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UNIDADE 6 DEFICIÊNCIA VISUAL E TECNOLOGIA ASSISTIVA 6.1DefICIÊNCIA VISUAL E ASFORMAS DE SIGNIFICAR O MUNDO Nesta unidade conversaremos sobre a deficiência visual e a tecnologia assistiva. Já sabemos,por meio de nossos estudos,que a criança com deficiência visual necessita ser estimuladao quanto antes. Os estímulos precisam ser sensoriais, motores e auditivos, pois ela depende desses sentidos para aprender, para interagir socialmente e se apropriar do conhecimento que a cerca. A criança cega, para aprender de fato, precisa vivenciar, experimentar, atuar sobre o objeto de sua aprendizagem. Tudo o que a rodeia deve chegar-lhe às mãos. Assim, juízos podem ser aflorados, conceitos podem ser construídos (ALMEIDA, 2014, p. 44). O avanço da tecnologia associado aos conhecimentos produzidos pela ciência possibilitou às pessoas com deficiência visual qualidade de vida, inserção no mercado de trabalho e,principalmente,na escola. Diversos recursos foram criados para que a pessoa com deficiência visual possa participar de atividades sociais além de ser um cidadão produtivo.Se pensarmos que o aporte visual é o grande responsável por uma parte da aprendizagem e da construção de conceitos acerca do mundo e suas significações pelas crianças videntes, perceberemos claramente que as crianças cegas podem,da mesma forma,apropriar-seda aprendizagem e das construções do mundo de uma forma muito parecida, porém, em um contexto diferente, a partir da valorização das suas experiências adquiridas e das relações sociais estabelecidas, na família e na escola. Para tanto, valorizar suas experiências táteis, auditivas e sinestésicas é tão importante quanto proporcionar intervenções que favoreçam a formação de conceitos por meio dos processos de significação, promovendo assim o desenvolvimento das funções psicológicas superiores (NUERNBERG, 2008, p. 314). No contexto da inclusão de pessoas com deficiência visual principalmente no processo de alfabetização e construção de conhecimentos, os recursos diferenciados e a tecnologia assistiva se apresentam como uma opção de acessibilidade à informação e ao conhecimento, independentementeda cultura e das limitações de cada sujeito.No entanto, para além da Tecnologia Assistiva, é importantíssimo que uma das propostas metodológicas seja a reabilitação, não no sentido médico-terapêutico, mas, voltada para a estimulação dos sentidos remanescentes. Outroponto a se destacar é a preocupação com o funcionamento psicológico superior: ações que potencializem a utilização da memória, da atenção concentrada, imaginação, pensamento conceitual entre outras. Essas ações pedagógicas necessitam também ser priorizadas no processo de alfabetização e ao longo da vida desses sujeitos, tanto no ensino regular quanto no ensino especial. Oferecer apenas recursos e tecnologia assistiva nunca será suficiente se o pensamento e as funções mentais superiores também não forem estimulados (RANGEL; GOMES, 2019). Portanto, não basta trabalhar com tecnologia assistiva, recursos tecnológicos e outros, sem, no entanto, abrirmos possibilidades para o desenvolvimento dos processos cognitivos. Isso representa dizer que é importante promover a mediação da ação dos sistemas funcionais, possibilitar ao sujeito o desenvolvimento de habilidades que possibilitem não apenas a escolarização e a alfabetização, mas, também a sua autonomia. 85Por diversas vezes nos deparamos com situações em que o aluno cego necessita se ajustar ao padrão de ensino do professor, muito ao contrário disso, é preciso que o caminho se inverta, ao docente cabe a tarefa de tornaro ambiente da sala de aula inclusivo e flexível nas formas de aprendizagem, de modo que atenda todos os alunos. A qualidade do trabalho não está ligada à homogeneidade dos processos educacionais, mas ao caso a caso, à singularidade e subjetividade de cada indivíduo que faz parte daquele ambiente. Assim, cabe ao docente ressaltar o que o aluno cego e os demais apresentam de pontos positivos, e não ressaltar as limitações. Essa ação representa considerar a capacidade de cada um, mobilizar a comunidade acadêmica quanto àflexibilização do currículo e as adaptações necessárias a cada aluno, ou seja, contemplar um currículo e uma proposta pedagógica que responda às necessidades individuais (RANGEL; GOMES, 2019).Já conversamos na unidade anterior o quanto é importante que o professor conheça cada aluno, a fim de que possa selecionar a tecnologia assistiva e os recursos mais adequados