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Autor: Prof. Cristiano Roberto Martins Foli Colaboradores: Prof. Ariathemis Moreno Bizuti Prof. José Carlos Morilla Resistência dos Materiais Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Professor conteudista: Cristiano Roberto Martins Foli Natural de Franca (SP), graduado em Engenharia Mecânica pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – Unesp (2002), mestrado em Engenharia Aeronáutica e Mecânica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA (2004) e doutorado em Engenharia Aeronáutica e Mecânica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA (2011). Ministra aulas em cursos de Engenharia na UNIP desde 2006, tais como: Resistência dos Materiais, Complementos de Resistência dos Materiais, Estática nas Estruturas, Estruturas Hiperestáticas, Teoria das Estruturas. É coordenador do curso de Engenharia Civil da UNIP – São José dos Campos, desde 2011. © Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Universidade Paulista. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) F665s Foli, Cristiano Roberto Martins. Resistência dos materiais / Cristiano Roberto Martins Foli. - São Paulo: Editora Sol, 2018. 192 p., il. Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXIV, n. 2-044/18, ISSN 1517-9230. 1. Equilíbrio das estruturas. 2. Tensão e deformação. 3. Flexão. I. Título. CDU 621,7 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Prof. Dr. João Carlos Di Genio Reitor Prof. Fábio Romeu de Carvalho Vice-Reitor de Planejamento, Administração e Finanças Profa. Melânia Dalla Torre Vice-Reitora de Unidades Universitárias Prof. Dr. Yugo Okida Vice-Reitor de Pós-Graduação e Pesquisa Profa. Dra. Marília Ancona-Lopez Vice-Reitora de Graduação Unip Interativa – EaD Profa. Elisabete Brihy Prof. Marcelo Souza Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar Prof. Ivan Daliberto Frugoli Material Didático – EaD Comissão editorial: Dra. Angélica L. Carlini (UNIP) Dra. Divane Alves da Silva (UNIP) Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR) Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT) Dra. Valéria de Carvalho (UNIP) Apoio: Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos Projeto gráfico: Prof. Alexandre Ponzetto Revisão: Kleber Nascimento Carla Moro Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Sumário Resistência dos Materiais APRESENTAÇÃO ......................................................................................................................................................7 INTRODUÇÃO ...........................................................................................................................................................7 Unidade I 1 REVISÃO DE MECÂNICA GERAL – ESTÁTICA ...........................................................................................9 1.1 Sistema internacional de medidas (SI) ........................................................................................ 10 1.2 Resultante de uma força ................................................................................................................... 11 1.2.1 Composição de forças ............................................................................................................................11 1.2.2 Decomposição de forças .......................................................................................................................11 1.3 Momento estático ................................................................................................................................ 17 2 EQUILÍBRIO DAS ESTRUTURAS .................................................................................................................. 24 2.1 Classificação das estruturas ............................................................................................................. 24 2.2 Vínculos ou apoios ............................................................................................................................... 26 2.2.1 Apoio simples ou de primeiro gênero ............................................................................................ 26 2.2.2 Articulação ou apoio de segundo gênero ..................................................................................... 27 2.2.3 Engate ou apoio de terceiro gênero ................................................................................................ 27 2.3 Tipos de carregamento ....................................................................................................................... 27 2.4 Cálculo de reações de apoio ............................................................................................................ 28 3 ESFORÇOS SOLICITANTES ............................................................................................................................. 49 3.1 Força cortante (V) ................................................................................................................................. 49 3.2 Momento fletor (M) ............................................................................................................................ 50 3.3 Convenção de sinais ............................................................................................................................ 50 3.4 Diagrama de força cortante (V) e momento fletor (M) ........................................................ 51 3.5 Diagrama de força normal (N) ........................................................................................................ 75 4 TENSÃO E DEFORMAÇÃO ............................................................................................................................. 86 4.1 Tensão ....................................................................................................................................................... 86 4.2 Deformação ............................................................................................................................................ 88 4.3 Diagrama tensão x deformação ..................................................................................................... 89 4.4 Lei de Hooke ........................................................................................................................................... 92 4.5 Tensão admissível ................................................................................................................................. 97 Unidade II 5 CISALHAMENTO .............................................................................................................................................107 5.1 Tensão de cisalhamento ..................................................................................................................108 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 5.2 Deformações no cisalhamento .....................................................................................................118 6 TORÇÃO .............................................................................................................................................................122 6.1 Tensão de cisalhamento na torção .............................................................................................122 6.2 Convenção de sinais ..........................................................................................................................125 6.3 Deformação em um eixo circular ................................................................................................132trata-se do espaço constante entre o limite de proporcionalidade e a ruptura do material. 92 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Saiba mais O ensaio de tração segue normas técnicas determinadas pela ABNT, especificamente a contida em ISO 6892, que estipula o método de ensaio de tração de materiais metálicos e define as propriedades mecânicas que podem ser determinadas à temperatura ambiente. Para mais informações, leia: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 6892: Materiais metálicos – Ensaio de Tração. Parte 1: Método de ensaio à temperatura ambiente. Rio de Janeiro, 2013. Os materiais, durante o ensaio de tração, podem ser frágeis e dúcteis devido às suas propriedades e diagramas tensão x deformação semelhante. • Materiais frágeis: apresentam pouca ou nenhuma deformação na região plástica, por exemplo: concreto, vidro, giz, ferro fundido, cerâmica. Eles demonstram grande limite de resistência, principalmente quando submetidos à compressão. Suas grandes desvantagens são não absorverem impacto, por possuírem baixa ductilidade, e o acontecimento de fraturas repentinas. • Material dúctil: têm grandes deformações plásticas antes da ruptura, por exemplo: latão, alumínio e aço. Apesar de sua resistência ser menor que a dos materiais frágeis, sua capacidade de deformação o torna mais maleável, fazendo com que a sua ruptura não seja tão brusca. Tensão Frágil Dúctil Deformação Figura 123 – Diagrama tensão x deformação – Materiais dúcteis e frágeis 4.4 Lei de Hooke A disciplina Resistência dos Materiais abrange a parte inicial do diagrama tensão x deformação, ou seja, a peça ou estrutura projetada não deve ultrapassar o limite de escoamento do material. Para efeito de projeto, se a peça iniciar o escoamento plástico por segurança, ela deve ser retirada de uso. 93 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Na região inicial do diagrama, a relação entre tensão e deformação é linear, sendo a tensão diretamente proporcional à deformação. Tem-se pela equação: Σ = E . ε E representa o módulo de elasticidade do material ou módulo de Yong. O módulo de elasticidade é uma propriedade do material, cuja característica vem da força de atração entre os átomos. A tabela a seguir apresenta o módulo de elasticidade de alguns materiais selecionados. Observação A lei de Hooke somente pode ser usada na região elástica, ou seja, antes do limite de escoamento do material. Tabela 5 – Propriedade dos materiais Materiais Limite escoamento (MPa) Módulo de elasticidade (GPa) Aço estrutural ASTM-A36 247 200 Alumínio – Liga 2014-T4 290 73 Latão – C23000 124 115 Bronze – C76100 331 105 Titânio (6Al,4%V) 727 114 Exemplo 1 Uma carga de 250 kN é aplicada a uma barra com 70 cm de comprimento e diâmetro de 10 cm, provocando um alongamento de 0,20 mm. Determine o módulo de elasticidade do material: Figura 124 94 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Resolução: Dados: 3 2 2 2 F 250.10 N Lo 80cm 800mm L 0,20mm d 10cm 0,1m .d .0,1 A 0,0078m 4 4 = = = ∆ = = = π π= = = Utilizando as equações apresentadas neste capítulo: F A σ = L L Lo Lo Lo ∆ −ε = = Σ = E . ε Para o cálculo do módulo de elasticidade, será utilizada a lei de Hooke, portanto deve-se determinar a tensão e a deformação da barra. 