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Resumo de aula de Ciência Política – Prof. Odair José Torres de Araújo 1 
 
CONTRATUALISMO 
 
Contratualismo: trata-se da doutrina política que considera o surgimento do Estado e/ou sociedade como resultantes de um 
pacto social. 
 
Principais pensadores: 
- Thomas Hobbes (1588-1679) 
- John Locke (1632-1704) 
- Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) 
 
Unidade temática: o ponto comum entre os pensamentos de Hobbes, Locke e Rousseau está exclusivamente na noção de 
contrato como elemento que permite a passagem da condição de natureza para o estado civil. 
 
Divergências: divergem entre si em praticamente todos os elementos da doutrina, tais como concepção de estado de 
natureza; razões e fundamentos do pacto social; finalidade do pacto; método de investigação, etc. 
 
 
Thomas Hobbes (1588-1679) 
 
Obra: O Leviatã ou Matéria, Forma e Poder de um Estado Eclesiástico e Civil 
Ponto de partida: análise da condição humana em estado natural 
Posição política: defesa do Absolutismo 
 
Conceitos: 
 
Estado de natureza: igualdade entre homens; egoísmo. 
Natureza humana conflituosa: competição; desconfiança; glória 
Competição: objetiva o lucro 
Desconfiança: objetiva a segurança 
Glória: objetiva a reputação 
 
Direito de Natureza ≠ Lei Natural 
Direito Natural: liberdade 
Lei Natural: obrigação 
Contrato social: 
- Finalidade: pôr fim ao conflito gerado pela condição de natureza 
- Fundamento: Lei Natural ou preceito fundado na própria razão 
Resumo de aula de Ciência Política – Prof. Odair José Torres de Araújo 2 
 
Primeira Lei: procurar a paz e segui-la. 
Segunda Lei: “que um homem concorde, quando outros também o façam, e na medida em que tal considere necessário para 
a paz e para a defesa de si mesmo, em renunciar a seu direito a todas as coisas, contentando-se, em relação aos outros 
homens, com a mesma liberdade que aos outros homens permite em relação a si mesmo”. 
 
Renúncia: direito natural de usar todos os meios para sua própria defesa, abre-se mão da própria liberdade. 
Fundação do Estado: a renúncia do direito natural implica na necessidade de criação de uma instituição que tome para si a 
responsabilidade de manutenção da paz, é o Estado, ou poder soberano. 
Autoria: os atos do soberano têm sua autoria nos próprios súditos. 
Estado forte: a natureza não deixa de existir após o pacto, seu controle só é possível mediante ação firme do Estado: “pactos 
sem espada são meras palavras”. 
 
 
John Locke (1632-1704) 
Obra: Segundo Tratado sobre o Governo Civil 
Posição política: Liberalismo 
Ponto de partida: consenso como fonte do poder legítimo 
 
Conceitos: 
Estado de natureza: estágio pré-social e pré-político, caracterizado pela liberdade e pela igualdade com relativa paz e 
harmonia entre os homens. 
Concepção empirista: alguns grupos humanos ainda se encontravam na condição de natureza. 
Propriedade é um direito natural: corresponde, ao mesmo tempo, a vida, a liberdade e aos bens materiais resultantes do 
labor. 
Contrato social: faz-se necessário para se resolver inconvenientes do estado de natureza. 
Sociedade civil ou política: funda-se a partir do contrato. 
Finalidade do contrato: conservação da propriedade. 
Divisão de poderes: Legislativo (ou poder supremo); Executivo e Federativo. 
Direito de resistência: o exercício do poder para além do Direito torna o governo ilegítimo e justifica-se a resistência do povo 
contra tal governo. 
 
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) 
Obras: Do Contrato Social e Discurso sobre a Origem e os Fundamentos da Desigualdade entre os Homens 
Posição política: defensor da liberdade e da participação política de forma direta. 
Ponto de partida: analisa a perda da liberdade e os elementos que fundamentam a ordem social. 
 
Estado de natureza: condição de liberdade e igualdade. 
Resumo de aula de Ciência Política – Prof. Odair José Torres de Araújo 3 
 
Sociedade: resultantes de fatores contingenciais 
Ordem social: ilegítima quando resultante da imposição ou da força do Estado sobre os súditos. 
Pacto social: alienação dos direitos de cada associado em favor da comunidade 
Finalidade do pacto: criar uma nova sociedade civil fundada na liberdade e na igualdade (Direito natural). 
Nova sociedade civil: valorização das potencialidades naturais do homem 
Governo: guia-se pela vontade geral limitado pelo poder do povo (soberano) 
Soberania: o próprio povo é o titular 
Representação: a soberania é indivisível e a vontade não pode ser representada 
 
QUADRO COMPARATIVO 
(HOBBES, LOCKE E ROUSSEAU) 
AUTOR ESTADO DE NATUREZA PACTO SOCIAL ESTADO CIVIL 
 
 
THOMAS HOBBES 
Condição de igualdade e liberdade 
na qual prevalece uma guerra de 
todos contra todos. O indivíduo é 
levado a agir em função do seu 
instinto de autopreservação. Mas a 
inexistência de regras e, ao mesmo 
tempo, o seu egoísmo o leva a um 
conflito generalizado com seus 
semelhantes. 
Todos os indivíduos abrem mão 
da liberdade (direito natural) a 
fim de garantir o cumprimento 
da lei natural (que obriga o 
indivíduo a buscar a segurança). 
Total submissão ao poder 
soberano (autocracia). O Estado 
(soberano) tem como objetivo 
garantir a segurança dos 
súditos. 
 
 
JOHN LOCKE 
Condição de liberdade e igualdade 
na qual se verifica um estado pré-
político e pré-social. Admite-se a 
existência da propriedade regulada 
pelas leis da natureza. Em função 
da limitação das leis naturais, a 
propriedade encontra-se sob 
ameaça, são os inconvenientes 
deste estado. 
A fim de resolver os 
inconvenientes do estado de 
natureza, os indivíduos realizam 
um pacto de consentimento, no 
qual abrem mão da liberdade 
natural em prol da liberdade 
civil que passará a regular as 
relações humanas. (Criação do 
Direito) 
O Estado possui poder limitado, 
regulado pela lei. Seu objetivo é 
proteger a propriedade. O povo 
deve exercer o controle do 
Executivo e dispõe ainda do 
direito de resistência. 
 
 
JEAN-JACQUES 
ROUSSEAU 
Condição de liberdade na qual 
prevalece o instinto de 
autopreservação. Os indivíduos 
seriam ariscos e não violentos ou 
egoístas. 
O “pacto atual” funda-se numa 
falácia uma vez que legitima a 
desigualdade. Um novo pacto 
deve ser constituído a fim de 
restabelecer a liberdade. 
Refundação do Estado e da 
sociedade no qual todos 
alienam seu direito em favor da 
comunidade política. 
Soberania popular. O governo 
submetido à vontade geral que 
representa o bem-comum, o 
interesse público. O objetivo do 
Estado é garantir a liberdade e 
proporcionar condições para a 
efetivação da igualdade.

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