 µm. Para definir o conceito de frequência, por outro lado, é interessante definir o termo período, que nada mais é do que o tempo que leva para o movimento começar a se repetir. Um modo de medir isto é a distância entre duas cristas ou dois vales da onda. No exemplo da Figura 29 o período é igual a 5 ms. A frequência (f) é o inverso do período, podendo ser calculada pela Equação 4, onde T é o período. Um modo de defini-la é como sendo o número de oscilações que ocorrerão em um segundo, o que pode ser um número menor do que 1 para oscilações de período alto, e é escrita em unidades de hertz (Hz). No exemplo da Figura 29, a frequência pode ser calculada pela Equação 4, sendo igual a 200 Hz. Equação 4 Outras propriedades que podem ser importantes, são a velocidade no ponto P, que costuma ser dada em mm/s, e a aceleração do ponto P. 1f T = TÓPICO 5 | ANÁLISE DE VIBRAÇÕES 189 3 APLICAÇÕES A análise de vibrações permite detectar uma variedade de falhas em equipamentos mecânicos, entre estas (TELECURSO 2000, 2014): • Rolamentos com deterioração. • Engrenagens com defeitos. • Acoplamentos com alinhamento incorreto. • Rotores desbalanceados. • Vínculos necessitando ajuste. • Eixos com deformação. • Lubrificação insuficiente. • Buchas com folgas excessivas. • Rigidez de componentes insuficiente. • Problemas hidráulicos ou aerodinâmicos. • Cavitação. • Motores elétricos com rotores desbalanceados. Para realizar o monitoramento, conecta-se sensores que detectam a vibração em certos pontos críticos das máquinas, onde estes captarão a vibração mecânica e a transformarão em sinais elétricos. Obtidos os dados de vibrações, que, geralmente, serão mais complexos que os do exemplo da Figura 29, haverá mais de uma maneira de mostrá-los e analisá-los. Um dos métodos mais úteis e amplamente utilizado é a análise espectral. 4 ANÁLISE ESPECTRAL A análise espectral é a utilização de um método matemático para as frequências de vibração de uma onda a partir da medição da mesma. A Figura 30 mostra um exemplo da análise espectral, onde ondas senoidais foram decompostas em suas frequências constituintes. É interessante notar, nesta Figura 30, que, para as duas primeiras ondas, é possível observar o período de maneira bem clara e, a partir disto, obter a frequência de vibração. No entanto, quando a onda é mais complexa, como no caso da combinação das duas ondas, não fica claro quais são as frequências de vibração que estão ocorrendo. A análise espectral serve para clarificar isto, como se pode ver nos gráficos na parte direita da figura, ficou bastante fácil obter esta informação, tanto em frequência quanto amplitude. 190 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS FIGURA 30 – ANÁLISE ESPECTRAL DE DUAS ONDAS E DA SUA COMBINAÇÃO FONTE: O autor Este caso é apenas um idealizado, na prática, qualquer medição realizada sofrerá de uma quantidade considerável de ruído. Observe o caso da Figura 31, que é a segunda onda da Figura 30 com um ruído aleatório adicionado. Neste caso, você pode perceber que mesmo uma onda simples fica praticamente impossível de determinar o período diretamente só olhando para ela quando existe ruído. No entanto, novamente a análise espectral resolve o problema, fornecendo a frequência de vibração que aparece de forma bastante ressaltada sobre o ruído. TÓPICO 5 | ANÁLISE DE VIBRAÇÕES 191 FIGURA 31 – ANÁLISE ESPECTRAL COM RUÍDO FONTE: O autor A determinação de frequências de vibração na análise é importante, pois permite detectar a causa do problema. A principal distinção que se deve fazer, primeiramente, é observar se a frequência de vibração é um múltiplo da rotação de alguma parte da máquina, se esta é independente, ou se são vibrações aleatórias que não são concentradas em algumas frequências. Se a frequência de vibração for um múltiplo da rotação de uma parte da máquina isto pode indicar um problema de desbalanceamento ou desalinhamento dos componentes, um ajuste incorreto, danos nas engrenagens, correias de transmissão em mau estado, ou problemas no lubrificante. O desbalanceamento é um dos problemas mais comuns, onde o componente vibra radialmente na mesma frequência de rotação do rotor. Já o desalinhamento costuma ocorrer para situações que envolvem dentes acoplados e ocorre na rotação do rotor ou em um múltiplo. O ajuste incorreto de um mancal pode gerar uma vibração radial de duas vezes a velocidade de rotação, que pode crescer em amplitude com o tempo conforme a falha se desenvolvesem ser tratada. Podem ocorrer também falhas, como rachaduras, ranhuras e endentações na pista de rolamento de mancais, que, mesmo quando extremamente pequenas, podem causar vibrações significativas, em especial, devido à alta rotação destes componentes (LACEY, 2008). A Figura 32 mostra alguns dos defeitos que podem gerar vibrações nos mancais de rolamento. Perceba que este é um dos elementos mais complicados, pois existem diversas frequências diferentes interagindo: a frequência dos rolamentos ao redor da pista interior, a frequência dos rolamentos ao redor da pista exterior, a frequência dos rolamentos rodando em seu próprio eixo, a frequência da deformação dos elementos, entre outras. Para cada uma destas 192 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS haverá uma frequência diferente, portanto, mesmo com esta análise, é difícil determinar corretamente qual a causa da vibração (LACEY, 2008). Para entender melhor estes processos, verifique a leitura complementar ao final desta unidade. FIGURA 32 – FALHA EM MANCAIS DE ROLAMENTO FONTE: O autor No caso de danos em engrenagens, ocorre vibração entre as engrenagens em contato sempre que os dentes se tocam, com uma frequência para cada engrenagem, que é igual à frequência de rotação desta. Caso ocorra um problema em um dente específico de uma das engrenagens, como na Figura 33, será possível notar um pico na análise espectral, que é igual à frequência da rotação da engrenagem com problema (VIBRATION, 2019). FIGURA 33 – FALHA EM DENTE DE ENGRENAGEM FONTE: O autor TÓPICO 5 | ANÁLISE DE VIBRAÇÕES 193 As correias de transmissão em mau estado sofrem deformações e variações de largura e de tensão que irão gerar vibrações com frequência igual à da rotação da correia. O alinhamento incorreto das polias irá exacerbar o problema, causando vibrações axiais de alta amplitude. Se a frequência de vibração for uma frequência diferente da rotação das partes da máquina, podem ocorrer devido a vibrações de máquinas próximas – que chacoalham a máquina –, vibrações que ocorrem por efeitos elétricos, que costumam ocorrer em estatores e rotores de motores elétricos, indicando a degradação do motor. Pode também ocorrer por causa de frequências naturais de vibração da estrutura, que dependerá da geometria da máquina. As máquinas devem ser projetadas para que estas frequências naturais não sejam excitadas durante o funcionamento da máquina. A última possibilidade que se verifica são vibrações de caráter aleatório, que não se concentram em nenhuma frequência específica. Estas podem ter várias causas, como, por exemplo, o fenômeno de cavitação, que ocorre em bombas e produz um ruído característico. Outra possibilidade é a escamação dos rolamentos, que ocorre na pista de rolamento e provoca choques que pode ser detectado com um equipamento para medir ondas de choque. Na análise espectral, as vibrações serão de altas frequências. É muito comum que um dano em uma parte do rolamento leve a outros danos em outras partes, fazendo com que a vibração pareça aleatória devido à extensa área danificada. ATENCAO Outro motivo que gera vibrações aleatórias é o atrito entre componentes, que normalmente gera frequências altas de vibração, que dependerá dos materiais em contato, a condição das superfícies, entre outros fatores. Este tipo é difícil de monitorar, por ser esporádico. O Quadro 6 contém as principais formas de falha, junto com a frequência de rotação (FR) normalmente associada. 