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CULTURAS AFRO-BRASILEIRA E RELAÇÕES 
ÉTNICO-RACIAS. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prezado(a) aluno(a), 
 
Neste capítulo, discutiremos a importância de esclarecer e 
compreender adequadamente as questões de "identidade e diferença" para 
todos aqueles envolvidos com a educação. A instituição escolar é um espaço 
fundamental para a formação das identidades individuais e coletivas, onde as 
diferenças emergem em todas as formas possíveis. 
Por isso, a escola deve ser um ambiente acolhedor e respeitoso para 
todos, independentemente de suas características pessoais. Para alcançar 
esse objetivo, é preciso que a escola esteja preparada para receber a 
diversidade, o que implica pensar em estratégias de inclusão e acessibilidade, 
tanto em relação aos aspectos arquitetônicos quanto humanos. 
É provável que você já tenha alguma familiaridade com os conceitos 
de identidade e diferença, mas é importante que você compreenda a 
variedade de significados que esses termos podem assumir, dependendo do 
contexto em que são utilizados. Portanto, este capítulo servirá como uma 
base teórica para aprofundar a compreensão desses conceitos e sua 
aplicação prática na educação. 
 
Bons estudos! 
 
AULA – 4 
IDENTIDADE E 
DIFERENÇA. 
 
 
4 IDENTIDADE E DIFERENÇA. 
No mundo em que vivemos, cada um de nós possui nossas próprias 
individualidades, influenciadas pela região geográfica e social onde habitamos. Essa 
localização nos permite acessar certos elementos culturais que não teríamos se 
estivéssemos em outra região. Ao longo do tempo, essas características culturais se 
somam e nos tornamos parte da cultura que cultivamos. 
O perfil cultural é a fonte de significados e práticas de um povo, nação, raça ou 
conjunto de processos sociais construídos por atributos compartilhados, como a 
linguagem, dança, música, comida e crenças, entre outros. Todos esses componentes 
moldam a maneira de ser de uma coletividade e podem ter algumas peculiaridades 
que caracterizam ou compartilham alguns desses elementos com outras culturas. 
(CASTELLS, 2008). 
Por outro lado, a identidade refere-se ao modo como cultura ou mesmo uma 
pessoa considera e reconhece a si mesma. Entende-se, assim, que uma cultura pode 
reconhecer sua identidade por meio de seus elementos culturais únicos e 
compartilhados. Esses elementos incluem a linguagem, tradições, crenças, rituais, 
música, arte e comida. Ao preservar e promover esses elementos, uma cultura pode 
se identificar e ser identificada por outros como única e distinta. Além disso, a história 
e as origens de uma cultura também podem ser uma fonte de identidade e orgulho. A 
celebração de eventos históricos e datas importantes pode unir a comunidade e 
reforçar a identidade cultural. A identidade cultural pode ser fortalecida e mantida 
através de programas educacionais, mídia e arte que promovem e preservam os 
elementos culturais únicos de uma comunidade. 
A partilha de informações e traços culturais entre diferentes culturas e seus 
membros permite interações e trocas de experiências que moldam e influenciam a 
construção das identidades, as quais envolvem tanto semelhanças quanto diferenças. 
As identidades são influenciadas por fatores como a idade, gênero, condições de 
saúde e outros aspectos que aproximam indivíduos em diferentes culturas. Essa 
partilha ocorre por meio de costumes e valores compartilhados, seja de maneira 
consciente ou inconsciente, dentro e fora da sociedade à qual se pertence. Como 
resultado, a identidade individual emerge da identidade coletiva, e vice-versa. 
Se conceituarmos cada termo, podemos dizer que a característica individual se 
 
