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Universidade Federal Fluminense. Curso: Química bacharelado. Disciplina: Educação, Política e Meio Ambiente. Docente: Ana Angélica Rodrigues de Oliveira. Discente: Jéssica da Cruz de Araújo Bispo. Resenha Identificação do artigo: RIBEIRO, Wallace Carvalho; LOBATO, W; OLIVEIRA, L. M. L. P. R. ; LIBERATO, R. C. A Concepção de Natureza na Civilização Ocidental e a Crise Ambiental. Revista da Casa da Geografia de Sobral (RCGS), Sobral-CE, v. 14, n. 1, p. 7-16, 2012. Disponível em: www.uvanet.br/rcgs. A presente resenha pretende descrever o artigo científico escrito por Wallace Carvalho Ribeiro, que é doutorando em Geografia – Tratamento da Informação Espacial (PUC Minas) e professor do Departamento de Geografia da PUC Minas; Wolney Lobato, que possui doutorado em Ciências e História Natural (UFMG), professor do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática e professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia – Tratamento da Informação Espacial da PUC Minas; Lídia Maria L. P. Ribeiro de Oliveira, que possui doutorado em Filosofia da Educação (UNICAMP), professora do Departamento de Filosofia e do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática da PUC Minas; Rita de Cássia Liberato, que possui doutorado em Geografia – Tratamento da Informação Espacial (PUC Minas) e professora do Departamento Ciências Sociais da PUC Minas, que teve como título A concepção de natureza na civilização ocidental e a crise ambiental. O artigo está dividido em três seções. A primeira é destinada a introdução, a segunda trata da civilização ocidental e natureza: o homem como senhor absoluto e a terceira expõe as considerações finais dos autores. O objetivo do artigo é apresentar os pressupostos históricos e filosóficos da atual crise ambiental e expor algumas de suas consequências, onde espera-se que esta reflexão auxilie no entendimento desta crise na contemporaneidade e, concomitantemente,estimule a ação no sentido de se construir uma sociedade mais justa e igualitária. Na introdução, o autor inicia conceituando que a noção de natureza na civilização ocidental é marcada pela separação homem-natureza. Em outras palavras, a natureza é vista como uma fonte ilimitada de recursos, alimentando o crescimento capitalista. Isso levou a uma separação entre 1 http://www.uvanet.br/rcgs http://www.uvanet.br/rcgs humanos e natureza, resultando em impactos ambientais graves em escala global. Os autores sinalizam que os efeitos desse processo histórico podem ser notados nas rápidas e complexas transformações ambientais (naturais e humanas), das quais erigiram(construíram) múltiplas degradações na Terra em diversas escalas geográficas, evidenciando que a crise ambiental atual é resultado desses efeitos e comportamentos, exigindo uma mudança para uma sociedade mais justa e sustentável. Na segunda seção, os autores aprofundam a ideia sobre a relação entre o ser humano e a natureza, destacando que o ser humano é parte integrante da natureza e possui a capacidade de pensar e agir (práxis). De acordo com GONÇALVES (1990), cada cultura desenvolve sua própria concepção sobre o que é a natureza, moldando assim suas ideias sobre organização social. Essas visões são influenciadas pelo contexto socioeconômico, político e cultural, refletindo as relações humanas na sociedade. Por outro lado, SOFFIATI (2002), destaca que no mundo helênico antigo, especialmente nos séculos VI e V a.C., surgiram pensadores chamados físicos naturais, que, apesar de terem escolas e concepções distintas, compartilhavam uma postura contemplativa e viam a natureza como uma totalidade integrada, incluindo homens e deuses. De acordo com BORNHEIN (1985), os filósofos pré-socráticos concebiam a physis como uma totalidade que englobava tudo o que existia, desde fenômenos naturais até aspectos da realidade humana, como nascimento, comportamento e sabedoria. O conceito de physis era abrangente, incluindo todas as manifestações da