em cadasituação. Vale ressaltar que cada aluno apresentará um tipo de deficiência visual e uma forma muito peculiar de lidar com essa limitação.Como já discutido, a falta de formação e de experiência docente, consiste em uma grande barreira no processo educativo. Ainda precisamos avançar muito não apenas no conceito de inclusão, como também na remoção de barreiras atitudinais. Envolver o aluno cego no mundo que o cerca, representa incluí-lo no conhecimento de mundo e nas relações sociais. Essas atitudes na escola promovem algo de muito decisivo no desenvolvimento global da criança cega: viver as experiências.Essas experiências representam tudo aquilo que nos cerca, que nos acontece, que nos permeia, que nos atravessa, que nos toca enquanto sujeitos (BONDÍA, 2002). Ou seja, aquilo que o sujeito interiorizou numa relação ativa com o mundo, compreendendo a si mesmo e dando sentido ao que o acontece. Está relacionada à forma como o homem foi tocado e se coloca diante do mundo. É diferente de estar informado, de saber o que se passa. A informação trata do saber, de uma relação em que se recebe um conteúdo ou um conjunto de ideias, enquanto a experiência versa sobre a interação e o sentido que cada um produz nessa relação de troca (RANGEL; GOMES, 2019, p. 42). O que as autoras propõem é a importância de mediação do professor para que o aluno cego se aproprie de significados culturais, que podem surgir através do contato de situações e objetos que claramente são percebidos por eles.Baseando-se nas intervenções educativas citadas por Larrosa, as crianças cegas por meio de via alternativas desenvolvem uma forma singular de atuar na realidade por meio de formas de percepção funcional que equivalem a dos videntes. Não devemos perder de vista que os objetivos de aprendizagem para as criançascegas devem ser os mesmos, porém, o que muda são as formas como a criança cega se apropriará dos conhecimentos.No próximo item, conversaremos sobre a tecnologia assistiva e a promoção da autonomia da pessoa com deficiência auditiva ou cega. 6.2Tecnologia Assistiva Se pensarmos que existem diversos recursos e tecnologia assistiva, bem como uma grande necessidade de estimulação precoce, concluímos que desde cedo o aluno deficiente visual precisa ser exposto às mais variadas condições de estimulação sensorial, motora, cognitiva e auditiva. Isso quer dizer que ele precisa ter contato com o braile, recursos tecnológicos, fontes ampliadas, ou seja, tudo que puder auxiliá-lo na alfabetização e na vida, pois, a deficiência visual não compromete o desenvolvimento cognitivo, muito ao contrário, ele é potencializado se as condições e os recursos forem favoráveis à aprendizagem.Muitos professores acreditam que a sala de recursos se constitui de um espaço para que a pessoa com deficiência visual utilize alguns recursos tecnológicos para serem treinadas de forma tal que ela consiga executar suas tarefas com mais facilidade no cotidiano.A utilização desses recursos poderá,sim,auxiliá-la em seucotidiano, porém, é preciso pensar a deficiência visual e os recursostecnológicos para além de um mero treinamento. Se uma das funções dos recursos tecnológicos é auxiliar, então estamos nos referindo à tecnologia assistiva. A tecnologia assistiva refere-se a Uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação, de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social (BERSCH, 2017, p. 2). A expressão tecnologia assistiva ganhou destaque na Convenção sobre os Direitos humanos das pessoas com deficiência da ONU em 1996. [...] a obra de Romeu Sassaki, tradutor oficial da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, introduziu a expressão “Tecnologia Assistiva” (TA) no Brasil, pela primeira vez, em 1996. A partirdesse momento, o Comitê de Ajudas Técnicas (CAT, 2007), apesar de manter este nome, decidiu padronizar a terminologia adotada por Sassaki por considerá-la uma tendência nacional já firmada no meio acadêmico, em organizações de pessoas com deficiência, em setores governamentais, em institutos de pesquisa e no mercado de produtos(LUGLI et al., 2016, p. 45). Assim, a tecnologia assistiva se firmou como um modo de expressar o que são produtos e serviços que promovem a qualidade de vida e a inclusão das pessoas com deficiência.A ideia é que a tecnologia assistiva possa auxiliar as pessoas com deficiência, por meio dos recursos a minimizar as limitações e as barreiras atitudinais e físicas, possibilitando a elas ter qualidade de vida e independência em qualquer ambiente, seja, na