3 6 2 F 250.10 N 32,05.10 32,05MPa A 0,0078 m σ = = ≅ ≅ L 0,20 0,00025 Lo 800 ∆ε = = = 6 932,05.10 E. E 128.10 Pa 128GPA 0,0025 σσ = ε → = = ≅ ≅ ε Exemplo 2 Uma barra de alumínio possui seção transversal retangular com 45 cm de base e 170 cm de altura, seu comprimento é de 2 m. A carga axial aplicada nela é de 900 kN. Determine seu alongamento. EAl = 70 GPa. 95 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Figura 125 Resolução: F = 900 kN = 900 . 103N LO = 2 m A = b . h = 0,45 . 1,8 = 0,81 m2 E = 70 GPa = 70 . 109Pa Utilizando a lei de Hooke, tem-se: Σ = E . ε Substituindo as equações de tensão e deformação, F L E. A Lo ∆= , isolando o alongamento ∆L tem-se: 3 5 9 F.Lo 900.10 L 1,587.10 m 0,0158mm E.A 70.10 .0,81 −∆ = = ≅ ≅ 96 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Exemplo 3 Determine o deslocamento da barra de aço A submetida às forças dadas (Eaço= 220 GPa). Figura 126 Resolução: Diagrama de força normal. Figura 127 O deslocamento será calculado para três regiões, e o deslocamento total será a soma: A1 = A2 = 600 mm2 = 6 . 10-3m2 A3 = 200 mm2 = 2 . 10-3m2 Lo1 = Lo2 = 400 mm = 0,4 mm Lo3 = 500 mm = 0,5 m F.Lo L E.A ∆ = 3 1 6 3 F.Lo 330.10 .0,4 L 0,100m E.A 220.10 .6.10−∆ = = = 97 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS 3 2 6 3 F.Lo 70.10 .0,4 L 0,021m E.A 220.10 .6.10− −∆ = = = − 3 3 6 3 F.Lo 180.10 .0,5 L 0,204m E.A 220.10 .2.10−∆ = = = ∆Ltotal = ∆L1 + ∆L2 + ∆L3 = 0,100 - 0,021 + 0,204 ∆Ltotal = 0,283 m = 283 mm 4.5 Tensão admissível No projeto de uma peça ou estrutura, o engenheiro deve garantir que a carga limite do material não seja atingida, ou seja, tal objeto deverá suportar, em condições normais de utilização, um carregamento menor que esse limite. O carregamento menor é chamado de admissível, de projeto ou trabalho. Ao se utilizar a carga admissível, somente uma parte da capacidade do material está sendo utilizada, a outra é reservada para garantir ao produto condições seguras de utilização. Σesc Σadm Deformação Trabalho Segurança Tensão Figura 128 – Tensão admissível Para materiais dúcteis, a tensão admissível é determinada pela relação entre a tensão de escoamento do material (Σe) e o coeficiente de segurança (CS). Em materiais frágeis, utiliza-se a tensão de ruptura ao invés da tensão de escoamento. e admMaterial ductil CS σ→ σ = 98 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I r admMaterial frágil CS σ→ σ = A escolha do coeficiente de segurança adequado para diferentes aplicações requer uma análise cuidadosa. Sua determinação é feita com base nas normas de cálculo, muitas vezes pelo próprio projetista, baseado em experiências e de acordo com seu critério. Os principais fatores que devem ser levados em consideração são: • material a ser utilizado; • tipos de carregamento; • ambiente de utilização; • grau de importância da estrutura projetada. Este último item deve ser sempre classificado como essencial para o aumento na segurança. Quanto maior o risco à vida humana, maior deve ser o conhecimento da peça ou estrutura projetada. Exemplo 1 A barra circular mostrada tem seções de aço, latão e alumínio. São aplicadas cargas axiais nas partes transversais A, B, C e D. Se as tensões normais são 250 MPa no aço, 100 MPa no latão e 170 MPa no alumínio, determine os diâmetros para cada uma das seções. Considere o fator de segurança (CS) igual a 2 para aplicação. Figura 129 Resolução: Diagrama de força normal. Figura 130 99 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Alumínio: 6 adm 170.10 85MPa 2 σ = = Latão: 6 adm 100.10 50MPa 2 σ = = Aço: 6 adm 250.10 125MPa 2 σ = = 2 adm adm adm adm F F d F 4.F A d A 4 . πσ = → = = = → = σ σ π σ 3 alum alum6 4.370.10 d d 0,0744m 74,4mm .85.10 = → = = π 3 lat lat6 4.130.10 d d 0,0573m 57,3 mm .50.10 = → = = π 3 aço aço6 4.280.10 d d 0,0534m 53,4mm .125.10 = → = = π Exemplo 2 Determine o diâmetro dos cabos para sustentar um motor de massa de 300 kg, sabendo que ele é feito de aço, com tensão de escoamento de 220 MPa. Considere o fator de segurança de 3,0 para aplicação. 100 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 UnidadeI Figura 131 Resolução: Figura 132 ∑Fy = 0 F.sen(45º ) F.sen(45º ) 3000 0 2F.sen(45º ) 3000 3000 F 2121,32N 2.sen(45º ) + − = = = ≅ 6 adm 220.10 73,33MPa 3,0 σ = = 101 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS 5 2 6 adm F F 2121,32 A A 2,892.10 m A 73,33.10 −σ = → = → = = σ 2 5d 2.2,892. A d 2 −π= → = π d = 4,29 . 103 m = 4,29 mm Exemplo 3 Determine as áreas mínimas das seções transversais das barras 1, 2 e 3 da estrutura. As barras são de alumínio – Liga 2014-T4 (Σe = 290 MPa) e o coeficiente de segurança indicado para esta estrutura é 2,0. Figura 133 Resolução: Força axial na barra 3. Figura 134 ∑ME = 0 102 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I - RF3 x 7 + 640 x 4 = 0 RF3 = 365,7 kN RF3 é a reação na barra 3, portanto a força na barra 3 é: F3 = 365,7 kN↓ Força axial nas barras 1 e 2. Figura 135 Como as cargas estão aplicadas de forma simétrica, tem-se: 240 365,7 RF1 RF2 302,8kN 2 += = = Então, a força nas barras 1 e 2, é: F1 = F2 = 302,8 kN↓ Cálculo das áreas 6 adm 290.10 145MPa 2 σ = = F F A A σ = → = σ 103 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Barras 1 e 2: 3 3 2 1 2 6 302,8.10 A A 2,08.10 m 145.10 = = = A1 = A2 = 20,8 cm2 Barra 3: 3 3 2 3 6 365,7.10 A 2,52.10 m 145.10 = = A3 = 25,2 cm2 Resumo Nesta unidade foi apresentada uma revisão dos conceitos de força e momento. Foi feito o estudo do equilíbrio de estruturas utilizando as três equações de equilíbrio estático (somatória de forças em x, y e momento). Esses conceitos foram aplicados na construção dos diagramas de força cortante, momento fletor e de força normal. Tais diagramas serão importantes para os estudos futuros. Por fim, demonstrou-se os conceitos de tensão e deformação, inserindo a geometria e as propriedades dos materiais, iniciando o dimensionamento de peças e estruturas sujeitas a cargas que geram tensões normais de tração e compressão. Exercícios Questão 1. (Enade 2011, adaptada) Na figura a seguir, tem-se a representação de uma viga submetida a um carregamento distribuído W e a um momento externo m. A partir dessa representação, é possível determinar os diagramas do esforço cortante e do momento fletor. W m O Figura 136 104 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Assinale a opção que representa o diagrama do esforço cortante e momento fletor, respectivamente: A) B) C) D) E) Figura 137 Resposta correta: alternativa E. Análise das alternativas Para responder esta questão, é necessário saber que, no trecho onde se tem uma força distribuída de intensidade constante, o gráfico da força cortante é uma reta inclinada e, o do momento fletor, uma parábola. Nos demais, o gráfico da cortante é uma constante e o do momento fletor, uma reta. Essencial, ainda, se faz saber que na seção onde está aplicado o momento M ocorrerá uma descontinuidade no gráfico do momento. Nessa seção, o gráfico da força cortante não sofre nenhuma alteração. A) Alternativa incorreta. Justificativa: embora o gráfico da cortante pareça correto, o do momento não apresenta a descontinuidade na seção de aplicação de M e não possui a forma de parábola no trecho onde está aplicada a força distribuída. 