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LITERATURA E ENSINO 
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Sumário 
NOSSA HISTÓRIA ...................................................................................................... 2 
INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 3 
A CONCEITUALIZAÇÃO DA LITERATURA E SUA IMPORTÂNCIA ................... 4 
O ATO DE LER ........................................................................................................... 6 
A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE LITERATURA E LEITURA EM SALA DE 
AULA ........................................................................................................................... 8 
A CONTRIBUIÇÃO DA LITERATURA PARA FORMAÇÃO DE LEITORES ........ 11 
LITERATURA BRASILEIRA .................................................................................. 13 
A LITERATURA INFANTIL .................................................................................... 20 
A LITERATURA INFANTIL AFRO-BRASILEIRA ................................................ 23 
LITERATURA COMPARADA ................................................................................ 27 
PERÍODOS LITERÁRIOS NO BRASIL .................................................................... 32 
CONCLUSÃO ............................................................................................................ 34 
REFERÊNCIA ............................................................................................................ 35 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de 
empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como 
entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua 
formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, 
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o 
saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Literatura é ficção, recriação de uma realidade, através de palavras. Essa 
combinação revela a maneira individual de cada escritor interpretar a realidade, 
vários são os conceitos de literatura. Além disso, o homem é modificado diante 
dos saberes literários. 
A escolha do tema surgiu de uma observação feita na escola: a primeira 
intenção é incentiva os alunos a fazer a leitura do livro e recontar o que leu na 
sala para os colegas em sala de aula, atividade que favorece criatividade, em 
vez de mais um espectador, o aluno transforma-se num um ouvinte sensível ao 
prazer de ler e ao encantamento do texto. 
Além disso, na leitura compartilhada de um texto literário a possibilidade 
da invenção, da criação, está sempre aberta. Este talvez seja o aspecto mais 
fascinante de toda esta experiência: abrir espaço para a criação e a criação é o 
caminho para a autonomia e para autoafirmação. 
Muitos são os alunos que não ser têm uma prática cotidiana da leitura 
literária, o ensino da literatura visa o aperfeiçoamento da leitura. Não se trata de 
uma ação mecânica que aborrece. Ler é estabelecer relação com o texto lido, é 
compreendê-lo e interpretá-lo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
 
 
 
 
A CONCEITUALIZAÇÃO DA LITERATURA E SUA 
IMPORTÂNCIA 
 
 
 
Vários são os significados ou conceitos atribuídos à literatura. O dicionário 
Aurélio define como “Arte de compor ou escrever trabalhos artísticos em prova 
e verso”. Neste contexto, as palavras além de identificadas têm que ter: sentido, 
compreensão, interpretação, relacionar o que for mais relevante em um texto, 
diálogo entre outras comunicações. Segundo Freire (2003, p.28) “a leitura é 
importante no sentido de oferecer ao homem compreensão do mundo e através 
dessa relação é possível a descoberta da realidade sobre a vida”. 
Jordão e Oliveira (2006, p.17) definiram que “Literatura é a recriação de 
uma realidade por meio de palavras”. Porém não basta fazer uso da palavra para 
5 
 
 
se produzir arte literária. É preciso criar formas mais intensas, que tenham um 
significado mais profundo. 
Também Terra e Nicola (1997, p.99) afirmam que “a literatura é a 
linguagem carregada de significado. Grande literatura é simplesmente a 
linguagem carregada de significado até o máximo grau possível”. 
Dessa forma, a literatura não tem um compromisso de fazer um retrato da 
realidade imediata; ao contrário, ao artista literário interessa mais recriar a 
realidade de acordo com sua própria visão. 
A Literatura retrata uma realidade do mundo em desenvolvimento 
constante em plano simbólico, e também é uma realização de linguagem. 
Atualmente, a Literatura recebe um conceito de cultura que preserva o 
caráter lúdico do jogo literário, ou mesmo de arte que provoca novos interesses 
no homem, forma leitores aptos e, consequentemente, escritores, a cultura que 
motiva o senso crítico, que atende às necessidades individual, profissional, 
cultural e social do homem. Deste modo, a arte literária funciona como um jogo 
lúdico em torno da linguagem, das expressões, do conteúdo e das formas, a 
mesma não é subordinada apenas a um objetivo intermediário da prática. De 
acordo com Silva (2007, p.14) “a literatura não consiste apenas numa herança, 
num conjunto cerrado e estático de textos escritos no passado, mas apresenta-
se antes como um ininterrupto processo histórico de produção de novos 
talentos”. 
A Literatura é importante por possuir características funcionais, ela pode 
ir além de objeto de informação e passa a funcionar como ensino de 
informações. Assim, a literatura é identificada a partir do momento em que o 
aluno sente-se interessado por esta arte e passa a se familiarizar com a leitura 
por meio da prática. Quando o educando concebe a cultura literária como uma 
forma de sistematizar os saberes literários e não literários, o discente insere na 
vida a oportunidade de construir e inserir uma segunda cultura em seu contexto 
histórico e cultural. 
Na opinião de Silva (2007, p.69), “A compreensão do mundo e a 
compreensão de si podem ser enriquecidas através da leitura”. A compreensão 
6 
 
 
é fundamental no ato da leitura, assim, o aprendizado é fixado com a finalidade 
que os autores desejam. 
 
