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AULA 2 INTEROPERABILIDADE E AMBIENTES COLABORATIVOS EM PROJETOS MEP/ESTRUTURAS Prof. Marco Deouro Deritti 2 INTRODUÇÃO Para o fluxo de desenvolvimento de um modelo BIM ocorrer, é necessário o desenvolvimento e a padronização de fluxos de modelagem, bem como a definição do nível de informações que serão trabalhadas em um modelo. Esta aula trata dos níveis de desenvolvimento e aborda um documento de extrema importância ao BIM: o BIM Execution Plan. TEMA 1 – MODELO BIM Um modelo BIM pode ser conceituado como um estoque de informações gráficas e não gráficas de um empreendimento. Essas informações podem representar qualquer dado relativo ao ciclo de vida do empreendimento, desde sua concepção inicial até a sua demolição (Cradle to Grave). No entanto, é muito comum existir a confusão entre um modelo BIM e o BIM propriamente dito. O BIM, acrônimo de Building Information Modelling é, na realidade, uma filosofia que propõe novos estudos de tecnologias, processos, políticas e colaboração no desenvolvimento de um projeto. Para exemplificar, quando falamos sobre a filosofia BIM, estamos agregando à conversa todo um universo de conceitos, metodologias, tecnologias, políticas etc. Do contrário, se falamos de modelo BIM, estamos tratando de um modelo virtual cujo desenvolvimento utilizou a filosofia BIM. Sendo assim, nasce uma questão: todo modelo virtual é um modelo BIM? A resposta é não, uma vez que o fato de haver desenvolvimento de modelos virtuais nos processos BIM não significa que todo modelo virtual é BIM. Portanto, um modelo para ser considerado BIM não pode apenas ter geometria bem detalhada e objetos com texturas; também é necessário que ele contenha informações necessárias para seu ciclo de vida. 3 Figura 1 – Modelo BIM Fonte: Deritti, 2020. A seguir, vamos comparar dois exemplos a fim de sanar quaisquer dúvidas acerca dos modelos BIM: o primeiro consiste em um exemplo de casa modelada no software Rhino e, e o segundo, de uma casa modelada no ARCHICAD. A casa modelada no Rhino, software que apenas modela objetos 3D, não pode ser considerada um modelo BIM, pois suas paredes, janelas e portas não possuem quaisquer informações além das geométricas. No entanto, a mesma casa, quando modelada no ARCHICAD (software BIM), pode ser um modelo BIM, pois é possível encontrar informações, como os materiais utilizados para a construção da parede, seu fabricante, a sua localização no projeto etc. Entretanto, nem sempre algo modelado em um software BIM é realmente um modelo BIM. Para tanto, necessita de um gerenciamento completo das informações modeladas e dos níveis de desenvolvimento envolvidos. Nesse contexto, o desenvolvimento dos modelos BIM é realizado ao mesmo tempo pelos diferentes stakeholders. No entanto, para ser possível realizar a colaboração entre 4 eles e a compatibilização de todo o projeto, foi criado o termo Modelo Federado, que tem como finalidade a coordenação central do projeto. Mais especificamente, a definição de um Modelo Federado é um conjunto de desenhos, textos, componentes e outros dados necessários que embora estejam vinculados, são distintos. Dessa forma, a mudança no componente de um modelo não altera os demais modelos de um modelo federado. TEMA 2 – OPENBIM OpenBIM é um conceito criado por uma organização sem fins lucrativos chamada BuildingSMART. A organização preza pela busca de melhorias nas áreas de infraestrutura e edificações, a partir de soluções e padrões internacionais abertos. Dentro desse contexto, o openBIM visa uma modelagem colaborativa e realização de operações, utilizando normas e realizando fluxos de trabalho abertos. Para isso, a comunicação entre os participantes de um projeto deve ser transparente e, ainda, possuir uma linguagem comum entre os membros, a fim de evitar a perda de informação. Além disso, o openBIM permite uma livre concorrência entre os representantes de softwares, pois para ser openBIM é necessário que ele tenha a possibilidade de trabalhar de forma integrada, deixando com o cliente a escolha de qual software se adequa melhor ao seu fluxo de trabalho. Dessa forma, um modelo virtual realizado por meio de um fluxo de trabalho openBIM deverá conter informações de qualidade que abranjam todo o ciclo de vida de um empreendimento. Diante de todas as características do openBIM, existe ainda o processo de ofertar produtos on-line conforme a demanda do cliente, os quais podem ser usados diretamente em um modelo BIM. No entanto, para que uma empresa ou um modelo seja considerado openBIM, existem alguns requisitos. Para empresas, os softwares utilizados devem ser openBIM e o fluxo de trabalho deve ser totalmente baseado no BIM. Ainda, quando realizada a coordenação entre os modelos de um empreendimento, esta deve ser realizada independentemente do software utilizado para sua modelagem. 