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1 O PAPEL DA NEUROPSICOLOGIA NA SAÚDE1 Viviane Fernandes Melo Mendonça2 . Declaro que o trabalho apresentado é de minha autoria, não contendo plágios ou citações não referenciadas. Informo que, caso o trabalho seja reprovado por conter plágio pagarei uma taxa no valor de R$ 199,00 para a nova correção. Caso o trabalho seja reprovado não poderei pedir dispensa, conforme Cláusula 2.6 do Contrato de Prestação de Serviços (referente aos cursos de pós-graduação lato sensu, com exceção à Engenharia de Segurança do Trabalho. Em cursos de Complementação Pedagógica e Segunda Licenciatura a apresentação do Trabalho de Conclusão de Curso é obrigatória). RESUMO Este estudo examinou a interação entre a reabilitação neuropsicológica e a análise comportamental, destacando sua importância no tratamento de déficits cognitivos. No Brasil, um número considerável de indivíduos enfrenta desafios cognitivos, necessitando de programas de reabilitação para mitigar limitações como problemas de memória, atenção e linguagem. O objetivo deste estudo é investigar o papel da neuropsicologia na saúde. Para alcançar esse objetivo, foi realizada uma revisão da literatura científica, buscando artigos que abordem a complementaridade entre essas áreas. A metodologia adotada consistiu na busca em bases de dados. A seleção dos estudos seguirá critérios predefinidos, incluindo artigos relevantes que discutam a aplicabilidade e os benefícios da integração dessas abordagens em diferentes contextos clínicos e populacionais. Os resultados incluem uma compilação de evidências que destacam a complementaridade entre a reabilitação neuropsicológica e a análise comportamental, evidenciando a sinergia entre ambas para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais eficazes. Conclui-se que a integração dessas abordagens oferece perspectivas promissoras para o aprimoramento dos tratamentos existentes e o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas. Investigar essa interseção de maneira mais aprofundada pode levar a protocolos personalizados e mais eficazes, contribuindo significativamente para a qualidade de vida dos pacientes com distúrbios cognitivos. Palavras-chave: Neuropsicologia. Saúde. Reabilitação. 1 Artigo científico apresentado ao Grupo Educacional IBRA como requisito para a aprovação na disciplina de TCC. 2 Discente do curso de Pós-graduação em Neuropsicologia. 2 ABSTRACT This study examined the interaction between neuropsychological rehabilitation and behavioral analysis, highlighting its importance in the treatment of cognitive deficits. In Brazil, a considerable number of individuals face cognitive challenges, requiring rehabilitation programs to mitigate limitations such as memory, attention and language problems. The aim of this study is to investigate the role of neuropsychology in health. To achieve this goal, a review of the scientific literature was carried out, looking for articles that address the complementarity between these areas. The methodology adopted consisted of searching databases. The selection of studies will follow predefined criteria, including relevant articles that discuss the applicability and benefits of integrating these approaches in different clinical and population contexts. The results include a compilation of evidence that highlights the complementarity between neuropsychological rehabilitation and behavioral analysis, highlighting the synergy between the two for the development of more effective therapeutic strategies. Concluded that the integration of these approaches offers promising prospects for improving existing treatments and developing new therapeutic strategies. Investigating this intersection in greater depth could lead to personalized and more effective protocols, contributing significantly to the quality of life of patients with cognitive disorders. Keywords: Neuropsychology. Health. Rehabilitation. 3 1 INTRODUÇÃO No contexto brasileiro contemporâneo, um número considerável de pessoas enfrenta desafios decorrentes de déficits cognitivos, tais como problemas de memória, atenção e linguagem, demandando programas eficazes de reabilitação para mitigar essas limitações. A reabilitação neuropsicológica surge como um tratamento essencial para distúrbios neurológicos e neuropsiquiátricos de natureza comportamental, visando intervenções que promovam melhorias nos aspectos cognitivos, comportamentais e sociais dos indivíduos afetados. No entanto, apesar da importância fundamental da reabilitação neuropsicológica, a integração de procedimentos comportamentais pode enriquecer suas abordagens. A ciência comportamental oferece ferramentas valiosas para modificar comportamentos e facilitar processos de aprendizagem, potencializando, assim, a eficácia