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AULA 2 
INTEROPERABILIDADE E 
AMBIENTES COLABORATIVOS 
EM PROJETOS 
MEP/ESTRUTURAS
Prof. Marco Deouro Deritti 
 
 
2 
INTRODUÇÃO 
Para o fluxo de desenvolvimento de um modelo BIM ocorrer, é necessário 
o desenvolvimento e a padronização de fluxos de modelagem, bem como a 
definição do nível de informações que serão trabalhadas em um modelo. Esta aula 
trata dos níveis de desenvolvimento e aborda um documento de extrema 
importância ao BIM: o BIM Execution Plan. 
TEMA 1 – MODELO BIM 
Um modelo BIM pode ser conceituado como um estoque de informações 
gráficas e não gráficas de um empreendimento. Essas informações podem 
representar qualquer dado relativo ao ciclo de vida do empreendimento, desde 
sua concepção inicial até a sua demolição (Cradle to Grave). 
No entanto, é muito comum existir a confusão entre um modelo BIM e o 
BIM propriamente dito. O BIM, acrônimo de Building Information Modelling é, na 
realidade, uma filosofia que propõe novos estudos de tecnologias, processos, 
políticas e colaboração no desenvolvimento de um projeto. 
Para exemplificar, quando falamos sobre a filosofia BIM, estamos 
agregando à conversa todo um universo de conceitos, metodologias, tecnologias, 
políticas etc. Do contrário, se falamos de modelo BIM, estamos tratando de um 
modelo virtual cujo desenvolvimento utilizou a filosofia BIM. 
Sendo assim, nasce uma questão: todo modelo virtual é um modelo BIM? 
A resposta é não, uma vez que o fato de haver desenvolvimento de modelos 
virtuais nos processos BIM não significa que todo modelo virtual é BIM. Portanto, 
um modelo para ser considerado BIM não pode apenas ter geometria bem 
detalhada e objetos com texturas; também é necessário que ele contenha 
informações necessárias para seu ciclo de vida. 
 
 
 
 
 
 
 
3 
Figura 1 – Modelo BIM 
 
Fonte: Deritti, 2020. 
A seguir, vamos comparar dois exemplos a fim de sanar quaisquer dúvidas 
acerca dos modelos BIM: o primeiro consiste em um exemplo de casa modelada 
no software Rhino e, e o segundo, de uma casa modelada no ARCHICAD. A casa 
modelada no Rhino, software que apenas modela objetos 3D, não pode ser 
considerada um modelo BIM, pois suas paredes, janelas e portas não possuem 
quaisquer informações além das geométricas. 
No entanto, a mesma casa, quando modelada no ARCHICAD (software 
BIM), pode ser um modelo BIM, pois é possível encontrar informações, como os 
materiais utilizados para a construção da parede, seu fabricante, a sua localização 
no projeto etc. 
Entretanto, nem sempre algo modelado em um software BIM é realmente 
um modelo BIM. Para tanto, necessita de um gerenciamento completo das 
informações modeladas e dos níveis de desenvolvimento envolvidos. Nesse 
contexto, o desenvolvimento dos modelos BIM é realizado ao mesmo tempo pelos 
diferentes stakeholders. No entanto, para ser possível realizar a colaboração entre 
 
