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ADMINISTRAÇÃO FINANCEIRA E ORÇAMENTÁRIA Olá! É necessário destacar inicialmente que o ato de investir implica na expectativa de alcançar um retorno. Entretanto, é crucial ter em mente que, embora o investimento ocorra no presente, o risco está intrinsecamente ligado ao futuro, o qual é notadamente incerto. Alguns investidores optam por assumir riscos baseados em intuições, mas também existem métodos disponíveis para quantificar e avaliar esses riscos. O propósito desta aula vai além de simplesmente introduzir o estudante à mensuração de riscos e à determinação de retornos, também focaliza a análise da variação do valor do dinheiro ao longo do tempo, abrangendo a determinação do Valor Futuro de um Investimento e o Valor Presente descontado de um Montante. Bons estudos! AULA 07 – ANÁLISE DE RISCO EM DECISÕES DE INVESTIMENTO 7 FUNDAMENTOS PARA INVESTIMENTOS A análise de riscos permeia cada decisão tomada em nossas vidas, pois para cada ação, há uma decisão a ser tomada. Para aprimorar a precisão das decisões, é fundamental considerar os riscos e retornos inerentes às operações de investimento. Um aspecto crucial a ser ponderado nas análises é o ajuste da taxa de desconto para cada risco percebido nas operações de investimento. Embora sejamos tentados a utilizar a mesma taxa de desconto em todas as situações, porém, isso pode levar a um nível maior de risco do que o necessário, resultando em prejuízos substanciais. É imperativo ter em mente que um maior potencial de retorno também implica em um risco maior. Uma forma de amenizar os riscos é diversificar os investimentos, assim, os níveis de retorno variarão devido à presença de diferentes riscos na carteira. Retorno de um investimento de maneira ampla, diz respeito à distribuição de recursos, que podem ser dinheiro, tempo ou esforço, em um ativo ou projeto com a perspectiva de alcançar vantagens futuras. Essas vantagens incluem ganhos financeiros, aumento de capital, renda recorrente, aquisição de ativos ou outros objetivos econômicos. O ato de investir implica em abrir mão de recursos no presente, com a expectativa de que esses recursos se valorizem ou gerem ganhos no futuro. Todo investimento é efetuado com a expectativa de obter um retorno, composto pelos lucros e ganhos de capital resultantes da aplicação de recursos. Os investidores reconhecem a intrínseca interconexão entre o rendimento e o risco. Assim, eles estabelecem o que é denominado como "rendimento exigido", representando a taxa de retorno necessária para incentivar alguém a realizar um investimento. Com relação ao retorno de acordo com Hoji (2003), ele pode ser representado através de lucros, juros, dividendos, avaliação de ativos ou qualquer outra forma de valor financeiro originado da alocação de recursos em uma oportunidade de investimento ou atividade econômica. Em síntese, o retorno financeiro caracteriza-se pelo incremento do valor dos recursos investidos ao longo do tempo. Conforme mencionado por Carneiro (2007, p. 30), "o retorno está diretamente relacionado ao risco, ou seja, o retorno varia proporcionalmente ao risco". De acordo com o mesmo autor, o retorno constitui o resultado, seja ele positivo (ganho) ou negativo (perda), decorrente de qualquer investimento ao longo de um período específico. Em essência, isso indica que o valor de um investimento experimenta mudanças ao longo do tempo, podendo aumentar ou diminuir; o retorno de um investimento é, essencialmente, a primeira variável a ser considerada em qualquer empreendimento, independentemente de sua natureza. A avaliação do retorno de um investimento é comumente expressa em termos percentuais, em vez de valores monetários. Essa medida reflete a variação no valor do investimento, incluindo eventuais ganhos em dinheiro obtidos durante o período, sendo esta representação do retorno realizada por meio de uma representação matemática. É crucial notar, principalmente, que o retorno está intrinsecamente vinculado aos valores de mercado do investimento ao longo do tempo. A variação entre investimento e lucro pode ser expressa por meio da fórmula apresentada na figura 1: Figura 1 - Fórmula de cálculo do retorno Fonte: CARNEIRO, 2007, p. 30. De maneira geral, o risco associado a um investimento possui dois componentes: a dispersão nos potenciais retornos do investimento e a correlação desses retornos com os disponíveis em outros ativos. A dimensão da variabilidade refere-se à