105 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS B) Alternativa incorreta. Justificativa: embora o gráfico da cortante pareça correto, o do momento não apresenta a forma de parábola no trecho onde está aplicada a força distribuída. Além disso, nos trechos onde a cortante é constante, o gráfico do momento deve ser de linhas inclinadas e não de trechos constantes. C) Alternativa incorreta. Justificativa: embora o gráfico da cortante pareça correto, entretanto, a partir da seção onde está aplicado o momento M, esse gráfico mostra uma força cortante constante e igual a zero. Além disso, existe um trecho no diagrama de parábola no diagrama de momentos onde não existe força distribuída aplicada na barra. D) Alternativa incorreta. Justificativa: o gráfico da cortante não apresenta a forma de reta inclinada no trecho onde está aplicada a força distribuída. O gráfico do momento não apresenta a forma de parábola no trecho onde está aplicada a carga distribuída e não apresenta a descontinuidade na seção onde está o momento M. E) Alternativa correta. Justificativa: o gráfico da cortante parece estar correto, pois apresenta o trecho em forma de reta inclinada onde é aplicada a carga distribuída; é constante no restante da barra e não sofre alteração pela presença de M. O gráfico do momento apresenta a descontinuidade na seção de aplicação de M; é representado por retas inclinadas no trecho onde a cortante é constante e apresenta a forma de parábola no trecho onde está aplicada a força distribuída. Questão 2. (Enade 2014, adaptada) Um vaso de pressurização de uma linha hidráulica para pressão de 4 N/mm2, conforme ilustra a figura, tem seu bocal de inspeção com diâmetro interno de 200 mm fixada por oito parafusos de cabeça sextavada M10 x 40 com porca. Considere que tanto a tampa quanto o espelho de fixação são confeccionados em aço e que a espessura total da junta (espelho + tampa) é de 28 mm. Sabe-se que o parafuso é feito de um material cujo limite de escoamento é 540 Mpa. Figura 138 106 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Na situação descrita, qual o coeficiente de segurança dos parafusos? A) 2,00. B) 1,35. C) 5,40. D) 2,70. E) 1,00. Resolução desta questão na plataforma.6.4 Aplicação de conceitos de torção em engrenagens ............................................................138 Unidade III 7 CARACTERÍSTICAS GEOMÉTRICAS DE FIGURAS PLANAS ..............................................................150 7.1 Momento estático ..............................................................................................................................150 7.2 Centro de gravidade de uma figura plana ...............................................................................152 7.3 Momento de inércia ..........................................................................................................................161 7.4 Translação de eixos ............................................................................................................................164 7.5 Módulo resistente ..............................................................................................................................168 7.6 Raio de giração ....................................................................................................................................168 8 FLEXÃO ...............................................................................................................................................................173 7 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 APRESENTAÇÃO A disciplina Resistência dos Materiais tem como principal objetivo relacionar as cargas aplicadas a uma peça ou estrutura às deformações resultantes, projetando assim dimensões e aplicações para um funcionamento sem falhas. São apresentados ao estudante de Engenharia conceitos e fundamentos de fenômenos referentes ao projeto de corpos rígidos, o que permite associar aplicações práticas de pensamentos complexos em situações reais da vida profissional. Portanto, o objetivo geral é prover ao aluno o desenvolvimento da habilidade de análise dos fenômenos e capacitá-lo ao uso e emprego das equações fundamentais que regem os corpos rígidos. O livro-texto abordará a revisão de alguns tópicos, com ênfase mais aprofundada em: • revisão de mecânica geral; • equilíbrio das estruturas; • esforços solicitantes; • tensão e deformação. Em seguida, demonstrará novos conceitos e tratará sobre: • cisalhamento; • torção. Por fim, retratará os seguintes assuntos: • características geométricas de figuras planas; • flexão. Recomenda-se uma leitura apurada do texto, quantas vezes for preciso, para que seja adquirido o conceito apresentado. INTRODUÇÃO Este livro-texto é indicado aos alunos dos cursos de Engenharia, no qual consta a disciplina de Resistência dos Materiais. Os conceitos básicos são abordados de forma simples e objetiva para que o estudante dê início à análise estrutural e do comportamento dos materiais. 8 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 A disciplina de Resistência dos Materiais considera um conhecimento prévio em mecânica, física, matemática e, principalmente, em estática. Porém, nos capítulos iniciais, esses conceitos serão revistos. As teorias e equações apresentadas serão aplicadas em exercícios resolvidos; assim, o aluno terá um contato mais prático com os conceitos da disciplina. 9 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Unidade I 1 REVISÃO DE MECÂNICA GERAL – ESTÁTICA Figura 1 O estudo da Mecânica é dividido em três grandes áreas de conhecimento: Mecânica dos Corpos Rígidos, Mecânica dos Corpos Deformáveis e Mecânica dos Fluídos. A resistência dos materiais se baseia nas leis da Estática e será aplicada para corpos rígidos e corpos deformáveis. A Estática está fundamentada na primeira e terceira leis de Newton, que compreendem corpos rígidos sob ação de forças em equilíbrio. Desta maneira, será feita uma revisão de conceitos de grandezas vetoriais (força e momento). O estudo dos efeitos de uma ou várias forças sobre um corpo é de extrema importância em resistência dos materiais, uma vez que, em todo projeto de Engenharia, o efeito das forças sobre a peça ou estrutura definirá um funcionamento sem apresentar falha. • Força: segundo as leis de Newton, define-se força como a ação de um corpo sobre outro. É utilizado para sua representação, o conceito vetorial; portanto, a força tem um ponto de aplicação, intensidade, direção e sentido: Equação: F m.a= Quando a força é aplicada a um corpo, pode provocar deformação e/ou movimento. Um dos conceitos mais utilizados é o da força peso. • Peso: é força que existe sobre todos os corpos, sendo exercida sobre eles por meio do campo gravitacional da Terra, conforme figura a seguir: 10 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Peso: características vetoriais Direção: vertical Sentido: de cima pra baixo Ponto de aplicação: centro de gravidade do corpo Figura 2 – Força peso Consequentemente, cuidados devem ser utilizados para não se confundir massa e peso, porque, enquanto o peso de um corpo muda de acordo com a gravidade, o da massa nunca varia, ou seja, é constante. 1.1 Sistema internacional de medidas (SI) Para padronizar as unidades de medida de várias grandezas, é adotado o SI. O quadro a seguir apresentará valores, definidos como básicos, e também os valores estabelecidos a partir deles, denominados derivados. Quadro 1 – Unidade de medidas do Sl Grandeza Unidade Símbolo Comprimento Metro m Massa Quilograma kg Tempo Segundo s Força Newton N = kg.m/s2 Peso Newton N = kg.m/s2 Pressão Pascal Pa = N/m2 Tensão Pascal Pa = N/m2 A utilização de unidades maiores ou menores que a do SI pode ser acompanhada de múltiplos e submúltiplos das referidas unidades mediante o emprego dos prefixos SI. Vejamos alguns exemplos. Quadro 2 – Múltiplos e submúltiplos da unidade Prefixos Símbolo Fator Giga G 109 Mega M 106 Quilo K 103 Deci D 10-1 Centi C 10-2 Mili M 10-3 11 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Como dito, a força é uma grandeza vetorial, e conceitos de mecânica vetorial serão apresentados. Lembrete As unidades mais comumente utilizadas para força são: Newton (N) ou Quilograma-força (kgf), em que 1 kgf é aproximadamente 10 N. Elas devem ser representadas no Sistema Internacional de Medidas (SI). 1.2 Resultante de uma força Quando temos várias forças sendo aplicadas a um corpo determinado, a força resultante (efeito de uma só força) ajuda no estudo de seus efeitos sobre o corpo. A força resultante pode ser determinada por composição ou decomposição das forças. 1.2.1 Composição de forças A soma ou subtração de forças somente será feita se elas estiverem na mesma direção, encontrando sua resultante. Figura 3 – Composição de forças Portanto, forças com a mesma direção e sentido são somadas, enquanto aquelas com a mesma direção e sentidos opostos são subtraídas. 1.2.2 Decomposição de forças Forças com direções diferentes da sua resultante podem ser encontradas através da decomposição daquelas que talvez estejam no plano (direções x e y) ou no espaço (direções x, y e z), como demonstrado a seguir: Figura 4 – Forças no espaço 12 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Para essa situação, utiliza-se a resultante Fr ou suas componentes Fx, Fy e Fz para o estudo do efeito no corpo. De maneira geral, o efeito das forças no plano é a maneira mais utilizada para análise de problemas envolvendo forças. F = força a ser decomposta α = ângulo formado por F em relação ao eixo x Fx, Fy = componentes nas direções x e y Figura 5 – Forças no plano Utilizando a trigonometria, tem-se para essa situação: ( ) ( ) ( ) Fx F cos Fy Fsen Fy tg Fx = α = α = α Pelo Teorema de Pitágoras, a resultante fica: 2 2F Fx Fy= + Exemplo 1 Dadas duas forçassobre um parafuso, determine a resultante atuando: 13 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Figura 6 Resolução: Como a força resultante é dada por 2 2F Fx Fy= + , tem-se que calcular a componente das duas forças em relação a x (Fx) e a y (Fy). Fx1 = F1cos(15º) = 200 * 0,96 ≅ 192 kN Fx2 = F2cos(35º + 15º) = F2cos(50º) = 50 * 0,64 ≅ 32 kN Fx = Fx1 + Fx2 ≅ 224 kN Fy1 = F1sen(15º) = 200 * 0,25 ≅ 50 kN Fy2 = F2sen(35º + 15º) = F2sen(50º) = 50 * 0,76 ≅ 38 kN Fy = Fy1 + Fy2 ≅ 88 kN Logo, a força resultante é: 2 2F 224 88 240,66kN= + ≅ 14 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Portanto, podem-se substituir as duas forças (F1 e F2) por uma única F . Porém, qual seria o ângulo que essa nova força resultante teria sobre o parafuso: 15º, 35º ou um novo ângulo? Figura 7 Utilizando a relação trigonométrica, temos: tg cateto oposto cateto adjacente Fy Fx ( ) ,α = = = =88 224 0 392 arctg(0,392) ≅ 21,40º Ou seja, pode-se substituir o efeito das duas forças por uma única de aproximadamente 240,66 kN, com um ângulo de 21,40º. Exemplo 2 Verifique se o sistema de forças está em equilíbrio: Figura 8 Resolução: Em um sistema de forças em equilíbrio, a somatória de todas as forças em x e y são iguais a zero. 15 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS ∑Fx = 0 ∑Fy = 0 Fx = - F1cos(60º) - F2sen(30º) + F4 = - 10 - 5 + 15 = 0 Fy = + F1sen(60º) - F2cos(30º) - F3 = 17,32 - 8,66 - 8,66 = 0 Sim, o sistema está em equilíbrio de forças. Exemplo 3 Determine as forças nos cabos para manter o motor em equilíbrio: Figura 9 Resolução: Transformando nosso sistema de eixos x e y, temos: 16 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Figura 10 Lembrando que P = m . a = 100 . 