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Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo Unidade 3 Fundamentos, teoria e crítica do urbanismo Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autoria MIRELLA RAMALHO CAVALCANTE ALEXSANDRO PEREIRA AUTORIA Mirella Ramalho Cavalcante Sou formada em Arquitetura e Urbanismo pela Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas - UNIFACISA. Passei por escritórios de arquitetura e pela prefeitura de Campina Grande na Paraíba. Atualmente, atuo como profissional autônoma. A área de urbanismo e toda a sua história, desde o início, como também pelo meu desenvolvimento do trabalho de conclusão de curso, me fascinam até hoje. Gosto de incentivar as pessoas a olhar com mais delicadeza à arquitetura e todas as áreas que a mesma abrange. Alexsandro Pereira Sou Arquiteto e Urbanista graduado pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2007) e Mestre pelo Programa de Pós Graduação em Arquitetura e Urbanismo (PPGAU) da Universidade Federal Fluminense (UFF) com enfoque na área de Habitação de Interesse Social. Membro do Corpo Docente do grupo ITEC, onde leciono para o Curso de Arquitetura e Urbanismo da Faculdade TECSOMA em diversas disciplinas ligadas a Projetos Arquitetônicos. ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: OBJETIVO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO A evolução do urbanismo e a formação das cidades .................. 10 O papel do urbanismo ................................................................................................................. 10 A formação das cidades .............................................................................................................. 11 Questões socioeconômicas e culturais do urbanismo ............... 18 Questão urbana versus questão social ............................................................................ 18 Intervenções urbanísticas e relações culturais ......................................................... 19 Questões socioeconômicas ...................................................................................................23 Urbanismo e legislação dos municípios ...........................................27 Legislações urbanísticas ............................................................................................................27 O estatuto da cidade ....................................................................................................................28 Plano diretor ........................................................................................................................................ 31 O perfil profissional do urbanista .........................................................34 Espaços convidativos ...................................................................................................................34 Profissionais da área do urbanismo ...................................................................................35 7 UNIDADE 03 Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 8 INTRODUÇÃO Você sabia que a área do urbanismo é uma das mais demandadas em relação ao desenvolvimento das cidades e também responsável pela organização dos seus espaços? Isso mesmo. O urbanismo faz parte da arquitetura e é fundamental na disciplina. Sua principal responsabilidade é desenvolver cidades que mantenham níveis de habitação, conforto e bem estar para toda a população. É considerada também uma área extensa de desenvolvimento e ao longo dos anos foi ganhando força. O que antes se entendia como arquitetura apenas em construções de edifícios, residências, construções verticais, agora irá ter forte significado em cada espaço ocioso e é uma forma de unir as pessoas e gerar espaços de lazer, bem estar e convívios entre todos os seus usuários. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade III. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Compreender a evolução do urbanismo e seu impacto na formação das cidades ao longo da história até a atualidade. 2. Discernir sobre a relação entre o urbanismo e as questões socioeconômicas e culturais das cidades. 3. Entender o princípio das legislações municipais e sua aplicação no planejamento urbano, identificando os principais órgãos e atores neste processo. 4. Identificar as competências e requisitos do perfil profissional do urbanista, avaliando as perspectivas e oportunidades de trabalho e empreendedorismo nesta área de atuação. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 10 A evolução do urbanismo e a formação das cidades OBJETIVO: Ao término desse capítulo você será capaz de entender como funciona o papel do urbanismo dentro da arquitetura. Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. É de fundamental importância o entendimento da execução e do planejamento do urbanismo nas cidades para que formem ambientes acessíveis, espaços convidativos e instalações habitáveis. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então vamos lá. O papel do urbanismo A área do urbanismo é uma matéria de compreensão vista como ciência ou como técnica, que a cidade possui como instrumento relevante de estudo e interferência. A disciplina nasce no século XIX, localizada na Europa, após a revolução industrial, a procura de modificações essenciais à existência desordenada das cidades. No século XX, a disciplina irá alcançar maior discernimento teórico, mesmo que, atualmente, ainda sejam utilizadas definições tradicionais, ligadas à estética e funções antigas. Apesar disso, a área do urbanismo conseguiu atingir vários conceitos e visões que não se resumem só na relação de arquitetos e engenheiros, mas também na busca pela participação das comunidades, englobando o campo social. A essência do urbanismo está na busca do desenvolvimento do espaço urbano, como também regional e suas expressões concretas, a fim de presenciar a busca da melhor qualidade de vida, passando por constantes transformações. Assim, o urbanismo mantém um papel importante no processo de instrumentalização, desde o caminhar pela calçada chegando à edificação de grandes meios urbanos, alterando a maneira de viver dos habitantes. Denomina-se assim, a área do urbanismo como sendo um campo de Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 11 conhecimento ou um método de intromissão nos demais espaços, considerado como uma doutrina de planejamento e estruturação dos espaços urbanos. O termo da área surge historicamente, quando se faz parâmetro à produção de uma coleção de sugestões de intervenção física no meio urbano, principalmente no seu tracejado, tanto para a beleza estética,como também para reparação da infraestrutura, melhorando o saneamento e a circulação, tomando como base a arquitetura e engenharia. O período greco-romano ajudou a atenuar o compartimento que unia a religião do espaço urbano erguido. A datar da idade média, as autoridades leigas vão surgir, mesmo a sociedade ainda seguindo suas religiões. A partir da revolução industrial, o urbanismo moderno irá chegar e com ele várias alterações serão realizadas, abandonando o tradicional das cidades e empregando o uso da utopia, que não foi aceita por várias cidades, mas que é a grande dianteira de alguns modelos espaciais. Assim, nota-se a não interrupção entre o urbanismo grego e o romano, tanto em relação aos equipamentos públicos, como aos cuidados estéticos, onde o ensinamento da Grécia serviu para o aparecimento do urbanismo romano. O conceito de cidade aparece ainda em um ambiente rural, de baixa densidade e de residências distantes uma das outras, com a formação de colaborações