dos programas de reabilitação. O campo da neuropsicologia, embora relativamente novo, teve avanços significativos após períodos de conflitos mundiais, quando cientistas concentraram esforços na compreensão do impacto de lesões no comportamento humano e em estratégias de tratamento. No cenário contemporâneo, mudanças socioculturais e avanços tecnológicos resultaram em um aumento expressivo de lesões cerebrovasculares causadas por diversos fatores, como acidentes automobilísticos, prática de esportes radicais, violência, entre outros. Além disso, o aumento da expectativa de vida evidencia a necessidade de pesquisas sobre o envelhecimento normal e patológico, impulsionando estudos sobre condições como doença vascular cerebral, Alzheimer e outras demências, bem como condições associadas ao processo de envelhecimento, como hipertensão. Neste contexto, torna-se evidente a importância das pesquisas em reabilitação neuropsicológica, não apenas do ponto de vista clínico, mas também em suas implicações sociais. As perspectivas de intervenção devem abranger áreas como neuropsicologia clínica, análise comportamental, retreinamento cognitivo e psicoterapia individual e grupal, conforme destacado por McMillan e Greenwood (1993). 4 Nesse contexto, a interação entre reabilitação neuropsicológica e análise comportamental se apresenta como um ponto central a ser explorado. Segundo Wilson et al. (1994; 2003), a observação do comportamento fornece informações cruciais sobre o grau de comprometimento do paciente, direcionando assim a aplicação de procedimentos de forma mais eficiente. Contudo, é essencial reconhecer que a reabilitação neuropsicológica demanda uma base teórica ampla, uma vez que não existe um único modelo ou teoria capaz de abarcar a diversidade de desafios enfrentados por indivíduos afetados por distúrbios neurológicos e neuropsiquiátricos (ABRISQUETA-GOMEZ, 2006). Diante desse contexto, esta pesquisa se propõe a realizar uma revisão da literatura científica com o objetivo de analisar o papel da neuropsicologia para a saúde. A metodologia desta pesquisa é fundamentada em uma abordagem de revisão da literatura, utilizando descritores como neuropsicologia, saúde, reabilitação para buscar informações em bases de dados como PubMed, SciELO e Portal da CAPES. O processo de seleção dos estudos seguiu critérios bem definidos, incluindo artigos relevantes que abordem a interação entre reabilitação neuropsicológica e análise comportamental, bem como sua aplicabilidade em diferentes contextos clínicos e populacionais. 2 DESENVOLVIMENTO A Reabilitação Neuropsicológica (RN) é um processo ativo com o objetivo principal de melhorar os déficits cognitivos, sociais e emocionais causados por lesão ou doença do cérebro. Tal como acontece com outros tipos de reabilitação, o objetivo principal da RN é preparar as pessoas para atingirem o seu nível ideal de bem-estar (ÁVILA, 2003; WILSON, 2003). Os serviços de reabilitação existentes prestam assistênciaà reabilitação na fase aguda; no entanto, a disponibilidade de serviços de RN que ofereçam uma resposta integrada, multidisciplinar e intensiva às necessidades desta população após a hospitalização aguda é ainda mais limitada (GUERREIRO et al., 2009). O modelo neurocognitivo-comportamental de intervenção sintetiza técnicas provenientes da reabilitação neuropsicológica e da psicoterapia cognitivo- comportamental, fundamentando-se nos mecanismos de plasticidade neural. Dentro dessa abordagem terapêutica, a terapia cognitivo-comportamental engloba um 5 conjunto de estratégias de intervenção voltadas para cognição, comportamento e emoções. Esse modelo terapêutico reconhece a interconexão entre crenças (tanto as crenças centrais quanto os pensamentos automáticos), respostas emocionais e comportamentais, promovendo intervenções que almejam mudanças em uma área para influenciar positivamente as demais (BECK, 1993; KNAPP, 2004; RANGE, 1995). Por outro lado, o modelo psicopatológico, embasado na terapia cognitivo- comportamental, fundamenta-se em avaliações e interpretações disfuncionais que o indivíduo realiza sobre situações e o ambiente em geral. Essa interpretação disfuncional ativa um modo de operação específico para o indivíduo, que compreende suas crenças, as emoções associadas a essas crenças e os padrões comportamentais aprendidos para lidar com essa estrutura cognitivo-emocional. A terapia visa a modificar esses padrões estabelecidos, utilizando técnicas comportamentais, experienciais e cognitivas para desenvolver novos comportamentos, regular as emoções e reavaliar as situações (BECK, 1993; RANGÉ, 1995). A Psicoterapia neurocognitivo-comportamental propõe um método de intervenção baseado na interface da psicologia cognitiva e da neurociência. Esta prática clínica está sendo utilizada em