concentração dos riscos, enquanto a correlação está associada à inter- relação entre os riscos. Para uma compreensão mais aprofundada desses dois elementos, examinaremos a Figura 2 Figura 2 - Risco do investimento Fonte: Higgins (2014, p. 306). O investimento A revela uma maior concentração de retorno, evidenciada pelo gráfico A mais estreito. Por sua vez, o investimento B apresenta uma menor concentração de retorno, visto que o gráfico B é mais amplo. Quando observarmos um retorno semelhante ao do gráfico A, verificaremos que a probabilidade de risco é menor, indicando uma elevada probabilidade de alcançar esses retornos. Já o gráfico B ilustra o oposto, pois possui uma maior dispersão nos retornos, indicando um risco mais elevado. Dessa forma, percebe-se claramente a relação inversa entre risco e retorno. 7.1 Avaliação de Risco Uma avaliação de risco é um procedimento de análise e avaliação sistemática cujo propósito é identificar, compreender e quantificar os riscos potenciais associados a uma atividade específica, investimento, projeto ou situação. Esse processo inclui a identificação de eventos ou circunstâncias que podem resultar em perdas, danos ou impactos negativos, a avaliação da probabilidade de ocorrência desses eventos e a análise das consequências associadas a eles. A avaliação de risco desempenha um papel crucial na tomada de decisões embasadas e na implementação de medidas de mitigação imediatas, visando a redução ou o eficaz gerenciamento dos riscos. Em outras palavras, o risco implica na possibilidade do retorno econômico ser diferente do retorno esperado. Dado que as decisões financeiras são realizadas no presente, mas seus resultados se concretizam no futuro, o risco está presente em todas as decisões financeiras. Certos investimentos têm a capacidade de proporcionar retornos mais substanciais do que outros, e essa discrepância está diretamente ligada a níveis distintos de risco (HISRICH; PETERS; SHEPHERD, 2013). De maneira geral, os especialistas em finanças geralmente optam por riscos mais baixos, mesmo que isso resulte em retornos mais modestos. Essa abordagem é justificada pelo fato de que os recursos investidos por esses profissionais pertencem aos investidores, tornando crucial a sua preservação. Dentro do âmbito das avaliações de investimentos, um aspecto crucial é a distinção entre o risco sistêmico e o risco não sistêmico. O termo "sistêmico" refere- se à origem no sistema, ao funcionamento global do sistema. Esse tipo de risco está associado ao mercado, sendo difícil para um investidor individual alterá-lo, especialmente em um ambiente competitivo de mercado. Conforme observado por Higgins (2014, p. 308), o risco sistêmico diz respeito à exposição a eventos que afetam a economia como um todo, tais como variações nas taxas de juros e ciclos de negócios, sendo difícil reduzi-lo por meio da diversificação. O risco não sistêmico, por outro lado, oferece ao investidor uma maior oportunidade de mitigação. Ao analisar fatores que possam interferir no risco não sistêmico, o investidor toma decisões de investimento mais informadas e qualificadas. Conforme destacado por Carneiro (2007, p. 33), "De acordo com William Sharpe, professor na Universidade deStanford e laureado com o Prêmio Nobel de Economia em 1990, somente o risco sistêmico [...] é remunerado. O risco não sistêmico pode ser diversificado e, por essa razão, não é recompensado". Este é um princípio que todos envolvidos em análise de risco devem ter em mente ao avaliar a viabilidade de um investimento. Conforme descrito por Gitman (2010), é viável realizar a avaliação do risco por meio da aplicação da análise de sensibilidade e da modelagem de probabilidades, as quais permitem examinar o comportamento dos retornos. Esse procedimento proporciona uma compreensão do nível de risco vinculado a um ativo particular, possibilitando assim a avaliação do risco de um investimento financeiro. Para conduzir essa avaliação, é preciso seguir uma série de etapas: 1. Reconhecimento dos riscos: Inicie o processo identificando e catalogando todos os possíveis riscos associados ao investimento, abrangendo aspectos financeiros, de mercado, regulatórios, operacionais e outros. 2. Avaliação quantitativa: Realize uma análise numérica dos riscos sempre que possível. Isso implica o uso de dados históricos e modelos estatísticos para estimar a probabilidade de ocorrência e a magnitude de diversos riscos. 