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GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV OBJETIVOS - Qualificar os profissionais na assistência perinatal; - Conhecer as técnicas para o exame físico e anamnese; - Identificar anormalidades congênitas não detectadas até o nascimento, como doenças cardíacas congênitas, entre outras; - Identificar problemas neonatais não agudos para início do tratamento e tranquilização dos pais, tais como icterícia; - Identificar problemas potenciais decorrentes de doenças maternas ou anormalidades familiares e problemas detectados durante a gravidez; - Oportunidade para os pais tirarem dúvidas relativas ao lactente; - Iniciar promoção da saúde do RN; - Assegurar um plano de acompanhamento para os pais; - Neonatologia: Ramo da pediatria que se dedica ao estudo do feto e do recém-nascido durante e após seu nascimento até o 28º dia; AVALIAÇÃO APÓS O NASCIMENTO - Obter informações do período antenatal e intraparto, uma vez que essas informações indicarão situações de risco para o neonato; - A primeira avaliação ocorre após o nascimento do RN, ao lhe ser atribuído o escore de Apgar; ESCORE DE APGAR Avaliar condição do RN e necessidade de RCP; Avalia: FC, Respiração, Tônus muscular, Irritabilidade reflexa e cor da pele; Cada um desses recebe um escore de 0 a 2 e se o total fora acima de 7 a avaliação poderá ser interrompida; - A perda da conexão placentária significa perda do suporte metabólico, suprimento de oxigênio e retirada de dióxido, ou seja, os sistemas passam por uma série de transformações para adaptação imediata do RN; EXAME FÍSICO DO APARELHO CARDIOCIRCULATÓRIO - Em razão do fluxo sanguíneo durante o período de adaptação das “estruturas acessórias”, alguns sopros funcionais podem ser auscultados; - A avaliação da adaptação cardiocirculatória implica: 1. Ausculta cardíaca (FC e sons); 2. Inspeção da coloração da pele; 3. Palpação de pulsos arteriais; - A FC pode variar entre 100 e 180 batimentos logo após o nascimento, e ao estabilizar, entre 120 a 140bpm; - Avaliar a presença de cianose central que poderá ser indicativo de má adaptação cardiocirculatória ou outra patologia; - A Acrocianose ou cianose de extremidades é esperada durante as 24 primeiras horas e não é um sinal patológico, a não ser que estenda esse período; - Avaliação do pulso: artéria radial e pulso pedioso quanto à amplitude, simetria, ritmo e frequência; - Pulsos de amplitude reduzida poderá ser sinal de desidratação ou choque circulatório e a assimetria de pulsos poderá indicar uma cardiopatia como por exemplo a coarctação da aorta; EXAME FÍSICO DO APARELHO RESPIRATÓRIO GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV As respirações dos neonatos são irregulares e abdominais, com frequência entre 30 e 60 incursões respiratórias por minuto. A ausculta de estertores indica área de atelectasia, o que representa a transição normal dos pulmões para a vida extrauterina, porém se for persistente precisa ser avaliado. O PRIMEIRO EXAME COMPLETO - Ele é indicado quando o período de adaptação já aconteceu, e objetiva garantir a detecção precoce de anormalidades; - 3 gavetas para armazenamento: Dados maternos, Dados do parto e Dados do recém- nascido; PREPARO - Obtenção de informações referentes ao recém- nascido e sua família e ao preparo do ambiente e dos materiais necessários ao exame; - Antes do contato com a mãe e o bebê, verificar: Idade, ocupação e condição social da mãe; Histórico familiar e problemas médicos; Histórico de uso abusivo de álcool, drogas ou quaisquer tipos de violência; Detalhes das gestações anteriores; Histórico de doenças da mãe e medicamentos utilizados durante a gravidez; Resultados dos exames realizados durante a gestação; Resultados de procedimentos diagnósticos especiais; Problemas durante o trabalho de parto e no parto; - Avaliar as condições do lactente ao nascer e eventual necessidade de RCP; DADOS MATERNOS - Nome da mãe, idade, número de gestações, número de partos e abortos; - Data da última menstruação, Sorologia (HIV, Sífilis e Toxoplasmose), Histórico de amamentação; - Intercorrências durante a gestação, tipo sanguíneo, Vacinas, Tabagismo, Etilismo, Uso de drogas; DADOS