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Fundamentos de 
Arquitetura e Urbanismo
Unidade 3
Fundamentos, teoria e crítica do urbanismo
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autoria
MIRELLA RAMALHO CAVALCANTE 
ALEXSANDRO PEREIRA
AUTORIA
Mirella Ramalho Cavalcante 
Sou formada em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de 
Ciências Sociais Aplicadas - UNIFACISA. Passei por escritórios de 
arquitetura e pela prefeitura de Campina Grande na Paraíba. Atualmente, 
atuo como profissional autônoma. A área de urbanismo e toda a sua 
história, desde o início, como também pelo meu desenvolvimento do 
trabalho de conclusão de curso, me fascinam até hoje. Gosto de incentivar 
as pessoas a olhar com mais delicadeza à arquitetura e todas as áreas que 
a mesma abrange. 
Alexsandro Pereira
Sou Arquiteto e Urbanista graduado pela Universidade Federal 
de Juiz de Fora (2007) e Mestre pelo Programa de Pós Graduação em 
Arquitetura e Urbanismo (PPGAU) da Universidade Federal Fluminense 
(UFF) com enfoque na área de Habitação de Interesse Social. Membro do 
Corpo Docente do grupo ITEC, onde leciono para o Curso de Arquitetura 
e Urbanismo da Faculdade TECSOMA em diversas disciplinas ligadas a 
Projetos Arquitetônicos.
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
OBJETIVO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
A evolução do urbanismo e a formação das cidades .................. 10
O papel do urbanismo ................................................................................................................. 10
A formação das cidades .............................................................................................................. 11
Questões socioeconômicas e culturais do urbanismo ............... 18
Questão urbana versus questão social ............................................................................ 18
Intervenções urbanísticas e relações culturais ......................................................... 19
Questões socioeconômicas ...................................................................................................23
Urbanismo e legislação dos municípios ...........................................27
Legislações urbanísticas ............................................................................................................27
O estatuto da cidade ....................................................................................................................28
Plano diretor ........................................................................................................................................ 31
O perfil profissional do urbanista .........................................................34
Espaços convidativos ...................................................................................................................34
Profissionais da área do urbanismo ...................................................................................35
7
UNIDADE
03
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
8
INTRODUÇÃO
Você sabia que a área do urbanismo é uma das mais demandadas 
em relação ao desenvolvimento das cidades e também responsável pela 
organização dos seus espaços? Isso mesmo. O urbanismo faz parte da 
arquitetura e é fundamental na disciplina. Sua principal responsabilidade 
é desenvolver cidades que mantenham níveis de habitação, conforto 
e bem estar para toda a população. É considerada também uma área 
extensa de desenvolvimento e ao longo dos anos foi ganhando força. 
O que antes se entendia como arquitetura apenas em construções de 
edifícios, residências, construções verticais, agora irá ter forte significado 
em cada espaço ocioso e é uma forma de unir as pessoas e gerar espaços 
de lazer, bem estar e convívios entre todos os seus usuários. Entendeu? 
Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo!
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
9
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade III. Nosso objetivo é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o 
término desta etapa de estudos:
1. Compreender a evolução do urbanismo e seu impacto na formação 
das cidades ao longo da história até a atualidade.
2. Discernir sobre a relação entre o urbanismo e as questões 
socioeconômicas e culturais das cidades.
3. Entender o princípio das legislações municipais e sua aplicação no 
planejamento urbano, identificando os principais órgãos e atores 
neste processo.
4. Identificar as competências e requisitos do perfil profissional do 
urbanista, avaliando as perspectivas e oportunidades de trabalho 
e empreendedorismo nesta área de atuação.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
10
A evolução do urbanismo e a formação 
das cidades
OBJETIVO:
Ao término desse capítulo você será capaz de entender 
como funciona o papel do urbanismo dentro da arquitetura. 
Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. É 
de fundamental importância o entendimento da execução 
e do planejamento do urbanismo nas cidades para que 
formem ambientes acessíveis, espaços convidativos e 
instalações habitáveis. E então? Motivado para desenvolver 
essa competência? Então vamos lá.
O papel do urbanismo
A área do urbanismo é uma matéria de compreensão vista como 
ciência ou como técnica, que a cidade possui como instrumento relevante 
de estudo e interferência. A disciplina nasce no século XIX, localizada na 
Europa, após a revolução industrial, a procura de modificações essenciais 
à existência desordenada das cidades.
No século XX, a disciplina irá alcançar maior discernimento teórico, 
mesmo que, atualmente, ainda sejam utilizadas definições tradicionais, 
ligadas à estética e funções antigas. Apesar disso, a área do urbanismo 
conseguiu atingir vários conceitos e visões que não se resumem só 
na relação de arquitetos e engenheiros, mas também na busca pela 
participação das comunidades, englobando o campo social.
A essência do urbanismo está na busca do desenvolvimento do 
espaço urbano, como também regional e suas expressões concretas, a 
fim de presenciar a busca da melhor qualidade de vida, passando por 
constantes transformações.
Assim, o urbanismo mantém um papel importante no processo de 
instrumentalização, desde o caminhar pela calçada chegando à edificação 
de grandes meios urbanos, alterando a maneira de viver dos habitantes. 
Denomina-se assim, a área do urbanismo como sendo um campo de 
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
11
conhecimento ou um método de intromissão nos demais espaços, 
considerado como uma doutrina de planejamento e estruturação dos 
espaços urbanos.
O termo da área surge historicamente, quando se faz parâmetro à 
produção de uma coleção de sugestões de intervenção física no meio 
urbano, principalmente no seu tracejado, tanto para a beleza estética,como 
também para reparação da infraestrutura, melhorando o saneamento e a 
circulação, tomando como base a arquitetura e engenharia. 
O período greco-romano ajudou a atenuar o compartimento que 
unia a religião do espaço urbano erguido. A datar da idade média, as 
autoridades leigas vão surgir, mesmo a sociedade ainda seguindo suas 
religiões. A partir da revolução industrial, o urbanismo moderno irá chegar 
e com ele várias alterações serão realizadas, abandonando o tradicional 
das cidades e empregando o uso da utopia, que não foi aceita por várias 
cidades, mas que é a grande dianteira de alguns modelos espaciais.
Assim, nota-se a não interrupção entre o urbanismo grego e o 
romano, tanto em relação aos equipamentos públicos, como aos cuidados 
estéticos, onde o ensinamento da Grécia serviu para o aparecimento do 
urbanismo romano. O conceito de cidade aparece ainda em um ambiente 
rural, de baixa densidade e de residências distantes uma das outras, com 
a formação de colaborações políticas que não dependem do pensamento 
urbano.
A formação das cidades
O processo geográfico está em constante modificação, se tornando 
dinâmico com diferentes escalas e formas. Assim, cada sociedade vai 
enxergar suas concepções sociais de tal maneira que distinguem uma 
das outras. Cada produção do homem no espaço urbano vai adicionar 
na construção das relações que constituem uma sociedade, contribuindo 
com a vida cotidiana. 
Para o surgimento de uma cidade na Grécia antiga, precisava ser, 
primeiramente, uma postura religiosa e política. Hipócrates analisou 
antecipadamente a cidade de modo perceptível, compreendendo os 
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
12
resultados urbanos, sendo alguns exemplos: sítio, posicionamento, 
natureza do solo, estudo dos ventos, entre outros tópicos considerados 
importantes. Porém, o raciocínio fundamentado foi o de Platão e 
Aristóteles, a partir do século IV, onde Platão insinua a cidade sublime, 
realizando benefícios econômicos. 
