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0 FACULDADE MINAS CURSO EDUCADOR SOCIAL FRANCILANA DA SILVA FELIX MOREIRA ALVES LITERATURA JUVENIL EM COMBATE AO FANATISMO ADOLESCENTE PIRES DO RIO - GO 2024 1 LITERATURA JUVENIL EM COMBATE AO FANATISMO ADOLESCENTE Francilana da Silva Felix Moreira Alves1 Curso- Educador Social2 "Minha confiança no futuro da literatura consiste em saber que há coisas que só a literatura com seus meios específicos nos pode dar." Ítalo Calvino RESUMO: Pretende-se, neste artigo, abordar aspectos históricos sobre o fanatismo, sendo que todos nós podemos ser vítimas dele, pois está presente no nosso dia-a-dia. Fanáticos, não são apenas os integrantes do Estado Islâmico ou os fiéis que se sacrificam na fogueira santa, mas tem diversas formas, e são pessoas que não medem consequências para seguir aquilo em que acreditam, para perseguir aqueles que amam ou desejam, para defender suas crenças. Dessa maneira, o motivo da escolha deste tema é para descobrir sobre as diferentes formas de fanatismo, e como ele pode interferir na vida do ser humano, sendo que se pessoa ler bons livros, e os professores incentivar os nossos adolescentes a literatura pode auxiliar no combate ao fanatismo. Ou seja, busca-se demonstrar que a literatura juvenil pode contribuir para combater o fanatismo nos jovens, levando-os a refletir sobre diversos tipos de assuntos, a reverem suas ações e abrirem-se a diálogos necessários para que não tomem atitudes marcadas pelo fanatismo. Palavras-chave: Fanatismo. Literatura. Adolescente. ABSTRACT: This paper studies historical aspects of fanaticism, and we can all be victims of it, because it is present in our daily lives. Fanatics, it is not only members of the Islamic State or the faithful who sacrifice themselves to the holy fire, therefore they have different forms, and they are people who do not measure consequences to follow what they believe, to persecute those who love or desire, to defend their beliefs . In this way, the motive in choosing this topic is to find out about the different forms of fanaticism, and how it can interfere in the human being's life, being that if person read good books, and teachers encourage our teenagers to literature can help in against fanaticism. That is, it seeks to demonstrate that 1 Aluna do Curso de Educador Social, Pires do Rio (GO). E-mail: franclana@hotmail.com mailto:franclana@hotmail.com 2 youth literature can contribute to combat fanaticism in young people, leading them to reflect on various types of issues, to review their actions and open the necessary dialogue so that they do not take actions marked by fanaticism . Keywords: Fanaticism. Literature. Adolescent. Introdução O fanatismo é um ato de admiração, que geralmente é o que mais se vê, nos dias de hoje. De acordo com Fernandes (2014, p.01), “o fanatismo (do francês fanatisme) é o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema, historicamente associado a motivações de natureza religiosa ou política”. Quando alguém admira algo ou alguém, esse sentimento não a leva a ter práticas nocivas para si ou para outro, mas, no caso do fanatismo gera uma admiração exagerada por algo ou alguém que se envolve desde a questão religiosa, crenças, visão política, gosto musical e manifestam-se em diversas fases da vida de uma pessoa, mas no caso da adolescência pode trazer ainda maiores problemas, uma vez que essa é uma fase de construção e fortalecimento da personalidade do indivíduo. A literatura e a leitura por si só, é um meio de conhecimento, que abrange uma realidade social, é através da leitura que o sujeito constrói a sua visão de mundo. Já que assim é designada grande parcela do público que se encontra no Ensino Fundamental II, fase escolar em que a literatura juvenil e a leitura literária deveriam ocupar lugar de destaque na formação dos futuros cidadãos. (GREGORIN FILHO, 2016, p.111) Dessa maneira, justifica-se a escolha desse tema, a saber: discutir sobre as diferentes formas