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Introdução a Epidemiologia
Capítulo 1 – Epidemiologia e Bioestatística
Professor Diego Sampaio Amariz
O que é a Epidemiologia?
Epidemiologia é uma ciência que utiliza 
métodos quantitativos para o estudo dos 
problemas de saúde.
História da Epidemiologia
• A epidemiologia originou-se das bservações de 
Hipócrates feitas há mais de 2000 anos de que 
fatores ambientais influenciam a ocorrência de 
doenças. Entretanto, foi somente no século XIX que 
a distribuição das doenças em grupos humanos 
específicos passou a ser medida em larga escala.
História da Epidemiologia
• A abordagem epidemiológica que compara os 
coeficientes (ou taxas) de doenças em subgrupos 
populacionais tornou-se uma prática comum no 
final do século XIX e início do século XX. A sua 
aplicação foi inicialmente feita visando o controle 
de doenças transmissíveis (ver Capítulo 7) e, 
posteriormente, no estudo das relações entre 
condições ou agentes ambientais e doenças 
específicas
História da Epidemiologia
• Na segunda metade do século XX, esses métodos 
foram aplicados para doenças crônicas não 
transmissíveis tais como doença cardíaca e câncer, 
sobretudo nos países industrializados.
Primeiras observações 
epidemiológicas
• John Snow identificou o local de moradia de cada 
pessoa que morreu por cólera em Londres entre 
1848-49 e 1853-54 e notou uma evidente 
associação entre a origem da água utilizada para 
beber e as mortes ocorridas. A partir disso, Snow 
comparou o número de óbitos por cólera em áreas 
abastecidas por diferentes companhias e verificou 
que a taxa de mortes foi mais alta entre as pessoas 
que consumiam água fornecida pela companhia 
Southwark.
A epidemiologia
• A epidemiologia é uma ciência fundamental para 
a saúde pública.
• A epidemiologia tem dado grande contribuição à 
melhoria da saúde das populações.
• A epidemiologia é essencial no processo de 
identificação e mapeamento de doenças 
emergentes.
A epidemiologia
• Baseado nessa sua investigação, Snow construiu a 
teoria sobre a transmissão das doenças infecciosas 
em geral e sugeriu que a cólera era disseminada 
através da água contaminada. 
• Dessa forma, foi capaz de propor melhorias no 
suprimento de água, mesmo antes da descoberta 
do micro-organismo causador da cólera; além 
disso, sua pesquisa teve impacto direto sobre as 
políticas públicas de saúde.
A epidemiologia
• O trabalho de Snow relembra que medidas de 
saúde pública, tais como melhorias no 
abastecimento de água e saneamento, têm trazido 
enormes contribuições para a saúde das 
populações. Ficou ainda demonstrado que, desde 
1850, estudos epidemiológicos têm identificado 
medidas apropriadas a serem adotadas em saúde 
pública
Problema Epidemiológico
• Em epidemiologia, o problema tem origem quando 
doenças acometem grupos humanos
• É a necessidade de remover fatores ambientais 
contrários à saúde ou de criar condições que a 
promovam, que determina a problemática própria 
da epidemiologia.
Alvo do estudo epidemiológico
• O alvo de um estudo epidemiológico é sempre 
uma população humana, que pode ser definida em 
termos geográficos ou outro qualquer. 
• Por exemplo, um grupo específico de pacientes 
hospitalizados ou trabalhadores de uma indústria 
pode constituir uma unidade de estudo.
• Em geral, a população utilizada em um estudo 
epidemiológico é aquela localizada em uma 
determinada área ou país em um certo momento 
do tempo.
Epidemiologia clínica
• A epidemiologia está, também, preocupada com 
a evolução e o desfecho (história natural) das 
doenças nos indivíduos e nos grupos 
populacionais.
• A aplicação dos princípios e métodos 
epidemiológicos no manejo de problemas 
encontrados na prática médica com pacientes, 
levou ao desenvolvimento da epidemiologia 
clínica.
Epidemiologia
Tradicionalmente dividida:
• Descritiva: estuda a freqüência e a distribuição dos 
parâmetros de saúde ou de fatores de risco das 
doenças nas populações.
• Analítica: testa hipóteses de relações causais
Estado de saúde das populações
• A epidemiologia é frequentemente utilizada para 
descrever o estado de saúde de grupos 
populacionais.