No urbanismo romano muito parecido com o da Grécia, 
também, existia a criação das cidades através de rituais 
sagrados, para que os deuses não estivessem contra 
a criação da cidade. Em seguida vem o orientation, que 
consiste em determinar os dois grandes eixos das cidades, 
como duas ruas principais, o decamanus (leste-oeste) 
e o cardo (norte-sul), que além de ligar toda a cidade, 
simboliza uma linha mágica protegida pelos deuses, em 
qual será construída a muralha. (SILVA, 2016, p. 3)
VOCÊ SABIA?
Os componentes urbanos fundamentais da cidade romana 
eram: as ruas, as muralhas, os instrumentos públicos, 
o fórum e as habitações. Mas a cidade se desenvolveu 
sem um traçado urbanístico e se submeteu a diversos 
problemas. A maioria dos agrupamentos modernos foi 
formada no período medieval, na Europa, juntamente 
com um intenso progresso urbano. Já no Renascimento, 
as recém-formações urbanas são menores. O urbanismo 
em ambas as épocas são totalmente diferentes em suas 
convicções.
Após a revolução industrial, a cidade apresenta uma grande 
transformação da malha urbana, devido à migração da população para as 
cidades. O primeiro exemplo que ocorreu foi na Grã-Bretanha a partir de 
1801, seguida da França e Alemanha, por volta de 1830.
A Revolução Industrial, a partir do século XVIII, chegou trazendo 
as grandes migrações atrás de emprego, começam a surgir grandes 
agrupamentos de habitantes inseridos em grupos sociais menos 
favorecidos, seja por residências sem higiene ou espaços desconfortáveis, 
possuindo péssimas circunstâncias de vivência. Assim, começam a 
suceder os vários debates com o objetivo de desenvolver respostas 
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
13
viáveis para os problemas urbanos que começaram a surgir ao longo dos 
anos, visto que também começou a necessidade e importância de um 
sistema viário que capacite o deslocamento em massa dessas pessoas. 
Contudo, com a crescente civilização industrial, nasce uma nova 
situação, onde a cidade se encontra em um novo estabelecimento, a 
cidade antiga, mais tarde chamada de cidade moderna, que mantém o 
contínuo crescimento populacional, juntamente com as práticas agrícolas, 
induzindo a grandes mudanças na economia e nas ordens sociais. No 
segundo milênio, as cidades já não estão mais da mesma forma, passam 
a abrigar milhares de habitantes, trazendo o crescimento de mais de 100 
hectares. 
Com a chegada do progresso técnico e da revolução 
industrial, o tradicionalismo das cidades antigas, é 
quebrado, pois deixa de serem centros com características 
religiosas, para habitação de grandes populações, em 
que o enriquecimento global da sociedade, tecnologia e 
economia, gera grandes movimentos habitacionais, que 
trazem junto muitos problemas para a cidade. A partir disso 
nasce o urbanismo moderno. (SILVA, 2016, p. 6)
O urbanismo moderno irá tomar como base as ideias iniciais que 
conjecturam as interseções urbanas com objetivo de extinguir os pontos 
negativos vindos do seguimento da urbanização, transformando os 
espaços em locais agradáveis e convidativos. 
Assim, vê-se a arquitetura como uma arte que surgiu nos primórdios 
e que foi se desenvolvendo a partir de constituintes edificadores 
transpassando a vida humana através do esforço criativo e da volumetria. 
Também pode ser considerado como uma obra comunitária que tem sua 
íntegra como fato urbano.
É importante lembrar que para todo o progresso da construção 
de uma cidade e a resolução de seus problemas complexos no âmbito 
humano, se fazem necessárias algumas características, conhecimentos 
e exercício das pessoas, que juntamente com sua criatividade, tornam-se 
responsáveis por uma escolha coletiva, tomando como base os espaços 
criados para demonstração de suas vontades.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
14
Ainda sobre o autor, os profissionais de arquitetura concebem 
a cidade de uma problemática pessoal colaborando com suas 
particularidades, como por exemplo: o desenho e sua apreciação ao 
espaço e ao seu contexto, a imaginação e criatividade, a competência de 
síntese e o aspecto global das dificuldades. 
Porém, mesmo com experiências anteriores, seja no desenho ou 
experiências atuais com o auxílio da tecnologia, é comum ver arquitetos ou 
profissionais da área que não entram em acordo sobre como determinar 
uma estrutura urbana ou a forma apropriada para uma cidade.
A morfologia urbana é um conteúdo amplo, que não envolve 
somente a disposição de edifícios na área, questionamentos funcionais 
ou a geração de economia. É de responsabilidade, principalmente, do 
arquiteto pensar nos questionamentos, influenciando e refletindo na 
forma como a cidade se desenvolve.
Os problemas que irão surgindo ao longo do tempo podem ser 
sinalizados e reduzidos anteriormente através de um planejamento urbano 
eficaz desenvolvido pelo profissional da área. O enfoque da morfologia 
urbana será oferecido pela planificação de um arquiteto com o conteúdo 
que analisa para implantações de edifícios e do enredo urbano.
Considerando a cidade como um lugar aberto, nela é possível 
observar relações entre as pessoas que excedem o âmbito local e regional, 
inserindo o olhar da cidade em uma conjunção político-econômico mais 
extensa. 
Diante da ótica do urbanismo modernista em relação 
ao traçado medieval, é considerado ultrapassado com 
suas vias sinuosas e irregulares denominadas outrora 
de “traçados das mulas”. Tal modelo já nasce sob o 
estereótipo de “moderno”, industrial e pertencente aos dias 
atuais. Sob a égide desse repertório urbano, assistiu-se ao 
espetáculo da expansão urbana, seja de novas cidades (ou 
mesmo estados e países autointitulados como modernos 
e progressistas), ou bairros, loteamentos ou intervenções 
urbanas (em áreas não ocupadas ou já consolidadas). 
(LINHARES, 2018, p. 7)
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
15
Todavia, Silva (2021) comenta a respeito do urbanismomoderno 
como também marcado por diversas censuras pelo racionalismo e 
reducionismo, pois não podiam ser realizados em todas as partes do 
mundo, visto que cada local possui suas necessidades e dificuldades 
específicas, sujeitas a pesquisas e intromissões diferentes de um local 
para outro. 
Assim, Silva (2016) complementa que é válido atentar para o 
planejamento urbano como uma atividade complexa, que ao longo do 
tempo com suas alterações contribui para o ambiente natural, mantendo 
uma sequência de observações necessárias que irão indicar o recinto 
proposto, afirmando também:
O desenho dos espaços urbanos deve ser adaptado às 
características do meio, tais como topografia, revestimento 
de solo, ecologia, latitude, objetos tridimensionais e 
clima. Porém, com a falta de dados completos, estas 
não estão sendo usadas pelos planejadores do espaço. 
Resultado disso, são os impactos que são provocados ao 
meio ambiente, repercutindo no desequilíbrio do meio 
e também no conforto e salubridade das populações 
urbanas. (SILVA, 2016, p. 8)
Ao longo dos anos, com a formação das cidades, constatou-se 
um avanço abrupto em relação à extensão das cidades, sua densidade 
e população, trazendo novos desafios para as mesmas, buscando 
soluções para os espaços ociosos onde atualmente são considerados os 
principais causadores dos problemas urbanos. As morfologias habituais 
se contradizem com as cidades atuais com a perda de seus espaços 
públicos, a segregação e a privatização. 
