Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Dermatopatias fúngicas
Micoses superficiais
As micoses superficiais são infecções fúngicas que
envolvem as camadas superficiais da pele, pelo e
unhas; 
Os microrganismos podem ser dermatófitos como
Microsporum e Trichophyton (mais agressivo),
capazes de usar a queratina. Entretanto outros
fungos como Candida (Monilia) e Malassezia
(Pityrosporum) também podem produzir micoses
superficiais;
A cultura fúngica demora cerca de 21 a 30 dias para
sair o resultado;
Dermatofitose
Os dermatófitos que mais frequentemente infectam
os animais são Microsporum e Trichophyton;
São divididos em 3 grupos com base no seu habitat
natural: geofílico, zoofílico e antropofílico; 
Os dermatófitos geofílicos habitam o solo, onde se
decompõem em debris queratinosos. Ex: M. gypseum
(causa nódulos); 
Os dermatófitos zoofílicos são os adaptados aos
animais e apenas raramente são encontrados no
solo. Ex: M. canis, Trichophyton equinum; 
Os dermatófitos antropofílicos tornaram-se
adaptados aos seres humanos e não sobrevivem
mais no solo; 
Os três fungos que causam a maioria dos casos
clínicos de dermatofitose em cães e gatos são
Microsporum canis, Microsporum gypseum e
Trichophyton mentagrophytes; 
Achados clínicos em cães
Áreas de alopecia circunscritas (anulares) clássicas
expandindo-se para a periferia, pelos facilmente
epiláveis, caspa (seborréia seca), crostas, pápulas e
pústulas foliculares; 
Prurido mínimo ou ausente. A dermatofitose é mais
comum em cães jovens e o tipo selvagem ocorre mais
comumente em adultos; 
Pode estar associada com infecção bacteriana
secundária; 
Outras dermatoses, especialmente a foliculite
estafilocócica e a demodicose, mimetizam a lesão
clássica da tinha (micose); 
Foliculite e furunculose nasal ou facial simétrica,
lembrando uma doença auto-imune, pode ser
causada por um dermatófito especialmente o T.
mentagrophytes;
As infecções por Trychophyton também podem estar
presentes como foliculite e furunculose acometendo
uma pata ou uma perna. Essas infecções quase
sempre cicatrizam de forma significativa, porém após
a cura pode haver áreas residuais de alopecia com
cicatrização; 
A lesão granulomatosa (quérion) do dermatófito é do
tipo úmido, exsudativo, variavelmente bem
circunscrita, nodular de furunculose que desenvolve
muitos trajetos drenantes. Esta lesão geralmente
associada ao T. mentagrophytes ou M. gypseum; 
A onimicose (micose de unha, garra) é rara em
animais, e geralmente está associada ao T.
mentagrophytes; 
A dermatofitose extensa em cães idosos pode ser
vista em associação a doenças imunossupressoras
concomitantes (câncer, hiperadrenocorticismo); 
Lesões por
Microsporum canis
Quérion no dedo de um
cão causado por 
M. gypseum
Pododermatite grave
em um Beagle causada
por T. mentagrophytes
Dermatofitose extensa
em um cão idoso
causada por T.