de fanatismo, e como ele pode interferir na vida do ser humano, sendo que se o adolescente tiver contato com a leitura de bons livros, de diferentes gêneros, ele se desperta a sua mente para o conhecimento e a literatura pode auxiliar no combate ao fanatismo. Compreende-se que fanáticos e suicidas têm em comum a falta de humor e o desapego pela própria vida. Por isso, a escola e a sociedade como um todo precisam abrir-se ao diálogo, no sentido de que possam contribuir para impedir que os jovens desenvolvam 3 processos de fanatismo e assim acabem cometendo ações marcadas por violência ou qualquer tipo de excessos que sejam nocivos para sua vida. Pretende-se responder questões como: O que é fanatismo? Quais são as manifestações históricas do fanatismo através do tempo? Quais são algumas causas do fanatismo? Como que a literatura pode ajudar no combate ao fanatismo? A metodologia utilizada na elaboração da pesquisa é a construção de um referencial teórico sobre a literatura juvenil ao combate do fanatismo adolescente. Para Lima e Mioto (2007, p. 38), a pesquisa bibliográfica implica em um conjunto ordenado de procedimentos de busca por soluções, atento ao objeto de estudo, e que, por isso, não pode ser aleatório”. Assim, as obras e as discussões dos autores permitem compreender mais a temática proposta aqui. Também foi realizada uma pesquisa de campo com questionários para adolescentes no Colégio Múltipla Escolha em Pires do Rio – GO, que foram distribuídos para adolescentes na faixa etária de 12 a 14 anos. Segundo Lakatos e Marconi (1986, p.71), “Questionário é instrumento de coleta de dados constituídos por uma série ordenada de perguntas, que devem ser respondidas por escrito na presença do entrevistador.” 1 O que é Fanatismo? A palavra fanatismo tem diversos significados, pois é uma crença excessiva que se podem enquadrar em diversos grupos sociais de pessoas que tenham uma visão de mundo que se divide entre bem que é de Deus, ou o mal, que se refere ao Diabo. O Dicionário Aurélio (2002, p.53) conceitua: “Fanatismo (do francês "fanatisme") é o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema, historicamente associado a motivações de natureza religiosa ou política”. De acordo com Fernandes (2014, p.01), “o fanatismo (do francês fanatisme) é o estado psicológico de fervor excessivo, irracional e persistente por qualquer coisa ou tema, historicamente associado a motivações de natureza religiosa ou política”. É comum entre pessoas que aderem a uma causa de forma exagerada e carrega consigo de forma muito próxima o delírio. Utilizando os conhecimentos da Psicologia, Fernandes (2014) afirma que as pessoas fanáticas têm características muito específicas como a agressividade excessiva, 4 preconceitos de tipos variados, estreiteza mental, uma crença absurda em relação a algo, crença que também vem carregada por ódio, sistema subjetivo de valores, individualismo excessivo, entre outras características. Segundo o autor, para que haja o fanatismo, “faz-se preciso que a conduta da pessoa seja marcada pelo radicalismo e por absoluta intolerância para com todos os que não compartilhem suas predileções” (FERNANDES, 2014, p.01). Ainda, de acordo com Fernandes (2014, p.01), “o fanático tem uma visão-de- mundo maniqueísta, cultivando a dicotomia bem/mal, onde o mal reside naquilo e naqueles que contrariam seu modo de pensar, levando-o a adotar condutas irracionais e agressivas”. Muitas vezes, essas pessoas se tornam perigosas para as outras com as quais convive, utilizando a violência para defender e até mesmo forçar outras pessoas a terem o mesmoponto de vista que eles. Portanto, cultiva a divisão entre o bem/mal, onde o mal reside naquilo e naqueles que contrariam seu modo de pensar, levando a adotar condutas irracionais e até mesmo agressivas que podem, inclusive, chegar a extremos perigosos, ou como o recurso à violência exagerada para impor seu ponto de vista. 