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PLANEJAMENTO 
URBANO E 
AMBIENTAL
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
 > Relacionar os indicadores de qualidade ambiental mais utilizados na 
análise e no planejamento dos centros urbanos.
 > Identificar os aspectos ambientais que mais necessitam de intervenção 
nos centros urbanos.
 > Reconhecer o impacto dos indicadores de qualidade ambiental na tomada 
de decisão no planejamento urbano.
Introdução
Melhorar a qualidade de vida nas cidades está se tornando uma questão cada 
vez mais crítica para o planejamento urbano. O aumento das populações urba-
nas em todo o mundo, causado pelo rápido crescimento populacional e pelos 
processos de urbanização, torna a qualidade de vida urbana relevante para 
cada vez mais pessoas. 
Indicadores de 
qualidade ambiental 
aplicados ao 
planejamento 
urbano
Ana Carla Fernandes Gasques
A qualidade de vida urbana é um conceito complexo e multidimensional e 
vem sendo amplamente utilizado. O conhecimento das cidades e da qualidade 
de vida é crucial para o planejamento urbano e, para isso, são adotados indi-
cadores de qualidade ambiental.
Assim, frente ao apresentado, neste capítulo você vai estudar os indicadores 
de qualidade ambiental e o planejamento urbano, principais aspectos ambien-
tais que demandam intervenção e, por fim, a importância dos indicadores para 
a tomada de decisão. Espero que você esteja ansioso para começar a ler, fique 
à vontade, aproveite e vamos juntos!
Relação entre indicadores de qualidade 
ambiental e o planejamento urbano
Existem muitas razões para desenvolver estudos sobre a qualidade ambiental 
urbana. No começo do século XX, as cidades detinham 10% da população do 
mundo. Entretanto, após a Revolução Industrial e, consequentemente, a evolu-
ção tecnológica, as cidades começaram se desenvolver e, portanto, expandir. 
A população urbana global cresceu de 751 milhões em 1950 para 4,2 bi-
lhões em 2018 (PATIL; SHARMA, 2022). Nesse cenário, o conceito de qualidade 
ambiental urbana vem ganhando importância, principalmente ao considerar 
que, hoje, mais de 50% da população mora em áreas urbanas; esse número 
pode chegar a 68% em 2050 (THONDOO et al., 2020).
Sabe-se que as cidades e áreas circundantes estão entre os tipos de uso 
da terra que mais crescem em todo o mundo. Entretanto, as características 
ambientais das áreas urbanas podem afetar fortemente a qualidade de vida 
dos cidadãos. Por isso, um dos tópicos mais debatidos na literatura de econo-
mia ambiental é a relação entre crescimento urbano, degradação ambiental 
e qualidade de vida (LI et al., 2021). 
A qualidade de vida (QV) é um conceito amplo, sujeito a um sistema com-
plexo influenciado por saúde física, estado psicológico, grau de dependência 
e relações sociais, bem como pelas características proeminentes do ambiente. 
Pode ser avaliada, também, a partir de vários fatores que vão desde as con-
dições de vida e emprego até a experiência de vida. Em geral, é representada 
por um conjunto múltiplo de indicadores, como renda, taxa de privação, 
escolaridade, taxa de emprego, expectativa de vida, qualidade do ar, etc. 
(SAPENA et al., 2021).
Indicadores de qualidade ambiental aplicados ao planejamento urbano2
O conceito de QV, como reflexo integral do censo pessoal de saúde, inclui 
todos os fatores que contribuem para a satisfação humana e é amplamente 
influenciado pela qualidade social, econômica e ambiental da cidade. 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) define qualidade de vida como 
a percepção de um indivíduo sobre sua posição na vida no contexto 
da cultura e dos sistemas de valores em que vive e em relação a seus objetivos, 
expectativas, padrões e preocupações (WHO, 2023).
Além disso, Seidl e Zannon (2004) fizeram uma revisão de literatura sobre 
o termo qualidade de vida (Qualidade de vida e saúde: aspectos conceituais e 
metodológicos) e identificaram, a partir do estado da arte da definição, que esse 
termo está consolidado como uma variável fundamental para a prática clínica e 
a formação de conhecimento na área da saúde. Vale a pena a leitura completa!
