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Abordagens Qualitativas de Investigação Ana Beatriz Quinalhia, Daiane Cordeiro, Débora Amaral, José Ítalo e Vinícius Santos Creswell, 2014 Pesquisa Narrativa Definição ● Estudo de fenômeno ● Método de estudo ● Origem plural ● Indivíduo + Contexto social “A narrativa é entendida como um texto falado ou escrito, dando conta de um evento / ação ou série de eventos / ações cronologicamente conectados”. Czarniawska (2004) Caracterização Tipos & Abordagens Riessman (2008) ● Análise Temática: o “contado” ● Análise Estrutural: o “contar” ● Análise Dialógica: o “como?” Casey (1995) ● Biografia: Tim Maia Film ● Autoetnografia: Alto José do Pinho ● História de Vida: BoyHood Film ● História Oral: Podcasts Procedimentos Determinar se o problema ou a pergunta é que melhor se adapta à Pesquisa. Escolher um ou mais indivíduos que tenham histórias ou experiências de vida a serem contadas Considerar diferentes formatos de coleta e registro de dados Coletar informações sobre o contexto das histórias (social, cultural e histórico) Analisar as histórias dos participantes e reestoriar em ordem cronológica Colaborar com os participantes, envolvendo-os na pesquisa Pesquisa Fenomenológica Definição ● Edmund Husserl Heideger, Sartre e Merleau-Ponty ● Fenômeno: um “objeto” da experiência humana ● Objetiva reduzir a experiência individual com o fenômeno a uma descrição da essência universal ○ ”uma captura da própria natureza da coisa” (van Manen, 1990, p. 163) ● Pressupostos filosóficos: busca pela sabedoria, sem pressuposições, intencionalidade da consciência, recusa da dicotomia sujeito-objeto. Pesquisa fenomenológica: busca o significado comum das experiências vividas de um conceito/fenômeno. Caracterização ● Fenômeno (ex. luto, cuidado); ● Vivências de um grupo de indivíduos com o fenômeno; ● Em alguns estudos o pesquisador se coloca entre parênteses; ● Coleta de dados: entrevistas e fontes variadas (observações, documentos, poesias) ; ● Análise de dados: delimitação de unidades de análise, unidades mais amplas, descrições detalhadas sobre o que e como experienciaram; ● Descrição e discussão da essência das experiências. Abordagens Fenomenologia hermenêutica ● Identificação de um fenômeno ● Reflexão sobre a natureza da experiência vivida ● Descrição do fenômeno ● Interpretação do significado das experiências vividas Interpretação como mediação dos significados Fenomenologia transcendental ● Identificação de um fenômeno ○ epoché: colocar em suspensão suas experiências com o fenômeno ○ “em que tudo é conhecido como novo, como se fosse a primeira vez (Moustakas, 1994, p. 34)” ● Redução fenomenológica (declarações em temas) ● Descrição do fenômeno (textual e estrutural) ● Transmissão da essência da experiência Procedimentos Determinar se a abordagem fenomenológica é a mais adequada ao problema de pesquisa. Instrumento de coleta de dados Identificar o fenômeno a ser estudado Especificar os pressupostos filosóficos e deixar em suspensão as próprias experiências Pesquisador Indivíduos que experimentaram o fenômeno Recomenda-se entre 5 a 25 indivíduos Entrevistas múltiplas/em profundidade e outras fontes O que experimentou? Quais contextos/situações influenciaram as suas experiências? 1. Exame dos dados 2. Declarações significativas 3. Grupos de significados 4. Descrição textual 5. Descrição estrutural 6. Apresentação da essência do fenômeno Participantes Análise fenomenológica dos dados Desafios ● Compreensão dos pressupostos filosóficos e identificação dos mesmos no estudo; ○ conceitos abstratos ● Escolha cuidadosa dos participantes; ● Alcançar a epoché, colocar entre parêntese as experiências pessoais. Pesquisa da Teoria Fundamentada Definição e Caracterização ● Ir além da descrição; ● Gerar ou descobrir uma teoria para um processo ou ação; ● Desenvolvimento da teoria fundamentado em dados do campo / dos participantes. “A teoria fundamentada é um projeto