VOCÊ SABIA?
De acordo com Silva (2016), a cidade moderna irá apresentar 
desintegração e desalinho estrutural da malha urbana, 
propiciando o desordenamento. Já a cidade tradicional 
era distribuída em ajuntamentos contínuos que guiavam a 
mobilidade e demonstravam orientação.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
16
Figura 1 - Cidade moderna
Fonte: Freepik
Para o autor Silva (2016), os designers modernos ou planejadores 
empenham-se em refazer, através de intervenções menores, o espaço 
urbano fracionado já existente, descrevendo:
Nas cidades de hoje, os planejadores se deparam 
com o desafio de criar ambientes coletivos ao ar livre, 
unificando para um novo desenvolvimento. Muitas vezes 
a contribuição dos planejadores torna-se um pós-fato de 
tratamento cosmético dos espaços que são mal formados 
e mal planejados para o uso público em primeiro lugar. O 
processo usual de desenvolvimento urbano trata edifícios 
como objetos isolados localizados na paisagem, não como 
a maior parte da malha de ruas, praças e espaços abertos 
viáveis. As decisões sobre os padrões de crescimento 
são feitas a partir de planos bidimensionais de uso do 
solo, sem considerar as relações tridimensionais entre os 
edifícios e os espaços e sem uma real compreensão do 
comportamento humano. Nesse processo muito comum, 
o espaço urbano raramente é mesmo considerado como 
um volume exterior com propriedades de forma e de 
escala e com conexões para outros espaços. (SILVA, 
2016, p. 14)
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
17
Contudo, nota-se o aumento da complexidade de tais problemas 
urbanos que interferem na qualidade de vida da população, visto que os 
mesmos carecem de medidas estratégicas para a diminuição de uma 
parte dos cidadãos que moram em locais com baixa qualidade de vida 
e conforto. Sendo assim, as políticas e a sociedade precisam caminhar 
juntos no processo para que formem cada vez mais cidades convidativas 
e habituais.
RESUMINDO:
Então, deu para entender um pouco sobre alguns pontos 
dos principais papéis do urbanismo na formação das 
cidades? Gostou? Para ser mais breve, vamos resumir 
essa linha de pensamento da melhor forma possível. 
Você deve ter compreendido ao longo dessa unidade que 
apesar das problemáticas construídas ao longo dos anos, 
o urbanismo foi se desenvolvendo a fim de rebater e ajudar 
na formação das cidades com melhor qualidade de vida. 
É notável que não podemos deixar de lado a participação 
do arquiteto e urbanista e dos demais profissionais da 
área que desempenharam ao longo dos anos projetos e 
usam de sua criatividade para a formação e ocupação de 
espaços ociosos que, atualmente, estão presentes nas 
demais cidades.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
18
Questões socioeconômicas e culturais do 
urbanismo
OBJETIVO:
Ao término dessa competência, você conseguirá 
discernir sobre a relação entre o urbanismo e as questões 
socioeconômicas bem como as questões culturais das 
cidades, conseguindo visualizar onde cada um influencia 
no desenvolvimento das áreas e quais as características 
permanentes que surgem ao longo dos anos e que 
fazem diferença na formação das cidades. Também irá 
compreender as intervenções urbanas e seus papéis para 
a conservação cultural e histórica dos edifícios. Curioso? 
Então vamos lá saber mais!
Questão urbana versus questão social
Ao longo dos anos a questão urbana e a questão social foram 
averiguadas por diversos autores em relação à vivência das cidades 
modernas e seus pontos urbanos e industriais, marcados por uma história 
de realidades sociais desiguais. Segundo Ivo (2010):
Ambas as questões têm acompanhado os fundamentos 
sociológicos da modernidade sobre o vínculo social, as 
formas de integração social, coesão social e cidadania, 
em toda a sua formação. O que estabelece essa relação 
são as implicações da questão social sobre o território, 
ou melhor, como as formas de viver, trabalhar, produzir 
e reproduzir impactam sobre um dado território, na 
forma de segregação, periferização etc., qualificando a 
natureza da questão social e as formas de sociabilidade 
urbanas. Isso não significa apenas um exercício mecânico 
de “localização espacial” do social, aqui entendido como 
sociedade, mas supõe entender as variáveis do território 
e do espaço como elementos intrínsecos à formulação da 
“questão social” clássica e também a sua complexidade 
hoje: como o processo de hierarquização social e as 
desigualdades se expressam sobre a morfologia urbana, 
sobre a acessibilidade dos mais pobres às condições de 
moradia, trabalho e serviços públicos. (IVO, 2010, p.1)
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
19
Entendendo a cidade como um espaço público, pode-se observar 
que o espaço privado também está presente no mesmo ambiente, uma 
vez que alguns locais são de acesso coletivo que inclui relações de 
tratados entre afazeres característicos dos proprietários. Alguns espaços 
privados que podemos citar são: shoppings, estádios, clubes, locais para 
eventos e shows, que executam funcionalidades de espaços públicos ao 
longo dos anos.
Os espaços são mantidos devido à determinada regularização de 
fenômenos que atingem as cidades como a violência, a desigualdade 
social, uma má administração, leis impróprias, entre outros fenômenos 
que vão gerando deterioração e afastamento cada vez mais de espaços 
que trazem o crescimento urbano.
Outros espaços também são projetados com a finalidade de manter 
privilégios para algumas classes e acabam mantendo a eliminação de 
parte da população que não consegue atingir a classe mais favorecida 
para ter acesso aos demais espaços. Sendo assim, o que era para ser 
considerado público, toma a finalidade de privação e acabam deixando 
de lado o direito do cidadão de acessibilidade aos mesmos.
Intervenções urbanísticas e relações 
culturais
Uma ação urbana pode ser conhecida de diversas maneiras, onde 
os usos dos seus termos são de grande importância para classificar suas 
práticas, ideias e critérios empregados em cada acontecimento.
O surgimento da preservação conquistou o seu ápice de ações 
em atos de grandes destruições urbanas como a reforma na Inglaterra, a 
revolução francesa e a 2ª Grande Guerra. No Brasil, a primeira manifestação 
preservacionista ocorreu com a proposta do Conde de Gouveias em zelar 
pelo palácio onde viveu o Conde de Nassau, na cidade do Recife.
Através da revolução francesa, surgiu uma grandemassa de 
vandalismo nos monumentos históricos, nomeado como movimento 
eclético, onde todos os estilos arquitetônicos eram utilizados. Para melhor 
compreender tal assunto, o historiador de arquitetura francês Viollet-le-
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
20
Duc (1814 - 1879) apresentou alguns pontos na procura da formação de 
uma unidade estilística arquitetônica.
Após Viollet-le-Duc, o autor John Ruskin (1819 - 1900) surge com 
uma nova versão para conservação dos bens culturais, analisando as 
obras arquitetônicas que não podem receber nenhum tipo de acréscimo. 
Segundo John Ruskin, valoriza-se também as ruínas onde os projetos 
de arquitetura consideram seu estado de conservação depois de alguns 
séculos. 
No século XVIII, a realidade da preservação começa a ser referida, 
dando à mesma um sentido de elaboração de um patrimônio do cidadão. 
Logo, tem-se como conceito de patrimônio uma composição de bens 
que devem ser preservados com todos os seus valores, mantendo sua 
proteção por meio de uma orientação jurídica. 