O padrão de vida em um cenário urbano deve ser entendido como uma 
representação do bem-estar dos habitantes em termos de satisfação de 
suas necessidades ou de até que ponto o indivíduo ou o coletivo percebem a 
satisfação nos diferentes aspectos da vida urbana. As cidades podem desem-
penhar um papel vital na criação de um senso de subsistência e, de fato, têm 
um papel na formação do estilo de vida e da qualidade de vida dos residentes. 
A forma como as cidades são organizadas influencia decisivamente no modo 
de vida da população e interfere nos hábitos a serem construídos.
Dentre os diversos fatores que influenciam na qualidade de vida e na 
sustentabilidade, pode-se citar como exemplos: a mobilidade escolhida, o 
tamanho da pegada ecológica, a proximidade de serviço públicos, a distri-
buição de empregos e o acesso a áreas de lazer (SAPENA et al., 2021). Nesse 
contexto, a estrutura espacial das áreas urbanas desempenha um papel 
importante na vida cotidiana dos moradores. 
Entretanto, dados os recursos limitados, os formuladores de políticas 
precisam encontrar a maneira mais eficiente de distribuí-los de acordo com 
as necessidades e prioridades das pessoas. Algumas organizações avaliam e 
classificam cidades em todo o mundo com base em indicadores de qualidade 
ambiental. 
A base de conhecimento em todo o mundo está se expandindo em um 
ritmo incrível. Um desses setores, que passou por uma rápida transformação 
durante as últimas décadas, é o desenvolvimento de indicadores de quali-
dade urbana baseados em informações, os quais tornaram mais fácil para os 
Indicadores de qualidade ambiental aplicados ao planejamento urbano 3
profissionais do ambiente construído concluírem com sucesso e eficiência 
enormes tarefas de planejamento urbano.
É importante citar que uma ferramenta de avaliação que combina indi-
cadores físicos, químicos e biológicos em uma única avaliação unificada é 
extremamente rara. Muito mais comuns são os casos em que vários indicadores 
são simplificados individualmente e apresentados como um grupo, cabendo 
aos gestores decidirem qual é o mais importante (BECK et al., 2019).
Do ponto de vista relacionado à teoria e à metodologia, os indicadores se 
caracterizam essencialmente por três aspectos: relação entre crescimento 
e controle social, dimensões particulares e representação essencialmente 
numérica do indicador (NAHAS, 2022). Ainda segundo Nahas (2002, p. 25), 
“a partir de sua formulação e uso nas avaliações de progresso e desenvolvi-
mento, bem como na formulação de políticas governamentais, tais indicadores 
foram alvo de críticas e polêmicas diversas”. 
Dessa forma, conseguir definir uma única escala para indicadores de 
qualidade ambiental fornece um contexto direto para comparar uma decisão 
à outra, para classificar ações de gerenciamento e para monitorar melhorias 
após a implementação de ações de gerenciamento (ou monitorar a degradação 
potencial onde as ações de gerenciamento não são implementadas).
Indicadores são representações simbólicas (p. ex., números, símbolos, 
gráficos, cores) projetadas para comunicar uma propriedade ou tendência 
em um sistema ou entidade complexa (MOLDAN; DAHL, 2002). Diferentes 
indicadores de qualidade ambiental vêm sendo construídos e aplicados no 
planejamento urbano, como os propostos por Nahas (2002). Esse conjunto 
de indicadores foi denominado Índice de Qualidade de Vida Urbana (IQVU) 
e será abordado aqui devido à variedade de aspectos considerados em sua 
construção.
Índice de Qualidade de Vida Urbana 
O IQVU analisa 11 variáveis, as quais são decompostas em componentes, e, 
a partir destes, definem-se os indicadores a serem analisados para cada 
variável, conforme apresentado no Quadro 1, a seguir (NAHAS, 2002). 
Indicadores de qualidade ambiental aplicados ao planejamento urbano4
Quadro 1. Variáveis, componentes, indicadores e unidade de medida do 
Índice de Qualidade de Vida Urbana
Variáveisselecionadas Componentes Indicadores 
adotados Unidade de medida
1. 