194 UNIDADE 3 | MANUTENÇÃO DE SISTEMAS ESPECÍFICOS QUADRO 6 – CAUSAS DE VIBRAÇÕES E FREQUÊNCIAS DE VIBRAÇÃO Causa Vibração Observações Frequência Direção Turbilhão de óleo. De 0,42 a 0,48 FR. Radial Só em mancais lisos com alta velocidade. Desbalanceamento. 1xFR radial. Radial Amplitude proporcional à velocidade de rotação. Defeito de fixação. 1, 2, 3, 4xFR. Radial Defeito de desalinhamento. 2xFR. Axial e radial Axial é mais importante em geral se houver desvio angular. Excitação elétrica. 1, 2, 3, 4 x 60Hz. Axial e radial Apenas quando corre corrente. Velocidade crítica de rotação. Frequência crítica do motor. Radial Aparece só em regime transitório. Correia em mau estado. 1, 2, 3, 4 x FR. Radial Engrenagens defeituosas. F=Número de dentes x FR da árvore. Radial + axial Banda lateral em torno de F. Pinhão (“falsa volta”). F ± FR pinhão. Radial + axial Banda lateral em torno de F. Excitação hidrodinâmica. Frequência de passagem das pás. Radial e axial Deterioração do rolamento. Altas frequências. Radial e axial Ondas de choque causadas por escamações. FONTE: Adaptado de TELECURSO 2000 (2014) 5 EQUIPAMENTOS Existem três tipos de sensores de vibrações de uso comum. Os sensores eletrodinâmicos são capazes de detectar vibrações absolutas com frequências acima de 3 Hz. Os sensores piezoelétricos (Figura 34) podem detectar vibrações absolutas com frequência acima de 1 Hz. 195 FIGURA 34 – SENSOR PIEZOELÉTRICO FONTE: . Acesso em: 18 jul. 2019. Já os sensores indutivos (Figura 35) detectam vibrações relativas, e conseguem detectá-las desde uma frequência de 0 Hz, podendo medir deslocamentos dinâmicos ou estáticos. FIGURA 35 – SENSOR INDUTIVO DE PROXIMIDADE FONTE: . Acesso em: 18 jul. 2019. Os registradores são equipamentos que podem medir a amplitude das vibrações, assim como a frequência, o que auxilia em detectar a causa do problema. Eles podem ser analógicos ou digitais. Os analisadores de vibrações (Figura 36) podem ser de vários tipos, como os analisadores de medição global ou os analisadores com filtros conciliadores, que podem filtrar para certas frequências, e os analisadores de espectro em tempo real. Estes podem ser aliados a um computador e software correspondente, o que permite uma análise espectral avançada, com comparação de espectros. 196 FIGURA 36 – ANALISADOR DE VIBRAÇÕES PARA UM MOTOR DE AVIÃO BOEING KC-135 STRATOTANKER FONTE: . Acesso em: 18 jul. 2019. 197 LEITURA COMPLEMENTAR Detecção de falhas em rolamentos por análise de vibração Roberto Araújo de Bezerra As máquinas que têm maior velocidade, em geral, utilizam mancais de rolamento que são grandes responsáveis por paradas não planejadas quando sua falha não é detectada a tempo. Assim, para contribuir na melhoria da qualidade da manutenção, serão exploradas, nesse trabalho, as técnicas de detecção de falhas em rolamentos ensaiados em condições próximas as de funcionamento, e verificados o comportamento de cada técnica em relação aos diversos defeitos obtidos. Nesse trabalho, o objeto de estudo são rolamentos desmontáveis, com gaiola de nylon, com dez esferas distribuídas em uma única carreira com retentores de ambos lados. As pistas interna e externa têm diâmetros de 35,32 mm e 49,63 mm, respectivamente. Os rolamentos obtidos eram de um mesmo lote. Em uma primeira etapa do trabalho, os rolamentos foram submetidos a falhas induzidas, e em seguida, colocados em bancada de ensaios. Ensaiou-se um outro conjunto de rolamentos sem falhas, em bancada que simula condições próximas as de trabalho. Durante o período de ensaios, os rolamentos eram monitorados por técnicas que utilizam análise de vibração. Alguns rolamentos previamente escolhidos foram desmontados para inspeção do desgaste dos seus componentes. E quando, um rolamento apresentava indício de falha, era desmontado para confirmar a ocorrência do defeito. FONTE: BEZERRA, R. A. Detecção de falhas em rolamentos por análise de vibração. 2004. 150 f. Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2004. Disponível em: . Acesso em: 19 jul. 2019. 198 RESUMO DO TÓPICO 5 Neste tópico, você aprendeu que: • A vibração ocorre em praticamente todo equipamento com movimento interno em certas quantidades. • A vibração pode indicar problemas no equipamento. • A vibração é uma forma de movimento oscilatório,sendo caracterizado por amplitude, frequência, período, entre outras propriedades. • A análise espectral é um dos métodos de análise de vibração mais utilizados, permitindo obter as frequências de vibração a partir de uma onda. • Muitos dos problemas que surgem nas máquinas geram vibrações com frequências que correspondem com a rotação das partes onde o problema está ocorrendo. • Vibrações com frequências que ocorrem com uma frequência que não é de nenhuma parte da máquina indica causas elétricas, máquinas vizinhas afetando a máquina ou frequências naturais de vibração. • Vibrações com frequência aleatória indica cavitação, atrito ou escamação dos rolamentos, e é caracterizada por altas frequências de vibração. • Os equipamentos de análise de vibrações resumem-se em sensores, registradores e analisadores. 199 AUTOATIVIDADE 1 A análise espectral é um dos métodos de análise de vibrações mais utilizados, existindo equipamentos voltados em grande parte para isto. Quanto a análise espectral, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) A análise espectral permite prever quando ocorrerá o defeito. ( ) É mais utilizado para vibrações de altas frequências. ( ) Funciona inclusive para vibrações com alto nível de ruído. ( ) Permite a dedução da causa do problema. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) F – V – F – V. b) ( ) V – V – F – F. c) ( ) F – F – V – V. d) ( ) V – F – V – F. 2 A vibração das máquinas com defeitos pode variar quanto a sua frequência, que pode ser relacionada com a rotação da máquina, uma frequência independente ou frequências aleatórias. Com base nas frequências independentes, considere as possíveis causas e assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Efeitos da corrente elétrica. b) ( ) Oscilações térmicas. c) ( ) Lubrificação defeituosa. d) ( ) Trincamento do material. 200 REFERÊNCIAS ABNT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5462. Rio de Janeiro: ABNT, 1994. Disponível em: http://bit.ly/2kxATJg. Acesso em: 2 jul. 2019. ANGELONI, M.; OLIVEIRA JUNIOR, S. M.; CAMILO, A. R. Análise de falha em dente de engrenagem, SIMPÓSIO DE TECNOLOGIA FATEC, 1., 2018, Sertãozinho. Anais... Sertãozinho: Fatec, 2018, p. 135-152. BALL, J. About double acting reciprocating air compressors. Exair Blog, Cincinnati, set. 2017. Disponível em: http://bit.ly/2L2Zcbi. Acesso em: 8 jul. 2019. BECHTOLD, M. J. Manutenção mecânica, Florianópolis: SENAI, 2010. Disponível em: http://bit.ly/2NoozHi. Acesso em: 2 jul. 2019. BENTO, R. T.; FERRUS FILHO, A. Análise do comportamento estático de mancais hidrodinâmicos pelo método de elementos finitos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ENGENHARIA E CIÊNCIA DOS MATERIAIS, 23., 2018, Foz do Iguaçu. Anais... Foz do Iguaçu: CBECiMat, 2018, p. 6317-6328. Disponível em: http://bit.ly/2kyvq4N. Acesso em: 16 jul. 2019. BEZERRA, R. A. Detecção de falhas em rolamentos por análise de vibração. 2004, 152f. Tese (Doutorado em Engenharia Mecânica) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2004. Disponível em: http://bit.ly/2KZ16to. Acesso em: 8 jul. 2019. BRASIL. Anuário estatístico de acidentes de trabalho 2017, Brasília: Ministério da Fazenda, 2017. Disponível em: http://bit.ly/2Zlw7AN. Acesso em 17 mai. 2019. COLLINS, D. What are the best methods for gearbox lubrication? Motion Control Tips, [s.l.], dez. 2017. Disponível em: http://bit.ly/2k3VLYp. Acesso em: 16 jul. 2019. CURY NETTO, W. A. A importância e a aplicabilidade da manutenção produtiva total (TPM) nas indústrias. 