Tais expressões como: reestruturação, revitalização, renovação, 
reabilitação, reciclagem, restauração, entre outros, podem designar uma 
intervenção, fazendo-se necessária atualmente.
Os termos mais usados atualmente são os de renovação, 
revitalização e reabilitação. Os mesmos são designados para colaboração 
de uma variada série de problemas urbanos que gera efeitos distintos 
para toda uma área urbana. Porém, com a mesma ideia há a modificação 
e recuperação de locais ou construções com objetivo de aperfeiçoá-
los através da alteração de tais espaços. Esses locais são de grande 
importância histórica na arquitetura, pois os mesmos apresentam uma 
relevância cultural para a cidade, cada um com sua característica distinta, 
que deve ser mantida ao longo dos anos.
Para que a população possa desfrutar de forma positiva desses 
ambientes, as pessoas devem participar do planejamento das mesmas, 
desenvolvendo processos que ajudem nas suas necessidades 
econômicas, sociais ou ambientais, para que assim atendam suas 
necessidades. Apesar de toda contribuição, cuidados devem ser tomados 
para que as mudanças feitas, não afastem as comunidades, de tal maneira 
que os empreendimentos sejam construídos com conectividade a sua 
realidade local.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
21
Juntamente com o interesse público, a renovação mantém o 
intuito de reconstruir. Porém, também são expostos princípios através de 
pesquisas, que incluem alguns planos de revitalização, requalificação e 
reabilitação.
Tal área revitalizada deve disponibilizar uma importância significativa 
a diversos agentes e não só a um grupo ou pessoas, uma vez que, fazem 
parte desse grupo os trabalhadores, turistas, crianças, estudantes e 
comunidades carentes. Sem a participação positiva da comunidade, 
esses espaços não terão o mesmo valor, onde as pessoas irão desfrutar 
deles pensando por um lado a longo prazo.
Figura 2 - Esboço de espaço público em Londres
Fonte: Freepik
Assim, com o incentivo da população para a devida apropriação de 
um espaço, o planejamento das áreas e sua maneira de inteirá-los com a 
comunidade consegue ser atingido e tornar-se duradouro. 
A partir da Carta de Lisboa (1995), surge a conservação integrada, 
onde passa-se a preservar o patrimônio cultural das cidades, fazendo 
com que o edifício ou local tenha função de habitar, mantendo sua 
identidade. Essa definição é feita, tecnicamente, da junção do novo e 
do antigo, incluindo pontos como: renovação urbana, requalificação, 
reabilitação, revitalização e conservação, que se disponibilizam para 
fornecer intervenções e novos caminhos para sua aplicação.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
22
VOCÊ SABIA?
A respeito da Carta de Lisboa, algumas cidades brasileiras 
também se posicionaram da maneira como defendida na 
carta, que mantinha o raciocínio amplo que foi trazido no 
I Encontro de Reabilitação Urbana em Lisboa e foi dada 
continuidade no Rio de Janeiro. Assim, formou-se um 
período determinante que possibilitou alcançar conclusões 
pertinentes para ambos os países.
Segundo o artigo 1° da carta, a reabilitação descreve algumas táticas 
distintas, como por exemplo, a Renovação Urbana, que tem como função 
provocar a demolição das estruturas de um local corrompido, com sua 
substituição por um novo modelo contemporâneo, oferecendo uma nova 
função na área, sendo desenvolvidas em áreas urbanas degradadas que 
não possuem valor como patrimônio arquitetônico a ser preservado.
A Reabilitação Urbana, por sua vez, é uma tática de gestão que 
busca requalificar a cidade por meio de várias intervenções designadas 
a identificar suas potências sociais, econômicas e funcionais, com a 
finalidade de melhoria da qualidade de vida das comunidades. Incluindo 
também, a melhoria nas condições físicas, de seus equipamentos, 
infraestrutura, instalações e espaços que mantenham sua integridade 
social. 
A respeito da revitalização, é efetuada através de atividades 
designadas a aumentar a vida econômica da população de uma parte em 
decadência, desenvolvida nos espaços com identidades características 
determinadas.
Em relação à requalificação urbana, emprega-se através de 
métodos destinados a transformar e concluir uma prática adaptada ao 
local no contexto atual. Por fim, tem-se a conservação, onde as decisões 
tomadas são de prevenir o vandalismo, por meio de obras para a 
manutenção necessária.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
23
SAIBA MAIS:
Para saber mais sobre o assunto de Intervenções 
Urbanísticas (renovação, requalificação, reabilitação, 
revitalização e conservação), leia: Carta de Lisboa sobre a 
Reabilitação Urbana 1995, Clique aqui.
De modo geral, cada um desses pontos resulta em um processo 
diferente para as áreas urbanas, onde conseguem consolidar a parceria 
entre o público e o privado.
Questões socioeconômicas 
Com a revolução industrial, as questões socioeconômicas e culturais 
sofrem interferências gradativas ao longo dos anos. É perceptível a 
mudança das cidades em relação à sua economia, no que se refere ao 
acúmulo significativo de infraestrutura com pontos tecnológicos, formados 
pela globalização, polos culturais e turísticos. Segundo Guerra (2000):
É possível também imaginar que a proporção de cada 
um dos fatores e a prevalência dos aspectos positivos ou 
negativos de cada um deles será dada por âmbitos distintos: 
o peso específico socioeconômico de uma dada cidade ou 
região metropolitana em relação ao mundo globalizado 
(âmbito internacional) e a correlação de forças político-
culturais dentro da própria coletividade urbana (âmbito 
local). Não há nenhuma cidade no mundo, mesmo as mais 
ricas, que não tenham dentro de suas fronteiras, áreas 
de extrema pobreza. Há em todas elas uma gradação de 
áreas no que diz respeito à qualidade urbanística (serviços, 
áreas livres, equipamentos, infraestrutura, etc.) que vai do 
“primeiro” ao “terceiro” mundo. (GUERRA, 2000, p.1)
Ainda sobre o autor, a intensidade entre pobreza e riqueza no 
âmbito social e urbanístico, envolvendo também a tentativa de controle 
sobre a deterioração ainda é existente em partes e são estudados como 
forma de reverter a circunstância.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
https://www.culturanorte.pt/fotos/editor2/1995__carta_de_lisboa_sobre_a_reabilitacao_urbana_integrada-1%C2%BA_encontro_luso-brasileiro_de_reabilitacao_urbana.pdf
24
O foco para uma cidade com controle urbanístico e desenvolvimento 
socioeconômico nas chamadas cidades mundiais é de importância não só 
para os poderes públicos de forma que contribuí para o desenvolvimento 
desses locais e crescimento econômico. O desenvolvimento da arquitetura, 
não só em edifícios horizontais, mas visto a importância de contribuições 
urbanísticas, é de grande valor para que as cidades cresçam e tenham 
relações entre si. O profissional de arquitetura temforte participação 
nesse processo, uma vez que as relações culturais surgem a partir do 
envolvimento do processo e participação de toda a população.
Segundo o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), no Brasil 
até o ano de 2014 os agenciadores começam a migrar para o mercado 
convencional juntamente com seus serviços comerciais, pequenos 
empreendimentos como oficinas, serviços em geral, entre outros, 
produzindo e ampliando o mercado de trabalho de ampla importância. 
Assim, as periferias urbanas mantêm a participação de programas 
solidários que agem na extensão da cultura, representando papéis 
consideráveis no planejamento de acepção dos territórios, garantindo a 
renda a partir da cultura e identidade.