Abastecimento 
alimentar
1.1 
Equipamentos 
de 
abastecimento
1.1.1 Hiper e 
supermercados
1.1.2 Mercearias e 
similares
1.1.3 Restaurantes 
e similares
m²/hab
1.2 Cesta 
básica
1.2.1 Economia de 
compra
Valor médio da cesta 
básica na cidade - 
menor valor na UP
2. Assistência 
social
2.1 
Equipamentos
2.1.1 Entidades de 
assistência social nº / hab
3. Cultura
3.1 Meios de 
comunicação 3.1.1 Abrangência
Tiragem de 
publicações locais/
hab
3.2 Patrimônio 
cultural
3.2.1 Bens 
tombados
Nº de bens 
tombados /UP
3.2.2 Grupos 
culturais
Nº grupos culturais 
/ hab
3.3 
Equipamentos 
CULTURAIS
3.3.1 Distribuição/ 
equipamento
Nº equipamentos/ 
hab
3.3.2 Frequência 
a cinemas, 
bibliotecas e 
museus
Público/hab
3.3.3 Livrarias e 
papelarias m²/hab
3.4 
Programações 
artístico-
culturais
3.4.1 Oferta de 
atividade
Nº. de atividades/
hab
3.4.2 Frequência às 
atividades público/hab
(Continua)
Indicadores de qualidade ambiental aplicados ao planejamento urbano 5
Variáveis 
selecionadas Componentes Indicadores 
adotados Unidade de medida
4. Educação
4.1 Pré-escolar
4.1.1 Ingresso 
pré-escola Taxa de matrícula
4.1.2 Tamanho/
turmas Nº turmas/alunos
4.2 Primeira à 
quarta séries
4.2.1 Matrícula 1ª a 
4ª séries Taxa de matrícula
4.2.2 Tamanho/
turmas Nº turmas/alunos
4.2.3 Índice de 
aproveitamento
Taxa de aprovação 
final
4.3 Quinta à 
oitava séries
4.3.1 Matrícula 5ª a 
8ª séries Taxa de matrícula
4.3.2 Tamanho/
turmas Nº turmas/alunos
4.3.3 Índice de 
aproveitamento
Taxa de aprovação 
final
4.4 Segundo 
grau
4.4.1 Matrícula no 
2º grau Taxa de matrícula
4.4.2 Tamanho/
turmas Nº turmas/alunos
4.4.3 Índice de 
aproveitamento
Taxa de aprovação 
final
5. Esportes
5.1 
Equipamentos 
esportivos
5.1.1 Clubes e 
congêneres
m2 de 
equipamentos/hab
5.1.2 Quadras, 
piscinas e campos
Nº de 
equipamentos/hab
5.2 Promoções 
esportivas
5.2.1 Oferta de 
atividades
Nº eventos 
esportivos/hab
5.2.2 Abrangência/
atendimento Público/hab
(Continua)
(Continuação)
Indicadores de qualidade ambiental aplicados ao planejamento urbano6
Variáveis 
selecionadas Componentes Indicadores 
adotados Unidade de medida
6. Habitação 6.1 Qualidade 
da habitação
6.1.1 Área 
residencial/IPTU m²/hab
6.1.2 Padrão de 
acabamento
Nota/acabamento 
moradias
6.1.3 Espaço 
interno
Nº dormitórios/
pessoa
7. 
