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Inicialmente, é preciso saber responder à seguinte pergunta: a culpabilidade integra o conceito de crime? 
Para a Teoria Finalista, adotada no Direito Penal brasileiro, existem o conceito bipartido e o tripartido (ou 
tripartite). Neste, a culpabilidade representa um elemento do crime. Naquele, a culpabilidade representa 
um pressuposto de aplicação da pena. Apesar disso, hoje, no Brasil, a teoria tripartite é a mais adotada. 
Logo, a culpabilidade tem sido tratada majoritariamente como elemento do crime, e não mero 
pressuposto para a aplicação da pena. 
→ Conceito de Culpabilidade: trata-se do juízo de reprovabilidade (juízo de censura ou de reprovação) da 
conduta. Analisa-se, ainda, o juízo de necessidade de aplicação da sanção penal
Diferentemente do que ocorre nos dois primeiros elementos (fato típico e ilicitude), onde se analisa o fato, 
na culpabilidade o objeto de estudo não é o fato, mas o agente. Daí alguns doutrinadores entenderem que a 
culpabilidade não integra o crime (por não estar relacionada ao fato criminoso, mas ao agente). Entretanto, 
vamos trabalhá-la como elemento do crime.
O que seria a coculpabilidade? De acordo com a Teoria da Coculpabilidade, o Estado tem parte da 
responsabilidade pela conduta criminosa de determinados indivíduos, especialmente em razão da 
desigualdade social. a coculpabilidade deve ser considerada uma atenuante inominada, nos termos do art. 
66 do Código Penal, porém, que ela não é expressamente admitida no Código Penal. Nesse sentido, o STJ 
entende que é possível, a depender do caso concreto
Teoria psicológica 
Dolo e culpa --> na culpabilidade 
Para essa teoria a culpabilidade era analisada sob o prisma da imputabilidade e da vontade (dolo e culpa). 
Essa teoria entende que o agente seria culpável se era imputável no momento do crime e se havia agido 
com dolo ou culpa. 
Para a teoria psicológica, portanto, a culpabilidade era basicamente a relação psíquica do agente com o 
injusto penal (fato típico e ilícito). Ou seja, para a teoria psicológica, a culpabilidade seria o elemento 
destinado a saber se o agente, uma vez imputável, teria agido com dolo ou culpa (elemento subjetivo do 
delito). Falava-se, portanto, numa “culpabilidade dolosa” ou “culpabilidade culposa”. 
Vejam que essa teoria só pode ser utilizada por quem adota a teoria causalista (naturalística) da conduta 
(pois o dolo e culpa estão na culpabilidade). Para os que adotam a teoria finalista (nosso Código penal),
essa teoria acerca da culpabilidade é impossível, pois a teoria finalista aloca o dolo e a culpa na conduta, e, 
portanto, no fato típico.
Teoria normativa ou psicológico-normativa 
Dolo e culpa na culpabilidade + juízo de reprovação 
A teoria psicológico-normativa possui os mesmos elementos da primeira, mas agrega a eles a exigibilidade 
de conduta diversa, que é a “possibilidade de agir conforme o Direito” e a consciência da ilicitude (que não 
está inserida dentro do dolo, na qualidade de elemento normativo). 
Para essa teoria, mais evoluída, ainda que o agente fosse imputável e tivesse agido com dolo ou culpa, só 
seria culpável se no caso concreto lhe pudesse ser exigido um outro comportamento que não o 
comportamento criminoso. 
Trata-se, portanto, da inclusão de elementos normativos na culpabilidade, que deixa de ser a mera relação 
subjetiva do agente com o fato (dolo ou culpa). A culpabilidade seria, portanto, a conjugação do elemento 
subjetivo (dolo ou culpa) e do juízo de reprovação sobre o agente.
Culpabilidade
terça-feira, 30 de julho de 2024 09:35
 Página 1 de Direito Penal 
Teoria normativa pura - MAIS IMPORTANTE 
Dolo e culpa como fato típico / culpabilidade (imputabilidade, potencial consciencia da ilicitude e 
exigibilidade de conduta diversa)
A teoria normativa pura da culpabilidade já não mais considera o dolo e culpa como elementos da 
culpabilidade, mas do fato típico (seguindo a teoria finalista da conduta). Ou seja, para os adeptos da teoria 
normativa pura o elemento subjetivo (a relação psicológica do agente com o fato) não integra a 
culpabilidade, mas o fato típico, mais precisamente a conduta penalmente relevante (daí falar-se em 
conduta dolosa ou conduta culposa).