1.1 Manifestações Históricas do Fanatismo Nesse sentido, Lopes e Lobato (2006) destaca sobre o tema do fanatismo como sendo uma perspectiva histórica que vem sendo construída sobre algumas práticas de fanatismo, através de movimentos e seitas religiosas, que geravam guerras de religião ao longo dos séculos em várias partes do mundo. Isso aconteceu no período da Idade Média ao longo do tempo da Época Moderna, que vem sempre acompanhada de uma ordem pública, centrada nas relações de poder. Os maiores críticos do fanatismo religioso na Época Moderna são: “Montaigne, Bayle, Swift, Montesquieu, Voltaire, Hume, Diderot”. Segundo Montaigne (1972, apud LOPES & LOBATO, 2006, p.25) afirmou que: “em geral, os homens gostam acima de tudo propagar suas ideias e quando carecem dos meios habituais, juntam-lhes o mando, a força, o ferro e o fogo.” E Voltaire (1994, apud, LOPES & LOBATO, 2006, p. 26) dá uma própria razão aos fanáticos, “aquilo que minha seita ensina é obscuro”. Portanto as facções religiosas tornavam fracas as leis, e todos tinham que oferecer proteção. 5 No século XVIII, o historiador Hume (2004), apud Lopes e Lobato, (2006, p. 27) afirma “que o fanatismo religioso era o princípio mais cego, obstinado e ingovernável capaz de atuar sobre a natureza humana”. Já Montesquieu (1960) apud Lopes e Lobato (2006, p.27) afirma que é um mal que passou dos antigos egípcios e judeus aos cristãos e muçulmanos, “eclipse total da razão humana”. Aquele que deseja que eu professe a sua crença morreria feliz caso se visse forçado a professar a minha.” Em consequência disso, os fanáticos geravam as guerras de religião. De acordo com Lopes (2010, p.28) Fundamentalmente as guerras de religião são a história de fanáticos em movimento, seres que autoproclamam instrumentos da vontade de um Deus que é a chama sagrada que os ilumina e alimenta em meio as tormentas e as provações necessárias para a afirmação da verdadeira fé. Fanáticos de todos os tempos sempre possuíram uma capacidade espacial para ampliar as próprias virtudes do espirito como a imaginação criativa. Na Idade Média, algumas formas de fanatismo religioso eram realizadas como ato de feitiçaria. Conforme o autor: No mundo feitiços que possam mover e forçar as vontades, como cuidam alguns palermas; o alvedrio da pessoa é livre, e não há erva nem encanto que o obrigue. O que algumas mulherinhas tolas e alguns velhacos embusteiros costumam fazer são certas mistelas e venenos, com que tornam os homens doidos, dando a entender que são específicos para bem-querer, sendo, como digo, coisa impossível forçar-se a vontade de ninguém (CERVANTES, 1981, p.123). A mulher era considerada como um ser que não merecia confiança, pois ela cometia erros, como enganar mentir, o homem seria enganado por sua maldade. Segundo Santos (2010) Por serem mulheres mais propensas a fraqueza de se entregarem a um espirito do mal, também tem o poder da língua, não ficam sem esconder suas amigas artimanhas do qual praticavam maldade. Essas bruxarias são passadas de uma bruxa a outra com consentimento de se manter vivo o segredo de sua maldade. Por isso há um perigo pelo qual passa o homem que se casa com uma mulher perversa maldosa, do qual não perderia tempo entregando-o aos demônios para fazer suas bruxarias. (p.41) Estas práticas de magias e feitiçaria não sofreu perseguição nas regiões em que a Inquisição foi forte como na Espanha e na Itália, pois a Espanha do século XVI e no começo 6 do século XVII estava preocupada em expulsar os judeus e os mouros, assim as pessoas não se preocupavam com as feiticeiras. Conforme os autores Lopes e Lobato (2006) Isso significa que a magia e religião são distintas. A primeira está sob o comando puramente humano, por meio de manipulação rituais diversas. A segunda escapa do controle e da vontade dos homens, pois depende apenas dos desígnios de entes sobrenaturais como santos e Deus. Desde os meados do século XV a Inquisição não mais se engajou na repressão á bruxaria. Os tribunais seculares ocuparam esse lugar e, dependendo da região da