O ATO DE LER 
 
É através da leitura que a educação busca o desenvolvimento do 
discente, possibilitando elaborar conceitos de ampliar o seu domínio da 
linguagem oral, elementos da aprendizagem que são vitais para a prática da 
cidadania. A visão é criar leitores cada vez mais dependentes, respeitando os 
diversos níveis de escolaridade, e isto é possível através da leitura de textos 
literários e não literários. 
De acordo com Martins (2005, p.30) “é preciso considerar a leitura como 
um processo de compreensão de expressões formal e simbólico, não importando 
por meio de que linguagem”. Assim, para incentivar a leitura consiste no fato da 
atividade de leitura quando realizada implica ser um processo de articulação dos 
conhecimentos inerentes a cada sujeito que realiza a ação. 
Além disso, cada indivíduo faz uma leitura diferente, de objeto, imagem, 
manuscrito, depende do seu nível intelectuale das experiências e circunstâncias 
de vida e da motivação de cada leitor. Para Martins (2005) “à medida que 
desenvolvemos nossas capacidades sensoriais, emocionais e racionais também 
7 
 
 
se desenvolvem nossas leituras nesses níveis, ainda que, repito, um ou outro 
permaneça” (p.80). Os níveis de leitura são simultâneos, dependendo da 
individualidade, da necessidade, da experiência e da motivação de cada leitor. 
Faulstich (2003) diz que há dois tipos de leituras: “Leitura informativa – ao 
se fazer, busca-se resposta a questões específicas” (p.14). Diante disso, temos 
duas subdivisões da informativa que são: a leitura seletiva que o leitor escolher 
as ideias de acordo com o autor, e a leitura crítica que exige do aluno uma visão 
do assunto que está sendo estudado. Já “leitura interpretativa requer total 
domínio da leitura informativa. Para que se faça leitura interpretativa é 
necessário que se conheçam determinadas capacidades de conhecimento.” 
(p.22). 
O ato de ler auxilia no desenvolvimento das habilidades de produção 
textual e análise linguística do texto. Quando o aluno adquire o hábito de leitura, 
além de expandir o horizonte cultural, tende a favorecer a interpretação de textos 
(de todas as áreas), pois a leitura expande o universo linguístico do leitor, tanto 
em vocabulário quanto em aspectos culturais. Quanto mais lemos, mais 
facilidade temos para perceber aquilo que está implícito, aquilo que extraímos 
de uma leitura mais aprofundada do texto. Dessa forma, o educando deixa de 
ser passivo na leitura e torna-se ativo e interferente, levando-se em consideração 
que o conhecimento resulta de um processo de construção. 
Todavia, não há como falarmos sobre o ato de ler, sem falarmos sobre a 
importância que a Literatura exerce no universo do leitor. Em outras palavras, 
Silva e Zilberman (1990, p. 24) expressam “há que se ler literatura para romper 
o silêncio, desentravando, aceitando e retroalimentando os sentimentos e a 
inteligência do mundo”. Neste contexto, “a literatura se associa então à leitura.” 
(p.18). É primordial observar que a leitura literária é um instrumento de 
capacitação do sujeito em relação às demais proficiências e, ademais, permite o 
pleno exercício da cidadania, posto que por meio dela é possível assumir uma 
postura mais crítica do mundo. 
 
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A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE LITERATURA E 
LEITURA EM SALA DE AULA 
 
O processo do ensino de Literatura e leitura em sala de aula requer 
renovações de conceitos e práticas metodológicas superando as metodologias 
tradicionais tão presentes no ensino. 
A leitura literária é tema de discussão onde os teóricos questionam seu 
desenvolvimento para compreensão da realidade da sociedade. Além disso, 
para que se tenha um melhor aproveitamento do uso de textos antigos, já que 
alguns professores que desenvolvem no aluno a ideia de que a Literatura não 
faz parte do mundo contemporâneo, tornando sem proveito o seu estudo. 
Definindo a importância da Literatura em sala de aula, Martins (2005) diz 
que aprender a ler significa também “aprender a ler o mundo, dar sentido a ele 
e a nós próprios, o que, mal ou bem, fazemos mesmo sem ser ensinados”. Diante 
disso, o professor deve apresentar ao aluno o texto literário ou não literário como 
um conjunto de produções em linguagem carregada de sentidos. Isso significa 
universalizar, na escola, a concepção de leitura como uma modalidade artística 
de linguagem que veicula componentes temáticos e ideológicos a partir dos 
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quais é possível aprimorar a compreensão das diversidades sociais, econômicas 
e culturais do mundo em que vivemos. 
Percebe-se que a Literatura é tão importante quanto os demais 
conhecimentos transmitidos aos alunos do Ensino Médio. O ensino da literatura, 
bem como o de outras artes, desenvolve o cumprimento do art. 35 da Lei de 
Diretrizes e Bases do Ensino Médio, que preceitua como um de seus objetivos 
no inciso lll: “aprimoramento do educando como pessoa humana, incluindo a 
formação ética e o desenvolvimento da autonomia intelectual e do pensamento 
crítico” (BRASIL,1996). 
Caberia então à Literatura e à escola ter como meta o desenvolvimento 
do humanismo, da autonomia intelectual e do pensamento crítico, não 
importando se o educando continuará os estudos ou ingressará no mercado de 
trabalho. 
Desta forma, caberia ao professor o papel de formar o leitor literário, ou 
seja, um leitor reflexivo, crítico, que sabe apropriar-se daquilo que tem direito, 
visto. 
Assim, quando o aluno não tem interesse pela leitura literária, cabe ao 
professor motivá-lo com suas habilidades. É preciso que a escola e o professor 
criem e organizem condições para que os discentes do Ensino Fundamental 
possam praticar a leitura literária. O professor tem que estar envolvido com o ato 
de ler, onde o aluno possa fazer da leitura um hábito e este se torne um processo 
de aprendizagem, onde a leitura possa ser desenvolvida juntamente com a 
compreensão e a interpretação por meios diversos. 
Além disso, é necessário que os alunos tenham acesso ao mundo letrado 
e que a escola e os professores ampliem suas tarefas ao ensino da leitura e 
fortaleçam os meios para que o discente possa se dedicar a esta tarefa essencial 
à sua formação. A leitura desempenha um papel fundamental no nível individual 
e coletivo do aluno, contribuindo para seu enriquecimento pessoal, 
possibilitando-o a ter uma visão real do mundo. 
Kleiman (2001) afirma que: “ninguém consegue fazer aquilo que é difícil 
demais, nem aquilo do qual não consegue extrair sentido” (p.16). Neste contexto, 
10 
 