Para esta teoria, a culpabilidade é composta apenas por elementos normativos, relacionados à 
reprovabilidade ou não do comportamento do agente, sendo eles:
 Imputabilidade Potencial consciência da ilicitude Exigibilidade de conduta diversa 
Em resumo, o dolo (transferido para o fato típico) passa a ser concebido apenas como elemento meramente 
subjetivo ou psicológico, representado pela consciência e vontade. A questão relativa à “consciência e 
vontade de infringir a norma penal” (elementos normativos do dolo) permanece na culpabilidade, como 
“potencial consciência da ilicitude”
Em resumo, o dolo (transferido para o fato típico) passa a ser concebido apenas como elemento meramente 
subjetivo ou psicológico, representado pela consciência e vontade. A questão relativa à “consciência e 
vontade de infringir a norma penal” (elementos normativos do dolo) permanece na culpabilidade, como 
“potencial consciência da ilicitude”
Para a maior parte da Doutrina, a teoria normativa pura se divide em: 
 Teoria extremada  Teoria limitada
A teoria extremada defende que todo erro que recaia sobre uma causa de justificação seria 
equiparado ao erro de proibição, sendo considerado “erro de proibição indireto"
•
A teoria LIMITADA, por sua vez, divide o erro sobre as causas de justificação (descriminantes 
putativas) ADOTADA PELO CP 
Erro sobre pressuposto fático da causa de justificação (ou erro de fato) – Neste caso, aplicam-
se regras semelhantes àquelas previstas para o erro de tipo (tem-se aqui o que se chama de 
erro de tipo permissivo).
○
Erro sobre a existência ou limites jurídicos de uma causa de justificação (erro sobre a ilicitude 
da conduta) – Neste caso, tal teoria defende que devam ser aplicadas as mesmas regras 
previstas para o erro de proibição, por se assemelhar à conduta daquele que age consciência da 
ilicitude. Tem-se aqui o chamado erro de proibição indireto.
○
•
Assim, é correto afirmar que o CP brasileiro adota a teoria normativa pura da culpabilidade, mais 
precisamente a teoria limitada da culpabilidade.
Elementos da culpabilidade 
 Página 2 de Direito Penal 
Elementos da culpabilidade 
Imputabilidade•
Potencial consciência da ilicitude •
Exigibilidade de conduta diversa•
Para que haja culpabilidade do agente, é necessário haver a concomitância dos três elementos: 
imputabilidade, potencial consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa.
Imputabilidade penal 1-
A imputabilidade penal pode ser conceituada como: 
A capacidade mental do agente de, ao tempo do fato, entender o caráter ilícito de sua conduta e de 
comportar-se conforme o Direito. 
A imputabilidade penal, portanto, compreende a capacidade de discernimento e a capacidade de 
autodeterminação.
A imputabilidade, portanto, é a regra. A inimputabilidade penal é a exceção e, portanto, deve ser provada.
Existem basicamente três sistemas acerca da imputabilidade: 
Biológico – Basta a existência de uma doença mental ou determinada idade para que o agente seja 
inimputável. É adotado no Brasil com relação aos menores de 18 anos. Trata-se de critério meramente 
biológico: se o agente tem menos de 18 anos, é inimputável. 
•
Psicológico – Só se pode aferir a imputabilidade (ou não), na análise do caso concreto, verificando-se 
se o agente, ao tempo do fato, possuía capacidade mental de entender o caráter ilícito da conduta e 
comportar-se de acordo com este entendimento. 
•
Biopsicológico – Deve haver a presença de um fator biológico (como a doença mental), mas o Juiz 
deve analisar no caso concreto se o agente era ou não capaz de entender o caráter ilícito da conduta 
e de se comportar conforme o Direito (critério psicológico). Essa foi a teoria adotada como regra pelo 
nosso Código Penal
•
CUIDADO! A imputabilidade penal deve ser aferida quandodo momento em que ocorreu o fato criminoso. 