existência. O texto também menciona que os filósofos gregos, como PLATÃO (428/27-347 a.C.) e seus seguidores, demonstravam desinteresse pelas formas naturais como pedras e plantas, priorizando o homem e o mundo das ideias. A sociedade grega, por sua vez, passou a valorizar mais os pensadores que desprezavam noções míticas da realidade em favor de um pensamento mais racional, considerando-os superiores. PLATÃO (428/27-347 a.C.), em particular, enfatizava que apenas as ideias e o pensamento humano eram perfeitos em comparação com a realidade material. BRÜGGER (1999), descreve a visão de que a Terra foi criada por um único Deus todo-poderoso, que deu forma ao mundo e instruiu seus habitantes a crescerem, se multiplicarem e dominarem todas as coisas inanimadas e vivas sobre ela. SOFFIATI (2002), complementa mencionando que o judaísmo introduziu a ideia de um processo histórico linear e escatológico, 2 influenciando várias correntes de pensamento ocidental, como o liberalismo, marxismo, anarquismo, darwinismo e espiritualismo kardecista. Na tradição judaico-cristã, a crença de que "Deus criou o homem à sua imagem e semelhança" é enfaticamente reafirmada, destacando o homem como um ser privilegiado em relação à natureza, não sendo mais considerado parte dela. Com a ascensão do cristianismo no Ocidente, Deus é percebido como uma entidade que controla o mundo dos mortais de fora e de cima. GONÇALVES (1990), ressalta que essa tradição estabelece uma oposição entre a perfeição divina e a imperfeição do mundo material, sendo esse contraste um pilar importante do poder dessa tradição desde a Idade Média. Por outro lado, DESCARTES (1996), propõe a ideia de que, ao conhecer a natureza e seus elementos, podemos dominá-la e utilizá-la de forma a nos tornarmos "senhores e possuidores da natureza", aplicando-a em diversos usos de maneira apropriada. Os autores discutem como o pensamento cartesiano influenciou BACON (1561-1626), e NEWTON (1642-1727), adotando a visão mecanicista do universo, onde o mundo é um mecanismo regido por leis universais e compreensível pelos humanos. Essa visão objetiva se tornou o ideal científico, permitindo ao homem dominar a natureza. O conhecimento do Iluminismo impulsionou a sociedade industrial, valorizando a técnica sobre as necessidades humanas. No século XIX, o positivismo enfatizou as ciências naturais e a técnica, criando uma divisão entre os dominantes (Estado e detentores do conhecimento técnico) e os dominados. A sociedade capitalista tratou a natureza como algo externo, lidando com problemas ambientais de forma técnica. MARCUSE (1982), destacou a exploração técnica na sociedade capitalista. A burguesia disseminou esse modelo, inclusive na educação pública, preparando para a sociedade industrial. Críticas ao positivismo surgiram, questionando o paradigma mecanicista e tecnicista. MARX (2004), introduziu a ideia de interdependência entre o homem e a natureza, enfatizando sua ligação intrínseca. Ainda nessa seção os autores utilizam os pensadores como: ERNEST HAECKEL (1834-1919); FRANZ BOAS(1858-1942); CUCHE(1999); MALINOWSKI(1884-1942) e LÉVI-STRAUS(1884-1942), que questionaram visões eurocêntricas e valorizaram a diversidade cultural. HAECKEL (1834-1919), introduziu a Ecologia e criticou a fragmentação do conhecimento em favor do monismo. BOAS(1858-1942), separou raça e cultura, defendendo a pluralidade cultural. MALINOWSKI(1884-1942) e LÉVI-STRAUS(1884-1942) destacaram a importância de considerar 3 outras culturas como sujeitos. A Antropologia, ao longo do século XX, ressaltou que as noções de tempo, espaço, natureza, sociedade e ser humano variam entre culturas. Isso contrasta com a visão da ciência moderna, baseada no mecanicismo, que separa homem e natureza e a vê como estática, cabendo ao homem dominá-la. O mecanicismo da Revolução Industrial influenciou a distinção entre homem e natureza, um mito fundante da sociedade ocidental moderna. O texto aborda a gradual fragmentação do conhecimento científico e a ascensãodo