políticas que não dependem do pensamento urbano. A formação das cidades O processo geográfico está em constante modificação, se tornando dinâmico com diferentes escalas e formas. Assim, cada sociedade vai enxergar suas concepções sociais de tal maneira que distinguem uma das outras. Cada produção do homem no espaço urbano vai adicionar na construção das relações que constituem uma sociedade, contribuindo com a vida cotidiana. Para o surgimento de uma cidade na Grécia antiga, precisava ser, primeiramente, uma postura religiosa e política. Hipócrates analisou antecipadamente a cidade de modo perceptível, compreendendo os Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 12 resultados urbanos, sendo alguns exemplos: sítio, posicionamento, natureza do solo, estudo dos ventos, entre outros tópicos considerados importantes. Porém, o raciocínio fundamentado foi o de Platão e Aristóteles, a partir do século IV, onde Platão insinua a cidade sublime, realizando benefícios econômicos. No urbanismo romano muito parecido com o da Grécia, também, existia a criação das cidades através de rituais sagrados, para que os deuses não estivessem contra a criação da cidade. Em seguida vem o orientation, que consiste em determinar os dois grandes eixos das cidades, como duas ruas principais, o decamanus (leste-oeste) e o cardo (norte-sul), que além de ligar toda a cidade, simboliza uma linha mágica protegida pelos deuses, em qual será construída a muralha. (SILVA, 2016, p. 3) VOCÊ SABIA? Os componentes urbanos fundamentais da cidade romana eram: as ruas, as muralhas, os instrumentos públicos, o fórum e as habitações. Mas a cidade se desenvolveu sem um traçado urbanístico e se submeteu a diversos problemas. A maioria dos agrupamentos modernos foi formada no período medieval, na Europa, juntamente com um intenso progresso urbano. Já no Renascimento, as recém-formações urbanas são menores. O urbanismo em ambas as épocas são totalmente diferentes em suas convicções. Após a revolução industrial, a cidade apresenta uma grande transformação da malha urbana, devido à migração da população para as cidades. O primeiro exemplo que ocorreu foi na Grã-Bretanha a partir de 1801, seguida da França e Alemanha, por volta de 1830. A Revolução Industrial, a partir do século XVIII, chegou trazendo as grandes migrações atrás de emprego, começam a surgir grandes agrupamentos de habitantes inseridos em grupos sociais menos favorecidos, seja por residências sem higiene ou espaços desconfortáveis, possuindo péssimas circunstâncias de vivência. Assim, começam a suceder os vários debates com o objetivo de desenvolver respostas Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 13 viáveis para os problemas urbanos que começaram a surgir ao longo dos anos, visto que também começou a necessidade e importância de um sistema viário que capacite o deslocamento em massa dessas pessoas. Contudo, com a crescente civilização industrial, nasce uma nova situação, onde a cidade se encontra em um novo estabelecimento, a cidade antiga, mais tarde chamada de cidade moderna, que mantém o contínuo crescimento populacional, juntamente com as práticas agrícolas, induzindo a grandes mudanças na economia e nas ordens sociais. No segundo milênio, as cidades já não estão mais da mesma forma, passam a abrigar milhares de habitantes, trazendo o crescimento de mais de 100 hectares. Com a chegada do progresso técnico e da revolução industrial, o tradicionalismo das cidades antigas, é quebrado, pois deixa de serem centros com características religiosas, para habitação de grandes populações, em que o enriquecimento global da sociedade, tecnologia e economia, gera grandes movimentos habitacionais, que trazem junto muitos problemas para a cidade. A partir disso nasce o urbanismo moderno. (SILVA, 2016, p. 6) O urbanismo moderno irá tomar como base as ideias iniciais que conjecturam as interseções urbanas com objetivo de extinguir os pontos negativos vindos do seguimento da urbanização, transformando os espaços em locais agradáveis e convidativos. Assim, vê-se a arquitetura como uma arte que surgiu nos primórdios e que foi se desenvolvendo a partir de constituintes edificadores transpassando a vida humana através do esforço criativo e da volumetria. Também pode ser considerado como uma obra comunitária que tem sua íntegra como fato urbano. É importante lembrar que para todo o progresso da construção de uma cidade e a resolução de seus problemas complexos no âmbito humano, se fazem necessárias algumas características, conhecimentos e exercício das pessoas, que juntamente com sua criatividade, tornam-se responsáveis por uma escolha coletiva, tomando como base os espaços criados para demonstração de suas vontades. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 14 Ainda sobre o autor, os profissionais de arquitetura concebem a cidade de uma problemática pessoal colaborando com suas particularidades, como por exemplo: o desenho e sua apreciação ao espaço e ao seu contexto, a imaginação e criatividade, a competência de síntese e o aspecto global das dificuldades. Porém, mesmo com experiências anteriores, seja no desenho ou experiências atuais com o auxílio da tecnologia, é comum ver arquitetos ou profissionais da área que não entram em acordo sobre como determinar uma estrutura urbana ou a forma apropriada para uma cidade. A morfologia urbana é um conteúdo amplo, que não envolve somente a disposição de edifícios na área, questionamentos funcionais ou a geração de economia. É de responsabilidade, principalmente, do arquiteto pensar nos questionamentos, influenciando e refletindo na forma como a cidade se desenvolve. Os problemas que irão surgindo ao longo do tempo podem ser sinalizados e reduzidos anteriormente através de um planejamento urbano eficaz desenvolvido pelo profissional da área. O enfoque da morfologia urbana será oferecido pela planificação de um arquiteto com o conteúdo que analisa para implantações de edifícios e do enredo urbano. Considerando a cidade como um lugar aberto, nela é possível observar relações entre as pessoas que excedem o âmbito local e regional, inserindo o olhar da cidade em uma conjunção político-econômico mais extensa. Diante da ótica do urbanismo modernista em relação ao traçado medieval, é considerado ultrapassado com suas vias sinuosas e irregulares denominadas outrora de “traçados das mulas”. Tal modelo já nasce sob o estereótipo de “moderno”, industrial e pertencente aos dias atuais. Sob a égide desse repertório urbano, assistiu-se ao espetáculo da expansão urbana, seja de novas cidades (ou mesmo estados e países autointitulados como modernos e progressistas), ou bairros, loteamentos ou intervenções urbanas (em áreas não ocupadas ou já consolidadas). (LINHARES, 2018, p. 7) Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 15 Todavia, Silva (2021) comenta a respeito do urbanismomoderno como também marcado por diversas censuras pelo racionalismo e reducionismo, pois não podiam ser realizados em todas as partes do mundo, visto que cada local possui suas necessidades e dificuldades específicas, sujeitas a pesquisas e intromissões diferentes de um local para outro. Assim, Silva (2016) complementa que é válido atentar para o planejamento urbano como uma atividade complexa, que ao longo do tempo com suas alterações contribui para o ambiente natural, mantendo uma sequência de observações necessárias que irão indicar o recinto proposto, afirmando também: O desenho dos espaços urbanos deve ser adaptado às características do meio, tais como topografia, revestimento de solo, ecologia, latitude, objetos tridimensionais e clima. Porém, com a falta de dados completos, estas não estão sendo usadas pelos planejadores do espaço. Resultado disso, são os impactos que são provocados ao meio ambiente, repercutindo no desequilíbrio do meio e também no conforto e salubridade das populações urbanas. (SILVA, 2016, p. 8) Ao longo dos anos, com a formação das cidades, constatou-se um avanço abrupto em relação à extensão das cidades, sua densidade e população, trazendo novos desafios para as mesmas, buscando soluções para os espaços ociosos onde atualmente são considerados os principais causadores dos problemas urbanos. As morfologias habituais se contradizem com as cidades atuais com a perda de seus espaços públicos, a segregação e a privatização. VOCÊ SABIA? De acordo com Silva (2016), a cidade moderna irá apresentar desintegração e desalinho estrutural da malha urbana, propiciando o desordenamento. Já a cidade tradicional era distribuída em ajuntamentos contínuos que guiavam a mobilidade e demonstravam orientação. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 16 Figura 1 - Cidade moderna Fonte: Freepik Para o autor Silva (2016), os designers modernos ou planejadores empenham-se em refazer, através de intervenções menores, o espaço urbano fracionado já existente, descrevendo: Nas cidades de hoje, os planejadores se deparam com o desafio de criar ambientes coletivos ao ar livre, unificando para um novo desenvolvimento. Muitas vezes a contribuição dos planejadores torna-se um pós-fato de tratamento cosmético dos espaços que são mal formados e mal planejados para o uso público em primeiro lugar. O processo usual de desenvolvimento urbano trata edifícios como objetos isolados localizados na paisagem, não como a maior parte da malha de ruas, praças e espaços abertos viáveis. As decisões sobre os padrões de crescimento são feitas a partir de planos bidimensionais de uso do solo, sem considerar as relações tridimensionais entre os edifícios e os espaços e sem uma real compreensão do comportamento humano. Nesse processo muito comum, o espaço urbano raramente é mesmo considerado como um volume exterior com propriedades de forma e de escala e com conexões para outros espaços. (SILVA, 2016, p. 14) Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 17 Contudo, nota-se o aumento da complexidade de tais problemas urbanos que interferem na qualidade de vida da população, visto que os mesmos carecem de medidas estratégicas para a diminuição de uma parte dos cidadãos que moram em locais com baixa qualidade de vida e conforto. Sendo assim, as políticas e a sociedade precisam caminhar juntos no processo para que formem cada vez mais cidades convidativas e habituais. RESUMINDO: Então, deu para entender um pouco sobre alguns pontos dos principais papéis do urbanismo na formação das cidades? Gostou? Para ser mais breve, vamos resumir essa linha de pensamento da melhor forma possível. Você deve ter compreendido ao longo dessa unidade que apesar das problemáticas construídas ao longo dos anos, o urbanismo foi se desenvolvendo a fim de rebater e ajudar na formação das cidades com melhor qualidade de vida. É notável que não podemos deixar de lado a participação do arquiteto e urbanista e dos demais profissionais da área que desempenharam ao longo dos anos projetos e usam de sua criatividade para a formação e ocupação de espaços ociosos que, atualmente, estão presentes nas demais cidades. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 18 Questões socioeconômicas e culturais do urbanismo OBJETIVO: Ao término dessa competência, você conseguirá discernir sobre a relação entre o urbanismo e as questões socioeconômicas bem como as questões culturais das cidades, conseguindo visualizar onde cada um influencia no desenvolvimento das áreas e quais as características permanentes que surgem ao longo dos anos e que fazem diferença na formação das cidades. Também irá compreender as intervenções urbanas e seus papéis para a conservação cultural e histórica dos edifícios. Curioso? Então vamos lá saber mais! Questão urbana versus questão social Ao longo dos anos a questão urbana e a questão social foram averiguadas por diversos autores em relação à vivência das cidades modernas e seus pontos urbanos e industriais, marcados por uma história de realidades sociais desiguais. Segundo Ivo (2010): Ambas as questões têm acompanhado os fundamentos sociológicos da modernidade sobre o vínculo social, as formas de integração social, coesão social e cidadania, em toda a sua formação. O que estabelece essa relação são as implicações da questão social sobre o território, ou melhor, como as formas de viver, trabalhar, produzir e reproduzir impactam sobre um dado território, na forma de segregação, periferização etc., qualificando a natureza da questão social e as formas de sociabilidade urbanas. Isso não significa apenas um exercício mecânico de “localização espacial” do social, aqui entendido como sociedade, mas supõe entender as variáveis do território e do espaço como elementos intrínsecos à formulação da “questão social” clássica e também a sua complexidade hoje: como o processo de hierarquização social e as desigualdades se expressam sobre a morfologia urbana, sobre a acessibilidade dos mais pobres às condições de moradia, trabalho e serviços públicos. (IVO, 2010, p.1) Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 19 Entendendo a cidade como um espaço público, pode-se observar que o espaço privado também está presente no mesmo ambiente, uma vez que alguns locais são de acesso coletivo que inclui relações de tratados entre afazeres característicos dos proprietários. Alguns espaços privados que podemos citar são: shoppings, estádios, clubes, locais para eventos e shows, que executam funcionalidades de espaços públicos ao longo dos anos. Os espaços são mantidos devido à determinada regularização de fenômenos que atingem as cidades como a violência, a desigualdade social, uma má administração, leis impróprias, entre outros fenômenos que vão gerando deterioração e afastamento cada vez mais de espaços que trazem o crescimento urbano. Outros espaços também são projetados com a finalidade de manter privilégios para algumas classes e acabam mantendo a eliminação de parte da população que não consegue atingir a classe mais favorecida para ter acesso aos demais espaços. Sendo assim, o que era para ser considerado público, toma a finalidade de privação e acabam deixando de lado o direito do cidadão de acessibilidade aos mesmos. Intervenções urbanísticas e relações culturais Uma ação urbana pode ser conhecida de diversas maneiras, onde os usos dos seus termos são de grande importância para classificar suas práticas, ideias e critérios empregados em cada acontecimento. O surgimento da preservação conquistou o seu ápice de ações em atos de grandes destruições urbanas como a reforma na Inglaterra, a revolução francesa e a 2ª Grande Guerra. No Brasil, a primeira manifestação preservacionista ocorreu com a proposta do Conde de Gouveias em zelar pelo palácio onde viveu o Conde de Nassau, na cidade do Recife. Através da revolução francesa, surgiu uma grandemassa de vandalismo nos monumentos históricos, nomeado como movimento eclético, onde todos os estilos arquitetônicos eram utilizados. Para melhor compreender tal assunto, o historiador de arquitetura francês Viollet-le- Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 20 Duc (1814 - 1879) apresentou alguns pontos na procura da formação de uma unidade estilística arquitetônica. Após Viollet-le-Duc, o autor John Ruskin (1819 - 1900) surge com uma nova versão para conservação dos bens culturais, analisando as obras arquitetônicas que não podem receber nenhum tipo de