uma variedade de transtornos psiquiátricos e doenças neurológica. Modelos de avaliação clínica e intervenção estão sendo propostos para casos como transtorno de déficit de atenção, síndrome de Asperger, transtorno bipolar, comprometimento cognitivo leve na velhice, doença de Alzheimer, doença de Parkinson, traumatismo craniano, acidente vascular cerebral, entre outros. Avaliação neuropsicológica (ANP) é uma atividade que nasceu no campo de neuropsicologia e se baseia em um método de investigação das funções cognitivas e do comportamento, relacionando-os com o funcionamento saudável ou deficitário do sistema nervoso. Os objetivos da ANP incluem o diagnóstico diferencial, determinando a natureza e os sintomas da doença neurológica ou disfunção cerebral e fornecendo a base para a reabilitação neuropsicológica (HAASE et al., 2012). A avaliação neuropsicológica tem vários objetivos, sendo alguns deles: Descrever e identificar alterações do funcionamento psicológico; estabelecer o correlato neurobiológico com o resultado dos testes; determinar se as alterações estão associadas a doenças neurológicas e/ou psiquiátricas ou não; avaliar as alterações através do tempo e desenvolver um prognóstico; oferecer orientações para a reabilitação e o planejamento vocacional e/ou educacional; oferecer orientações para cuidadores e familiares de pacientes; auxiliar no planejamento e 6 implementação do tratamento; desenvolver a pesquisa científica e elaborar documentos legais (HAMDAM et al., 2011, p. 48). Os métodos utilizados por um profissional para conduzir uma ANP podem ser tanto quantitativos quanto qualitativos, dependendo se são utilizadas escalas e testes padronizados. Como resultado, fica claro que ambos os métodos se complementam. Quando se trata de métodos de avaliação, e especificamente testes ou tarefas neuropsicológicas, existem dois tipos de baterias que podem ser utilizadas na ANP: baterias fixas e baterias flexíveis. A ANP visa mapear os déficits, recursos e estratégias que o paciente poderá utilizar ou desenvolver durante sua reabilitação. Os dados obtidos podem ser usados para determinar os objetivos (reparar danos ou reduzir déficits). Ela também auxilia na seleção de métodos reabilitadores: dependendo dos resultados da ANP, pode - se tentar restaurar a função perdida por meio da prática ou reabilitação, ou compensá-la usando suportes externos como calendários, celulares e computadores. Nesse sentido, a ANP desempenha um papel fundamental na orientação dos esforços de reabilitação das equipes multidisciplinares. Do mapeamento das sequelas ao apoio de médicos e demais profissionais de saúde, ao esclarecimento do paciente e familiares, aos serviços de reabilitação que serão prestados aos pacientes. Os métodos utilizados por um profissional para conduzir uma ANP podem ser tanto quantitativos quanto qualitativos, dependendo se são utilizadas escalas e testes padronizados. Como resultado, fica claro que ambos os métodos se complementam. A Reabilitação Neuropsicológica (RN) é um tratamento biopsicossocial que envolve pacientes e seus familiares, levando em consideração as alterações físicas e cognitivas, o ambiente em que vivem, fatores subjetivos e sua história pessoal. Um RN é um processo ativo que visa treinar pessoas com déficits cognitivos causados por lesão ou doença para que possam alcançar um alto nível de funcionamento social, físico e psicológico (MC LELLAN, 1991). Refere- se a uma variedade de domínios cognitivos (por exemplo, atenção, memória e funções executivas) que são frequentemente comprometidos em pacientes que sofrem de lesões cerebrais, resultando em prejuízo no funcionamento diário. Como resultado, a reabilitação neuropsicológica nesses níveis é fundamental. Desta forma, a reabilitação implica maximizar as funções cognitivas através do bem-estar psicológico, capacidade AVD e relações sociais (CLARE; WOODS, 2001). Além disso, 7 busca reduzir os déficits que causam isolamento social, dependência e discriminação (KITWOOD, 1997). A compreensão da memória deve partir do conceito de múltiplos sistemas que incluem componentes comportamentais e bases neurobiológicas que podem ser classificadas e investigadas cientificamente. Muitos sistemas de memória já foram descritos em encéfalo de mamíferos como resultado de pesquisas com roedores e primatas, incluindo humanos. Os núcleos hipocampo, amígdala e estriado são extremamente importantes para vários sistemas de memória, e, portanto, compreender sua função, do nível molecular ao comportamental, é fundamental para o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para diversas condições clínicas que exibem ou causam processos relacionados à memória. Como resultado, o conhecimento científico dos sistemas de memória é uma ferramenta poderosa em neuropsicologia. A