Europa, puniam de forma distinta. Na Inglaterra, diferentemente dos países do continente, bruxas foram enforcadas não pela heresia do culto ao diabo. (p.66 - 67) Este fenômeno de caça às bruxas durou aproximadamente 1450 a 1750. Esta violência praticada contra as bruxas seria, sobretudo, responsável pela pureza da fé cristã. “As manifestações de fanatismo contra as bruxas, que levaram as cruzadas intermitentes a erradicação do mal com uma alteração de perspectiva, criatura que possuía algum tipo de relação às forças sobrenaturais.” (LOPES & LOBATO, 2006, p. 67). O fanatismo religioso passou a ser identificado como atos heréticos, pois as bruxas a cada dia eram mais numerosas, e estavam a colocar fim no cristianismo. Ou seja, “O pacto diabólico fez do mago um herege: doravante, ao menos no continente, tribunais eclesiásticos e leigos punirão a feitiçaria antes de tudo por causa de seu aspecto de traição em relação a Deus”. (LOPES & LOBATO, 2006, p. 69). Estes movimentos eram derivados dos hereges, as caças às bruxas, era que a igreja era a única portadora da palavra de Deus, e começa a sofrer com o passar do tempo, sendo que hereges são pessoas que duvidam da veracidade da igreja. Segundo Novinsk (1994): A palavra herege origina-se do grego hairesis e significa doutrina contrária ao que foi defendido pela Igreja em questão de fé. Em grego hairetikis significa “o que escolhe” [...] herege é “o que escolheu”, o que isolou de uma verdade global uma verdade parcial em seguida se obstinou na escolha. (p.10) O herege escolhe para si mesmo uma “verdade”, contraria ao que a igreja pregava e ensinava onde os seus olhos parecem abrir uma possível realidade religiosa. A crença, ao fanatismo religioso passou a produzir atos imaginários como o sabá, que era o dia de descanso para Deus, que durou muito tempo. No século XVIII, o combate do fanatismo, que se compõe na época do Iluminismo, era combater o espírito de um fanático movido a sua crença: 7 Essas pessoas estão persuadidas de que o espírito santo que as penetra está acima das leis, e que seu entusiasmo é a única lei que devem escutar. O que responder a um homem que lhe diz ser mais agradável obedecer a Deus do que aos homens e que, em consequência disso, está certo de alcançar o céu quando lhe cortam o pescoço? (VOLTAIRE, 1994, p.265). Estas práticas e ideias de fanatismos foram realizadas de um modo violento e fanático pelas Cruzadas Cristãs da Idade Média e pela Inquisição. As perseguições se estenderam ainda ao longo da Época Moderna nos séculos XVI e XVII. Com passar do tempo a caça às bruxas e hereges passaram a não ser vistas como provocadores da fé, sendo que na vida religiosa das comunidades, a “Bíblia” era dita como a biblioteca dos fiéis, ou seja, a verdade e os saberes só era necessário à vida do cristão para combater o bem do mal. 1.2 As consequências do fanatismo na vida de um indivíduo, especialmente de adolescentes O fanatismo não envolve apenas a questão da religião, ele pode estar presente em diversas situações e contextos da vida humana, envolvendo aspectos individuais ou coletivos. Há, porém, que se distinguir o fanatismo do ato de admiração, que é o que mais se vê. Quando alguém admira algo ou alguém, esse sentimento não a leva a ter práticas nocivas para si ou para outro, mas, no caso do fanatismo, ele gera umaadmiração exagerada por algo ou alguém que se envolve desde a questão religiosa, crenças, visão política, gosto musical. Estas manifestações aparecem em diversas fases da vida de uma pessoa, mas no caso da adolescência pode trazer ainda maiores problemas, pois sendo que essa é uma fase de identificação pessoal, é de construção e fortalecimento da personalidade do indivíduo. Amaral (2007, p.06) considera que a adolescência é um período marcado pela busca de si mesmo e da identidade, onde “todas as modificações corporais e as expectativas da sociedade com relação ao jovem levam-no a perceber que está vivenciando uma situação nova, a qual muitas vezes é vivida com