Infraestrutura 
urbana
7.1 Limpeza 
urbana
7.1.1 Coleta de lixo
"Nota"/UP7.1.2 Varrição
7.1.3 Capina
7.2 
Saneamento
7.2.1 
Disponibilidade/
água tratada
Taxa de ruas com 
rede de água
7.2.2 Frequência/
fornecimento de 
água
Taxa da UP com 
fornecimento 
contínuo
7.2.3 
Disponibilidade de 
rede de esgoto
Taxa da UP com rede 
de esgoto
7.3 Energia 
elétrica
7.3.1 Fornecimento 
de energia elétrica
Taxa da UP com rede 
elétrica
7.3.2 Iluminação 
pública
Taxa da UP com 
iluminação pública
7.4 Telefonia
7.4.1 Rede 
telefônica
Taxa de ruas com 
rede telefônica
7.4.2 Qualidade/
ligações
Taxa de descon-
gestionamento das 
linhas telefônicas
7.5 Transporte 
coletivo
7.5.1 Possibilidade 
de acesso
Taxa de 
pavimentação
7.5.2 Conforto Idade média da frota
7.5.3 Nº de 
veículos Nº de veículos/hab
(Continua)
(Continuação)
Indicadores de qualidade ambiental aplicados ao planejamento urbano 7
Variáveis 
selecionadas Componentes Indicadores 
adotados Unidade de medida
8. Meio 
ambiente
8.1 Conforto 
acústico
8.1.1 Tranquilidade 
sonora Nº ocorrências/hab
8.2 Qualidade 
do ar
8.2.1 Ausência/
coletivos 
poluidores
Taxa de veículos não 
autuados
8.3 Área verde 8.3.1 Extensão/
cobertura vegetal
Taxa da UP com 
cobertura vegetal
9. Saúde
9.1 Atenção à 
saúde
9.1.1 
Disponibilidade/
leitos 
Nº leitos/hab
9.1.2 Postos de 
Saúde Nº de postos/hab
9.1.3 Outros 
equipamentos de 
assistência médica m2/hab
9.1.4 Equipamentos 
odontológicos
9.2 Vigilância à 
saúde
9.2.1 Peso ao 
nascer
Taxa de nascidos 
peso normal
9.2.2 Sobrevivência 
até 1 ano
Taxa de 
sobrevivência até 
1 ano
10. Segurança 
urbana
10.1 Serviços 
pessoais
10.1.1 Agências 
bancárias Nº agências/hab
10.1.2 Pontos de 
táxi Nº pontos/hab
10.1.3 Postos de 
Gasolina m2/hab
10.2 
Serviços de 
comunicação
10.2.1 Correios Nº agências/hab
10.2.2 Bancas de 
revistas Nº bancas/hab
10.2.3 Telefones 
públicos Nº aparelhos/hab
(Continua)
(Continuação)
Indicadores de qualidade ambiental aplicados ao planejamento urbano8
Variáveis 
selecionadas Componentes Indicadores 
adotados Unidade de medida
10. Segurança 
urbana
10.2 
Serviços de 
comunicação
10.2.4 
Funcionamento 
dos telefones 
públicos
Taxa de aparelhos 
que não 
necessitaram de 
reparos
11. Serviços 
urbanos
11.1 
Atendimento 
policial
11.1.1 
Equipamentos
Nº de delegacias, 
batalhões e 
companhias/hab
11.1.2 Recursos 
humanos
Efetivo da PMMG/ 
hab
11.1.3 Viaturas Nº viaturas/hab
11.1.4 Rapidez no 
atendimento
Tempo médio de 
espera
11.2 Segurança 
pessoal
11.2.1 Ausência de 
criminalidade Nº homicídios/hab
11.2.2 Ausência/
tentativas 
homicídio
Nº de tentativas de 
homicídio/hab
11.2.3 Ausência/
invasões domicílio
Nº de violações de 
domicílio/hab
11.2.4 Ausência de 
estupros Nº estupros/hab
11.2.5 
Possibilidade de 
segurança
Nº. porte ilegal 
de armas + nº 
atentados violentos 
ao pudor + nº lesões 
corporais/hab
11.2.6 Ausência de 
roubo
[Soma das 
ocorrências de 
roubo e roubo 
a mão armada, 
a: transeuntes, 
residências, 
coletivos, 
motoristas de táxi e 
estabelecimentos/
hab]
(Continua)
(Continuação)
Indicadores de qualidade ambiental aplicados ao planejamento urbano 9
Variáveis 
selecionadas Componentes Indicadores 
adotados Unidade de medida
11. Serviços 
urbanos
11.3 Segurança 
Patrimonial
11.3.1 Ausência de 
roubo de veículos
Soma de ocorrências 
diversas de roubo 
e furto de veículos/
hab
11.3.2 Ausência de 
roubo a moradias 
e estabelecimento
Soma de ocorrências 
diversas de roubos e 
furtos a residências 
e estabelecimentos/
hab]
11.4 Segurança 
no trânsito
11.4.1 Ausência de 
acidentes
Soma das 
ocorrências
com ou sem vítimas, 
de: direção perigosa 
de veículos, 
abalroamentos, 
colisões, choques, 
atropelamentos e 
capotamentos)/hab
11.4.2 Ausência de 
acidentes graves
Soma das 
ocorrências 
com vítimas, de: 
abalroamentos, 
capotamentos, 
choques e colisões)/
hab
11.5 Segurança 
habitacional
11.5.1 Segurança 
do terreno
“Nota” para grau 
de predisposição 
ao risco geológico 
(a partir da carta 
geotécnica da 
cidade)
UP: unidades de planejamento.