investigação da relação entre estrutura neural e função mental na história revelou um vaivém entre o localizacionismo, que aponta habilidades mentais específicas em áreas cerebrais, e o holismo, que sugere que todas as funções mentais estão interligadas no cérebro como um todo, baseando-se em substratos neurais (CASTRO; LANDEIRA-FERNANDEZ, 2010; 2011; KRISTENSEN; ALMEIDA; GOMES, 2001). Por exemplo, no século XVIII e XIX, os frenologistas afirmavam a existência de mais de 35 funções cerebrais distintas, como amor materno e generosidade, associadas a áreas específicas do cérebro. Essa abordagem de localização extrema foi contestada por perspectivas antilocalizacionistas que enfatizavam uma função cerebral holística, argumentando que todas as regiões cerebrais contribuem para qualquer função mental. Broca e Wernicke, no século XIX, identificaram áreas cerebrais responsáveis pela produção e compreensão da fala em pacientes com problemas neurológicos, inaugurando uma nova perspectiva de localização. Essa visão evoluiu ao longo dos séculos XIX e XX, persistindo até os dias atuais. Nessa abordagem mais contemporânea, as funções elementares são identificadas em áreas específicas docérebro, enquanto as funções complexas são atribuídas a redes cerebrais, nas quais cada região contribui de maneira singular (FUENTES et al., 2007). Nesse campo complexo e em expansão, poucos fatos ou princípios podem ser tomados como verdade, poucas técnicas não vão se 8 beneficiar das modificações e poucos procedimentos não vão se curvar ou quebrar com o acúmulo de conhecimento e experiência (LEZAK et al., 2004, p. 15). O Trabalho cognitivo é um tratamento que visa promover a reconstrução da rotina diária do paciente, incorporando novas atividades, ensinando ao paciente estratégias compensatórias ou auxiliando - o na realização de tarefas antigas de novas formas (GOUVEIA et al., 2000). O trabalho cognitivo é baseado em avaliação neuropsicológica e familiaridade, e prioriza o trabalho com funções preservadas, empregando estratégias compensatórias para minimizar prejuízos em outras funções. A tarefa é planejada levando em consideração a motivação do paciente, suas limitações e a possibilidade de seu sucesso nas atividades propostas (BOLOGNANI et al., 2000). Essas atividades devem ser integradas a um contexto específico para cada paciente para serem transferidas para a vida diária (WILSON, 1997). O objetivo da psicoterapia focal é proporcionar ao paciente um espaço individual para reflexão sobre sua condição cerebral pós-acidente e as consequências cognitivas e emocionais da nova situação. Essa estratégia visa focar no enfrentamento das limitações impostas pela doença (PRIGATANO, 1994). De forma simples, as principais mudanças na história da neuropsicologia foram: 1) no modelo de pensamento, com forte ênfase no processamento da informação, este último por influência da psicologia cognitiva; e 2) em sua aplicação, com um escopo de prática atual que extrapola a prática clínica clássica. Além disso, os avanços no uso da tecnologia em neuropsicologia fornecem dicas sobre possíveis papéis futuros. A expectativa é que a neuropsicologia continue a crescer e contribuir para diversos campos, de acordo com o conceito de interdisciplinaridade, que, ao final, define a neuropsicologia como uma ciência e campo profissional. Encaminhamentos de um paciente para trabalho de psicoterapia têm como possibilidade de participação ativa de comunicação, de forma que os pacientes severamente abúlicos ou com severos distúrbios de linguagem não sejam bons candidatos a esse tipo de tratamento. O trabalho é baseado nos princípios da psicoterapia breve e focada. A abordagem escolhida como tema é a nova condição existencial do paciente. É o estabelecimento de uma relação positiva e estável entre o paciente e o terapeuta que busca proporcionar e estimular uma compreensão mais abrangente do processo de reabilitação e de lidar com as oportunidades perdidas. 9 Embora as estratégias de restaurações cognitivas sejam implementadas após a obtenção de recursos não sejam implementadas, a reabilitação consiga receber a correção das funções associadas à área de recuperação total. Como resultado, o uso de estratégias compensatórias surgiu como uma opção viável para alcançar a generalização dos comportamentos funcionais no contexto da vida diária. As estratégias compensatórias referem - se ao uso de recursos externos para a cognição, bem como o estímulo ao uso de funções ainda presentes no encéfalo lesado, com o objetivo de reduzir o impacto funcional dos prejuízos cognitivos (GINDRI et al., 2012; WILSON, 2008). Reconhecendo que a prática clínica das abordagens acima mencionadas necessita de colaboração entre várias disciplinas, Wilson (2002) argumentou que a RN é um campo que requer