ansiedade pelo desconhecimento de que rumo tomar”. Considera-se é um período, o indivíduo tem necessidade de intelectualizar e de fantasiar e muito do fanatismo surge nesse processo de fantasia, de busca de referenciais, onde o sentimento de desamparo e impotência vivenciado pelo adolescente dá lugar a crenças 8 exageradas, a fuga da realidade, o que pode, segundo Amaral (2007), “causar consequências de ordem moral, ética e social”. Segundo Weber apud Amaral (2007), o processo de admiração e até mesmo de fanatismo é muito comum e até normal entre adolescentes, pois é o momento em que eles estão procurando identificação, não mais com seus pais, mas com outras pessoas. “O adolescente passa a se identificar com o ídolo e projetar seus desejos nesta figura, já que em muitos casos, ela é tida como modelo de perfeição, onde se há necessidade de seguir, passando a se vestir como tal, ter as mesmas atitudes e etc.” (AMARAL, 2007, p.23). Essa identificação também pode acontecer em relação a um grupo e a crenças específicas. 1.3 Por que a Literatura Juvenil é importante para trabalhar o fanatismo? Diante de tal questão, entende-se de que a literatura juvenil é uma ferramenta fundamental para os professores trabalhar com o fanatismo, na religião, no futebol, na política, no esporte, no gosto musical, portanto professor é uma peça fundamental para incentivar os adolescentes a ler, de acordo com Gregorin Filho (2016, p.111): Não há como referir-se à adolescência sem que se perceba o entorno sociocultural e econômico onde o indivíduo está inserido. Ao contrário da divisão estanque mostrada em vários catálogos de editoras e mesmo na formulação do sistema seriado de educação vigente no país, não é a cronologia o fator preponderante na delimitação e determinação das fases da vida humana. Falar da adolescência não é um processo que representa apenas uma classificação de indivíduos em relação a sua faixa etária, mas observar práticas sociais, visões relacionadas a diferentes culturas, a influência das questões culturais e históricas sobre cada um desses indivíduos, isto faz crer que adolescentes podem ser diferentes entre si de acordo com o contexto em que vivem e também terão reações diferenciadas diante do trabalho com a literatura. Utilizando a literatura diante desse público, é de fundamental importância que se leve em consideração o meio em que esse indivíduo vive, quais influências ele sofre, qual fase ele está. Conforme o autor: 9 Nessa fase o indivíduo encontra-se entre a fase da infância – outra concepção sociocultural – e a idade adulta, é importante que o estudioso de literatura e o próprio educador revejam sua trajetória humana, pois, nesse tempo do amadurecimento humano, vive-se numa margem entre a criança que ainda se faz presente em várias ações e sentimentos e um adulto que começa a tomar lugar num corpo que se modifica dia a dia (GREGORIN FILHO, 2016, p.112). Isto faz crer que podem ser utilizados diferentes tipos textuais diante desses jovens, para tratar de temas e situações diferenciadas, fazendo com que eles pensem e reflitam sobre situações que podem gerar fanatismo, seja em relação a uma religião, a um ídolo, ou qualquer outro tipo de crença que possa gerar efeitos nocivos sobre sua vida e sua relação em meio a sociedade. Todorov (2009, p.22) considera que “a literatura não nasce no vazio, mas no centro de um conjunto de discursos vivos, compartilhando com eles numerosas características; não é por acaso que, ao longo da história, suas fronteiras foram inconstantes”, ou seja, ela traz a possibilidade de refletir sobre questões do cotidiano desses adolescentes, que estão presentes em seu dia a dia e que geram inquietações e preocupações que precisam ser levadas a sério. Por outro lado, a leitura é um ingrediente indispensável na formação de um sujeito crítico, é chegada a hora de mudanças nas práticas literárias escolares. As crianças, e os adolescentes muitas vezes, não trazem de casa esta cultura de ler de suas