DO PARTO - Tipo de parto: Normal ou cesáreo? Qual motivo? - Precisou do uso de anestesia? Qual tipo de anestesia utilizada? - Houve rompimento da bolsa? Em quanto tempo? Depois de quanto tempo houve atendimento? Qual característica do líquido? - A criança demorou para sair? Demorou para clampear? DADOS DA CRIANÇA - Nome da criança, sexo, peso, estatura, perímetro cefálico (PC) e perímetro torácico (PT); - Tipagem sanguínea; TÉCNICAS DO EXAME FÍSICO - Ordem: Inspeção, Ausculta, Palpação e Percussão; Inspeção: Cor, respiração, postura, atividade forma, simetria. Ausculta: Ausculta cardíaca e pulmonar + aquecimento prévio do diafragma do estetoscópio. Palpação: Avaliar hidratação, tensão, textura, pulso, amplitude, tamanho, forma e profundidade de estruturas internas. Percussão: Raramente utilizada, avaliando intensidade, gravidade, duração e qualidade. CLASSIFICAÇÃO DO RECÉM NASCIDO É realizada a partir da idade gestacional em semanas em relação ao peso de nascimento, utilizando curvas de crescimento. A correlação entre peso-idade gestacional ao nascimento fornece uma estimativa do padrão de crescimento fetal, que pode ser expresso em percentil. IDADE GESTACIONAL MEDIDA EM SEMANAS 1. CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM A IDADE GESTACIONAL CLASSIFICAÇÃO DESCRIÇÃO Pré-termo Nascidos antes das 37 semanas de gestação Termo Nascidos entre 37-41 semanas e 6 dias de gestação GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV Pós-termo Nascidos acima de 41 semanas e 6 dias de gestação - Como calcular a idade gestacional: Data da última menstruação (DUM) sendo o mais fidedigno, resultado do exame da ultrassom do segundo semestre; - Caso o paciente não possua essas informações deve-se calcular pelo método de Capurro e escore New Ballard; MÉTODO DE CAPURRO - Estima a idade gestacional por meio de parâmetros somáticos e neurológicos. De acordo com a avaliação, o resultado será somado com 204 e dividido por 7. ESCORE NEW BALLARD - Determinação da idade gestacional por meio da avaliação de maturidade do bebê; 2. CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM O PESO DE NASCIMENTO PIG: Pequeno para a idade gestacional AIG: Adequado para a idade gestacional GIG: Grande para a idade gestacional GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV PIG Abaixo de 10 percentil AIG Entre 10 e 90 percentil GIG Acima de 90 percentil CLASSIFICAÇÃO DESCRIÇÃO Extremo baixo peso ao nascer (EBPN) Abaixo de 1000g Muito baixo peso ao nascer (MBPN) Entre 1.000g e 1.499g Baixo peso ao nascer (BPN) Entre 1.500g e 2.500g 3. AVALIAÇÃO DAS MEDIDAS ANTROPOMÉTRICAS DO RN PESO - Primeira pesagem realizada logo após o nascimento; - Peso normal: entre 2.700 e 4.000g; ESTATURA - Utilização de uma régua antropométrica; - Normal: entre 48 e 53cm; CIRCUFERÊNCIA CABEÇA E TÓRAX - Utilização de uma fita métrica; - O PT mede entre 30 e 33cm e é normalmente 2cm menor que o PC; - PC medido na região frontal, entre a glabela e a parte mais saliente do osso occipital, sendo normal entre 32 e 37cm; EXAME FÍSICO DO RN A técnica do exame físico normalmente é craniocaudal para facilitar a memorização. ECTOSCOPIA - Avaliação global do doente, sendo feita no primeiro contato para obtenção de dados gerais, independente da queixa; - Avaliar estado geral, corado ou descorado (++++/++++), hidratação (++++/++++), Cianose, Icterícia (Zonas), ativo e reativo; - Anotar peso, estatura, temperatura, sexo e IG do bebê ao nascer; * Zonasde Icterícia PELE - Avaliação da cor, textura, erupções e marcas de nascença; - Presença ou não de descamações, pletora, palidez, cianose traumática, petéquias, hemangiomas capilares, urticária neonatal, milium sebáceo, eritema tóxico e impetigo; MELANOSE PUSTULOSA TRANSITÓRIA Doença benigna e autolimitada; Lesões vésico-pustulosas e que evoluem para máculas hiperpigmentadas de caráter residual. MANCHA MONGÓLICA Mais frequente em RN de raça negra; Elevada ocorrência na região mongólica; Agregados de melanócitos que se manifestam como manchas azul- acinzentadas, localizadas na maioria das vezes na nádega; GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV ERITEMA TÓXICO Erupção benigna e autolimitada; Normalmente se