Fonte: Adaptado de Nahas (2002).
Por meio da análise dos indicadores e aspectos considerados no exemplo 
apresentado, entende-se que o planejamento urbano é um processo de tomada 
de decisão multifacetado e dinâmico, que interfere diretamente na saúde e 
nos aspectos ambientais dos centros urbanos. 
(Continuação)
Indicadores de qualidade ambiental aplicados ao planejamento urbano10
A fim de exemplificar outros aspectos considerados na análise de 
indicadores voltados à qualidade ambiental urbana, a International 
Living Magazine considera nove categorias diferentes, sendo elas: custo de vida, 
economia, cultura, meio ambiente, liberdade, saúde, infraestrutura, segurança 
e clima (PATIL; SHARMA, 2022). 
Aspectos ambientais e intervenção nos 
centros urbanos
A urbanização reduz substancialmente a cobertura vegetal, pois as áreas 
urbanas costumam ser dominadas por superfícies impermeáveis. A rápida 
urbanização alterou significativamente as funções do ecossistema e ameaça os 
serviços ecossistêmicos, como o abastecimento de água potável, a regulação 
do clima e a emissão de carbono (LI et al., 2020). O planejamento urbano é, 
então, um processo de tomada de decisão multifacetado e dinâmico, já que 
a saúde ambiental é afetada em grande medida pelas condições ambientais. 
Desde a década de 1950, o número de habitantes urbanos em todo o 
mundo não mostra sinais de parar, pois o fluxo de pessoas que se mudam 
para as cidades aumenta, e novos municípiosestão sendo desenvolvidos. 
A população urbana global cresceu de 751 milhões em 1950 para 4,2 bilhões em 
2018; isso se deve ao crescimento populacional geral e à migração das áreas 
rurais. Esse crescimento aumentou a pressão sobre habitação, infraestrutura 
urbana e serviços públicos (PATIL; SHARMA, 2022).
E, com população chegando à cidade, demandas básicas aumentam; 
a habitação, em particular, crescerá juntamente com outras infraestruturas, 
como instalações de tratamento de águas residuais, eliminação de resíduos 
sólidos, área industrial e muitos outros paradigmas de desenvolvimento 
urbano. 
Este é o ponto em que um planejamento cuidadoso é crucial para evitar 
a absorção maciça de recursos apenas para atender à demanda insaciável. 
Diferentes aspectos ambientais estão associados com os centros urbanos, 
como veremos a seguir. A urbanização afeta a intensidade, a quantidade e os 
padrões espaciais de precipitação dentro e ao redor de áreas urbanas. Além 
disso, em áreas urbanas tem-se:
Indicadores de qualidade ambiental aplicados ao planejamento urbano 11
Remoção da cobertura do solo, que atua como fonte de calor com temperaturas mais 
altas em comparação com regiões não urbanas, criando ilhas de calor urbanas que 
intensificam a precipitação por meio de instabilidade adicional e maior transporte 
de umidade; as emissões urbanas produzem aerossóis que aumentam os núcleos de 
condensação das nuvens ; e estruturas urbanas funcionam como impedimentos ao 
movimento atmosférico e criar redemoinhos com difusão de esteira que resultam 
em aumento da precipitação (Li et al., 2021, p. 100907).
Outro ponto de destaque diz respeito ao aumento na produção industrial 
e agrícola, as quais são caracterizadas pela intensa utilização de compostos 
químicos sintéticos. Esses componentes são os principais responsáveis pela 
degradação da qualidade dos corpos hídricos. 
Uma séria preocupação para planejadores e gestores urbanos é em relação 
à qualidade das águas superficiais de uma região, que tem origem em função 
de fatores naturais (precipitação, clima, fisiografia da bacia, erosão do solo, 
dentre outros). Os fatores antrópicos, como águas residuais residenciais e 
industriais, são uma fonte poluidora constante em áreas urbanas, enquanto 
fatores naturais, como chuvas, escoamento superficial e nível das águas 
subterrâneas, são fenômenos sazonais afetados principalmente pelo clima. 
