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EXAME OAB – ETICA
1.1. NATUREZA JURÍDICA DA OAB
Os advogados que compõem os órgãos de gestão da OAB não são remunerados. Contudo, as pessoas contratadas para trabalharem na OAB, de acordo com a CLT, são remuneradas.
Não há dúvida de que a OAB presta serviço público, com personalidade jurídica e forma federativa. A OAB tem natureza jurídica especial e única, sui generis, sendo pessoa jurídica de direito público interno, que executa serviço público federal, porém não equiparável à autarquia nem à entidade paraestatal, conforme definição do STF exarada na ADI no 3.026/DF (rel. Min. Eros Grau – Tribunal Pleno – j. 8-6-2006 – publicado em 29-9-2006).
Dentro dessa natureza jurídica diferenciada da OAB, ela tem IMUNIDADE quanto a tributos, isso não quer dizer isenção. Dessa forma, a OAB tem uma qualidade/direito/prerrogativa das pessoas jurídicas de direito público, qual seja, a imunidade.
Ainda, o contrato particular de honorários não exige duas testemunhas, nos termos do artigo 784, inciso III do CPC, para ser considerado título executivo extrajudicial, e isso quer dizer que o contrato de honorários é uma EXCEÇÃO, pois é sim possível ser executado como título executivo extrajudicial, ainda que não cumpra os requisitos de CPC.
Por fim, o advogado, em uma condição de gestor da OAB, tem recebido legitimidade de interferir em processos que não são “seus”, mas que neles está ocorrendo violação de prerrogativas do advogado atuante.
2. ÓRGÃO DE GESTÃO DA OAB
A partir da identificação dos órgãos de gestão da OAB, é possível perceber como a OAB se organiza, como a OAB é gerida e, após, entender as eleições, pois todos os órgãos de gestão são alcançados através de eleições.
2.1. CONSELHO FEDERAL (ARTS. 51 A 55 DO ESTATUTO)
O Conselho Federal é integrado por TRÊS CONSELHEIROS FEDERAIS (a chamada delegação) oriundos dos Conselhos Seccionais (equivocadamente chamados de OAB Estadual), que são eleitos (compõem a chapa do Conselho Seccional) e têm mandato de três anos. 
Também são considerados membros do Conselho Federal, na forma do art. 51, inciso II do Estatuto, seus EX-PRESIDENTES (na qualidade de membros honorários vitalícios). Nas DELIBERAÇÕES, os ex-presidentes TÊM APENAS DIREITO DE MANIFESTAÇÃO (voz), não de voto (decisão).
 O voto no Conselho Federal é POR DELEGAÇÃO, entretanto, na escolha da Diretoria, cada membro da delegação tem um voto, na forma do art. 53, §3º do Estatuto. Para os votos, vale a maioria da delegação (se houver empate, o voto vai ser invalidado – art. 77 do Regulamento Geral).
IMPORTANTE! 
A competência do Conselho Federal está instituída nos incisos do art. 54 do Estatuto da OAB:
 ART. 54. Compete ao Conselho Federal:
 I – dar cumprimento efetivo às finalidades da OAB; 
II – representar, em juízo ou fora dele, os interesses coletivos ou individuais dos advogados; 
III – velar pela dignidade, independência, prerrogativas e valorização da advocacia;
 IV – representar, com exclusividade, os advogados brasileiros nos órgãos e eventos internacionais da advocacia; 
V – editar e alterar o Regulamento Geral, o Código de Ética e Disciplina, e os Provimentos que julgar necessários; 
VI – adotar medidas para assegurar o regular funcionamento dos Conselhos Seccionais;
 VII – intervir nos Conselhos Seccionais, onde e quando constatar grave violação desta lei ou do regulamento geral; 
VIII – cassar ou modificar, de ofício ou mediante representação, qualquer ato, de órgão ou autoridade da OAB, contrário a esta lei, ao regulamento geral, ao Código de Ética e Disciplina, e aos Provimentos, ouvida a autoridade ou o órgão em causa;
 IX – julgar, em grau de recurso, as questões decididas pelos Conselhos Seccionais, nos casos previstos neste estatuto e no regulamento geral; 
X – dispor sobre a identificação dos inscritos na OAB e sobre os respectivos símbolos privativos;
 XI – apreciar o relatório anual e deliberar sobre o balanço e as contas de sua diretoria; 
XII – homologar ou mandar suprir relatório anual, o balanço e as contas dos Conselhos Seccionais;
 XIII – elaborar as listas constitucionalmente previstas, para o preenchimento dos cargos nos tribunais judiciários de âmbito nacional ou interestadual, com advogados que estejam em pleno exercício da profissão, vedada a inclusão de nome de membro do próprio Conselho ou de outro órgão da OAB;
XIV – ajuizar ação direta de inconstitucionalidade de normas legais e atos normativos, ação civil pública, mandado de segurança coletivo, mandado de injunção e demais ações cuja legitimação lhe seja outorgada por lei; 
XV – colaborar com o aperfeiçoamento dos cursos jurídicos, e opinar, previamente, nos pedidos apresentados aos órgãos competentes para criação, reconhecimento ou credenciamento desses cursos; 
XVI – autorizar, pela maioria absoluta das delegações, a oneração ou alienação de seus bens imóveis;
 XVII – participar de concursos públicos, nos casos previstos na Constituição e na lei, em todas as suas fases, quando tiverem abrangência nacional ou interestadual; 
XVIII – resolver os casos omissos neste estatuto. 
XIX – fiscalizar, acompanhar e definir parâmetros e diretrizes da relação jurídica mantida entre advogados e sociedades de advogados ou entre escritório de advogados sócios e advogado associado, inclusive no que se refere ao cumprimento dos requisitos norteadores da associação sem vínculo empregatício; (Incluído pela Lei no 14.365, de 2022). 
XX – promover, por intermédio da Câmara de Mediação e Arbitragem, a solução sobre questões atinentes à relação entre advogados sócios ou associados e homologar, caso necessário, quitações de honorários entre advogados e sociedades de advogados, observado o disposto no inciso XXXV do caput do art. 5o da Constituição Federal. (Incluído pela Lei no 14.365, de 2022)
Parágrafo único. A intervenção referida no inciso VII deste artigo depende de prévia aprovação por dois terços das delegações, garantido o amplo direito de defesa do Conselho Seccional respectivo, nomeando-se diretoria provisória para o prazo que se fixar.
A eleição dos membros de todos os órgãos da OAB, conforme o art. 63 do Estatuto, acontecerá na SEGUNDA QUINZENA DO MÊS DE NOVEMBRO, DO ÚLTIMO ANO DO MANDATO, MEDIANTE CÉDULA ÚNICA E VOTAÇÃO DIRETA, DE COMPARECIMENTO OBRIGATÓRIO, PARA TODOS OS ADVOGADOS REGULARMENTE INSCRITOS NA OAB.
IMPORTANTE! 
Com exceção do candidato a Presidente, os demais integrantes da chapa deverão ser conselheiros federais eleitos, conforme o art. 67, parágrafo único do Estatuto.
2.2. CONSELHOS SECCIONAIS (ARTS. 56 A 59 DO ESTATUTO)
Um Conselho Seccional por Estado (por isso conhecido como OAB Estadual – ou seção Estadual da OAB, embora não mais exista esta última denominação).
O CONSELHO SECCIONAL É COMPOSTO PELO PRESIDENTE, SUA DIRETORIA E PELOS CONSELHEIROS ESTADUAIS (estes têm direito de votar, de decidir e deliberar – e o voto é unipessoal, diferente do Conselho Federal, que é por delegação).
Também podem participar das reuniões do Conselho Seccional o presidente da Caixa de Assistência dos Advogados (CAA), os conselheiros federais, o presidente do Conselho Federal, presidentes das subseções, presidente do Instituto dos Advogados e ex-presidentes do próprio Conselho. Estes últimos podem participar das reuniões e têm o direito de manifestação (voz – de emitir opinião), mas não poderão participar das deliberações, ou seja, não terão o direito de votar (este será exercido apenas pelos conselheiros e diretoria).
2.2.1. CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS (ART. 62 DO ESTATUTO)
A Caixa de Assistência dos Advogados (CAA) é vinculada ao Conselho Seccional e tem como objetivo prestar assistência aos advogados inscritos no Conselho Seccional a que se vincule (órgão assistencial), conforme o art. 62 do Estatuto. Adquire personalidade jurídica quando seu Estatuto for aprovado e registrado junto ao Conselho Seccional e pode possuir patrimônio próprio, que será incorporado ao Conselho Seccional respectivo no caso de extinção da CAA.
Na forma do §7º do art. 52 do Estatuto, o Conselho Seccional, mediante votoSerá garantido o sigilo do processo até a decisão final, proporcionando-se ao acusado a mais ampla e constitucional defesa.
O julgamento do TED, apesar de ser a primeira instância, será colegiado (não existe decisão monocrática).
 O recurso contra decisão do TED será de competência do Conselho Seccional, por uma de suas Câmaras Julgadoras. Os recursos terão, como regra, o duplo efeito (devolutivo e suspensivo).
Excepcionalmente, o recurso terá apenas efeito devolutivo nos seguintes casos: 
• processo/recurso referente à eleição da OAB; 
• exclusão de advogado que produziu prova falsa para inscrição nos quadros da OAB; e 
• suspensão preventiva.
Importante! 
Alteração no § 1o do art. 69 do Estatuto. Foi alterada a forma de contagem de prazos, especificamente nos casos de comunicação por ofício reservado ou de notificação pessoal, considerando-se o dia do começo do prazo o primeiro dia útil imediato ao da juntada aos autos do respectivo aviso de recebimento. 
Ou seja, simplesmente respeitando-se a legislação processual civil – na verdade, corrigiu-se o equívoco da norma revogada (que determinava o início do prazo da notificação).
ESTATUTO DA ADVOCACIA E A OAB 
Art. 69. Todos os prazos necessários à manifestação de advogados, estagiários e terceiros, nos processos em geral da OAB, são de quinze dias, inclusive para interposição de recursos. § 1o Nos casos de comunicação por ofício reservado ou de notificação pessoal, considera-se dia do começo do prazo o primeiro dia útil imediato ao da juntada aos autos do respectivo aviso de recebimento. (Redação dada pela Lei no 14.365/2022) § 2o No caso de atos, notificações e decisões divulgados por meio do Diário Eletrônico da Ordem dos Advogados do Brasil, o prazo terá início no primeiro dia útil seguinte à publicação, assim considerada o primeiro dia útil seguinte ao da disponibilização da informação no Diário. (Redação dada Lei no 13.688/2018) (Vigência).