desenvolve em 24 a 72 horas de idade; IMPETIGO BOLHOSO NEONATAL Vesículas que evoluem para bolhas de conteúdo claro e posteriormente purulento; Infecção causada pelo Staphylococcus aureus; MILIUM SEBÁCEO Pápulas/ vesículas superficiais, avermelhadas ou transparentes que geralmente ocorrem em situações onde há aumento da temperatura e umidade; Resulta da obstrução das glândulas sudoríparas pela imaturidade delas; - Os RN a termo normalmente possuem gordura subcutânea que protegem contra a perda de calor, enquanto os prematuros não possuem essa capacidade; - A pele de um RN a termo é normalmente lisa, macia e rosada, enquanto do pré-termo é mais fina, ou gelatinosa e transparente com uma coloração avermelhada devivo ao pouco desenvolvimento do extrato córneo; - Presença de laguno, ou seja, pequenos fios de cabelo que aparecem no feto em torno de 19 a 20 semanas, ficando mais intenso com 27 e 28 semanas; - Sinais de alerta: Pele translúcida e fina, unhas longas e descamação (pós-maturidade), palidez, cianose, petéquias, turgor na pele, bolhas e pletora; CABEÇA - Avaliar o formato da cabeça como possível indicador de alguma síndome ou deformidade postural decorrente do posicionamento intrauterino; - Medição do PC e Avaliar formato do crânio * Normal * Plagiocefalia * Braquiocefalia * Escafocefalia GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV - Avaliação de suturas e fontalenas: regiões nas quais pelo menos 3 ossos se encontram e são palpados como porções amolecidas na cabeça. * Deprimidas ou abauladas * Craneossinostose: fechamento prematuro das suturas entre os ossos da abóbada craniana. A deformação depende da sutura implicada, podendo gerar: Escafocefalia, Braquicefalia e Turricefalia; * Suturas podem ser facilmente palpadas no RN e devem ser abertas; - Microcefalia: Pode ser gerada por inúmeras causas, entre elas, origem genética como síndromes de Apert, Cockayne e Menks, origem cromossômica como trissomias do 21,13 e 18 ou por origens infecciosas como rubéola, toxoplasmose, síndrome do álcool fetal, AIDS, etc. PC ABAIXO DE 32cm - Macrocefalia: Observada em várias circunstâncias como tumores, abscessos, hidranencefalia, TC com formação de hematomas subdurais e algumas doenças congênitas. PC ACIMA DE 37cm - Quando o nascimento é por via cesárea, a cabeça normalmente é arredondada, porém por via vaginal pode-se perceber uma sobreposição temporária entre os ossos do crânio, provocando um cavalgamento de suturas e alterando o formato do crânio, porém, em poucos dias ele retorna ao normal; - Alterações decorrente do nascimento: Caput succedaneum (bossa serosanguínea) e cefaloematoma. Caput Succedaneum Alteração benigna que resolve em poucos dias decorrente da pressão do cérvix materno sob o crânio; GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV Derrame seroso entre o couro cabeludo e o periósteo; Edema na região epicraniano e que pode se deslocar de acordo com a gravidade; Cefaloematoma Sangramento no subperiósteo, ocorrendo normalmente no osso parietal e de aparência assimétrica; Coleção sanguínea subperióstea; OLHOS, NARIZ, ORELHAS E BOCA OLHOS - Avaliar pálpebras, pupilas, vias lacrimais e conjutivas; - Hipertelorismo ocular: afastamento exagerado entre as órbitas, mais do que o considerado normal; NARIZ - Observar forma, simetria, lesões e sinais de trauma; - Pode apresentar secreções normalmente em pequena quantidade e de aspecto fluido e claro; - A respiração do RN é nasal e o batimento das asas pode indicar algum sinal de dificuldade respiratória; - Possíveis achados: Atresia de coanas, Nariz em sela e Agenesia de nariz; Nariz em Sela Agenesia de nariz ORELHAS - Investigar dor, tamanho, pressão, secreção, irritabilidade, ruídos, histórico familiar de doenças otológicas; - Observar o conduto autivo externo: seco, úmido, hiperêmico ou ceruminoso; GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV - Corpos estranhos? Secreção fétida? Sangramentos e Pólipos? BOCA - Presença de dor, sensação de corpo estranho, sangramento, odor, hipersalivação, respiração bucal diurna/ou noturna, roncos e apneia do sono; - Observar tonsilas palatinas, pilares, úvula e parede posterior; - Lábios: observar