10 = 100 N Para manter o sistema em equilíbrio, a somatória das forças em x e y tem que ser igual a zero, então: ∑Fx = 0 → FAcos(25º) - FBcos(65º) = 0 (1) ∑Fy = 0 → -FAsen(25º) + FBsen(65º) = 0 (2) isolando FA na equação (1), tem-se: FBcos(65º ) FA FA 0,466FB cos(25º ) = → = (3) Substituindo FA da equação (3) na equação (2): - 0,466FB . sen(25º) + FBsen(65º) - P = 0 - 0,466FB + 0,906FB - 1000 = 0 - 0,196FB + 0,906FB = 1000 0,71FB = 1000 FB ≅ 1408,45 N Substituindo FB na equação (3): FA = 0,466 . 1408,45 ≅ 656,33 N FA = 656,33 N FB = 1408,45 N 17 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS 1.3 Momento estático Momento é definido como a grandeza física que dá a medida da tendência de uma força “F” provocar rotação em torno de um eixo fixo. A determinação do deve levar em consideração o módulo da força “F” e a distância da força em relação ao eixo fixo. Figura 11 – Força e momento O momento escalar é determinado como a relação do vetor “F”, que atua sobre um corpo rígido fixo no ponto “O”, da seguinte maneira: Equação: M = Fxd onde: M é o momento escalar; O é o polo ou o centro de momento; d é a distância perpendicular de “O”, a linha de ação de “F”. A unidade de momento é força vezes distância, portanto, no SI: M=N.m (Newton metro). A fim de entender melhor o efeito da força em relação ao eixo fixo, um bom exemplo é a aplicação da força para se abrir uma porta. 18 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Figura 12 – Efeito da força sobre um eixo fixo Lembrete Para cálculo do momento, força e distância devem formar um ângulo de 90º. Na figura é possível ver duas forças, uma na direção tangencial à distância do eixo fixo (F1), e outra perpendicular à distância do eixo fixo (F2). A força F1 tem efeito de compressão sobre a porta, não tendo efeito giro. Já a F2, quando aplicada à maçaneta, faz com que a porta gire em torno do eixo fixo, abrindo ou fechando. Quanto maior a distância de aplicação da força em relação ao eixo fixo, maior será o momento; por isso, quanto maior a distância da maçaneta da porta (posição A), mais fácil a sua abertura. Esse mesmo conceito pode ser aplicado na troca de um pneu de carro: quanto maior for a barra da ferramenta, menor o esforço para girar o parafuso. No exemplo apresentado, o efeito da força faz com que o objeto gire em torno de um eixo fixo. Porém, no curso de Resistência dos Materiais, projetam-se peças ou estruturas resistentes a esse giro, ou seja, a aplicação da força não necessariamente trará giro ao corpo. 19 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Exemplo 1 Determine o momento da força em relação ao ponto “O” em cada uma das barras: a) F = 300 N 5 m O Figura 13 Solução: M = F x d M = 300 x 5 M = 1500 N . m Neste momento é importante determinar o sentido de giro da estrutura. Como ela está travada no ponto “O”, a tendência de giro é no sentido horário, lembrando que a estrutura não irá fazê-lo, trata-se apenas de sua tendência. b) 5 m 3 m O F = 300 N Figura 14 20 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Resolução: M = F x d M = 300 x 3 M = 900 N . m sentido horário Linha de ação da força F F = 300 N 3 m 5 m O Figura 15 Observe que, se unirmos a linha de ação de “F” com a distância de 5 m, não teremos um ângulo de 90º. Portanto, a distância que gera momento é de 3 m. c) F = 300 N F = 200 N 3 m 5 m O Figura 16 21 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Observação Neste exemplo têm-se duas forças, logo, deve-se considerar o efeito delas sobre o eixo “O”. Este livro-texto sempre irá considerar como positivo o sentido anti-horário, nada impedindo que se adote o contrário. Os resultados encontrados invariavelmente serão os mesmos. y+ x+ +M Figura 17 Resolução: M = F x d M = -300 x 3 - 200 x 5 M = -1900 O sinal negativo mostra o sentido de giro; uma vez que foi adotado anti-horário como positivo, temos que o sentido real de giro é horário. Assim, será dada uma resposta positiva. M = 1900 N . m sentido horário d) F = 300 N F = 500 N 3 m 2,5 m 2,5 m O Figura 18 22 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Resolução: M = F x d M = -300 x 3 + 500 x 2,5 M = + 350 M = 350 N . m sentido anti-horário e) 100 kN 40º 4 m3 m O Figura 19 Resolução: Neste exemplo tem-se uma força com ângulo de 40º. Para o cálculo do momento, é necessário efetuar a decomposição da força nas direções x e y. 100 kN 40º 4 m3 m O Figura 20 Fx = F . cos(40º) = 100 . 0,766 ≅ 76,6 kN Fy = F . sen(40º) = 100 . 0,642 ≅ 64,2 kN 23 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Pode-se se observar que a linha de ação da força Fx não forma ângulo de 90º, não gerando momento. Já a decomposição da força em relação ao eixo y, configura um ângulo de 90º e será utilizada para o cálculo do momento. M = F x d = - 64,2 x 3 ≅ - 192,6 M ≅ 192,6 N . m sentido horário f) F1 = 250 N 2 m 5 m 30º O 60º 3 m 36,87º F2 = 300 N F3 = 500 N Figura 21 Resolução: Decompondo-se as forças em relação a x e y, utilizando somente aquelas que geram momento, tem-se: M = F x d M = - F1cos(30º) x 2 - F2sen(60º) x 5 - F3cos(36,87º) x 5 + F3sen(36,87º) M ≅ - 433,04 - 1299,03 + 2000 - 1200 M ≅ - 2532 M ≅ 2532 N . m sentido horário 24 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Saiba mais Para o estudo de Mecânica Geral, é importante que o aluno entenda o significado de alguns conceitos e princípios fundamentais, tais como: unidades, modelos e leis de movimento e equilíbrio.A fim de conhecer mais a respeito, leia: HIBBELER, R. C. Estática: mecânica para engenharia. 12. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. 2 EQUILÍBRIO DAS ESTRUTURAS Figura 22 Ao olhar a seu redor, é possível encontrar uma infinidade de estruturas. Elas estão presentes em vários formatos: máquinas, automóveis, aviões, edifícios e até mesmo no corpo humano, na forma de ossos, músculos, tendões etc. Trata-se de sistemas compostos de uma ou mais peças, ligadas entre si e ao meio exterior, constituindo um conjunto estável. O comportamento de uma estrutura independe de sua finalidade, e os mesmos conceitos são utilizados nas diversas áreas de conhecimento, ou seja, idêntica teoria que explica o funcionamento de uma estrutura mecânica aplica-se, por exemplo, àquelas civis, navais ou aeronáuticas. 2.1 Classificação das estruturas As estruturas podem ser classificadas em três principais grupos dependendo de sua geometria, ou seja, em função das dimensões de comprimento, espessura e altura. São elas: • Unidimensionais: uma dimensão predomina sobre as outras. Por exemplo: vigas, treliças, pilares e colunas. 25 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Figura 23 – Barra unidimensional • Bidimensionais: duas dimensões predominam sobre a terceira. Por exemplo: placas, lajes e chapas. Figura 24 – Chapa bidimensional • Tridimensionais: três dimensões têm a mesma ordem de grandeza. Por exemplo: barragens e blocos. Figura 25 – Bloco tridimensional 26 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Observação Há também a classificação quanto ao seu equilíbrio estático: sendo isostáticas, hipostáticas e hiperestáticas. Para as duas primeiras, os esforços internos e externos são determinados utilizando-se as três equações de equilíbrio estático (ΣFx=0, ΣFy=0, ΣM=0). Para as estruturas hiperestáticas, somente as três equações de equilíbrio não determinam os esforços. Este livro-texto abordará somente problemas isostáticos ou hipostáticos. 2.2 Vínculos ou apoios Para uma estrutura em equilíbrio estático, quando a somatória de todas as forças aplicadas a ela é zero, deve-se impedir o deslocamento de pontos da estrutura, introduzindo vínculos (barreiras). Os pontos impedidos de deslocamento reagirão às forças aplicadas à estrutura em sentido contrário. O objetivo aqui é determinar o valor dessa força conhecida, como reação de apoio. No plano, um corpo rígido qualquer tem três graus de liberdade de movimento: deslocamento em duas direções e rotação. Dependendo do tipo de apoio, ele impedirá tais movimentos. 2.2.1 Apoio simples ou de primeiro gênero Esse tipo de apoio trava a estrutura em uma única direção, portanto, tem-se apenas uma reação. Figura 26 – Apoio simples Para facilitar a representação, utilizam-se as seguintes simbologias: Figura 27 – Representações de apoio simples 27 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Como exemplo de movimento, tem-se o skate: pode-se movimentá-lo para frente e para trás e girar, porém, se o skatista ficar parado em cima, haverá uma reação no sentido contrário, impedindo o deslocamento para baixo. 2.2.2 Articulação ou apoio de segundo gênero Esse tipo de apoio trava a estrutura em duas direções, portanto têm-se duas reações de apoio. Figura 28 – Apoio de segundo gênero e sua representação Como exemplo, tem-se a dobradiça da porta, para a qual o único movimento possível é o de rotação. Ela impede os movimentos para baixo e para cima, assim como para frente e para trás. 2.2.3 Engate ou apoio de terceiro gênero Esse tipo de apoio trava a estrutura em três direções, logo, têm-se três reações de apoio. Nesse tipo de vínculo é necessário calcular o momento. Figura 29 – Apoio de terceiro gênero e sua representação Como exemplo de movimento, tem-se um poste enterrado no solo: todos os movimentos estão impedidos. 