5 Já para projetos openBIM, alguns requisitos também devem ser considerados: (a) não ter preferência por softwares, isto é, todos os softwares disponíveis no mercado devem ter igual oportunidade e (b) a modelagem de todas as disciplinas e a coordenação de um projeto devem ser feitas a partir de processos BIM. Sendo assim, para a realização dos modelos e a modelagem de projetos, os softwares que podem ser utilizados são: Solibri, DDS-CAD, Graphisoft Archicad, Trimble, entre outros. Já a troca de informações entre os diferentes softwares deve ser realizada obrigatoriamente utilizando a linguagem IFC. TEMA 3 – LOD, LOI E LOG Como apresentado anteriormente, para modelagem de modelo BIM, deve- se levar em conta alguns aspectos, sendo um deles o nível de desenvolvimento. No entanto, dentro do contexto BIM existem diferentes formas de se trabalhar com o desenvolvimento de projetos e elementos. Quando se trata de projeto, é utilizada a nomenclatura Level of Development (LOD) ou Nível de Desenvolvimento (ND). Os LODS, ou NDs, são níveis de informações a serem agregados no modelo de acordo com contrato, fase ou finalidade do projeto. O LOD (ainda estamos falando de Level of Development) é, na verdade, um conjunto de informações e geometria que podem ser chamadas de Level of Information (LOI) e Level of Geometry (LOG), sendo que: • LOI é um termo que indica o nível de informações linkados a um elemento. Por exemplo, um elemento com um alto nível de informações inclui documentos de especificações e instruções do fabricante para uso em manutenções; • LOG indica o nível de detalhe da geometria, também conhecido por alguns como Level of Detail (LOD). 6 Figura 2 – Representação do LOG Fonte: Deritti, 2020. Os LOGs podem ainda ser classificados em cinco níveis diferentes, como apresentado no Extended MEPcontent Standard (EMCS) 4.0: • LOG 1: apenas representação esquemática/simbólica ou demanda espacial global (caixa de limitadora). • LOG 2: formas e dimensões globais. Se for relevante uma especificação aproximada de montagem, área de serviço e operação. • LOG 3: as principais dimensões e propriedades do conector estão corretamente representados. Se for em caso de contratação, a montagem, o serviço e a área de operação devem estar corretamente especificados. • LOG 4: representação genérica (não específica do fabricante), no entanto, dá uma boa impressão do produto físico. • LOG 5: representação detalhada e específica do fabricante. Entretanto, existem diferentes normativas que trazem suas visões sobre os LODs, cada uma abordando uma quantidade de detalhes de informações diferentes. Ao montar um compilado delas, é possível identificar que as normativas são iguais, com exceção da classificação PAS-1192-2, que traz o LOD 7 como registro de atualização da obra, indicado na tabela a seguir. 7 Quadro 1 – Normativas PAS- 1192-2 AIA- G202- 2013BIMForum SC-CADERNO BIM Descrição LOD1 ND 0 Levantamento de dados Levantamento de informações e programa de necessidades. Apenas informações não gráficas. Programa de necessidades Estudo de viabilidade LOD2 LOD100 LOD100 ND 100 Estudo preliminar Estudo de volumetria da edificação. Estimativas de custos para construção. LOD3 LOD200 LOD200 ND 200 Anteprojeto Elementos genéricos do modelo contendo informações aproximadas de quantidade, tamanho, forma, localização e orientação LOD4 LOD300 LOD300 ND 300 Projeto legal Elementos do modelo com informações precisas de quantidade, tamanho, forma, localização e orientação. LOD350 ND 350 Projeto básico Coordenação de conflitos entre disciplinas LOD5 LOD400 LOD400 ND 400 Projeto executivo Elementos do modelo com informações precisas de quantidade, tamanho, forma, localização e orientação. Coordenação de conflitos entre disciplinas. Detalhes para fabricação, montagem e instalação. Planejamento e orçamento do modelo. LOD6 LOD500 LOD500 ND 500 Liberação da obra Elementos do modelo de acordo com a execução (AS-Built) contendo informações de quantidade, tamanho, forma, localização e orientação. Contratação da obra Obra concluída LOD7 Registro de atualização, incorporando quaisquer alterações que ocorreram desde a entrega, incluindo dados de desempenho, condições e informações necessárias para operação e