 
refere também a aspectos culturais pelos quais todo ser humano é reconhecido como 
tal, seja por gosto musical, religioso, profissional que podem ser permitem ser 
retratados pelos próprios indivíduos ou percebidos como algo pelos outros que o 
diferencia do resto da sociedade. Daí várias pessoas poderem representar uma 
compatibilidade, uma vez reconhecida alguma semelhança, seja por nascerem no 
mesmo estado, seja por compartilharem o mesmo idioma ou por gostar do mesmo 
time. 
Em qualquer caso, entende-se que a personalidade de um grupo étnico, de 
determinado grupo social são sempre relacionais porque o que se constrói numa 
nação e sua cultura assenta-se em elementos culturais aceitos ou rejeitados em 
relação à identificação de outras composições e pode mudar ao longo do tempo ou 
mesmo pela maneira conforme percebido em relação a outros indivíduos ou grupos 
(BARTH, 1998). 
Podemos dizer que a identidade de uma sociedade se estrutura é precisa na 
relação que têm com outros grupos sociais ao seu redor, como também é dependente 
dos recursos culturais circundantes, que são selecionados e expressam como essa 
sociedade pode ser localizada, percebida e analisada. Poderia ser ressaltado um 
prato típico, um cardápio específico, uma dança tradicional, componentes de 
linguagem própria, estilos de roupas, entre outros. 
A identificação pela descrição ocorre por meio de uma composição de 
elementos que juntos definem aspectos culturais dos indivíduos ou grupos sociais. 
Simultaneamente, alguns desses aspectos entram em jogo na formação da visão que 
podemos ter de uma pessoa ou uma comunidade. A identidade está sujeita a 
alterações ao longo do tempo, trata-se, portanto, de uma realidade dinâmica. 
A experiência de um povo e sua cultura não formam uma realidade homogênea, 
que possa ser explicada por conceitos que não consigam englobar a complexidade 
dos fenômenos culturais em sua dimensão material e imaterial. Por isso, podemos em 
um mesmo povo e um mesmo país, encontrar comunidades que se distinguem uma 
das outras pela sua identidade, pela forma como se apropriam e transformam o 
patrimônio cultural da qual são herdeiras. De modo similar, podemos entender que um 
indivíduo também é um pequeno desvio em relação à cultura onde se insere, pois sua 
identidade é coletiva e individual simultaneamente. É crucial, portanto, refletir sobre 
a noção de identidade, a qual pode ser modificada dependendo das circunstâncias 
 
 
vividas. 
4.1 Reflexão sobre diferença e identidade 
A nacionalidade brasileira é acompanhada por um sentimento compartilhado 
entre seus habitantes, apesar das peculiaridades regionais que possam existir. 
Conforme Boris Fausto aponta em seu livro "História do Brasil", essa identidade se 
desenvolveu ao longo dos séculos e foi moldada por diversos fatores históricos. A 
colonização portuguesa em 1500 foi um desses fatores, que ocorreu em meio a 
conflitos por terras e embates culturais com os índios nativos e com outras nações 
que tentaram invadir alguns territórios do país, como Espanha, Holanda e França 
(FAUSTO, 2001). 
Com a chegada dos portugueses, os nativos que ocupavam o território foram 
escravizados e influenciados pelos colonizadores. Posteriormente, os negros 
africanos foram trazidos à força para trabalhar na colônia. Como Gilberto Freyre 
(2001) destaca em sua obra "Casa-grande & Senzala", essa mistura de raças e 
culturas contribuiu para a formação do povo brasileiro, que é composto por indígenas, 
europeus e africanos. Cada grupo étnico e cultural trouxe suas próprias características 
para a nossa cultura e identidade. Isso inclui o idioma que falamos, os alimentos que 
comemos, os vestuários que usamos, as religiões que praticamos, a música que 
ouvimos, os esportes que jogamos e uma série ampla de aspectos culturais comuns. 
Oswald de Andrade, em seu texto "Manifesto Antropófago", destaca a 
importância da cultura indígena e africana na formação da identidade brasileira. 
Segundo ele, devemos "devorar" essas culturas para criar uma nova identidade que 
seja verdadeiramente brasileira. Isso mostra como a nossa identidade nacional é 
dinâmica e está em constante evolução. 
Portanto, podemosdizer que a nacionalidade brasileira é uma mistura de raças, 
culturas e tradições, que se desenvolveu ao longo dos séculos e é acompanhada por 
um sentimento compartilhado entre seus habitantes. Esse sentimento de identidade 
nacional é moldado por diversos fatores históricos e culturais, e está em constante 
evolução conforme novas influências são incorporadas à nossa cultura. 
Os intelectuais Boris Fausto, Gilberto Freyre e Oswald de Andrade possuem 
visões distintas sobre a identidade brasileira e a sua formação. Eles representam, 
 