acréscimo. Segundo John Ruskin, valoriza-se também as ruínas onde os projetos de arquitetura consideram seu estado de conservação depois de alguns séculos. No século XVIII, a realidade da preservação começa a ser referida, dando à mesma um sentido de elaboração de um patrimônio do cidadão. Logo, tem-se como conceito de patrimônio uma composição de bens que devem ser preservados com todos os seus valores, mantendo sua proteção por meio de uma orientação jurídica. Tais expressões como: reestruturação, revitalização, renovação, reabilitação, reciclagem, restauração, entre outros, podem designar uma intervenção, fazendo-se necessária atualmente. Os termos mais usados atualmente são os de renovação, revitalização e reabilitação. Os mesmos são designados para colaboração de uma variada série de problemas urbanos que gera efeitos distintos para toda uma área urbana. Porém, com a mesma ideia há a modificação e recuperação de locais ou construções com objetivo de aperfeiçoá- los através da alteração de tais espaços. Esses locais são de grande importância histórica na arquitetura, pois os mesmos apresentam uma relevância cultural para a cidade, cada um com sua característica distinta, que deve ser mantida ao longo dos anos. Para que a população possa desfrutar de forma positiva desses ambientes, as pessoas devem participar do planejamento das mesmas, desenvolvendo processos que ajudem nas suas necessidades econômicas, sociais ou ambientais, para que assim atendam suas necessidades. Apesar de toda contribuição, cuidados devem ser tomados para que as mudanças feitas, não afastem as comunidades, de tal maneira que os empreendimentos sejam construídos com conectividade a sua realidade local. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 21 Juntamente com o interesse público, a renovação mantém o intuito de reconstruir. Porém, também são expostos princípios através de pesquisas, que incluem alguns planos de revitalização, requalificação e reabilitação. Tal área revitalizada deve disponibilizar uma importância significativa a diversos agentes e não só a um grupo ou pessoas, uma vez que, fazem parte desse grupo os trabalhadores, turistas, crianças, estudantes e comunidades carentes. Sem a participação positiva da comunidade, esses espaços não terão o mesmo valor, onde as pessoas irão desfrutar deles pensando por um lado a longo prazo. Figura 2 - Esboço de espaço público em Londres Fonte: Freepik Assim, com o incentivo da população para a devida apropriação de um espaço, o planejamento das áreas e sua maneira de inteirá-los com a comunidade consegue ser atingido e tornar-se duradouro. A partir da Carta de Lisboa (1995), surge a conservação integrada, onde passa-se a preservar o patrimônio cultural das cidades, fazendo com que o edifício ou local tenha função de habitar, mantendo sua identidade. Essa definição é feita, tecnicamente, da junção do novo e do antigo, incluindo pontos como: renovação urbana, requalificação, reabilitação, revitalização e conservação, que se disponibilizam para fornecer intervenções e novos caminhos para sua aplicação. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 22 VOCÊ SABIA? A respeito da Carta de Lisboa, algumas cidades brasileiras também se posicionaram da maneira como defendida na carta, que mantinha o raciocínio amplo que foi trazido no I Encontro de Reabilitação Urbana em Lisboa e foi dada continuidade no Rio de Janeiro. Assim, formou-se um período determinante que possibilitou alcançar conclusões pertinentes para ambos os países. Segundo o artigo 1° da carta, a reabilitação descreve algumas táticas distintas, como por exemplo, a Renovação Urbana, que tem como função provocar a demolição das estruturas de um local corrompido, com sua substituição por um novo modelo contemporâneo, oferecendo uma nova função na área, sendo desenvolvidas em áreas urbanas degradadas que não possuem valor como patrimônio arquitetônico a ser preservado. A Reabilitação Urbana, por sua vez, é uma tática de gestão que busca requalificar a cidade por meio de várias intervenções designadas a identificar suas potências sociais, econômicas e funcionais, com a finalidade de melhoria da qualidade de vida das comunidades. Incluindo também, a melhoria nas condições físicas, de seus equipamentos, infraestrutura, instalações e espaços que mantenham sua integridade social. A respeito da revitalização, é efetuada através de atividades designadas a aumentar a vida econômica da população de uma parte em decadência, desenvolvida nos espaços com identidades características determinadas. Em relação à requalificação urbana, emprega-se através de métodos destinados a transformar e concluir uma prática adaptada ao local no contexto atual. Por fim, tem-se a conservação, onde as decisões tomadas são de prevenir o vandalismo, por meio de obras para a manutenção necessária. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 23 SAIBA MAIS: Para saber mais sobre o assunto de Intervenções Urbanísticas (renovação, requalificação, reabilitação, revitalização e conservação), leia: Carta de Lisboa sobre a Reabilitação Urbana 1995, Clique aqui. De modo geral, cada um desses pontos resulta em um processo diferente para as áreas urbanas, onde conseguem consolidar a parceria entre o público e o privado. Questões socioeconômicas Com a revolução industrial, as questões socioeconômicas e culturais sofrem interferências gradativas ao longo dos anos. É perceptível a mudança das cidades em relação à sua economia, no que se refere ao acúmulo significativo de infraestrutura com pontos tecnológicos, formados pela globalização, polos culturais e turísticos. Segundo Guerra (2000): É possível também imaginar que a proporção de cada um dos fatores e a prevalência dos aspectos positivos ou negativos de cada um deles será dada por âmbitos distintos: o peso específico socioeconômico de uma dada cidade ou região metropolitana em relação ao mundo globalizado (âmbito internacional) e a correlação de forças político- culturais dentro da própria coletividade urbana (âmbito local). Não há nenhuma cidade no mundo, mesmo as mais ricas, que não tenham dentro de suas fronteiras, áreas de extrema pobreza. Há em todas elas uma gradação de áreas no que diz respeito à qualidade urbanística (serviços, áreas livres, equipamentos, infraestrutura, etc.) que vai do “primeiro” ao “terceiro” mundo. (GUERRA, 2000, p.1) Ainda sobre o autor, a intensidade entre pobreza e riqueza no âmbito social e urbanístico, envolvendo também a tentativa de controle sobre a deterioração ainda é existente em partes e são estudados como forma de reverter a circunstância. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo https://www.culturanorte.pt/fotos/editor2/1995__carta_de_lisboa_sobre_a_reabilitacao_urbana_integrada-1%C2%BA_encontro_luso-brasileiro_de_reabilitacao_urbana.pdf 24 O foco para uma cidade com controle urbanístico e desenvolvimento socioeconômico nas chamadas cidades mundiais é de importância não só para os poderes públicos de forma que contribuí para o desenvolvimento desses locais e crescimento econômico. O desenvolvimento da arquitetura, não só em edifícios horizontais, mas visto a importância de contribuições urbanísticas, é de grande valor para que as cidades cresçam e tenham relações entre si. O profissional de arquitetura temforte participação nesse processo, uma vez que as relações culturais surgem a partir do envolvimento do processo e participação de toda a população. Segundo o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), no Brasil até o ano de 2014 os agenciadores começam a migrar para o mercado convencional juntamente com seus serviços comerciais, pequenos empreendimentos como oficinas, serviços em geral, entre outros, produzindo e ampliando o mercado de trabalho de ampla importância. Assim, as periferias urbanas mantêm a participação de programas solidários que agem na extensão da cultura, representando papéis consideráveis no planejamento de acepção dos territórios, garantindo a renda a partir da cultura e identidade. A crescente urbanização nas cidades brasileiras a partir do século XX é uma referência histórica para as relações sociais. Tais transformações sofridas ao longo dos anos comoveram de diversas maneiras o convívio dos indivíduos e suas relações, como também interferiram nos espaços que os mesmos desfrutam. Assim, foram aparecendo novas conformações e combates sociais e espaciais que compõem a rotina dos cidadãos. Segundo Brito (2015), mais de 80% de toda população do país reside em áreas urbanas, na maioria das vezes, não é feito por escolha, mas sim pelas condições pessoais de cada um, uma vez que os mesmos desejam residir em locais mais agradáveis. Brito (2015) afirma: Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 25 A forma como as cidades se desenvolveram gerou problemas porque o poder público não intervém com a necessária eficiência, resultando, por exemplo, na constituição de periferias ou áreas sem regularidade fundiária e carentes de infraestrutura básica. Os congestionamentos também são frequentes e os investimentos em transporte coletivo estão bem aquém do necessário. O crescimento tem acontecido de forma desordenada e injusta e a expansão urbana traz como consequência o encarecimento dos serviços urbanos. Como resultado, surge uma cidade cheia de desigualdades. (BRITO, 2015, p.1) Tais necessidades devem ser tratadas pelo poder público tendo como importância o debate para um planejamento urbano favorável que consiga atingir o progresso nas utilidades sociais da cidade, promovendo boas condições para todos os seus habitantes. Assim, faz-se necessária a implementação do Estatuto da Cidade para que insira a participação popular no desenvolvimento e planejamento urbano por meio de um poder democrático. Dessa forma, toda e qualquer intervenção deve ser acompanhada por responsáveis técnicos que possuam dever de reger os pontos urbanos, responsabilizando-se pelas questões físicas, ambientais, urbanas e socioeconômicas. Sendo assim, vê-se a importância de um arquiteto e urbanista como um profissional apto e responsável por tais mudanças e segurança dos cidadãos. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 26 RESUMINDO: Então, deu para entender um pouco sobre alguns pontos socioeconômicos do urbanismo? Gostou? Para ser mais breve, vamos resumir essa linha de pensamento da melhor forma possível. Você deve ter compreendido ao longo deste capítulo que o urbanismo tem forte contribuição para o desenvolvimento das cidades, uma vez que cada região necessita de espaços desenvolvidos nas melhores condições para que os habitantes desfrutem e tenham melhoria e qualidade de vida. Após a Revolução Industrial, nota-se que a migração da população em busca de empregos nas grandes cidades repercute até os dias atuais, onde os mesmos buscam empregos e fazem com que o crescimento das cidades siga de forma desordenada. Para o controle e contenção dessa desordem, é de fundamental importância que o profissional da área evite regiões e espaços que além de serem ociosos, não consigam fazer bom proveito do local, não ampliando de forma positiva a economia daquela região. Assim, locais e intervenções são fundamentais quando se diz respeito à questão urbana e social nas cidades, sem deixar de lado que quanto mais a economia cresce, mais a cultura daquele local se desenvolve, gerando emprego e renda para todos. O papel do urbanista na economia e na cultura será necessário juntamente com o poder público para que dê suporte e supra as necessidades de cada cidade. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 27 Urbanismo e legislação dos municípios OBJETIVO: Ao término dessa competência, você conseguirá visualizar as medidas tomadas para que o urbanismo se desenvolva de forma ordenada e gere melhoria de vida para toda a população, sendo importante entender o princípio das legislações municipais e sua aplicação no planejamento urbano, identificando os principais órgãos e atores nesse processo. Você também vai compreender melhor o desenvolvimento de legislações juntamente com os poderes públicos com intuito de maior participação da sociedade. Curioso? Então vamos lá saber mais! Legislações urbanísticas A cidade sempre foi um local de contraposições, seja refletindo medos, esperanças, segurança, solidão, exclusão, entre tantas características. Através de seu crescimento desacelerado, teve respostas impactantes e excludentes ao longo do tempo. Figura 3 - Crescimento das cidades Fonte: Pixabay Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 28 Com 80% da população residindo nas cidades, a minoria da população usufrui de facilidades urbanas tais como: lazer, conforto, moradia, trabalho, contato com o meio ambiente, entre outras prioridades. Os mesmos também são os que sobrevivem sem saneamento básico, sem transporte de qualidade e sem acesso a planos de saúde. Os assentamentos urbanos que vão surgindo nos demais locais são, em sua maioria, irregulares e ilegais. Sendo assim, é imprescindível o planejamento urbano ao longo do crescimento desordenado das cidades, fazendo com que surjam ambientes mais sustentáveis e justos para moradia. Com novas regularizações de ocupação do solo através de medidas responsáveis, as cidades devem oferecer apropriação devida dos territórios onde apresenta um compartilhamento mais justo oferecendo a toda a população benefícios e vantagens de qualidade de vida ao longo das etapas de urbanização. A partir da década de 70 se sucede, no país, uma grande mudança, onde a população rural vira urbana. Com mais de 200 milhões de habitantes e em sua maioria inserida nas cidades, as rápidas etapas trouxeram algumas consequências, podendo ser visualizadas algumas em marginalização, violência urbana e outros problemas que estão presentes ao longo da vida dos brasileiros. As regiões metropolitanas e as periferias ampliam-se em desordem e, em sua maioria, acabam sendo representadas por populações mais carentes que já têm passado pela população central e estão em busca de empregos e qualidade de vida. Começando pelas ferramentas legislativas, os municípios possuem a chance de desempenhar sua função que é assegurar que seus habitantes possam participar e dar suas opiniões para a formação de suas localidades, sendo possível executar cidades mais justas. O estatuto da cidade Através dos vários conceitos do urbanismo, várias são as definições sobre a cidade e o que a mesma deve acarretar em seu desenvolvimento. Mas, pode-se observar que a área busca qualificar o conjunto de Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 29 providências estatais designadas a ordenar os locais habitáveis para toda a comunidade, tendo em vista que tais espaços são usufruídos e destinados ao homem de maneira coletiva que gere habitação, recreação e circulação dos seus usuários. Assim, surge o direito urbanístico que possui algumas características influenciadas pelo urbanismo, sendo o primeiro movido ao ramo que tem como objetivo o estudo e formulação das concepções e regulamentos que orientam os recintos habitáveis. A criação do mesmo surge da necessidade de regularização do coletivo em relação ao meio ambiente, fazendo surgir normas jurídicas em relação,por exemplo, à ocupação do solo, dos transportes e do saneamento básico. Surge assim, o Estatuto da