de pesquisa qualitativo em que o investigador gera uma explicação geral (uma teoria) de um processo, uma ação ou uma interação moldada pelas visões de um grande número de participantes.” Definição e Caracterização ● Diferentes abordagens: Glaser, Strauss, Charmaz, Clarke, Corbin; ● Divergências quanto ao significado e procedimentos, com diferentes perspectivas. Processo Teoria Lembretes* Coleta de Dados Análise de Dados Abordagens Procedimentos Sistemáticos de Strauss e Corbin ● Desenvolver sistematicamente uma teoria que explique o processo, ação ou interação sobre um tópico. ● Saturar uma categoria ○ Unidade de informação composta de eventos, acontecimentos e exemplos. ● Processo de zigue-zague até a elaboração da teoria. Abordagem Construtivista de Charmaz ● Perspectiva construtivista social. ● Abordagem interpretativa da pesquisa qualitativa com diretrizes flexíveis. ○ Foco na teoria desenvolvida que depende da visão do pesquisador. ○ Conclusões: sugestivas, incompletas e inconclusivas. Procedimentos Determinar se a Teoria Fundamentada é a mais adequada ao estudo do problema de pesquisa. 20 a 60 entrevistas. Perguntas de pesquisa: compreensão de como os indivíduos experimentam o processo. Retorno aos participantes com perguntas mais detalhadas que ajudam a moldar a fase de codificação axial. Fenômeno, condições causais, estratégias, consequências. Reunir informações suficientes para desenvolver integralmente (saturar) o modelo. Análise dos dados em estágios: Codificação Aberta Codificação Axial Codificação Seletiva Teoria emerge com a ajuda do processo de lembretes. Pode ser testada posteriormente para verificação empírica. Explicar ou entender um processo Desafios ● O investigador precisa deixar de lado ideias ou noções teóricas para que a teoria analítica substantiva possa emergir. ● Reconhecimento da abordagem sistemática com seus passos específicos, apesar da natureza indutiva. ● Dificuldade em determinar quando uma categoria está saturada ou suficientemente detalhada. ● Reconhecer que o resultado principal do estudo é uma teoria com componentes específicos ○ Fenômeno central, contexto e consequências. ● Abordagem de Corbin e Strauss pode não ter a flexibilidade desejada para alguns pesquisadores qualitativos. ○ Abordagem de Charmaz é menos estruturada e mais adaptável. Pesquisa Etnográfica Definição e Origem ● Um grupo que compartilha uma cultura; ● Observação participante; ● Origem na Antropologia cultural comparativa; ● “Escolas” etnográficas. Características ● O estudo de um grupo que compartilha uma cultura; ● Busca por padrões de atividades mentais do grupo; ● Trabalho de Campo; ● Perspectiva EMIC e ETIC; ● Essência do grupo “O que as pessoas nesse contexto têm de saber e fazer para que o sistema funcione?” Tipos ETNOGRAFIA REALISTA (Mamen, 88) ● Abordagem tradicional ● Relato objetivo e imparcial ● Dados mundanos do cotidiano ● Reprodução de citações ● Narração em 3ª pessoa ● Etnógrafo: ○ 2º plano ○ Relator onisciente ○ Palavra-final ETNOGRAFIA CRÍTICA (Carspecken, 92) ● Abordagem recente ● Orientação política ● Emancipação de minorias ● Desafia o status quo ● Temas comuns: ○ Poder; empoderamento; desigualdade; dominação; etc. Procedimentos ● Determinar se a etnografia é a melhor escolha; ● Identificar e localizar um grupo; ● Escolher temas, questões ou teorias culturais para o estudar o grupo; ● Estudar os conceitos etnográficos; ● Ir a campo; ● Análise de dados; ● Retrato cultural holístico “Cultura não é algo espalhado por todo canto, mas algo em que os pesquisadores atribuem a um grupo quando procuram por padrões do seu mundo social” Pesquisa de Estudo de Caso Definição e Origem EXPLORA UM SISTEMA DELIMITADO CONTEMPORÂNEO DA VIDA REAL Caracterização ● Identificação de um caso específico; ● Intençãode conduzir; ● Compreensão em profundidade; ● Análise dos dados; ● Descrição do caso – temas / Questões / situações específicas; ● Cronologia / modelos teóricos ; ● Significado global: Asserções / construção de “padrões” / explicações. Tipos de estudo ● Estudo de caso instrumental único; ● Estudo de caso coletivo ou múltiplo; ● Estudo de caso intrínseco. Procedimentos Quando possui casos claramente identificáveis e delimitados e busca fornecer uma compreensão em profundidade dos casos ou uma comparação de casos. Análise Único ou coletivo, se multilocal ou em um local específico e focado em um caso ou questão. Amostragem intencional. Documentos, registros de arquivos, entrevistas, observações diretas, observação participante e artefatos físicos. Coleta de dados em múltiplas fontes Análise holísticas, Análise incorporada, Análise de temas; Análise dentro do caso, Análise cruzada. Significado do caso, lições aprendidas com o caso, Asserções. Fase interpretativa final Determinar se a abordagem é apropriada Identificar o caso ou casos Desafios ● Espectro amplo ou espectro restrito; ● Delimitação do estudo - Seleção do caso ou questão; caso ou casos; ● Estudos múltiplos - Quantos casos? ● Estabelecimento da justificativa para estratégia de amostragem intencional; ● Definição de “fronteiras” de uma caso. Comparação entre as cinco abordagens Características Narrativa Fenomenológica Teoria fundamentada Etnografia Estudo de caso Foco/tipo de problema exploração da vida do indivíduo compreensão da essência da experiência teoria fundamentada nos dados do campo descrição de interpretação de um grupo cultural descrição em profundidade e análise de um caso(s) Origem da disciplina humanidades filosofia, psicologia e educação sociologia antropologia e sociologia psicologia, direito, ciência política e medicina Unidade de análise um ou mais indivíduos vários indivíduos com experiência compartilhada processo/ação envolvendo muitos indivíduos grupo que compartilha a mesma cultura evento, programa, atividade ou mai de um indivíduo Coleta de dados entrevistas e documentos entrevistas e outras fontes de dados entrevistas observações, entrevistas e outras fontes múltiplas fontes Análise de dados histórias, temas e cronologia declarações significativas, unidades de significado, descrição e essência codificação aberta, axial e seletiva descrição e temas sobre o grupo descrição e temas do caso Relatório Narrativa sobre a história de vida descrição da essência da experiência geração de uma teoria descrição de como funciona o grupo que compartilha uma cultura análise detalhada de um ou mais casos Características Narrativa Fenomenológica Teoria fundamentada Etnografia Estudo de caso Foco/tipo de problema exploração da vida do indivíduo compreensão da essência da experiência teoria fundamentada nos dados do campo descrição de interpretação de um grupo cultural descrição em profundidade e análise de um caso(s) Origem da disciplina humanidades filosofia, psicologia e educação sociologia antropologia e sociologia psicologia, direito, ciência política e medicina Unidade de análise um ou mais indivíduos vários indivíduos com experiência compartilhada processo/ação envolvendo muitos indivíduos grupo que compartilha a mesma cultura evento, programa, atividade ou mai de um indivíduo Características Narrativa Fenomenológica Teoria fundamentada Etnografia Estudo de caso Coleta de dados entrevistas e documentos entrevistas e outras fontes de dados entrevistas observações, entrevistas e outras fontes múltiplas fontes Análise de dados histórias, temas e cronologia declarações significativas, unidades de significado, descrição e essência codificação aberta, axial e seletiva descrição e temas sobre o grupo descrição e temas do caso Relatório Narrativa sobre a história de vida descrição da essência da experiência geração de uma teoria descrição de como funciona o grupo que compartilha uma cultura análise detalhada de um ou mais casos Referência Creswell, J. W. Investigação Qualitativa e Projeto de Pesquisa: Escolhendo entre Cinco Abordagens. 3ª Ed. Porto Alegre: Penso, 2014, 343 p.