mentagrophytes
Lesão circunscrita
clássica em gato
causada por M. canis
Pododermatite em gato
causada por 
T. mentagrophytes.
Tratamento sistêmico
com Muconazol
Onimicose em gato
causada por M. canis
Aspectos zoonóticos
Cerca de 30% de todos os casos de microsporose e
cerca 15% de todos os casos de dermatofitose
(tinha) em humanos são causados por M. canis,
sendo a maioria dessas infecções adquiridas dos
gatos; 
Aproximadamente 50% de humanos expostos a
gatos infectados, sintomáticos ou assintomáticos,
adquirem a infecção; 
Diagnóstico 
Exame direto: um resultado negativo não descarta
um diagnóstico dessa doença. O material colhido
como pelo, caspas e unhas pode primeiro ser limpo
colocando-se as amostras em diversas gotas de KOH
a 10 ou 20% em uma lâmina. Adiciona-se uma
lamínula, e a lâmina é suavemente aquecida por 15 a
20 segundos. Deve-se evitar o superaquecimento e
fervura da amostra; 
Cultura fúngica: dextrose ágar de Sabouraud e o
meio de teste para dermatófitos (DTM) são os meios
mais frequentes para isolamento de fungos. A cultura
com o uso de escova (escova de dentes, escova
cirúrgica) ou método do carpete quadrado;
Histopatologia: os achados de biópsia são tão
variáveis quanto as lesões clínicas e não são tão
sensíveis como a cultura. Por outro lado, a biópsia
pode ser a prova definitiva de um diagnóstico de
dermatofitose. O exame histopatológico é mais útil
nas formas nodulares de dermatofitose (quérion,
pseudomicetoma); 
Diagnóstico diferencial
Os diagnósticos diferenciais primários são a foliculite
estafilocócica e a demodicose; 
Os diagnósticos diferenciais secundários são pênfigo
foliáceo e eritematoso, hipersensibilidade à picada
de pulgas, dermatite seborréica, dermatose pustular
subcorneal e as várias foliculites eosinofílicas
estéreis; 
Os quérions dermatofíticos podem parecer outros
granulomas infecciosos ou por corpo estranho,
dermatite acral por lambedura, neoplasias
(histiocitoma, mastocitoma e linfoma); 
Tratamento
Feito durante 3 a 6 semanas; 
Associado tópico com sistêmico em áreas extensas
(banhos mais indicados que sprays);
Tratamento sistêmico: cetoconazol (5mg/kg de
12/12 horas, VO, ou 10mg/kg de 24/24 horas),
itraconazol (tratamento de escolha para gatos, na
dose de 10mg/kg, VO, de 24/24 horas) e fluconazol
(5 a 10mg/kg, VO de 12/12 horas ou 24/24 horas);
Tratamento tópico: cetoconazol, imidazóis
(Miconazol, Econazol, Clotrimazol, Tiabendazol) e
sulfato de selênio;
Detalhes: tosar animais muito peludos, desinfetar
caminhas, roupas, tapetes com hipoclorito de sódio,
colocar no sol objetos e panos; 
OBS: em gatis ou casas com muitos gatos a
eliminação da dermatofitose é trabalhosa e cara
sendo baseada no tratamento sistêmico e tópico, na
descontaminação das instalações, da interrupção dos
programas de cruzamento, do isolamento dos
animais positivos para dermatofitose, além de testes
e isolamento dos novos animais e dos membros da
casa; 
Malassezíase
A Malazessia pachydermatis (Pityrosporum
pachydermatis, Pityosporum canis) é uma levedura
saprofítica não-micelial, lipofílica comumente
encontrada na pele normal e anormal, nos contudos
auditivos normais ou anormais e nos sacos anais, no
reto e na vagina de cães e gatos normais; 
Alteração no microclima cutâneo superficial
(umidade, excessiva produção de cerume) ou nas
defesas do hospedeiro podem permitir que este
microrganismo normalmente comensal torne-se
patogênico; 
Achados clínicos em cães
A dermatite por Malassezia é uma dermatose
crescentemente identificada em cães;
A dermatite quase sempre começa no verão ou nos
meses mais úmidos. Cerca de 50% dos cães
apresentam doenças básicas, especialmente
seborréia, alergias e piodermites bacterianas; 
O prurido é o principal sinal e virtualmente
constante;
É muito frequente a otite externa associada à
infecção por Malassezia;
Pode ocorrer como uma doença generalizada de pele
ou como uma dermatite regional nas orelhas, lábios,
focinhos, espaços interdigitais, pescoço ventral, face
medial das coxas, axilas, região perineal e áreas
intertriginosas (área de dobra); 
Achados clínicos em gatos
A dermatite por Malassezia é raramente relatada em
gatos, quando encontrada pode estar associada a
otite externa e ceruminosa em gatos;
Dermatite por Malassezia recidivante, generalizada,
foi observada em gatos com infecção por vírus; 
Poodle com
malassezíasse
Seborreia úmida po
malassezíase em áreas
intertriginosas em um
Buldogue Inglês
Otite por Malassezia
Diagnóstico: é realizado um exame citológico com
amostra obtida por meio de raspado cutâneo
superficial, vigorosamente esfregada com swab de
algodão sobre a superfície cutânea, ou pressionando
um pedaço de fita de celofane na pele lesada
diversas vezes, ou pressionando uma secção de
lâmina limpa de vidro sobre a pele. Verifica-se
tipicamente numerosas células arredondadas ou
ovais brotando em forma de levedura;
Raspado cutâneo
superficial de um cão
com malassezíase.