 
4 
eles e a compatibilização de todo o projeto, foi criado o termo Modelo Federado, 
que tem como finalidade a coordenação central do projeto. 
Mais especificamente, a definição de um Modelo Federado é um conjunto 
de desenhos, textos, componentes e outros dados necessários que embora 
estejam vinculados, são distintos. Dessa forma, a mudança no componente de um 
modelo não altera os demais modelos de um modelo federado. 
TEMA 2 – OPENBIM 
OpenBIM é um conceito criado por uma organização sem fins lucrativos 
chamada BuildingSMART. A organização preza pela busca de melhorias nas 
áreas de infraestrutura e edificações, a partir de soluções e padrões internacionais 
abertos. 
Dentro desse contexto, o openBIM visa uma modelagem colaborativa e 
realização de operações, utilizando normas e realizando fluxos de trabalho 
abertos. 
Para isso, a comunicação entre os participantes de um projeto deve ser 
transparente e, ainda, possuir uma linguagem comum entre os membros, a fim de 
evitar a perda de informação. Além disso, o openBIM permite uma livre 
concorrência entre os representantes de softwares, pois para ser openBIM é 
necessário que ele tenha a possibilidade de trabalhar de forma integrada, 
deixando com o cliente a escolha de qual software se adequa melhor ao seu fluxo 
de trabalho. 
Dessa forma, um modelo virtual realizado por meio de um fluxo de trabalho 
openBIM deverá conter informações de qualidade que abranjam todo o ciclo de 
vida de um empreendimento. 
Diante de todas as características do openBIM, existe ainda o processo de 
ofertar produtos on-line conforme a demanda do cliente, os quais podem ser 
usados diretamente em um modelo BIM. 
No entanto, para que uma empresa ou um modelo seja considerado 
openBIM, existem alguns requisitos. Para empresas, os softwares utilizados 
devem ser openBIM e o fluxo de trabalho deve ser totalmente baseado no BIM. 
Ainda, quando realizada a coordenação entre os modelos de um 
empreendimento, esta deve ser realizada independentemente do software 
utilizado para sua modelagem. 
 
 
5 
Já para projetos openBIM, alguns requisitos também devem ser 
considerados: (a) não ter preferência por softwares, isto é, todos os softwares 
disponíveis no mercado devem ter igual oportunidade e (b) a modelagem de todas 
as disciplinas e a coordenação de um projeto devem ser feitas a partir de 
processos BIM. 
Sendo assim, para a realização dos modelos e a modelagem de projetos, 
os softwares que podem ser utilizados são: Solibri, DDS-CAD, Graphisoft 
Archicad, Trimble, entre outros. Já a troca de informações entre os diferentes 
softwares deve ser realizada obrigatoriamente utilizando a linguagem IFC. 
TEMA 3 – LOD, LOI E LOG 
Como apresentado anteriormente, para modelagem de modelo BIM, deve-
se levar em conta alguns aspectos, sendo um deles o nível de desenvolvimento. 
No entanto, dentro do contexto BIM existem diferentes formas de se trabalhar com 
o desenvolvimento de projetos e elementos. 
Quando se trata de projeto, é utilizada a nomenclatura Level of 
Development (LOD) ou Nível de Desenvolvimento (ND). Os LODS, ou NDs, são 
níveis de informações a serem agregados no modelo de acordo com contrato, 
fase ou finalidade do projeto. 
O LOD (ainda estamos falando de Level of Development) é, na verdade, 
um conjunto de informações e geometria que podem ser chamadas de Level of 
Information (LOI) e Level of Geometry (LOG), sendo que: 
• LOI é um termo que indica o nível de informações linkados a um elemento. 
Por exemplo, um elemento com um alto nível de informações inclui 
documentos de especificações e instruções do fabricante para uso em 
manutenções; 
• LOG indica o nível de detalhe da geometria, também conhecido por alguns 
como Level of Detail (LOD). 
 
 
 
 
 
 
 
6 
Figura 2 – Representação do LOG 
 
Fonte: Deritti, 2020. 
Os LOGs podem ainda ser classificados em cinco níveis diferentes, como 
apresentado no Extended MEPcontent Standard (EMCS) 4.0: 
• LOG 1: apenas representação esquemática/simbólica ou demanda 
espacial global (caixa de limitadora). 
• LOG 2: formas e dimensões globais. Se for relevante uma especificação 
aproximada de montagem, área de serviço e operação. 
• LOG 3: as principais dimensões e propriedades do conector estão 
corretamente representados. Se for em caso de contratação, a montagem, 
o serviço e a área de operação devem estar corretamente especificados. 
• LOG 4: representação genérica (não específica do fabricante), no entanto, 
dá uma boa impressão do produto físico. 
• LOG 5: representação detalhada e específica do fabricante. 
Entretanto, existem diferentes normativas que trazem suas visões sobre os 
LODs, cada uma abordando uma quantidade de detalhes de informações 
diferentes. Ao montar um compilado delas, é possível identificar que as 
normativas são iguais, com exceção da classificação PAS-1192-2, que traz o LOD 
7 como registro de atualização da obra, indicado na tabela a seguir. 
 