2.3 Tipos de carregamento Segundo Philpot (2013), em geral, vários tipos de cargas são suportados pelas estruturas. Aquelas que atuam em um pequeno comprimento são denominadas cargas concentradas. As cargas de pilares (colunas) ou de outros elementos, assim como as forças de reações de apoio, são representadas 28 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I tipicamente por cargas concentradas. As cargas concentradas também podem representar cargas por roda de veículos ou as forças aplicadas por equipamentos à estrutura. As cargas que se estendem ao longo de uma parte da estrutura são denominadas cargas distribuídas. Aquelas que possuem módulo constante são denominadas cargas uniformemente distribuídas. Exemplos delas incluem o peso da laje de um piso de concreto ou as forças resultantes da ação do vento. Em alguns casos, a carga pode ser linearmente distribuída, o que significa que a carga distribuída, como o próprio termo sugere, tem seu módulo variando de modo uniforme ao longo do vão de carregamento. Pressões de neve, de solo e de fluidos são exemplos de considerações que podem criar cargas linearmente distribuídas. Uma estrutura também pode estar sujeita aos momentos concentrados, que tendem a flexioná-la e a girá-la. Com frequência, eles são criados por outros elementos que se conectam à estrutura principal. Carga concentrada Carga uniformemente distribuída Carga linearmente distribuída Momento concentrado (carga momento) Figura 30 – Símbolos usados para vários tipos de cargas 2.4 Cálculo de reações de apoio Para o cálculo das reações de apoio, serão utilizados os conceitos de estática, ou seja, um corpo está em equilíbrio quando a resultante de todas as forças que nele atuam forem nulas. ∑Fx = 0 ∑Fy = 0 ∑M = 0 Serão utilizados exemplos para melhor explicar o procedimento do cálculo das reações de apoio. 29 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Exemplo 1 Calcule as reações de apoio da estrutura: 100 kN 4 m4 m B A Figura 31 Resolução: A fim de facilitar o desenvolvimento do exercício, é possível colocar todas as forças em um diagrama, chamado diagrama de corpo livre (DCL). Ray Rby Rbx 100 kNDCL Figura 32 Lembrando que do lado A temos um vínculo de primeiro gênero, e do lado B, de segundo gênero. Portanto, precisamos determinar o valor das reações causadas por tais vínculos. Observação Este livro-texto sempre adotará o seguinte sistema de eixos: y+ x+ +M Figura 33 30 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I O procedimento utilizado para resolver esses tipos de exercício será: 1) A somatória de forças em x deve ser igual a zero (sistema em equilíbrio). ∑Fx = 0 Como há somente RBx na direção x, então: Rbx = 0 2) A somatória de forças em y deve ser igual a zero (sistema em equilíbrio). ∑Fy = 0 Em y, têm-se: Ray + Rby - 100 = 0 Ray + Rby = 100 Por enquanto, não é possível determinar as reações devido às duas incógnitas. 3) A somatória de momento em um ponto deve ser igual a zero (sistema em equilíbrio). Pode-se escolher qualquer trecho, geralmente seleciona-se aquele onde estão as duas reações de apoio. Neste caso, o ponto B. ∑MB = 0 Rayx8 100x4 0 Rayx8 100x4 100x4 Ray 8 Ray 50kN − + = − = − = = 4) Após a determinação de uma das reações de apoio através da equação de momento, volta-se à somatória de forças em y para determinar a faltante, portanto: Ray + Rby =100 50 + Rby =100 Rby = 100 - 50 31 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Rby = 50 kN Ray = 50 kN Rby = 50 kN Neste exemplo, pode-se perceber que há uma força no centro da estrutura; a força se distribuirá igualmente para os dois lados (A e B). Exemplo 2 Calcule as reações de apoio da estrutura:100 kN200 kN 3 m2 m 3 m B A Figura 34 Resolução: Ray Rby Rbx 200 kN 100 kNDCL Figura 35 1) ∑Fx = 0 Rbx = 0 2) ∑Fy = 0 Ray + Rby - 200 -100 = 0 Ray + Rby = 300 3) ∑MB = 0 32 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Rayx8 200x6 100x3 0 Rayx8 200x6 100x3 1500 Ray 8 Ray 187,5kN − + + = − = − − = = 4) Ray + Rby =300 187,5 + Rby =300 Rby = 300 - 187,5 Rby = 112,5 kN Ray = 187,5 kN Rby = 112,5 kN Exemplo 3 Calcule as reações de apoio da estrutura: 8 m 2 m 150 kN 35º BA Figura 36 Ray Rby Rax 150 kN DCL Fx Fy Figura 37 Fx = Fcos(35º) ≅ 150 x 0,82 ≅ 123 kN 33 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Fy = Fsen(35º) ≅ 150 x 0,57 ≅ 85,5 kN 1) ∑Fx = 0 Rax - 123 = 0 Rax = 123 kN 2) ∑Fy = 0 Ray + Rby - 85,5 = 0 Ray + Rby = 85,5 Lembrete Sempre que se tiver uma força inclinada, ela deverá ser decomposta nos eixos x e y para análise de seus efeitos sobre a estrutura. 3) Neste exemplo será encolhido o ponto A para somatória de momentos. ∑MA = 0 Rbyx10 85,5x8 0 Rbyx10 85,5x8 684 Rby 10 Rby 68,4kN − + = − = = = 4) Ray + Rby =85,5 Ray + 68,4 =85,5 Ray = 85,5 - 68,4 Ray = 17,1 kN Ray = 123 kN 34 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Ray = 17,1 kN Rby = 68,4 kN Exemplo 4 Calcule as reações de apoio da estrutura: Q = 50 kN/m 4 m A B Figura 38 A carga está uniformemente distribuída; sempre que ela estiver assim, deverá ser concentrada. Para concentrá-la, deve-se calcular a área da carga distribuída. Note que a carga representa um retângulo, em que o valor é a altura. A carga concentrada é encontrada multiplicando-se o comprimento da carga pelo seu valor. Ray Rby Rax 50 x 4 = 200 kN 2 m 2 m DCL Figura 39 O ponto de aplicação da carga concentrada deve ser no centro geométrico da figura, no caso do retângulo na metade do comprimento total da carga distribuída. Atenção, esse ponto não fica no centro da estrutura, mas no centro da carga distribuída. Uma vez que a carga foi concentrada, o exercício fica semelhante aos anteriores. 1) ∑Fx = 0 Rax = 0 35 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS 2) ∑Fy = 0 Ray + Rby - 200 = 0 Ray + Rby = 200 3) ∑MA = 0 Rbyx4 200x2 0 Rbyx4 200x2 400 Rby 4 Rby 100kN − = = = = 4) Ray + Rby = 200 Ray + 100 = 200 Ray = 200 - 100 Ray = 100 kN Rax = 0 kN Ray = 100 kN Rby = 100 kN Exemplo 5 Calcule as reações de apoio da estrutura: Q = 50 kN/m 5 m 6 m A B Figura 40 36 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Ray Rby Rax 50 x 6 = 300 kN 8 m 3 m DCL Figura 41 1) ∑Fx = 0 Rax = 0 2) ∑Fy = 0 Ray + Rby - 300 = 0 Ray + Rby = 300 3) ∑MA = 0 Rbyx11 300x8 0 Rbyx11 300x8 2400 Rby 11 Rby 218,18kN − = = = = 4) Ray + Rby = 300 Ray + 218,18 = 300 Ray = 300 - 218,18 Ray = 81,82 kN Rax = 0 kN Ray = 81,82 kN Rby = 218,18 kN 37 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Exemplo 6 Calcule as reações de apoio da estrutura: Q = 30 kN/m 100 kN 5 m 3 m 0,5 m2 m A B Figura 42 Ray Rby Rax 3 x 30 = 90 kN100 kN 6,5 m 2 m2 m DCL Figura 43 1) ∑Fx = 0 Rax = 0 2) ∑Fy = 0 Ray + Rby - 100 - 90 = 0 Ray + Rby = 190 3) ∑MA = 0 Rbyx10,5 90x8,5 100x2 0 Rbyx10,5 90x8,5 100x2 965 Rby 10,5 Rby 91,90kN − − = = + = = 38 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I 4) Ray + Rby = 190 Ray + 91,90 = 190 Ray = 190 - 91,90 Ray = 98,10 kN Rax = 0 kN Ray = 98,10 kN Rby = 91,90 kN Exemplo 7 Calcule as reações de apoio da estrutura: Q = 60 kN/m 6 m A B Figura 44 A carga é linearmente distribuída e a figura geométrica é um triângulo. Portanto, para calcular a carga concentrada, deve-se determinar a área do triângulo, em que o valor da carga é a altura do triângulo. Ray Rby Rax 4 m = 2 m = 180 kNDCL 6 3 6 x 60 2 Figura 45 39 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Como a carga tem a forma de triângulo, seu ponto de aplicação fica no centro geométrico do triângulo, ou seja, é o valor da base (comprimento da carga) dividido por 3. Uma vez que a carga foi concentrada, o exercício fica semelhante aos anteriores. 1) ∑Fx = 0 Rax = 0 2) ∑Fy = 0 Ray + Rby - 180 = 0 Ray + Rby = 180 3) ∑MA = 0 Rbyx6 180x4 0 Rbyx6 180x4 720 Rby 6 Rby 120kN − = = = = 4) Ray + Rby = 180 Ray + 120 = 180 Ray = 180 - 120 Ray = 60 kN Rax = 0 kN Ray = 60 kN Rby = 120 kN 40 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Exemplo 8 Calcule as reações de apoio da estrutura: 4 mA B4 m 40 kN . m Figura 46 Ray Rby Rax 40 kN . m 4 m 4 m DCL Figura 47 Neste exemplo, tem-se um momento concentrado de 40 kN.m; consequentemente, o procedimento adotado para o cálculo das reações de apoio será igual. O cuidado que se deve ter é que o momento independe da distância: em qualquer ponto em que for calculado na estrutura, seu valor será de 40 kN.m. 1) ∑Fx = 0 Rax = 0 2) ∑Fy = 0 Ray + Rby = 0 Apesar de não haver força em y, não significa que as reações sejam nulas. A soma das duas é que será zero, ou seja, elas terão sentidos opostos. 3) ∑MA = 0 Rbyx8 40 0 Rbyx8 40 40 Rby 8 Rby 5 + = = − −= = − 41 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS No início do exemplo, considerou-se no DCL o sentido de Rby para cima. Ao encontrar o valor negativo de Rby, não é que as contas estejam erradas, mas o sentido de Rby. Portanto, basta indicar no final do exemplo o sentido correto de B. Rby = 5 kN↓ 4) Como já se sabe, o sentido de Rby adotará o valor negativo para Rby (pois aponta o contrário ao eixo considerado positivo de y). Ray - Rby = 0 Ray - 5 = 0 Ray = 5 kN Rax = 0 kN Ray = 5 kN↑ Rby = 5 kN↓ Exemplo 9 Calcule as reações de apoio da estrutura: 100 kN 4 m Figura 48 Ray Rax 100 kN 4 m DCL Ma Figura 49 42 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Neste exemplo, a estrutura está engastada, ou seja, possui vínculo de terceiro gênero. Além de calcular as reações em x e y, tem-se uma terceira reação a ser calculada, o momento (Ma). O sentido de Ma pode ser escolhido aleatoriamente: se ao final dos cálculos ficar positivo, estará correto, caso contrário, basta invertê-lo. Para tanto, pode-se ver que a força de 100 kN tem a tendência de fazer a estrutura girar no sentido horário; como Ma é uma reação, ela deverá ser contrária. Um cuidado a ser tomado é que a estrutura esteja vinculada somente em A, não havendo reações em outro ponto. 