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1. Reação de Benzidina 
O princípio da técnica baseia-se na decomposição da água oxigenada (peróxido de 
hidrogênio) pela atividade da peroxidase do sangue. O oxigênio liberado oxida a 
benzidina, formando um composto de cor azul ou verde. Se presentes, remover as 
gorduras das fezes com éter, pela possibilidade de resultados falso-positivos. 
A metodologia consiste em espalhar uma pequena quantidade de fezes sobre um papel 
de filtro de boa qualidade, gotejando 2 ou 3 gotas de água oxigenada sobre o mesmo. 
Adicionar igual volume de solução de benzidina, observando o desenvolvimento de cor. 
 
Interpretação do exame 
• Sem desenvolvimento de cor: reação negativa; 
• Coloração esverdeada: traços de sangue; 
• Coloração verde-clara: +; 
• Coloração verde-escura: ++; 
• Coloração verde-azulada: +++; 
• Coloração azul: ++++. 
 
Reagentes 
Peróxido de hidrogênio a 3% 
Solução de benzidina 
Ácido acético glacial 25 ml 
Benzidina em pó (especial para sangue) 5 g 
Deixar em repouso por uma noite e filtrar; acondicionar em frasco âmbar. É importante 
limpeza rigorosa da vidraria, pois resíduos de detergentes podem falsear os resultados. 
 
2. Reação de Meyer-Johannesen 
O princípio desta técnica baseia-se na redução da fenolftaleína pelo zinco a anidrido 
ftálico, que, oxidado pela água oxigenada, desprende oxigênio pela ação do sangue, 
transformando-se novamente em fenolftaleína, assumindo uma coloração avermelhada 
no meio alcalino. 
A metodologia consiste em realizar uma suspensão de fezes de aproximadamente 5%; 
transferir 5 ml da suspensão para um tubo de ensaio e adicionar 1 ml de reativo de 
Meyer-Johannesen. Inverter várias vezes e acrescentar 3 a 4 gotas de água oxigenada. 
 
Interpretação do exame 
A positividade da reação é considerada quando uma coloração vermelha é desenvolvida 
imediatamente após a realização do ensaio. 
 
Reagentes 
Peróxido de hidrogênio a 3% 
Solução de Meyer-Johannesen 
Fenolftaleína 2 g 
Hidróxido de potássio anidro 20 g 
Água destilada q.s.p. 100 ml 
Aquecer os reativos até a fervura, acrescentando de 10 a 30 g de zinco em pó até 
descoloração completa. Filtrar e acondicionar em frasco âmbar, com um pouco de zinco 
em pó, no fundo do frasco. 
 
3. Reativo de Guáiaco 
O princípio desta técnica baseia-se na oxidação do complexo guáiaco e 
desenvolvimento de um composto de coloração azul. 
A metodologia consiste em realizar um esfregaço das fezes em um papel de filtro, 
gotejando 2 a 3 gotas de ácido acético glacial e 2 a 3 gotas de uma solução preparada 
recentemente de álcool etílico, saturado com goma guáiaco em pó. Adicionar igual 
quantidade de peróxido de hidrogênio a 3%. Misturar com um bastão de vidro e 
observar o desenvolvimento de coloração ao fim de cinco minutos. É conveniente 
realizar paralelamente um controle negativo e outro positivo para validar os exames dos 
pacientes. 
 
Interpretação do exame 
A positividade da reação é considerada quando uma coloração azulada é desenvolvida. 
Uma coloração esverdeada é indicativa de reação negativa. 
 
Reagentes 
Peróxido de hidrogênio a 3% 
Solução de guáiaco 
Álcool etílico a 95% 
Goma guáiaco em pó 
Pulverizar e agitar até saturação; preparar somente no momento do uso. 
 