 
 
7 
Quadro 1 – Normativas 
PAS-
1192-2 
AIA-
G202-
2013BIMForum SC-CADERNO BIM Descrição 
LOD1 ND 0 
Levantamento de dados 
Levantamento de informações e programa de 
necessidades. Apenas informações não 
gráficas. 
Programa de 
necessidades 
Estudo de viabilidade 
LOD2 LOD100 LOD100 
ND 
100 
Estudo preliminar 
Estudo de volumetria da edificação. Estimativas 
de custos para construção. 
LOD3 LOD200 LOD200 
ND 
200 
Anteprojeto 
Elementos genéricos do modelo contendo 
informações aproximadas de quantidade, 
tamanho, forma, localização e orientação 
LOD4 
LOD300 LOD300 
ND 
300 
Projeto legal 
Elementos do modelo com informações 
precisas de quantidade, tamanho, forma, 
localização e orientação. 
 LOD350 
ND 
350 
Projeto básico Coordenação de conflitos entre disciplinas 
LOD5 LOD400 LOD400 
ND 
400 
Projeto executivo 
Elementos do modelo com informações 
precisas de quantidade, tamanho, forma, 
localização e orientação. Coordenação de 
conflitos entre disciplinas. Detalhes para 
fabricação, montagem e instalação. 
Planejamento e orçamento do modelo. 
LOD6 LOD500 LOD500 
ND 
500 
Liberação da obra 
Elementos do modelo de acordo com a 
execução (AS-Built) contendo informações de 
quantidade, tamanho, forma, localização e 
orientação. 
Contratação da obra 
Obra concluída 
LOD7 
Registro de atualização, incorporando quaisquer 
alterações que ocorreram desde a entrega, 
incluindo dados de desempenho, condições e 
informações necessárias para operação e 
manutenção. 
Diante disso, como não há um padrão estabelecido do conjunto de 
informações que devem ou não ser modeladas, a padronização do LOD do projeto 
pode ser feita em um documento chamado BIM Execution Plan (BEP). Nesse 
documento será estabelecido o que será modelado em cada fase do projeto, quais 
informações serão ou não entregues e como serão entregues. 
Com relação à qualidade do modelo, o LOD pode ser útil no início do 
processo de tomadas de decisão. No entanto, não deixa claro quais os pacotes 
de informações deverão ser entregues. Diante disso, existe o risco tanto de 
 
 
8 
existirem informações que não serão utilizadas quanto de haver falta de 
informações no modelo. 
Para isso, é importante detalhar no BEP não só os LODs que deverão ser 
atendidos, mas também os LOIs para cada fase de projeto ou elemento. 
TEMA 4 – CADERNO DE ORIENTAÇÕES E O BIM EXECUTION PLAN 
O caderno de orientações é um documento que pode ser utilizado em 
diversas áreas e tem o objetivo de fornecer informações básicas para orientar o 
leitor sobre determinado assunto. Na construção civil, devido ao grande número 
de stakeholders envolvidos em um projeto, recomenda-se utilizá-lo no processo 
de desenvolvimento de projetos. 
As orientações descritas nesse documento têm o intuito de dar autonomia 
às pessoas envolvidas em um projeto. Dessa forma, as informações básicas para 
o desenvolvimento do projeto estão nesse documento para que todos tenham 
clareza a respeito de suas respectivas atividades. 
As informações a serem inseridas em um caderno de orientações, para o 
desenvolvimento de projetos na construção civil, descrevem as informações do 
projeto e seus processos rotineiros, como: 
• Informações sobre stakeholders: indicação de todos os envolvidos no 
projeto, além das funções, responsabilidades e contato (empresa, telefone, 
e-mail); 
Quadro 2 – Informações 
Nome Empresa E-mail Telefone 
Construtor A A construtora@exemplo.com (11) 91111-1111 
Projetista B B projetistab@exemplo.com (11)99911-1111 
Fornecedor C C fornecedorc@exemplo.com (11)99111-1111 
• Planejamento: fornecimento de informações de planejamento em cada 
uma das fases do projeto, como as datas de início e fim. Cada uma das 
fases e suas respectivas datas devem estar de acordo com o cronograma 
do projeto, cujas informações detalham as atividades e os períodos; 
 