 
cabe ao professor negociar para poder ensinar, é preciso usar estratégias de 
leituras. Nesse sentido Lajolo (1997) afirma que todas “as atividades escolares 
das quais o texto participa precisam ter sentido, para que o texto resguarde seu 
significado maior.” (p.62) 
Uma saída seria o professor fornecer modelos de estratégias, fazendo 
com que o aluno interaja com o texto, com o professor e com o restante da turma. 
Inclusive porque “para elaboração de uma hipótese de leitura é necessário ativar 
o conhecimento prévio do leitor sobre o assunto” até que este se torne um “leitor 
experiente”, ou seja, até que sua leitura se torne uma atividade consciente, 
reflexiva e intencional. (KLEIMAN, 2001, p.56). 
A Literatura como uma disciplina que envolve conhecimentos variados, 
necessita de complementação teórica que facilite a compreensão do aluno com 
o texto. O professor pode, assim, fornecer materiais que facilitem a compreensão 
e façam com que o aluno se sinta motivado a buscar novas fontes para sanar 
suas dificuldades e curiosidades. Segundo Mazzoni (2003), na “formação 
intelectual, que envolve um processo lento e contínuo, é necessário que o 
professor esteja qualificado e apto a motivar alunos com pensamentos mais 
críticos, e para que estes busquem seu próprio conhecimento intelectual”. 
(2003.p.1) 
Cândido (2000) afirma que a “posição social [do artista] é um aspecto da 
estrutura da sociedade”. E, ainda, “o público é o fator de ligação entre o autor e 
sua obra”. (p.p. 22-3). Ao levar o leitor a perceber tal fato, o autor propõe 
exagerar essas “verdades” a fim de que o aluno se sinta interessado em analisar 
não somente a intimidade das obras, como também os fatores internos que 
participam de sua construção através do social e das características que tornam 
o texto uma obra de arte. 
Há vários fatores que prejudicam o ensino da Literatura. Desde as 
estruturas físicas da sala de aula e da escola, até fatores externos que dificultam 
o acesso a livros literários ou de estudos da Literatura. Aos poucos, pretende-se 
apontá-los mais especificamente. Neste sentido, estreitamente ligado com o 
ensino/aprendizagem de Literatura e leitura, é essencial à compreensão do ato 
de ler. 
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Ao relevar a leitura como importância no ensino escolar do indivíduo,estão ato de ler, para que possa possibilitar o desenvolvimento de capacidades 
cognitiva e intelectual. 
As escolas e os professores têm um grande obstáculo a superar, que é 
formar leitores críticos, reflexivos e conscientes. 
 
A CONTRIBUIÇÃO DA LITERATURA PARA 
FORMAÇÃO DE LEITORES 
 
A literatura é composta por vários instrumentos que abrangem vários 
conhecimentos de transmissão, na formação de leitores está relacionada à 
construção do universo textual de informações que o aluno pode adquirir através 
da leitura literária. 
A aula de Literatura na sala envolve o educando com atividades e 
assuntos que desenvolvem a formação de opiniões, despertam o senso crítico e 
ajudam na construção do cidadão reflexivo que estará preparado para o mundo. 
12 
 
 
A Literatura poder ajudar na formação do leitor, através dela o educando 
viaja no texto, consegue entender interpretando, formulando seu próprio 
conceito, uma vez que pode ser comparado ao seu mundo e se apropriar de 
certos sentidos que contribuem para a transformação do pensamento. 
O ensino da literatura envolve o entendimento aos interesses do leitor e a 
provocação de novos interesses que despertam os limites práticos. 
Diante disso, podemos dizer a que a habilidade desenvolvida a partir da 
leitura diversificada e a cultura literária proporcionam um leque de oportunidades 
na vida do educando enquanto leitor, escritor e cidadão com pensamentos 
universais. 
Para a formação de leitores a Literatura contribui na medida em que é 
desenvolvida, pois não há formalidades e limites para o seu desenvolvimento. 
Segundo Bordini e Aguiar (1988, p.17), o papel da escola é decisivo no 
processo de formação do leitor habitual, mas para isso é preciso cumprir certos 
requisitos como “dispor de uma biblioteca com livros diversos de temas 
diferentes na área da literatura, com bibliotecários que provam o livro literário, 
professores leitores com fundamentação teórica e metodológica e projetos de 
ensino que valorizem a literatura”. 
Além disso, Martins (2005) expressa que o livro didático só contribui para 
o desinteresse pela leitura, uma vez que tentam manipular seus leitores na 
intenção de transmitir valores, costumes, princípios e linguagens de uma cultura 
elitizada em vez de comtemplar textos que explorem o contexto socioeconômico 
e cultural do aluno. 
É preciso considerar que os materiais didáticos têm que ser utilizados em 
sala de aula, mas tem que ter outros materiais para que as aulas não fiquem em 
um resumo. 
Ainda os discentes perdem o interesse pela leitura literária pelo fato dos 
livros didáticos apresentarem fragmentos e textos com exercícios mecânicos que 
não estimulam a criatividade, prazer e a reflexão das obras literárias e os demais 
materiais literários. 
 
13 
 
 
 
LITERATURA BRASILEIRA 
 
A história da literatura brasileira tem início em 1500 com a chegada dos 
portugueses no Brasil. Isso porque as sociedades que aqui estavam eram 
ágrafas, ou seja, não possuíam uma representação escrita. 
Assim, a produção literária começa quando os portugueses escrevem 
sobre suas impressões da terra encontrada e dos povos que aqui viviam. 
Ainda que sejam diários e documentos históricos, esses representam, as 
primeiras manifestações escritas em território brasileiro. 
 
Divisão da Literatura Brasileira 
A literatura brasileira é subdividida em duas grandes eras que 
acompanham a evolução política e econômica do País. 
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A Era Colonial e a Era Nacional são separadas por um período de 
transição que corresponde à emancipação política do Brasil. 
As datas que delimitam fim e início de cada era são, na verdade, marcos 
onde acentua-se um período de ascensão e outro de decadência. As eras são 
divididas em escolas literárias, também chamadas de estilos de época 
. 
Era Colonial 
A Era colonial da literatura brasileira começou em 1500 e vai até 1808. É 
dividida em Quinhentismo, Seiscentismo ou Barroco e o Setecentismo ou 
Arcadismo. Recebe esse nome pois nesse período o Brasil era colônia de 
Portugal. 
 