O lançamento de poluentes causa poluição orgânica generalizada, poluição 
tóxica e eutrofização, juntamente com destruição ecológica severa (GHOLI-
ZADEH; MELESSE; REDDI, 2016; WANG; YANG, 2016).
O processo de urbanização desenfreado tem causado, também, severa 
poluição do ar, principalmente nas áreas metropolitanas com atividades 
humanas mais concentradas e complicadas, o que prejudica a sustentabi-
lidade urbana. As atividades humanas liberam uma gama de emissões no 
meio ambiente, incluindo dióxido de carbono, monóxido de carbono, ozônio, 
óxidos de enxofre, óxidos de nitrogênio, chumbo e muitos outros poluentes 
(UTTARA; BHUVANDAS; AGGARWAL, 2012). A exposição à poluição do ar tem 
sido associada a muitos problemas de saúde, incluindo asma infantil, agra-
vamento da asma, função pulmonar prejudicada, hospitalização, atividade 
física limitada e doença cardiovascular (SUN et al., 2023).
Menos abordada, a poluição sonora e visual em espaços urbanos também 
é um importante problema ambiental que tem efeitos adversos à saúde. 
A exposição prolongada ao ruído pode causar uma variedade de efeitos à 
saúde, incluindo aborrecimento, distúrbios do sono, efeitos negativos no 
sistema cardiovascular e metabólico, bem como comprometimento cogni-
tivo em crianças (PERIS, 2020). Já a poluição visual pode provocar dores de 
cabeça, fadiga e náuseas em pessoas sensíveis ou com problemas oculares 
preexistentes, como degeneração macular (PASHA, 2021).
Indicadores de qualidade ambiental aplicados ao planejamento urbano12
Provavelmente, a maioria dos grandes problemas ambientais do próximo 
século resultará da continuação e agudização de problemas existentes que 
atualmente não recebem atenção política suficiente. As questões mais emer-
gentes são as mudanças climáticas, escassez de água doce, desmatamento 
e poluição da água doce e crescimento populacional. Esses problemas são 
muito complexos e suas interações são difíceis de definir. É muito importante 
examinar os problemas por meio do sistema socioeconômico e cultural (UT-
TARA; BHUVANDAS; AGGARWAL, 2012).
Nesse cenário, as avaliações de impacto ambiental (AIAs) são ações desen-
volvidas que permitem a identificação e avaliação sistemática dos impactos 
potenciais de projetos, planos, programas ou ações legislativas propostas 
em relação aos componentes físicos, químicos, biológicos, culturais e socio-
econômicos do ambiente total (CANTER, 1996). 
O principal objetivo do processo de AIA é encorajar a consideração do meio 
ambiente no planejamento e na tomada de decisão para, finalmente, chegar 
a ações que sejam mais compatíveis com o meio ambiente. 
A análise de aspectos ambientais nas intervenções urbanas a partir da AIA 
é utilizada há muitas décadas em todo o mundo, pois permite a identificação 
de possíveis efeitos no meio ambiente antes que decisões sobre alternativas 
de projetos possam ser tomadas. Um modelo de indicadores de qualidade 
ambiental, então, pode revisar objetivamente com antecedência as principais 
informações de status necessárias, bem como apoiar a previsão de impacto 
ambiental e definir medidas de redução e outros detalhes relevantes já na 
fase de planejamento (AN et al., 2023).
Entretanto, para que seja eficaz, a avaliação de impacto deve ser incorpo-
rada nas fases iniciais e fluir ao longo de todos os procedimentos de plane-
jamento, especialmente quando a gestão de recursos e a decisão de uso da 
terra são consideradas. É essencial alcançar um desenvolvimento holístico 
das áreas urbanas para proporcionar uma qualidade de vida satisfatória 
aos residentes. O desenvolvimento holístico de uma área urbana constitui 
crescimento econômico, amenidades básicas satisfatórias, ambiente seguro 
e habitável e bem-estar da sociedade (PATIL; SHARMA, 2022).
O sistema de planejamento urbano é fundamental para um país saudável e 
desenvolvido porque determina a qualidade do ambiente construído que, ao 
mesmo tempo, contribuirá para a saúde e a qualidade de vida dos ocupantes. 