1) ∑Fx = 0 Rax = 0 2) ∑Fy = 0 Ray - 100 = 0 Ray = 100 kN 3) ∑MA = 0 - 100 x 4 + Ma = 0 Ma = 100 x 4 Ma = 400 kN . m Rax = 0 kN Ray = 100 kN Ma = 400 kN . m 43 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Exemplo 10 Calcule as reações de apoio da estrutura: Q = 25 kN/m 8 m Figura 50 Ray Rax 200 kN 4 m 4 m DCL Ma Figura 51 1) ∑Fx = 0 Rax = 0 2) ∑Fy = 0 Ray - 200 = 0 Ray = 200 kN 3) ∑MA = 0 - 200 x 4 + Ma = 0 Ma = 200 x 4 Ma = 800 kN . m Rax = 0 kN Ray = 200 kN Ma = 800 kN . m 44 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Nos exemplos seguintes, serão calculadas as reações de apoio às estruturas denominadas pórticos. Exemplo 11 Calcule as reações de apoio da estrutura: Figura 52 Figura 53 45 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAISSerá adotado o mesmo procedimento dos exemplos anteriores. 1) ∑Fx = 0 Rax - 10 = 0 Rax = 10 kN 2) ∑Fy = 0 Ray + Rby - 20 = 0 Ray + Rby = 20 3) ∑MA = 0 Rbyx4 20x2 10x3 0 Rbyx4 10 10 Rby 4 Rby 2,5kN − + = = = = 4) Ray + Rby = 20 Ray + 2,5 = 20 Ray = 20 - 2,5 Ray = 17,5 kN Rax = 10 kN Ray = 17,5 kN Rby = 2,5 kN 46 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Exemplo 12 Calcule as reações de apoio da estrutura: Figura 54 Figura 55 1) ∑Fx = 0 Rax + 30 = 0 Rax = - 30 47 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Como o valor da reação em x ficou negativa, isso indica que o sentido adotado no DCL está errado, portanto: Rax = 30 kN ← 2) ∑Fy = 0 Ray + Rby - 30 - 25 - 20 = 0 Ray + Rby = 75 3) ∑MA = 0 Rbyx5 20x6 25x3 30x1 30x1,5 0 Rbyx5 180 180 Rby 5 Rby 36kN − − − + = = = = 4) Ray + Rby = 75 Ray + 54 = 75 Ray = 75 - 54 Ray = 21 kN Rax = 30 kN← Ray = 21 kN Rby = 54 kN Exemplo 13 Uma empilhadeira de 2.700 kg é usada para levantar um caixote de 1.500 kg. Determine a reação em cada uma das duas (a) rodas dianteiras A e (b) traseiras B. 48 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I 0,4 m 0,6 m A B G’ G 0,3 m Figura 56 Para o exemplo, tem-se o seguinte DCL: Figura 57 Cuidado com o valor da força que deve ser transformada em Newton. Para simplificação, a gravidade será adotada com 10 m/s2. ∑Fx = 0 Ray + Rby - 15 - 28 = 0 Ray + Rby = 43 ∑MB = 0 49 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS 15x1,3 Rayx0,9 28x0,3 0 Rayx0,9 27,9 27,9 Rby 0,9 Rby 31kN − + = = = = Ray + Rby = 46 Ray - 31 = 46 Ray = 12 kN Como a empilhadeira possui duas rodas dianteiras e duas traseiras, as reações são divididas por dois. A reação na roda dianteira é de 6 kN, com 15,5 kN na traseira. 3 ESFORÇOS SOLICITANTES Anteriormente foi demonstrado o efeito da aplicação de forças externas em um ponto e o que ele gerava em outro local (reações de apoio). Estudaremos o efeito dessa força internamente na estrutura. As forças internas podem gerar forças de tração ou compressão (forças normais), forças cortantes (cisalhantes) e momentos internos (momento fletor). Para o projeto de uma estrutura, deve-se estudar o efeito da força ao longo da estrutura, que varia com o seu comprimento. Uma das maneiras de estudar o comportamento das forças internas ao longo da estrutura é com a utilização de diagramas de força cortante, diagrama de momento fletor e diagrama de força normal. Os diagramas expressam os valores de forças cortantes, momentos fletores e forças normais como funções de uma posição arbitrária x ao longo da estrutura. Com as suas respectivas equações, é possível determinar seus valores para qualquer ponto ao longo da estrutura. Tais informações são úteis aos engenheiros, para estabelecer os pontos de máximo valor das forças e definir onde colocar materiais de reforço. A construção de diagramas será abordada através de exemplos de aplicação. No início, serão apresentados os diagramas de força cortante e momento fletor; ao final, o diagrama de força normal. 3.1 Força cortante (V) Esforço cortante é a força perpendicular à peça, que é calculada a partir da tensão cisalhante sobre ela. O efeito do esforço cortante é o de provocar o deslizamento linear, no sentido do esforço, de uma seção sobre a outra infinitamente próxima, acarretando o corte ou cisalhamento da peça. É indicado pela letra “V”. 50 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I O exemplo a seguir ilustra como o esforço cortante atua em uma barra qualquer. Figura 58 – Força cortante 3.2 Momento fletor (M) O momento fletor é definido como a soma vetorial dos momentos provocados pelas forças externas de um dos lados da seção tomada como referência em relação a um eixo nela contido, no caso, o eixo z. O momento fletor tende a flexionar a peça, como resultado de tensões normais de sinais contrários na mesma seção, ou seja, tende a fazer a seção girar sobre um eixo localizado no seu próprio plano, comprimindo uma parte e distendendo a outra. O momento fletor é indicado pela letra “M”. Figura 59 – Momento fletor 3.3 Convenção de sinais Para a construção dos diagramas de força cortante e momento fletor, é importante definir uma convenção de sinais antes de determinar as equações que definirão os esforços internos. Este livro-texto seguirá a seguinte convenção de sinais: 51 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Figura 60 – Convenção de sinais Para melhor entendimento, resolveremos os exercícios sempre utilizando a convenção demonstrada na figura à esquerda, ou seja, um esforço cortante interno positivo de baixo para cima e um momento fletor positivo no sentido anti-horário. Nada impede que se utilize a convenção mostrada na figura à direita. 3.4 Diagrama de força cortante (V) e momento fletor (M) Os exemplos a seguir demonstrarão de forma prática a construção dos diagramas de força cortante (V) e momento fletor (M). Saiba mais Para determinar a magnitude e o sentido da força cisalhante e do momento fletor em uma seção arbitrária da peça, aplica-se o método das seções, que consta em: UGURAL, A. C. Mecânica dos materiais. Rio de Janeiro: LTC, 2009. Exemplo 1 Construa o diagrama de força cortante (V) e momento fletor (M) para seguinte estrutura: 100 kN 4 mA B4 m Figura 61 52 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Resolução: Para facilitar a resolução do exemplo, será seguido um roteiro de cálculo. 1) Determine as reações de apoio. Observação Este é um passo importante, pois, caso as reações sejam determinadas de forma incorreta, todos os cálculos estarão errados. Ray Rby Rbx 100 kNDCL Figura 62 ∑Fx = 0 Rbx = 0 ∑Fy = 0 Ray + Rby - 100 = 0 Ray + Rby = 100 ∑MB = 0 - Rayx8 + 100 x 4 = 0 Ray = 50 kN Ray + Rby = 100 50 + Rby = 100 Rby = 50 kN 53 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Ray = 50 kN Rby = 50 kN Rbx = 0 2) O próximo passo a ser seguido é fazer cortes na estrutura e introduzir os esforços internos. Eles devem ser realizados antes e depois de uma carga concentrada, lembrando que as reações de apoio são cargas concentradas. O corte é executado em uma posição arbitrária e desconhecida. 100 kN 4 m4 m a A Bb a b Figura 63 É necessário iniciar pelo corte a-a. As equações que serão encontradas estão no intervalo entre 0 ≤ x ≤ 4, onde 0 representa o início da estrutura. Ray = 50 kN M+ V+ x Figura 64 Para determinar a força cortante (V), será calculada a somatória de forças em y. ∑Fy = 0 50 - V = 0 Portanto, V = 50 kN 54 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Essa equação será utilizada para a construção do diagrama de força cortante. Para determinar o momento fletor (M), será calculada a somatória de momentos no corte. ∑Ma - a = 0 - 50 . x + M = 0 Consequentemente, M = 50 . xkN . m Uma verificação importante pode ser feita: a derivada do momento M é igual a cortante V. Caso contrário, há algum erro. Ao finalizar o corte a-a, passe ao corte b-b. Ray = 50 kN 100 kN x x - 44 m b b V+ M+ Figura 65 Para esse segundo corte, a estrutura deve ser novamente desenhada, desconsiderando o corte a-a. As novas equações que forem encontradas valem no intervalo entre 4 ≤ x ≤ 8; o intervalo de valores de x deve ser acumulado, ou seja, onde um intervalo terminar, outro deve começar. Neste exemplo, como temos dois cortes, o término será o final da estrutura. A distância precisa ser sempre do início da estrutura atéo corte e vale x. Como já se conhece a distância do início até a carga de 100 kN e o seu comprimento total é x, a parte que falta da força até o corte é x-4. Procedendo como no corte anterior, determinam-se as equações de força cortante e momento fletor. 55 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS ∑Fy = 0 50 - 100 - V = 0 V = - 50 kN ∑Mb - b = 0 - 50 . x + 100 . (x - 4) + M = 0 - 50 . x + 100 . x - 400 + M = 0 M = - 50 . x + 400 Resumindo: Tabela 1 Intervalo Cortante (V) (kN) Momento fletor (M) (kN.m) 0 ≤ x ≤ 4 V = 50 M = 50 . x 4 ≤ x ≤ 8 V = - 50 M = - 50 . x + 400 3) Construção do diagrama de força cortante e momento fletor. Figura 66 Para construção do diagrama de força cortante, observa-se que, no intervalo entre 0 ≤ x ≤ 4, a equação é constante a 50 kN. No intervalo, em que há cargas concentradas sempre, o valor da cortante será constante. O mesmo ocorre no intervalo 4 ≤ x ≤ 8. 56 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I A equação para a construção do diagrama de momento fletor é linear, ou seja, uma reta. Para a construção de uma reta, são necessários dois pontos. O ideal é que sejam usados os pontos de início e fim de intervalo. 0 ≤ x ≤ 4 M = 50 . x para x = 0 → M = 50 . 0 = 0 para x = 4 → M = 50 . 4 = 200 Marcando os dois pontos no diagrama e ligando-os com uma reta, tem-se a primeira parte do diagrama. 4 ≤ x ≤ 8 M = - 50 . x + 400 para x = 4 → M = -50 . 4 + 400 = 200 para x = 8 → M = -50 . 