 
portanto, três tendências a partir das quais podemos visualizar a questão da 
identidade e da diferença na cultura do Brasil. 
Boris Fausto (2001) destaca a influência dos conflitos políticos e das relações 
de poder na formação da identidade nacional brasileira. Segundo ele, a colonização 
portuguesa trouxe consigo uma visão eurocêntrica e excludente, que se refletiu na 
exclusão dos povos indígenas e negros da construção da nação. Além disso, a história 
do Brasil é marcada por conflitos e lutas sociais que moldaram a identidade do povo 
brasileiro. 
Por outro lado, Gilberto Freyre enfatiza a miscigenação como fator central na 
formação da identidade brasileira. Em sua obra "Casa Grande e Senzala", Freyre 
argumenta que a convivência entre índios, europeus e africanos gerou uma cultura 
híbrida e singular, que se manifesta em aspectos como a religiosidade, a culinária e o 
modo de vida do povo brasileiro. Ele destaca a importância das relações afetivas e 
familiares na construção da identidade nacional. 
Já Oswald de Andrade (1973) defende a valorização da cultura popular e das 
raízes indígenas como elementos fundamentais para a formação da identidade 
brasileira. Em sua obra "Manifesto Antropófago", ele propõe uma releitura da história 
do Brasil a partir do canibalismo, isto é, da incorporação de elementos da cultura 
europeia pelas culturas indígenas e africanas. Segundo ele, a identidade brasileira é 
marcada pela diversidade cultural e pela capacidade de absorver e transformar 
influências externas. 
Assim, podemos observar que os historiadores apresentam visões distintas 
sobre a formação da identidade brasileira, enfatizando diferentes aspectos culturais, 
históricos e sociais. No entanto, todos concordam que a identidade nacional brasileira 
é marcada pela diversidade e pela capacidade de absorver e transformar influências 
externas, refletindo a riqueza cultural e histórica do país. 
Contudo, as concepções atuais de raça e gênero nos permitem ampliar as 
percepções dos autores sobre a identidade brasileira, uma vez que esses temas são 
fundamentais para entendermos a formação da identidade nacional. Boris Fausto, 
Gilberto Freyre e Oswald de Andrade, apesar de terem concepções diferentes, 
reconhecem a influência da diversidade étnica e cultural na construção da identidade 
brasileira. 
 
 
A perspectiva de raça nos permite entender que a miscigenação no Brasil não 
foi um processo harmônico, mas sim resultado de relações desiguais de poder entre 
diferentes grupos étnicos. Nesse sentido, a obra de Gilberto Freyre "Casa-Grande & 
Senzala" é fundamental para compreender a formação de uma sociedade mestiça, 
que nasceu da mistura de brancos, índios e negros. No entanto, é importante destacar 
que a obra de Freyre foi criticada por reforçar estereótipos raciais e reforçar a ideia de 
que a miscigenação teria criado uma sociedade harmoniosa e sem conflitos. 
A perspectiva de gênero, por sua vez, nos permite entender como as relações 
entre homens e mulheres contribuíram para a formação da identidade brasileira. A 
obra "Manifesto Antropófago" de Oswald de Andrade, por exemplo, é um exemplo de 
como a construção da identidade nacional está diretamente ligada à subversão de 
padrões culturais e sociais impostos pela Europa. No entanto, é importante destacar 
que a obra de Andrade não aborda diretamente a questão de gênero. 
Já a obra de Boris Fausto, "História Brasil", destaca a importância das lutas 
políticas e sociais para a construção da identidade brasileira. Nesse sentido, a 
perspectiva de gênero é fundamental para entender como as lutas feministas, por 
exemplo, contribuíram para a construção de uma sociedade mais igualitária e para a 
ampliação da participação das mulheres na vida política e social do país. 
Dessa forma, a partir das concepções atuais de raça e gênero, podemos 
ampliar as percepções dos autores sobre a identidade brasileira, reconhecendo que a 
formação da identidade nacional é um processo complexo e dinâmico, que envolve 
relações de poder, conflitos e lutas políticas e sociais. 
4.2 Individualidades de cada habitante 
Não é necessário que todos os indivíduos de uma nação compartilhem todos 
os aspectos culturais para ter uma identidade nacional. Embora alguns brasileiros 
possam não gostar de carnaval ou futebol, eles compartilham a língua, a história e 
outros aspectos culturais que contribuem para um sentimento comum de 
pertencimento à identidade brasileira. Valorizar essas características ajuda a construir 
uma identidade nacional inclusiva pela qual seus membros lutam e defendem. Nas 
escolas, somos incentivados a cantar o hino nacional e a respeitar a bandeira que nos 
representa. 
 