Quinhentismo 
O Quinhentismo é registrado no decorrer do século XVI. Essa é a 
denominação genérica de um conjunto de textos que destacavam o Brasil como 
terra nova a ser conquistada. As duas manifestações literárias do período são a 
literatura de informação e a literatura dos jesuítas. 
A primeira possui um caráter mais informativo e histórico sobre o país; e 
a segunda, escrito por jesuítas, reúne aspectos pedagógicos. 
A obra que mais merece destaque é a Carta de Pero Vaz de Caminha. 
Escrita na Bahia em 1500, o escrivão-mor da tropa de Pedro Álvares Cabral 
descreve suas impressões sobre a nova terra para o rei de Portugal. 
 
 
Barroco 
O Barroco é o período que se estende entre 1601 e 1768. Tem início com 
a publicação do poema Prosopopeia, de Bento Teixeira e termina com a 
fundação da Arcádia Ultramarina, em Vila Rica, Minas Gerais. 
https://www.todamateria.com.br/quinhentismo/
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O Barroco literário brasileiro desenvolve-se na Bahia, tendo como pano 
de fundo a economia açucareira. Dois estilos literários que marcaram essa 
escola foram: o cultismo e o conceptismo. 
O primeiro utiliza uma linguagem muito rebuscada e, por isso, é também 
caracterizado pelo 'jogo de palavras'. Já o segundo, trabalha com a 
apresentação de conceitos, portanto, é apontado como 'jogo de ideias'. 
Um dos maiores representantes foi o poeta Gregório de Matos, conhecido 
como "boca do inferno". Além dele, merece destaque o padre Antônio Viera e 
seus Sermões. 
 
Arcadismo 
O Arcadismo é o período que se estende e 1768 a 1808 e cujos autores 
estão intimamente ligados ao movimento da Inconfidência, em Minas Gerais. 
Agora, o pano de fundo é a economia ligada à exploração do ouro e das 
pedras preciosas. Além disso, destaca-se o relevante papel desempenhado pela 
cidade de Vila Rica (Ouro Preto). 
A simplicidade, a exaltação da natureza e os temas bucólicos são as 
principais características dessa escola literária. 
No Brasil, esse movimento tem início com a publicação de “Obras 
Poéticas”, de Cláudio Manuel da Costa, em 1768. Além dele, merece destaque 
o poeta Tomás Antônio Gonzaga e sua obra “Marília de Dirceu” (1792). 
 
Período de Transição 
O chamado período de transição ocorre entre 1808 a 1836. É considerado 
um momento inerte da literatura brasileira, marcado pela chegada da Missão 
Artística Francesa, em 1816, contratada por Dom João IV. 
 
Era Nacional 
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A Era Nacional da literatura brasileira começa em 1836 e dura até os dias 
atuais. Começa com o Romantismo e perpassa pelo Realismo, Naturalismo, 
Parnasianismo, Simbolismo, Pré-Modernismo, Modernismo e o Pós-
modernismo. 
Recebe esse nome pois ela aconteceu após a Independência do Brasil, 
em 1822. Nesse período o nacionalismo é uma forte característica, notória na 
literatura romântica e moderna. 
 
Romantismo 
Essa é a primeira escola literária a registrar um movimento genuinamente 
brasileiro. O Romantismo no Brasil se inicia em 1836, com a publicação da 
obra Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves Magalhães. 
Perdura até 1881, quando Machado de Assis e Aluísio de Azevedo 
publicam obras de orientação Realista e Naturalista. 
O período romântico no Brasil está dividido em três fases. Na primeira 
temos uma forte carga nacionalista, onde o índio é eleito herói nacional 
(indianismo). Os autores mais importantes são José de Alencar e Gonçalves 
Dias. 
No segundo momento, os principais temas explorados estão ligados com 
o pessimismo e o egocentrismo, onde destacam-se Álvares de Azevedo e 
Casimiro de Abreu. Já na terceira fase, a mudança é notória tendo a 'liberdade' 
como mote principal. Os principais representantes são Castro Alves e 
Sousândrade. 
 
Realismo 
O Realismo no Brasil começa em 1881 quando Machado de Assis 
publica Memórias Póstumas de Brás Cubas. 
As principais características são o objetivismoe a veracidade dos fatos, 
os quais são explorados por meio de uma linguagem descritiva e detalhada. 
17 
 
 
Temas sociais, urbanos e cotidianos são apresentados pelos escritores do 
período. 
Oposto aos ideais românticos, a ideia era mostrar um retrato fidedigno da 
sociedade. Além de Machado de Assis, merecem destaque Raul Pompeia e 
Visconde de Taunay. 
 
Naturalismo 
O Naturalismo no Brasil tem início em 1881 com a publicação da obra O 
Mulato de Aluísio de Azevedo. 
Paralelo ao realismo, esse movimento literário também pretendia 
apresentar um retrato fidedigno da sociedade, no entanto, com uma linguagem 
mais coloquial. 
Da mesma forma que o movimento anterior, o naturalismo era oposto aos 
ideais românticos e apresentava muitos detalhes nas descrições. Entretanto, 
trata-se de um realismo mais exagerado onde suas personagens são 
patológicas. Além disso, o sensualismo e o erotismo são marcas dessa produção 
literária. 
A obra O cortiço (1890) de Aluísio de Azevedo é um bom exemplo da 
prosa naturalista desenvolvida no período. Além dele, destaca-se Adolfo Ferreira 
Caminha e sua obra A Normalista, publicada em 1893. 
 