placas, vesículas, nódulos e ulcerações; - Orofaringe: Avaliar toda mucosa jugal, dentes, gengiva, língua, freio lingual e labial e palatos mole de duro; - Amígdala: tamanho, tipo anatômico, simetria, inflamações, exsudatos, ulcerações ou abscessos; - Língua: avaliar tamanho e verificar presença de macroglossia ou micrognatia; Fissura lábio palatina Lábio leporino e fenda palatina Pérolas de Epstein Aparecem exclusivamente em RN; Quistos ou nódulos branco amarelados, também chamados de quistos gengivais do neonato e podem ser localizados na boca do RN, nas gengivas e no palato. Achado da pérola de Epstein PESCOÇO - O volume e a forma do pescoço podem se modificar na presença de tumores; - Tumores congênitos, alterações da tireoide, aumento de gânglios, anomalias vasculares como aneurismas e difteria; - Observar juntamente à face e de todas as pessoas da família; - Edema palpebral pode ser observado após o nascimento e desaparece depois de algumas horas; - Analisar no pescoço o tamanho, simetria, aparência da pele, amplitude de movimento e presença de massas ou fístulas. - As clavículas devem ser palpadas nesse momento e devem estar intactas e sem crepitações ou edema, pois é muito comum a presença de fraturas durante o parto. - A maioria das fraturas claviculares no RN são do tipo galho verde, em que o osso jovem dobra e parcialmente quebra; - As principais causas de fraturas claviculares são partos difíceis do ombro em apresentação de vértice e braços estendidos em apresentações pélvicas. SÍNDROME DE KLIPPEL-FEIL Pescoço excessivamente curto ou inexistente devivo à ausência de vértebras cervicais superiores; Movimentos da cabeça são limitados e a linha do cabelo se faz junto à escápula; GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV PESCOÇO ALADO Protusões laterais mastoidea e acromioclavicular compostas de pele e fáscia; Aspecto característico da síndrome de Turner e as vezes Down; TORCICOLO CONGÊNITO Alterações na posição do pescoço devido ao comprometimento do esternocleidomastóideo e do trapézio; No RN pode ocorrer em consequência de um trauma obstétrico ou ser congênito, devido a um encurtamento muscular, caso em que se acompanha de assimetria facial; TÓRAX - Avaliação do formato do tórax, inspeção dos movimentos respiratórios, tamanho, simetria, localização dos mamilos; - O padrão respiratório de um RN é irregular, podendo ter pausas que duram de 5 à 15 segundos; - No desenvolvimento areolar são esperados dois mamilos simétricos e o tecido mamário pode apresentar-se hipertrofiado em decorrência dos hormônios maternos. Umasubstância leitosa pode está presente na primeira semana de vida, desaparecendo logo em seguida; - Ficar atento para os sinais de infecção mamaria; - Há vários tipos de tórax anormais, tais como: paralítico, enfisematoso, cônico, pirifome, cifoescoliótico, em quilha, etc. TÓRAX EM QUILHA Também chamdo de peito de pombo, está ligado a doenças como raquitismo, pois as costelas mal calcificadas não resistem às contrações muscular e compressões; Também podem ser encontrados em pacientes com asma grave; TÓRAX EM FUNIL Também chamado de pectus excavatum, geralmente é congênito. Há depressão na parte inferior do esterno; TÓRAX EM SINO Casos típicos de raquitismo também podem apresentar esse padrão de tórax; GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV Abdômen abaulado devido à hipotonia muscular que impele as costelas abaixo da inserção do diafragma; - Ausculta cardíaca: devem ser observados os ritmos, FC, bulhas, ruídos adicionais, sopros cardíacos e atrito pericárdico. Inspeção: Ictus Cordis e quando visível: dilatação de VE. Bulhas: Devem ser examinadas nos quatros focos; - Durante o sono profundo, a FC da criança deve estar entre 80 e 90bpm; Sons mais audíveis na inspiração; - Ao auscultar algum murmúrio, é importante palpar o pulso braquial para determinação de um sopro sistólico ou diastólico; - Um sopro pode ser avaliado de acordo: 1. Intensidade (1-6) 2. Tempo (sistólico ou diastólico) 3. Localização 4. Transmissão 5. Qualidade - Ausculta Pulmonar: Compreende a audição de ruídos normais e anormais do aparelho respiratório durante as fases inspiratórias e expiratórias da respiração, a