manutenção. Diante disso, como não há um padrão estabelecido do conjunto de informações que devem ou não ser modeladas, a padronização do LOD do projeto pode ser feita em um documento chamado BIM Execution Plan (BEP). Nesse documento será estabelecido o que será modelado em cada fase do projeto, quais informações serão ou não entregues e como serão entregues. Com relação à qualidade do modelo, o LOD pode ser útil no início do processo de tomadas de decisão. No entanto, não deixa claro quais os pacotes de informações deverão ser entregues. Diante disso, existe o risco tanto de 8 existirem informações que não serão utilizadas quanto de haver falta de informações no modelo. Para isso, é importante detalhar no BEP não só os LODs que deverão ser atendidos, mas também os LOIs para cada fase de projeto ou elemento. TEMA 4 – CADERNO DE ORIENTAÇÕES E O BIM EXECUTION PLAN O caderno de orientações é um documento que pode ser utilizado em diversas áreas e tem o objetivo de fornecer informações básicas para orientar o leitor sobre determinado assunto. Na construção civil, devido ao grande número de stakeholders envolvidos em um projeto, recomenda-se utilizá-lo no processo de desenvolvimento de projetos. As orientações descritas nesse documento têm o intuito de dar autonomia às pessoas envolvidas em um projeto. Dessa forma, as informações básicas para o desenvolvimento do projeto estão nesse documento para que todos tenham clareza a respeito de suas respectivas atividades. As informações a serem inseridas em um caderno de orientações, para o desenvolvimento de projetos na construção civil, descrevem as informações do projeto e seus processos rotineiros, como: • Informações sobre stakeholders: indicação de todos os envolvidos no projeto, além das funções, responsabilidades e contato (empresa, telefone, e-mail); Quadro 2 – Informações Nome Empresa E-mail Telefone Construtor A A construtora@exemplo.com (11) 91111-1111 Projetista B B projetistab@exemplo.com (11)99911-1111 Fornecedor C C fornecedorc@exemplo.com (11)99111-1111 • Planejamento: fornecimento de informações de planejamento em cada uma das fases do projeto, como as datas de início e fim. Cada uma das fases e suas respectivas datas devem estar de acordo com o cronograma do projeto, cujas informações detalham as atividades e os períodos; 9 • Etapas: descrição detalhada de cada atividade e seus entregáveis. Aconselha-se pedir o escopo contratual ao cliente para equalizar este tópico; • Tecnologia necessária: definição dos softwares que serão utilizados, como os softwares requeridos aos projetistas para o desenvolvimento do projeto, bem como sua versão; • Ponto base: localização do ponto base do empreendimento. Em edifícios, por exemplo, o ideal seria em uma das quinas do prédio; • Comunicação: definição dos meios de comunicação a serem utilizados ao longo do projeto, bem como estruturação desses meios de forma padronizada. 4.1 Cronograma de atividades Um cronograma tem o objetivo de estabelecer datas de início e fim das atividades de um projeto e suas relações de dependência, isto é, determinar o fluxo das atividades. Sendo assim, a partir do desenvolvimento de um cronograma é possível ter uma visão abrangente e integrada do projeto. A confecção de um cronograma é importante para o gerenciamento de um projeto, pois é parte essencial no seu ciclo de vida, além de possibilitar a otimização do projeto, de forma a racionalizar o fluxo de caixa e diminuir o tempo de execução do projeto, o que resulta em seu sucesso. Caso contrário, pode resultar no fracasso do projeto. Sendo assim, existem alguns elementos essenciais a um cronograma: restrições, dependência lógica entre as atividades (definição do sequenciamento das atividades, ou seja, as predecessoras e sucessoras de cada atividade), tempos de espera ou antecipações, recursos (mão de obra, materiais e equipamentos), caminho crítico e folga. Na construção civil, o método mais utilizado para a confecção de cronogramas é a junção de duas metodologias diferentes: Program Evaluation and Review Technique (PERT) e Critical Path Method (CPM). O PERT é a estimativa da duração das atividades do projeto, com base em três estimativas possíveis de duração: otimista (O), Pessimista (P) e Mais Provável (MP). Dessa forma, são reduzidas as chances de riscos do cronograma. 