A crescente urbanização nas cidades brasileiras a partir do século 
XX é uma referência histórica para as relações sociais. Tais transformações 
sofridas ao longo dos anos comoveram de diversas maneiras o convívio 
dos indivíduos e suas relações, como também interferiram nos espaços 
que os mesmos desfrutam. Assim, foram aparecendo novas conformações 
e combates sociais e espaciais que compõem a rotina dos cidadãos. 
Segundo Brito (2015), mais de 80% de toda população do país reside 
em áreas urbanas, na maioria das vezes, não é feito por escolha, mas sim 
pelas condições pessoais de cada um, uma vez que os mesmos desejam 
residir em locais mais agradáveis. Brito (2015) afirma:
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
25
A forma como as cidades se desenvolveram gerou 
problemas porque o poder público não intervém com 
a necessária eficiência, resultando, por exemplo, na 
constituição de periferias ou áreas sem regularidade 
fundiária e carentes de infraestrutura básica. Os 
congestionamentos também são frequentes e os 
investimentos em transporte coletivo estão bem 
aquém do necessário. O crescimento tem acontecido 
de forma desordenada e injusta e a expansão urbana 
traz como consequência o encarecimento dos serviços 
urbanos. Como resultado, surge uma cidade cheia de 
desigualdades. (BRITO, 2015, p.1)
Tais necessidades devem ser tratadas pelo poder público tendo 
como importância o debate para um planejamento urbano favorável que 
consiga atingir o progresso nas utilidades sociais da cidade, promovendo 
boas condições para todos os seus habitantes. Assim, faz-se necessária 
a implementação do Estatuto da Cidade para que insira a participação 
popular no desenvolvimento e planejamento urbano por meio de um 
poder democrático.
Dessa forma, toda e qualquer intervenção deve ser acompanhada 
por responsáveis técnicos que possuam dever de reger os pontos urbanos, 
responsabilizando-se pelas questões físicas, ambientais, urbanas e 
socioeconômicas. Sendo assim, vê-se a importância de um arquiteto e 
urbanista como um profissional apto e responsável por tais mudanças e 
segurança dos cidadãos.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
26
RESUMINDO:
Então, deu para entender um pouco sobre alguns pontos 
socioeconômicos do urbanismo? Gostou? Para ser mais 
breve, vamos resumir essa linha de pensamento da melhor 
forma possível. Você deve ter compreendido ao longo 
deste capítulo que o urbanismo tem forte contribuição 
para o desenvolvimento das cidades, uma vez que cada 
região necessita de espaços desenvolvidos nas melhores 
condições para que os habitantes desfrutem e tenham 
melhoria e qualidade de vida. Após a Revolução Industrial, 
nota-se que a migração da população em busca de 
empregos nas grandes cidades repercute até os dias atuais, 
onde os mesmos buscam empregos e fazem com que o 
crescimento das cidades siga de forma desordenada. Para 
o controle e contenção dessa desordem, é de fundamental 
importância que o profissional da área evite regiões e 
espaços que além de serem ociosos, não consigam fazer 
bom proveito do local, não ampliando de forma positiva a 
economia daquela região. Assim, locais e intervenções são 
fundamentais quando se diz respeito à questão urbana 
e social nas cidades, sem deixar de lado que quanto 
mais a economia cresce, mais a cultura daquele local se 
desenvolve, gerando emprego e renda para todos. O papel 
do urbanista na economia e na cultura será necessário 
juntamente com o poder público para que dê suporte e 
supra as necessidades de cada cidade.
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27
Urbanismo e legislação dos municípios
OBJETIVO:
Ao término dessa competência, você conseguirá visualizar 
as medidas tomadas para que o urbanismo se desenvolva 
de forma ordenada e gere melhoria de vida para toda a 
população, sendo importante entender o princípio das 
legislações municipais e sua aplicação no planejamento 
urbano, identificando os principais órgãos e atores nesse 
processo. Você também vai compreender melhor o 
desenvolvimento de legislações juntamente com os 
poderes públicos com intuito de maior participação da 
sociedade. Curioso? Então vamos lá saber mais!
Legislações urbanísticas
A cidade sempre foi um local de contraposições, seja refletindo 
medos, esperanças, segurança, solidão, exclusão, entre tantas 
características. Através de seu crescimento desacelerado, teve respostas 
impactantes e excludentes ao longo do tempo. 
Figura 3 - Crescimento das cidades
Fonte: Pixabay
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28
Com 80% da população residindo nas cidades, a minoria da 
população usufrui de facilidades urbanas tais como: lazer, conforto, 
moradia, trabalho, contato com o meio ambiente, entre outras prioridades. 
Os mesmos também são os que sobrevivem sem saneamento básico, 
sem transporte de qualidade e sem acesso a planos de saúde. Os 
assentamentos urbanos que vão surgindo nos demais locais são, em sua 
maioria, irregulares e ilegais.
Sendo assim, é imprescindível o planejamento urbano ao longo 
do crescimento desordenado das cidades, fazendo com que surjam 
ambientes mais sustentáveis e justos para moradia. 
Com novas regularizações de ocupação do solo através de medidas 
responsáveis, as cidades devem oferecer apropriação devida dos 
territórios onde apresenta um compartilhamento mais justo oferecendo a 
toda a população benefícios e vantagens de qualidade de vida ao longo 
das etapas de urbanização. 
A partir da década de 70 se sucede, no país, uma grande mudança, 
onde a população rural vira urbana. Com mais de 200 milhões de 
habitantes e em sua maioria inserida nas cidades, as rápidas etapas 
trouxeram algumas consequências, podendo ser visualizadas algumas 
em marginalização, violência urbana e outros problemas que estão 
presentes ao longo da vida dos brasileiros. As regiões metropolitanas e 
as periferias ampliam-se em desordem e, em sua maioria, acabam sendo 
representadas por populações mais carentes que já têm passado pela 
população central e estão em busca de empregos e qualidade de vida. 
Começando pelas ferramentas legislativas, os municípios possuem 
a chance de desempenhar sua função que é assegurar que seus 
habitantes possam participar e dar suas opiniões para a formação de suas 
localidades, sendo possível executar cidades mais justas.
O estatuto da cidade
Através dos vários conceitos do urbanismo, várias são as definições 
sobre a cidade e o que a mesma deve acarretar em seu desenvolvimento. 
Mas, pode-se observar que a área busca qualificar o conjunto de 
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
29
providências estatais designadas a ordenar os locais habitáveis para 
toda a comunidade, tendo em vista que tais espaços são usufruídos e 
destinados ao homem de maneira coletiva que gere habitação, recreação 
e circulação dos seus usuários.
Assim, surge o direito urbanístico que possui algumas características 
influenciadas pelo urbanismo, sendo o primeiro movido ao ramo que tem 
como objetivo o estudo e formulação das concepções e regulamentos 
que orientam os recintos habitáveis. A criação do mesmo surge da 
necessidade de regularização do coletivo em relação ao meio ambiente, 
fazendo surgir normas jurídicas em relação,por exemplo, à ocupação do 
solo, dos transportes e do saneamento básico.
Surge assim, o Estatuto da Cidade, responsável por trazer meios 
que possibilitem a fundação do direito urbanístico, criando regras para 
que façam com que as cidades se desenvolvam mais organizadamente e 
gerem qualidade de vida para todos.