Cidade, responsável por trazer meios que possibilitem a fundação do direito urbanístico, criando regras para que façam com que as cidades se desenvolvam mais organizadamente e gerem qualidade de vida para todos. O Estatuto da Cidade, Lei Federal n° 10.257, determina novas regras por meio de mecanismos de incentivo do uso e ocupação do solo. Segundo o Estatuto, em seu capítulo I, são definidas algumas características, como por exemplo: Cidades sustentáveis, que descrevem como garantia o direito à terra urbana, à moradia, ao saneamento ambiental, à infraestrutura urbana, ao transporte e aos serviços públicos, ao trabalho e ao lazer, para as gerações presentes e futuras que passam a ter vigência como um dos direitos fundamentais da pessoa humana, incluído no conjunto dos direitos humanos. (MALDANER, 2015, p. 4) IMPORTANTE: Diante disso, recomenda-se a leitura do artigo produzido por Talissa Maldaner e Janaína Rigo Santin, para que se possa compreender o Estatuto da Cidade e suas demais características de forma mais detalhada. Clique aqui. Visto que os setores das cidades são orientados por leis, a Lei 10.257 realizada em 10 de julho 2001 é chamada de Estatuto da Cidade, que irá Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo https://online.unisc.br/acadnet/anais/index.php/sidspp/article/download/13065/2281 30 regulamentar as políticas urbanas, sendo um progresso significativo para a renovação e criação de cidades cada vez mais sustentáveis. Figura 4 - Cidades verdes: cidades mais sustentáveis Fonte: Pixabay Segundo Maldaner (2015) essas leis foram estudadas e realizadas a partir do desenvolvimento de uma tarefa comunitária ao longo da história das cidades. O autor descreve uma visão importante sobre o tema em questão: A aprovação do Estatuto da Cidade é uma conquista dos movimentos populares, que se mobilizaram por mais de uma década na luta por sua aprovação. Esta luta foi conduzida a partir da ativa participação de entidades civis e de movimentos sociais em defesa do direito à cidade e à habitação e de lutas cotidianas por melhores serviços públicos e oportunidades de uma vida digna. (MALDANER, 2015, p. 15) Desse modo, compreende-se que o combate por esse assentimento foi mais adiante do que o interesse de um local para habitação, mas também foi uma batalha contra o contraste e a restrição social. A luta por esses espaços cada vez mais sustentáveis, não é só para aqueles que buscam qualidade de vida, mas os que desejam avançar com saúde e conforto ao longo de suas vidas. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 31 Ainda de acordo com Maldaner (2015), os conceitos fundamentais para o Estatuto podem ser listados, como por exemplo: a programação participativa e a utilidade social do domínio, buscando não apenas o acolhimento ambiental, como também o conforto e a segurança da população. Por proceder de uma lei ampla, para que possa atuar em todos os municípios, se faz necessário que cada um organize seus Planos Diretores Municipais como forma de efetivar, em esfera municipal, todas as orientações e ferramentas de políticas urbanas realizadas ao longo do Estatuto da Cidade. Sendo assim, para a autora: O Estatuto da Cidade surge como uma tentativa de minimizar os graves problemas observados, que são decorrentes da rápida e desordenada ocupação do espaço, como por exemplo, a formação de periferias e também é uma tentativa de democratizar a gestão das cidades brasileiras. Esse Estatuto é a esperança de mudança do cenário urbano brasileiro, pois através de seus instrumentos, ele reforça a atuação do poder público na busca de cidades mais democráticas, equitativas e sustentáveis. (MALDANER, 2015, p. 6) Contudo, é de extrema importância que para garantia de cidades sustentáveis, tanto a sociedade como o município devem interagir em busca de seus propósitos por meio dos seus Planos Diretores para que consigam dar um fim à desorganização do crescimento vertiginoso que exclui as comunidades mais carentes e dá vantagens à minoria da população que é mais favorecida. Plano diretor Ao longo dos anos, a urbanização não pôde ser conduzida por políticas públicas efetivas no que se refere à adaptação dos residentes nas cidades, mas foi acompanhada por diversos problemas como: instabilidades sociais, econômicas e ambientais. Sendo assim, a população observou a necessidade de ir atrás dos seus direitos e de realizar reivindicações populares que buscavam o melhor planejamento e desenvolvimento das cidades, que reconhecessem as Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 32 suas capacidades e que pudessem incluir os seus desejos em busca da preservação do meio e melhoria da qualidade de vida. Desse modo, foi imprescindível produzir meios que objetivassem envolver os cidadãos nas resoluções ligadas ao planejamento das cidades, incentivando o poder da gestão democrática e ação em relação ao meio ambiente. Surge o Plano Diretor para municípios com mais de vinte mil habitantes, localizados em regiões metropolitanas ou agrupamentos urbanos. Mesmo que as mesmas não possuam tais características, também podem fazer uso do Plano Diretor. Conforme estudos, observa-se que o Plano Diretor das cidades é um dispositivo essencial da política de evolução dos municípios, não sendo o único, mas composto por vários materiais que devem ser também utilizados no desenvolvimento desses locais. A função desse plano não é apenas desenvolvida através do poder público, mas também da participação da sociedade com o mesmo, fazendo necessário obter vistorias a cada dez anos. Assim, é possível manter uma organização do crescimento e melhor funcionamento dos municípios em planejamentos futuros, compreendendo a necessidade de cada população e conseguindo manter as mesmas atendidas. O poder público deverá aplicar as leis de acordo com a necessidade de cada localidade, visto que cada um precisa de melhorias em relação ao lazer, mobilidade, acessibilidade, conforto, segurança, entre outras políticas urbanas que devem ser estudadas de acordo com o programa de necessidades. O papel da sociedade nesse quesito é de extrema importância, visto que a cidade cresce a partir dos seus moradores e dos seus interesses, reagindo de forma política e econômica e interagindo no dia a dia. Assim, faz-se necessário a opinião de todos os cidadãos para a escolha do bem coletivo e para que a segregação espacial passe a não existir, como afirma a declaração dos Direitos Humanos, no qual todos têm direito às necessidades básicas e melhores condições de vida. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 33 RESUMINDO: Mas e então? Qual seria a importância da aplicação das legislações nos municípios? E o papel do urbanismo nesses locais? É realmente de grande importância a posição dos direitos da sociedade na questão urbana? Então, o que fará grande diferença para a ampliação e um crescimento ordenado nas cidades é o planejamento urbano cada vez mais eficaz. Será de suma importância a participação da sociedade juntamente com planos bem elaborados pelos gestores públicos para que consigam desenvolver cidades sem a segregação espacial. Por isso, se faz necessário o estudo sobre o Estatuto das Cidades e o Plano Diretor de cada município, bem como as leis de cada um, a fim de entender melhor o que deve ser feito em cada localidade. As leis são desenvolvidas ao longo dos anos para que cada vez mais a participação social se faça presente e tenha direito a expor suas opiniões e consigam atingir a melhoria da qualidade de vida, segurança e conforto para todos. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 34 O perfil profissional do urbanista OBJETIVO: Ao término dessa competência, você irá identificar as competências e requisitos do perfil profissional do urbanista, avaliando as perspectivase oportunidades de trabalho e empreendedorismo nessa área de atuação, bem como a sua importância ao longo do âmbito profissional. Curioso? Então vamos lá saber mais! Espaços convidativos Devido à importância ao longo das competências, do papel das legislações para o desenvolvimento dos municípios, não se pode descartar a importância de um profissional que esteja diretamente ligado a essas leis para que consigam se desenvolver. Com o ambiente em constante transformação, de espaços naturais em espaços produtivos, o significado econômico surge diante das cidades, dando continuidade às necessidades do homem e da natureza. Assim, a produção e o consumo dão início ao verdadeiro valor e uso dos mesmos. Ao longo dos anos na vida social podemos observar alguns problemas que irão se desenvolver nas cidades. Um exemplo que pode ser observado são as calçadas, praticamente sem utilização, motivadas pelo fator da insegurança, ou também como outro exemplo pode ser citada uma rua inteiramente residencial, onde as casas possuem como fachadas grandes muros que isolam totalmente a residência da rua. Quando isso acontece, perdemos um princípio muito importante, o pressuposto de “olhos da rua”, onde a vigilância natural é feita pelos próprios moradores, mas nesse caso dos muros, isso não acontece e a ideia de apoio geral da rua fica esquecida. O que muitas vezes não é percebido pela maioria das pessoas é que a utilização da rua pouco se relaciona com a questão de estética, mas sim com o empreendimento palpável que as calçadas possuem e a forma como as pessoas vão utilizar esses empreendimentos no cotidiano. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 35 Essa informação fica clara quando colocamos em comparação duas ruas: uma residencial e outra comercial. As ruas que dispõem de mais comércios e empreendimentos possuem uma maior movimentação de pessoas do que as ruas inteiramente residenciais, isso se dá porque as ruas comerciais possuem um fator de interesse comum para a população, onde pessoas de diferentes formas de vida se encontram por conta da necessidade da busca dos serviços oferecidos. Assim, se não for encontrado nenhum tipo de oportunidade concreta e tangível de interação, como será cultivada a segurança e a vida nas calçadas? Como diminuirá a segregação e a discriminação racial no país? Sem o contato público nas ruas, as mesmas não existirão. Tendo em vista que a classe menos favorecida tem a necessidade desse contato, pois a partir dela surgirão oportunidades de emprego. Os espaços públicos são importantes e fundamentais em todas as cidades. As cidades são locais onde as pessoas se encontram para trocar ideias, comprar e vender ou simplesmente relaxar e se divertir. O domínio público de uma cidade (suas ruas, praças e parques) é o palco e o catalisador dessas atividades. (GEHL, 2010 p. 8) Tendo em vista a privacidade na zona urbana, é nítido que o planejamento urbano muitas vezes trata a privacidade como uma questão de janelas, vistas, ângulos de visão, podendo observar que o tema urbano abrange os mais variados fatores, como exemplo o meio que está inserido, o tipo de empreendimento implantado no local, o público que irá utilizar. Profissionais da área do urbanismo Com o modernismo, surge a baixa prioridade dos espaços públicos e algumas das principais causas da segregação desses espaços: a valorização das vias para veículos motorizados, trazendo a diminuição das atividades sociais na cidade. As vias com alta densidade de veículos que apresentam pouca arborização, rios canalizados e ambientes insatisfatórios de convivência, são responsáveis por tornarem os ambientes monótonos. Assim, a frequente rotina de ir às ruas a pé e desfrutar de espaços públicos ao longo da caminhada que despertem o bem-estar do pedestre Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 36 foi diminuindo, também pelo fato da priorização de espaços para os automóveis, como os estacionamentos, tornando as áreas cada vez mais isoladas e indiferentes ao seu entorno. A partir dessa visão, entra o papel do arquiteto e urbanista no espaço urbano, onde irá atuar, principalmente, visando as áreas menos favorecidas para que possibilitem locais como ruas, recintos, residências e espaços urbanos sejam cada vez mais passíveis de práticas como caminhar, ter lazer, conforto, segurança, entre outros pontos positivos que surgem do convívio humano ao longo do tempo. Segundo Jan Gehl (2010), para a expansão de áreas para caminhar e pedalar, o urbanista deve visar a questão do aumento das cidades em relação à quantidade e qualidade dos espaços públicos agradáveis, bem planejados e, na escala do homem, sustentáveis, saudáveis, seguros e cheios de vida. A cidade se torna mais densa, compacta e segura, quando se tem ruas, praças e parques considerados como um todo, apropriando- se de forma correta desses espaços. É comum na maioria dos municípios a presença de áreas limitadas, ruídos, poluição e demais condições que as tornem desagradáveis para os habitantes. A verdadeira função que o profissional deve desempenhar a respeito do espaço público é manter os locais de encontro e convívio, trazendo consequências positivas na qualidade de vida da população. Visto que, no século XXI, estão sendo apresentados vários desafios globais que mostram a preocupação na dimensão humana dos profissionais e que trazem o desejo de cidades vivas, seguras e sustentáveis. A partir da participação do urbanista irá surgir o enfrentamento do profissional ao combate das demais áreas que não apresentem pontos positivos. Com o desenho urbano da cidade realizado por profissionais responsáveis, é possível notar os benefícios da utilização dos espaços ociosos dispostos pelas cidades. As ruas e bairros interferem no estilo de vida das pessoas que frequentam cada área, sendo perceptíveis, no cotidiano, alguns ambientes mais convidativos que outros. Esse impacto do desenho urbano vai além dos momentos de deslocamento, como observa Pacheco (2017): Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 37 Em outras palavras, o impacto da configuração e do desenho dos bairros vai além dos momentos de deslocamento, alcançando esferas que, à primeira vista, parecem não ter qualquer relação com o planejamento urbano. O modo como as diferentes regiões de uma cidade são desenhadas afetam a percepção de segurança, os níveis de sociabilidade e o quanto as pessoas caminham por motivo de lazer ou como meio de locomoção. (PACHECO, 2017, p.1) Assim, é notável que quanto mais um bairro apresente melhores condições para o pedestre, como locais com áreas verdes para caminhada, ambientes mais densos com fachadas ativas de comércios e residências, calçadas acessíveis, um bom mobiliário urbano e boa iluminação, maiores serão os níveis de bem-estar (físico, mental e social) das pessoas. Figura 5 - Espaços para caminhar – Madison Square Park em Manhattan Fonte: Wikimedia commons Assim, a autoconstrução tanto de edificações, quanto de locais ociosos, realizados pela sociedade, entra em contrapartida com a atuação dos profissionais da área, uma vez que as pessoas querem locais bem desenvolvidos e planejados, mas não procuram os profissionais qualificados, a maioria da população precária desenvolve suas moradias de acordo com o que possuem. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 38 Para isso, se pode observar nas demais autoconstruções sem a participação correta de profissionais, algumas práticas desenvolvidas de modo negativo, obtendo má qualidade dos espaços, gerando alguns problemas de habitação social e uma perspectiva baixa em relação aos demais ambientes. De acordo com Linhares (2018): Nesta perspectiva, a autoconstrução não é tratada como um problema a ser erradicar apenas por sua condição de existência, tampouco como palco de ações tecnocratas que impõem um único modo de morar. Propõe-se que seus problemasreais sejam enxergados e que as ações de intervenção, quando necessárias, não correspondam ao modelo de tratamento de problema violento, proibitivo, ordenado e padronizado, comumente utilizado nesses contextos. Assim, a partir da definição das reais dificuldades e da real precariedade enfrentada pelos moradores é que se propõe a atuação do arquiteto. (LINHARES, 2018, p. 17) Assim, é possível notar que o profissional urbanista e os demais que fazem parte da construção de ambientes e espaços que a sociedade desenvolve e interage é importante de forma que agregue as demais construções e autoconstruções à real necessidade da área e desenvolva o programa de necessidades determinando a carência e o que cada espaço necessita, sendo possível planejar antes de se projetar um espaço. Assim, esses recintos tornam-se responsáveis por uma fonte de equilíbrio que gera qualidade de vida, trazendo um planejamento urbano harmônico, que introduza o contato do homem com a natureza, por meio de diversas atividades como: esportivas, culturais, contemplativas e educativas. Visto a importância desses ambientes para as cidades, tornaram-se crescentes as exigências dos órgãos responsáveis pela criação de mais espaços como jardins, bosques, ruas arborizadas, parques, que são os “pulmões” das cidades, tornando-se essencial a presença de profissionais para criação desses espaços. A participação dos profissionais de arquitetura e urbanismo no Brasil é crescente, visto que os responsáveis pela construção não são apenas os engenheiros como alguns pensam, estendendo o papel do arquiteto, saindo do papel de edificação e atingindo o âmbito do urbanismo. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 39 Com a globalização e a participação dos capacitados para a empreita a área de atuação cresce. A urbanização nasce como um fenômeno que cresceu a partir do capitalismo e segue aumentando sua produção e expansão pelo mundo. Anteriormente, o que era definido apenas pelo poder público, passou a ser de responsabilidade social, com o aumento da competitividade e individualidade de consumo. Segundo Linhares (2018): O urbanismo e as políticas habitacionais voltadas aos interesses do mercado, não se estendem, portanto, à população pobre, visto que, na maioria das vezes, está inserida em áreas que não garantem lucros aos empreendedores e, por isto, não são alvo de investimentos e de ações de inserção de serviços, equipamentos e infraestrutura urbana. Viver em áreas precárias não é uma escolha: torna-se uma imposição diante da cidade neoliberal que configura o espaço em prol dos interesses privados e assegura a ordem social e os poderes da classe dominante. (LINHARES, 2018, p. 21) Outra importante forma de atuação do urbanista é nas habitações de interesse social. Porém, o desenvolvimento desses projetos é limitado, pois os técnicos da área terão que desenvolver moradias de acordo com padrões característicos, sendo, nesse contexto, o urbanista um profissional contratado para a criação de algumas ações de habitação. SAIBA MAIS: Para que se possa compreender melhor o assunto de habitação de interesse social recomendamos a leitura do artigo Habitação de Interesse Social, produzido por Leda Velloso. Clique aqui. De início, o governo atribuiu a produção de habitações populares, apesar disso, eles deixavam de lado as aglomerações formadas ao redor de locais nobres e industriais, que se tornaram abandonadas e de baixa qualidade de vida. Com o intuito de ordenar e limpar essas áreas, surge a atuação do profissional urbano que tem como finalidade a implementação do Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1984-22012018000100204 40 fim dos cortiços e aglomerados de habitações que consigam suprir as necessidades da população. VOCÊ SABIA? O I Congresso de Habitação foi feito em São Paulo, que defendia a diminuição dos gastos de moradia, fazendo com que a população mais necessitada tivesse acesso aos mesmos. A principal criação foi a Fundação da Casa Própria, no ano de 1946, com o objetivo de fornecer residências para a população carente. Apesar de toda a trajetória dos profissionais dedicados à área, a situação atual das habitações no Brasil ainda demonstra certa falta de interesse quanto à resolução de seus problemas. Uma vez que as habitações estão inseridas em lugares distantes dos centros, possuem dificuldades em seus acessos, como também o problema de infraestrutura, transporte, saneamento, fazendo com que a população se desloque constantemente para lugares distantes atrás de trabalho. Assim, é importante que os urbanistas que visam a implantação de espaços de convívio e lazer, estejam preocupados em projetar tais moradias, com a sociedade promovendo o encontro e o convívio entre si. A criação do Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS) foi regularizada pela Lei federal n° 11.124 de junho de 2005, para a população de baixa renda, suas principais finalidades eram: (1) proporcionar a essa população mais carente o acesso à terra urbanizada e a uma habitação que oferecesse dignidade, (2) instalar políticas e diretrizes de investimentos que promovessem a viabilidade e acesso da população carente à habitação, (3) associar, acompanhar e apoiar os órgãos e instituições que executam funções na habitação. Contudo, a vida nas grandes cidades relata a grande importância do planejamento das mesmas através do perfil profissional do arquiteto e urbanista, uma vez que possam ser desenvolvidos através de estudos de marchas, programas de necessidades e outros pontos importantes como as ruas, parques, praças, entre outros locais para convívio, nos demais Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 41 municípios e regiões, dispondo de uma boa infraestrutura e que permita o convívio e as condições civilizadas entre os indivíduos. Figura 6 - Habitação de Interesse Social Fonte: Wikimedia commons RESUMINDO: Mas e então? Quais seriam os papéis tão consideráveis do arquiteto e urbanista no desenvolvimento de espaços mais convidativos para as cidades? Vale a pena investir nesses profissionais? As habitações sociais são bem distribuídas nas cidades? Então, como você observou, o mundo do arquiteto é bastante amplo, principalmente no que se refere à sua atuação em relação ao urbanismo. Os profissionais precisam ser capacitados para desenvolver cada vez mais áreas que atinjam o programa de necessidades e consigam que as pessoas compreendam a importância e o valor do seu trabalho. A autoconstrução ainda é bastante presente no país, porém, os espaços que desenvolvem a partir de um planejamento urbano através de profissionais capacitados que são mais suscetíveis à presença de locais de convívio que ofereçam a possibilidade de caminhar, conforto, segurança, entre outros pontos positivos que apresentam o projeto urbanístico das cidades. Fundamentos de Arquitetura e Urbanismo 42 REFERÊNCIAS BRITO, R de F. O papel do arquiteto na cidade contemporânea. 2015. Disponível em: https://bit.ly/2UTwSk8. Acesso em: 03 jan. 2021. BUONFIGLIO, L. V. Habitação de Interesse Social. 2018. Disponível em: https://bit.ly/3wNLVt2. Acesso em: 13 jan. 2021. GUERRA, A. Três questões sobre urbanismo. 2000. Disponível em: https://bit.ly/2UuDJR4. Acesso em: 02 jan. 2021. GEHL, J. et al. 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