Ademais, a aspiração ideal no planejamento urbano é criar centros urbanos 
bem projetados e bem governados, onde padrões de vida de qualidade e 
menor impacto ao meio ambiente possam se unir.
Indicadores de qualidade ambiental aplicados ao planejamento urbano 13
Importância dos indicadores para a tomada 
de decisão
No contexto apresentado até aqui, entende-se que os indicadores de qua-
lidade ambiental vêm ganhando destaque. Isto deve-se, principalmente, às 
consequências da urbanização, que impactam tanto o meio ambiente quanto 
a vida das pessoas. Nesse cenário, os indicadores de qualidade de vida urbana 
permeiam aspectos de qualidade de vida e de qualidade ambiental. E ambos 
os aspectos são de difícil mensuração e interpretação. 
O desafio mais difícil enfrentado pelos formuladores de políticas é decidir 
os rumos futuros da sociedade e da economia diante de requisitos muitas vezes 
conflitantes para sucesso político de curto prazo, crescimento econômico, 
progresso social e sustentabilidade ambiental. Decisões erradas podem trazer 
consequências pesadas, aumentar o sofrimento humano e até precipitar cri-
ses. Melhorar a base para uma tomada de decisão sólida, integrando muitas 
questões complexas enquanto fornece sinais simples que um tomador de 
decisão ocupado pode entender é uma alta prioridade (MOLDAN; DAHL, 2007).
Padrões relacionados a sustentabilidade ambiental, social e econômica 
interagem em várias dimensões de um ambiente urbano. O crescimento 
populacional exacerbado desencadeia uma ênfase em melhores estratégias 
de gestão de recursos, abordandoo equilíbrio entre oferta e demanda nos 
setores de alimentos, energia e água, considerando o desenvolvimento social 
e econômico (VALENCIA; QIU; CHANG, 2022).
A urbanização traz consigo uma série de desafios ambientais para o am-
biente local, regional e mais amplo como resultado direto das mudanças 
bioquímicas e físicas dos sistemas hidrológicos (MILLER et al., 2014). Entretanto, 
apesar da dificuldade, compreender a tendência de crescimento urbano de 
uma cidade e os cenários de mudança ambiental associados é necessário 
para garantir a qualidade de vida da população urbana, sustentando a saúde 
do ecossistema. 
O uso da expressão “qualidade de vida”, então, remete a um conjunto de 
fatores relacionados à saúde e ao bem-estar associado às consequências 
negativas da urbanização, tal como desigualdade social (NAHAS, 2002). Nesse 
contexto,
Os indicadores ambientais são pensados como “instrumentos a serem inseridos 
nos processos de tomada de decisões na esfera do planejamento, remetendo, 
portanto, à formulação e avaliação de políticas públicas, da mesma forma que 
ocorreu com os indicadores sociais” (NAHAS, 2002, p. 28).
Indicadores de qualidade ambiental aplicados ao planejamento urbano14
O conceito de qualidade de vida, dessa forma, está em uma gama de con-
textos, como bem-estar social, ciência política, educação, desenvolvimento 
internacional, ambiente construído e saúde. Os princípios da sustentabilidade 
urbana influenciam no desenvolvimento metropolitano sustentável no que diz 
respeito aos aspectos sociais, econômicos e ambientais. Uma das ferramentas 
eficazes na tomada de decisão no planejamento urbano envolve a utilização 
de uma série de indicadores.
Os indicadores têm tanto uma função descritiva, que se expressa na possi-
bilidade de avaliar um estado ou resultados de mudanças potenciais, quanto 
uma função normativa, que permite a expressão de julgamentos de valor 
(SOWIŃSKA-ŚWIERKOSZ; SOSZYŃSKI, 2022).
Ainda segundo Sowińska-Świerkosz e Soszyński (2022), outro ponto im-
portante a ser destacado é que a eficácia dos indicadores para a tomada de 
decisão depende fortemente de cada item analisado e da forma de aplicação. 
De forma similar, é importante ressaltar que cada escala espacial considerada 
(país, estado, município, bairro) requer considerações separadas ao se obter 
conclusões sobre a ordem espacial e elaborar índices relevantes. Os indica-
dores mais assertivos são aqueles que capturam as características essenciais 
do planejamento urbano e mostram uma trajetória cientificamente verificável 
de manutenção ou melhoria nas funções do sistema (MOLDAN; DAHL, 2002).