10 Para o cálculo da estimativa de duração utilizando a metodologia PERT, é utilizada a seguinte fórmula: Duração = (P + 4*MP + O)/6 Já o CPM permite estabelecer a sequência das atividades que determinam a duração de um projeto, também chamado de caminho crítico. O caminho crítico é a sequência mais longa das atividades de um projeto, dessa forma, o atendimento das datas e sequência das atividades do caminho crítico são imprescindíveis ao sucesso do cronograma do projeto. Dentro desse contexto, o desenvolvimento do cronograma utilizando as duas metodologias apresentadas (PERT e CPM) permite verificar a duração completa do projeto. Figura 3 – Cronograma No entanto, o cronograma deve respeitar o escopo contratual do projeto. O escopo contratual define os direitos e obrigações entre o empreendedor e a contratada. Nele, são apresentados os objetivos do projeto, os recursos a serem utilizados, os marcos do projeto e as datas de entregas, padrões de desempenho, cláusulas para mudanças e cancelamento do contrato. Um dos principais elementos do escopo contratual que é de fundamental para a criação do cronograma são os marcos do projeto, isto é, o cronograma das entregas, responsável por fragmentar o projeto em etapas, resultando em 11 entregas individuais. Para o gestor, os marcos do projeto trazem vantagens, como acompanhamento, monitoramento e controle dos resultados. Os marcos de um projeto também possibilitam um intervalo estabelecido das análises das entregas, assim, evita-se que os erros cometidos no início do projeto sejam propagados ao longo do seu ciclo de vida. As análises de entrega são realizadas por um gerente de projetos que verifica os entregáveis de forma constante a fim de indicar correções caso haja necessidade. No contexto da construção civil pode-se notar características peculiares, como a baixa produtividade, a produção de produtos únicos, a fabricação temporária e intermitente de componentes e a alta quantidade de stakeholders, resultando em um processo de gerenciamentocomplexo. Dessa forma, um projeto da construção civil contém riscos e incertezas, pois além das suas características, um projeto enfrenta fatores desconhecidos. Sendo assim, o cronograma de um projeto também não está livre de riscos, o que pode causar atrasos e orçamentos maiores que o planejado. Riscos são condições não planejadas ou causadas por erros no planejamento. No entanto, os erros no planejamento de um projeto podem ser causados por incertezas. Por exemplo, no desenvolvimento de um cronograma, o gestor não tem como estabelecer a duração exata das atividades, devido a diversas variáveis que podem ocorrer ao longo do projeto. Diante do exposto, é necessário realizar um gerenciamento de riscos do projeto, o qual tem por objetivo identificar as incertezas de um projeto, de forma que os riscos possam ser tratados preventivamente ou com ações corretivas. Para realizar o gerenciamento dos riscos, são sugeridas cinco etapas: I. Identificação dos riscos – documentação de quais riscos têm chances de afetar o projeto; II. Análise qualitativa dos riscos – identificação das probabilidades de os riscos acontecerem e os impactos que serão gerados no projeto; III. Análise quantitativa dos riscos – avaliação do impacto global dos riscos conforme os objetivos do projeto e estimação das chances de sucesso; IV. Respostas aos riscos – desenvolvimento de alternativas para reduzir as ameaças aos objetivos do projeto; V. Monitoramento e controle dos riscos – implementação de um plano para eliminar os riscos identificados, bem como o monitoramento dessa 12 implementação e a eficácia do plano. Com isso, irão surgir novos riscos que devem ser geridos igualmente. A gestão de riscos também está atrelada ao contrato e um projeto, pois, quanto maior a quantidade de obrigações contratuais, mais necessário se torna o gerenciamento dos riscos. 4.2 BIM Execution Plan (BEP) Como apresentado anteriormente, a padronização é uma solução que pode ser utilizada para evitar desperdícios quando se busca implantar a filosofia Lean em um processo. Na filosofia BIM, também se busca a padronização, de forma que um dos elementos que permitem que ela ocorra nos processos é o BIM Execution Plan (BEP). O BEP é um documento que define os fluxos de trabalho de um projeto, podendo abranger todo o seu ciclo de vida. Ele visa estabelecer as etapas, os requisitos de informação, os stakeholders, os usos do BIM etc., de forma que o projeto seja desenvolvido de forma colaborativa. Soma-se a isso o fato de que, com o uso de um BEP, problemas de modelagem e coordenação são minimizados. Sendo assim, podemos resumir o BEP como um elemento que define todos os aspectos de como o projeto deverá ser executado e gerenciado. Dessa forma, ele deve ser desenvolvido antes do início