2008, 63f. Monografia (Graduação em Engenharia de Produção) − Universidade Federal de Juiz de Fora, Juiz de Fora, 2008. Disponível em: http://bit.ly/2TZBZuz. Acesso em: 2 jul. 2019. EMMERSON, A. Hydraulic power in London. Subterranea Britannica, Londres, 2004. Disponível em: http://bit.ly/2KMX2NU. Acesso em: 1 jul. 2019. GODFREY, D. Fretting corrosion or false brinelling? 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O processo de manutenção industrial tem, como principal objetivo a redução dos custos da empresa através de um número de fatores, entre os quais (TELECURSO 2000, 2014): UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO 4 • Reduzir interrupções no processo. • Evitar atrasos nas entregas. • Redução de perdas financeiras. • Diminuição dos custos de produção. • Impedir o surgimento de erros de fabricação. • Minimizar as queixas por parte dos clientes. • Prevenir a perda de mercado devido à insatisfação dos consumidores. Estes objetivos são atingidos através de uma variedade de processos, que visam manter o sistema de produção em funcionamento conservando, alterando, restaurando e substituindo os equipamentos e prevenindo erros. Os objetivos da manutenção industrial, de uma forma mais específica, podem ser descritos como manter os equipamentos e as máquinas em condições de bom funcionamento e a prevenção de possíveis falhas. Idealmente, a manutenção perfeita seria aquela que permite que o equipamento opere com sua máxima produção o maior tempo possível, enquanto que ao mesmo tempo possui o menor custo possível. Os termos relacionados a manutenção são definidos de forma precisa pela ABNT na norma NBR 5462, com a definição oficial de manutenção sendo conforme a citação encontrada a seguir: “Combinação de todas as ações técnicas e administrativas, incluindo as de supervisão, destinadas a manter ou recolocar um item em um estado no qual possa desempenhar uma função requerida” (ABNT, 1994, p. 6). A redução de custos que um sistema de manutenção eficiente pode proporcionar é enorme. Um sistema de manutenção preditiva pode reduzir custos para empresas de 10% a 40%. Estima-se que este número pode chegar a uma economia de até 630 bilhões de dólares no ano de 2025 (MANYIKA, J. et al., 2015). ESTUDOS FU TUROS Você irá estudar mais sobre o conceito de manutenção preditiva, assim como outras formas de manutenção, no Tópico 2, a seguir. Por enquanto, basta saber que é uma forma de manutenção mais sofisticada. TÓPICO 1 | MANUTENÇÃO E SUA IMPORTÂNCIA 5 Outro fator importante, que justifica a manutenção, são os acidentes de trabalho que podem vir a ocorrer quando um equipamento falha devido à manutenção inadequada, podendo resultar em ferimentos graves para os indivíduos envolvidos. 3 APLICAÇÕES Praticamente qualquer setor da indústria realiza manutenções em seus equipamentos de forma com que estes produzam maior confiabilidade ao longo de sua vida útil. O ato e manutenção de qualidade diminuem o número de falhas de um sistema; observe, por exemplo, a Tabela 1, em que é mostrado o número de falhas de sistemas elétricos com relação à qualidade de manutenção aplicada a eles. Estes dados foram obtidos por uma pesquisa realizada pela IEEE (Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos) (ONTARIO HYDRO, 1997). Como você pode ver na Tabela 1, os sistemas que receberam manutenção de excelente qualidade sofreram um número percentual muito menor de falhas que poderiam ser evitadas (aproximadamente 11,6%), enquanto que sistemas com baixa qualidade de manutenção sofreram muitas falhas que eram evitáveis (aproximadamente 32,8%). TABELA 1 – FALHAS EM EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS PARA DIFERENTES GRAUS DE MANUTENÇÃO REALIZADA Número de falhas versus qualidade da manutenção para todas as classes de equipamentos combinadas Número de falhas Qualidade de manutenção Todas as causas Manutenção inadequada Porcentagem de falhas devido a manutenção inadequada Excelente 311 36 11,6 % Boa 853 154 18,1 % Fraca 67 22 32,8 % Total 1231 212 17,2 % FONTE: Ontario Hydro (1997, p. 4) Estes resultados servem para evidenciar a importância associada a um processo de manutenção de qualidade. Os processos com manutenção fraca tendem a apresentar maior número de falhas, gerando, consequentemente, quebras, atraso nas entregas, insatisfação dos clientes e perda de mercado. UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO 6 FIGURA 1 – TORNO VERTICAL EM UMA BASE DA FORÇA AÉREA AMERICANA FONTE: . Acesso em: 7 maio 2019. A manutenção de casas e estruturas também possui grande relevância no nosso dia a dia. O custo médio de manutenção por ano é de aproximadamente 2% do custo de uma casa similar nova. Este exemplo é interessante, pois pode ser observado como o custo de manutenção pode aumentar ao longo do tempo, conforme o objeto envelhece. Para casas com mais de 40 anos, o custo de manutenção tende a aumentar, podendo ultrapassar 3%, enquanto que para casas com menos de 15 anos é comum possuir um custo abaixo de 1% ao ano (MARTEINSSON; JÓNSSON, 1999). Você pode observar, na Figura 2, um exemplo importantíssimo de manutenção, que é a manutenção de aeronaves, onde defeitos e manutenção inadequada podem, muitas vezes, serem fatais aos usuários, pois os acidentes de aeronaves contêm um alto risco de morte, sendo necessário a realização de uma manutenção frequente e cuidadosa. Observe na Figura 1 um exemplo de caso em que a manutenção gerou grandes resultados positivos, onde você pode ver um torno vertical em uma base da força aérea americana que foi mantido em operação por um tempo de mais de 50 anos. Esta grande longevidade do torno é em parte devido à manutenção preventiva periódica, realizada a cada 180 dias. TÓPICO 1 | MANUTENÇÃO E SUA IMPORTÂNCIA 7 FIGURA 2 - MANUTENÇÃO DO HELICÓPTERO MH-60R SEAHAWK FONTE: . Acesso em: 8 maio 2019. UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO 8 ESTUDOS FU TUROS Para ampliar o seu entendimento da importância da manutenção no âmbito industrial, sugere-se a leitura do texto elaborado por Francisco de Castro Mello Neto, Mayara Lima Peres e Idelcio Alexandre Palheta Cardoso, A Importância da manutenção para o negócio, que discute o valor da manutenção no cenário industrial e suas aplicações no Brasil. A importância da manutenção para o negócio Com o passar do tempo, o desenvolvimento de produtos e serviços de uma forma em geral tornou-se um fator diferencial e trouxe consigo a produção em massa, que por sua vez passou a exigir mais de máquinas e equipamentos, mudando a figura da manutenção que outrora fora vista como desperdício. A prova mais fiel deste fato, é que algum tempo depois, o papel de destaque dentro das empresas que era ocupado exclusivamente pela manufatura, passou a ser dividido entre a operação e manutenção, influenciando nas estratégias e prioridades da organização. A transposição desta barreira fez com que oportunidades surgissem desde então, pois a busca incessante pelo aumento da produtividade e consequentemente lucro, direcionou ao desenvolvimento e aplicação de métodos e práticas de manutenção mais modernas, ou simplesmente fez com que algumas ações nesse sentido fossem iniciadas. Uma série de problemas andam lado a lado com as organizações que não possuem essa área ou ainda ela não está bem definida, segue abaixo, uma lista resumida de problemas oriundos do cotidiano das equipes de manutenção em algumas organizações: • Falta de visão estratégica do negócio. • Falta de política de manutenção para organização como um todo. • Falta de manutenção preventiva. • Falta de plano de manutenção. • Falta de cronograma para execução de manutenção. • Manutenção proativa inexistente ou insuficiente. • Problemas repetidos frequentemente. • Atividades de manutenção mal planejadas ou errôneas. • Falta de otimização das paradas do processo produtivo. • Desperdício de verba com manutenções desnecessárias. • Falta de histórico de equipamentos. • Falta de