16.1. PRESCRIÇÃO NO PROCESSO DISCIPLINAR
A prescrição da pretensão punitiva ocorre após 5 (cinco) anos da ciência oficial dos atos que poderia gerar a abertura de um processo disciplinar.
 Este prazo será interrompido nas seguintes circunstâncias: 
• instauração do processo disciplinar; 
• notificação regular do acusado;
 • decisão condenatória recorrível. 
No decorrer do processo, é possível acontecer a prescrição intercorrente, a qual é identificada pela paralização do processo disciplinar por mais de três anos.
16.2. REABILITAÇÃO (ART. 41 DO ESTATUTO) 
Tem direito o advogado punido de pretender a reabilitação, uma forma de, ultrapassado determinado prazo, afastar dos seus registros a referência sobre a punição sofrida (maneira de “limpar a ficha”).
 O Estatuto prevê, de forma expressa, que será permitido requerer a reabilitação após um ano do cumprimento da pena. 
ATENÇÃO: Quando a pena disciplinar decorrer de condenação criminal, a reabilitação perante a OAB exigirá, primeiro, a reabilitação criminal.
IMPORTANTE! 
SÚMULA NO 13/2022/OEP O Órgão Especial do Conselho Pleno do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, no uso das suas atribuições conferidas no art. 86 do Regulamento Geral da Lei no 8.906/94, considerando o julgamento do Recurso no 49.0000.2016.006052-7/OEP, decidiu, por unanimidade de votos, em sessão ordinária realizada no dia 20 de setembro de 2022, editar a Súmula no 13/2022, com o seguinte enunciado: “Interrompem a prescrição as decisões do Conselho Federal da OAB que inadmitam recursos interpostos contra acórdão condenatório ou mantenham a sua inadmissibilidade por ausência de violação à Lei no 8.906/94, ausência de contrariedade à decisão do Conselho Federal ou de outro Conselho Seccional e, ainda, ausência de violação ao Regulamento Geral, ao Código de Ética e Disciplina e aos Provimentos (art. 75, da Lei 8.906/94), por ostentarem caráter condenatório, nos termos do art. 43, § 2o, II, do Estatuto da Advocacia e da OAB.”
SÚMULA NO 12/2022/OEP O Órgão Especial do Conselho Pleno do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, no uso das suas atribuições conferidas no art. 86 do Regulamento Geral da Lei no 8.906/94, considerando o julgamento do Recurso no 49.0000.2018.010646-4/OEP, decidiu, por unanimidade de votos, em sessão ordinária realizada no dia 20 de setembro de 2022, editar a Súmula no 12/2022, com o seguinte enunciado: “A AUSÊNCIA DO PARECER PRELIMINAR PREVISTO NO ART. 59, §7o, DO CÓDIGO DE ÉTICA E DISCIPLINA DA OAB, GERA NULIDADE RELATIVA, A SER RECONHECIDA SE COMPROVADO O PREJUÍZO CAUSADO.
17. INCOMPATIBILIDADE E IMPEDIMENTO
IMPEDIMENTO é a proibição parcial (limitação) do exercício da advocacia e incompatibilidade é a proibição total do exercício da advocacia. 
A INCOMPATIBILIDADE pode ser definitiva (gerará o cancelamento da inscrição) ou poderá ser temporária (circunstância que acarretará o licenciamento da inscrição). Já o impedimento não gera licenciamento ou cancelamento; o advogado impedido pode advogar, tem carteira da OAB (apenas exercerá a advocacia com algumas limitações).
18.2. CAUSAS QUE GERAM A INCOMPATIBILIDADE (ART. 28 DO ESTATUTO)
 Conforme o art. 28 do Estatuto, a advocacia é incompatível, mesmo em causa própria, com as seguintes atividades:
A incompatibilidade não cessa quando o ocupante deixa de exercer o cargo que a gerou temporariamente.
Estatuto da Advocacia e a OAB 
Art. 28. (...) (...) § 2o Não se incluem nas hipóteses do inciso III os que não detenham poder de decisão relevante sobre interesses de terceiro, a juízo do conselho competente da OAB, bem como a administração acadêmica diretamente relacionada ao magistério jurídico.
Ou seja, não têm incompatibilidade Diretor ou Coordenador de Curso/Faculdade de Direito de Universidade Pública. Gerente de banco (público ou privado) não pode advogar; no entanto, o Gerente Jurídico de banco pode, exclusivamente para o banco.
16.3. CAUSAS QUE GERAM O IMPEDIMENTO 
Na forma do art. 30 do Estatuto, são impedidos de exercer a advocacia:
Membro do Poder Legislativo que faz parte da mesa diretora exerce atividade incompatível com a advocacia (não poder advogar). Então, e em resumo, quanto ao Poder Legislativo: a) faz parte da mesa – incompatível; b) não faz parte da mesa – impedimento. 
Vale recordar que o impedimento aparece na carteira da OAB. 
Gerente de banco (público ou privado) não pode advogar; no entanto, o Gerente Jurídico de banco pode, exclusivamente para o banco.
 Por fim, destaca-se que existem alguns cargos públicos com poder de mando (p. ex.: Procurador-Geral do Estados, Defensor Público Geral, Advogado Geral da União, entre outros) que são habilitados a exercer a advocacia nos limites do seu cargo (não podem exercer em causa própria). 
O Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade de dispositivos do Estatuto da Advocacia que autorizavam policiais e militares na ativa a advogar em causa própria. A decisão unânime foi tomada no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7227.
Seguindo o voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, foi julgado procedente o pedido formulado pelo Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contra os parágrafos 3º e 4º do artigo 28 do Estatuto (Lei 8.906/1994). Os dispositivos, incluídos em 2022 pela Lei 14.365, permitiam a atuação "estritamente para fins de defesa e tutela de direitos pessoais", mediante inscrição especial na OAB.
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image5.pngde dois terços de seus membros, pode intervir na Caixa de Assistência dos Advogados, no caso de descumprimento de suas finalidades, designando diretoria provisória, enquanto durar a intervenção.
2.2.2. TRIBUNAL DE ÉTICA E DISCIPLINA (TED)
A atribuição do Tribunal de Ética e Disciplina está definida no art. 71 do Código de Ética e Disciplina:
ATENÇÃO: 
A principal atribuição será de julgar, em primeiro grau, o processo disciplinar – seria a primeira instância (a segunda instância seria uma das Câmaras vinculadas ao Conselho Seccional, ou seja, o recurso contra decisão do TED).
2.3. SUBSEÇÃO (ARTS. 60 E 61 DO ESTATUTO)
A SUBSEÇÃO é parte autônoma do Conselho Seccional, abrange UM OU MAIS MUNICÍPIOS, desde que possua, pelo menos, 15 ADVOGADOS A ELA VINCULADOS, de acordo com o art. 60 do Estatuto. Quando TIVER MAIS DE CEM ADVOGADOS INSCRITOS E VINCULADOS, a subseção pode criar seu Conselho, conforme o §3o do art. 60 do Estatuto.
Conforme o parágrafo único do art. 61 do Estatuto, ao CONSELHO DA SUBSEÇÃO, quando houver, compete exercer as funções e atribuições do Conselho Seccional, na forma do regimento interno deste, e ainda: a) editar seu regimento interno, a ser referendado pelo Conselho Seccional; b) editar resoluções, no âmbito de sua competência; c) instaurar e instruir processos disciplinares, para julgamento pelo Tribunal de Ética e Disciplina; d) receber pedido de inscrição nos quadros de advogado e estagiário, instruindo e emitindo parecer prévio, para decisão do Conselho Seccional.
2.3.1. CONFERÊNCIA NACIONAL DOS ADVOGADOS (ARTS. 145 A 149 DO REGULAMENTO GERAL)
A CONFERÊNCIA NACIONAL DA ADVOCACIA BRASILEIRA é órgão consultivo máximo do Conselho Federal, reunindo-se trienalmente, no segundo ano do mandato, tendo por objetivo o estudo e o debate das questões e problemas que digam respeito às finalidades da OAB e ao congraçamento da advocacia, conforme art. 145 do Regulamento Geral.
Ainda, na forma do §1º do art. 145 do Regulamento Geral, as Conferências da Advocacia dos Estados e do Distrito Federal são órgãos consultivos dos Conselhos Seccionais, reunindo-se também trienalmente, no segundo ano do mandato.
ATENÇÃO: 
Os convidados, expositores e membros dos órgãos da OAB têm identificação especial durante a Conferência. Os ESTUDANTES DE DIREITO, mesmo inscritos como estagiários na OAB, são membros ouvintes, escolhendo um porta-voz entre os presentes em cada sessão da Conferência.
3. ELEIÇÕES E MANDATOS NA OAB
Os advogados votarão em chapas regularmente inscritas para o Conselho Seccional (Diretoria, Conselheiros Seccionais, Três Conselheiros Federais e Diretoria da CAA) e Subseção (Diretoria e Conselho da Subseção – se existir).
Nas eleições DIRETAS, o VOTO SERÁ OBRIGATÓRIO para os advogados regularmente inscritos – INSCRIÇÃO PRINCIPAL (não votar representa multa – 20% sobre o valor da anuidade). O VOTO SERÁ FACULTATIVO PARA OS ADVOGADOS COM INSCRIÇÃO SUPLEMENTAR (para votar deve avisar com antecedência).
3.2. DOS REQUISITOS PARA A CANDIDATURA
São requisitos para a candidatura (cargos de gestão na OAB) aqueles previstos nos arts. 63, § 2o , do Estatuto e 131, §6o , do Regulamento Geral:
ESTATUTO DA ADVOCACIA E DA OAB
 ART. 63. A eleição dos membros de todos os órgãos da OAB será realizada na segunda quinzena do mês de novembro, do último ano do mandato, mediante cédula única e votação direta dos advogados regularmente inscritos. (...) § 2o O candidato deve comprovar situação regular perante a OAB, não ocupar cargo exonerável ad nutum, não ter sido condenado por infração disciplinar, salvo reabilitação, e exercer efetivamente a profissão há mais de 3 (três) anos, nas eleições para os cargos de Conselheiro Seccional e das Subseções, quando houver, e há mais de 5 (cinco) anos, nas eleições para os demais cargos. (Redação dada pela Lei no 13.875/2019).