escola ou em outros âmbitos sociais. A tecnologia assistiva se divide em 11categorias (BERSCH, 2017): auxílios para a vida diária; CAA (CSA) comunicação aumentativa (suplementar) e alternativa; sistemas de controle de ambiente; projetos arquitetônicos para acessibilidade; órteses e próteses; auxílios para surdos ou com déficit auditivo; adaptações em veículos adequação postural; auxílios de mobilidade; auxílios para cegos ou com visão subnormal; recursos de acessibilidade ao computador. Vamos avançando no raciocínio. Grande parte dos recursos ou ajudas técnicas ofertados pela tecnologia assistiva, necessitam de um computador, além disso, conhecer suas funcionalidades, por outro lado, muitas vezes ela não é acessível a uma grande parte da população com deficiência, principalmente a população cega, por falta de conhecimento sobre os equipamentos e condições financeiras para adquiri-los.Portanto, devemos pensar que a tecnologia assistiva em si, não resolve os problemas da acessibilidade e inclusão, mas, para quem as conhece e utiliza, ela é uma facilitadora do processo de inclusão. 6.3Tecnologia para cegos Na área da deficiência visual a tecnologia é pensada com o objetivo de que os cegos ou deficientes visuais sejam capazes de utilizar a tecnologia e ao mesmo tempo serem favorecidos na construção da autonomia pessoal e integração social e escolar. Adaptações para cegos: Sintetizador de voz ou leitor de tela:sãosoftwares de interação entre cego e computador. O cego consegue ouvir todo o conteúdo que está sendo apresentado na tela do computador; Linha Braile:é um equipamento que precisa estar conectado ao computador. Ele possui uma linha régua de células braile,que se movimentam para cima e para baixo, nesse movimento ela transcreve em braile o texto que está na tela do computador, linha a linha. Braile falado:é um parelho que possui um teclado braile e saída por meio de voz sintetizada. Além disso, ele oferece também editor de textos, agenda entre outras funções, e pode ser conectado ao computador. 6.3.2 Adaptações para deficientes visuais: Programas de ampliação de telas: softwares que ampliam o conteúdo da tela do computador; Figura 26: Softwares de ampliaçãoFonte:Biblioteca Lupa:ampliador de textos.Como já dissemos, os recursos são muitos, porém, os preços ainda são pouco acessíveis e as informações e conhecimento de como utilizá-los ainda é de domínio de uma minoria. FIXANDO O CONTEÚDO 1.Segundo Amorim & Alves (2008), quando a criança cega é bem estimulada e recebe o apoio necessário nos primeiros anos de vida, ela chega aos 3 ou 4 anos de idade com um desenvolvimento bem próximo da criança que vê. São aquisições fortemente relacionadas entre si e, ao surgirem, indicam que a criança está preparada para brincar com outras crianças, sair do espaço pessoal e restrito de sua casa, explorar outros lugares e ter novas vivências. Nessa fase, existem critérios que devem ser observados quanto ao desenvolvimento da criança cega. Assinale a alternativa que apresenta todos os itens corretos. a)Coordenação motora global; coordenação motora fina; linguagem; relação com o mundo. b)Relação com o mundo; coordenação motora fina; leitura do sistema Braille; linguagem. c)Leitura do sistema Braille; coordenação motora global; linguagem; coordenação motora fina. d)Utilização do soroban; relação com o mundo; leitura do sistema Braille; coordenação motora fina. e)Coordenação motora global; linguagem; leitura do sistema Braille; relação com o mundo. 2.Conforme relata Amorim & Alves (2008), o professor deverá atender as necessidades educacionais específicas da criança cega, trabalhando os requisitos prévios para a alfabetização em Braille. Para que esse objetivo seja alcançado, é importante saber quais são esses pré-requisitos e como as atividades comuns da escola podem ser usadas e adaptadas para que a criança cega consiga desenvolvê-los. Entre eles, o professor deverá ensinar I.as noções básicas de espaço e tempo: acima/abaixo, à frente/atrás, em cima/embaixo, antes/depois, rápido/ devagar etc. II.a percepção das relações espaciais: saber utilizar e interpretar os conceitos espaciais básicos em si mesma, em outras pessoas, em objetos em relação a si mesma, em objetos em relação a outros objetos. III.as noções básicas de formas e tamanhos: ter conhecimento de formas geométricas (do tridimensional ao bidimensional, até chegar às representações gráficas), e diversos conceitos relacionados a tamanhos e medidas (grande/médio/pequeno; alto/baixo; comprido/ curto). Está