3. Avaliação qualitativa: Além da análise quantitativa, é crucial conduzir uma avaliação qualitativa dos riscos. Isso envolve a análise de fatores subjetivos e contextuais que podem influenciar o investimento. 4. Diversificação: Considere a diversificação como uma estratégia para reduzir o risco. Distribuir seus investimentos em diferentes ativos ou classes de ativos pode ajudar a minimizar o impacto de riscos individuais. 5. Definição de metas e horizonte de investimento: Estabeleça suas metas de investimento e o período de tempo previsto para o investimento. Isso auxiliará na determinação do nível de risco que você está disposto a aceitar. 6. Avaliação da tolerância ao risco: Avalie sua tolerância ao risco, isto é, quão confortável você se sente em lidar com a volatilidade e as possíveis perdas em seus investimentos. 7. Consideração de estratégias de mitigação: Avalie e implemente estratégias para atenuar os riscos identificados. Isso pode envolver o uso de derivativos, hedge ou a escolha de ativos menos voláteis. 8. Monitoramento contínuo: Após a realização do investimento, é crucial monitorar regularmente o desempenho e reavaliar os riscos, ajustando a estratégia conforme necessário. A avaliação do risco de investimento é um procedimento em curso que exige uma análise minuciosa e revisões periódicas para garantir a conformidade do seu portfólio com os seus objetivos financeiros e níveis de tolerância ao risco. Conforme indicado por Carneiro (2007), na análise de sensibilidade, utilizamos diversas estimativas de possíveis retornos para examinar a variabilidade nos resultados. Geralmente, essas projeções englobam um cenário desfavorável (o pior caso), um cenário mais provável (o esperado) e um cenário otimista (o melhor caso) relacionados a um ativo específico. A medida de risco é determinada pela amplitude resultante da diferença entre o resultado otimista e o pessimista. Mais uma vez, Carneiro (2007, p. 33) apresenta um exemplo prático (Figura 3) ilustrando como realizar uma análise de risco para assegurar maior eficiência com um nível reduzido de risco ao considerar um investimento. Ele afirma: "A empresa XYZ tem duas opções de investimento: A e B. Ambos requerem um investimento inicial de R$ 30.000 e têm uma taxa de retorno mais provável de 15%. Para avaliar o risco associado a cada um desses ativos, a administração fez estimativas pessimistas e otimistas dos resultados relacionados a cada um deles". Figura 3 - Avaliação de risco Fonte: CARNEIRO, 2007, p. 33. Portanto, Carneiro (2007, p. 33) esclarece que "o ativo A parece menos suscetível a riscos em comparação com o B, já que sua faixa (8 pontos percentuais) é menor do que a do B (16 pontos percentuais). Dessa forma, embora ambos os ativos tenham o mesmo retorno mais provável, o ativo B sugere um risco superior, e um gestor financeiro com aversão ao risco optaria pelo primeiro." É crucial recordar duas considerações: Primeiramente, embora este método seja bastante direto, ele proporciona ao gestor uma compreensão ampla do comportamento antecipado dos investimentos, o que pode ser valioso para uma avaliação inicial dos resultados. Em segundo lugar, as abordagens para realizar análises de risco não são uniformes, mas múltiplas, ou seja, como ilustrado anteriormente, não podem ser condensadas em uma única metodologia. Por essa razão, é possível mencionar também a Distribuição de probabilidade como um método relacional, entre outros (ROSS, 2013). Existe um antigo ditado que diz: "Dinheiro chama dinheiro." Essa expressão popular sintetiza o conceito essencial do valor temporal do dinheiro. O dinheiro detém valor tanto no presente quanto no futuro, a menos que seja mantido sem atividade debaixo de um colchão; nesse caso, ele tem a tendência de se valorizar ou de perder completamente seu valor, dependendo do cenário econômico e social. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CARNEIRO, Antônio. Administração financeira e orçamentária. São Paulo: UNIMES, 2007. GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 12. ed. São Paulo: Pearson, 2010. HOJI, Masakazu, Administração Financeira na Prática: Guia para Educação Financeira Corporativa e Gestão Financeira Pessoal. 5 ed. Atlas: HISRICH, R. D.; PETERS, M. P.; SHEPHERD, D. A. Empreendedorismo. 9. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. HIGGINS, R. C. Análise para administração financeira. 10. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. ROSS, S. A. et al. Administração financeira. 10. ed. Porto Alegre: AMGH, 2015.