 REGULAMENTO GERAL.
 ART. 131. São admitidas a registro apenas chapas completas, que deverão atender ao percentual de 50% para candidaturas de cada gênero e, ao mínimo, de 30% (trinta por cento) de advogados negros e de advogadas negras, assim considerados os(as) inscritos(as) na Ordem dos Advogados do Brasil que se classificam (autodeclaração) como negros(as), ou seja, pretos(as) ou pardos(as), ou definição análoga (critérios subsidiários de heteroidentificação). § 6o Fica delegada à Comissão Eleitoral, de cada Seccional, analisar e deliberar os casos onde as chapas das Subseções informarem a inexistência ou insuficiência de advogados negros (pretos e pardos) e advogadas negras (pretas e pardas), com condições de elegibilidade a concorrer nas chapas, no percentual aprovado em 30% (trinta por cento) referido no caput deste artigo.
ATENÇÃO: 
Também não poderá ser candidato o advogado que exercer cargo público demissível ad nutum, ou seja, que não tem estabilidade – o fato de não ter estabilidade retira a necessária independência do advogado, não permitindo sua candidatura.
3.3. VEDAÇÃO PARA VOTAR
São proibidos de votar os advogados na condição de inadimplentes (devendo anuidade) e os estagiários (inscritos na OAB – estagiário paga anuidade, mas não tem direito de votar).
3.4. ELEIÇÃO DO CONSELHO FEDERAL
A eleição no Conselho Federal é indireta; quem vai eleger a diretoria são os TRÊS CONSELHEIROS FEDERAIS (integrantes das delegações de cada unidade federativa e eleitos junto com a chapa do Conselho Seccional).
O PRESIDENTE DO CONSELHO FEDERAL NÃO PRECISA SER CONSELHEIRO FEDERAL (ART. 67, PAR. ÚN., DO ESTATUTO DA OAB).
IMPORTANTE: 
Os três Conselheiros Federais de cada Estado, que assumem no Conselho Federal, são chamados de delegação. Nas decisões de competência do Conselho Federal, esses Conselheiros Federais apresentarão UM VOTO POR DELEGAÇÃO. Para a eleição de Diretoria do Conselho Federal, o voto é individual de cada Conselheiro, não há voto por delegação.
Ainda, sobre as decisões dentro de cada órgão de gestão, é importante atentar-se para os seguintes questionamentos:
4. INSCRIÇÃO NA OAB
A condição de Advogado se adquire com a inscrição na OAB (e não com a aprovação no Exame da OAB – este é apenas um dos requisitos para postular a inscrição). Dessa forma, os requisitos para inscrição junto a OAB estão definidos no art. 8o do Estatuto:
ATENÇÃO:
 As atividades incompatíveis com a advocacia estão definidas no art. 28 do Estatuto e geram a proibição absoluta do exercício da advocacia.
O bacharel em direito, quando não graduado no Brasil, além de atender os requisitos do art. 8º do Estatuto, ainda deve fazer prova do título de graduação, obtido em instituição estrangeira, devidamente revalidado. 
A falta de idoneidade moral deve ser analisada pelo Conselho Seccional (por decisão de dois terços de seus membros), a fim de impedir a inscrição (sendo concedido ao interessado o direito ao contraditório).
EXEMPLO: o Conselho Federal já definiu que, a prática de violência contra a mulher, assim definida na Convenção Interamericana de Belém do Pará, constitui fator apto a demonstrar a ausência de idoneidade moral para a inscrição de bacharel em Direito nos quadros da OAB, independentemente da instância criminal. Assim, cada Conselho Seccional tem liberdade de analisar, caso a caso, a idoneidade – ou ausência dela – para fins de deferimento ou indeferimento da inscrição.
Deferida e autorizada a inscrição, o advogado somente receberá sua Carteira profissional depois de prestar compromisso perante o Conselho Seccional (juramento previsto no art. 20 do Regulamento Geral). 
Tal compromisso é SOLENE, FORMAL E PERSONALÍSSIMO, ou seja, NÃO pode ser feito por procuração. 
A INSCRIÇÃO DEVERÁ SER FEITA PERANTE O CONSELHO SECCIONAL ONDE O ADVOGADO EXERCERÁ A ADVOCACIA COM HABITUALIDADE. Será denominada inscrição principal. Ainda, poderá o advogado, facultativamente, buscar inscrição em outro Conselho Seccional, a denominada inscrição suplementar. O advogado deverá possuir uma inscrição principal e poderá ter quantas inscrição suplementares quiser (sempre uma – e apenas uma – por Conselho Seccional).
IMPORTANTE! 
A inscrição suplementarserá obrigatória quando:
 1ª SITUAÇÃO: quando o advogado estiver atuando em mais de cinco causas em Conselho Seccional onde ele não tenha a inscrição principal. EX.: advogado com inscrição principal no Rio Grande do Sul pode atuar – exercer a advocacia – em qualquer Estado; mas se possuir mais de cinco ações num Estado, deverá providenciar a inscrição suplementar naquele Conselho Seccional correspondente.
2ª SITUAÇÃO: quando o advogado for sócio de Sociedade de Advogados, deverá obrigatoriamente possuir inscrição (principal ou suplementar) perante o Conselho Seccional onde a sociedade foi registrada.
NÃO SERÁ EXIGIDO UM NOVO EXAME DE ORDEM PARA CADA INSCRIÇÃO SUPLEMENTAR. Para cada inscrição (principal ou suplementar) haverá a incidência de uma anuidade (ex.: dez inscrições, dez anuidades).
IMPORTANTE! 
PARA ATUAR NOS TRIBUNAIS SUPERIORES NÃO HAVERÁ NECESSIDADE DE INSCRIÇÃO SUPLEMENTAR.
4.1. ADVOGADO ESTRANGEIRO
Para advogar no Brasil, o advogado deve se inscrever na OAB, submetendo-se aos mesmos requisitos do advogado brasileiro (terá, no entanto, que revalidar seu diploma, circunstância que não é de competência da OAB). Pode o advogado estrangeiro, no entanto, receber uma autorização (precária) para dar Consultoria em direito estrangeiro (mediante requerimento ao Conselho Seccional).
ATENÇÃO! 
CONFORME O PROVIMENTO CFOAB NO 129/2008 (TRATADO DE RECIPROCIDADE), PODEM OS ADVOGADOS PORTUGUESES EXERCER ADVOCACIA NO BRASIL, ASSIM COMO ADVOGADOS BRASILEIROS ADVOGAR EM PORTUGAL.
5. LICENCIAMENTO E CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO
LICENCIAMENTO é forma de INTERRUPÇÃO TEMPORÁRIA DA INSCRIÇÃO. Ou seja, é uma forma de o advogado suspender sua capacidade postulatória, pois durante o período de licenciamento ele não pode advogar. Durante o período que o advogado estiver licenciado, ele NÃO PAGARÁ A ANUIDADE.
 Atenção: O ADVOGADO LICENCIADO NÃO PERDE O NÚMERO DA SUA INSCRIÇÃO, tampouco sua inscrição é cancelada.
5.2. CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO
O cancelamento da inscrição configura INTERRUPÇÃO DEFINITIVA DO EXERCÍCIO DA ADVOCACIA. Com o cancelamento, a pessoa deixa de ser advogada, PERDE SUA CAPACIDADE POSTULATÓRIA. Pode acontecer em cinco hipóteses:
IMPORTANTE! 
Se a pessoa já possui atividade incompatível no ato da inscrição, haverá o seu indeferimento (art. 8o do Estatuto). 
A APLICAÇÃO, POR TRÊS VEZES, DA PENA DE SUSPENSÃO GERARÁ A PENA DE EXCLUSÃO, QUE ACARRETARÁ O CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO.
Para obter a inscrição como estagiário, devem ser obedecidos os requisitos do art. 9o do Estatuto, quais sejam:
O Estagiário com inscrição na OAB PAGA ANUIDADE, MAS NÃO PODE VOTAR. Além disso, O ESTAGIÁRIO TEM DIREITO DE PRATICAR TODOS OS ATOS PRIVATIVOS DA ADVOCACIA, DESDE QUE EM CONJUNTO COM O ADVOGADO E SOB A RESPONSABILIDADE DESTE.
Na forma do art. 29, §1º do Regulamento Geral, o estagiário inscrito na OAB pode praticar isoladamente os seguintes atos, sob a responsabilidade do advogado:
O Estagiário, para atuar no processo, deve ter poderes, ou seja, ele deve aparecer na procuração ou no substabelecimento.
IMPORTANTE! 
ESTAGIÁRIO NÃO PODE FAZER PUBLICIDADE, nem mesmo em conjunto com o advogado. É permitido ao bacharel em direito buscar inscrição como estagiário, na forma do art. 9o , § 4o , do Estatuto. 
Alteração singela, mas relevante, diz respeito à possibilidade de o estágio profissional ser feito no regime de teletrabalho, fixando-se algumas exigências quanto a requisitos do termo de convênio e de estágio (art. 9o , §§ 5o e 6o , do Estatuto).
6. ADVOGADO EMPREGADO
Conforme o art. 18 do Estatuto, O ADVOGADO EMPREGADO É UM PROFISSIONAL ASSALARIADO, mas esta relação de emprego não pode retirar sua independência profissional. Além disso, na forma do §1º do art. 18, o advogado empregado não estará obrigado à prestação de serviços profissionais de interesse pessoal dos empregadores, desde que fora da relação de emprego.
O ADVOGADO EMPREGADO TEM JORNADA DE TRABALHO DE 8 HORAS DIÁRIAS E 40 SEMANAIS, conforme o art. 20 do Estatuto. Será considerado período de trabalho o tempo que o advogado estiver à disposição do empregador, aguardando ou executando ordens, seja no escritório, seja em atividades externas. Ao advogado empregado será reembolsadas as despesas feitas com transporte, hospedagem e alimentação.
IMPORTANTE! 
Conforme o §2º do art. 20 do Estatuto, as horas trabalhadas que excederem a jornada normal de trabalho, são remuneradas por um adicional não inferior a cem por cento sobre o valor da hora normal, mesmo havendo contrato escrito. Além disso, na forma do §3º do art. 20 do Estatuto, as horas trabalhadas no período das vinte horas de um dia até as cinco horas do dia seguinte, são remuneradas como noturnas, acrescidas do adicional de vinte e cinco por cento.
O salário-mínimo profissional do advogado empregado será fixado em sentença normativa, salvo se ajustado em acordo ou convenção coletiva de trabalho, conforme o art. 19 do Estatuto. Ainda, o advogado empregado tem direito aos honorários de sucumbência, conforme o art. 21 do Estatuto, entretanto, poderá acertar com o empregador, contratualmente ou em convenção coletiva, forma de partilha de tais honorários ou até renunciá-los.
7. Atividades privativas do advogado
Bacharel em Direito e Estagiário inscrito na OAB não são considerados advogados, ou seja, não podem agir ou atuar naquelas atividades definidas como privativas da advocacia. Contudo, de acordo com o §2º do art. 3º do Estatuto, o estagiário inscrito na OAB, pode praticar os atos previstos no art. 1º do Estatuto, em conjunto com advogado e sob responsabilidade deste.
ATENÇÃO:
 postular em juízo: é atividade privativa, mas com exceções (habeas corpus em qualquer instância, jus postulandi trabalhista, JEC (limitação de valor), JEF/JEFP, e revisão criminal). No JEC criminal, a presença do advogado do acusado é obrigatória.
Microempresa e empresa de pequeno porte não precisam de visto de advogado para os seus atos constitutivos. Nestes casos, das exceções, será possível postular em juízo sem a presença do advogado.
8. SOCIEDADE DE ADVOGADOS
Pessoa jurídica, formada ÚNICA E EXCLUSIVAMENTE POR ADVOGADOS, com o OBJETIVO DE ATUAR EM ATIVIDADES PRIVATIVAS DA ADVOCACIA. ADQUIRE PERSONALIDADE JURÍDICA, isso quer dizer que, PASSA A SER TITULAR DE DIREITOS E OBRIGAÇÕES, COM O REGISTRO DE SEUS ATOS CONSTITUTIVOS JUNTO AO CONSELHO SECCIONAL COMPETENTE. NÃO é registrada na Junta Comercial ou em outro Cartório Extrajudicial.
O sócio deve ter inscrição, seja principal, seja suplementar, no Conselho Seccional onde a sociedade de advogados foi registrada. A sociedade de advogados pode ter filial, desde que seja em outro Conselho Seccional, pois não poderá a sociedade ter filial no mesmo Conselho Seccional onde está a sociedade registrada. O advogado somente pode ser sócio de uma sociedade de advogados por Conselho Seccional.
MODIFICAÇÃO DO § 2º DO ART. 16. 
O advogado impedido ou incompatibilizado com o exercício da advocacia de forma temporária não é considerado excluído da sociedade (devendo ser tal circunstância averbada no registro da Sociedade). Todavia, traz importante situação: o fato de que não pode ser usado o nome ou imagem do advogado temporariamente afastado.
Conforme a inclusão do art. 17-A do Estatuto, o advogado poderá se associar a uma ou mais sociedades de advogados ou sociedades unipessoais de advocacia PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, e, ainda, a presente associação dar-se-á por meio de pactuação de contrato próprio, que poderá ser de caráter geral ou restringir-se a determinada causa ou trabalho.
CONFORME O ART. 17-B DO ESTATUTO, A ASSOCIAÇÃO DE QUE TRATA O ART. 17-A DEVERÁ SER REGISTRADO NO CONSELHO SECCIONAL DA OAB EM CUJA BASE TERRITORIAL TIVER SEDE A SOCIEDADE DE ADVOGADOS QUE DELE TOMAR PARTE.
O contrato de associação deve conter no mínimo:
9. PROCURAÇÃO E MANDATO
Para que o advogado atue em nome de seu cliente, é necessário que ele receba poderes para tanto. A forma processual é a outorga da procuração. A procuração, como todo contrato, pode ter prazo determinado, contudo,se não contiver prazo, presume-se que ela tem eficácia até a conclusão da causa, conforme o art. 13 do CED.
A procuração não se extingue ou perde valor/eficácia pelo decurso do tempo. O advogado tem o direito de atuar sem procuração em casos de urgência – por exemplo, os direitos de seu cliente estão em perigo - mas, o advogado deve juntar a procuração no prazo de 15 dias, podendo ser prorrogado por mais 15 dias, conforme prevê o art. 104 do CPC e o art. 5ª, §1º do Estatuto.
Conforme o art. 11 do CED o advogado, atua como patrono da parte, quando no exercício do mandato, cumprindo-lhe, por isso, imprimir à causa orientação que lhe pareça mais adequada, sem se subordinar a intenções contrárias do cliente, mas, antes, procurando esclarecê-lo quanto à estratégia traçada. 
O advogado não pode aceitar procuração de quem já tenha patrono constituído, sem prévio conhecimento deste, conforme o art. 14 do CED. Contudo, por motivo plenamente justificável ou para adoção de medidas judiciais urgentes e inadiáveis o advogado pode aceitar procuração de quem já tenha patrono constituído.
9.1. DA RENÚNCIA
Nos termos do art. 16 do CED, a renúncia cessa a responsabilidade profissional, e isso quer dizer que a renúncia é a forma de extinção da procuração e dos poderes nela outorgados e, é requerida pelo advogado.
Notificado o cliente, o advogado ainda é responsável pelos atos processuais por dez dias, salvo se um novo profissional se habilite antes de terminado tal prazo, na forma do §3º do art. 5º do Estatuto. Ainda, não há necessidade de a renúncia ser motivada.
9.2. DA REVOGAÇÃO
Revogação do mandado judicial é uma forma de extinção da procuração e dos poderes nela outorgados por iniciativa do cliente, conforme o art. 17 do CED. Na revogação, não existe o prazo de responsabilização por dez dias.
A renúncia ou a revogação da procuração não desobriga o cliente ao pagamento dos honorários advocatícios (inclusive verba de sucumbência – neste caso, de forma proporcional ao trabalho desenvolvido).
9.3. DO SUBSTABELECIMENTO
O substabelecimento é a forma de o advogado transferir poderes recebidos na procuração para outro advogado (relação advogado com advogado). O substabelecimento pode ser com ou sem reserva de poderes.
10. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
PREVISÃO LEGAL: arts. 22 a 26 da Lei no 8.906/1994 (Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil). Os honorários advocatícios correspondem à remuneração ao profissional da advocacia pelos serviços prestados. São divididos em três tipos:
10.1. HONORÁRIOS CONTRATADOS/CONVENCIONADOS
Contratados e fixados entre o ADVOGADO E O CLIENTE, sendo, como regra, uma obrigação de meio, ou seja, não depende de resultado, ainda que, excepcionalmente, possa depender de resultado, quando, por exemplo, o advogado for contratado para elaborar uma minuta de contrato. 
Quando o contrato de honorários fixados entre advogado e cliente não estabelecer ou fixar forma de pagamento, o §3º do art. 22 do Estatuto orienta/sugere a seguinte forma:
ATENÇÃO: a inclusão do art. 22-A no Estatuto fixa e define que será permitida a dedução de honorários advocatícios contratuais dos valores acrescidos, a título de juros de mora, ao montante repassado aos Estados e aos Municípios na forma de precatórios, como complementação de fundos constitucionais.
10.1.1. HONORÁRIOS COTA LITIS (PARTE NA LIDE)
Os honorários cota litis são a maneira de contratar honorários com o cliente (é fixado um percentual no resultado, no benefício que o cliente receber). O advogado deve receber em pecúnia/dinheiro e não em bens (para receber em bens, deve existir cláusula contratual declarando que o cliente não tem como pagar em dinheiro). 
Não existe disposição definindo o percentual adequado dos honorários cota litis, todavia, o art. 50 do CED prevê que, quando acrescidos dos honorários da sucumbência (os honorários cota litis somados aos de sucumbência), não podem ser superiores às vantagens advindas a favor do cliente.
10.2. HONORÁRIOS ARBITRADOS
Os honorários fixados por arbitramento judicial, serão fixados pelo Poder Judiciário, mediante postulação, ou seja, AÇÃO DO ADVOGADO CONTRA O CLIENTE, pois não foram convencionados previamente. Assim, diante da ausência de contrato escrito entre cliente e advogado e negando-se o cliente a efetuar o pagamento de honorários, a alternativa do profissional da advocacia será entrar com uma ação contra o cliente, pedindo que o juiz arbitre os honorários.
 O §2o do art. 22 do Estatuto fixa critérios para o arbitramento de honorários advocatícios, na falta de estipulação ou de acordo, fixando que, obrigatoriamente, devam ser observadas as disposições nos §§ 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 6º-A, 8º, 8º-A, 9º e 10 do art. 85 do Código de Processo Civil:
ART. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. 
§ 2º Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos:
 I - o grau de zelo do profissional; 
II - o lugar de prestação do serviço; 
III - a natureza e a importância da causa;
 IV - o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço.
§ 3º Nas causas em que a Fazenda Pública for parte, a fixação dos honorários observará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2º e os seguintes percentuais: 
I - mínimo de dez e máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido até 200 (duzentos) salários-mínimos; 
II - mínimo de oito e máximo de dez por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 200 (duzentos) salários-mínimos até 2.000 (dois mil) salários-mínimos; 
III - mínimo de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) salários-mínimos até 20.000 (vinte mil) salários-mínimos;
 IV - mínimo de três e máximo de cinco por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 20.000 (vinte mil) salários-mínimos até 100.000 (cem mil) salários-mínimos; 
V - mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 100.000 (cem mil) salários-mínimos.
 § 4º Em qualquer das hipóteses do § 3º :
 I - os percentuais previstos nos incisos I a V devem ser aplicados desde logo, quando for líquida a sentença; 
II - não sendo líquida a sentença, a definição do percentual, nos termos previstos nos incisos I a V, somente ocorrerá quando liquidado o julgado; 
III - não havendo condenação principal ou não sendo possível mensurar o proveito econômico obtido, a condenação em honorários dar-se-á sobre o valor atualizado da causa; 
IV - será considerado o salário-mínimo vigente quando prolatada sentença líquida ou o que estiver em vigor na data da decisão de liquidação. 
§ 5º Quando, conforme o caso, a condenação contra a Fazenda Pública ou o benefício econômico obtido pelo vencedor ou o valor da causa for superior ao valor previsto no inciso I do § 3º, a fixação do percentual de honorários deve observar a faixa inicial e, naquilo que a exceder, a faixa subsequente, e assim sucessivamente.
 § 6º Os limites e critérios previstos nos §§ 2º e 3º aplicam-se independentemente de qual seja o conteúdo da decisão, inclusive aos casos de improcedência ou de sentença sem resolução de mérito. 
§ 6º-A. Quando o valor da condenação ou do proveito econômico obtido ou o valor atualizado da causa for líquido ou liquidável, para fins de fixação dos honorários advocatícios, nos termos dos §§ 2º e 3º, é proibida a apreciação equitativa, salvo nas hipóteses expressamente previstas no § 8º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022)
 § 8º Nas causas em que for inestimável ou irrisório o proveito econômico ou, ainda, quando o valor da causa for muito baixo, o juiz fixará o valor dos honorários por apreciação equitativa, observando o disposto nos incisos do § 2º. 
§ 8º-A. Na hipótese do § 8º desteartigo, para fins de fixação equitativa de honorários sucumbenciais, o juiz deverá observar os valores recomendados pelo Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil a título de honorários advocatícios ou o limite mínimo de 10% (dez por cento) estabelecido no § 2º deste artigo, aplicando-se o que for maior. (Incluído pela Lei nº 14.365, de 2022).
 § 9º Na ação de indenização por ato ilícito contra pessoa, o percentual de honorários incidirá sobre a soma das prestações vencidas acrescida de 12 (doze) prestações vincendas. 
§ 10. Nos casos de perda do objeto, os honorários serão devidos por quem deu causa ao processo.
10.3. HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA
Os honorários de sucumbência são verbas honorárias fixada pelo Poder Judiciário, em processo judicial, em que condena a parte vencida (a parte que perdeu no processo) ao pagamento de honorários em favor do advogado da parte vencedora. O percentual deverá obedecer ao disposto no art. 85, §2o , do CPC, assim, os honorários serão fixados entre 10% e 20% sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa, atendidos:
10.3.1. HONORÁRIOS ASSISTENCIAIS
Em 2018, os honorários assistenciais foram criados e, podem ser definidos como aqueles honorários pagos a um advogado contratado por entidade sindical para prestar assistência jurídica ao trabalhador sem condições financeiras de arcar com os custos de um defensor. 
Na forma do art. 22, §6o , do Estatuto, os honorários assistenciais são aqueles fixados em ações coletivas propostas por entidades de classe em substituição processual, sem prejuízo aos honorários convencionais. 
Simplificando, seriam honorários de sucumbência, fixados na Justiça do Trabalho, em benefício dos advogados contratados pelos sindicatos para defesa de direitos coletivos.
10.3.2. PRESCRIÇÃO DOS HONORÁRIOS
A pretensão de cobrar os honorários prescreverão em 5 (cinco) anos, nos termos do art. 25 do Estatuto e, tal prazo é contado:
A INCLUSÃO DO ART. 24-A ao Estatuto trouxe, em benefício do advogado, o privilégio consistente na garantia do recebimento de seus honorários contratuais, mesmo sob bloqueio universal do patrimônio do cliente, até o montante de 20% dos bens bloqueados. 
Importante ressaltar que essa possibilidade de desbloqueio não atinge os bloqueios determinados em decorrência do crime de tráfico de drogas. 
Os §§ 1o a 5o dispõem sobre o pedido de desbloqueio; a ordem preferencial de pagamento dos honorários sobre os bens do cliente; a maneira como deve ser transferido esse pagamento diretamente para a conta do advogado ou do seu escritório; e a opção do advogado pela adjudicação de bem ou venda em hasta pública. 
A inclusão do § 3o -A ao art. 24 do Estatuto, prevê que somente sejam consideradas válidas as disposições, as cláusulas, os regulamentos ou as convenções individuais ou coletivas que retirem do sócio o direito ao recebimento dos honorários de sucumbência “nos casos judiciais e administrativos”, após o protocolo de petição que revogue os poderes que lhe foram outorgados ou que noticie a renúncia a eles. Ainda assim, os honorários serão devidos proporcionalmente ao trabalho realizado.
A Inclusão do § 5o ao art. 24 do Estatuto, assegura o direito aos honorários proporcionais ao trabalho realizado nos processos judiciais e administrativos em que tenha atuado, na hipótese de encerramento da relação contratual com o cliente. 
A inclusão do § 6o ao art. 24 do Estatuto, deixa claro e definitivo, sem qualquer dúvida, que distrato e a rescisão do contrato de prestação de serviços advocatícios, mesmo que formalmente celebrados, não configuram renúncia expressa aos honorários pactuados.
 A Inclusão do § 7o ao art. 24 do Estatuto, estipula que, na ausência de contrato de prestação de serviços advocatícios e fixação de honorários, estes devem ser arbitrados conforme as disposições contidas no art. 22.
A inclusão do parágrafo único ao art. 26 do Estatuto trouxe uma exceção à regra contida no caput, qual seja: “O advogado substabelecido, com reserva de poderes, não pode cobrar honorários sem a intervenção daquele que lhe conferiu o substabelecimento”. No parágrafo único foi criada uma exceção, permitindo que o advogado substabelecido com reserva de poderes cobre diretamente o cliente, sem a participação do advogado que substabeleceu, desde que tenha, o advogado substabelecido, contrato celebrado com o cliente.
11. ADVOCACIA PRO BONO
Durante determinado período, entendeu-se que o advogado não poderia trabalhar sem cobrar honorários, que tal atitude poderia configurar forma de aviltamento de honorários. Com o intuito de regular essa atividade, foi adotado no sistema brasileiro a possibilidade do exercício da advocacia pro bono.
Considera-se advocacia pro bono a prestação GRATUITA, EVENTUAL E VOLUNTÁRIA (G E V) de serviços jurídicos – essas são as características principais. Este tipo de atuação pode acontecer em favor de instituições sociais sem fins econômicos e aos seus assistidos, sempre que os beneficiários não dispuserem de recursos para a contratação de profissional. Também pode ser exercida para pessoas naturais hipossuficientes. Entretanto, NÃO PODERÁ O ADVOGADO atuar como pro bono com objetivos político-partidários ou eleitorais, nem beneficiar instituições que visem a tais objetivos, ou como instrumento de publicidade para captação de clientela.
Segundo o Provimento no 166/2015 do Conselho Federal da OAB, os advogados que desempenharem a advocacia pro bono estão impedidos de exercer a advocacia remunerada, em qualquer esfera, para a pessoa natural ou jurídica que se utilize de seus serviços pro bono (art. 4o e § 1o ).
Provimento CFOAB no 166/2015.
 Art. 4o Os advogados e os integrantes das sociedades de advogados e dos departamentos jurídicos de empresas que desempenharem a advocacia pro bono definida no art. 1o deste Provimento estão impedidos de exercer a advocacia remunerada, em qualquer esfera, para a pessoa natural ou jurídica que se utilize de seus serviços pro bono. § 1o O impedimento de que trará este artigo cessará uma vez decorridos 3 (três) anos do encerramento da prestação do serviço pro bono. § 2o É igualmente vedado vincular ou condicionar a prestação de serviços pro bono à contratação de serviços remunerados, em qualquer circunstância.
12. DIREITOS E PRERROGATIVAS DO ADVOGADO
São deveres do advogado, de acordo com o art. 2o do CED:
Código de Ética e Disciplina
Art. 2° O advogado, indispensável à administração da Justiça, é defensor do Estado Democrático de Direito, dos direitos humanos e garantias fundamentais, da cidadania, da moralidade, da Justiça e da paz social, cumprindo-lhe exercer o seu ministério em consonância com a sua elevada função pública e com os valores que lhe são inerentes. Parágrafo único. São deveres do advogado: 
I – preservar, em sua conduta, a honra, a nobreza e a dignidade da profissão, zelando pelo caráter de essencialidade e indispensabilidade da advocacia; 
II – atuar com destemor, independência, honestidade, decoro, veracidade, lealdade, dignidade e boa-fé;
 III – velar por sua reputação pessoal e profissional;
 IV – empenhar-se, permanentemente, no aperfeiçoamento pessoal e profissional; 
V – contribuir para o aprimoramento das instituições, do Direito e das leis;
VI – estimular, a qualquer tempo, a conciliação e a mediação entre os litigantes, prevenindo, sempre que possível, a instauração de litígios;
VII – desaconselhar lides temerárias, a partir de um juízo preliminar de viabilidade jurídica;
 VIII – abster-se de:
 a) utilizar de influência indevida, em seu benefício ou do cliente; 
b) vincular seu nome ou nome social a empreendimentos sabidamente escusos;
 c) emprestar concurso aos que atentem contra a ética, a moral, a honestidade e a dignidade da pessoa humana;
 d) entender-se diretamente com a parte adversa que tenha patrono constituído, sem o assentimento deste; 
e) ingressar ou atuar em pleitos administrativos ou judiciais perante autoridades com as quais tenha vínculos negociaisou familiares; 
f) contratar honorários advocatícios em valores aviltantes.
 IX – pugnar pela solução dos problemas da cidadania e pela efetivação dos direitos individuais, coletivos e difusos; 
X – adotar conduta consentânea com o papel de elemento indispensável à administração da Justiça; 
XI – cumprir os encargos assumidos no âmbito da Ordem dos Advogados do Brasil ou na representação da classe;
 XII – zelar pelos valores institucionais da OAB e da advocacia; 
XIII – ater-se, quando no exercício da função de defensor público, à defesa dos necessitados.
 O advogado deve zelar por sua liberdade e independência, assim, nos termos do parágrafo único do art. 4 do CED, é legítima a recusa, pelo advogado, do patrocínio de causa e de manifestação, no âmbito consultivo, de pretensão concernente a direito que também lhe seja aplicável ou contrarie orientação que tenha manifestado anteriormente.
IMPORTANTE! 
• Art. 5º do CED: O exercício da advocacia é incompatível com qualquer procedimento de mercantilização. 
• Art. 6º do CED: É defeso (proibido) ao advogado expor os fatos em Juízo ou na via administrativa falseando deliberadamente a verdade e utilizando de má-fé. 
• Art. 7º do CED: É vedado o oferecimento de serviços profissionais que implique, direta ou indiretamente, angariar ou captar clientela. Nos termos do art. 2º e §2-A do Estatuto, o advogado é indispensável à administração da justiça e no processo administrativo, o advogado contribui com a postulação de decisão favorável ao seu constituinte, e os seus atos constituem múnus público.
12.2. PRERROGATIVAS DO ADVOGADO
O parágrafo único do art. 6o do Estatuto fixou o rol daqueles que devem dispensar ao advogado, quando no exercício da profissão, tratamento compatível com a dignidade da advocacia – devendo ser respeitada a imagem, a reputação e a integridade do advogado. Objetivamente, tal alteração vai no sentido positivo de reforçar a dignidade da atuação do advogado, como também corrobora as condições necessárias para o bom desempenho desse múnus público – e, importante, atualiza a orientação legal em harmonia com a Lei de Abuso de Autoridade (Lei no 13.869/2019).
O inciso X do art. 7o do Estatuto garante ao advogado o uso da palavra, pela ordem, não só em juízo (como já previa o texto anterior), mas também em “tribunais administrativos”, órgãos de deliberação coletiva da administração pública ou Comissão Parlamentar de Inquérito, mediante intervenção pontual e sumária. A intenção do uso da palavra pela ordem é esclarecer equívocos ou dúvidas em relação a fatos, documentos ou, ainda, afirmações que influam na decisão.
IMPORTANTE!
 O § 2o -B do art. 7o do Estatuto, fixou as situações de cabimento da sustentação oral pelos advogados nos recursos contra decisões monocráticas do relator que julgar o mérito ou não conhecer da apelação, recurso ordinário, recurso especial, recurso extraordinário, embargos de divergência, ação rescisória, mandado de segurança, reclamação, habeas corpus e outras ações de competência originária.
A realidade é que com essa regulamentação de hipóteses mais precisas de sustentação oral fica superado, ao menos parcialmente, o entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado na ADI no 1.105- 7.
O § 6o -D do art. 7o do Estatuto traz a ideia de preservação do sigilo do conteúdo dos documentos (mídia e objetos) não relacionados com a investigação (mesmo quando for impossível que eles sejam separados daqueles que forem/devam ser apreendidos).
O § 6o -E do art. 7o do Estatuto traz a previsão no sentido de que, uma vez não observado o sigilo das informações apreendidas e não relacionadas à investigação, o representante da OAB deverá informar (via relatório), a fim de que a OAB tome as providências que entender adequadas, podendo inclusive apresentar notícia-crime contra os envolvidos, os quais deverão ser nominados e identificados no relato apresentado pelo representante.
O § 6o -I do art. 7o do Estatuto definiu a proibição para o advogado efetuar colaboração premiada contra quem seja ou tenha sido seu cliente, fixando que tal situação pode ser punida com a sanção de exclusão, prevista no inciso III do caput do art. 35 do Estatuto, bem como às penas do crime de violação de segredo profissional, previstas no art. 154 do CP.
As hipóteses de exclusão estão previstas no art. 38 do Estatuto:
Estatuto da Advocacia e a OAB:
Art. 38. A exclusão é aplicável nos casos de: 
I – aplicação, por três vezes, de suspensão; 
II – infrações definidas nos incisos XXVI a XXVIII do art. 34.
Art. 34.
 XXVI – fazer falsa prova de qualquer dos requisitos para inscrição na OAB; 
XXVII – tornar-se moralmente inidôneo para o exercício da advocacia;
 XXVIII – praticar crime infamante;
Ou seja, como não ocorreu a inserção ou modificação em tais dispositivos, presume-se que o legislador esteja definindo que o advogado que fizer a colaboração premiada se tornará moralmente inidôneo. Definir como crime infamante não parece adequado. Melhor, com certeza, teria sido que o legislador inserisse, nos arts. 34 e 38, dispositivo específico quanto à colaboração premiada.
Nos §§ 14, 15 e 16 do art. 7o do Estatuto, foi atribuída competência privativa do Conselho Federal da OAB, dentro de processo disciplinar próprio, para dispor, analisar e decidir sobre a prestação efetiva do serviço jurídico realizado pelo advogado.
Fez-se a previsão de nulidade do “ato praticado com violação da competência privativa do Conselho Federal da OAB”. Na mesma linha e intenção, também foi fixada a competência privativa do Conselho Federal para analisar e decidir sobre “os honorários advocatícios dos serviços jurídicos realizados pelo advogado”. Verdadeiramente, tal dispositivo aprofunda o caráter da OAB como entidade singular de serviço público independente, na exata definição do STF, na ADI no 3.026.
No art. 7o -B do Estatuto, foi apenas incrementada a pena nele cominada, para o crime de violação das prerrogativas do advogado, aumentando-a de 3 (três) meses a 1 (um) ano de detenção, e multa, para 2 (dois) a 4 (quatro) anos e multa.
12.3. INVIOLABILIDADE DO ESCRITÓRIO (LOCAL DE TRABALHO)
Nos termos do art. 7º, inciso II do Estatuto, é garantida ao advogado a inviolabilidade dos seus instrumentos de trabalho – aí incluídos todos os documentos relativos ao serviço da advocacia. Contudo, na forma do §6º do art. 7º do Estatuto, esta inviolabilidade pode, excepcionalmente, ser quebrada, existindo indícios de autoria e materialidade contra o advogado, mediante ordem judicial, específica e fundamentada, a ser cumprida na presença de representante da OAB.
12.4. COMUNICAÇÃO COM O CLIENTE
Nos termos do inciso II, do art. 7º do Estatuto, tem direito o advogado a comunicar-se pessoal e reservadamente com seu cliente (mesmo sem procuração), ainda que o cliente esteja recolhido na condição de incomunicável.
12.5. PRISÃO EM FLAGRANTE DO ADVOGADO
Nos termos do art. 7º, §3º do Estatuto, o advogado somente poderá ser preso em flagrante, por motivo de exercício da profissão, em caso de crime inafiançável, e, o advogado tem direito de, quando for preso em decorrência do exercício da profissão (da advocacia), ter a presença de representante na OAB na lavratura do flagrante, sob pena de nulidade e, nos demais casos, a comunicação expressa à seccional da OAB, conforme o inciso IV do art. 7º do Estatuto.
12.6. LOCAL DA PRISÃO
Tem direito o advogado, antes de sentença condenatória transitada em julgado, de ser recolhido preso em sala de Estado Maior (com instalação e comodidade condigna), conforme o inciso V do art. 7º do Estatuto. Neste caso, para o reconhecimento deste direito, a motivação não importa (ou seja, mesmo que a prisão tenha origem em crime não ligado ao exercício da advocacia, ainda assim terá o advogado a prerrogativa de local especial para sua prisão). Segundo decisões reiteradas do STF, a falta de instalações condignas para receber o advogado lhe garante o direito de prisão domiciliar (sempre até o trânsito em julgado da decisão condenatória).
12.7. RELAÇÃO COM O MAGISTRADO
Conforme o art.6º do Estatuto, não existe hierarquia nem subordinação entre advogados e magistrados. Ainda, conforme o art. 7º, inciso VI, do Estatuto, é direito do advogado ingressar livremente nas salas de sessões dos tribunais, mesmo além dos cancelos que separam a parte reservada aos magistrados e tem direito de conversar com o juiz independentemente de hora marcada (ser atendido), conforme inciso VIII do mesmo dispositivo legal.
12.8. EXAME DE AUTOS
O advogado tem direito a vistas dos autos em andamento (ou arquivados), mesmo sem procuração – este direito garante a possibilidade de tirar cópia e fazer apontamentos, conforme incisos XIII, XIV e XV do art. 7º do Estatuto. 
Caso os autos estejam protegidos por sigilo, para ter acesso será necessária a procuração.
Tem o advogado, ainda, o direito de retirar os autos em carga – para o exercício deste direito será necessária a procuração. Excepcionalmente, será concedida carga de autos arquivados sem procuração, conforme o art. 7º, inciso XVI do Estatuto, no entanto, estando protegidos por sigilo, necessária também, neste caso, a procuração.
Sempre que os autos estiverem protegidos pelo sigilo (segredo de justiça), o acesso do advogado, seja para vistas, seja para carga, dependerá da procuração.
12.9. EXAME DE INQUÉRITO POLICIAL
Tem direito o advogado de fazer cópias e apontamentos de autos de prisão em flagrante ou inquérito policial, findo ou em andamento (ainda que concluso à autoridade), mesmo sem procuração. Será necessária a procuração apenas quando o Inquérito Policial estiver sob sigilo (segredo de justiça).
12.10. DESAGRAVO (ARTS. 18 E 19 DO REGULAMENTO GERAL)
O desagravo é a forma que a OAB tem, como instituição de classe, de responder a ofensas exaradas contra advogados no exercício (ou em razão) da profissão. Como a ofensa atinge não só o advogado, mas todos os advogados, o pedido pode ser feito por qualquer pessoa (e, também nesta mesma linha, o desagravo não depende de concordância do ofendido, que não pode dispensá-lo, devendo ser promovido a critério do Conselho).
Quem decide se haverá ou não o desagravo é o Conselho Seccional – no caso de urgência, poderá a diretoria do Conselho conceder imediatamente o desagravo, ad referendum do órgão competente do Conselho. Não sendo caso de urgência, o pedido será analisado, inclusive com a ouvida da pessoa ou autoridade que proferiu as ofensas. O pedido de desagravo deverá ser decidido no prazo máximo de 60 (sessenta) dias. Deferido o pedido de desagravo, a sessão deverá ocorrer no prazo máximo de 30 (trinta) dias – no local da ofensa ou onde se encontre a autoridade ofensora.
12.11. SIGILO PROFISSIONAL
O sigilo profissional do advogado é inerente à profissão – não depende de cláusula de confidencialidade. E, importante, abrange toda e qualquer comunicação entre cliente e advogado. 
Caso seja o advogado arrolado como testemunha e as perguntas digam respeitos a fatos que ele tomou conhecimento em decorrência do sigilo, ser-lhe-á autorizado e reconhecido o direito de não depor
13. DIREITOS DA MULHER ADVOGADA
Fixou o Estatuto, no art. 7o -A, uma série de direitos que a advogada mulher possui, especificamente aquela que for gestante, lactante, que der à luz ou adotar. Perceba-se, então:
Os direitos previstos à advogada gestante ou lactante aplicam-se enquanto perdurar, respectivamente, o estado gravídico ou o período de amamentação. 