acompanhamento no projeto e na introdução de novos equipamentos no processo; • Uso ineficiente ou inexistente das técnicas de manutenção preditiva. • Falta de comprometimento a médio e longo prazos. Para que o objetivo das empresas,que é produzir sempre que solicitado, seja alcançado, precisa-se estabelecer um nível de manutenção de seus ativos, podendo ser um dos objetivos estabelecer o que é chamado de WCM (World Class Maintenance) – Manutenção de Classe Mundial –, mas, para tanto, torna-se necessária a implementação de políticas de manutenção ou a melhoria dos processos de manutenção adotados pela empresa, não de forma parcial e sim integral, garantindo com que as decisões sobre os rumos da manutenção sejam repassados a todo o corpo técnico, devendo-se disseminar estas informações. Uma das características da implementação de políticas de manutenção é que o foco dos serviços tende a tornar-se exclusivamente preventivo, fazendo com que a equipe técnica possa ser direcionada para prevenção, melhoria dos processos e para a redução de custos. FONTE: NETO, F.C.; PERES, M.L.; CARDOSO, I.A. A importância da manutenção para o negócio, ENEGEP, 2011. Disponível em: . Acesso em: 20 maio 2019. 9 Neste tópico, você aprendeu que: • A manutenção é definida como o conjunto de ações de forma a manter um equipamento em boas condições de operabilidade. • A manutenção reduz custos para a empresa, incluindo custos de interrupção, atrasos, custos de produção, erros de fabricação e perdas de mercado devido à insatisfação dos clientes com a empresa. • Uma manutenção de alta qualidade costuma gerar um número percentual de falhas menor, assim gerando economia de dinheiro. • O custo de manutenção de um dado equipamento pode aumentar com o passar da vida do mesmo. • A ausência da manutenção pode ser perigosa devido à possibilidade de acidentes de trabalho ou da quebra de veículos em movimento. RESUMO DO TÓPICO 1 10 1 A manutenção é um processo que busca manter o equipamento de uma empresa em bom estado de funcionamento, o que irá aumentar o nível de sucesso da empresa através da diminuição dos custos, e proporcionar um subsequente aumento do rendimento desta empresa. Dentro deste contexto, cite três formas em que a manutenção industrial permite a diminuição de custos para a empresa. 2 Os processos de manutenção possuem aplicação ampla em todos os segmentos da indústria, sendo de grande interesse para empresas devido à redução de custos que esses podem proporcionar. Sobre este assunto, classifique as sentenças em V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) O processo de manutenção é um processo exclusivamente moderno. ( ) Os custos de manutenção podem aumentar com o envelhecimento do equipamento. ( ) Uma boa manutenção pode diminuir o número de falhas do equipamento. ( ) A manutenção é realizada pouco na indústria elétrica. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) V – F – F – V. b) ( ) F – F – V – V. c) ( ) V – F – V – F. d) ( ) F – V – V – F. 3 Um exemplo de manutenção encontrado no dia a dia é a dos automóveis, cujo bom funcionamento é essencial para garantir o transporte do indivíduo assim como a segurança na viagem. Estes automóveis são compostos por muitas peças que podem ser verificadas e alteradas pelo proprietário ou em várias oficinas por todo o país. Com base nestas informações, analise as sentenças a seguir, determinando se constituem exemplo de manutenção ou não: I- Troca regular do óleo do carro. II- Instalação de um aerofólio. III- Verificação na oficina ao perceber um ruído. IV- Rebaixamento da suspensão. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) As sentenças I e III estão corretas. c) ( ) As sentenças III e IV estão corretas. d) ( ) Apenas a sentença III está correta. AUTOATIVIDADE 11 TÓPICO 2 FORMAS DE MANUTENÇÃO UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Já havendo estudado a definição de manutenção e sua importância e aplicações na indústria, você provavelmente está se perguntando: quando e como que é realizada esta manutenção? A manutenção pode ser realizada de diversas formas, as quais podem depender do equipamento em questão, da disponibilidade de fundos, do tipo de falha e da capacidade de detectar problemas antes de que estes aconteçam. Neste tópico, você irá aprender sobre as principais formas de manutenção utilizadas na indústria, incluindo os conceitos de manutenção corretiva, preventiva e preditiva, e as situações em que estas podem ser aplicadas, assim como as vantagens e desvantagens de cada uma delas. 2 CLASSIFICAÇÃO DA MANUTENÇÃO A distinção mais simples entre diferentes formas de manutenção é se esta foi planejada ou não planejada. A planejada visa prever problemas antes que aconteçam, enquanto que a não planejada ocorre em reação a um problema que surge no equipamento. De uma forma mais específica, os processos de manutenção são geralmente classificados em três formas principais, a saber: • Manutenção corretiva. • Manutenção preventiva. • Manutenção preditiva. UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO 12 2.1 MANUTENÇÃO CORRETIVA A manutenção corretiva é uma forma de manutenção não planejada, que surge como uma reação para um problema que surgiu no equipamento quando estava em operação, e deve-se consertar os defeitos no equipamento durante um tempo em que a máquina estaria normalmente em operação. Existe também uma forma similar de manutenção não planejada, chamada de manutenção de ocasião, em que reparos são realizados sobre equipamentos que apresentaram defeitos, mas apenas em tempos em que é normal a máquina estar parada. Esta manutenção reacionária é a forma mais comum utilizada na indústria, com o equipamento não sendo reparado, nem verificado regularmente, apenas consertado ou trocado conforme a ocasião (ONTARIO HYDRO, 1997). Esta técnica tem a vantagem de menor planejamento requerido, não necessitando custo inicial de planejar uma manutenção antes de surgir um problema, por outro lado não é o método mais eficiente ao longo prazo devido ao elevado custo de reparo das máquinas e do tempo de perda de produção. Uma das principais características da manutenção corretiva é que esta deve ser imediata quando há surgimento de problemas. Se ocorreu uma falha no equipamento, deve-se consertá-lo assim que possível (TELECURSO 2000, 2014). Esta forma possui uma grande desvantagem quanto ao fato de que sua frequência e tamanho são imprevisíveis, sendo difícil para a empresa organizar as equipes de manutenção que devem existir para tratar destes problemas. Se a empresa tiver períodos com muitas falhas e períodos com poucas falhas, as equipes de manutenção podem ficar alternadamente com muito trabalho ou sem trabalho nenhum. É comum que estas equipes trabalhem em outras áreas no tempo livre, mas muitas vezes acabam gerando prejuízos e atrasos em outras áreas, pois a equipe tem que parar o que está fazendo para tratar de uma emergência quando uma máquina falha. Então, sempre é bom minimizar a necessidade de manutenção corretiva, já que as falhas que levam à parada do equipamento geram perda na produção, atrasos nas entregas e podem causar acidentes que geram riscos aos operadores e ao meio ambiente, além de possuírem um custo de reparo considerável. TÓPICO 2 | FORMAS DE MANUTENÇÃO 13 Você deve perceber que, mesmo que os maiores cuidados sejam tomados, falhas ocorrerão eventualmente, então a manutenção corretiva é inevitável, sendo importante que haja sempre uma equipe de manutenção qualificada para realizá-la. ATENCAO Na Figura 3 você pode observar um especialista realizando manutenção em um separador sólido-líquido de um veículo espacial. Um dos dois separadores existentes na aeronave sofreu uma falha devido a uma acumulação de água no mesmo, que provavelmente ocorreu durante um dos testes realizados, necessitando reparo. Em um veículo isolado como um destes, a manutenção dos componentes é extremamente