Se o agente comete o crime com 17 anos e 11 meses, ele será inimputável.
Mas, quanto à análise da imputabilidade (ou não) em crimes permanentes, é necessário ter muito cuidado, 
pois nos crimes permanentes o crime se protrai no tempo, durando dias, semanas, meses, etc. Assim, todo 
o período de permanência será considerado como tempo do crime, pois se considera que durante todo 
este período de permanência o crime esteve sendo praticado.
Menor de 18 anos 
Esse é um critério meramente biológico e taxativo: se o agente é menor de 18 anos, responde perante o 
ECA não se aplicando a ele o CP, nos termos do art. 27 do CP. 
O menor de 18 anos, portanto, é considerado penalmente inimputável, independentemente da análise de 
seu desenvolvimento psíquico ao tempo do fato. 
 Página 3 de Direito Penal 
Como dito, trata-se de um critério meramente biológico (ou cronológico).
Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, ficando sujeitos às normas 
estabelecidas na legislação especial
Se o agente for um menor de 16 ou 17 anos emancipado, ele poderá ser penalmente responsabilizado?
Não. A capacidade civil não se confunde com a inimputabilidade do menor de idade. A emancipação em 
nada altera o patamar da menoridade penal. 
Doença mental e Desenvolvimento mental incompleto ou retardado
Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou 
retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato 
ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.
Redução de pena
 Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de 
perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era 
inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse 
entendimento. 
No caso dos doentes mentais, deve-se analisar se o agente era inteiramente incapaz de entender o caráter 
ilícito da conduta ou se era parcialmente incapaz disso
O agente possua a doença (critério biológico)
O agente seja, em razão da doença, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato OU 
inteiramente incapaz de determinar-se conforme este entendimento (critério psicológico) Por isso se diz 
que este é um critério biopsicológico (pois mescla os dois critérios).
Nos dois casos acima, se o agente for inimputável, exclui-se a culpabilidade e ele é isento de pena. Se for 
semi-imputável, será considerado culpável (não se exclui a culpabilidade), mas sua pena será reduzida de 
um a dois terços
se o agente for inimputável, exclui-se a culpabilidade e ele é isento de pena. •
Mas o Juiz aplicará uma medida de segurança (internação ou tratamento ambulatorial), em razão de sua 
periculosidade (não há culpabilidade aqui). Isso é o que se chama de sentença absolutória imprópria, pois, 
apesar de conter uma absolvição, contém uma espécie de sanção penal, que é a medida de segurança.
Se for semi-imputável, será considerado culpável (não se exclui a culpabilidade), mas sua pena será 
reduzida de 1/3 a 2/3
•
Será condenado a uma pena (eis que possui culpabilidade). que será reduzida.
Entretanto, a lei permite que o Juiz, diante do caso (se houver uma periculosidade concreta que recomende 
a substituição), substitua a pena privativa de liberdade por uma medida de segurança (internação ou 
tratamento ambulatorial). 
✔ Atenção, o agente deve cumprir a pena OU a medida de segurança. O CP adotou o sistema vicariante ou 
unitário, de forma que não é permitido ao agente cumprir pena E medida de segurança (que seria o 
chamado sistema do duplo binário, de dois trilhos, dualista ou de dupla via)
Sonâmbulo pode ser considerado doente mental? Prevalece o entendimento de que a conduta praticada 
pelo sonâmbulo, durante o estado de sonambulismo, não configura crime por ausência de conduta, já que 
não voluntariedade, por se tratar de um estado de inconsciência. Afasta-se, portanto, o fato típico, e não a 
culpabilidade. 
Embriaguez 
Segundo o CP, como regra, a embriaguez não é uma hipótese de inimputabilidade, de forma que o agente 
 Página 4 de Direito Penal 
Segundo o CP, como regra, a embriaguez não é uma hipótese de inimputabilidade, de forma que o agente 
responderá pelo crime, ou seja, será considerado IMPUTÁVEL
Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: 
 I - a emoção ou a paixão; 
Embriaguez
 II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos.
Assim, não importa se a embriaguez foi dolosa (o agente queria ficar embriagado) ou culposa (não queria 
ficar embriagado, mas bebeu demais e ficou embriagado). O agente, nesses casos, será considerado 
imputável. 
