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© Ao aluno é permitido fazer uma cópia do material didático disponibilizado para uso próprio. De acordo com a Lei n
o
. 9.610 de 
19/02/1998, que trata de direitos autorais, todo aluno fica proibido de propagar, distribuir e vender o material de qualquer forma, sob 
pena de responder civil e criminalmente por violação da propriedade material e intelectual. 
 Disciplina: Planejamento da Terapia Nutricional 
Versão 1.0 
 
 
 Índices de catabolismo 
Juliana Tepedino Martins Alves 
 
A maior parte do nitrogênio das proteínas é excretado como ureia. O nível plasmático de 
ureia depende não somente da sua taxa de remoção, mas também de sua taxa de aparecimento, o 
que está intimamente ligado à taxa de catabolismo protéico. 
 Em pacientes sem alterações renais, o balanço nitrogenado consiste no cálculo da 
diferença entre o nitrogênio ingerido e o excretado, permitindo avaliar o índice de catabolismo em 
que o corpo se encontra. Para o cálculo do balanço nitrogenado utilizamos as fórmulas a seguir: 
 
 Balanço nitrogenado (BN) = nitrogênio ingerido (NI) - nitrogênio excretado (NE) 
 
(NI) = proteínas ingeridas + proteínas infundidas / 6,25 
Observação: (cada grama de proteína tem 16% de nitrogênio (100:16 = 6,25)) 
(NE) = Nitrogênio urinário ureico (24h) + Nitrogênio urinário não-ureico + Nitrogênio fecal + 
Nitrogênio sonda nasogástrica + Nitrogênio fístulas 
 
Nitrogênio urinário não-ureico (NUNU) = Nitrogênio ureico urinário (NUU) X 0,2 
Nitrogênio urinário ureico (NUU) = ureia urinária de 24 horas x 0,47 
Nitrogênio fecal = 1 a 2g/dia sem diarréia 
Nitrogênio pele = 0,1 a 0,49/m2/dia 
 
Ou, podemos simplificar: 
 
NE = [ureia urinária de 24h (g) x volume urinário de 24h (L)] x 0,47 +4g 
 
 
 
 
 
 
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Ao realizarmos o cálculo, podemos obter três resultados: 
 
1) Balanço nitrogenado zero: quando a quantidade de nitrogênio ingerido é igual à quantidade 
excretada. Ex.: adultos normais que não estão perdendo e nem aumentando a sua massa muscular 
esquelética. 
2) Balanço nitrogenado negativo: quando a quantidade de nitrogênio ingerido é menor que a 
quantidade excretada. Indica CATABOLISMO. Ex.: estado de jejum, dieta pobre em proteínas, dieta 
restritiva, doenças altamente catabólicas como câncer e AIDS, pacientes críticos. 
3) Balanço nitrogenado positivo: quando a quantidade de nitrogênio ingerido é maior que o 
nitrogênio excretado. Indica ANABOLISMO. Ex.: crianças em fase de crescimento, gestantes, treino 
de musculação que objetiva ganho de massa muscular, fase de recuperação de doenças agudas. 
 
 Nos pacientes com insuficiência renal crônica com necessidade de terapia substitutiva 
renal, o balanço nitrogenado não pode ser calculado, visto que a principal forma da excreção do 
nitrogênio da dieta é via ureia, que na presença de insuficiência não consegue efetivamente ser 
excretada via renal. A intensidade da diálise prescrita é baseada na remoção de toxinas de baixo 
peso molecular como, por exemplo, na depuração de ureia. 
 Tanto a remoção da ureia quanto o seu nível plasmático devem ser monitorados quando 
queremos verificar a adequação da diálise. Se a remoção da ureia é inadequada então a diálise 
também é inadequada, independentemente do nível plasmático da ureia. Por outro lado, um nível 
plasmático baixo de ureia não reflete necessariamente uma diálise adequada. Por isso é 
importante que saibamos calcular a remoção da ureia, conforme as fórmulas abaixo: 
 