Parnasianismo 
O Parnasianismo tem como marco inicial a publicação da obra Fanfarras, 
de Teófilo Dias, em 1882. Essa também é outra escola literária que surge 
paralela ao realismo e o naturalismo. Todavia, sua proposta era bem diferente e 
portanto, foi classificada de maneira independente. 
Ainda que os autores do período escolhessem temas relacionados com a 
realidade, a preocupação residia na perfeição das formas. 
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A "arte pela arte" é o mote principal do movimento. Nesse período os 
valores estiveram essencialmente voltados para a estética poética, como a 
métrica, as rimas e a versificação. 
Dessa maneira, houve uma forte preferência pelas formas fixas, por 
exemplo, o soneto. Os escritores que se destacaram nesse período formavam a 
"Tríade Parnasiana": Olavo Bilac, Alberto de Oliveira e Raimundo Correia. 
 
Simbolismo 
O Simbolismo começa em 1893 com a publicação de Missal e Broquéis, 
de Cruz e Souza. Ele vai até o início do século XX, quando ocorre a Semana de 
Arte Moderna. 
As principais características dessa escola literária são o subjetivismo, o 
misticismo e a imaginação. 
Assim, os escritores do período, apoiados em aspectos do subconsciente, 
buscavam compreender a alma humana exaltando a realidade subjetiva. 
Destacam-se as obras poéticas de Alphonsus de Guimarães e Augusto dos 
Anjos. Esse último, já apresenta algumas obras de caráter pré-modernista. 
 
Pré-Modernismo 
O pré-modernismo no Brasil foi uma fase de transição entre o simbolismo 
e o modernismo que ocorreu no início do século XX. 
Aqui, já se via despontar algumas características modernas como a 
ruptura com o academicismo e ainda, o uso de uma linguagem coloquial e 
regional. 
A temática mais explorada pelos escritores do período esteve voltada para 
a realidade brasileira com temas sociais, políticos e históricos. 
Com uma grande produção literária, destacam-se os escritores: Monteiro 
Lobato, Lima Barreto, Graça Aranha e Euclides da Cunha. 
 
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Modernismo 
O Modernismo no Brasil é marcado pela Semana de Arte Moderna, 
ocorrida em São Paulo em 1922. É o limite entre o fim e o início de uma nova 
era na literatura nacional e nas artes como um todo. 
Inspirado nas vanguardas artísticas europeias, o movimento modernista 
propõe o rompimento com o academicismo e o tradicionalismo. É assim que a 
liberdade estética e diversas experimentações artísticas são apresentadas 
nesse momento. 
Esse período foi dividido em três fases: a fase heroica, a fase de 
consolidação e a a fase pós-moderna. 
Com uma intensa produção poética, muitos escritores se destacaram: 
Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de 
Andrade, Rachel de Queiroz, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Jorge Amado, 
João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Vinícius de 
Moraes, dentre outros. 
 
Pós-Modernismo 
A produção artística brasileira passa por intensa transformação após o fim 
da 1945. Assim, o pós-modernismo é uma fase de novas formas de expressão 
que acontecem na literatura, no teatro, no cinema e nas artes plásticas. 
Essa nova postura moldará o imaginário por meio da ausência de valores, 
a liberdade de expressão e o forte individualismo. Além disso, a multiplicidade 
de estilos é uma marca do período. 
A literatura brasileira contemporânea é composta por muitos escritores: 
Ariano Suassuna, Millôr Fernandes, Paulo Leminski, Ferreira Gullar, Adélia 
Prado, Cora Coralina, Nélida Pinõn, Lya Luft, Dalton Trevisan, Caio Fernando 
Abreu, etc. 
 
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A LITERATURA INFANTIL 
 
 
A literatura infantil é essencial no processo de aprendizagem de crianças, 
especialmente da leitura da escrita. De acordo com Silva (2010), “o ato de ler e 
ouvir histórias possibilita à criança expandir seu campo de conhecimento, tanto 
na língua escrita, quanto na oralidade”. 
A humanidade tem necessidade de se comunicar e, portanto, de contar 
histórias. Compartilhar experiências tem significação para todo o grupo. “É 
comum que os povos se orgulhem de suas histórias, tradições, mitos e lendas, 
pois são expressões de sua cultura e devem ser preservadas” (Jovino 2006:3). 
A literatura infantil se constituiu como gênero literário durante o século 
XVII, época em que as mudanças na estrutura da sociedade desencadearam 
repercussões no âmbito artístico. A arte, incluindo-se aí a literatura, não poderia 
ficar imune às transformações sociais. A palavra funciona como veículo para a 
leitura, mobilizando a percepção sensorial, o pensar, o sentir e o agir dos 
indivíduos, bem como dos seus grupos sociais de pertença. 
Conforme Zilberman (2005) no final do século XIX, o surgimento dos 
primeiros livros infantis veio para atender às solicitações, indiretamente 
formuladas, de um determinado grupo social emergente, uma classe média 
urbana em ascensão. Surge então, neste período, um novo mercado 
21 
 
 
reivindicando escritores para atendê-lo. Porém, a ausência de uma tradição na 
produção literária infantil os faz buscar, como alternativa, a tradução de obras 
estrangeiras direcionadas aos adultos e que foram adaptadas às crianças. 
O Brasil continuou sob influência da Europa, tomando para si contos 
infantis da tradição popular de lá originados. Alguns até hoje são conhecidos 
como As aventuras de João e Maria, A Bela Adormecida, Cinderela, 
Chapeuzinho Vermelho dentre outros. Estes eram contados por adultos, até que 
homens como Charles Perrault (1628-1703) na França, Jacob (1785-1863) 
Wilhelm (1786-1859) Grimm, na Alemanha, transcreveram-nas e publicaram, 
visando ao público infantil. (Zilberman, 2005). 
Já no Brasil, relata Zilberman (2005), os candidatos foram Carl Jansen 
(1823), com a tradução dos clássicos Robinson Crusoé (1885), Viagens de 
Gulliver (1888), As Aventuras do Celebérrimo Barão de Münchhausen (1891) e 
D. Quixote de La Mancha (1886). Figueiredo Pimentel com Contos da 
Carochinha (1894), Olavo Bilac (1865-1918) com suas poesias e o grande 
sucessor desse núcleo original, Monteiro Lobato. Este último merece ressalvas 
em relação à forma estereotipada e preconceituosa com que se refere às 
personagens de origem negra. 
 