4. Imunocromatografia 
O teste de imunocromatografia utiliza a combinação de anticorpos monoclonais 
conjugados e anticorpos policlonais anti-hemoglobina humana de fase sólida, com 
elevada especificidade e sensibilidade. Em virtude da utilização de anticorpos 
específicos para a hemoglobina, não há necessidade de realização de dietas, já que os 
anticorpos reconhecem somente a molécula de hemoglobina (sangue). A hemoglobina 
presente nas fezes liga-se ao anticorpo monoclonal, formando um complexo estável, o 
qual flui pela área adsorvente do kit e se liga aos anticorpos policlonais na área de 
reação positiva, surgindo uma banda com coloração rosa-clara (teste semelhante ao de 
gravidez comercializado pelas farmácias e drogarias). Na ausência da hemoglobina, não 
haverá o desenvolvimento de banda na área de reação, indicando resultado negativo. 
 
Quem deve realizar o exame? 
A pesquisa de sangue oculto deve ser realizada por homens e mulheres a partir dos 40 
anos, com periodicidade anual ou a critério médico. Indivíduos que possuem histórico 
familiar de câncer colo-retal, especialmente os parentes de primeiro grau, como pai, 
mãe e irmãos, devem realizar anualmente o exame independente da idade que possuam. 
Caso o exame seja positivo, deve-se proceder à colonoscopia para localizar o motivo do 
sangramento. 
 
Informações úteis aos pacientes 
A pesquisa de sangue oculto deve ser realizada em amostras fecais recentemente 
emitidas. A análise de três amostras aumenta a sensibilidade do exame, já que algumas 
lesões possuem sangramentos intermitentes. Caso o exame não seja realizado por meio 
de ensaios imunocromatográficos, os pacientes deverão ser submetidos a uma dieta 
rígida, com restrição da utilização de alguns medicamentos ou vitaminas que poderão 
interferir nos resultados do exame, ocasionando, muitas vezes, resultados falso-
positivos e preocupações desnecessárias. Os principais interferentes são alguns tipos de 
carne (principalmente a vermelha), nabos, rabanetes, vitaminas (particularmente a 
vitamina C), ferro, ácido acetilsalicílico e outros anti-inflamatórios não esteroidais, 
como o ibuprofeno, utilizado no tratamento da artrite reumatóide e outras doenças 
inflamatórias. Até mesmo a utilização de cremes dentais clorofilados pode favorecer 
resultados errôneos. O consumo desses interferentes deve ser suspenso em três a cinco 
dias previamente à coleta da amostra. 
Carne branca (peixe e frango), enlatados, pipoca, amendoim e farelos de cereais (trigo e 
aveia) podem ser consumidos em pequenas quantidades. Já os demais vegetais (crus ou 
cozidos), alface, espinafre, milho e frutas como uvas, ameixas e maçãs podem ser 
consumidos livremente. 
Caso o procedimento seja realizado por meio de ensaios imunocromatográficos, não há 
necessidade da realização de dietas nem de restrição ao consumo de medicamentos e 
outros interferentes, já que utilizam uma metodologia que não sofre interferência dos 
mesmos. 
 
Considerações importantes 
A colonoscopia examina toda a extensão do intestino. Todos os pólipos encontrados 
serão retirados durante o procedimento, já que 90% deles podem ser removidos sem dor 
e com segurança, sendo posteriormente analisados microscopicamente por médicos 
patologistas. Caso algum tumor seja encontrado, uma biópsia será realizada. Lembre-se 
que, quanto mais cedo o câncer for encontrado, maior será a chance de cura. 
A prevenção é a melhor forma de evitar o desenvolvimento de câncer colo-retal. 
Portanto, todos se beneficiam ao realizar a pesquisa de sangue oculto anualmente. 
Aliado a esse fato, um estilo de vida saudável através da realização de atividades físicas 
regulares, dieta rica em fibras (vegetais, frutas e saladas), com menor ingestão de 
carnes, manutenção do peso adequado para a idade do paciente (estipulado pelo cálculo 
do Índice de Massa Corporal, o IMC), o consumo moderado de bebidas alcoólicas e a 
não-utilização do fumo contribuem para uma vida mais saudável.

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