correto o contido em a)I, apenas. b)II, apenas. c)III, apenas. d)II e III, apenas. e)I, II e III. 3.Para a aprendizagem da escrita Braille é preciso refinar as destrezas de manipulação, o uso da força da mão (dosar intensidade) e a flexibilidade de punhos e dedos. Dentre as atividades que o professor poderá oferecer ao aluno com deficiência visual, pode-se citar: I.jogos de enfiagem com contas de diversos tamanhos e formas; atividades com pintura a dedo, massinha, areia, argila. II.brincadeiras infantis com o uso das mãos (passa-anel); fazer e desfazer nós em diversos materiais (cordas, barbantes, lãs). III.brincadeiras de roda; lenço atrás; dança das cadeiras; danças folclóricas. Está correto o que consta em a)I, apenas. b)II, apenas. c)III, apenas. d)I e II, apenas. e)I, II e III. 4.Conforme Brasil, MEC (2003), os professores que trabalham com crianças com deficiência visual necessitam conhecer as habilidades básicas de mobilidade, como também os conceitos e as técnicas que antecedem a aprendizagem do uso da bengala longa. A primeira técnica a ser ensinada e que se constitui num dos meios mais eficientes para familiarizar a criança com os espaços físicos daescola, principalmente a sala de aula, é a técnica a)de proteção superior. b)para localização de portas fechadas e trincos. c)do guia vidente. d)de proteção inferior. e)paradetecção e exploração de objetos. 5.Segundo Brasil, MEC (2003), nos casos dos alunos com deficiência visual que tenham algum tipo de percepção visual, esta deve ser utilizada ao máximo na orientação e mobilidade, devendo o professor estar atento para I.as pistas visuais do ambiente como focos luminosos que podem fornecer ao deficiente visual indicações de corredores, portas e janelas abertas, cantina e outros locais da escola. II.os objetos coloridos existentes na escola, uma vez que poderão servir como ponto de referência para a orientação do aluno. III.conhecer a capacidade visual existente, como ela se apresenta e como o aluno faz uso dela. Está correto o contido em a)I, apenas. b)II, apenas. c)III, apenas. d)I e III, apenas. e)I, II e III. 6.Conforme relata Brasil, MEC (2003), as técnicas de autoajuda na orientação e mobilidade deverão ser incluídas o mais precocemente possível, pois constituir-se-ão nas bases da segurança e confiança na locomoção, tornando-se hábitos indispensáveis que evitarão que o aluno com deficiência visual caminhe agitando os braços de forma incontrolada. Entre elas, a técnica que tem como objetivo proporcionar ao aluno com deficiência visual proteção da parte frontal e inferior do tronco, detectando obstáculos na altura da cintura e órgãos genitais, é a técnica a)de localizar cadeira e sentar-se. b)de proteção superior. c)de proteção inferior. d)de localização de objetos caídos. e)diagonal da bengala. 7.Segundo Amorim & Alves (2008), a iniciação das atividades da vida prática deve ocorrer no lar, mas as vivências na rotina escolar oferecerão um campo para complementar o ensino e a prática dessas habilidades. O professor deve, além da orientação verbal, ter a sensibilidade de utilizar todos os momentos na escola para implementar esse aprendizado, aproveitando I.as brincadeiras simbólicas (brincar de casinha; feirinha); as festinhasde aniversário, estimulando a criança cega a experimentar a diversidade de texturas, segurar alimentos com a mão, usar guardanapo. II.a mesa coletiva de trabalho, ajudando a criança a dispor seus pertences, a dividir o espaço com os colegas, estimulando para que tenha senso de organização e hábito de guardar as próprias coisas. III.a hora do lanche para estimular os bons modos à mesa, como mastigar com a boca fechada e sem fazer barulho, não encher muito a boca edesenvolver hábitos de cordialidade no convívio social. Está correto o contido em a)I, apenas. b)II, apenas. c)I e II, apenas. d)I e III, apenas. e)I, II e III. 8.Existem inúmeras brincadeiras e jogos que podem ser utilizados na fase da educação infantil. No caso de crianças cegas e com baixa visão, deve-se oferecer uma seleção de brincadeiras que envolvam conceitos matemáticos de quantificação e ordenação de objetos e que constituem a base do pré-soroban. Dentre as brincadeiras corporais propostas no pré-soroban, tem-se: a)lenço atrás; brincadeiras de roda; dança das cadeiras. b)dança das cadeiras; jogo do nunca dez; ovo choco. c)caixa oculta; caixa vazada; brincadeiras de roda. d)olho vivo; bloco oculto; caixa oculta. e)lenço atrás; jogo do nunca dez; olho vivo. image1.png image2.png image3.png image4.png