 
A identidade individual é influenciada pela identidade nacional, o que contribui 
para a construção de uma identidade coletiva. Quando os brasileiros viajam para 
outros países, eles carregam consigo sua peculiaridade nacional, mesmo que não 
sejam todos iguais. Reconhecemos elementos culturais comuns entre brasileiros, 
independentemente da região onde eles moram. 
As identidades nacionais são baseadas em narrativas que contam histórias 
reais ou fictícias, idealizadas ou críticas, do passado, presente ou futuro da nação. 
Essas narrativas são representadas em uma ampla variedade de fenômenos culturais, 
incluindo mitologia, literatura, artes plásticas, música, cinema e contos populares. 
Essas culturas nacionais são reconhecidas como discursos que formam a identidade 
da nação, refletindo na identidade das comunidades e grupos sociais que a formam, 
bem como na identidade de cada indivíduo e sua singularidade. 
As identidades nacionais também constituem "comunidades imaginadas", pois 
há maneiras diferentes pelas quais um país é reconhecido como realidade e como é 
imaginado pelos outros. A repetição de narrativas sobre o passado de uma nação cria 
uma tradição baseada em um mito de origem, que conta a história de como aquela 
nação foi fundada, geralmente relacionando atributos idealizados e elementos 
concretos. A tradição conecta nossas vidas a um passado compartilhado, criando a 
sensação de que todos os indivíduos de uma nação são descendentes da mesma 
origem. 
Embora as identidades nacionais sejam construídas por meio de narrativas que 
criam tradições, elas são edifícios culturais reais e pertencem ao campo do discurso. 
Essas narrativas estão sujeitas às mutações da história e são criadas e transformadas 
pela sociedade. Devemos lembrar que essas identidades não são impressas em 
nossos genes, mas são construídas e transformadas pela cultura humana. 
4.3 A literatura na formação da identidade e diferença no povo brasileiro. 
 A literatura é significativa, pois retrata e divulga fatos que compõem a 
identidade de uma nação, incluindo os afrodescendentes. Nesse sentido, é importante 
reconhecer que a identidade brasileira não é predominante de uma única raça, mas 
sim uma mistura de etnias, o que a torna diversificada. Teóricos que se dedicam à 
questão das identidades nacionais entendem que elas são móveis e fragmentadas, e 
 
 
por isso, mais importante do que uma versão específica de identidade nacional é a 
variedade de situações e condições que ela compreende. A riqueza da identidade do 
Brasil, assim como de outras nações, é estabelecida através da história, para a qual 
as literaturas são essenciais. A situaçãoliterária de uma nação é composta por muitas 
vozes, nacionais ou estrangeiras, masculinas ou femininas, hétero ou homossexuais, 
brancas, negras ou indígenas. Todas são importantes para formar o plural e positivo 
contraditório da nação. 
Durante muito tempo, o homem foi considerado um ser unificado, com uma 
identidade coerente, fixa e conservadora, sem grandes alterações no espaço e tempo. 
No entanto, a partir da modernidade, tornou-se uma questão muito mais complexa, 
fragmentada e multifacetada. Esse processo normalmente é definido como "crise de 
identidade", em que o indivíduo se reconhece em um imaginário muito mais amplo do 
que sua veracidade momentânea, e sua sociedade está mais aproximada aos 
supostos valores de sua nação. No contexto atual, as concepções de raça e gênero 
ampliam essa percepção, permitindo compreender a identidade como um campo de 
disputa, em que diferentes grupos e indivíduos lutam para afirmar suas identidades e 
serem reconhecidos socialmente. A literatura, nesse sentido, pode ser vista como uma 
ferramenta importante para a construção e afirmação dessas identidades em uma 
sociedade cada vez mais plural e diversa (HALL, 2006). 
Entende-se, assim como indica Hall (2006), que as culturas nacionais são 
compostas não apenas de instituições culturais, mas também de símbolos e 
representações. De acordo com o autor, uma cultura nacional é um discurso que 
influencia e organiza tanto nossas ações quanto a concepção que temos de nós 
mesmos. Por meio da produção de sentidos sobre “a nação”, as culturas nacionais 
constroem identidades que podemos nos identificar. Esses sentidos são transmitidos 
por meio das estórias que são contadas sobre a nação, das memórias que conectam 
seu presente com seu passado e das imagens que dela são construídas. 
Para entender melhor as diferentes noções de identidade que formam o 
desenvolvimento histórico deste conceito, veja as definições abaixo: 
Sujeito do Iluminismo (séculos XVII-XVIII): No período do iluminismo, a 
concepção de identidade era entendida como algo racional e universal. Para os 
pensadores iluministas, a identidade era vista como uma construção individual e 
autônoma, baseada na razão e na liberdade individual. Essa visão valorizava a 
 