 
9 
• Etapas: descrição detalhada de cada atividade e seus entregáveis. 
Aconselha-se pedir o escopo contratual ao cliente para equalizar este 
tópico; 
• Tecnologia necessária: definição dos softwares que serão utilizados, 
como os softwares requeridos aos projetistas para o desenvolvimento do 
projeto, bem como sua versão; 
• Ponto base: localização do ponto base do empreendimento. Em edifícios, 
por exemplo, o ideal seria em uma das quinas do prédio; 
• Comunicação: definição dos meios de comunicação a serem utilizados ao 
longo do projeto, bem como estruturação desses meios de forma 
padronizada. 
4.1 Cronograma de atividades 
Um cronograma tem o objetivo de estabelecer datas de início e fim das 
atividades de um projeto e suas relações de dependência, isto é, determinar o 
fluxo das atividades. Sendo assim, a partir do desenvolvimento de um cronograma 
é possível ter uma visão abrangente e integrada do projeto. 
A confecção de um cronograma é importante para o gerenciamento de um 
projeto, pois é parte essencial no seu ciclo de vida, além de possibilitar a 
otimização do projeto, de forma a racionalizar o fluxo de caixa e diminuir o tempo 
de execução do projeto, o que resulta em seu sucesso. Caso contrário, pode 
resultar no fracasso do projeto. 
Sendo assim, existem alguns elementos essenciais a um cronograma: 
restrições, dependência lógica entre as atividades (definição do sequenciamento 
das atividades, ou seja, as predecessoras e sucessoras de cada atividade), 
tempos de espera ou antecipações, recursos (mão de obra, materiais e 
equipamentos), caminho crítico e folga. 
Na construção civil, o método mais utilizado para a confecção de 
cronogramas é a junção de duas metodologias diferentes: Program Evaluation 
and Review Technique (PERT) e Critical Path Method (CPM). 
O PERT é a estimativa da duração das atividades do projeto, com base em 
três estimativas possíveis de duração: otimista (O), Pessimista (P) e Mais 
Provável (MP). Dessa forma, são reduzidas as chances de riscos do cronograma. 
 
 
 
10 
Para o cálculo da estimativa de duração utilizando a metodologia PERT, é 
utilizada a seguinte fórmula: 
Duração = (P + 4*MP + O)/6 
Já o CPM permite estabelecer a sequência das atividades que determinam 
a duração de um projeto, também chamado de caminho crítico. O caminho crítico 
é a sequência mais longa das atividades de um projeto, dessa forma, o 
atendimento das datas e sequência das atividades do caminho crítico são 
imprescindíveis ao sucesso do cronograma do projeto. 
Dentro desse contexto, o desenvolvimento do cronograma utilizando as 
duas metodologias apresentadas (PERT e CPM) permite verificar a duração 
completa do projeto. 
Figura 3 – Cronograma 
 
No entanto, o cronograma deve respeitar o escopo contratual do projeto. O 
escopo contratual define os direitos e obrigações entre o empreendedor e a 
contratada. Nele, são apresentados os objetivos do projeto, os recursos a serem 
utilizados, os marcos do projeto e as datas de entregas, padrões de desempenho, 
cláusulas para mudanças e cancelamento do contrato. 
Um dos principais elementos do escopo contratual que é de fundamental 
para a criação do cronograma são os marcos do projeto, isto é, o cronograma das 
entregas, responsável por fragmentar o projeto em etapas, resultando em 
 