importante, pois não é possível, muitas vezes, obter ajuda externa. FIGURA 3 – ESPECIALISTA REALIZANDO MANUTENÇÃO CORRETIVA EM UM SEPARADOR SÓLIDO-LÍQUIDO FONTE: . Acessoem: 11 maio 2019. UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO 14 2.2 MANUTENÇÃO PREVENTIVA Em algumas situações, o sistema com o qual você está trabalhando já é bem conhecido, e os engenheiros sabem, por experiência, que certos componentes tendem a dar problema com frequência. Nestas situações vale a pena realizar trocas de componentes problemáticas de acordo com uma agenda, evitando que o equipamento falhe e necessite de uma manutenção corretiva. Esta forma de manutenção baseada em reparos realizados periodicamente é chamada de manutenção preventiva. Estas operações buscam manter a máquina em estado de funcionamento constante, evitando interrupções e consequentemente a perda na produção. Um exemplo comum de manutenção preventiva é a troca de óleo em carros (Figura 4), que deve ser realizada com uma certa frequência, baseada no uso do carro. Neste caso é comum utilizar a quilometragem do automóvel para prever quando é necessário realizar esta forma de manutenção. FIGURA 4 – EXEMPLO DE MANUTENÇÃO PREVENTIVA – TROCA DE ÓLEO EM AUTOMÓVEIS FONTE:. Acesso em: 11 maio 2019. A manutenção preventiva tem seu plano centrado no cronograma de manutenção. Todos os equipamentos, peças e processos de uma empresa devem possuir um plano que indique quando devem ser repostas por novas. No caso do automóvel este plano era baseado na quilometragem. TÓPICO 2 | FORMAS DE MANUTENÇÃO 15 Outros quesitos que costumam ser utilizados para o agendamento de uma manutenção preventiva podem ser as horas de funcionamento que um equipamento prestou, ou mesmo o tempo em função do calendário. O valor de tempo do intervalo entre manutenções pode ser obtido de várias formas, sendo, algumas vezes, informado pelo fabricante, realizando experimento ou comparando com equipamentos similares. Em casos em que o intervalo a ser usado não é conhecido, muitas vezes convém utilizar um valor bastante conservador, já que mesmo uma troca de peças frequente e cara acaba saindo mais barato do que a perda de capital direto e indireto que resulta da quebra do equipamento. Se o intervalo escolhido for muito grande é possível que ocorra falha antes da manutenção que havia sido planejada. Neste caso, se diz que o intervalo está inadequado, e a manutenção preventiva acaba não ocorrendo, pois está realizando manutenção corretiva antes da data planejada para a outra. As principais vantagens do uso da manutenção preventiva são a sua simplicidade no processo de manutenção, um bom custo comparado à manutenção corretiva e baixos riscos de acidentes. Este método permite que o planejamento das funções exercidas pelas equipes responsáveis pela manutenção seja mais consistente, permitindo que o seu trabalho seja eficiente por consequência. As desvantagens da manutenção preventiva são, em maioria, devido à atuação sobre um equipamento que está funcionando perfeitamente bem, podendo adicionar erros devido a falhas humanas, contaminações e danificação durante o desligamento e reativação da máquina, entre outros. A Figura 5 contém um exemplo de manutenção preventiva no cenário industrial. Você pode observar na figura um aprendiz de técnico apertando os parafusos das rodas de uma empilhadeira, um processo que deve ser realizado com certa frequência, pois estes parafusos tendem a relaxar com o passar do tempo, gerando o risco de a roda sofrer vibrações ou até se soltar. UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO 16 FIGURA 5 – MANUTENÇÃO PREVENTIVA EM UMA EMPILHADEIRA FONTE: . Acesso em: 12 maio 2019. É importante planejar a manutenção preventiva de forma a minimizar as paradas no fluxo de produção. Sempre que possível, evita-se parar uma máquina em momentos em que irá gerar paradas em outros processos. ATENCAO 2.3 MANUTENÇÃO PREDITIVA Como você já aprendeu, as principais desvantagens da manutenção preventiva é que esta interfere em uma peça ou máquina que está em bom funcionamento. De forma a tratar este problema, surgiu a ideia da manutenção preditiva. Na manutenção preditiva, o planejamento que ocorre não é baseado na reposição de peças e equipamentos, mas na inspeção deles, verificando a presença ou ausência de falhas e se é necessário trocar alguma peça ou realizar algum reparo no equipamento. TÓPICO 2 | FORMAS DE MANUTENÇÃO 17 Pode-se dizer que a manutenção preditiva é aquela que busca evitar a manutenção preventiva e, ao mesmo tempo, escapar da manutenção corretiva. Este método evita a parada da produção antes que seja necessário, obtendo o máximo de rendimento do processo de produção que é mantido em operação normal pelo maior tempo possível. Utilizando a manutenção preditiva, os intervalos entre as paradas de máquina são maiores, e adicionalmente existem menores custos de reposição ao longo do tempo, já que é necessário um menor número de reposições. Estas medições podem ser realizadas sobre um número de variáveis, como pressão, temperatura, análises de vibrações, análises químicas, análises de superfícies, análises estruturais ou mesmo o nível de desempenho exibido pela máquina. Cabendo ao engenheiro determinar qual o ponto crítico que deve ser observado para detectar defeitos com antecedência. Uma das maiores dificuldades que limitam a manutenção preditiva é a determinação de quando devem ser realizados os reparos. Através de medições realizadas sobre o equipamento, você deve determinar se estes estão ou não dentro dos limites aceitáveis. Um exemplo disto é a temperatura em transformadores de calor, como visto na Figura 6. Estes transformadores aquecem bastante durante a operação e suas partes sofrem degradação devido a isto, especialmente o material isolante que protege o fio internamente, portanto, é importante monitorar a temperatura interna do transformador. Este problema apresenta mais dificuldade do que é incialmente aparente, pois a temperatura interna pode variar bastante com a estação, sendo muito mais elevado durante o verão e mais baixa durante o inverno, assim como a demanda elétrica exigida do transformador que pode variar durante o dia. Por causa disto, simplesmente monitorar a temperatura não dá informações suficientes sobre o estado do transformador. Neste caso, é comum o monitoramento da composição do óleo dentro do transformador. Quando a isolação sofre degradação, está solta componentes químicos que se misturam com o óleo, o que permite que uma equipe responsável pela manutenção verifique o estado do transformador e planeje a troca do isolamento de acordo com a necessidade. UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO 18 FIGURA 6 – TRANSFORMADOR ELÉTRICO DE DISTRIBUIÇÃO FONTE: . Acesso em: 12 maio 2019. Em muitos casos as fontes de falha das máquinas podem ser difíceis de monitorar, ou de estabelecer limites de aceitação, o que torna a manutenção preditiva inviável. Outra desvantagem da manutenção preditiva é o custo da realização das inspeções regulares, que requerem medições, muitas vezes, por equipamentos caros e mão de obra qualificada para utilizá-los, o que demanda treinamento. Tudo isto acarreta um maior custo inicial no projeto comparado com as outras formas de manutenção que você estudou até este ponto. A Figura 7 mostra um exemplo de manutenção preditiva, onde um maquinista está examinando um acionamento de ventilador, por uma câmera de fibra ótica, atrás de sinais de corrosão de forma a determinar se é necessário a realização de reparos ou a reposição do equipamento. TÓPICO 2 | FORMAS DE MANUTENÇÃO 19 FIGURA 7 – INSPEÇÃO DE UM ACIONAMENTO DE VENTILADOR FONTE: . Acesso em: 12 maio 2019. O monitoramento frequente de um fator crítico ao longo do tempo permite que você estabeleça uma tendência do desenvolvimento da falha do equipamento, como no Gráfico 1. Como você pode observar, realizam-se