da etapa de modelagem. Diante das vantagens que o BEP traz ao desenvolvimento de um projeto, o produto final tem maior valor agregado. Isso se deve à menor quantidade de desperdícios ao longo do processo, em comparação a projetos que não utilizam um BEP e ao atendimento da necessidade do cliente. Assim, nota-se mais uma vez a semelhança entre as filosofias Lean e BIM. Além de ser utilizado para padronizar a execução de um projeto, o BEP também tem a função de auxiliar na gestão da informação, pois normatiza aspectos de interoperabilidade e detalhes de informações, como coordenadas e medidas. Dentro desse contexto, o BEP traz vantagens, como: a) a compreensão das metas e objetivos BIM do projeto, por parte de todos os envolvidos no processo, além da compreensão da sua obrigação no processo; b) o cumprimento do cronograma planejado; c) a redução de perda de informação ao longo do ciclo de vida do projeto; entre outros. 13 Com o desenvolvimento de um BEP, ele pode ser acrescentado no contrato entre contratante e contratados. Dessa forma, todos os envolvidos no processo estarão de acordo com os requisitos do projeto e deverão seguir a metodologia BIM requerida no documento. Sendo assim, os elementos sugeridos para serem adicionados a um BEP são: • Informações gerais do projeto: inserir informações do proprietário, localização, descrição, fases e datas importantes do projeto. • Informações sobre os stakeholders: inserir a pessoa responsável por cada tarefa e seu respectivo contato, como e-mail e telefone, assim como suas responsabilidades no processo como um todo. • Usos do BIM: descrever todas as metas do projeto, relacionando-as com os usos do BIM, como modelagem, planejamento, orçamento, colaboração, análise energética etc. Além disso, para cada uso do BIM, sugere-se ilustrar seu fluxo com um fluxograma, indicando também os meios de troca de informações e recursos utilizados. • Requisitos de dados e informações: informar quais dados e informações devem estar presentes em cada uma das entregas, assim como os elementos, nível de detalhe etc., ou seja, descrever todos os requisitos informacionais necessários para o desenvolvimento do projeto. • Controle do modelo: descrever as verificações a serem feitas no modelo para controle da qualidade. Aqui também é possível informar as tolerâncias de precisão do modelo; • Necessidades de infraestrutura tecnológica: identificar a tecnologia necessária para o desenvolvimento do projeto, desde hardwares à softwares. • Entregas do projeto: identificar todos os entregáveis ao longo de todo o ciclo de vida do projeto, identificando também o formato de cada um e a data aproximada da entrega. Incluir também os requisitos de formatação dos arquivos a serem entregues, desde seu nome até o sistema de coordenadas e o formato, incluindo o meio de entrega; Diante do exposto, um dos elementos a ser considerado no BEP é a descrição dos usos do BIM que serão utilizados no projeto. Algumas das possibilidades de usos do BIM são: 14 • Modelagem de elementos existentes: processo de captura e coleta de informações da situação atual de um empreendimento ou parte dele para posterior modelagem de um modelo 3D. Esse processo de captação de informações pode ser realizado a partir de um escaneamento 3D da área. • Simulações: análise de possíveis soluções dentro das especificações do projeto. Nesse uso do BIM, recomenda-se a realização de simulações com as diferentes soluções encontradas para definir a melhor delas em questão de otimização e viabilidade. • Modelagem 3D: processo de modelagem do modelo virtual, com inserção de informações de qualidade referente ao projeto, tornando-o a fonte de informações gráficas e não gráficas do projeto. • Revisão do projeto: processo de avaliação do processo de modelagem 3D do modelo virtual, além de análises de questões relativas à critérios normativos. • Coordenação: processo de compatibilização entre os modelos de um projeto, com o objetivo de detectar interferências entre eles. • Estimativas de custo e tempo: processo de geração de informações referentes ao custo do projeto e ao tempo. Com isso, é possível analisar o que foi planejado com as informações de custo e tempo real ao longo da construção do empreendimento. Para o desenvolvimento de um BEP, o BIM Manager pode ter como base templates disponibilizados por países onde a maturidade BIM já é comum em fluxos de trabalhos. Temos como exemplo a universidade da Pensilvânia, que disponibiliza seu template de BEP para uso e confecção por meio de um preenchimento de formulário. Esse formulário pode ser encontrado na internet1. No template mencionado, o usuário encontrará o seguinte sumário para desenvolvimento de seu BEP. 1 Disponível em: . Acesso em: 11 jan. 2021. 