 
 
 
 
22 
 
 
 
 
Esta autora relata que por estes fatores, o autor foi por muito tempo 
afastado da literatura infantil, reaparecendo posteriormente, com nova 
roupagem. A obra de Monteiro Lobato não deve ser rejeitada, mas abordada 
com visão crítica. Pode assim abrir um leque de discussão sobre a visão do 
negro na literatura infantil tradicional da época. A literatura é de vital importância 
para os seres humanos, pois através da arte literária os homens estabelecem 
vínculos. 
 
23 
 
 
 
A LITERATURA INFANTIL AFRO-BRASILEIRA 
 
Com o predomínio de protagonistas brancosna literatura infantil, de 
acordo com Jovino (2006), no final da década de 20 e início da década de 30 do 
século XX, os personagens negros começam a aparecer. As histórias, neste 
período, não retratavam positivamente o negro e sua cultura, ao contrário, 
reforçavam a imagem dele como subalterno, analfabeto e ignorante. 
Conforme Souza (2005), o negro aparecerá desde os seus primórdios, 
tanto na história quanto na literatura. Porém, o que ocorre é uma sucessão de 
poetas e romancistas que representam o negro de forma estereotipada e 
inferiorizada. Os homens e as mulheres negras são apresentados com 
características de: preguiça, violência, estupidez, superstição, feitiçaria, 
malandragem, lascividade ou feiura. Aqueles que retratavam o negro com mais 
simpatia, como Castro Alves, não se identificavam com os mesmos. Eram 
24 
 
 
motivados pelo momento histórico em que viviam e pela classe à qual 
pertenciam, definindo o negro com uma mistura de idealismo e medo. 
Após a abolição, segundo Souza (2005), o discurso sobre o negro como 
escravo e mercadoria é substituído pelo discurso do negro cidadão. Contudo, ou 
ele emerge como brutalizado, animalizado, sujo, tentação carnal ou é retratado 
como bom crioulo passivo. No movimento modernista, a tendência de exaltação 
dos valores nacionais proporciona a valorização do negro e do índio. Porém, o 
negro é retratado de forma exótica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Atualmente, os textos voltados para o público infanto-juvenil, buscam 
romper com as representações que inferiorizam os negros e sua cultura. As 
obras os retratam em situações comuns do cotidiano, enfrentando preconceitos, 
resgatando sua identidade e valorizando suas tradições religiosas, mitológicas e 
a oralidade africana. 
25 
 
 
 
Os contos populares, de tradição africana e afro-brasileira são também 
um importante e significativo modo de preservação da memória e da tradição, 
apesar de serem pouco valorizados pela literatura. Contudo, a sua importância 
já é reconhecida. A força desta cultura está na possibilidade de novas 
experiências para percepção do mundo. Há um crescente número de 
publicações destas histórias, originadas da tradição oral, o que expressa uma 
construção de novos paradigmas socialmente construídos. 
Um ponto importante de ser abordado na literatura afro-brasileira está no 
que diz respeito à religiosidade. Não há como abordar a cultura e a tradição 
afrodescendente sem mencionar a tradição mitológica. Segundo Mariosa (2009), 
as práticas religiosas de matriz africana, em geral, são associadas ao mal e 
trazem prejuízos para as pessoas. Isto faz com que a população negra queira 
ocupar uma posição de distanciamento em relação a elas. Estes equívocos que 
são ocasionados, principalmente por desconhecimento, podem ser trabalhados 
na escola, através de contos infantis que abordam esta temática. 
26 
 
 
 
 
 
 
A literatura afro-brasileira precisa ser compreendida e valorizada em suas 
riquezas de abordagens e significados, mas com o devido cuidado para não 
reproduzir estereótipos e valores etnocêntricos. 
27 
 
 
 
Os textos atuais relacionados a literatura afro-brasileira são encontrados 
em maior quantidade e as temáticas são diversas. Sendo assim, é necessário 
que haja disposição política para que sejam trabalhados de forma assertiva, em 
ambiente escolar e durante todo o ano letivo e não apenas em novembro, mês 
da consciência negra, único período no qual a maioria das escolas lembram-se 
de trabalhar temáticas étnico-raciais. 
 
LITERATURA COMPARADA 
 
Literatura Comparada é o ramo da Teoria Literária que estuda, através da 
comparação dos diferentes textos literários junto de seus grupos linguísticos, 
como, as regras gramaticais, intertextualidades, culturas e nacionalidades, 
pontos que buscam uma relação de aproximação ou afastamento, sendo 
28 
 