 
capacidade do ser humano de pensar e agir de forma autônoma, independente das 
imposições da tradição, da religião ou da autoridade política. A partir dessa 
concepção, a identidade era vista como algo fixo e estável, que se construía a partir 
da razão e do livre-arbítrio. Essa visão influenciou a ideia moderna de indivíduo e de 
cidadania, que se baseiam na autonomia e na capacidade do ser humano de pensar 
e agir de forma racional e livre. 
No entanto, essa concepção de identidade também foi criticada por outros 
pensadores, que argumentaram que a identidade não é algo fixo e estável, mas sim 
fluido e mutável. Eles afirmavam que a identidade é influenciada pelo contexto social, 
histórico e cultural em que o indivíduo está inserido, e que não pode ser entendida de 
forma isolada ou universal. Essas críticas deram origem a novas concepções de 
identidade, que valorizavam a diversidade e a complexidade da experiência humana 
Sujeito sociológico (século XIX): Nesta concepção típica da Modernidade, o 
núcleo do sujeito não possui total autonomia ou autossuficiência, mas é constituído 
por relações sociais, mediadoras de valores e significados culturais. É uma identidade 
interativa, ou seja, a construção do sujeito se dá em suas relações com outros sujeitos, 
temas, ideias, objetos, etc. Contudo, essa concepção, ainda mantêm determinações 
da concepção iluminsita, pondo a racionalidde como uma característica que determina 
‘identidade’ humana. 
Entende-se, assim, que a noção de identidade a partir da concepção de sujeito 
sociológico do século XIX é influenciada pelo pensamento de pensadores como 
Auguste Comte e Émile Durkheim. Nessa concepção, a identidade é vista como 
resultado da interação entre o indivíduo e a sociedade em que ele está inserido. 
Segundo essa visão, o indivíduo é entendido como um sujeito social que é 
moldado pelas normas e valores da sociedade em que vive. A identidade é construída 
a partir das relações sociais que o sujeito estabelece, sendo influenciada pela classe 
social, gênero, raça, cultura, religião e outros fatores sociais. 
A partir dessa perspectiva, a identidade não é vista como algo fixo e imutável, 
mas sim como algo que é construído e reconstruído ao longo do tempo e das relações 
sociais estabelecidas pelo indivíduo. A identidade é, portanto, um produto da 
sociedade e do contexto social em que o indivíduo está inserido, sendo influenciada 
por fatores históricos, culturais e sociais. 
 
 
Sujeito pós-moderno (séculos XX-XXI): A concepção de sujeito pós-moderna 
propõe uma compreensão diferente da identidade em relação às concepções 
anteriores. Segundo essa abordagem, a identidade não é vista como algo fixo ou 
estável, mas sim como algo fluido e fragmentado. O sujeito pós-moderno é visto como 
um ser multifacetado, composto por múltiplas identidades que são construídas a partir 
de experiências e discursos diversos. 
Nessa perspectiva, a identidade é vista como um processo contínuo de 
construção e desconstrução, influenciado por fatores sociais, culturais, políticos e 
históricos. Ela não é vista como algo que existe independentemente do contexto em 
que é construída, mas sim como algo que é moldado pelas relações de poder e pelas 
dinâmicas sociais que permeiam a vida cotidiana. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
FREYRE, Gilberto. Casa-grande & senzala. 42. ed. Rio de Janeiro: Record, 2001. 
 
ANDRADE, Oswald de. O manifesto antropófago. In: TELES, Gilberto Mendonça. 
Vanguarda européia e modernismo brasileiro: apresentação e crítica dos principais 
manifestos vanguardistas. 3ª ed. Petrópolis: Vozes; Brasília: INL, 1973. 
 
FAUSTO, Boris. História concisa do Brasil. São Paulo: Edusp/Imprensa Oficial do 
Estado, 2001. 
 
ALMEIDA, S. Racismo estrutural. São Paulo: Pólen Livros, 2019. 
 
BARTH, F. Grupos étnicos e suas fronteiras. In: POUTIGNAT, P. Teorias da 
etnicidade. Seguido de grupos étnicos e suas fronteiras de Fredrik Barth, 
Philippe Poutignat, Jocelyne Streiff-Fenard. São Paulo: UNESP, 1998 
 
CASTELLS, M. O poder da identidade. São Paulo: Editora Paz e Terra, 2008 
 
HALL, S. A identidade cultural na pós-modernidade. 11. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 
2006. 
 
MORENO, J. C. Revisitando o conceito de identidade nacional. In: RODRIGUES, 
C. C.; LUCA, T. R.; GUIMARÃES, V. (Org.). Identidades brasileiras: composições e 
recomposições. São Paulo: UNESP; São Paulo: Cultura Acadêmica, 2014. 
 
SOUZA, J. A elite do atraso. São Paulo: Leya, 2017.

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