8 + 400 = 0 Assinalando os dois pontos no diagrama e ligando-os com uma reta, tem-se a segunda parte do diagrama. Observação No diagrama de momento fletor, o valor de x onde um intervalo termina é igual onde outro começa, portanto, nesse ponto, ambas as equações encontradas devem ter o mesmo valor, ou seja, substituindo o valor 4 nas equações dos dois intervalos, encontra-se o valor 200 kN.m. Esta é uma maneira de conferir se as equações estão corretas, o que ocorre somente se não houver momento concentrado na estrutura. Tal situação será estudada em exemplos posteriores. Em estruturas com apoios de primeiro e segundo gêneros (estruturas apoiadas), o diagrama de momento fletor sempre será zero nos apoios. Em estruturas engastadas, o diagrama se inicia ou termina com o valor do momento no engaste. 57 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Exemplo 2 Construa o diagrama de força cortante (V) e momento fletor (M) para a seguinte estrutura: 100 kN 150 kN 4 m3 m3 mA B Figura 67 Resolução: 1º passo – reações de apoio. Ray Rby Rbx 100 kN 150 kNDCL Figura 68 Os procedimentos para se determinar as reações de apoio já foram apresentados, portanto: Rbx = 0 Ray = 130 kN Rby = 120 kN 58 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I 2º passo – fazer os cortes na estrutura. 100 kN 150 kN 3 m 3 m 4 m c cb b a A B a Figura 69 Intervalo: 0 ≤ x ≤ 3 Ray = 130 kN X a a V+ M+ Figura 70 ∑Fy = 0 130 - V = 0 V = 130 kN ∑Ma - a = 0 - 130 . x + M = 0 M = 130 . x Intervalo: 3 ≤ x ≤ 6 59 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Ray = 130 kN 3 m 100 kN x - 3 x b b V+ M+ Figura 71 ∑Fy = 0 130 - 100 - V = 0 V = 30 kN ∑Mb - b = 0 - 130 . x + 100 . (x - 3) + M = 0 - 130 . x + 100 . x - 300 + M = 0 M = 30 . x + 300 Intervalo: 6 ≤ x ≤ 10 Ray = 130 kN 3 m 100 kN 150 kN 3 m x - 6 x c c V+ M+ Figura 72 60 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I ∑Fy = 0 130 - 100 - 150 - V = 0 V = - 120 kN ∑Mc - c = 0 - 130 . x + 100 . (x - 3) + 150 . (x - 6) + M = 0 - 130 . x + 100 . x - 300 + 150 . x - 900 + M = 0 M = -120 . x + 1200 Resumindo: Tabela 2 Intervalo Cortante (V) (kN) Momento fletor (M) (kN.m) 0 ≤ x ≤ 3 V = 130 M = 130 . x 3 ≤ x ≤ 6 V = 30 M = 30 . x + 300 6 ≤ x ≤ 10 V = -120 M = - 120 . x + 1200 3º passo – construção do diagrama de força cortante (V) e momento fletor (M). Figura 73 0 ≤ x ≤ 3 M = 130 . x 61 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS para x = 0 → M = 0 para x = 3 → M = 330 3 ≤ x ≤ 6 M = 30 . x + 300 para x = 3 → M = 330 para x = 6 → M = 480 6 ≤ x ≤ 10 M = - 120 . x + 1200 para x = 6 → M = 4800 para x = 10 → M = 0 Nos exemplos anteriores, foram vistos o diagrama de força cortante e o momento fletor para cargas concentradas. Agora, serão construídos os diagramas para cargas distribuídas. Exemplo 3 Construa o diagrama de força cortante (V) e momento fletor (M) para seguinte estrutura: Q = 100 kN/m 5 m A B Figura 74 Resolução: 1º passo – reações de apoio. 62 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Os procedimentos para determinar as reações de apoio já foram apresentados, portanto: Rax = 0 Ray = 250 kN Rby = 250 kN 2º passo – fazer os cortes na estrutura. A principal diferença no corte, quando se tem uma carga distribuída, é que ele deve ser feito dentro da carga distribuída em uma posição arbitrária e desconhecida x. a aA B 5 m Q = 100 kN/m Figura 75 Como a carga está distribuída no comprimento total da estrutura, o intervalo será entre 0 ≤ x ≤ 5. Q = 100 kN/m 100 . x x/2 x/2 x a a V+ M+ Ray = 250 kN Figura 76 Sempre que uma carga estiver distribuída, ela deve ser concentrada. Como visto, multiplica-se o comprimento pelo valor da carga, sendo seu ponto de aplicação o centro. Na parte da estrutura que foi cortada, o valor se mantém 100kN/m, porém o seu comprimento foi reduzido a x. Portanto, a carga concentrada é 100.x e seu ponto de aplicação fica na metade de x. Conforme os exemplos anteriores: 63 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS ∑Fy = 0 250 - 100 . x - V = 0 V = 250 - 100x ∑Ma - a = 0 2 x 250.x 100.x. M 0 2 M 250.x 50.x − + + = = − Outra diferença encontrada no diagrama para cargas distribuídas é que a equação da cortante sempre será de primeiro grau (reta) e o momento fletor uma equação de segundo grau (parábola). 3º passo – construção do diagrama de força cortante (V) e momento fletor (M). Figura 77 0 ≤ x ≤ 5 V = 250 - 100 . x para x = 0 → V = 250 para x = 5 → V = - 250 Como a equação da cortante é de primeiro grau, liga-se os dois pontos com uma reta. 64 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I 0 ≤ x ≤ 5 M = 250 . x - 50 . x2 para x = 0 → M = 0 para x = 5 → M = 0 Como a equação do momento fletor é de segundo grau, liga-se os dois pontos com uma parábola; o sinal do termo quadrático definirá o lado da parábola. Um conteúdo importante que deve ser encontrado para cargas distribuídas é o ponto máximo ou mínimo da parábola. Quando a cortante passar pelo eixo zero, ou seja, V=O, tem-se um ponto de máximo ou mínimo da parábola, então: V 250 100.x 0 250 100x 250 x 100 x 2,5m = − = − = = Aplicando o valor de x encontrado na equação do momento fletor, tem-se o valor de momento máximo. M = 250 . x - 50 . x2 M = 250 . 2,5 - 50 . 2.52 M = 312,5 kN . m 65 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Exemplo 4 Construa o diagrama de força cortante (V) e momento fletor (M) para seguinte estrutura: 2 m 2 m 2 m 2 m B B 50 kN 150 kN/m Figura 78 Resolução: 1º passo – reações de apoio. Rbx = 0 Ray = 150 kN Rby = 200 kN 2º passo – fazer os cortes na estrutura. 50 kN 150 kN/m dcba dcba 2 m 2 m 2 m 2 m B A Figura 79 Intervalo: 0 ≤ x ≤ 2 66 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /17 Unidade I Ray = 150 kN x M+ V+ a a Figura 80 ∑Fy = 0 150 - V = 0 V = 150 kN ∑Ma - a = 0 - 150 . x + M = 0 M = 150 . x Intervalo: 2 ≤ x ≤ 4 Ray = 150 kN x M+ 2 m2 m x - 2 50 kN V+ b b Figura 81 ∑Fy = 0 150 - 50 - V = 0 V = 100 kN ∑Mb - b = 0 67 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS - 150 . x + 50 . (x - 2) + M = 0 - 150 . x + 50 . x - 100 + M = 0 M = 100 . x + 100 Intervalo: 4 ≤ x ≤ 6 Ray = 150 kN x M+ 2 m2 m x - 4 50 kN 150 . (x - 4) V+ c c Figura 82 ∑Fy = 0 150 - 50 - 150 . (x - 4) - V = 0 150 - 50 - 150 . x + 600 - V = 0 V - 150 . x + 700 ∑Mc - c = 0 ( ) ( )2 2 2 2 (x 4) 150.x 50.(x 2) 150. x 4 . M 0 2 150.x 50.x 100 75 x 8x 16 M 0 150.x 50.x 100 75.x 600.x 1200 M 0 700.x 75.x 1100 M 0 M 75.x 700.x 1100 −− + − + − + = − + − + − + + = − + − + − + + = − + + + = = − + − 68 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Intervalo: 6 ≤ x ≤ 8 50 kN 2 m 2 m 2 m x - 6 x M+ V+ d d 300 kN 150 kN/m Ray = 150 kN Figura 83 ∑Fy = 0 150 - 50 - 300 - V = 0 V = - 200 kN ∑Md - d = 0 - 150 . x + 50 . (x - 2) + 300 . (x - 5) + M = 0 - 150 . x + 50 . x - 100 + 300 . x - 1500 + M = 0 M = - 200 . x + 1600 Resumindo: Tabela 3 Intervalo Cortante (V) (kN) Momento fletor (M) (kN.m) 0 ≤ x ≤ 2 V = 150 M = 150 . x 2 ≤ x ≤ 4 V = 100 M = 100 . x + 100 4 ≤ x ≤ 6 V = - 150 . x + 700 M = - 75 . x2 + 700 . x - 1100 6 ≤ x ≤ 8 V = - 200 M = - 200 . x + 1600 69 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS 3º passo – construção do diagrama de força cortante (V) e momento fletor (M). Aplicando as equações como nos exemplos anteriores, tem-se: Figura 84 Observação Na região onde a carga é distribuída, é preciso determinar o momento máximo, que ocorre onde a cortante é zero. V = - 150 . x + 700 0 = - 150 . x + 700 x = 4,67 M = - 75 . x2 + 700 . x -1100 M = - 75 . (4,672) + 700 . 4,67 - 1100 M = 533,3 kN . m 70 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Exemplo 5 Construa o diagrama de força cortante (V) e momento fletor (M) para a seguinte estrutura: 100 kN 4 m Figura 85 Resolução: 1º passo – reações de apoio. Ray Rax 100 kN 4 m DCL Ma Figura 86 Como visto, estruturas engastadas geram reação de momento no engaste, portanto: Rax = 0 Ray = 100 kN Ma = 400 kN . m 71 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS 2º passo – fazer os cortes na estrutura. Ma = 400 kN . m Ray = 100 kN x a a V+ M+ Figura 87 Intervalo: 0 ≤ x ≤ 4 ∑Fy = 0 100 - V = 0 V = 100 kN ∑Ma - a = 0 - 100 . x + 400 + M = 0 M = 100 . x - 400 3º passo – construção do diagrama de força cortante (V) e momento fletor (M). Figura 88 0 ≤ x ≤ 4 M = 100 . x - 400 72 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I para x = 0 → M = - 400 para x = 4 → M = 0 Exemplo 6 Construa o diagrama de força cortante (V) e momento fletor (M) para seguinte estrutura: M = 80 kN . m Q = 50 kN . m 2 m1 m1 m Figura 89 1º passo – reações de apoio. Rax = 0 Ray = 100 kN Ma = 220 kN . m 2º passo – fazer os cortes na estrutura. M = 80 kN . m Q = 50 kN . mc c b b a a 1 m 1 m 2 m Figura 90 73 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Intervalo: 0 ≤ x ≤ 1 Ma = 220 kN . m Ray = 100 kN x a a V+ M+ Figura 91 ∑Fy = 0 100 - V = 0 V = 100 kN ∑Ma - a = 0 - 100 . x + 220 + M = 0 M = 100 . x - 220 Intervalo: 1 ≤ x ≤ 2 Ma = 220 kN . m 1 m x - 1 M+ V+ b b x Ma = 80 kN . m Ray = 100 kN Figura 92 ∑Fy = 0 100 - V = 0 V = 100 kN ∑Mb - b = 0 74 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I - 100 . x + 220 + 80 + M = 0 M = 100 . x - 300 Intervalo: 2 ≤ x ≤ 4 Ma = 220 kN . m 1 m 1 m x - 2 50 . (x - 2) M+ c c V+ x Mx = 80 kN . m Ray = 100 kN Figura 93 ∑Fy = 0 100 - 50 . (x - 2) - V = 0 100 - 50 . x + 100 - V = 0 V = 200 - 50 . x ∑Mc - c = 0 ( ) ( ) ( )2 2 2 x 2 100.x 220 80 50. x 2 . M 0 2 100.x 220 80 25 x 4.x 4 M 0 100.x 220 80 25.x 100.x 100 M 0 M 25.x 200.x 400 − − + + + − + = − + + + − + + = − + + + − + + = = − + − Resumindo: Tabela 4 Intervalo Cortante (V) (kN) Momento fletor (M) (kN.m) 0 ≤ x ≤ 1 V = 100 M = 100 . x - 220 1 ≤ x ≤ 2 V = 100 M = 100 . x - 300 2 ≤ x ≤ 4 V = 200 - 50 . x M = - 25 . x2 + 200 . x - 400 75 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS 3º passo – construção do diagrama de força cortante (V) e momento fletor (M). Figura 94 No diagrama de momento fletor observa-se um degrau para o comprimento x = 2 m. Essa diferença é ocasionada pelo momento concentrado de 70 kN.m. 3.5 Diagrama de força normal (N) O diagrama de força normal apresenta o efeito da força que age no sentido de compressão ou tração na peça ou estrutura, ou seja, na direção perpendicular à área da seção transversal. O efeito provocado pela força normal é de alongamento ou encurtamento da estrutura, mantendo sua seção transversal paralela e plana. Figura 95 – Efeitos da força normal A convenção de sinais adotada considera a força normal como positiva se seu efeito for de tração e negativa se ele for de compressão. Adotaremos a força normal positiva saindo do corte. 