O Estatuto da Cidade, Lei Federal n° 10.257, determina novas regras 
por meio de mecanismos de incentivo do uso e ocupação do solo. Segundo 
o Estatuto, em seu capítulo I, são definidas algumas características, como 
por exemplo: 
Cidades sustentáveis, que descrevem como garantia 
o direito à terra urbana, à moradia, ao saneamento 
ambiental, à infraestrutura urbana, ao transporte e aos 
serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as gerações 
presentes e futuras que passam a ter vigência como um 
dos direitos fundamentais da pessoa humana, incluído no 
conjunto dos direitos humanos. (MALDANER, 2015, p. 4)
IMPORTANTE:
Diante disso, recomenda-se a leitura do artigo produzido 
por Talissa Maldaner e Janaína Rigo Santin, para que se 
possa compreender o Estatuto da Cidade e suas demais 
características de forma mais detalhada. Clique aqui.
Visto que os setores das cidades são orientados por leis, a Lei 10.257 
realizada em 10 de julho 2001 é chamada de Estatuto da Cidade, que irá 
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
https://online.unisc.br/acadnet/anais/index.php/sidspp/article/download/13065/2281
30
regulamentar as políticas urbanas, sendo um progresso significativo para 
a renovação e criação de cidades cada vez mais sustentáveis.
Figura 4 - Cidades verdes: cidades mais sustentáveis
Fonte: Pixabay
Segundo Maldaner (2015) essas leis foram estudadas e realizadas a 
partir do desenvolvimento de uma tarefa comunitária ao longo da história 
das cidades. O autor descreve uma visão importante sobre o tema em 
questão:
A aprovação do Estatuto da Cidade é uma conquista dos 
movimentos populares, que se mobilizaram por mais 
de uma década na luta por sua aprovação. Esta luta foi 
conduzida a partir da ativa participação de entidades civis 
e de movimentos sociais em defesa do direito à cidade e 
à habitação e de lutas cotidianas por melhores serviços 
públicos e oportunidades de uma vida digna. (MALDANER, 
2015, p. 15)
Desse modo, compreende-se que o combate por esse assentimento 
foi mais adiante do que o interesse de um local para habitação, mas 
também foi uma batalha contra o contraste e a restrição social. A luta por 
esses espaços cada vez mais sustentáveis, não é só para aqueles que 
buscam qualidade de vida, mas os que desejam avançar com saúde e 
conforto ao longo de suas vidas.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
31
Ainda de acordo com Maldaner (2015), os conceitos fundamentais 
para o Estatuto podem ser listados, como por exemplo: a programação 
participativa e a utilidade social do domínio, buscando não apenas o 
acolhimento ambiental, como também o conforto e a segurança da 
população.
Por proceder de uma lei ampla, para que possa atuar em todos 
os municípios, se faz necessário que cada um organize seus Planos 
Diretores Municipais como forma de efetivar, em esfera municipal, todas 
as orientações e ferramentas de políticas urbanas realizadas ao longo do 
Estatuto da Cidade. Sendo assim, para a autora:
O Estatuto da Cidade surge como uma tentativa de 
minimizar os graves problemas observados, que são 
decorrentes da rápida e desordenada ocupação do 
espaço, como por exemplo, a formação de periferias 
e também é uma tentativa de democratizar a gestão 
das cidades brasileiras. Esse Estatuto é a esperança de 
mudança do cenário urbano brasileiro, pois através de 
seus instrumentos, ele reforça a atuação do poder público 
na busca de cidades mais democráticas, equitativas e 
sustentáveis. (MALDANER, 2015, p. 6)
Contudo, é de extrema importância que para garantia de cidades 
sustentáveis, tanto a sociedade como o município devem interagir em 
busca de seus propósitos por meio dos seus Planos Diretores para que 
consigam dar um fim à desorganização do crescimento vertiginoso 
que exclui as comunidades mais carentes e dá vantagens à minoria da 
população que é mais favorecida.
Plano diretor
Ao longo dos anos, a urbanização não pôde ser conduzida por 
políticas públicas efetivas no que se refere à adaptação dos residentes 
nas cidades, mas foi acompanhada por diversos problemas como: 
instabilidades sociais, econômicas e ambientais.
Sendo assim, a população observou a necessidade de ir atrás dos 
seus direitos e de realizar reivindicações populares que buscavam o melhor 
planejamento e desenvolvimento das cidades, que reconhecessem as 
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32
suas capacidades e que pudessem incluir os seus desejos em busca da 
preservação do meio e melhoria da qualidade de vida.
Desse modo, foi imprescindível produzir meios que objetivassem 
envolver os cidadãos nas resoluções ligadas ao planejamento das cidades, 
incentivando o poder da gestão democrática e ação em relação ao meio 
ambiente. Surge o Plano Diretor para municípios com mais de vinte mil 
habitantes, localizados em regiões metropolitanas ou agrupamentos 
urbanos. Mesmo que as mesmas não possuam tais características, 
também podem fazer uso do Plano Diretor. 
Conforme estudos, observa-se que o Plano Diretor das cidades 
é um dispositivo essencial da política de evolução dos municípios, não 
sendo o único, mas composto por vários materiais que devem ser também 
utilizados no desenvolvimento desses locais.
A função desse plano não é apenas desenvolvida através do poder 
público, mas também da participação da sociedade com o mesmo, 
fazendo necessário obter vistorias a cada dez anos. Assim, é possível 
manter uma organização do crescimento e melhor funcionamento dos 
municípios em planejamentos futuros, compreendendo a necessidade de 
cada população e conseguindo manter as mesmas atendidas.
O poder público deverá aplicar as leis de acordo com a necessidade 
de cada localidade, visto que cada um precisa de melhorias em relação 
ao lazer, mobilidade, acessibilidade, conforto, segurança, entre outras 
políticas urbanas que devem ser estudadas de acordo com o programa 
de necessidades.
O papel da sociedade nesse quesito é de extrema importância, visto 
que a cidade cresce a partir dos seus moradores e dos seus interesses, 
reagindo de forma política e econômica e interagindo no dia a dia. Assim, 
faz-se necessário a opinião de todos os cidadãos para a escolha do bem 
coletivo e para que a segregação espacial passe a não existir, como 
afirma a declaração dos Direitos Humanos, no qual todos têm direito às 
necessidades básicas e melhores condições de vida.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
33
RESUMINDO:
Mas e então? Qual seria a importância da aplicação das 
legislações nos municípios? E o papel do urbanismo nesses 
locais? É realmente de grande importância a posição dos 
direitos da sociedade na questão urbana? Então, o que 
fará grande diferença para a ampliação e um crescimento 
ordenado nas cidades é o planejamento urbano cada vez 
mais eficaz. Será de suma importância a participação da 
sociedade juntamente com planos bem elaborados pelos 
gestores públicos para que consigam desenvolver cidades 
sem a segregação espacial. Por isso, se faz necessário o 
estudo sobre o Estatuto das Cidades e o Plano Diretor de 
cada município, bem como as leis de cada um, a fim de 
entender melhor o que deve ser feito em cada localidade. 
As leis são desenvolvidas ao longo dos anos para que cada 
vez mais a participação social se faça presente e tenha 
direito a expor suas opiniões e consigam atingir a melhoria 
da qualidade de vida, segurança e conforto para todos.
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34
O perfil profissional do urbanista
OBJETIVO:
Ao término dessa competência, você irá identificar as 
competências e requisitos do perfil profissional do urbanista, 
avaliando as perspectivase oportunidades de trabalho e 
empreendedorismo nessa área de atuação, bem como a 
sua importância ao longo do âmbito profissional. Curioso? 
Então vamos lá saber mais!