articulação das palavras e tosse; - A ausculta de sons assimétricos pode indicar pneumotórax, hérnia diafragmática ou patologia pulmonar; - Devdo à proximidade entre as VAI e a parede torácica, o som pulmonar pode ser do tipo brônquico, semelhante ao ouvido ao longo da laringe e da traqueia; - Roncos e Estridores ocorrem mediante algum grau de obstrução das vias aéreas; - Crepitações ocorrem devido à presença de líquido intersticial e secreção brônquica, podendo indicar infecções subjacentes, aspiração de secreções ou IC; * Comum nas primeiras horas de transição do RN pela presença de líquido pulmonar fetal; - Gemidos expiratórios podem ser ouvidos e é produzido pela tentativa de passagem do ar pela glote fechada do RN; ABDÔMEN - O exame físico do adome deve ser sistematizado. A inspeção e palpação são os recursos semiológicos mais valiosos no RN; - O abdome do RN apresenta-se semigloboso com perímetro abdominal (PA) cerca de 2 a 3cm menor que o perímetro cefálico e mais protuberante e arredondado que o tórax; - Observar contorno, tamanho, simetria, peristaltismo e anatomia do cordão umbilical; - Cordão umbilical: verificar a existência de duas artérias e uma veia umbilical; - Observar o alargamento do cordão umbilical decorrente da presença de parte de tecido intestinal, indicativo de onfalocele; - Palpação superficial inicialmente e se a criança estiver habituada, a palpação profunda pode ser feita. Com a palpação, obtém-se informações sobre massas, localização, tamanho das vísceras e tônus da parede abdominal; GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV - Palpações: Fígado (Liso, firme e bem definido), Baço (Depende dos dias de vida, volume sanguíneo e tipo de terapia para caracterização do estado) e Rins (Somente o direito é palpável); - Ausculta: sons intestinais normalmente reduzidos até a introdução da alimentação; ONFALOCELE Malformação de fechamento abdominal a partir do umbigo. Cordão sai da lesão e as vísceras são cobertas com âmnio e peritônio, sem riscos imediatos de infecção ou desidratação. Associado à cardiopatias, síndromes genéticas, malformações renais e de coluna vertebral. GASTROQUISE Evisceração paramediana direita, lateral ao cordão. As vísceras não apresentam cobertura, ou seja, podem desidratar e infeccionar; Associa-se a íleo paralítico, atresia de ID, IC e criptorquidia. HEPATOESPLENOMEGALIA É o aumento do tamanho do fígado e do baço, provocado normalmente por uma grande atividade de defesa imunológica do organismo. Pode ser adquirida em crianças ainda no estágio fetal, por meio de toxoplasmose, por exemplo. Sintoma presente em doenças como galactosemia. ONFALITE Inflamação no coto umbilical; Sinais de inflamação ao redor do umbigo (sinais fluogísticos) + sinais sistêmicos; DORSO GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV - Inspeção realizada em decúbito ventral, esperando-se que não existam curvaturas observadas no decorrer da vida, aberturas e regiões amolecidas na linha da coluna vertebral; - Observar a simetria do dorso, das dobras do glúteo e do reflexo de curvatura do troco; - Atenção para áreas lombares e sacras; ESPINHA BÍFIDA Caracterizada pelo fechamento incompleto do tubo neural. Algumas vértebras que recobrem a medula espinhal não são totalmente formadas, permanecendo abertas e sem se fundirem. MIELOMENINGOCELE Tipo mais grave de espinha bífida, sendo uma malformação congênita que afeta os ossos da coluna e a medula espinhal. Também chamada de espinha bífida aberta, essa patologia provoca uma abertura dos ossos da coluna, formando uma bolsa que contém a meninge, nervos e LCR nas costas do bebê; FOSSETA SACRAL MEMBROS SUPERIORES - Avaliação dos dedos; SINDACTILIAS Consiste na fusão entre dois ou mais dedos das mãos ou dos pés, podendo ocorrer tanto em partes moles quanto em ossos; FOCOMELIA Anomalia que impede a formação normal dos braços e pernas, caracterizando-se pela aproximação e encurtamento dos membros do feto; POLIDACTILIA Muito comum e se dá pela presença de um dedo a mais; - Avaliação de reflexos, postura de repouso, maturidade neuromuscular, simetria e presença de tumores. - Avaliação de tônus: Hipotonia (Pobre controle da cabeça e das extremidades, normalmente