76 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Figura 96 – Sinais no corte Exemplo 1 Determine o diagrama de força normal para a seguinte estrutura: 25 kN 5 m Figura 97 1º passo – reações de apoio. Ray Rax 25 kN DCL Ma Figura 98 ∑Fx = 0 Rax - 25 = 0 Rax = 25 kN ∑Fy = 0 Ray = 0 ∑FMa = 0 77 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Ma = 0 Rax = 25 kN Ray = 0 Ma = 0 2º passo – fazer os cortes na estrutura. Figura 99 ∑Fx = 0 25 + N = 0 N = - 25 kN 3º passo – construção do diagrama de força normal. Figura 100 Pode-se observar que a força normal de compressão de 25 kN age em todo o comprimento da estrutura. Exemplo 2 Determine o diagrama de força normal para a seguinte estrutura: 78 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Placas de suporte 60 kN 80 kN d c b a 120 kN Figura 101 1º passo – reações de apoio. Ray = - 100 kN 2º passo – fazer os cortes na estrutura. Placas de suporte 60 kN 80 kN d c b a 120 kN Figura 102 79 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Analisando de baixo para cima: N Ray = 100 kN Figura 103 ∑Fy = 0 100 + N = 0 N = -100 kN 120 kN N Ray = 100 kN Figura 104 ∑Fy = 0 100 - 120 + N = 0 N = 20 kN 80 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I 80 kN c b a 120 kN N Ray = 100 kN Figura 105 100 - 120 + 80 + N = 0 N = - 60 kN 3º passo – construção do diagrama de força normal. Figura 106 81 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Exemplo 3 Determine o diagrama de força normal para a seguinte estrutura: Figura 107 Resolução: 1º passo – reações de apoio. Ray = 53,3 kN↑ Rbx = 120 kN→ Rby = 73,3 kN↓ 2º passo – fazer os cortes na estrutura. Ela será dividida em três partes e analisada do ponto A ao ponto B. 82 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Figura 108 Na barra 1, somente a reação de apoio de 53,3 kN causa compressão. Então, nessa região, o diagrama fica: Figura 109 83Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS As forças de 53,3 kN e 120 kN são transferidas para a barra 2. Nela, a energia que causa força normal é 120 kN, que foi transportada da barra 1. As forças agora devem ser transferidas para barra 3. Em x, teremos 120 kN, que não causa força normal na barra 3. Em y, temos a somatória delas (53,3-60+70= 73,3). Figura 110 Nessa região, o diagrama fica: Figura 111 84 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I Exemplo 4 Determine o diagrama de força normal para a seguinte estrutura: Figura 112 Resolução: 1º passo – reações de apoio. Ray = 167,1 kN↑ Rbx = 210 kN→ Rby = 67,9 kN↓ 2º passo – fazer os cortes na estrutura. As cargas distribuídas devem ser concentradas; será adotado o mesmo procedimento do exemplo anterior. A estrutura será dividida em quatro partes e analisada do ponto A ao ponto B. 85 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Figura 113 Analisando da mesma maneira o exemplo anterior, tem-se o diagrama de força cortante. Figura 114 Estudamos os três principais efeitos de uma força aplicada a uma peça ou estrutura, construindo o seu diagrama. A seguir, inseriremos o material e a geometria da peça da qual é feita, podendo assim projetá-la. Ao se aplicar uma força na peça ou estrutura, aparecerão tensões que podem ser normais (diagrama de força normal), cisalhantes (diagrama de força cortante) e de flexão (diagrama de momento fletor). Por isso, existe a importância de se conhecer os diagramas aqui apresentados. 86 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I 4 TENSÃO E DEFORMAÇÃO Anteriormente analisou-se o efeito da aplicação de forças sobre uma peça ou estrutura, considerando a estática das leis de Newton. Apenas com conhecimento dos efeitos da aplicação dessas leis, o engenheiro não será capaz de projetar uma peça para que ela funcione sem apresentar falha. Um projeto de engenharia deve levar em consideração a relação entre as forças aplicadas a uma peça, a geometria e o material a ser utilizado. A realização de um projeto que atenda aos quesitos de segurança e à funcionalidade, como de carros, aviões, pontes, edifícios e equipamentos, deve levar em consideração sua resistência, rigidez e estabilidade. É necessário o conhecimento das forças internas e deformações que agem no interior do corpo como um entendimento das características mecânicas do material usado para fazer a peça ou estrutura. 4.1 Tensão Tensão é o resultado da ação de cargas externas sobre uma unidade de área da seção analisada na estrutura submetida a solicitações mecânicas. Força Tensão Área = A tensão pode ser de dois tipos: cisalhante e normal. Te ns ão c isa lh an te Tensão normal Figura 115 – Tensões agindo em uma peça • Tensão cisalhante (τ): é provocada por torção e cisalhamento, além de atuar na direção tangencial à área da seção transversal. • Tensão normal (Σ): é ocasionada por tração, compressão e flexão que ocorrem na direção normal (perpendicular) à área da seção transversal. 87 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS Matematicamente, quando uma força normal “F”, que atua na peça, origina nela uma tensão normal “Σ” (sigma), que é determinada através da relação entre a intensidade da carga aplicada “F” e a área da seção transversal da peça “A”, temos: Equação: F A σ = Figura 116 – Tensão normal A unidade de medida no SI é: • F: Newton (N); • A: metros quadrados (m2); • Σ: N/m2 (Pa). Na prática, o pascal torna-se uma medida pequena para tensão; então, se usa múltiplos desta unidade (MPa, GPa). Exemplo 1 Uma barra de seção circular com 70 mm de diâmetro é tracionada por uma carga 100 kN. Determine a tensão normal atuante na barra: 88 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I 100 kN Figura 117 3 2 2 2 F 100.10 N d 80mm 0,08m .d .0,08 A 0,005m 4 4 = = = π π= = = 3 6 2 F 100.10 N 20.10 20MPa A 0,005 m σ = = = = 4.2 Deformação Quando uma força é aplicada a um corpo, tende a mudar a forma e o tamanho dele. Tais alterações são denominadas deformação (ε). Matematicamente se expressa a deformação como a relação entre a variação do comprimento da peça (∆L) e comprimento inicial da peça (Lo): Equação: L L Lo Lo Lo ∆ −ε = = Figura 118 – Deformação 89 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS A deformação é adimensional, porém algumas literaturas apresentam a unidade como comprimento/ comprimento (por exemplo, mm/mm). Exemplo 1 Uma carga de 25 kN é aplicada a um fio metálico com 500 mm de comprimento e diâmetro de 10 mm, provocando um alongamento de 0,20 mm. Determine a deformação deste fio: Figura 119 Resolução: Dados: L0 = 500 mm ∆L = 0,20 mm Note que o alongamento é a variação de comprimento do fio, não a deformação. Uma maneira de diferenciar as informações é por meio da unidade; lembre-se que a deformação é adimensional. L 0,20 0,0004 Lo 500 ∆ε = = = Como visto, a aplicação de força em um corpo provoca nele tensão e deformação. Pode-se então relacionar a tensão e a deformação através de um gráfico conhecido como diagrama tensão x deformação. 4.3 Diagrama tensão x deformação Para projetar adequadamente um componente estrutural ou mecânico, o engenheiro deve entender e trabalhar respeitando as características e as limitações do material usado no objeto. Materiais como aço, alumínio, plástico e madeira respondem de maneira diferente a cargas e tensões aplicadas. A fim de determinar a resistência e as características dos elementos, são exigidos ensaios laboratoriais. De 90 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 Unidade I acordo com Philpot (2013), um dos mais simples e eficientes modos para se obter informações úteis aos projetos de engenharia sobre um material é denominado ensaio de tração. Ele consiste em aplicar uma força variável em um corpo de prova cujas dimensões são padronizadas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Em se tratando de chapas, pode ser cilíndrico ou chato. Figura 120 – Corpos de prova para ensaio de tração O corpo de prova é colocado em uma máquina de tração, que vai aumentando o valor da carga aplicada ao corpo de prova até seu rompimento. Garra superior Garra inferior Comprimento útil F FA Lo Bordas de lâmina Extensômetro Figura 121 – Esquematização de um ensaio de tração Atualmente, as máquinas de tração são equipadas com sensores e conectadas a computadores. No início do ensaio de tração, o operador insere os dados de comprimento inicial (Lo) e a área do corpo de prova (A). Os sensores (extensômetros) medem a variação do comprimento inicial, enquanto as células de carga mensuram a variação da força. Esses dados são enviados ao computador, que calcula a tensão 91 Re vi sã o: K le be r - D ia gr am aç ão : J ef fe rs on - 2 8/ 09 /1 7 RESISTÊNCIA DOS MATERIAIS (força/área) e a deformação (variação do comprimento/comprimento inicial); a partir daí, cria-se o diagrama tensão x deformação. Figura 122 – Principais pontos do diagrama tensão x deformação No diagrama tensão x deformação, pode-se observar alguns pontos importantes: • Tensão de proporcionalidade: representa o valor máximo da tensão; abaixo deste, o material retorna ao estado inicial. • Tensão limite de resistência: corresponde à máxima tensão atingida no ensaio de tração. • Tensão de ruptura: equivale à ruptura do corpo de prova. • Deformação elástica: refere-se ao trecho da curva tensão x deformação, compreendido entre a origem e o limite de proporcionalidade. • Deformação plástica: