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Curso	FIC:	Agente	de	Desenvolvimento	Socioambiental
Prof.	Dr.	Claudiomir	S	Santos
Prof.	Dr.	Fabricio	Santos	Rita
Disciplina	:Educação	Ambiental	e	Sustentabilidade
11
Ciências Biológicas - Bases Ecológicas para o Desenvolvimento Sustentável
UNIDADE 1
A necessidade do 
desenvolvimento sustentável
Lílian de Lima Braga
1.1 Introdução
Os efeitos causados pela industrialização, 
crescimento das cidades, desenvolvimento 
tecnológico, dentre outros, mostram a neces-
sidade que há em atingir um equilíbrio entre 
esse desenvolvimento e o meio ambiente. 
Esse equilíbrio seria o denominado “Desenvol-
vimento Sustentável”. A percepção da necessi-
dade desse desenvolvimento sustentável não 
é característica apenas dos dias atuais. 
Em nosso curso, é importante que en-
tendamos por que é necessário se ter um de-
senvolvimento sustentável. Nessa Unidade 
veremos quando começou a ser usado o ad-
jetivo “sustentável”. Além disso, nós veremos 
também algumas definições do termo “Desen-
volvimento Sustentável” e alguns conceitos 
básicos que estão estritamente ligados a este 
termo. 
1.2 O surgimento do 
desenvolvimento sustentável
A ideia de “sustentabilidade”, antes de 
ser usada para questionar a qualidade do de-
senvolvimento alcançado pelos países avan-
çados, pertencia à Biologia. No contexto da 
biologia, esse termo fazia referência às condi-
ções em que a extração dos recursos naturais 
renováveis poderia ocorrer sem impedimento 
à reprodução dos respectivos ecossistemas. 
O adjetivo “sustentável”, de uso extremamen-
te restrito até o início da década de 1980, foi 
então acrescentado ao substantivo “desen-
volvimento” (VEIGA, 2005). O conceito de “de-
senvolvimento sustentável” foi apresentado 
formalmente, em 1987, no relatório Nosso Fu-
turo Comum, também conhecido como Rela-
tório Brundtland, pela Comissão Mundial sobre 
o Meio Ambiente na Assembléia Geral das Na-
ções Unidas (AMARAL, 2003). 
Existem inúmeras definições de Desen-
volvimento Sustentável, elaboradas por dife-
rentes setores da sociedade. A Comissão Mun-
dial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento 
(CMMAD) define como desenvolvimento sus-
tentável: “aquele que atende às necessidades 
do presente sem comprometer a possibilida-
de de as gerações futuras atenderem a suas 
próprias necessidades” (CMMAD, 1988, p.46). 
Esse conceito de desenvolvimento foi criado 
a partir do momento em que se notou que 
os recursos naturais são escassos e que cada 
país, individualmente, busca o seu desenvol-
vimento sem considerar os possíveis impac-
tos que isto causará nos demais (CAVALCANTI 
1994). Outra definição bastante conhecida é a 
de Brundtland em que se lê “É a forma como 
as atuais gerações satisfazem as suas neces-
sidade sem, no entanto, comprometer a ca-
pacidade de gerações futuras satisfazerem as 
suas próprias necessidades” (ESTENDER; PITTA, 
2008, p.2). Existem ainda várias outras defini-
ções para este conceito, sendo que todas as 
definições apresentam pontos em comum. En-
tretanto, até o momento não foi possível man-
ter o foco em apenas uma definição. 
A figura a seguir (Figura 1) nos ajudará a 
entender os contrastes entre um Desenvolvi-
mento Sustentável e um Desenvolvimento In-
sustentável.
GLOSSÁRIO:
Brundtalnd: Este 
termo refere-se à Gro 
Harlem Brundtland, no-
rueguesa que naquela 
época era Presidente 
da Comissão Mundial 
sobre Meio Ambiente.
PARA SABER MAIS:
A discussão sobre os 
efeitos ecológicos do 
desenvolvimento eco-
nômico antecede ao 
Relatório Nosso Futuro 
Comum, e remete pelo 
menos aos anos 1970 
com a publicação da 
obra “A Lei da entropia 
e o processo econô-
mico”, de Georgescu 
Roegen (1971), e do 
relatório “Os Limites do 
Crescimento”, pelo cha-
mado Clube de Roma 
em 1972.
DICA:
Para saber mais sobre 
o Relatório Nosso 
Futuro Comum, acesse 
o site: .
ATIVIDADE:
Qual o objetivo da cria-
ção do Relatório Nosso 
Futuro Comum?
12
UAB/Unimontes - 8º Período
Observou-se que as estratégias de de-
senvolvimento não poderiam ser totalmente 
independentes e nem iguais para todos os 
países. Como assim? Cada país deveria bus-
car o seu desenvolvimento baseando-se nas 
suas peculiaridades, visto que os problemas 
(ambientais e sociais) que apresentam são di-
versos. Por exemplo, pense naqueles países 
mais ricos: a capacidade e intensidade de ex-
ploração dos recursos naturais, na maioria das 
vezes, supera a capacidade que o ambiente 
tem de se regenerar. Além disso, o consumo 
exacerbado baseado na constante renovação 
de bens leva a um desperdício generalizado. 
Assim, as futuras gerações irão encontrar um 
ambiente degradado com grande parte dos 
recursos esgotados. 
Ao contrário disso, os países pobres, de-
vido a problemas como fragmentação social e 
pobreza em alto grau, não possuem capacida-
de de usufruir os recursos de maneira benéfi-
ca. Por conta disso, estes países estão expostos 
à constante miséria, doenças graves e morte 
precoce, o que acarreta posteriores problemas 
que colocam em risco a sobrevivência de suas 
populações.
A partir do que foi exposto acima, criou-
-se esse novo conceito de desenvolvimento. 
Resumidamente, o objetivo básico do Desen-
volvimento Sustentável é o equilíbrio entre 
desenvolvimento econômico, proteção am-
biental e uma menor desigualdade social (Fi-
gura 2) (SOUZA, 2006). Além disso, antes de 
tudo, deve-se assegurar a preservação e trans-
missão às gerações futuras dos recursos natu-
rais. O Banco Mundial, a UNESCO e outras en-
tidades internacionais adotaram o conceito de 
desenvolvimento sustentável para marcar uma 
nova filosofia de desenvolvimento que com-
bina economia, ecologia e política ao mesmo 
tempo.
 
A
B
A
B
Figura 1: 
Consequências de um 
(A) Desenvolvimento 
Insustentável e(B) 
Desenvolvimento 
Sustentável.
Fonte: Castanheira; Gou-
veia, 2004. 
►
GLOSSÁRIO:
UNESCO: é uma sigla 
que significa literal-
mente: United Nations 
Educational, Scientific, 
and Cultural Organiza-
tion (Organização das 
Nações Unidas para a 
Educação, a Ciência e a 
Cultura). Esta organi-
zação foi criada em 16 
de Novembro de 1945 
tendo como objetivo 
contribuir para a paz 
mundial através da 
educação, ciência e 
cultura.
Figura 2: Relação entre 
desenvolvimento 
econômico, proteção 
ambiental e uma 
menor desigualdade 
social atingindo uma 
estabilidade, ou seja, a 
sustentabilidade.
Fonte: Disponível em 
. 
Acesso em 28.set.2011
►
13
Ciências Biológicas - Bases Ecológicas para o Desenvolvimento Sustentável
Quando se pensa em desenvolvimento 
sustentável, é necessário considerar não ape-
nas os aspectos econômicos, mas tudo que 
está envolvido com o desenvolvimento, ou 
seja, os aspectos políticos, sociais, culturais e 
ecológicos (SILVA, 2006). Esse conceito de de-
senvolvimento só atingirá seus objetivos se 
houver uma sustentabilidade conjunta de seus 
aspectos.
Esse conceito ainda é objeto de muita 
discussão. Embora as ideias envolvidas na for-
mulação desse conceito estejam circulando há 
muito tempo, é relativamente nova a ideia de 
que não basta apenas o desenvolvimento eco-
nômico para garantir uma boa qualidade de 
vida por um grande período de tempo. Para 
garantir a sustentabilidade é necessário in-
corporar às políticas públicas os princípios do 
desenvolvimento sustentável, reverter a perda 
dos recursos naturais e melhorar a qualidade 
de vida da população em geral.
1.3 Conceitos importantes e 
exploração do ambiente versus 
sustentabilidade
Antes de continuarmos falando a respeito 
desse assunto, devemos ter em mente alguns 
conceitos básicos que estão estritamente liga-
dos ao termo “Desenvolvimento Sustentável”. 
Esses conceitos estão listados abaixo.
A palavra “Ecologia” (Okologie) foi utili-
zada pela primeira vez por Ernst Haeckel em 
1869. O radical oikos (origem grega) tem o sen-
tido de casae o radical logie (origem grega) 
significa estudo. Assim, o “estudo da casa” in-
clui todos os organismos contidos nela e todos 
os processos funcionais que a tornam habitá-
vel (RICKLEFS, 2003). 
Destruição do habitat: a maior ameaça à 
diversidade biológica é a perda de habitat (Fi-
gura 3). Portanto, a maneira mais importante 
de proteger esta diversidade é preservando-se 
os habitats.
A “poluição ambiental” é a maneira mais 
sutil de degradação, através da utilização de 
pesticidas, produtos químicos, esgoto libera-
do por indústrias e emissões de fábricas e au-
tomóveis. A liberação desses resíduos sólidos, 
líquidos ou gasosos na natureza geralmente 
é superior à capacidade de absorção do meio 
ambiente, provocando alterações na sobrevi-
vência das espécies.
A poluição pode ser entendida, ainda, 
como qualquer alteração do equilíbrio ecoló-
gico existente (Figura 4). Ela é essencialmente 
produzida pelo homem e está diretamente 
relacionada aos processos de industrialização 
e a consequente urbanização da humanidade. 
A poluição provoca efeitos negativos na qua-
lidade do ar e da água e até mesmo no clima 
global, sendo uma ameaça para a diversidade 
e também causando um efeito negativo na 
saúde humana. 
Figura 3: Para atender 
as necessidades 
econômicas, a utilização 
dos recursos naturais 
é feita de maneira 
insustentável, sem 
se preocupar com 
a degradação do 
ambiente. 
Fonte: Disponível em 
. 
Acesso em 04.out.2011.
▼
ATIVIDADE:
Descreva sobre as 
consequências da ex-
ploração dos recursos 
naturais de maneira 
sustentável. 
14
UAB/Unimontes - 8º Período
O incidente causado no ano de 2010, no 
Golfo do México, com grande derramamento 
de petróleo - fonte básica de energia, servindo 
como base para fabricação de vários produtos 
como óleo diesel, gasolina, alcatrão, polímeros 
plásticos, medicamentos e benzinas - mos-
tra a fragilidade dos sistemas naturais em se 
recuperarem de algum tipo de poluição. Essa 
tragédia provocou um desequilíbrio ecológi-
co, em que várias espécies, como golfinhos, 
baleias, aves e tartarugas, dentre outras, que 
foram atingidas (Figura 5).
“Recursos naturais” são todos os bens 
produzidos pela natureza, como por exemplo, 
a energia solar, a água, o ar, os minerais, os 
vegetais, o solo, dentre outros. Esses recursos 
podem ser classificados basicamente em dois 
tipos: Renováveis, que são aqueles que, embo-
ra utilizados pelo homem em larga escala, não 
se esgotam porque são capazes de se autor-
renovar. Os denominados de não renováveis 
são aqueles que, uma vez esgotados, não se 
renovam mais, como o petróleo, carvão mine-
ral, ferro e ouro. Dessa forma, o chamado “de-
senvolvimento sustentável” prevê a utilização 
dos recursos naturais de modo que não cause 
prejuízo ao ambiente e assim haja preservação 
para as gerações futuras.
“Conservação da biodiversidade” refere-
-se à proteção dos recursos naturais além da 
flora e da fauna. Para isso deve ser feito o es-
tabelecimento de áreas protegidas e restaura-
ção das comunidades biológicas em hábitats 
degradados.
Um grande problema que vem ocorrendo 
há várias décadas é o uso inadequado do am-
biente e dos recursos naturais. A exploração 
dos recursos naturais sempre foi feita pelo ho-
mem, mas de maneira sustentável. Entretanto, 
a Revolução Industrial, que consistiu em um 
conjunto de mudanças tecnológicas, causou 
um profundo impacto no processo produtivo 
em nível econômico e social, intensificando 
o uso do ambiente uma vez que os métodos 
tornaram-se mais eficientes. Assim, os recur-
sos são explorados o mais rápido possível, não 
sendo capazes de se autorrenovar. 
Essa relação do homem com o meio am-
biente não está de acordo com o que prevê o 
desenvolvimento sustentável. É justamente 
esse quadro negativo que deve ser mudado 
para que as futuras gerações não fiquem com-
prometidas.
GLOSSÁRIO:
Diversidade Biológica: é a riqueza da vida na terra, 
os milhões de plantas, animais, microorganismos, os 
genes que eles contêm e os intricados ecossistemas 
que eles ajudam a construir no meio ambiente.
▲
Figura 4: O descarte inadequado do lixo causa prejuízo à fauna.
Fonte: Disponível em . Acesso em 04.out.2011.
▲
Figura 5: Várias espécies foram afetadas com o vazamento de petróleo no Golfo 
do México.
Fonte: Disponível em . Acesso em 5.out.2011.
15
Ciências Biológicas - Bases Ecológicas para o Desenvolvimento Sustentável
Referências
AMARAL, S. P. Estabelecimento de indicadores e modelo de relatório de sustentabilidade 
ambiental, social e econômica: uma proposta para a indústria de petróleo brasileira. 2003. 
265 f. Tese (Doutorado em Ciências em Planejamento Energético). Programa de Pós-Graduação 
em Engenharia. Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2003.
CASTANHEIRA, L.; GOUVEIA, J. B. ENERGIA, AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁ-
VEL. SÃO JOÃO DO ESTORIL: SOCIEDADE PORTUGUESA DE INOVAÇÃO, 2004. P. 96. 
CAVALCANTI, C. (ORG.); FURTADO, A.; STAHEL, A.; RIBEIRO, A.; MENDES, A.; SEKIGUCHI, C.; CA-
VALCANTI, C. MAIMON, D.; POSEY, D.; PIRES, E.; BRÜSEKE, F.; ROHDE, G.; MAMMANA, G.; LEIS, H.; 
ACSELRAD, H.; MEDEIROS, J.; D'AMATO, J. L.; LEONARDI, M. L.; TOLMASQUIM, M.; SEVÁ-FILHO, 
O.; STROH, P.; FREIRE, P.; MAY, P.; DINIZ, R.; MAGALHÃES, A. R. DESENVOLVIMENTO E NATU-
REZA: ESTUDOS PARA UMA SOCIEDADE SUSTENTÁVEL. RECIFE: INPSO/FUNDAJ, INSTITUTO DE 
PESQUISAS SOCIAIS, FUNDAÇÃO JOAQUIM NABUCO, MINISTÉRIO DE EDUCAÇÃO, GOVERNO 
FEDERAL, RECIFE, BRASIL, 1994. 262 P. DISPONÍVEL EM: . ACESSO EM: 20 NOV.2011. 
CMMAD, Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso futuro comum. 
Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getulio Vargas, 1991. p. 410.
RICKLEFS, R. E. A ECONOMIA DA NATUREZA. 5. ED. RIO DE JANEIRO: GUANABARA KOOGAN, 
2003. P. 503.
RICKLEFS, R. E. A economia da natureza. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003. 503 p.
SILVA, C. M. F. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: QUEBRA DE UM PARADIGMA ENERGÉTI-
CO. LISBOA: INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO, 2006. P. 19.
SOUZA, A. C. C. Responsabilidade social e desenvolvimento sustentável: incorporação dos 
conceitos à estratégia empresarial. 2006. 230 f. Dissertação (Mestrado em Ciências em Planeja-
mento Energético). Programa de Pós-Graduação em Engenharia. Universidade Federal do Rio de 
Janeiro, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.
VEIGA, J. E. O Prelúdio do Desenvolvimento Sustentável. In: MERCADANTE, A.; DELFIM NETTO, 
A.; LESSA, C.; HADDAD, E.; VEIGA, J. E; BARROS, J. R. M.; BAER, M.; PAULINI, L. M.; POCHMANN, M.; 
ABRAMOVAY, R. Economia Brasileira: Perspectivas do Desenvolvimento. Bragança Paulista: Cen-
tro Acadêmico Visconde de Cairu, 2005. pp. 243-266.
17
Ciências Biológicas - Bases Ecológicas para o Desenvolvimento Sustentável
UNIDADE 2 
Modelos de desenvolvimento 
e sustentabilidade econômica, 
social e ambiental
Lílian de Lima Braga
2.1 Introdução
Existem basicamente, três modelos de desenvolvimento: social, ambiental e econômico (SIL-
VA, 2003; ESTENDER; PITTA, 2008). Se conseguirmos combinar um desenvolvimento que englobe 
esses três aspectos é possível reduzir os impactos causados pela ação humana ao meio ambiente.
Veremos a seguir, um pouco a respeito desses modelos de desenvolvimento. Nós entende-
remos também o que significa a Pegada Ecológica, qual a sua importância e composição. Para fi-
nalizar esta Unidade, nós veremos um pouco de desenvolvimento sustentável na prática através 
do “Amor-Peixe”, um projeto que é exemplo de sustentabilidade e que beneficia muitas famílias 
no Pantanal. Com isso, a ideia de que realmente é possível haver um desenvolvimento sustentá-
vel ficará mais real em nossa mente.
2.2 Modelos de desenvolvimento
Até a década de 1970, o desenvolvimentoestava mais relacionado com progresso material. 
Pensava-se que o enriquecimento levaria espontaneamente à melhoria dos padrões sociais. Ten-
do base nisso, o desenvolvimento era sinônimo de crescimento econômico. No final da década 
de 1980, essa visão começou a ser questionada. Apesar disso, o crescimento do PIB (Produto In-
terno Bruto) é utilizado como uma medida de “saúde” financeira do mundo. Isso demonstra que 
ainda hoje estamos ligados à ideia de que o crescimento econômico é essencial ao bem-estar da 
humanidade. A partir do momento em que se notou que a visão do desenvolvimento começava 
a mudar, tornou-se necessário que as políticas deste fossem estruturadas por valores que não 
são apenas os do aspecto econômico. A ideia de “sustentabilidade” tornou-se, então, objeto do 
campo político.
Baseado nisso, podemos desmembrar basicamente três modelos, ou pilares, de Desenvolvi-
mento Sustentável:
1. Desenvolvimento Social: se o aspecto social não estiver progredindo, a questão ambiental 
e a economia não irão progredir da maneira que se deseja.
2. Proteção Ambiental: esta questão é de grande importância, principalmente, quando se 
pensa que os recursos naturais não são capazes de atender a demanda de extração feita 
pelas atividades antrópicas. As empresas precisam avaliar se são ambientalmente susten-
táveis.
3. Desenvolvimento Econômico: baseia-se no lucro da empresa e, portanto, devemos utilizar 
dados numéricos. É importante deixar claro que o desenvolvimento não se confunde com 
crescimento econômico, pois, de maneira geral, este crescimento não é sustentável. Ape-
sar de esse ser uma condição necessária, não é, entretanto, suficiente.
Combinando esses três aspectos, é possível reduzir os impactos causados pela ação humana. 
GLOSSÁRIO:
(PIB) Produto Inter-
no Bruto: representa 
a soma, em valor 
monetário, de todos os 
bens e serviços finais 
produzidos em um 
país, estado ou cidade, 
em um determinado 
período (mês, trimestre 
ou ano). O PIB é um 
indicador utilizado na 
economia e tem como 
objetivo mensurar a 
atividade econômica 
de uma região.
18
UAB/Unimontes - 8º Período
2.3 Pegada ecológica
O termo “Pegada Ecológica” foi criado 
para avaliar a sustentabilidade do ser humano, 
que constitui uma forma de medir o impacto 
humano na Terra. Este conceito exprime a área 
produtiva equivalente, de terra e mar, necessá-
ria para produzir os recursos utilizados e para 
assimilar os resíduos gerados por uma dada 
unidade de população.
A Pegada Ecológica procura responder um 
ponto fundamental da sustentabilidade: quanto 
da capacidade bioprodutiva da biosfera pode 
ser utilizada pelas atividades humanas?
A medida da Pegada Ecológica é usual-
mente representada em hectares globais. A 
seguir temos a composição da Pegada Ecoló-
gica (Figura 6):
Terra Bioprodutiva: Terra para colheita, 
pastoreio, corte de madeira e outras ativida-
des de grande impacto.
Mar bioprodutivo: Área necessária para 
pesca e extrativismo.
Terra de energia: Área de florestas e mar 
necessária para a absorção de emissões de 
carbono.
Terra construída: Área para casas, constru-
ções, estradas e infraestrutura.
Terra de Biodiversidade: Áreas de terra e 
água destinadas à preservação da biodiversi-
dade.
Uma das vantagens de utilizar a Pegada 
Ecológica é porque ela possibilita compara-
ções de sustentabilidade em diferentes áreas 
de influência humana. Por exemplo, os proble-
mas do desmatamento florestal e da emissão 
de gás carbônico não precisam ser tratados 
separadamente, uma vez que estão embuti-
dos no mesmo indicador, a pegada ecológica. 
Isso é importante já que possibilita ter uma 
visão geral a respeito da sustentabilidade das 
atividades humanas.
A Pegada Ecológica média mundial é cer-
ca de 2,3 hectares por habitante, embora só 
existam 1,8 hectares de terra biologicamen-
te produtiva disponíveis por pessoa. Isto de-
monstra que o consumo atual de recursos na-
turais excede bastante a capacidade biológica 
da Terra (Figura 7).
Alguns pesquisadores apontam que em 
1961, a humanidade usufruía de 70% da capa-
cidade produtiva do planeta. Entretanto, tal 
capacidade em fornecer os recursos necessá-
rios para atividades humanas mostrou-se in-
suficiente na década de 1980. Isso ocorreu por 
conta do aumento do consumo dos recursos 
naturais e também devido ao crescimento po-
pulacional. Em 1999, a demanda humana cres-
ceu 25% a mais do que a capacidade do plane-
ta (VICTOR; SOUSA-JÚNIOR, 2009). 
Existem grandes discrepâncias entre os 
países quanto a sua Pegada Ecológica. Por 
exemplo, a Pegada Ecológica de um norte-
-americano é de 12,25 ha, enquanto que a de 
um indiano é de 1,05 ha (Figura 8). 