Trata-se da adoção da chamada “Teoria da actio libera in causa” (ação livre na causa), que pode aparecer 
em formato de sigla (ALIC). Segundo esta teoria, o agente deve ser considerado imputável, mesmo não 
tendo discernimento no momento do fato, pois tinha discernimento quando decidiu ingerir a substância. Ou 
seja, apesar de não ter discernimento agora (no momento do crime), tinha discernimento quando se 
embriagou, ou seja, sua ação era livre na causa (tinha liberdade para decidir ingerir, ou não, a substância). 
ENTRETANTO 
Todavia, a embriaguez pode afastar a imputabilidade quando for acidental, ou seja, decorrente de caso 
fortuito ou força maior (E mesmo assim, deve ser completa, retirando totalmente a capacidade de 
discernimento do agente).
Caso o agente, em razão de embriaguez acidental, esteja parcialmente incapaz de entender o caráter ilícito 
do fato ou de determinar-se de acordo com este entendimento, não será considerado inimputável. O 
agente, neste caso, será considerado imputável, ou seja, responderá pelo fato praticado. Todavia, sua pena 
poderá ser diminuída de um a dois terços.
Em qualquer dos dois casos de embriaguez acidental, não será possível aplicação de medida de segurança,
pois essa visa ao tratamento do agente considerado doente, e que, por isso, oferece risco à sociedade 
(periculosidade). No caso da embriaguez acidental, o agente é sadio, tendo ingerido álcool por caso fortuito 
ou força maior.
E a embriaguez preordenada? A embriaguez preordenada é aquela na qual o agente se embriaga para 
praticar o crime. Ou seja, o agente não só quer ficar embriagado, ele quer ficar embriagado para praticar o 
crime. Tal embriaguez não afeta a imputabilidade do agente, ou seja, o agente é considerado imputável. 
Trata-se, ainda, de circunstância agravante da pena (a pena, portanto, será aumentada em razão de tal 
fato)
Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime
l) em estado de embriaguez preordenada.
 Página 5 de Direito Penal 
E a embriaguez patológica? A embriaguez patológica pode excluir a imputabilidade, desde que se configure 
como embriaguez verdadeiramente doentia (não apenas embriaguez habitual). Nesse caso, o agente será 
tratado como doente mental e, portanto, deverá ser dado ao agente o mesmo tratamento dispensado aos 
portadores de doença mental, desde que, frise-se, a embriaguez seja comprovadamente considerada 
patológica (doentia). 
Potencial consciência da ilicitude 
Art. 21 - O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável, isenta de 
pena; se evitável, poderá diminuí-la de um 1/6 A 1/3
 Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a consciência da 
ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência
Não se exige do agente um conhecimento técnico a respeito de sua conduta, ou seja, não se exige que o 
agente saiba exatamente qual crime está praticando, sendo suficiente que o agente tenha conhecimento 
(ainda que potencial) de que sua conduta é contrária ao Direito, ou seja, é uma conduta não aprovada pelo 
ordenamentojurídico.
Quando o agente atua acreditando que sua conduta não é ilícita, comete erro de proibição (art. 21 do 
CP).
•
▪ Critério para determinação do objeto da consciência da ilicitude: adota-se o critério intermediário (a 
valorização paralela da esfera do profano). O grau de consciência do agente será analisado conforme o 
perfil subjetivo do agente. IMPORTANTE! 
▪ Espécies de erro de proibição 
Erro de proibição direto: o agente desconhece a ilicitude de um fato e o pratica, acreditando incorrer 
em um indiferente penal. 
1-
Erro de proibição indireto (descriminante putativa por erro de proibição): o agente conhece o 
conteúdo de uma infração, mas, no caso concreto, acredita estar acobertado por uma excludente de 
2-
 Página 6 de Direito Penal 
conteúdo de uma infração, mas, no caso concreto, acredita estar acobertado por uma excludente de 
ilicitude. 
Erro de proibição mandamental: o agente se omite, acreditando não possuir, no caso concreto, o 
dever legal de agir (art. 13, § 2º, CP) 
3-
ATENÇÃO! ✔ Não confunda erro de tipo com erro de proibição! Veja este quadro com as principais 
diferenças.