 
possível entre dois ou mais textos, incidindo o seu foco não somente na 
comparação da literatura em si, mas com maior ênfase nas respectivas teorias 
da literatura. Embora seja mais praticado com trabalhos em diferentes idiomas, 
os estudos no campo da literatura comparada podem também ser realizados 
com trabalhos em um mesmo idioma, de diferentes nações ou culturas na qual 
a língua é falada. Também pode abranger a comparação de diferentes tipos de 
artes; por exemplo, pode investigar a relação entre filmes e obras literárias . 
Em outras palavras, a Literatura Comparada pode ser compreendida 
como um campo interdisciplinar cujos “praticantes” estudam literatura 
transversalmente às fronteiras nacionais, ao tempo, às línguas, aos gêneros, aos 
limites entre a Literatura e as demais artes, assim como qualquer outra disciplina 
(literatura e psicologia, filosofia, ciências, história, arquitetura, sociologia e 
política). 
A Literatura Comparada, doravante LC, consiste em uma abordagem 
multidisciplinar que configura-se nos estudos comparativos das literaturas em 
diferentes áreas linguísticas, mas também de diferentes mídias e tipos de arte. 
O comparatista pode se interessar pelas literaturas nacionais, assim como pela 
música, pela Pintura e pelo Cinema, por exemplo. A prática dessa disciplina 
exige o domínio de muitas linguagens e conhecimentos em mais de um domínio 
de pesquisa. Por sua natureza pluralista, a LC encoraja o intercâmbio entre as 
disciplinas e os lugares de pesquisa. 
A expressão “Literatura Comparada” surge no século XIX e usa-se da 
comparação de estruturas com a finalidade de extrair leis gerais da literatura. 
Consagrada academicamente na França, tem sua primeira cátedra em Lyon, em 
1887, seguida por Sorbonne, 1910. Mas apenas nos primeiros decênios do 
século XX, ela ganha estatura de disciplina reconhecida, tornando-se objeto de 
ensino regular nas grandes universidades européias e norte-americanas e 
dotando-se de bibliografia específica e público especializados. Suas grandes 
representações foram a Escola Francesa (criada nos princípios de fonte e 
influência), a Escola Americana (despojada de inflexões nacionalistas, grande 
ecletismo, fácil absorção de noções teóricas), Escola Soviética (compreensão da 
literatura como produto da sociedade). 
29 
 
 
Inicialmente, a LC fazia comparações e distinções implícitas entre 
“literaturas maiores” e “literaturas menores”, sendo as primeiras as que, por via 
de uma maior força quantitativa e qualitativa, funcionariam como verdadeiros 
modelos ou “fontes” para as segundas, que se limitariam assim a um papel 
secundário, periférico, de integração de influências provenientes dos modelos. 
Esse comparatismo configurava-se como uma relativização de uma hierarquia 
(“imagologia”, o estudo das imagens culturais que um determinado povo provoca 
em outra literatura nacional). Cabe salientar que os estudos comparados 
existiam muito antes de adentrarem o campo da literatura em si 
O conceito de Weltliteratur (“literatura mundial”) proposto ainda no século 
XVIII por Goethe (escritor, romancista, dramaturgo e filósofo alemão), 
corresponde assim a este intuito que pretende evitar um isolacionismo literário, 
sublinhando ainda a continuidade relativamente ao modelo anterior de uma 
“república das letras" (República das letras é uma expressão cunhada na Itália 
e que designa um espaço imaginário no qual estão todos os textos produzidos 
pelo Ocidente desde a Antiguidade, isto é, desde os gregos), no interior da qual 
os pressupostos nacionalistas eram relativamente pouco atuantes. Pelo 
contrário, a LC desenvolver-se-á e sistematizar-se-á adentro do que poderemos 
designar como um “paradigma nacionalista”, o que explica que ela seja 
considera frequentemente, como uma disciplina pela qual os gestos e as 
vontades de entendimento internacionalista encontram um canal quase 
exclusivo. É ao longo, então, do século XIX que se assistirá à progressiva 
implantação institucional da disciplina, quer através decursos universitários que 
se reclamam do comparatismo, quer através da publicação de obras que 
integram já esta designação, quer ainda através da publicação de revistas em 
que a “literatura comparada” surge como propósito fundador. 
A LC nasceu em um âmbito em que cada nação fechava-se dentro de si 
mesma e era necessário combater esse isolacionismo nacionalista. Ela ficou um 
longo tempo limitada aos estudos de autores em relação biográfica. Mas hoje, 
sob influência notadamente das pesquisas norte-americanas, ela se abriu para 
os estudos temáticos e ideológicos. 
 
30 
 
 
A Escola Americana, verbi gratia, era vernaculamente alinhada às visões 
internacionalistas de Goethe e Posnett (possivelmente refletindo o desejo pós-
guerra de uma cooperação internacional), procurando por exemplos de 
confianças universais do ser humano baseadas nos arquétipos literários que 
apareciam por toda a literatura a todo tempo e em todo lugar. 
A LC pressupõe a existência e a prática de uma atitude comparativa que, 
no entanto, apresenta um âmbito e um escopo muito mais amplos e ambiciosos, 
se bem que metodologicamente menos consistentes. Reconhecendo que a 
comparação se configuraria como um meio, uma metodologia de analise e 
estudo e não como algo fechado em si. 
Surgida de uma necessidade de evitar o fechamento em si das nações 
recém constituídas e com uma intenção de cosmopolitismo literário, a LC deixa 
de exercer essa função “internacionalista” para converter-se em uma disciplina 
que põe em relação diferentes campos científicos. 
A atitude comparativa foi central, por exemplo, para que a literatura e a 
cultura latinas se pensassem nas suas relações e especificidades face à 
literatura e cultura gregas; ou na forma como a Idade-Média integrou e 
reformulou essa herança clássica, diversificando-a através das específicas 
direções que viriam a constituir as várias literaturas nacionais. 
Não deveremos confundir a área dos estudos de recepção com o “velho” 
estudo de fontes e influências: não só porque a tônica não é já a da produção (o 
autor), mas sim a da recepção (o leitor e suas diversas configurações), mas, 
sobretudo, porque se passa a insistir quer no caráter dinâmico da história literária 
quer nas relações culturais que o literário pressupõe. Bem como o caráter 
universal da literatura. 
 
Crise 
Desvinculando-se da exclusividade dos estudos franceses e de uma 
postura clássica, René Wellek em 1958, no 2º Congresso da recém-criada 
Association Internationale de Littérature Comparée, polemicamente intitula a sua 
conferência “The crisis of comparative literature” (Wellek, 1959). A “crise” 
31 
 
 
diagnosticada e analisada por Wellek, e que ele faz radicar na fundamentação 
historicista e positivista do modelo comparatista tradicional, levará a que, 
progressivamente, se assista a uma clara renovação dos objetos e métodos da 
disciplina, protagonizada pela crescente importância da Teoria literária nos 
estudos literários em geral e na Literatura Comparada em particular. 
Para Wellek, a LC estava restringindo-se a analise de fragmentos e 
estudos de fontes e influencias, com isso, geraria um enorme desprestigio da 
área. Defendia, ainda, que a analise focasse no texto em si e não em questões 
externas e contextuais. 
Conforme, Guillén (1985), “as fronteiras de uma nação não rasuram nem 
conseguem esbater as passagens culturais e mais especificamente literárias que 
estão na base de qualquer dita ‘literatura nacional’” . 
 