 
11 
entregas individuais. Para o gestor, os marcos do projeto trazem vantagens, como 
acompanhamento, monitoramento e controle dos resultados. 
Os marcos de um projeto também possibilitam um intervalo estabelecido 
das análises das entregas, assim, evita-se que os erros cometidos no início do 
projeto sejam propagados ao longo do seu ciclo de vida. As análises de entrega 
são realizadas por um gerente de projetos que verifica os entregáveis de forma 
constante a fim de indicar correções caso haja necessidade. 
No contexto da construção civil pode-se notar características peculiares, 
como a baixa produtividade, a produção de produtos únicos, a fabricação 
temporária e intermitente de componentes e a alta quantidade de stakeholders, 
resultando em um processo de gerenciamentocomplexo. 
Dessa forma, um projeto da construção civil contém riscos e incertezas, 
pois além das suas características, um projeto enfrenta fatores desconhecidos. 
Sendo assim, o cronograma de um projeto também não está livre de riscos, o que 
pode causar atrasos e orçamentos maiores que o planejado. 
Riscos são condições não planejadas ou causadas por erros no 
planejamento. No entanto, os erros no planejamento de um projeto podem ser 
causados por incertezas. Por exemplo, no desenvolvimento de um cronograma, o 
gestor não tem como estabelecer a duração exata das atividades, devido a 
diversas variáveis que podem ocorrer ao longo do projeto. 
Diante do exposto, é necessário realizar um gerenciamento de riscos do 
projeto, o qual tem por objetivo identificar as incertezas de um projeto, de forma 
que os riscos possam ser tratados preventivamente ou com ações corretivas. 
Para realizar o gerenciamento dos riscos, são sugeridas cinco etapas: 
I. Identificação dos riscos – documentação de quais riscos têm chances de 
afetar o projeto; 
II. Análise qualitativa dos riscos – identificação das probabilidades de os 
riscos acontecerem e os impactos que serão gerados no projeto; 
III. Análise quantitativa dos riscos – avaliação do impacto global dos riscos 
conforme os objetivos do projeto e estimação das chances de sucesso; 
IV. Respostas aos riscos – desenvolvimento de alternativas para reduzir as 
ameaças aos objetivos do projeto; 
V. Monitoramento e controle dos riscos – implementação de um plano para 
eliminar os riscos identificados, bem como o monitoramento dessa 
 
 
12 
implementação e a eficácia do plano. Com isso, irão surgir novos riscos que 
devem ser geridos igualmente. 
A gestão de riscos também está atrelada ao contrato e um projeto, pois, 
quanto maior a quantidade de obrigações contratuais, mais necessário se torna o 
gerenciamento dos riscos. 
4.2 BIM Execution Plan (BEP) 
Como apresentado anteriormente, a padronização é uma solução que pode 
ser utilizada para evitar desperdícios quando se busca implantar a filosofia Lean 
em um processo. Na filosofia BIM, também se busca a padronização, de forma 
que um dos elementos que permitem que ela ocorra nos processos é o BIM 
Execution Plan (BEP). 
O BEP é um documento que define os fluxos de trabalho de um projeto, 
podendo abranger todo o seu ciclo de vida. Ele visa estabelecer as etapas, os 
requisitos de informação, os stakeholders, os usos do BIM etc., de forma que o 
projeto seja desenvolvido de forma colaborativa. 
Soma-se a isso o fato de que, com o uso de um BEP, problemas de 
modelagem e coordenação são minimizados. Sendo assim, podemos resumir o 
BEP como um elemento que define todos os aspectos de como o projeto deverá 
ser executado e gerenciado. Dessa forma, ele deve ser desenvolvido antes do 
início da etapa de modelagem. 
Diante das vantagens que o BEP traz ao desenvolvimento de um projeto, o 
produto final tem maior valor agregado. Isso se deve à menor quantidade de 
desperdícios ao longo do processo, em comparação a projetos que não utilizam 
um BEP e ao atendimento da necessidade do cliente. Assim, nota-se mais uma 
vez a semelhança entre as filosofias Lean e BIM. 
Além de ser utilizado para padronizar a execução de um projeto, o BEP 
também tem a função de auxiliar na gestão da informação, pois normatiza 
aspectos de interoperabilidade e detalhes de informações, como coordenadas e 
medidas. 
Dentro desse contexto, o BEP traz vantagens, como: a) a compreensão das 
metas e objetivos BIM do projeto, por parte de todos os envolvidos no processo, 
além da compreensão da sua obrigação no processo; b) o cumprimento do 
cronograma planejado; c) a redução de perda de informação ao longo do ciclo de 
vida do projeto; entre outros. 
 