uma ampla fundamentação teórica, na qual estruturas, teorias e modelos conceituais de outras disciplinas devem ser incorporados, porque um único modelo teórico é insuficiente para lidar com os inúmeros desafios que as pessoas com LEAs enfrentam. As técnicas utilizadas para realizar a reabilitação neuropsicológica variam de acordo com as necessidades específicas de cada situação, como as condições socioeconômicas do paciente e da família, a estrutura da equipe multidisciplinar, objetivos pessoais, resultados da avaliação neuropsicológica, estratégias estabelecidas e se as intervenções são feitas individualmente ou em grupo. Globalmente, a reabilitação neuropsicológica resultou em mudanças significativas nas últimas décadas. No entanto, só recentemente foi introduzido no Brasil (TAUB; LOSCHIAVO-ALVARES, 2017). Um fator que contribuiu para a difusão da neuropsicologia no país foi a aprovação do exercício profissional do psicólogo em neuropsicologia em 2004, quando o Conselho Federal de Psicologia (CFP) reconheceu a Neuropsicologia como especialidade da psicologia para fins de concessão e registro o título de especialista por meio da Resolução 002/2004 (HAZIN et al., 2018). Como um todo, a prática neuropsicológica vem avançando gradativamente no Brasil, tanto em consultórios privados quanto em serviços públicos multidisciplinares, a maioria deles vinculados a instituições públicas de ensino (HAZIN et al., 2018). Em termos de serviços de reabilitação neuropsicológica, os recursos humanos e o financiamento para pesquisa e desenvolvimento dessa prática na saúde pública são limitados no Brasil. Como tal, uma opção a considerar, principalmente nos países em 10 desenvolvimento, é o uso de tecnologias de baixo custo que se mostraram eficazes na reabilitação das pessoas para a vida diária (TAUB; LOSCHIAVO-ALVARES, 2017). 3 CONCLUSÃO Em síntese, a análise do panorama atual da reabilitação neuropsicológica e sua interação com abordagens comportamentais revela a complexidade e a importância dessas áreas no tratamento de distúrbios cognitivos. O reconhecimento da necessidade de intervenções mais abrangentes e integrativas se torna evidente diante do aumento de lesões cerebrais, do envelhecimento populacional e das demandas por estratégias mais eficazes para reabilitar funções cognitivas. A compreensão da complementaridade entre a reabilitação neuropsicológica e a análise comportamental destaca a relevância de abordagens multidisciplinares para otimizar os resultados dos programas de intervenção. A integração dessas áreas oferece perspectivas promissoras não apenas na melhoria dos tratamentos existentes, mas também no desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas adaptadas a diferentes perfis de pacientes. Contudo, para avançar nesse campo, são necessárias investigações mais aprofundadas. Estudos futuros podem direcionar esforços para a identificação de protocolos específicos que otimizem a combinação entre reabilitação neuropsicológica e análise comportamental, levando em consideração as particularidades de cada perfil de paciente. Além disso, a avaliação dos resultados a longo prazo desses programas de intervenção pode fornecer insights valiosos sobre sua eficácia a longo prazo e seu impacto na qualidade de vida dos pacientes. Outro aspecto fundamental a ser explorado é a adaptação dessas abordagens para diferentes contextos, como o envelhecimento saudável, populações com déficits cognitivos específicos e grupos clínicos diversos. Estudos que considerem aspectos culturais e socioeconômicos também podem contribuir para uma compreensão mais abrangente dos desafios e das melhores práticas na implementação dessas intervenções. Em suma, a interseção entre a reabilitação neuropsicológica e a análise comportamental oferece um campo vasto para pesquisa e desenvolvimento. Investigações futuras direcionadas para estratégias mais personalizadas, avaliações de longo prazo e considerações contextuais podem impulsionar significativamente os 11 avanços nesse campo, oferecendo um potencial transformador na maneira como abordamos e tratamos os distúrbios cognitivos. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRISQUETA-GOMEZ, J. Reabilitação neuropsicológica:“o caminho das pedras”. In: ABRISQUETA-GOMEZ, J.; DOS SANTOS, F.H. (eds.). Reabilitação neuropsicológica: da teoria à prática. Artes Médicas, São Paulo, 2006. ÁVILA, R. Resultados da reabilitação neuropsicológica em paciente com doença de Alzheimer leve. Revista Psiquiatria Clínica, 30(4), 139-146, 2003. BOLOGNANi, S.A.P.; GOUVEIA, P.A.R.; BRUCKI, S.A.; BUENO, O.F.A. Memória Implícita e sua Contribuição à Reabilitação de um Paciente Amnésico – Relato de Caso. Arq Neuropsiquiatr 58 (2- B): 924-30, 2000. BORGES, A. J. A. 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