1. Razão entre os níveis plasmáticos de ureia pós-diálise/pré-diálise (R): 
A quantidade de plasma depurado de ureia durante a diálise é refletida pela razão entre os níveis 
pós-diálise e pré-diálise (pós/pré) de nitrogênio da ureia (NU) 
 
(R) = pós Nitrogênio Ureico (NU) no plasma/pré Nitrogênio Ureico (NU) no plasma. 
Para calcular o NU utilizamos: NU= valor de ureia /2,14 
 
 
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2. Calculo Kt/V: 
Kt/V é uma medida da quantidade de plasma depurado de ureia (K x t) dividida pelo volume de 
distribuição da ureia (V). O volume de distribuição da ureia é grosseiramente igual ao volume total 
de água no organismo. Para esse calculo utilizamos: 
 
Kt/V = -Ln (R - 0,008 x t ) + [4 - (3.5 x R )] x UF / P 
 
Onde: 
Ln = logaritmo natural 
t = duração da sessão de hemodiálise em horas 
UF = volume de ultrafiltração em litros 
P = peso pós-diálise em kg 
 
 Se o paciente ainda apresenta valor de diurese residual significativa, o nitrogênio ureico 
sérico pré-diálise (NUS) deve ser ajustado (NUSa), de acordo com a seguinte equação: 
 
NUSa = NUS x {1 + [0.79 + (3.08 / Kt/V )] x Kr / V 
 
Onde: Kr = clearance renal de ureia em mL/min 
V = volume de água corporal em litros 
 
O cálculo do volume de água corporal (V) deve ser obtido pela fórmula de Watson, abaixo: 
 
 Homens 
 V (L) = 2.447-[0.09156 X idade (anos)] +[0.1074 X Estatura(cm)] +[0.3362 X Peso (kg)] 
 
Mulheres 
 V (L) = -2.097 + [0.1069 X Estatura(cm) ] + [0.2466 X Peso (kg) ] 
 
 
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 Como o aparecimento do nitrogênio ureico e extremamente correlacionado com o 
aparecimento total de nitrogênio ( N dialisado + N urinário + N fecal + aumento do nitrogênio no 
corpo pós-diálise) e sendo sua medida mais simples, foi criada uma equação que estima a ingestão 
protéica para pacientes em hemodiálise, conforme equação abaixo: 
 
PNA (g/kg/dia) = {NUS pré-diálise [25.8 + (1.15 / Kt/V )] + (56.4 / Kt/V ) } + 0.168 
 
 Alguns pontos na interpretação do PNA devem ser considerados: 
 
• O PNA pode ser usado como estimativa da ingestão de proteínas somente quando o paciente 
estiver em balanço nitrogenado neutro; 
• Em pacientes catabólicos, o PNA irá exceder a ingestão de proteínas de acordo com o grau de 
catabolismo de proteínas endógenas; 
• Em pacientes em anabolismo, o PNA irá subestimar a verdadeira ingestão de proteínas; 
• O PNA medido em um só dia pode não refletir a ingestão protéica habitual; 
• Quando a ingestão protéica é muito elevada, o PNA subestima a verdadeira ingestão de 
proteínas, provavelmente pelo aumento da excreção de nitrogênio não medido (ex. pele e 
respiração). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Referências Bibliográficas 
 
 1. NKF-DOQI - Clinicalpractice guidelines for nutrition in chronic renal failure. Am J Kidney Dis, 35 
(suppl.2): 139 p, 2000 
Alp Ikizler, Jerrilynn D. Burrowes, et al. KDOQI CLINICAL PRACTICE GUIDELINE FOR NUTRITION IN 
CKD: 2020 UPDATE T. 
2. Marchini, JS; Moriguti, JC; et al. Métodos atuais de investigação do metabolismo proteico: 
aspectos básicos, estudos experimentais e clínicos. Medicina, Ribeirão preto, 31: 22-30, 1998

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