Exigibilidade de conduta diversa 
Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não manifestamente 
ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem
Não basta que o agente seja imputável, que tenha potencial conhecimento da ilicitude do fato, é 
necessário, ainda, que o agente pudesse agir de outro modo. É necessário que esteja presente, portanto, a 
exigibilidade de conduta diversa.
Se se conclui que não era possível exigir do agente uma postura diferente, uma postura de acordo com o 
Direito, isso significa que estará afastada a exigibilidade de conduta diversa, havendo neste caso o que se 
chama de inexigibilidade de conduta diversa.
Esse elemento da culpabilidade fundamenta duas causas de exclusão da culpabilidade:
Coação moral irresistível – A coação mora irresistível, também chamada de “vis compulsiva” ocorre 
quando uma pessoa coage outra a praticar determinado crime, sob a ameaça de lhe fazer algum mal 
grave. Neste caso, aquele que age sob a ameaça atua em situação de coação moral irresistível, de 
forma que se entende que não era possível exigir de tal pessoa uma outra postura.
•
Obediência hierárquica – Na obediência a ordem não manifestamente ilegal de superior hierárquico
o agente pratica o fato em cumprimento a uma ordem proferida por um superior hierárquico. 
Todavia, a ordem não pode ser manifestamente ilegal. Se aquele que cumpre a ordem sabe que está 
cumprindo uma ordem ilegal, responde pelo crime juntamente com aquele que deu a ordem. Se a 
ordem não é manifestamente ilegal, aquele que apenas a cumpriu estará acobertado pela excludente 
de culpabilidade da obediência hierárquica, em razão da inexigibilidade de conduta diversa.
•
Requisitos da Obediência Hierárquica 
⮚ Ordem de superior hierárquico; 
⮚ Ordem não manifestamente ilegal (ordem aparentemente legal): devese levar em consideração o perfil 
subjetivo do autor; 
 Página 7 de Direito Penal 
subjetivo do autor; 
⮚ Estrita obediência à ordem: o subordinado não pode exceder ao que lhe foi determinado, caso contrário 
será responsabilizado.
ATENÇÃO!! A coação física irresistível não exclui a culpabilidade. A coação física irresistível exclui o fato 
típico, pois o fato não será típico por ausência de conduta penalmente relevante, já que não há 
voluntariedade.
Na coação física, também chamada de “vis absoluta” o agente atua sem vontade, pois não controla seus 
próprios movimentos corporais
✔ Existem causas supralegais excludentes da culpabilidade admitidas pela maioria da doutrina, como a 
cláusula de consciência e a desobediência civil
Súmulas do STJ 
Súmula 74 do STJ – O STJ sumulou entendimento no sentido de que o reconhecimento da menoridade penal
depende de prova por documento hábil (certidão de nascimento, carteira de identidade, etc.). Uma vez 
reconhecida a menoridade penal, o processo deve ser anulado e o agente submetido ao regramento 
especial do ECA.
STJ - RESP 1544952 – O STJ decidiu no sentido de que a mera condição de indígena (ainda que não 
integrado à sociedade) não configura, por si só, hipótese de exclusão da culpabilidade por ausência de 
potencial consciência da ilicitude, o que deve ser avaliado caso a caso
O indígena é imputável? Depende. Podem existir três situações: 
a) se ele estiver integrado à vida em sociedade, será imputável; 
b) se ele estiver relativamente integrado à vida em sociedade, será semiimputável; 
c) se ele não estiver integrado à vida em sociedade, será inimputável. 
A determinação do grau de integração do indígena à vida em sociedade se dará por meio de exame pericial. 
A emoção ou a paixão excluem a imputabilidade? De acordo com o Código Penal (art. 28), ambas não 
excluem a imputabilidade penal
O surdo-mudo é imputável? Depende da sua capacidade de entender o caráter ilícito do fato e de 
determinar-se de acordo com esse entendimento. Se não houver essa compreensão, será inimputável. Se 
houver relativa compreensão, será semiimputável (art. 26, parágrafo único, CP) Se houver compreensão, 
será imputável. 
 Página 8 de Direito Penal

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