Espaços convidativos
Devido à importância ao longo das competências, do papel 
das legislações para o desenvolvimento dos municípios, não se pode 
descartar a importância de um profissional que esteja diretamente ligado 
a essas leis para que consigam se desenvolver.
Com o ambiente em constante transformação, de espaços naturais 
em espaços produtivos, o significado econômico surge diante das cidades, 
dando continuidade às necessidades do homem e da natureza. Assim, a 
produção e o consumo dão início ao verdadeiro valor e uso dos mesmos.
Ao longo dos anos na vida social podemos observar alguns 
problemas que irão se desenvolver nas cidades. Um exemplo que pode ser 
observado são as calçadas, praticamente sem utilização, motivadas pelo 
fator da insegurança, ou também como outro exemplo pode ser citada 
uma rua inteiramente residencial, onde as casas possuem como fachadas 
grandes muros que isolam totalmente a residência da rua. Quando isso 
acontece, perdemos um princípio muito importante, o pressuposto de 
“olhos da rua”, onde a vigilância natural é feita pelos próprios moradores, 
mas nesse caso dos muros, isso não acontece e a ideia de apoio geral da 
rua fica esquecida.
O que muitas vezes não é percebido pela maioria das pessoas é 
que a utilização da rua pouco se relaciona com a questão de estética, 
mas sim com o empreendimento palpável que as calçadas possuem e a 
forma como as pessoas vão utilizar esses empreendimentos no cotidiano.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
35
Essa informação fica clara quando colocamos em comparação 
duas ruas: uma residencial e outra comercial. As ruas que dispõem de 
mais comércios e empreendimentos possuem uma maior movimentação 
de pessoas do que as ruas inteiramente residenciais, isso se dá porque as 
ruas comerciais possuem um fator de interesse comum para a população, 
onde pessoas de diferentes formas de vida se encontram por conta da 
necessidade da busca dos serviços oferecidos.
Assim, se não for encontrado nenhum tipo de oportunidade concreta 
e tangível de interação, como será cultivada a segurança e a vida nas 
calçadas? Como diminuirá a segregação e a discriminação racial no país? 
Sem o contato público nas ruas, as mesmas não existirão. Tendo em vista 
que a classe menos favorecida tem a necessidade desse contato, pois a 
partir dela surgirão oportunidades de emprego. Os espaços públicos são 
importantes e fundamentais em todas as cidades. 
As cidades são locais onde as pessoas se encontram para 
trocar ideias, comprar e vender ou simplesmente relaxar 
e se divertir. O domínio público de uma cidade (suas 
ruas, praças e parques) é o palco e o catalisador dessas 
atividades. (GEHL, 2010 p. 8)
Tendo em vista a privacidade na zona urbana, é nítido que o 
planejamento urbano muitas vezes trata a privacidade como uma questão 
de janelas, vistas, ângulos de visão, podendo observar que o tema urbano 
abrange os mais variados fatores, como exemplo o meio que está inserido, 
o tipo de empreendimento implantado no local, o público que irá utilizar.
Profissionais da área do urbanismo
Com o modernismo, surge a baixa prioridade dos espaços públicos 
e algumas das principais causas da segregação desses espaços: a 
valorização das vias para veículos motorizados, trazendo a diminuição das 
atividades sociais na cidade. As vias com alta densidade de veículos que 
apresentam pouca arborização, rios canalizados e ambientes insatisfatórios 
de convivência, são responsáveis por tornarem os ambientes monótonos. 
Assim, a frequente rotina de ir às ruas a pé e desfrutar de espaços 
públicos ao longo da caminhada que despertem o bem-estar do pedestre 
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
36
foi diminuindo, também pelo fato da priorização de espaços para os 
automóveis, como os estacionamentos, tornando as áreas cada vez mais 
isoladas e indiferentes ao seu entorno.
A partir dessa visão, entra o papel do arquiteto e urbanista no 
espaço urbano, onde irá atuar, principalmente, visando as áreas menos 
favorecidas para que possibilitem locais como ruas, recintos, residências 
e espaços urbanos sejam cada vez mais passíveis de práticas como 
caminhar, ter lazer, conforto, segurança, entre outros pontos positivos que 
surgem do convívio humano ao longo do tempo.
Segundo Jan Gehl (2010), para a expansão de áreas para caminhar 
e pedalar, o urbanista deve visar a questão do aumento das cidades em 
relação à quantidade e qualidade dos espaços públicos agradáveis, bem 
planejados e, na escala do homem, sustentáveis, saudáveis, seguros e 
cheios de vida. A cidade se torna mais densa, compacta e segura, quando 
se tem ruas, praças e parques considerados como um todo, apropriando-
se de forma correta desses espaços. 
É comum na maioria dos municípios a presença de áreas limitadas, 
ruídos, poluição e demais condições que as tornem desagradáveis para 
os habitantes. A verdadeira função que o profissional deve desempenhar 
a respeito do espaço público é manter os locais de encontro e convívio, 
trazendo consequências positivas na qualidade de vida da população. 
Visto que, no século XXI, estão sendo apresentados vários desafios 
globais que mostram a preocupação na dimensão humana dos profissionais 
e que trazem o desejo de cidades vivas, seguras e sustentáveis. A partir 
da participação do urbanista irá surgir o enfrentamento do profissional ao 
combate das demais áreas que não apresentem pontos positivos.
Com o desenho urbano da cidade realizado por profissionais 
responsáveis, é possível notar os benefícios da utilização dos espaços 
ociosos dispostos pelas cidades. As ruas e bairros interferem no estilo 
de vida das pessoas que frequentam cada área, sendo perceptíveis, no 
cotidiano, alguns ambientes mais convidativos que outros. Esse impacto 
do desenho urbano vai além dos momentos de deslocamento, como 
observa Pacheco (2017):
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
37
Em outras palavras, o impacto da configuração e 
do desenho dos bairros vai além dos momentos de 
deslocamento, alcançando esferas que, à primeira vista, 
parecem não ter qualquer relação com o planejamento 
urbano. O modo como as diferentes regiões de uma cidade 
são desenhadas afetam a percepção de segurança, os 
níveis de sociabilidade e o quanto as pessoas caminham 
por motivo de lazer ou como meio de locomoção. 
(PACHECO, 2017, p.1)
Assim, é notável que quanto mais um bairro apresente melhores 
condições para o pedestre, como locais com áreas verdes para caminhada, 
ambientes mais densos com fachadas ativas de comércios e residências, 
calçadas acessíveis, um bom mobiliário urbano e boa iluminação, maiores 
serão os níveis de bem-estar (físico, mental e social) das pessoas.