15 Figura 4 – Sumário Fonte: Deritti, 2020, com base em BEP Guide PenState, [S.d.]. TEMA 5 – COLABORAÇÃO E COMUNICAÇÃO Como descrito anteriormente, para cadauso do BIM será necessária a identificação do seu fluxo. Dessa forma, sugere-se que para cada uso seja feito um fluxograma, utilizando um software especializado, que identifique todos os elementos necessários no processo. Para realizar um fluxograma, primeiramente devemos compreender o que é um processo: processo consiste em um conjunto de atividades relacionadas que se repetem e durante as quais são realizadas transformações até a entrega final do produto ou serviço. Sendo assim, um fluxograma é a representação gráfica de cada uma das atividades necessárias para a entrega requerida, representando o resultado da modelagem de processos. Uma das funcionalidades da modelagem de processos é a compreensão da situação atual de uma organização para que seja realizado o controle ou um conjunto de mudanças no processo. Outra finalidade da modelagem de processos é o desenvolvimento de uma proposta para um processo futuro. 16 Para realizar a modelagem de um processo que seja compreensível por todos, utiliza-se uma padronização de representações gráficas para o fluxograma. Figura 5 – Modelagem de processos O desenvolvimento de um fluxograma pode ser feito por meio de ferramentas que possuem recursos específicos para essa construção. Algumas das ferramentas disponíveis para a modelagem de processos são: Bizagi Modeler, ARIS express e draw.io. As ferramentas citadas já trazem as simbologias necessárias para o fluxograma, assim, basta que o usuário represente a sequência das atividades utilizando os símbolos disponíveis. 17 Figura 6 – Desenvolvimento de fluxograma 5.1 Colaboração e comunicação O gerenciamento de uma construção é um processo complexo devido à quantidade de stakeholders envolvidos, seus produtos únicos etc. Em relação ao número de stakeholders de um empreendimento, um elemento importante para o gerenciamento é a comunicação. Por isso, a filosofia BIM traz como principais características a colaboração e comunicação entre os envolvidos. Essas características são abordadas juntas, pois uma depende da outra. Dentro desse contexto, o BIM é um conceito que engloba todas as disciplinas de um empreendimento, possibilitando um trabalho e ambiente colaborativo entre todas as equipes envolvidas no projeto. A colaboração permite que os participantes de um projeto participem do seu desenvolvimento de forma conjunta, ou seja, trabalhando em uma rede de colaboração. Nesse processo, o modelo BIM é visualizado em tempo real por todos os envolvidos, havendo também acesso a informações. Para permitir isso, é necessário utilizar as tecnologias que possibilitem esse tipo de trabalho em conjunto, como o armazenamento de arquivos em nuvem. Esse modo de trabalho colaborativo pode ser realizado entre as diversas disciplinas de um projeto, assim como dentro de uma mesma disciplina. Um exemplo de colaboração realizada entre as diversas disciplinas é a disponibilização atualizada do projeto arquitetônico para as demais disciplinas. Já um exemplo de modelagem colaborativa dentro de uma mesma disciplina é a 18 realização de um projeto elétrico simultaneamente em várias frentes, a partir de uma única base de dados interligada. Diante do exposto, podemos concluir que a colaboração traz benefícios ao processo de gestão de um empreendimento: maior e melhor qualidade de compatibilização entre os modelos 3D, maior produtividade e redução de erros ou retrabalhos. Como descrito anteriormente, a colaboração tem relação estreita com a comunicação, pois com base nela é possível realizar revisões, com o fornecimento e/ou recebimento de feedbacks, avisos, solicitações de alterações etc. Outra vantagem da colaboração é a possibilidade de soluções de problemas em conjunto para que todos os envolvidos sejam atendidos. Dessa forma, essa solução só é realizada quando os stakeholders se comunicam entre si. 19 REFERÊNCIAS AUTODESK KNOWLEDGE Navisworks timeliner 4D simulation. 2011. Disponível em: . Acesso em: 11 jan. 2021. BuildingSMART. 2011, a. Model - Industry Foundation Classes (IFC)‖. Disponível em: . Acesso em: 11 jan. 2021. BuildingSMART. 2011, b. Process - Information Delivery Manual (IDM)‖. Disponível em: . 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