casas, sendo que acabam distraindo as suas mentes com jogos, celular e raramente não tem o contato com o livro. Mas o que é exatamente um leitor? De um certo ponto de vista, é possível dizer que leitores são simplesmente pessoas que sabem usufruir dos diferentes tipos de livros, das diferentes “literaturas” _ científicas, artísticas, didático-informativas, religiosas, técnicas, entre outras _ existentes por aí. Conseguem, portanto, diferenciar uma obra literária e artística de um texto científico; ou uma obra filosófica de uma informativa. Leitores podem ser descritos como pessoas aptas a utilizar textos em benefício próprio, seja por motivação estética, seja para receber informações, seja como instrumento para ampliar sua visão de mundo, seja por motivos religiosos, seja por puro e simples entretenimento. (AZEVEDO, 2004, p. 114) Conforme Azevedo, a utilização de textos para incentivo próprio do ser humano pode auxiliar na sua vida futura, melhorando sua visão de mundo. A cada dia que se passa, os adolescentes estão perdendo o gosto pelo ato de ler, mas cabe ao professor instigar o aluno, proporcionar aulas que chamem a atenção dos adolescentes. De acordo com Curia (2012, p.11): 10 O despertar para o gosto pela literatura começa em casa, mas quando as crianças e jovens não tem essa vivência familiar, a tarefa é do professor de Língua e Literatura, e também do professor de Geografia, de História, de Filosofia, enfim, de todos. Primeiramente estes profissionais precisam ser apaixonados por seu objeto de estudo. Esta verdade precisa ser transmitida ao aluno. O professor na responsabilidade de formar leitores precisa ser leitor. Não aquele leitor “careta” e preconceituoso, mas aquele aberto ao literário, aquele que quando percebe beleza e poesia num texto, socializa com os outros, aquele que anda com os livros e entre os livros. Aquele que quando lê um texto com seus alunos se sente outro, encarna a personagem, se abre para ser outro. Por isso que um professor faz toda a diferença na vida de uma criança ou adolescente. Em consonância com Curia (2012), não há como fugir da responsabilidade, pois a literatura trabalha as emoções, auxilia o dialogo dos adolescentes. O professor deve ser apaixonado pela leitura para fazer os seus alunos sejam leitores, sendo que é na adolescência é uma fase é de construção e fortalecimento da personalidade do indivíduo. 1.5. Coleta de Dados no Colégio Múltipla Escolha Participaram da pesquisa 11 alunos, na faixa etária de 12 a 14 anos. Para a coleta de dados foi utilizado um questionário de múltipla escolha e respostas pessoais, organizado em 3(três) partes. A primeira parte era referente à leitura se eles têm o hábito de lerem com frequência diversos gêneros textuais como: romance, história geral ou do Brasil, livros de poesia revistas em quadrinhos, sites de Internet. A segunda, referente a qual relação que eles têm com a leitura; a terceira parte referia-se a perguntas como: Se eles se acham fanáticos em relação algum tema? (Futebol, Religião, Esporte, Política, outros). Algum destes temas faria vocêperder a razão? Em caso afirmativo como? Como você vê as diferenças tão presentes na atualidade? (Sexo, Raça, Religião, outros). Segundo os adolescentes, de acordo com o gráfico 1, na pesquisa afirmam que costumam a ler, mas com frequência em sites da internet (45%) afirmou que costuma fazer as suas leituras utilizando a internet, (18%) já leu livros de poesia. Nota-se que eles têm mais acesso à internet que contato com o livro. 