 
13 
Com o desenvolvimento de um BEP, ele pode ser acrescentado no contrato 
entre contratante e contratados. Dessa forma, todos os envolvidos no processo 
estarão de acordo com os requisitos do projeto e deverão seguir a metodologia 
BIM requerida no documento. 
Sendo assim, os elementos sugeridos para serem adicionados a um BEP 
são: 
• Informações gerais do projeto: inserir informações do proprietário, 
localização, descrição, fases e datas importantes do projeto. 
• Informações sobre os stakeholders: inserir a pessoa responsável por cada 
tarefa e seu respectivo contato, como e-mail e telefone, assim como suas 
responsabilidades no processo como um todo. 
• Usos do BIM: descrever todas as metas do projeto, relacionando-as com 
os usos do BIM, como modelagem, planejamento, orçamento, colaboração, 
análise energética etc. Além disso, para cada uso do BIM, sugere-se ilustrar 
seu fluxo com um fluxograma, indicando também os meios de troca de 
informações e recursos utilizados. 
• Requisitos de dados e informações: informar quais dados e informações 
devem estar presentes em cada uma das entregas, assim como os 
elementos, nível de detalhe etc., ou seja, descrever todos os requisitos 
informacionais necessários para o desenvolvimento do projeto. 
• Controle do modelo: descrever as verificações a serem feitas no modelo 
para controle da qualidade. Aqui também é possível informar as tolerâncias 
de precisão do modelo; 
• Necessidades de infraestrutura tecnológica: identificar a tecnologia 
necessária para o desenvolvimento do projeto, desde hardwares à 
softwares. 
• Entregas do projeto: identificar todos os entregáveis ao longo de todo o 
ciclo de vida do projeto, identificando também o formato de cada um e a 
data aproximada da entrega. Incluir também os requisitos de formatação 
dos arquivos a serem entregues, desde seu nome até o sistema de 
coordenadas e o formato, incluindo o meio de entrega; 
Diante do exposto, um dos elementos a ser considerado no BEP é a 
descrição dos usos do BIM que serão utilizados no projeto. Algumas das 
possibilidades de usos do BIM são: 
 
 
14 
• Modelagem de elementos existentes: processo de captura e coleta de 
informações da situação atual de um empreendimento ou parte dele para 
posterior modelagem de um modelo 3D. Esse processo de captação de 
informações pode ser realizado a partir de um escaneamento 3D da área. 
• Simulações: análise de possíveis soluções dentro das especificações do 
projeto. Nesse uso do BIM, recomenda-se a realização de simulações com 
as diferentes soluções encontradas para definir a melhor delas em questão 
de otimização e viabilidade. 
• Modelagem 3D: processo de modelagem do modelo virtual, com inserção 
de informações de qualidade referente ao projeto, tornando-o a fonte de 
informações gráficas e não gráficas do projeto. 
• Revisão do projeto: processo de avaliação do processo de modelagem 3D 
do modelo virtual, além de análises de questões relativas à critérios 
normativos. 
• Coordenação: processo de compatibilização entre os modelos de um 
projeto, com o objetivo de detectar interferências entre eles. 
• Estimativas de custo e tempo: processo de geração de informações 
referentes ao custo do projeto e ao tempo. Com isso, é possível analisar o 
que foi planejado com as informações de custo e tempo real ao longo da 
construção do empreendimento. 
Para o desenvolvimento de um BEP, o BIM Manager pode ter como base 
templates disponibilizados por países onde a maturidade BIM já é comum em 
fluxos de trabalhos. Temos como exemplo a universidade da Pensilvânia, que 
disponibiliza seu template de BEP para uso e confecção por meio de um 
preenchimento de formulário. Esse formulário pode ser encontrado na internet1. 
No template mencionado, o usuário encontrará o seguinte sumário para 
desenvolvimento de seu BEP. 
 