PARA SABER MAIS: 
A expressão “Pegada 
Ecológica” vem do 
inglês “Ecological 
footprint”. Este termo 
foi utilizado pela pri-
meira vez em 1992 por 
William Rees, ecologista 
e professor da Univer-
sidade de Colúmbia 
Britânica. Atualmente, 
“Pegada Ecológica” é 
usada no mundo intei-
ro como um indicador 
de sustentabilidade 
ambiental.
▲
Figura 6: 
Composição da 
Pegada Ecológica.
Fonte: Disponível 
em . Acesso em 
03.dez.2011.
Figura 7: A Pegada 
Ecológica Mundial 
está acima da 
capacidade 
biológica da Terra.
Fonte: Disponível em 
. Acesso em 
12.out.2011.
►
19
Ciências Biológicas - Bases Ecológicas para o Desenvolvimento Sustentável
Isso demonstra a incapacidade da espécie 
humana em reconhecer o impacto que causa 
nos demais – o que é refletido em seu padrão 
de consumo e modelos de desenvolvimento - 
e que só existe um planeta Terra, do qual to-
dos dependem para a perpetuação e sobrevi-
vência de todas as espécies.
Na relação entre demanda humana e 
natureza, a Pegada Ecológica parece ser um 
importante instrumento de avaliação dos im-
pactos antrópicos no meio natural. Há grandes 
evidências de que o planeta Terra não suporta 
essa exacerbada exploração dos recursos na-
turais. Diante disso é necessário que aja uma 
mudança na postura da população para que 
realmente possa ocorrer um desenvolvimento 
sustentável.
2.4 Praticando o desenvolvimento 
sustentável 
Agora vamos conhecer um pouco sobre um projeto de Desenvolvimento Sustentável que é 
executado no Pantanal. Esse projeto é um exemplo de sustentabilidade.
2.4.1 Amor-peixe: modelo de desenvolvimento sustentável
O projeto Amor-Peixe, desenvolvido pelo 
WWF-Brasil com um grupo de mulheres panta-
neiras, é um projeto piloto e sua escala é peque-
na, mas é um excelente exemplo de Desenvol-
vimento Sustentável. Atualmente, as mulheres 
que participam do projeto têm a sua própria 
fonte de renda além de terem assumido um pa-
pel de liderança participando de eventos políti-
cos. O sucesso do projeto é reconhecido e por 
isso serve de referência no país.
O Pantanal brasileiro representa a maior 
área úmida continental do mundo e está locali-
zado na região Centro-Oeste do país. A bacia do 
Paraguai abrange 624.320 km2, sendo que 62% 
estão em território brasileiro. Corumbá está lo-
calizada na microbacia do Baixo Rio Paraguai, e 
dentro desta cidade está localizado o município 
de Ladário (Figura 9). Apenas 10% dos habitan-
tes de Corumbá e Ladário vivem em área rural, e 
dessa porcentagem há 1250 pescadores profis-
sionais, dos quais 721 são mulheres.
 ◄ Figura 8: Gráfico referente a Pegada Ecológica 
de 17 países. “Eixo x” representa os países e o 
“eixo y” representa a Pegada Ecológica (hectares 
por pessoa).
Fonte: Disponível em: . Acesso em 12.out.2011.
DICA:
Para saber mais sobre 
Pegada Ecológica leia 
o trabalho “Pegada 
Ecológica: instrumen-
to de avaliação dos 
impactos antrópicos no 
meio natural”. Disponí-
vel em:.
ATIVIDADE:
Após ler o texto, 
responda: Quais são 
os fatores utilizados 
para calcular a “Pegada 
Ecológica”?
◄ Figura 9: O Rio Paraguai 
é essencial para os 
pescadores, porque a 
pesca é uma atividade 
tradicional e é fonte de 
renda da população 
ribeirinha.
Fonte: WWF-BRASIL, 2011. 