• O conhecimento da carga de doenças que subsiste 
na população é essencial para as autoridades em 
saúde. 
Conhecimento da carga das doenças
• Esse conhecimento permite melhor utilização de 
recursos através da identificação de programas 
curativos e preventivos prioritários à população. Em 
algumas áreas especializadas, tais como na 
epidemiologia ocupacional e ambiental, a ênfase 
está no estudo de populações com exposições 
muito particulares.
Estado de saúde da população
Medir saúde e doença
• Medir saúde e doença é fundamental para a prática 
da epidemiologia.
• Diversas medidas são utilizadas para caracterizar a 
saúde das populações.
• O estado de saúde da população não é totalmente 
medido em muitas partes do mundo, e essa falta de 
informações constitui um grande desafio para os 
epidemiologistas.
Medidas de saúde
• Existe dificuldade de medir saúde
• Para avaliar o nível de saúde de uma população 
buscam-se os dados negativos (não-saúde):
MORTE, DOENÇA E AGRAVOS
Medindo a falta de saúde
• “Saúde é um estado de completo bem-estar físico, 
mental e social e não apenas a mera ausência de 
doença”.
• O termo “doença” compreende todas as mudanças 
desfavoráveis em saúde, incluindo acidentes e 
doenças mentais.
• Várias medidas da ocorrência de doenças são 
baseadas nos conceitos fundamentais de 
incidência e prevalência.
Medindo a falta de saúde
• Um importante fator a considerar no cálculo das 
medidas de ocorrência de doenças é o total de 
pessoas expostas, ou seja, indivíduos que podem 
vir a ter a doença. Idealmente, esse número 
deveria incluir somente pessoas que são 
potencialmente suscetíveis de adquirir a doença 
em estudo. 
• Por exemplo, os homens não deveriam ser 
incluídos no cálculo da ocorrência de câncer de 
colo uterino.
População de risco no estudo de 
carcinoma de colo uterino
População de risco
• As pessoas susceptíveis a determinadas doenças 
são chamadas de população em risco e podem ser 
estudadas conforme fatores demográficos, 
geográficos e ambientais.
• Por exemplo, acidentes de trabalho só ocorrem 
entre pessoas que estão trabalhando. Assim, a 
população em risco é constituída somente por 
trabalhadores.
Risco e Fator de Risco
• Devido ao seu caráter eminentemente
observacional, a lógica de base da moderna
epidemiologia estrutura-se em torno de um
conceito fundamental – RISCO - e de um conceito
correlato – FATOR DE RISCO.
• De modo simplificado podemos dizer que o objeto
da epidemiologia é “o risco e seus determinantes”.
.
Risco
É o conceito epidemiológico do conceito
matemático estatístico e probabilístico.
É a probabilidade de ocorrência de uma
doença, agravo, óbito ou condição relacionada
à saúde (incluindo cura, recuperação ou
melhora), em uma população ou grupo,
durante um período determinado.
Risco
• É estimado sob a forma de uma proporção (razão 
entre duas grandezas, na qual o numerador se 
encontra necessariamente contido no 
denominador).
• A definição epidemiológica de risco compõe-se 
obrigatoriamente de três elementos:
• ocorrência de casos de óbito-doença-saúde (numerador)
• base de referência populacional (denominador)
• base de referência temporal (período)
Fator de risco
• Pode ser definido como o atributo de um grupo
da população que apresenta maior incidência
de uma doença ou agravo à saúde em
comparação com outros grupos definidos pela
ausência ou menor exposição a tal
característica.
Fator e marcador de risco
• Fator de risco – cujo efeito pode ser prevenido
(sedentarismo, obesidade, fumo, colesterol sérico,
contraceptivos orais para a doença coronariana)
• Marcadores de risco – atributos inevitáveis, já
dados, cujo efeito encontra-se, portanto, fora da
possibilidade de controle (sexo e grupo étnico para
d.coronariana).
Fontes de informação
• Sistemáticas:
censos demográficos
sistemasde informação em saúde
registros de doenças, policiais, etc.
• Assistemáticas:
Levantamentos especiais (população total ou amostra)
• dados primários e dados secundários
Determinantes e indicadores de 
saúde, e fatores de risco
• • expectativa de vida saudável (EVS);
• • expectativa de vida livre de incapacidade (EVLI);
• • qualidade de vida ajustada para anos de vida 
(QVAV);
• • incapacidade ajustada para anos de vida (IAV);

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