Figura 5 - Espaços para caminhar – Madison Square Park em Manhattan
Fonte: Wikimedia commons
Assim, a autoconstrução tanto de edificações, quanto de locais 
ociosos, realizados pela sociedade, entra em contrapartida com a 
atuação dos profissionais da área, uma vez que as pessoas querem locais 
bem desenvolvidos e planejados, mas não procuram os profissionais 
qualificados, a maioria da população precária desenvolve suas moradias 
de acordo com o que possuem.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
38
Para isso, se pode observar nas demais autoconstruções sem a 
participação correta de profissionais, algumas práticas desenvolvidas 
de modo negativo, obtendo má qualidade dos espaços, gerando alguns 
problemas de habitação social e uma perspectiva baixa em relação aos 
demais ambientes. De acordo com Linhares (2018):
Nesta perspectiva, a autoconstrução não é tratada como 
um problema a ser erradicar apenas por sua condição de 
existência, tampouco como palco de ações tecnocratas 
que impõem um único modo de morar. Propõe-se que 
seus problemasreais sejam enxergados e que as ações 
de intervenção, quando necessárias, não correspondam 
ao modelo de tratamento de problema violento, proibitivo, 
ordenado e padronizado, comumente utilizado nesses 
contextos. Assim, a partir da definição das reais dificuldades 
e da real precariedade enfrentada pelos moradores é que 
se propõe a atuação do arquiteto. (LINHARES, 2018, p. 17)
Assim, é possível notar que o profissional urbanista e os demais 
que fazem parte da construção de ambientes e espaços que a sociedade 
desenvolve e interage é importante de forma que agregue as demais 
construções e autoconstruções à real necessidade da área e desenvolva o 
programa de necessidades determinando a carência e o que cada espaço 
necessita, sendo possível planejar antes de se projetar um espaço.
Assim, esses recintos tornam-se responsáveis por uma fonte de 
equilíbrio que gera qualidade de vida, trazendo um planejamento urbano 
harmônico, que introduza o contato do homem com a natureza, por meio 
de diversas atividades como: esportivas, culturais, contemplativas e 
educativas. 
Visto a importância desses ambientes para as cidades, tornaram-se 
crescentes as exigências dos órgãos responsáveis pela criação de mais 
espaços como jardins, bosques, ruas arborizadas, parques, que são os 
“pulmões” das cidades, tornando-se essencial a presença de profissionais 
para criação desses espaços.
A participação dos profissionais de arquitetura e urbanismo no Brasil 
é crescente, visto que os responsáveis pela construção não são apenas 
os engenheiros como alguns pensam, estendendo o papel do arquiteto, 
saindo do papel de edificação e atingindo o âmbito do urbanismo.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
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Com a globalização e a participação dos capacitados para a 
empreita a área de atuação cresce. A urbanização nasce como um 
fenômeno que cresceu a partir do capitalismo e segue aumentando sua 
produção e expansão pelo mundo. 
Anteriormente, o que era definido apenas pelo poder público, passou 
a ser de responsabilidade social, com o aumento da competitividade e 
individualidade de consumo. Segundo Linhares (2018):
O urbanismo e as políticas habitacionais voltadas aos 
interesses do mercado, não se estendem, portanto, 
à população pobre, visto que, na maioria das vezes, 
está inserida em áreas que não garantem lucros aos 
empreendedores e, por isto, não são alvo de investimentos 
e de ações de inserção de serviços, equipamentos e 
infraestrutura urbana. Viver em áreas precárias não é 
uma escolha: torna-se uma imposição diante da cidade 
neoliberal que configura o espaço em prol dos interesses 
privados e assegura a ordem social e os poderes da classe 
dominante. (LINHARES, 2018, p. 21)
Outra importante forma de atuação do urbanista é nas habitações 
de interesse social. Porém, o desenvolvimento desses projetos é limitado, 
pois os técnicos da área terão que desenvolver moradias de acordo com 
padrões característicos, sendo, nesse contexto, o urbanista um profissional 
contratado para a criação de algumas ações de habitação.
SAIBA MAIS:
Para que se possa compreender melhor o assunto de 
habitação de interesse social recomendamos a leitura do 
artigo Habitação de Interesse Social, produzido por Leda 
Velloso. Clique aqui.
De início, o governo atribuiu a produção de habitações populares, 
apesar disso, eles deixavam de lado as aglomerações formadas ao redor 
de locais nobres e industriais, que se tornaram abandonadas e de baixa 
qualidade de vida. 
Com o intuito de ordenar e limpar essas áreas, surge a atuação 
do profissional urbano que tem como finalidade a implementação do 
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-22012018000100204
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fim dos cortiços e aglomerados de habitações que consigam suprir as 
necessidades da população.
VOCÊ SABIA?
O I Congresso de Habitação foi feito em São Paulo, que 
defendia a diminuição dos gastos de moradia, fazendo 
com que a população mais necessitada tivesse acesso aos 
mesmos. A principal criação foi a Fundação da Casa Própria, 
no ano de 1946, com o objetivo de fornecer residências 
para a população carente.
Apesar de toda a trajetória dos profissionais dedicados à área, 
a situação atual das habitações no Brasil ainda demonstra certa 
falta de interesse quanto à resolução de seus problemas. Uma vez 
que as habitações estão inseridas em lugares distantes dos centros, 
possuem dificuldades em seus acessos, como também o problema de 
infraestrutura, transporte, saneamento, fazendo com que a população se 
desloque constantemente para lugares distantes atrás de trabalho. 
Assim, é importante que os urbanistas que visam a implantação 
de espaços de convívio e lazer, estejam preocupados em projetar tais 
moradias, com a sociedade promovendo o encontro e o convívio entre si.
A criação do Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social 
(SNHIS) foi regularizada pela Lei federal n° 11.124 de junho de 2005, 
para a população de baixa renda, suas principais finalidades eram: (1) 
proporcionar a essa população mais carente o acesso à terra urbanizada 
e a uma habitação que oferecesse dignidade, (2) instalar políticas e 
diretrizes de investimentos que promovessem a viabilidade e acesso 
da população carente à habitação, (3) associar, acompanhar e apoiar os 
órgãos e instituições que executam funções na habitação.
Contudo, a vida nas grandes cidades relata a grande importância 
do planejamento das mesmas através do perfil profissional do arquiteto e 
urbanista, uma vez que possam ser desenvolvidos através de estudos de 
marchas, programas de necessidades e outros pontos importantes como 
as ruas, parques, praças, entre outros locais para convívio, nos demais 
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municípios e regiões, dispondo de uma boa infraestrutura e que permita 
o convívio e as condições civilizadas entre os indivíduos. 
Figura 6 - Habitação de Interesse Social
Fonte: Wikimedia commons
RESUMINDO:
Mas e então? Quais seriam os papéis tão consideráveis do 
arquiteto e urbanista no desenvolvimento de espaços mais 
convidativos para as cidades? Vale a pena investir nesses 
profissionais? As habitações sociais são bem distribuídas 
nas cidades? Então, como você observou, o mundo do 
arquiteto é bastante amplo, principalmente no que se refere 
à sua atuação em relação ao urbanismo. Os profissionais 
precisam ser capacitados para desenvolver cada vez mais 
áreas que atinjam o programa de necessidades e consigam 
que as pessoas compreendam a importância e o valor do 
seu trabalho. A autoconstrução ainda é bastante presente 
no país, porém, os espaços que desenvolvem a partir de um 
planejamento urbano através de profissionais capacitados 
que são mais suscetíveis à presença de locais de convívio 
que ofereçam a possibilidade de caminhar, conforto, 
segurança, entre outros pontos positivos que apresentam 
o projeto urbanístico das cidades.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
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REFERÊNCIAS
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2016. Disponível em: https://bit.ly/3kCszEC. Acesso em: 05 jan. 2021.
Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo
	A evolução do urbanismo e a formação das cidades
	O papel do urbanismo
	A formação das cidades
	Questões socioeconômicas e culturais do urbanismo
	Questão urbana versus questão social
	Intervenções urbanísticas e relações culturais
	Questões socioeconômicas 
	Urbanismo e legislação dos municípios
	Legislações urbanísticas
	O estatuto da cidade
	Plano diretor
	O perfil profissional do urbanista
	Espaços convidativos
	Profissionais da área do urbanismo

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