11 Fonte: Pesquisa de campo no Colégio Múltipla Escolha em Pires do Rio-GO, 2024. Org: ALVES, Francilana da Silva Felix Moreira, 2024. Segundo os adolescentes, já leram livros com os seguintes títulos: Do outro lado, Dragão de Gelo, As crônicas de Narnia, Helena, A culpa das Estrelas, Diário de um Banana, entre outros. No gráfico 2, mostra a relação com a leitura, pois os alunos afirmam que a escola estimula bastante a leitura, cerca (37%), disseram que a escola desperta o interesse em ler. E (19%) tem a leitura como uma forma de distração, que usa revistas em quadrinhos, ou sites de internet, para passar o tempo. Fonte: Pesquisa de campo no Colégio Múltipla Escolha em Pires do Rio-GO, 2024. Org: ALVES, Francilana da Silva Felix Moreira, 2024. Sites de internet História Geral ou do Brasil Livros de poesia Jornal 14% Gráfico 1:Leitura:Com que frequência você lê. 5% 33% 48% Gráfico 2: Relação a Leitura 11% 37% 33% 19% Ler é uma das distrações preferidas A escola me estimula a ler Só leio o que é necessário Leio todos os livros indicados pelos professores 12 Na terceira parte do questionário, foram propostas perguntas se eles se achavam fanáticos em relação a algum tema? (Futebol, Religião, Politica, outros). De acordo com o gráfico 3, (49%) dos adolescentes são fanáticos ao futebol. De acordo com o adolescente Artur de 14 anos, ele é fanático ao futebol e ele perderia a razão “se o time dele perder o jogo e alguém tirar onda com ele”. Já o adolescente João Augusto de 14 anos, perderia a razão se “as pessoas falarem mal do time dele.” Fonte: Pesquisa de campo no Colégio Múltipla Escolha em Pires do Rio-GO, 2024. Org: ALVES, Francilana da Silva Felix Moreira, 2024. Analisando os gráficos, os adolescentes tem contato com a literatura, mas nota-se que o contato com o livro é pequeno. Como afirma Curia (2012, p. 14), “leitura desempenha um papel fundamental na transformação do mundo e encaminhamento de uma vida melhor para todos que dependem dela para conhecer o ambiente que os rodeia. A leitura é libertadora.” Portanto, na pesquisa, já mostra um gosto exagerado pelo futebol, que pode gerar certos exageros, ou até mesmo partir para agressão. Considerações Finais Ao analisar o tema fanatismo, foi muito interessante, pois pode compreender que todos nós podemos ser vítimas dele, pois está presente no nosso dia-a-dia. Fanáticos, não são apenas os integrantes do Estado Islâmico ou os fiéis que se sacrificam na fogueira santa, são pessoas que não medem consequências para seguir aquilo em que acreditam, para perseguir aqueles que amam ou desejam defender suas crenças. Futebol Religião Política Esporte Gráfico 3: Você acha fanático a algum tema? 7% 17% 27% 49% 13 Na pesquisa de campo, pode que os adolescentes tem um gosto exagerado pelo o futebol, cerca de (49%) e que pode perder a razão, quando fala mal do seu time, e tudo que é em excesso acaba fazendo mal para a pessoa. Também que a Literatura está presente na vida dos adolescentes, sendo que a literatura é um meio de conhecimento, que pode auxiliar ao combate no fanatismo. Portanto é através da leitura que o sujeito constrói a sua visão de mundo. Como afirma Curia (2012, p. 14), “A leitura é libertadora.” O trabalho na sala de aula com a literatura acaba desenvolvendo a curiosidade e a criticidade do aluno. Portanto, o professor é uma peça essencial na vida dos adolescentes, ele tem que ser antes de tudo ser apaixonado por Literatura, para que os adolescentes sejam apaixonados por ela também, ele deve buscar aprimorar a sua prática pedagógica, proporcionar em suas aulas momentos em que os alunos tomem gosto pela leitura, com dinâmicas, diferentes gêneros textuais, rodas leituras, não só ficar ligados só aos clássicos mas buscar o novo que chame atenção deles. REFERÊNCIAS AMARAL, Vera Lúcia do. Psicologia da educação. Natal, RN: EDUFRN, 2007. AURELIO. O minidicionário da língua portuguesa. 4 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2002. CURIA, Denise Fonseca dos Santos. 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Técnicas de pesquisa: Planejamento e execução de pesquisa, amostragens e técnicas de pesquisa, elaboração, análise e interpretação de dados. São Paulo: Atlas, 1986. NOVINSK, Anita. A Inquisição. 10. Ed. São Paulo: Brasiliense, 1994. SANTOS, Luciano Nogueira, Caça às Bruxas: As Faces da Tortura no Período da Inquisição, Pires do Rio, 2010. TODOROV, Tzvetan. A literatura em perigo. Trad. Caio Meira. Rio de Janeiro: DIFEL, 2009.