homem à superioridade sobre a natureza, resultando em uma desconexão do conhecimento. Esse processo é atribuído à especialização crescente e à departamentalização do sistema de conhecimento. No contexto do capitalismo monopolista, impulsionado pelo avanço técnico-científico, a distinção entre homem e natureza se consolidou, com a natureza sendo vista como uma fonte ilimitada de recursos para o progresso ocidental. Paralelamente, as relações humanas foram influenciadas pela ambição dos proprietários dos meios de produção, relegando os valores ambientais. O texto retrata a lógica capitalista prevalecendo sobre a lógica humana, tratando a força de trabalho humano como uma mercadoria especial. Isso levou à perda da humanidade do homem moderno, reduzindo seus desejos à busca por posse, tratando tudo e todos como mercadorias e considerando o homem apenas como uma peça funcional do sistema, conforme a "ideologia da funcionalidade". Os autores apontam que o avanço técnico-científico trouxe melhorias na qualidade de vida para alguns indivíduos, especialmente os proprietários dos meios de produção e aqueles com condições financeiras para acessar novos serviços. No entanto, essas melhorias não se refletem igualmente em todos os seres humanos ou no meio natural. A partir do século XX, as preocupações com a degradação ambiental se tornaram globais e nacionais, levando à adoção generalizada da análise sistêmica nos diferentes campos científicos para abordar essa problemática. Os autores salientam que a crise ambiental contemporânea não afeta apenas a espécie humana, mas toda forma de vida e seus suportes em todo o planeta. Em outra palavras, os valores, as noções e as condutas prevalecentes na atual formação social ameaçam/comprometem a sustentação da vida. Portanto, a racionalidade científica instrumental desumanizou o homem ao reificá-lo, transformando-o em uma "espécie robotizada", cujo propósito é a satisfação de necessidades criadas pela lógica do capital. Isso levou ao surgimento do indivíduo consumista e desenvolvimentista, onde o "homo economicus" prevalece sobre outras formas de vida, alterando seu entorno para satisfazer os interesses econômicos predominantes. Em seguida, os autores citam algumas consequências do 4 modelo de sociedade urbano-industrial e democratico-contratual como a banalização da vida humana, o ritmo acelerado de vida, a crescente demanda por recursos energéticos não renováveis, a perda de biodiversidade, mudanças climáticas como o aquecimento global e a diminuição da camada de ozônio, o aumento do uso de aditivos químicos nos alimentos, e o crescimento dos resíduos sólidos urbanos e do lixo radioativo. Na terceira seção, os autores tecem as considerações sobre a complexidade das questões ambientais discutidas e o desejo de contribuir para o debate sobre a construção de uma sociedade sustentável. Propõem a necessidade de romper com o modelo cientificista e cartesiano de racionalidade, buscando uma integração mais harmoniosa entre o homem e a natureza. Sugerem a criação de um novo modelo econômico baseado na sustentabilidade ambiental, onde o homem seja visto como parte integrante do meio ambiente. Destacam a importância da Educação Ambiental emancipatória, participativa e contextualizada na formação de indivíduos críticos e conscientes ambientalmente. Finalizando, pode-se perceber que os autores exploram diferentes visões filosóficas e culturais ao longo da história, destacando como o pensamento científico, especialmente o cartesianismo e o mecanicismo, influenciaram a forma como a sociedade ocidental percebe e interage com a natureza. Além disso, o artigo aborda a ascensão do homem à superioridade sobre a natureza no contexto do capitalismo, evidenciando a perda de valores ambientais e a desumanização causada pelo dinheiro. Também aponta as consequências negativas desse modelo de sociedade urbano-industrial e democrático-contratual, como a degradação ambiental e a crescente demanda por recursos não renováveis. 5