Nota-se inúmeras
leveduras com
brotamento entre
escamas
Tratamento clínico
O tratamento para dermatite por Malassezia é feito
com Cetoconazol (5 a 10mg/kg, de 12/12 horas) ou
Itraconazol (5 a 10mg/kg de 24/24 horas) durante 3
a 4 semanas; 
Em casos de recorrência é recomendado pulsoterapiacom Fluconazol (2,5 a 5mg/kg, 1 a 3 vezes na
semana por vários meses); 
O tratamento tópico com sulfeto de selênio,
cetoconazol e outros imidazóis é recomendado em
dermatites generalizadas; 
Na otite externa utilizar produtos otológicos que
contenham antifúngicos como Panolog (nistatina) por
3 a 4 semanas, sendo pingado 3 a 4 gotas, 2 vezes ao
dia; 
Candidíase
As leveduras Candida spp. são habitantes normais da
mucosa alimentar, do trato respiratório superior e
genital dos mamíferos; 
Candida spp., especialmente Candida albicans e
Candida parapsilosis são os fungos mais comumente
isolados das orelhas, nariz, cavidade bucal e ânus dos
cães clinicamente normais e cães com candidíase; 
Os fatores que transtornam a microflora normal
endógena (antibioticoterapia prolongada) ou rompem
as barreiras cutâneas ou mucosas normais
(maceração, queimaduras, cateteres) fornecem um
meio da Candida spp. adentrar o organismo;
Uma vez ocorrido esta penetração, a disseminação
maior da infecção correlaciona-se com a
imunocompetência mediada por células e função
neutrofílica. Doenças imunossupressoras (câncer,
diabetes, infecções virais) ou tratamento com drogas
imunossupressoras predispõe os animais à
candidíase;
Achados clínicos em cães
A candidíase é uma doença rara com predileção
distinta pelas mucosas, junções muco-cutâneas ou
áreas onde a umidade possa persistir ou macerar a
pele, como o conduto auditivo externo, face lateral da
orelha, áreas intertriginosas e áreas interdigitais;
Nas mucosas, as lesões aparecem como úlceras não-
cicatrizantes, malcheirosas, recobertas por placas
branco-acinzentadas espessas, com bordas
eritematosas; 
Na pele, as lesões são inicialmente papulares e
pustulares e evoluem para placas eritematosas
exsudantes e úlceras; 
Lesões solitárias ou localmente agrupadas podem
parecer com dermatite piotraumática ou infecção
estafilocócica; 
Achados clínicos em gatos
É extremamente rara em gatos. As lesões incluem
eritema, erosões, úlceras, crostas e exsudação em
áreas intertriginosas, patas e junções mucocutâneas;
Diagnóstico
Exame citológico dos esfregaços: inflamação
supurativa e numerosas leveduras (2 a 6 um de
diâmetro) e blastoconídias (células brotando). As
pseudo-hifas ocasionalmente podem ser vistas; 
Biópsia: epiderme supurativa, hiperqueratose
paraceratótica e, ocasionalmente, foliculite
superficial supurativa. Estão presentes numerosas
leveduras e blastoconídeas na queratina da epiderme
superficial e na porção infundibular dos folículos
pilosos. As pseudo-hifas ou hifas verdadeiras
também podem ser vistas. As espécies de Candida
crescem em ágar Sabouraud dextrose de 25°-30°C;
Tratamento
Tópico: em lesões localizadas utilizar nistatina,
miconazol, clotrimazol, anfotericina B, administrados
3 vezes ao dia durante 3 a 4 semanas;
Sistêmico: em lesões bucais, mucocutâneas
disseminadas ou candidíases generalizadas utilizar
nistatina, cetoconazol e itraconazol via oral por 3 a 4
semanas;
Candidíase na língua e
lábios de um cão
Candidíase interdigital
em um cão
Micoses subcutâneas
As micoses subcutâneas (intermediárias) são
infecções fúngicas que invadiram os tecidos viáveis
da pele;
Geralmente são adquiridas por implantação
traumática de microrganismos saprófitas que
existem normalmente no solo ou na vegetação;
As lesões são crônicas e, na maior parte dos casos
permanecem localizadas; 
São exemplos de micoses subcutâneas micetoma
eumicótico, feoifomicose, pitiose e esporotricose; 
Micetoma eumicótico
São saprófitas do solo que causam doença via
contaminação de feridas;
Mais comum em coxins; 
As três características principais do micetoma
eumicótico são tumefação, os tratos drenantes e os