20
UAB/Unimontes - 8º Período
No Amor-Peixe até a pele do peixe é aproveitada, sendo transfor-
mada em couro, o qual é tratado, amaciado, tingido, cortado, colado e 
costurado. A partir disso são fabricados cintos, bolsas, estojos, chaveiros 
sandálias, pulseiras, carteiras, capas de agenda, sacolas, brincos, totali-
zando 40 produtos obtidos do couro do peixe. As escamas também são 
aproveitadas na parte de bijuteria. Todos os produtos são de boa qua-
lidade, o que teve repercussão no mercado. Do lucro total, 30% são re-
servados para administrar a Associação Amor-Peixe e os 70% restantes 
são divididos entre as associadas (Figura 10). 
A evolução do aumento da renda das mulheres da Associação é 
um dos índices de sucesso do Amor-Peixe (Figura 11). No ano de 2003 o 
grupo não possuía uma renda própria. A partir de 2004, começou a ha-
ver uma renda regular que somou R$ 3.151,70 no ano. Em 2008, a renda 
aumentou substancialmente, atingindo R$ 7.136,00. Em 2009 foi de R$ 
24.418,00. Em 2010 a renda anual foi de R$ 22.570,00 e no ano de 2011 
havia uma tendência de aumentar. A renda média das associadas está 
em torno de R$ 600,00 reais mensais.
Sendo assim, o projeto Amor-Peixe, além de fornecer renda para 
a comunidade, também fez com que as pessoas envolvidas no projeto 
passassem a conhecer e a valorizar o Pantanal e seus recursos naturais. 
Este é um exemplo prático que mostra que pode existir o desenvolvi-
mento sustentável.
Referências
ESTENDER, A. C.; PITTA, T. T. M. O Conceito de Desenvolvimento Sus-
tentável. Revista do Terceiro Setor. Guarulhos, v. 2, n. 1, p. 1-14, 2008.
SILVA, C. M. F. DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: QUEBRA DE UM 
PARADIGMA ENERGÉTICO. LISBOA: INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO, 
2006. P. 19.
SOUZA, A. C. C. Responsabilidade social e desenvolvimento susten-
tável: incorporação dos conceitos à estratégia empresarial. 2006. 230 f. 
Dissertação (Mestrado em Ciências em Planejamento Energético). Pro-
grama de Pós-Graduação em Engenharia. Universidade Federal do Rio 
de Janeiro, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006.
VICTOR, H. P.; SOUSA-JÚNIOR, W. C. Pegada Ecológica do Brasileiro 
– Aprimoramento Metodológico. In: Encontro de Iniciação Científica 
e Pós-Graduação do ITA – XV ENCITA, 15º, 2009, São José dos Campos. 
Anais... 15º Encontro de Iniciação Científica e Pós-Graduação do ITA. São 
José dos Campos: ITA, 2009, p. 1-14.
WWF-BRASIL. Amor-Peixe Modelo de Desenvolvimento Sustentá-
vel. 2011. Brasília: WWF-Brasil. 77p. Disponível em: . Acesso em: 30 
set.2011.
▲
Figura 10: Artesãs envolvidas no Projeto Amor-
Peixe.
Fonte: WWF-BRASIL, 2011. 
▲
Figura 11: Rendas do Projeto Amor-Peixe obtidas 
através dos artesanatos feitos da pele do peixe. 
Fonte: WWF-BRASIL, 2011. 
ATIVIDADE:
Faça uma pesquisa e anote quais são os projetos de 
desenvolvimento sustentável que existe no estado de 
Minas Gerais.
	UNIDADE 1
	1.1 Introdução
	1.2 O surgimento do desenvolvimento sustentável
	A necessidade do desenvolvimento sustentável
	1.3 Conceitos importantes e exploração do ambiente versus sustentabilidade
	Referências
	UNIDADE 2 
	2.1 Introdução
	2.2 Modelos de desenvolvimento
	Modelos de desenvolvimento e sustentabilidade econômica, social e ambiental
	2.3 Pegada ecológica
	2.4 Praticando o desenvolvimento sustentável 
	Referências

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