medições regulares sobre as variáveis críticas quepodem indicar falhas; isto é, a seção azul do Gráfico 1. Quando se detecta que está começando a ocorrer variação e tendendo a falha, aumenta-se a frequência de medições para melhor controlar a manutenção do equipamento; isto pode ser visto no final da seção azul da Gráfico 1. A partir do histórico de medições, é possível estimar o desenvolvimento futuro das falhas no equipamento, que é indicado pela região verde na Gráfico 1. Eventualmente esta curva irá ultrapassar o limite aceitável para o equipamento, linha tracejada vermelha, onde ocorrerá a falha. A manutenção do equipamento deverá ser realizada na região amarela, que indica o tempo do presente até o momento que a falha foi prevista. Preferencialmente, não se deve deixar os reparos sobre o equipamento para o último momento, pois é sempre possível que as falhas se propaguem mais rápido que o normal perto do limite de falha. UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO 20 GRÁFICO 1 – MEDIÇÕES REALIZADAS E TENDÊNCIA DE FALHA NA MANUTENÇÃO PREDITIVA DE UM EQUIPAMENTO FONTE: O autor A manutenção preditiva pode ser realizada não apenas com inspeções regulares, mas de forma contínua, através do uso de aparelhos que monitoram o equipamento de forma constante, um processo que se tornou mais viável com o avanço da tecnologia, permitindo que dezenas de equipamentos sejam monitorados em uma única tela de computador. 3 MANUTENÇÃO DETECTIVA Em certas situações é importante impedir falha catastrófica do sistema de forma a evitar danos maiores ou até perda de vidas. Nestes casos utiliza-se um sistema de manutenção chamada de manutenção detectiva. Na manutenção detectiva, o sistema é monitorado constantemente por um sensor que possui limites programados quanto a valores permissíveis de vibrações, temperaturas, corrente elétrica etc. Caso a medição do sistema ultrapasse o valor limite, o sistema é automaticamente parado. Como exemplo deste tipo de manutenção, podemos citar os disjuntores elétricos, que você pode observar na Figura 8, que interrompem a circulação de energia elétrica caso a corrente ultrapasse um certo limite, o que poderia causar TÓPICO 2 | FORMAS DE MANUTENÇÃO 21 queima de equipamentos. Outro exemplo que pode ser considerado são os airbags dos automóveis, que tem uma função importante em proteger a vida das pessoas dentro do carro em caso de colisão. FIGURA 8 – DISJUNTOR ELÉTRICO FONTE: . Acesso em: 13 maio 2019. 4 MANUTENÇÃO PRODUTIVA TOTAL A manutenção produtiva total (Total Productive Maintenance – TPM) é um método desenvolvido no Japão na década de 1970, que é baseado na ideia de que cada funcionário seja responsável pelas máquinas com que trabalham. Na manutenção produtiva total, buscam-se realizar ambas manutenções preventivas e preditivas sobre as máquinas envolvidas no processo, que serão realizadas por cada funcionário da empresa. A manutenção produtiva total é um sistema baseado em cinco “pilares”: UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO 22 • Eficiência: aumentar a eficiência dos equipamentos. • Auto reparo: um sistema de manutenção pelos operadores que se auto sustenta. • Planejamento: um plano de manutenção detalhado. • Treinamento: operadores bem treinados. • Ciclo de vida: uma gerencia do equipamento que aumenta à sua vida (TELECURSO 2000, 2014, s.p.). O sistema de manutenção produtiva total identifica as seis principais perdas que existem nas empresas, e através do seu sistema, busca minimiza-las. Estas perdas são: • Perdas devido à quebra de máquinas e peças. • Perdas no tempo gasto realizando reparos de manutenção. • Perdas devido a máquinas paradas (perda de produção). • Perdas por diminuição da velocidade de produção. • Perdas devido a defeitos nas peças produzidas. • Perdas por diminuições no rendimento das máquinas (TELECURSO 2000, 2014). DICAS Para um melhor entendimento dos conceitos de manutenção produtiva total, sugere-se a leitura do texto da monografia de Wady Abrahão Cury Netto (2008), que realizou um estudo das aplicações da TPM nas empresas Natura e V & M, que se beneficiaram através da utilização deste método que é muito popular entre as empresas: Desenvolvida no início da década de 60 e expandida pelo mundo na década de 70, a Manutenção Produtiva Total ou TPM é a aplicação da qualidade total (TQM) na manutenção. O uso da metodologia no Brasil foi iniciado na década de 80, e hoje as principais plantas industriais do país utilizam TPM. A importância do tema para a Engenharia de Produção é observada de acordo com classificação da Associação Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO) para as atribuições do engenheiro de produção que cita a gestão da manutenção e a confiabilidade de máquinas, equipamentos e produtos como funções deste profissional. A escolha do tema proposto foi motivada pela experiência adquirida nas atividades desenvolvidas no estágio realizado em uma empresa do setor automobilístico, com aplicação da Manutenção Produtiva Total. [...] O objetivo do trabalho é demonstrar a importância da manutenção e, em especial, da metodologia Manutenção Produtiva Total na indústria. Para contextualizar o tema, apresenta se uma análise comparativa dos resultados de implantação em empresas que adotam a Manutenção Produtiva Total a partir da concepção teórica do tema. TÓPICO 2 | FORMAS DE MANUTENÇÃO 23 [...] A crescente competitividade das indústrias exige que se procure constantemente a maior eficiência do sistema produtivo. A Manutenção Produtiva Total surgiu dessa necessidade. Da busca da diminuição de desperdícios foi criada a TPM, a princípio um sistema de manutenção que visava eliminar as perdas dos equipamentos e aumentar sua eficiência global. A ideia central da TPM está no pilar Manutenção Autônoma que, através dos passos contidos nesse pilar, desperta no operador a relação de cuidado que este deve ter com seu equipamento de trabalho. Sua importância é demonstrada no Quadro 1, numa analogia feita por MONCHY (1987) entre a manutenção da saúde dos equipamentos e a manutenção da saúde das pessoas (CURY NETTO, 2008, p. 11-12). Como resultado, Cury Netto constatou que as duas empresas utilizam a TPM de modo ligeiramente diferente, com a Natura enfocando em todo os níveis da empresa, enquanto que a V&M foca a TPM em uma parte dela e realiza maior análise de falhas dos equipamentos. Este trabalho mostra que, mesmo para a mesma classe de manutenção, existem diversos modos na qual esta pode ser realizada. Leia na íntegra acessando: http:// bit.ly/2P6hLk8 5 DISCUSSÕES QUANTO ÀS FORMAS DE MANUTENÇÃO Em resumo, as principais formas de manutenção podem ser organizadas conforme você pode ver na Figura 9, onde podem ser observados não apenas as formas de manutenção que você estudou até este ponto, mas também uma descrição básica das características de cada uma delas. Observe que costuma existir uma relação inversa entre o custo inicial e o custo de falha para as formas de manutenção: aquelas que possuírem maior investimento inicial sobre seu planejamento terão um menor número de acidentes e menos gastos em reparos. Por outro lado, aquelas com menor investimento inicial terão um maior número de acidentes e peças defeituosas que irão gerar prejuízo posterior para a empresa. Note que como existe algum tipo de custo surgindo para ambas as direções, não existe uma única opção correta para a realização da manutenção. A escolha da forma de manutenção apropriada cabe ao engenheiro que irá planejar os processos industriais para a empresa. Esta deve ser escolhida de forma que se obtenha um balanço, não permitindo que nenhum custo fique demasiadamente grande. Por exemplo, não vale a pena realizar inspeções utilizando máquinas de monitoramento constante, que são custosas, ou microscópios de alta precisão, quando se trata de equipamentos e peças que são muito baratos e facilmente trocados, e que