 
 
 
 
1 Disponível em: . Acesso em: 11 
jan. 2021. 
 
 
15 
Figura 4 – Sumário 
 
Fonte: Deritti, 2020, com base em BEP Guide PenState, [S.d.]. 
TEMA 5 – COLABORAÇÃO E COMUNICAÇÃO 
Como descrito anteriormente, para cadauso do BIM será necessária a 
identificação do seu fluxo. Dessa forma, sugere-se que para cada uso seja feito 
um fluxograma, utilizando um software especializado, que identifique todos os 
elementos necessários no processo. 
Para realizar um fluxograma, primeiramente devemos compreender o que 
é um processo: processo consiste em um conjunto de atividades relacionadas que 
se repetem e durante as quais são realizadas transformações até a entrega final 
do produto ou serviço. Sendo assim, um fluxograma é a representação gráfica de 
cada uma das atividades necessárias para a entrega requerida, representando o 
resultado da modelagem de processos. 
Uma das funcionalidades da modelagem de processos é a compreensão 
da situação atual de uma organização para que seja realizado o controle ou um 
conjunto de mudanças no processo. Outra finalidade da modelagem de processos 
é o desenvolvimento de uma proposta para um processo futuro. 
 
 
16 
Para realizar a modelagem de um processo que seja compreensível por 
todos, utiliza-se uma padronização de representações gráficas para o fluxograma. 
Figura 5 – Modelagem de processos 
 
O desenvolvimento de um fluxograma pode ser feito por meio de 
ferramentas que possuem recursos específicos para essa construção. Algumas 
das ferramentas disponíveis para a modelagem de processos são: Bizagi Modeler, 
ARIS express e draw.io. 
As ferramentas citadas já trazem as simbologias necessárias para o 
fluxograma, assim, basta que o usuário represente a sequência das atividades 
utilizando os símbolos disponíveis. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
Figura 6 – Desenvolvimento de fluxograma 
 
5.1 Colaboração e comunicação 
O gerenciamento de uma construção é um processo complexo devido à 
quantidade de stakeholders envolvidos, seus produtos únicos etc. 
Em relação ao número de stakeholders de um empreendimento, um 
elemento importante para o gerenciamento é a comunicação. Por isso, a filosofia 
BIM traz como principais características a colaboração e comunicação entre os 
envolvidos. Essas características são abordadas juntas, pois uma depende da 
outra. 
Dentro desse contexto, o BIM é um conceito que engloba todas as 
disciplinas de um empreendimento, possibilitando um trabalho e ambiente 
colaborativo entre todas as equipes envolvidas no projeto. 
A colaboração permite que os participantes de um projeto participem do 
seu desenvolvimento de forma conjunta, ou seja, trabalhando em uma rede de 
colaboração. Nesse processo, o modelo BIM é visualizado em tempo real por 
todos os envolvidos, havendo também acesso a informações. Para permitir isso, 
é necessário utilizar as tecnologias que possibilitem esse tipo de trabalho em 
conjunto, como o armazenamento de arquivos em nuvem. 
Esse modo de trabalho colaborativo pode ser realizado entre as diversas 
disciplinas de um projeto, assim como dentro de uma mesma disciplina. Um 
exemplo de colaboração realizada entre as diversas disciplinas é a 
disponibilização atualizada do projeto arquitetônico para as demais disciplinas. Já 
um exemplo de modelagem colaborativa dentro de uma mesma disciplina é a 
 
 
18 
realização de um projeto elétrico simultaneamente em várias frentes, a partir de 
uma única base de dados interligada. 
Diante do exposto, podemos concluir que a colaboração traz benefícios ao 
processo de gestão de um empreendimento: maior e melhor qualidade de 
compatibilização entre os modelos 3D, maior produtividade e redução de erros ou 
retrabalhos. 
Como descrito anteriormente, a colaboração tem relação estreita com a 
comunicação, pois com base nela é possível realizar revisões, com o fornecimento 
e/ou recebimento de feedbacks, avisos, solicitações de alterações etc. Outra 
vantagem da colaboração é a possibilidade de soluções de problemas em 
conjunto para que todos os envolvidos sejam atendidos. Dessa forma, essa 
solução só é realizada quando os stakeholders se comunicam entre si. 
 
 
19 
REFERÊNCIAS 
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Acesso em: 11 jan. 2021. 
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11 jan. 2021. 
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20 
MELLO, A. P. P; MESQUITA, H.; VIEIRA, C. E. Introdução à interoperabilidade. 
Escola Nacional de Administração Pública (ENAP). Brasília, 2015. 
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Wix, J. IDM General Overview‖. Information Delivery Manual. 2008. Disponível 
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