O atual quadro político para garantir a qualidade de vida dos habitantes, 
não deixando ninguém para trás, leva os decisores a procurarem mecanismos 
para terem escolhas mais informadas para o planejamento sustentável dos 
espaços urbanos. A qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável das 
zonas urbanas e periurbanas dependem da gestão bem-sucedida do seu 
crescimento, e ambos são objetivos comuns em cidades ao redor do mundo 
(SAPENA et al., 2021). 
O entendimento resultante da análise de indicadores pode contribuir, por 
diferentes motivos, para uma gestão urbana mais adaptativa, partindo do 
pressuposto de que os indicadores servem, também, como mecanismos de 
monitoramento e sinalização (Figura 1).
Indicadores de qualidade ambiental aplicados ao planejamento urbano 15
Figura 1. Principais pontos sobre a importância dos indicadores no processo de tomada de 
decisão.
POR QUE UTILIZAR INDICADORES
PARA TOMADA DE DECISÃO?
Identificar aspectos
relevantes a serem
analisados
Mapear pontos
críticos a serem
melhorados
Conseguir
visibilidade do
processo atual
Dar visibilidade aos
envolvidos
Acompanhar
tendências e
mudanças
Acompanhar a
evolução das decisões
tomadas
Promover melhoria
contínua a partir da
análise de dados
Ter mais
assertividade ma
tomada de decisão
Monitorar e
acompanhar fatores
críticos identificados
Medir desempenho
Fornecer
informações
embasada em dados
Obter dados reais
para análise
Indicadores de qualidade ambiental aplicados ao planejamento urbano16
A Figura 1 apresenta uma visão geral dos principais motivos para implan-
tação de indicadores na tomada de decisão. Para além dos benefícios, para 
serem eficazes, os indicadores devem ser críveis (cientificamente válidos), 
legítimos aos olhos dos usuários e das partes interessadas e salientes ou 
relevantes para os tomadores de decisão. Corroborando com o supracitado, o 
ponto de interseção entre a decisão de planejamento e a proteção ambiental 
determina a eficácia dessa avaliação de impacto, porque o momento em que 
esses dois componentes significativos se unem define todo o propósito, o 
escopo e o resultado da avaliação (MILLER et al., 2014).
O esforço em introduzir indicadores de qualidade ambiental decorrentes 
do desenvolvimento urbano continua se expandindo e avançando. Abordagens 
como a avaliação do ciclo de vida, a análise multicritério e outras avaliações 
descritivas e qualitativas também podem ser consideradas como abordagens 
para a avaliação integrada do impacto na saúde ambiental (SHAFIE; OMAR; 
KARUPPANNAN, 2013).
Vimos a importância dos indicadores para acompanhamento da 
qualidade ambiental relacionada ao planejamento urbano. Que tal 
ver uma análise prática? 
A Prefeitura de Belo Horizonte contou com diferentes profissionais para defi-
nição de 158 indicadores para acompanhar as metas relacionadas aos objetivos 
do desenvolvimento sustentável. A fim de divulgar e sensibilizar a população, 
produziram o Relatório de Acompanhamento com dados de 2020. Bacana, não 
é mesmo? (BELO HORIZONTE, 2020). 
O uso de indicadores para monitoramento da qualidade de vida nos cen-
tros urbanos é imperativo para a tomada de decisão, e a escolha de quais 
indicadores serão adotados precisa partir de critérios estabelecidos com base 
no contexto local. Entende-se, por fim, que as análises da qualidade urbana 
geralmente se concentram na aplicação de metodologias que buscam avaliar 
os objetivos de qualidade nos níveis ambiental, urbano e de construção a fim 
de subsidiar a tomada de decisão no planejamento urbano. 
Frente ao apresentado, gestores de um modo geral, independentemente 
da área de atuação, constantemente tomam decisões, e, para que estas sejam 
mais assertivas, é fundamental identificar os aspectos que necessitam de 
intervenção. A partir disso, deve-se propor indicadores para monitoramento 
e controle das ações definidas. Em função disso, o conhecimento acerca dos 
Indicadores de qualidade ambiental aplicados ao planejamento urbano 17
indicadores, suas aplicabilidades e importância para a tomada de decisão 
no planejamento urbano é imprescindível.
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