flácidas) e hipertonia (Membros em forte flexão e GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV com presença de espasmos e contrações periódicas); - Avaliação da palma das mãos para verificar a presença de prega simiesca, que é uma prega palmar única, associada com síndrome de Down; MEMBRO INFERIOR E PELVE - Avaliação das pernas quanto à simetria, flexão e comprimento. Observar o posicionamento das pernas para diagnóstico do pé torto postural, causado pela posição fetal intrauterina. - A diferenciação entre o pé torto postural e o pé torto congênito está em conseguir colocar o postural em sua posição normal com facilidade. - Pesquisar luxação congênita do quadril ou também chamada de displasia do desenvolvimento do quadril. Essa patologia baseia-se na instabilidade, luxação ou subluxação do quadril, que pode ser pesquisada a partir de dois testes: Ortolani e Barlow. Barlow +: Quadril deslocável Ortolani +: Sensação de ressalto na articulação patológica, por vezes audível, sendo realizado em um membro por vez. GENU VARO E VALGO SÍNDROME DA REGRESSÃO CAUDAL Ausência/Regressão de MMII; GENITÁLIA MASCULINA - Avaliar tamanho do pênis, normal entre 2,5 a 3,5 cm; - Examinar a glande buscando identificar edema e a localização do meato ureteral; - Fimose fisiológica ou prepúcio não retrátil é comum em recém-nascidos, sendo a abertura do prepúcio suficiente para garantir a micção; - Testículo em proeminência: suspeita de hidrocele; - Alterações da glande e do canal ureteral: HIPOSPÁDIA Meato na face períneo-escrotal do pênis; Associam-se a alterações dos testículos como criptorquidia; GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV EPISPÁDIA Falhano fechamento da uretra na parte dorsal; Pode acometer toda a uretra, inclusive com extrofia vesical; MICROPÊNIS Comprimento menor que 2,5 desvios padrão para a idade. - Alterações de descida dos testículos e alterações da bolsa escrotal: CRIPTORQUIDIA Decorre da parada da migração testicular em seu trajeto normal de descida até a bolsa escrotal. Condição a ser identificada o mais precoce possível. HERNIA INGUINAL Resulta da persistência do ducto peritoneovaginal; HIDROCELE Acúmulo de líquido dentro da bolsa escrotal; GENITÁLIA FEMININA - Observar o tamanho do clitóris, o posicionamento do orifício vaginal e hímen, a presença de secreção vaginal e sinéquia de pequenos lábios; - Avaliar o posicionamento do canal ureteral, distância anovulvar e fístulas; - É comum o excesso de tecido himenal ao nascimento, que desaparece em semanas; - Pode-se haver em RN secreção mucoide ou às vezes, sanguinolenta nos primeiros dias de vida em razão da influência do estrógeno materno; - A permeabilidade do ânus deve ser observada; Imperfuração de hímen Hipertrofia do clitóris GABRIEL FREITAS- HABILIDADES E ATITUDES MÉDICAS IV Sinéquia vulvar REFLEXOS PRIMITIVOS DO RN - Importantes para sobrevivência da criança e podem e devem ser estimulados nos primeiros meses de vida; - Avaliação do estado neurológico do RN; - Buscar a presença, simetria e intensidade de alguns reflexos para avaliar a integridade do SN; - A persistência de alguns reflexos a longo prazo pode representar problemas de desenvolvimento neurológico e devem ser vistos com cautela; REFLEXO TEMPO DESCRIÇÃO BUSCA Voluntário a partir de 3 semanas de idade. Ao tocar qualquer região em torno da boca ele vira o rosto pro lado estimulado. SUCÇÃO Continua na vida adulta. O bebê abre a boca e suga o que aparece à sua frente. MORO Desaparece aos 6 meses de ida. Ao simular suspender e soltar repentinamente o neonato ou promover ruído súbito, observam-se abdução dos braços, extensão das mãos e flexão dos polegares (abraço). BABINSK Desaparece aos 2 anos de vida. A partir de um estimula na sola do pé há uma extensão do hálux e os outros dedos fazem movimento de um leque. PREENSÃO PALMAR Termina nos 4 a 6 meses de vida. Ao colocar o dedo na palma da mão do neonato ele o agarrará. PREENSÃO PLANTAR Dura até os 8 meses de vida. Ao colocar o dedo contra a base dos artelhos, o RN irá curvá-los para baixo. MARCHA Dura até os 2 meses de vida. Colocado em posição vertical e ao tocar uma superfície com a sola do pé, o RN simula uma caminhada.