não causam muito prejuízo quando quebram.Um exemplo UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO 24 comum desta situação são itens simples que a maioria das pessoas possui em casa: canetas que quebram facilmente ou pilhas que não possuem uma bateria limitada, que são mais baratos de trocar quando quebram do que realizar uma manutenção mais complicada. Por outro lado, para equipamentos caros e que podem ter resultados catastróficos quando sofrem falhas, o monitoramento da condição vale o custo a ser aplicado. Um exemplo comum é o de automóveis, os quais devem ser realizados verificações regulares com base na sua quilometragem. Um exemplo mais aplicado a indústria é o de aeronaves, que recebem inspeções bastante frequentes para garantir seu bom estado de funcionamento. FIGURA 9 – FORMAS DE MANUTENÇÃO FONTE: O autor 25 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você aprendeu que: • A manutenção pode ser categorizada em várias formas, podendo ser planejada e não planejada. • A manutenção corretiva é uma forma de manutenção não planejada onde apenas se age quando ocorre a falha do equipamento. • A manutenção de ocasião é similar a manutenção corretiva, mas ocorre em situações onde o equipamento normalmente estaria parado. • A manutenção preventiva é uma forma de manutenção planejada que consiste em serviços regulares programados de reparo ou reposição de peças, o que mantém o equipamento em bom estado. • A manutenção preditiva é uma forma de manutenção planejada que consiste em inspeções regulares programadas que buscam detectar quando ocorre surgimento de falha no equipamento e as medidas que devem ser tomadas para repará-lo. • A manutenção detectiva é um sistema automático que interrompe o funcionamento do equipamento quando detecta falha iminente de forma a evitar quebras ou acidentes. • A manutenção produtiva total é uma forma de manutenção planejada que combina as manutenções preventiva e preditiva sob a responsabilidade do operador de cada equipamento da empresa. • As várias formas de manutenção tendem a apresentar uma relação inversa de custo de investimento inicial e custo de quebra. 26 1 Três das formas de manutenção mais comuns realizadas pelas empresas sobre os seus equipamentos e peças são os de manutenção corretiva, manutenção preventiva e manutenção preditiva. Sobre este assunto, classifique as sentenças em V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) A manutenção preditiva utiliza inspeções programadas. ( ) A manutenção corretiva é uma forma de manutenção planejada. ( ) A manutenção preventiva pode ser baseada no tempo de operação da máquina. ( ) Na manutenção preventiva é essencial a realização de medições. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) F – F – V – V. b) ( ) V – F – V – F. c) ( ) V – V – F – F. d) ( ) F – V – F – V. 2 Os processos de manutenção buscam melhorar a eficiência do processo produtivo de uma empresa atacando os defeitos e falhas na produção e nos equipamentos, podendo ser realizados de várias formas. Um exemplo de manutenção é a broca utilizada para perfuração de usinagem. Explique como cada forma de manutenção estudada neste capítulo poderia ser aplicada nesta broca. 3 Existem várias formas que a manutenção de equipamentos pode exibir. Estas formas de manutenção possuem diferentes características, assim como suas próprias vantagens e desvantagens, sendo importante que você seja capaz de identificá-las. Relacione as colunas com o tipo de manutenção de acordo com o código a seguir. (1) Manutenção corretiva. (2) Manutenção preventiva. (3) Manutenção preditiva. (4) Manutenção detectiva. (5) Manutenção de ocasião. ( ) Um torno que opera no período da tarde, quebrou e recebe reparos de noite. ( ) A verificação regular de uma engrenagem, que vem a mostrar trincas e é trocada. AUTOATIVIDADE 27 ( ) Um mancal de rolamento quebra durante a operação e é imediatamente trocado. ( ) Um filtro de ar condicionado é trocado a cada três meses. ( ) Um computador é automaticamente desligado ao serem detectadas temperaturas internas excedendo o limite. Agora, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) 5 – 3 – 1 – 2 – 4. b) ( ) 5 – 4 – 1 – 2 – 3. c) ( ) 3 – 4 – 2 – 1 – 5. d) ( ) 2 – 3 – 5 – 1 – 4. 28 29 TÓPICO 3 PLANEJAMENTO E CUSTOS DE MANUTENÇÃO UNIDADE 1 1 INTRODUÇÃO Você já estudou a importância de realizar manutenção, assim como as formas que pode tomar, resta determinar como será realizada a manutenção, iniciando pelo primeiro passo: o planejamento. Um bom planejamento do processo de manutenção facilita o trabalho dos operários da empresa, assim como economiza tempo e dinheiro e diminui a probabilidade de possíveis acidentes e falhas de equipamento, assim é importante determinar o plano de manutenção desde o início. A existência de custos associados ao processo é inevitável, mas é possível planejar de uma forma balanceada que mantém os custos de manutenção em uma média aceitável sendo ao mesmo tempo eficiente. Neste tópico, você estudará os principais procedimentos de manutenção e como podem ser organizados de forma a otimizar o tempo e eficiência de manutenção, assim como os conceitos do custo de manutenção e os principais pontos que o afetam. 2 PROCESSOS DE MANUTENÇÃO As atividades realizadas pelo processo de manutenção podem ser divididas em três formas principais (U.S. DEPARTMENT OF THE INTERIOR BUREAU OF RECLAMATION, 2009): • Manutenções de rotina: são as atividades realizadas com o equipamento em funcionamento, geralmente fazendo parte dos processos de manutenção preventiva ou preditiva. São planejadas em cronograma de acordo com o tempo ou quantidade de utilização de um equipamento. 30 UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO • Testes de manutenção: são as atividades que consistem na realização de testes utilizando equipamentos específicos, de forma a detectar possíveis problemas. Estas atividades são planejadas em cronogramas de acordo com o tempo ou quantidade de utilização de um equipamento, geralmente quando o equipamento está desligado. • Testes de diagnóstico: são as atividades que consistem na realização de testes utilizando equipamentos específicos, realizadas em resposta a alguma irregularidade que tenha ocorrido na máquina. Estas atividades não são planejadas em cronograma, ocorrendo imprevisivelmente. Entre estas três categorias de atividades, as duas primeiras aparecem com frequência durante a criação do plano de manutenção, mas a equipe de manutenção deve estar preparada para a realização da terceira em situações em que pode ocorrer. 3 PLANO DE OPERAÇÕES Os processos de manutenção a serem realizados são muitos, sendo necessário criar uma sequência planejada para sua realização. Esta sequência deve listar todos os serviços que precisam ser executados, o pessoal que deve prestar este serviço, o tempo de trabalho requerido e a dependência entre serviços, que muitas vezes devem ser realizados em uma sequência específica. Existem várias maneiras de organizar esta sequência de operações. Uma delas é o uso de diagramas de espinha de peixe, como você pode observar na Figura 10. Este diagrama é simplesmente um modo compacto de escrever a sequência de ações de manutenção que devem ser realizadas. Note que este diagrama não informa nada sobre a dependência entre operações; por exemplo: a verificação das engrenagens deve logicamente vir após sua remoção, mas a troca de polias e aplicação de lubrificante não necessariamente precisam ser realizadas nesta ordem para que a manutenção funcione. TÓPICO 3 | PLANEJAMENTO E CUSTOS DE MANUTENÇÃO 31 FIGURA 10 – DIAGRAMA ESPINHA DE PEIXE FONTE: O autor Outro fator que não é incluso neste diagrama é o planejamento do tempo estimado para cada operação. Um método que pode ser utilizado para cobrir algumas destas fraquezas é utilizar o chamado diagrama de barras, também conhecido como diagrama de Gantt. O diagrama de Gantt é um método que buscaprogramar as operações de manutenção, de forma a tornar clara as dependências entre as tarefas e o tempo requerido de manutenção para cada uma delas. Primeiramente constrói-se uma tabela, conforme exemplo a seguir. 