grãos (grânulos) no corrimento; 
As lesões geralmente são solitárias e ocorrem mais
comumente nos membros e na face. As pápulas
precoces evoluem para nódulos quase sempre
doloroso. À medida que ocorre a cicatrização das
fístulas, desenvolve-se tecido cicatricial, formando
uma massa dura e tumoral que caracteriza o
micetoma;
Diagnóstico: citologia aspirativa, biópsia, cultura;
Tratamento: excisão cirúrgica ampla. Em alguns
casos, a amputação de um membro acometido é
necessária. A quimioterapia antifúngica deve ser feita
com base no resultado da cultura e antibiograma por
2 a 3 meses após a cura clínica;
Micetoma em um cão
Esporotricose
A esporotricose é causada pelo fungo dimórfico
Esporothrix schenckii, que pode contaminar feridas
oriundas de objetos pontiagudos, espinhos ou lascas
de madeira; 
Em cães a forma mais comum é a cutânea constituída
por nódulos firmes múltiplos, placas ulceradas com
bordas elevadas ou áreas anulares crostosas e
alopécicas especialmente na cabeça, orelha e tronco;
Em gatos acredita-se que a doença seja adquirida
pela inoculação do microrganismo por unhas ou
dentes contaminados de outro gato. Os gatos podem
inicialmente apresentar-se com abcessos por feridas
que ulceram e forma nódulos crostosos;
A esporotricose, principalmente felina, possui um
potencial zoonótico importante;
A transmissão para humanos pode ocorrer com o
contato com feridas, exsudatos ou arranhaduras de
gatos contaminados; 
Diagnóstico: citologia aspirativa, biópsia, cultura
para fungos; 
Tratamento: o tratamento de escolha é com
cetoconazol ou itraconazol associado ou não à
anfotericina B, durante 6 a 8 semanas; 
Esporotricose em gato
Esporotricose em cão
Micoses sistêmicas
Micoses profundas são infecções fúngicas de órgãos
internos (micoses sistêmicas) que podem
disseminar-se secundariamente por via hematógena
para a pele;
As lesões de pele que ocorrem via inoculação
cutânea primária são muito raras e admite-se que os
animais com lesões de pele possuem infecção
sistêmica até provar o contrário; 
Essas infecções geralmente não são contagiosas pois
o animal inala conídeos de um nicho ecológico
específico; 
As principais micoses sistêmicas que podem
ocasionalmente atingir a pele são blastomicose,
coccidiomicose, criptococose e aspergilose; 
Criptococose
A criptococose é causada por um fungo
leveduriforme, saprófita que está mais
frequentemente associado a gotículas e sujeiras
acumuladas de poleiros de pombos; 
O estabelecimento e a disseminação da doença são
altamente dependentes da imunidade do hospedeiro; 
Em gatos a infecção criptocócica foi quase sempre
vista em associação às infecções por FIV e FELV
devido a queda do sistema imunológico; 
Os sinais clínicos em gatos são do trato respiratório
superior, massa de cor de carne polipiforme na
narina, além de pápulas, nódulos, abcessos, úlceras e
trajetos drenantes. As lesões ocorrem mais em face,
orelhas e patas; 
Em cães os sinais clínicos incluem várias
anormalidades do SNC e dos olhos (blefarite). As
lesões de pele são caracterizadas por pápulas,
nódulos, úlceras, abcessos e tratos drenantes; 
Diagnóstico: citologia aspirativa e biópsia;
Tratamento: as drogas de escolha são o cetoconazol,
itraconazol e fluconazol. A combinação de
cetoconazol e flucitosina foi bastante eficiente;
Dermatite nasal
granulomatosa num
gato com criptococose
Aspergilose
A aspergilose cutânea e mucocutânea foi relatada
apenas em cães; 
Os fungos Aspergillus spp. podem provocar
inflamação, despigmentação, ulceração e formação
de crostas nas narinas e plano nasal; 
Pode ocorrer nódulos, abcessos, ulcerações, trajetos
drenantes cutâneos, úlceras bucais e blefarite; 
Diagnóstico: citologia aspirativa, biópsia, cultura
para fungos; 
Tratamento: cetoconazol, itraconazol, e fluconazol
por 6 a 8 semanas é bem sucedido no tratamento de
aspergilose nasal. Na disseminada nenhuma forma
de tratamento até os dias atuais foi bem sucedida;
Blefarite por
aspergilose
Aspergilose nasal
Aspergilose com
ulceração