Os direitos assegurados nos incisos II e III do art. 7º-A do Estatuto à advogada adotante ou que der à luz serão concedidos pelo prazo previsto no art. 392 da CLT, ou seja, pelo prazo de 120 (cento e vinte) dias.
II - lactante, adotante ou que der à luz, acesso a creche, onde houver, ou a local adequado ao atendimento das necessidades do bebê; (Incluído pela Lei nº 13.363, de 2016). 
III - gestante, lactante, adotante ou que der à luz, preferência na ordem das sustentações orais e das audiências a serem realizadas a cada dia, mediante comprovação de sua condição; (Incluído pela Lei nº 13.363, de 2016).
 O direito assegurado no inciso IV do art. 7º-A do Estatuto à advogada adotante ou que der à luz será concedido pelo prazo previsto no § 6o do art. 313 do CPC, ou seja, 30 (trinta) dias, contado a partir da data do parto ou da concessão da adoção, mediante apresentação de certidão de nascimento ou documento similar que comprove a realização do parto, ou de termo judicial que tenha concedido a adoção, desde que haja notificação ao cliente.
IV - adotante ou que der à luz, suspensão de prazos processuais quando for a única patrona da causa, desde que haja notificação por escrito ao cliente. 
Atenção: o direito de suspensão de prazos processuais – sendo o único procurador e notificando o cliente, foi estendido ao advogado que adotar ou cuja esposa der à luz (art. 313, X, do CPC) – ressalte-se que, para o advogado homem, o prazo de suspensão será de 8 (oito) dias (art. 313, § 7o , do CPC). Para a mulher, tal suspensão será de 30 (trinta) dias, conforme o art. 313, § 6o , do CPC.
14. PUBLICIDADE PROFISSIONAL
A palavra-chave nas regras referentes à publicidade é a moderação. Não pode a publicidade ter um viés Mercantilista, Empresarial, Industrial ou Comercial. 
Não pode o advogado fazer propaganda de seus serviços ou atividades, pois propaganda visa à captação de clientela e tal conduta é vedada, faz-se necessário uma leitura atenta dos arts. 40 e 42 do CED.
Art. 40. Os meios utilizados para a publicidade profissional hão de ser compatíveis com a diretriz estabelecida no artigo anterior, sendo vedados:
 I – a veiculação da publicidade por meio de rádio, cinema e televisão;
 II – o uso de outdoors, painéis luminosos ou formas assemelhadas de publicidade; 
III – as inscrições em muros, paredes, veículos, elevadores ou em qualquer espaço público; 
IV – a divulgação de serviços de advocacia juntamente com a de outras atividades ou a indicação.
de vínculos entre uns e outras;
 V – o fornecimento de dados de contato, como endereço e telefone, em colunas ou artigos literários, culturais, acadêmicos ou jurídicos, publicados na imprensa, bem assim quando de eventual participação em programas de rádio ou televisão, ou em veiculação de matérias pela internet, sendo permitida a referência a e-mail; 
VI – a utilização de mala direta, a distribuição de panfletos ou formas assemelhadas de publicidade, com o intuito de captação de clientela. Parágrafo único. Exclusivamente para fins de identificação dos escritórios de advocacia, é permitida a utilização de placas, painéis luminosos e inscrições em suas fachadas, desde que respeitadas as diretrizes previstas no artigo 39. 
Art. 42. É vedado ao advogado: 
I – responder com habitualidade a consulta sobre matéria jurídica, nos meios de comunicação social;
 II – debater, em qualquer meio de comunicação, causa sob o patrocínio de outro advogado; 
III – abordar tema de modo a comprometer a dignidade da profissão e da instituição que o congrega;
 IV – divulgar ou deixar que sejam divulgadas listas de clientes e demandas; 
V – insinuar-se para reportagens e declarações públicas.
SÃO ADMISSÍVEIS como formas de publicidade o patrocínio de eventos ou publicações de caráter científico ou cultural, assim como a divulgação de boletins, por meio físico ou eletrônico, sobre matéria cultural de interesse dos advogados, desde que sua circulação fique adstrita a clientes e a interessados do meio jurídico, conforme o art. 45 do CED.
Além do CED, é importante se atentar ao Provimento CFOAB no 205/2021, o qual veio para modernizar a publicidade, principalmente a publicidade na internet.
Provimento CFOAB no 205/2021. O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, no uso das atribuições que lhe são conferidas pelo art. 54, V, da Lei no 8.906, de 4 de julho de 1994, e considerando as normas sobre publicidade e informação da advocacia constantes no Código de Ética e Disciplina, no Provimento no 94/2000, em resoluções e em assentos dos Tribunais de Ética e Disciplina dos diversos Conselhos Seccionais; considerando a necessidade de ordenálas de forma sistemáticae de especificar adequadamente sua compreensão; e considerando o decidido nos autos da Proposição n. 49.0000.2021.001737-6/COP, resolve:
Art. 1 É permitido o marketing jurídico, desde que exercido de forma compatível com os preceitos éticos e respeitadas as limitações impostas pelo Estatuto da Advocacia, Regulamento Geral, Código de Ética e Disciplina e por este Provimento.
§ 1 As informações veiculadas deverão ser objetivas e verdadeiras e são de exclusiva responsabilidade das pessoas físicas identificadas e, quando envolver pessoa jurídica, dos sócios administradores da sociedade de advocacia que responderão pelos excessos perante a Ordem dos Advogados do Brasil, sem excluir a participação de outros inscritos que para ela tenham concorrido.
§ 2 Sempre que solicitado pelos órgãos competentes para a fiscalização da Ordem dos Advogados do Brasil, as pessoas indicadas no parágrafo anterior deverão comprovar a veracidade das informações veiculadas, sob pena de incidir na infração disciplinar prevista no art. 34, inciso XVI, do Estatuto da Advocacia e da OAB, entre outras eventualmente apuradas.
Art. 2 Para fins deste provimento devem ser observados os seguintes conceitos: 
I – Marketing jurídico: Especialização do marketing destinada aos profissionais da área jurídica, consistente na utilização de estratégias planejadas para alcançar objetivos do exercício da advocacia;
 II – Marketing de conteúdos jurídicos: estratégia de marketing que se utiliza da criação e da divulgação de conteúdos jurídicos, disponibilizados por meio de ferramentas de comunicação, voltada para informar o público e para a consolidação profissional do(a) advogado(a) ou escritório de advocacia; 
III – Publicidade: meio pelo qual se tornam públicas as informações a respeito de pessoas, ideias, serviços ou produtos, utilizando os meios de comunicação disponíveis, desde que não vedados pelo Código de Ética e Disciplina da Advocacia; 
IV – Publicidade profissional: meio utilizado para tornar pública as informações atinentes ao exercício profissional, bem como os dados do perfil da pessoa física ou jurídica inscrita na Ordem dos Advogados do Brasil, utilizando os meios de comunicação disponíveis, desde que não vedados pelo Código de Ética e Disciplina da Advocacia; 
V – Publicidade de conteúdos jurídicos: divulgação destinada a levar ao conhecimento do público conteúdos jurídicos; VI – Publicidade ativa: divulgação capaz de atingir número indeterminado de pessoas, mesmo que elas não tenham buscado informações acerca do anunciante ou dos temas anunciados;
 VII – Publicidade passiva: divulgação capaz de atingir somente público certo que tenha buscado informações acerca do anunciante ou dos temas anunciados, bem como por aqueles que concordem previamente com o recebimento do anúncio; 
VIII – Captação de clientela: para fins deste provimento, é a utilização de mecanismos de marketing que, de forma ativa, independentemente do resultado obtido, se destinam a angariar clientes pela indução à contratação dos serviços ou estímulo do litígio, sem prejuízo do estabelecido no Código de Ética e Disciplina e regramentos próprios. 
Art. 3 A publicidade profissional deve ter caráter meramente informativo e primar pela discrição e sobriedade, não podendo configurar captação de clientela ou mercantilização da profissão, sendo vedadas as seguintes condutas: 
I – referência, direta ou indireta, a valores de honorários, forma de pagamento, gratuidade ou descontos e reduções de preços como forma de captação de clientes; 
II – divulgação de informações que possam induzir a erro ou causar dano a clientes, a outros(as) advogados(as) ou à sociedade;
III – anúncio de especialidades para as quais não possua título certificado ou notória especialização, nos termos do parágrafo único do art. 3o -A do Estatuto da Advocacia;
 IV – utilização de orações ou expressões persuasivas, de autoengrandecimento ou de comparação; 
V – distribuição de brindes, cartões de visita, material impresso e digital, apresentações dos serviços ou afins de maneira indiscriminada em locais públicos, presenciais ou virtuais, salvo em eventos de interesse jurídico. 
§ 1o Entende-se por publicidade profissional sóbria, discreta e informativa a divulgação que, sem ostentação, torna público o perfil profissional e as informações atinentes ao exercício profissional, conforme estabelecido pelo § 1o , do art. 44, do Código de Ética e Disciplina, sem incitar diretamente ao litígio judicial, administrativo ou à contratação de serviços, sendo vedada a promoção pessoal. 
§ 2o Os consultores e as sociedades de consultores em direito estrangeiro devidamente autorizadas pela Ordem dos Advogados do Brasil, nos termos do Provimento no 91/2000, somente poderão realizar o marketing jurídico com relação às suas atividades de consultoria em direito estrangeiro correspondente ao país ou Estado de origem do profissional interessado. Para esse fim, nas peças de caráter publicitário a sociedade acrescentará obrigatoriamente ao nome ou razão social que internacionalmente adote a expressão “Consultores em direito estrangeiro” (art. 4o do Provimento 91/2000). 
Art. 4 No marketing de conteúdos jurídicos poderá ser utilizada a publicidade ativa ou passiva, desde que não esteja incutida a mercantilização, a captação de clientela ou o emprego excessivo de recursos financeiros, sendo admitida a utilização de anúncios, pagos ou não, nos meios de comunicação, exceto nos meios vedados pelo art. 40 do Código de Ética e Disciplina e desde que respeitados os limites impostos pelo inciso V do mesmo artigo e pelo Anexo Único deste provimento. 
§ 1o Admite-se, na publicidade de conteúdos jurídicos, a identificação profissional com qualificação e títulos, desde que verdadeiros e comprováveis quando solicitados pela Ordem dos Advogados do Brasil, bem como com a indicação da sociedade da qual faz parte. 