32 UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO TABELA 2 – LISTAGEM DE TAREFAS DE MANUTENÇÃO FONTE: O autor FIGURA 11 – DIAGRAMA DE GANTT FONTE: O autor A partir de uma tabela de operações, como a Tabela 2, pode-se criar o diagrama de Gantt, conforme o exemplo na Figura 11. Observe que sempre que se finaliza uma tarefa, iniciam-se todas as tarefas que dependiam desta simultaneamente, de forma a economizar tempo realizando operações simultâneas. Tarefa Detalhamento Dependência Duração (horas) A Desligar equipamento 1 B Remover parafusos A 1 C Remover engrenagens B 2 D Verificar engrenagens C 5 E Trocar polias B 3 F Reaplicar lubrificantes D e E 1 G Limpar filtros E 2 TÓPICO 3 | PLANEJAMENTO E CUSTOS DE MANUTENÇÃO 33 Note que, no diagrama de Gantt, as dependências não são mais indicadas diretamente, estas estão apenas implícitas no cronograma. O diagrama também possui outros fatores que não são mostrados, por exemplo, quais são as tarefas mais importantes dentre as listadas, ou quais os custos de cada tarefa. O método CPM (do inglês Critical Path Method, ou método do caminho crítico) foi criado para solucionar este problema. 4 MÉTODO CPM O método CPM é um método criado com a intenção de minimizar o tempo das paradas e é composto por três formas de gráfico principais (TELECURSO 2000, 2014): • Diagramas de flechas. • Atividades fantasma. • Nós. O diagrama de flechas é um diagrama onde cada processo na sequência de operações é representada por uma flecha. Quando a ponta de uma flecha conecta com a cauda de outra flecha significa que existe uma dependência entre operações. Você pode observar um exemplo de diagrama de flechas na Figura 12. Na Figura 12 (a) você pode ver a dependência de processos como demonstrada no exemplo da Tabela 2, onde os processos C e apenas se iniciam após terminado o processo B. Na Figura 12 (b), você observa outro caso que é de um processo sendo dependente de múltiplos outros processos, com o processo F só podendo ser iniciado após terminados os processos D e F. Note que a Figura 12 (b) só é uma descrição válida do exemplo da Tabela 2 se ignorarmos os outros processos, afinal o processo G também depende do processo E, mas se colocarmos ele na Figura 12 (b) saindo da ponta da seta E ficaria parecendo que G depende de ambos D e E, o que não é verdade, pois G depende apenas de E. 34 UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO FIGURA 12 – DIAGRAMA DE FLECHAS. FONTE: O autor Para resolver este problema você pode utilizar as chamadas atividades fantasmas, que podem ser vistas na Figura 12 (c), ilustradas por uma flecha pontilhada. Estas atividades fantasmas indicam uma dependência entre dois processos, mas não são atividades reais, portanto, não consumem tempo ou recursos, apenas existem para auxiliar a organização do planejamento. Nesta figura, a atividade F depende das atividades D e E, e a atividade G depende apenas da atividade E, o que está de acordo com o exemplo da Tabela 2 que você já foi estudado anteriormente. Por último, existem os nós, também chamados de eventos. Estes são círculos desenhados no início e final das setas do processo que demarcam pontos da sequência de operações. Eles não indicam nenhuma operação que deve ser realizada, apenas servem de indicadores do progresso de manutenção. Na Figura 13, você pode observar um exemplo de nós ou eventos. Nesta figura, você pode ver como ficaria a sequência de operações da Tabela 2 se fosse construída em um diagrama de flechas com nós. TÓPICO 3 | PLANEJAMENTO E CUSTOS DE MANUTENÇÃO 35 FIGURA 13 – NÓS OU EVENTOS FONTE: O autor É, muitas vezes, interessante para o engenheiro ao realizar o planejamento da manutenção incluir os tempos de duração estimados de cada etapa do processo de manutenção no diagrama de flechas, como foi feito na Figura 13. Através disto é possível observar todos os caminhos que levam do início da sequência de operações (nó 1) até o final (nó 7). Existem três caminhos possíveis: • A – B – C – D – F. Duração total: 10 horas. • A – B – E – G. Duração total: 7 horas. • A – B – E – Fantasma – F. Duração total: 6 horas. Perceba que o primeiro destes caminhos tem duração maior do que os outros; este é chamado de caminho crítico, pois determina a duração total da sequência de operações. Se o engenheiro responsável pela manutenção deseja melhorar o processo, ele deve melhorar as operações que fazem parte do caminho crítico. Também pode-se determinar através disto quanto certos processos podem atrasar sem atrasar o tempo total da manutenção, basta olhar as tarefas que não fazem parte do caminho crítico. No caso anterior, as tarefas E e G no caminho dois podem atrasar um total de três horas sem atrasar o cronograma. 5 ANÁLISE DE CUSTOS No mercado competitivo atual, é importante que o produto sendo produzido por uma empresa seja não apenas dentro das especificações, mas também possua um custo competitivo comparado com os preços das concorrentes. Os custos envolvidos no processo de manutenção acabam entrado no custo final do produto e tem parte em determinar o custo de venda no mercado. Os custos de manutenção podem ser divididos em dois grupos: custos diretos e custos indiretos. 36 UNIDADE 1 | CONCEITOS BÁSICOS DE PRÁTICAS DE MANUTENÇÃO Os custos diretos de manutenção constituem o que a empresa paga diretamente, que é o custo da mão de obra, os custos das partes de reposição e dos materiais de reparo, assim como custos de serviços de terceiros. Já os custos indiretos representam custos de dinheiro perdido devido a problemas, como o tempo de parada da produção, seja por quebra ou reparos planejados, o que gera uma perda na produção da empresa. Como já mencionado no tópico anterior, existe uma relação inversa entre os custos de falha e o custo da realização do processo de manutenção, gerando uma curva de custo total em formato de U, como você pode ver no Gráfico 2. Devido a este formato o ponto de custo mínimo para a empresa encontra- se em algum lugar no meio da curva, e não em nenhum dos dois extremos. Cabe aos responsáveis pelo planejamento da manutenção determinar qual o custo para manutenção preventiva e preditiva que é permissível, não acarretando mais despesas do que gastaria com as falhas realizando manutenção corretiva. Os custos diretos e indiretos de manutenção têm uma relação semelhante, pois representam os custos de prevenir o problema e os custos de corrigir o problema após a falha, respectivamente. GRÁFICO 2 – BALANÇO DOS CUSTOS RELACIONADOS AO PROCESSO DE MANUTENÇÃO INDUSTRIAL FONTE: O autor TÓPICO 3 | PLANEJAMENTO E CUSTOS DE MANUTENÇÃO 37 Uma medida importante neste cálculo é a chamada disponibilidade do equipamento, que é dada pela Equação 1. A disponibilidade indica o percentual do tempo que o equipamento fica em operação. Uma disponibilidade menor indica tempo perdido, o que representa um custo indireto do processo. Equação 1 Como a disponibilidade é uma medida que diminui com o número de falhas, pode-se dizer que uma disponibilidade maior é comum na manutenção preventiva e preditiva, e que o custo de disponibilidade tem uma relação oposta com o custo destas manutenções. Note que a disponibilidade, conforme escrito na Equação 1, será sempre um número menor ou igual a 1. Como a maioria das máquinas passa a maior parte do seu tempo em operação, mas praticamente nenhuma passa 100% do tempo operando, portanto, você pode esperar que a disponibilidade seja geralmente um número entre 0,9 e 1,0. ATENCAO ( ) ( ) ( ) Tempo de Operação TODisponibilidade Tempo de Operação TO Tempo de Parada TP = + 38 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você aprendeu que: • Os processos de manutenção dividem-se em