 
Áreas de Atuação 
Enfim, o campo de atuação da LC é hoje altamente diversificado: por 
exemplo, comparatistas frequentemente estudam literatura chinesa, árabe e de 
grandes línguas mundiais e de outras regiões, assim como o fazem com o Inglês 
e as literaturas européias. 
Há marcas em muitas partes do mundo de que a disciplina vem 
prosperando, especialmente na Ásia, na América Latina e no Mediterrâneo. As 
atuais tendências da LC também refletem a crescente importância dos estudos 
culturais nos campos da literatura. 
Outra área de atuação da LC é o campo da tradução. Relacionados de 
modo muito forte com esta área, os estudos de tradução afirmam-se 
progressivamente como zona cujo crescente impacto e fundamentação teórica 
tem inclusivamente levado à sua defesa como área comparatista privilegiada. 
 
Em síntese, a LC parece poder surgir como espaço reflexivo privilegiado 
para a tomada de consciência do caráter histórico, teórico e cultural do fenômeno 
32 
 
 
literário, quer insistindo em aproximações caracterizadas por fenômenos 
“transtemporais” e supranacionais quer acentuando uma dimensão 
especificamente cultural, visível, por exemplo, em áreas como os estudos de 
tradução ou os estudos Inter semióticos. Daqui decorrem três tendências 
centrais para o entendimento das perspectivas atuais do comparatismo: uma 
tendência multidisciplinar (e mesmo eventualmente interdisciplinar); uma 
tendência interdiscursiva, visível no desenvolvimento das relações com áreas 
como a história, a filosofia, a sociologia e a antropologia; finalmente, uma 
tendência Inter semiótica, que tenta colocar o fenômeno literário no quadro mais 
alto das manifestações artísticas humanas. De todas elas ressalta um aspecto 
comum: o de que a LC situa-se na área particularmente sensível da “fronteira” 
entre nações, línguas, discursos, práticas artísticas, problemas e conformações 
culturais. E esta colocação faz dela um campo de indagações particularmente 
fértil para a colocação de problemas que, se tomados em absoluto, dificilmente 
poderão encontrar uma formulação epistemológica significativa. 
 
PERÍODOS LITERÁRIOS NO BRASIL 
 
 
Dividido em dois momentos: 
 
- Literatura do período colonial (Literatura de Informação, Barroco e 
Arcadismo – 1500 até 1822) 
33 
 
 
 
Nesse período ocorreram várias manifestações literárias de um grupo 
composto por alguns escritores que copiavam os padrões e tendências de 
Portugal. 
 
- Literatura do período nacional ( Romantismo, Realismo – Naturalismo, 
Parnasianismo, Simbolismo, Pré-Modernismo, Modernismo, Pós-Modernismo – 
da Independência até os dias de hoje). 
Todos os acontecimentos históricos e marcantes da história do Brasil 
contribuíram para fortalecer os movimentos literários. O público cresceu e com 
isso estimulou os escritores a melhorar cada vez mais suas obras. 
 
Gêneros Literários 
Os gêneros literários são categorias da literatura que englobam os 
diversos tipos de textos literários segundo sua forma e conteúdo. 
Tanto o conceito de literatura se modificou ao passar do tempo como o de 
gênero literário, uma vez que os gêneros literários, abordado por Aristóteles, 
eram classificados de três maneiras, semelhante ao que conhecemos hoje, 
embora possua diferenças. 
De acordo com o esquema proposto por Aristóteles, os gêneros literários 
eram divididos em: Lírico (“palavra cantada”), Épico (“palavra narrada”) e 
Dramático (“palavra representada”). 
Atualmente, o gênero épico, que envolvia as narrativas históricas baseado 
nas lendas e na mitologia, foi substituído pelo gênero narrativo. Sendo assim, os 
gêneros literários são classificados em: 
 Gênero Lírico: possui um caráter sentimental com presença do eu lírico, 
por exemplo, as poesias, odes e sonetos. 
34 
 
 
 Gênero Narrativo: possui um caráter narrativo, ou seja, envolve narrador, 
personagens, tempo e espaço, por exemplo, os romances, contos e 
novelas. 
 Gênero Dramático: possui um caráter teatral, ou seja, são textos para 
serem encenados, por exemplo, tragédia, comédia e farsa. 
 
CONCLUSÃO 
 
A literatura (do latim littera, que significa “letra”) é uma das manifestações 
artísticas do ser humano, ao lado da música, dança, teatro, escultura, 
arquitetura, dentre outras. 
Ela representa comunicação, linguagem e criatividade, sendo 
considerada a arte das palavras. 
Trata-se, portanto, de uma manifestação artística, em prosaou verso, 
muito antiga que utiliza das palavras para criar arte, ou seja, a matéria prima da 
literatura são as palavras, tal qual as tintas é a matéria prima do pintor. 
A arte literária representa recriações da realidade produzidas de maneira 
artística, ou seja, que possui um valor estético, donde o autor utiliza das palavras 
em seu sentido conotativo (figurado) para oferecer maior expressividade, 
subjetividade e sentimentos ao texto. 
Dessa forma, a literatura possui um importante papel social e cultural 
envolvido no contexto em que fora criada, posto que abarca diversos aspectos 
de determinada sociedade, dos homens e de suas ações e, portanto, que 
provoca sensações e reflexões do leitor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
35 
 
 
 
 
 
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VERA MARIA (ORGS.). MULTICULTURALISMO: DIFERENÇAS CULTURAIS E PRÁTICAS 
PEDAGÓGICAS. 10.ED. PETRÓPOLIS, RJ: VOZES, 2013. P. 13-37.

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