§ 2o Na divulgação de imagem, vídeo ou áudio contendo atuação profissional, inclusive em audiências e sustentações orais, em processos judiciais ou administrativos, não alcançados por segredo de justiça, serão respeitados o sigilo e a dignidade profissional e vedada a referência ou menção a decisões judiciais e resultados de qualquer natureza obtidos em procedimentos que patrocina ou participa de alguma forma, ressalvada a hipótese de manifestação espontânea em caso coberto pela mídia. 
§ 3o Para os fins do previsto no inciso V do art. 40 do Código de Ética e Disciplina, equiparam-se ao e-mail, todos os dados de contato e meios de comunicação do escritório ou advogado(a), inclusive os endereços dos sites, das redes sociais e os aplicativos de mensagens instantâneas, podendo também constar o logotipo, desde que em caráter informativo, respeitados os critérios de sobriedade e discrição.
 § 4o Quando se tratar de venda de bens e eventos (livros, cursos, seminários ou congressos), cujo público-alvo sejam advogados(as), estagiários(as) ou estudantes de direito, poderá ser utilizada a publicidade ativa, observadas as limitações do caput deste artigo. § 5o É vedada a publicidade a que se refere o caput mediante uso de meios ou ferramentas que influam de forma fraudulenta no seu impulsionamento ou alcance. 
Art. 5 A publicidade profissional permite a utilização de anúncios, pagos ou não, nos meios de comunicação não vedados pelo art. 40 do Código de Ética e Disciplina. 
§ 1o É vedado o pagamento, patrocínio ou efetivação de qualquer outra despesa para viabilizar aparição em rankings, prêmios ou qualquer tipo de recebimento de honrarias em eventos ou publicações, em qualquer mídia, que vise destacar ou eleger profissionais como detentores de destaque. 
§ 2o É permitida a utilização de logomarca e imagens, inclusive fotos dos(as) advogados(as) e do escritório, assim como a identidade visual nos meios de comunicação profissional, sendo vedada a utilização de logomarca e símbolos oficiais da Ordem dos Advogados do Brasil.
 § 3o É permitida a participação do advogado ou da advogada em vídeos ao vivo ou gravados, na internet ou nas redes sociais,assim como em debates e palestras virtuais, desde que observadas as regras dos arts. 42 e 43 do CED, sendo vedada a utilização de casos concretos ou apresentação de resultados. 
Art. 6 Fica vedada, na publicidade ativa, qualquer informação relativa às dimensões, 1ª Fase | 39° Exame da OAB Ética 43 qualidades ou estrutura física do escritório, assim como a menção à promessa de resultados ou a utilização de casos concretos para oferta de atuação profissional. Parágrafo único. Fica vedada em qualquer publicidade a ostentação de bens relativos ao exercício ou não da profissão, como uso de veículos, viagens, hospedagens e bens de consumo, bem como a menção à promessa de resultados ou a utilização de casos concretos para oferta de atuação profissional. 
Art. 7 Considerando que é indispensável a preservação do prestígio da advocacia, as normas estabelecidas neste provimento também se aplicam à divulgação de conteúdos que, apesar de não se relacionarem com o exercício da advocacia, possam atingir a reputação da classe à qual o profissional pertence.
 Art. 8 Não é permitido vincular os serviços advocatícios com outras atividades ou divulgação conjunta de tais atividades, salvo a de magistério, ainda que complementares ou afins. Parágrafo único. Não caracteriza infração ético-disciplinar o exercício da advocacia em locais compartilhados (coworking), sendo vedada a divulgação da atividade de advocacia em conjunto com qualquer outra atividade ou empresa que compartilhem o mesmo espaço, ressalvada a possibilidade de afixação de placa indicativa no espaço físico em que se desenvolve a advocacia e a veiculação da informação de que a atividade profissional é desenvolvida em local de coworking. 
Art. 9 Fica criado o Comitê Regulador do Marketing Jurídico, de caráter consultivo, vinculado à Diretoria do Conselho Federal, que nomeará seus membros, com mandato concomitante ao da gestão, e será composto por:
 I – 05 (cinco) Conselheiros(as) Federais, um(a) de cada região do país, indicados(as) pela Diretoria do CFOAB;
 II – 01 (um) representante do Colégio de Presidentes de Seccionais. 
III – 01 (um) representante indicado pelo Colégio de Presidentes dos Tribunais de Ética e Disciplina; IV – 01 (um) representante indicado pela Coordenação Nacional de Fiscalização da Atividade Profissional da Advocacia; e 
V – 01 (um) representante indicado pelo Colégio de Presidentes das Comissões da Jovem Advocacia. 
§ 1o O Comitê Regulador do Marketing Jurídico se reunirá periodicamente para acompanhar a evolução dos critérios específicos sobre marketing, publicidade e informação na advocacia constantes do Anexo Único deste provimento, podendo propor ao Conselho Federal a alteração, a supressão ou a inclusão de novos critérios e propostas de alteração do provimento. 
§ 2o Com a finalidade de pacificar e unificar a interpretação dos temas pertinentes perante os Tribunais de Ética e Disciplina e Comissões de Fiscalização das Seccionais, o Comitê poderá propor ao Órgão Especial, com base nas disposições do Código de Ética e Disciplina e pelas demais disposições previstas neste provimento, sugestões de interpretação dos dispositivos sobre publicidade e informação. 
Art. 10. As Seccionais poderão conceder poderes coercitivos à respectiva Comissão de Fiscalização, permitindo a expedição de notificações com a finalidade de dar efetividade às disposições deste provimento. Art. 11. Faz parte integrante do presente provimento o Anexo Único, que estabelece os critérios específicos sobre a publicidade e informação da advocacia.
 Art. 12. Fica revogado o Provimento no 94, de 05 de setembro de 2000, bem como as demais disposições em contrário. Parágrafo único. Este provimento não se aplica às eleições do sistema OAB, que possui regras próprias quanto à campanha e à publicidade. Art. 13. Este Provimento entra em vigor no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data de sua publicação no Diário Eletrônico da OAB.
IMPORTANTE! Ler os arts. 39 a 47-A do CED.
15. INFRAÇÕES E SANÇÕES DISCIPLINARES
INFRAÇÕES DISCIPLINARES PREVISÃO LEGAL:
art. 34 do Estatuto da Advocacia e a OAB. As infrações são condutas negativas ou comportamentos indesejados do advogado, definidas e tipificadas pelo Estatuto (e não podem ser objeto de interpretação extensiva ou analógica). Apenas os inscritos na OAB podem cometer infração disciplinar (não há como responsabilizar terceiro, não inscrito).
 SANÇÕES DISCIPLINARES
Previsão legal: arts. 35 a 43 do Estatuto. Já as sanções disciplinares, para serem aplicadas, exigem devido processo legal (contraditório e ampla defesa) – ou seja, processo disciplinar válido. Dividem-se em CENSURA (existindo atenuantes, pode ser substituída por advertência), SUSPENSÃO E EXCLUSÃO.
CENSURA (ART. 36 DO ESTATUTO)
A censura é aplicada, quando o advogado comete atos contrários ao Código de Ética e Disciplina da OAB. Não é pública e consiste em registrar no prontuário do advogado a pena.
A censura poderá ser convertida em advertência, situação em que será apenas remetido um ofício reservado ao advogado, sem qualquer registro no prontuário. Existindo circunstâncias atenuantes, previstas no art. 40 do Estatuto.
Art. 40 do Estatuto. Na aplicação das sanções disciplinares, são consideradas, para fins de atenuação, as seguintes circunstâncias, entre outras:
 I - falta cometida na defesa de prerrogativa profissional; 
II - ausência de punição disciplinar anterior; III - exercício assíduo e proficiente de mandato ou cargo em qualquer órgão da OAB; 
IV - prestação de relevantes serviços à advocacia ou à causa pública. 
Parágrafo único. Os antecedentes profissionais do inscrito, as atenuantes, o grau de culpa por ele revelada, as circunstâncias e as conseqüências da infração são considerados para o fim de decidir: a) sobre a conveniência da aplicação cumulativa da multa e de outra sanção disciplinar; b) sobre o tempo de suspensão e o valor da multa aplicáveis.
SUSPENSÃO (ART. 37 DO ESTATUTO)
Aplicada a pena de suspensão, ficará o advogado proibido de exercer a advocacia em todo o território nacional (embora tenha que continuar pagando anuidade da OAB). Infrações disciplinares que podem resultar na pena de suspensão: 
• todas que envolvam dinheiro (podendo ser aplicada e mantida até que devolva o dinheiro do cliente); • erros reiterados, configurando inépcia (somente erro é censura);
 • retenção abusiva de autos;
• conduta inadequada (ex.: envolvimento com drogas, álcool, escândalos, improbidade etc.).
IMPORTANTE! As penas somente poderão ser aplicadas após o trânsito em julgado da decisão condenatória. 
No entanto, existe uma exceção: a suspensão preventiva prevista no art. 70, § 3o , do Estatuto (havendo repercussão prejudicial à dignidade da advocacia), o Tribunal de Ética e Disciplina poderá notificar o acusado para uma sessão especial, em que será analisada a aplicação ou não da suspensão preventiva (o acusado terá direito de apresentar sua defesa nesta sessão, pelo prazo de 15 minutos). Caso aplicada a suspensão preventiva, o julgamento do processo disciplinar deve acontecer em 90 (noventa) dias, sob pena de constrangimento ilegal.
Existe, ainda, uma sanção acessória: a multa. É uma espécie de agravante, não existe sozinha, apenas aplicada em conjunto com a censura ou a suspensão (na exclusão, não existe multa). 
 
EXCLUSÃO (ART. 38 DO ESTATUTO)
A exclusão é a pena mais grave, será pública e gerará o cancelamento da inscrição. Será aplicada nas seguintes infrações: 
• prova falsa de requisito da inscrição; 
• falta de idoneidade moral para o exercício da advocacia; 
• prática de crime infamante; 
• produzir/acertar delação premiada contra cliente ou ex-cliente. 
• terceira suspensão.
Para aplicação da exclusão, será necessária a manifestação de dois terços do Conselho Seccional de forma favorável.
16. PROCESSO DISCIPLINAR
Será instaurado de ofício ou mediante representação (essa não pode ser anônima). A atribuição para conduzir o processo, na primeira instância, será do Tribunal de Ética e Disciplina, órgão subordinado ao Conselho Seccional.

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